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Ele se chama Spider. Eu só o conhecia como o cara pecaminosamente lindo com olhos da cor de fogo que o destino colocou ao meu lado no avião. Não sabia quem ele realmente era... a futura estrela do rock... o meu meio-irmão. Ele me beijou porque achava que nunca nos veríamos novamente. Nós iríamos. Todos me avisaram sobre ele. Eles disseram que ele era implacável e ferrado. Que ele me deixaria com um buraco no meu coração. Talvez, eu deveria ter escutado. Talvez, devesse ter construído uma fortaleza para mantê-lo longe. Mas, eu me apaixonei em vez disso. Eles dizem que um fio inquebrável liga aqueles que estão destinados a se encontrar. Se isso for verdade, então no momento em que ele se sentou ao meu lado, fomos unidos para sempre. Ele só tinha que descobrir isso antes que fosse tarde demais...

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Parte I Muitas vezes encontra-se o seu destino na estrada que leva para evitรก-lo.

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Capítulo Um ANTES Rose Um relâmpago cruza o teto do meu quarto e eu acordo com um pulo na escuridão. A Mamãe tem tocado música alta a noite toda, mas é a tempestade que me assusta, é um tremor de sacudir as paredes dentro de nossa pequena casa em um bairro degradado de Dallas, no Texas. Comumente é referido como Tin Town por causa de seus ferros-velhos, centros de reciclagem e lotes de carros usados, é um viveiro da pobreza e crime. Como eu sei disso se eu tenho apenas onze anos? Porque vejo as notícias, muito obrigado. Às vezes até vejo a minha rua lá quando alguém é baleado ou assaltado. Os sons de gotejamento atingem meus ouvidos e vejo como uma pequena gota escorrega pela minha parede. Uma grande rajada de vento soprou as telhas do telhado na última primavera, fazendo com que o vazamento no teto escorra no canto do meu quarto. Mamãe disse que ia buscar o proprietário para consertá-lo, mas nunca o fez. A voz profunda de um homem traz o som do "Hotel California" dos Eagles, e meu coração mergulha. Todos os pensamentos de voltar a dormir desaparecem. Conheço bem essa voz. É do namorado da Mamãe o Lyle - ou um pedaço de merda, como a avó gostava de chamá-lo.

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Ele vem de vez em quando e começa a deixar a mamãe irritada. Eles brigam como gato e cachorro, se dilacerando com os punhos e lançando insultos, e então, tão apressadamente, eles se reconciliam e se beijam. De fora no corredor, parece que eles estão discutindo, e enrijeço, o ar crepitando com uma energia estranha. Talvez seja a tempestade batendo contra a casa ou o timbre escuro de sua voz, mas algo está fora. Eu ouço a mamãe cacarejar como ela faz quando ela está alta, e o medo me pica sobre mim, enviando arrepios por todo o caminho para meu couro cabeludo. A minha avó sempre disse que eu tinha bons instintos e que eu tinha herdado sua capacidade de ler as pessoas, e eu confio agora. Tempo para se esconder. Lutando fora de minhas cobertas, corro debaixo da minha pequena cama, empurrando a poeira para fora do caminho. Agarrada ao meu peito há um ursinho de pelúcia A avó me deu antes de morrer. Há uma briga na minha porta. Sussurros. Meu medo se acumula. – Apenas deixe-me olhar para ela. – o ouço dizer a Mamãe. – Eu não vou machucá-la. – Ela está dormindo. Deixe-a em paz. – a Mamãe diz de maneira vacilante, e imagino que ela está passando as mãos em seu peito como faz antes de ir ao quarto. Ela está tentando distraí-lo de mim, porque ela se preocupa comigo, ou porque ela está com ciúmes. Eu nunca sei seus motivos; ela é uma das poucas pessoas que não consigo ler. – Vamos. – ele a persuadiu com uma voz provocante. – Deixe-me ver a sua menina bonita. Eu quero ver como ela cresceu. – seu tom é

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suave, mas há escuridão lá, uma qualidade que faz com que o cabelo em meus braços fique de pé para cima. Eu não quero que ele venha no meu quarto. Eu sei o que os homens como ele querem. Eu vejo a maneira como ele olha para mim. Ele diz que eu tenho pernas longas, o suficiente para envolver em torno de um poste de stripper. A avó me avisou que um dia ele também viria até mim. A maçaneta se move. Fuja! Movendo-me nas mãos e joelhos, voo para fora da cama e rastejo para a janela ao lado. Flashs irregulares de relâmpagos piscam lá fora, enquanto abro a janela e subo no peitoril, empoleirada por meio segundo antes de saltar. Pouso em uma poça de lama no fundo, gotas marrom pingam nas minhas pernas nuas. O vento me atinge, enquanto corro, em direção aos pinheiros finos nos fundos da casa. Olhando por cima do meu ombro, vejo uma luz, acesa no meu quarto e ouço a Mamãe chamando o meu nome. Ouço sua voz, irritada e dura, enquanto ela grita por mim pela janela. Seu tom enche meu estômago de gelo. Eu me escondo atrás de um tronco e me abaixo tremendo, enquanto a tempestade cai me atingindo. Eles nunca vieram até mim.

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Horas depois, pisco meus olhos, enquanto o sol aparece. Eu quero ir para casa, mas às vezes o Lyle permanece lá por dias até que ele se canse da Mamãe. Na baixa luz da manhã, ando ao longo de uma trilha através do bosque para o Quickie Mart¹ na estrada principal. A minha intenção é clara: roubar algo para comer. Já fiz isso antes, um saco de batatas fritas aqui, uma barra de chocolate ali. Eu vejo o lixo oxidado verde no estacionamento dos fundos e paro, com meus sentidos em alerta máximo, vendo como um maço de dinheiro e um pacote marrom são trocados entre um adolescente com cabelo branco despenteado e um traficante de drogas conhecido no bairro. Eu não posso desviar o olhar. O adolescente é novo para mim, ele é lindo com maçãs do rosto proeminentes que acentuam perfeitamente o nariz reto e os lábios carnudos. Ele usa um jeans limpo que me faz o invejar, uma blusa de gola alta preta e com faixas no cabelo que faz o seu cabelo branco destacar. O seu cabelo é tão brilhante e arrumado, imagino que ele gaste mais tempo arrumando-o do que eu demoro toda a manhã quando tomo banho e me preparo para a escola. Uma jaqueta de couro que aparenta ser cara completa a sua roupa. Ele parece uma estrela de cinema e, obviamente, não pertence a este bairro. Eu deveria pelo menos me esconder nas altas ervas daninhas, uma vez que é um acordo de drogas, mas não me escondo, imobilizada por como diferente ele é de alguém que já conheci, com os meus olhos

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grosseiramente presos na forma como os seus ombros encolhem sem esforço enquanto ele fala. O analiso como faço com todos, arquivando-o no armário da minha mente: bonito, arrogante, rico e um problema. Seu rosto vira diretamente para mim, seus olhos escuros que se movem por vontade própria. Mais rápido do que o relâmpago, eu me escondo nas ervas daninhas, com o coração acelerado. Os minutos vão passando lentamente, enquanto me agacho na grama encharcada pela chuva. Finalmente, ouço um carro começar a se afastar. O alívio percorre através de mim. No ano passado, uma das crianças da minha escola testemunhou um acordo de drogas e se gabou disso, nos contando todos os detalhes e até os nomes. Cerca de uma semana depois, ele simplesmente desapareceu, e ninguém soube o que aconteceu com ele. Eu espero, contando até cem antes de me levantar. Quando chego a cinquenta, um par de tênis caros aparecem na minha frente. – Oi. Você está procurando por insetos aí embaixo? – diz o cara bonito, com o seu sotaque estranho. Olho para ele. – Eu não vi nada. Ele faz aquela coisa de encolher os ombros, aquela em que os seus olhos iriam automaticamente para o seu peito. É um bom peito, tanto quanto posso dizer. Ele não é forte como um jogador de futebol, posso lidar com ele se for preciso. – Não me importo com o que você viu. Qual é o seu nome? – Não sou ninguém importante. – digo laconicamente, desafiando-o a me contestar.

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Seus lábios se contraem. – Prazer em conhecê-la, ninguém importante. Quando você irá se levantar e me deixa te ver? Eu me levanto e o enfrento. Ele levanta a sobrancelha para minhas pernas nuas e a minha camisa de dormir. Puxo a barra do tecido, esperando que cubra a minha bunda. Ela cobre... mal. Devo parecer como um rato molhado. Ele franze os lábios, com os olhos castanhos me observando intensamente, fazendo-me contorcer. Acho que vejo um lampejo de compaixão no rosto. – Deixe-me adivinhar, você fugiu de casa? Os meus lábios se apertam. Não vou falar do Jack para ele. Posso enrolar esse garoto em dois segundos e depois correr como o vento se for preciso. Ele olha ao redor do estacionamento. – As coisas podem ser difíceis em casa, garota, mas este não é um bom lugar para você. Há coisas aqui, você sabe o que quero dizer? Uma garota poderia entrar em um grande problema. Eu olho para ele. Ele acha que eu sou lerda? É claro que este lugar é perigoso. Meu mundo inteiro é. – Você tem um lugar para ir? Alguém que você quer que eu ligue? – seus olhos pousaram sobre o ursinho que peguei na saída. Puxo-o mais perto do meu peito. – Estou com fome. – deixei escapar. Ele suspira fundo e esfrega o rosto, com a sua expressão pensativa enquanto ele se inclina para mim. Do bolso vem outro maço de dinheiro como o que eu vi antes. Ele tira três notas. – Aqui. Tome isso e compre

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um pouco de comida e não o gaste em doces. Compre alguma proteína para você. Você está magra. Olho o dinheiro com desconfiança mesmo quando o meu punho o segura. Nunca vi uma nota de cem dólares, muito menos três ao mesmo tempo. Isso é o suficiente para me manter com barras de chocolate por meses. – O que você quer de mim? – sei o que acontece quando os homens dão dinheiro às mulheres. Eles sempre querem algo em troca. Ele franziu a testa novamente e coloca as mãos nos bolsos. – Nada. Apenas pegue algo para comer, e se as coisas ficarem difíceis em casa, chame a polícia ok? – A polícia não é nada boa. Eles só me colocariam em outra casa, e pode ser uma que é ainda pior. – dou a ele o meu olhar, você deve ser um idiota. – Fugi algumas vezes também, criança. Já estive no seu lugar. – Sim, e daí? – encolho os ombros. Ele ri de mim, e olho para ele, fascinada mais uma vez. Quanto mais ele fala com esse sotaque estranho, mais quero olhar para ele. Observo o anel de caveira no seu dedo, o redemoinho de uma tatuagem que aparece para fora de sua gola alta. Ele parece um bad boy, mas ele não é, mesmo que esteja no estacionamento dos fundos do Quickie Mart. É o coração que sempre sabe, e o meu sabe disso. – Quantos anos você tem? – deixo escapar. Ele sorri para mim com um flash de dentes brancos. – Dezesseis. – Eu tenho onze anos. – falo a ele com um olhar. – Você pinta o seu cabelo dessa cor? É extremamente branco. A princípio, pensei que você poderia ser um albino, mas seus olhos são da cor errada para isso e sua pele não é pálida.

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Ele joga a cabeça para trás e ri... como ele se ele fosse intocável e fosse dono do mundo. O meu estômago ronca. Ele fica sério. – Você precisa comer. Eu encolho os ombros. Não ajuda que fui para a cama com fome. – Porque você está me olhando? – pergunto depois de alguns minutos de sua observação. Ele balança a cabeça, como se estivesse atordoado. – Eu não sei. Você me intriga e estou entediado. Indico a protuberância no bolso lateral. – Você comprou as suas drogas. O que está mantendo você em TinTown? Ele coça a cabeça, e nós nos olhamos fixamente. – Dê-me o seu braço. – ele diz alguns segundos depois, quando ele se aproxima de mim. Estremeço, é um velho hábito e dou um passo firme para longe dele. – Não. Ele levanta as mãos de uma forma apaziguadora, depois tira uma caneta do bolso da jaqueta. – Eu não vou te machucar... deixe-me dar a você o meu número no caso de você entrar em algum grande problema, ok? Eu aceno com a cabeça, observando-o cautelosamente enquanto ele se aproxima mais, pegando o meu braço e escrevendo os números em meu antebraço: 555-481-9066. – Esse é o meu número de telemóvel. – É chamado de celular, e se alguma vez conseguir um, irei ligar para você. – falo com frieza, tentando parecer mais velha do que sou. – Pode demorar um pouco. Eu não sou rica, você sabe.

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Os seus lábios curvam novamente e ele balança a cabeça. – Você me lembra de alguém. Eu inclino a minha cabeça. – Quem? – Ninguém importante. – ele faz uma pausa, com o seu rosto triste. – Eu. Eu sorrio. – Você vai ficar bem, certo? Você vai me ligar se precisar de ajuda? – Sim. Ele acena com a cabeça e se afasta de mim, caminhando para trás como se quisesse manter os seus olhos em mim o tempo todo. Mas não é um olhar estranho e desprezível como o do Lyle, quando ele me olha; não, é mais... como se ele não soubesse qual categoria me colocar. Eu entendo isso. Eu coloco todos em uma categoria. Tenho um faro para isso. Lyle: ruim. Avó: boa. Mamãe: quem diabos sabe. O Cara lindo é um dos bons. Talvez, ele pense que sou também. Um rubor quente colore o meu rosto. – De onde você é? – pergunto a ele quando a distância entre nós aumenta. Não quero que ele vá. – Do outro lado da lagoa. – ele responde com alegria, enquanto ele caminha em direção a um jipe preto com rodas tão brilhantes e nítidas

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que brilham como o sol. Ele me dá um último olhar e abre o carro, a música de rap explode, enquanto ele sai do estacionamento. Eu sinto falta dele imediatamente. Depois de devorar um saco iscas de frango e duas barras de doces, caminho de volta na trilha, com meus pensamentos ainda nele. Ele me deu dinheiro e não queria nada em troca. Quem diria que essas pessoas existem? Venho para a fileira de árvores e a minha janela ainda está aberta, com as cortinas se movendo ociosamente com o vento suave. Caminhando para frente da casa, vejo que o Lyle já se foi. Abro a porta e entro na varanda. A sala cheira como cigarros velhos e alimentos antigos. Vejo a mesa de café tombada, o vaso quebrado e as garrafas de cerveja espalhadas pelo chão. Já vi isso antes. Está tudo bem. Ela está bem. Encontro a Mamãe atrás do sofá, com a cabeça inclinada para um ângulo estranho, seus olhos vazios olhando para mim, lembrando-me de um peixe morto do mercado. Ela está assustadora. A minha respiração muda, chegando mais rápido. – Mamãe? – minha mão segura o apoio do braço no sofá. – Mamãe? Esticando o polegar em sua direção, toco a sua mão e depois para a sua pele fria. Largo o meu saco de comida e grito tão alto quanto posso.

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Até que a minha garganta esteja seca. Até que as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Até a polícia correr pela porta. E, mais tarde, nada se encaixa até que o destino me dá uma rasteira e me recompense no meu caminho. Até eu vê-lo novamente...

1.

Quickie Mark: nome do supermercado.

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Capítulo Dois Seis Anos depois spider Essa não. Não só minha cabeça está latejando, mas estou perdendo tempo com uma senhora o suficiente para ser minha avó. A segurança do portão bem vestida cruza os braços. Ela está cansada de mim. A maioria das mulheres chegam nesse ponto, eventualmente. – Senhor, você não pode carregar sua guitarra. Você precisará se restringir a isso. – Faça uma exceção para mim? Por favor, Betty? – eu digo, olhando para o crachá e acentuando o meu sotaque Inglês. Geralmente, meus tons pausados me deixam fora de situações difíceis, especialmente com a metade feminina da população, mas eu estava batendo em uma parede de tijolos desde o momento em que caminhei até o balcão. Talvez, sejam minhas tatuagens, a jaqueta de couro e a regata de malha - eu não grito exatamente como um cara bom. Os seus olhos redondos percorrem em cima de mim, demorando na obra de arte da viúva negra no meu pescoço, e em seguida, se movem para olhar para o meu cabelo. Eu o toco conscientemente. É azul cobalto neste mês, puxado para trás em um estilo pompadour² com os lados raspados próximo do meu couro cabeludo. Na próxima semana, estarei pintando de branco. Não importa a cor, as meninas ficam loucas por ele.

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Não a Betty. – Sinto muito, mas você já tem uma bagagem de mão e um item pessoal. Isso é tudo o que é permitido no avião. Essas são as regras, e elas estão claramente escritas. – ela aponta para uma placa na parede ao meu lado que explica as regras para voar com a Delta. É a segunda vez que ela apontou-as para mim, e o idiota teimoso que eu sou, me recuso a olhar. – Mas ela é meu verdadeiro amor. – levemente explico o caso. – Isso é uma guitarra. – ela me diz secamente. Levanto o estojo em cima do balcão e abro os fechos de metal, dando a ela uma visão do instrumento amarelo e azul. – Ela é uma Gibson Les Paul é arrojada para caramba, mas leve, ao mesmo tempo. Ela é feita a partir de carvalho com incrustações de jacarandá o melhor que o dinheiro pode comprar, no valor de mais de cinco mil. Paguei por este bebê sozinho. Meu querido pai nem sequer me ajudou. – aponto para uma faixa horizontal pequena no final do revestimento no braço da guitarra. – Vê isso aqui? Essa é a porca do baixo e ela controla a posição da corda. Ela é feita de um osso verdadeiro. Não sei que tipo de osso é, mas gosto de pensar que é de um leão ou um tigre. Claro, eles não foram mortos para fazer a guitarra, mas seus ossos foram doados depois que eles morreram em alguma majestosa batalha na natureza. Oportuno, não é? – sorrio. Vamos, Betty, deixe-nos entrar no avião, os meus olhos imploram. Mas, a Betty me ignora, as sobrancelhas grisalhas grossas baixaram em uma carranca por trás dos minúsculos óculos de leitura. Seus lábios finos se fecham, enquanto olha para baixo, para a bela obra de arte. – Por favor, tire esse item da minha mesa, senhor. Eu me inclino sobre o balcão, arregalando os meus olhos, dando-lhe o efeito Spider completo, ou em outras palavras: meus deslumbrantes

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olhos com longos cílios pretos. As pessoas me dizem que é um olhar que é devastador para os órgãos reprodutivos femininos, e eu me pergunto se ela tem essa anatomia funcionando, porque ela não parece perturbada pelo o meu fascínio, mesmo quando mordo o meu lábio. – Helene e eu esse é o nome dela, Helene - estamos juntos desde que eu tinha quatorze anos. – Isso é legal. – ela já está olhando por cima do meu ombro para a pessoa atrás de mim. Eu continuo, mentindo através dos meus dentes. – Minha namorada me largou, enquanto eu estava aqui em Nova York. – a verdade é que não é difícil fingir sentimento com uma ressaca enorme. – Ela sempre teve um problema com traição. Uma vez foi com meu primo que ela dormiu - fale sobre algumas reuniões estranhas da família depois disso. – suspiro. – Viemos aqui para... você sabe, para conhecer as coisas, e então, ela o conheceu. – Olhe, Sr... – Por favor, me chame de Spider. As sobrancelhas dela levantaram e seus olhos saltaram para a tatuagem da viúva negra no meu pescoço. – Hum, Sr. Spider, eu sinto muito pela sua namorada. Ela parece horrível, mas... – Você já foi traída, Betty? Ela balança a cabeça, embora, com um pouco de má vontade. Eu aceno minhas mãos para ela. – Você sabe, então - da decepção. Deus, a maneira que ela me tocou. – Foi seu primo de novo? Eu aceno com a cabeça, esfregando meus olhos com um guardanapo que eu coloquei no bolso ontem a noite no clube. Olho para a Betty,

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vendo como ela se move trocando os pés, os seus olhos me avaliam, procurando por sinceridade. – Meu cachorro também morreu na semana passada. – joguei como um último esforço, chamando a atenção dela para mim. A coisa é, que estou indo ver o meu pai, e apenas o pensamento de vê-lo me faz querer vomitar. Ele verá como estou e saber a verdade. Eu preciso de ajuda. Mas, também... foda-se. – Qual era a raça do cachorro? – Betty pergunta, me surpreendendo. Qual era a raça do cachorro? Merda. Eu paraliso, incapaz de tirar uma raça de cachorro do nada. Pense em um cachorro! Não é tão difícil. Como aquele collie³ colorido que teve seu próprio programa nos anos setenta? Ah, minha cabeça. Deus, as ressacas me consomem. – Diga Yorkie. – uma voz feminina sussurra no meu ouvido por detrás, o impulso das suas palavras causam arrepios que deslizam para baixo da minha coluna, enquanto ela respira no meu pescoço. – Eles são fofos e pequenos. Ela vai gostar deles. Além disso, eu realmente aprecio se você sair do meu caminho para que eu possa pegar o meu avião. Você está segurando essa fila para sempre. Isso é rude. O calor da menina me deixa quando ela dá um passo para trás. Sinto-me sumariamente abandonado. – Collie³. – digo a uma Betty em espera. – Como em Lassie, o programa de TV. – Também gosto dos Yorkies. – Betty murmura, enquanto ela tecla no computador. – Eu te disse. – resmunga a voz da menina atrás de mim.

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A ignoro e coloco o nosso CD mais recente na mesa, autografandoo rapidamente com um marcador permanente da minha mochila. – Algum dia vou ser famoso, e esse é meu presente para você e não vou te dar isso, por você cuidar da Helene... isso é porque você é uma bela mulher, Betty, e toda mulher bonita merece um pouco de surpresas em seu dia. – meus lábios ampliam em um sorriso. – Mas, se você puder encontrar uma maneira de colocar a minha guitarra no avião, bem, isso seria apenas a cereja do bolo. Talvez, eu escreva uma canção sobre você - Betty soa bem para isso. E eis que uma covinha aparece em cada uma das suas bochechas, enquanto ela pega o CD e me dá um olhar mais caloroso. – Nós temos um lugar na primeira classe que geralmente reservamos para os casacos e afins. Talvez, haja espaço lá. Deixe-me verificar. Então, dois segundos depois ela chama alguém, para verificar se eles têm um lugar para a minha guitarra. Eu sinto a vitória. Algo suave me cutuca na parte de trás. – O que... – eu me viro e vejo um travesseiro grande que está atualmente segurado pela garota que sussurrou em meu ouvido. Movo meus olhos para cima e me concentrei nela. Lábios vermelhos como rubi. Um vestido preto justo. E um par de Converses cano alto vermelhos. Porra. Eu mordo o meu lábio - e desta vez, isso não é falso. A garota do travesseiro checa todas as minhas caixas. Eu meio que esperava alguma velha com uma roupa de freira, mas ela não parece velha, talvez próximo da minha própria idade de vinte e dois anos. Ela é linda de uma forma que faz com que os caras - e as

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meninas - olhem para ela duas vezes – talvez, três vezes, mas vejo mulheres lindas o tempo todo na estrada. Seus olhos arregalados me olham fixamente, pousando na minha tatuagem, e depois caindo para observar os meus ombros, quadris e pernas. Sorrio amplamente porque sei que pareço apertado. O meu rosto é quase perfeito, meus ombros são musculosos e as minhas longas pernas parecerem muito boas em um jeans. – Sinto muito, eu acertei você. – ela diz com um levantar de sua sobrancelha. De alguma forma, eu não acho que ela sente muito. Acho que ela estava tentando chamar a minha atenção. Sorrio. – Já pensou tentar um travesseiro de pescoço ao invés dessa coisa gigante? – apontei com a cabeça para o seu grande e fofo acessório. – Eles são pequenos e para viajar é bem melhor. Você pode até comprar um no aeroporto. Seus lábios carnudos, perfeitos e fodidos, se fecham. – Eu gosto do meu travesseiro. Faço uma pausa, enquanto uma sensação de déjà vu passa por mim. Há algo sobre o rosto dela... Inclino a minha cabeça. – Eu te conheço? Ela balança a cabeça, mas ela não parece certa. Eu olho para ela com os olhos entreabertos. – Você tem certeza de que não nos conhecemos antes? – Nós não nos conhecemos. – ela me diz secamente. – Vi sua banda em Greenwich Village ontem a noite. Ah, aquele bar ao lado da Universidade de Nova York. Tinha sido um show lotado, e não saí de lá até as três da manhã.

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Eu aceno com a cabeça. – Que vergonha. Não me lembro de você. Ela encolhe os ombros. – Não estou surpresa. Você estava coberto de garotas. – Nós podemos nos conhecer um ao outro no avião? – pergunto a ela, levantando uma sobrancelha em sua direção. Ela pisca para mim como se a perturbasse, e isso me faz sorrir. – Você não é meu tipo. – É uma pena. – murmuro. – Você é o meu. Os seus olhos se arregalam. Betty desliga o telefone. – Boas notícias! Você pode levar a sua guitarra. Há uma comissária a bordo chamada Heidi que estará procurando por você. Finalmente. Eu sorrio amplamente quando a Betty examina a minha passagem, dou um sorriso sarcástico para a garota e saio para embarcar no avião, com os meus pensamentos em ver o meu pai pela primeira vez em seis meses. Ele me chamou para sua casa em Highland Park, fora de Dallas, onde ele está começando uma nova vida. Ele quer que eu conheça a sua nova esposa onde podemos fingir ser uma grande família feliz. Tanto faz. Se eu quiser o seu dinheiro, tenho que jogar de acordo com suas regras.

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Eu desço pela a escada de desembarque e paro na entrada do avião, onde uma comissária de bordo está cumprimentando os passageiros. – Heidi? – digo, enquanto os meus lábios se curvam para a ruiva curvilínea com a típica saia azul marinho e saltos. Ela sorri também, me observando. – Você deve ser o dono da guitarra. – Sim. Ela ri. – Ótimo. Só guardarei isso no armário de casacos na primeira classe para você. Você pode pegá-la quando aterrizarmos. – seu sorriso se amplia. – Adoro seu sotaque. Você tem uma banda? Eu aceno com a cabeça. – Sim. O Vital Rejects. Já ouviu falar de nós? Ela me dá um olhar vazio. – Sim, não somos ninguém... no momento. Ela joga uma mecha de cabelo sobre o ombro dela. – Eu vou ter certeza de te verificar muitas vezes. – ela me diz, com os seus lábios se curvando. – Se você precisa de um cobertor ou um travesseiro... – Santo Deus, você nunca para de flertar? Por favor, somente entre. Você está bloqueando o caminho para todos. – diz uma voz irritada atrás de mim. A garota do travesseiro. Caramba, ela está em toda parte. Eu a observo com divertimento, enquanto ela passa por mim, com a sua bunda se esfregando em minha virilha quando ela bufa e continua a andar pelo corredor.

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Sua bunda em forma de coração balança de um lado para o outro em seu vestido preto. Ela tem que ter, no mínimo, 1,80m e sem contar com os saltos. As suas pernas são bronzeadas, macias e longas... Alguém esbarra em mim, enquanto a vejo, então, dou mais espaço aos passageiros que entram no avião. – Você gostaria de conhecer o piloto? – Heidi me pergunta com o seu sorriso contagiante. – A Delta é a minha companhia aérea preferida. – digo. Ela ri e me apresenta ao piloto, eu acabei dando a ambos uma cópia do nosso CD e uma rápida conversa sobre a nossa música. Eu autografo os dois, e antes que perceba, que outras duas comissárias de bordo estão se aglomerando na área do cockpit, insistindo por uma cópia. Eu sorrio para elas, eu costumava chamar a atenção. Uma das meninas maliciosamente enfia seu cartão de visita no bolso de trás da minha calça jeans, enquanto ela dá um tapinha na minha bunda. Eu sorri para ela e movo minhas sobrancelhas. Ela e Heidi trocam algumas palavras sussurradas, e é óbvio que ela está avisando a outra garota que eu já fui reivindicado. Eu ri. O Sebastian Tate, o nosso vocalista e o meu melhor amigo desde os meus tempos de escola preparatória em Highland Park, brinca que eu tenho um jeito de atrair as pessoas. A sua teoria é que é o sotaque, mas principalmente é por me divertir como se o mundo estivesse acabando. Eu sou o amigo que todos querem. Inferno, sou o cara que se convida para uma cerveja (e paga por ela) e depois volta com uma caixa de tequila e um carro com mulheres bonitas. Viva rápido e não colecione nenhum coração, é o meu mantra.

