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Examinando a Língua

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APRESENTAÇÃO Bem-vindo à faculdade. Você acaba de ingressar num mundo novo e gostaria de informálo sobre os perigos e os benefícios deste mundo, para que você tire o máximo proveito de sua estada aqui. Alguma coisa mudou em comparação com seu curso fundamental e médio. Ali você tinha de estar na sala de aula no horário, sob pena de perder ao menos um tempo, quando não todas as aulas. Na faculdade, você é mais livre. Embora a chamada seja feita e você receba faltas, geralmente os professores não se importam se você chegar atrasado. Agora você é adulto e responde pelos seus atos. Essa liberdade exige responsabilidade, porque mesmo sendo livre para chegar atrasado ou não vir à aula, há um número máximo de faltas que, se ultrapassado, você estará automaticamente reprovado No colégio, você recebia ordens de diretores e professores quanto aos trabalhos e deveres que deveriam ser apresentados. Na faculdade, você recebe orientação e prazos e é livre para cumprir ou não essas orientações. Como você é considerado responsável pelos seus atos, as conseqüências também virão e você será o único responsável por sua aprovação ou reprovação. Você vai perceber que muita coisa mudou em relação ao seu tempo de estudante adolescente e que agora, na faculdade, você também precisa mudar. Você, talvez, trabalhe e estude e o tempo deverá ser aproveitado ao máximo para que você dê conta do recado e não fique em dificuldade ao fim do semestre. Uma das coisas que você possivelmente não tenha aprendido no curso médio é estudar. Embora tenha estudado tanto, talvez até sendo um dos primeiros alunos da classe, muitas vezes você não aprendeu a estudar. Isso é muito importante agora. Adotar métodos de estudo, para aproveitar o tempo, é por demais importante. Por isso, vamos dar algumas sugestões para você aprender a aprender. 1.- O Tempo: Aquele que trabalha e estuda vive numa constante corrida contra o tempo. Os ponteiros do relógio tornam-se agora seus inimigos, a ponto de desejar que o dia tenha pelo menos umas oito horas a mais. Entretanto, como isso é impossível, você deve aprender a aproveitar as 24 horas de que dispõe, utilizando o tempo com parcimônia e inteligência. Agora você vai entender o provérbio inglês: Time is money. Então, reorganize sua vida de tal maneira que haja espaços para todas as atividades, principalmente para os estudos. Não se admite que o acadêmico pense que não precise estudar. Isso é impossível. Se você tem muitas atividades, que tomem todo o seu tempo, agora é necessário dispensar algumas delas para dedicar tempo ao estudo. Eu sei que é difícil, pois sempre trabalhei e estudei, mas consegui aproveitar meu tempo de tal forma que consegui estudar. Faça isso. É importante. Faça um horário para ser seguido, levando em conta todas as suas atividades e siga-o. Marque horário para levantar, para higiene


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pessoal, transporte, trabalho, refeição, estudo e lazer. Somente você poderá realizar esse trabalho. Não adianta aqui darmos um horário, porque cada um de vocês está em situação diferente. Faça você mesmo seu horário, mas faça. Planeje, Programe! 2.- Estudando: Nossa mente é muito interessante. Adapta-se a situações as mais diversas, mas capta tudo o que se passa ao redor. Se não conscientemente, pelo menos o subconsciente registra tudo. Por isso, você deve ter um local próprio para seus estudos, e somente ali você deve estudar, para que sua mente fique o menos possível, exposta a distrações. Tenha um local sossegado, com o mínimo de barulho possível, sem outras coisas que possam distraí-lo. Nunca estude deitado ou em frente à televisão, ou com o som ligado. Embora alguns alunos aleguem que aprendem melhor assim, isso é utopia. A mente, ou está ligada ao estudo ou à música. Conciliar as duas coisas é impossível. Tenha um local com uma mesa e uma cadeira e utilize sempre o mesmo local. Não tente decorar nada. Leia a matéria duas, três ou mais vezes, até conseguir assimilar, compreender. Depois de compreender o texto, você não vai esquecê-lo facilmente. Tente analisar as situações que o texto apresente. Se você analisar, a compreensão vai surgir como num passe de mágica. Se tiver dificuldade para entender alguma palavra, anote-a, e depois procure no dicionário, anotando o significado. Na segunda leitura, essa palavra já não será mais problema. Qualquer dúvida que se apresente em sua análise, anote e pergunte ao professor. Ele terá prazer em ajudá-lo. 3.- Grupos de Estudos: Uma prática muito comum na faculdade é o trabalho em grupo. Quando você pertencer a um grupo, procure colaborar em tudo. Sempre, em um grupo de estudos, há aqueles que carregam piano e outros que tocam flauta. Não seja um tocador de flauta. Seus colegas não colaborarão com você se você não colaborar com eles. Desenvolva um espírito de equipe e não seja tão centralizador que sua equipe vire uma euquipe, onde você faz tudo sozinho. Se nada fazer é um mal, querer fazer tudo sozinho é pior. De acordo com o trabalho a ser desenvolvido, às vezes o grupo distribui tarefas. Faça a sua com eficiência e exija que seus colegas também o façam. Depois, procure estudar com afinco tudo o que seu colega descobriu, discuta com o grupo e cheguem à melhor conclusão. 4.- Aprenda a Ler: Uma das grandes dificuldades dos alunos é que não sabem ler. Você deve estar pensando que eu estou brincando, mas não estou. Hoje, a grande maioria dos alunos não sabe ler. Aprender a ler é como aprender a nadar. Só se aprende a nadar, nadando. Só se aprende a ler, lendo. Verifique um grupo de pessoas lendo. Alguns lêem mexendo os lábios, ou seja pronunciando para si mesmo cada palavra. Esse não sabe ler. Enquanto você pronuncia a palavra, sua atenção é desviada para a forma da palavra e você não entende a frase. Mesmo entre aqueles que lêem somente com os olhos, há alguns que não entendem o que lê


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porque, enquanto os olhos estão lendo, a mente está em outro lugar. Para entender o que se lê, é necessário estar muito concentrado. Mergulhe na leitura de tal maneira que nada em volta o distraia. Há alguns exercícios para aqueles que têm dificuldade de concentração. Fiz alguns desses exercícios e, hoje, quando estou lendo, mesmo que falem mal de mim, eu não escuto. Tente fazer alguns desses exercícios e você vai ver sua leitura e sua compreensão melhorar. 5.-Aproveite a aula: Agora você está na faculdade. Ou você ou seu pai está pagando caro por isso. Aproveite seu tempo em sala, evitando conversas, brincadeiras, ou qualquer outra coisa que distraia sua turma. Colabore. As conversas paralelas, mesmo a respeito do assunto da aula, atrapalham seus colegas e, principalmente, o professor. Se for uma aula de pesquisa em grupo, participe ativamente do grupo, aproveitando todo o tempo que, geralmente, é pequeno. Não perca tempo em conversas. Se for uma aula expositiva, ouça o que o professor está falando, se tiver dúvida, interfira, pergunte. Não faça perguntas capciosas, para desviar o assunto da aula, porque o professor sabe disso. Ele tem experiência com outras turmas. Não tente enganá-lo. 6.- Fazendo prova: Há um costume deletério que se espalhou por todas as escolas, desde o fundamental até a faculdade. Chama-se COLA. Dizem alguns que quem não cola, não sai da escola. Só que sai sem saber nada, e ainda com fama de ladrão. Sim, porque o aluno que cola está roubando o conhecimento do outro, ou do autor do livro, conhecimento que não é seu. Se você pega algo que não é seu, não deixa de ser roubo. Outro problema que há com a cola é que, às vezes, você não sabe responder a uma pergunta e pensa que seu vizinho sabe. Cola dele e erra. Já vi isso muitas vezes. Alunos que marcaram a resposta certa, apagaram e colaram errado do vizinho. Não seja bobo! Siga seu instinto, ou melhor, aprenda a matéria. SIGA ESTAS ORIENTAÇÕES E ALCANCE O SUCESSO!


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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Para sua orientação, damos abaixo o conteúdo programático que serviu de base para este trabalho. UNIDADE I: 1.- Ortografia 1.1 – Grafia e Fonética 1.1.1 – Som /s/ com c, ç, s, ss, sc, xc, x. 1.1.2 - Som /ks/ com cc,cç, x. 1.1.3 - Som / / com x, ch. 1.1.4 - Som /z/ com s, x, z. 1.1.4 - Som /ç/ com g, j. 1.2 – Grafia dos nomes próprios. 1.3 – Grafias que confundem. afim/ a fim de, há/a (na indicação de tempo), houve/ouve, mal/mau, mas/más/mais, onde/aonde/donde, se não/senão, sessão/seção/cessão, trás/traz/atrás. UNIDADE II: 1.- Acentuação Tônica e Gráfica 1.1 – Sílaba 1.2 – Tonicidade 1.2.1 – Monossílabo, Dissílabo, trissílabo, polissílabo 1.2.2 – Átono e tônico, oxítona, paroxítona, proparoxítona 1.3 – Acentuação Gráfica 1.3.1 – Os acentos 1.3.2 – Acentuação gráfica do monossílabo tônico, das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas. UNIDADE III 1.- Pronomes Pessoais 1.1 – Caso Reto e Oblíquo 1.2 – Pronomes de Tratamento 1.3 – Colocação Pronominal 2.- Concordância 2.1 – Verbal 2.2 – Nominal 2.3 – Silepse 3.- Regência 3.1 – Verbal 3.2 - Nominal 4.- Crase 4.1 – Os quatro aa 4.2 – Use a crase 4.3 – Não use a crase 5.- Pontuação Gráfica 5.1 – vírgula, ponto e vírgula, 5.2 – O uso do hífen. UNIDADE IV:


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1.- Noções de Comunicação 1.1 – Elementos, funções, alvos, sentido e expressão. 1.2 – Texto e Contexto 1.3 – Problemas da Comunicação; barreiras. 2.- Língua e Linguagem 2.1 – Funções 2.2 – Níveis 2.3 – Homonímia e paronímia. UNIDADE V: 1.- Coerência e coesão textuais 2.- Argumentação 2.1 – Argumentação de Autoridade 2.2 – Argumentação de Consenso 2.3 – Argumentação com provas 2.4 – Lógica. 3.- Defeitos de Argumentação 3.1 – Noções confusas 3.2 – Noções de totalidade indeterminada 3.3 – Noçlões semiformalizadas 3.4 – de exemplo, de ilustração e de modelo. 4.- As várias possibilidades de leitura de um texto. UNIDADE VI: 1.- O Parágrafo 1.1 – Conceito 1.2 – Divisão 1.2.1 – Tópico Frasal 1.2.2 – Desenvolvimento 1.2.3 – Conclusão 1.1.4 - Elemento Relacionador. 2.- Tipologia Textual 2.1 – Descrição 2.1.1 – Objetiva 2.1.2 – Subjetiva 2.2 – Narração 2.2.1 – Elementos Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? 2.2.2 – Resultado Previsível e Imprevisível. 2.3 – Dissertação 2.3.1 – Conceito 2.3.2 – Tipos 2.3.3 – Estrutura 2.3.4 – Técnicas de Elaboração UNIDADE VII: 1.- Redação Técnica 1.1 – Vocabulário 1.1.1 – Palavras Técnicas

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1.1.2 – Palavras abstratas 1.2 – Economia Verbal 1.2.1 – Texto prolixo 1.2.2 – Texto lacônico 1.2.3 – Texto conciso 1.3 – Cartas Comerciais 1.4 – Outras correspondências Aviso, Bilhete , Circular, Convocação. Memorando, Ofício, Telegrama. 1.5 – Outros documentos Ata, Atestado, Contrato, Edital, Estatuto, Letra de Câmbio, Nota Promissória, Ordem de Serviço. Procuração, Requerimento, Protocolo, Recibo. Relatório. Objetivos Gerais: O aluno, ao fim do curso, deverá ser capaz de produzir e interpretar textos, escrever corretamente a língua pátria e redigir textos com propriedade. Metodologia: 1.- Pesquisa em grupo, sob orientação do professor. 2.- Os grupos se dividem, formando outros grupos com um membro de cada um dos grupos anteriores, para que cada membro de um grupo passe para os outros o que pesquisou junto com seu grupo. 3.- Aula expositiva, pelo professor, com a finalidade de tirar dúvidas por acaso encontradas durante as discussões em grupo. 4.- Trabalhos individuais e em grupo, em sala de aula e fora dela. 5.- Concursos internos sobre as matérias dadas. Avaliação: A avaliação será constante, tanto dos trabalhos feitos em classe, como fora dela. Prova bimestral, nos moldes do provão, com questões objetivas de múltipla escolha e discursivas.


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UNIDADE I

1.- Ortografia: do grego – orthos = correto e significa grafia correta.

graphein = grafia;

Introdução: Para que, em todas as línguas, o estrangeiro possa saber a pronúncia correta de uma palavra, foi criada uma tabela de símbolos que representam os fonemas, ou seja, o som de uma letra na palavra. Reproduzimos essa tabela abaixo, para você se familiarizar com os sons que estudaremos neste trabalho: TABELA INTERNACIONAL DE SÍMBOLOS FONÉTICOS Alfabeto A a

Símbolo fonético /a/

B b

/b/

C c

/k/ /s/ / /

Ch ch D d E e

/d/ /e/ /e/

F f

/f/

G g H h

/g/ /Ç/ -

I i

/i/

J j L l M m

/Ç/ /l/ /m/

N n

/n/

Oo

/o/ / / /p/

P p

Exemplos casa, face, cara, sapato. botija, barriga, beleza. café, casa, conferência. cebola, centro, caça. chá, chave, cheiro. drama, delito, dever. elefante, eleitor, cesto. café, cético, idéia. folga, feitiço, fronteira. guerra, garra, grito. agir, viagem, agiota. homem, hélice, hímen. identidade, imenso, falido. joelho, anjo, janela. lábio, líbero, loção. mamão, mármore, morte. navio, novela, nuvem. bonde, coice, loira. cipó, bode, copa. prêmio, pálido, porção.


Examinando a Língua Q q Rr S s

/k/ /r/ /s/ /z/

T t U u

/t/ /u/

V v X x

/v/ / / /ks/ /z/ /ts/

Z z

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quilo, queixo, queijo. baralho, fera, quero. sapato, sino, assessor. casamento, coisa, asilo. toalha, tipo, tapera. Ubirajara, urubu, caju. vela, varíola, véu. caixa, feixe, xarope. fixo, reflexo, tóxico. zebra, zabumba, zangão. pizza.

As dificuldades mais comuns na grafia dos vocábulos da língua portuguesa são as seguintes: Palavras com o som /s/ escritas com C, Ç, S, SS, SC, XC, X 1.- Palavras de origem tupi, africana e árabe, grafam-se com C ou Ç: a) – Tupi: açaí, Araci, Juçara, paçoca, piracema, Piracicaba, voçoroca. b) - Africana: cacimba, caçula, miçanga, Moçambique. c) – Árabe: alçapão, Alcione, alcáçar, alcaçuz. 2.- Após ditongo, grafa-se com C ou Ç: beicinho, beiço, bouçar, caiçara, foice, calabouço, louça, precaução, traição traiçoeiro. 3 – Substantivos derivados de verbos terminados em NDER/NDIR, grafam-se com S: ascender

Ascensão

ascensorista

pretender

Pretensão

pretensioso

expandir tender

Expansão Tenso

expansivo tensão

(*) CUIDADO: interceder, intercessão (diferente. de interseção, de interseccionar).


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4.- Substantivos derivados de verbos terminados em EDER/EDIR, grafam-se com SS: Proceder Ceder Progredir Transgredir

processo cessão progresso transgressão

5.- Por motivos etimológicos, grafam-se algumas palavras com SC ou XC, geralmente entre vogais: acrescentar, disciplina, excêntrico, exceto, adolescente, excelência, miscelânea, exceção. 6.- Também por motivos etimológicos, grafam-se algumas palavras com X: aproximar, auxiliar, expirar, explícito, máximo, sintaxe, texto, trouxe. Palavras com som /ks/ escritas com CC, CÇ, X 1.- Quando o primeiro C do grupo CC ou CÇ é pronunciado, escreve-se com CC ou CÇ: seccionar, infecção, inspecção, secção, convicção, confecção, facção, fricção, sucção, cóccix, occipital. Notas: a.- Há palavras cujo C é pronunciado em Portugal e não o é no Brasil : facto, factura etc. b.- Algumas palavras admitem variantes: inspeção, seção. 2.- Por motivos etimológicos, alguns vocábulos são escritos com X e pronunciados com o som /ks/: anexo, asfixia, axila, axioma, clímax, conexão, convexo, intoxicar, léxico, oxidar, paradoxo, prolixo, reflexão, sexo, tóxico. Palavras com som / / escritas com X, CH, 1.-Após ditongo, grafa-se com X: baixo, eixo, caixa, deixar, faixa, feixe, frouxo, gueixa, peixe, queixada, seixo. Exceção: caucho. 2.- Após a sílaba en, grafa-se com X: enxada, enxame, enxaqueca, enxergar, enxerido, enxertar, enxoval, enxovalhar, enxergar, enxurrada. Exceções: encher (vem de cheio); encharcar (vem de charco), enchouriçar (vem de chouriço)


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3.- Após a sílaba ME, grafa-se com X: mexer, mexilhão, mexericar, mexerica, mexicano. Exceção: mecha e seus derivados. 4.- Por razões etimológicas, algumas palavras são grafadas com CH: archote, chuchu, flecha, chucha, machucar, mochila, pechincha, salsicha, tacha (prego ou mancha). Obs.: O nome a apresentadora Xuxa é escrito erradamente com X, por ser mais próprio para efeito de publicidade. Segundo informações não confirmadas, a palavra é formada pela última sílaba dos nomes de dois deuses do Umbanda: EXU e ORIXÁ. Palavras com o som /z/ escritas com S, X, Z . 1.- Após ditongo, grafa-se com S: aplauso, causa, coisa, faisão, lousa, maisena, mausoléu, Moisés, náusea, Neusa, paisagem, pouso, Sousa. GRAFIA DOS NOMES PRÓPRIOS Infelizmente, no Brasil de antigamente, os cartórios de registro civil eram comprados, sem concurso. Por esse motivo, muitos semianalfabetos ricos compravam cartórios e passavam para os filhos ou para outros parentes, que também eram analfabetos. Assim, muitos nomes foram registrados com a grafia equivocada. Temos por aí, muito Luiz, Neuza, Souza, com “z”, quando o correto é escrever esses nomes com “s”. Outro problema é dos pais que queriam dar aos filhos nomes estrangeiros e não sabiam pronunciá-los direito e, como os cartorários também eram analfabetos, saíram nomes como Irso, em lugar de Wilson, Uóston, em lugar de Washington, Uilian, em lugar de William e outros mais. Eu mesmo fui vítima disso. Meu pai foi me registrar com o nome de Gérson, mas o cartorário, que naquele tempo escrevia à mão, colocou meu nome com dois “ss”. Hoje, ao invés de Gérson, como era a vontade de meu pai, eu me chamo Gesson (sem acento), ficando, gramaticalmente, um nome oxítono, quando devia ser paroxítono. Conheço uma poetisa aqui de Porto Velho, cujo nome é “Deuta”, quando os pais queriam que fosse Delta, letra grega e também a foz de um rio. Há ainda o problema da ortografia. A ortografia da língua portuguesa já sofreu diversas modificações. Alguns nomes, registrados há muito tempo, o foram na ortografia antiga. Hoje, temos por aí muito Assumpção, Baptista, Christina, Mello, Anna e outros. Essas pessoas, em documentos, devem escrever o nome como está em seus documentos


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pessoais, mas em situações informais, podem escrever como determina a ortografia moderna: Batista, Assunção, Cristina, Melo, Ana. No Brasil, há o costume de se escrever os nomes próprios, enquanto as pessoas estão vivas, como está nos documentos, mas depois da morte, escreve-se de acordo com a ortografia atual. O nome da cantora baiana, deve ser escrito Maria Bethania, mas o do grande poeta que, enquanto vivo era Vinicius de Moraes, deve ser escrito Vinícius de Morais. 2.- Adjetivos e gentílicos grafam-se com S: Inglês

inglesa

ingleses

Escocês

escocesa

escoceses

Francês

Marquês Burguês Cortês

francesa

marquesa burguesa cortesão

franceses

marqueses burgueses cortesia

3.- Os sufixos esa, isa, osa, oso, grafam-se com S: Chuva

Chuvoso

Prazer

Prazeroso

Bom

Gosto

Poder

Ânsia Princesa

Bondoso Gostoso

Poderoso

Ansioso Poetisa Pesquisa

4.- As formas dos verbos pôr e querer, grafam-se com S: pus, pusesse, pôs, quis, quiseste, quisera, quisesse. 5.- Conserva-se o S etimológico: freguês, freguesia, querosene, coser (costurar), revés, brasão, através, artesão, ilhós, cós, maisena. Obs.: misto, misturar, misturado. 6.- Quando os sufixos INHO ou AR for acrescentado às formas que já tenham S ou Z, conservam-se estes:: análise aviso base casal

analisar avisar basear casar

visão improviso lápis nariz

visível improvisado lapisinho narizinho


Examinando a Língua catálise friso liso paralisia pesquisa preso

catalisar frisar alisar paralisar pesquisar presidiário

catequese batismo

catequizar batizar

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baliza lambuza país vaso atrás

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balizar lambuzar paisinho extravasar atrasar

Exceções: cristianismo

cristianizar

traumatismo

traumatizar

7.- Os sufixos ZINHO e IZAR grafam-se com Z:

ameno concreto hospital inferno ironia consciência

Substantiv Verbos/ os/Adjetivos Substantivos

amenizar concretizar hospitalizar infernizar ironizar conscientizar

profeta radical mãe papel pai

profetizar radicalizar mãezinha papelzinho paizinho

Obs: Observe a relação existente entre T/Z/C: Produto

Conduto Cantar

Atenção!

produzir

conduzir

cancioneiro

produção

condução canção

discutir – discussão

8.- As palavras iniciadas por E ou antes de vogal, grafam-se com X:

exatidão, exemplo, exímio, existência, existir, êxodo, exorcizar, exumação inexorável. Exceções: esôfago, Ezequiel, esoterismo.

