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O JORNAL DO MOMENTO

08 DE DEZEMBRO DE 2011 • ANO 1 • Nº 006

Guarulhos comemora 451 anos: conheça sua História o Ediçã de ial Espec sário Aniver

Câmara e Prefeitura Municipal construídas na década de 1920

No mês que o município completa mais um aniversário, quem ganha o presente é você, leitor. Após muito suor, disposição, profissionalismo e carinho, conseguimos concluir esta edição que está pra lá de especial. Acreditamos que o material reproduzido por nossa equipe, que foi assistida de forma bastante atenciosa por funcionários do Arquivo Histórico Municipal, certamente será lido e compartilhado por toda família e amigos, visto que trazemos para você com muitos detalhes, a História oficial de nossa querida Guarulhos, desde a sua fundação até os dias atuais.


FUNDAÇÃO

Parabéns!

No mês que o município completa mais um aniversário, quem ganha o presente é você, leitor. Após muito suor, disposição, profissionalismo e carinho, conseguimos concluir esta edição que está pra lá de especial. Acreditamos que o material reproduzido por nossa equipe, que foi assistida de forma bastante atenciosa por funcionários do Arquivo Histórico Municipal, certamente será lido e compartilhado por toda família e amigos, visto que trazemos para você com muitos detalhes, a História oficial de nossa querida Guarulhos, desde a sua fundação até os dias atuais. Tivemos esta iniciativa de viés cultural e educacional, porque acreditamos nas pessoas que vivem aqui. Se cada vez um número maior de pessoas, nascidas ou não na cidade, souberem da origem do município, sua formação, quais seus monumentos e símbolos, e quais seus significados, certamente Guarulhos será mais valorizada e todos nós viveremos num mundo bem melhor. Então, nada mais salutar para o povo, do que no dia em que sua cidade completa 451 anos, ele esteja adquirindo conhecimento. Sabemos que este é um tema interessante para todas as idades e que de uma forma ou de outra estamos aqui também cumprindo com o nosso papel fundamental que é o de informar. Não podemos nos esquecer de dizer que tudo isso só está sendo possível graças ao trabalho de inúmeros pesquisadores históricos, que mergulharam no tempo a fim de trazer o passado a tona, nos ensinando tudo que aprenderam por meio do livro “Guarulhos espaço de muitos povos”, publicado em 2007. Utilizamos esta publicação como base de nossa pesquisa. Por fim, agradecemos também a todos os nossos clientes, colaboradores e parceiros que desde o início acreditaram no projeto, ajudando a concretizá-lo. Encerramos esta edição com a sensação do dever cumprido. Que venha a edição de Natal! Sergio Lessa Editor e Jornalista Responsável

Mineração de ouro: início da expansão urbana da cidade de Guarulhos

G

uarulhos constituiu-se como aldeia indígena por volta de 1560, mas seu nome, sua data de fundação e até mesmo o nome do padre fundador são alvos de polêmica. Pesquisas iniciais apontavam os nomes dos padres João Álvares, Manoel de Paiva e Manoel Viegas como possíveis fundadores. Em 1983, a Câmara Municipal votou a Lei nº 2.789/83, oficializando o nome do padre Manoel de Paiva como o fundador de Guarulhos. A criação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição, atual cidade de Guarulhos, esteve vinculada, desde o início, à Vila de São Paulo de Piratininga. A iniciativa dos colonizadores portugueses ao fundarem várias aldeias indígenas em São Paulo visava controlar o espaço para impedir a passagem dos espanhóis que rumavam, por terra, em direção às minas de ouro e prata de Potosí, na Bolívia, e também para a proteção contra os ataques dos índios Tamoios. Em 1675, nas terras de São Paulo, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de distrito; dez anos depois, em 8 de maio de 1685, passou à categoria de freguesia. Apenas

Ilustração de Rugendas

Editorial

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em 24 de março de 1880 foi elevada à condição de vila, emancipando-se de São Paulo, ocasião na qual teve seu nome abreviado para Conceição de Guarulhos. A atual denominação, por sua vez, foi assumida em 6 de novembro de 1906, quando ganhou o estatuto de cidade.

Ilustração de Rugendas

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Origem A origem do topônimo Guarulhos está intimamente relacionada aos primitivos habitantes do território. Os índios Maromomi foram os primeiros povoadores do lugar; expulsos do litoral paulista pelos índios Tupi, chegaram à região por volta de 1400 da era cristã; eram nômades e viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos. Os Maromomi pertencem à família dos índios Puri e ao tronco lingüístico Macro-Jê. Em contato com os colonizadores, foram escravizados e, a partir de 1640, passaram a ser chamados de Guarulhos. Entre 1560 e 1623, Guarulhos era chamada de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi.

Mulher indígena Puri

de Morro Grande, Bonsucesso e Aracília, na zona leste, e põem-se no lado dos bairros de Vila Galvão, Jardim Vila Galvão e Itapegica, na zona oeste. Os bairros de Cabuçu de Cima, Tanque Grande e Capelinha estão na zona norte e os bairros de Jardim Nova Cumbica, Pimentas e Itaim estão situados na zona sul. Guarulhos localiza-se sobre a área de transição entre as zonas tropical e temperada. O Trópico de Capricórnio corta o município em duas partes, de oeste a leste (WE), sentido Vila Galvão – Morro Grande. O município situa-se, pois, entre os paralelos 23º16’23” e 23º30’33” de latitude sul, e enLocalização tre os meridianos 46º20’06» e geográfica 46º34’39» de longitude oeste, Guarulhos está situada a ou seja, o município encontranordeste da Região Metropo- -se na latitude do Trópico de litana de São Paulo (RMSP) e Capricórnio (23º27’S), que o fica a 17 quilômetros do centro cruza na altura do quilômetro 215 da via Dutra. da Capital. Dentre Estrategicamente posicionada os municípios dessa região, é apontada pelo IBGE como uma no centro do principal eixo ecocidade industrial. Com 320,5 nômico do Brasil (São Paulo, Rio km², é um município relativa- de Janeiro e Minas Gerais), Guamente pequeno. Guarulhos tem rulhos atraiu para seu território como limites Mairiporã e Na- empreendimentos de alto impaczaré Paulista (N), Santa Isabel to, o que possibilitou o desenvol(NE), Arujá (E), Itaquaquecetu- vimento regional e sua inserção ba (SE) e São Paulo (S, SW; W no modo de produção capitalista Indígena puri, aparentando aos e NW). No município, o Sol e a no período colonial e contempoMaromomi Lua nascem no lado dos bairros râneo.

Uma publicação da L.S. de Matos Publicações CNPJ: 97.554.197/0001-42 Endereço: Rua Barber Greene, 105 – Jardim Pinhal – Guarulhos – SP CEP: 07120-260 Telefone: (11) 2087-3964 Impressão: Tiragem: 50.000 exemplares Periodicidade: Edição Especial de Aniversário da Cidade Artigos assinados são de responsabilidade de seus autores

Presidente: Lucila Santos de Matos Diretora Comercial: Waldyra Nagem Conselho Editorial: Francisco Requena Editor e Jornalista Responsável: Sergio Lessa (Mtb 21.871) Arte e Diagramação: Erica Mendonça - E! Comunicação Fotografia: Paulo Augusto Colaboradores: Arquivo Histórico Municipal E-mail: guarulhosemmovimento@gmail.com

www.guarulhosemmovimento.com.br


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ASPECTOS NATURAIS

Hidrografia

G

uarulhos, assim como os outros municípios da RMSP, depende de recursos hídricos limitados, considerando a grande demanda relativa à região, que possui a economia mais ativa do País, e sua localização na região das nascentes que formam a Bacia do Rio Tietê. Desta forma, Guarulhos possui quantidades de água superficial e subterrânea que não alcançam as necessidades locais, dependendo do fornecimento dos sistemas produtores Cantareira e Alto Tietê, que captam a água em

regiões distantes. Os principais rios são o Tietê, o Baquirivu-Guaçu e o Cabuçu de Cima, sendo este último o único com a nascente em Guarulhos. As águas nas regiões de nascentes e mananciais são de boa e ótima qualidade, como no caso das represas do Cabuçu e do Tanque Grande. Estudos hidrogeológicos revelam a existência de significativos reservatórios de água no subsolo, especialmente na região sul do território, onde a geologia é sedimentar e reconhece-se o Aqüífe-

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Clima ro Cumbica, como é o caso dos bairros ao longo da Rodovia Dutra, próximos ao centro, ao aeroporto, ao Jardim Presidente Dutra e a Cumbica. Na paisagem da cidade destacam-se os cursos d’água Piracema, Pedrinhas, Canal de Circunvalação, Itapegica, São João, Queromano, Cavalos, Cubas, Japoneses, Cocaia, Taboão, Invernada (ou Cachoeirinha), Capão da Sombra, Água Suja, Tanque Grande, Lavras, Guaraçau, Aracília, Água Chata, Moinho Velho,

Baquirivu- Mirim, Cocho Velho, Parati-Mirim, Popuca e Botinha. Alguns deles deságuam nos rios Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de Cima, outros diretamente no Rio Tietê, que é o destino final das águas drenadas das áreas urbanas de Guarulhos. Parte do município, em zona rural, ainda apresenta relação com a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, como é o caso dos ribeirões Tomé Gonçalves e Itaberaba e dos Córregos Jaguari e Morro Grande, ambos no bairro do Morro Grande.

Relevo

O município de Guarulhos apresenta um clima subtropical úmido, com temperatura média anual entre 17 ºC e 19 ºC; umidade relativa do ar média anual de 81,1;

A topografia da cidade está expressa no seu território. O município de Guarulhos está localizado no Planalto Atlântico, possui grandes baixadas e picos elevados com mais de 1.000 metros de altura, onde as altitudes variam entre: máxima de 1.438 metros, ao norte, na Serra do Itaberaba (Pico do Gil); média de 850 metros; e mínima de 660 metros, na foz do Córrego Jaguari, divisa com Aru-

precipitação pluviométrica anual média de 1.470 mm; e ventos dominantes SE-NO-E-O. (Dados cedidos pelo Ministério da Aeronáutica – Divisão de Meteorologia.)

