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ANO XXIII - EDIÇÃO 233 - 25 MAR a 25 ABR 2018

THE FEVERS - ADRIANA PASSOS EDMILSON DO PIFE - AARON CARTER ROBIN SCHULZ - CARLA BRUNI JAMES ARTHUR - TAYLOR SWIFT RENATO TERRA - SARA EVANS WILLY GREGORY - A COR DO SOM TURÍBIO SANTOS - CAMA DE GATO JOÃO SENISE - OSWALDO GUSMÃO NINA WIRTI

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MA TRIZ: PRAÇA MAHATMA GANDHI, 2, MATRIZ: GRUPOS 709 E 710 CENTRO, RIO DE JANEIRO, RJ CEP 20.031-100 TELEF ONE TELEFONE ONE: (21) 2220-3635 E-MAIL: sbacem@sbacem.org.br 2

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alberto.ammguimaraes@gmail.com

Alberto Guimarães

ARTISTA EM DESTAQUE

O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE

ADELINO MOREIRA Em 28 de março de 1918 nasceu em Covelo, Gondomar, no norte de Portugal, Adelino Moreira, compositor incontornável na música popular brasileira. Prolífico criador, ao longo de décadas Adelino conheceu o sucesso e marcou gerações. Emotivamente. Adelino Moreira faleceu em 2002 mas as suas composições são um repositório vivo, perdurando nos dias de hoje, continuando a ser interpretadas e gravadas. "A Volta do Boêmio" constituiu talvez o sucesso maior da inventiva de Adelino, um hit que Nelson Gonçalves consagrou e que muitos brasileiros cantaram em rodas de seresta. Nelson deixou no seu reportório imensas composições de Adelino, mas o filão criativo deste propiciou êxitos e belas composições a muitos outros nomes. O investigador e escritor português Hélder Pacheco, num dos seus livros, referiu-se à terra natal de Adelino, Covelo, como "uma descrição do éden onde passeiam os deuses das belezas terráqueas". Porém, ninguém vive só de belas paisagens e ali, como em geral no Portugal daquele tempo, para muitos a vida não sorria de todo. A vida tem de ser um sorriso pleno, pelo que a família de Adelino JG NEWS, ANO XXII, ED. 234, 25 MAR A 25 ABR 2018

decidiu emigrar para o Brasil onde o trabalho poderia resultar em bem-estar e felicidade. Deixando para trás a vida bucólica mas modesta de Covelo, caminhando para atravessar o Atlântico na terceira classe de um navio, Adelino deve ter avistado borboletas brancas. Diz uma velha lenda de Covelo, narrativa aliás comum a outros lugares, que enxergar borboletas brancas é sinal de boas notícias, de boa sorte. Em 1925, com sete anos de idade, Adelino está numa cidade grande, no Rio de Janeiro. Cidade multifacetada de pessoas e culturas, que na segunda metade da década de vinte, era palco da remodelação urbana do prefeito Prado Júnior, pretendendo-se ordenar a cidade. Nos palcos cênicos da cidade pulsava o teatro de revista, um teatro musical onde arrebatavam o público composições de nomes como Sinhô ou Pixinguinha e cantores como Vicente Celestino. Adelino Moreira contaria que, então criança, assistia diariamente à peça "Cabocla Serrana" com o gosto de quem, notou ele, tinha a música na alma. Com a década de 1930, a mú-

EXPEDIENTE Editores Antonio Braga e Jorge Piloto Colaboradores Elias Nogueira, Alberto Guimarães, Márcio Paschoal, Robson Candêo, Patrícia Rodrigues, Nido Pedrosa e Fábio Cezane.

Comercial Rio de Janeiro Antonio Braga Whatsapp: 22 98828-0041 CEL: 21 98105-4941 bragaa@gmail.com Bahia Jorge PIloto (71) 98647-7625 (71) 9922-1828 jorge.piloto@yahoo.com.br Redação: Rua Cristóvão Barcellos, 11/103, Laranjeiras/ Rio de Janeiro, RJ CEP 22.245-110 Os artigos assinados são única e exclusivamente de responsabilidade de seus autores. A revista JG News é a continuação, em formato revista, do Jornal das Gravadoras, fundado em novembro de 1996 pelo jornalista Antonio Sergio de Farias Braga, Registro Profissional 18.851 L87 fl8v, emitido em de 16/09/1986. 3


ARTISTA EM DESTAQUE sica tomaria um outro veículo preferencial de atuação, o rádio, meio que difundia os sambas de Noel Rosa, as canções de Francisco Alves ou tango-canção "Lua Cheia de Estrelas", de Cândido das Neves. O jovem Adelino tudo ouvia: "Eu sonhava com o rádio, ouvia rádio e cantarolava todas as músicas da época". Enquanto isso, trabalhava em ourivesaria em Campo Grande (onde sempre residiria) com seu pai Serafim Sofia que entretanto prosperava. Serafim era afeito à poesia e ao versejar e Adelino tomou também esse gosto. Adelino, entre a produção de fios de ouro ia escrevendo peças de teatro, compondo músicas e cantarolando, pois então. Até que se aventurou a cantar no rádio e a gravar discos. Anos passando e a década de 1950 propiciaria uma definitiva mudança na vida de Adelino e a sua plena entrega à música por conta de um encontro com o cantor Nelson Gonçalves em 1952. Nelson tinha uma carreira consolidada e era benquisto pelo público. Os dias do rádio e da música abriram-se para Adelino no bar da Rádio Nacional do Rio de Janeiro onde Nelson declarou ao compositor de Campo Grande aceitar cantar " A Última Seresta" no auditório da emissora. Depois de passar na antena, a composição de Adelino foi prensada em disco que obteve sucesso. Nelson gravou posteriormente, também de Adelino Moreira, "Meu Vício É Você" e "A 4