Palavras com o som /Ç/ escritas com G, J

1.- As palavras de origem tupi, grafam-se com J:

beiju, caju, maracujá, pajé, Ubirajara, jatobá, jenipapo, jerimum, Jiparaná. Exceções: Mogi – Sergipe (consagradas pelo uso).

2.- Palavras formadas pelos sufixos AGEM, IGEM, UGEM, grafam-se com G:


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homenagem, imagem, vertigem, penugem, ferrugem, viagem (substantivo) Exceções: lambujem, pajem.

Atenção: viagem (substantivo) com G. viajem (verbo) com J.

ALGUMAS EXPRESSÕES QUE CONFUNDEM

Algumas pessoas têm a tendência de escrever algumas palavras de modo diferente do correto, porque há outras parecidas, como: afim/a fim de, ah/há/a, aja/haja/haja vista, mal/mau, mas/más/mais, onde/aonde/donde, ouve/houve, porque, porquê, por que, por quê, se não/senão, sessão/seção/cessão/exceção, traz/trás/atrás. Vamos ver as diferenças entre elas para você nunca mais errar? Vamos lá. AFIM/A FIM DE Afim dá idéia de afinidade, de relação. É um adjetivo, portanto, pode ser flexionado para o plural. Química e Física são disciplinas afins; cunhados são parentes afins. A fim de dá idéia de objetivo, vontade. É uma locução prepositiva, não podendo flexionar-se. Não estou a fim de sair; não estou a fim de trabalhar hoje. AJA/HAJA/HAJA VISTA Aja é do verbo agir. Aja com honestidade e você será bem sucedido. Haja é do verbo haver. Espero que haja muitas pessoas em minha formatura. Note que, no sentido de existir, ele é impessoal, isto é, continua no singular mesmo em expressões plurais. Haja vista equivale a veja e é invariável no português atual. O professor foi justo nas notas haja vista os critérios que usou na avaliação. Houve tempo em que essa expressão era variável, hoje não. MAL/MAU

Mal é advérbio e pode ser substituído por bem. Sua presença me faz mal; não vou comer porque vai fazer mal; você foi muito mal na prova. Mau é adjetivo e pode ser substituído por bom. Marcos é um menino muito mau; você foi muito mau para mim.


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MAS/MÁS/MAIS

Mas é uma conjunção coordenativa adversativa e liga duas orações contrárias. Pode ser substituída por porém. Vou com você, mas não ficarei lá; Sua redação está boa, mas tem muitos erros ortográficos. Más é plural de má e pode ser substituída por boas. As sogras não são tão más; algumas noras é que não são boas para com elas; aquelas alunas são muito más. Mais é advérbio (ou pronome adjetivo) e pode ser substituída por menos. Sara é mais nova do que Levi; Alfredo é o mais calmo da família. Note: Você deve dizer: mais amor e menos confiança. A expressão menas não existe, pois se trata de advérbio, que é invariável.

ONDE/AONDE/DONDE

Onde é estático, ou seja, indica permanência em um lugar. Pode ser substituída por em que, no qual. onde você colocou meu livro? não sei onde ela se escondeu. Aonde é dinâmico, ou seja, indica movimento daqui para lá. Pode ser substituído por para onde. Aonde você pensa que vai? não vi aonde ela foi. Donde também é dinâmico, ou seja, indica movimento de lá para cá. Pode ser substituído por de onde. Donde surgiu este fantasma? donde ele veio?(desusado. Hoje, usamos de onde). OUVE/HOUVE

Ouve é do verbo ouvir. Pode ser substituído por escuta. Falo, falo e ninguém me ouve. Por que você não ouve os conselhos de sua mãe? “fala, Senhor que Teu servo ouve!” (Samuel). Houve é do verbo haver. Quando tem o sentido de existiu/existiram é impessoal, isto é, não flexiona. Houve muita gente que não ouviu a notícia; no dia das mães, houve muitas pessoas chorando de saudade.


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SENÃO/SE NÃO

Senão é uma conjunção e pode significar:

a) – de outra forma, de outro modo, ao contrário. Fale, senão apanha; pára, senão atiro. b) – mas sim. Minha crítica não foi para atrapalhar, senão ajudar.

para

c) – a não ser, mais do que. Ele não fará a prova, senão forçado; nada há neste lugar, senão lixo. Se não são duas palavras separadas, de classes diferentes. O se é uma conjunção e pode ser substituída por outra conjunção; o não é um advérbio de negação Se não me esperar, vou ficar triste. Posso substituir o se por outra conjunção: Caso você não me espere, vou ficar triste. SESSÃO/SEÇÃO/CESSÃO/EXCEÇÃO

Embora as palavras tenham pronúncia parecida, o significado é muito diferente:

a) – Sessão significa reunião, encontro de duas ou mais pessoas. Você não compareceu à sessão de fisioterapia; Não gosto de assistir à sessão da tarde. b) – Seção significa repartição, uma parte de um todo. Não esqueça a seção de cobrança aberta; Na seção de tintas, há lugar. c) – Cessão – É um substantivo derivado do verbo ceder. Quem faz uma cessão (ou concessão) cede algo para alguém. O banco fez a cessão de diversas mesas para a creche; d) – Exceção – Esta palavra é escrita equivocadamente de diversas maneiras. Entretanto, somente esta é a maneira correta de escrever e significa exclusão da regra geral, privilégio. Todos, sem exceção, foram bem na prova; Deus não faz exceção de pessoas. Note: NA PALAVRA EXCEÇÃO NÃO TEM “S”. TRAZ/TRÁS/ATRÁS

Traz é do verbo trazer. Quando vieres, traz os livros que deixei aí. (Paulo).


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Trás é uma preposição, cujo sentido era, originalmente, além de. Daí a região de Portugal, denominada Trás-os-montes, ou seja, além dos montes. Hoje, é substituída por atrás de, depois de ou usada no sentido de localzação posterior. Ela chegou por trás de mim e me deu um susto. Atrás significa localização posterior, às costas. Não fique correndo atrás de mim; eu vou à frente, você vem atrás. CUIDADO com a grafia das seguintes expressões:

a partir de (não existe apartir): As aulas serão dadas a partir de agosto. de repente (não existe derrepente): O céu escureceu de repente. em fim (final) : O tráfego fica confuso em fim de tarde. enfim (finalmente) : Toda turma foi aprovada enfim. Em fim, sós! POR QUE, POR QUÊ, PORQUE, PORQUÊ

Há quatro maneiras de escrever esta expressão, de acordo com o sentido que se quer dar a ela. Vejamos: 1. Você deverá escrever por que, quando significar pelo qual, por que motivo. É utilizado no início das frases interrogativas diretas ou dentro da frase interrogativa indireta. Por que você não compareceu ao encontro? não sei por que ela me deixou sozinho. 2.- Você escreverá por quê, quando significar por que motivo, mas somente no fim da frase. Você não compareceu ao encontro, por quê? ela me deixou sozinho, não sei por quê. 3.- Porque, você vai escrever quando significar porquanto, quando estiver explicando ou dando uma causa. Não compareci ao encontro porque meu carro quebrou; ela o deixou sozinho porque não o quer mais. 4.- Porquê, você só vai escrever quando estiver precedido do artigo o, isto é, quando for substantivo. Nunca saberei o porquê de você não haver comparecido ao encontro; Ela não me quer mais; eis o porquê de haver me deixado sozinho. HOMONÍMIA E PARONÍMIA

De acordo com a forma com que são escritas e pronunciadas, as palavras podem dividir-se em:


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Homônimas, que compreendem:

Homônimas Homógrafas: Aquelas que têm a mesma grafia, ou seja, são escritas da mesma maneira, e pronúncia diferente: Exemplos:

cáqui [á] – caqui [i].

porém [em]- porem [ô]

doído [í] – doido [oi]

próvido [ó]– provido [i]

colher [é] - colher [ê] provém [é]–provem [ó]

fervido [é] – fervido [i] revólver [ó]–revolver [ê]. fósseis [ó]- fosseis [ô] sede [ê] – sede [é] molho [ô] – molho [ó] selo [ê] – selo [é]

móveis [ó]– moveis [ê] válido [á] – valido [i] Homônimas Homófonas: mesma pronúncia.

Aquelas que têm grafia diferente e a

Exemplos:

acender – ascender

cocho – coxo

buxo – bucho

espiar – expiar

broxa - brocha

cessão – seção - sessão caçar – cassar cegar – segar

censo – senso cesto – sexto

conserto – concerto incipiente – insipiente laço = lasso

massa – maça ruço – russo taxa – tacha

Homófonas Homógrafas ou Homônimas perfeitas : Aquelas que têm escrita igual, pronúncia igual e só muda o significado. Exemplos:

calo – calo

fui – fui

colo – colo

rio – rio

caminha – caminha

vão – vão – vão

canto – canto – canto pio – pio caminho – caminho

são – são – são


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como – como

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vela – vela

Parônimas : São palavras de grafia e pronúncia aproximada (não são iguais), com significado diferente: Exemplos:

Emigrar – imigrar

eminente – iminente

Amoral – imoral

estada – estadia

Acidente – incidente

emissão - imissão

Arrear – arriar

estádio - estágio

Arredio – erradio

flagrante – fragrante

Assoar – assuar

fluir – fruir

Cadafalso – catafalco

glosa – grosa

Cardeal - cardial

infligir – infringir

Comprido – cumprido

Conjetura – conjuntura Deferir – diferir

Degradar – degredar

Desapercebido– despercebido Descrição – discrição

Descriminar – discriminar Despensa – dispensa Destinto – distinto

intemerato - intimorato lustre – lustro peão – pião

preeminente– proeminente prescrever – proscrever ratificar – retificar

recreação – recriação relevar – revelar

retalhado – retaliado

Devagar – divagar

subida – súbita

Drama – trama

tensão – tição

Emenda – ementa

tráfego – tráfico

Emergir – imergir

vultoso – vultuoso

Exercício: Com a ajuda do dicionário, faça um vocabulário com o significado das palavras homônimas e parônimas citadas acima. UNIDADE II 1.- ACENTUAÇÃO TÔNICA E GRÁFICA: Para você aprender a acentuar corretamente as palavras, vamos recapitular algumas coisinhas que você já estudou: 1.- Separação de sílabas:


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Separamos as sílabas pela soletração: ca-dei-ra, en-xa-güei, co-ope-rar, gui-tar-ra, bra-ço, subs-tan-ti-vo. 2.- Ditongo:

Duas vogais que estão na mesma sílaba: ca-dei-ra. O ditongo pode ser:

Crescente, quando é formado por uma semivogal seguida de vogal. á-gua,

in-dia.

cai-xa,

ca-dei-ra,

Decrescente, quando é formado por uma vogal seguida de semivogal. 3.- Tritongo:

foi-ce

Três vogais que estão na mesma sílaba:

4.- Hiato:

pa-ra-guai, en-xa-güei.

Duas vogais que estão juntas na palavra, mas em sílabas separadas. ca–a-tin-ga, ca-in-do, re-a-ção, co-o-pe-rar, ba-ú .

5.- Dígrafos:

Duas ou mais letras que estão juntas numa palavra, formando um só fonema. Divide-se em dois tipos: a) – Inseparáveis: gui-tar-ra. b) – Separáveis: gui-tar-ra.

2.- Tonicidade:

A sílaba tônica é a que é pronunciada com mais força. Ca-dei-ra. Ela pode estar, na palavra em três lugares: na última, na penúltima e na antepenúltima sílaba: sa-bi-á, sa-bi-a, sá-bi-a. Oxítonas

sa

Paroxítonas

sa

Proparoxíto nas

bi

á

ja

bu

ca

va

lo

ár

vo

re

bi

bi

ti

a a

Agora, podemos estudar a respeito da acentuação gráfica:

1.- Monossílabos tônicos e palavras oxítonas: Você somente deverá acentuar as sílabas com a, e, o. Pá, pé, pó, cajá, pajé, socó. Também se acentuam as oxítonas terminadas em em e ens: porém, parabéns.


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Obs. As oxítonas terminadas com i, u, formarem um hiato. Tatuí, baú.

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somente levarão acento se

2.- Paroxítonas: Acentuam-se as palavras terminadas em: r, x, n, l, is, us, um, ã, ão. âmbar, tórax, hífen, dócil, lápis, bônus, álbum, órfã, bênção. As palavras oxítonas com essas terminações não levam acento. “Dica:” Para lembrar as consoantes r, x, n, l, usa a palavra RouXiNoL.

Devem também ser acentuadas as paroxítonas terminadas em ditongo crescente. Crânio, história. sábia. Obs. Você viu que colocamos a palavra sábia como proparoxítona e agora como paroxítona. Acontece que alguns gramáticos consideram as palavras terminadas com ditongo crescente, como as três acima, como proparoxítonas. Por isso é que elas são sempre acentuadas. 3. Proparoxítonas: Todas devem ser acentuadas. Câ-mara, árvore.

4.- Os ditongos abertos terminados em éu, éi, ói, serão acentuados: tabaréu, coronéis, herói. Obs.

a) - O i e o u tônicos somente serão acentuados se formarem hiato. Saída, viúva.

b) – Mesmo sendo tônicos, o i e o u não serão acentuados se formarem sílaba com l, m, n, r, z, ou forem seguidos de nh. Raul, ruim, ainda, cair, raiz, rainha.

c) – A primeira vogal tônica dos hiatos com vogais iguais também será acentuada. Crêem, vôo. 5.- Há palavras iguais que são acentuadas apenas para destacar a diferença uma da outra. São chamados acentos diferenciais. São eles: pôr (verbo)

por (preposição)

pêra (subst.)

pera (contração arcaica. da preposição per + a)

pólo (subst.) Pôde (pretérito perfeito do indicativo do verbo poder) pára (verbo parar)

pêlo (substantivo)

pélo pelar)

1.- Pronomes Pessoais

(verbo

polo (contração arcaica da prep. por + o)

pode (presente do indicativo do verbo poder). para (preposição)

pelo (contração da preposição per + a)

UNIDADE III


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Pronome, como o próprio nome indica, é a palavra que substitui o nome. Para nosso estudo, vamos considerar apenas os pronomes pessoais, que são aqueles que substituem nomes de pessoas (gramaticais). Temos, gramaticalmente falando, três pessoas: 1ª Pessoa – Aquela que fala. (eu), ou aquelas que falam (nós). 2ª Pessoa – Aquela com quem se fala. (tu), ou aquelas com que se fala (vós) 3ª Pessoa – Aquela de quem se fala. (ele/ela), ou aquelas de quem se fala (eles/elas). 1.1 – Caso Reto e Caso Oblíquo De acordo com a função que exerce na frase, os pronomes dividem-se em dois casos: Os pronomes do caso reto , que exercem a função de sujeito e pronomes do caso oblíquo que exercem a função de complemento do verbo. Veja o quadro abaixo: Númer o

Pesso a 1ª Singula 2ª r 3ª 1ª Plural 2ª 3ª

Caso Reto Eu Tu Ele/Ela Nós Vós Eles/Elas

Caso Oblíquo (átonos)

Me Te Se, o, a, lhe Nos Vos Se, os, as, lhes.

Caso Oblíquo (tônicos) Mim, comigo Ti, contigo Si, consigo, ele, ela Nós, conosco Vós, convosco Si, consigo, eles, elas.

Exemplos: 1.- Joana bateu o carro, onde Joana é sujeito e carro é complemento do verbo. Vamos substituir pelos pronomes: Ela bateuo, onde Ela substitui Joana e o substitui carro. 2.- Ela emprestou o livro para mim. Ela me emprestou o livro. Obs.- No exercício 2, temos duas frases. Você vai notar que o pronome oblíquo tônico utiliza preposição e o átono não utiliza. 1.2

– Pronomes de Tratamento Pronome de tratamento é o pronome com o qual tratamos determinadas pessoas, geralmente indicando respeito ou cortesia. Embora, às vezes, sejam dirigidas à pessoa com quem se fala, dando a impressão de pertencerem à segunda pessoa, os pronomes de tratamento pertencem à terceira pessoa. Veja a relação dos principais pronomes de tratamento, no quadro abaixo: Pronomes de Tratamento Senhor Senhora Senhorita

Abreviatura Sing Plural ular Sr. Srs. Srª. Sras. Srta. Srtas.

Emprego: Tratamento respeitoso Tratamento respeitoso. Tratamento respeitoso a mulher


Examinando a Língua Você Vossa Alteza Vossa Eminência Vossa Excelência

V. V.A. V.Em a. V.Exª

Vossa Magnificência Vossa Majestade Vossa Meritíssima Vossa Reverendíssima Vossa Santidade Vossa Senhoria

V. Magª V.M. por V.Rev . V.S. V.Sª

-

VV.AA. V.Emas.

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solteira. Familiaridade. Príncipes e Princesas. Cardeais.

V.Exas.

Autoridades superiores. (detentores de cargos eletivos, generais. (também utilizado para juízes). V.Magas. reitores. VV.MM. extenso V.Revma s. V.Sas.

reis e rainhas. juízes. sacerdotes, bispos. papa. tratamento respeitoso em correspondências comerciais e também para pessoas que ocupem cargos importantes.