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Eu sou destemido. Afinal de contas, não tenho nada a perder na vida, não quando eu já perdi tudo. Afastei esses pensamentos sombrios culpando-os na minha cabeça latejante. Maldita ressaca. Eu só preciso de uma porção de felicidade pura para me colocar sobre a borda. Depois de beijar as comissárias na bochecha, vou para o meu lugar e vejo que o meu colega de assento já chegou - e adivinhe quem é? Ela ainda está tão sexy quanto antes. Eu paro e olho para ela, ficando surpreso quando dou uma olhada no que vejo em seu Kindle: 100 regras infalíveis para fazer um homem cair de amor por você. Eu sorrio. A menina está tentando ter um cara? Oh sim. Este voo não será tão longo como eu esperava depois de tudo. Você conhece o velho ditado de transformar limões em limonada? A garota do travesseiro é o meu limão e vou transformá-la em uma bebida mais doce de todos os tempos.

2. 3.

Pompadour: um corte do cabelo, como o do modelo da capa. Collie: raça de cachorro.

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Capítulo Três Rose Ando pelo corredor do avião e olho do lugar da janela que fui designada. Três, talvez quatro metros me separam da morte. Sim, eu sou forte, mas voar me deixa louca de medo. Aviões são basicamente apenas caixões que estão viajando um milhão de milhas por hora. Misture com uma pequena tempestade – como essa atualmente que está em torno de nós – e fico um caso perdido. Gotas de suor escorrem na minha testa, enquanto penso no meu corpo mutilado no chão em meio a destroços em chamas. Minhas mãos tremem quando abro a minha mochila, tirando minha cópia de bolso de Jane Eyre4, no meu Kindle, você não pode ter muitos livros e um suéter. Estou congelando neste avião, e não tenho certeza se é de nervos ou se está realmente frio. Nervos, decido enquanto examino furtivamente os outros passageiros que parecem quentes e confortáveis. Tremendo, movo no meu assento e tento ler o livro ridículo que a minha prima Marge baixou no meu Kindle. Uma nova-iorquina de mais de vinte anos, eu fiquei com ela enquanto visitava a Universidade de Nova York nas férias da primavera na escola preparatória. Tivemos alguns momentos de conversa no final da noite, e quando mencionei que meu crush Trenton estava de vota ao Highland Park, ela fez sua missão me carregar com livros de auto-ajuda e conselhos sobre como conseguir o homem dos meus sonhos. É uma idéia idiota, e eu sei disso.

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Mas é difícil dizer a Marge não. Esquecendo o livro, inclino minha cabeça para trás contra o apoio de cabeça no assento. Estou cansada da minha noite com ela, apesar de me sentar no canto nos fundos do bar e acabamos o assistindo toda a noite. Fiquei nervosa já que tenho apenas dezessete anos e usei uma identificação falsa, que a Marge me deu. Vou ter dezoito em setembro, cerca de cinco meses a partir de agora. Meus pensamentos voltam para o cara sexy do portão. Desde o momento em que o vi pela última vez ontem à noite, algo sobre ele apenas... chamou por mim. Era como se eu o conhecesse, mas não conhecia. Meus olhos seguiram-lhe a noite inteira, a maneira como ele cruzou o palco como se ele não tivesse medo, a forma como seu corpo magro e musculoso se movia, movendo-se com o ritmo de sua musculatura e sugestiva música. Com uma desculpa para Marge que eu tinha que ir ao banheiro, eu mesmo o segui durante o intervalo onde observei da porta quando ele fumou um cigarro, inclinando a cabeça contra o tijolo do prédio enquanto ele soprava a fumaça no ar. Ele não me notou... claro. Havia muitas garotas ao seu redor disputando por sua atenção. Em poucas palavras, ele estava fora dos meus limites. Esqueça sobre ele. Certo. O que eu deveria estar fazendo é concentrar-se em convencer minha mãe adotiva Anne a deixar-me comparecer à NYU neste outono. Como se ela soubesse que eu estava pensando nela, o meu celular vibrou com uma mensagem de texto dela.

Marge se comportou? Na infância, ela era bastante selvagem.

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De Anne, isso realmente significa que ela acha que a Marge é uma vagabunda. Fiquei realmente surpresa quando ela concordou em me deixar visitar a Marge, e atribuo o seu consentimento a sua recente gravidez surpresa e ao posterior casamento precipitado. Está certo. Minha mãe adotiva tímida, de quarenta e cinco anos de idade, teve uma noite e engravidou. Dou uma resposta. Ela está ótima. Foi muito hospitaleira. Seu apartamento é perto de NYU. Sua resposta é rápida e veloz, e imagino seus dedos digitando as palavras furiosamente. Ela odeia qualquer menção de NYU e toda vez que eu vou chegar lá, ela me encerra.

Sei que NYU parece emocionante, mas a Universidade de Winston é menor e aqui na cidade. Além disso, você foi aceita. É muito tarde para se candidatar a NYU. Apenas mais algumas semanas e você vai se formar no ensino médio. Amor Anne.

Somente Anne escreve mensagens de textos como se fosse um termo, com frases completas e pontuação correta. Suspiro, meus dedos ficam vagarosamente na superfície do meu celular. Não quero me candidatar na Winston. É exclusiva e localizada a apenas dez minutos da Highland Park, é como a escola de preparação que atualmente frequento, apenas com estudantes mais velhos. É também onde a Anne foi à faculdade. Quero dizer, agradeço que ela me dê uma educação, mas gostaria de ter uma palavra a dizer sobre o assunto.

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Ela tem a impressão de que esta viagem foi apenas uma visita rápida para ver sua prima e aproveitar as férias de primavera. Ela não sabe que eu secretamente já me candidatei na NYU há meses e recentemente recebi a carta de aceitação. Eu só tenho que conversar com ela. Uma conhecida filantropa de Dallas, que conhecia a Anne depois de dois anos de ter embarcado no sistema de acolhimento. Naquele dia, ela se sentou comigo no escritório do Departamento de Serviços Humanos e ficou maravilhada com a cor do meu cabelo (uma mistura de castanho e avermelhado) e elogiou a minha pele perfeita. A li imediatamente, ela era uma senhora rica que procurava um acessório, e a usei para a minha vantagem, contando-lhe sobre os meus resultados de testes acima da média e o meu sonho de obter um doutorado em psicologia algum dia. Funcionou, e uma vez que ela me levou e me adotou, me deram uma transformação completa: um novo corte de cabelo em camadas com um tutorial como de estilo, roupas conservadoras e um curso sobre maneiras e etiqueta. Quer saber onde o copo de água deve estar em um local? Basta me pedir... a aproximadamente um centímetro da ponta da faca do jantar. Ela me moldou na idéia de como uma garota perfeita deveria ser. Suspiro, enquanto a culpa se instala em ir ao bar em Nova York... por ter querido frequentar a NYU. Ela me deu muito, e não gostaria de me afastar dela, mas não consigo respirar no Highland Park. Com residentes famosos como ex-presidentes, celebridades da música country e figurões do Texas, simplesmente não pertenço ao subúrbio rico. Antes de termos de ligar nossos celulares no modo avião, aparece outra mensagem de texto, desta vez do Trenton. As borboletas ficam loucas no meu estômago, enquanto a leio.

O baile de primavera dos veteranos está chegando. Quer ir?

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O baile de primavera dos veteranos é uma festa notoriamente secreta patrocinada pelos estudantes populares em Claremont Prep e realizou o primeiro fim de semana em maio, geralmente em um destino que só foi revelado no último momento possível. Se você não receber o convite, você é um ninguém, o que eu sou. Realmente não me importo em ir, mas o Trenton é popular e atraente, e eu seria louca para dizer a ele que não.

Sim, respondo então rapidamente bloqueio meu celular, antes de dizer qualquer outra coisa, é uma coisa de amigo ou uma coisa de encontro? Ele e eu estamos flertando um com o outro por um tempo... Tanto faz. Posso descobrir tudo isso mais tarde. Olhando para cima do meu assento, vejo o Spider - sim, eu soube o seu nome no bar na noite passada – o perseguindo como um deus grego. Usando jeans pretos caros com buracos nos joelhos, botas de motoqueiro e uma jaqueta de couro cinza, ele tem uma grande vibração de garotos malvados por todo ele. Completamente perigoso. Completamente o maior pegador. Não vou mentir, ele tem o tipo de rosto que rouba a respiração e para você nos seus limites. Apenas olhar para ele de frente fez-me corar. Ele não é classicamente bonito como o Trenton, com o queixo quadrado e os ombros atléticos. Em vez disso, ele pega a minha atenção com suas bochechas ocas, os ângulos definidos ao longo de sua mandíbula e os espessos cílios pretos que cercam seus olhos. Ele para ao lado do meu assento e estica os seus antebraços musculosos no compartimento de bagagens. Ele é magro, mas ainda

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assim é tonificado com músculos bem definidos, com a altura de pelo menos de 1,82m. Minha respiração vacila, quando o seu olhar encontra o meu. Ele olha para mim e eu não desvio. Calorosos e cor de mel, seus olhos são piscinas de luz solar brilhando através do whisky. Poderia ficar bêbada nessas piscinas. Oh... Espere. Eu pisco. Ele ficará sentado aqui? Comigo? Doce menino Jesus. Eu já era. Fique forte, Rose. Eu coloco o meu Kindle no assento. Ele sorri, seus olhos me percorrem e eu faço uma careta, percebendo que ele provavelmente viu o que eu estava lendo. – Ótimo. – diz ele. – Me sentarei ao lado da Garota do travesseiro. Ignorando o apelido, encolho os ombros. – E eu me vejo sentar com o cara que mente para senhoras sobre sua namorada traindo ele - e não podemos esquecer o pobre collie morto que você perdeu recentemente. E enxugando seus olhos com esse guardanapo - excelente lance. Não sei por que estou tão irritada com ele. Sim, você está. Eu suspiro. Ok, eu sei. Realmente queria que ele se lembrasse de mim no bar. Queria que ele estivesse tão fascinado por mim quanto estava por ele. Na noite passada depois do show, eu até sonhei com ele e esta manhã, quando acordei, ele foi a primeira coisa em minha mente. Estranho. O que havia nele que me afetou? Eu não sei. Seus lábios se contraem. – Quase coloquei tudo isso a perder. Não estou exatamente no meu melhor jogo hoje.

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– Aposto que você nunca teve um cachorro. – eu sorrio, suavizando as palavras enquanto observo seu perfil, contornando as curvas de um rosto que é perfeitamente devastador. É difícil ficar irritada com alguém tão lindo. Ele riu enquanto ele se acalma no espaço e se senta. – Eu tive, um enorme mastiff chamado Noodles. Minha irmã e eu costumávamos montá-lo como um pônei, e ele amava cada minuto disso. – Ele coloca o cinto de segurança e me vejo observando seus longos dedos, percebendo o quanto elegante eles são. Lembro-me de como esses próprios dedos tocavam em sua guitarra na noite anterior. Não posso deixar de imaginálos na minha pele enquanto o calor se instala em tudo abaixo do meu umbigo. Se controle, Rose. Ele é muito velho para você. – Eu não tenho certeza de que posso confiar em uma coisa que você diz depois das mentiras que você disse a Betty. – digo. Ele encolhe os ombros. – É uma história verdadeira. A parte triste é que o meu pai o vendeu junto com nossa propriedade quando nos mudamos para os EUA. Muitas vezes me pergunto o que aconteceu com o grande brutamontes. Propriedade? Ele deve ser rico. – O que o levou ao EUA? Música? – estou curiosa sobre o que faz o carrapato. Algo aparece sob a expressão controlada de indiferença que ele usa, e o olho intensamente, tentando pegar a mudança minúscula em suas emoções. Ele solta um suspiro enquanto seus dedos tocam nervosamente nas coxas. – Meu pai queria sair de Londres, como um novo começo para nós. Interessante. Estou com muita ansiedade em perguntar a ele por que o novo começo, mas o senso comum me diz que é muito pessoal.

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– Noodles é um nome bonito. Deve haver uma história aí? Um rápido sorriso fantasmas apareceu em seu rosto. – Quando ele era filhote, ele nunca implorou por sobras. O meu pai o treinou em uma escola de cachorros, então ele sabia como se comportar, mas se o cozinheiro servisse um molho bolonhesa com espaguete - todas as apostas eram deixadas para lá. Nenhuma repreensão ou choque em sua coleira fazia-o parar de latir até que você colocasse um pouco em sua tigela. – ele joga a cabeça para trás e ri. – Então, trocamos o seu nome para Noodles. Muito melhor do que Bertram, eu estou certo? – seu olhar desliza para mim, com diversão, transformando as curvas firmes de seu rosto. Ninguém tem o direito de ser tão assustador. Eu engulo, sentindo todos os dezessete anos e completamente fora do meu elemento. – Sim. Totalmente. O meu vocabulário geralmente adepto está tristemente ausente. – Você tem animais de estimação? – ele pergunta enquanto seus olhos permanecem no meu rosto. – Aposto que você é uma pessoa de gatos. – Por que você diria isso? Ele sorri. – Você é um pouco rabugenta... como uma gata com atitude. Ah. A maneira como ele diz a palavra gata, como se ele gostasse, me faz sentir... inquieta. – Adoro todos os animais, mas moro no campus no momento. – os dormitórios dos alunos são uma coisa recente para mim desde que a Anne se casou e depois rapidamente pegou uma lua de mel de um mês. Eu insisti que estaria bem em sua casa em Highland Park até que eles retornassem, mas ela foi inflexível que eu me mudasse para o dormitório da escola, onde havia alguma supervisão. Como a

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Anne está no conselho da escola, a administração concordou em me deixar entrar até a formatura. – Ah, uma faculdade. Eu minto - ou pelo menos, não o corrijo. Aceno com a cabeça e tusso enquanto mudo de assunto. – Sua banda foi incrível ontem à noite. – Obrigado. Qual música foi sua favorita? Amei toda a música deles, mas algumas se destacaram, especialmente uma balada lenta chamada "Albatross", onde o Spider cantou e tocou a guitarra. – Aquela sobre o cara perdido no mar e sozinho. – paro, me sentindo consciente enquanto penso sobre o tema subjacente da música e como eu me relacionava com ela. – Foi uma gravação do poema The Rime of the Ancient Mariner, certo? Ele concorda com a cabeça, parecendo pensativo enquanto ele bate a cabeça e me observa. – Nem todos conseguem isso. Encolho os ombros. – Adoro literatura e música. A música... Tratase de carregar seus fardos em seu pescoço? Você escreveu isso? Ele pisca para mim. – Sim, ambos. Você é muito inteligente. – ele fica quieto, e posso dizer que toquei em um nervo. Está claro que ele não quer ser muito profundo. Ele pigarreia. – Olha, desculpe por ter prendido a fila mais cedo... com a Betty e a comissária de bordo. Eu encolho os ombros. – Me desculpe por ser tão mal-humorada. O voo me deixa estranha. – Então, podemos começar de novo? Aceno com a cabeça, já que ele se sentou, e ele sorriu, com uma expressão séria crescendo em seu rosto. – Desde que estamos falando de música, o que você achou do meu solo de guitarra na música

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"Superhero"? Você gostou do casaco de vison? Por sinal, era, falso. Eu nunca usaria uma pele real. Fico corada, lembrando dos flashes de seu pau bem dotado em uma cueca estampada de leopardo enquanto ele se exibia no casaco longo de peles, uma roupa que ele colocava apenas para aquela música. Somente alguém com enorme quantidade de confiança poderia usar isso em conjunto. – Se seu objetivo era que as mulheres jogassem suas calcinhas em você - funcionou. Ele sorri timidamente. – Sou difícil de resistir, mas você nunca sabe. Gostaria de obter opiniões sérias. Eu reviro meus olhos no seu comentário difícil de resistir, e ele ri. Ele tira sua jaqueta e estica as suas longas pernas, e o seu perfume flui na minha direção, cedro misturado com o cheiro de couro. Isso me deixa um pouco vertiginosa. Estamos nos sentindo incrivelmente perto e, embora eu saiba que não deveria, estou olhando para ele. Ele é tão diferente com as tatuagens e os cabelos azuis. Meus olhos continuam olhando furtivamente sobre ele e tomando notas mentais. Eu observo a palavra PERDIDO tatuada em seus dedos esquerdos. – Você tem um nome? – ele pergunta alguns instantes depois, quando ele se depara com o encosto de cabeça. – Primrose, mas todos me chamam de Rose. – Legal. Eu gosto de Rose... antiquado, mas bonito. – ele sorri e isso me atinge diretamente no coração... diabólico, encantador e desarmante ao mesmo tempo. Seus olhos se deslizaram preguiçosamente sobre meu rosto, seu olhar pousando na minha boca e não se movendo. Meu coração acelera em uma batida, e eu engulo.

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Fato: se os homens olharem para sua boca, eles querem beijar você - ou você tem dentes realmente ruins. Graças a Anne, os meus são perfeitamente retos. Mas antes que eu possa formular uma resposta a seu comentário, tudo dentro de mim se congela quando o avião começa taxiar pela pista de pouso.

4. Jane Eyre é um romance da escritora britânica Charlotte Brontë publicado em 1847.

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Capítulo Quatro spider Nós taxiamos pela pista de aterrissagem e levantamos voo, a pressão fazendo as orelhas aparecerem. Olho para a Rose e vejo que ela está agarrando os lados de seu assento, seu rosto pálido com a elevação em altitude. – Você está bem? – pergunto suavemente, franzindo a testa com a perda de cor nas suas bochechas. Ela arrepiada todo o corpo, com a garganta em movimento enquanto engole. – Odeio voar e as tempestades. Além disso, o assento da janela me deixa com raiva. Porra. Se eu soubesse, eu teria mudado com ela mais cedo. – Você pode ter o meu assento uma vez que nos estabilizamos. Ela balança a cabeça. – Tudo bem, estou bem agora... apenas está muito frio. Odeio que ela esteja com frio. Uma vez que chegamos à altitude de cruzeiro e podemos tirar nossos cintos de segurança, sinalizo para a comissária de bordo próxima para nos trazer um cobertor. Heidi traz o cobertor e entrego a Rose. – Obrigada. – ela aceita e nossas mãos se tocam. – Aquela comissária de bordo gosta de você. – ela diz, seus olhos observam enquanto a Heidi se afasta. – Ela não tirou os olhos de você desde que você embarcou.

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– Ela não é a única que eu quero que goste de mim. – murmuro. É bastante abrupto e direto ao ponto, mas sempre digo o que quero dizer. Por que perder tempo? Eu quero a Rose. Eu a observo para avaliar a sua reação. – Ah. – um rubor ergue o rosto quando ela se ocupa, tentando fazer o cobertor curto cobrir as suas pernas e a área do peito. Vejo imediatamente que não vai funcionar. – Aqui, tenho uma idéia. – levanto do meu assento, retiro a minha jaqueta e a arrumei sobre o seu torso. Inclino-me sobre ela para ajustá-la, coloquei-a em seu ombro, enquanto a cubro. Ela sorri suavemente e me agradece, fazendo-me corar, o que é tão estranho. Pigarreio. – Tenho que avisá-la, embora que... Esta é a minha jaqueta favorita. As garotas geralmente não conseguem usá-la, então, você é muito especial. Sem babar se você adormecer, ok? Ela morde o lábio inferior, o que não consigo parar de olhar. – Se eu não babar significa que posso ficar com ela? – Depende. – O que? – ela diz, e sua voz baixou. – O que você está disposta a fazer para obtê-la. Outro silêncio preenche o ar entre nós quando nos encaramos, mas não é estranho ou desconfortável. É quente e elétrico. Ela quebra a tensão rindo. – Não faço nada que eu não queira, então, acho que você pode ficar com ela. Eu ri. Droga. Ela não vai facilitar isso para mim.

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Sentindo-se um pouco nervoso por ela, olhei para o Kindle que ela colocou no assento. Com todas as nossas conversas anteriores e o seu medo de voar, quase o esqueci. Aceno a minha cabeça para seu Kindle e pigarreio. – Eu vi o que você estava lendo. Se você quer aprender como fazer um homem se apaixonar por você, posso dar alguns conselhos. Ela bate a cabeça. – Sério? Espero que não me envolva usando biquínis de estampa de leopardo e casaco de vison. – Touché. Ela sorri, parecendo satisfeita, e isso me faz querer beijá-la. – Quem é o cara pelo qual você está lendo isso? Ela fica rígida. – Não há cara. – Hum. Sempre há um cara. Ela suspira. – Ok, talvez haja um cara, mas a minha prima Marge realmente comprou esse livro. – Este cara, ele não está em você? – Ele está com muitas garotas, a maioria popular - e eu não sou. Rose merece um bom cara. Eu não sei como sei disso, mas simplesmente sei. – Talvez, você devesse jogar duro para conseguir. – Eu não jogo jogos. – Ah, uma garota com o meu próprio coração. – observo a sua pele impecável, assumindo a forma quando os seus cílios movem contra suas bochechas. Seu longo cabelo está torcido em algum tipo de nó com cordões ondulados pendurados em seu rosto, e imagino como ela pareceria com ele caindo sobre seus ombros, acariciando os seus seios nus...

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Ela arruma o seu cobertor e o seu cheiro me atinge, mel e baunilha misturado. É intoxicante, e eu rio com um estranho nervosismo, lutando contra o desejo de pressionar o nariz no seu pescoço e inalar. Isso é estranho, Spider. Pigarreio. – Se eu quiser alguma coisa, vou atrás. Talvez, você devesse se concentrar em outra pessoa. Como eu, o Sr. Próximo a você no avião que quer fodê-la. Ela encolhe os ombros. – Talvez. Ele é sexy. A ira explode no meu estômago. Estou com ciúmes. Como... um estúpido. – Ele é tão sexy como eu? – levantei o meu braço, mostrando o meu bíceps para ela. Ela meio que bufou. – Você é encantador, eu vou te dar isso. Não é de admirar que a pobre Betty tenha se apaixonado por ele. – Sério ainda... Ele é? – quero saber - eu preciso saber. Ela olha para mim, vendo que estou falando sério. Seu olhar permanece nas minhas tatuagens. – Ele é... diferente de você, mais conservador. – ela acena as mãos. – Ele pratica esportes. Você toca guitarra. – Ah. – pelo menos agora sei como é o tipo. – O livro está funcionando para você? – pergunto. – Não tentei. – Então, pratique em mim. Use algumas dessas aventuras do livro. Deixe-me ser sua cobaia, e eu vou te dizer se você for mau. Os olhos dela se arregalam. Você conhece essa cor verde que o oceano tem depois que uma tempestade acontece? Essa é a cor dos olhos dela. Inclino-me mais perto, pegando o dourado em torno das partes

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internas de suas íris. Meu dedo toca a curva de seu lábio inferior. – Como você faz um homem se apaixonar, Rose? – murmuro suavemente. – Conte-me. Seu rosto fica vermelho quando ela morde o lábio inferior onde toquei. Sua língua aparece e lambe o local. Ela parece achar o seu equilíbrio, enquanto ela pigarreia e se inclina para sussurrar conspiradoramente. – Seja provocante. Isso foi o que acabei de ler. Muito bobo, certo? Meu pau está duro porque apenas observo os seus lábios dizer a palavra provocante. – Não de todo. – digo com voz rouca. – Mostre-me como você é provocante. Ela balança a cabeça. – Eu nem conheço você. – O que torna isso ainda melhor. Nunca nos veremos novamente. – Você vai rir. Eu sorrio. – Tente. Radiante, ela me observa por um momento, depois se estica e puxa os cabelos para fora do cobertor em que está, criando uma cascata de longos cabelos castanhos ao redor de seu rosto. Grosso e ondulado, com diferentes cores do outono se ondulam sobre seus ombros, fazendo-me querer pegar um dos fios e passar os dedos através deles. Imagino-a em uma cama, com os seus cabelos espalhados por um travesseiro... Engulo o nó na garganta. – Legal. – digo enquanto cheiro um fio. – Cheira a baunilha. Não é o meu favorito - uma mentira -, mas funciona. – Você é demais. – Não basta. O que mais você conseguiu? Mande. – Tudo bem, que tal isso. – ela tira um colar de prata de seu vestido e acaricia a corrente enquanto ela simultaneamente move seu cabelo sobre o ombro e me dá um olhar firme. Ela morde os longos cílios

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comigo, mas mordida no lábio inferior. É um pouco bobo, mas estou excitado. – Hmmm, você está bem. – penso, fingindo desinteresse. Seus ombros se desinflam. – Sério? Quero dizer, esse é o melhor que tenho. E isso é muito sexy. – Se importa se eu der uma olhada no livro? Ela o entrega e vejo algumas páginas, verificando uma lista de tarefas. Uma palavra: laser. Remova todos os pelos do seu corpo, incluindo pernas, axilas e partes do sul. Ninguém gosta de pelo, a menos que ele seja um Neanderthal. Você sabe o que os homens odeiam? Peitos pequenos. Faça uma cirurgia plástica ou desista de encontrar um cara. Não consigo ler mais. – Fascinante que as pessoas ganhem dinheiro com essa merda. – digo secamente. – Confie em mim, sou muito inteligente para colocar qualquer economia nele. – ela balança a cabeça tristemente. – Agora estou com vergonha de achar que sou tão estúpida. Pigarreio, lendo dramaticamente partes dele em voz alta. Ela ri e tenta me calar, mas não me calo. Os outros passageiros notaram e estão olhando fixamente. Finalmente, com o rosto vermelho de vergonha, ela me bate no braço e puxa o Kindle da minha mão. – Você tem que parar! Ninguém neste avião quer ouvir sobre aumento de peito. – Ah, mas eu quero. – uma idéia vem para mim. – Beije-me, Rose.

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– O quê? – ela pisca. – Beije-me. Vou mostrar a você como obter o seu cara, e a primeira coisa que você precisa saber é como usar essa boca linda sua. – Por quê? – Deixe-me te dizer um pequeno segredo. – digo. – Obter seu cara é principalmente sobre o que você não diz. Você segue seus movimentos com seus olhos? Quando você está caminhando juntos, seus passos estão sincronizados? Quando você entra em uma sala, os olhos dele vão direto para você, mesmo com belas mulheres ao seu redor? Se a resposta for não para qualquer uma dessas, então você está fodida. Você não pode mudar a química, e nenhuma quantidade de jogar o cabelo ou de seios falsos podem criá-la. É só... é. A atração é mágica, e você não consegue encontrá-la em um livro. Ela parece achar minhas palavras fascinantes. – O que o torna o especialista em amor? Eu aceno para ela - nem mesmo indo lá. – E os teus lábios... Eles são perfeitos. Esse pequeno recuo que você tem no fundo é sexo puro, mas se você não sabe como usar corretamente... – minha voz se abaixa. – OK. – Tudo bem, ok? – levanto uma sobrancelha. – Isso é um sim? – ela vai me deixar beijar ela? Ela acena com a cabeça, e antes que possa terminar o movimento, pego o seu colar, viro o seu rosto para o meu e a beijo. E esta é a parte estranha: eu não beijei uma menina nos lábios há muito tempo, mas a beijo como se eu estivesse morrendo de fome. Seus lábios se separam imediatamente dos meus, como se estivesse esperando por isso também. Ela tem sabor de cerejas amadurecidas pelo sol, e aprofundo explorando-a. Depois de alguns segundos, ela o

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corresponde, com a sua língua encontrando a minha e a entrelaçando. É suave, mas sexy como o inferno. Segurando seu rosto, eu gemo enquanto encho a sua boca com pequenos beijos suaves, deixando meus dentes morder levemente seu lábio inferior enquanto me afasto. – Spider. – ela diz suavemente, com seu peito subindo e descendo rapidamente. Meu pau está mais duro do que nunca já me lembrei, e tudo que eu quero fazer é beijá-la novamente. Ela se aproxima de mim, com seus seios pressionando contra meu peito. Minha mão desliza até seu pescoço e eu acaricio a pele macia lá, acariciando-a enquanto penso em meus lábios chupando sua garganta. Imagino que minha língua brinque com seus mamilos. Porra. Eu a quero. – Eu quero você. – digo, com a minha voz carregada com a luxúria. – Beije-me novamente. – ela diz enquanto olho para seus olhos. Droga. Há algo sobre ela... Um pouco de turbulência sacode o avião do nada, vários passageiros gritam e choram. Eu me esqueço de beijar enquanto o medo aparece no seu rosto e ela se agarra mais uma vez. – Isso foi normal? – Apenas a turbulência. O piloto provavelmente nos levará para mais alto para sair dela. – digo, enquanto a trepidação continua. Ding! A luz para colocar nossos cintos de segurança acende. Ela fecha os olhos, a voz alta e linda. – Nós vamos bater, não é? Nós vamos morrer. – Ei. – pego sua mão e entrelaço nossos dedos, querendo confortála. – Vai ficar tudo bem, eu prometo.

