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FLUXOS E FIXOS uma forma de conexĂŁo


TRABALHO DE GRADUAÇÃO INTEGRADO II Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU-USP) Jessica Natal Fonseca

FLUXOS E FIXOS uma forma de conexão

construção de espaço nos diversos bairros do Brás Comissão de Acompanhamento Permanente Prof. Dr. David Moreno Sperling Profa. Dra. Aline Coelho Sanches Prof. Dr. Joubert José Lancha Profa. Dra. Lucia Shimbo Coordenador de Grupo de Trabalho Prof. Dr. Tomas Antonio Moreira Universidade de São Paulo, São Carlos, 2019


Jessica Natal Fonseca

Fluxos e fixos, uma forma de conexão. Construção de espaço nos diversos bairros do Brás Trabalho de Graduação Integrado apresentado ao Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USPCampus de São Carlos.

BANCA EXAMINADORA:

__________________________________________

Prof. Dr. David Moreno Sperling Instituto de Arquitetura e Urbanismo - USP

__________________________________________

Prof. Dr. Tomás Antonio Moreira Instituto de Arquitetura e Urbanismo - USP

___________________________________________ Camila D’Ottaviano Faculdade de Arquitetura e Urbanismo -USP


Dedico este trabalho ao meu noivo, José Gobbo, sem o qual eu nunca teria chegado até aqui. Aos meus pais José e Maria pelo carinho. Aos amigos dessa jornada, que fizeram dessa experiência algo que jamais esquecerei. A todos os professores, em especial, meus orientadores, David e Tomás, pelos ótimos atendimentos durante o trabalho e ao Renato e Jeferson pelas lições de urbanismo.


RESUMO As pessoas passam pela cidade sem vê-la, atravessam ruas, bairros, tomam aquilo que as rodeiam como banal, uma paisagem que se repete. As pessoas que compõe esse fundo perdem sua participação dentro do cotidiano. Somos os únicos atores de um cenário, que, por conta da nossa nova rotina, torna-se neutro. Perdemos a percepção do espaço urbano como um grande aglomerado de histórias que se cruzam. Com essa premissa e a escolha da área de implantação do projeto no Brás, novas questões surgem, as histórias que se cruzam não se limitam ao cotidiano das pessoas, mas trazem características da história de formação do bairro, que é marcada pela chegada de imigrantes, que mesmo enfrentando desafios, constrem e reconstroem esse espaço. O movimento do Brás é guiado pelos seus polos econômicos e meios de transporte e, mesmo que apresente constante fluxo de pessoas, de forma geral é um bairro fragmentado, tendo como principal barreira a linha férrea, sua formadora, desenvolverdora e divisora. O projeto, portanto, busca trabalhar com esses elementos, criando conexões em diversos níveis, entre pessoas, fragmentos de bairro e cidade, formando espaços de integração dos seus fluxos e fixos.

Palavras-chave: imigrantes, conexão, percursos, barreiras


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BRÁS 14. RIO TAMANDUATEÍ 16. ESTRADA DE FERRO_transições 28. CONSTRUÇÃO DO BRÁS IMIGRANTE 22. COTIDIANO 26. MUDANÇAS_novos (i)migrantes

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LEITURAS E PLANEJAMENTO URBANO 32. SÃO PAULO 34. BRÁS E REGIÃO CENTRAL 44. PLANEJAMENTO URBANO 48. FLUXOS DE PESSOAS

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PROPOSTAS PROJETUAIS 54. (RE)CONHECIMENTO 61. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 63. PROPOSTA 65. ÁREA DE IMPLANTAÇÃO 79. PLANEJAMENTO INICIAL 81. PROJETO 82. PROGRAMA 94. PERCURSOS 97. USOS E VISTAS

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99. TEMPOS

REFERÊNCIAS


BRÁS

RIO DE JANEIR BR

O Brás é um dos distritos que compõem a subprefeitura da Mooca, localizado na Zona Leste do município de São Paulo, com uma área de 362,93 hectares, havendo em 2017, segundo levantamentos do IBGE, 31.641 habitantes.

MINAS GERAIS

O surgimento da área, que depois viria a ser o Brás, caracterizava-se pela sua atuação de “caminho do meio”, um lugar de passagem para os devotos que saiam do centro da cidade em direção à igreja da Penha, a leste, além de ser um lugar de parada da imagem da santa em romarias na Igreja de Bom Jesus de Matosinho, e em maior escala fazia parte do percurso que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, ainda capital, o que dava ao local uma importância logística, visto uma de suas principais elementos naturais que separava o centro ao leste era o Rio Tamanduateí. 12

CAMPINAS GOIÁS

SORO


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

MOOCA MOOCA

RO RÁS

RI

A T O

N A M

SANTOS

SANTO AMARO

Í E T A DU

O bairro inicialmente se estendia, cobrindo grande parte da área leste da cidade de São Paulo, cabendo ao Bispo de São Paulo definir os limites da terra, por decreto do rei Dom João VI (1818), tendo como limites o Rio Tietê ao norte, São Bernardo ao sul, Paróquia da Penha ao Leste e Sé ao oeste, mas com o passar do tempo algumas áreas foram se desenvolvendo e se desvinculando do núcleo central do Brás¹.

Também conhecido nesse período como sete voltas, por conta de seus meandros, o Rio Tamanduateí, separava a área central do município da região leste, seu uso era comum para as atividades cotidianas da população, muito utilizado pelas lavadeiras, pescadores, transporte, além do consumo humano, que ocorreu no Brás até a construção de um chafariz público no Brás, 1867. Embora ocorressem atividades diárias as enchentes eram constantes no Tamanduateí, o que dificultava a expansão para essa região além do vale. Composto por “casas de campo”, construídas por cafeicultores, com objetivo de facilitar o acesso à estrada que levava ao Rio de Janeiro, a paisagem do Brás era mista, como descrito por Reale (p7 e 9), havia um conjunto de casarões que dividiam espaço com habitações mais simples com hortas e pomares.

OCABA Mapa da cidade de São Paulo e seus suburbios em 1841. Fonte: FAU USP.

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Inundação da Várzea do Carmo, 1898, Benedito Calixto. Fonte: Sampa Histórica.

RIO TAMANDUATEÍ TRANSIÇÕES

Complexo viário Parque D. Pedro II em 1981. Fonte: Sampa Histórica.

A partir de 1849 o rio do Tamanduateí passa por obras de retificação, tendo o seu primeiro trecho canalizado em 1875, ocorrendo posteriormente o ajardinamento do vale. A discussão sobre o embelezamento e o controle das enchentes continuavam em discussão, em 1914 é elaborado um projeto do Parque Dom Pedro II, pelo arquiteto paisagista Joseph Antoine Bouvard, finalizado em 1922. Nas décadas seguintes a área verde do vale passa por novamente por mudanças decorrentes do Plano de Avenidas de Prestes Maia, com caráter rodoviarista, ganha seus viadutos e a Avenida do Estado nas décadas de 1950 e 1960 e em 1971 é implantado o terminal de ônibus dentro da área do parque. As transformações ocorridas no rio Tamanduateí permitiram uma maior expansão para a região do Brás, entretanto, o parque perdeu potencial como área de lazer e espaço livre, cedendo espaço para veículos motorizados, gerando espaços residuais. 14


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Rio Tamanduateí, fins do século XIX. Lavadeiras e animais de criação usam o rio. Fonte: FAU USP

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ESTRADA DE FERRO IMPLANTAÇÃO

Estação do Brás e a esquerda a antiga Estação do Norte, 1900. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil.

Em 1867 é inaugurada a estação ferroviária SP Railway no Brás, cuja linha que ligava a cidade de Santos à Jundiaí, gerando profundas mudanças em seu percurso. A linha férrea tinha como papel principal a melhora da escoação da produção de café ao porto de Santos, anteriormente realizada por animais. A partir dessa nova forma de transporte, São Paulo fortalece sua centralidade, sendo ela principal local de comunicação entre os cafeicultores do estado e a capital e porto.

Antiga Estação do Norte, sem data.

A organização interna de São Paulo também passou por mudanças por conta da linha de trem, algumas rotas perderam força, como a tendência de crescimento norte e sul do município, passando para leste e oeste, seguindo o percurso do trilho. O Brás, até então pouco povoado, passa a ter maior importância com a construção da Estação, com a facilidade de acesso às matérias primas, o transporte de mercadorias e terras mais baratas, o bairro logo passa a atrair o desenvolvimento industrial.

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R O L AU P O Ã S R P S

AY W AIL

CO

Y N A MP

BRÁS

Mapa da cidade de São Paulo, estrada de ferro e retificação do Rio Tamanduateí, 1868. Fonte: FAU USP

RIO TAMANDUATEÍ

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CONSTRUÇÃO DO BRÁS IMIGRANTE Com a proximidade do fim da escravidão no Brasil, há o aumento em interesse substituir a mão de obra dentro da produção agrícola. Em 1884 o governo da Província de São Paulo desenvolve leis que ofereciam vantagens aos imigrantes, como indicado por Reale¹ (p18) no art. 2º da lei nº 29, de 28 de março de 1884, O Governo dará hospedagem por 8 dias na Hospedaria dos Imigrantes da Capital a todo imigrante que vier para a Província, embora sem destino, a lavoura, quer tenha desembarcado no porto de Santos ou do Rio de Janeiro

A primeira Hospedaria de Imigrantes se localizava no bairro do Bom Retiro, que por não possuir estrutura suficiente para suportar a crescente chegada de imigrantes, tendo capacidade de acolher até 500 pessoas, é transferida para o Brás, inaugurada em 1888, tendo como um dos principais motivos a proximidade com a estação, além de manter esses novos 18

¹Brás, Pinheiros, Jardins: Três Bairros, Três Mundos. 1982.


O S E

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Hospedaria de Imigrantes. Fonte: Jornal Cruzeiro. Bonde para operários, Avenida Celso Garcia, 1916. Fonte: Scielo.

grupos separados do centro. A nova hospedaria foi planejada para atender cerca de 3000 pessoas chegando a atingir 10 mil pessoas, segundo registros do Museu da Imigração. Por conta do fluxo de pessoas que vinham ao brasil atraídas pelo emprego a hospedaria se tornou um ponto de negociação entre fazendeiro, que vinham do interior, e estrangeiros para o trabalho no campo. A vinda dos imigrantes gerou grande aumento populacional do bairro, embora a vinda ao Brasil tivesse como principal objetivo o suprimento de mão de obra nas fazendas de café, muitos decidiam permanecer na cidade, aproveitando o baixo preço da terra, a oferta de emprego e a possibilidade de exercer outros ofícios ou manter os que possuíam em seus países de origem. 19


Mapa da cidade de São Paulo de 1890, com indicação da estrada de ferro e Rio Tamanduateí e localização da Hospedaria de Imigrantes, Estação do Norte e futuro prédio industrial Moinho Matarazzo (inaugurado em 1900) . Fonte: FAU USP

SPR

Sobrado na Rua 21 de Abril. Fonte: Ebe Reale Brás, Pinheiros, Jardins: Três Bairros, Três Mundos

BRÁS

RIO TAMANDUATEÍ

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Palacete na Avenida Rangel Pestana Fonte: Ebe Reale Brás, Pinheiros, Jardins: Três Bairros, Três Mundos


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Com esse novo fluxo, fortemente marcado pela ferrovia, o bairro passa por importantes transformações urbanas, como descrito por Reale: É proposto o calçamento da Rua do Brás, principal artéria de acesso às estações. É o progresso que chega e, com ele, as primeiras indústrias. Os proprietários das antigas chácaras resolvem lotear suas propriedades, destinando estes lotes a uma função residencial ou industrial. (p. 21)