Obs. O pronome de tratamento você é, atualmente, utilizado em lugar de tu, pela maioria dos brasileiros. No Sul e no extremo Norte, o tu é utilizado, mas geralmente de maneira equivocada, como terceira pessoa. Tu falou, tu não veio, quando o correto seria tu falaste, tu não vieste. Embora você seja utilizado em lugar de tu, continua na terceira pessoa, porque é um pronome de tratamento, que teve a seguinte evolução, na boca do povo:

mas Cê. 1.3

Vossa Mercê Vosmecê Você Grande parte do povo brasileiro, hoje, nem fala mais Você,

– Colocação Pronominal

Os pronomes oblíquos podem ser colocados em três posições em relação ao verbo: Antes, No meio e Depois do verbo. 1.3.1.- Antes do Verbo: Quando o pronome oblíquo é colocado antes do verbo, dizemos que há uma próclise ou que o pronome é proclítico. A próclise somente é utilizada quando existe, antes do verbo uma partícula atrativa, ou seja, uma palavra que atrai o pronome oblíquo para perto de si. São elas: a) Advérbio


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b) Conectivo c) Pronome Substantivo d) Forma verbal proparoxítona e) Preposição em + verbo no gerúndio f) Oração exclamativa g) Oração optativa (que expressa desejo) h) Oração interrogativa. Vamos dar pelo menos um exemplo de cada um dos casos: a) Não me diga! b) Eu perdôo a pessoa que me ofende. c) Tudo se aproveita. d) Nós o amávamos. e) Em se plantando, tudo dá. f) Não gosto que me corrijam. g) Deus lhe dê em dobro tudo o que me desejas! h) Você me quer bem? 1.3.2 – No Meio do Verbo. Quando o pronome oblíquo é colocado no meio do verbo, dizemos que há uma mesóclise ou que o pronome é mesoclítico. Isso acontece somente quando o verbo estiver no futuro. (do presente ou do pretérito). Vamos aos exemplos: a- Verbo no futuro do presente: Vê-lo-ei amanhã. b- Verbo no futuro do pretérito: Ajudá-lo-ia se pudesse. No exemplos acima, os verbos ver e ajudar estão no futuro do presente e do pretérito: verei e ajudaria. O que fizemos foi colocar o pronome no meio do verbo. Note que eliminamos o r, colocamos um acento e acrescentamos um l junto ao pronome oblíquo o. Esse l chama-se vogal eufônica, está aí somente para evitar o hiato, ou seja, a repetição da vogal, melhorando o som. Sem o l ficaria vê-o-ei, ou ajudáo-ia, que não soa bem. 1.3.3.- Após o Verbo. Quando o pronome oblíquo é colocado após o verbo, dizemos que há uma ênclise ou que o pronome é enclítico. A ênclise é utilizada nos seguintes casos: a) No infinitivo impessoal: Ex.: Esperar-te é uma tortura! b) No imperativo afirmativo: Ex.: Espere-me aqui! c) No gerúndio: Ex.: Amando-nos, viveremos sempre juntos. d) No início da frase: Ex.: Ouçam-me, por favor! e) Em orações que vêm após vírgula: Ex.: Ao tentar responder, atrapalhou-se todo. Há três casos em que se deve ter cuidado ao utilizar o pronome oblíquo: São eles:


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a) Pronome oblíquo iniciando frase: Ex.: Me dê uma carona! Fica melhor a ênclise: Dê-me uma carona! b) Utilizar a ênclise com o verbo no futuro: Ex.: Farei-lhe uma proposta; ou faria-lhe uma proposta. Nesses casos, fica melhor a mesóclise: Ex.: Far-lhe-ei uma proposta; ou farlhe-ia uma proposta. c) Utilizar a ênclise com o verbo no particípio: Ex.: Ele não havia respondido-me. Nesse caso, fica melhor a próclise: Ex.: Ele não havia me respondido, ou Ele não me havia respondido. 2.- Concordância 2.1 – Verbal 2.2 – Nominal 2.3 – Silepse 3.- Regência 3.1 – Verbal 3.2 - Nominal 4.- Crase 4.1 – Os quatro aa 4.2 – Use a crase 4.3 – Não use a crase 5.- Pontuação Gráfica 5.1 – vírgula, ponto e vírgula, 5.2 – O uso do hífen. UNIDADE IV: 1.- Noções de Comunicação 1.1 – Elementos, funções, alvos, sentido e expressão. A Comunicação:

Todos os seres, de uma forma ou de outra, comunicam-se. Desde a pequenina formiga até os grandes paquidermes, todos têm sua maneira peculiar de comunicação. Cada qual tem sua linguagem própria. É de causar admiração como as abelhas, por meio de danças, comunicam às outras da colméia, o local exato onde encontrou alimento ou néctar. O ser humano, dotado de raciocínio, sempre está inventando novos meios e novas linguagens para se comunicarem uns com os outros. Desde tempos remotos, os homens comunicam-se entre si. Temos na Bíblia a história da torre de Babel, quando, para evitar que os homens se aglomerassem em um só lugar, indo contra o plano de Deus de que a terra fosse habitada, a língua, que era única, foi confundida, resultando diversas línguas, ocasião em que a comunicação tornou-se mais difícil, fazendo com que grupos que se entendiam, emigrassem para outras partes, formando novos núcleos, habitando assim a terra. Note o gráfico abaixo:


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Recebedor Canal Contexto Informação Experiência

FUNÇÃO Expressiva 1ª Pessoa Exclamação interjeição (Poéticaartística) Conativa (Coação +/sutil) Fática Referencial Metalingüíst ica

-

Gesson Magalhães ALVO

SENTID O

25 EXPRESSÃ O

Expressão Conotaç ão

Impressão

Informaçã o

Arte

(Estilística)

Denotaç ão

Ciência

Código

Vamos comentar cada um dos itens do gráfico, para melhor entendimento: ELEMENTOS São elementos da comunicação, o Emissor, a Mensagem, o Recebedor ou Receptor, o Canal, o Contexto e o Código. Todos esses elementos entram, de algum modo, na comunicação. A ausência de qualquer um deles pode constituir uma barreira. Emissor: é o elemento origem da comunicação. É quem fala, quem tenta convencer. Dele parte a mensagem a ser transmitida para o Receptor. Para isso, deve esquematizar seus pensamentos, despir-se dos preconceitos, exprimir-se com clareza. Receptor: (ou Recebedor) é o elemento a quem se destina a mensagem. Pode ser individual ou coletivo. A mensagem pode destinar-se a uma só pessoa ou a muitas pessoas ao mesmo tempo.


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O Receptor deve estar sincronizado e sintonizado com o Emissor. (Devem falar a mesma linguagem e possuir interesse mútuo). Em resumo: EMISSOR E RECEPTOR Fatores: inter-relacionamento, cultura equiparada, mesma linguagem e interesse mútuo. Mensagem: é a forma física da comunicação. Nela está o conteúdo a ser transmitido. A mensagem não é o conteúdo; este está na mensagem, mas não é a própria mensagem, que é a parte fundamental da comunicação, o veículo que atravessa a ponte (código) e vai até o receptor.

Ex: Um sinal de trânsito. A mensagem é o desenho. O conteúdo é o que você entendeu da mensagem. MENSAGEM IDEACIONAL: Mera informação. Ex.: “Vai chover”. AFETIVA: Mensagem com sentimento. Ex.: “Vivi faleceu”. VITAL: (Informação + Sentimento) Ex.: “Chefe, vou faltar hoje, porque Vivi faleceu.” A COMUNICAÇÃO DEPENDE DA MENSAGEM. MENSAGEM NÃO EXISTE COMUNICAÇÃO

SEM

Código: É a forma utilizada para cifrar a mensagem, de forma a ser decifrada pelo Receptor. Se este não tiver conhecimento do código, não poderá decifrá-lo e a comunicação fica prejudicada. Pode ser Verbal e Não-Verbal. O verbal é a língua, que utiliza a palavra falada ou escrita. (Português, inglês, francês, etc.) e o não-verbal, que podem ser gestos, sinais, expressão facial, e muitos outros. Há três tipos de código: SUBJACENTE: É inato, instintivo; o indivíduo já nasce com ele.


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Ex.: mímica, sorriso, choro. Em todos os lugares são conhecidos os gestos de aproximar e de afastar; o sorriso é sempre sinal de agrado, o choro, de desagrado. PRIMITIVO: É um tipo de código previamente convencionado. É transmitido de indivíduo a indivíduo, partindo da família e estendendo-se a outras. Ex.: A linguagem, a pintura, a música, a dança, a escultura. DERIVADO: Procede de um primitivo e é adquirido com esforço consciente. Dificilmente o indivíduo consegue dominá-lo completamente. Ex.: A grafia (música, linguagem, pintura) e a leitura. Canal: É o conduto pelo qual a mensagem chega ao receptor. São de três tipos: 1.- Canal sensorial ou natural. Cada um dos cinco sentidos: audição, visão, tato, paladar, olfato. Conforme o código utilizado, o canal utilizado pelo receptor pode ser um dos cinco sentidos individualmente, mais de um ou todos ao mesmo tempo. Exemplo: CÓDIGO Telefonema Desenho Escrita Braille Salva de Palmas Abraço Beijo

CANAL SENSORIAL Auditivo Visual Táctil Auditivo, visual Auditivo, olfativo, visual e táctil Auditivo, visual, táctil, gustativa, olfativa

2.- Canal tecnológico: Como o próprio nome indica, são os canais utilizados pela tecnologia, para levar a mensagem ao receptor. TV, telefone, fax, rádio, Internet, e muitos outros. 3.- Canal temporal: São os que conservam a mensagem por tempo indeterminado, podendo ser consultados sempre. Livros, fotografias, mapas, videocassetes, DVD e outros. Contexto ou Repertório: É o conhecimento que o receptor possui a respeito do referencial da mensagem. Ele pode conhecer o código, mas se não possuir experiência suficiente para decodificar a mensagem, não


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haverá a comunicação, tendo em vista que a mensagem é cifrada em uma linguagem acima da capacidade de compreensão do receptor. Exemplos: Falar a alunos da 3ª Série, em português, a respeito da conjuntura econômica do país. Eles entendem o código, conhecem as palavras, mas nada sabem a respeito de economia, para entenderem a mensagem. Patrão para o empregado: — Por que você chegou atrasado? — É que tive que distrair um dente. (extrair). Amigo para outro: — Gostou do apartamento? — Gostei muito. Tem até independência (dependência). — Mandei instalar (parabólica) — — — —

em

minha

casa

uma

para

antena

empregada.

paranóica.

Você viajou para a Europa? Viajei. De que cidade você mais gostou? De Antenas. (Atenas)

FUNÇÃO A comunicação tem diversas funções, utilizadas mais por um dos elementos do que por outro. São elas: Expressiva, Conativa, Fática, Referencial. Expressiva: Mais utilizada pelo emissor, consiste na emissão de mensagens vindas de dentro do próprio ser, expressando sentimentos de alegria, tristeza, medo, ódio. Utiliza a 1ª pessoa, é geralmente exclamativa e utiliza interjeições. Como exemplo, podemos citar a função poética, que o emissor utiliza para expressar seus sentimentos. Conativa: É utilizada com o objetivo de coagir o receptor, mas de maneira sutil, indireta, suave. Exemplo: Certas propagandas de produtos alimentares, que visem a atingir principalmente o público infantil. Fática: Também objetiva coagir o receptor, porém de modo direto, autoritário se bem que, às vezes, involuntário. Ex.: A repetição, numa aula, ou em conversa, de uma pergunta maçante, parecendo querer impingir a mensagem no receptor ou, no mínimo, desconfiando de sua


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capacidade de entendimento, como: certo? entendeu? né? concorda comigo? e outras. Outro exemplo da função fática é o dicionário. Ele traz um verbete e dá seu significado, sem admitir contestação. É aquilo e pronto. O significado fornecido pelo dicionário é um fato consumado, O receptor não pode entender outra coisa. Referencial - É o objeto da mensagem, o assunto sobre o qual o emissor discorre. ALVO São três os alvos da comunicação. I -Expressão: É a mensagem vinda de dentro do emissor, com função expressiva ou simplesmente referencial, conforme queira causar no receptor impressão ou apenas prestar-lhe uma informação. A Expressão pode ser de três tipos: 1.- A Expressão do Emissor, pura e simples, sem que ele tenha interesse na reação do receptor. Exemplo: Um poema, um quadro que expresse apenas o sentimento do artista. 2.- A Expressão do Emissor, com o objetivo de atingir o Receptor, causando-lhe uma Impressão, boa ou ruim. 3.- A Expressão do Emissor, com o objetivo puro e simples de prestar uma Informação ao Receptor, sem o objetivo de causar Impressão II - Impressão: É o impacto causado no receptor pela mensagem. Pode ser ela mais ou menos intensa, dependendo do grau de afetividade entre o receptor e o emissor, ou entre o receptor e a própria mensagem. III - Informação: É uma mensagem simplesmente informativa, que não tem por objetivo atingir os sentimentos do receptor, mas apenas fazê-lo conhecedor das possíveis variações do referencial. SENTIDO O sentido da mensagem pode ser conotativo ou denotativo. Conotação: O sentido que a mensagem possui, capaz de produzir, no receptor, as mais variadas interpretações. Cada receptor entende a mensagem à sua maneira. Exemplos: A palavra gato. Um receptor pode formar na mente a imagem de um animal, outra, a imagem de um rapaz. Um quadro, um poema, uma reportagem, diante dos quais, cada pessoa pode ter reação diversa e interpretar diferentemente. Denotação: O sentido que a mensagem possui, capaz de produzir no receptor, uma só interpretação. Todos os receptores entendem a mensagem da mesma maneira.


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Exemplo: H2SO4. Todos chegam à mesma conclusão: Ácido sulfúrico. 2+5+3. O resultado é igual para todos: 10. EXPRESSÃO (Resultado) A conotação tem como resultado a ARTE, cujo objetivo é provocar no receptor as mais variadas interpretações. A denotação tem como resultado a CIÊNCIA, cujo objetivo é que todos os receptores cheguem ao mesmo resultado. 1.2

– Problemas da Comunicação; barreiras. Física Cultural Hierárquic a Ideológica

BARREIRAS ruído, gagueira, surdez diferença de padrão cultural aluno-professor soldado-general católico-protestante comunista-facista

2.- Língua e Linguagem Como vimos, a comunicação depende inteiramente da mensagem. Se a mensagem é estruturada num código desconhecido do receptor, se este não possui contexto, podem surgir barreiras as mais diversas e a comunicação será prejudicada. A linguagem é o conjunto de sinais utilizados para elaboração da mensagem. Podem ser: Linguagem Não-Verbal: É a linguagem articulada por outros meios que não a palavra escrita ou falada. É constituída por mímica, cores, desenhos, expressões corporais ou fisionômicas e outros.

Linguagem Verbal: O ser humano comunica-se quase que exclusivamente pela linguagem. Dela depende a troca de idéias, de informações. O Professor


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J. Mattoso Câmara Jr., em seu livro Manual de Expressão Oral e Escrita, diz o seguinte: “... é assim que, nas crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge um novo e repentino vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. Se se inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres e aplicações desse novo e preciso instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento seguro das ferramentas da sua profissão. E é este, e não o outro, antes de tudo, o essencial proveito de tal ensino.” (op.cit.pág. 11.) Pelo texto acima, vemos que a criança vai se familiarizando com os signos verbais que ouve dos circunstantes, terminando por adotá-los como seus próprios, pelo restante da vida. A linguagem verbal, portanto, é o conjunto de palavras de uma língua., que podem ser transmitidos por via oral ou escrita. 2.1 – Níveis Níveis de Linguagem e variedade lingüística: Diante disso, quanto melhor for a linguagem verbal, mais perfeita será a comunicação. Podemos, por exemplo, colocar em nosso estabelecimento comercial, um letreiro assim: COMERSIAL CILVA TEMO MUINTAS ÇAPATO E SINTO PA VENDER.

BORÇA

Ficaria melhor, entretanto, se o letreiro estivesse numa linguagem mais de acordo com o padrão culto da língua: COMERCIAL SILVA BOLSAS, SAPATOS E CINTOS Podemos utilizar duas formas: a forma adloquial.

coloquial e a forma

A forma coloquial é a linguagem com que nos comunicamos no diaa-dia, com a família, com os amigos, sem nenhuma preocupação com a correção total. (Ex.: Cê vai lá? Então me dá uma carona). Não há preocupação com a colocação dos pronomes, e até abreviamos algumas palavras. É a linguagem informal. corriqueira. Entretanto, mesmo essa, à


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medida que estudamos, vai melhorando e chegando mais perto da linguagem adloquial. A forma adloquial é a linguagem escorreita, de padrão culto, elaborada, que é utilizada nas comunicações formais, nos discursos, na literatura, na correspondência. Nosso estudo tem por objetivo aproximarnos o mais possível dessa linguagem. (Ex: Se vais para lá, podes levar-me contigo?). Qualidades do texto: No texto, devemos utilizar a linguagem adloquial. Entretanto, além da correção, temos outras qualidades que devemos cultivar na elaboração de qualquer texto. Dentre eles, destacamos: Certo conhecimento gramatical: Toda língua tem um padrão culto, que todo estudante pretende atingir. Esse padrão é que deve ser utilizado na escrita. Um texto onde faltam acentos, a pontuação está equivocada, palavras mal grafadas, uso de gírias, mau uso da crase e outros erros comuns, pode até ser interpretado diferentemente daquilo que o escritor teve a intenção de dizer. Clareza: Escrever frases bem compreensíveis, expressando as idéias de maneira clara e de fácil entendimento, evitando a ambigüidade e as frases obscuras. Veja o texto seguinte: “Hoje, quando no meio de uma família numerosa, há um jovem que, por falta de certa vivacidade de espírito e de outros predicados naturais, ou dos que se adquirem pelo esforço e pelo trabalho, não pode granjear os meios de subsistência, e menos ainda de obter qualquer colocação saliente, ou um ancião, vencido na vida, para quem a fortuna foi descartável madrasta nas profissões que tentou, sem disposição alguma para o exercício de qualquer mister conhecido e lícito; dá-se não raro uma espontânea conspiração entre os conjuntos por parentescos de um ou de outro, os políticos militantes e os detentores do poder, para elevar o inclassificável às várias posições políticas, então , com mais bemaventurado júbilo dos chefes das agremiações assim enriquecidos, esse vai ser o legislador, esse vai ser o estadista.” (Apud A. Passos, Arte de Pontuar, pág. 110). Entendeu? Claríssimo, não??? Concisão: Evitar o uso exagerado de frases, dizer o estritamente necessário, evitando assim a prolixidade, procurando expressar o maior número de idéias com o menor número possível de palavras.


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Diálogo: Infelizmente, a escola tradicional tem por objetivo principal do ensino, fazer com que o aluno aprenda a LER, ESCREVER e CONTAR. Entretanto, melhor seria se os alunos fossem incentivados, além dos itens acima, a FALAR e OUVIR. Ao contrário do que seria ideal, os professores, desde o início da carreira estudantil do aluno, obriga-o a permanecer na sala de aula estático, quieto, escrevendo o que o professor dita ou escreve no quadro. Falar somente é permitido na hora da leitura. Há algumas escolas que até dão nota de comportamento, o que vale dizer que o aluno deve ficar comportado. O que são comportas? São barreiras que se colocam num curso de água para impedi-lo de fluir. Assim, o aluno, colocado dentro de comportas, não pode fazer fluir seu potencial criativo. Seria muito melhor que os alunos fossem incentivados a dialogar em classe. Que aprendessem a ouvir e a falar. É claro que não se pode deixar que todos falem ao mesmo tempo, porque assim ninguém iria ouvir e é tão importante ouvir como falar. Ler e escrever viriam em conseqüência de um dialogo bem orientado, porque pelo diálogo o aluno pode adquirir muitas idéias que lhe serão úteis na hora de produzir um texto .

