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ESPECIAL

Design Gráfico é uma graduação viável para quem quer ser ilustrador?

ILUSTRART E MAIS!

BATE-PAPO COM FILIPI LEAL Aluno da Estácio e ilustrador

PORTFOLIO

CONHEÇA UM POUCO MAIS DO TRABALHO DE NOSSOS ENTREVISTADOS

ENTREVISTA: Mike Azevedo divide um pouco de seu conhecimento.


12| ESPECIAL

DESIGN GRÁFICO E ILUSTRAÇÃO

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Filipi Leal

6|

Mike Azevedo

8|

ArtFolio

PORTFOLIO DE NOSSOS ENTREVISTADOS

2 - IlustrArt - Edição 1

WWW.

 Edição 1 - IlustrArt - 3

.COM


Bate-papo com Filipi Leal Aluno do curso de Design Gráfico,Filipi nos conta como está sendo a sua tragetória e seus objetivos para o futuro. como Ilustrador.

queria ilustrar meu pensamento que a imposição social para um curso superior é correta/exagerada dependendo do caso rs. Você está no 4º período do curso de Design Gráfico da faculdade Estácio, o que o fez buscar esta graduação?

Qual sua opinião à respeito da imposição social para se ter um curso superior ? Vejo o curso superior como uma ferramenta importante para diversas áreas, mas o que realmente me preocupa é a forma de se pensar que o curso superior vai ser o único jeito de atingir seus objetivos. Ele é um caminho, mas muitas pessoas não podem fazê-lo por conta de trabalho ou outros motivos pessoais, então elas acabam não atingindo seus objetivos? A caminhada nunca é uma escada perfeita tem momentos que você tem de voltar ou seguir por outros caminhos visando os mesmos objetivos para mais tarde não se perder. Desculpa por falar muito, mas

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A proximidade de algumas matérias com o meu objetivo de formação tanto profissional quanto pessoal. Você chegou a fazer um curso de desenho na Rascunho Studio, qual foi a importância dele em seu crescimento como ilustrador? O curso ministrado na Rascunho Studio por Alzir Alves, foi um marco na minha vida. Acho que tinha 15 ou 16 anos, não lembro bem da idade, mas ele me ensinou toda a parte construtiva. Além disso, o mais importante é que encontrei além de um professor um amigo dentre os vários que conheci por lá. Cresci tanto tecnicamente no desenho como pessoalmente. Acredito que o conhecimento verdadeiro te faz crescer em vários aspectos e lá eu

aprendi muito. Como funciona seu processo criativo? Primeiro vem o estado de estar incomodado como as informações que são apresentadas a mim e depois crio uma desordem visual e tento ordenar ao meu modo dividindo em etapas de apresentar novas informações sobre o tema ou reutilizar informações que podem ajudar na criação do pensamento. Qual é sua rotina diária de estudo? Minha rotina basicamente é passar de um tema para outro, quando esse tema é absorvido e aplicado com calma nas últimas semanas. Estou focado no estudo do modo de construção do pintor Paul Klee, separando o dia da seguinte forma: faculdade de manhã, pela tarde documentário e leitura de seu sketchbook, e pela noite aplicação do material. Mas gosto muito de fazer fugas entre os temas e tentar fazer desenhos diversos para relaxar, além de tirar um tempo para ficar aumentando a mi-

nha biblioteca visual e mental com leitura de livros, artigos e o mais importante, trocando informações com outros artistas. O conhecimento só é realmente válido quando se é aplicado e questionado por mais pessoas. Você almeja ser concept artist, alguma empresa específica a vista ou prefere seguir no ramo de freelancer? Eu gostaria de participar de algum projeto bem subterrâneo, muitos jogos bons passam despercebidos pelo público. Vejo muitos grupos de projetos indies que me motivam cada vez mais a melhorar meu trabalho. Um sonho seria fazer parte de algum estúdio associado da Square enix (vontade vem da época da Square Soft), Silicon Studio, Level 5 Studio dentre tantos outros. O freelancer eu acho muito válido em alguns modelos de trabalho como quando você é contratado para fazer uma etapa por um período de tempo determinado, mas realmente passar mais tempo aprendendo como um funcionário de desenvolvedora deve ser bem mais interessante. Sei que você costumava desenhar muito personagens estilo Disney (cartoon), agora você tem algo que mais se assemelha a quadros de pintura. O que o fez encontrar seu próprio estilo? Muito estudo e dentre al-

guns livros que me foram recomendados peguei o livro “Draw to Life” do Walt Stanchfield que fala justamente da parte mais gestual do desenho. Depois de ter lido esse livro, comecei a buscar mais sobre arte voltando a fonte da minha inspiração como alguns artistas e pintores americanos e russos de diversas épocas, mas na sua grande maioria anos 50.

trabalho, conhecer alguns artistas que admiro, trabalhar em algum jogo de rpg aos moldes Square Enix no seu tempo de Square Soft.

