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Diรกrio de um grรกvido

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Agradecimentos fecundos E, já que estamos agradecendo – quem mandou? –, não podemos nos esquecer de agradecer ao big bang, pela origem do universo; à zona planetária conhecida como “Cachinhos Dourados”, por permitir a vida no planeta; a Gutenberg, pela prensa; à Bibiana, pela introdução à Mescla; ao Raul, pelo contrato; à Soraia, pela edição e pelo apoio; aos meus gatos, Mao Tse-tung e Lacan, apenas por sê-los: assim é com gatos; ao André, pela introdução fatídica à Ana; aos imbecis peripatéticos Eurico e Tequila, por não terem lido o manuscrito a tempo; à Maria, por começar meu treinamento no papel de pai, se bem que os gatos poderiam disputar essa; ao Luis Fernando Verissimo, cujo texto “Confuso”, presente no volume 7 da série “Para gostar de ler”, me deu uma vontade inescapável de virar escritor; ao Fernando Pessoa, por não ter escrito mais do que escreveu, uma vez que o que ele escreveu já é tão bom que nem sei como tive coragem de rascunhar alguma coisa depois de lê-lo; ao Asimov, pelas costeletas; ao inventor da injeção anticoncepcional, pela incompetência; ao Maumota, pelos sábios conselhos pós-notícia; à doutora Ana Paula Aldrighi, por encaminhar o bebê habilmente para o mundo, bebê que tem sido bem cuidado pelo doutor Claudio Reingenheim; à professora anônima de primário que permitiu que eu entregasse meus deveres datilografados em uma antiga máquina de escrever azul, de cujo cheiro me lembro até hoje, em vez de me obrigar a escrever à mão, o que detesto; à dualidade onda-partícula; aos meus avós José e Lea, que me aturaram na casa deles em plena adolescência; ao tio Harry, por ser um sujeito tão afetivo e gente boa; ao tio Zezo, pela primeira mulher; ao tio Luís, pelo primeiro emprego; à tia Dolores, pela dialética; ao princípio da incerteza; à tia Rô e sua finada cã, Abigail; à Patricia, pelos quadros; aos atratores estranhos; ao Washington, pelo prefácio; ao Souzacampus, pela capa e pelas ilustrações; ao Mandelbrot, pelo conjunto; ao método científico, pela luz; a Alan Turing e Marvin Minsky, pelo computador; a herr doktor professor S. Freud, pelas explicações implicantes. E por fim, mas não menos importante, ao acaso, ao caos e à complexidade.

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A revelação osso passar na sua casa mais tarde? – Claro. [ mais tarde ] – Oi, tudo bem?  – Tudo. Como foi seu dia? – Eu estou grávida. – Você está o quê? (Já tinha ouvido da primeira vez, mas é preciso ganhar tempo.) – Eu estou grávida. – Ah, fala sério (começo a procurar algo nas paredes e prateleiras). – O que você está procurando? – A câmera escondida, claro que isso é pegadinha! Agora, cadê a câmera? – Rê, é sério. – Claro, claro (continuo procurando). – Rê... – Ok, ok. Como você sabe? – Fiz um exame de farmácia, deu positivo. – Ah, exame de farmácia. Dá muito falso positivo. É uma técnica da farmácia pra vender mais fralda e essas coisas. – Rê, esses exames às vezes dão falso negativo, mas falso positivo é quase impossível. – Ahnnnn. Ok. Tá (olho em volta). Agora fala: CADÊ A CÂMERA????

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– Rê, não grita... – Bom... Você deve estar mesmo grávida, olha o tamanho desses peitos, nem cabem aí no sutiã! – Tão grandes, né? – Você não me diria isso assim, teria um preparo todo... Ou não? – Olha, eu até pensei em começar com aquele lance de boa notícia/má notícia e descobrir qual é qual, mas na hora não saiu... – “Na hora não saiu”... Talvez POR ISSO você esteja grávida! Me dou conta de que não tem nenhuma câmera escondida e começo a hiperventilar. – Ok – diz ela, com os olhos arregalados. – Melhor a gente conversar outra hora.