A presença desses imigrantes construiu o que conhecemos hoje sobre o Brás. As primeiras décadas dessa nova formação são marcadas pela vinda dos italianos, principalmente napolitanos², com uma participação menor de outros grupos, como portugueses e espanhóis. Com o loteamento do Brás e crescimento da indústria, são construídas as vilas operárias, com casas geminadas e sem recuo frontal, também sendo comum a existência de cortiços, como ilustra Reale: “Notamos a presença, no bairro, das famosas fachadas rebuscadas, executadas pelos ‘capomastri’. Nessas fachadas vários estilos se misturavam, indo do ‘neoclássico’ e ‘barroco’ ao ‘art-nouveau’, que na sua fase mais esfuziante recebeu a alcunha de ‘macarrônico’. Uma profusão de ornamentos, como volutas, leões, cariátides e florais enfeitam os balcões, platibandas e colunas dos edifícios, ao lado de grades e bandeiras de ferro batido bastante trabalhadas” p37 (referência utilizada: LIMA DE TOLEDO, Benedito. São Paulo, Belle Époque, p. 14)

Sobretudo nas ruas Caetano Pinto e Carneiro Leão(...)habitações coletivas com um corredor central, para onde se abriam as portas e janelas dos quartos, que se alinhavam de ambos os lados. Nos fundos, havia instalações sanitárias e lavanderia de uso comum. (p.25)

Essas habitações eram marcadas pela ventilação deficiente, com condições precárias de higiene, o que ampliava a propagação de doenças, atingindo principalmente as crianças. Além das moradias mais modestas destinadas principalmente aos operários, era possível encontrar palacetes construídos por imigrantes enriquecidos e sobrados com comércio no térreo e moradia nos demais pavimentos, onde morava a família do proprietário³.

Em 1924 ocorre a Revolta Paulista, Brás foi um dos bairros que mais sofreu com os ataques, Reale coloca como um dos motivos a proximidade com o bairro da Luz. “O bairro foi bombardeado, tendo havido grande número de mortos e feridos” (p39). Muitas famílias abandonaram o Brás, algumas indo para casa de parentes em outros bairros, outras indo para o interior. ²Desenho urbano e bairros centrais de São Paulo: um estudo sobre a formação e transformação do Brás, Bom Retiro e Pari. 2005.

³Brás, Pinheiros, Jardins: 21 Três Bairros, Três Mundos. 1982.


COTIDIANO Teatro Colombo. Fonte: Pinterest.

Durante as primeiras décadas desde a chegada dos imigrantes no Brás, o bairro é marcado pela cultura italiana, com reuniões de amigos e familiares, eventos religiosos, festas de rua e bailes. “Os homens, e somente eles, reuniam-se à noite, nas cantinas para tomar Chianti, comer provolone ou pecorino, degustar azeitonas e ‘cippoline’. E nos quintais destas cantinas os aficionados jogavam ‘boccia’ ou ‘morra’. Diante das casas, nas noites de verão, eram colocadas cadeiras onde as comadres conversavam, enquanto os maridos fumando seus longos cachimbos, jogavam ‘scopa’, ‘ter sete’ ou víspora.” (REALE, p.41)

Comemorações especiais em dias santos aconteciam na rua, com procissões que percorriam o bairro e quermesses com comidas e músicas típicas, que resgatavam a memória da Itália. Havia também grande força cultural dos teatros e cinemas no Brás, que atraiam grande número de pessoas, adultos e crianças, atraídos pelo preço mais baixo 22


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dos ingressos. Um desses edifícios é o Teatro Colombo, que anteriormente era um mercadão e que fora adaptado para apresentação de peças, recebendo diversos artistas italianos, localizava-se no Largo da Concórdia. Com o passar dos anos os teatros e cinemas perderam espaço dentro do bairro e suas edificações tiveram seu uso modificado, como o Cine Piratininga (imagem a baixo), que se transformou em estacionamento. Os clubes eram outro elemento que os italianos trouxeram para o Brás e que fazia grande sucesso na época, com festas de carnaval (que também ocupavam as ruas), bailes e até comemorações dançantes de natal. p46-imagem.

Diário Popular, 18/12/1924

Cine Piratininga, década de 1940. Fonte São Paulo Antiga.

Cinema Piratininga como estacionamento , uso que ainda se mantém. Fonte: Museu da Pessoa.

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Com o crescimento do bairro e expansão para a região leste, a convivência com a linha férrea, que se encontrava ao nível da rua, mostrava-se problemática para a travessia de pedestres e automóveis. Para evitar acidentes, foram colocadas barreiras, as “porteiras da Inglesa”, no cruzamento da linha ferroviária com as duas principais vias no bairro, a avenida do Gasómetro e a Avenida Rangel Pestana. A existência das porteiras gerava grande descontentamento na população, visto em marchinhas de carnaval (letra ao lado, 1930), pois a espera era demorada, segundo a reportagem ao lado¹, esse tempo poderia chegar a 10 minutos, com acúmulo de pedestres, automóveis e bondes. Diversas propostas de projetos foram realizadas com o intuito de substituir as porteiras e promover travessia dos “Pela photografia reproduzida no alto temos uma impressão completa do quanto prejudicam o trafego da avenida Rangel Pestana, arteria proncipal do Braz e que dá accesso directo ao Belém, á Penha e a outros bairros da nossa capital, as porteiras da Central do Brasil. Vezes ellas permanecem fechadas por mais de dez minutos para dar logar á manobra das locomotivas e em sua frente se avoluma o numero de bondes, caminhões, carroças e automoveis, cujos conductores e passageiros, quasl sempre apressados, prorompem em vozerlos, occasionando scenas de Babel” 24

Fonte: São Paulo Antiga.


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teu dar ao povo do Brás um esplendido presente de Papai Noel e que, longe disso, inaugurou um viaduto que não corresponde aos anseios do povo, um viaduto que é uma vergonha para a engenharia de São Paulo, em cujas obras, inclusive desaproproações, o município gastou dezenas de milhões de cruzei-

“Quero alertar a população do Brás e aqueles que atravessarem a pé o viaduto do Gasometro de um grande perigo: o governador fez viaduto para veiculos, esquecendo-se deploravelmente dos desfavorecidos da dorte, dos que não têm “jeeps” ou automoveis. Não ha espaço suficiente para os pedestres, junto aos para-peitos de ambos os lados. “A PORTEIRA DO BRAZ“

ros.”

Ainda não conseguindo responder totalmente tráfego, 20 anos após o primeiro projeto, é construído o Viaduto Alberto Marino, sendo recebido dessa vez com maior ânimo pela população e comércio local, tendo sua inauguração realizada junto com a comemoração do aniversário da cidade, tendo direito a marchinha de carnaval:

Proposta de viaduto, Carlos Ekman, 1914. Fonte: São Paulo Antiga.

O’ Zé Pereira! Essa porteira E’ peór que Satanaz E atravaca o Braz

Essa porteira E’ uma porqueira E é muito bem capaz De boicotar o Braz

Em quanto a minha musa me dér inspiração, A minha vocação Nunca ha de esmorecer... Eu sou poeta e...astro com a firma registrada Em meu cadastro!

Em quanto, etc. Ella não sae E o povo vae Tragando com tristeza Os grilhões da “Ingleza“!

PORTEIRA DO BRÁS Victor Simon/Liz Monteiro Adeus, adeus, Porteira do Brás, Já vai embora e já vai tarde demais… Adeus, adeus, Porteira do Braz, Já vai embora e já vai tarde demais… (já vai) Salve a Penha, Água Rasa, Tatuapé e Belém, Salve a Vila Maria, E Quarta Parada também… Em lugar da tal porteira, Um viaduto se ergueu, Adeus Porteira do Brás, Já vai tarde pro museu… (já vai) Porteira do Brás YouTube

Falo do governador que prome-

Rapaziada do Brás YouTube

pedestres e veículos, entretanto, foram engavetadas. Como solução para esse crescente conflito é construído em 1948 o viaduto do Gasômetro, que, embora tivesse como objetivo aliviar o bloqueio da via, gerou grande insatisfação, como destaca jornalista Douglas Nascimento, no site São Paulo Antiga, a partir do discurso de um dos vereadores no plenário da câmara:

O nome do segundo viaduto foi uma homenagem ao regente e compositor Alberto Marino, que compôs a valsa Rapaziada do Brás, em 1917, que ganha letra em 1960, pelo seu filho, Alberto Marino Junior, sendo gravada pelo cantor Carlos Galhardo. 25


a Estação Roosevelt eram seu primeiro contato com o Bairro, era local de parada para caminhões e ônibus vindos do Nordeste e ponto de encontro dos que que já haviam chegado³.

MUDANÇAS NOVOS (I)MIGRANTES

A vinda de imigrantes italianos no Brás começa a diminuir a partir do período da Segunda Guerra Mundial, principalmente pelo posicionamento do Brasil, contra o fascismo, e nesse momento os movimentos nacionais ganham força dentro do território brasileiro, o primeiro deles, decorrente da a crise do café, parte da população do campo se muda para a cidade, nas décadas seguintes, com longo período de seca, é a vez dos nordestinos ganharem expressividade dentro de São Paulo, “ até 1940 haviam entrado cerca de 1,2 milhões de imigrantes nacionais, principalmente nordestinos, no estado de São Paulo. Daí até 1970 chegariam mais de 4,5 milhões, sendo que 1,5 habitam o município” (MARTIN, 1984, p.170, apud GOMES, 2005, p.4), passando, segundo Gomes, a ocuparem casarões, aumentando o número de cortiços no Brás, além do uso dos hotéis de baixo custo próximos à estação. O Brás se torna um espaço de encontro de repentistas nos anos 50, 60 e 70. Para esses novos grupos que vinham ao Brás, o Largo da Concórdia e 26

Com a expansão em direção à periferia da região leste e sua ocupação por parte desses nordestinos, Sueli destaca sua influência no bairro, a partir dos pontos de ônibus no Largo da Concórdia e ampliação das linhas, o que permitia o maior fluxo desses novos habitantes, influenciando o comércio do Brás, através de lojas, bares e casas especializadas em produtos nordestinos. (AYALA, 1982, p.44 , apud GOMES, 2005, p.6) Entretanto sua recepção não era amigável pelos italianos já estabilizados no Brás, que já haviam criados laços entre eles e a cidade, e os nordestinos, que traziam mudanças culturais e de usos no bairro. Segundo o depoimento de Maria José de Britto “os cantadores, que faziam do Brás, o seu principal reduto, não reconhecidos, como profissionais do verso e viola, mas sim como arruaceiros, desocupa-


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dos, pessoas desqualificadas para

“Os nossos irmãos do Norte

o trabalho.” (GOMES, p.7)

Além do conflito com antigos moradores, pelas diferenças culturais e transformação do bairro, o período da ditadura militar é marcado por forte repressão a esses grupos, o autor indica que entre 1966 e 1970 deixam de se reunirem em bares no bairro do Brás. Dentro do mercado de trabalho os imigrantes nordestinos tentar se encaixar em algumas áreas, mesmo que não registradas,

Sempre vão no Brás Escutam os violeiros Pedem tema e tudo mais Tomando pinga do Norte Que lembrança sempre traz.