O que mais te inspirou a buscar esta carreira? Eu falo que tive sorte de ter amigos com ótimos gostos por todos os lugares que passo e fui apresentado a vários jogos os que me influenciaram, mas de longe, os principais foram Legend of Mana, Legend of Legaia, Crono Cross e Brave Fencer Musashi. Para você, como tem visto o mercado nesta área? Pra ser bem sincero eu não vejo muito sobre mercado às vezes saem coisas muito boas que não tem o devido reconhecimento e às vezes saem coisas extremamente ruins com uma boa visibilidade, mas acho que mercado se resume a: estude, seja bom e faça contatos a sorte de encontrar o que você quer é continuar buscando muitas vezes. Alguma meta traçada para o futuro? Melhorar esteticamente meu

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Entrevista com Mike Azevedo Formado em Design de games, Mike atua como ilustrador e concept artist freelancer. da produção de um jogo me ajuda a ser um profissional melhor.

Você se formou em Design de Games pela Anhembi Morumbi, o que o fez buscar este curso? E qual a lição tirou dele que possa ser aplicada em suas ilustrações hoje? O principal motivo da minha busca pelo curso da Anhembi Morumbi foi ter alguma graduação relacionada à área de jogos. Fiz pesquisas e cheguei a conclusão que esse seria o melhor investimento no momento, acho que a melhor parte do curso foi trabalhar em equipe, isso me ajudou bastante, e também entender um pouco mais sobre as diferentes partes do processo de produção de um jogo. Acredito que entender mais sobre como meu trabalho influencia as outras áreas

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Quando você percebeu que queria ser ilustrador e concept artist? Quais os artistas que mais serviram de referência? Acho que o primeiro momento que eu pensei em ser concept artist foi quando eu assisti ao Senhor dos anéis. Ainda criança, lembro-me de ter pensado: “seria legal ajudar a fazer um filme assim” e ai, passadas horas desenhando os personagens e cenas, claro que ainda nem sabia o nome da profissão, mas eu de algum modo, ja queria ser concept artist e ilustrador. Quanto às referências, foram muitas. Alguns pintores digitais são: Craig Mullins, Sergey Kolesov, Dave Rapoza, Marko Djurdjevic, Jana Schirmer, Miles Johnston, Ruanjia, Dice Tsutsumi, enfim, dá pra continuar por algumas horas rs rs. Quando você resolveu mergulhar de cabeça neste mundo, chegou a fazer algum curso ou procurou estudar sozinho? Comprei minha primeira tablet em 2009 e a cada dia me

dedicava um pouco mais. No início até procurei cursos, falavam muito de estudar fora, mas como não tinha recursos para tal e como não encontrei nenhum curso aqui no Brasil com o qual me identifiquei, decidi estudar sozinho mesmo. Acredito que isso me deu ainda mais motivação para continuar, já que eu sabia que teria que estudar ainda mais do que os outros porque não tinha um mentor específico para me ajudar. Como foi sua trajetória de estudo? Ela ainda está em curso. Todos os dias eu tento aprender algo novo e praticar para melhorar na pintura, é uma trajetória longa e demanda muita perseverança. Quando comecei, não sabia pintar nada. Quais ferramentas você utilizou que lhe ajudaram nesta trajetória? Acredito que não teve nenhuma ferramenta específica, foi mais dedicação diária. Pedir feedback nos seus trabalhos sempre ajuda e carregar um sketchbook para treinar o desenho ao vivo. Notei que você tem feito