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Mas eu não estou pronto. Nem fiz terapia ainda! aquele momento até a hora de ter aquela inescapável conversa, meu coração disparou e eu me sentia à beira de um ataque cardíaco, o que sob certos aspectos seria bem-vindo, nem que fosse só pra aliviar a sensação de ansiedade. Passado o ápice da turbulência, mas ainda tomado de taquicardia, retomamos a conversa: – Gatinha, não sei se estou pronto pra isso. – Imagina, você vai ser um ótimo pai. – Mas parece muito cedo, eu tinha imaginado que seria pai em outro momento da minha vida, mais velho, mais maduro, não sei, mais pronto. – Sei. E você imaginou isso para que idade, então, se é que eu posso saber? – Ah, mais velho, mais perto dos 40, pelo menos com uns 36, 37. – Mas Rê, você já fez 33... Diz sinceramente se você acha que em três anos você vai melhorar tanto assim. Touché, pensei. Toda vez que uso essa expressão me lembro que tive uma tartaruga com esse nome quando era criança e isso sempre me distrai. Quando vi ainda não tinha respondido, estava apenas resmungando. O argumento da idade estava vencido. Vista assim tão de perto, sem que eu tivesse tempo de me preparar ou me acostumar, a ideia estava me deixando praticamente apavorado. Na próxima conversa esclarecemos mais um ponto: que não pode ser tão difícil criar um filho. A Ana já tinha uma filha

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promocional • crm • relações públicas •

PLANEJAMEN TO de • buzzmarke ting

• marketing

merchandising • força de vendas • product pla cement

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O

• propaganda

• marketing viral •

manual de sobrevivên cia para as organizaçõ do século xes xi

INTEGRADA

COMUNICAÇÃ

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A comunicação e o marketing

Quando o objetivo é a busca da “Não há planejamento de correta solução de um problema por comunicação desvinculado do meio de um planejamento estratégimarketing – o planejamento co de comunicação, é imprescindível de comunicação é o elo entre a comunicação e o marketing.” entender o vínculo entre a comuniJulio Ribeiro cação e os elementos do chamado marketing mix. Uma vez que o planejamento de comunicação precisa entender e diagnosticar um problema que ocorre, obrigatoriamente, em certo ambiente de marketing, sua avaliação deve estar baseada nos elementos formadores deste. Em um planejamento de comunicação pode-se, por exemplo, sugerir uma forma diferente de apresentação do produto, um uso inovador ou o direcionamento da mensagem a um novo segmento de mercado ainda não explorado. Por essa razão, é preciso compreender o que é marketing e como a comunicação está inserida em seu contexto. Segundo a American Marketing Association (AMA): “Marketing é o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preço, promoção e distribuição de ideias, bens e serviços, para criar trocas que satisfaçam objetivos individuais e organizacionais” (apud Yanaze, 2006, p. 8). De forma mais dinâmica, marketing é um processo que orienta uma empresa a atender às necessidades e aos desejos de determinado segmento de mercado, para desenvolver um produto ou serviço capaz de satisfazer essas necessidades e ex19

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pectativas, por meio da determinação do marketing mix ideal: características do produto, preço (com base nos custos internos, expectativas e potencialidade do público-alvo), escolha dos pontos e formas de distribuição e como será a promoção do produto, a comunicação. Segundo o professor Mitsuru Higuchi Yanaze (2006), da ECA – USP, para se realizar essa tarefa é preciso: • Identificar corretamente os segmentos de mercados a serem • •

• •

servidos, suas necessidades, potenciais e preferências. Desenvolver produtos ou serviços capazes de satisfazer essas necessidades e expectativas. Comunicar-se adequadamente com os mercados para informar sobre os produtos ou serviços da empresa/organização, seus diferenciais e características, sempre em harmonia com os gostos e as preferências do público-alvo escolhido. Efetivar vendas e garantir a distribuição dos bens ou serviços desenvolvidos. Realizar as atividades que garantem a sustentação da relação produtiva entre a empresa e seus clientes.