Cada um pede aos poetas que relembre o seu sertão Cantam versos de improviso Tema de amor e canção Comem carne e rapadura Com batida e limão.” (João de Barros)

“buscam novas estratégias de sobrevivência, na economia informal, seja como camelôs, que se multiplicam pelas calçadas, seja como catadores de papel ou até mesmo como retalheiros (referente à venda de retalhos ou resíduos de tecidos das confecções)” (GOMES, p.9)

³ O comércio do Brás e a inserção dos migrantes Monumento ao nacionais, asiáticos e Migrante Nordestino, latinos. 2005. Largo da Concórdia. Fonte: SP Bairros.

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Nos anos 90, cerca de 90% dos coreanos viviam direta ou indiretamente ligados ao comércio de roupas. São 40.000 coreanos e seus descendentes, que vivem em território brasileiro, sendo que 96,84% moram na cidade de São Paulo. (GOMES, p.16)

A atividade inicial desenvolvida pelos coreanos foi a revenda de mercadorias, principalmente de produtos que traziam de sua viagem até o Brasil, comenta Gomes (p.16), com base na tese de Choi (1991), o comércio desses produtos importados cresce e os que conseguem acumular capital passaram a desenvolver outras atividades, entre elas, a principal seria a fabricação de roupas. Em São Paulo, os grupos de imigrantes desempenham

essa atividade de forma diferente em cada bairro, visando cada região um público alvo, no Brás, o foco em roupas de baixo custo, que era possível a partir do uso de mão de obra mais barata, como imigrantes ilegais, inicialmente com outros coreanos e posteriormente bolivianos. “Os coreanos sofreram dificuldades na nova terra: os costumes e a cultura dos dois povos são bastante diferentes, assim como o idioma, o que provoca sérios problemas de comunicação. Eles, entretanto, superaram esses obstáculos e hoje estão começando a integrar-se no país através de seus filhos, que promovem a integração da cultura coreana com as tradições brasileiras.” (Enciclopédias das Línguas no Brasil)

Em uma reportagem da TV Brasil, realizada em 17/03/2018, sobre a comemoração dos 55 anos da imigração coreana no Brasil há a entrevista com a empresária Lúcia Kim, que coloca a barreira linguística como o principal motivo para o desenvolvimento da costura entre os imigrantes coreanos, com pouca oportunidade de estudo, as atividades manuais se mostravam no período como o melhor caminho dentro de São Paulo. 28

Outros imigrantes também passam a compor o bairro do Brás, como os bolivianos, que iniciaram sua vinda ao Brasil de forma clandestina a partir da década de 1950, por conta dos problemas econômicos de seu país, tralhando principalmente em oficinas de costura em condições inadequadas de trabalho. Outros em menor número, como os sírios libaneses, que, segundo Khouri (p.16), “diferentemente, de outros grupos, vieram de forma espontânea e tiveram uma inserção urbana”, a vinda desses imigrantes ocorreu em diversos momentos, dependendo da situação política de seus países de origem, tendo grande representatividade na região da 25 de março, posteriormente passando a apresentar uma ocupação no Brás e outros bairros.


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FORTALECIMENTO COMERCIAL

A dificuldade de estar em outro país, ou outra região, onde o todo é seu desconhecido, o medo se amplia, os olhares se tornam mais enigmáticos. Sentir-se fora do todo nos deixa vulneráveis às adversidades.

Mais recentemente é possível ver, ao visitar o bairro ou em notícias, o grande número de senegaleses que ocupam as calçadas e praças do Brás para o comércio informal de produtos, como calçados, relógios e roupas, muitos deles vem ao Brasil pela falta de oportunidade em seu país de origem e mandam parte do dinheiro que eles conseguem no Brasil para suas famílias, uma situação comum entre vários imigrantes que chegaram a pouco tempo no Brasil. O aumento da venda informal de produtos é um reflexo do desaquecimento da economia brasileira, muitos desses novos imigrantes chegaram ao país em um outro momento, de ascendência econômica, mas perderam seus empregos pelo

fechamento de vagas de trabalhos formais, como na construção civil. A existência desses diversos grupos se mostra muitas vezes conflituosas, como a utilização de mão de obra barata na confecção de vestuário, sem garantias de direitos trabalhistas, ou a venda informal realizada por ambulantes que entram em conflito com os policiais, por medo de perder a mercadoria, e com os comerciantes que passam a concorrer com pessoas que não arcam com os impostos cobrados para a venda desses produtos, vendendo com um preço inferior aos das lojas.

O crescente desenvolvimento do setor de venda levou a muitos desses empresários a entrarem em outra área, o do setor imobiliário “construindo shoppings como – Shopping Center Luz (localizado na antiga rodoviária de São Paulo) e outros menores que se seguiram” (SUELI, 6324-18). Alguns desses espaços de comércio acabaram ocupando edifícios que anteriormente eram os teatros e cinemas, mas que perderam espaço com o passar dos anos. Dessa forma o Brás se consolida cada vez mais como um bairro comercial, perdendo suas características italianas, ou nordestinas, passando a concentrar pessoas que buscam uma oportunidade de mudança de vida a partir das oportunidades de emprego. Aos poucos o Brás é construído e reconstruído, de uma área de passagem, com casas de campo, passando pela construção italiana e industrial, para o desenvolvimento de um bairro de diversos fluxos, com cada grupo de migrante e imigrante deixando suas marcas. 29


LEITURAS E PLANEJAMENTO URBANO


menor de -5,00 a -2,00%

de 3,01 a 6,00%

0,00 a 0,99

2,00 a 5,99

de -1,99 a 0,00%

de 6,01 a 9,00%

1,00 a 1,99

mais de 6,00

de 0,01 a 3,00%

Acima de 9,00%

SĂƒO PAULO

taxa geom. de crescimento emprego formal por habitante linhas e 32


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linha e estação de trem linha e estação de metrô Brás

REGIÃO CENTRAL Desde os anos 1960 e 1970 o centro de São Paulo passa por um esvaziamento populacional, com parte da população de classe média e alta se deslocando para sul e sudoeste do município. Parte da economia e poder público também se mudam dessa região, essa migração causa o desenvolvimento de novos centros, como Avenida Paulista e posteriormente a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, como centro ecoômico, e a sede da prefeitura no Parque do Ibirapuera, até sua volta a região central (Rolnik, 2018). O centro se torna mais popular, fortalecendo seu uso já existente, o que também se reflete em sua economia, tendo grande força áreas comerciais como 25 de março e o circuito de compras Bom Retiro e Brás, porém, ainda permanecendo com baixa densidade demográfica. Outro fator que amplia essa situação é desenvolvimento das regiões periféricas com apoio do poder público, associado com construtoras, na produção de moraradias, muitos desses projetos sendo compostos por habitações unifamiliares, como o Minha Casa Minha Vida, aumentando seu número populacional, mas contribuindo para o espraiamento da cidade, sem construir um ambiente urbano, com oferta de emprego e áreas de lazer. Além da promoção do crescimento da mancha urbana, há também a ocupação desses bairros por pessoas que buscam terrenos ou aluguéis mais baratos. O centro, tendo uma estrutura desenvolvida, com maior oferta de emprego, um importante espaço comercial, proporcionando um elevado número de equipamentos públicos, passa a ter uma população, em sua maioria,

estações de trem e metrô

flutuante, gerando grande fluxo no período diurno e pouco uso noturno. Esses grupos que trabalham e consumem o centro acabam gerando o aumento de demanda pelo transporte público, além do fluxo de veículos motorizados nos horários de pico, tendo o próprio desenho das linhas de trem e metrô influenciando essa circulação, com maior concentração desses meios na região central e irradiando para bairros periféricos. 33


linha e estação de trem linha e estação de metrô Brás

Brás e bairros adjacentes BOM RETIRO

BRÁS E REGIÃO CENTRAL

PARI

BELÉM BRÁS

MOOCA CAMBUCI

34


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Dentro dessa discussão o Brás segue alguns aspectos do centro, tendo seu esvaziamento pela saída de antigos imigrantes e aumento do custo da moradia, principalmente nas áreas comerciais e industriais, como destaca Reale, “A população mais humilde procurou bairros mais afasta-

0 - 50 50- 120 120- 200 200- 280 acima de 280 perímetro da OU Centro

distritos ferrovia Parques Estaduais e Municipais hidrografia quadras viárias

densidade populacional por UDH (hab/ha)

dos, em busca de aluguéis mais acessíveis. Outros, de maior poder aquisitivo, mudaram-se para casas ajardinadas e dotadas de mais conforto, nos bairros do Pari e Alto da Mooca ou buscaram, já de anel de doutor no dedo, maior ‘status’ nas moradias luxuosas da Zona Sul” (p.58)

Atualmente o Brás e outros distritos localizados norte e nordeste da linha ferroviária, que passaram por grande desenvolvimento industrial, apresentam menor densidade demográfica do que os bairros mais centrais, como indica o mapa ao lado (tomando como área de estudo a área do Projeto de Intervenção Urbana Centro), tendo com maior densidade os bairros da República e Santa Cecília.

Fonte: São Paulo Urbanismo 35


As áreas A e B apresentam difrentes relações com o espaço: A. Área marcada pelo uso comercial, formado por lojas e ambulantes (grande número de novos imigrantes), com baixa densidade habitacional, caracterizada pelo grande fluxo de consumidores. Como como consequência dessa dinâmica a região apresenta grande movimento em horário comercial e baixo durante a noite, finais de semana e feriados, quando as lojas normalmente fecham (fotos na página seguinte).

Entretanto, embora estejam distribuídos em uma grande área acabam, não conseguem atender o grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente por se tratar de uma região com grande número de imigrantes, exigindo outro tipo de abordagem a partir de suas dificuldades de comunicação e diferenças culturais.

B. Essa área combina manchas de uso misto (habitação e comércio/ serviço) próximas das principais vias, mas prevalecendo seu uso comercial (presença de ambulantes na Avenida Celso Garcia), e uso habitacional, que, por ser uma região com antigos casarões e ser um bairro com custo de terreno/aluguel mais elevados, com edificações voltadoas ao uso comercial, apresenta grande concentração de cortiços, assim como pessoas em situação de rua. Os centros e associações de assistência social encontrados no Brás e regiões próximas tem foco em algumas atividades, como acolhimento, orientação familiar e inserção social e produtiva (também aos idosos). 36

Fonte: São Paulo Urbanismo

PIU Setor Central residêncial comércio e serviços uso misto industrial escolas e usos especiais circuito de compras garagens, armazéns e outros usos setores censitários com predominancia de comércio e serviços ferrovia parques, praças e canteiros existentes hidrografia

uso por lote


cotiço

moradores em situação de rua

assistência social

ocupações (2016)

Bom Prato

empreendimentos HIS

linha de metrô

cortiços (Habisp)

linha de trem

ZEPEC BIR

hidrografia

ZEPEC BIR APPa

estação de trem

APPa

estação de metrô

cortiços, assistência social e bom prato

A

B

B

37


FO CO RTE MÉ PR RC ES IO EN

38

RUAS QUA

SE DESERT AS

ÇA

DO


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

CIA N DÊ AL N PE ERCI E D M CO

39


de 0,8 a 1,0 de 1,1 a 2,0 de 2,1 a 3,0 de 3,1 a 4,3 linha de metrô linha de trem hidrografia

A baixa densidade demográfica e forte desenvolvimento comercial

uma vez que sua economia gira em torno da fabricação e venda de

faz o Brás ter grande oferta de emprego, cerca de 1,9 emprego por habitante, segundo informações do documento do PIU (2018). Embora haja oportunidade, muitos desses cargos são pouco remunerados,

vestuário, tendo o envolvimento de mão de obra barata (recorrentes denuncias de trabalho análogo ao escravo, com longas jornadas de trabalho, baixos salários e ambientes precários)

emprego por habitante BOM RETIRO

PARI

BRÁS REPÚBLICA

CAMBUCI

40


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

“Atualmente 70% da mão de obra das oficinas de costura constituem-se por imigrantes bolivianos23 no Brás, Bom Retiro e Região Metropolitana (Zona Leste). Alguns atuam como donos das oficinas. O que caracteriza a fase da costura é o tra-

vendedores ambulantes também entram nesse grupo de trabalho informal, ocupando espaços públicos, como calçadas e praças, eles vendem produtos ilegais por não conseguirem inserção no mercado de trabalho, o que se agrava com a atual crise do Brasil.

balho intenso em determinados períodos do ano – chegando até 14 horas de trabalho por dia” (SILVA, 2012, p.61)

até 1mil de 1mil até 2mil de 2mil até 3,5mil de 3,5mil até 8mil acima de 8mil perímetro de estudo perímetro da OU Centro ferrovia Parques Estaduais e Municipais hidrografia sistema viário

renda per capita média (em reais)

Outro ponto agravante desse modelo de trabalho é a flexibilização do trabalho, segundo Ronaldo Lira, procurador do Ministério Público do Trabalho, em uma matéria realizada pelo jornalista Guilherme Soares Dias(2018), “São lugares não regularizados, sem alvará de funcionamento, em muitas vezes em casas, sobrado, fundo de quintal, locais que não têm sinalização para fiscalização”.