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Ela olha para nossas mãos com surpresa, assim como outro choque envia um passageiro tropeçando no caminho do banheiro. Ela fica verde quando se inclina no meu peito. Coloquei os meus braços ao redor de seus ombros. – Está tudo bem, Rose. Quando fico com medo, minha garganta fica seca, então olho em volta para uma comissária de bordo para pegar um pouco de água. No entanto, elas desapareceram, provavelmente encolhendo-se. Tirei o meu cinto de segurança, mesmo que eu não seja suposto e fiquei procurando uma garrafa de água na minha mochila, pendurada no compartimento de bagagens, então ela cai. Uma vez que a encontrei, rapidamente me viro e dou a ela. – Milhares de aviões decolam e pousam todos os dias. – digo enquanto ela vira a garrafa. – Você é músico, não é um engenheiro aeroespacial. – sua voz está um pouco rápida. Eu entendo... ela está aterrorizada. Entendo isso. Tenho meus próprios problemas: não deixo as pessoas perto de mim. – Eu também não gosto de voar. Apenas escondo isso muito bem. – peguei sua mão novamente, entrelaçando os dedos. Ela olha para mim. – Mesmo? Concordo. – Você sabe do que mais tenho medo? Abrir cortinas de chuveiro em cada hotel em que fico. Estou convencido de que haverá uma psicopata com uma faca que pareça com a Dolly Parton esperando por mim. Talvez, sejam os peitos gigantes, talvez seja a peruca, mas algo sobre ela me assusta. Além disso, baratas com asas. Sei que sou um homem adulto, mas e se eu tentar matar o inseto e o perder e depois ela

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voltar com todas as suas amigas de noite, depois se arrasta no meu ouvido e mexe com meu cérebro? Ela sorri, apenas uma dica. – Sua imaginação é ilimitada. – Não me faça começar com zumbis. Quero dizer, o que diabos há com os americanos e os programas assustadores? Eles não sabem que um dia os cientistas vão reanimar as pessoas, e então, o que vamos fazer? Mandar esses esqueletos ambulantes para Marte? – Eu amo The Walking Dead. – ela murmura. – Você é uma amante de zumbis, simplesmente perfeito. – Se morrermos, vamos voltar como zumbis. – Contanto que possamos estar juntos, tudo bem, amor. – levanto uma sobrancelha e observo quando um rubor lento começa em seu pescoço e aparece em seu rosto. Algo muda entre nós, tornando-se mais suave e mais íntimo - mais ainda do que o beijo. Parece bom. Relaxando pela primeira vez no que parece ser semanas em estar na estrada e fazer shows, inclino minha cabeça para trás contra o assento e olho para ela, separando as suas características e tentando descobrir qual parte eu mais gosto. Tem que ser os lábios. Ou os reflexos vermelhos em seus cabelos. Não, é definitivamente a forma como ela olha para mim com os olhos erguidos e o queixo ligeiramente baixo, como se ela não soubesse o que fazer comigo. – A turbulência parou. – ela diz, com seus olhos brilhando enquanto ela se senta em seu assento e olha em volta da cabine. Eu concordo. – Parou há alguns minutos enquanto conversávamos.

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– Obrigada por me distrair. – ela olha a tatuagem da aranha no meu pescoço. – Você tem que me dizer... Como conseguiu um nome como Spider? A pergunta dela envia-me girando em uma direção totalmente nova, encarando a escuridão, mas eu empurro-a e me concentro em uma memória feliz. – Era o nome que a minha irmã gêmea deu para mim. Acredite ou não, minha cor de cabelo natural é quase preto, e quando eu era jovem, era super magro com longas pernas e braços, mais eu adorava escalar tudo. Eu fazia essa coisa em que eu me esconderia e pularia nela. Uma vez me sentei na prateleira superior do armário do quarto por duas horas esperando que ela voltasse para casa depois dela chegar da hora de brincar. Ela abriu a porta e... boom... eu pulei e cai em seus pés. – eu lembro do rosto irritado de Cate e como ela me expulsou do quarto. – Ela disse que eu parecia uma aranha. Na manhã seguinte, ela me chamou de Spider para me deixar bravo, mas eu gostei, e só meio preso. – paro, olhando para nossas mãos. – Ela morreu quando nós tínhamos treze anos. Seu rosto entristece. – Deus, eu sinto muito. O que aconteceu? – Não é algo sobre o qual eu falo. Ela acena com a cabeça e com o seu rosto sério. – Não deveria ter perguntado. Eu sinto muito. Aceno e desviamos o olhar. Não há como no inferno, que eu posso lhe dizer a verdade, que sou a razão pela qual a minha irmã morreu.

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Depois de falar sobre filmes e livros por quase duas horas, Rose se vira para dormir por volta de três horas de voo. Estou desapontado por não ter a atenção dela, mas sei que ela está cansada da sua noite, e depois por ter medo de voar. Quanto a mim, estou ansioso para chegar a Dallas e ao meu pai. Eu preciso de uma dose de algo... qualquer coisa. Heidi caminha por algumas vezes, seus olhos se alimentam como se eu fosse sua última refeição. A ignoro primeiramente, exceto para pedir uma dose dupla de tequila. Ela é como as meninas comuns que vejo nos shows... Sedutoras e prontas para qualquer coisa. Eu fisgo muito delas. É o que eu faço. Mas Rose... ela é diferente. Heidi retorna com a minha bebida, e então, se inclina e sussurra no meu ouvido: – Quer me encontrar no banheiro na parte de trás do avião? Você entra primeiro, e eu o seguirei. Meu instinto diz que não, não faça, mas meu cérebro... Precisa de algo para calar a boca. Ela se endireita e bate seus cílios para mim. – Cinco minutos? Eu olho para a Rose e faço uma pausa por um segundo, mas depois volto para a Heidi e dou a ela um rápido aceno de cabeça. Quinze minutos depois, estou me sentindo quente do álcool, mas ainda não sai do meu lugar. Heidi caminha novamente e me envia um olhar persistente. Fodame, por favor, seus olhos dizem. Não a quero, de verdade. Eu quero o esquecimento, sim, mas isso é diferente. Quero ficar aqui com a Rose. E esse é um enorme e maldito erro.

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Regra nº 1: Não envolva o seu coração. Por que se preocupar quando as pessoas sempre se afastam? E com esse pensamento em mente, eu tirei o cinto e caminhei para os fundos. Eu me inclino no banheiro apertado e com cheiro de anti-séptico e abro o rosto do crânio no meu anel de prata esterlina, revelando o pó branco dentro. Coloco uma pouco na minha mão e o cheiro, a ardência me atinge com força. Sim. É isso aí. Misturado com a tequila... tudo vai ficar bem. Ouço uma batida na porta e a abro. Ela entra, cheirando como um balcão de perfumes no shopping e nada como mel e baunilha. Não deixo nossos olhos se encontrarem, e eu não a beijo na boca. Mas algo não parece bem. Ela deve sentir a minha hesitação porque ela abaixa os meus jeans com pressa, sussurrando para mover meus braços e as pernas para maximizar o espaço. Só leva seis minutos, ambos chegando a um novo tipo de altura a trinta mil pés. Isso preenche meu vazio por alguns momentos, me faz esquecer que há uma garota legal lá sentada no assento ao lado do meu e, por um momento, quase a deixei entrar. Termino e saio do banheiro. Ela me segue. Não vou lembrar o nome dela. Eu nunca quero.

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Capítulo Cinco Rose A comissária de bordo veio em minha direção com uma expressão de satisfação no rosto, e estou pronta para arrancar todos os cabelos da cabeça dela. Minhas mãos se fecham em torno do meu assento. Como ele poderia estar com ela? Depois de me beijar? Talvez, eu esteja errada. Talvez, eles simplesmente tenham ido conversar. Sim, certo, Rose. Não seja uma idiota. Uma imagem dele com suas danças na minha cabeça, enquanto a ira churns no meu estômago. – Bom dia, dorminhoca. – ele diz exuberantemente quando ele senta de volta ao seu assento e afivela seu cinto. – Parece que estamos prestes a descer. – percebo que há um rubor no rosto dele, enquanto ele bate seus dedos nos joelhos de forma errática. – Você perdeu o sujeito na 13B, que roncava tão alto que pensei que poderia ter que enfiar uma meia na garganta dele. Louco. – Uhum. – Você está bem? – ele pergunta e me dá um olhar antes de desviar. Eu estreito meus olhos, observando-o. – Você está? Seus olhos se recuperam para o meu. – Estou bem. Mais do que bem. Estou animado e pronto para lidar com Dallas.

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Não sei o que isso significa, e não pergunto. Estou muito brava para me importar com o que ele vai fazer em Dallas. Espero nunca mais o ver. – Como está a Heidi? – digo, mantendo o rosto cuidadosamente composto, mesmo que eu queira derrubá-lo. Ele empalidece e abre a boca para dizer alguma coisa, mas depois pressiona os lábios e olha para as mãos dele. Seu dedo indicador traça as linhas da tatuagem PERDIDO. – Você realmente fez sexo com ela? – estava esperando com a esperança de que eu estava errada. Ele concorda. A decepção bate no meu peito, machucando mais do que deveria ter por um cara que acabei de conhecer. – Você é um idiota. Ele engole, falando rápido. – Eu sei, mas nada aconteceria entre nós. Você é muito legal para mim e, obviamente, nunca nos veremos de novo, e confie em mim, se tivéssemos ligados, não teria ligado para você no dia seguinte e te convidar para um encontro. Eu não faço isso nunca. – Não há necessidade de me explicar. Não estou com ciúmes. – eu gritei. – Sinto muito por você. – estiquei sua jaqueta para ele. Ele a coloca devagar, seus olhos ainda me observando, e embora, eu me recuse a olhar para trás, meu corpo inteiro sente a intensidade de seu olhar, como se estivesse sob um microscópio. – Rose, olha, não significava nada. O sexo nunca significa nada para mim. – É bom saber que você é um puto. – balanço minhas mãos. Por que eu deixei ele me afetar assim? Porque você gostou dele.

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Pelo canto dos meus olhos, vejo-o esfregar o rosto e a sombra escura em seu rosto. – Eu nem sequer a beijei... Nunca as beijo. – ele não diz as palavras na minha cara, mas sim para o assento diante dele. Ignoro-o e olho pela janela. O avião começa a pousar. Normalmente estaria presa ao assento, com o meu coração na garganta, mas estou muito agitada. – Eu sempre faço merda. – ele murmura. Paramos na pista de pouso e ele levanta o mais rápido possível, indo para Heidi, que lhe entrega sua guitarra e um pedaço de papel. Provavelmente com o número de telefone dela. Eu odeio ser a que diz isso para ela, mas ele não vai ligar. Ele dá um olhar para trás sobre seu ombro para mim e meus olhos brilham para ele, mesmo quando minha garganta se aperta. Eu me sinto estúpida. Ingênua. Na saída, ele vira para trás uma vez mais, e seus olhos se encontram com os meus, enquanto ele levanta uma mão como para se despedir. Eu bato continência com um dedo. Ele desaparece da minha visão, assim que o meu celular vibra com uma mensagem de texto da Anne. Robert e eu estamos esperando você no andar de baixo ao lado da esteira de bagagens. Temos uma surpresa para você. ☺ Amo você, Cachos5! Anne.

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Afastando a minha raiva do Spider, eu gemo. Odeio as surpresas de Anne. No ano passado, foi uma viagem de carro até Tin Town para ver minha antiga casa e bairro. Ela disse que era porque queria que eu visse até onde cheguei, mas principalmente me senti simplesmente doente, me lembrando do Lyle e da Mamãe. Odeio Tin Town e o que ela tomou de mim, mas é quem eu sou, e de alguma forma não acho que eu possa superar isso. O que está acontecendo? Eu respondo. Você irá conhecer seu novo meio-irmão hoje. Ah. Franzi a testa, já com um humor de merda. Não me lembro da Anne mesmo me dizer que o Robert Wainwright tinha um filho. Mas então, eu não sabia muito sobre o Robert. Ele e a Anne estão recém-casados e estão de volta da lua de mel. Outra mensagem de texto vem, mas não checo porque estou muito ocupada saindo do avião. Paro no banheiro para me refrescar e trocar de roupa antes da Anne me ver neste vestido, que sei que ela não vai aprovar. Eu não sou um prazer para as pessoas, mas tento manter as coisas fáceis entre nós. Como eu não poderia? Nos últimos quatro anos e meio, ela cuidou de mim. Ela me levou de um sistema de acolhimento que não me fazia favores. Na verdade, na última casa em que vivi antes da de Anne, tive que lutar para evitar que um dos garotos mais velhos rastejasse na minha cama à noite. Mais tarde, fui afastada daquela casa por dar um chute nos dentes dele. Confie em mim, Anne tem suas peculiaridades, mas sem ela, eu nunca teria conseguido ir a uma escola particular ou ter roupas legais. Ela quer uma garota perfeita do Highland Park e eu faço o meu melhor.

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Exceto por me candidatar secretamente a NYU. E fazendo minha tatuagem de borboleta em Nova York. Sentindo-se animada, olho no espelho e puxo a parte de trás do meu vestido pelo meu pescoço para ver como está. Ainda vermelha e dolorida, a borboleta de tamanho da mão fica cerca de três centímetros abaixo da minha nuca, e sei que a Anne finalmente vai vê-la, mas não ligo. Estou apaixonada por ela porque me lembra do belo menino que entrou em minha vida brevemente quando eu tinha onze anos. Ele entrou e me deu esperança. Sua bondade significava algo e ver ela é uma lembrança. Dentro de uma cabine, tirei meu vestido e entrei em uma calça marrom e um suéter simples, de gola alta e marrom, que a Anne comprou para mim. Pego um par de botas de cano curto e as coloco nos meus pés. Depois de me vestir, tiro o batom vermelho e aplico rosa em vez disso. Coloco uma leve camada de rímel, aplico pó no nariz e escovo o meu cabelo longo até que ele brilhe. Depois de colocar o vestido e o Converse na minha mochila, caminho até a esteira de bagagens, esticando o pescoço para encontrar o cabelo loiro de Anne. Porque o Robert é alto e vestido de forma evidente em um terno caro, eu o vejo imediatamente e a Anne atrás dele. Vestida de forma conservadora em uma saia de lápis até o joelho, saltos e com maquiagem impecável, ela tem a atenção dela para o Robert e para a pessoa com quem ele está falando - um cara alto com uma jaqueta de couro cinza. O que? Eu paro de respirar quando percebo. Robert é Inglês, Spider é Inglês. Não.

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De jeito nenhum. Meus olhos passam entre o Robert e o Spider enquanto eles estão conversando. Eles não são nada parecidos. Eles são como a noite e o dia, fogo e gelo. Talvez, eles simplesmente conversem, como velhos amigos que perceberam que eram do mesmo país. Meu celular vibra novamente e eu tiro para ver duas mensagens de textos da Anne. O primeiro foi enviado enquanto ainda estava no avião, mas estava muito ocupada para ler. Seu meio-irmão está no avião. E aí está... confirmado. A próxima é: onde você está? Ela deve ter acabado de enviar. Olho para trás para observar enquanto a Anne se volta para Spider e o abraça. Não é nada para uma pessoa como eu que lê os outros bem para ver que ela está desconfortável com ele imediatamente. A verdade está em seu rosto sério e a maneira como ela continua dando olhares em direção a Robert. Robert move-se para ficar ao lado dela, enquanto ambos conversam com o Spider. Não perco os olhos do seu pai se estreitarem sobre ele, explorando-o, como se estivessem procurando por algo. O Spider ainda não me viu, e vejo enquanto ele afasta o cabelo que caiu no rosto dele, puxando as pontas como se estivesse ansioso. Percebo a aparência vulnerável em seus ombros quando ele abaixa para

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pegar sua guitarra. Uma pequena parte de mim esquece minha raiva e me pergunta o que está acontecendo com ele e seu pai. Eu me agarro ao meu travesseiro e finjo que é uma parede entre Spider e eu enquanto ando até onde eles estão. Meu coração bate tão forte que tenho certeza de que todos na proximidade podem ouvi-lo. Estou nervosa e zangada, mas estranhamente excitada por ver o Spider novamente. – Clarence esteve na estrada nos últimos meses. – Robert diz a Anne que eu me aproxime. – Você não pode me chamar de Spider como todos os outros? – diz Spider, com o rosto sério. Robert ignora-o, com seus olhos passando pelo ombro de Spider para mim. Ele pede que ele fique quieto. – Espere, tem a Rose. – o ouço dizer. Anne acena e depois pega minha mão enquanto eu as alcanço. Ela me puxa para um beijo suave na bochecha, o cheiro de seu perfume familiar e reconfortante mesmo que não estejamos muito perto. Sorrio amplamente para ela enquanto pergunta como estou e como o voo foi. Respondo normalmente. De jeito nenhum, vou deixar escapar qualquer coisa sobre o Spider. Já posso sentir que as coisas são duvidosas entre ele e o seu pai, e não importa suas falhas, não quero adicionar ao seu drama familiar particular. Olho para longe da minha visão periférica enquanto o Spider se vira lentamente para me encarar. A surpresa está em seu rosto, ainda mais quando os seus olhos absorvem a mudança de roupa e o batom moderado. Robert, que conheci apenas alguns meses atrás, quando a Anne anunciou que estava grávida, sorri para mim. Nós ainda nos sentimos

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afastados, mas minha impressão inicial dele é que ele é muito parecido com a Anne... Conservador e pouco emocionante. Ele aponta para o Spider. – Clarence, gostaria que você conhecesse a Rose, sua nova meia-irmã. O Spider agarra a minha mão, e um e uma corrente passa entre nós. Lembro-me daquele beijo no avião mesmo que eu não queira. Ambos ficamos ali. Acho que ele está cambaleando. Sei que eu estou. Afastei minha mão, percebendo que nós estamos segurando as mãos demais para que seja normal. – Ela tem dezessete anos. – diz Robert com cuidado em seus tons pausados e seus olhos vão de mim para o Spider. Um instante de surpresa atravessa o rosto do Spider antes de abri-lo rapidamente. – Isso é verdade? Pensei que você era... mais velha. – ele diz, com um pouco de acusação em seu tom. Meus lábios se fecham e eu aceno com a cabeça. – É porque sou alta, mas nunca tive que assumir. Quantos anos você tem? – Vinte e dois. Parece que eu tive dezessete milhões de anos atrás. – É um prazer conhecê-lo. – digo por que não sei mais o que dizer. Esta é a situação mais estranha em que eu já me encontrei - e isso está dizendo muito. Meu meio-irmão é um cara que eu beijei no avião... que depois fodeu a comissária de bordo. Não há um livro de etiqueta para isso. – Vocês se conheceram no avião? – pergunta o Robert.

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Meus lábios se apertam. – Eu não o conheci. – o que era verdade. Conheci um cara que construí na minha cabeça, um cara que era doce e me beijou como ele quis dizer isso. Eu não conhecia essa outra pessoa. Robert olha para o Spider, que atualmente olha para mim, com um arrependimento no rosto. Aquele olhar... Isso me deixa hesitando por um momento, mas eu repito. Não vou deixá-lo chegar em mim novamente. – Estou ansioso para conhecê-la. – ele diz, com os seus olhos no meu rosto, como se estivesse tentando me descobrir. Então, em frente a Deus e a todos no aeroporto, ele se inclina e beija levemente a minha bochecha. Seu toque faz meu corpo arrepiar e meu coração dar piruetas. Coração estúpido e idiota.

Depois de uma movimentação bastante animada no Mercedes preto do Robert, durante o qual o Spider continua me olhando, finalmente chegamos à casa do Robert e da Anne em Highland Park. Robert viveu aqui por vários anos, pelo menos quando ele não está viajando por todo o mundo para gerenciar sua empresa imobiliária, e a Anne recentemente mudou-se com ele. Tenho um quarto aqui, mas só fiquei por várias vezes. Prefiro a última casa da Anne, que também está em um ótimo bairro, mas muito menor do que essa. Ela vendeu assim que se casaram. Uma vez que o Robert estaciona o carro na garagem circular, não posso sair rápido o suficiente. Preciso de algum espaço do Spider.

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Em vez de entrar na casa, abraço a Anne e o Robert da porta da frente com uma promessa de jantar no final daquela noite. Anne quer que eu vá e conte a ela mais sobre Nova York, mas digo a ela que estou cansada. Ela parece entender. Enquanto estou caminhando para o meu Highlander5 que estacionei aqui enquanto eu estava fora, Spider me chama. Eu me viro e olho para ele me seguindo. – Sim? O que foi? – digo bruscamente quando jogo minha mochila no carro, pronta para fugir e processar todas as coisas loucas que aconteceu hoje. Ele muda de um pé para o outro. – Eu... eu só queria dizer que me desculpe. Novamente. Fico rígida, precisando mais do que apenas uma desculpa dele, mas não sei o que é isso. O nível de emoção que ele traz em mim me surpreende. – Não importa. Tudo acabou. Agora temos que nos dar bem. – meus lábios se curvam. – Como você disse, nada aconteceria entre nós de qualquer forma, certo? – Certo. Especialmente porque você é menor de idade. – ele enfatiza a última palavra e eu fujo. – Você não tem o direito de julgar. – digo. Ele enfiou as mãos nos bolsos e fez careta. – Eu sei. Você tem todo o direito de me odiar. – Não odeio você. Eu nunca poderia te odiar. Não sei por que isso é verdade com ele, mas é. Talvez seja porque sinto que há mais na superfície dele. Ele tem problemas, e posso me relacionar com isso com meus antecedentes. Olho por cima do ombro para ver que o Robert ainda está na porta, observando-nos com um olhar contemplativo no rosto.

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Minha raiva alivia mais quando desvio meus olhos de seu pai para ele. Suspeito que aconteceu algo horrível entre esses dois. – O que há com o seu pai? Não perco os ombros do Spider como se ele estivesse se preparando para uma batalha. – Nós não nos damos bem. – Então, por que você está aqui? Ele faz uma pausa. – Não o vejo em seis meses, e ele queria que eu viesse e conhecesse a nova família. Então, aqui estou. – ele levanta as mãos e sorri. Há mais desta história, mas não o pressiono. Ainda. Ele dá um olhar por cima do ombro para o Robert e vejo um gesto de cabeça quase imperceptível que ele lhe dá como se estivesse dizendo: Eu vejo você e eu estou indo. – Até mais tarde, Rose. Ele me dá uma última olhada, e então, ele está caminhando pela entrada da casa. Olho até que ele esteja na porta com o Robert, ocupando dois bons metros de distância que eles reservam entre seus corpos, um sinal revelador de tensão. Percebo que o rosto do Robert está mais sombrio do que o habitual, como se o Spider tivesse feito algo que ele desaprovasse. Eu arquivo tudo e planejo descobrir isso mais tarde. Neste momento, estou pronta para sair daqui, então entrei no meu carro e voltei para os dormitórios de Claremont, a cerca de dez minutos de distância. Ao passar, eu me concentro nas próximas semanas e no estudo que preciso fazer antes da formatura. Eu estou em todas as disciplinas avançadas e faço o meu melhor para ficar no topo. A vovó está sempre

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na minha mente, e isso me encoraja a pensar sobre o quanto orgulhosa ela estaria por fazer algo para mim mesmo. Uma batida interrupta atinge minha porta depois de uma hora de eu chegar, e abri a porta para ver meus dois melhores amigos. Vestida com uma saia de couro e uma blusa jeans, Lexa entra no quarto como se ela fosse dona do lugar. Nós somos inseparáveis desde o primeiro ano, quando ambas terminamos na mesma aula horrível de tênis, onde nenhuma de nós conseguimos acertar uma jogada decente no vôlei. Como eu, ela mora em dormitórios estudantis desde que sua família mora em Atlanta. Ao contrário de mim, ela foi criada com uma colher de prata na boca, mas ela é legal de qualquer forma. A boca dela se abre. – Ah, meu Deus, estou tão feliz que você está de volta! Esta espelunca estava M-O-R-T-A nessas férias de primavera. Eu não tinha com quem falar! – Você me teve, mas, aparentemente, eu não sou bom o suficiente! – Oscar diz com calma quando ele entra pela porta logo atrás dela, de forma bastante dramática, com o seu longo fraque de couro preto. Seus de cachos castanhos balançam enquanto ele me agarra e beija tanto as minhas bochechas. – Deus, senti sua falta. Por sinal, Lexa é uma pequena vadia quando você não está aqui para mantê-la sã. Como foi Nova York? Você viu algum modelo? Atores? Alguém? Deus, essa cidade é uma merda. Vamos para Nova York e moramos juntos em um apartamento - como em Friends. Dou uma risadinha em suas perguntas. Estudante de uma pequena cidade rural fora de Dallas, ele é meu amigo mais velho da escola preparatória de Claremont. Na verdade, nos encontramos no momento em que entrei no escritório no meu primeiro dia para pegar meu cronograma. Ele deu uma olhada no meu rosto sem medo e imediatamente me ofereceu para me mostrar ao redor do campus. Nós nos unimos ao nosso amor pela moda e pela excelente

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literatura. Não sei o que faria sem ele. Ele é minha tribo, e nosso sonho é viver juntos em Nova York. Oscar sorri. – Você se apaixonou pelo campus? Anne sabe o quanto você quer se mudar? Ela vai deixar você sair do estado do Texas? Lexa abre seu estojo compacto e reaplica o seu batom já perfeito. – Todos nós sabemos a resposta a isso - não. Anne quer você aqui para que ela possa te mostrar como a garota que ela salvou das ruas. Você é seu pequeno prêmio. – Isso significa. – Oscar diz quando ele joga um travesseiro para ela. – Vou tirar a Lexa da nossa lista de orações, Rose. Balancei minha cabeça e sorri. – Qual lista de oração? Ele levanta as mãos. – Aquela que vou começar para todas as pessoas que precisam de orações por aqui. Eu ri. Cara, eu senti falta dele. Lexa ignora o Oscar, ainda se concentrando em Anne. – Ela literalmente fez você a garota propaganda no seu jantar de gala de caridade no ano passado, quando ela colocou você em um cartaz. Você deu um discurso sobre o centro da cidade e tudo mais. Ela está moldando você para ser uma mini-Anne. Você já se veste como ela quer. – ela aponta as suas mãos para a minha roupa. Sinto as palavras da Lexa. Não sou uma mini-Anne. Sou apenas eu. Sim, Anne gosta de me levar a seus eventos de caridade e me mostrar porque sou uma história de sucesso, mas ela também me paga para fazer aulas de autodefesa porque me faz sentir mais segura. Eu devo a ela. Olho para a Lexa, levando as roupas caras e o Louis Vuitton que ela casualmente jogou na minha cama quando ela chegou. Ela não entende porque nunca teve que se preocupar com a origem da próxima refeição. Eu tive. – Algumas dessas crianças vêm de situações horríveis, e se eu

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posso ser uma razão pela qual alguém contribui... então, farei a minha parte. Seu rosto se suaviza quando ela olha para mim. – Ah, sinto muito. Você deve pensar que sou uma pessoa horrível. Claro, você quer ajudar essas crianças. É quem você é. – ela acena as mãos. – Estou ansiosa por você, porque sei o quanto você quer ir para a NYU - e ela não vai deixar você ir. Eu mordo meu lábio. Não quero pensar sobre isso agora. Oscar joga um longo braço ao redor do meu ombro e o aperta. – Ignore a Lexa - ela está menstruada. Diga-nos todas as partes suculentas sobre sua viagem. Então, eu digo. Falo a eles sobre o Spider - do clube ontem à noite, do beijo, da comissária de bordo e então a bomba de ser meu meioirmão. Há um breve silêncio e olhos arregalados antes do Oscar gritar. – Você beijou um cara aleatório em um avião? Como você não ficou com ele? Pensei que você odiava voar? – Eu odeio. Ele gira em um círculo, claramente animado. – Ah, meu Deus, você gosta do seu meio-irmão. É tão... pervertido. – ele esfrega as mãos. – É como aquele filme Sem pistas onde a heroína tem tesão por seu meioirmão. Eu amei ele. – Não gosto dele. – declaro, mas parece errado dizer isso e respiro profundamente. – E você esqueceu a parte onde ele parafusa a garota no banheiro? Você deveria estar bravo com ele em meu nome. – Verdade... e eu estou. – ele tira o celular dele. – Mas agora, tenho que ver esse cara por mim mesmo.