Dessas necessidades, decorrem algumas funções específicas do marketing: • Pesquisa de mercado – para colher informações, identifi-

car e conhecer os potenciais segmentos de mercado e suas necessidades. • Desenvolvimento e administração de produtos – criação de produtos e serviços capazes de atender às necessidades e expectativas do segmento de mercado escolhido, envolvendo todos os processos, desde a busca de matéria-prima e recursos até a determinação de características, diferenciais, 20

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E xerc í cios

↘ 1  Uma associação contratou você para realizar um planejamento de marketing e comunicação para um novo serviço bastante acessível de orientação e tratamento antitabagismo que, apesar de sua reconhecida qualidade, não conta com um número satisfatório de atendimento. Elabore dez perguntas a serem respondidas pela associação objetivando o levantamento de informações para o melhor entendimento da situação. b Defina os 4 Pês desse trabalho. c Aponte o público-alvo, as necessidades e as preferências dele em relação ao serviço oferecido. d Desenvolva para a associação uma orientação quanto às características que o serviço deve ter para atender às expectativas do público-alvo determinado. e Proponha uma breve orientação dos objetivos de marketing e características da comunicação desse serviço. a

2  Explique o elo entre a comunicação e o marketing. _ _______________________________________________________________________________________________________________ _ _______________________________________________________________________________________________________________ _ _______________________________________________________________________________________________________________ _ _______________________________________________________________________________________________________________ _ _______________________________________________________________________________________________________________ _ _______________________________________________________________________________________________________________

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O modelo de comunicação

como orientação para a busca de informações e raciocínio estratégico do planejamento de comunicação integrada Após a introdução sobre os conhecimentos imprescindíveis para a realização de um correto planejamento, é preciso posicionar todos os elementos da comunicação em um ambiente de marketing de forma sistemática e com o objetivo específico de orientar a análise de um problema por meio da busca das informações essenciais para sua correta análise e proposta de solução.

Modelo de comunicação macroambiente Ambien

1 Quem fala? Quem assina?

3 Diz o quê?

1 Comunicador

3 Mensagem

te de marketing

4 Como? Ferramentas que fazem chegar a mensagem ao 5 Por qual público-alvo MÍDIA/veículo?

4 Ferramentas de Comunicação

5 Meio

2 Para quem?

2 Receptor

e efeito? Retorno. Com qu

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Planejar uma campanha é analisar as informações dos elementos integrantes desse modelo, entender o problema que está sendo analisado e propor uma estratégia que envolverá definir o caminho da comunicação: • Mensagem (3) – o que deverá ser dito, ou seja, a informação

que deve ser transmitida pela comunicação (a percepção a ser gerada sobre uma empresa, produto, marca etc.). Essa definição é uma das soluções do problema e está diretamente ligada ao posicionamento de mercado ideal para o cumprimento dos objetivos da comunicação. • Ferramentas (4) – quais os canais/ferramentas de comunicação mais eficientes para que o receptor da mensagem reaja conforme o retorno objetivado. • Meio (5) – meios de comunicação pelos quais a mensagem (3), por meio das ferramentas de comunicação (4) escolhidas, atingirá os receptores (2) da mensagem, público-alvo determinado. Depois, é preciso conhecer e avaliar informações sobre os receptores e suas necessidades, estilo de vida e percepções, potencial e disponibilidade para a ação desejada, interesse dos intermediários e funcionários da empresa. macroambiente Ambien

te de marketing

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E ntendendo o p ú blico receptor da mensagem

Para servir como base no processo de levantamento de informações a respeito do mercado e seus consumidores, conhecimentos específicos sobre a psicologia do consumidor podem elevar a qualidade das avaliações e, consequentemente, das conclusões. M odelo de comportamento decis ó rio para o consumo

O comportamento geral de decisão de consumo inicia-se com a percepção da necessidade: estou com fome, a geladeira está vazia. A partir daí, o indivíduo começa a buscar satisfazer essa necessidade por meio de uma avaliação da sua percepção, partindo para a seleção de opções de busca e procura de alternativas para, em seguida, avaliá-las, fazer sua escolha, adquirir e usar o produto. Após satisfazer sua necessidade, o consumidor pode ter dúvidas se a aquisição foi correta ou não e desencadear um processo de busca pela compreensão e justificativa da compra realizada ou constatação da insatisfação. reconhecimento do problema Resultado do processo de comparação, percepção da necessidade e início da busca de satisfação

Início do processo decisório

Avaliação das necessidades

Opções de busca

Procura de alternativas

Avaliação das alternativas

Compra

Resultado da compra

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Ex.: restaurante: faz promoções, oferece, vez por outra, refrigerante grátis. N ecessidades e desejos