Por conta dessa situação e o medo da deportação (uma vez que muitos deles fogem de uma situação crítica de seu país de origem) esses imigrantes acabam permanecendo nesses empregos, não entrando nas pesquisas. Além da costura, os

Fonte: São Paulo Urbanismo 41


barreira transposição de pedestre transposição de pedestre e automóvel transposição de automóvel têxtil madeireiro gastrômico artes diversos

transposições

42

Historicamente o Brás é marcado pelas limitações de passagens, a primeira sendo o Rio Tamanduateí, no início do crescimento de São Paulo, e posteriormente a linha férrea que divide o bairro em dois, um ligado ao centro e outro a leste. Como substituição das “porteiras da inglesa”, os viadutos Maestro Al-

berto Marino e do Gasômetro trouxeram maior fluidez ao bairro, entretanto a passagem entre as duas áreas ainda se mostra um desafio aos que o cruzam a pé ou meios alternativos. Contando apenas com uma travessia exclusiva para pedestre dentro do bairro e mais outra fazendo liga-


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

ção com a Mooca, o bairro possui poucas possibilidades de cruzamento com a linha férrea. Outros pontos de transposição dentro do distrito são os viadutos, que apresentam calçadas inadequadas e pouco seguras, contando com grande fluxo de veículos motorizados, uma vez que é uma das principais vias de ligação da Zona Leste com a região central de São Paulo.

Cerealista), apresentando grande fluxo próximo ao Mercado Municipal (fluxo D), e a leste possuindo um comércio mais variado (ainda com influência do vestuário), também contando com maior presença de edifícios religiosos. Os viadutos atuam como ponto de ligação entre as duas regiões de maior densidade demográfica.

acima de 788 viagens internas 35 - 1.500 1.500 - 3.000 3.000 - 6.000 6.000 - 21.674

fluxos de viagens a pé

Esses pontos de transposição acabam direcionando os usos e os grupos que tem acesso a esses espaços, por exemplo, as manchas com maior densidade demográfica tendem a se acumular em áreas próximas a pontos de transposição ou lugares com melhor acesso a equipamentos e comércios voltados ao uso cotidiano (como mercados e farmácias), o que não ocorre na região comercial do Brás, que tem maior ligação com o circuito de compras do Bom Retiro e o comércio de Pari (fluxo C), formando um grande eixo comercial, voltado para a venda de mercadorias em atacado. Mesmo no eixo habitacional, anteriormente classificado como área B, há uma divisão, com o lado central possuindo comércio madeireiro e de alimentos (Zona

C

D

Fonte: São Paulo Urbanismo 43


MACROZONA DE ESTRUTURAÇÃO E QUALIFICAÇÃO URBANA

MACROZONA DE PROTEÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL

MACROÁREA:

MACROÁREA:

estruturação metropolitana

redução da vulnerabilidade urbana e recuperação ambiental

contenção urbana e uso sustentável

controle e qualificação urbana e ambiental

preservação dos ecossistemas naturais

urbanização consolidada qualificação da urbanização redução da vulnerabilidade urbana

macroárea PDE

PLANEJAMENTO URBANO Pela divisão da cidade de São Paulo para o Plano Diretor Estratégico (PDE), o Brás fica localizado na Macroárea de Estruturação Metropolitana, fazendo parte do Setor Central e do Setor Orla Ferroviária e Fluvial, o primeiro sendo caracterizado, como já mencionado, pela grande oferta de empregos e baixa densidade populacional, contando com boa estrutura urbana e sistema de transporte (trem e metrô), o segundo pela existência de grandes terrenos ociosos ou subutilizados. Algumas das principais proposta para o Setor Central são trazer o equilíbrio entre moradia e emprego, estimulando a construção de habitações de interesse social para pessoas de baixa renda, a requalificação de áreas deterioradas e subutilizadas, que são usadas como moradia (manutenção das pessoas que já ocupam essa região), promover a locomoção sem veículos motorizados e fortalecimento da economia existente. Pela formação histórica do centro há a proposta de proteção/respeito do patrimônio (material e imaterial)5.

44

5 https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/ estruturacao-territorial/piu/piu-setor-central/


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

A área do Setor Central é determinada pelo PDE, de acordo com o art. 12, parágrafo III, da Lei N º 16.050, de 31 de julho de 2014, sendo “organizado a partir do território da Operação Urbana Centro e entorno”. O Setor Orla Ferroviária e Fluvial se divide próximo ao centro em três arcos, o Arco Tietê e o Arco Tamanduateí, marcados pelo setor industrial, buscando o crescimento habitacional, aumento da densidade demográfica, aproveitamento de áreas subutilizadas e diversificação da economia, e o Arco Leste, que ainda não possui projetos definidos, seguindo somente o Zoneamento (mapa na página X). O Brás se encontra nessa divisão, com maior área pertencente ao Setor Central, seguido pelo Arco Leste e Arco Tietê.

BOM RETIRO

Projeto de Intervenção Urbana (PIU) Operação Urbana Centro (OUC) Arco Tietê Arco Leste Arco Tamanduateí linha de metrô linha de trem hidrografia

PARI

BELÉM BRÁS

MOOCA CAMBUCI

macroárea de estruturação metropolitana 45


Zona de Centralidade (ZC) Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU) Zona Especial de Interesse Social-3 (ZEIS-3)

zoneamento

46

Zona de Desenvolvimento Econômico -1 (ZDE-1)

PIU

Zona de Ocupação Especial (ZOE)

linha de trem

Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM)

hidrografia

linha de metrô


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

A Lei de Zoneamento estabelece o Brás seis Zonas, indicadas no mapa ao lado, com quatro delas ganhando destaque: a Zona de Centralidade (ZC), que estimula o fortalecimento das atividades típicas de áreas centrais, subcentros regionais ou de bairros, com menor ênfase ao uso residencial; a Zona de Desenvolvimento Econômico (ZDE-1), que promove o incentivo e modernização das atividades econômicas existentes (comércio e indústria, nesse caso), sem apoio ao desenvolvimento habitacional; a Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), ligada ao transporte público coletivo, tem como objetivo a ampliação do uso residencial, com densidade demográfica e construtiva altas, além de usos não residenciais com qualificação paisagística e de espaços públicos; e por último a Zona Especial de Interesse Social (ZEIS-3), que promove o desenvolvimento de moradias para a população de baixa renda (com qualificação do espaço urbano recuperação ambiental, regularização fundiária de assentamentos precários e irregulares), implantando Habitações de Interesse Social (HIS) e Habitações

de Mercado Popular (HMP), com apoio de equipamentos sociais, comércio e serviços locais6. A tabela a seguir indica o crescimento populacional estimado para os bairros centrais, tendo Pari, Brás e Bom Retiro (bairros localizados no lado externo da linha férrea) os que passarão por uma maior transformação.

Fonte: São Paulo Urbanismo

adensamento populacional estimado 47


FLUXO DE PESSOAS A partir do Zoneamento e da tabela de adensamento populacional estimado é possível perceber grande adensamento populacional do bairro a partir de algumas Zonas indicadas em amarelo (ZEU e ZEIS-3) localizado a Leste da linha férrea e algumas regiões ao centro. Com esse desenvolvimento algumas necessidades surgem, como a de equipamentos de apoio (assistência social e equipamentos públicos) nessa área, uma vez que é uma região que atrai a vinda de (i)migrantes pelo seu peso comercial, além dos consumidores que circulam pelos eixos comerciais. Focando no eixo de passagem que atravessa o Brás, é possível perceber o crescimento do fluxo de pedestres em direção às regiões que ofertam mais vagas de trabalho (em verde e vermelho).

48

Segundo site da Prefeitura², circulam diariamente pelo Brás cerca de 400 mil pessoas, com cerca de 270 mil pessoas passando pela Estação do Brás da CPTM, e 330 mil nas regiões próximas a Estação (embora haja variações dessa informação, com número total chegando a 250 mil³).


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

aumento do uso habitacional

linha de metrĂ´

fortalecimento da centralidade

linha de trem

maior oferta de emprego formal

hidrografia

fluxo de pessoas

usos e fluxos

49


barreira

aumento do uso habitacional

linha de metrô

transposição de pedestre

fortalecimento da centralidade

linha de trem

transposição de pedestre e automóvel

maior oferta de emprego formal

hidrografia

transposição de automóvel

Quando comparamos o futuro crescimento dos fluxos dentro do Brás com os pontos de transposição percebemos o estrangulamento gerado nesses espaços, uma vez que suas passagens já se mostram inadequadas e insuficientes para a atual situação do bairro.

transposições BOM RETIRO

PARI

BELÉM

1

BRÁS

3 SÉ

2 MOOCA CAMBUCI

50


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

O crescimento desse fluxo indica a necessidade de melhoramento dessas áreas de passagem e sua ampliação, promovendo uma maior integração entre os dois lados do bairro, permitindo também maior acesso à região central e o uso de seus equipamentos e serviços.

1

1. Passarela metálica localizada ao lado do antigo Moinho Matarazzo, oferece caminho estreito e entradas com pouca visibilidade. 2. Passarela metálica localizada ao lado Museu da Imigração e Estação de Metro Brás, péssimo estado de conservação (pelas imagens coletadas do Street View, realizadas pelo Google em fevereiro de 2018, a passagem se encontra sem parte de sua estrutura, não sendo possível realizar sua travessia). 3- Viaduto Maestro Alberto Marino, com grande fluxo de veículos motorizados, a passagem de pedestre e ciclofaixa ocupam parte do leito carroçável, através de pinturas no chão, blocos de concreto e elementos de sinalização que delimitam esses percursos, uma vez que suas calçadas se mostram estreitas e contam com a presença de postes de iluminação, ocupando maior parte de sua largura. Viaduto do Gasómetro, suas calçadas também se mostram estreitas, sem prolongamento para o leito carroçável. Grande fluxo de veículos.