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– E você vai vê-lo hoje à noite no jantar? – pergunta Lexa. – Talvez, você possa usar seu garfo de aperitivo para arrancar os olhos dele. – seus olhos estão sérios. – Você é assustadora. – comenta o Oscar, enquanto ele percorre seu celular. Ela pensa nisso, com um pouco de brilho em seu olhar. – Mas seriamente... aqui está uma idéia: talvez, você devesse ir atrás desse bad boy, depois atraí-lo e quebrar o coração dele. – ela concorda com a cabeça. – Sim, gosto mais disso. Menos sangue e tripas no prato de jantar. – Hmmm, talvez. – a idéia me intriga. – Não acho que ele tenha um coração para quebrar. Oscar mantém uma foto triunfante dele junto com os membros de sua banda, que eu reconheço do show no bar. – Santa merda, Sherlock, esse cara é lindo. – ele se senta. – Estou na página do Facebook da banda, e deixe-me dizer-lhe, ele é sexy. Lexa sorri. – Pare de dizer sexy. Você não vai fazer nada, não aqui em Claremont, nem em Dallas e nem em Nova York. Ele a virou e ela ri. Olho para o Oscar. – Falando em Nova York... você já contou sobre sua bolsa para NYU? – Eu fui aceito, é claro, mas não sei sobre a bolsa de estudos... – sua voz se abaixa e eu ouço a preocupação. Ele está em Claremont com uma bolsa integral, porque ele é super inteligente, mas NYU raramente dá bolsas integrais, e sem a ajuda financeira que a bolsa de estudos forneceria, ele não pode ir. Ele deveria ter ouvido alguma coisa até agora, e estou aguardando que ele tenha.

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Ele tira um fio no seu casaco. – Sempre posso ir para UT. Eles vão me levar. – sua voz está baixa de forma incomum. Suspiro, vendo o seu rosto pensativo. Ele quer sair do Texas tanto quanto eu. Estou correndo para me afastar do meu passado e ele está fugindo de uma família disfuncional que se preocupa por ele ser gay. – Nós iremos lá... juntos. – eu digo a ele. – De alguma forma. Oscar encolheu os ombros e posso dizer que ele não quer falar sobre isso. Ele olha novamente para a foto do Spider. – Não posso acreditar que você tenha beijado esse delírio. Você morreu? Eu balancei minha cabeça para ele e ri. – Não. Estou bastante viva. Não posso deixar de me inclinar e observar a foto do grupo e espreitar dentro da vida do Spider. Na foto, ele está de pé no meio de seus amigos em uma praia com uma bebida no ar como se estivesse brindando. Usando um chapéu Union Jack e um par de shorts esportivos, ele não está com camiseta, seu ombro bronzeado e musculoso. Ele parece sexy. Isso me faz lembrar dele caminhando no palco em seu casaco de vison. Um sorrisinho espontâneo cresce no meu rosto. Algo sobre ele... apesar de estar com raiva dele... me atrai. Eu ignoro e continuo. – Ele gosta de ser o centro de tudo. – digo. – Ele pode entrar no meu centro a qualquer momento. – Lexa acena enquanto ela se inclina sobre meu ombro. Oscar bateu na cabeça, sem olhar muito seguro. – Se você decidir quebrar o coração dele como a Lexa disse, é melhor você tomar cuidado com isso. Aqueles olhos... Conte-me sobre isso. Lexa bufa. – Você só o quer para você mesmo.

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– Eu quero todos, querida. – ele joga seu lenço em volta do pescoço dele. Eu ri quando me levantei e abro meu armário. – Sou a única que tem que jantar com ele esta noite. Oscar pula e entra dentro do armário, vasculhando os cabides. – Se você está indo ver aquele gostoso, então use isso! – ele tira um vestido vermelho de seda, um que ele e eu encontramos em uma loja de segunda mão no centro da cidade. Com tiras de finas e uma fenda nas costas, é curto e insinuante e não um que a Anne aprovaria. Eu o adoro. – É cortado em sua fenda e ele não conseguirá parar de olhar para essas longas pernas suas. Combine com aqueles saltos prateado Jimmy Choos que encontrei. – ele beija a ponta dos dedos. – Perfeição. – Estou usando meu cabelo em um rabo de cavalo, calças de ganga velhas e chinelos. Nem vou escovar os cabelos nem os dentes. – estou provocando, é claro, mas adoro ver seus rostos. Lexa ri. – Anne vai morrer. O rosto de Oscar está teatralmente devastado. – Por favor, Rose. Ele é uma potencial estrela do rock. Impressione-o e depois quebre o coração dele. – Não. Lexa ignora o meu comentário e se levanta da cama onde ela se deitou mais cedo e começa a vasculhar minha gaveta de roupas íntimas. – Você precisa de uma tanga para esse vestido. Eu ri. – Não estou usando esse vestido estúpido para jantar. Isso é o suficiente de vocês dois. Preciso concluir essa tarefa antes de segundafeira, além de eu ter um trabalho para fazer. Eles resmungam, mas concordam. Lexa murmura algo sobre ir ao shopping e Oscar diz que planeja ver um filme. Eventualmente, eu os

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tirei da porta e me concentrei em meus estudos, mas a cada poucos minutos, olhei para o vestido vermelho que o Oscar pendurou no lado de fora do meu armário. Um pequeno impulso de emoção passa por mim, enquanto imagino que o Spider me veja. Mas depois há Anne. Ela não vai gostar. Uma pequena parte de mim não se importa. Talvez, seja por causa do comentário da mini-Anne, ou talvez, seja porque sei que o Spider está atraído por mim e eu quero que ele sofra enquanto me sento em frente dele no jantar. Sim, uma vozinha sussurra na minha cabeça. Use-o, mexa com o bad boy.

5.

Highlander: modelo do carro.

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Capítulo Seis spider – A primeira regra desta casa é que você não pode, repito, você não pode brincar com a Rose. – agitando as mãos, ele continua: – Nós todos sabemos sobre a sua... reputação com as mulheres, mas ela é sua irmã e tem um futuro brilhante à frente dela. – o tom do meu pai é nítido como unhas enquanto me sento em frente a ele em uma cadeira dura em seu escritório. Nós entramos aqui assim que chegamos do aeroporto. Rose. Dou um suspiro enquanto o arrependimento me engole sobre o que aconteceu no avião. Sem dúvida, ele viu a maneira como eu olhava para ela. – Eu vi como você estava olhando para ela. Ela é muito jovem para você, então não tenha nenhuma idéia. Levanto uma sobrancelha. – Não estou tendo idéias. – mas, estou mentindo para ele. Rose me fascina. Ela é linda e doce. Eu afasto esses pensamentos. Ela terminou comigo, e eu não a culpo nem um pouco. Ela deveria estar com raiva de mim. Ela não merece alguém tão fodido como eu. Penso nela em uma caixa, coloco uma corrente ao redor e coloco-a em um canto escuro da minha mente. Vou esquecer ela, digo a mim mesmo. Afinal, afastar as pessoas é algo que aprendi bem com meu pai.

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Alto e imponente com ombros largos e um rosto feito de granito, ele é um homem que bate as portas, fala com franqueza e a merda está feita - sem importar o custo. Ele não é nada como a Mamãe, que era a luz do sol e luz, mas pelo menos ele ficou por perto um pouco. Seis meses depois que a Cate morreu, ela foi embora com um novo amante. Ainda a vejo de vez em quando, entre namorados e férias em lugares exóticos. Nosso relacionamento é... complicado. Eu acho que é difícil para ela me ver e não pensar em Cate. Por outro lado, é difícil para eu ver a minha mãe e não pensar nela me deixando. A voz do meu pai me traz de volta ao presente. – Em segundo lugar, não há drogas em torno da Anne e a Rose. Isso não será tolerado. Meus olhos encontram o dele e suspiro, meus dedos tremem enquanto eu os tamborilo no meu jeans. – Com todas essas regras, estou surpreso que você mesmo me tenha convidado. Ele soltou uma respiração profunda. – Acredite ou não, eu quero que você faça parte da minha nova família. Não nos vimos em meses. Meus lábios se apertam. – Seis para ser preciso. O que não é incomum. Quando nos mudamos para os EUA, quase não o vi. Ele me separou em uma escola exclusiva chamada Briarwood e fingiu que eu não existia. Eu era um garoto confuso de treze anos, por Cate ter morrido e a mamãe saindo, mas ele continuou sua vida como se nada tivesse acontecido. Tenho certeza de que ele vê essa parte da nossa vida de forma diferente, mas eu não. Ele me deserdou quando mais precisava dele. Ele se levanta e se serve com um Scotch e fica em pé na mesa. – Olha, eu só quero que você fique em Dallas por alguns dias e conheça a Anne. Eu também quero ter certeza de que você está... Bem. Espero que esteja bem, Clarence. Você não quer voltar para a reabilitação.

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Minhas mãos se apertam, lembrando os dois meses que passei em um "spa" no norte da Califórnia alguns anos atrás. – Não tenho um problema com drogas. Nunca estive melhor. – mentiras. Tudo mentiras. Mas, eu não ligo. Estou irritado e atingido por antes, só quero terminar essa conversa. Preciso de um choque. Meus dedos esfregam meu anel. Talvez, eu possa entrar em um dos banheiros no andar de cima... Concentro-me enquanto eu percebo que o meu pai me observa, procurando por sinais em mim. – Estou bem. – digo, com meu tom nítido. Ele engole e acena com a cabeça. – OK. É possível ficar aqui ou na cobertura que tenho na cidade. Eu concordo. – Vou ficar com a cobertura. – Tudo bem. – ele diz, e eu não perco o olhar de alívio em seu rosto. A coisa é, que ele provavelmente me quer aqui para conhecer sua nova esposa e me verificar, mas eu o deixo desconfortável. Ficar na cobertura é mais fácil para todos. Pigarreio. – Você mencionou um presente monetário? Uma herança adiantada, talvez? – quando ele me ligou para me convidar, ele disse que iria valer o meu tempo e assumi que era o que ele queria dizer. Eu o observo, procurando respostas. – Claro. – ele toma uma dose seu Scotch, e olho isso com inveja. Entrelaço minhas mãos no meu colo. – De quanto dinheiro estamos falando? Ele nunca me deu nada. Não sou um bebê do fundo fiduciário. Claro, ele pagou pelo meu internato e as despesas, mas uma vez que descobriu que não estava indo para a faculdade, meu cartão Amex foi cancelado. Eu tenho me sustendo nos últimos cinco anos. Ele chamava isso de amor rígido; Chamei isso de que ele queria controlar minha vida.

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Talvez, ele esteja certo - talvez eu deva ter um diploma, mas a música é o que desejo. É minha pele, meu tudo. Não consigo respirar sem ela. Ele pega uma caneta na mesa de mogno. – Você mencionou a mudança para Los Angeles com a banda. Imagino que as despesas estão altas se você quiser se encaixar na multidão certa. Vou dar cem mil. Caramba. Eu tento evitar que a surpresa apareça no meu rosto. Eu esperava talvez dez ou vinte se ele estivesse se sentindo magnânimo. Francamente, estou surpreso por ele mesmo me oferecer qualquer coisa. Quero dizer, eu teria vindo de qualquer jeito... eventualmente. Ele é meu pai, e eu ainda anseio sua aprovação depois de todos esses anos. É possível que ele esteja tentando corrigir? Ele suspira e se inclina para trás em sua cadeira de couro, uma expressão cansativa flutuando em seu rosto. As linhas desaparecem dos olhos e vejo que o cabelo dele diminuiu bastante desde a última vez que o vi. – Você fará cinquenta e cinco anos esse mês? – pergunto. – Estou surpreso que você se lembrou. – ele olhou para mim olhando para a janela nas terras bem cuidadas da casa, e sigo seus olhos e vejo a Anne sentada em um dos bancos do jardim. Ela é do tipo dele, linda e mais jovem do que ele, talvez no início dos quarenta anos. Mas estou surpreso por ele se casar novamente. – Depois que a mamãe foi embora, achei que você havia desistido para sempre de casamento. Nos anos em que eles estiveram separados, eu nunca soube que ele teve um relacionamento sério há mais de alguns meses, apenas uma longa fila de namoradas bonitas que vieram e foram. – É diferente desta vez com a Anne. – ele esfrega uma ruga na ponta do nariz.

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– Enxaqueca? – pergunto. Elas aparecem quase toda vez que ele me vê - apenas parte do meu encanto. – Não. – ele suspira pesadamente. – Então, o que é? Há alguns momentos de silêncio, a tensão na sala se movendo de mim para ele enquanto seu olhar se volta para sua esposa. Seu semblante se torna suave. – Ela esta grávida. – Merda. – minha boca se abre. – Como? Por que você não me disse isso? Ele ri, o primeiro desde que ele esteve comigo. – Eu não sei. Ainda estou...se recuperando disso. Nós nos conhecemos em uma convenção de hotel e pensei que nunca mais a veria, mas então, ela me ligou com as novidades. – um sorriso incrédulo pisca seu rosto. – Ela já tem cinco meses. É como... Estou começando de novo. Estou me recuperando também. – Você já não ouviu falar de camisinha? – De fato. – ele se levanta da cadeira e anda pela sala com painéis escuros. – Anne está tão chocada quanto eu. Foi dito a ela que nunca teria filhos. – ele faz uma pausa. – Ela adotou a Rose quatro anos atrás. Ah, interessante. Notei que eles não são favoráveis a todos. – Anne nunca se casou? – pergunto. – Não. Ela tentou várias tentativas de fertilização in vitro com um doador, mas nada funcionou. – um olhar incomum de incerteza cruza seu rosto. – Nós já tivemos algumas complicações com a gravidez, e as coisas têm sido tocar-se e sairmos. É importante que você esteja no seu melhor comportamento em torno da Anne. Primeiro, eu estava um pouco hesitante, mas agora... Acho que estou bastante feliz. Eu começo, chamando a atenção.

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Bem feliz? Besteira! Isso é tão bom quanto uma declaração de amor paternal. É enorme. Pego no buraco desgastado no meu jeans. – Então, você vai ser um bom pai? – porque você não estava comigo, está implícito e ele sabe disso. Seus olhos de cor de fumo pousam nos meus, e vejo algo lá... talvez lamento. – Eu quero ser. Bato meus dedos em minha cadeira, pronto para sair daqui e processar tudo. Tem sido um dia louco como o inferno... uma meia-irmã de dezessete anos que eu quero foder, uma nova madrasta que me desaprova já (eu posso dizer), e agora um bebê novo. Eu mudo o tópico, voltando ao ponto crucial da questão. Eu sigo meus dedos e dou a ele um longo olhar. Estar sozinho me ensinou a ir pelo que eu quero. – Volte ao dinheiro... Farei tudo o que me pedirem por duzentos mil. Seus olhos brilham, e vejo um pouco de admiração neles. – Você está fazendo um acordo comigo? Concordo. – E você tem que me chamar de Spider. Não mais desta besteira de Clarence. Cate me deu o nome e é meu. É algo que você não pode tirar de mim. Ele tomou outro gole de seu Scotch, seus olhos permanecendo nos meus antes de ir para a Anne. Ele me olha e acena com a cabeça, sinalizando que a nossa reunião acabou. – Combinado.

Capítulo Sete Página 73 de 265


Rose Este dia inteiro foi bizarro e sugou o ar para fora de mim. A única maneira de ficar entusiasmada por estar de volta é ligar a "Defying Gravity" e cantá-la o mais alto que puder enquanto vou para Highland Park. É a minha música favorita no musical Wicked principalmente porque é sobre capacitação, sobre saltar para o desconhecido enquanto você confia em seus instintos e avança com o que acha que está certo. Eu quero ser essa garota. Desesperadamente quero dar um salto e ser tudo que já imaginei... Mas não em Highland Park. Com um suspiro, cruzo os portões duplos e estaciono ao lado do Mercedes de Robert. Anne e eu vivíamos confortavelmente em um subúrbio em Dallas, mas esta casa é louca. É de tijolos caiados de três andares com detalhes rurais franceses, desde as persianas rústicas nas janelas altas até a imensa porta da frente de aspecto medieval. Na parte dos fundos é um quintal coberto, com duas lareiras, uma piscina em forma de lago de montanha e uma cozinha ao ar livre que parece que pertence a uma revista. Além da piscina é um jardim intrincado, completo com um labirinto de arbustos, bancos de pedra e alcovas. Fica á cerca de cinco hectares, a propriedade é uma das maiores em Highland Park. Eu tento imaginar Spider crescendo aqui, mas não posso. Ele não se encaixa aqui, e nem eu. Toco a campainha porque não me sinto em casa, e um Spider recém tomado banho atende, parecendo irritantemente bonito com o cabelo úmido, usando calça jeans baixas e com uma camiseta preta dos Beatles. Os meus olhos traidores permanecem em seus ombros bem definidos.

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Um pequeno sorriso brinca em volta dos seus lábios. – Olá, senhorita Dezessete. – seu sotaque toma conta de mim, cortado, suave e profundo com camadas. E assim, estou sob seu feitiço, sugado em seu fascínio de novo. Eu me lembro do nosso beijo... a magia dele... o jeito que suas mãos seguraram meu rosto. Sentindo-me frustrada, afasto esses pensamentos e sentimentos e passo por ele na sala de estar. – Vamos esclarecer uma coisa, meioirmão, seu sotaque sexy não vai funcionar em mim. – Nunca disse que iria, meia-irmã. – ele se inclina contra a parede e seus olhos de cobre derivam preguiçosamente sobre a minha roupa. Seu lábio se curva. – Você usou isso em meu benefício? Endireito meus ombros e o meu corpo, automaticamente lembrando das lições de comportamento que tive. Sim, usava o vestido vermelho e os saltos. E eu pareço bem. Eu passo por ele, como uma gazela... talvez. – Eu usei para mim. – mentira. – Não estou surpreso. Eu não valho a pena para você se vestir. Você está linda, a propósito. – ele olha pensativo, enquanto olha para mim, e eu suspiro, lembrando-me que ele é meu novo meio-irmão, e tenho que ser uma adulta e me dar bem com ele. Eu passo o meu olhar sobre a sua roupa. – Sem regata de malha? Devo confessar, vou sentir falta de todas aquelas tatuagens em exibição. Ele me dá um rápido olhar, como se estivesse tentando descobrir se estou brincando com ele ou não. Seus olhos procuram os meus e eu sorrio, só um pouco. Uma risada rouca escapa dele, e pela primeira vez desde a coisa toda com a comissária de bordo, há um ligeiro alívio entre nós.

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Pigarreio e estendo a minha mão. – Eu espero que possamos ser amigos. O que você acha? Ele pega a minha mão e isso é como faíscas sobre a minha pele. – Por mim, tudo bem. Eu levanto uma sobrancelha. – Fingir não se importar é geralmente a tendência de alguém que realmente se importa mais... Clarence. Ele joga a cabeça para trás e ri, o som nítido e profundo. Isso acende uma lembrança em mim, uma da minha infância. Eu me agarro para segurá-la, mas ela se afasta rapidamente. Nossas mãos se separam, um pouco relutantemente, enquanto seus olhos brilham para mim. – Você sabe, odeio esse nome com uma paixão, mas quando escuto em seus lábios... não muito. – Estou falando sério. É chamado de mecanismo de defesa e as pessoas fazem isso para não se machucar. Ele olha de lado para mim. – Alguém já te disse que você lê muito as coisas? – Talvez. – olho para as minhas mãos, percebendo que elas estão nervosamente torcendo as alças da minha pequena bolsa. Tenho o meu próprio diz. – Eu gosto de analisar as pessoas. – E o que você descobriu sobre mim? – seus olhos olham para os meus antes de olhar para si mesmo no espelho. É como se ele estivesse com medo de me olhar por muito tempo, e eu me pergunto o porque. Insiro minha voz com confiança que eu realmente não tenho. – Que você é perigoso. – Eu? Por quê? Eu mordo o meu lábio inferior. – Você não se importa com quem se machuca para evitar sentir qualquer coisa, o que provavelmente significa que você se machucou no passado. Você tem demônios.

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Ele paralisa, seu olhar voltando para o meu rosto. – Parece que você me pegou, então. Eu hesito. – Todos nós temos demônios, certo? De alguma forma ou outra. Ele apenas olha para mim. – Qual é o seu demônio, Rose? – Eu não pertenço aqui. É como se eu estivesse jogando um jogo de fingir. – olho em volta da casa grande. – Este não é o tipo de lar a que estou acostumada. É o mesmo quando estou em Claremont. Não me encaixo com aquelas crianças. Eu cresci em Tin Town, provavelmente não o que você esperaria. Ele me observa enquanto falo - ou mais como divagar - me deixando nervosa. – Nunca me encaixei em qualquer lugar, quando estava na escola preparatória. – ele faz uma pausa. – Você não é nada como eu esperava. Quando o Robert mencionou uma meia-irmã mais jovem ao telefone, imaginei uma menininha de tranças e uniforme escolar. – Eu tenho um uniforme escolar. Uma expressão séria aparece em seu rosto. – Você sabe, eu nunca teria beijado você se soubesse a sua verdadeira idade. Eu sei melhor que isso. Eu fiquei rígida, me sentindo defensiva. Lembro-me dos dias em que cresci, dos lares adotivos, dos tempos em que tive que lutar para defender minha virtude. – Eu posso ter dezessete anos, mas não sou uma criança. Robert aparece na sala de estar, com os seus olhos saltando de mim para o Spider, com o seu olhar procurando. – Tudo bem aqui fora?

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Eu aceno enquanto o Spider se levanta e passa por nós para entrar na sala de estar formal. É um lugar espaçoso com um teto com vigas e uma lareira emoldurada por pedras caiadas de branco. O ponto focal da sala é o par de desenhos a carvão que estão pendurados na parede atrás do couro creme seccional. Spider pisca enquanto caminha pela mesa de café e fica na frente das fotos. Meu interesse despertou, eu o sigo enquanto o Robert se move para tomar uma bebida no bar. Eu estou ao lado de Spider, nossos ombros não se tocam quando olhamos para a arte. O da direita é uma casa de estilo Tudor feita de pedra com brocas intrincadas e portas em arco. O outro é um garotinho deitado de barriga para cima na grama enquanto olha para o céu com um grande sorriso no rosto. É perfeitamente travesso. Os observo de perto, observando a qualidade infantil da arte. Acho que vejo o nome dele rabiscado no canto de um dos desenhos. – Seu? Ele acena, indicando o desenho à direita. – Apenas o da casa. O outro foi desenhado por minha irmã Cate. Um fantasma de sorriso passa pela boca de Spider. – Nós dois gostávamos de desenhar, mas ela sempre foi melhor em desenhar pessoas. Seus dedos são mágicos com uma guitarra, então não é surpresa que ele possa desenhar também. – Ambos são muito bons. – eu me movo em direção ao menino. – Aposto que você era dava trabalho. – Eu tive a atenção de um mosquito. – um longo suspiro vem dele. – Eu era o assunto favorito dela. Ela quis dizer... muito para mim. – a escuridão cruza o seu rosto, e imediatamente quero fazer isso ir embora. – É onde você cresceu? – inclino minha cabeça para a casa.

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Ele concorda. – Essa era a propriedade da nossa família, a minha verdadeira casa, e nós tivemos a corrida. Mamãe e papai tinham ido muito longe, mas com a Cate por perto, sempre havia algo para fazer. – ele enfiou as mãos nos bolsos. – Já faz um tempo desde que vi isso. Eu nem sabia que ele as colocou aqui. – Por que você saiu de Londres? – ele fez alusão a isso mais cedo no avião com seu novo comentário, mas estou curiosa para saber mais. – Meu pai... ele queria ficar longe das memórias. – Que memórias? Seus olhos se voltam para mim e você sabe que os olhos são as janelas para a alma? Li os dele. Os luminosos olhos âmbares de Spider me encantam, me capturando com sua solidão. Minha respiração fica presa. Ele abre a boca para dizer algo mais, mas a voz de Robert vem do outro lado da sala, interrompendo nossa conversa. – Rose, me fale sobre suas aulas neste semestre. Como está indo? – há uma qualidade nítida em sua voz, e eu me viro para observá-lo enquanto ele atravessa a sala em nossa direção, com as suas calças cuidadosamente vincadas se movendo a cada passo. Franzo a testa. Ele claramente se preocupa com a Anne, e eu gosto muito dele, principalmente porque ele amacia a Anne e a faz feliz, me dando mais espaço. Mas é claro que ele não quer que o Spider esteja perto de mim. Notei isso mais cedo na porta quando ele nos observava e agora ele está tentando interromper as nossas conversas obviamente privadas. Como se o Spider sentisse a tensão no ar, ele se afastou de mim e se sentou no sofá.

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Ele vai aprender que eu não desisto tão fácil. Algo sobre ele me faz querer cavar por mais. Eu quero a história dele. Estou salva de mais conversas enquanto a Anne entra na sala, linda em um vestido rosa, que esconde artisticamente sua barriga crescendo. Ela passa os olhos pelo meu vestido vermelho, parando na barra e uma pequena ruga se forma em sua testa. – Eu não acho que já vi você usar isso. É o jeito dela de dizer que pareço horrível. Sentindo-me autoconsciente, eu toco o corpete da roupa de seda. – É algo que o Oscar encontrou para mim em uma de suas lojas de consignação. É vintage, eu acho. Gosto dele. – eu me incomodo, me sentindo desconfortável enquanto sua carranca cresce. Ela passa os olhos pelo meu cabelo e eu estou feliz que o uso solto, já que cobre a tatuagem. – Eu não. – diz ela. Robert coloca um braço ao redor da Anne. – Ela está linda, querida. Não dê a ela um tempo difícil. Os lábios de Anne se apertam e não estou surpresa. Eu esperava sua desaprovação e usei mesmo assim. Raramente me rebelo contra ela, mas ultimamente com toda a coisa da NYU, eu me sinto impaciente. Ela suspira. – Da próxima vez que você vier, vista-se mais modestamente. Esse vestido é muito curto e dá a impressão errada. –ela sorri brilhantemente para mim como costuma fazer depois de uma crítica. Chamo isso de rotina de “cortar e abraçar”. Ela se vira para Robert, sem esperar pela minha resposta. – Agora, que tal um refrigerante?

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– Caramba, eles são um pouco assustadores. – Spider sussurra atrás de mim, enquanto o Robert e a Anne caminham até o bar para que ele possa trazer para ela uma água tônica. – O que você quer dizer? – pergunto, virando para encará-lo. Ele coloca as palmas em sua tatuagem de aranha. – Quero dizer, o meu pai está agindo estranho e a Anne está... bastante rigorosa. –ele olha para mim, demorando-se no corpete do meu vestido e eu sinto me arrepiar. – Não dê ouvidos a ela. Eu amo o vestido. – ele sorri. – Afinal, você usou para mim, certo? Eu balancei minha cabeça para ele. Ele vai do fundo ao arrogante no espaço de alguns minutos. Eu não posso acompanhá-lo. – Anne é grande em aparências. Ela não quer que eu me transforme em minha mãe, e sua maneira de garantir que isso não aconteça é para me dizer cada movimento a ser feito. – suspiro. – Não deixe que ela esmague o seu espírito. – ele procura o meu rosto. – Se você quiser conversar, eu estou aqui - como um meio-irmão, é claro. Eu nos imagino conversando... depois nos beijando... então, fazendo mais. Imagino suas mãos no meu corpo, deslizando sob meu vestido... Merda. De onde pensamentos, Rose.

veio

isso? Respiro

Eu concordo. – Certo.