Conhecer o processo básico de escolha e saber como os consumidores avaliam um produto em relação ao que esperam dele são informações que podem ser complementadas, ainda, pelo conhecimento das necessidades essenciais que levam o consumidor à compra de produtos, serviços e tomada de decisões para satisfazê-las mediante a compra e o uso do produto/serviço/empresa de uma determinada campanha. Abaixo, a pirâmide de Maslow, estudada nas mais variadas profissões que tratam das ciências humanas, oferece uma visão bastante ampla dessas necessidades, comuns a todos os seres humanos. pirâmide de Maslow

Eu - autorrealização Status Afeto Segurança Fisiologia

De baixo para cima, essa pirâmide retrata o desenvolvimento das necessidades humanas. Em sua base, está a necessidade essencial ligada à própria sobrevivência do indivíduo: 46

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Escrita Criativa

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Os caminhos da escrita Escrita Criativa (132pags).indd 25

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Hora de acabar com o pesadelo

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urante os workshops,

constato que, com raras exceções, os participantes partilham a mesma dificuldade: iniciar um texto. Escrever, para algumas pessoas, continua associado ao trauma das correções em vermelho, às insossas redações de “domingo no parque” ou “minhas férias” do período escolar. Sem falar nas aulas enfadonhas de português, nas listas intermináveis de pretéritos marcantes e nas vírgulas impertinentes. As queixas costumam ser idênticas, variando entre: o sofrimento para encontrar a palavra certa, a falta ou o excesso de idéias, a organização truncada de argumentos, as dúvidas de ortografia e concordância, entre outras. A ênfase da escrita permanece nos aspectos formais de linguagem, quase nunca na criatividade. Muitos professores de português, embora conheçam as regras gramaticais e os macetes de construção retórica, também vivenciam certo constran27

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Renata Di Nizo

gimento na hora de escrever. Profissionais de distinta expertise se angustiam: sobra-lhes teoria, mas, ainda assim, padecem na hora de demonstrar um raciocínio autônomo, personalizado. A duras penas, confrontam-se com a atividade da escrita, inertes diante da linguagem. O desafio de escrever, às vezes, é similar à dificuldade de chegar a um país de língua estrangeira sem dominar o idioma. Por mais que estudemos gramática ou aprendamos de cor listas de verbos, não ganharemos em fluência. No início, não teremos a mínima idéia de como juntar as palavras. Pouco a pouco, as frases começarão a se encaixar como um imenso quebra-cabeça. O mesmo acontece quando vamos escrever. O domínio em uma área específica ou o conhecimento formal do idioma não influencia a soltura para redigir. Superar o famoso “branco do papel” ou a “tela em branco” exige estratégias apropriadas. Esta é uma das funções das técnicas de criatividade: fazer soltar o verbo. Escrever exige, além da desenvoltura, o aperfeiçoamento incessante que constrói o saber. Tal como se verá mais adiante, a escrita também se constrói, exceto em poucos casos, em conseqüência do tipo de leitor que somos. Acima de tudo, trata-se de uma comunicação da pessoa com ela mesma; da relação com sua história e com seu mundo pessoal. 28

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Renata Di Nizo

com aqueles a quem se teme, aqueles a quem não se compreende ou aqueles que parecem estranhos. Os autores enfatizam, ainda, que a condição para se identificar com os outros é identificar-se consigo mesmo, o que é possível devido ao desenvolvimento da capacidade criadora. “O processo de criação implica a incorporação do eu à atividade; o próprio ato de criar proporciona a compreensão do processo que os demais atravessam ao enfrentar suas experiências” (1970, p. 17). Lowenfeld e Brittain contrapõem a modernidade à vida de nossos antepassados, que eram construtores ativos de sua cultura. Com certeza, mantinham um contato mais estreito com o meio: construíam suas casas, cultivavam o alimento e o jardim; fabricavam doces caseiros; deliciavam-se com o cheiro do café recém-moído e da fornada de pão. As crianças brincavam debaixo das árvores, comiam bolinho de chuva e se entretinham com a observação da natureza. Eu, por exemplo, lembro-me do quintal de minha avó, com suas árvores frondosas. Assim era a floresta – eu imaginava. E da plantação despretensiosa do milharal. Ao longo do ano, íamos averiguar o despontar das espigas até que seus cabelos vermelhos se transformavam na minha boneca mais exuberante. Depois reuníamos toda a família, e eu ficava encantada com o milho que virava bolo, pamonha e curau...