Volta do Boêmio", esta que foi grande êxito de 1957, com uma repercussão longitroante. Sobre "A Volta do Boêmio", diz-se terem sido vendidos um milhão de discos. A história do boêmio que regressa à vida aventurosa com seus amigos e seu violão, para sonhar em novas serenatas e rever os seus rios, seus montes, cascatas, foi certeiramente de encontro ao coração e ao imaginário dos brasileiros. Só da parte de Nelson Gonçalves, a composição conheceria numerosas regravações ao longo dos anos, até ao falecimento do cantor em 1998. Adelino possibilitou a Nelson outros sucessos e o nome de ambos passou a estar associado. Românticas, de alcance abrangente para o público, as criações de

Adelino foram ainda cantadas por cantores como Dircinha Batista, Carlos Galhardo, Carlos Nobre, Cauby Peixoto, Carlos Augusto, Roberto Vidal, Núbia Lafayette, Angela Maria e tantos outros. Inequivocamente, a marca Adelino Moreira distinguia os intérpretes, catapultando-os para o êxito. A pujança criativa e emotiva de Adelino está também em "Negue" que Maria Bethânia gravou em Álibi, álbum de 1978. "Negue" é um tema que permanece até hoje na voz de Maria Bethânia, tendo sido também registrado em disco pela malograda cantora de Cabo Verde, Cesária Évora. Com a sua verve, Adelino Moreira somou sensibilidade e brilho à música popular brasileira, mas ele, homem irrequieto, prestou ainda outro importante contributo à criação musical, ocupando o cargo de Presidente da SBACEM - Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música, entre 1977 e 1986 e 1988 e 1990. Convenhamos, neste centenário de Adelino, é importante que se evoque a sua obra. E que, como sempre, sejam relembradas as suas músicas, para que as novas gerações continuem a ouvir o trabalho do artífice talentoso e sensível que foi Adelino Moreira, reserva do valor da emoção.

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INFORME

Oficina de Planejamento de Eventos

Para a produção de eventos diversos fatores devem ser lembrados e planejados com cuidado. O local, a divulgação, a seleção de fornecedores, como conseguir um alvará, o que será servido no evento, segurança… tudo isso deve estar no planejamento e, é claro, tudo requer investimento. Na oficina de Planejamento de Eventos, ministrada pelas produtoras Elsa Costa e Lu Sales, o participante conhecerá ferramentas práticas para elaborar o planejamento executivo e financeiro de um evento a partir do briefing proposto. Análises, Orçamentos, Cálculo de encargos, Controles são algumas das etapas que serão abordadas nesta oficina. Elsa Costa é empresária, produtora artística e produtora de eventos. Trabalhou com artistas como Blitz, Leo Jaime, Netinho, Araketu, Banda Eva, Leo Gandelman, Lô Borges e Bloco Toca Raul. Lu Sales é produtora de

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eventos e Contadora especializada em consultoria tributária. Atua na área de produção de eventos desde 2010, tendo em seu currículo eventos como Bienal da Matemática 2017, Jogos Olímpicos Rio 2016, Copa do Mundo Fifa 2014, dentre outros. A Oficina será realizada no IATEC – Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação, escola direcionada para o mercado do entretenimento, com cursos nas áreas de áudio, vídeo, produção de eventos, iluminação e música eletrônica, no dia 4/04, quarta-feira, de 17h30 as 21h30. As matrículas podem ser realizadas presencialmente, por telefone ou pelo site da Escola. Serviço: Oficina de Planejamento de Eventos Data: 4/04/2018 Horário: Quarta-feira, 17h30 às 21h30 Local: IATEC – Rua Pedro Primeiro, 4 – sala 202 – Centro – RJ Mais informações e Matrículas: http://iatec.com.br/ cursos/evento/oficina-de-producao-de-eventos/

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Elias Nogueira

eliassnogueira@gmail.com

THE FEVERS

The Fevers "Os Reis dos Bailes"

Banda comemora 53 anos de estrada com shows lotados

Considerada a banda mais popular do Brasil, os Fevers mantém uma média de 100 shows por ano, com apresentações por todo país e no exterior. No Rio de Janeiro, em sua cidade natal não foi diferente. Show dos dias 03 e 04 de março/2018, na Sala Municipal Baden Powell, lotação esgotada - se tive mais sessões teria público grande, disse a funcionaria da bilheteria da casa. Como de hábito os Fevers colocaram todos pra dançar ao som de seus grandes sucessos - "Já Cansei" (1968), "Agora Eu Sei" (1969), 6

"Cândida" (1970), "Vem Me Ajudar", "Mar de Rosas" (recentemente regravada pela banda baiana 'Chiclete Com Banana'), "Sou Feliz", "Nathalie", dentre outros tantos. - É muito bom trabalhar com pessoas gabaritadas, profissionais maduros e responsáveis. Cada show dos Fevers é como se fosse o início de carreira. Todos concentrados e com propósito de fazer um espetáculo que todos gostem. Responsabilidade e profissionalismo faz com que a banda tenha, em média, 100 shows por ano - ensina