muitas ilustrações para o jogo de League of Legends da empresa Riot games, como tem sido esta experiência para você? Incrível! A Riot games sempre demanda muita dedicação ao trabalho e exige um alto nível de detalhes nas imagens. É sempre um desafio novo, mas é muito gratificante quando você vê seu trabalho dentro do jogo, ou quando algum jogador diz que o personagem para o qual você fez ilustração é seu personagem favorito. Qual sua opinião sobre o mercado de ilustração no Brasil e no exterior? O que você acha que poderia melhorar aqui no Brasil? O mercado brasileiro ainda é pequeno, mas está em crescimento constante. É sempre legal quando aparece um projeto brasileiro, e eu vejo que os brasileiros estão buscando evoluir. Quanto ao mercado exterior, existem muitos projetos gigantescos, como o League of Legends, que acabam influenciando milhões de jogadores e isso também tem seu lado bom. Acredito que o que poderia melhorar no Brasil, é a existência de mais escolas e faculdades que formam profissionais qualificados, aumentando a qualidade dos jogos, aumentam-se os investimentos, e assim por diante. Mas enfim, o mercado está melhorando ano após ano em uma velocidade grande.

Você tem um estilo muito próprio, o que diria para alguém que está começando a desenvolvê-lo? Muito obrigado! Creio que buscar sempre seu gosto pessoal, não tentando agradar ao maior número de pessoas possível, mas sim montar um portfólio único e tentar contribuir com algo seu na indústria de jogos ao invés de tentar replicar o que voce vê que faz sucesso, dá um pouco de medo, mas é extremamente gratificante. O que você diria para uma pessoa que quer ingressar neste âmbito, mas se sente perdida com relação à carência de cursos profissionalizantes e até mesmo para a construção de um portfólio? Busque conversar com artistas que você admira, ajuda muito ter uma opinião profissional no seu trabalho. Estude fundamentos, não ignore perspectiva, anatomia, gesture e todas as partes estruturais. Desenho é 98% da pintura, busque montar um portfólio que possui os tipos de trabalhos que voce quer ter, tenha perseverança, demora bastante para que alguma evolução seja evidente. Que dicas daria para a construção de um bom portfólio? Deixe claro qual trabalho que você quer ter, não o que você tem hoje em dia. Qualidade é mais importante que quantidade, não coloque estudos

de cópia, coloque seu trabalho online (Artstation é um ótimo site) e busque ser inovador em suas decisões, um portfólio diferente se destaca muito. Depois desses anos de estudo e experiência, sente que precisa melhorar em algo? Sim, todos os dias encontro dificuldades novas e sei que isso vai se extender para o resto da minha vida. Pintura é algo infinito e isso é bom, porque sei que sempre vou ter um novo desafio e sempre vou poder melhor algo. Aprender a aproveitar a jornada ao invés de ansiosamente esperar o final, portanto, é muito importante. Há quanto tempo você ministra aulas na ICS? E como tem sido esta experiência pra você? Ministro há três anos. Gosto muito de ensinar, é algo que me ajuda a compreender melhor o que faço porque quando você explica para alguém o que faz, realmente tem que ter uma justificativa para suas decisões e dando aula, estou tentando ajudar um pouco o mercado brasileiro, devolver a ajuda que recebi durante os anos e a sensação de ajudar alguém a melhorar seu trabalho pessoal é incrível.

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ARTFolio

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Mike Azevedo 1-Baron Nashor 2-Dragon 3-Breakfast Princess 4-Malzahar Splash Art

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Filipi Leal

5

6

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1-Gourmet of mana 2-Bruxa 3-Torre 4-Mongol 5-Japonesa 6-Fada 10 - IlustrArt - Edição 1

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Design gráfico e ilustração

e ilustradores.

Primeiramente vamos

falar do conteúdo e citar alguns pontos que são

Design Gráfico é uma

objetivo comunicacional.

nos não fazem pesquisas o

das escolhas mais comuns

Isto é, na leitura do autor, a

suficiente e acham que vão

dentre aqueles que gostam

organizar textos e imagens

estudar desenho a faculdade

de desenhar e sentem a ne-

de forma a passarem uma

inteira, principalmente quan-

cessidade de perseguir um

mensagem. Ok, mas o que

do o nome do curso é Dese-

título acadêmico, seja por li-

isso tem a ver com desenho

nho Industrial e não Design.

vre e espontânea vontade ou

e ilustração? Como eu apli-

Em todas as conversas com

“Apesar de haverem matérias nesse sentido, é importante lembrar que não é uma graduação em ilustração!” - Lucas Parolin.

cura. Tomemos a liberdade e

história da arte, teoria de co-

dividir o curso em três gran-

res e composição, etc. Este

des etapas: Conceituação,

é o momento do curso onde

Experimentação e Aplicação.

existe a maior aplicação direta com os conceitos do de-

profissionais da área, eles escolheram o curso mais por gostarem de desenhar do que pelo que iam realmente aprender. 