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Escrita criativa - O prazer da linguagem

Diluiu-se aquela capacidade de estar inteiramente compenetrado no que se executa, quando tudo pode se transformar, a cada momento, na tarefa mais importante e prazerosa. Anseia-se pelos finais de semana ou pelas férias para, aí sim, sentir plena satisfação. Contudo, é preferível avivar a inteireza nos atos mínimos que executamos no cotidiano; capacitar-se para pensar, expressar sentimentos e se engajar na edificação da cultura. No dizer de Lowenfeld e Brittain: saber exatamente qual a nossa contribuição à sociedade. A aprendizagem não somente significa acumular conhecimentos. Ao contrário, implica, além disso, poder usar nossos sentidos livremente e, com atitude criadora, desenvolver atitudes positivas com relação a nós mesmos e aos que nos rodeiam [...]. (Lowenfeld e Brittain, 1970, p. 16) É possível revigorar os sentidos permitindo o processo contínuo das experiências sensoriais mais refinadas. Ir além das imagens pré-fabricadas e do olhar trivial lançado sobre as pessoas e os acontecimentos. Decodificar detalhes, diferenças, nuanças. “Precisamos fazer exercícios para VER TUDO AQUILO QUE OLHAMOS”, afirma o escritor Augusto Boal (1995, p. 45). Enquanto o olho traduz em ondas uma informação visual, o cérebro restitui essa imagem projetada 53

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Criando adolescentes em tempos difĂ­ceis

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Agradecimentos ˇ Quero, de forma muito especial, agradecer aos meus pacientes pela confiança em meu trabalho, pelos estímulos para que eu escrevesse os meus livros e pela oportunidade de “crescermos” juntos. Agradeço também aos meus filhos — Gabi, Dedé, Tatá e Kiko — e a meus genros e noras, pelo tanto de amor que me dão e pela alegria e cumplicidade constantes. Agradeço aos meus irmãos e cunhadas, que me deram tantos sobrinhos amados, hoje companheiros neste meu lindo entardecer da vida. Aos meus amigos de viagem, “farra” e trabalho, pelas grandes noitadas boêmias e intelectuais. Ao meu “xodó”, amado Ruy — que bom termos nos encontrado naquele “bailinho” em 1968. Dois adolescentes sonhadores e cheios de boas intenções. Você segurou minha mão e até hoje estamos “dançando” juntos. Não sabia que ia ser tão bom! E o que dizer dos meus netinhos? Não, não vou dizer nada... Basta pousar o meu olhar sobre eles e me sentir em pleno gozo de felicidade.

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Introdução ˇ Os olhos que me olham são feitos de água: moldam-se, lavam-se. O sangue dos corações que por mim batem estancou. Pessoas de uma sociedade inteira de repente destinadas a ser olhadas...

Olhem só, os olhos que me olham são estrábicos! Sei que não posso confiar neles, mas mesmo assim o faço, Pois os meus olhos, que são paralelos, só se olham no reflexo de outro olho. F e r n a n d o R i n a l d i , “ C o m o e u o l h o o s o l h o s q u e me o l h a m ”

A adolescência é o período do desenvolvimento psíquico. Uma fase em que o jovem parece viver uma guerra interna e externa — consigo mesmo e com o mundo. O adolescente é também um indivíduo estigmatizado. Observo muitos adolescentes tranquilos sendo forçados a exercer “papéis” que a sociedade lhes impõe: “rebeldes”, “aborrescentes”, “drogados”, “desordeiros”, “delinquentes” etc.

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1 Limites

ˇ Eu cresci para além de mim E esbarrei nas minhas bordas. “ D i g a q u e s i m , d i g a q u e n ão ”

Os jovens pedem limites — e precisam deles. Fala-se muito em impor limites, mas não se explica como fazer isso. Encontro pais tão desorientados com a questão que acabam espancando o filho, embora essa não seja a intenção. Os limites devem ser dados de forma lúdica, afetiva e firme ao mesmo tempo. A firmeza não exclui a delicadeza. Colocar limites é uma maneira de preservar o vínculo afetivo, tão necessário ao estabelecimento de uma relação de confiança entre pais e filhos. Você vai me questionar: — Quer dizer que não posso brigar com meu filho? Dar-lhe uma ordem? Não posso lhe dizer “NÃO”? Respondo: — Pode e deve. Mas a maioria dos pais apenas sabe fazer isso, e depois me diz que não consegue dialogar com os filhos. Pudera! É sermão em cima de sermão!