AULA DE PORTUGUÊS A enfrentar a análise sintática, Sem entender, sem opinião, sem vez, Empanturra-se o aluno de “gramática”, E imagina que estuda Português. Se o não prendessem nessa língua estática, Falar deixá-lo, como sempre fez, Desenvolvendo sua língua prática, Sem ter que estudar “gramatiquês”. Ler o que gosta, não o que é imposto, Escrever o que vem de dentro d’alma, “Falar e ouvir”, mais que “ler e escrever”. Haveria um sorriso em cada rosto, Toda a escola voltaria à calma, E estudar língua seria um prazer. Gesson Magalhães (Alguma Cousa, pág. 28)


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Experiência: A vida traz para cada um de nós, alguma experiência. Se você fizer um exame retrospectivo de sua vida, irá encontrar, sem dúvida, assunto para muitas páginas. É bem melhor escrever sobre aquilo que conhecemos, nossa experiência pessoal, a experiência daqueles com quem temos permanente contato, pois estaremos adentrando um assunto com pleno conhecimento. Use a experiência que a vida lhe deu e use em seus textos. Fluência: Há muitas pessoas que têm um medo enorme de escrever. Entretanto, falam como se tivessem um rádio dentro de si. Depois de pensar sobre o assunto a ser escrito, organizar suas idéias, escreva sem medo. Não se importe inicialmente com possíveis erros. Escreva fluentemente, como se estivesse falando. Depois de tudo escrito, faça uma revisão tirando uma palavra aqui, acrescentando outra ali, corrigindo os acentos e a pontuação e você verá como é fácil escrever. Leitura: A leitura é um dos mais importantes meios de se adquirir a prática da escrita. A pessoa que lê aumenta seu vocabulário e assimila, pela percepção das frases que lê, as formas a serem utilizadas em sua própria escrita. Além disso, a leitura aumenta o potencial imaginativo que todos nós possuímos. Quem lê, geralmente escreve bem. Observação: Para se produzir bons textos, nada melhor do que os assuntos que se nos deparam no dia-a-dia. Se você for observador, irá encontrar muito assunto sobre o qual escrever. Afinal, toda a literatura, mesmo a fictícia, para ser verossímil, deve conter um pouco da realidade. Muitos escritores se utilizam daquilo que observam em seus escritos. Organização do texto: Todo texto deve ter uma seqüência lógica. Como dizia alguém, deve ter começo, meio e fim. Há textos tão desorganizados que, ao terminarmos a leitura, não sabemos o que o escritor quis realmente dizer. Para que seu texto fique bem organizado, antes de começar a escrever, coordene em sua mente ou faça por escrito um roteiro, para que seu texto fique devidamente organizado. Originalidade: Evitar os lugares comuns, as repetições e os clichês, procurando escrever de molde a não cair no trivial. 2.3 – Homonímia e paronímia. UNIDADE V: 1.- Coerência e coesão textuais 2.- Argumentação 2.1 – Argumentação de Autoridade 2.2 – Argumentação de Consenso 2.3 – Argumentação com provas 2.4 – Lógica. 3.- Defeitos de Argumentação


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3.1 – Noções confusas 3.2 – Noções de totalidade indeterminada 3.3 – Noçlões semiformalizadas 3.4 – de exemplo, de ilustração e de modelo. 4.- As várias possibilidades de leitura de um texto. UNIDADE VI: 1.- O Parágrafo 1.1 – Conceito 1.2 – Divisão 1.2.1 – Tópico Frasal 1.2.2 – Desenvolvimento 1.2.3 – Conclusão 1.1.4 - Elemento Relacionador. 2.- Tipologia Textual 2.1 – Descrição 2.1.1 – Objetiva 2.1.2 – Subjetiva 2.2 – Narração 2.2.1 – Elementos Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? 2.2.2 – Resultado Previsível e Imprevisível. 2.3 – Dissertação 2.3.1 – Conceito 2.3.2 – Tipos 2.3.3 – Estrutura 2.3.4 – Técnicas de Elaboração UNIDADE VII: 1.- Redação Técnica 1.1 – Vocabulário 1.1.1 – Palavras Técnicas 1.1.2 – Palavras abstratas 1.2 – Economia Verbal 1.2.1 – Texto prolixo 1.2.2 – Texto lacônico 1.2.3 – Texto conciso 1.3 – Cartas Comerciais 1.4 – Outras correspondências Aviso, Bilhete , Circular, Convocação. Memorando, Ofício, Telegrama. 1.5 – Outros documentos Ata, Atestado, Contrato, Edital, Estatuto, Letra de Câmbio, Nota Promissória, Ordem de Serviço. Procuração, Requerimento, Protocolo, Recibo. Relatório.

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2.- COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

A Comunicação:

Todos os seres, de uma forma ou de outra, comunicam-se. Desde a pequenina formiga até os grandes paquidermes, todos têm sua maneira peculiar de comunicação. Cada qual tem sua linguagem própria. É de causar admiração como as abelhas, por meio de danças, comunicam às outras da colméia, o local exato onde encontrou alimento ou néctar. O ser humano, dotado de raciocínio, sempre está inventando novos meios e novas linguagens para se comunicarem uns com os outros. Desde tempos remotos, os homens comunicam-se entre si. Temos na Bíblia a história da torre de Babel, quando, para evitar que os homens se aglomerassem em um só lugar, indo contra o plano de Deus de que a terra fosse habitada, a língua, que era única, foi confundida, resultando diversas línguas, ocasião em que a comunicação tornou-se mais difícil, fazendo com que grupos que se entendiam, emigrassem para outras partes, formando novos núcleos, habitando assim a terra. Note o gráfico abaixo: ELEMENTO S Emissor Mensagem

Recebedor Canal

FUNÇÃO Expressiva 1ª Pessoa Exclamação interjeição (Poéticaartística) Conativa (Coação +/sutil) Fática

ALVO

SENTID O

EXPRESSÃ O

Expressão Conotaç ão

Impressão

Arte

(Estilística)


Examinando a Língua Contexto Informação Experiência

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Referencial Metalingüíst ica

Informaçã o

Denotaç ão

Ciência

Código

Vamos comentar cada um dos itens do gráfico, para melhor entendimento: ELEMENTOS São elementos da comunicação, o Emissor, a Mensagem, o Recebedor ou Receptor, o Canal, o Contexto e o Código. Todos esses elementos entram, de algum modo, na comunicação. A ausência de qualquer um deles pode constituir uma barreira. Emissor: é o elemento origem da comunicação. É quem fala, quem tenta convencer. Dele parte a mensagem a ser transmitida para o Receptor. Para isso, deve esquematizar seus pensamentos, despir-se dos preconceitos, exprimir-se com clareza. Receptor: (ou Recebedor) é o elemento a quem se destina a mensagem. Pode ser individual ou coletivo. A mensagem pode destinar-se a uma só pessoa ou a muitas pessoas ao mesmo tempo. O Receptor deve estar sincronizado e sintonizado com o Emissor. (Devem falar a mesma linguagem e possuir interesse mútuo). Em resumo: EMISSOR E RECEPTOR Fatores: inter-relacionamento, cultura equiparada, mesma linguagem e interesse mútuo. Mensagem: é a forma física da comunicação. Nela está o conteúdo a ser transmitido. A mensagem não é o conteúdo; este está na mensagem, mas não é a própria mensagem, que é a parte fundamental da comunicação, o veículo que atravessa a ponte (código) e vai até o receptor.


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Ex: Um sinal de trânsito. A mensagem é o desenho. O conteúdo é o que você entendeu da mensagem. MENSAGEM IDEACIONAL: Mera informação. Ex.: “Vai chover”. AFETIVA: Mensagem com sentimento. Ex.: “Vivi faleceu”. VITAL: (Informação + Sentimento) Ex.: “Chefe, vou faltar hoje, porque Vivi faleceu.” A COMUNICAÇÃO DEPENDE DA MENSAGEM. MENSAGEM NÃO EXISTE COMUNICAÇÃO

SEM

Código: É a forma utilizada para cifrar a mensagem, de forma a ser decifrada pelo Receptor. Se este não tiver conhecimento do código, não poderá decifrá-lo e a comunicação fica prejudicada. Pode ser Verbal e Não-Verbal. O verbal é a língua, que utiliza a palavra falada ou escrita. (Português, inglês, francês, etc.) e o não-verbal, que podem ser gestos, sinais, expressão facial, e muitos outros. Há três tipos de código: SUBJACENTE: É inato, instintivo; o indivíduo já nasce com ele. Ex.: mímica, sorriso, choro. Em todos os lugares são conhecidos os gestos de aproximar e de afastar; o sorriso é sempre sinal de agrado, o choro, de desagrado. PRIMITIVO: É um tipo de código previamente convencionado. É transmitido de indivíduo a indivíduo, partindo da família e estendendo-se a outras. Ex.: A linguagem, a pintura, a música, a dança, a escultura.


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DERIVADO: Procede de um primitivo e é adquirido com esforço consciente. Dificilmente o indivíduo consegue dominá-lo completamente. Ex.: A grafia (música, linguagem, pintura) e a leitura. Canal: É o conduto pelo qual a mensagem chega ao receptor. São de três tipos: 1.- Canal sensorial ou natural. Cada um dos cinco sentidos: audição, visão, tato, paladar, olfato. Conforme o código utilizado, o canal utilizado pelo receptor pode ser um dos cinco sentidos individualmente, mais de um ou todos ao mesmo tempo. Exemplo: CÓDIGO Telefonema Desenho Escrita Braille Salva de Palmas Abraço Beijo

CANAL SENSORIAL Auditivo Visual Táctil Auditivo, visual Auditivo, olfativo, visual e táctil Auditivo, visual, táctil, gustativa, olfativa

2.- Canal tecnológico: Como o próprio nome indica, são os canais utilizados pela tecnologia, para levar a mensagem ao receptor. TV, telefone, fax, rádio, Internet, e muitos outros. 3.- Canal temporal: São os que conservam a mensagem por tempo indeterminado, podendo ser consultados sempre. Livros, fotografias, mapas, videocassetes, DVD e outros. Contexto ou Repertório: É o conhecimento que o receptor possui a respeito do referencial da mensagem. Ele pode conhecer o código, mas se não possuir experiência suficiente para decodificar a mensagem, não haverá a comunicação, tendo em vista que a mensagem é cifrada em uma linguagem acima da capacidade de compreensão do receptor. Exemplos: Falar a alunos da 3ª Série, em português, a respeito da conjuntura econômica do país. Eles entendem o código, conhecem as palavras, mas nada sabem a respeito de economia, para entenderem a mensagem. Patrão para o empregado: — Por que você chegou atrasado? — É que tive que distrair um dente. (extrair). Amigo para outro:


Examinando a Língua — Gostou do apartamento? — Gostei muito. Tem até (dependência). — Mandei instalar (parabólica) — — — —

em

-

Gesson Magalhães independência

minha

casa

uma

para

antena

40 empregada.

paranóica.

Você viajou para a Europa? Viajei. De que cidade você mais gostou? De Antenas. (Atenas)

FUNÇÃO A comunicação tem diversas funções, utilizadas mais por um dos elementos do que por outro. São elas: Expressiva, Conativa, Fática, Referencial. Expressiva: Mais utilizada pelo emissor, consiste na emissão de mensagens vindas de dentro do próprio ser, expressando sentimentos de alegria, tristeza, medo, ódio. Utiliza a 1ª pessoa, é geralmente exclamativa e utiliza interjeições. Como exemplo, podemos citar a função poética, que o emissor utiliza para expressar seus sentimentos. Conativa: É utilizada com o objetivo de coagir o receptor, mas de maneira sutil, indireta, suave. Exemplo: Certas propagandas de produtos alimentares, que visem a atingir principalmente o público infantil. Fática: Também objetiva coagir o receptor, porém de modo direto, autoritário se bem que, às vezes, involuntário. Ex.: A repetição, numa aula, ou em conversa, de uma pergunta maçante, parecendo querer impingir a mensagem no receptor ou, no mínimo, desconfiando de sua capacidade de entendimento, como: certo? entendeu? né? concorda comigo? e outras. Outro exemplo da função fática é o dicionário. Ele traz um verbete e dá seu significado, sem admitir contestação. É aquilo e pronto. O significado fornecido pelo dicionário é um fato consumado, O receptor não pode entender outra coisa. Referencial - É o objeto da mensagem, o assunto sobre o qual o emissor discorre. ALVO


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São três os alvos da comunicação. I -Expressão: É a mensagem vinda de dentro do emissor, com função expressiva ou simplesmente referencial, conforme queira causar no receptor impressão ou apenas prestar-lhe uma informação. A Expressão pode ser de três tipos: 1.- A Expressão do Emissor, pura e simples, sem que ele tenha interesse na reação do receptor. Exemplo: Um poema, um quadro que expresse apenas o sentimento do artista. 2.- A Expressão do Emissor, com o objetivo de atingir o Receptor, causando-lhe uma Impressão, boa ou ruim. 3.- A Expressão do Emissor, com o objetivo puro e simples de prestar uma Informação ao Receptor, sem o objetivo de causar Impressão II - Impressão: É o impacto causado no receptor pela mensagem. Pode ser ela mais ou menos intensa, dependendo do grau de afetividade entre o receptor e o emissor, ou entre o receptor e a própria mensagem. III - Informação: É uma mensagem simplesmente informativa, que não tem por objetivo atingir os sentimentos do receptor, mas apenas fazê-lo conhecedor das possíveis variações do referencial.

SENTIDO O sentido da mensagem pode ser conotativo ou denotativo. Conotação: O sentido que a mensagem possui, capaz de produzir, no receptor, as mais variadas interpretações. Cada receptor entende a mensagem à sua maneira. Exemplos: A palavra gato. Um receptor pode formar na mente a imagem de um animal, outra, a imagem de um rapaz. Um quadro, um poema, uma reportagem, diante dos quais, cada pessoa pode ter reação diversa e interpretar diferentemente. Denotação: O sentido que a mensagem possui, capaz de produzir no receptor, uma só interpretação. Todos os receptores entendem a mensagem da mesma maneira. Exemplo: H2SO4. Todos chegam à mesma conclusão: Ácido sulfúrico. 2+5+3. O resultado é igual para todos: 10. EXPRESSÃO (Resultado) A conotação tem como resultado a ARTE, cujo objetivo é provocar no receptor as mais variadas interpretações. A denotação tem como resultado a CIÊNCIA, cujo objetivo é que todos os receptores cheguem ao mesmo resultado.


Examinando a Língua Física Cultural Hierárquic a Ideológica

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BARREIRAS ruído, gagueira, surdez diferença de padrão cultural aluno-professor soldado-general católico-protestante comunista-facista LINGUAGEM

Como vimos, a comunicação depende inteiramente da mensagem. Se a mensagem é estruturada num código desconhecido do receptor, se este não possui contexto, podem surgir barreiras as mais diversas e a comunicação será prejudicada. A linguagem é o conjunto de sinais utilizados para elaboração da mensagem. Podem ser: Linguagem Não-Verbal: É a linguagem articulada por outros meios que não a palavra escrita ou falada. É constituída por mímica, cores, desenhos, expressões corporais ou fisionômicas e outros.

Linguagem Verbal: O ser humano comunica-se quase que exclusivamente pela linguagem. Dela depende a troca de idéias, de informações. O Professor J. Mattoso Câmara Jr., em seu livro Manual de Expressão Oral e Escrita, diz o seguinte: “... é assim que, nas crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge um novo e repentino vigor de raciocínio, que não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. Se se inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres e aplicações desse novo e preciso instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento seguro das


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ferramentas da sua profissão. E é este, e não o outro, antes de tudo, o essencial proveito de tal ensino.” (op.cit.pág. 11.) Pelo texto acima, vemos que a criança vai se familiarizando com os signos verbais que ouve dos circunstantes, terminando por adotá-los como seus próprios, pelo restante da vida. A linguagem verbal, portanto, é o conjunto de palavras de uma língua., que podem ser transmitidos por via oral ou escrita. Níveis de Linguagem e variedade lingüística: Diante disso, quanto melhor for a linguagem verbal, mais perfeita será a comunicação. Podemos, por exemplo, colocar em nosso estabelecimento comercial, um letreiro assim: COMERSIAL CILVA TEMO MUINTAS ÇAPATO E SINTO PA VENDER.

BORÇA

Ficaria melhor, entretanto, se o letreiro estivesse numa linguagem mais de acordo com o padrão culto da língua: COMERCIAL SILVA BOLSAS, SAPATOS E CINTOS Podemos utilizar duas formas: a forma adloquial.

coloquial e a forma

A forma coloquial é a linguagem com que nos comunicamos no diaa-dia, com a família, com os amigos, sem nenhuma preocupação com a correção total. (Ex.: Cê vai lá? Então me dá uma carona). Não há preocupação com a colocação dos pronomes, e até abreviamos algumas palavras. É a linguagem informal. corriqueira. Entretanto, mesmo essa, à medida que estudamos, vai melhorando e chegando mais perto da linguagem adloquial. A forma adloquial é a linguagem escorreita, de padrão culto, elaborada, que é utilizada nas comunicações formais, nos discursos, na literatura, na correspondência. Nosso estudo tem por objetivo aproximarnos o mais possível dessa linguagem. (Ex: Se vais para lá, podes levar-me contigo?). Qualidades do texto:


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No texto, devemos utilizar a linguagem adloquial. Entretanto, além da correção, temos outras qualidades que devemos cultivar na elaboração de qualquer texto. Dentre eles, destacamos: Certo conhecimento gramatical: Toda língua tem um padrão culto, que todo estudante pretende atingir. Esse padrão é que deve ser utilizado na escrita. Um texto onde faltam acentos, a pontuação está equivocada, palavras mal grafadas, uso de gírias, mau uso da crase e outros erros comuns, pode até ser interpretado diferentemente daquilo que o escritor teve a intenção de dizer. Clareza: Escrever frases bem compreensíveis, expressando as idéias de maneira clara e de fácil entendimento, evitando a ambigüidade e as frases obscuras. Veja o texto seguinte: “Hoje, quando no meio de uma família numerosa, há um jovem que, por falta de certa vivacidade de espírito e de outros predicados naturais, ou dos que se adquirem pelo esforço e pelo trabalho, não pode granjear os meios de subsistência, e menos ainda de obter qualquer colocação saliente, ou um ancião, vencido na vida, para quem a fortuna foi descartável madrasta nas profissões que tentou, sem disposição alguma para o exercício de qualquer mister conhecido e lícito; dá-se não raro uma espontânea conspiração entre os conjuntos por parentescos de um ou de outro, os políticos militantes e os detentores do poder, para elevar o inclassificável às várias posições políticas, então , com mais bemaventurado júbilo dos chefes das agremiações assim enriquecidos, esse vai ser o legislador, esse vai ser o estadista.” (Apud A. Passos, Arte de Pontuar, pág. 110). Entendeu? Claríssimo, não??? Concisão: Evitar o uso exagerado de frases, dizer o estritamente necessário, evitando assim a prolixidade, procurando expressar o maior número de idéias com o menor número possível de palavras. Diálogo: Infelizmente, a escola tradicional tem por objetivo principal do ensino, fazer com que o aluno aprenda a LER, ESCREVER e CONTAR. Entretanto, melhor seria se os alunos fossem incentivados, além dos itens acima, a FALAR e OUVIR. Ao contrário do que seria ideal, os professores, desde o início da carreira estudantil do aluno, obriga-o a permanecer na sala de aula estático, quieto, escrevendo o que o professor dita ou escreve no quadro. Falar somente é permitido na hora da leitura. Há algumas escolas que até dão nota de comportamento, o que vale dizer que o aluno deve ficar comportado. O que são comportas? São barreiras que se colocam num curso de água para impedi-lo de fluir. Assim, o


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aluno, colocado dentro de comportas, não pode fazer fluir seu potencial criativo. Seria muito melhor que os alunos fossem incentivados a dialogar em classe. Que aprendessem a ouvir e a falar. É claro que não se pode deixar que todos falem ao mesmo tempo, porque assim ninguém iria ouvir e é tão importante ouvir como falar. Ler e escrever viriam em conseqüência de um dialogo bem orientado, porque pelo diálogo o aluno pode adquirir muitas idéias que lhe serão úteis na hora de produzir um texto .