Pico do Itaberaba ou do Gil

já e Santa Isabel. A parte mais acidentada fica no norte, junto aos limites com Mairiporã e Nazaré Paulista. Podemos observar na região norte do município que os morros e montanhas são formados por rochas de origem pré-cambriana (grupos São Roque e Serra do Itaberaba), tendo como destaques as serras da Cantareira e do Itaberaba. Já ao sul, onde encontramos o centro e os

bairros mais ocupados da cidade, percebemos que o relevo é formado por colinas, cujas elevações não passam de 40 metros de altitude, e planícies, que são áreas muito baixas sujeitas às inundações dos rios Tietê, Cabuçu de Cima e Baquirivu-Guaçu. As colinas são formadas por sedimentos terciários e as planícies por aluviões quaternários.


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MEIO AMBIENTE

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Vegetação

A

paisagem antiga de Guarulhos era totalmente coberta por vegetação arbórea, arbustiva e herbácea. Era formada por vegetação florestal, compreendendo a Mata Atlântica; arbustiva ou cerrados e cerradinho; herbácea de campos e várzea, junto aos rios. O uso rural, a mineração e a crescente urbanização da cidade mudaram quase totalmente a situação inicial, restando em

maior quantidade a floresta tropical na região serrana, onde predominam a mata secundária, havendo apenas no Núcleo Cabuçu do Parque Estadual da Cantareira a presença de mata primária, e extensas áreas de campos antrópicos. Com o crescimento da cidade restou apenas a vegetação da Serra da Cantareira, a maior mata nativa que sobrevive dentro do município. A Reserva Estadual da Cantareira possui uma

área de 5.674 hectares, dividida entre a zona norte da Capital, parte de Guarulhos, Mairiporã e Franco da Rocha. É formada por florestas latifoliadas tropicais, onde vivem serelepes, nhambus, tucanos e outros animais. Quase um terço da extensão do município é composto por áreas de proteção aos mananciais, fontes ou nascentes e reservatórios de água que são protegidos por lei.

Reservas ecológicas

E

ncontra-se no município de Guarulhos parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV), outorgada pela Unes-

co como patrimônio mundial. Considera-se a sua existência das mais importantes para o controle das ilhas de calor, redução de enchentes, po-

luição atmosférica e produção de água para região metropolitana e mananciais da Represa do Cabuçu, Tanque Grande e Rio Jaguari.

Represa Cabuçu - Foto de Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro


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DADOS GERAIS

Guarulhos: Região Metropolitana de São Paulo Aniversário da cidade (fundação): 08 de dezembro Distrito: 1675 Criação da freguesia: 1685 – Denominação da Época, Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos Criação da vila: Lei nº 34, de 24 de março de 1880 – Denominação da época, Conceição de Guarulhos Alteração do nome: a Lei no 1.021, de 06 de novembro de 1906, altera o nome para a denominação atual, Guarulhos Santa Padroeira: Nossa Senhora da Conceição Distrito Jardim Presidente Dutra: foi criado pela Lei no 3.198, de 23 de dezembro de 1981, com sede no bairro do mesmo nome em território desmembrado do distrito sede do município de Guarulhos. Prefeito atual: Sebastião Almeida (PT) Área: 320,5 km² (Seade) População: 1.221.979 (Fonte: IBGE 2011) Densidade demográfica: 3.767,08 hab/km² (2007) Latitude do distrito sede do município: 23º16’23” e 23º30’33” sul Longitude do distrito sede do município: 46º20’06” e 46º34’39” oeste Limites: ao norte com Mairiporã e Nazaré Paulista; nordeste com Santa Isabel; ao leste com Arujá; ao sudeste com Itaquaquecetuba; a sul, sudeste, oeste e noroeste com São Paulo Altitudes: máxima – 1.438 metros, do Espigão da Serra do Itaberaba (Pico do Gil); média – 759 metros; mínima – 660 metros, localizada na foz do Ribeirão Jaguari e com o Rio Jaguari, nas divisas de Guarulhos, Santa Isabel e Arujá; sede – 773,14 metros Marco Zero: Praça Teresa Cristina Distâncias: São Paulo – 17,7 quilômetros; Atibaia – 67 quilômetros; São José dos Campos – 75 quilômetros; Rio de Janeiro – 411 quilômetros; Belo Horizonte – 570 quilômetros; Brasília – 1.050 quilômetros; Santos (Porto) – 90 quilômetros; São Sebastião (Porto) – 183 quilômetros

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Rodovias: Presidente Dutra (BR-116); Fernão Dias (BR- 381); Ayrton Senna (SP-70); Hélio Smidt (SP-19/BR- 610); Juvenal Ponciano de Camargo (SP-36) Avenidas: Guarulhos; Dr. Timóteo Penteado; Brigadeiro Faria Lima; Tiradentes; Presidente Juscelino Kubitschek; Papa João Paulo I; Santos Dumont; Monteiro Lobato; Emílio Ribas; Salgado Filho; Octávio Braga de Mesquita; Jamil João Zarif; Presidente Tancredo Neves; Antonio de Souza; Júlio Prestes; Benjamim Harris Hunnicult; Anel Viário, que liga a Vila Galvão ao Parque Cecap e engloba a Av. Pres. Humberto de Alencar Castelo Branco e parte da Av. Guarulhos. Esta via foi construída no local onde passava a E.F. Sorocabana (ramal Guarulhos), conhecida como Trenzinho da Cantareira; Estrada do Cabuçu, que liga a Vila Galvão ao bairro do Taboão, onde recebe outras denominações: Av. Pedro de Sousa Lopes, Estrada David Corrêa, Estrada do Recreio, Estrada Ana Dinis, Marginal Baquirivu, Av. Silvestre Pires de Freitas e Estrada do Veigas Estradas: do Cabuçu, David Corrêa, do Recreio, Ana Diniz, Tanque Grande ou Saboó, do Sacramento, dos Veigas, do Morro Grande, Albino Martello, do Capuava, Ary Jorge Zeitune, das Lavras, Água Chata e Guarulhos - Nazaré Adjetivo pátrio: guarulhense DDD: 11

Estação de trem em meados de 1930


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GEOLOGIA

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Passado geológico de Guarulhos: vulcões, terremotos e mar

Garimpo de ouro do Tanque Grande – Vala talhada em trecho de montanha

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uando andamos pela cidade raramente prestamos atenção nas formas topográficas do local que nos cerca e, geralmente, não vemos mais os rios e suas encostas. Quase tudo se tornou urbano. A Terra se formou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, quando nem os continentes, nem os oceanos hoje conhecidos existiam. A superfície do planeta era tão quente, devido às atividades vulcânicas e aos impactos de meteoritos, que a água não

podia nem se condensar na superfície para formar rios, lagos e oceanos. Durante a evolução geológica da Terra, continentes inteiros surgiram e foram destruídos por várias vezes e, assim, as formas dos continentes que hoje conhecemos são geologicamente recentes. Na região de Guarulhos o evento geológico reconhecido mais antigo corresponde ao desenvolvimento de muitos vulcões, que resultou na formação de derrames de lavas há pouco mais de 1,5

bilhão de anos. Mas essas lavas formaram-se no fundo de um oceano profundo, ou seja, para passar naquela época por onde hoje é Guarulhos, somente com um barco. A formação deste oceano deveu-se à quebra e à separação de um grande continente que hoje não mais existe, e as partes resultantes afastaram-se uma da outra, como hoje ocorre com a a América do Sul e a África, separadas pelo Oceano Atlântico. Neste antigo oceano, onde hoje está Guarulhos, havia muitos vulcões. As rochas formadas nesses vulcões estão hoje distribuídas principalmente no sopé da Serra do Itaberaba (ou do Gil), em Guarulhos, mas podem também ser observadas mais para nordeste e para sudoeste, até a região de Araçariguama, perto do município de São Roque. Entretanto, com as mudanças que ocorreram no interior da Terra, esses continentes inverteram seu movimento de distanciamento e passaram a deslocar-se um em direção ao

outro. Isso ocorreu há cerca de 1,2 bilhão de anos, gerando zonas de subdução, processo geológico no qual o fundo do oceano penetra a Terra, quando se formou um arco de ilhas (como o Japão dos dias de hoje), com grandes vulcões na superfície e no fundo do mar, e com grandes terremotos. É interessante observar que as rochas, quando submetidas a condições de pressão e temperatura como estas, são dobradas como um papel, sem que se quebrem; muitos registros deste metamorfismo, suas dobras e seus minerais podem ser vistos nos arredores de Guarulhos. Assim, Guarulhos, nesta época, era como os Andes são hoje, uma grande cadeia de montanhas, com muitos vulcões e terremotos. Acalmados estes eventos ao longo de milhões de anos, a erosão causada pelas chuvas, ventos, geleiras e rios por milhares de anos foram desgastando as montanhas, levando os materiais erodidos pelos rios até lagos e mares.

As chuvas torrenciais levavam grande quantidade de pedras, lama e areia das partes mais altas, acima das escarpas das falhas, para a parte afundada, chamada de bacia sedimentar, gerando, inicialmente, grandes escorregamentos, cujos depósitos foram retrabalhados por rios, com lagos, pântanos, florestas e matas entre eles. Hoje, nas partes mais altas, estes materiais, conhecidos como sedimentos do período Terciário, já foram removidos pela erosão, estando preservados quase que exclusivamente nas baixadas. Como o tempo geológico não pára, hoje podemos ver os rios erodindo as encostas e espraiando-se, e as lagoas – aquelas que ainda não foram preenchidas com entulhos – entre eles, na região de Guarulhos. O contorno do relevo atual da cidade remonta a aproximadamente 60 milhões de anos. Nesta época, a região do Aeroporto de Cumbica sofreu um grande afundamento, configurando o formato atual do município.