2

3

Imagens: Google 51


PROPOSTA PROJETUAL


(RE)CONHECIMENTO

54


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

As visitas ao Brás ocorreram em dias e períodos variados para análise das diversas dinâmicas existentes, tanto no final de semana, como em dias úteis, levando em consideração sua característica comercial. A cada dia de visita procurei acessar o bairro por diferentes estações e caminhos percorridos a pé vindos do centro, como uma forma de experimentar como as pessoas que percorrem esse espaço o veem e vivem. O primeiro acesso ao bairro ocorre pela estação Dom Pedro II, como em uma deriva, percorro o bairro ainda não muito conhecido. A primeira reação que tenho é o espanto, causada pelo contraste, passando por uma rua movimentada que passa ao lado do Parque Dom Pedro II, entro em uma região residencial, marcada por muros, uma situação que se repete nos novos empreendimentos do bairro, com torres e condomínios. Surgem ruas desertas, mesmo em um sábado de manhã. Entre muros e grades, em diversos pontos do bairro, é possível ver alguns edifícios marcantes da cidade, como o Edifício Altino Arantes, as antigas indústrias, com suas chaminés e tijolos a vista, além de pequenos detalhes quase que escondidos, como os trilhos do antigo bonde parcialmente cobertos pelo asfalto. Ao chegar, quase que por acaso, na área de desenvolvimento inicial do Brás, junto a Paróquia Bom Jesus do Brás, é possível ver os diversos períodos e conflitos existentes com maior nitidez, na imagem ao lado é possível ver a Paróquia dividindo a quadra com outras construções, entre elas um antigo edifício transformado em cortiço com 55


C

D

B

A

56


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

comércio no térreo, e na quadra ao lado, separado por uma rua estreita, existe um edifício habitacional de 10 pavimentos, essa paisagem funciona como um indicador que a história está sendo suprimida, ou pelo tempo e verticalização (transformação urbana), mesmo que inicial em grande parte do Brás. O acesso através da Estação do Brás foi um ponto importante para entender a formação urbana atual do bairro de forma geral, imagens A e B, compreendendo o que é a verticalização dentro do bairro e do quanto sua paisagem, ainda dominada pelas construções de dois e três pavimentos, ainda mudará, a partir do seu adensamento. Durante as visitas iniciais conheço o ponto de inflexão do bairro, os viadutos que ligam a região próxima ao centro de São Paulo (parte do centro expandido) e a região ligada à Zona Leste, que chamarei de região central e leste, respectivamente. Os viadutos, que considero ser um único ponto pela proximidade, atravessam a linha férrea que divide o Brás. A primeira a ser atravessada é o Viaduto Maestro Alberto Marino, com suas calçadas estreitas e grande fluxo de veículos, se mostra desconfortável, o que deve piorar em dias chuvosos, principalmente pela falta de segurança oferecida pelo antigo guarda corpo. A paisagem oferecida pela travessia é algo que gera incomodo, por ter duas quadras entre os viadutos, e serem relativamente próximos, os edifícios se espremem a pouca distância da passagem, deixando seus telhados e empenas cegas a mostra, reduzindo o contato dos pedestres com a cidade, imagem C. É nesse ponto, final do viaduto e Largo da Concórdia que é possível perceber o Brás deixado para trás, além da linha do trem, e os outros bairros do Brás: a sua esquerda o grande comércio varejista, a sua frente um bairro guiado por uma via de caráter metropolitano, ligando a Zona Leste ao Centro, com maior variedade de comércio e serviços, além da forte presença dos edifícios religiosos, e a sua direita um bairro mais contido, de uso habitacional, possuindo algumas ruas degradadas. Um personagem marcante da região leste do Brás são os vendedores ambulantes, em sua maioria imigrantes, que lutam para se comunicar em português com seus clientes, agrupam-se no Largo da Concórdia, na saí57


58


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

E

da da estação da CPTM, e se estendem pelas calçadas, não muito largas, da Avenida Celso Garcia, imagem D.

O passeio pela região comercial se mostrou interessante para realizar a comparação entre os dias úteis e final de semana, com ruas quase que completamente vazias, tirando alguns operários da construção civil que trabalhavam na construção de um novo Shopping popular (aproveitando a falta de movimento para o uso de grandes equipamentos, como guindaste) e alguns pedestres que atravessaram o bairro, a cidade estava quieta. Durante os percursos deu para perceber a falta de equipamentos de lazer no bairro, encontrando alguma movimentação dentro de uma quadra de futebol de um edifício habitacional, que tinha sua galeria aberta ao público, onde as crianças brincavam e os vizinhos conversavam, imagem E. 59


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Imagem: Hypeness

Imagens: Archdaily


62


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

PROPOSTA

A partir da experiência de conhecer o bairro a partir das visitas, o aprofundamento da pesquisa sobre a história e da atual situação do bairro, além do levantamento do planejamento urbano, dois pontos ganharam destaque para o desenvolvimento de uma proposta. O primeiro ponto está relacionado com a formação e transformação do bairro a partir da presença de imigrantes e migrantes. Desde os primeiros grupos que vieram da Europa até os que vem hoje de países do hemisfério sul, todos eles passaram ou ainda passam pela difícil inserção dentro do Brasil, enfrentando a barreira linguística, cultural e social, enfrentando situações de exploração e preconceito. O segundo é o desenvolvimento de conexões no bairro, que se encontra fragmentado, e tem como principal barreira a linha férrea, que é também responsável pelo seu cresimento e inserção de imigrantes no passado. Tendo como ideias principais o relacionamento com a memória dessa infraestrutura urbana (assim como o seu entorno) e a construção do olhar do pedestre para o bairro. A partir dessas duas situações, a questão central do programa e do projeto é como associar um percurso voltado ao fluxo de pessoas, principalmente quando levado em consideração o futuro adensamento demográfico e construtivo de algumas áreas do bairro, com um lugar de acolhimento e fixação de (i)migrantes, permitindo a comunicação e a troca de experiência entre esses grupos, mantendo sua relação com a memória do Brás. 63


64


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

ÁREA DE IMPLANTAÇÃO Recuperando o mapa síntese de adensamento populacional proposto pelo Zoneamento e o já existente fluxo relacionado com a Estação do Brás CPTM, que faz integração com o metrô, a área que se mostra mais adequada para a implantação do projeto, desenvolvendo a conexão entre os dois lados do bairro e que

Imagem: Google

apresenta o maior potencial para a elaboração de um espaço que ofereça suporte ao (i)migrante de forma centralizada, são as quadras localizadas entre os Viadutos Maestro Alberto Marino e Gasómetro. 65


transposição de pedestre Estação do Brás CPTM Estação do Brás metro

meios de transporte

66

linha e parada de ônibus ciclofaixa linha de trem linha de metrô


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

A área escolhida também apresenta outros importantes meios de transporte, no mapa ao lado é possível ver que dentro de um raio de 500m é possível encontrar, além da estação da CPTM e de metrô, percursos de ônibus circular, que apresentam maior concentração de pontos no Largo da Concórdia e suas proximidades. As duas avenidas, que possuem grande fluxo de veículos, formam um complexo encontro viário de 5 ruas na região leste, dando origem à Avenida Rangel Pestana. Os viadutos também apresentam um uso diversificado, mas não qualificado, com pedestres e uma ciclofaixa que conecta região central e leste.

volume de ônibus pico da manhã

Fonte: São Paulo Urbanismo

O segundo mapa, indica o volume de ônibus no pico da manhã, levantando o grande uso desse meio de transporte, o que mostra a grande importância dessa área dentro do eixo leste-centro. 67


A partir desse aspecto, a presença de diversos meios de transporte e seu grande uso, um novo ponto de destaque é acrescentado por conta da localização da área de implantação, o caráter metropolitano. Embora o bairro em si já se mostre um espaço de centralidade, independente do centro da cidade, o que é visível em sua história de desenvolvimento e atual dinâmica econômica, esses eixos indicam fluxos importantes a serem observados no projeto, que podem ser divididos em dois grupos, um deles, já mencionado, é o de pessoas que usam esses meios para chegar ao bairro e outro é de ligação entre espaços distantes, que tem na área de implantação um ponto nodal, assim, o projeto e os programas a serem desenvolvidos poderiam formar uma rede que não atende somente ao bairro, mas diversas localidades. Pensando nessa forma de conexão dos imigrantes com a cidade, algumas ideias de ligações (física, visual ou histórica) emergem, como a integração desse equipamento com o tecido urbano, vinculando diversos pontos importantes e estruturais da cidade à área de intervenção, como na imagem ao lado. 68

ESTAÇÃO E JARDIM DA LUZ

EDIFÍCIO ALTINO ARANTES

PRAÇA DA SÉ


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

ÁREA DE IMPLANTAÇÃO

PRAÇA BENEMÉRITO BRÁS

PARQUE DOM PEDRO II

69


O Brás é marcado com edifícios de até 1 pavimento, mas com o crescente desenvolvimento de torres, a mudança em sua paisagem já é perceptível.

5 ou mais pavimentos 4 a 5 pavimentos 2 a 3 pavimentos

quantidade de pavimentos

D

B

70

A

C


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

Nas quadras selecionadas, ainda tem a prevalência de edificações baixas, possuindo somente 6 edifícios com mais de 4 pavimentos, sendo dois deles com 10 e 11 pavimentos, sendo eles habitacionais, e todos com algum tipo de comércio no térreo.

A B

C

D

71


comércio e serviço

instituição

habitação

sem uso/indefinido

uso misto com habitação

estação CPTM

uso misto com hotel

uso por lote

A B

72


A

FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

Em relação a seu uso, com predominância comercial, cada área apresenta um tipo de comércio típico de sua região, a central com a venda de tecidos e espuma, como EVA, marcada pela ocupação de galpões e com um número maior de edifícios desocupados, quando comparado a outra quadra. Neste lado os edifícios de 10 e 11 pavimentos apresentam o uso de mercearia e bar. Na quadra leste há o desenvolvimento de comércio de vestuário e calçados, mas com o uso da comparação de fotos do Street View (Google Maps), imagens ao lado, há a observação que esse uso foi criado há pouco tempo, tendo a existência anterior de poucos comércios, alguns deles voltados à itens de casa (artigos de 1,99). Essa região também conta com grande presença de vendedores ambulantes próximo ao viaduto.

B

73


Cada área apresenta um fluxo distintos de pessoas, principalmente ligado ao comércio da região e meios de transporte. A quadra leste apresenta grande fluxo durante o dia, cerca de 300mil pessoas, segundo a Prefeitura, embora se encontre distribuído durante o dia, há uma grande concentração nos horários de entrada e saída das pessoas que trabalham nessa região, que cruzam o largo da concórdia em direção à estação, imagem A. A quadra central apresenta um fluxo menor, mas com uma concentra-

alto fluxo de automóveis baixo fluxo de pedestres alto fluxo de pedestres

fluxos existentes

B A

C

D

74


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

ção no mesmo período de entrada e saída do trabalho. Os viadutos passam a ser uma das poucas alternativas de travessia entre os dois lados, apresentando um fluxo mediano, considerando que o plano de adensamento é relativamente novo para a área, mas que passara a ser sobrecarregada à medida que for implantado. Junto aos usos e comércio do bairro a região por baixo dos viadutos também desempenham algumas funções, a central sendo usada como estacionamento livre, com grande uso durante o dia, diminuindo a noite, nos horários de pico esse espaço também serve como um caminho mais rápido para a entrada lateral da estação de trem. O lado leste acaba se tornando uma

entrada alternativa do bairro para quem vai de trem às compras, com essas passagens alguns investidores perceberam o potencial para uma área extra de comércio, criando travessias, lojas que cruzam a quadra, ligadas as duas passagens embaixo do viaduto, imagens B e C. Além desses usos, esses espaços também pertencem a Prefeitura, algumas delas possuindo estruturas complementares, usadas como depósitos de materiais, como o da foto, usada pelo grupo de limpeza da cidade para guardar seus equipamentos, imagem D.