AULA DE PORTUGUÊS A enfrentar a análise sintática, Sem entender, sem opinião, sem vez, Empanturra-se o aluno de “gramática”, E imagina que estuda Português. Se o não prendessem nessa língua estática, Falar deixá-lo, como sempre fez, Desenvolvendo sua língua prática, Sem ter que estudar “gramatiquês”. Ler o que gosta, não o que é imposto, Escrever o que vem de dentro d’alma, “Falar e ouvir”, mais que “ler e escrever”. Haveria um sorriso em cada rosto, Toda a escola voltaria à calma, E estudar língua seria um prazer.

Gesson Magalhães (Alguma Cousa, pág. 28) Experiência: A vida traz para cada um de nós, alguma experiência. Se você fizer um exame retrospectivo de sua vida, irá encontrar, sem dúvida, assunto para muitas páginas. É bem melhor escrever sobre aquilo que conhecemos, nossa experiência pessoal, a experiência daqueles com quem temos permanente contato, pois estaremos adentrando um assunto com pleno conhecimento. Use a experiência que a vida lhe deu e use em seus textos. Fluência: Há muitas pessoas escrever. Entretanto, falam como se Depois de pensar sobre o assunto a escreva sem medo. Não se importe

que têm um medo enorme de tivessem um rádio dentro de si. ser escrito, organizar suas idéias, inicialmente com possíveis erros.


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Escreva fluentemente, como se estivesse falando. Depois de tudo escrito, faça uma revisão tirando uma palavra aqui, acrescentando outra ali, corrigindo os acentos e a pontuação e você verá como é fácil escrever. Leitura: A leitura é um dos mais importantes meios de se adquirir a prática da escrita. A pessoa que lê aumenta seu vocabulário e assimila, pela percepção das frases que lê, as formas a serem utilizadas em sua própria escrita. Além disso, a leitura aumenta o potencial imaginativo que todos nós possuímos. Quem lê, geralmente escreve bem. Observação: Para se produzir bons textos, nada melhor do que os assuntos que se nos deparam no dia-a-dia. Se você for observador, irá encontrar muito assunto sobre o qual escrever. Afinal, toda a literatura, mesmo a fictícia, para ser verossímil, deve conter um pouco da realidade. Muitos escritores se utilizam daquilo que observam em seus escritos. Organização do texto: Todo texto deve ter uma seqüência lógica. Como dizia alguém, deve ter começo, meio e fim. Há textos tão desorganizados que, ao terminarmos a leitura, não sabemos o que o escritor quis realmente dizer. Para que seu texto fique bem organizado, antes de começar a escrever, coordene em sua mente ou faça por escrito um roteiro, para que seu texto fique devidamente organizado. Originalidade: Evitar os lugares comuns, as repetições e os clichês, procurando escrever de molde a não cair no trivial.

2.- A CRASE Os quatro “a”

Para entrarmos no estudo da crase, é muito necessário, até imprescindível, que você consiga diferenciar, sem qualquer dúvida, quando o “a” é pronome (oblíquo ou demonstrativo), artigo definido, ou preposição. Vamos dar algumas “dicas”: 1.- O “a” artigo definido está sempre antes de um substantivo feminino. Assim, se houver um “a” antes de um substantivo masculino, ou antes de um verbo, ou antes de qualquer outra palavra que não seja substantivo feminino, com certeza não é artigo. Observe: Às vezes, entre o artigo e o substantivo feminino existe um adjetivo ou um advérbio, que não deve atrapalhar você, porque, na realidade, se você tirar essa palavra, ela não vai fazer falta, porque o artigo está definindo o substantivo. Vamos exemplificar:

a) A melhor aluna da classe é Maria.

b) A velha casa caiu.


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Ora, as palavras melhor e velha são adjetivos que estão falando de uma característica da aluna ou da casa. Se você tirá-las, fica: A aluna da classe é Maria e A casa caiu. Viu só? não fizeram falta. Assim você poderá fazer com qualquer palavra que estiver entre o artigo e o substantivo que é definido por ele. 2.- O “a” pronome está sempre substituindo um nome feminino. Quando ele é oblíquo, poderá estar antes ou depois de um verbo. Quando está antes, você deve analisar se ele está substituindo algum nome; quando está depois, sempre está ligado ao verbo por um hífen. Quando é pronome demonstrativo, geralmente pode ser substituído por “aquela”. Exemplos:

a.- Pronome oblíquo antes do verbo: Encontrei Joelma, mas não a quero levar ao passeio b.- Pronome oblíquo depois do verbo: Encontrei Joelma e convideia para o passeio. Viu? o “a” está no lugar do nome Joelma. Sem o pronome “a”, a frase ficaria assim: a)-Encontrei Joelma, mas não quero levar Joelma ao passeio. b)- Encontrei Joelma e convidei Joelma para o passeio. Fica claro que o “a” é pronome oblíquo.

c.- Pronome demonstrativo: A menina que vi hoje, não é a que esperava encontrar. Se você substituir por aquela, não muda o sentido: A menina que vi hoje, não é aquela que esperava encontrar. Obs.: O artigo “a” também pode ser substituído por aquela, mas não existe confusão porque o pronome demonstrativo está substituindo nome e o artigo não. Veja no exemplo dado: A (aquela) menina que vi hoje, não é a (aquela) que esperava encontrar.

O primeiro A está definindo a palavra menina, não substituindo. É, portanto, artigo. O segundo a está substituindo a palavra menina. É, portanto, pronome demonstrativo.

3.- O “a” preposição é fácil de distinguir também. Enquanto os outros “aa” estão sempre se referindo a uma palavra feminina, o “a” preposição pode estar também relacionado a outras classes de palavras como substantivo masculino, verbo, numeral, pronome, etc. ou palavra no plural. Isto acontece porque preposição é palavra invariável, quer dizer, nunca muda, nunca flexiona. Você pode, às vezes, substituir por outra preposição. Exemplos:

a) não ofereci a José o livro que queria vender (junto de substantivo masculino); b) a partir de amanhã, as aulas serão suspensas (junto de verbo);


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c) de hoje a quinze dias, as aulas recomeçarão (junto de numeral); d) refiro-me a este rapaz (junto de pronome demonstrativo);

e) falo apenas a alunas e a alunos interessados. (junto de palavra no plural). Fazendo substituições:

a) Na frase: A partir de amanhã, as aulas vão ser à tarde. Se você substituir a expressão a partir pelo gerúndio do verbo partir, temos: partindo de amanhã. . . b) Não ofereci a José o livro que queria vender. Se você substituir o a por para, temos a mesma compreensão. Não ofereci para José o livro que queria vender. Como para é uma preposição, o a também é.

c) de hoje a quinze dias, as aulas recomeçarão. Aí você poderá substituir o a por até, que também é preposição. De hoje até quinze dias... d) E assim por diante. . .

Exercícios: Classifique os “aa” existentes no texto abaixo.

1.- A cada dia que passa, a situação do ensino no Brasil necessita de que a máquina governamental e a iniciativa privada pensem mais na Educação e a adotem como prioridade. A Educação atual não é a que esperávamos que fosse, embora a nós, professores e estudantes, caiba a responsabilidade de exigir que a cúpula do Governo esteja sempre a cuidar mais e melhor do assunto. A continuar da maneira atual, estaremos sempre a presenciar a derrocada da nação, a quem devemos proteger. Somente a Educação a poderá salvar, para que se torne a que nós idealizamos. 2.- A não ser que a pessoa estude, a vida será muito mais difícil. A vida sem o estudo pode ser menos complicada, mas não a podemos chamar de boa vida, pois a que serve mesmo a todo propósito é a que é recheada de informações. A pessoa que não estuda tem a vida vazia, não pode confiar a alguém suas preocupações, pois sempre pensa que a pessoa “estudada” a pode enganar facilmente. 3.- A menina corria pela rua e a atravessou sem olhar. A bicicleta vinha em alta velocidade . O ciclista não a viu, atingindo-a em cheio. A multidão que se formou em torno não a deixava respirar, até que a polícia chegou e dispersou os curiosos, levando a acidentada para o hospital. A médica que a atendeu ficou feliz, pois a menina havia sofrido somente algumas escoriações. A bicicleta, porém, ficou toda retorcida, mas ninguém, a não ser o ciclista importou-se com ela. Obs.: Você pode exercitar ao ler qualquer texto, procurando classificar todos os “aa” que encontrar nele. Depois peça ao professor para ver quantos você acertou.


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Nota: Além dos “aa” acima, temos também outros três, que são: ah! (interjeição), há (verbo) e a (preposição com sentido de tempo futuro ou distância): AH/HÁ/A

Ah! É uma interjeição e é utilizada em expressões de admiração. Ah! agora sim! Ah!, não! você não vai embora! Há é do verbo haver e é empregado, principalmente quando se referir ao passado. Estou esperando você há duas horas; há muito tempo que não vejo Carolina. A, neste caso é uma preposição e será empregada quando se referir ao futuro ou quando indicar distância. Vou visitá-la só daqui a cinco dias, porque ela mora a vinte quilômetros daqui. Estudando a crase:

Usar a crase não é tão difícil como alguns dizem. Se você souber bem diferenciar os quatro “a” de que falamos acima, não vai haver dificuldade alguma.

Primeiro, ponha na cabeça que crase, significa fusão de dois “aa”. Antigamente, no português arcaico, escrevia-se assim: Vou a a África. O primeiro “a” é uma preposição e o segundo um artigo. Note como o primeiro “a” pode ser substituído por outra preposição: Vou para a África. O segundo “a” é claramente um artigo definido feminino, pois está definindo a palavra África. Mais tarde, ainda no português arcaico, os dois “aa” se juntaram e eles escreviam assim: Vou aa África. Posteriormente, é que se resolveu fazer a crase, ou seja a fusão dos dois “aa” e, para isso, convencionaram substituir um deles por um acento grave. Assim, hoje escrevemos assim: Vou à África. Viu só? Todas as vezes que você encontrar uma crase, você já sabe: Ali está um “a” preposição fundido com outro “a”, que pode ser: a) – artigo feminino

a;

b) – pronome demonstrativo a;

c) – pronome relativo a qual, as quais;

d) – o “a” inicial de aquele (s), aquela (s) e aquilo. Então, grave uma coisa:

Você somente poderá usar crase antes de palavra feminina definida pelo artigo “a”. Vamos, agora, dar um exemplo de cada um dos itens acima:

a) – Gosto de ir à aula; (para a) –preposição + artigo feminino.


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b) – Falando em aula, prefiro à da Professora Tânia; (a aquela aula) preposição + pronome demonstrativo.

Observação: O verbo preferir rege sempre a preposição a. Quem prefere, prefere uma coisa a outra. Nunca use prefiro do que , pois está errado. c) – A aula à qual me refiro, é a da Professora Tânia;

d)– Refiro-me àquela aula de ontem, quando a professora voltou àquele exercício e nos disse para sempre nos dedicar àquilo.

Observação: O verbo referir e dedicar, quando acompanhados de pronome reflexivo, regem a preposição a. Quem se refere ou quem se dedica, refere-se ou dedica-se a alguma coisa ou a alguém.

Viu como é fácil? não há segredo. É só assimilar bem a diferença entre os “aa”, e fundir o “a” preposição com qualquer um dos mencionados acima. Vamos dar mais algumas “dicas”:

Não creio que você tenha qualquer dúvida, mas se ainda tiver, use o seguinte raciocínio:

a) Mude o verbo empregado. Se aparecer da, que é igual a de + a (preposição + artigo), ou na, que é igual a em + a (preposição + artigo), é necessário o uso da crase: Assim: Vou

a missa – voltei da (de + a) missa;

Fui a cidade - voltei da (de + a) cidade; Vou a Bahia – Estou na (em + a) Bahia.

Logo: Vou à missa; fui à cidade; vou à Bahia.

b) Passe o substantivo para o masculino. Se o resultado for o, não haverá crase, porque é somente artigo, mas se aparecer ao (a + o) então o uso da crase é necessário. Assim: Ganhei a casa – Ganhei o livro. Vou à missa -

Vou ao (a + o) culto.

Vamos dar, a seguir, algumas explicações que vão ajudar você a entender algumas regras que as gramáticas trazem a respeito da crase. Você sabe o que é locução? Pois é; precisa saber, para entender a primeira regrinha que as gramáticas trazem. Locução é uma expressão que exerce a função de uma palavra.

Assim, ao invés de dizer: apressadamente, você diz às pressas. Apressadamente é um advérbio de modo. Às pressas é uma locução adverbial de modo. Viu? a diferença é que a locução tem mais de uma palavra. Podemos ter locução prepositiva, que é uma expressão que exerce a função de preposição, locução adverbial, que é uma expressão que


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exerce a função de advérbio e locução conjuntiva, que é uma expressão que exerce a função de conjunção. Pois bem: há uma regrinha que diz: As locuções femininas exigem a crase. às pressas, à maneira de; à medida que. Só que as locuções adverbiais não têm obrigatoriamente a crase. Esta somente é utilizada para evitar ambigüidade, ou seja, que a frase tenha outro sentido.

Exemplo: Pegar a mão. Se não colocar a crase, a gente fica sem saber se vamos pegar a mão de alguém ou se vamos pegar alguma coisa com a mão. Assim, usamos a crase só para evitar o duplo sentido. Escrevemos, portanto: Pegar à mão. Aí você pode argumentar: “É, mas se colocar outra preposição, para ver se há um artigo, temos: Pegar com a mão. Ora, se exigiu o artigo, é claro que existem aí dois "a”, logo há a crase. Você tem razão. Nesse caso, houve uma coincidência. Mas nesta frase: Chegou a tarde. Não sabemos se foi a tarde que chegou ou alguém chegou no período da tarde. Por isso, usamos a crase, para evitar a ambigüidade. Agora, se você colocar outra preposição para ver se existe o artigo, vamos ter: Chegou de tarde. Viu? Não há dois “aa”, logo não há necessidade de crase. Ela é colocada, para evitar a ambigüidade. Por outro lado, se você disser: Chegou pela tarde, temos outra vez a preposição e o artigo. Viu só? É só prestar atenção. Há, nas gramáticas, diversas regras para o uso da crase. Todas elas, porém, se analisadas, levam à mesma conclusão: CRASE É A FUSÃO DE DOIS “AA”. (à = aa)

Vamos repetir essas regras, não para você decorá-las, mas apenas para demonstrar que todas elas nos levam à conclusão do quadro acima. 1 – Usa-se a crase:

Primeira Regra:- Diante das locuções femininas: à noite, às vezes (adv.); à razão de, à custa de (prep); à medida que, à proporção que (conj). Já vimos acima, que a crase somente é utilizada para evitar ambigüidade. Segunda Regra:- Diante dos pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo, quando precedidos de verbos que regem a preposição a. Não vou àquele bar. (não vou a aquele bar)

Refiro-me àquela mulher. (Refiro-me a aquela mulher).

Você não deve assistir àquilo. (Você não deve assistir a aquilo). Observação: O verbo assistir tem 3 predicações:

- No sentido de estar presente é transitivo indireto e rege a preposição a.


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Ex.: Hoje vou assistir a um filme de terror.

- No sentido de ajudar, prestar assistência, é transitivo direto e não rege preposição. Ex.: Tenho que assistir minha mãe, que está sozinha. - No sentido de morar, residir, é intransitivo.

Ex.: Durante um ano, assisti em São Paulo.

Terceira Regra:- Diante de palavras masculinas, quando expressões à moda de, à maneira de estiverem em elipse.

as

Ex:- Fui a uma festa à caipira (à moda de caipira).

Quarta Regra:- Diante de nomes de lugares que admitam artigo. Vou à Bahia. (para a Bahia)

Quinta Regra:- Diante de numerais, somente quando se referir a horas. Chegou às duas horas. (pelas duas horas) 2 – Não se usa a crase:

Sexta Regra:- Diante de verbo

A aula começa a partir das duas horas. (Não há artigo antes de verbo) Sétima Regra:- Diante de palavras masculinas

Sempre cheguei a tempo aos compromissos. (O substantivo masculino exige o artigo o e não a) Oitava Regra:- Diante de artigo indefinido, mesmo feminino:

Isso nos conduzirá a uma situação trágica. (para uma). Só existe um a, que é preposição. Dediquei minha vida a um propósito. comentário acima.

(para um) – Mesmo

Nona Regra:- Diante de pronomes que não aceitam artigo: E agora, a quem vamos nos dirigir?

Décima Regra:- Diante de nomes próprios que não admitem artigo: Vou a Brasília amanhã.

Décima Primeira:- Diante de locuções formadas por palavras repetidas: Ando sempre passo a passo.

Tomei o remédio gota a gota. Alguns “ganchos” que pegam:


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1 – A palavra CASA:

Muito cuidado com essa palavrinha porque, em alguns casos, a crase é obrigatória, em outros, não.

Quando você estiver se referindo a sua própria casa, você não usa artigo, logo, não vai usar a crase. Você diz: Estou em casa, isto é, usa só a preposição em. Assim, quando você mudar para o verbo ir, também não usa artigo, logo deve dizer: Vou a casa. (Vou para casa).

Agora, quando você estiver se referindo à casa de outra pessoa, o artigo é obrigatório, logo se usa a crase. Você diz: Estou na casa de minha irmã, isto é, usou a preposição em + o artigo a (em + a = na). Logo, quando você estiver se referindo à casa de outra pessoa deve usar a crase: Vou à casa de minha irmã. (Vou para a casa de minha irmã) 2 – A palavra TERRA:

Quando a palavra terra for utilizada como antônimo de bordo, não se usa a crase, porque não admite o artigo. Você diz: Quando viajo de avião, só tenho sossego quando estou em terra., isto é, só usou a preposição em, sem artigo. Assim, você deve dizer: O marinheiro desceu a terra.

Quando a palavra terra estiver determinada, aí, sim, você usa a crase, porque admite o artigo. Você diz: Estou na terra de meus pais, isto é, usou em + a = na. Assim, você deve escrever: Vou à terra de meus pais. (Vou para a terra de meus pais). A crase facultativa:

.Há algumas expressões que diferem de acordo com a região do Brasil. No Nordeste, por exemplo, não se costuma usar o artigo antes de nome próprio, nem antes de pronome possessivo. Ali, geralmente se diz: Maria é esposa de José; – Este livro é de minha mãe. Já no Sul, usa-se o artigo antes de nome próprio e antes de possessivo. A mesma frase no Sul, é dita assim: A Maria é esposa do José; - Este livro é da minha mãe. Ora, para evitar uma guerra filológica entre o Nordeste e o Sul, a utilização do artigo antes de nome próprio e antes de possessivo é livre; conseqüentemente, o uso da crase também o é. Assim, se você usar ou não a crase antes de nome próprio feminino e antes de pronome possessivo feminino, sempre estará correto. O uso da crase é facultativo. Você não deve contar isso a Dulce. (para Dulce)

Você não deve contar isso à Dulce. (para a Dulce).