JC Marinho, empresário do grupo. The Fevers mantém em sua formação original Liebert Ferreira, contrabaixo, vocal, arranjos. "Não penso em parar, vou tocar até quando Deus quiser", comentou Liebert com endossamento do vocalista Luiz Cláudio que entrou na banda em primeiro de março de 1969. A formação atual dos Fevers: Liebert Ferreira (contra baixo) e Luiz Claudio (vocalista) - Rama (guitarra), Otávio Monteiro (bateria) e o músico Claudio Mendes (teclados) que entrou no lugar do Miguel Ân-

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THE FEVERS gelo, falecido. Pouco da historia dos Fevers Influenciados por Elvis, Beatles e Rolling Stones, The Fevers iniciou suas atividades musicais no Colégio entre amigos em 1.965, na zona norte do Rio de Janeiro. Em função do destaque em suas apresentações ao vivo, foram convidados a acompanhar musicalmente as principais estrelas brasileiras do movimento que se espalhava por todo o mundo, o chamado Rock n' Roll, do qual no Brasil, os Fevers tiveram grande participação e importância, foram contratados para atuar no principal programa jovem em rede nacional de TV da época, a "Jovem Guarda", transmitido ao vivo aos domingos pela TV Record de São Paulo, apresentado por Roberto

Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. O nome da banda surgiu inspirada em um sucesso de Elvis Presley "Fever". Destacaram-se gravando grandes versões de sucessos internacionais, acompanhando a evolução do mercado musical, mantendo a pegada de rock n' roll que os lançou, sempre com ritmo dançante, mas acrescentando um toque de contemporaneidade aos novos trabalhos, seja na tecnologia instrumental ou na adaptação de suas obras às novas mídias. O programa Jovem Guarda saiu do ar em 1968, mas o movimento que introduziu a guitarra elétrica e os instrumentos eletrônicos na música brasileira continuou em cena. Os Fevers foram contratados pela gravadora EMI Odeon, onde emplacaram inúmeros hits nas prin-

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cipais paradas de sucesso do País: "Já Cansei" (1968), "Agora Eu Sei" (1969), "Cândida" (1970), "Vem Me Ajudar", "Mar de Rosas" (recentemente regravada pela banda baiana Chiclete Com Banana), "Sou Feliz", "Nathalie" (todas de 1971), "Deus" (1972), "Alguém Em Meu Caminho", "Hey Girl" (as duas de 1973), "Sou Assim" e "Marcas do Que Se Foi" (1976), "Pra Cima, Pra Baixo" e "Gengis Kan" (1978), "Elas Por Elas" (1982), "Guerra dos Sexos" e "Por Causa de Você" (1986), regravada pela banda KLB "Um Louco" (1988), "Trem da Alegria" (1985), esta lançou o grupo Trem da Alegria, conquistaram o titulo de "Banda Mais Popular do Brasil". O resto da história fica para outra ocasião. (Fotos Elias Nogueira)

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Fábio Cezanne

cezannedivulgacao@gmail.com

LANÇAMENTO

Adriana Passos resgata o samba de sua família em "Sal do Samba"

Novo CD homenageia o avô Arnaldo Passos, com regravações de alguns de seus sucessos compostos em parceria com Geraldo Pereira, Monsueto e Luis Vieira, como "Mora na Filosofia", "Samba bom", "Escurinha" e "Ministério da Economia". Obras paternas, de Aldo Passos, autorais e de compositores contemporâneos completam o novo 8

disco Trazendo, literalmente, o samba na veia, a carioca Adriana Passos foi criada na tradição do samba, desde muito cedo, participando das rodas caseiras promovidas por seu pai, Aldo Passos, também compositor e parceiro. E herdando também a ginga sambista de seu avô,

Arnaldo Passos, um dos expoentes de sua geração, compondo ao lado de Geraldo Pereira, Monsueto e Luis Vieira. Foi buscando exatamente resgatar sua obra - foi autor de "Mora na Filosofia", "Menino de Braçanã", "Escurinha", "Samba Bom" e tantos outros sucessos cantados e gravados ainda hoje - que a cantora lança seu novo

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LANÇAMENTO trabalho, o CD "Sal do Samba", incluindo também composições próprias e inéditas de compositores que vem se destacando no atual cenário musical, como Adler São Luiz, Ednaldo Lima, Marco Jabú, Ricardo Mansur, Augusto Bapt e Rodrigo Braga. Contando com a participação especial de Moyses Marques, o CD "Sal do Samba" reúne ritmos como côco, tambor de Criôla e jongo ao samba tradicional de Arnaldo Passos, com o frescor da renovação e espiritualidade, tão caro a Adriana Passos. O passeio pela obra do avô começa já em "Mora na Filosofia", samba canção que o consagrou na música brasileira, composto ao lado de Monsueto, um sucesso de 1952 cantado por Caetano Veloso, Maria Bethânia e muitos outros. "Escurinha", "Samba bom" e "Boca rica", sambas genuínos do estilo da época, foram parcerias de Arnaldo Passos com Geraldo Pereira, odes à boemia, à malandragem e ao romantismo daquela geração. Outra parceria com Geraldo Pereira, "Ministério da Economia" aborda a criação do ministério da economia e a esperança de melhoria de vida para a população proletária brasileira, já bastante sofrida. Ainda no espírito do resgate e da tradi-

ção, a cantora dá novos contornos cânticos a "Mais que Saudade", sua primeira parceria com seu pai, Aldo, um samba canção sobre um amor antigo. A trip hereditária é retomada em "Saravá", segunda composição da cantora com seu pai, e concluída, posteriormente, já falecido, com Ricardo Moreno. A jornada musical pula o muro da genética com "Bateu Tambô", primeira música gravada profissionalmente por Adriana Passos, na época como backing vocal, para o maranhense Adler São Luis. Dos parceiros Marco Jabu e Ricardo Mansur, "Lôco de Côco" narra uma lenda baiana composta em ritmo de côco. Já "Dona Maria", composição