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C r i a n d o a d o l es ce ntes e m te m p os d i f í ce i s

A liberdade é o sol que aquece, alimenta e faz crescer, mas que, em demasia, pode matar. A liberdade é o sol que ilumina, clareando as descobertas, mas que também produz sombras que podem camuflar nossa essência.

Respondendo a perguntas Muitos pais me perguntam quando e como estabelecer limites. São questões difíceis de responder, porque dependem não só da educação que cada família optou em dar a seus filhos, mas também do grau de maturidade do adolescente e do tipo de vínculo existente entre pais e filhos. Quanto melhor o vínculo, mais fácil indicar limites. Sugiro aqui algumas dicas que devem ser ponderadas por você. Lembre-se sempre de usar o bom-senso como critério de avaliação.  1 • Minha filha de 11 anos pode namorar? Na verdade, seria muito bom se a sua filha estivesse saindo com amigas e amigos, recebendo-os em casa, praticando esportes e atividades ao ar livre. Porém, proibi-la de namorar só vai fazer que ela namore escondido e minta para você. Procure não criticar o garoto de quem ela gosta, tente convidá-lo para frequentar sua casa, junto com o resto da turma, para mantê-los por perto. Nessa idade, as “paixões” terminam com a mesma rapidez com que começam, desde que os adultos não interfiram. Todo romance proibido vira história de “novela”, “sofrimento”, “paixão”, podendo impelir o casal a uma fuga ou gravidez. É melhor deixar “rolar” e manter o “olho aberto”, o casal por perto, sob controle.

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C r i a n d o a d o l es ce ntes e m te m p os d i f í ce i s

é uma forma de “coquetel” desses tranquilizantes com álcool, que cria embriaguez por longas horas.  E f e i t o s : dependência, crises de ausência com perda de memória, risco de coma e parada respiratória, tonturas e desorientação, náuseas, dificuldades com movimentos e com a fala.   Cafeína Droga mais popular do mundo, é encontrada em várias medicações, bebidas, alimentos e plantas.  E f e i t o s : a temperatura corporal e a pressão sanguínea se elevam. O apetite e o sono diminuem. Para algumas pessoas, a ingestão de mais de 250 ml de cafeína causa náusea, diarreia, insônia, tremores, palpitações, dor de cabeça e nervosismo. A cafeína também é relacionada com certos tipos de câncer e úlcera péptica. Infelizmente, a cafeína está presente em refrigerantes e chocolates. Assim, muitas crianças chegam a consumir o equivalente a mais de uma pequena xícara de café por dia de cafeína, o máximo permitido, dependendo da idade. Estudos mostram que o excesso de sua ingestão pode deteriorar o sistema nervoso central.  Cocaína Também chamada de “coca”, “pó”, “branquinha”, “brizola”, “cristina”, “fubá”, “papel”, “poeira”, “cheirosa”, “contrato”, “arroz”, “talco”, “ratatá”, “caratê”, “boliviano”, “pedra”, “tijolo” e “farinha”, é cheirada, dissolvida em água e injetada na veia, ou misturada na bebida. Está na classe das drogas estimulantes. Veja bem: se o álcool é depressor e a cocaína é estimulante do sistema nervoso central, a mistura dos dois provoca uma bela confusão. Quando o sujeito compartilha a seringa com que injeta a droga, o risco de contrair doenças infectocontagiosas é muito alto. A cocaína gera forte dependência. 