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Vou entregar o livro a minha colega.(para minha colega)

Vou entregar o livro à minha colega. (para a minha colega). Observação:

Algumas gramáticas trazem também como facultativo, o uso da crase após a palavra até. Até a meia-noite/até à meia-noite. 3.- DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO Já vimos, no estudo da Comunicação, que a mensagem pode ser denotativa ou conotativa. Vamos ver agora, um pouco mais pormenorizadamente, A mesma palavra pode ser utilizada no sentido denotativo e no sentido conotativo. Veja as frases seguintes: 1.- Estou com muita dor na cabeça. 2.- Ele entrou de cabeça no casamento. Note que na frase n 1, a palavra cabeça significa a parte do corpo que está doendo. Na frase nº 2, cabeça pode significar o corpo todo, a vontade, as intenções, todo o ser. Assim, na frase nº 1, a palavra cabeça tem um só significado, um significado real, denotativo. Na frase nº 2, a palavra cabeça tem diversos significados, que podem ser interpretados diferentemente pela pessoa que lê ou ouve a frase. Tem sentido conotativo. Definindo: Denotação é, portanto, o uso da palavra em seu sentido próprio, real, que não admite outra interpretação. Conotação, ao contrário, é o uso da palavra em sentido figurado, com possibilidade de ser interpretada de maneiras diferentes. Exercícios: “1.- Entre as palavras destacadas, identifique, pelo contexto da frase, aquelas que foram empregadas em sentido conotativo”: a.- O incêndio do prédio começou no porão. b.- Eu acho coisas e no meu sonho No rico porão dos sonhos... (Adélia Prado) c.- Um grito de café fresco surgia na cozinha (Clarice Lispector). d.- Ouviu-se um grito apavorante. e.- Gatos lambem o próprio corpo. f.- A luz lambe as folhas (Arnaldo Antunes). (in Faraco & Moura-Português – ed. Ática)


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UNIDADE III 1.- Coerência e Coesão Textuais De acordo com Aurélio, Coerência é ligação, nexo, lógica. Geralmente encontramos pessoas, cujo discurso é um e as atitudes são outras. Falam uma coisa e praticam outra. Há até uma frase que ilustra bem isso: Faça o que mando, mas não faça o que faço. Se um pai proíbe o filho de fumar, mas ele próprio fuma, está sendo incoerente. Também na escrita deve haver coerência. O autor não deve escrever uma coisa em uma parte do texto e fazer com que os acontecimentos sejam contrários àquilo que escreveu. Exemplo: “Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um motorista que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até a calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital. Assim, salvoulhe a vida.” (Platão & Fiorin – Para Entender o Texto, pág. 261). Se o menino era tão fraquinho, que mal conseguia carregar a cesta de amendoins, como poderia carregar um homem corpulento até a calçada? Eis a incoerência do texto. Podemos analisar três níveis para observação da coerência textual: a.- Coerência Narrativa: Texto: Florentino vivia com a esposa, Madalena, na cidade de Rolim de Moura. Eram ambos paulistas, vindos, ele de Campinas e ela de Piracicaba. Como havia muito tempo que não visitavam a família, resolveram pegar suas economias e fazer um passeio. Para economizar, fizeram a viagem de ônibus. Quando se aproximavam de Ariquemes, o ônibus quebrou, obrigando-os a esperar várias horas para poder continuar a viagem. Chegando a Piracicaba, de surpresa, procuraram encontrar o


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endereço de seus familiares. Florentino, ao abraçar seu pai, sentiu um nó na garganta e só não chorou porque estava acostumado com a idéia de que homem não chora. Ficaram ali alguns dias e depois foram a Campinas, onde encontraram primeiramente a irmã mais nova de Madalena, que estava morando na casa que fora dos pais, os quais haviam se mudado para outro bairro. Também de surpresa, chegaram à nova casa, onde o sogro de Madalena os esperava no portão, radiante de alegria. Como se pode notar, há no texto, várias incoerências narrativas. Ora, se o casal morava em Rolim de Moura e viajava em direção ao Estado de São Paulo, como o ônibus foi quebrar em Ariquemes, que fica do lado contrário? Outra incoerência: Indo ao Estado de São Paulo, primeiro passariam em Campinas onde deveriam morar os pais de Florentino, já que ele é de lá e depois em Piracicaba, que fica além de Campinas. Os pais de Madalena moram em Piracicaba e não em Campinas. Se os pais de Madalena haviam se mudado para outra casa, como é que o sogro é que estava no portão esperando? Assim, o texto está cheio de incoerências narrativas. Ao narrar, o autor deve ter o cuidado de verificar todas essas situações, para que o texto fique coerente.

b.- Coerência Figurativa: Texto: O homem caminhava sozinho, sob um calor sufocante, por uma estrada poeirenta, sombreada por uma carreira de mangueiras que margeava a estrada. Seus pensamentos estavam em sua lavoura, estragada pela seca prolongada e matutava em como iria pagar o banco que financiara as sementes e o preparo da terra. De repente, encontrouse com o vizinho do sítio ao lado, elegante em seu casaco de pele de urso, tendo em sua mão, aberto, um guarda-chuva colorido de verde e amarelo. Cumprimentaram-se, e nosso herói perguntou-lhe se sua lavoura também estava perdida, ao que ele respondeu que, depois da última geada, a chuva estragara o restante que havia sobrado. Notaram? a figura de uma estrada poeirenta e uma seca prolongada não combina com alguém com casaco de pele e guarda-chuva. Muito menos com geada e chuva. O texto deve manter uma articulação harmônica entre as várias figuras utilizadas. Não se pode defender determinada situação, apresentando elementos figurativos contrários ao que se defende. c.- Coerência Argumentativa:


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Texto: O homem é um ser gregário e, como tal, necessita de companhia. Disse Deus, na história da Criação: “Não é com que o homem esteja só”. Uma vara sozinha quebra-se facilmente, mas se tentarmos quebrar um feixe de varas, vai ser muito mais difícil. Isso quer dizer que devemos sempre procurar a união, o amor, a amizade, para que tenhamos forças para enfrentar as vicissitudes da vida. Como podemos fazer isso, se ninguém é hoje confiável? O melhor mesmo é o isolamento total, pois “é melhor sozinho do que mal acompanhado”. O ermitão é que é feliz, pois não tem que dar satisfação a quem quer que seja. O autor do texto acima começa defendendo a união, a amizade entre as pessoas e termina por proclamar o isolamento. Seus argumentos são incoerentes pois, se partiu da premissa de que o homem é ser gregário e necessita de companhia, não poderia, de repente, mudar de lado e defender o isolamento. Esse tipo de incoerência é que chamamos de incoerência argumentativa. 2.- O Parágrafo Chamamos de parágrafo a uma unidade do texto. É a divisão do texto em partes menores, levando-se em conta os diversos enfoques que se dá ao assunto. Ao mudar de parágrafo, não se muda necessariamente de assunto. Aliás, em uma redação, o assunto deve ser preservado do começo ao fim. Não se pode, em uma redação, tratar de tantos assuntos, que o leitor tenha dificuldade de saber de que assunto tratou o autor. Entretanto, a abordagem do assunto muda no decorrer do texto. O parágrafo serve exatamente para essa mudança de abordagem. Podemos estudar o parágrafo sob dois aspectos: Funcional.

Formal e

Aspecto Formal: É a indicação do parágrafo pela mudança de linha e o afastamento do início um pouco para a direita. Aspecto Funcional: Para que se compreenda bem o texto, necessário se faz compreender a estrutura do parágrafo. Ao ler um texto, se os parágrafos foram bem divididos, o leitor entenderá o texto com maior facilidade do que se os parágrafos forem longos e abordarem o assunto em diversos aspectos. 3.- Divisão Conclusão

do

Parágrafo:

O texto deve ter pelo Desenvolvimento e Conclusão.

Introdução, menos

três

Desenvolvimento partes:

e

Introdução,


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Introdução: Também denominada de tópico frasal, a introdução deve ser curta, um ou dois períodos, onde o autor expressa, de maneira sucinta, o que pretende, a idéia central do texto. Desenvolvimento: É o texto propriamente dito, a explanação do assunto abordado pelo autor, No desenvolvimento, o tópico frasal, isto é, a idéia central do texto é recheada de informações, às vezes até mesmo acrescentando outras idéias. Conclusão: É o fecho do texto, onde o autor expressa as conclusões a que chegou depois das argumentações feitas no desenvolvimento. Nem sempre esta parte é encontrada nos textos. Ao escrever, o autor não precisa destacar as palavras introdução, desenvolvimento e conclusão no texto, mas elas devem saltar aos olhos do leitor, uma vez que, ao iniciar o texto, o autor deve dar a idéia central do texto. A introdução é uma generalização, onde o autor expressa uma opinião pessoal, um juízo, ou declara algo a respeito do assunto do texto; seu desenvolvimento é a mensagem que ele quer transmitir; a conclusão é seu fecho. Outro elemento que se deve citar, embora não seja obrigatório, é o elemento relacionador, que estabelece uma corrente lógica das idéias expostas no texto e relaciona o parágrafo anterior ao que o segue. 4.-Tipologia textual: narração, descrição, dissertação. a.- Narração: A narração consiste em reproduzir, em acontecimento presenciado ou imaginado pelo autor.

palavras,

um

Ao contar um fato, o autor deve responder a algumas das seguintes perguntas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê?, ou seja, deve citar as personagens, o fato, o tempo, o local, a maneira e os motivos pelos quais aconteceu o fato narrado. Quem? As personagens são aqueles que participam do fato, que agem, que fazem a história.. Na participação das personagens, podemos distinguir se a narração está utilizando o Discurso Direto ou o Discurso Indireto. Discurso Direto: É quando as personagens falam, estabelecem diálogo entre si, o que é representado pelas falas após travessão. Exemplo: —Você vai à escola hoje?


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—Não, estou muito cansada. —Então, quer ficar estudando comigo? —Você quer estudar mesmo, ou. . .? Discurso Indireto: É quando o autor conta toda a história na terceira pessoa, como espectador dos fatos. Exemplo: Juvenal procurou Marta e perguntou-lhe se ela iria à escola. Como Marta respondeu que não iria, Juvenal propôs que estudassem juntos. Maria, desconfiada, perguntou se Juvenal pretendia estudar mesmo, ou. . . O Quê? Os fatos são os acontecimentos de que as personagens participam. Desses fatos depende a classificação do gênero de narração que se está fazendo: Crônica, conto, romance, e outros. Quando? O Tempo em que os acontecimentos ocorrem, que deve ser informado ao leitor, para que ele se localize. Nem sempre esse tempo significa data definida, mas o período que duraram os fatos narrados. Onde? O Espaço pode ser em um determinado local ou em diversos locais. A narração precisa conter essas informações, reais ou fictícias. Se foram reais, o autor deve pesquisar para que as pessoas que porventura conheçam esses locais possam situar-se, fazendo com que a narração, mesmo fictícia, seja verossímil. Como? O Enredo é muito importante, pois constitui o conjunto dos fatos narrados. É aí que se deve primar pela coerência textual, para não acontecer de o enredo tornar-se tão confuso e cheio de incoerências, que o leitor se veja atrapalhado para entender os fatos. Por quê? Os motivos que levaram aos fatos nem sempre são importantes, a não ser que a falta deles deixe a narração obscura. Geralmente, o porquê dos fatos é narrado quando se trata de reportagem, ou quando o autor deseja que o leitor conheça os motivos do acontecimento narrados. b.- Descrição: A Descrição transmite ao leitor informações a respeito de lugares ou de pessoas, de maneira que o leitor possa criar, em sua mente, a imagem do objeto descrito. Assim, a descrição deve ser tão fiel, que a imagem criada seja o mais próxima possível da realidade, se o objeto descrito for real, ou daquela que o autor imaginou, se for fictícia.


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Para isso, requer-se que o escritor seja observador, para que o que vai ser descrito seja um modelo inconfundível. Descrever não é somente enumerar uma série de características, mas transmitir uma impressão autêntica do objeto ou pessoa descrita. A descrição pode ser Objetiva (Conotativa).

(denotativa) ou Subjetiva

Descrição Objetiva: É a descrição que se faz sem preocupação de destacar a beleza do objeto, sem o uso de muitos adjetivos, mas tendo como objetivo, a eficácia e a exatidão. Não busca a emoção estética, preocupando-se mais com a função referencial, ou seja com o objeto descrito. Tem como objetivo principal, informar, esclarecer, comunicar, convencendo pelos fatos que estampa. Exemplo: O aparelho que você acaba de adquirir é um Multi Processador Arno. É simples, seguro e de fácil manuseio, podendo ser rapidamente montado para uso. A tampa, com abas na extremidade inferior, para fixação da tigela à base do motor, é dotada de uma cúpula transparente, que permite a visualização do alimento sendo processado. A lâminas, do tipo cimitarra, giram em alta velocidade para processar os alimentos sem esmagá-los, conservando o aroma e as substâncias naturais. Tem uma tigela resistente a choques ou impactos durante a operação e dispositivo de segurança, acionado pelo encaixe da tampa, que impede o funcionamento em condições anormais de uso. Manual de Instrução. Descrição Subjetiva: É a descrição que trabalha a linguagem, com o emprego de palavras ricas de sentido, figuras de linguagem, enriquecimento do texto com muitos adjetivos e verbos de estado, que dê margem a mais de uma interpretação, de forma que o leitor crie na mente uma imagem do objeto descrito. É claro que cada mente criará uma imagem diferente, tendo em vista que a descrição subjetiva, como o próprio nome indica. O leitor “verá” o objeto descrito de forma subjetiva, de acordo com a imagem que sua mente criou. . Exemplo: O aposento esclarecido formava uma pequena recâmara forrada com rás simples e ornada no gosto o mais apurado da época. A um lado estava o leito de madeira embutida com relevos de metal; em volta esfraldavam-se as cortinas de seda azul, suspensas do esparável dourado; aos pés, um tapete da Índia; junto da cabeceira, contra a parede, o escabelo, traste característico dos tempos de fé sã e robusta.


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Do lado oposto, no estrado baixo que estão fazia as vezes dos sofás e conversadeiras de moderna invenção, estava Elvira sentada; tinha o corpo escaído em frouxa atitude, os braços distendidos, as mãos cruzadas sobre os joelhos, a cabeça reclinada um tanto, os olhos fitos no relógio d’água colocado em cima do tremó, sobre o qual ardia uma vela de cera, eschamejando-se na face lisa e polida do espelho. Os cabelos, desatados pelas espáduas nuas ensombravam o perfil, amortecendo-lhe a cor; mas deixavam imergidas na claridade as evolutas suaves do colo soberbo, e dos seios que moldava o linho transparente. Traçando a curva graciosa de uma perna admirável, a roupa roçagante de fina beatilha frangia na orla, por onde escapava o pezinho nu, aninhado em um pantufo de veludo roxo. José de Alencar – As Minas de Prata. Vocabulário: Rás – Restos de moldura no teto de casas antigas. Esparável - Cobertura do leito. Cortinado. Tremó – Móvel de espelho alto, colocado no espaço dentre duas janelas. Evoluta – Curva, espiral. Beatilha – Renda. c.- Dissertação: “É o texto no qual o autor discute, expõe ou interpreta idéias”. Neste tipo de redação, mais do que nos outros, o tópico frasal, o desenvolvimento e a conclusão são mais patentes, mais visíveis. Geralmente o autor inicia expondo a idéia central do texto. Depois apresenta as idéias, os argumentos, os exemplos, podendo apresentar razões, comparar fatos e idéias, definições, dados estatísticos, enfim, tudo o que pode ajuda-lo na exposição do assunto e, finalmente, conclui pesando os argumentos positivos e negativos, concluindo o assunto, às vezes com opinião própria ou geral sobre o texto. Na dissertação é importante que se faça um plano, um roteiro, que iniciará com a idéia central a ser discutida e conterá os pontos principais a serem discutidos. Isso ajudará o autor no desenvolvimento das idéias. Exemplo: Para os europeus, as relações de parentesco nas comunidades indígenas eram pouco rígidas, já que o tio poderia desposar a sobrinha. Entretanto, os casamentos entre filho e mãe, irmão e irmã e pai e filha eram proibidos. os enlaces matrimoniais seguiam uma regra muito simples, segundo Lévy. Desejando se unir, os varões se dirigiam a uma mulher, viúva ou donzela, e perguntavam sobre sua vontade de casar. Se o interesse fosse recíproco, pediam a permissão do pai ou do parente mais próximo. Depois de obtida a permissão dos parentes, os noivos consideravam-se casados. Não havia cerimônias, nem promessa recíproca de indissolubilidade ou perpetuidade da relação. O marido


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poderia expulsar a mulher e vice-versa. Se ficassem fartos do convívio, a união estaria desfeita. Ambos poderiam, então, procurar outros parceiros, sem maiores constrangimentos.Entre os “selvagens” era costume, quando o esposo se enfadava da companheira, presentear outro homem com sua mulher. A maioria dos índios tinha somente uma mulher. a poligamia, porém, era amplamente difundida entre os grandes guerreiros e caciques. Os chefes podiam viver com catorze mulheres sem causar estranhamento. Ronald Raminelli e Eva Tupinambá-História das Mulheres no Brasil. Note que o texto acima não tem como objetivo emitir opinião, mas apenas reunir informações a respeito do casamento entre os indígenas.

UNIDADE IV 1.- Redação Técnica: Há diferença entre a redação literária e a redação técnica. Enquanto a primeira prima pelo uso de adjetivos, de figuras de linguagem, de expressões rebuscadas, a outra é mais objetiva, enxuta, procurando dizer apenas o que tem de ser dito, sem preocupações com beleza literária, embora tenha que preservar a beleza estética. A redação técnica pode ser dividida em oficial e comercial, esta trocada entre empresas particulares e aquela originária do serviço público. Alguns dos documentos seguintes são comuns aos dois tipos, enquanto outras são exclusivas de um ou de outro segmento. Agora, vamos iniciar o estudo de alguns documentos com que vocês trabalham no dia-a-dia e alguns outros que, às vezes, alguém pede que você redija. Vamos explicar o que é cada um deles, em ordem alfabética, e, no fim deste trabalho, daremos exemplos de todos eles, para que você possa ter um modelo para seguir.

Ata.- É o registro dos fatos e deliberações de uma reunião, assembléia, ou sessão. Esse registro pode ser completo ou resumido, dependendo do tipo de reunião. Geralmente, a ata é registrada em livro próprio, encadernado e numerado tipograficamente, no qual se coloca um termo de abertura e um de encerramento, não podendo haver qualquer tipo de rasura, acréscimos, entrelinhas, parágrafos, linhas em branco, abreviaturas ou algarismos. Os números devem ser escritos por extenso. Atualmente, já se admite a ata digitada em computador, mas esta deve ter todas as folhas rubricadas


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pelas pessoas que assinam a ata, ao final. Após um determinado período, essas folhas devem ser encadernadas. No caso da ata escrita à mão, como não pode haver rasura, em caso de erro, o secretário deve, se notar o erro no ato da escrita, colocar após a palavra errada, a expressão digo, e escrever a palavra correta. Se o erro for constatado apenas ao final da ata, o secretário deve colocar uma anotação dizendo: Em tempo: Onde se lê..., leia-se... Quando o secretário oficial ou seu substituto legal não estiver presente, o presidente poderá convocar qualquer membro para secretariar a reunião. Esse secretário provisório é chamado de secretário ad hoc. (Expressão latina que significa “para isso”, “para este caso”). Atestado.- É uma declaração que se faz em favor de alguém, a respeito de determinado estado transitório de saúde ou outro fato qualquer. Carta.- É uma correspondência trocada entre pessoas, empresas públicas e privadas e podem ser: a) – Cartas Familiares b) – Cartas Comerciais As cartas comerciais não seguem um padrão rígido, podendo ser elaboradas de acordo com a empresa e o sistema de que dispõe, bem como pode ser adaptada ao assunto a ser tratado. Ao final, daremos alguns modelos mais comuns. Com o advento da Internet, as cartas comerciais passaram a ser enviadas via correio eletrônico, tornando mais fácil e imediata sua comunicação. Certidão.- É um documento fornecido pelas repartições públicas, mediante requerimento da parte interessada, como prova de fatos permanentes. As mais comuns são: Certidão Negativa de Débitos, fornecida pelos cartórios e Certidão de Tempo de Serviço, fornecida para os funcionários públicos. Circular.- É uma correspondência na qual a pessoa dirige-se a diversos destinatários ao mesmo tempo, tratando de um assunto de interesse comum a todos. Não consta no documento o destinatário, pois são vários, indo o endereçamento no envelope. Contrato.- É um documento firmado por duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas, no qual os contratantes se comprometem a cumprir determinadas funções, expostas em cláusulas, estabelecendo entre eles uma relação de direito. Curriculum Vitae.- Expressão latina que significa “Carreira da vida” e constitui um documento no qual alguém expõe suas principais características e o histórico de sua vida acadêmica ou profissional e serve para demonstrar aptidão a um cargo ou a um curso a que a pessoa se candidate. Declaração.- É um documento que se assemelha ao atestado, mas que não é emitido por repartições públicas, mas por pessoas físicas ou jurídicas de caráter privado.


