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O Futuro da Mem贸ria...


A Memória é um elemento fundamental para a Identidade de uma Comunidade. É ela que torna vivo o nosso passado, trazendo para o presente os cantos e recantos e as gentes das nossas aldeias. Uma comunidade sem Memória é uma comunidade morta. No período pós-25 de Abril novos horizontes se rasgaram e as nossas aldeias foram conhecendo um outro desenvolvimento, que as transformaram e tornaram mais habitáveis e circuláveis. Hoje alguns dos espaços que as caracterizavam apenas ficaram para o futuro através da memória de cada ou através da objectiva de alguma máquina fotográfica. O conjunto de fotografias apresentadas retrata aspectos das duas aldeias que já pertencem à memória colectiva da freguesia, e que as gerações mais novas já não conheceram. A fotografia constitui um excelente suporte da nossa memória, daquilo que observamos e queremos um dia mais tarde recordar.


A autoria das fotografias pertence na sua maioria a Liberto Carvalho (Real), mas também a Pedro Nóbrega (Ribeira) e João Abreu (Real). Esta exposição insere-se num projecto mais vasto da autoria de João Abreu. O objectivo deste projecto é evidenciar as mudanças do tempo e recordar o passado, mostrando aos mais novos que as aldeias nem sempre foram como eles as conhecem hoje… e o mais importante fomentar o gosto pelas nossas raízes. A principal fonte de trabalho tem sido o espólio de Liberto Pais de Carvalho. A Junta de Freguesia associou-se ao João Abreu e, através do projecto “Viver mais e receber melhor, com Identidade e Memória”, irá expor o seu trabalho, com o financiamento do Programa de Desenvolvimento Rural 2007-2013. Salvemos a Memória e a Identidade da Freguesia!


Denominada por “Casa do Povo”, esteve vários anos abandonada, até que, após uma disputa com o pároco da altura, foi devolvida à população. Após a fundação em 23-05-1985 da Associação Cultural, Recreativa de Real foi-lhe entregue pela Junta de Freguesia para sua sede. Extracto da acta da Junta de Freguesia de 20 de Março de 1985: Falou de seguida o presidente, tendo dito já ter contactado toda a população, para se resolver quanto antes uma reunião, para ser dado o devido rumo à Casa do Povo, e que dias depois essa reunião foi feita, de qual foram pedidas assinaturas, sendo recolhidas as necessárias, para então ser marcada a escritura na Secretaria Notaria de Penalva, para que esses nomes e mais alguns, fosse formada uma direcção completa e condigna, em defesa da acção cultural e recreativa desta Freguesia. Disse ainda como já tinha em seu poder todos os elementos necessários, ele próprio se encarregaria de pedir a marcação dessa escritura, para então esta Junta se libertar, fazendo uma doação, esta a titulo simbólico à direcção criada pelo Povo, uma vez que esta Junta nunca defendeu esta causa, para chamar propriedade sua a Casa do Povo, mas pode orgulhar-se que o fez honestamente e com dignidade, para que a mesma casa não caísse em mãos desonestas. A Junta de Freguesia era composta por António de Matos Abreu (Presidente), Francisco Costa de Almeida Ângelo (Secretário) e Fernando da Cunha Almeida (Tesoureiro)


Actual casa de Liberto Carvalho, antes de ser reconstruída em 1975. Típica casa beirã com loja em baixo e piso habitacional na parte superior com acesso por balcões. Nota-se a técnica construtiva do tabique, com o engradado à mostra. Ao fundo, na Rua do Cotovelo, vê-se o carro de bois de João Baptista.

Casa que pertencia ao Tio Luzio e hoje se encontra na posse de Acácio Oliveira, tendo já sofrido obras de restauro.


Actual R. Prof. Dr. Aguiar e Silva, mais conhecida como rua do Cimo da Rua. Vê-se o local onde outrora estava uma casa que tornava o inicio desta rua sinuosa e sem acesso a veículos. Esta casa pertenceu ao Tio Zé da Aurora e depois a Laura Afonso, sendo demolida em 1975/6. Na foto estão a Ti Ana do Mouco com um cântaro, o Tio Vasco Oliveira e a Ana, filha da Tia Laura do Moinho.

Antiga casa que pertencia a António Pina. Estava adossada à casa de João Afonso, sendo comprada pela Junta de Freguesia em 1991, para ser demolida com vista ao alargamento da rua.


Vê-se as traseiras do casario do Largo do Cruzeiro/Rua Principal com os seus quintais e logradouros, outrora rasgados pela estrada na década de 30 do séc. XX.