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fundo. Esqueça

esses


Depois do jantar, Spider pede licença para subir as escadas para seu quarto. Ele mencionou que vai ficar na cobertura, mas ainda não está nessa direção. Ele mal disse muito durante a refeição de cinco pratos, com os olhos fixos no prato. Eu não gosto que ele seja diferente em torno do Robert e a Anne. Eu quero o meu Inglês Irritante do avião. Vinte minutos depois, ele desce as escadas vestido com shorts pretos de ginástica e uma camisa esportiva. – Correndo? – pergunto estupidamente enquanto ele caminha até a porta da frente. – Sim. Eu preciso sair deste lugar por um tempo. – com a mão na maçaneta da porta, ele olha de volta para mim. – Você quer vir? Eu lhe envio um olhar irônico. – Meus saltos não foram feitos para correr. Eu estava pensando que poderíamos pegar o Robert e a Anne e jogar alguns jogos. Caça-palavras? – Caça-palavras? Com o meu pai? – seu rosto está surpreso, e posso ver que ele provavelmente nunca jogou muitos jogos com o Robert. Novamente, eu me pergunto o que há entre eles, e parte de mim, a parte que é como a vovó, quer analisar o relacionamento deles e talvez ajudar a consertá-lo. – Pode ser divertido se conhecer melhor. Ele balança a cabeça e se afasta. – Eu nem sei que porra de universo isso é. Eu tenho que ir. A porta se abre e ele se vai, sua forma alta escapando pela noite. Fico na porta aberta e o vejo desaparecer enquanto ele corre para longe.

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Jogamos uma rodada de caça-palavras, e às dez, o Robert se retira para dar a Anne e a mim algum tempo sozinha. Como de costume, nossa conversa é formal e muito trivial. Ela não é uma pessoa calorosa e vaga. – Então, como foi NYU? – sua voz tem um tom de preocupação. – Eles têm um ótimo prédio de psicologia, e um dos professores com quem conversei é de Dallas. Seria como um pouco de casa. – prendo a respiração. – Eu gostaria de ir para a NYU. Ela sacode a cabeça. – Eu quero que você fique por perto. O bebê estará aqui em breve, você não quer estar aqui? Poderia precisar de ajuda nos fins de semana. Ela não vai precisar da minha ajuda. Já a ouvi e o Robert discutindo a contratação de uma babá. – Eu poderia voltar para casa para as férias. Ela me dá um olhar - você sabe qual, como se eu deveria saber a resposta antes mesmo de perguntar. – Dói-me até mesmo ouvir você falar dessa maneira. – ela dá um tapinha na minha perna. – Vamos colocar um alfinete na coisa da NYU por um tempo, ok? Veja como as coisas vão no ano que vem? Ela está me protegendo e eu fico rígida. – Eu sempre posso pagar por isso sozinha. – eu digo. – Estou trabalhando três noites por semana no Jo's. – Jo's é uma lanchonete da região onde sirvo mesas desde agosto passado. Gosto de trabalhar porque me faz sentir que tenho um propósito. Anne não aprovou a minha decisão de trabalhar, mas eu insisti. Ela teria preferido que eu trabalhasse no clube de campo ou em uma das butiques da cidade, mas não era eu.

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Ela franze a testa e esfrega a barriga. – Isso é ridículo. Você não vai ganhar dinheiro para a NYU na lanchonete. Além disso, você está muito atrasada para se candidatar a este ano. Eu suspiro. Obviamente, o Robert e a Anne têm o dinheiro para me mandar para a NYU - Winston é tão cara - que ela simplesmente não quer que eu vá porque ela gosta de me ter por perto para me controlar. E porque ela já fez tanto por mim, eu odeio pedir a ela qualquer coisa que ela não queira me dar. Talvez, o novo bebê a mude. Mas ainda... Essa coisa da NYU... Eu não posso deixar isso para sempre... mas eu posso deixar passar por agora. A voz da Anne me puxa de volta. Ela está se levantando do sofá e presumo que ela está indo para a cama. Ela caminha até mim, seus olhos procurando. – Além disso, notei que você encarava muito o Spider durante o jantar. Quero que você seja educada com ele, mas ele tem uma história de uso de drogas e, claro, ele está em sua música. Você sabe que tipo de estilo de vida que esses tipos têm. Eu suspiro, irritada com ela. Novamente. Às vezes parece que a Anne é a criança e eu sou a adulta. – Spider está bem. Eu gosto dele. Ela levanta as sobrancelhas. – Só não goste muito dele. – Sim, senhora. Eu não digo a ela que é tarde demais.

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Capítulo Oito Spider Eu corro. Corro até que não possa respirar e meu peito dói. Suado e cansado, eu paro em um parque próximo com muitos postes para recuperar o fôlego. Minha cabeça está cheia de meu pai, sua nova esposa e a Rose. Tudo dentro de mim parece de cabeça para baixo no meu dia louco. Eu esfrego o meu rosto. Às vezes, o exercício mantém os desejos à distância, mas, no momento, não está funcionando. Eu preciso de algo forte para afugentar tudo. Exausto, eu coloco minha bunda em um banco e faço um plano para a noite. Poderia voltar para casa durante a noite, mas por algum motivo estou com medo e isso tem muito a ver com a Rose. Eu preciso ficar longe dela. Mesmo que mal a conheça, ela de alguma forma conseguiu ficar sob a minha pele. Eu solto um longo suspiro, sentindo-me sozinho. Eles estão lá atrás em casa rindo e jogando caça-palavras. Eles são uma família e eu não me encaixo. Mudo de direção e penso sobre a nossa banda e como nós estivemos na estrada nos últimos meses, tocando em bares e pequenos espetáculos por todos os EUA. Fizemos bem em não ter uma gravadora. Não é muito dinheiro, mas é o suficiente para nos levar a encontrar uma residência permanente em LA, em algum lugar para criar raízes. Sebastian é de lá e

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conhece alguns produtores de discos com quem queremos trabalhar. Ele é a única família que eu realmente tenho... O que me traz de volta ao jogo de caça-palavras. Porra. Eu realmente não quero voltar para aquela mansão. Depois de pensar, decido pegar minhas roupas e guitarra amanhã. Eu chamo um Uber para me levar ao The Galleria para comprar o básico: jeans, algumas camisas aleatórias, um par de chinelos de couro e roupas íntimas. Depois das minhas compras, vou para a cobertura tomar banho. Uma hora depois, estou sentada em um bar em Uptown. Peço uma dose de tequila no momento em que uma morena curvilínea se aproxima de mim. Ela me lembra da Rose com seu cabelo comprido, mas ela tem aquela vibe de garota rica que reconheço a um quilometro de distância cara petulante, bolsa cara, e peitos comprados. Ela diz que o nome dela é Kirsten e eu compro uma bebida para ela. Inferno, eu compro várias bebidas para ela. Nós nos esgueiramos para o banheiro e eu a puxo para uma cabine onde fazemos uma fileira de cocaína juntos e ela me chupa. Mais tarde, eu me jogo na pista de dança para alguma música techno que eu geralmente odeio. Eu me sinto incrível. A vida é boa. Eu posso lidar com qualquer coisa com uma bebida, uma menina e um pouco de cocaína. Uma hora depois, estamos tomando mais bebidas quando ela sussurra no meu ouvido e suas mãos esfregando o meu peito. – Meu carro está do lado de fora e meu condomínio fica a um quilômetro daqui. Você quer fazer essa festa lá? Eu sorrio para ela. Eu nem sequer paro. – Claro.

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Ela fica na ponta dos pés para me beijar, mas evito seus lábios com uma rápida virada do meu rosto. Rose aparece na minha cabeça, com seus grandes olhos verdes e o jeito que ela me observa. Ela sabe que eu sou um impostor - que tenho um maldito mecanismo de defesa de todas as coisas. Eu tenho que esquecê-la. – Vamos sair. – eu digo para a menina. Pago a conta e entramos em um Lexus branco. Ela nos leva, mesmo que ela provavelmente esteja bêbada. Os postes de luz piscam enquanto recosto no interior de couro. – Você é de Dallas? – a garota me pergunta, e percebo que mal trocamos informações pessoais pelos nossos nomes. Grunho uma afirmação, não querendo falar com ela. Dallas apenas me lembra que o meu pai está começando tudo de novo com uma nova família quando ele nunca foi realmente a minha. Nós estacionamos e eu caminho até a porta dela antes de começar a ficar quente, e não de um jeito bom. Eu sinto que posso estar doente. O ar diminui e eu suspiro alto. – O que há de errado? – ela pergunta. Porra, qual era o nome dela? Ela coloca a mão no meu ombro e me afasto. Meu estômago revira com o pensamento de rolar com ela em uma cama que não é minha. Claro, me sinto bem e me faz esquecer, mas eu sempre me sinto vazio depois. Porra. Eu me sinto vazio já. Minha embriaguez se foi e estou deixando de funcionar. Apenas vá lá e transe com ela.

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Você se sentirá melhor. Você vai esquecer que decepção você é para o seu pai. Você vai esquecer a Rose. Ela envolve uma mão em volta do meu bíceps e aperta. – Ei, baby, não seja tímido. Deixe-me fazer você se sentir bem. Eu olho para ela. Seus olhos são azuis quando o que eu realmente quero é verde. Eu me afasto dela. – Onde você está indo? – seu rosto está confuso. – Não sei, provavelmente para o inferno. – murmuro, em seguida, corro, descendo os degraus na escada dois de cada vez.

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Capítulo Nove Rose Na próxima vez que vejo o Spider, são alguns dias depois e no lugar mais inesperado. – O pedido está pronto, Rose. – isso vem de Archie, o cozinheiro chefe do Restaurante do Jo, uma réplica fofa de um restaurante dos anos cinquenta. Ele desliza dois pratos sob a lâmpada de calor, um hambúrguer do lado de batatas fritas picantes e outro com uma salada ao lado de um frango grelhado. Eu aceno, colocando as mechas errantes da minha trança francesa atrás das minhas orelhas. É uma noite de semana e volte a escola, junto com meu trabalho de meio período. Colocando os pratos na minha bandeja junto com os refis de bebida, eu levo o pedido até a mesa onde a Lexa e o Oscar estão sentados, fingindo fazer o dever de casa enquanto eles me irritam no trabalho. Eu coloco na frente deles. Lexa levanta uma sobrancelha escura cuidadosamente desenhada. Eu reviro meus olhos. – E agora? – Oi? Eu preciso de molho para a minha salada. Eu assopro os fios de cabelo que escaparam e estão fazendo cócegas na minha testa. – Você sabe onde é. – aponto para o bar ao longo da parede do fundo do restaurante, que é revestido com dispensadores de refrigerante, guardanapos e uma variedade de condimentos. Na verdade, é uma configuração bem legal. – Pegue você mesmo.

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Oscar bufa. – Sim, vaca. Não há funcionárias aqui no Jo. Mandei a ele um aceno de gratidão e me movi para a mesa que a recepcionista estava sentada, uma ao lado das janelas do restaurante. Eu pisco com a imagem na minha frente. Spider Wainwright está sentado em uma cabine, parecendo bastante confuso e fora do lugar. Ele está vestindo jeans, uma camisa apertada da Vital Rejects que acentua perfeitamente os seus bíceps e um par de Converse preto. – Você. – digo, praticamente sem nada. – Eu. – ele sorri ironicamente e brinca com o cardápio. Quase timidamente, ele olha para mim, seus olhos absorvem minhas meias Keds, o jeans boyfriends enrolado e a polo preta com o logotipo vermelho de um hambúrguer do Jo. Há um pequeno avental amarrado na minha cintura. As meias e polo horrível são um requisito para trabalhar aqui, e não é exatamente fofo. Com um cheiro permanente de batatas fritas, é a roupa mais legal de todos os tempos, mas em uma boa noite, eu posso ganhar uma centena de gorjetas sozinha. – O que você está fazendo aqui? – pergunto. – Eu vim para te ver. Ele está aqui... em Jo... e ele veio me ver. Uma enxurrada de borboletas enlouqueceu no meu estômago. – Como você sabia que eu trabalhava aqui? Ele encolhe os ombros. – O meu pai mencionou quando peguei minhas coisas esta semana. – um olhar pensativo cruza seu rosto. – Ele gosta de você. Posso dizer pelo jeito que ele fala sobre você. Eu fico lá, tentando parecer legal. – Você gostaria de pedir algo?

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Ele olha para o cardápio na mesa. Ele está nervoso, com seus dedos batendo na mesa. – O que você recomenda? Enfio minhas mãos nos bolsos do meu avental, dedilhando o dinheiro que juntei desde que comecei a trabalhar hoje à noite. – Nossos milk-shakes são ótimos. – Hummm, sim. – diz ele enquanto olha para mim. Seus olhos estão nos meus lábios. – Você gostaria de um? – O que? Eu mordo meu lábio para não rir. Acho que estou distraindo ele e nem estou tentando. – Um milk-shake? Ele olha para o cardápio enquanto o rubor denuncia seu rosto. – Ah, certo. Sim, por favor, um de chocolate. E um hambúrguer e batatas fritas - quero dizer batatas fritas. Ele não está tão arrogante como de costume, e eu estou perplexa. – O que há com você? – pergunto. Ele esfrega o queixo. – Só pensei em parar e ver uma... amiga? Isto é, se ela ainda quer ser a minha amiga? – seus olhos castanhos estão hesitantes enquanto ele me observa. – Ela quer. Ele concorda. – Na verdade, recebi boas notícias hoje e queria contar-lhe sobre isso. – Ah? O que é? – Rose, pedido. – ouço Archie chamar da parte dos fundos.

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Spider olha em volta, como se estivesse surpreso em se encontrar lá. – Pode demorar um pouco para lhe dizer. Você pode se juntar a mim quando meu pedido estiver pronto? Olho em volta para a minha seção embalada. Tenho dois caras da fraternidade cujos pedidos estão cozinhando. Eu tenho pausas, mas nunca durante o expediente, e desde que é a primeira semana de volta das férias, todo mundo está entrando no Jo para socializar ou pegar o jantar. – É muito louco aqui, mas saio em duas horas. Podemos sair, então? Diga sim. Eu quero falar com ele mais. Eu quero... Ele faz uma careta. – Droga. Já fiz planos com alguns amigos com quem fui para a escola. – Ah? Aonde você vai? Talvez, eu possa ir junto? No começo, eu estou surpresa com a minha franqueza, mas depois decido que está tudo bem. Tudo com o Spider parece ser assim... impermanente, como se ele pudesse desaparecer em um instante, então por que não colocar tudo já para fora? Ele encolhe os ombros. – Para um bar no centro da cidade. – Ah. Ele franze a testa. – Provavelmente não é uma boa idéia para você se juntar a mim. – Verdade. Lutando contra a minha decepção, digo a ele que preciso fazer o pedido dele e ir embora. Meu caminho me leva além de Oscar e Lexa, que estão sussurrando furiosamente quando me aproximo. Lexa acena

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para mim, seus dedos apontando para o Spider, com seus olhos grandes como pires. Oscar tem o cardápio escondendo metade de seu rosto enquanto ele o examina. Spider acena também, obviamente percebendo sua atenção. Querido Jesus. Eles são ridículos. – É ele? – Lexa sussurra quando chego à mesa deles. Eu arregalo meus olhos para ela. – Pare de cobiçá-lo. – Ah. Meu. Deus. Ele é a criatura mais linda já criada. O cabelo dele... essa tatuagem... Eu quero morrer. Por favor, por favor, por favor com açúcar no topo você vai nos apresentar? – Oscar diz, segurando as mãos como se estivesse implorando. Eu olho para o teto em frustração. – Você tem idade suficiente para fazer fan-boy sozinho. Você não precisa da minha ajuda. O sino acima da porta soa quando o Trenton e seu companheiro de equipe Garrett entram no restaurante. Rico, atlético e atraente, ambos são premiados na Claremont. Aria Romero, prima de Trenton e garota malvada da primeira elite, segue atrás deles. Ela está namorando Garrett, que tem o tipo de cara que está definido em um sorriso permanente, e seus olhos estão constantemente colados ao meu peito. Eles são o alto escalão de Claremont e eu estou no fundo - não que eu me importe. – É como um anúncio da J.Crew. – Oscar diz com um sorriso enquanto valsam na porta e todos os olhos se voltam para eles. – Tão chato. O que aconteceu em ser um indivíduo? Bato na boina que ele está usando. – Nem todo mundo é tão elegante quanto você. Oscar bate os cílios. – Ah, cale-se, você vai me fazer corar.

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Os olhos de Aria passaram pelo lugar e pousaram em nós, fazendo minhas mãos apertarem em torno da minha bandeja. Ela é linda com cabelo castanho encaracolado, uma silhueta de ampulheta e uma língua que pode esfolar um peixe. Seus olhos são azuis e árticos. Quando cheguei pela primeira vez ao primeiro ano de Claremont, ela adorava me dizer o quanto estava arrependida por eu não ter escolhido o clube social em Claremont. O Claremont Chicks não achou que meu “fundo superficial” se encaixaria com eles. Desnecessário dizer que eu faço o meu melhor para evitá-la. – A vadia número um da Claremont, está na nossa direção. – exclama Oscar, dizendo em voz alta, enquanto a recepcionista os acompanha mais para dentro. Ele também não suporta a Aria, e suspeito que seja porque ela tem como alvo alguém que é um pouco diferente da norma, o que certamente inclui Oscar. – Vamos todos aplaudir. – ele começa um lento aplauso insultuoso até que eu escovo suas mãos para detê-lo. Os olhos de Trenton encontram os meus e ele acena, seu olhar passa sobre mim. Corando, eu aceno de volta. Um jogador de beisebol e cara legal, eu conversei com ele algumas vezes desde que voltei, mas a maioria tem sido na aula. – Você acha que Aria vai ser legal? – Lexa diz enquanto endireita a camisa. Oscar geme para ela. – Por que você se importa tanto em estar nos Claremont? O ano letivo está quase no fim. Ele e eu batemos as mãos. – Amém. – eu digo. – Sugiro que nós definitivamente colocamos a Aria na sua lista de oração. Ela precisa de toda ajuda que puder para ser um ser humano decente.

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Oscar bufa ao meu comentário enquanto a Lexa reaplica seu batom e fala sobre isso. – Aria Romero faz parte do grupo que planeja o Baile de Primavera. Talvez eu queira ir. Disse a eles sobre o Trenton me convidando. Eles não foram convidados ainda. Honestamente, não será muito divertido se os meus amigos não estiverem lá. Eu suspiro e olho para a Lexa. – O melhor indicador de um comportamento futuro é o comportamento passado, então, é altamente duvidoso que ela seja legal. – pego seus pratos agora vazios e dou um passo para trás, ansiosa para sair antes que a Aria chegue a mesa. – Estou saindo antes que ela chegue e descubramos com certeza. Tchau! Corro de volta para a cozinha para pegar o milk-shake do Spider e ponho seu pedido de comida, enquanto rezo para que a recepcionista não coloque o novo trio em minha seção.

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Capítulo Dez Rose Chego a um impasse quando saio da cozinha com o milk-shake do Spider e outro pedido para uma mesa diferente. A recepcionista está juntando mesas para colocar a Lexa, Oscar, Trenton, Garrett, Aria e Spider juntos. Na mesma mesa. Eu quase deixo cair a minha bandeja. O que eu perdi? Caminho até eles depois de deixar os outros itens, não perdendo que a Aria está sentada ao lado do Spider, mais perto do que um saquinho de embalar alimentos, sua cabeça inclinada para ele enquanto ele olha para algo em seu celular. Garrett encara o Spider e a Aria, e me pergunto se eles estão ligados ou de folga neste mês. A julgar pelo quanto perto ela está do Spider, estou supondo que eles estão de folga. Coloquei o milk-shake na frente dele. – Vejo que você encontrou algumas... companhias. Oscar sorri, sentado do outro lado do Spider. – Eu me apresentei a ele. – seus olhos se voltaram para a Aria - e então, o resto deles insistiu em uma apresentação. Então, a Aria sugeriu que todos sentássemos juntos. Não foi legal? Eu olho para a Aria e ela está sorrindo. – Não sabia que você tinha um famoso rockstar como meio-irmão, Rose. – ela pisca. – E você provavelmente não sabe disso porque você não é de Highland Park, mas o pai do Spider e o meu costumavam jogar golfe juntos. – ela dá um

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sorriso para o Spider e balança o dedo para ele. – Você tinha uma boa reputação de encrenqueiro por aqui no passado. Eu me lembro daquelas histórias malucas sobre você ser o cara festeiro... – Que legal. – eu digo, interrompendo-a. – Deve ser super, ser de Highland Park. Aria me dá um olhar sombrio, mas a ignoro e olho para o Spider, concentrando-me na parte de seu comentário que me interessa. – Famoso? Spider pigarreia, com um brilho de excitação em seus olhos castanhos. – É a minha grande novidade: nosso videoclipe está se tornando viral. Sebastian ligou hoje para me avisar. Não só isso, mas estações de rádio estão pegando e tocando nossa música. Isso é louco. – um sorriso lento se espalha em seu rosto. – Eu ia lhe contar primeiro, mas aparentemente a Aria viu isso no TMZ esta noite e me reconheceu. – ele sorri. – Parece que "Superhero" vai ser um grande sucesso. Ah. O espanto me preenche e sorrio amplamente - exatamente quando a mão de Aria toca seu ombro. Meus lábios pressionam. Ela aponta para o celular. – Olha, encontrei seu vídeo. Ele já tem um milhão de visualizações. – ela segura o telefone, e olho para o vídeo no YouTube, onde o Spider e a sua banda estão tocando sua música “Superhero” no telhado de um arranha-céu no que parece ser Nova York. Assim como no programa, Spider está usando seu casaco de vison azul e a cueca com estampa de leopardo, mostrando seu pacote e suas tatuagens. Isso é um pouco exagerado, mas ele também. Eu vejo como ele se move com sua guitarra, seu corpo se curvando e movendo com a música. Os meus olhos traçam o seu peito esculpido, ansiosamente

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absorvendo a linha V finamente esculpida onde sua cintura desaparece em sua pélvis. Ele é sexy com um lado da música pesada. E isso faz meu coração disparar. Seu braço encosta no meu enquanto ele coloca a mão na mesa para ficar de pé, para que possa assistir comigo. Como se o meu corpo tivesse uma mente própria, me inclino mais perto dele. – Eu amo essa música. – murmuro. – Você gosta mais do que "Albatross"? – sua voz é sexy e bem ao meu lado, com o calor de seu corpo intoxicante. Sei que se eu virar para encará-lo, nossos rostos estariam a centímetros de distância. Eu lambo meus lábios. – Amo “Albatross” porque você canta... e é uma balada. – Vou pensar em você na próxima vez que eu cantar. – diz ele suavemente. – Sim? – Definitivamente. Parece como se houvesse uma corrente passando de mim para ele, e se eu chegar mais perto, se eu tocá-lo, vou ficar frita, mas meu corpo não se importa. Eu me viro para encará-lo, e é evidente que estamos invadindo o espaço pessoal um do outro, mas nenhum de nós parece se importar. Seus olhos olham para mim, com o seu olhar procurando o meu. Minha respiração está parada. Ele está tão perto de mim e, por um momento, parece que estamos sozinhos... – Sinto muito. – diz Aria, interrompendo os meus pensamentos. – Você pode nos dar alguns menus, por favor? Spider parece sair de um nevoeiro, se afastando de mim e sentando ao lado de Aria.

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Ainda estou me recuperando da intensidade dele quando o Trenton bate o Ray-Ban na mesa para chamar minha atenção. Eu quase esqueci que ele estava aqui. – Ei, Rose. Como está indo? – ele me dá o seu famoso aceno com o seu queixo sexy. – Você parece ótima. Sentimos sua falta no Jo enquanto você estava fora. Eu sorrio. Ele mencionou que ficou na cidade nas férias. – Isso é gentil. Obrigada. Aria revira os olhos, mas Trenton não vê. Ela é boa em esconder o que uma garota malvada é. Eu me concentro em Trenton. Esta noite ele está vestindo uma camisa da Claremont, jeans e um boné de beisebol. Classicamente bonito e de uma família rica, ele poderia namorar qualquer uma que ele quisesse. Não sei por que ele está interessado em mim, a não ser que eu não o persiga ou mande uma mensagem ou tente chamar a sua atenção. Tivemos em um laboratório de biologia juntos no primeiro ano, e embora ele estivesse namorando alguém na época, havia uma faísca de atração lá. Ele já se separou daquela garota, e parece que estamos nos aproximando um do outro, decidindo se realmente gostamos um do outro ou não. – Recebi minha carta de aceitação da NYU. Estou muito feliz. – diz Trenton para mim. – Já te disseram alguma coisa? Concordo. – Fui aceita. – mas isso não significa que eu esteja indo. Não digo essa parte porque não quero ser chata e não quero estragar a sua animação pela sua própria aceitação. Ele se levanta, obviamente animado quando ele vem para onde eu estou e me pega e me dá um abraço. – Isso é incrível, Rose! Estou feliz que nós dois estaremos lá.

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Ele me abaixa e sinto o calor do olhar de Spider em mim. Quando olho para o Spider, seu rosto é inescrutável, exceto por um tique revelador em sua mandíbula, e me pergunto o que isso significa. Eu acho que sei. Ele não gosta do Trenton. A voz de Aria, irritantemente estridente, interrompe. – Eu não tenho certeza do que é preciso para pedir um pouco de comida por aqui, mas tenho certeza que gostaria. Trenton acena para ela. – Calma aí. Esta é uma grande notícia. Nova York é uma cidade grande e vai ser bom conhecer algumas pessoas lá. – ele sorri para mim, com os dentes retos e brancos contra a pele bronzeada. – Talvez, tenhamos algumas aulas juntos. Se eu for embora... – Que bom. – diz Spider e ouço o sarcasmo em sua voz. Felizmente, ninguém mais parece notar ou se o fizeram, eles não reconhecem isso. Dou uma olhada para ele, observando a maneira como ele está observando o Trenton. Trenton não parece notar porque seu olhar azul celeste está em mim. Eu me sinto desconfortável e estou prestes a sair correndo para pegar alguns cardápios para fugir quando o Oscar cobre seu coração com a mão. – A música do Spider e a aceitação do Trenton para a NYU são incríveis, mas você sabe o que tornaria este momento verdadeiramente maravilhoso? – O que? – Aria diz quando ela olha para o Trenton e para mim. Ela está obviamente irritada porque o Trenton gosta de mim. Ela não acha que eu sou boa o suficiente para ele. Estou tentada a mostrar minha língua para ela - mas isso é muito infantil. Mas, cara, às vezes, eu realmente quero.

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– Sim, o que? – Lexa pergunta. Ela tem observado a interação inteira em silêncio e agindo com calma. Oscar pigarreia. – Bem, vendo que o Trenton convidou a Rose para o Baile da Primavera, acho que seria super especial se a Lexa e eu também fossemos convidados? – ele pisca para o Trenton. Eu seguro uma risadinha. Oscar não tem vergonha. Trenton acena como um rei. – Feito. Vocês dois estão convidados. Bem, isso foi bastante fácil. Aria se enche. – Não podemos sair por aí convidando todo mundo, Trenton. É uma festa exclusiva - esse é o ponto principal. Trenton encolhe os ombros. – Eu sou o presidente da classe, e digo que eles podem vir. Garrett, que tem estado calado até este ponto - suspeito que porque ele é lento e incapaz de seguir nossa conversa - decide falar. – Está parecendo quente nessa pólo, Rose. Se eu te dar uma gorjeta grande o suficiente, ganho um lap dance particular mais tarde? – ele levanta as sobrancelhas. Spider imediatamente faz uma careta, seu rosto duro. – Cale a boca, babaca. Mostre algum respeito. Garrett debocha. – Tanto faz cara. Ela é a Rose Tin Town, ela sabe que estou apenas brincando, certo? Meu punho aperta dentro do bolso do meu avental com o apelido estúpido. Alguns alunos me chamaram assim quando cheguei e isso ainda volta para me assombrar. – Claro. Você é hilário. – eu digo. – Mas, não dou lap dances aos jogadores de beisebol que perderam o status inicial. Apenas para os melhores.