B

A

C

D

Vídeo gravado na visita no mês de Julho. Fluxo de pessoas no horário de pico, saindo do largo da concórdia em direção à estação de trem, embora seja breve, o fluxo continua até anoitecer. 75


76


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

Dentro da área de Operação Urbana Centro há a apresentação de um plano urbanístico ligando duas Áreas de Estruturação Local, as AEL 2 e AEL 3, atuando em uma das quadras do projeto. Nesse mapa há a indicação diversas propostas para a região, entre elas, as principais que levarei em consideração no projeto serão o desenvolvimento de corredores verdes que ligam o Largo da Concórdia ao Parque Dom Pedro II, assim como a rua transversal que passa pela Estação do

Brás, e a criação de “eixos de estruturação do comércio metropolitano” (rosa claro). Além do mapa síntese, há uma implantação de simulação dessas propostas da OUC, que indica a possibilidade de demolição de edifícios, como o da quadra central, para implantação de torres e lâminas, descaracterizando completamente o bairro, que já conta a presença de alguns edifícios/condomínios fechados por muros. As quadras do projetos foram destacadas em vermelho

77


construções a serem retiradas requalificação- embaixo do viaduto corredores e áreas verdes a serem construídos transposição possíveis acessos e passagens

PLANEJAMENTO INICIAL B

A

78


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

Com essas considerações, um esquema dos planos para o projeto pôde ser representado pelo mapa ao lado. A partir da ideia de conexão dos dois lados do bairro é necessário criar um edifício que consiga fazer a transposição da linha férrea, criando uma continuidade. Para que essa continuidade seja possível, criando um espaço que as pessoas o vejam como público e que seja mais vantajoso que o caminho do viaduto, sendo este mais direto, é necessária a retirada de edifícios que criariam barreiras, dentro da minha análise, o edifício A e B criariam essa situação por conta de seus comprimentos, indo além do meio do quarteirão, embora eles façam parte dos poucos que têm um número considerável de pavimentos. Em relação aos moradores, há a possibilidade de apoio, prevendo a realocação deles, a quem desejar, nas novas habitações do entorno. As edificações de até um pavimento serão retiradas, por apresentarem usos que podem ser redistribuídos no próprio bairro, como nos “eixos de estruturação do comércio metropolitano” da OUC e shoppings de comércio de vestuários desenvolvidos no lado leste, e por não apresentarem caráter habitacional, que contribuem para o esvaziamento das áreas durante a noite e finais de semana. A continuidade proposta também se estenderá aos corredores verdes, tendo esse posicionamento fortalecido pelo projeto a ser implantado no Parque Dom Pedro II, desenvolvido pelo escritório UNA Arquitetos, que tem como proposta a retirada de alguns viadutos, criando eixos viários no nível da rua, aumentando a área verde e espaço para pedestres, dando continuidade às avenidas lindeiras à área de implantação (marcada na imagem ao lado). Outro aspecto importante é a manutenção e criação de acessos. A manutenção é realizada no caminho que corta a quadra leste, atualmente usado pelo comércio local, e no caminho que os trabalhadores fazem para a entrada lateral da estação de trem, na quadra central, promovendo a facilidade desse cruzamento. Os novos caminhos propostos estão ligados ao futuro aumento de fluxo de pedestres, decorrentes do adensamento populacional, indicado anteriormente, por conta do desenvolvimento de edifícios próximos ao metrô e trem e das ZEIS, como também pelo aumento do comércio e oferta de emprego da região.

Imagem: Escritório UNA Arquitetos (alterada)

Uma vez que haverá a manutenção e criação de eixos perpendiculares à travessia central, deve também ser considerada a requalificação das áreas localizadas embaixo dos viadutos. Uma das propostas é a transferência do estacionamento utilizado pela população no lado leste do Viaduto Maestro Alberto Marino para uma garagem subterrânea, apoiando-se na proposta de edifícios garagem do PDE nas regiões próximas às linhas de trem e metrô. 79


PROJETO


PROGRAMA O desenvolvimento dos programas para o equipamento teve base em alguns preceitos. Em primeiro lugar as atividades desenvolvidas teriam que atender aos imigrantes, um grupo que constantemente recria o Brás, podendo se estender a população existente e que realizaria a travessia desse equipamento, atuando como uma forma de integração entre as pessoas. Esse contato inicial teria como partida a visão, o reconhecimento que esse grupo faz parte da cidade e realiza atividades que os caracterizariam como indivíduos. Essa premissa surgiu com pesquisas de grupos que trabalham com imigrantes e refugiados, entre eles o Instituto Adus e a Migraflix. O primeiro, que tive oportunidade de visitar, expos a necessidade de quebrar essa primeira barreira de classificar os refugiados como números ou grupos de países “X”. A Migraflix atende refugiados e imigrantes, as suas principais atividades estão relacionadas a workshops voltados a alimentos e palestras, como uma forma de compartilhamento cultural e de experiências de vida. 82

Além dessa relação as atividades teriam que ter uma ligação com o bairro, algo que poderia criar laços com diversos grupos existentes e desenvolver um sentimento de pertencimento, e identificação com esse equipamento, como uma referência do que forma o bairro, diminuindo a fragmentação existente. Para a definição de atividades compatíveis com a premissa foram levantadas as principais atividades do Brás, que estão relacionadas a suas zonas de marcenaria e cerealista e a atividade cultural e histórica do teatro. Como parte dessas práti-


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

cas estão relacionadas a práticas econômicas, teria que ser desenvolvido um trabalho que permitisse um diferencial e integração ao que já existe, para isso foram pesquisados os cursos oferecidos na região pelo SENAI (principal instituição de ensino desse tipo no Brás), que também tem foco nessas atividades. Foi notado que o que é ensinado por essas escolas está ligado a atividades gerais de produção, como na culinária, oferecendo cursos de confeiteiro, decoração de bolo e confeccionador de ovos de páscoa. A generalização do curso, permite o desenvolvimento de atividades voltadas aos conhecimentos dos imigrantes, permitindo a aplicação de sua identidade ao que é oferecido, sem que concorra diretamente ou repita o que é oferecido pelo bairro.

Com esse diferencial foi pensado como fazer com que essas atividades não fiquem presas ao equipamento, mas permita o seu fortalecimento. Para isso, foi pensado uma forma de associar esses programas com empresas locais, como as marcenarias, em que poderia ocorrer a troca de ensinamentos, com workshops e oficinas em que os funcionários e artesãos que

produzem essas peças para o mercado, tenham experiências com os imigrantes, que poderiam acrescentar parte de sua cultura aos cursos e participar da produção do bairro, podendo ocorrer exposições desse trabalho.

Em relação ao teatro, mais propriamente a apresentação, há o interesse retomar a centralidade dessa atividade ao meio urbano. Como existem cursos de teatros no bairro, como a SP Escola de Teatro, há pouco mais de 500m da área de intervenção, o objetivo seria integrar parte dessas exibições a um teatro de rua, considerando a continuidade do espaço urbano dentro do equipamento, seria possível o desenvolvimento de um espaço amplo que permita a observação de espetáculos dos que passam por esse espaço, com o fluxo cotidiano, com uma estrutura mais simples, permitindo o contato da população e colaboração dos imigrantes a esse meio. A relação de espaço público e atividades culturais surgiu de uma conversa que tive com o coorde-

nador da Oficina Cultural Oswald de Andrade, o Valdir de Jesus Rivaben, em uma visita no mês de julho. Essa OC fica localizada no bairro do Bom Retiro e conta com alguns aspectos em comum com o Brás, como o comércio de vestuário e forte presença de imigrantes, atualmente com norte-coreanos, além de outros grupos em situação de vulnerabilidade. Nesse dia dois relatos me chamaram a atenção, um deles foi uma apresentação que ocorreu em uma rua interna a OC que é visível da calçada externa, no horário de saída dos trabalhadores, que assim como o Brás formam um mar de pessoas em direção ao metrô e trem, e que a partir dessa apresentação, várias pessoas paravam para observar o que ocorria, a ideia de que no fluxo cotidiano as pessoas poderem ser atingida por esses eventos que quebram essa rotina se mostrou interessante ao que o projeto se propõe. A segunda história estaria ligada aos imigrantes, que inicialmente mostravam resistência ao uso desse equipamento, mas que o convite de participação de um representante artístico desses grupos permitiu uma quebra de barreira entre eles e a OC, uma barreira invisível, mas existente. 83


Uma quarta atividade a ser desenvolvida seria o aproveitamento de um conhecimento pertencente aos imigrantes, que seria o domínio de outro idioma. Tendo algumas salas destinadas ao curso, mas com a possibilidade de se conectarem com escolas e empresas pela cidade. Além desses espaços a serem criados, há o uso dos edifícios existentes na prestação de serviços para a fixação dos imigrantes. Como base para o desenvolvimento dessa proposta foram estudados alguns projetos existentes na cidade de São Paulo, entre eles o CRAI (Centro de Referência e Atendimento para imigrantes), que apresentam poucas unidades, que, segundo o site, oferece atendimento em diversos idiomas, agendamento na Polícia Federal, intermediação para trabalho e informações sobre regularização migratória, documentos, cursos de qualificação e acesso aos serviços públicos municipais, o Centro de Acolhimento para Imigrantes, da Prefeitura, localizadas nos bairros Bela Vista, Bom Retiro, Pari e Penha, e o Projeto Portas Abertas: Português para imigrantes, uma iniciativa municipal com objetivo de oferecer cursos de português gra84

tuito, contínuo e permanente para alunos imigrantes na Rede Municipal de Ensino, suas famílias e comunidades. Com isso, o objetivo é concentrar esses e outros serviços complementares ao projeto proposto, não como uma nova fórmula, mas como um nó que atua no fortalecimento da rede de apoio ao imigrante, ligado não só a essas instituições existentes, mas também outros que ainda não fazem parte desse círculo.


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

85


A partir da definição os programas a serem desenvolvidos e das ideias de fluxos e conexões, a ideia base das duas quadras é possuírem grande área livre no térreo, não havendo diferença visual entre o que está dentro e fora, uma vez que os únicos fechamentos existentes são de ambientes que seguem horários de funcionamento, como a marcenaria e as lanchonetes/restauran-

tes, e a parede estrutural que podem oferecer uma barreira em relação aos viadutos. A estrutura do projeto também é um ponto importante na formação do desenho do espaço, existindo quatro conjuntos verticais: Os dois principais de pilares, de seção de 1m, estão alinhados nas duas quadras, com espaços para a implantação de condutores verticais de água pluvial do telhado verde, que são dirigidas a uma área de tratamento para seu reuso. Um segundo eixo de pilares complementares dá apoio às rampas e suas aberturas nas lajes, que criam um direcionamento do fluxo das pessoas que cruzam o equipamento, neles há espaço para passagem

5 6

9 3

1

Pilares mistos, principal e complementar.