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Edital.- É um documento de notificação, para conhecimento público, que pode ser publicado em órgãos de divulgação públicos ou privados, ou simplesmente afixado em murais a que tenha acesso as pessoas interessadas. Exposição de Motivos.- É um documento expedido por empresas públicas ou privadas, no qual se explica algum acontecimento ou ação. Para que melhor seja entendido, a exposição de motivos deve conter itens numerados, nos quais se explica cada fase do documento ou do fato que necessita ser explicado. Se houver embasamento legal, deve-se relacionar alínea, inciso, parágrafo e artigo do Ato Legal que se deseja citar. Ficha de Registro de Reunião.- É um ficha de anotações utilizada pelo secretário de uma reunião, para anotar os assuntos e as pessoas que usaram a palavra durante ela, a fim de ser depois elaborada a ata. Em alguns casos, que não possuam valor jurídico, a própria ficha de anotação pode servir de referência aos assuntos tratados e às decisões tomadas. Deve-se, porém, levar em conta que essa ficha não tem valor jurídico.

Memorando.- Também chamado de Comunicação Interna (CI) por algumas empresas, é um tipo de correspondência interna trocada entre seções da mesma empresa ou repartição pública. Hoje, algumas empresas e repartições públicas utilizam também o memorando como correspondência externa. Nesse caso, assemelha-se à carta ou ao ofício. Somente que o memorando, geralmente é feito em papel meio ofício.

Ofício.- Como o próprio nome indica, é uma correspondência oficial externa e deve ter sua origem apenas nas repartições públicas, embora, hoje, muitas empresas e pessoas físicas o utilizem para dirigir-se a uma repartição pública. Parecer.- É a análise que se faz de um documento ou processo e que, ao final, aponta uma solução favorável ou contrária, com justificativas e embasamento legal para a conclusão. Dependendo do assunto, o parecer pode ser administrativo, científico, técnico ou jurídico.

Portaria.- É um ato administrativo, pelo qual o administrador de um órgão estabelece situações funcionais, nomeia auxiliares ou dá instruções. Procuração.- É um documento onde uma pessoa física ou jurídica dá poderes a outro para, em seu nome, realizar determinados atos, específicos ou gerais. Pode ser pública ou particular, sendo que a pública é passada em cartório enquanto a particular dispensa o registro.

A procuração ad juditia (pronuncia-se ad judícia) é passada a um advogado para, perante a Justiça, representar o cliente.

Relatório.- É um documento que registra o resultado de atividades desenvolvidas por determinada pessoa ou grupo. Requerimento.- É uma solicitação que se faz a uma autoridade para solicitar um direito que a pessoa física ou jurídica supõe ter, em virtude de um ato legal.


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Obs.: Embora este trabalho esteja sendo feito em papel tamanho A5, com exceção do memorando e do Atestado, nos outros deve-se utilizar o tamanho A4 ou ofício. A seguir, os exemplos dos documentos citados : ACADEMIA DE LETRAS DE RONDÔNIA Fundada em 10 de junho de 1986 Av. Farquar, esq. com Pinheiro Machado – Porto Velho - RO Ata

Ata da Reunião da Academia de Letras de Rondônia – ACLER, realizada no dia 7 de agosto de 2001. Aos sete dias do mês de agosto do ano dois mil e um, às dezesseis horas, na sala de reuniões, reuniram-se os membros da Academia de Letras de Rondônia – ACLER, com a presença dos seguintes acadêmicos: Abnael Machado de Lima, Vice-Presidente, Eunice Bueno, Yêdda Maria Pinheiro Borzacov, Pedro Albino de Aguiar, Dimas Ribeiro da Fonseca, Dante Ribeiro da Fonseca, Marco Antônio Domingues Teixeira e Gesson Álvares de Magalhães – Secretário-Geral. Na ausência do Presidente, Acadêmico Aparício Carvalho de Moraes, que recebeu um chamado médico de urgência, assumiu a presidência o Vice-Presidente, Acadêmico Abnael Machado de Lima, que declarou aberta a sessão e comunicou que a ata da reunião anterior fora lida e aprovada na mesma sessão. Em seguida, distribuiu a pauta do dia, solicitando do Secretário-Geral a leitura da correspondência recebida. Não havendo correspondência, o Presidente passou a palavra à acadêmica Eunice Bueno, para falar sobre as atividades programadas para a Academia. A acadêmica informou que convidara o acadêmico Átila Ibañez e estava aguardando sua resposta. A seguir, o presidente passou a palavra ao acadêmico Pedro Albino, para falar sobre o lançamento do Informativo da Academia. O acadêmico distribuiu o número experimental do informativo, tendo recebido diversas sugestões dos outros membros, que foram anotadas, sendo que o informativo apresentado deverá ser reformulado, antes de distribuído oficialmente aos acadêmicos e a outras congêneres no país. Dentre as sugestões, decidiu-se que devam ser retirados os nomes dos acadêmicos ausentes à reunião, tendo em vista que não diz o motivo da falta, que pode ser justa, como o caso do próprio Secretário-Geral, que estava viajando por motivo de saúde. Sugeriu-se também a inclusão do logotipo da Academia, sendo que o exemplar apresentado deveria ser recolhido e apresentado o novo modelo. O Presidente sugeriu que se enviasse correspondência em nome da Academia, à Academia Brasileira de Letras, à Academia de Letras da Bahia e à escritora Zélia Gattai, apresentando condolências pela morte do escritor Jorge Amado, ocorrida no dia anterior. A acadêmica Ieda Borzacov informou que há uma verba federal para


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reforma do prédio da Biblioteca Pontes Pinto, que será destinado para sede da Academia, inclusive para mobiliário, fruto de emenda parlamentar ao orçamento deste ano e que está em fase de liberação pelo Ministério da Cultura. O acadêmico Dimas Fonseca informou que entrou em contato com o Procurador-Geral do Estado, o qual informou haver um parecer contrário à cessão do prédio para a Academia, mas que houve solicitação da Casa Civil, para que se reexamine o assunto. A acadêmica Ieda informou que o parecer contrário que existe foi da Secretaria de Educação, a quem foi enviado o pedido da Academia, por pensarem que o prédio pertencesse à Educação. Acontece, entretanto, que o prédio pertence à área cultural do Estado e não à área educacional, ficando, segundo seu entendimento, sem efeito o parecer em questão. O acadêmico Dimas Fonseca declarou que vai voltar a falar com o Procurador-Geral para discutir o assunto, sugerindo convidá-lo para vir à próxima reunião da Academia. Em seguida a acadêmica Ieda Borzacov informou que entrou em contato com o reitor da Universidade de Brasília, o qual lhe disse que a Universidade possui muitos livros a serem doados para entidades e que ela solicitou fossem doados para a Academia, estando o problema apenas no transporte desses livros de Brasília para Porto Velho, problema que vai tentar resolver junto ao Governo do Estado. Informou também que haverá um curso que será ministrado pela Biblioteca Nacional, nos dias 13 a 17 do corrente, no auditório do SESC, convidando os acadêmicos que se interessassem para participar. Solicitou que a Academia faça projetos no sentido de participar nas atividades promovidas por entidades culturais, em convênio com a SECEL. O acadêmico Pedro Albino comunicou que está no prelo seu novo livro intitulado “Setenta Poemas”, devendo ser lançado até dezembro, pedindo a colaboração da Academia na organização do lançamento, numa noite de autógrafos. O acadêmico Marcos Teixeira comunicou que também tem um livro sobre arte e arquitetura no prelo, devendo também ser lançado até o mês de dezembro. O acadêmico Gesson Magalhães falou da necessidade de a Academia adotar uma medalha individualizada, sugerindo que os acadêmicos tragam na próxima reunião, sugestões de um “slogan” a ser adotado, que deverá ser em latim ou em tupi-guarani, como era o desejo dos membros fundadores. Informou que essas sugestões poderiam ser apresentadas em português e que ele providenciaria a versão para a língua que os acadêmicos decidissem adotar. Solicitou também que trouxessem sugestões do desenho da medalha, para ser confeccionada. A acadêmica Eunice Bueno sugeriu que, no programa de atividades, fosse incluído um ciclo de palestras, no qual, cada mês, fosse convidado um conferencista, acadêmico ou não, para pronunciar conferência sobre assuntos culturais relevantes e que, na mesma reunião, um acadêmico fosse designado para falar sobre a vida e a obra do patrono de sua cadeira. Nada mais havendo a tratar, o Presidente encerrou a reunião, da qual eu, Gesson Álvares de Magalhães, Secretário-Geral, lavrei a presente ata que, depois de aprovada, será assinada por mim, pelo Presidente em exercício e pelos acadêmicos presentes.


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Gesson A. Magalhães-Secretário-Geral Abnael M.Lima-Pres. em exercício. Dimas Fonseca

Dante Ribeiro

Eunice Bueno

Marco Teixeira

Pedro Albino

Yedda Borzacov.

GOVERNO FEDERAL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ATESTADO MÉDICO

Atesto que o Servidor ____________________

___________________________ portador da Carteira Profissional nº ___________ Série______,

necessita de ______(_______________)

dias de afastamento do trabalho, a partir desta data, por motivo de doença.

__________________________

Localidade e data

____________________________

Assinatura do médico CID________________

Este atestado é válido para as finalidades previstas no artigo 86 do RGPS, aprovado pelo Decreto nº 60.501, de 14/2/67 e será expedido para justificativa de 1 a 15 dias de afastamento do trabalho. Carta Comercial Simples: ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado


Examinando a Língua Carta nº 325/2003

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Porto Velho, 10 de setembro de 2003.

Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Prezado Senhor: Informamos Vossa Senhoria que a remessa de aros italianos ainda não nos chegou às mãos, o que nos leva a pensar em algum extravio pela transportadora responsável. Como Vossa Senhoria informou-nos que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. Diante disso, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias. Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral

-Carta Comercial epigrafada: ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado Carta nº 326/2003 Porto Velho, 10 de setembro de 2003. Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Ref. Remessa de Aros Italianos Prezado Senhor: Com respeito ao assinto epigrafado, informamos Vossa Senhoria que a remessa ainda não nos chegou às mãos, o que nos leva a pensar em algum extravio pela transportadora responsável.


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Como Vossa Senhoria informou-nos de que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. Diante disso, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias. Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral

Carta Comercial com tópicos: ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado Carta nº 327/2003 Porto Velho, 10 de setembro de 2003. Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Prezado Senhor: Vimos à presença de Vossa Senhoria, a fim de expor o seguinte: 1.- Os aros italianos objeto de nosso pedido nº 415 ainda não nos chegou às mãos. 2.- Como Vossa Senhoria informou-nos de que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. 3.- Sugerimos gestões de Vossa Senhoria junto à transportadora, a fim de localizar a mercadoria. 4.- Diante do ocorrido, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias. Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral Veja agora as mesmas cartas, com outra estética: ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado Carta nº 326/2003 Porto Velho, 10 de setembro de 2003.


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Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Prezado Senhor: Informamos Vossa Senhoria que a remessa de aros italianos ainda não nos chegou às mãos, o que nos leva a pensar em algum extravio pela transportadora responsável. Como Vossa Senhoria informou-nos de que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. Diante disso, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias. Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado Carta nº 326/2003 Porto Velho, 10 de setembro de 2003. Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Ref. Remessa de Aros Italianos Prezado Senhor: Com respeito ao assinto epigrafado, informamos Vossa Senhoria que a remessa ainda não nos chegou às mãos, o que nos leva a pensar em algum extravio pela transportadora responsável. Como Vossa Senhoria informou-nos que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. Diante disso, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias.


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Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado Carta nº 326/2003 Porto Velho, 10 de setembro de 2003. Ilmo. Sr. José dos Anzóis Parafuso Rua Castro Alves, 546 – Armando Mendes Manaus - AM 69089-063 Prezado Senhor: Vimos à presença de Vossa Senhoria, a fim de expor o seguinte: 1. - Os aros italianos objeto de nosso pedido nº 415 ainda não nos chegou às mãos. 2. - Como Vossa Senhoria informou-nos que dita remessa foi despachada no dia 25 do mês passado, solicitamos-lhe a fineza de consultar a empresa responsável a fim de localizar o produto. 3. - Solicitamos a interveniência de Vossa Senhoria junto à transportadora, a fim de localizar a mercadoria. 4. - Diante do ocorrido, solicitamos a prorrogação do prazo de pagamento da duplicata referente à nota em questão, para mais 30 dias. Atenciosamente, Antônio Alves da Silva Gerente Geral Certidão

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO


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CERTIDÃO Certificamos que, revendo os arquivos deste Ministério, verificamos que JOÃO DA SILVA PARANHOS exerceu, de 1986 até a presente data, a função de Professor do Ensino Superior na Universidade Federal de Minas Gerais. Brasília, 10 de setembro de 2003. JOSÉ ANTÕNIO PÁDUA Secretário de Ensino Superior/MEC

Circular

Quando uma correspondência (memorando, ofício, carta) for dirigida, ao mesmo tempo, para diversos órgãos, empresas ou pessoas chama-se memorando circular, ofício circular ou carta circular. Sendo assim, os modelos dados dos documentos citados servem de exemplo, somente que deve tratar-se de assunto de interesse comum aos destinatários.


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Contrato.

CONTRATO DE CESSÃO DE IMÓVEL

Por este instrumento de contrato de cessão de imóvel, de um lado, como CEDENTE, Gesson Álvares de Magalhães, brasileiro, casado, professor, portador da Carteira de Identidade nº 214.243, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Rondônia, e do CPF nº 118.823.36968, residente e domiciliado nesta Capital de Porto Velho, Estado de Rondônia, legítimo proprietário do imóvel sito na Av. Campos Sales, nº 1641, bairro Areal, e de outro lado, como CESSIONÁRIO, Henrique Obermeier, brasileiro, casado, bancário, portador da Carteira de Identidade nº 325.469, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Rondônia e do CPF nº 328.609.789-68, residente e domiciliado nesta Capital de Porto Velho, Estado de Rondônia, têm entre si, justo e contratado o seguinte: Cláusula I - O CEDENDE cede o imóvel localizado na Av. Campos Sales, 1641, bairro Areal, em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, ao CESSIONÁRIO, para sua residência e de sua família. Cláusula II – O período da cedência inicia-se no dia 25 de abril e termina no dia 31 de dezembro de 2000, quando o imóvel deverá ser devolvido, livre de qualquer embaraço de qualquer tipo. Cláusula III – O imóvel é cedido a título de cortesia, sem qualquer ônus por parte do CESSIONÁRIO, que se compromete a conservá-lo em perfeito estado de conservação. Cláusula IV – Durante o período da cessão, o CEDENTE poderá, a qualquer tempo, colocar pessoas para trabalhar no imóvel a fim de completar a reforma iniciada. Cláusula V – O CESSIONÁRIO compromete-se a devolver o imóvel ao fim do período de que trata a cláusula II sem, para isso, utilizar qualquer tipo de subterfúgio para continuar na posse do imóvel. Cláusula VI – A critério do CEDENTE, este contrato poderá ser renovado, em outros termos, a partir do primeiro dia subseqüente da data final de que trata a cláusula II. E por estarem assim justos e contratados, assinam o presente termo em duas vias de igual teor e forma, comprometendo-se por si e por seus descendentes, a cumpri-lo em todos os seus termos. Porto Velho, 25 de abril de 2000 _______________________


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Gesson Álvares de Magalhães Cedente ______________________ Henrique Obermeier Cessionário

Curriculum Vitae

CURRICULUM VITAE Gesson Álvares de Magalhães

IDENTIFICAÇÃO: Nome:Gesson Álvares de Magalhães Filiação:Propércio Álvares Pereira Francisca Flora de Magalhães Nascimento: (Data)12 de outubro de 1934 Local: Santana dos Brejos – Bahia Cônjuge: Ivete Gomes de Magalhães Profissão: Professor Religião: Adventista do Sétimo Dia Residência: BR 364, km. 9 Telefones: (69) 221-3758, 223-2334 DOCUMENTAÇÃO: Carteira de Identidade (RG): 214.243/SSP-RO C.P.F.: 118.823.369-68 Título Eleitoral: 14.675.923-68; 6ª ZE/RO PASEP 1.701.727.103-1 Carteira de Trabalho: 11.362 Certificado de Reservista: 16.720 – 7ª CR REGISTROS PROFISSIONAIS: Professor de Língua Portuguesa, Literatura Portuguesa e Brasileira 102.551-L/MEC Professor de Contabilidade 6.923-DEMEC FORMAÇÃO ACADÊMICA: Ensino Fundamental: Ginásio Adventista Campineiro Ensino Médio (Contabilidade): Escola Técnica Doze de Outubro –S.Paulo Ensino Superior: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jandaia do Sul – PR – (Letras Anglo-Portuguesas)


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Pós-Graduação:Universidade Federal de Rondônia(Metodologia do Ensino Superior) Pontifícia Universidade Católica de Minsa Gerais – (Especialização em Língua Portuguesa) Outros Cursos: Administração Financeira e Contábil de Cooperativas Aperfeiçoamento e Formação de Professores do Ensino Comercial Psicologia da Aprendizagem Aperfeiçoamento em Comunicação em Língua Nacional Extensão em Teologia Regência de Coral EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL: Cargo Atual: Professor de Língua Portuguesa na FATEC Cargos Ocupados Anteriormente 1955 e 1956 Professor primário – Araguari – MG 1967 a 1968 Professor de Língua Portuguesa em Goioerê – PR 1968 e 1969 Professor de Língua Portuguesa em Mariluz – PR 1980 Professor de Língua Portuguesa em Moreira Salles-PR 1981 Diretor da Escola Carmela Dutra – Porto Velho RO 1982 Professor de Língua Portuguesa no Núcleo da Universidade do Pará e na Fundacentro – Porto Velho – RO 1983 Professor de Língua Portuguesa na Escola Estudo e Trabalho e Assessor Parlamentar na Assmbléia Legislativa de Rondônia. 1984 Professor de Língua Latina e Literatura Portuguesa na Fundação Universidade Federal de Rondônia – 1985 Chefe de Gabinete do Presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia 1986 Diretor Geral da Assembléia Legislativa de Rondônia 1987 Assessor Especial das Comissões da Assembléia Legislativa de Rondônia 1988 Idem 1989 Coordenador da Comissão de Sistematização da Assembléia Constituinte de Rondônia; 1990 Assessor Especial da Assembléia Legislativa junto às Câmaras Constituintes dos municípios de Porto Velho, Cerejeiras, Guajará-Mirim, Pimenta Bueno, Presidente Médici e Nova Brasilândia do Oeste, para elaboração da Lei Orgânica do Município. 1991 Chefe do Grupo de Redação da SEDUC/RO até 1994. 1992 Conselheiro Representante da SEDUC junto ao Conselho Estadual de Educação.


