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SPED:

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Empreender ou Despender

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Num país onde o jeitinho sempre sai ganhando, descobrir que a honestidade vem crescendo entre as pessoas e que ela é fruto de uma grande transformação social é uma grande conquista. E é através destas mudanças que a Contabilidade implanta o SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, que tem por objetivo combater as práticas desleais no envio e recebimento de mercadorias. Mesmo porque, com as redes sociais dominando o mundo virtual e se estendendo para o real, a privacidade se tronou escassa e a dificuldade de se burlar a ética aumentou. No artigo abaixo você vai ver como é visto o SPED atualmente, quais os seus pontos fortes e quais os benefícios que ele pode trazer para todo o segmento empresarial e para a economia do país.

* Por Roberto Dias Duarte

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SPED:

Empreender ou Despender

Recente pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP) revela que 97% das pessoas nascidas na saudosa década de 1980 repudiam atitudes antiéticas, um dado interessante, sem dúvida, até mesmo por envolver uma parcela considerável da população brasileira, hoje na casa dos seus 30 e poucos anos. Quem viveu aquela época de grandes transformações culturais e sociais habituou-se rapidamente com a perda de privacidade trazida pelas relações virtuais iniciadas na década seguinte. Toda essa exposição hoje avança mais rapidamente ainda, já a partir de crianças e adolescentes que exibem seus perfis pessoais, comportamentos e preferências nos vários sites de busca e também nos muitos outros que integram as conhecidas redes sociais. Apesar das críticas que muitas vezes ainda recebe, essa nova maneira de viver e se comunicar traz um ganho extra na

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qualidade das relações humanas, sob a forma de uma valorização crescente da honestidade, produto raro em meio a tantas possibilidades de se forjar desde descrições físicas a números de documentos e transferências bancárias. É em meio a este cenário, mergulhado em tecnologia, que a implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) está se espalhando pelo País, com o legítimo objetivo de combater as práticas ilegais no envio e recebimento de mercadorias. Infelizmente, muitos o veem apenas como “mais uma


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obrigação acessória”, enquanto outros acreditam ser a causa de uma grande transformação que amadurecerá, espontaneamente ou não, empresas e profissionais das áreas financeira, administrativa e contábil. É desse lado, particularmente, que me coloco, pois considero este projeto não como causa, mas sim consequência de uma grande mudança social. Afinal, vivemos um “ponto de inflexão”, onde o intangível toma o lugar do tangível. Definitivamente, o SPED é um exemplo bem acabado de que o conhecimento e a atitude fomentam o capital intelectual. O meio eletrônico é apenas e tão somente o veículo para a entrega desse patrimônio. Um dos pilares do SPED, a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), por exemplo, atua como grande repositório das inteligências contábil, fiscal, gerencial e tecnológica trafegando pela Internet para levar às autoridades fiscais, clientes e parceiros uma essência disso tudo de cada empresa que a emita. Deve, portanto, ser entendida como um protocolo de comunicação interligando a

cadeia produtiva ao mundo, ou seja, a quintessência logística do conhecimento digital, que praticamente acabou com as fronteiras físicas num mundo altamente globalizado. É importante também destacar que o SPED e toda a tecnologia ao seu redor respondem ainda pelo reconhecimento de departamentos antes percebidos como “áreas meio”, mas que agora passam intensamente a agregar valor aos produtos. Neste novo cenário, as áreas que geram as informações contábeis e fiscais precisam estar sempre conectadas em tempo real com todos os departamentos da empresa-cliente, sob pena de gerar graves problemas. Ao descumprir sua missão, esses segmentos podem passar a ter papel negativo, não apenas dentro de casa, mas – e principalmente – nos domínios do cliente, como se disseminassem um perigoso vírus fiscal, passível de infectar sistemas e passar anos encubados ou não, frente aos controles cada vez mais rigorosos e eficazes do fisco.

Um dos pilares do SPED, a Nota Fiscal Eletrônica (NFe), por exemplo, atua como grande repositório das inteligências contábil, fiscal, gerencial e tecnológica trafegando pela Internet para levar às autoridades fiscais, clientes e parceiros uma essência disso tudo de cada empresa que a emita.


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É evidente que processos contábeis e tecnológicos, sejam internos ou terceirizados, devem compreender seu novo papel frente ao mercado, pois satisfazer ao cliente em suas expectativas não se restringe mais à entrega de produtos ou serviços, requerendo também a qualidade das informações contidas na NF-e e na logística de envio e guarda do documento eletrônico. Por isso, a visão empreendedora focada no negócio e no mercado é fundamental para profissionais que atuam nestas áreas do conhecimento, inclusive consultores autônomos, pois é a ação combinada que gera valor ao longo de toda a cadeia produtiva. Nesse processo, não há mais lugar para quem deixe de empreender digitalmente. Ignorar essa nova onda é assinar a própria certidão de óbito

profissional ou empresarial. Assim, torna-se imperioso despir-se de quaisquer preconceitos, aceitar mudanças e, principalmente, ouvir ideias e opiniões contrárias. A criação de novos valores, por meio da inovação, só é possível com o suporte do vasto ferramental tecnológico disponível. Note-se, em sua maior parte esse acervo é gratuito, restando aos maiores interessados investir, isso sim, em tempo, atitude e interesse.

Roberto Dias Duarte (professor, administrador de empresas com MBA pelo Ibmec, diretor da Mastermaq Software, coordenador acadêmico da Escola de Negócios Contábeis (ENC) e especialista em Tecnologia da Informação, Certificação Digital, SPED e NF-e, com mais de 20 anos em projetos de gestão e tecnologia. É autor do livro “Big Brother Fiscal, o Brasil na Era do Conhecimento”)

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view JFS | JAN 2011