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Isso não é segredo que o treinador recentemente o colocou no banco de reservas. Há rumores de que ele está festejando demais e não mostrando alguns de seus treinos. – Se deu mal. – diz Oscar, rindo como uma idosa quando ele faz um som explosivo. O rosto do Spider está vermelho e tenso, e vejo quando ele se inclina sobre a mesa e sussurra algo em voz baixa para o Garrett. Tento ouvir o que é, mas não consigo, não com a Aria no meu ouvido. – Menus? Hoje? – ela grita em voz alta. – Certo. – eu pulo e estou no meio do caminho de volta para a cozinha quando o Trenton me pega no balcão. – Ei, desculpe pelo Garrett. Sua boca fica fora de controle às vezes. Eu concordo. – Por que não vamos jantar esta semana? – ele diz. – Como um encontro de verdade antes do Baile de Primavera chegar. Eu mal estou escutando, meus olhos estão em Spider enquanto a Aria flerta com ele. Garrett parece ter saído porque não o vejo em lugar nenhum. Eu me pergunto o que Spider disse a ele. Só então a Aria toca a tatuagem do pescoço do Spider, e a raiva passa sobre mim. Ah. Estou tão ciumenta. – Rose? Olho de volta para o Trenton, chegando a uma decisão rápida. – Gostaria disso.

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– Boa. Estou ansioso para isso. – ele hesita e, em seguida, beija minha bochecha. – Vou pegar os menus para a nossa mesa. Você faz o que você precisa fazer. – Ok. – eu digo, me sentindo bastante confusa quando ele se afasta. Passo o resto da noite como uma espécie de louca apressada, tentando chegar a todas as minhas mesas antes que meu turno termine, meus pés estão doendo. Meus colegas de classe pedem suas refeições, então, mal os vejo, em vez disso, envio minha colega de trabalho, Cyndi, prometendo a ela toda a gorjeta. Eu mantenho um olhar cauteloso na mesa enquanto recebo pedidos das outras mesas, olhando para cima de vez em quando. Cada vez que olho, o Spider encontra meu olhar... e o mesmo acontece com o Trenton. Mais tarde, vou ao banheiro para evitar dizer adeus. Eu mal tenho minhas mãos lavadas quando Spider entra e fecha a porta atrás dele. Meus olhos brilham. – O que você está fazendo? Ele cruza os braços, um sinal claro de que ele está se fechando ou se sentindo vulnerável. – Seus amigos são todos idiotas - exceto o Oscar. – Tudo bem. – cruzo meus próprios braços. – Você parece estar se divertindo com a Aria. Ele solta um grunhido frustrado. – Para alguém tão inteligente, é interessante que você esteja perdendo o que está bem na sua frente. Eu sacudo minha cabeça. – Do que você está falando? Ele range os dentes e olha para mim. – Eu estou em uma lanchonete... em um banheiro que cheira a Clorox... falando com uma garota... aquela... que eu gosto. Eu coro. – Isso é uma coisa ruim?

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– É quando você é minha meia-irmã e eu fui avisado para ficar longe de você. – ele fica com uma expressão frustrada no rosto. Não, eu não quero isso. – É isso que você quer? Ele olha para o chão. – A única razão de eu ter vindo aqui foi para te ver e contar a minha boa notícia, e agora eu descobri que o Trenton é o cara por quem você estava lendo o livro. Estou certo? – ele olha para trás, e há cautela em seu olhar, quase como se ele estivesse se preparando. – Sim. Ele suspira e passa as mãos pelos cabelos. – Porra. – Porque você se importa? – Por nada. Somente... nada. – Você está com ciúmes. – digo baixinho, com a compreensão tão clara que estou tonta. Ele ignora isso. – E você vai para a NYU com ele? Eu paro, meu peito aperta quando penso no meu sonho. – Anne não me deixa. Eu não queria estragar as notícias dele, então não disse nada. – Mas você quer ir? – ele me observa. – Não por ele. Quero ir por mim. Minha avó sempre me prometeu que eu e ela sairíamos de Tin Town e fugiríamos para a Nova York. – faço uma careta, pensando que ela estava morrendo quando eu tinha dez anos, um ano antes de mamãe. – Foi apenas algo que ela disse, e eu acho que ainda estou tentando chegar lá. Ele me dá um olhar devastadoramente bonito, enquanto coloca a mão em sua tatuagem de aranha.

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– O quê? – pergunto. Ele solta um suspiro pesado e passa a mão pelo cabelo. – Simplesmente não consigo suportar o pensamento de você com ele. Odeio tanto que me dá vontade de bater nele - e nem me faça começar a falar sobre o Garrett. Eu disse a ele para sair do restaurante, ou então... Minha mente está se recuperando de ouvir isso. Quero colocar meus braços em volta do Spider e abraçá-lo. Talvez mais. Ele se vira para a porta. – Spider! Espere. – eu o chamo. – Você não pode sair depois disso. Mas ele não se vira ou para. Já que é o fim do meu turno e eu não tenho mais nenhuma mesa, eu rapidamente desfaço a minha trança e aplico uma rápida camada de gloss que eu tenho no meu avental. Spider e eu vamos conversar. Eu saio na porta a poucos minutos depois dele, mas ele já se foi. Na verdade, o lugar inteiro quase se esvaziou, exceto o Oscar e a Lexa. Ambos me dão abraços rápidos e saem também, dizendo que têm dever de casa esperando por eles. Cyndi vem até mim, radiante porque o Spider deixou uma nota de cem dólares como uma gorjeta. Ela se oferece para me dar metade, mas eu suspiro e digo não. Eu só o quero, não o dinheiro dele.

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Capítulo Onze Spider Passo minha mão através do painel do meu jipe. Ele pode ser perto de seis anos, mas o meu pai manteve em forma primitiva, enquanto ele guardou em uma de suas garagens na casa. Ele traz boas lembranças... e ruins. Aria estava certa - eu era um grande encrenqueiro na escola preparatória. Eu até fugi algumas vezes, qualquer coisa para chamar a atenção do meu pai. Observo a Rose enquanto ela leva sua bandeja de volta para a cozinha. Parece ser o fim de seu turno, enquanto ela se ocupa limpando as mesas. Por que ela trabalha quando não precisa? Acho isso admirável. Esfrego o couro envolto no volante. Ela não é como nenhuma garota que já conheci antes. Ela tem aquele jeito de me olhar como se ela pudesse ver cada detalhe do meu interior, como se ela soubesse exatamente o que eu estou pensando. Meu celular toca - Sebastian. Ele já me ligou três vezes hoje do seu apartamento em Nova York, uma vez para me contar das novidades, e depois mais duas vezes para me atualizar, já que as visualizações no vídeo continuavam aumentando. – Cara! – ele grita no meu ouvido quando atendo. – Você está vendo os pontos de vista? – Sim, é doce.

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Ele ri. – É insano. E... pegue isto... Um dos produtores musicais que nos interessava me ligou hoje. Ele viu o vídeo e quer se encontrar conosco em Los Angeles. Isso é enorme. É a cereja no topo do vídeo. – Estou pronto para ir a Los Angeles e ir embora, sabe? Encontre um apartamento e um estúdio. Precisamos de muitas coisas! Eu sorrio com sua exuberância. Ele continua, me dando atualizações sobre os outros membros da banda. – Rocco e eu estamos indo a Los Angeles neste fim de semana para procurar um lugar para morar. Quando você pode chegar o mais cedo aqui? Precisamos começar a trabalhar nas novas músicas do álbum. Acabei de chegar aqui; Eu não estou pronto para sair. O que é engraçado, porque normalmente não posso esperar para sair de Dallas. – Eu fiz este acordo com o meu pai que ficaria por um tempo. Ele vai nos dar algum dinheiro inicial. Você acha que pode esperar? Ele suspira. – Eu não sei, cara. Precisamos pular nisso enquanto está quente. Com essa coisa de vídeo se tornando viral, Mila já está trabalhando na criação de algumas entrevistas em alguns programas, talvez até com o Kimmel6. Seria bom se você já estivesse aqui se recebêssemos a ligação. Eu esfrego minha testa. Mila é nossa garota de relações públicas que trabalha principalmente por ninharia e a chance de sair com a gente. Nós frequentamos a escola preparatória juntos e já que ela é uma garota de fundos fiduciários, ela tem tempo e dinheiro para fazer nosso vídeo promocional. Somos seu projeto de estimação e, reconhecidamente, ela fez um trabalho fantástico. Ela montou nossa mercadoria no site, organizou o videoclipe e até mesmo programou as paradas da turnê. Ela

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é insubstituível e livre - não posso esquecer isso. Ela atualmente mora em Dallas, mas quer se mudar para Los Angeles para estar perto de nós. Eu provavelmente deveria ir vê-la ou ligar para ela, mas ainda não a vi. Ela tem uma queda por mim e eu não quero encorajá-la. Suspiro. – Meu pai se casou, cara, e tem essa garota. – meus dedos brincam com o volante novamente. – Ela é diferente. Diferente é um eufemismo, e estou intensamente consciente dela, de cada movimento dos ombros até o pulso no pescoço. Pensei que ela era simplesmente bonita. Ela é radiante. E a melhor coisa que posso fazer é evitá-la. – Cara, há garotas lindas por dias, em Los Angeles. – sua voz é suave, mas sinto o seu desconforto. O decepcionei antes, quando estava usando... entrando em brigas ou aparecendo para os ensaios destruído. Estou distraído enquanto vejo a Rose pegar sua jaqueta do cabide e vesti-la. – Spider? Você está aí? – Sebastian pergunta. – Sim, Sim. Vou resolver isso e deixar você saber. A tensão aumenta pelo telefone enquanto sua voz se aprofunda. – Eu preciso de você, cara. Nós passamos cinco anos na estrada e isso está começando a valer a pena. Não nos decepcione. Rose sai do restaurante, entra no carro e sai do estacionamento. – Tenho que ir, Cara. Eu te ligo mais tarde. – Espere... – o ouço dizer, mas eu já terminei a ligação. Eu me levanto e sigo os faróis traseiros.

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6.

Kimmel: ĂŠ um apresentador de TV.

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Capítulo Doze Rose Depois do estacionamento, caminho na calçada que leva até a entrada do meu dormitório, xingando em voz baixa que a luz da rua deste lado do meu prédio está apagada. Considerando o quanto a mensalidade é de 30 mil por ano, incluindo o embarque, você acha que a manutenção faria um trabalho melhor. Além disso, as nuvens obscurecem o quarto da lua, deixando-me quase sem luz. Eu deveria ter trazido uma lanterna. Atravesso a escuridão rapidamente, ansiosa para chegar ao meu quarto e entrar no chuveiro. Eu chego a um metro e meio da porta perto do estacionamento antes que perceba que já passou das dez, o que significa que a entrada lateral está trancada e vou ter que contornar e entrar pelo saguão principal. Ah. Eu viro de volta, pegando a longa calçada que serpenteia através do paisagismo bonito e árvores. Ansiosa para chegar em uma área bem iluminada, eu mexo na minha mochila e vasculho em torno pelas minhas chaves. Um farfalhar vem de trás de mim. Sem parar, os meus olhos percorrem o estacionamento à minha esquerda e a paisagem escura à minha direita. Nada se move, mas meu pulso começa a acelerar. Você está bem, eu digo para mim mesma. Além de ser um dos bairros mais ricos do mundo, Highland Park também é um dos mais seguros.

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Com um pouco mais de ânimo no meu caminho, eu me concentro em chegar à porta da frente. Outro som chega aos meus ouvidos, desta vez um som arrastado que para quando eu paro. Olho por cima do meu ombro, formigamentos fazendo meu couro cabeludo arrepiar. Alguém está aqui fora. Me observando. Me seguindo. – Quem está aí? – eu chamo, olhando para a escuridão. Silêncio. – Eu tenho um spray de pimenta. – eu digo. – E não tenho medo de usá-lo. Minhas mãos ficam úmidas. Estou a apenas cinquenta metros da entrada principal. Eu poderia soltar minha mochila e me arriscar. – Não enlouqueça. Sou só eu, querida. – ouço uma risada, e então, Garrett surge por trás de um pequeno arbusto. Vestindo um gorro preto, ele enfia as mãos nos bolsos e faz uma pose indiferente, mas seus passos são firmes e decididos. – Achei que este fosse o lugar onde você morava. Meu dormitório fica bem ao lado do seu. Realmente vi você estacionando no estacionamento e pensei em dizer oi. Oi? Claro, tudo bem. Dou um passo para trás, com minha testa franzindo. – Está tarde. O que você quer? Ele encolhe os ombros, aproximando-se mais e parando a cerca de cinco passos de mim. Com mais de 1,83m de altura e com músculos volumosos, ele é intimidante. – Nada de mais. Só quero conversar.

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Meu estômago congela. Há um tom malicioso em sua voz. Não deveria ter enfrentado ele. Deveria ter o deixado com a sua pequena observação sobre o lap dance e ter deixado para lá, o orgulho vem antes de uma queda e toda essa animação. Ele chegou até a mim agora e seu rosto marcante aparece, com um olhar sombrio passando por seu rosto enquanto ele passa os olhos sobre mim. – Não tenho tempo para brincar, Garrett. Vá encontrar a Aria se é isso que você está procurando. – viro, mas ele agarra o meu braço. – Não tão rápido. Eu não terminei aqui. Seu hálito cheira a whisky, e eu afasto o meu rosto para longe e tiro meu braço do seu alcance. – Não coloque suas mãos em mim. Ele levanta as mãos e acena para mim. – Ou o quê, você vai me dizer? Porque razão? Não estou fazendo nada de errado. Estamos apenas conversando. Endireito meus ombros. – Você está vestindo um gorro preto quando está a vinte e um graus. Você me seguiu no estacionamento e se escondeu nos arbustos. Isso é o que eu chamo de perseguição. – digo as palavras com bravura, mas por dentro eu estou com medo. Eu realmente não o conheço, realmente não sei do que ele é capaz. Tudo que eu quero fazer é correr. Mas algo me diz que é o que ele quer. Minhas mãos tremem enquanto lentamente me inclino para trás em direção à porta. Com a minha insistência com a Anne, eu tive um ano de treinamento de autodefesa no Krav Maga, mas neste momento, não consigo me lembrar de uma manobra defensiva.

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Eu engulo, passando pelo básico. Não mostre medo. Mantenha a calma. Seja como um urso. Vá para as partes moles. Meus olhos disparam atrás de mim para a porta da frente. Há uma campainha para apertar em casos de problemas. Se eu pudesse alcançá-la antes que ele. Ele pula em mim, agarra meus pulsos e me puxa em direção a ele até que meu peito esteja pressionado no dele. Minha mochila cai na calçada, com o conteúdo voando, incluindo meu spray de pimenta. O cheiro do seu suor flutua no meu rosto. Eu me movo para fugir, mas ele puxa meu couro cabeludo até que minha cabeça está inclinada para trás, forçando-me a olhar para ele. O estranho ângulo estica minhas cordas vocais, impedindo-me de fazer qualquer coisa além de gemer enquanto tento gritar. Meus pés o chutam, procurando pela sua virilha, enquanto o meu coração dispara e os meus olhos se movem ao redor, procurando por ajuda. Minha respiração acelera, tornando-se superficial e rápida. Merda. Nesse ritmo, vou desmaiar. Ele pressiona os dentes. – Nunca fale de beisebol na minha cara novamente. Você não sabe nada sobre o que falou... Um dos meus pulsos se solta do seu aperto e eu dou um soco na garganta dele. Ele cambaleia para trás e se inclina, segurando o pescoço.

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Raiva e medo se misturam, fazendo meus punhos se fecharem. Meu peito se expande enquanto eu sugo o ar. Os olhos se estreitaram quando ele ofegou, ficando de pé. Antes que eu possa recuperar o fôlego, ele já está vindo em minha direção. Eu endireito minha postura, me preparando para ele me enfrentar mas o Garrett se agacha para o lado quando uma sombra colide com ele, fazendo-o voar para o chão. Spider é como um borrão quando ele o derruba. De onde ele veio? Seu punho bate no rosto do Garrett, jogando-o para o lado. Contorcendo, Garrett consegue ficar de pé. Spider o soca de novo, desta vez no estômago, fazendo com que uma explosão surja de Garrett. – Nunca mais se aproxime dela! – Spider grita, atingindo o Garrett na mandíbula. Garrett diz palavrões e se balança, com um olhar selvagem em seus olhos enquanto ele corre em direção do Spider, derrubando-o e prendendo-o no chão. Ele recebe dois bons golpes antes do Spider se contorcer debaixo dele. Spider lança e empurra o gorro para fora, usando-o para envolver o pescoço de Garrett, cujos olhos incham. É óbvio que ele pode respirar, mas mal. – Se algum dia te ver de novo a cem metros dela, eu te mato, filho da puta. Você entendeu? – Spider rosna, enquanto o solta, empurrando-o para longe de nós com um chute na bunda. – Agora saia daqui, seu idiota, antes que mude de idéia e te bata sem sentido! Garrett decola pela grama, suas longas pernas voam enquanto ele se dirige para o campus e para o dormitório de atletismo.

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Meu peito arfa quando o Spider se vira para mim. Corro até ele para checá-lo, usando o meu celular para vê-lo com mais luz. Há um corte sob o olho direito e sangue na bochecha. – Precisamos ver isso. – digo, com o meu coração ainda disparado da adrenalina. – Eu estou muito bem. – seu olhar me inspeciona para me verificar e eu posso dizer que ele ainda está agitado, seus olhos indo do meu rosto para os meus braços. Seu peito arfa. – Ele deixou hematomas? Você está bem? Eu nem sei se ele fez. Eu não me importo. Tudo o que importa é que estou bem e o Spider também. Eu aceno. – Obrigada por isso. – deixo escapar uma risada, adrenalina ainda bombeando quando eu digo: – Estava indo muito bem sozinha, certo? – engulo. – Foi bom socar a garganta dele. – Eu queria matá-lo. – ele murmura enquanto aperta os punhos. Ele anda ao meu redor, parecendo distraído e ansioso. – Devemos chamar o segurança do campus. Balanço minha cabeça. – Não vai funcionar. Ele vai negar e colocar a culpa toda em mim. Sua família tem muito dinheiro e muita influência por aqui. Ele é um atleta superstar e as pessoas vão me culpar de alguma forma. Confie em mim, vi isso acontecer uma e outra vez. Além disso, ele tem dezessete anos e você não. – Foda-se. – ele esfrega o rosto com seus olhos incertos. – Você tem certeza? Concordo. Eu não quero colocá-lo em uma situação estranha onde ele se parece com o agressor quando ele claramente não era, e parte de mim não quer esse incidente voltando para o Robert e a Anne. Eu sei que eles vão julgá-lo por isso, e meus instintos de proteção são maiores quando se trata de Spider.

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Eu nem sei porque. Eu suspiro, esfregando meus braços. – A verdade é que não é a primeira vez que tenho que me defender. Eu vivi em um orfanato por dois anos antes que a Anne aparecesse. – E se ele tentar de novo e eu não estiver aqui? – Esqueça-o. Acho que você o assustou. – pego a sua mão, percebendo que está inchando. – Isso dói? – Não. – ele olha para sua mão, enquanto a seguro. Seus olhos aparecem para capturar os meus. Ele engole. Eu o observo, lembrando seu comentário anterior sobre não poder me encontrar depois do trabalho. – O que aconteceu com ir a um clube hoje à noite? Ele encolhe a mão, quase com relutância e solta um suspiro, enxugando o sangue no rosto com a barra de sua camisa. Eu tenho a visão perfeita do seu abdômen rígido e o V profundo que leva até o seu jeans. Ele é como rocha sólida, magro e perfeito. – Meus planos mudaram... obviamente. Eu te segui para casa do trabalho. Teria estado aqui antes, mas meu pai me ligou assim que estacionei. Ah. – Por que você me seguiu? Ele tem esse olhar de advertência no rosto. – Não posso evitar quando se trata de você. Ah. Deixo escapar um sorriso, ainda me sentindo longe de Garrett. – Venha para o meu quarto para que possamos te limpar. Ele morde o lábio inferior, com seus dentes hipnotizantes. – Eu devo ir.

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– Talvez, essa seja a escolha inteligente. – Definitivamente. – diz ele, com os seus olhos nos meus. – Mas, você vai de qualquer maneira. – eu digo. – Você quer. Alguns segundos passam enquanto ele olha para mim, com seus olhos a meio mastro e os cílios tão grossos que deveriam ser ilegais. – Minha meia-irmã está me convidando para um motivo oculto? Claro que sim. Spider é um sol brilhante e quente e eu sou Ícaro, voando muito perto. – E se eu dissesse sim? Um pequeno sorriso brincalhão aparece em seus lábios. – Então, eu diria para me mostrar o caminho.

Como pode um homem ser tão sexy? Spider senta no meu banheiro, sem camisa, enquanto olho em seu olho inchado. Estou fazendo o meu melhor para manter meus olhos desviados da tinta em seu corpo, a maneira como suas tatuagens aparecem sob seus jeans, a forma como seu peito é esculpido em pedra. Claro, sou a pessoa estúpida que sugeriu que ele tirasse a camisa para que pudesse ver se ele tinha algum hematoma no peito. Uma costela quebrada ou trincada pode causar muita dor e eu quero ser meticulosa, isso é tudo - eu juro pelo menino Jesus.

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Ele sorriu ao meu pedido e o sacudiu - e é por isso que estou agora uma bagunça. Não há praticamente nenhum espaço para respirar com ele no meu pequeno banheiro. Eu limpo a mancha de sangue em sua bochecha enquanto ele me observa estoicamente, nunca tirando os olhos de mim, acompanhando cada movimento meu. – Isso vai ficar pior amanhã. – murmuro, apenas para aliviar a tensão. Estou entre suas pernas abertas, ciente do cheiro dele, seu magnetismo puro. Minhas mãos tremem e eu tenho que me concentrar para afastar uma imagem de mim em cima dele, ambos nus, fora da minha cabeça. Eu quero passar minha língua por cima da tatuagem no pescoço dele. Eu quero mordê-lo como um animal enquanto ele desliza para dentro de mim. Meu Deus, Rose, pare com a fantasia! Certo. Sou virgem e não tenho muita ideia do que acontece depois disso. Claro, eu tive alguns namorados, mas nada sério. Não tenho muito em comum com os meninos de Highland Park. – Você seria uma boa enfermeira. – diz ele suavemente com os seus longos cílios negros batendo suavemente contra as maçãs do rosto esculpidas. – Doutora em Psicologia. – eu o corrijo. – Da NYU? – sua voz é inquisitiva e acho que ele está acima do ciúme com o Trenton e eu na NYU juntos. – Oscar e eu queremos ir. Está... tudo para mim. – Seu sonho? – Sim. – embora, agora eu esteja sonhando com ele...

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– Eu conheço esse sentimento. É assim que a música é para mim. – seus olhos castanhos dourados me observam enquanto alcanço o armário de remédios por mais anti-séptico e creme antibacteriano, com o meu peito perigosamente perto de seu rosto. Juro que os meus mamilos estão chegando até ele. – Por que psicologia? Eu aceno, fingindo que não estou toda descontrolada. – Minha avó principalmente. Ela adorava ler as pessoas - literalmente. Ela dirigiu um pequeno negócio de leitura de mãos em sua casa antes de morrer. Todas as senhoras do bairro vinham conversar com ela. Ela faria café e elas simplesmente... conversavam, e então, ela diria a elas o que precisavam ouvir enquanto eu me sentava no chão ao lado dela e ouvia. Não havia mágica envolvida, é claro. – eu rio. – Mas... ela era incrívelmente intuitiva. Ela apenas lia as pessoas. Se alguém se mexesse ou olhasse para a esquerda ou para a direita enquanto falavam, ela teria uma razão para isso e me contaria tudo depois que elas fossem embora. Ele sorri. – Como você chegou a Highland Park? – Através de um orfanato, até a Anne. – jogo no lixo a bola de algodão que usei para limpar seu olho. – O que aconteceu com seus pais verdadeiros? – há suavidade em seu olhar, como se ele sentisse a dor de estar sozinho. Eu suspiro. – Bem, vovó me criou, mas ela morreu quando eu tinha dez anos. A mulher que me deu à luz engravidou de um homem que fugiu alguns meses depois, então nunca encontrei meu pai verdadeiro. A última coisa que ouvi, foi que ele estava na prisão na Flórida. O único cara que conheci era o namorado da mamãe, Lyle. Uma noite ele bateu nela com força e quebrou o pescoço dela. – suspiro bruscamente com a lembrança. – Os policiais o pressionaram no interrogatório e ele apontou uma arma para eles. Um dos policiais atirou nele e ele também morreu.

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Seu rosto ficou sério enquanto falei e pigarriei. – Não sou uma vítima, então, não coloque isso na sua cabeça. Vovó me criou para procurar o bem em todos e nunca deixar o passado me levar para baixo. Ela disse que não importava de onde eu era e exatamente onde eu estava indo - e eu estou indo a lugares. Estou saindo desta cidade, nem que seja a última coisa que faço. – Acho que eu teria amado sua avó. – ele passa um braço em volta de mim, puxando-me para perto até que meu peito está a uma distância de cabelo longe de seu rosto. Eu me lembro do nosso beijo épico no avião. Sinto a pressão de suas coxas tensas e minha respiração acelera enquanto o desejo se desenrola dentro de mim, envolvendo-me e me aproximando de mim. – Não duvido por um instante que você vai ser uma médica algum dia. – ele murmura. – Você tem um peso no seu ombro, o que significa que você vai lutar com unhas e dentes. Você é um pouco amarga e tem pessoas para provar que estão errados. Vejo isso em seu rosto. – ele sorri ironicamente. – Obviamente você não é a única que gosta de analisar as pessoas. – seus lábios carnudos e sensuais se curvam em um sorriso. Um zumbido aquece meu sangue. Eu o quero - desesperadamente. E é totalmente tolo. Ele é meu meio-irmão. Ele não liga para as garotas. – Como você sabe muito sobre mim? – pergunto, sentindo-me gravitando mais perto. Ele pensa sobre isso, empurrando uma mecha de cabelo dos meus olhos. Segurando a minha nuca, ele me puxa com mais força até que nossos narizes se encontram. A parte de trás da sua mão acaricia minha bochecha e o calor de seu toque queima, mas há uma tensão nos músculos tensos de seus braços, como se ele estivesse se controlando.

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– Porque eu sou você. – ele diz suavemente. – Nós somos muito parecidos, é impressionante. – ele faz uma pausa e olha profundamente nos meus olhos. – Com uma exceção: você é melhor do que eu. Eu joguei fora minha adolescência com drogas e bebida. – ele morde o lábio. – Eu ainda estou fazendo isso. Eu não posso parar, Rose. Alguns dias eu quero parar, porra, eu realmente quero, mas eu nunca tive nada que fosse suficiente para me dar força para fazer isso. Isso faz sentido? Eu concordo. Não consigo pensar. Ele está tão perto de mim, seus olhos queimando nos meus enquanto ele tenta cruzar o que ele quer dizer. Ele fecha os olhos e suspira. – Te quero, Rose. Você é inebriante. Respiro fundo e os nossos lábios estão separados por centímetros. Ele vai me beijar? Eu quero que ele me beije. Seus olhos se abrem depois que o silêncio se prolonga por muito tempo, um sorriso se formando em torno de sua boca. – Você está com medo de mim, Rose? Nunca. – Estou com medo de você arrancar meu coração. Ele olha para a tatuagem PERDIDO em sua mão. – Provavelmente vou. Ele fica de pé e o meu pequeno banheiro encolhe ainda mais. Dando uma respiração constante, encho tudo de novo no armário e o conduzo ao meu quarto. Ele olha em volta do espaço, ainda sem camisa, observando meu pequeno quarto no canto. Seu olhar permanece na cama de tamanho normal, em seguida, se move para a mesa e a minha parede com livros. Fotos da Ponte do Brooklyn e do o Edificio de Empire State são minha única arte.