FORMAÇÃO

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Urbanização

Índios Maromomi – os primeiros habitantes de Guarulhos

processo de urbanização e expansão territorial da cidade começou com o ciclo do ouro. A mineração concentrou a força de trabalho na região da Serra do Itaberaba, de Bananal, Tanque Grande e Lavras. Passado o ciclo do ouro, aconteceu a ocupação das várzeas da cidade para produção de tijolos cozidos, atividade situada próxima aos rios Tietê, Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de Cima.

s primeiros habitantes do território foram os índios Maromomi, um povo pertencente à família Puri, do tronco lingüístico Macro-Jê, que eram nômades. A família Puri ocupava o imenso território entre a Serra do Mar, o Vale do Rio Paraíba do Sul e a Serra da Mantiqueira. Os Maromomi passaram a freqüentar a região de Guarulhos por volta do ano de 1400 da era cristã, após serem expulsos do litoral paulista pelos índios de língua tupi-guarani. Segundo os registros, esses indígenas eram hábeis andarilhos, troncudos, muito fortes e de pequena estatura, o que lhes dava uma aparência um tanto distinta dos Tupi. Os Maromomi eram nômades e viviam da caça, da pesca e coleta de frutos. A partir de 1640, aproximada-

O

A grande expansão da cidade veio com a consolidação do processo industrial. Quanto ao povoamento do município, pode-se verificar a presença indígena, dos colonizadores portugueses, de etnias africanas, de imigrantes europeus, árabes, asiáticos e dos próprios trabalhadores rurais brasileiros. Atualmente, são mais de 40 etnias que habitam o município de Guarulhos.

Uma família dos índios Puris em viagem às margens do Paraíba, outubro de 1815. Gravura de Maximilian Alexander Philipp

O

mente, os colonizadores portugueses passaram a chamar os Maromomi de Guarulhos, possivelmente devido à semelhança física e cultural dos Maromomi com os parentes que habitavam o litoral norte do Rio de Janeiro, na freguesia de SantoAntônio de Guarulhos. O território dos Guarulhos compreendia toda área situada entre a margem do Rio Paraíba do Sul, os municípios de São João da Barra, Itaperuna, Cambuci, São Fidélis e o Estado do Espírito Santo. Outra hipótese possível é que, com o advento da mineração de ouro em Guarulhos, em 1602, o governador-geral do Brasil, d. Francisco de Sousa, trouxe para as minas de ouro paulista 200 índios do Espírito Santo. Das minas de ouro paulistas faziam parte as de Guarulhos,

descoberta feita por Afonso Sardinha, em 1597. Os Maromomi não praticavam a agricultura, pois eram coletores. Mantinham-se com a coleta do pinhão, da castanha da sapucaia e do mel silvestre, além da caça e da pesca. Viviam em pequenos grupos, deslocando-se de acordo com a estação das frutas e morando em abrigos provisórios (tapuísas). Por isso, esses grupos coletores e, posteriormente, os que não falavam a língua tupi foram chamados de Tapuia. Não usavam redes, preferindo dormir no chão, sobre folhas. Há registros de um contingente de aproximadamente 3 mil Maromomis nas imediações de São Paulo. Os missionários tentaram aldeá-los, mas houve muita resistência. Os poucos que foram levados para as missões fu-

giram, pois não se acostumaram com uma vida sedentária. Mesmo assim, os paulistas tentaram escravizá-los. Com o abandono das missões, o que hoje é a cidade de Guarulhos, se transformou em uma vila portuguesa. Frente à escravização, os Maromomi tiveram três atitudes: aceitar como um mal inevitável, reagir de forma violenta ou fugir para o sertão. Muitos reagiram de forma violenta e várias revoltas ocorreram: em 1652, na fazenda de João Sutil de Oliveira; oito anos depois, em 1660, a Câmara de São Paulo registrou uma nova rebelião envolvendo Guarulhos. Do idioma falado pelos Maromomi foram conservadas apenas duas palavras: arê, que significa padre, e Nhamã nhaxê muna, que significa Deus.

Guarulhos Feli z Aniversário


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ECONOMIA

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Ciclo do ouro – colonização portuguesa no território guarulhense

Parte da parede de taipas da Casa Grande do Bairro das Lavras

C

omprovadamente, a primeira atividade econômica/comercial da cidade foi a extração de ouro. A descoberta ocorreu no final do século XVI na Serra do Jaguamimbaba, em 1597, e o feito é atribuído a Afonso Sardinha, o velho. No início do século XVII, Geraldo Corrêa também descobriu ouro no Rio Baquirivu-Guaçu e recebeu carta de sesmaria em 1611. Do início ao fim da mineração fo-

ram mais de 200 anos de atividade. Quando os colonizadores portugueses chegaram à antiga Aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi, vindos da Vila de São Paulo e iniciaram a extração de ouro, nada do que existe hoje, em termos de infra-estrutura urbana, havia. Guarulhos, nesta época, era mata fechada. A caça ao ouro foi o início do processo de expansão urbana da localidade e das ativida-

des comerciais. O garimpo de ouro de Nossa Senhora da Conceição estava localizado no centro da Vila de São Paulo de Piratininga, ou seja, entre a Vila de São Paulo e as saídas para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os mineradores precisaram abrir caminhos para integrar-se à Capitania de São Vicente. Guarulhos interligava-se às atividades da Capitania por três estradas: um caminho pela região leste, Bonsucesso–Itaquaquecetuba–São Miguel Paulista; outro pelo lado sul, Ponte Grande–Penha; e pelo lado norte, Cabuçu–Santana. Guarulhos, através desses acessos, ligava-se à Vila de São Paulo, ao litoral paulista e carioca, bem como com as minas velhas do sertão de Taubaté. Ouro, caminhos, tropeiros e

pousos, Guarulhos começou assim em seu processo econômico. De modo geral, em torno dos pousos de tropeiros formaram-se pequenos povoados dotados com pequeno mercado coberto com folhas de pindoba, uma igreja, uma praça e poucas casas. Algo muito semelhante a Bonsucesso, onde no pequeno largo da praça existem a Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, construída em taipa de pilão; e a Igreja de São Benedito dos Homens Pretos, onde há mais de 250 anos é realizada a romaria e a Festa da Carpição. O lugar compõe parte do cenário do ciclo do ouro na cidade. A mineração de ouro, entre outros fatores, trouxe a Guarulhos duas novas etnias: os colonizadores portugueses e os negros africanos. Nesse período, índios,

brancos e negros, uns como escravos e outros como senhores, foram os principais atores da História da cidade. Em Guarulhos chegaram a existir pelo menos seis garimpos de ouro: Bairro das Lavras, Catas Velhas, Monjolo de Ferro ou Lavras Velhas do Geraldo, Campo dos Ouros, Bananal e Tanque Grande. O ouro tornou-se base monetária internacional em 1445 e, justamente por isso, possuía significado especial para o império português. Neste contexto colonial, Guarulhos foi um dos locais a compor o mercantilismo português durante a Idade Moderna. Durante os três primeiros séculos de presença colonial portuguesa no planalto paulista, as construções de casas, igrejas, câmaras, cadeias etc., eram feitas em taipa de pilão. A taipa repre-

sentava um modo construtivo barato, seguro e duradouro, por isso utilizado pela comunidade lusa, sendo a terra a principal matéria- prima. Da época das construções em taipa de pilão restou pouco em Guarulhos. Em 1685, foi erguida a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, atual Igreja Matriz, que mantém paredes de taipa revestidas com tijolos e todas as paredes do altar em taipa de pilão. No bairro de Bonsucesso, as igrejas de Nossa Senhora de Bonsucesso e de São Benedito dos Homens Pretos foram construídas com essa técnica. No Bairro das Lavras, no meio da mata, resta um pedaço de parede que os moradores afirmam ser de uma antiga senzala, haja vista que há pouco tempo foram retiradas argolas de ferro da referida parede.

O Jornal Guarulhos em Movimento, nasceu da idéia de se fazer um veículo de comunicação e prestação de serviços, voltado totalmente para a cidade de Guarulhos, pois nós acreditamos em seu potencial. Aproveitamos esta data para agradecer a Cidade de Guarulhos pela receptividade e desejar cada vez mais sucesso, crescimento e prosperidade.

Parabéns Guarulhos!


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CHEGADA DOS IMIGRANTES

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Ciclo do tijolo – chegam os italianos, alemães, árabes e japoneses

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atividade oleira foi tão significativa que marcou a memória dos mais antigos e a paisagem da cidade. A introdução do tijolo como material construtivo, em substituição à taipa de pilão, alterou a função das olarias e fez que Guarulhos reencontrasse seu espaço na economia paulista. O uso do tijolo impôs alterações na forma tradicional de funcionamento das olarias, que além de telhas, passaram a produzir tijolos cozidos. A atividade, além de todos os significados históricos, aconteceu no período de transição da escravidão para a forma de trabalho assalariado. A expansão do mercado consumidor, aliada ao conhecimento técnico dos imigrantes europeus

na área da construção civil e à revolução tecnológica no mundo do trabalho, fizeram que o sistema produtivo artesanal das olarias sofresse alterações, tanto na forma de produção de tijolos, como no sistema de transporte. Em 1915, foi implantada em Guarulhos a primeira indústria voltada à produção de tijolos e inaugurada a estação do Trenzinho da Cantareira, ambos em Vila Galvão. Antes de começar a falar do ciclo do tijolo em Guarulhos, devemos pensar que sem argila não é possível produzi-los. A existência de grandes jazidas de argila em Guarulhos explica-se pelo relevo da cidade. Ao esgotamento das atividades de mineração

de ouro em Guarulhos, sucedeu outro modelo de ocupação do espaço. O povoamento e as atividades econômicas deslocaram-se dos morros, nas regiões norte e leste da cidade, para as áreas próximas aos rios Tietê, Cabuçu de Cima e Baquirivu-Guaçu. A partir de 1870, a imigração subvencionada trouxe milhares de imigrantes europeus para o território paulista; muitos italianos, alemães, espanhóis e portugueses vieram para Guarulhos. As condições naturais existentes em Guarulhos (água, argila, madeira, areia e pedra) e a proximidade com a Capital paulista possibilitaram o desenvolvimento de um novo ciclo econômico, baseado no tijolo cozido.