Adriana Passos Talento precoce, aos 18 anos Adriana Passos já era atriz formada pela CAL - CASA DE ARTES DE LARANJEIRAS - e participou da "Companhia de Menestréis" de Oswaldo Montenegro onde atuou como cantora e atriz por três anos. Decidindo-se pela música, formou-se pela UNI-RIO e ganhou as noites no eixo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, até partir para uma turnê de três anos pelos EUA - Miami, 10

do percussionista Eurico Zen, parceiro de longa data, ganha o registro tipicamente de uma música ribeirinha brasileira. De sua própria autoria, a cantora canta em "Nação" a luta e o desafio de ser brasileiro, com honestidade, desejando uma verdadeira transformação. Jongo de Augusto Bapt e Rodrigo Braba, parceiros da extinta banda CAIXA PRETA, "Cachanga Rosa" foi cantada por Adriana pela primeira vez ao lado de Seu Jorge, na inauguração do hoje famoso palco carnavalesco dos Arcos da Lapa. O disco ganha pincelada final com "Xodó de Mãe", música cedida por Dudu Nobre, aqui igualmente muito bem executada pela mesma banda que o acompanha.

Boston e Nova York. De volta ao Brasil mergulha na essência rítmica da nossa música, participando ativamente do movimento de resistência cultural da Pedra do Sal nos anos 2000 - O Sal do Samba. Acompanhada pelo Grupo Panela de Barro, Adriana se junta a grandes sambistas, como Camunguelo, Velha Guarda da Portela, Monarco e a madrinha Beth Carvalho reconquistando o tradicional espaço da cultura carioca. JG NEWS, ANO XXII, ED. 234, 25 MAR a 25 ABR 2018


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Nido Pedrosa

nido.pedrosa10@gmail.com

MERCADO MUSICAL

O Sopro Cultural de Edmilson do Pife Um dos Maiores Pifeiros da Música Tradicional Nordestina Edmilson Ferreira da Silva, nome artístico Edmilson do Pife, nasceu em 30 de novembro de 1960, no município de Lajedo, agreste pernambucano. Filho de José Félix da Silva e da senhora Maria Antônia, ambos agricultores, o casal teve seis filhos. A todos os seus filhos, Sr. José Félix ensinou a arte do pífano, que herdou de seus antepassados, bem como a banda de Pífanos denominada Flor de Taquary, e com isso, passou a perpetuar esta tradição secular. José Félix passou a apresentar-se nesta Banda tendo seus filhos como músicos acompanhantes. Apresentavamse em procissões, novenas, casamentos, batiza-

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dos, festividades carnavalescas, festas juninas, em outros eventos e datas comemorativas em Lajedo, Caruaru e em outras cidades de Pernambuco. Pergunto ao Edimilson como foi sua infância e traje-

tória musical, que nos conta com emoção e recorda com grande alegria e satisfação: -"Eu aprendi a tocar o Pífano com meu pai, Zé Félix, tocávamos nas novenas e nas festas, na Boca

da Mata, no município de Garanhuns, no Sul de Pernambuco, nas vaquejadas da região. Neste tempo, Luiz Gonzaga era convidado para fazer show na vaquejada da fazenda de Júlio Jacinto e eu era ainda um menino, tinha dez anos de idade, mas já acompanhava meu pai nas festas e nas novenas; eu tocava o instrumento de percussão chamado surdo, que fazia a vez do Zabumba. Fazíamos o nosso show, Luiz Gonzaga tocava o show dele, depois era nós com a nossa Banda de Pífanos, nos palcos das vaquejadas. Mesmo estando tocando o surdo, prestava atenção

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MERCADO MUSICAL ao meu pai tocando o Pífano. Sempre pedia ao meu pai para me emprestar o pífano para que eu pudesse brincar. Mesmo na brincadeira infantil, fui aprendendo e aqui e acolá e pegava o pífano e ensaiava algumas notas, até que um dia percebi que já estava fazendo um sonzinho. Meu pai tinha umas músicas que eram muito difíceis de serem tocadas, mas eu já estava aprendendo a tocá-las, inclusive meu pai me ensinou completar a melodia e a usar o dedo indicador da mão esquerda, esse recurso é chamado de retinta. Ele percebeu que eu tinha um interesse muito grande pelo instrumento, e então começou a me ensinar - posicionar os dedos; a tocar ritmos mais difíceis; a partir daí fui desenvolvendo o meu aprendizado. Aos treze anos de idade, comecei juntamente, com o meu irmão João a tocar bem o Pífano. Meu pai começou a me elogiar e ficava admirado. Me incentivava bastante e deixava que eu tocasse nas festividades e nas casas da nossa vizinhança que faziam o Forró Pé-de-Serra, com Sanfona, Zabumba e Triângulo - Sítio Lagoa do Meio, município de Lajedo, local que eu nasci. Onde havia festa eu pedia para tocar um pouquinho. Os músicos que animavam os bailes, diziam: "Edmilson sobe aqui no palco, vem tocar umas músicas para nós". Eu me 14