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As sete competĂŞncias bĂĄsicas para educar em valores

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Sumário Introdução 9

1 » A revolução educacional e a educação em valores 11 Introdução 12 As causas da revolução educacional 12 O triplo desafio pedagógico 14 Da transmissão à educação 15 O que pretende a educação em valores? 17 O que aprender para aprender a viver? 18 É possível ensinar a viver? 20 Competências para ensinar a viver 22 atividade 1 – Meus pontos fortes e meus pontos fracos 24 2 » Ser você mesmo 25 Clarificar valores em situações de grande diversidade moral 26 O processo de construção de si mesmo 27 A influência dos professores no desenvolvimento dos alunos 30 A atitude do professor em situações controvertidas 32 atividade 2 – Redação autobiográfica 36 atividade 3 – Aprender sem imitar 38 atividade 4 – Meus valores 40 atividade 5 – Entrevistando a si mesmo 42 atividade 6 – O que deveria ser feito? 43

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A revolução educacional e a educação em valores Introdução 12

As causas da revolução educacional 12 O triplo desafio pedagógico 14 Da transmissão à educação 15

O que pretende a educação em valores? 17 O que aprender para aprender a viver? 18 É possível ensinar a viver? 20

Competências para ensinar a viver 22 Atividade 1 – Meus pontos fortes e meus pontos fracos 24 Este capítulo ajudará você a:

► Conhecer o que se entende por terceira revolução educacional. ► Conscientizar-se dos principais desafios pedagógicos da atualidade.

► Comparar o modelo de transmissão com o de educação. ► Descobrir o significado da expressão “aprender a viver”. ► Apresentar as competências pessoais e profissionais para ensinar a viver.

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Introdução Não sei se no mundo da educação alguma vez estivemos realmente tranquilos. De qualquer modo, é evidente que hoje em dia não estamos. Há dificuldades na convivência, na obtenção dos índices de sucesso que desejaríamos alcançar, na estrutura do próprio sistema educacional, na distribuição dos alunos, no bem-estar dos educadores etc. É como se tudo estivesse em crise. O que está acontecendo com a educação? O que está ocorrendo nas escolas? Conforme afirmaram alguns analistas, o motivo da intranquilidade e de grande parte das dificuldades é que estamos imersos em uma revolução educacional. As revoluções costumam ser desencadeadas por um conjunto de acontecimentos relevantes, fatos que modificam e invertem tudo, que dificilmente voltam atrás para deixar as coisas como estavam e, às vezes, podem ser muito positivos. Pois bem, parece que hoje a educação vive uma verdadeira revolução.

As causas da revolução educacional É provável que sejam muitos os fatores que contribuam para produzir a atual revolução educacional, porém acreditamos que três deles, especialmente, sejam os maiores responsáveis. São eles: a escolarização de toda a população com até 16 anos; a incorporação das diferenças ao sistema educacional; e o desaparecimento de muitas das certezas sobre as quais a educação foi fundamentada. A escolarização de toda a população até os 16 anos, sem exceção, é uma das causas básicas da revolução educacional na 12

Xus Martín García E Jos ep Maria Puig

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O triplo desafio pedagógico Os fatos que desencadearam o que se denomina “revolução educacional” (Esteve, 2004) precisam receber tratamento político, mas também requerem uma ação pedagógica determinada. Aqui falaremos do triplo desafio pedagógico proposto para esse enfrentamento. »

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É preciso passar de uma educação seletiva para uma educação inclusiva. Antes, os alunos que não alcançassem os níveis solicitados pela escola eram separados da linha principal ou simplesmente expulsos, e aqueles que apresentassem uma conduta diferente dos parâmetros considerados ideais pela escola também eram expulsos. Portanto, as dificuldades de aprendizagem e de comportamento acabavam levando à exclusão da escola. Aqueles que precisavam de mais atenção eram os que menos a recebiam, ou seja, eram os primeiros a ser abandonados. Atualmente estamos aprendendo a trabalhar com todos, a dar a todos o que é necessário e a buscar o seu sucesso. Porém, isso requer a invenção de outra educação, uma educação que não dê o mesmo a todo mundo, e sim o que é conveniente a cada um. O segundo desafio representa a passagem de uma educação monocultural para uma educação intercultural. Tanto a globalização quanto a imigração intensificaram o contato entre as culturas, tornando obrigatório o planejamento de uma educação que se abra para considerar todas elas. Que deixe de se centrar em seu ponto de vista e sua tradição cultural para, em vez disso, possibilitar a conver-

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influenciar o aprendizado da maneira de viver. Em síntese, um modo de vida só pode ser aprendido mediante a ajuda de pessoas apreciadas e a participação nas práticas de valor de uma comunidade.