O consumo de tijolos cozidos na região metropolitana, utilizados em galpões industriais, vilas operárias, pontes, igrejas, prédios, moradias etc., fez aumentar a demanda, concorrendo para a ampliação do número de olarias, fábricas e, conseqüentemente, para a diversificação econômica constatada na cidade. No bairro da Ponte Grande existiu o Porto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Local de escoamento da produção de tijolos e areia, via Rio Tietê, para a cidade de São Paulo, propiciou a abertura de novas estradas, ampliação do comércio, incremento do rebanho bovino e grande número de engenhos voltados para a produção de cachaça.

Correspondendo ao momento econômico, além da chegada dos imigrantes europeus, inicia-se a imigração de turcos, libaneses e japoneses. O ciclo do tijolo, entre outras coisas, trouxe três elementos novos para o cenário político da cidade, a saber: implantação das primeiras indústrias, o modelo assalariado para a remuneração do trabalho e o aparecimento dos primeiros operários urbanos. Na Inglaterra as oficinas artesãs precederam a indústria; em Guarulhos o processo industrial foi antecedido pelas olarias, também chamadas de proto-indústrias. O ciclo industrial guarulhense começou a se formar paralelamente ao ciclo do tijolo. Em 1915, a primeira fábrica

Tijolo Cabuçu

instalada em Guarulhos, de propriedade da Companhia Agrícola e Industrial de Guarulhos, no bairro de Vila Galvão, produzia tijolos cozidos e telhas. A presença dos povos que chegaram no segundo momento da imigração externa – turcos, libaneses e japoneses –, contribuiu para a História local, fato que pode ser constatado nas áreas do comércio, da agricultura e do setor hortifrutigranjeiro. Em 1950, o ciclo econômico da cidade já era considerado industrial. A produção de tijolos guarulhense foi fundamental para a nova configuração arquitetônica da cidade de São Paulo. Os tijolos cozidos substituíram a tradicional técnica construtiva da taipa de pilão.


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METROPOLIZAÇÃO

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Ciclo industrial

Primeiro momento – o surgimento das fábricas

o estudo da evolução do processo de industrialização, da ocupação do espaço territorial e aéreo, bem como da formação do proletariado urbano, consideramos importante periodizar o estudo e, para isso, definimos três momentos do processo evolutivo da industrialização na cidade. O desenvolvimento econômico e urbano de Guarulhos

O primeiro momento, de 1915 a 1945, compreende a implantação do ramal da Tramway Cantareira, trecho ferroviário que trouxe o trem de ferro ao centro de Guarulhos e a implantação das primeiras fábricas no município. O trem da Cantareira em Guarulhos foi um dos principais indutores da indústria nascente. Nos primeiros anos do século XX, Guarulhos insere-se no contexto do desenvolvimento paulista como fornecedora

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de produtos para construção civil, produtos agrícolas e alimentícios. A construção do ramal da Tramway até o centro de Guarulhos possibilitou o deslocamento do eixo de produção para outros bairros da cidade, principalmente para os bairros atendidos pelo trem. Integrando Guarulhos pela zona norte da Capital, o trem tornou-se a principal via de transporte de passageiros e de mercadorias do município. Nesta fase aconteceu a implantação de fábricas de bens de consumo para o atendimento da demanda criada com a nel, edificada em 2 de Fábrica de Tecidos Carbo 5 192 rápida urbanizamarço de ção da cidade de Maria-Fumaça na Estrada de Ferro Cantareira São Paulo e para Ramal Guarulhos substituição das pode ser compreendido a partir da combinação de fatores naturais e sociais. Condições naturais apropriadas e a proximidade da Capital paulista são fatores que possibilitaram a integração da cidade no contexto de desenvolvimento produtivo nacional, além de ações planejadas e subsidiadas pelo Estado brasileiro para industrialização do País, durante o século XX.

Navegue em nosso site www.guarulhosemmovimento.com.br

importações, interrompidas pela Primeira Guerra Mundial. A inauguração da Estação de Trem Cabuçu (Vila Galvão) coincide com a instalação da primeira fábrica, em 1915, de propriedade de Francisco Gonzaga de Vasconcelos, dono da Fazenda Cabuçu. A Cerâmica Paulista, localizada ao lado da Estação de Trem da Vila Galvão, era a segunda maior empresa do ramo do Estado de São Paulo, e olarias tradicionais transportavam sua produção de tijolos e materiais cerâmicos para atendimento da demanda da urbanização da cidade de São Paulo, através do trem da Cantareira. A economia no período contava com três empresas do ramo

têxtil: Empresa Carbonel, de Henrique Carbonel, inaugurada em 1923, situada próximo à Estação Guarulhos, e mais duas empresas dos srs. Giacomo Candenuto e Evaristo Bisognini; duas fábricas de polainas, sandálias e artigos de couro, uma de propriedade de José Saraceni, situada nas proximidades da Estação de Vila Augusta e uma fábrica de alpargatas do sr. Cerdam Galvez, também na Vila Augusta; Moinhos Reisa de moagem de grãos e fabricação de farinha dos irmãos Fiúza, na Vila Augusta; um Matadouro Municipal, de propriedade de Gino Montagnani, inaugurado em 1929 no local onde hoje é o Tiro de Guerra.


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TRANSPORTE

Estação Ferroviária de Cumbica

Estrada de ferro

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o final do século XIX, discutiu-se na Câmara Municipal a necessidade de a região ser servida por uma estrada de ferro. A justificativa recaía sobre as riquezas dos recursos naturais da região, mais especificamente a produção de madeira e pedra, além da produção de tijolos, dado o grande número de olarias em funcionamento, sendo que toda a produção estava direcionada às crescentes edificações da Capital, justificando, então, a implantação do ramal ferroviário que se efetivou somente em 1915,

com a inauguração do ramal Guapira–Guarulhos, o trem da Cantareira. Foram cinco as estações em território guarulhense: Vila Galvão, Torres Tibagy, Gopouva, Vila Augusta e Guarulhos, além do prolongamento até a Base Aérea. O trecho de Guarulhos começou como um ramal da Estrada de Ferro da Cantareira, que, aberto em 15 de novembro de 1910, saía da estação do Areal e atingia o Asilo dos Inválidos, no Guapira (depois Jaçanã). Somente em 1913

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foi aberta a primeira estação intermediária, Tucuruvi, e, aos poucos, outras estações passaram a ser abertas na linha, que atingiu Guarulhos em 1915. Em 1947, a linha teve a bitola ampliada de 60 centímetros para 1 metro, quando esta já atingia o aeroporto militar de Cumbica. Em 31 de maio de 1965, o tráfego do ramal foi suprimido, um ano depois de o trecho Areal–Cantareira ter sido suprimido. Os trilhos foram retirados logo depois e diversas estações foram demolidas.

A estação de Guarulhos foi inaugurada em 1915, como terminal do ramal de Guarulhos. A partir da primeira metade dos anos 1940, passou a sair de lá um ramal – na verdade, a continuação da linha – para a Base Aérea de Cumbica. Esse ramal foi extinto aparentemente juntamente com o ramal de Guarulhos, em 1965. A estação de Guarulhos foi desativada em 1965, com o ramal. É uma estação de madeira que hoje serve de sede para a Guarda Civil Metro-

Locomotiva

politana, na Praça IV Centenário, situada no Jardim Santa Francisca, no coração da cidade e uma das entradas de Guarulhos. Hoje a estação não existe, mas as instalações que ela possuía foram restauradas e foi colocada na praça uma locomotiva antiga, da Usina Tamoio, de Araraquara

que, segundo consta, foi resgatada pela Prefeitura, que a deixou exposta em frente à plataforma da antiga estação. Junto a ela, de um lado, a casa que abrigava o chefe da estação de trem, conhecida como Casa Amarela, foi restaurada e se apresenta em perfeitas condições.