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– Não há colega de quarto? – pergunta ele enquanto pega uma foto de Oscar, Lexa e eu juntos no Amigos da Biblioteca no ano passado. – Não. É privado, uma das vantagens de ter a Anne no conselho escolar. Ele passa os dedos ao longo da minha coleção de livros de bolso. – Qual é o seu favorito? Eu me movo para ficar ao lado dele e pego a cópia de Jane Eyre de Charlotte Brontë, em seguida, pressiono-a em sua mão. – Você deveria ler. Sua testa franze. – Talvez, eu já tenha. Eu fico animada. – Mesmo? Ele ri. – Não, sinto muito. Não sou tão culto quanto você pensou agora? – Não importa. Leia agora. Aceite, por favor, como um presente de mim para você. Ele inclina a cabeça enquanto passa o polegar pelas páginas, algumas das quais eu destaquei e sublinhei. – Por quê? É sobre o que? – Uma menina órfã que procura toda a sua vida por amor. É sobre como ela finalmente encontra nos braços de um homem que lhe disseram que ela não pode ter. Seu peito se expande quando ele olha para mim e para o livro. – Você tem muito apego a esse personagem? Concordo. – Ela é pobre e luta com a baixa opinião de outras pessoas de sua classe social. – faço uma pausa, sentindo uma emoção inesperada me puxando. – Acho que quero o que a Jane consegue no final do livro: felicidade apesar de tudo que passou. Ela merece isso. Eu mereço.

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Ele me observa com temor em seu olhar e a emoção tão evidente que, naquele momento, eu perco meu coração. – Você vai encontrá-la. – diz ele. – Algum dia, Rose. Eu prometo. Eu engulo. – Talvez, eu já tenha. Sua expressão muda, tornando-se despedaçada. – O quê? – pergunto. – Nada. – ele balança a cabeça. Eu toco seu braço, deixando minha mão cair em seus dedos. Estou cansada de fingir. – Spider... Há algo aqui entre nós. Você sabe. Ele suspira, olhando para o chão com alguns tiques antes de levantar a cabeça para encontrar a minha. Suas bochechas coram uma cor linda e eu começo. Confiante e convencido, Spider é tímido - por seus sentimentos por mim? O mundo está realmente se inclinando em seu eixo. – Eu não quero repetir a velha merda, mas eu quero que você saiba que realmente sinto muito por isso... o que aconteceu no avião com a comissária de bordo. É o que faço - decepcionar as pessoas constantemente. Basta perguntar a qualquer um. Você é uma menina doce, Rose... muito doce para mim. O meu coração dói. – Não quero falar sobre a comissária de bordo. Acabou. Ele olha para cima. – Eu magoei você. – Nós nem nos conhecíamos. – eu digo, tentando afastar os pensamentos. Eu quero encaixotar essas imagens, jogá-las no oceano e, em seguida, empilhar um monte de pedras de cimento por cima. – Vamos esquecer que nos conhecemos assim.

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Ele balança a cabeça, passando a mão pelos cabelos e puxando as pontas. – Começar de novo, você quer dizer? Amigos, como eu disse no restaurante? Eu gostaria disso. Fecho os meus olhos. Amigos não é certo. Quero... forte, selvagem e imprudente. Ele não espera que eu responda. Eu não sei porque. Talvez, seja o que ele vê no meu rosto. Ele suspira. – Tenho apenas vinte e dois anos, mas sei muito sobre perder pessoas, Rose. Perdi a minha irmã para uma sepultura prematuramente. Perdi a minha mãe quando ela fugiu para ficar com outra pessoa, e eu perdi meu pai ainda há mais tempo. Não deixo as pessoas me deixarem mais e você... você tem apenas um pouco de poder sobre mim. É o suficiente para mexer com a minha cabeça. Eu preciso de calma e música e meus companheiros de banda. Você entende? – sua voz é terrivelmente suave, as palavras cortando o frágil vidro que é meu coração. Eu entendo perfeitamente. Ele está me decepcionando fácil. Eu suspiro profundo. – Sinto muito sobre a Cate. Ele inclina o ombro na parede e cruza as pernas, me observando. – Se você quiser falar sobre ela, eu estou aqui com você. Ele vacila e observa as mãos, com um tremor ali. – Eu deixo ir. – Dor passa em seu rosto. – Eu a deixei ir. É minha culpa que ela se foi. Fico enjoada com as imagens que suas palavras trazem quando começo a entender. Não sei como Cate morreu, mas minha imaginação está enlouquecendo. – Você a deixou ir?

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Ele olha para cima e acena com a cabeça, com o seu rosto como um terreno baldio. – O que você quer dizer? – pergunto. Ele passa a mão pelo cabelo, os dentes mordendo o lábio inferior. – Fomos avisados para ficarmos fora de um lago que havia congelado. Eu não escutei, claro, e parcialmente caí. Eu fiquei bem... consegui sair da água, mas ela saiu para me checar e escorregou e... – ele se afasta. – Ela caiu? – horror passa sobre mim. Ele concorda com a cabeça, enquanto engole convulsivamente. – O gelo se abriu quando ela caiu, e ela foi completamente para baixo. Eu tentei puxá-la para fora... mas ela continuou escapando. Ela estava tão fria... e segurei a mão dela o máximo que pude. Tentei puxá-la, mas não fui forte o suficiente. Gritei e berrei por ajuda, mas não havia ninguém por perto. – seus olhos se fecham e eu vejo a umidade lá. Ele prende uma respiração trêmula. – Nossas mãos apenas... escorregaram. Frio me preenche, e eu sinto falta de ar como se estivesse lá no momento, vendo isso acontecer com ele. A resignação se instala em seus ombros caídos. – Meu pai me culpa. – Não. – sussurro. – Ele não pode. Por que ele faria? Foi um acidente. Vocês eram crianças. – Você é muito legal, Rose. – Eu não sou, você sabe. – eu paro. – Quero meu meio-irmão. Seus olhos encontram os meus e não tenho certeza de quanto tempo ficamos ali, olhando um para o outro. Um raio de eletricidade dispara de mim para ele e minha parte inferior do corpo está quente. O quero pressionado contra a minha pele.

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Seu olhar permanece nos meus lábios, em seguida, desliza de volta para o meu rosto. Eu quero ir até ele, envolver meus braços ao redor dele, mas ele se move primeiro, envolvendo seus braços em volta de mim e segurando minha cabeça em seu ombro. – É hora de eu ir. Não! Eu sou uma confusão de emoções, com medo de tudo que ele me faz sentir. Com medo de como ele está perdido. Seu peito arfa quando ele me solta. Mãos quentes e tatuadas seguram as minhas bochechas. – Tranque a porta atrás de mim, e se esse cara sequer olhar para você, me ligue. – ele dá um passo para trás para escrever seu número em um pedaço de papel e colocá-lo na minha mesa. – Não vá. – sussurro enquanto ele se move para a porta. – Fique. Ele não responde, mas seu rosto diz tudo. Vejo o tormento. Eu vejo indecisão. É tão difícil para ele ir embora quanto é para eu vê-lo ir. Não consigo respirar. Ele está me deixando. Ele abre a porta, sai e desaparece.

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Capítulo Treze Rose No dia seguinte, enquanto rumores sobre os olhos negros de Garrett começam a circular pela escola, eu mentalmente me preparo para uma possível retaliação. Isso acontece antes da minha aula de cálculo depois do almoço. Aria vai até mim no meu armário - assim como ela pode nos saltos altos - e me deixa ouvir, sua voz estridente ecoando pelos corredores de concreto enquanto ela me diz que pessoa horrível eu sou por deixar meu meioirmão bater no Garrett. – Ficou claro para todos que você estava o provocando na lanchonete. – diz ela, com as mãos nos quadris. – E graças a você, o treinador de beisebol o expulsou da equipe por brigar. – Ele estava vestindo um gorro e se escondendo no bosque. – quanto mais ela precisa saber? – Ele é um idiota. Seus olhos estão frios. – Vou fazer tudo o que puder para garantir que você e seu pequeno grupo de desajustados não sejam convidados para o Baile de Primavera. Trenton é louco por querer você lá. Meus dentes rangeram. Não me importo muito comigo, mas o Oscar e a Lexa ficarão devastados. Ela joga o cabelo para trás. – Eu não sei porque ele gosta de você. Minhas mãos passam em volta dos meus livros. Deus, estou farta deste lugar. Estou farta de garotas como a Aria. Principalmente, eu só

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quero fugir e encontrar um lugar onde eu pertenço... em algum lugar, em qualquer lugar que não seja aqui. O rosto de Oscar aparece ao meu lado e seu nariz está franzido como se cheirasse a peixe ruim. – Tem algum problema? – Não. – digo, sem tirar os olhos dela. – Eu cuido disso. Aria estava apenas saindo. Aria revira os olhos sobre o sobretudo de couro preto que ele está usando em cima de sua calça cáqui escolar e camisa branca de botão. Ela faz uma careta. – Você é tão estranho. – ela disse com desdém antes de ir. – Que putinha. – diz ele, seguindo-a com os olhos antes de se virar para mim. – Você está bem? Eu aceno. Eu não quero contar a ele sobre a festa. – Você sabe que eu realmente não me importo com essa festa, certo? – ele diz como se estivesse lendo minha mente. Franzo a minha testa e ele ri. – Ok, eu me importo, mas se este episódio com o Garrett faz você se sentir desconfortável, então, podemos simplesmente abandonar isso e fazer o que queremos. – E perder a fonte de champanhe e o DJ? Triste. – eu sorrio. – Não se esqueça dos muitos bêbados que podemos tirar sarro. – Eles são todos idiotas. Ele sorri. – Não nós. Eu rio e o abraço. Não importa o que o resto do ano traga, estou feliz por tê-lo.

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Depois da escola, eu corro para o meu dormitório, onde rapidamente tiro a minha saia xadrez e camisa branca, trocando-as por meu jeans e outra pólo preta. Estou com pressa e mal tenho tempo para trançar meu cabelo antes de sair pela porta e ir trabalhar, o que estou estranhamente ansiosa. Eu preciso da distração para me impedir de pensar em Spider. Acabei de chegar ao meu carro quando a voz profunda de Trenton me alcança. – Rose! Espere! Ótimo. Não consegui vê-lo durante todo o dia porque estou preocupada sobre como ele vai reagir a todo o incidente do Garrett, mas agora ele está aqui. Eu dou um sorriso, em seguida, viro e o vejo correr em minha direção. Quando ele se aproxima, eu suavizo. Com seu cabelo loiro ondulado e areia e físico forte, ele é fácil de observar. – Eu tenho perseguido você o dia todo. – diz ele quando para na minha frente. Eu não posso deixar de sorrir. – Você correu pelo campus para me encontrar? Ele concorda. – Eu fui para o seu dormitório, e a menina no andar de baixo na recepção disse que você tinha acabado de sair. – ele olha para mim com uma pequena carranca entre os olhos. – Você está me evitando? Eu mudo de um pé para o outro. – Você sabe sobre o Garrett, certo? Ele me dá um aceno rápido. – Você está bem?

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– Graças ao Spider. – movo meus lábios. – A fofoca é que o Garrett foi expulso do time. Eu presumi que você poderia estar chateada comigo sobre isso desde que você é seu companheiro de equipe. Trenton me dá uma olhada séria. – É com você que estou preocupado. Eu gosto muito de você, Rose. Eu mexi na minha mochila. Ele chega um pouco mais perto com o seu cheiro como o ar do mar e a brisa do oceano. – Garrett e a Aria estavam em minha casa na outra noite quando mencionei que iria ao Jo. Eles me acompanharam e eu gostaria que não tivessem. Ele está dizendo as coisas certas, e meu coração gosta disso. Mas... Spider. – E... o avisei pessoalmente para ficar longe de você. Penso em Oscar e a Lexa. – Então, todos nós ainda estamos convidados para a festa? – É claro. – ele parece desconcertado que eu até sugeri isso. Eu não falo sobre os comentários da Aria; ela é sua família e eu não quero entrar no meio disso. Poucas horas depois, estou apenas colocando comida em um dos quatro lugares quando o Spider entra na porta. Quase tropeço na perna de um cliente enquanto o vejo pegar a mesma cabine de ontem a noite. Ele está aqui! meu coração se alegra. Não fique animada! minha cabeça retruca. Assim que pego a mesa, a bebida é reabastecida, endireito o avental e sigo em sua direção. Ele tem uma pequena contusão sob os olhos, mas não é tão ruim quanto a de Garrett.

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Ele me observa, seu olhar não se move do meu rosto, e eu acho que a maneira como ele olha para mim, tão intensamente, é uma das razões pelas quais o considero incrívelmente intoxicante. É como se ele estivesse me estudando e fazendo anotações. Sorrio para ele e ele sorri também. – Você está bem da noite passada, certo? Alguma coisa aconteceu na escola hoje? Eu aceno para ele. – As coisas estão bem. Aria está estranha, mas não se preocupe comigo. Como está o famoso vídeo do YouTube? Seus olhos brilham. – Sebastian está me ligando a cada poucas horas com atualizações - como se eu não pudesse ver por mim mesmo que está ficando louco. O Show de Ellen ligou, ou tentou, eu acho. Vai ser... grande. – Claro que será. Você é incrívelmente talentoso. Há uma longa pausa enquanto nos encaramos, e eu pigarreio. – Então, posso te oferecer alguma coisa? Ele deixa seus olhos vagarem sobre mim, permanecendo em meus lábios. – Hum, sim. Na verdade, vim falar sobre isso. – ele tira a cópia de Jane Eyre que eu lhe dei. – Fiquei acordado até as três da manhã lendo esse bad boy. Não terminei, mas estou te culpando pelas olheiras debaixo dos meus olhos. – E o hematoma? Ele ri. Minha excitação é tão grande que tenho que me impedir de gritar, eu tenho o Spider lendo Jane Eyre! Bom trabalho! – O que você achou? – antes mesmo de eu perceber o que está acontecendo, estou sentada em frente a ele. Ele me analisa. – Acho que... Jane é forte. Já estou meio apaixonado por ela.

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Ah. Meu estômago se agita e eu engulo. – E Rochester? O que você acha dele? – Ele é um idiota que está envolvido em seus erros do passado, e essa louca esposa dele é louca. – ele morde o lábio. – Estou na parte em que ele quer que Jane seja sua amante. Está... tenso. Meu corpo fica quente, imaginando-o como Rochester e eu como Jane. Imagino-nos em algum lugar da Inglaterra, encolhida diante de uma fogueira que arde no quarto de nossa grande propriedade. Estou usando um vestido branco e ele me deita e tira minha virgindade. Eu volto quando o Spider pergunta: – Ela o quer tanto quanto ele a quer? Meu coração pula uma batida. – Sim. – digo sem fôlego. – Diga-me como termina. – diz ele. – Ele já superou Jane? Ela vai para a Índia com aquele horrível veado de São João? A esposa de Rochester mata todos eles? Porra, essas pessoas serão felizes? De repente, parece que não estamos falando sobre o livro. Impulsivamente, eu estico e toco sua mão. Parece ser a norma para mim quando se trata dele. Eu não tenho auto-controle. – O amor vence se você deixar. Meus olhos estão dizendo mais a ele. No começo, ele parece confuso; então ele parece dilacerado quando se inclina para trás em sua cadeira e a ação afasta sua mão da minha. Ele pigarreia e olha ao redor do lugar. Eu posso ver que ele está recuando. Eu não quero que ele recue.

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– Eu provavelmente deveria ir. – diz ele, enfiando o livro de volta dentro de sua jaqueta de couro. – Eu disse ao meu pai que passaria e falaria com ele sobre Los Angeles. Ele conhece muitas pessoas lá. Parece sincero, mas parece uma desculpa. No fundo, ouço o tilintar da campainha e o som da voz do cozinheiro quando ele grita que um pedido está pronto. Suspiro e estou prestes a me levantar quando um braço é colocado ao redor do meu ombro e Trenton senta na cabine ao meu lado. Ele me dá um aperto rápido. – Ei, linda. Eu pisco e olho para ele, me trazendo de volta à realidade. – Ei! Ele dá um olhar para o Spider e faz uma saudação rápida, mas isso não importa, porque o Spider já está de pé e franzindo a testa para nós. Seu rosto está pálido enquanto ele vira e sai pela porta, deixandome sentindo sem fôlego e muito o que diabos aconteceu. – Foi algo que eu disse? – Trenton pergunta com os seus olhos observando meu rosto. Eu sacudo minha cabeça. – Não, não se preocupe com isso. Ele está apenas... com pressa, eu acho. Com pressa de ficar longe de mim...

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Capítulo Quatorze Rose Sigo pelo resto da semana com um peso de uma pedra no meu estômago. Spider consome todos os meus pensamentos. Tento afastá-lo da minha cabeça. Vou jantar com o Trenton e deixo ele me beijar. Eu saio com o Oscar e a Lexa na biblioteca. Eu trabalho um turno extra no restaurante da Cyndi apenas para me manter ocupada. Eu até frequento um grupo de estudos para a minha aula de cálculo que está dando um pontapé na minha bunda, mas nada funciona para expulsá-lo do meu cérebro. Anne e Robert organizam outra refeição em família na noite de sexta-feira. Estou ansiosa por isso, planejando usar uma calça branca e uma regata de seda amarela com um suéter creme que a Anne comprou para mim em uma de suas lojas favoritas. Oscar está no quarto quando o escolho e ele o chama de “roupa de rica e velha”, mas não me importo. Vou usar qualquer coisa desde que consiga ver o Spider. Eu me visto com a regata de seda e as calças no banheiro, e em seguida, corro para o quarto para deixar o Oscar dar uma olhada. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo elegante e dou uma viradinha para ele. Oscar dá sua aprovação e eu vou para Highland Park para o jantar. Não é até eu chegar lá que descubro que o Spider não está vindo. Eu como meu jantar, me sentindo decepcionada e apenas... desamparada. É esse estado de espírito que me leva a falar sobre a questão da NYU novamente, desta vez com o Robert.

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Anne está de costas ereta. – Já tivemos essa discussão. Eu não quero você tão longe. – Mas por quê? – preciso de uma boa razão! Seus lábios se apertam. – Você precisa de supervisão, Rose. Suas palavras me machucam. – Tenho quase dezoito anos. – digo. – Posso ir para a faculdade em outro estado, se eu quiser. Ela sacode a cabeça. – Estou pagando apenas pelo Winston. Só faz sentido que você frequente uma escola próxima para que eu possa supervisionar você. Além disso, você ainda pode falar nos jantares de gala. Você não quer ajudar essas crianças? Meu queixo fica rígido com as suas manipulações. – Claro que sim, mas você está tentando me fazer sentir culpada por querer ir para a faculdade, Anne. – Eu não gosto da sua atitude. – diz ela bruscamente. – Por favor, use um tom respeitoso quando você falar comigo. Aqui vamos nós com as boas maneiras... Eu abaixo a minha colher de sobremesa e me levanto, precisando sair daqui. – Você não foi desculpada. – diz ela, limpando a boca. Robert lhe dá um olhar suave. – Rose provavelmente tem planos, querida. É uma noite de sexta-feira. Ela solta um suspiro e balança a cabeça. – Bem. É óbvio que você precisa de algum tempo para esfriar de qualquer maneira. Estou prestes a ir, mas decido voltar, minha raiva está muito forte para esquecer. – Não se engane, Anne, sei exatamente quem sou e não preciso de supervisão. Eu vivi uma vida inteira antes de te conhecer. Eu cuidei de mim mesma quando a mamãe não cuidou. Eu me mantive

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longe do Lyle. Quando você apareceu, eu já tinha visto coisas que você nunca imaginou. Sua boca se comprime. – Chega disso. Balanço a cabeça e fecho os punhos, tentando não levantar a voz quando tudo que quero fazer é gritar. – E, a propósito, já me candidatei à NYU e fui aceita. Quer você pague ou não, eu vou para Nova York. Ela respira fundo com a mão no estômago. Dou a ela um breve olhar e saio da sala de jantar. Estou correndo com adrenalina enquanto entro no meu carro, e em seguida, saio da garagem e me afasto de Highland Park. Antes que eu perceba para onde estou indo, eu estou indo para a cobertura de Robert na cidade, onde o Spider está hospedado. O porteiro me reconhece quando ajudei a mover algumas das coisas de Anne e me cumprimentou calorosamente, enquanto me acompanhava até o elevador. Com dedos nervosos, eu aperto o botão da cobertura, meus olhos absorvem a opulência das paredes espelhadas. O elevador para, se abrindo para um piso de mármore. Eu ouço música vibrando pela porta da frente de aço. Eu bato. E bato de novo. A música está desligada e ouço sons de farfalhar atrás da porta. – Sou eu. – eu digo. – A garota que você está evitando. A porta se abre e o cara que está lá não é o Spider. Ele está em torno da idade do Spider, com a nuca raspada e o cabelo loiro selvagem que flui do rosto dele como uma juba de leão. Ele está usando um short esportivo e uma regata, e o suor escorre da testa dele. Olhos azuis frios enrugam nos cantos enquanto me observam.

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Eu o observo também e quebro a minha cabeça, tentando lembrar por que ele parece tão familiar. Eu estalo meus dedos. – Sebastian? É o vocalista do Vital Rejects? – Sim, anjo. – ele enxuga a testa e se inclina no batente da porta, me dando um sorriso arrogante. – E você deve ser a garota. – ele abaixa as sobrancelhas. A garota? Com ênfase? Afinal, o que isso quer dizer? Spider está falando de mim? – Afaste-se da minha meia-irmã, idiota. – vem a voz do Spider do fundo do corredor, embora, eu não o veja. Ele deve estar em outro quarto. – Porra. – Sebastian grita por cima do ombro. – Você esqueceu de mencionar o quanto sexy ela é. – Veja. Eu vou bater na sua bunda se você tocá-la. – Spider o adverte com um tom agudo, e sinto um rubor colorindo as minhas bochechas. Acho que isso responde a questão de saber se ele está ou não falando de mim. Sebastian abre mais a porta e acena com a cabeça na direção do interior do apartamento. – Entre. Ele sairá em um minuto. Ele tem que ficar lindo antes de sairmos. – Ah? – eles estão saindo? Provavelmente para um bar... onde há garotas mais velhas... e álcool. Atividades que não posso participar. De repente estou repensando tudo. Eu não deveria ter vindo.

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Mas cheguei até aqui e preciso vê-lo. Sigo Sebastian para o apartamento e fico incerta na sala enquanto ele me dá um refrigerante da geladeira. Pego os lados do meu jeans. – Onde vocês estão indo? Antes que Sebastian possa responder, Spider entra na sala e meus poderes de fala me deixam por um momento. – Seu cabelo... está branco. – sussurro quando finalmente recupero minhas faculdades, meus olhos se movem avidamente sobre seu estilo de sweptback7. Os fios branqueados enquadram perfeitamente seu rosto, acentuando a nitidez de suas maçãs do rosto, a escuridão de seus olhos, a longa coluna bronzeada de sua garganta. Meu peito aperta com a visão dele. Como pode um cara ser tão sexy? Não é justo com o resto da porra do mundo. – O que aconteceu com o azul? Ele toca nele. – É um retorno, mas um sempre favorito. Você gosta dele? – Sim. – digo com a minha voz sem fôlego. Eu dou um passo para trás, minhas pernas batendo no sofá, fazendome sentar de repente. Eu não me importo, porque sinto que algo grande está acontecendo, e eu só preciso agarrá-lo e possuí-lo. – Você está bem? – ele pergunta. – Parece estranha. Eu balancei minha cabeça, pensando... sobre um garoto de cabelos brancos. O sotaque. Aquele cabelo demoníaco e encolhendo os ombros. Uma memória distante me alcança e me leva para o passado. Lá estou eu, na parte de trás do Quickie Mart. Eu engulo, minha cabeça está sobrecarregada por coisas que tranquei em um caixão com a mamãe anos atrás. Eu vejo minha mãe no chão com hematomas escuros no pescoço.

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Eu vejo... um menino lindo. ELE. Sebastian e Spider estão ambos olhando para mim e depois para o outro, mas os ignoro enquanto tiro meu celular da minha bolsa e ligo para um número, um estampado no meu cérebro e no meu corpo. Eu aperto os dígitos, mas como sempre fazia antes, a chamada vai para uma linha desligada. Mesmo assim, deve ser ele. Deve ser. Os anos podem ter embaçado seu rosto em minha memória infantil, mas tudo está voltando agora. – O que está acontecendo? – Sebastian parece confuso. – Você está tentando ligar para alguém? Chego a uma decisão e me concentro em Sebastian. – Eu não te conheço, e odeio ser rude, mas você pode por favor nos deixar em paz por um tempo? Spider envia a ele um aceno rápido e o Sebastian endireita sua forma alta com o seu olhar me lendo. Tudo o que ele vê o faz agir. – Peguei vocês. Estou saindo. Me ligue mais tarde, Spider. – ele sai do apartamento com a porta se fechando suavemente atrás dele. – Está tudo bem? – Spider me pergunta. Eu balancei minha cabeça enquanto eu tirava o meu suéter. Eu puxo minha regata de seda para cima e sobre a minha cabeça, jogando-o no chão de madeira. Ele respira bruscamente com o seu olhar indo direto para o meu sutiã de renda branca. – Rose, coloque sua camisa de volta. – sua voz é firme, mas seus olhos - Ah, Deus - esses olhos estão me queimando. – Não. – eu marcho em direção a ele e ele recua até a parede. – Rose? – seu peito se expande, e eu sei que ele está me inspirando.

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– Eu conheço você. – minha voz é suave, dolorida com memórias, querendo que ele visse. – Da Tin Town... quando eu tinha onze anos e você tinha dezesseis. Você estava no Quickie Mart e me deu trezentos dólares. Foi na manhã depois que a mamãe morreu. Você... você me deu seu número de celular e me disse para ligar para você se eu precisasse de você. Há um reconhecimento em seus olhos. Levantando meu cabelo com as mãos, me viro para mostrar minhas costas. Eu sei o que ele vê: a tatuagem de borboleta na parte superior das minhas costas, pintada de laranja, verde e roxo. Embora pequena, seu número do celular está gravado dentro dos redemoinhos da asa direita. – A borboleta... é em memória a você, um lembrete do garoto que passou por um instante e me deu esperança e depois foi embora, voando para outro lugar. Eu fiz em Nova York. Seu antigo celular está dentro das asas. Eu não posso ver seu rosto, mas o ouço respirar enquanto ele traça os números com dedos gentilmente. Meu corpo treme quando arrepios se elevam ao seu toque. Há um silêncio profundo enquanto ele processa isso. Eu não me importo. Sua voz está cheia de admiração. – Esse é meu número antigo. Meu pai desligou quando não fui para a faculdade. Como você... – sua voz para. – Eu me lembro de você. Você estava com fome. Eu me viro e o encaro, olhando para aqueles olhos insondáveis e aqueles que carreguei em meu coração por anos. Repeti esses números repetidas vezes quando me depararam com irmãos adotivos, noites famintas ou simplesmente solidão. Seus olhos encontram os meus e nos encaramos. Meu cérebro sabe que ele vai ser uma estrela do rock. É claro como o nariz no meu rosto que ele vai partir meu coração.