Rua do Penedo: Como o nome indica, as casas com as suas varandas floridas foram construídas sobre um grande penedo. Aqui viveram o Tio João “Alfaiate”, a Tia Glória e a Tia Maria do Penedo, os Silva, Tio Amadeu da Fonte e a Tia Isaura da Fonte. Hoje menos florida e já sem as varandas do lado direito, encontra-se quase deserta e sem cor… Atrás da Igreja: Uma curiosa passagem por baixo do sobrado de uma típica construção de tabique.


A Laija Gorda durante anos tapou o acesso da estrada ao centro do povo. Miúdos e graúdos aventuravam-se santitando até à estrada. Nem as procissões, que dando a volta ao cruzeiro, deixavam de passar por aqui. Na foto de cima vê-se um “Sunbeam” de Liberto Carvalho e na foto de baixo o carro de bois de João Baptista. Na senda do desenvolvimento a população tomou a iniciativa de começar o rebentamento da laija, na qual foi secundada pela Junta de Freguesia que desenvolveu os restantes trabalhos. O novo acesso viria a ser terminado e calcetado em Novembro de 1991, ficando com o aspecto que mais á frente se virá.


Cruzeiro de estilo barroco datado de 1765. Foi restaurado e recolocado em 1991 depois de ter sido abalroado por um veículo. Em 1997 foi submetido a uma limpeza que lhe deu uma nova feição. Na envolvência vê-se o antigo casario de feições diversas, que deram lugar a novas casas de traça mais moderna e incaracterística. Na 1ª foto as casas que pertenceram à Tia Maria Pia e a Afonso Ribeiro, hoje reconstruídas e habitadas por Joaquim Lemos. Na 2ª foto a casa que hoje pertence a Alexandra Henriques e outrora foi de José Rodrigues.


A Memória e o Futuro... … uma convivência nem sempre pacifica. A sede de progresso e desenvolvimento muitas vezes ditaram a destruição de realidades que hoje apenas constam na memória de alguns.


Igreja Paroquial de Real, cujo edifício principal datará do séc. XVIIII. Já se encontrou totalmente rebocada, até 1989, o que lhe salientava as cantarias da cornija, cunhais, óculos e portas. Ao lado o antigo Williams do Pe. Arlindo Tavares. Defronte da igreja vê-se a esquina de uma casa onde funcionou uma venda.

Capela de S. Marcos erigida em 1881 por José Ribeiro Oliveira. Na primeira foto ainda tinha o reboco que a protegia das humidades e infiltrações e o telhado de meia cana. Na foto estão Isaura Costa e Lourival Moreira. Na segunda foto a capela, depois de obras de restauro, encontra-se já sem o reboco e com um novo telhado.


Antiga capela da Ribeira dedicada a Santa Luzia, outrora à Nossa Senhora da Ouvida, situada no fundo do povo. Sendo exígua, foi demolida em 2003. A nova capela mais ampla foi construída no cimo do povo, sendo sagrada em Julho de 2001 por D. António Monteiro, sendo pároco o Pe. Delfim Cardoso. É dedicada a Nossa Senhora dos Remédios.


Na antiga capela existia um retábulo neoclássico de talha pintada, possivelmente do séc. XIX, que foi desmantelado e alienado a quando da demolição da capela. Tinha duas tábuas pintadas, uma representando S. Francisco de Assis e outra a Virgem com o Menino, talvez recuperadas de um antigo altar. Na predela tinha pintado a Santa Luzia e um outro santo. A imagem de Nossa Senhora dos Remédios era policromada com veste em vermelho e manto azul com motivos vegetalistas dourados, possivelmente do século XVIII. Na parede vê-se um antigo ex-voto à Nossa Senhora da Ouvida.

A imagem de Santa Luzia era policromada com elementos dourados, possivelmente do séc. XVIII. Após a demolição da capela foi “restaurada” e colocada numa vitrine do local da antiga capela, em sua memória.


O Futuro da Memória 30 de Setembro * Escola Primária 1 a 15 de Outubro 2012 * Sede da Junta de Freguesia

Coordenação: João Carlos Abreu Autoria das Fotografias: Liberto Pais Carvalho, João Carlos Abreu, Pedro Pina Nóbrega Textos: Pedro Pina Nóbrega Montagem: Samuel Abreu, Marta Oliveira, Tânia Abreu Impressão e Emolduramento: O Caixilho Organização: Junta de Freguesia de Real Um agradecimento especial ao Liberto Carvalho pela cedência das fotos antigas e por todas as informações prestadas que permitiram elaborar os textos do catálogo. Apoio: No âmbito do Projecto “Ser Mais Real”


Financiado pelo Programa de Desenvolvimento Rural 2007-2013, no âmbito do Projecto “Viver Mais e Receber melhor, com Identidade e Memória”

O Futuro da Memória  

Catálogo da Exposição O Futuro da Memória

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