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INDUSTRIALIZAÇÃO

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Segundo momento: oferta de emprego e explosão demográfica

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o segundo momento, de 1946 a 1989, entre outros fatores, cinco foram essenciais para o avanço da industrialização guarulhense: início das obras de construção da Base Aérea de Cumbica e da estrada de rodagem Rio-São Paulo; força de trabalho disponível; implantação do loteamento Cidade Satélite Industrial de Cumbica, em 1946, pela família Guinle e o Aqüífero Cumbica. Esses fatores representaram o divisor de águas para a próxima fase da industrialização da cidade, sem

Fábrica de Casimiras Adamastor S/A.

desconsiderar os demais. As obras federais da Base Aérea de Cumbica e da estrada de rodagem Rio-São Paulo, cujo traçado atinge a parte mais baixa da cidade, têm concorrido também para o progresso crescente que se verifica, principalmente pela grande valorização de propriedades. A transferência da base aérea do Campo de Marte, em São Paulo, para Guarulhos, como parte do Plano Qüinqüenal de Desenvolvimento do Governo Getúlio Vargas, modificou radicalmente a vida da cidade, pois até

o presente momento as atividades econômicas do município davam-se apenas no espaço territorial. A chegada do equipamento militar significou também o início da ocupação do espaço aéreo para fins militares e comerciais; parte dos pousos e decolagens na pista da Base Aérea era voltada para o transporte de carga. A implantação do loteamento Cidade Satélite Industrial de Cumbica, e a respectiva infra-estrutura vinda com a Base Aérea, mudaram o eixo de implantação de indústrias e logística na cidade. O eixo produtivo da cidade, localizado nas regiões do Centro, Sul e Leste, definido pela Estrada de Ferro Sorocabana, transfere-se para Cumbica, na região Leste, nas proximidades da Rodovia Presidente Dutra. A partir da Segunda Guerra Mundial, investimentos do capital estrangeiro, principalmente norte-americano, impul-

sionaram o desenvolvimento do setor industrial de bens de consumo duráveis e capital, caracterizando uma nova fase do processo industrial brasileiro. A predominância do modelo de desenvolvimento dependente sobre o desenvolvimento nacionalista se configurou com o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (19561961). Como lema “50 anos em 5”, aceleraria o desenvolvimento com a entrada maciça de capital estrangeiro na implantação da chamada indústriapesada. Guarulhos, neste contexto histórico, é favorecida por sua localização geográfica na Região Metropolitana de São Paulo e por estar no principal eixo industrializado, entre Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O ciclo industrial, diferentemente dos ciclos do ouro e do tijolo, que dispunham de sua matéria-prima no próprio município, passou a contar com

matérias-primas vindas de outras regiões. Para isso, as duas principais artérias rodoviárias, as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias foram também importante fator de estímulo à industrialização do município. Além da localização no triângulo entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o Aqüífero Cumbica foi essencial para o pleno desenvolvimento do ciclo industrial na cidade. A necessidade de grande quantidade de água para suas atividades e processos, fez com que as perfurações de poços aumentassem bastante durante a década de 1960. O sucesso do desenvolvimentismo associado pode ser observado na quantidade e velocidade da instalação do parque industrial na cidade. Em 1953, eram 27 grandes indústrias; em 1956, eram 90 grandes fábricas e 80 pequenas. Ao processo de implantação das indústrias de grande porte nas

décadas de 1950, 1960 e 1970 correspondeu uma aceleração do processo migratório para a cidade de Guarulhos, provocando profundas mudanças na sua estrutura urbana e social. A cidade vê multiplicada sua população. A concentração de indústrias foi acompanhada pela aglomeração de força de trabalho em loteamentos populares e ocupações de terras públicas e particulares, criando uma demanda por serviços públicos de abastecimento de água, transporte, pavimentação, educação, saúde, entre outras. Para criação de infra-estrutura necessária à industrialização houve a socialização dos gastos e até financiamento pelo Estado, porém, para a satisfação da demanda surgida pela ocupação desordenada, decorrente do processo industrial, os gastos foram assumidos prioritariamente pelo poder público.


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TERCEIRO MOMENTO

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De 1990 até os dias atuais

1958 – prédio Antiga Fábrica Olivetti, ernacional. Int g pin hop doS atual

Shopping Internacional de Guarulhos – antiga Fábrica Olivetti

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eríodo que vai do início da década de 90 até os dias atuais, registra o momento em que a economia da cidade sofreu um grande impacto, o qual vem aos poucos se recuperando. Em 1990, algumas grandes empresas faliram e outras mudaram-se do município. Nesta época falava-se que a cidade havia deixado de ser industrial, tornando-se uma cidade de serviços. O que aconteceu em Guarulhos reflete uma tendência mundial das economias periféricas frente à política de globalização. Em 1989, na cidade de Washington, representantes das oito maiores economias do mundo reuniram-se e elaboraram um plano para os demais países capitalistas. A estratégia visava resolver a crise de superprodução de mercadorias e excedentes de capitais constatadas entre eles. De forma resumida,

a política adotada consistia em abertura comercial, estado mínimo e garantia de contratos. A economia guarulhense, neste contexto, foi afetada com a política de abertura econômica. A falência de empresas e a redução da participação das exportações do Brasil no mercado internacional trouxeram conseqüências para a vida da cidade. Amplos setores passaram a apostar na perspectiva de abertura da economia brasileira com a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e na otimização das atividades aeroportuárias como elemento privilegiado para amplo desenvolvimento dos setores de serviços e comércio. Esperando a grande mudança de rota econômica, o município passou a receber muitos hotéis na região central e o incentivo ao turismo

de negócio. A repercussão das falências de algumas empresas, no início da década de 1990 (Governo Collor), e a construção de vários hotéis no centro da cidade levaram à criação do mito da mudança de perfil econômico do município. Para o senso comum, a economia da cidade havia deixado de ser industrial e tornara-se de serviços. A confusão sobre o destino da economia brasileira e a vocação econômica do município durou, aproximadamente, dez anos. A vitória dos movimentos sociais no plebiscito em 2002, no qual 10 milhões de pessoas votaram contra a Alca, e a publicação de um estudo do IBGE, em 2005, favoreceram a compreensão sobre a situação e os rumos da economia da cidade. Segundo estudo IBGE/ IPEA (2005), “Onde se instalam indústrias con-

centram-se serviços e população. Tal concentração é reflexo direto do nível de industrialização. Além do próprio peso da atividade, a indústria agrega uma série de serviços em torno de si, o que faz crescer a economia local. É a indústria, e não diretamente o Aeroporto Internacional, a grande responsável pelo Produto Interno Bruto de Guarulhos. A produção se reflete na receita do município: cerca de 60% da arrecadação vêm, segundo a Prefeitura, das atividades industriais. Guarulhos faz parte do seleto grupo das nove cidades brasileiras responsáveis por 25% do Produto Interno Bruto (PIB). A industrialização na região metropolitana, especialmente em Guarulhos, gerou enormes contrastes sociais, criando riquezas e também muita pobreza, in-

clusive um grande passivo socioambiental. Junto com a industrialização se deram a formação do operariado urbano e a organização dos seus membros em sindicatos, partidos políticos, associações etc. Do processo de desenvolvimento e da forma como se deu a expansão territorial urbana é que decorreu a quantidade de problemas ambientais e sociais: desmatamento, água e solo contaminados e poluição atmosférica. A localização geográfica do município em certos períodos é deficitária em corrente de ar, o que agrava ainda mais a dispersão dos poluentes. Nos últimos anos o Poder Público tem investido em programas socioambientais no sentido de melhorar a qualidade de vida da população e recuperar o meio ambiente degradado.


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HISTÓRIA

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Mudanças político-administrativas

Vista aérea da cidade de Guarulhos, 1958. Aqui vemos a Estação Guarulhos, atual Praça IV Centenário

Da fundação aos dias atuais, Guarulhos passou por cinco momentos em sua história política e administrativa: foi aldeia indígena, distrito, freguesia, município e cidade. Em 8 de dezembro de 1560, ocorre a fundação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Guarus, pelo padre jesuíta Manuel de Paiva, de acordo com pesquisa do memorialista João Ranali. Para o pesquisador Benedito Prezia, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos

Maromomi foi fundada, provavelmente, em 1606, tendo como superior o padre Manoel Viegas. Ainda segundo ele, em 1604 os jesuítas de São Paulo pediram ao superior-geral em Roma, autorização para implantar o aldeamento para os Maromomi, no Planalto Paulista. Em 1638, é feita a concessão de datas de terras na região das minas descobertas por Geraldo Corrêa, próximas ao Rio Baquirivu-Guaçu, localidade conhecida por Lagoas Velhas do

Geraldo, através de carta de sesmaria. A carta de sesmaria constitui um importante documento que atesta a antigüidade da mineração de ouro em Guarulhos. Sesmaria é um lote de terras inculto ou abandonado, que os reis portugueses cediam a sesmeiros que se dispusessem a explorá-la. Nesse mesmo ano, os jesuítas são expulsos de São Paulo, por sua posição intransigente contra a escravização indígena na região. Sem os padres, os Maromomis passaram a ser usados em trabalhos nas fazendas, realizando transporte de carga. Quando os jesuítas retornaram a São Paulo, em 1653, não reassumiram a missão dos Maromomi. Em 1652, houve um levante dos índios que trabalhavam na fazenda de João Sutil de Oliveira, ocasião em que foram mortos os moradores e a

propriedade incendiada. Mais três fazendas foram incendiadas no final da mesma década, em rebeliões com participação dos Guarulhos. No dia 8 de maio de 1685, ocorre a mudança de distrito para freguesia de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos. No mesmo dia e ano, ocorre a fundação da paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, atual Igreja Matriz, localizada na Praça Tereza Cristina. A terceira mudança, de freguesia para vila, ocorreu em 1880, de acordo com a Lei Provincial nº 34, de 24 de março de 1880. Foi aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial e sancionada pelo então presidente Laurindo Abelardo de Brito. A presença de grandes latifundiários rurais da época influenciou, pessoalmente, que ocorresse a transformação, pois vila

é uma povoação superior às duas categorias anteriores e inferior à cidade. A vila caracteriza-se pela existência de um conjunto de casas, construídas em volta de uma praça e com poucas ruas de acesso, dotada com Câmara de Vereadores, intendente municipal e outros equipamentos públicos. É muito provável que dois homens públicos da cidade nesta época, o padre João Vicente Valadão e João Álvares de Siqueira Bueno, guarulhense – que foram, durante muitos anos, o vigário desta paróquia e deputados –, tenham influenciado a tomada de decisão. No entanto, apenas João Bueno fora eleito para a legislatura de 1880/1881, em cujo início apareceu o projeto de lei criando o município. Levando-se em conta o espírito dinâmico e hábil de João Bueno, dada a sua condição

de filho da terra e residente, deve-se presumir que foi dele a providencial iniciativa. O projeto de lei foi apresentado à mesa da Assembléia na sessão de 14 de fevereiro de 1880, sob o nº 21, tendo como signatários Reis França; Oliveira Braga; Campos Toledo; C. Gavião; Antônio Carlos, o barão de Pinhal; Luiz Carlos; João Clímaco de Camargo; Tito Correia de Mello e Ferreira Braga. João Bueno não assinou o projeto e não estava presente à sessão em que foi apresentado o documento, talvez por conveniência política. A lei não fixou as divisas do município, posto que as mesmas devessem coincidir com os limites das paróquias que o integravam. A instalação do município deu-se com a presença dos vereadores de São Paulo.