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1993 Vice-Presidente do Conselho Estadual de Educação de Rondônia, até dezembro de 1994. 1994 Chefe de Gabinete da SEDUC/RO. 1995 Presidente do Conselho Estadual de Educação de Rondônia. 2000 Redator do Gabinete do Governador de Rondônia Declaração.

ACADEMIA DE LETRAS DE RONDÔNIA Fundada em 10 de junho de 1986 Av. Farquar, esq. com Pinheiro Machado – Porto Velho - RO

DECLARAÇÃO Declaramos, para os devidos fins, que Gesson Álvares de Magalhães é membro fundador desta Academia, onde exerce a função de Secretário-Geral. Porto Velho, 10 de setembro de 2003. Ac Aparício Carvalho de Moraes Presidente

Edital

ACADEMIA DE LETRAS DE RONDÔNIA Fundada em 10 de junho de 1986 Av. Farquar, esq. com Pinheiro Machado – Porto Velho - RO


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EDITAL DE CONVOCAÇÃO De acordo com o que determina o artigo 6º dos Estatutos Sociais, convoco todos os acadêmicos em dia com suas obrigações estatutárias, para a eleição da diretoria para o biênio 2004-2005, a se realizar no dia 25 de maio de 2004. Os acadêmicos que desejarem registrar chapas para as eleições, deverão fazê-lo até o dia 15 do mês de maio de 2004. A eleição será realizada com a presença de 2/3 dos acadêmicos, em primeira convocação e, após duas horas, com qualquer número de acadêmicos presentes. Porto Velho, 15 de abril de 2004. Ac. Aparício Carvalho de Moraes Presidente

Exposição de Motivos Senhor Secretário: De acordo com a portaria nº 35/98, de 20 de maio de 1998, a prestação do adiantamento por suprimento de fundos deverá ser apresentada até 30 (trinta) dias após o término do prazo de sua aplicação. Ocorre, Senhor Secretário, que estou apresentando a prestação de contas com atraso de 10 (dez) dias, pelos motivos que passo a expor: 1.- A liberação da verba determinada no projeto de aplicação do referido suprimento de fundos foi liberada com atraso de 20 (vinte) dias, de acordo com a Nota Financeira, cuja cópia anexamos. 2.- Os serviços efetuados de acordo com o projeto de aplicação sofreram um atraso considerável, em virtude das chuvas que se abateram sobre a cidade na semana em que estavam sendo feitos. 3.- Ao serem concluídos os trabalhos, o que aconteceu apenas na sexta-feira passada, imediatamente providenciamos a prestação de contas, que somente pôde ser apresentada nesta data. Diante do exposto, Senhor Secretário, solicitamos de Vossa Excelência a aceitação das contas mesmo fora do prazo. Porto Velho, 17 de fevereiro de 2003.


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Memorando.

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José da Silva Vieira Diretor de Serviços Gerais

ESTADO DE RONDÔNIA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Departamento de Ensino MEMORANDO 45/95 Em 30 de abril de 1995. Ao Diretor de Recursos Humanos: Assunto: Devolução de Funcionário

Senhor Diretor: Pelo presente, encaminho a esse Departamento, o servidor JOSÉ DA SILVA, tendo em vista que o trabalho que ele desenvolvia conosco foi desativado temporariamente. Atenciosamente, Margarida de Abreu Diretora

ÓTICA VEJA BEM Aros importados – Lentes modernas Atendimento personalizado


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COMUNICAÇÃO INTERNA Nº 35

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Em 16 de maio de 2002.

De: Chefe do Setor de Contas a Receber Para: Chefe do Setor de Expedição Senhor Chefe: A mercadoria referente ao pedido nº 42627, destinada à empresa Ótica Preciosa Ltda. de Cuiabá, deve ainda permanecer nesse setor, sem ser expedida, até segunda ordem, pois está dependendo ainda de acertos da empresa destinatária com este setor. Atenciosamente,

Expedito Antunes Chefe do SECOR

ESTADO DE RONDÔNIA Gabinete do Governador

Of. 087/GG

Porto Velho, 20 de outubro de 1983.

Excelentíssimo Senhor Presidente: No momento em que, de maneira sábia, é indicado o nome do Dr. JOSÉ DA SILVA para assumir uma cadeira de Ministro do Supremo Tribunal Federal, quero solidarizar-me com Vossa Excelência pela inteligente iniciativa, tanto pelo merecimento do indicado como também


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pela importância do ato no âmbito da Justiça Brasileira, que passa a contar com o trabalho de um dos maiores juristas deste país. Respeitosamente, JORGE TEIXEIRA DE OLIVEIRA Governador A Sua Excelência o Senhor JOÃO BAPTISTA DE FIGUEIREDO Presidente da República Federativa do Brasil Palácio do Planalto Brasília – DF 70150-900 GM ESTADO DE RONDÔNIA Gabinete do Governador Of.nº 088/GG

Porto Velho, 20 de outubro de 1983.

Senhor Ministro: Sabedor de sua indicação para Ministro do Supremo Tribunal Federal, quero parabenizá-lo pela importante e merecida conquista. Auguro a Vossa Excelência pleno sucesso em seu novo empreendimento, com a certeza de que o Brasil também está de parabéns, uma vez que ganhou, em sua Corte Maior, o concurso de um jurista que já demonstrou possuir amplas condições para o cargo. Atenciosamente, JORGE TEIXEIRA DE OLIVEIRA Governador A Sua Excelência o Senhor AFRÂNIO FONSECA Ministro do Supremo Tribunal Federal Praça dos Três Poderes – Anexo II Brasília – DF 70175-900 GM


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MINISTÉRIO DO EXÉRCITO COMANDO DA TERCEIRA REGIÃO 17ª BRIGADA DE INFANTARIA DE SELVA Of.nº 088-17ª B.I.S.

Porto Velho, 20 de outubro de 1983.

Do: Comandante da 17ª B.I.S. Para: Comandante do 5º B.E.C. Comunicação (faz): Senhor Comandante: Comunico-lhe que, no dia 5 do próximo mês de novembro, “Dia da Cultura”, as bandas de música militares desta Capital estarão se apresentando na praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a partir das 10 horas. A banda desse batalhão deverá apresentar três peças musicais cívicas e três populares, de acordo com o programa anexo. O regente deverá apresentar-se ao Major Celso, às 9h30 min. para os ajustes finais. Atenciosamente, Gen. Bda. URBANO DE ALENCAR Comandante

ESTADO DE RONDÔNIA CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO Conselheiro: Gesson Álvares de Magalhães Parecer Técnico

Projeto de Lei nº 304/93-Deputado Wilson Stecca HISTÓRICO:

Capeado pelo ofício nº 016/CCJR/93, de 5 de outubro de 1993, a nobre deputada Marlene Gorayeb, Presidenta da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, enviou-nos o Projeto de Lei nº 304/93, de autoria do nobre deputado Wilson Stecca, solicitando subsídios para o parecer da nobre deputada Elisabeth Badocha, relatora naquela Comissão. O citado Projeto de Lei “autoriza a criação e


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implantação do Curso Profissionalizante de Agente de Defesa Sanitária Vegetal e dá outras providências...” ANÁLISE:

Antes de entrarmos no mérito do projeto que se pretende subsidiar, permita-nos “data maxima venia”, tecer alguns comentários, por necessários, a respeito da promulgação da lei nº 472/93, de 12 de abril de 1993, vetada pelo Senhor Governador, veto que foi derrubado por essa augusta casa, culminando com a promulgação da lei. Apesar dos comentários judiciosos exarados na mensagem que acompanhou o veto, mostrando aos Senhores Parlamentares que a competência para a instituição de disciplina nos currículos escolares é do Conselho Federal de Educação, dos Conselhos Estaduais de Educação e das escolas, portanto de órgãos do Poder Executivo, essa Assembléia decidiu incluir, por lei de iniciativa do Poder Legislativo, a disciplina “Ciência Política” nas escolas públicas e particulares de 1º e 2º graus, de maneira obrigatória, ferindo assim o princípio da autonomia das escolas, além de abrir um precedente perigoso, como passamos a demonstrar. Houve-se sabiamente o legislador federal, ao instituir a competência aos Conselhos Federal e Estaduais de Educação, de aprovar disciplinas a serem introduzidas na grade curricular e PELAS ESCOLAS, aquelas não contempladas pelos Conselhos (e não pelo Poder Legislativo).

Se examinarmos qualquer grade curricular de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e de 1ª a 3ª séries do ensino médio, vamos notar que os alunos do ensino fundamental são obrigados a assistir de 25 a 27 aulas semanais, para darem conta das disciplinas obrigatórias do núcleo comum, instituídas nacionalmente pelo Conselho Federal de Educação e daquelas eleitas pelo Conselho Estadual de Educação, o que os obriga a assistirem a 5 aulas diárias, que é o máximo recomendável para que o aluno possa assimilar o aprendizado. Imaginemos, por hipótese que, seguindo o exemplo e apoiados no precedente aberto pela promulgação da lei nº 472/93, cada um dos senhores deputados resolvesse introduzir, de maneira obrigatória, uma disciplina nos currículos do ensino fundamental e no ensino médio e continuassem nessa prática. Iria chegar a época em que os alunos teriam que ficar 24 horas em sala de aula, uma vez que, como não cabe ao Legislativo controlar o número de aulas obrigatórias na escola, não conhece ele esses limites.

Daí porque, como dissemos anteriormente, o legislador federal foi sábio ao atribuir essa competência à própria escola e aos Conselhos Federal e Estaduais de Educação, porque a escola conhece as disciplinas necessárias a suas peculiaridades e os Conselhos Estaduais examinam as grades, à luz da legislação de ensino, tendo, portanto, condições de controlar os limites impostos pela lei. Gostaríamos de sugerir aos nobres parlamentares a leitura atenta das lei federais 4.024/61, 5692/71 e 7044/82, que atribuiu exclusivamente


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aos Conselhos Federal e Estaduais de Educação, a competência de autorizar a inclusão de disciplinas nos currículos escolares e aos estabelecimentos de ensino, sua inclusão na grade curricular, respeitando assim a autonomia da escola, o que não foi feito pela lei nº 472/93. PARECER

Depois dessas considerações preliminares, vamos ao parecer técnico solicitado pela nobre Presidenta da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembléia Legislativa, sobre o projeto de lei de autoria do nobre deputado Wilson Stecca: Projeto de Lei nº 304/93:

O projeto de lei peca por ilegalidade, contradições terminológicos. Faremos o comentário artigo por artigo:

e

erros

Art. 1º - O projeto é autorizativo e, como tal, não implica obrigatoriedade. Entretanto, o parágrafo único desse artigo e o artigo 4º determinam, de maneira obrigatória, que o curso seja implantado.

Além de incorrer no erro de determinar o que será feito, num projeto autorizativo, o parágrafo único fere frontalmente a alínea “f”, do art. 5º da lei 5692/71, alterada pela lei 7044/82, que diz in verbis: “f) para atender às peculiaridades regionais, os estabelecimentos de ensino poderão oferecer outras habilitações profissionais...”

Como se vê, o parágrafo único cerceia a autonomia do estabelecimento de ensino e não leva em conta as peculiaridades regionais, ao obrigar a inclusão do curso em todos os municípios do Estado. Art. 2º - Este artigo inclui nove disciplinas, pretendendo estruturar um curso profissionalizante, competência exclusiva do Conselho Federal de Educação, como determina o art. 5º parágrafo único, alínea “e” da lei 5692/71, alterada pela lei 7044/82. Art. 3º - Determina que os Engenheiros Agrônomos ministrem as disciplinas do curso, o que fere o art. 4º da Lei 5692/71, que reza:

“Art.4º - Será condição para o exercício do magistério ou especialidade pedagógica o registro profissional em órgão do Ministério da Educação e Cultura (hoje dos Desportos), dos titulares sujeitos a formação de grau superior.” Assim, os Engenheiros Agrônomos não estão habilitados a ministrar aulas. Seria a mesma coisa de se querer autorizar o professor a clinicar ou o médico a advogar.

O desrespeito ao professor chega às raias do absurdo, quando se pretende que qualquer profissional possa invadir sua profissão, enquanto as outras profissões não admitem qualquer interferência em sua área de autuação. Já é tempo de se respeitar o professor como profissional e cabe aos professores que detém mandatos eletivos, que são parlamentares,


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entrarem em defesa da classe, não permitindo essa invasão absurda pretendida pelo art. 3º do projeto em discussão.

Além disso, o art. 3º atribui ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia -CREA, a incumbência de participar do curso e fiscalizá-lo. Mais uma interferência em seara alheia. A competência de avaliar o ensino em qualquer curso ou estabelecimento de ensino é do Conselho Estadual de Educação, como determina o art. 196 da Constituição Estadual.

Art. 4º - O autor revela, nesse artigo, total desconhecimento da matéria em teve a infelicidade de adentrar. Não se pode introduzir um curso em uma grade curricular, porque grade curricular é o elenco das disciplinas que compõem o curso com suas respectivas cargas horárias. Pode-se elaborar uma grade curricular para um curso, nunca o contrário. Assim, esse artigo, se aprovado, servirá de chacota nos meios educacionais e não poderá ser cumprido em virtude de sua impossibilidade e impropriedade técnica. Art. 5º A delegar à Secretaria de Estado da Educação a incumbência de adotar as medidas necessárias ao fiel cumprimento da lei, o autor cometeu outra impropriedade, porque qualquer curso deverá ser autorizado pelo Conselho Estadual de Educação.

Finalmente, o projeto é inconstitucional porque a estruturação de um curso implica aumento de despesa, sem indicar-lhe a fonte de receita correspondente. O Art. 196 da Constituição Estadual reza:

“Art. 196 – Compete ao Conselho Estadual de Educação, sem prejuízo de outras atribuições que lhe sejam conferidas em lei, observadas as diretrizes e bases estabelecidas pela União: I – baixar normas disciplinadoras dos sistemas estadual e municipal de ensino; II – interpretar a legislação de ensino;

III- autorizar o funcionamento dos estabelecimentos de ensino e avaliar-lhes a qualidade;

IV – desconcentrar suas atribuições por meio de comissões de âmbito municipal; V – aprovar os planos estaduais de educação.”

Como o projeto de lei em tela está disciplinando um curso a ser introduzido no sistema estadual de ensino, o nobre deputado autor está interferindo na competência constitucional atribuída ao Conselho Estadual de Educação. Salvo melhor juízo, É o parecer.


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ESTADO DE RONDÔNIA CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO Gabinete do Presidente Portaria nº 010/CEE O Presidente do Conselho Estadual de Educação de Rondônia, no uso de suas atribuições legais e, tendo em vista o disposto no art. 3º do Regimento Interno do CEE/RO, RESOLVE: 1.- Designar, de conformidade com o disposto no § 1º do art. 11 do Regimento Interno do CRR/RO, o Suplente de Conselheiro de Educação Gesson Álvares de Magalhães para substituir o Conselheiro Francisco Ansiliero, licenciado por este Conselho. 2.- O Suplente de Conselheiro convocado integrará a Câmara de Planejamento, Legislação e Normas.


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Dê-se Ciência. Cumpra-se. Porto Velho, 2 de abril de 1987. Hilton Gomes Pereira Presidente

Procuração

Por este instrumento particular de procuração bastante, GESSON ÁLVARES DE MAGALHÃES, brasileiro, casado, professor, portador da Carteira de Identidade nº RG 214.243, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Rondônia e do CPF Nº 118.823.369.68, residente e domiciliado nesta Capital, outorga a ALVACIM DIAS FERREIRA, brasileiro, casado, economista, portador da Carteira de Identidade nº RG 1.234.458-32, expedida pelo Instituto de Identificação do Estado de São Paulo, e do CPF. 328.609.789-68, residente e domiciliado na Rua Artur Alvim, 325, no bairro Morumbi, na Capital do Estado de São Paulo, com o fim especial de, em nome do outorgante, acompanhar, junto à Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo, o processo de contagem de tempo de serviço junto àquela Secretaria, para fins de aposentadoria, podendo para tal fim, assinar documentos, contestar, constituir advogado, transigir, receber numerários, passar recibos, enfim, praticar todos os atos necessários ao bom e fiel desempenho do presente mandado. Porto Velho, 30 de julho de 1999.

Gesson Álvares de Magalhães Outorgante

Relatório Deixamos de apresentar modelo de relatório, uma vez que, cada repartição pública ou empresa utiliza modelo próprio, dependendo da finalidade do referido documento. Assim, a elaborar um relatório, o interessado deve utilizar-se do modelo apresentado, fazendo as devidas adaptações, se for o caso.


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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DIRETOR DO HOSPITAL DE BASE ARI PINHEIRO

MARIA DA SILVA PARANHOS, brasileira, casada, técnica de enfermagem, residente e domiciliada na Rua José de Alencar, 345, Centro, nesta Capital, portadora da Carteira de Identidade nº 216.468, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Rondônia, inscrita no Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda sob nº 145.367.45271, tendo concluído o curso de técnica de enfermagem e necessitando continuar na prática da habilitação, vem, mui respeitosamente, requerer de Vossa Excelência permitir o trabalho voluntário aos sábados e domingos, em horário a ser estipulado pela Chefia de enfermagem desse nosocômio. Nestes Termos Pede Deferimento Porto Velho, 20 de julho de 1999. Maria da Silva Paranhos BIBLIOGRAFIA ALENCAR, José de, As Minas de Prata, Tomo I, São Paulo,Edigraf.


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Gesson Magalhães

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ALMEIDA, Napoleão Mendes de, Gramática Metódica da Língua Portuguesa, São Paulo, Saraiva, 1995. ANDRADE, Maria Margarida de, E. HENRIQUE, Antônio, Língua Portuguesa; noções básicas para cursos superiores, São Paulo. Atlas, 1997. CINTRA, Anna Maria Marques e outros – Português Instrumental. São Paulo, Atlas, 1995. FARACO, Carlos Emília e MOURA, Francisco Marto, Português– Faraco & Moura, Ática, São Paulo FIORIN, José Luiz, SAVIOLI, Francisco Platão, Para Entender o Texto, São Paulo, Ática, 2000. GARCIA Othon M., Comunicação em Prosa Moderna,Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1983. HOLANDA FERREIRA, Aurélio Buarque de, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986, MARTINS, Dileta Silveira e ZILBERKNOP, Lúbia Sciliar, Português Instrumental, Porto Alegre, Sagra, 22ª edição, 2001. MARTOS, Cloder Rivas, MESQUITA, Roberto Melo, Técnicas & Criatividade de Redação, São Paulo, Saraiva, 1988. MATTOSO CÂMARA Jr J., Manual de Expressão Oral e Escrita,Petrópolis, 1981. MEDEIROS, João Bosco, Redação Empresarial,São Paulo, Atlas, 1998. MESQUITA, Roberto Melo, Gramática da Língua Portuguesa, São Paulo, Saraiva, 1999. TERRA, Ernane, Curso Prático de Gramática,São Paulo, Scipione, 1997. TERRA, Ernane, NICOLA, José de, CAVALLETE, Floriana Toscano, Português para o Ensino Médio, São Paulo, Scipione, 2002.

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APRESENTAÇÃO 1 2 3 CONTEÚDOPROGRAMÁTICO ExaminandoaLíngua - GessonMagalhães 4 ExaminandoaLíngua - GessonMagalhães 1.-NoçõesdeComunicação 1.1...

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