dirigia até o palco e tocava algumas músicas. Eu me lembro que os donos das casas onde nós tocava, cobravam às pessoas um valor para entrar, essa contribuição era chamada de quota. As pessoas se aglomeravam para nos assistir, dançavam, era uma animação muito grande. Com quinze anos já estava tocando muito bem. Me apresentava nas rádios da cidade de Garanhuns-PE, especialmente nas rádios Meridional e Jornal. Com dezoito anos estava ainda mais prático no Pífano, foi nesse período que eu viajei para São Paulo. Chegando lá, não encontrei o meu irmão, ele havia se mudado e fiquei perdido. Eu fui à cidade de São Paulo com a intenção de mostrar o meu trabalho e conseguir um emprego de tocador de pífano nos Forrós de lá. Eu me lembrei que o meu irmão Manoel, já havia estado em São Paulo e tocava Forró na Praça da Sé; isso me fez pensar em fazer a mesma trajetória dele. Então segui em direção a essa praça, chorando muito, em desespero. Minha sorte é que havia lá uns forrozeiros tocando Pé-de-Serra. Daí um sanfoneiro se dirigiu até a mim e perguntou porque eu estava chorando, eu lhe respondi dizendo, que eu estava perdido, contei um pouco da minha vida e mostrei o meu Pífano. De imediato ele se interessou bastante, dizendo que este

tipo de instrumento de sopro era novidade em São Paulo, com certeza iria agradar muito ao público. Ele perguntou o meu nome, eu lhe respondi e ele disse: -"Vou batizar você de Edmilson do Pife. Fique aqui conosco, vamos fazer um show juntos, vou passar o chapéu duas vezes, a primeira vez é para o nosso grupo, a segunda vez o dinheiro arrecado será só seu". Concordei e começamos a tocar. Logo ficamos cercados de muitas pessoas... Era tanta gente, que algumas pessoas subiam nas árvores, para poder nos ver melhor. De repente o chapéu estava cheio de dinheiro. Essa foi a minha grande sorte, o meu pífano e a Banda do Baianinho. Nós fizemos muito sucesso na Praça da Sé, graças a Deus, ganhamos tanto dinheiro que pudemos pagar nossa hospedagem,

com pensão completa. Então, graças a Deus, o meu pífano foi a minha salvação! Eu continuei a me apresentar na Praça, junto com a Banda do Baianinho - o nosso sucesso era muito grande. O público pedia para que continuássemos tocando. Acabava a apresentação e o público pedia mais um... mais um... mais um. Isso tudo era novidade para as pessoas há trinta anos. Chegou certa vez, nesse show, um rapaz para assistir nossa apresentação, era zabumbeiro e se chamava Palito, trabalhava na casa de show Asa Branca, de Zé Lagoa. Logo após essa nossa apresentação, ele me convidou para fazer um teste na Asa Branca, caso eu fosse aprovado, seria admitido para trabalhar lá. Essa era uma das maiores casas de espetáculo de São Paulo. Eram duas casas na realidade, uma localizada em Pinheiros e

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MERCADO MUSICAL outra em Santo Amaro. Em todas duas só se apresentava grandes nomes da música: Amado Batista, Raça Negra, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino e muitos outros artistas famosos. Quem se apresentou também nesta casa de show foi o João do Pífano de Arapiraca - AL. A primeira vez que fui tocar na Asa Branca, fiquei atabacado (alesado, bobo), nunca havia visto um lugar tão bonito como aquele, fiquei maravilhado, não apenas pela beleza do local, mas principalmente, pela quantidade de pessoas que estavam presentes. O proprietário Zé Lagoa já estava esperando por mim. A banda chamada Os Brasileirões iria me acompanhar neste espetáculo. Fizemos um sucesso muito grande, tanto que certa vez o público era composto por quase dez mil pessoas e todos ficaram de pé para nos aplaudir só sucesso! Após essa apresentação o proprietário pediu para assinar contrato urgentemente, havia sido aprovado. Meu Deus! Fiquei feliz, surpreso. Que reviravolta na minha vida! Estava perdido, desempregado, e consegui emprego, era um sonho! Continuei nessa atividade artística e consegui trabalhar nesta casa de show durante onze anos seguidos. Fiz muito sucesso nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil - fazia mais de três shows por noite; me 16

apresentei em todas as casas de espetáculo do Estado de São Paulo. Deus me ajudou muito. Toquei também com músicos famosos, como Zé Paraíba e Dominguinhos. Através desse meu sucesso, pude alugar uma casa para mim, comprar o que precisava e consegui viver tranqüilo. Um dia fui novamente na Praça da Sé para rever meus amigos, quando de repente eu vi o meu irmão. Surpreso, não acreditou que era eu e perguntou o que eu estava fazendo ali. Respondi que tinha vindo à procura dele, mas graças a Deus consegui sobreviver. No ano de 1992, surgiu a oportunidade para gravar meu primeiro disco, em vinil e fita K7, pela Xororó. Não tinha título era somente o meu nome artístico Edmilson do Pife. Era muito matuto e não sabia intitular um disco. Logo a seguir Zé Paraíba me levou para viajar com a Caravana artística dele - período maravilhoso na minha carreira. Fazia dois anos que eu morava em São Paulo, resolvi regressar para Lajedo, para visitar minha família. Incrível isso, veja o que aconteceu, que fato estranho... quando cheguei na casa dos meus pais, eles não acreditaram que era eu por que alguém havia entregue uma carta com a notícia de que eu havia falecido em São Paulo, exatamente, há dois anos. Eles realmente acreditaram, já que eu e