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LEGISLAÇÃO

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Principais documentos

ata lavrada na ocasião é a seguinte: “Aos vinte e quatro dias do mês de janeiro de mil oitocentos e oitenta e um, nesta Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, Comarca da Imperial Cidade de São Paulo, na Casa destinada para sessões da Câmara Municipal da mesma, ao meio-dia, compareceram os srs. presidente e vereadores da Câmara Municipal da Capital, drs. João Mendes de Almeida Júnior, Américo Brasiliense Almada Mello, Antônio Francisco Aguiar Castro, Augusto de Souza Queirós, tenente-coronel Antônio José Fernandes Braga, para instalação da Câmara Municipal da Vila de Nossa Senhora da Conceição

dos Guarulhos, e dar juramento e posse aos vereadores eleitos da Câmara Municipal, capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello, Francisco Soares da Cunha, Joaquim Rodrigues de Miranda, José de Sant’Anna, Marciano Ortiz de Camargo e José Alves de Almeida Pinho”. A ata foi lavrada por Antônio Joaquim da Costa Guimarães, secretário da Câmara paulistana. Em ata seguinte, lavrada no mesmo dia, consta a eleição do capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello para presidente da Câmara local. O prédio da Câmara, nessa ocasião, ficava na Rua D. Pedro II, na esquina da Rua Felício Marcondes, no lado direito

de quem sobe por esta. Em 3 de maio de 1886, pela Lei Provincial no 71, Guarulhos perdeu a Paróquia da Penha, que se reintegrou ao município da Capital. Em 27 de março de 1889, pela Lei Provincial nº 66, perdeu Juqueri (atual Mairiporã), que se constituiu município independente. Antigamente era comum dizer-se Conceição dos Guarulhos ou, simplesmente, Conceição. Mas, no Governo Tibiriçá, pela Lei nº 1.021, de 6 de novembro de 1906, passou a denominar-se, oficialmente, Guarulhos. Logo a seguir, em 19 de dezembro de 1906, pela Lei Estadual Nº 1.038, a Vila de Guarulhos foi elevada à ca-

tegoria de cidade, quando possuía população de quase 5 mil habitantes. Finalmente, a Lei Estadual nº 2.456, de 30 de dezembro de 1953, criou a Comarca (Poder Judiciário local), com jurisdição no território municipal, cuja instalação se deu, solenemente, a 18 de fevereiro de 1956.

Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello


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PASSO A PASSO

De capela a município

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a formação de uma capela ao estabelecimento de um município, existe um percurso de denominações. Entendam melhor quais são e o que significam: - Capela: pequeno templo erigido ou fundado pelos nobres ou senhores nas terras de sua propriedade, geral-

mente ao lado de sua casa; convertia-se muitas vezes em paróquia, cuja povoação originava a vila. - Freguesia: sede de uma igreja paroquial, que servia também para a administração civil; categoria oficial, institucionalmente reconhecida, a que era elevado um povoado

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lônia, ou seja, em terras não emancipadas. - Termo: território da vila, cujos limites são imprecisos; tinha a sua sede nas vilas ou cidades respectivas; era dividido em freguesias, limite, raia ou marco divisório que extrema uma área circunscrita. - Cidade: título honorífico concediRua D. Pedro II, 1930 – Praça Conselheiro Crispiniano do, até a Proclamação da República, pela quando nele houves- a município, trazida de Casa Imperial, a vise uma capela curada Portugal para o Brasil las e municípios, sem (ministrada em caráter no início da coloniza- nada acrescentar à sua permanente por um pá- ção, tendo perdurado autonomia; a partir da roco) ou paróquia, na até fins do século XIX; Constituição de 1891, qual pudesse manter toda vila deveria pos- este poder é delegado um padre à custa des- suir Câmara e cadeia, aos Estados, que poses paroquianos, pa- além de um pelourinho dem tornar cidade toda gando a ele a côngrua – símbolo da autono- e qualquer sede de mumia. Termo empregado nicípio; nome reconheanual. - Vila: unidade po- em substituição a mu- cido legalmente para lítico-administrativa nicípio, pois este não as povoações de deterautônoma equivalente podia ser usado na co- minada importância.

- Distrito: divisão territorial e administrativa em que certa autoridade administrativa, judicial ou fiscal exerce sua jurisdição. - Município: divisão administrativa de origem romana, levada pelos romanos para a Península Ibérica, e de Portugal trazida para o Brasil; equivalente à vila; menor unidade territorial político-administrativa autônoma; entre os romanos, cidade que possuía o direito de se administrar e governar por suas próprias leis; no Brasil substitui definitivamente o termo “vila” a partir da República, tendo aparecido pela primeira vez na legislação através da Carta Régia de 29 de outubro de 1700.


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NOMENCLATURA

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A origem do nome

Calçamento da Av. Guarulhos, trechos da antiga Estrada da Conceição, acesso para a Penha

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á muito tempo vem sendo considerada a informação definida por Teodoro Sampaio em O Tupi na Geografia Nacional: guaru significa o indivíduo que come – o comedor, em alusão ao formato

do peixe desse nome, cuja parte ventral é saliente. Consideramos que os colonizadores europeus, na tentativa de resolver as dificuldades de comunicação e compreensão da diversidade lingüística dos povos indígenas

criaram uma tupinologia amadora, sistematizada na língua geral e expressa na toponímia nacional e local. Ainda sobre a origem do nome Guarulhos, são consideradas significativas as considerações do historiador John Manuel Monteiro: “A partir da independência do Brasil, o tupi começou a ser um instrumento importante da nacionalidade, tudo era chamado de nomes tupis, e mesmo em lugares em que não existiam populações tupis, como no caso de Guarulhos, quase todos os nomes são de língua geral, são tupis. Isso sugere evidentemente que são nomes que foram atribuídos posteriormente, e às vezes é

um exercício enganoso, porque muitas vezes a gente acha que tem um nome indígena porque os índios deram esse nome, a maior parte dos lugares no Brasil tem nomes indígenas que foram dados por não-índios, e muito posteriormente. No caso dos Guarulhos é muito curioso porque Guarulhos é o nome

Guarulhos, Cidade acolhedora, onde recebe a todos de braços abertos, pessoas vindas de todas as partes do Brasil, trazendo uma diversidade de culturas e beleza. Parabéns a todos os guarulhenses natos, como também os de coração, que ajudam a movimentar esta cidade grandiosa e calorosa. Parabéns Guarulhos pelos seus 451 anos de muito trabalho e Progresso.

que ficou de fato, a partir do século XVII (não se sabe exatamente quando), mas que pegou e substituiu o nome anterior para designar um certo grupo indígena, esses que eram chamados Maromomi e que, mais tarde, isso foi corrompido para guaru-mirim, que seria o tupi para guaru pequeno, enfim, seria

uma corruptela para marumirim. É algo bastante revelador desses processos de mudança e a gente tem que ter bastante atenção”. (Monteiro, 2006.) A atribuição do nome Guarulhos reflete o processo de colonização portuguesa na tentativa de generalização da cultura Tupi através da língua geral.

Ponte Grande - 1940

Ponte Grande 1940

Dra. Sandra Matos


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EDUCAÇÃO

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Escolas de Guarulhos

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educação escolar em Guarulhos está diretamente relacionada com a História, trajetória e política educacional do Estado de São Paulo. As primeiras ações educacionais no município efetivaram-se por meio dos padres jesuítas que chegaram ao núcleo indígena de Nossa Senhora da Conceição, por volta de 1580, iniciando a catequese dos indígenas Maromomi. O padre Manuel de Paiva, fundador da cidade, é considerado pelos historiadores locais como o primeiro educador da cidade. O sistema educacional de Guarulhos, no século XIX, a exemplo do sistema educacional brasileiro, era extremamente precário. Escolas eram fechadas ora por falta

de professor, ora pela evasão escolar, o que não permitia reunir em uma única classe o número mínimo de alunos exigido para seu funcionamento, isto é, 16 alunos. Faltavam recursos para pagamento de professor, compra de material didático e até para pagamento do aluguel dos imóveis onde funcionavam as escolas. As escolas isoladas – assim denominadas as unidades escolares onde os professores ministravam o ensino para crianças de diversas idades e com conhecimentos e habilidades heterogêneos; situavam-se, normalmente, nas zonas rurais e suburbanas e tinham como

objetivo alcançar a população mais carente de instrução – foram as únicas alternativas de acesso à educação pública no município até 1926, quando foi inaugurado o primeiro grupo escolar, a Escola Estadual Capistrano de Abreu, localizada na Rua Luiz Faccini e posteriormente transferido para Rua Capitão Gabriel, resultado de pressão da elite dominante local. Na úl-

tima década do século XX, assistimos a um aumento dos investi mentos na área educacional, dos setores públicos municipais de Educação Fundamental, e privados de Ensino Superior. As políticas públicas, em especial de educação, não foram suficientes para atender a demanda do município, embora nos últimos anos seja notório o aumento de

investimentos no setor educacional. Ainda há um longo caminho a ser percorrido. Políticas públicas para a educação são determinantes para a supera-

ção das desigualdades sociais, o mais eficaz mecanismo de inclusão, de superação da violência e do desenvolvimento integral do ser humano.