86

2 4


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

1- Área de eventos e apresentações 2- Oficina de marcenaria 3- Acesso ao estacionamento subterrâneo

6- administração, sala de funcionários e sanitários 7- acesso aos edifícios de serviço 8- praça de alimentação

4- Depósitos e salas de apoio para eventos e apresentações

9- elevador que dá acesso ao topo dos edifícios conectados

5- restaurante voltado para as comidas preparadas por imigrantes

10- área de tratamento da água da chuva

TÉRREO

10

7 8

7

11

0 5 10 20

50

100

87


de cabos de energia, que darão suporte às atividades abertas ao público. Uma terceira estrutura vertical fica localizada nas laterais para dar suporte às lajes que perderiam apoio com as rampas e grandes espaços que apresentam poucos apoios, também atuando como uma barreira dos ruídos dos viadutos, formando um espaço mais reservado, permitindo a entrada de luz pela separação com a laje (1,5m do primeiro pavimento e 0,50 da cobertura). Na passagem sobre a linha férrea a distribuição de pilares segue os desenhos dos viadutos, mas que tem o cuidado de manter uma linha de visão livre entre as duas quadras, uma vez que a diferença de nível entre as duas é baixo. É utilizada para o projeto a laje nervurada, por conta da necessidade de vencer grandes vãos, oferecendo possibilidade de criar uma sensação de pé-direito maior, quando comparado a uma laje lisa, já que os limites de altura estão vinculados às rampas e ao espaço das quadras. Para os vãos maiores encontrados na região central foram acrescentadas vigas faixas protendidas entre os pilares.

1

1

2

88

4

3


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

O primeiro pavimento concentra a maioria das atividades propostas (exeto a marcenaria do térreo), como ainda faz parte do percurso de travessia, ligados diretamente às rampas, apresentam grande permeabilidade visual, com paredes de vidro. Essa permeabilidade também permite a visão para o ambiente externo.

1- Sala de aula de culinária

5- salas de aula de idioma

2- Lanchonete

6- serviço de assistência social

3- Biblioteca

7- serviço- rede de empregos

4- Área de estar

PRIMEIRO PAVIMENTO 4

2

5

7

4

6

0 5 10 20

50

100

89


A laje de cobertura apresenta uma função extra, a de captar a água pluvial e direcioná-la aos condutores verticais, indo para um reservatório para tratamento e reuso, na quadra central esse reservatório fica no nível da garagem, enquanto na quadra leste usa parte da área embaixo do viaduto. As aberturas que compõem o telhado verde têm como objetivo a entrada de luz para

o interior do equipamento, criando desenhos que percorrem o espaço interno durante o dia, que no período da noite teria esse papel invertido, aberturas de luzes que poderiam ser vistas de fora, como uma referência visual.

1

90


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

1- ponte metálica de conexão entre 4- curso para o primeiro emprego as rampas 5- curso de abertura de empresa 2- Serviço- rede de educação 6- espaço para palestras 3- serviço- rede de emprego

COBERTURA 4

6

5

7 Os outros pavimentos do edifício “A” contam com:

0 2 5 10

0 2 5 10

0 2 5 10

0 2 5 10

-Serviço-rede de regularização de documentos -Serviço-rede de habitação

3

-Serviço de atendimento jurídico (mantendo a mesmo a mesma configuração de planta)

2 A 0 5 10 20

50

100

91


Como uma forma de integrar o calçamento com o interior do edifício é proposto o uso de placa de concreto permeável nas áreas abertas como calçadas e cobertura e no térreo próximas as áreas de maior risco de chuva, as internas e primeiro pavimento poderiam continuar com a paginação, mas com placas comuns .

A

92

B


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

O início da rampa da quadra leste é 2,18m mais alto que a rampa da quadra central, por conta da diferença de altura que as lajes precisam para vencer os vãos propostos e o comprimento/altura que é permitido para as rampas, mantendo a

0 10 20

inclinação de 8,33%, a diferença de altura do tipo das coberturas é de 0,89m, fazendo com que a passagem cetral seja levemente inclinada.

A- Piso impermeável B- Piso permeável

(mais detalhes na prancha técnica)

50

100

CORTE

A B

93


Durante as visitas ao local percebi alguns conflitos entre veículos motorizados e pedestres. A área “A” é usada como estacionamento aberto, embaixo do viaduto, como o fluxo dessa região aumenta nos períodos de entrada e saída do trabalho, há dificuldade de cruzar esse espaço, como outros caminhos cortados pelo viaduto. A quadra leste apresenta um problema maior, pois tem uma via que a contorna, como no local há um grande fluxo de pessoas (somado aos ambulantes), veículos e pedestres ocupam o mesmo espaço.

As travessias “B” mostram desconforto ao pedestre, por conta do fluxo, a proximidade com as curvas e uso de estacionamento, os caminhos se cruzam sem haver uma organização clara. As travessias “C” apresentam, principalmente no horário de pico” grande fluxo de pedestres, que se aglomeram na faixa de pedestres, embora haja maior clareza em sua organização, nesses momentos há a criação de um conflito grande fluxo de carros e pessoas, que para estas se torna uma barreira.

Para a definição de caminhos internos do equipamento, esses caminhos pré-existentes foram considerados. A fim de diminuir esses conflitos, como já foi indicado, houve a retirada do estacionamento na área “A”, substituindo por um subterrâneo. Observando o aumento da população, foi criado o caminho “D”, retirando a construção embaixo do viaduto, mantendo somente suas estruturas. Para melhorar o conflito da quadra leste, foi retirada a rua que a circun-

B C

C

A B

94


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

dava, criando uma nova ao lado da linha férrea, criando um desvio para o carro voltar às vias principais. Para organizar as travessias “B”, as curvas desses trechos foram afastadas das faixas de pedestres, que ficam ao nível da rua, permitindo uma melhor visão e segurança. A partir dessas medidas, espera que o a travessia “C” passe a ter menor fluxo de pessoas, uma vez que há a qualificação de outro percurso com o equipamento.

PERCURSOS

95


Como equipamento de travessia, foram criadas três áreas de usos em sua cobertura. O caminho em vermelho indica o percurso mais rápido de travessia, atraindo aqueles que atravessariam ainda pelo viaduto por ser um caminho direto. O caminho em laranja indicaria um uso intermediário, com grama e piso permeável, tendo uma melhor visão do entorno. podendo ter mobiliário e áreas sombreadas. A terceira área é o campo em verde, é gramado, com áreas de piso permeável e com a presença de shads permitindo a vista do interior do equipamento, além de iluminar o espaço durante a noite com a luz

96

interna, é um espaço destinado ao lazer, podendo ocorrer atividades e encontros.

ram importantes, focando no Largo da Concórdia e o edifício da estação.

Com a permanência dos quatro edifícios, houve a participação das suas empenas cegas para complementar o equipamento. Sendo uma área que abriga também atividades culturais, foi pensado o uso de algumas delas, como as empenas “A”, para projeção de vídeos, durante eventos. As outras empenas se tornariam murais de grafite, como uma forma de representação das diferentes culturas existentes, compondo a paisagem urbana.

Um dos papéis dos dois mirantes (“B”) é a possibilidade de ver a cidade de outro ângulo e desenvolver a relação do corpo no espaço (onde o Brás fica em localizado em relação a cidade, quais edifícios e equipamentos são vistos?), uma vez que o bairro adquiriu com o tempo uma relação somente de comércio com quem vai até ele, a possibilidade de vê-lo dessa forma poderia quebrar essa não identificação com o bairro em si.

As vistas para a cidade também fo-


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

USOS E VISTAS B

C A

B

A

97


As atividades que ocorrem no equipamento apresentam variações de tempo de uso, sendo separados em contínuos e esporádicos (indicando usos intensos em determinados períodos).

serviços (destinado aos imigrantes) e áreas administrativas. A biblioteca, por atender tantos as atividades esporádicas, apresenta material cultural, sala de informática e estudo, abrindo, então, para uma variedade maior de usuários.

Os contínuos estão marcados em verde, como restaurantes, lancho- Os esporádicos, voltados para ativinetes (que atendem o fluxo geral de dades (culinária, marcenaria e aula pessoas), os edifícios que prestam de idiomas) buscam atender a de-

98

manda das pessoas interessadas, dependendo da formação de grupos de alunos. As atividades na área de eventos e apresentações entra nesse grupo, ocorrendo atividades principalmente nos finais de semana, feriados e períodos noturnos.


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexão

TEMPOS

99


100


FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

101


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FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

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FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

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FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

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FLUXOS E FIXOS - uma forma de conexĂŁo

109


PRANCHAS TÉCNICAS E CARTAZ DE APRESENTAÇÃO


3 4

3 3

5

3 6

3

estacionamento 1-acesso (rampa i=15%) 2-motocicletas 3- automóveis 4- depósito 5- sala de armazenamento tratamento das águas pluviais 6- torre de ventilação

7

8

5 4 6 9

7

1

1- sala de aula de culinária e apoio ao restaurante (folha 3) 2- administração do curso de culinária 3- sala para apresentações e palestras 4- sala de aula de culinparia

17

2

9

7

3

4

10

11 12

6

4 8

5

1

2 8

8

12

9 8

3 6 7 4

15

5


PLANTAS FLUXOS E FIXOS. UMA FORMA DE CONEXÃO [folha 1]

esc: 1:500

2 3 6

5

7

8

1

cobertura

5- lanchonete/cafeteria 6- biblioteca 7- sala para acesso à computadores 8- sala de estudos 9- administração 10- sala para funcionários

1- serviço- rede de educação (folha 3) 2- serviço-rede de emprego (folha 3) 3- elevador 4- ponte metálica 5-Shed 6-cobertura da rampa 7- grama 8- argila expandida 9- placa de concreto permeável vermelha

11- apoio/depósito 12- sanitário 13- assistência social (folha 3) 14- serviço-rede de emprego (folha 3) 15- sala para eventos e apresentações 16- sala de idiomas 17- elevador 16

15

16 16 16

12 14

11 5

17

13

primeiro pavimento 1- restaurante (folha 3) 2- administração (folha 3) 3- área de eventos e apresentações artísticas 4- sala de apoio aos eventos e apresentações 5- camarim (vestiário, sanitário e mesa de apoio) 6- oficina de marcenaria 7- depósito 8- sanitário 9- acesso ao estacionamento

subterrâneo 10- acesso aos serviços (folha 3) 11- lanchonete/restaurante 12- elevador 13- bicicletário (com ferramentas de manutenção) 14- sala de armazenamento e tratamento das águas pluviais 15- torre de ventilação (estacionamento)

14

11

11 11

11 11

10 12

11

11 10

13

térreo


elevação 02

A

2,18m

C C

A B

9,91m

5,93m

elevação 01

B


CORTES FLUXOS E FIXOS. UMA FORMA DE CONEXÃO [folha 2] esc: 1:300

elevação 01

elevação 02

8,49m

4,16m 0,10m 3,00m

corte AA

9,91m 5,93m 1,85m

corte BB

8,49m 4,16m 0,00m

corte CC esc: 1:500


A 3

4

2

5

6º pav._auditório para eventos e palestras 1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4-sala de apoio 5- auditório

1

5º pav._administração

3

2 5

1

3 4 4

2

4º pav._curso para abertura de empresa

torre de ventilação

1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- salas de aula 5- sala de computação 6- apoio

shed

5

1

6

3 4 4

2

3º pav._curso para o primeiro emprego 1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- salas de aula 5- sala para atividades em grupo 6- apoio

5

1

3

4

2º pav._serviço-rede de emprego 1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- sala de atendimento 5- arquivo

2 1

5

3

4

1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- sala de atendimento 5- arquivo