Edimilson do Pife , Nido Pedrosa nas Moringas e Nido do Acordeon

meu irmão, residente em São Paulo, não havíamos nos encontrado durante esse período. Abalou minha família... Fiquei muito triste com isso, mas mesmo assim, arregacei as mangas e consegui gravar o meu segundo álbum, na Cantagalo. Hoje estou buscando produzir um novo CD e um DVD para deixar minha história musical para as novas gerações. Nido Pedrosa, grande músico percussionista e produtor musical dos bons, está me ajudando a fazer este projeto e vamos solicitar um incentivo do Funcultura Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura para poder pagar as despesas, com a graça de Deus!", finaliza. Edimilson do Píife é considerado por todos um dos grandes e melhores pifeiros de Caruaru Pernambuco, do Nordeste e do Brasil. A arte lhe abriu várias portas e possibilidades. Gradativamente, Edmilson do Pife

tornava-se famoso, sendo contratado para fazer shows em todo o Estado de São Paulo, sendo aplaudido de pé. Em 2016, Edimilson do Pife foi homenageado no São João do Recife, pela sua contribuição para a cultura e música tradicional do Estado de Pernambuco. Uma homenagem merecida para este músico importante da Cultura musical tradicional de Caruaru, de Pernambuco, do Nordeste, do Brasil e por que não se dizer do mundo. Este artista também fabrica seus próprios instrumentos e comercializa pífanos. Seus pífanos são considerados por todos, como os melhores de Caruaru-PE. Parabéns Edimilson pela sua musicalidade, talento e contribuição para a cultura de Pernambuco e do Brasil Para contratar este artista ou até mesmo comprar os Pífanos (instrumentos fabricados por ele) ligue: (81) 9 9608-7098

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Robson Candêo

robson.candeo@uol.com.br

LANÇAMENTOS

MUSICANDO ternativo, o The Sherlocks acaba de lançar seu primeiro álbum - Live for the Moment - com uma ótima pegada, que lembra muito o som punk rock do Green Day.

Velvet Vault, com destaque para Vale-rie e Don't Let the Sun Go Down on Me.

Grande nome da cena pop mundial, o cantor Aaron Carter lançou o álbum LOVË com uma pegada mais eletrô-nica na primeira parte e mais romântica no final. E que tal o novo álbum do cantor de folk rock Sam Beam que tem o codinome Iron & Wi-ne? Seu CD Be-ast Epic traz um delicioso som voz e violão com um pouco de percussão para completar. Me surpreendeu o (3o) álbum Uncovered do DJ alemão Robin Schulz, que faz uma música eletrônica muito boa, com vocais (incluindo até James Blunt) e que agradam até quem é não é tão fã do gênero.

Considerada uma bande de indie/rock ou rock al18

a Friend, que traz um indie/pop/alternativo de grande qualidade, que soa meio gótico, meio pop. Ótimo!!

Muito legal mesmo o álbum Back From The Edge do cantor James Arthur (ganhador do X Factor em 2012) um pop que tem tudo para fazer grande sucesso, incluindo o hit Say You Won't Let Go. E quem curte os excelentes covers da argentina Karen Souza em ritmo de jazz, não pode perder

Já a italiana (e ex-primeira dama da França) Carla Bruni, lançou French Touch, com grandes hits de todos os gêneros, arranjados em um quase jazz delicioso de se ouvir, entre as músicas tem Enjoy the Silence, Crazy, Highway to Hell e Moon River. Recomendo.

Muito bom o álbum de estreia da cantora norueguesa Aurora - All My Demons Greeting Me As

Robson Candêo escreve para o blog www.blurayedvdmusical.blogspot.com

Um som country com um bom toque pop, é o que se ouve no álbum Words, da cantora Sara Evans. Gostei demais do álbum I Don't Believe We've Met da jovem Danielle Bradbery que é uma can

tora com estilo muito parecido com Taylor Swift e que foi a vencedora da 4ª. Edição do programa The Voice americano. Por falar em Taylor Swift, a pop star lançou um novo trabalho - Reputation que é claramente dividido em duas partes, a primeira metade mais eletrônica e rap, e a segunda mais pop e romântica. Não chega aos pés do anterior,

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Willy Gregory, filho do compositor Peninha, lança single gospel pela Warner Music

mas não é ruim.

O cantor cearense Davi Cartaxo está com o EP homônimo com somente 4 músicas mas que achei muito bom, cantando uma MPB moderna. Renato Teixeira, um dos nossos grandes cancioneiros, gravou um fantástico álbum - Terra de Sonhos - com a Orquestra do Estado de Mato Grosso e o maestro Leandro Carvalho, cantando algumas clássicas do seu repertório que vale muito a pena.

LANÇAMENTOS Telhas Solares

O single "Aleluia, Pai do Céu" é de autoria do cantor e compositor Willy Gregory, que figura como segundo nome do cast gospel da Warner Music. O lançamento do single aconteceu no dia 2 de março de 2018, nas plataformas digitais e no canal YouTube. Mesmo sendo filho do renomado cantor, Aroldo Alves Sobrinho, mais conhecido como Peninha, e herdado a veia artística do pai, Willy tem personalidade muito própria, com a força que vem da sua conversão a Cristo em 2014. Como tenor, Willy utiliza-se de toda a sua capacidade vocal para imprimir beleza e intensidade em cada canção que interpreta. Mesmo tendo o estilo pop, jovem, suas letras são maduras e comoventes: "Eu sou um adorador, um discípulo de Cristo e a minha proposta é fazer a vontade do Senhor. Estamos com um projeto de louvor, de adoração cujo objetivo é alcançar e transformar muitas vidas de acordo com a vontade de Deus. E 'Aleluia, Pai do Céu' é uma canção que Deus me deu. Ela fala do momento em que, olhando-me no espelho, eu vi vida em meus olhos, onde antes só existia tristeza. E eu entendi que isso só poderia acontecer pela ação de Deus e nunca por força humana. Então, senti uma paz enorme e só conseguia dar glória a Deus", ele conta emocionado. www.youtube.com/watch?v=U0juZortpYw.