Competências para ensinar a viver Para influir no aprendizado de uma maneira de viver, os educadores precisam desenvolver um conjunto variado de competências profissionais. Estas permitirão que eles sejam pessoalmente relevantes na relação com seus alunos, que consigam criar uma atmosfera na sala de aula para impulsionar o trabalho e, por último, contribuam para formar uma cultura escolar de transmissão de valores. Como dissemos, para atingir tais objetivos é conveniente que os professores desenvolvam um conjunto de competências que lhes possibilitem realizar corretamente as tarefas dos diferentes âmbitos nos quais intervêm. Na sequência, apresentaremos os âmbitos de intervenção e as competências próprias de cada um deles. O restante do livro apresentará as diferentes competências e proporá atividades para otimizá-las. ÂMBITOS DE INTERVENÇÃO O PRÓPRIO INDIVÍDUO

Ser você mesmo.

A RELAÇÃO INTERPESSOAL

Reconhecer o outro.

O GRUPO-CLASSE AS EQUIPES DOCENTES

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COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS

Facilitar o diálogo. Regular a participação. Trabalhar em equipe.

A ESCOLA

Fazer escola.

O ENTORNO SOCIAL

Trabalhar em rede.

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ATIVIDAD E

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Redação autobiográfica Sabemos muito bem que uma das melhores maneiras de formar a si

mesmo é fazer reflexões com base em um trabalho de redação autobiográfica. Quem escreve sobre seu passado recorda, mas também consegue entender-se melhor, colocar alguma ordem nas suas ideias e valores e orientar-se para o futuro na direção que realmente deseja. Portanto, escrever sobre nossa trajetória profissional como educadores pode ajudar a nos conhecer e nos direcionar melhor. Para provar isso, propomos três exercícios de redação autobiográfica.

1 Autobiografia mínima. Escreva sua autobiografia como educador em

no máximo cinco linhas, dando a ela um título adequado. É claro que você não conseguirá dizer tudo, mas poderá fazer referência aos aspectos que considerar fundamentais. Este exercício também pode ter um momento coletivo: quando todos tiverem escrito sua autobiografia, podem se dividir em pequenos grupos e ler o que escreveram, comentando os aspectos coincidentes e os diferentes ou aquilo que cada grupo julgar relevante com base nos trabalhos autobiográficos. 2 Linha da vida. Exercício para desenhar o mapa dos acontecimentos

mais relevantes da biografia profissional. Faça um quadro com três colunas: à esquerda, coloque a data dos fatos importantes da sua vida profissional; no centro, resuma-os; à direita, explique o valor ou o significado pessoal que atribui a cada um deles. Acrescente a quantidade de quadros correspondente à de acontecimentos que queira destacar.

A LINHA DA MINHA VIDA COMO EDUCADOR

Data

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Fato relevante

Atribuição de valor

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Agora trace a linha da sua vida profissional em alguns eixos de coordenadas. No eixo horizontal devem ser indicadas as datas, no eixo vertical deve ser atribuída uma medida pessoal que misture motivação, estado de ânimo e comprometimento profissional. Chamaremos esse índice de “bem-estar profissional”. Bem-estar profissional

Datas (anos)

Para terminar, faça uma avaliação da sua linha profissional e indique que direção gostaria que ela seguisse no futuro e os passos que devem ser dados para isso. 3 Temas autobiográficos. É possível fazer redações autobiográficas mui-

to significativas sobre temas específicos (por exemplo, meu primeiro ano como educador; a influência dos fatos sociopolíticos ou dos familiares no meu trabalho educacional; os momentos-chave da minha formação; entre outros). Nossa proposta é que você faça um relato dessa natureza, mas com uma pequena atividade preparatória. Anote cinco temas que considere relevantes para escrever um trabalho autobiográfico: 1  ______________________________________________________________ 2  ______________________________________________________________ 3  ______________________________________________________________ 4  ______________________________________________________________ 5  ______________________________________________________________

Agora escolha um desses temas, pense cuidadosamente no que deseja escrever e redija um texto que tenha de preferência uma página de extensão. Se você escreve um blog, certamente já pensou em disponibilizar seu texto. Se não, pode pedir a algum amigo que o divulgue no dele. As s e te comp etências b ás i cas pa r a e d u ca r em va lo res

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