Hino a Guarulhos Autora da Letra: Nicolina Bispo Música: maestro Vicente Aricó Júnior Orquestra: Wenceslau Nasari Campos Sob o céu desta Pátria querida mais cem anos de luta e labor cingem hoje o teu nome Guarulhos, que se ergueu por seu próprio valor. Chaminés, como lanças erguidas, nos apontam o caminho a seguir. Trabalhando, vencendo empecilhos, desfraldando o pendão do porvir.

EE Conselheiro Crispiniano – início de funcionamento em 1o de agosto de 1951

Tuas praças são livros abertos, onde lemos futuro e glória. Crispiniano e Bueno fulguram como vultos eternos na história... Que teu nome em mais um Centenário e na língua tupi proclamado, seja um hino de paz, de esperança, por teu povo feliz entoado. Pequenina nasceste, e João Álvares, jesuíta, benzeu-te com fé. Tu és hoje cidade progresso, uma terra que vence de pé.

Grupo Escolar de Guarulhos, inaugurado em 1o de julho de 1926. Atual EE Capistrano de Abreu

15 ANOS

Eia, pois, guarulhense, avante, com bravura na luta febril, por São Paulo e por tudo o que é nosso, e, acima de tudo o Brasil!


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POLÍTICOS

Intendentes 1881 a 1890 – Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello. Eleito pela Câmara Municipal, foi o primeiro chefe do Executivo guarulhense. Acumulava os cargos de presidente da Câmara e do Executivo municipal 1890 a 1891 – Antônio José Siqueira Bueno. Interino. Escolhido pela Câmara Municipal 1891 a 1894 – Após a Proclamação da República, a Câmara foi dissolvida e o Governo Provisório indicou quatro intendentes: Vicente Ferreira de Siqueira Bueno, Felício Marcondes Munhoz, Antônio Dias Tavares e Luiz Dini. Jesuíno José de Souza e Lúcio Francisco Pereira Paiva foram indicados para ocuparem as intendências de justiça, polícia, finanças e obras públicas 1894 a 1896 – Lúcio Francisco Pereira, eleito pela Câmara 1896 a 1902 – Capitão João Francisco da Silva Portilho. Escolhido e reeleito várias vezes

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Prefeitos indicados de 1908 a 1933 pela Câmara

1908 a 1915 – Capitão Gabriel José Antônio. Eleito pela Câma-

1902 a 1906 – Dr. Leonardo Valardi. Eleito vereador em 30 de julho de 1902, foi escolhido intendente pela Câmara

ra. A partir de então a titularidade do Executivo passava a deno-

1906 a 1907 – Capitão João Teófilo de Assis Ferreira, escolhido pela Câmara. Para ser intendente o postulante tinha que ser eleito vereador. Eleito pela maioria dos seus pares da Câmara Municipal, acumulava os cargos de presidente do Legislativo e do Executivo. Guarulhos deixou de pertencer ao município de São Paulo no dia 24 de março de 1880, passando de freguesia à categoria de município. Devido a esta nova situação política, passou a eleger vereadores e intendentes da própria localidade a partir de 1881. Até então, todos os registros sobre Guarulhos encontram-se ainda no Arquivo Histórico do Município de São Paulo.

1917 a 1919 – Zeferino Pires de Freitas, eleito pela Câmara

minar-se prefeito. Eleito várias vezes faleceu durante o mandato 1915 a 1916 – Felício Antônio Alves. Escolhido para substituir o capitão Gabriel 1919 a 1930 – José Maurício de Oliveira Sobrinho. Escolhido várias vezes para o cargo de prefeito pela Câmara 1930 – João Eduardo da Silva. Com a vitória da Revolução de 1930, empossou-se no cargo, sendo deposto José Maurício 1930 a 1931 – Delezino de Almeida Franco. Empossado pela Junta Revolucionária, pertencia ao Partido Democrático. Dirigiu o município do dia 11 de novembro de 1930 a 21 de janeiro de 1931 1931 – Dr. Alberto Cardoso de Melo. Nomeado pelo Governo do Estado, atuou de 21 de janeiro de 1931 a 10 de abril de 1931 1931 a 1933 – Major Ariovaldo Panadés. Nomeado pelo Governo do Estado de São Paulo para o período de 11 de abril de 1931 a 31 de agosto de 1932 1932 – Dr. Alfredo Ferreira Paulino Filho. Nomeado interinamente pelo Governo do Estado para substituir Ariovaldo Panadés do dia 23 de outubro de 1932 a 23 de novembro de 1932 1933 – Carlos Panadés. Funcionário da Prefeitura, recebeu o cargo do seu irmão após demissão do mesmo e permaneceu nele de 31 de agosto de 1933 a 2 de setembro de 1933


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EXECUTIVO

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933 Prefeitos indicados de 1933 a 1953 Prefeitos indicados por voto direto 1933 a 1938 – Guilhermino Rodrigues de Lima. Nomeado pelo Governo do Estado, governou do dia 2 de setembro de 1933 a 11 de julho de 1938 1936 – Gentil Bicudo. Contador da Prefeitura, foi nomeado pelo Governo do Estado durante licença de Guilhermino Rodrigues de Lima e permaneceu no cargo do dia 14 de fevereiro de 1936 a 26 de fevereiro de 1936 1936 – José Saraceni. Nomeado interinamente para substituir Guilhermino Rodrigues de Lima, cuja nomeação foi feita pelo secretário da Justiça para o período de 26 de fevereiro de 1936 a 13 de março de 1936 1938 – Gentil Bicudo. Nomeado para substituir Guilhermino Rodrigues de Lima devido à sua demissão, permaneceu no poder no período de 11 de julho de 1938 a 21 de julho de 1938 1938 a 1940 – Major José Moreira Matos. Nomeado pelo Governo do Estado pelo período de 21 de julho de 1938 a dezembro de 1940 1940 a 1945 – José Maurício de Oliveira Sobrinho. Nomeado pelo Governo do Estado em 19 de dezembro de 1940 1945 – Gentil Bicudo. Nomeado internamente pelo Governo do Estado, devido enfermidade e morte de José Maurício de Oliveira, para o período

de 9 de janeiro de 1945 a 23 de maio de 1945 1945 a 1947 – Dr. Heitor Maurício de Oliveira. Nomeado pelo Governo do Estado para a gestão de 23 de maio de 1945 a 25 de março de 1947 1945 – Vasco Elídio Egídio Brancaleoni. Nomeado interinamente pelo Governo do Estado 1947 – Dulce Insuelo Macedo. Antes da posse do sr. João Mendonça Falcão a funcionária da municipalidade é nomeada e assume interinamente por 13 dias 1947 – João Mendonça Falcão. Nomeado pelo Governo do Estado, permaneceu no cargo de 9 de abril de 1947 a 12 de julho de 1947 1947 a 1948 – Dr. Olivier Ramos Nogueira. Nomeado pelo Governo do Estado para o Executivo de 12 de julho de 1947 a 4 de setembro de 1948 1948 a 1952 – Fioravante Iervolino. Nomeado pelo Governo do Estado, governou de 4 de setembro de 1948 a 3 de janeiro de 1952 1952 a 1953 – Antônio Prátici. Nomeado pelo Governo do Estado, de 31 de janeiro de 1952 a 13 de dezembro de 1953

1953 a 1957 – Rinaldo Poli. Eleição direta. Exerceu o cargo de prefeito de 13 de dezembro de 1953 a 13 de dezembro de 1957. Primeiro prefeito eleito pelo voto direto na cidade 1957 a 1961 – Fioravante Iervolino. Exerceu o cargo de 13 de dezembro de 1957 a 13 de dezembro de 1961 1961 a 1966 – Dr. Mário Antonelli. Teve o mandato eletivo prorrogado por um ano por decreto do marechal Castelo Branco em 23 de dezembro de 1965. Governou de 13 de dezembro de 1961 a 24 de novembro de 1966. 1962 – Francisco Antunes Filho, na qualidade de vice-prefeito, substituiu Mário Antonelli durante licença médica, entre os dias 15 de outubro de 1962 e 15 de novembro de 1962 1966 a 1970 – Waldomiro Pompêo. Governou do dia 24 de novembro de 1966 a 31 de janeiro de 1970 1970 – Alfredo Antônio Nader. Assumiu em 31 de janeiro de 1970 e teve o mandato cassado com base no Artigo 13 do AI-5, por Decreto de 13 de junho de 1970 1970 a 1973 – Jean Pierre Hermann de Morais Barros. Nomeado como interventor pelo Governo Federal, de 14 de junho de 1970 a 30 de janeiro de 1973. 1973 a 1977 – Waldomiro Pompêo. Governou de 31 de janeiro de 1973 a 30 de janeiro de 1977

1977 a 1982 – Professor Néfi Tales. Foi prefeito durante o período de 19 de fevereiro de 1977 a 13 de maio de 1982, quando deixou o cargo para disputar o cargo de deputado estadual, sendo eleito 1982 a 1983 – Dr. Rafael Rodrigues Filho. Como presidente da Câmara, em face da desincompatibilização do vice-prefeito Oswaldo de Carlos. Assumiu em 13 de maio de 1982, indo até 19 de fevereiro de 1983 1983 a 1988 – Dr. Oswaldo de Carlos 1988 a 1992 – Paschoal Thomeu 1993 a 1996 – Vicentino Papotto 1997 a 1998 – Nefi Tales. Foi afastado pela Justiça e posteriormente cassado pela Câmara Municipal 1998 a 2000 – Jovino Cândido, como vice de Néfi Tales, assumiu após a cassação do titular. O presidente da Câmara, Sebastião Bispo Alemão, assumiu o cargo de prefeito por alguns dias 2001 a 2004 – Elói Pietá. Eneide Moreira Lima assumiu o cargo por algumas vezes, na ausência do prefeito 2005 a 2008 – Elói Pietá. Além da vice-prefeita Eneide Moreira Lima ter assumido o cargo por algumas oportunidades, o presidente da Câmara Municipal, Gilberto Penido, assumiu o cargo de prefeito no final do mês de novembro de 2006, por poucos dias 2008 a 2012 – Sebastião Almeida

“Parabéns Guarulhos pelos seus 451 anos! Quero cumprimentar a todos os guarulhenses nesta data e em especial as personalidades que ajudaram a construir e fortalecer o bairro da Vila Galvão, tornando-o um cartão de visita, que engrandeceu ainda mais a nossa cidade.”