JG NEWS, ANO XXII, ED. 234, 25 MAR A 25 ABR 2018

A TTesla esla começa a pr oproduzir em larga escala telhas q ue geram eque nergia solar (e são mais baratas do q ue que as ttelhas elhas con convvencionais). A telha solar da Tesla já está sendo comercializada em Fremont, na Califórnia. Além de resistente, o produto dura mais de 50 anos. A nova tecnologia promete ser mais barata do que um modelo de telha comum. A Tesla anunciou produção em larga escala da telha solar em Buffalo, em Nova York. Centenas de funcionários já foram contratados e as máquinas já foram instaladas em uma fábrica de 1,2 milhão de metros quadrados. A meta é produzir, em telhas, o equivalente à geração de 2 gigawatts/ano, apenas nesta primeira fábrica. A Tesla ainda não revelou a quantidade de vendas que já realizou do produto, mas garante que a demanda está alta. O futuro chegou. E os carros elétricos já estão rodando pela Europa e Eua.

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Márcio Paschoal*

paschoal3@gmail.com

COMENTÁRIOS

SEI QUE ASSIM FALANDO PENSAS QUE ESSE DESESPERO É MODA EM 2018 UM ANO SEM BELCHIOR - relançamento do primeiro disco em vinil O já saudoso cearense ilustre de Sobral, Antônio Carlos Belchior, morto em abril de 2017, aos setenta anos, tem parte da obra revisitada em louvável iniciativa da Polysom, que relança em vinil seu disco de estreia, um Long Playing com onze canções autorais, datadas de 1974. Entre elas, as faixas "A Palo Seco", "Passeio" e "Na Hora do Almoço", vencedora do IV Festival Universitário de MPB. Recentemente em um programa televisivo vespertino, uma entrevistadora comentava toda a sua estranheza pelo fato de Belchior andar tão sumido! Falecido há quase um ano, era natural seu sumiço. Ao menos, físico. Essa e tantas outras sandices são provas incontestes de que a nossa memória cultural é um vexame. Quando eu divulgava a biografia do grande maranhense João do Vale, deparei-me com perguntas no melhor estilo rolandoleriano (personagem de Rogério Cardoso da Escolinha do Chico Anysio): o João do Vale morreeeu? Não acredito! Dessa maneira, o resgate em forma de vinil de disco tão significativo vem a calhar. Um dos representantes do Pessoal do Ceará, junto a Raimundo Fagner, Ednardo, Amelinha, Rodger Rogério, entre outros, Belchior, desde cedo, no tempo de 20

sua infância em Sobral, foi emérito cantador de feira e poeta repentista; estudou piano; foi programador de rádio; e estudou Filosofia e abandonou o curso de Medicina no quarto período para dedicar-se à carreira artística. No início dos anos 70, Elis Regina jogava luz e lançava mais um compositor talentoso e desconhecido, quando gravou a bela "Mucuripe" (parceria com Fagner). Depois, pela gravadora Chantecler, saía o álbum de estreia de Belchior, agora relançado pela Polysom. O trabalho do compositor atingiu seu máximo com a gravação do emblemático L.P. "Alucinação" que viria a consolidar seu nome, lançando sucessos como "Velha roupa colorida", "Como nossos pais" (também regravadas por Elis) e "Apenas um rapaz latino-americano". Conheci Belchior pelas mãos da amiga e atriz Alice Viveiros que, pas-

sando por momento de vida bem mais tango que blues, me mostrava a letra de "A Palo Seco". Dali em diante, fiquei de olho no rapaz latinoamericano de bigode esquisito e voz de canto torto, feito uma faca ferindo a nossa carne. Uma das canções de Belchior mais conhecidas,"Paralelas", teve o reconhecimento nacional com Vanusa, à época, distante de hinos e ainda com memória infalível. Bem, de qualquer jeito, saudemos a lembrança de um artista e sua música e poesia formidáveis, num tempo de sucessos bem discutíveis, quando Pablo Vittar precisa de férias para descansar da superexposição, e Anitta grava programa no canal Multishow, tendo como convidados Jojo Todynho, David Brazil e Tirulipa. Sem nostalgia ou rancor, melhor mesmo é fugir de vez, seguindo a marca dos pneus na água das ruas pelas estradas nuas que levam o que um dia foi bonito e nosso. Ah, perversa juventude... (*) escritor, autor das biografias de Rogéria e João do Vale

JG NEWS, ANO XXII, ED. 234, 25 MAR a 25 ABR 2018


DICAS nosso fio condutor", indica o cineasta. A produtora ainda pede para que pessoas que tiveram alguma relação ainda não divulgada com Belchior entrem em contato com os envolvidos. "Estamos com uma lista em mãos de algumas pessoas que receberam o ídolo ou que tiveram algum tipo de envolvimento com ele. Vamos procurar cada uma delas", orientou Patrícia.

mestre de 2018. Participações especiais de Gilberto Gil (voz e violão em "Abri a porta"), Roupa Nova (em "Alto astral"), Samuel Rosa (voz em "Zanzibar"), Lulu Santos (voz em "Swingue menina"), Djavan (voz em "Alvo certo"), Moska (violão e voz em "Magia tropical"), Flávio Venturini (órgão e voz em "Eternos meninos") e Natiruts (em "Semente do amor").