Neste ponto, fica a

dica importante para quem ainda está pensando em in-

Arte de Lucas Parolin

por pressão, pessoal, fami-

co Design Gráfico em meus

gressar neste curso, seja na

liar ou social. Também é um

trabalhos? No fim das con-

primeira ou segunda gradua-

curso com ampla disponibi-

tas, uma ilustração é a orga-

ção, ou conhece alguém nes-

interessantes. Não pretendo

lidade nacional, estando pre-

nização de textos e imagens

sa situação. Pesquise! Leia

ser exaustivo nesta questão

Conceituação

sente na grade de cursos de

para passar uma mensagem,

atentamente as ementas de

e reforço que cada um

quase todas as faculdades e

mas normalmente as ima-

cada disciplinas. Conver-

deveria fazer sua pesquisa,

quando são trabalhados tó-

universidades do Brasil.

gens são artes representati-

picos fundamentais, como a

senho e ilustração.

O momento do curso

Experimentação É a aplicação do que foi visto anteriormente nos tópicos de design. Disciplinas

se com diversos profissionais

possivelmente até lendo par-

vas e muitas vezes não têm

a respeito, pergunte! É um

tes da bibliografia do curso

percepção dos alunos,

textos. Mas a ilustração é só

trabalho que deveria levar

para saber o que você está

capacidade de ler espa-

uma das formas de comuni-

semanas e não horas ou até

escolhendo. Uma vez já no

ços, formas e volumes, uso

cação e de organização de

mesmo minutos. Aqui, vamos

curso, acho mais importante

de diferentes materiais e a

imagens e textos.

discutir como o curso de De-

ainda a revisão bibliográfica e

introdução a alguns concei-

A aplicação aqui dos con-

não-textuais para a compo-

sign Gráfico pode ser melhor

busca o que pode ser aplica-

tos teóricos como semiótica,

ceitos em ilustração começa

sição de peças gráficas com

pois muitas vezes os alu-

aproveitado por desenhistas

do para aquilo que você pro-

O curso de Design

Gráfico, segundo o Wikipedia, é a área de estudo focada no ordenamento de elementos visuais textuais e

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Aí começa o problema,

com foco na organização, combinação e edição de formas bi e tridimensionais se encaixam neste bloco. 

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a ficar mais abstrata, porém

muito importantes para por

cação, pesquise. A internet

disciplinas como Tipogra-

em teste aquilo que você

é uma ferramenta essencial

fia, por exemplo, tem uma

aprendeu até aqui. Tenha

para tal.

função importantíssima para

em mente que será tão difícil

ilustradores, apresentando

quanto um desenho ou ilus-

conceitos de proporções,

tração, cada um com suas

relação de espaços positivos

especificidades.

e negativos, composição, dentre outros.

O importante é abrir a

Vale lembrar que se

você quiser chegar a algum lugar com o desenho e ilustração, terá que aprender praticamente tudo por fora. O

mente para as possibilidades,

que estamos colocando aqui

Aplicação

não se feche completamente

é como aproveitar o curso

frente a um tema só basea-

de forma eficiente e não pre-

Aqui, estão inseridas

do em seus preconceitos ou

gando que ele será suficien-

as disciplinas voltadas para

no que está sendo ensinado

te. Para o mercado de entre-

o uso de todos os conceitos

em sala de aula, muitas ve-

tenimento, o curso de design

e experimentações em pro-

zes os professores não serão

gráfico não te formará se

jetos reais, que englobam

os mais aptos a ensinarem

você não estudar por fora..

desde logos, passando por

aquela disciplina específica

ILUSTRART Ilustração da capa: Jéssica Marques Diagramação: Jéssica Marques e Beatriz Souza Ilustração da propaganda (Art Station): Jéssica Marques Entrevistados: Filipi Leal e Mike Azevedo Portfolio dos artistas: Filipi Leal e Mike Azevedo Professora orientadora: Thaís Vasconcelos Revisão: Beatriz Souza e Jéssica Marques

Arte de: César Rosolino

diagramação e formatação

e cabe a você se desenvol-

de layouts até a própria ilus-

ver por sua conta. Busque

tração. Este projetos são

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Fonte da matéria: http://brushworkatelier.com/blog/2015/7/4/ design-grafico-graduacao

conhecimento, busque apli-

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Revista