Francisco Requena Lago de Vila Galvão em 1950


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SÍMBOLOS MUNICIPAIS

Bandeira

I

nstituída pela Lei nº 1.679, de 7 de dezembro de 1971, de autoria do heraldista e professor Arcinoé Antônio Peixoto Faria, a bandeira apresenta as seguintes características: esquartejada em cruz, sendo os quartéis de azul constituídos por quatro faixas brancas carregadas sobre faixas vermelhas, dispostas duas a duas no sentido horizontal e vertical e que partem do vértice de um losango branco central, onde o brasão municipal é aplicado. O esquartejamento em cruz conforme a tradição heráldica portuguesa simboliza o espírito cristão do povo de Guarulhos; o brasão central expressa o Governo Municipal, figurando como sede do município, o losango onde é aplicado. As faixas representam o Poder Municipal que se expande a todos os quadrantes do território e os quartéis assim formados representam as propriedades rurais existentes no solo de Guarulhos.

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Brasão de armas As cores da bandeira da cidade identificam-se com as do brasão, simbolizando: o azul, justiça, nobreza, perseverança, zelo, lealdade, recreação e formosura; o branco, simbolismo de paz, trabalho, amizade, prosperidade e pureza; o vermelho, o amor pátrio, dedicação,audácia, desprendimento, valor, integridade e coragem. Obedece, o nosso lábaro, às dimensões oficiais adotadas para a Bandeira Nacional, levando-se em consideração 14 módulos de altura por 20 módulos de comprimento de retângulo. Com hasteamento obrigatório às 8 horas de cada dia e arreamento às 18 horas. Quando usada no período noturno, deve permanecer iluminada. Para o seu hasteamento, observam-se as seguintes regras: quando hasteada em conjunto com a Nacional e a Estadual, ficará a Nacional ao centro, a Estadual à direita e a Municipal à esquerda. Quando distendida, sem mastro, em rua, praça, entre edifícios ou portas, será postada ao comprido, com o lado maior do retângulo, em sentido horizontal e a coroa municipal voltada para cima.

Foi instituído, em 1º de fevereiro de 1932, pelo prefeito nomeado, o major reformado na Polícia Militar, Ariovaldo Panadés, pelo Ato nº 87, tornando obrigatório o seu uso em todas as repartições e impressos comunais da cidade. Deve-se ao profundo conhecedor dos feitos dos paulistas, Affonso D’Escragnole Taunay, a sua composição, assim descrita pelo heraldista Clóvis Ribeiro, na sua obra Brasões e Bandeiras do Brasil: “Escudo redondo português, encimado pela coroa municipal privativa das municipalidades. Em campo azul, duas cabeças de índios e duas de brancos, de carnação, afrontadas. Em chefe (acima das duas primeiras cabeças) a Lua crescente de ouro, atributiva de Nossa Senhora da Conceição; em abismo, a cruz ‘ancorada’, atributo do apelido Álvares, na antiga heráldica portuguesa. No listel, enramado de hastes de cana de açúcar e de trigo, as mais velhas culturas do município, inscreve-se a divisa: Meu sangue é genuinamente paulista, ou VERE PAVLISTARVM SANGVIS MEVS. Como suportes do escudo, duas anhumas, as belas, grandes e ariscas aves que outrora deram nome ao Tietê de Anhembi (Rio das Anhumas), nos anos primeiros de São Paulo. Banha o antigo Anhembi as terras de Guarulhos e têm, como todos sabem, o maior significado no conjunto das tradições paulistas, como o ‘Rio das Monções’”. Neste brasão, escreve Taunay, estão reunidas as figuras relembradas da fundação do arraial luso-indiático, do século XVI; e a do padre bandeirante João Álvares, vigário de São Paulo e grande benfeitor da antiga aldeia de Nossa Senhora da Conceição, denominação atributiva ao arraial, depois vila e hoje cidade, pois indiferentemente chamava-se o lugar Conceição ou Guarulhos. Consta ter sido o historiador e primoroso pintor Wasth Rodrigues quem desenhou o brasão proposto por Taunay. Artista a quem Carlos Drummond de Andrade assim se referiu: “Wasth não ostenta ciência, possuía-a simplesmente”. Em 1991, no governo Paschoal Thomeu, o brasão foi modificado pela Lei nº 3.761, de 24 de abril.


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TOMBAMENTO

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Patrimônio cultural

E

m 26 de dezembro de 2000, o então prefeito Jovino Cândido, conforme indicação do Conselho Consultivo Municipal do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Arquitetônico e Paisagístico de Guarulhos decretou o tombamento dos seguintes imóveis, não podendo ser demolidos, nem sofrer acréscimos ou diminições:

Sanatório Padre Bento

Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso

Produção: Agência Sindical - (11) 3231.3453

Igreja Nosso Senhor do a) Bom Jesus (da Capelinh é zar Na de a rad Est

Igreja do Bom Jesus da Cabeça – Estrada do Cabuçu

Ao ensejo dos 451 anos de Guarulhos, cidade eminentemente trabalhadora, fazemos uma saudação especial à classe trabalhadora guarulhense, principalmente aos metalúrgicos da ativa e aposentados. Nesta data, e com satisfação, registramos a forte presença dos metalúrgicos na economia local e a grande contribuição da categoria ao desenvolvimento da nossa cidade. Ganhos - Em 2011, encerramos campanha salarial com aumento real para os 60 mil trabalhadores. É o oitavo ano consecutivo de ganhos reais e mais direitos. Também conquistamos pagamento de abonos salariais, que variam entre 26 e 28% do salário do trabalhador. Mulher - Outra conquista importante é a extensão da licençamaternidade de 180 dias para mais de 80% das trabalhadoras da nossa base. A mulher metalúrgica passa a dispor de estabilidade também quando adota criança. Cidadania - Afora as ações no campo trabalhista, o Sindicato amplia o trabalho social e as lutas cidadãs. Ao mesmo tempo, nossa entidade estimula a participação do metalúrgico e da metalúrgica Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região Telefone 2463.5300 - www.metalurgico.org.br

Pereira e Heleno comandam assembleia de aprovação do acordo da Campanha Salarial

na vida política da cidade, buscando, sempre, o progresso e a qualidade de vida. Futuro - O metalúrgico é agente ativo na história guarulhense. Já fizemos muito no passado. Temos forte atuação no presente. E queremos cada vez mais influir nos destinos de nossa cidade.


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IMÓVEIS TOMBADOS

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Sítio da Candinha

Sete Prédio localizado a Rua Rua com a uin de Setembro esq da e sed (1ª s nde rco Felício Ma ão çad cal e hoj – ) ura feit Pre

iniano – Centro, EEPSG Conselheiro Crisp s, profissional iga Art va projetada por Vila No Cecap que construiu o bairro do

Igreja São João Batista dos Morros – Cocaia

Antiga estação de trem e antiga casa do chefe da Estação – Casa Amarela

Bosque Maia


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PATRIMÔNIO CULTURAL

tembro, esquina Prédio na Rua Sete de Se (Casa do ex-prefeito com Felício Marcondes ) – hoje a casa está José Maurício de Oliveira abandonada no Centro

Antiga Fábrica Adamastor

Colégio Capistrano de Abreu –anuncio_guarulhos_dezembro_2011.ai Centro

08 de Dezembro de 2011

Serra da Cantareira – do Cabuçu ao Bonsucesso

Praço Getúlio Vargas –

5/12/2011 17:30:50

Centro

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CRÉDITOS

08 de Dezembro de 2011

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Fonte: livro “Guarulhos espaço de muitos povos” Editor Responsável Nelson de Aquino Azevedo Coordenador Editorial Jefferson Pereira Galdino Organizadores do Livro Elton Soares de Oliveira, Maria Cláudia Vieira Fernandes, Gláucia Garcia de Carvalho, Elmi El Hage Omar, Benedito Antônio Genofre Prezia, Sandra Emi Sato, William de Queiroz, Márcio Roberto Magalhães de Andrade, Antônio Manoel dos Santos Oliveira, Lúcia de Jesus Cardoso Oliveira Juliani, Edson José de Barros, José Elmano de Medeiros Pinheiro, Caetano Juliani e Vagner Carvalheiro Porto Fotografias Maria Cláudia Vieira Fernandes, Márcia Pinto, Alexandre de Paula,

Agradecimento especial Agradecemos a todos os funcionários do Arquivo Histórico Municipal que nos forneceram os materiais necessários para esta publicação.

Elton Soares de Oliveira, João Machado, Aparício Reis (Índio), José Maria Muniz Ventura, Levi da Silva, acervo de Isabel Borazanian, Gláucia Garcia de Carvalho, acervo da Casa de Cultura Paulo Pontes, Massami Kishi, acervo do Grupo Literário Letra Viva, Acervo da Prefeitura Municipal de Guarulhos e Arquivo Histórico de Guarulhos Arquivo Histórico Municipal: Rua Tapajós, 80 – Jardim Barbosa – Guarulhos Telefone: 2442-8723

Funcionários do Arquiv

o Histórico Municipal

Email: arquivohistoricogru@gmail.com


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