Turíbio Santos o Maestre do Violão Clássico

Belchior em filme A passagem de Antônio Carlos Belchior por Santa Cruz do Sul vai virar filme. A produção do documentário pretende desvendar como foram os últimos anos de vida do artista (Pé de Coelho Filmes). Conforme comentou um dos sócios da produtora, Diego Tafarel, a ideia é conversar com todos os que tiveram algum contato com o músico. A narrativa vai tentar responder o motivo pelo qual o autor de clássicos da MPB - como Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais - escolheu Santa Cruz para viver até a morte. "A ideia nos foi trazida pela jornalista e professora do curso de Comunicação da Unisc, Patrícia Schuster, que, inclusive, está nos auxiliando na produção. Ela dividiu conosco o que sabia sobre a história e ao sabermos de alguns fatos ocorridos por aqui durante a sua passagem nos interessamos muito. Ficamos entusiasmados", relatou Tafarel. As gravações começam em abril e a obra deve ficar pronta até o fim do ano. "Como assim um 'cara' do calibre de Belchior vive aqui na cidade e ninguém fica sabendo? Esse enigma, esse mistério também será

A Cor do Som 40 Anos Disco com cinco canções inéditas, sete regravações de clássicos tirados de seus primeiros álbuns, refinada produção do Roupa Nova Ricardo Feghali (que também participou no piano ou nas programações e dividiu os arranjos com A Cor do Som). "A Cor do Som 40 anos" também sai em vinil ainda no primeiro se-

O mestre do violão clássico, Turibio Santos, aos 75 anos lança "O Violão Clássico de Turibio Santos", uma compilação de obras épicas do instrumento gravadas por ele em Paris. Pra marcar as celebrações, o próprio Turibio conta num vídeo a história de algumas das faixas do disco, que você ouve nas melhores plataformas de streaming através desse link: https://lnk.to/TurViolCls


INFORME

Jacob do Bandolim, letrado Os cantores Oswaldo Gusmão e Nina Wirti homenageiam Jacob do Bandolim em seu centenário com a versão do clássico O Voo Da Mosca que recebeu letra de Oswaldo. Um quebra-cabeça poético capaz de dar vida cantada ao intrincado motoperpétuo de Jacob. O resultado pode ser conferido ao vivo em show no BECO DAS GARRAFAS, dia 20 de abril, nos serviços de streaming e no You Tube. Spotify: https://goo.gl/eAfMKA Deezer - https://goo.gl/Gw1yE7 Youtube - https://goo.gl/VuAY8A Apple Music - https://goo.gl/PSg4ct Amazon - https://goo.gl/M4pYse https://www.youtube.com/watch?v=4LGp6Ej5_0g

Cama de Gato recebe Arthur Maia No dia 21 de abril, às 22:30 o Cama de Gato se apresenta no Blue Note e traz a participação especial do baixista Arthur Maia, revivendo uma das formações do Cama de Gato. O repertório inclui "Cama de Gato" (Rique Pantoja e Arthur Maia), "Melancia" (clássico do Cama, composição de Rique Pantoja), "Havana" e "Gonzagueando" (ambas de Jota Moraes). E mais "Porque não fui a Berklee" (do Arthur Maia) e "Porque também não fui" (resposta de André Neiva à composição do Arthur). Arthur e Andre vão tocar baixo juntos em algumas músicas. O grupo Cama de Gato , que tem mais de trinta anos de carreira, atualmente é formado por Jota Moraes (piano), Andre Neiva (baixo), Mingo Araújo (percussão), Mauro Senise (sax e flauta) e Pascoal Meirelles (bateria).

João Senise lança Love Letters O cantor carioca João Senise lançou Love Letters (Fina Flor) em show, no dia 17 de março, na Sala Baden Powell, no Rio de Janeiro. João dividiu o palco com grandes músicos convidados, como as cantoras Cris Delano e Indiana Nomma, Mauro Senise no sax e flauta, Rômulo Gomes no contrabaixo acústico, Ricardo Costa na bateria e Gilson Peranzzetta ao piano. Love Letters é o quinto disco de João. O primeiro CD, chamado Just in Time, saiu em 2013, Abre Alas - Canções de Ivan Lins em 2015. Em 2016 vieram Celebrando Sinatra e Influência do Jazz. Direção musical e arranjos, do maestro Gilson Peranzzetta, responsável por todos os CDs e shows de João Senise. Entre as 16 músicas do CD, estão a faixa título Love letters (Victor Young e Edward Heyman); My funny valentine (Richard Rodgers e Lorenz Hart); I fall in love too easily (Jule Styne e Sammy Cahn); Unforgettable (Irvin Gordon); Can't we be friends? (Kay Swift e Paul James); 'S wonderful (George Gershwin e Ira Gershwin); Besame mucho (Consuelo Velásquez); Autumn leaves (Joseph Kosma e Johnny Mercer); The way you look tonight (Dorothy Fields e Jerome Kern); Human Nature (Steve Porcaro e John Bettis) e Moondance (Van Morrison). O disco Love Letters traz as participações especialíssimas da cantora de jazz Indiana Nomma, do pai Mauro Senise no sax e flauta, Nelson Faria no violão, Romero Lubambo na guitarra, Zeca Assumpção no baixo e Ricardo Costa na bateria.


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