5

térreo_acesso e restaurante

3

2

4

1

1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- restaurante 5- cozinha

5

C

7,46 de altura, abertu partir de 4.1

1,50m de al 2,50x2,50 de b fechamento em vi policarbon

esc: 1:200

pav. padrão

B

5º pav._serviço de atendimento juríd 4º pav._serviço-rede de habita 3º pav._ serviço de regularização documen 2º pav._serviço-rede de educa 1º pav._ serviço de assistência so

1

4

1º pav._serviço-rede de emprego

2 1

FLUXOS E F

1-elevador 2-recepção 3- sanitários 4- administração 5- sala de reuniões

4

6

PL DE

2

6

7 3

5

2

1

1-eleva 2- recep 3- cadastro e aná 4- administração/diret 5- arquivos/ap 6-coz 7- sanit

térreo_acesso restauran 4

D

local de tratamento para reúso da água pluvial

5

3

1-recep 2-eleva 3- restaur 4- coz 5- sani


LANTAS/ ETALHES

FIXOS. UMA FORMA DE CONEXÃO [folha3]

o_

telhado verde_

ura a 16m

d_

ltura base idro/ nato

esc: 1:100

o_ 2

1

C 4

5

6 7 8

esc: 1:25 Pilares mistos_ principal- com 4 condutores verticais de 10cm de diâmetro cada, destinado para água pluvial Complementar - com 6 condutores de 7 cm de diâmetro para passagem de cabos de energia

1º pav._ restaurante/curso

térreo_ restaurante

6 2 1

camadas: vegetação- grama santo agostinho substrato-15cm tecido para filtragem estrutura para drenagem-7cm menbrana anti-raiz impermeabilizante

1- sala de armazenamento de alimentos 2- sala de higienização 3- sala de pré-preparo (descasques, fatiamento e lavagem) 4- administração do restaurante 5- depósito 6- sanitário 7- apoio 8- ponte de ligação com salas de aula do equipamento

3

ador pção álise toria poio zinha tário

pção ador rante zinha itário

3 2

1

dico ação o de ntos ação ocial

e nte

esc: 1:300

3 4 5

1-restaurante 2-cozinha 3- acesso para recebimento de alimentos 4- sanitário 5- apoio 6- acesso de moradores

térreo_ administração 1-administração (atividades da marcenaria e apresentações) 2-cozinha 3- sanitários 4- depósito 5- apoio 6- elevador 7- acesso de moradores

D 1

2 3

3 5

7

3

6

4

pontos de captação de água de chuva e área de influência esc: 1:500

local de tratamento para reúso da água pluvial

A

B


FLUXOS E FIXOS, UMA FORMA DE CONEXÃO Construção de espaço nos diversos espaços do Brás

H

5

J

H

H

B I

II E

I

I

H C

I

A

B 4

I

G

1

2 0 5 10 20

1 1

3

4

5

50

planta primeiro pavim

planta térreo

2

G

D


H

TGI 2.019 B

A H

G

C

3

C

elevação 01

elevação 02

Jessica Natal Fonseca

G 100

mento

A

B 0 5 10 20

50

100

planta cobertura

LOCAL

O tranquilo início do Brás é marcado como um trajeto que ligava a outras regiões, separado do centro pelo Rio Tamanduateí, fazia ligação com regiões mais afastadas ao leste e a Capital da época, Rio de Janeiro. Com a implantação da linha de trem, que transportava a produção de café do interior para Santos, e a construção de uma estação, o bairro passa por grandes mudanças, recebendo imigrantes da Europa, principalmente italianos, que constroem o Brás, apartado do centro, uma vez que havia resistência no recebimento deles pelos que já moravam na cidade. Nesse mesmo período, a combinação da linha férrea e terras baratas favorece o desenvolvimento industrial, tornando essa nova população a sua mão de obra. Com a maior fixação dos italianos e desenvolvimento do bairro eles passam a trazer e adaptar sua cultura e modo de usar a cidade a esse ambiente, construindo teatros, cinemas, casas de bailes e carnavais de rua. Com o passar do tempo e importantes eventos, novos grupos de (i)migrantes chegam ao bairro, como os nordestinos, coreanos e bolivianos, em busca de uma oportunidade de emprego, junto ao baixo custo de moradia, e a cada nova vinda e fixação há a constante reconstrução do que é o Brás, com diversos conflitos e adaptações. A linha férrea, importante elemento de desenvolvimento, trouxe um desafio ao bairro, sua divisão, uma barreira que corta o Brás ao nível da rua, tendo como uma resposta da cidade a construção de muros e criação de dois viadutos (Viaduto Maestro Alberto Marino e Gasómetro) em seu principal eixo viário. Os viadutos, embora resolvesse parte dos problemas do cotidiano, não trazia uma solução satisfatória ao bairro, oferecendo até hoje poucos pontos de travessia ao pedestre, além da baixa qualificação desses espaços. Hoje, deixando de ser somente um bairro industrial, desenvolvendo grande centralidade pouco após o início da chegada dos imigrantes, também faz parte do centro expandido de São Paulo, contando com importantes eixos de transporte, fazendo ligação com a Zona Leste. Por conta desses eixos -trem, metro, avenidas- e sua forte economia -entre eles, vestuário, madeireira e cerealista-, o bairro tem, segundo a prefeitura, um fluxo diário de cerca de 300 mil pessoas.

PROJETO

A partir de sua história e atual conformação do Brás, o projeto pretende atender a três pontos: . Criar uma transposição que ofereça melhor conexão entre as áreas do bairro que são divididas pela linha férrea. Por conta dessa grande barreira o Brás apresenta grande fragmentação, criando diversos bairros dentro dele, nesse meio, um equipamento de ligação poderia trazer um espaço de maior integração dessas áreas, que ainda passarão por um grande adensamento populacional,

elevação 01

exigindo mais travessias qualificadas. . Oferecer apoio aos imigrantes. Muitos ainda vêm ao bairro atrás de emprego, uma vez que não conseguem atuar na sua formação anterior, entretanto acabam sendo mal remunerados na área da costura (com denúncias de trabalho análogo ao escravo), ou atuam na informalidade, principalmente como ambulantes. Além desse desafio, há a barreira do idioma e a dificuldade de fixação desses grupos para obtenção de novas oportunidades e moradia. . Promover a criação e uma rede de serviços para imigrantes, criando uma conexão com toda a cidade. Por pertencer a uma área com fortes eixos de transporte e próxima ao centro, o equipamento busca fazer ligações com outras instituições (culturais, educacionais, por exemplo) e empresas, a fim de oferecer melhores oportunidades para a fixação aos imigrantes. As atividades

elevação 02

seriam de troca (de experiências e conhecimentos) e apoio (como obtenção de documentos, obtenção de emprego/independência econômica e realização de cursos). Com esses objetivos, o equipamento conta com salas de cursos direcionados para atividades locais (marcenaria [A] e culinária [B]), além do curso de idiomas [C], buscando integrar os imigrantes a economia local (fixação), aliando seu conhecimento individual cultural ao que existe no bairro. A preocupação de integrar ao local é também uma forma estabelecer a comunicação entre a população que mora e trabalha no bairro e os imigrantes. Há também uma biblioteca [D] de apoio às atividades e material para conhecimento das diversas culturas pertencentes ao bairro.

corte AA

A fim de aumentar o contato entre a população que transita nesse espaço (indo às áreas de comércio ou realizando a travessia entre as áreas - as passagens ocorreriam pelo equipamento) houve a preocupação que esse equipamento se diluísse na cidade, permitindo grande permeabilidade física e visual, que se estenderia aos cursos e atividades. Retomando parte da história do Brás, um dos elementos que se mostrou importante e fez parte do projeto foi o desenvolvimento de uma área de apresentações teatrais [E] (que contariam com salas de apoio [F]) combinadas com os fluxos existentes (no térreo e rampas), por conta disso as peças seriam adaptadas para “teatros de rua”, permitindo o apoio e participação de imigrantes, que poderiam ter contato com as escolas do bairro ou produzindo estruturas a partir da oficina de

corte BB

marcenaria. Quatro edifícios existentes nas duas quadras de implantação se mantiveram, dois deles contariam com serviços de apoio e fixação de imigrantes [G] e os outros dois seriam de moradia [H]. Três deles teriam restaurantes/lanchonetes no térreo [I], com um deles voltado para culinária de imigrantes [J] (ligado ao curso de culinária), o último edifício teria em seu térreo áreas de apoio às atividades [K].

corte CC


REFERÊNCIAS:

AMADIO, Decio. Desenho urbano e bairros centrais de São Paulo: um estudo sobre a formação e transformação do Brás, Bom Retiro e Pari. 2005. Tese (Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. doi:10.11606/T.16.2005.tde-24032010-093752. Acesso em: 20 Abril 2019. BARIONI, Bárbara. O Brás, a ferrovia e o pedestre. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 190.05, Vitruvius, maio 2016 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.190/6032>. Censo da população em situação de rua da cidade de São Paulo, 2015, resultados. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/observatorio_social/2015/censo/FIPE_ smads_CENSO_2015_coletivafinal.pdf>. Acesso em: 12 Maio 2019. Diálogos na USP discute a reurbanização do Centro de São Paulo. Entrevistador: Marcelo Rollemberg. Entrevistadas: Raquel Rolnik e Fraya Frehse. , 25 Maio 2018. Disponível em: <https://jornal.usp.br/atualidades/dialogos-na-usp-discute-a-reurbanizacao-do-centro-de-sao-paulo/?fbclid=IwAR1czKoFxHcGagw46IusJ3xFKn7s2tU_lUX66VI08vvWXH5n2ur84OgkD0M> Acesso em: 05 Junho 2019 GOMES, Sueli de Castro. O COMÉRCIO DO BRÁS E A INSERÇÃO DOS MIGRANTES NACIONAIS, ASIÁTICOS E LATINOS. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina. Universidade de São Paulo, 2005. Disponível em: http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal10/Geografiasocioeconomica/Geografiadelapoblacion/23.pdf. Acesso em: 12 Maio 2019.


KHOURI, Juliana Mouawad. Pelos caminhos de São Paulo: a trajetória dos sírios e libaneses na cidade. 2013. Dissertação (Mestrado em Estudos Árabes) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. doi:10.11606/D.8.2013.tde-10032014-095235. Acesso em: 20 Abril 2019. Planejamento urbano em São Paulo. Disponível em: <https://gestaourbana. prefeitura.sp.gov.br>. Acesso em: 20 Abril 2019. NASCIMENTO, Douglas. As Porteiras do Brás. Disponível em: <http://www. saopauloantiga.com.br/as-porteiras-do-bras/>. Acesso em: 05 Maio 2019. Museu da Imigração. Disponível em: <http://museudaimigracao.org.br/>. Acesso em: 05 Abril 2019. REALE, Abe. Brás, Pinheiros, Jardins: três bairros, três mundos. São Paulo: Pioneira/Edusp 1982. Mapa da desigualdade, 2018. Disponível em: <https://www.cidadessustentaveis.org.br/arquivos/mapa_desigualdade_2018_apresentacao.pdf>. Acesso em: 20 Abril 2019. SILVA, Silvana Cristina da. Circuito espacial produtivo das confecções e exploração do trabalho na metrópole de São Paulo: os dois circuitos da economia urbana nos bairros da Brás e Bom Retiro (SP) . Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/286985>. Acesso em: 07 Abril 2019.


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TGI II - Fluxos e Fixos, uma forma de conexão.  

2019

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