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Mas eu não posso deixá-lo ir. Eu respiro profundo com os meus olhos ainda se agarrando ao dele. – Olhar para alguém por mais de seis segundos indica que você quer fazer sexo com eles ou assassiná-los. Qual dos dois é? Ele fecha os olhos e eu toco minhas mãos em seus cabelos brancos, puxando as pontas enquanto nossos lábios se juntam. Ele hesita um pouco e depois geme com as suas mãos indo para minha bunda e me puxando para ele. Com um movimento rápido, ele me vira até que eu esteja contra a parede e ele esteja no controle. Ele me beija também com um desespero que diz que tem medo de eu desaparecer no espaço em um batimento cardíaco. Há uma barba em seu queixo que esfrega em meu rosto e na minha garganta, enquanto seus lábios me provocam, me devorando. Ele se afasta de mim, com sua respiração entrecortada, seus ombros tremendo como se ele estivesse se contendo com a máxima restrição. – Não pare. – eu digo. Meu corpo gravita em direção a ele, minha respiração é fraca, enquanto uma onda de emoções passam por mim. Entro para pegar seus lábios novamente, mas ele me segura, encostando a testa na parede atrás de nós. Ele finalmente fala, com a sua voz rouca como se tivesse sido arrastada por pedras. – Disse ao meu pai que te deixaria em paz, mas não posso. – Graças a Deus. Ele levanta a cabeça e olha para mim e sinto como se tivesse enlaçado ele, capturado ele. Eu me sinto como uma sereia que chama os marinheiros para pular de seus navios e adorá-las para sempre. – Você é muito boa para mim. – diz ele, com a sua mão tocando levemente o meu ombro antes de abaixar para acariciar meu braço. Seus lábios pairam sobre os meus... esperando.

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– Eu não sou. Quero você do jeito que você é. Não me importo com mais nada. – tracei o contorno de seus lábios, puxando o inferior até ele gemer. Beijo a sua boca com a minha língua entrelaçando na dele, inalando o seu cheiro de especiarias e couro. Sou rude com ele porque eu quero isso também. Quero o desespero dele. Quero a sua necessidade. Ele geme meu nome e empurra para baixo as alças do meu sutiã até meus seios saltarem livres. Sua boca envolve um dos meus mamilos e o puxa enquanto sua mão segura o outro, movendo-o com o polegar. – Você é tão bonita. Eu quero tocar em você em todos os lugares. – Sim. – eu gemo. Ele beija o lado do meu pescoço e suga a pele. – Quero foder você, Rose. Eu quero desde o momento em que te vi. – sua voz é gutural e áspera, e as suas palavras obscenas faz meu núcleo se apertar. – Eu não estou parando você. Minhas mãos vão para o seu jeans e o abre, chegando para envolver minhas mãos em torno de seu pau duro, meus dedos deslizando por sua pele aveludada. Ele geme, com a sua boca reivindicando a minha mais uma vez. Em meio a nossa respiração pesada, a camisa desaparece quando ele a coloca sobre a cabeça. Eu beijo o caminho até o pescoço enquanto ele desliza a mão dentro da minha calça e debaixo da minha calcinha. Estou molhada quando ele me toca, deslizando para dentro e para fora. Tudo se move em um borrão enquanto nos fundimos, nos agarrando e nos beijando. Em um piscar de olhos nós estamos em um quarto, nossas roupas se foram, nossa pele tocando em lugares que me fazem gemer e levantar meus quadris em direção a ele com necessidade. Nos deitamos em cima de um edredom de penas brancas e ele paira sobre mim. Eu me aproximo, precisando dele dentro de mim. Parte de mim quer apressar, para ter a parte dolorosa.

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– Você é virgem? – ele pergunta, com os seus olhos castanhos calorosos ainda hesitantes. Eu aceno e ele solta um suspiro. – Quero dizer que sinto muito por tirar isso de você, mas eu estou feliz que sou eu e não o Tren... Eu coloquei um dedo nos lábios dele. – É você. Sempre foi você. Ele passa um longo dedo pelo meu rosto, seus olhos castanhos segurando os meus, uma ansiedade que faz meu coração palpitar ainda mais. – Antes de fazermos isso... você vem para LA comigo? – ele sussurra. – Quero você comigo, Rose. O tempo todo. E quanto a Nova York?Penso por meio segundo, mas ele me beija. Eu quero estar com ele. Ele é a minha borboleta. – Eu vou seguir você em qualquer lugar. – digo. Ele me beija novamente, seus lábios quentes e as suas mãos mais quentes quando ele toca o meu centro, me preparando para ele. Eu me contorço e imploro para ele se apressar. Nenhum de nós ouve nossos pais entrarem na sala.

7.

Sweptback: é um corte de cabelo.

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Capítulo Quinze Spider – Você disse que você a deixaria em paz. – o meu pai grita enquanto nos enfrentamos na cozinha do apartamento. Ele olha para mim, enquanto anda pela cobertura. Sento-me em uma banqueta sem camisa, bebendo o aguado Jack&Coke que o Sebastian deixou para mim antes que tudo fosse para o inferno. Abaixo o copo e passo uma mão trêmula pelo meu cabelo, puxando as pontas. Porra. Realmente estraguei as coisas agora. Rose já saiu, levada por Anne assim que vestiu as roupas. Deus, o rosto dela. Estava branco como um lençol. Ela estava envergonhada... e chamando o meu nome. Como uma groupie. – Você é um maldito mentiroso que não pode manter as mãos para si mesmo. – papai deixa escapar, enquanto tomo outro gole e bato meu copo no balcão. – Você pode sair a qualquer momento. – eu grito. – Esta é a minha cobertura. – seus lábios se apertam. – Sejam mulheres, drogas ou bebidas, você sempre exagera demais. – ele balança a cabeça. – A propósito, a governanta encontrou a cocaína que você deixou no banheiro no andar de cima. Você foi longe demais, Clarence. Muito longe. – Cai fora. – esfrego meu rosto.

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Rose. Ela é tudo que posso ver. O rosto dela. Aqueles olhos que olham para mim como se eu fosse um herói. Longe disso, eu sou uma maldita confusão. Não estou apto para ninguém - não assim, não de verdade. Fecho meus punhos. O que eu tenho para oferecer para ela? Preciso de alguma coisa. Preciso de uma dose. Preciso de qualquer coisa. Preciso de Rose. Meu coração se parte, porra ele quebra no meu peito, e eu quero rasgar o meu corpo e arrancá-lo. Em vez disso, eu me levanto e ando ao redor da sala, optando por fazer outra bebida e tomá-la. O meu pai me observa com cautela, com seus lábios sérios. Sebastian entra pela porta e para abruptamente, com um olhar de confusão no rosto enquanto observa a cena. Seu olhar passa pelo lugar, procurando por Rose. Ele apareceu aqui ontem para me ver e me convencer a arrumar minhas malas e vir para Los Angeles com ele agora em vez de mais tarde. Papai desvia o olhar para ele, com a sua voz mais baixa do que quando ele falou comigo. – Esta é uma conversa privada, Sebastian. Sebastian dá uma olhada no meu rosto e fica em pé. – Eu entendo, mas acho que vou ficar, senhor. Spider pode precisar de mim. Eu suspiro. Sebastian é o melhor amigo que eu tenho. Ele sempre esteve aqui comigo desde os dias de escola, pegando os pedaços. Eu não o mereço também. Eu não mereço nada.

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– Ele chegou até nós. O rosto de Sebastian empalidece. – Porra. – ignorando o meu pai, ele vem e coloca a mão no meu ombro. – Você está bem? Aceno com a cabeça. Então, a agito. – Não. – meu estômago dói, e o olhar no rosto de Rose quando ela saiu me destruiu. Fecho meus punhos e esfrego os meus olhos. – Eu estraguei tudo. Preciso ir encontrar a Rose. Um longo suspiro vem de Sebastian. – Spider... cara... pense muito nisso. Ela é uma criança e você está saindo da cidade. Talvez... talvez, seja assim que deveria ser. Meu pai entra em cena. – Você tem alguma ideia do que isso poderia fazer com a Anne... para o nosso relacionamento? Olho para ele e há preocupação misturada com a raiva gravada em seu rosto. – Sou apenas uma má sorte para você, não é? – digo. Cate, meus olhos dizem. Mamãe. Ele suspira e levanta as mãos. – Não é assim, Spider. Este é apenas um novo começo para mim. Para nós, se você quiser. Encolho os ombros e desvio o olhar dele. Não quero pensar em novos começos. Ele puxa a gravata, afrouxando-a. – Eu não estava por perto quando você era jovem, mas essa coisa com a Anne... Eu a amo... – ele se afasta. E quanto a mim? Ignorando-o, passo por ele e saio para a varanda, onde tiro um cigarro do bolso e o acendo, sugando a nicotina. Ouço o meu pai e o Sebastian falando baixinho lá dentro, mas eu os ignoro.

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Fumei cinco cigarros quando senti o meu pai se juntar a mim mesmo que não olhe para ele. Ele fez sua própria bebida e está tomando um Scotch, com um tremor visível em sua mão. Ele solta um profundo suspiro. – Eu posso te dizer muito bem da Rose, e talvez, isso seja mais do que apenas um dos seus habituais... Eu lhe dou um olhar fulminante. – Não. Você não sabe nada sobre mim. – eu rosno. Ele balança a cabeça, com aquele exterior inglês legal dele com força total. – De fato. Você está certo, eu não te conheço, porque nunca passamos muito tempo juntos. Eu mal tive tempo para você quando você era um bebê. Sua irmã morreu, sua mãe foi embora e eu continuei como se nada tivesse mudado. Deixei você em um colégio interno em um país estrangeiro e fui trabalhar. Foi terrivelmente errado da minha parte, e minha única desculpa é... bem, não sabia como ser o que você precisava. Sinto muito por isso. Eu me sinto parcialmente responsável pela situação em que você se encontra atualmente - usando drogas e pensando que você está apaixonado por uma garota menor de idade. Eu aperto o corrimão da varanda. Não posso acreditar que ele acabou de dizer tudo isso. Eu dou um olhar para ele, feliz que ele disse isso. Isso torna real. – Acho que quase cobre isso. – paro. – Depois que a minha mãe foi embora, vi você seis vezes em quatro anos. Isso foi uma merda. Ele concorda. – Posso fazer melhor. Eu quero. Ficamos lá ao vento e observando os carros se moverem lá embaixo. Penso no passado, em como o meu pai provavelmente se sentiu infeliz desde a Cate e a mamãe. Eu dou uma respiração profunda. – Acredite ou não, eu estou... feliz por você. – aceno minhas mãos para ele. – Anne e o bebê. Você merece uma segunda chance. Um olhar tenso e pensativo passa por seu rosto enquanto ele enfia as mãos nos bolsos e olha para o horizonte. – Todo dia é uma segunda chance, filho. Tudo o que você precisa fazer é agarrar.

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Movo meus olhos para os dele, avaliando sua reação. – Talvez, Rose seja o que eu preciso. Uma firmeza se instala em seu rosto. – Há apenas uma coisa certa nessa situação e é que você precisa sair da vida dela. Eu sei que ele está certo. Há um lado meu que também se sente desapontado comigo mesmo, pela minha incapacidade de deixá-la em paz. Esfrego a minha testa. – Posso fumar um cigarro? – pergunta ele. Ele não fumou desde que eu estava de fraldas, pelo menos não que eu tenha visto. Passo um para ele e ele acende como um profissional, colocando a chama contra o vento. – Não acho que eu realmente te conheço. – digo, olhando para ele. Ele balança a cabeça enquanto seus olhos me observam. – Sério. De repente estou muito cansado. – O que você quer de mim? Ele dá uma longa tragada, com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse pensando muito. – Tenho uma proposta para você. – diz ele, inclinando-se sobre a varanda e olhando para o horizonte. – Eu tenho conversado com o Sebastian sobre algo, e acho que tenho um plano que funcionará bem para todos os envolvidos. Eu paro. – Incluindo a Rose? Ele concorda. – Especialmente a Rose. Eu concordo. Ele me conta sua ideia e, antes mesmo de terminar, sei que é a coisa certa a fazer.

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Capítulo Dezesseis Rose – Seu comportamento é totalmente inaceitável. – diz a Anne do balcão da cozinha enquanto se serve com um copo de chá gelado. – Não vou deixar você se jogar em algum marginal. – mesmo que ela esteja claramente abalada, suas palavras são ditas sem drama. Isso é só ela. Não responda, digo para mim mesma. Você só vai piorar. Ela é uma pessoa julgadora; você não pode fazer ela mudar de ideia. Sento-me à mesa do café da manhã, minhas mãos fechadas sob a mesa, me segurando. Nós estamos sentadas aqui por meia hora e minha cabeça lateja. Aparentemente, a Anne usou um aplicativo no meu celular para rastrear onde eu fui depois que eu saí de sua casa e viu que eu estava na cobertura. Ela e o Robert foram ver o porquê. – Você estava na cama com ele. – ela suspira alto. A vergonha colore meu rosto e olho para a mesa. – Nós não fizemos sexo. Eu olho para verificar meu celular para ver se ele me mandou uma mensagem. – Afaste-se do seu celular, Rose. Eu o viro para baixo. – Desculpa. Ela se senta na minha frente com o seu rosto pálido. – Você não vai vê-lo novamente. – suas palavras são pequenos sinos que não podem ser tocados... clara, fria e final. – Isso vai ser difícil, já que você é casada com o pai dele. Eu vou vê-lo. – digo, agarrando a beirada do meu assento.

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Ela sacode a cabeça. – Eu não queria te dizer isso, mas a governanta encontrou drogas no quarto dele desde a noite em que ele esteve aqui. Estou surpresa, mas não chocada. – Não me importo. – eu digo. Ele e eu vamos resolver isso. Seus lábios se separam. – Você não sabe o que está dizendo. Se você se envolver com ele... bem, você vai ficar confusa também... como sua mãe. Eu não sou nada como a minha mãe. Eu sou quase perfeita, considerando de onde eu vim. – Eu não sou como ela. Eu sou como a vovó. – Você não pode agir como alguém de Tin Town, mesmo a sua avó. – diz ela bruscamente. Não posso deixá-la colocar a vovó em sua categoria de pessoas de Tin Town. Fico de pé, a tempestade que está passando por mim, me varre a superfície. – Não importa de onde eu sou. Tudo o que importa é onde estou indo. Pego meu celular da mesa e mando uma mensagem para ele. Meu coração está acelerando. Eu preciso sair daqui. Por favor, venha me pegar. Eu preciso de você. Estou em casa. Anne suspira e levanta-se para levar o copo para a pia, onde o lava e depois o coloca no escorredor. Uma careta triste está em seu rosto quando ela olha para mim. – Ele não vai responder. Minha cabeça se vira para ela. – Como você sabe? O que está acontecendo?

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Ela olha para as unhas. – Robert me mandou uma mensagem há um tempo atrás. Spider está partindo para Los Angeles. Ele não te quer. Eu sento. Não, isso não pode estar certo. Ele me pediu para ir a Los Angeles com ele. Ele me quer tanto quanto eu o quero. – Quando? Ela encolhe os ombros. – Em breve. Uma mensagem de texto chega e vibra o meu celular e eu o pego, meu coração dispara quando vejo que é dele. Eu leio e meu coração se parte.

Eu não posso. Adeus.

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Capítulo Dezessete Rose Na segunda-feira, já faz três dias que nunca mais ouvi falar de Spider. De alguma forma, consegui me impedir de mandar uma mensagem para ele ou ir até a cobertura. Estou brava com ele pelo adeus enigmático e ainda estou furiosa com a interferência da Anne. Ela me ligou e me mandou uma mensagem várias vezes, mas me recuso a responder. Eu me arrasto para a escola preparatória de Claremont, afastando os dois da minha cabeça. Mas eu não posso me concentrar. Minha cabeça vai para o Spider em cada aula, meu cérebro e meu coração embriagados com pensamentos de sua aparência nervosa e perigosa. A maneira como seus olhos me seguem onde quer que eu vá. A maneira como seu corpo se sente pressionado na minha pele nua. Eu quero aquilo. Eu o quero. Ele é drogado. Ele usa as garotas. Eu reproduzo todas as coisas que a Anne me contou. Meu coração não se importa. Onde ele está? Por que ele não me mandou uma mensagem? O que eu fiz de errado?

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Assim que o sinal toca para nos dirigirmos ao nosso último período, eu me esquivo do ataque dos estudantes e saio pelas portas duplas da frente como tenho todo o direito de fazer. Ninguém percebe, e eu suspiro de alívio. Entro no meu carro e saio da Highland Park, em direção à cobertura. Fiz o meu melhor para fingir que está tudo bem, como se eu não estivesse pensando nele a cada segundo, mas é mentira. Depois de uma viagem de vinte minutos, onde escuto a sua música, encontro um lugar para estacionar na Avenida Bandera, a poucos quarteirões do seu prédio. Ainda usando minha saia escolar xadrez azul e verde, meias azul-marinho na altura do joelho e uma camisa branca de colarinho de Peter Pan, corro para o parque em frente ao seu apartamento. É um dia de sol, mas uma nuvem escura escurece o sol e o medo se forma em meu estômago. O ar parece ameaçador. Eu olho para o topo do prédio e meus olhos pousam na varanda. Eu fico ali parada, me sentindo idiota e hesitante ao chegar até aqui, meio que esperando que ele saiba que estou aqui e saia. Mas ele não faz. Ninguém sai para a varanda e acena para mim. Se ele queria você aqui, ele teria dito isso, uma parte do meu cérebro me lembra, mas ignoro ele. Ele te disse adeus. Mas eu não me importo. A vida é para arriscar, dizer como você se sente e foder com as consequências. Quero dizer, como você vai saber que é uma decisão errada se você nunca fizer isso primeiro? Eu mando uma mensagem para ele com as minhas mãos nervosas e molhadas de suor. Você ainda está aqui? Parece que você está.

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Nenhuma resposta enquanto ando em torno de um banco do parque. Meia hora se passa e o céu escurece. Apenas vá até lá, digo a mim mesma. Peça ao porteiro para anunciar você. Mas eu não tenho coragem de entrar... então, eu espero. Se ele quiser me dizer adeus, vai ser na minha cara. Eu digito, estou do lado de fora do seu apartamento e não vou embora até você me ver. Eu gemo com o quanto carente eu pareço, mas acho que é tarde demais para me importar. Eu estou muito longe para me importar como eu soo para ele. Só então, uma limusine preta estaciona no meio-fio e uma garota bonita de vinte e poucos anos sai usando uma minissaia rosa pálida, saltos brancos e um suéter branco macio que se molda a cada curva. Seu cabelo castanho está preso em um rabo de cavalo e amarrado com um laço de bolinhas. Eu me pergunto quem ela é quando o meu celular soa. Vá para casa, Rose. Eu não posso fazer isso com você agora. Ele está aqui. Eu sabia. Você sente algo por mim, eu respondo.

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Há um atraso de vinte segundos antes que ele responda. Eu sei porque estou contando com o meu coração acelerado. Não, não sei. Eu sinto que ele me deu um tapa. Eu tropeço de volta para o banco e vejo os cães passearem. Mulheres afluantes me olham com cuidado, e eu sei o que elas veem - uma estudante com um celular apertado contra o peito como se fosse uma tábua de salvação. Eu me concentro no meu celular. Não estou acreditando na sua besteira. Há algo grande entre nós. O que há de errado em admitir isso? Cinco longos minutos passam enquanto a desesperança e a raiva se agitam dentro de mim. Deus. Por que eu não apenas vou embora? Por que estou aqui de novo? Para falar com ele. Para dizer adeus ao seu rosto. Para fazê-lo me dizer adeus na minha cara. Ele não te quer, Rose. Ele não te quer. Eu digito outro texto. Eu tenho que estar no trabalho hoje à noite, mas eu não vou, não até que eu veja você.

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Meia hora depois, o ar congelou quando soprou uma brisa. Eu tremo quando esfrego meus braços. Um casal sai do prédio, as primeiras pessoas que vejo saem e meus sentidos saltam para um estado de alerta. É ele! Seu cabelo é como um farol e meus olhos o absorvem, absorvendo o passo confiante enquanto ele caminha ao lado da garota de rosa que saiu da limusine mais cedo. O porteiro está atrás deles, empurrando uma mala e carregando o estojo da guitarra. Do outro lado da rua, sinto seu olhar passar pela área, mas ele não para em mim. Ele está me ignorando. Eu pulo do meu lugar assim que ele coloca um braço em volta da garota bonita. Seus dedos agarram as alças do cinto em seu jeans como se ela fosse dona dele, e enquanto eu observo, ela sorri para ele com uma expressão confusa no rosto. Ele a vira para encará-lo e a beija nos lábios. Suas mãos percorrem suas costas, pressionando-a perto. Não consigo respirar. Meu peito está doendo. Meus olhos estão ardendo quando as lágrimas se formam. É então, que noto outras coisas nela. Seu cabelo está solto do rabo de cavalo e está despenteado como se as mãos tivessem passado através deles. Sua saia, embora seja difícil dizer a partir daqui, parece estar detrás pra frente, com a fenda na frente, como se tivesse sido apressadamente puxada para trás. Eu quero arrancar cada fio do cabelo castanho feio dela. Eu quero arranhar seu rosto.

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Ele... ele... a beijou nos lábios, porra. Eu respiro fundo, sentindo-me sem fôlego. Pressiono a minha mão no meu peito para esfregar a dor. Corro para o trânsito que se aproxima e buzinas soam para mim, enquanto desvio dos carros para chegar até eles. Tropeço no meio-fio quando eu corro. Sei como devo parecer agora. Minha trança está se desfazendo e pequenos fios de cabelos desarrumados flutuam em volta do meu rosto. Eu não uso maquiagem porque esfreguei tudo. Minha camisa está aberta, e os meus oxfords de fivelas estão arranhados de bater no banco. Eu sou uma bagunça total, e eu nem me importo. – Rose? – ele diz o meu nome como se estivesse surpreso, mas eu não acho que ele esteja, mesmo que haja um olhar arregalado em seu rosto. Eu dou uma rápida olhada para a garota, e ela está ostentando um sorriso eufórico. Eu quero vomitar. – Você conhece essa garota? – ela pergunta a ele com a sua mão enfiada no bolso de trás dele. Uma risadinha vem dela. – Você já tem uma stalker? Meio jovem, você não acha? – Uma nova meia-irmã. Suas sobrancelhas se levantam. – Ah. – O que você quer? – seus olhos passam por mim e eu engulo, percebendo que ele nunca me viu no meu uniforme escolar. Pela primeira vez com ele, me sinto terrivelmente jovem. Eu aperto minhas mãos, afastando a vontade de fugir. Eu vim por todo esse caminho. Corri através de quatro fileiras no trânsito para ter este momento. Não há como voltar agora.

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Meus olhos olham apenas para ele e não para a morena, embora eu saiba que seu rosto será para sempre marcado no meu cérebro. – Preciso falar com você. – digo quando o motorista da limusine surge e abre a porta detrás para eles. Spider se virou para o veículo e apontou para ele. – Estou indo para Los Angeles. Não há mais nada a dizer. Nossos pais cuidaram disso. Mas seu corpo diz algo diferente. Há um olhar angustiado em seu rosto que combina com o meu, e seus ombros estão tensos quando ele me encara de frente, me devorando com o olhar. Seus olhos castanhos estão bloqueados nos meus e, assim como ele, eu me recuso a deixar a conexão se perder. – Você está mentindo. – estou mais perto agora e sinto o cheiro dele, o cheiro de couro usado, fumaça de cigarro e tempero todos misturados para formar seu próprio perfume inebriante particular. Eu quero me banhar nele. Eu quero seus braços em volta de mim e não ao redor dela. A garota - Deus, eu a odeio - olha para o Spider e passa a mão magra pelo rosto dele. Uma expressão resignada percorre seu rosto, enquanto os seus olhos saltam de mim para ele. – Fale com ela, querido. Ela precisa ouvir isso de você. Eu estarei esperando no carro. Eu vejo como ela passa por mim e desliza na caverna escura do banco de trás. Muito em breve, ele estará sentado lá atrás com ela. Eles estarão se beijando novamente... Pare. Não faça isso. Porra. Sua saia está para trás. Eu fecho meus olhos. Eles estavam juntos, provavelmente nus na cama dele no andar de cima, onde eu estava apenas alguns dias atrás.

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Seu olhar injetado de sangue queima no meu, seus olhos estão enormes. Ele não dormiu, ou está de ressaca - talvez ambos. – Fale o que você precisa falar. E me deixe em paz. Estou preparado, Rose. – suas palavras são suaves e ternas, e percebo que ele precisa de mim para atacar, mas não vou facilitar isso para ele. – Eu te amo. – eu digo. Seus olhos brilham e seus lábios se separam quando um barulho de ar sai. – Não diga isso. – Por que não? É verdade. Acho que você também me ama. Ele sacode a cabeça. – Você nunca vai me ouvir dizer essas palavras, Rose. Eu não amo ninguém. O amor é para pessoas que querem se machucar. – Eu não posso evitar como me sinto. – grito. – Você está apaixonado por quem você pensa que eu sou. – ele aponta para a garota dentro da limusine. – Você sabe que eu peguei ela, certo? Raiva explode em um instante e eu empurro seus ombros, fazendo-o tropeçar para trás no asfalto de concreto. – Foda-se você e todas as garotas que você fode. Você não pode me dizer como me sinto. Ele empalidece. – Deus... Sinto muito. Isto é o que faço. Eu estrago tudo, lembra? Estou perdido, Rose. Não sou o que você precisa - nunca. Balancei minha cabeça para ele. – Deixe-me ir a Los Angeles com você. Ele fecha os olhos e os abre com dor ali e ansiando... por mim. Eu sei isso. Eu vejo isso. – O que você está sugerindo é impossível. Tenho uma carreira para pensar. Você tem a faculdade.

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– Eu não me importo. – corro com as palavras, na esperança de convencê-lo. – Sei que é inexplicável, mas quando vejo você... Estou em casa, como se fôssemos peças de um quebra-cabeça que finalmente se juntaram. – Você pode me querer agora, mas em uma semana ou um mês, quando eu estiver drogado e trair você... – sua voz se esvai tensa. Eu tremo. Meu corpo está no modo de briga ou fuga. Olho para a garota no carro. – Você se importa com ela? Ele bate os dedos no jeans e seus olhos se recusam a olhar para mim. – Eu tenho um avião esperando por mim, Rose. – Isso não é um adeus. – eu digo com a minha voz embargada. – Eu me recuso a deixar você sair até que você me diga que eu não significo nada para você - nada! – grito as últimas palavras com as minhas mãos fechadas. Mas estou falando ao ar. Ele está caminhando na direção da limusine. – Se você se afastar de mim agora... – deixei as palavras pairarem no ar. Ele sabe o que quero dizer. Ele para, seus ombros se expandindo enquanto ele respira e sua mão fazendo aquela coisa batendo em sua perna. Ofego, dizendo coisas que não quero dizer, dizendo qualquer coisa enquanto percebo algo que ele possa se importar. – Juro por Deus, se você me deixar aqui, ficarei com Trenton... Eu vou deixar ele ser o meu primeiro. Eu nunca mais vou pensar em você. Eu juro, não vou. É isso que você quer? – minha voz se interrompe. Ele está lá, e estou contando os segundos, meus olhos implorando para ele se virar e olhar para mim.

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Sua voz é baixa e rouca enquanto ele deixa escapar. – Diga a Trenton, oi por mim, Amor. E então, ele entra no carro e se afasta lentamente. Eu limpo minha boca com as costas de uma mão que está tremendo incontrolavelmente. Ele se foi. Com... alguém. Não sei quanto tempo fico ali, talvez, dez minutos, talvez meia hora. O porteiro sai e me observa, mas eu o ignoro. Não é até que o céu se abre e comece a chover, que eu finalmente começo a ver a verdade quando a clareza chega aos poucos e em fragmentos. Eu nunca fui especial para ele como ele foi para mim. Eu toco as minhas bochechas. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, a umidade delas é um lembrete de que eu nunca me machuquei assim antes... Nunca. Eu sinto que estou morrendo de uma doença horrível, como se eu pudesse me enfraquecer. É isso que parece se apaixonar por alguém e não ser correspondido? É com isso que as canções de amor são escritas? Eu quero gritar com os meus pulmões. Eu quero bater minhas mãos no chão. Eu quero vomitar. Eu percebo que as pessoas sempre vão embora, mesmo aquelas que você mais ama. Eles se esgueiram em sua vida e depois se afastam como se nada tivesse acontecido. Eles deixam você caminhar até a sua destruição e deixam seu coração para perseguir suas próprias ambições. Eu sei o que tenho que fazer. Eu nunca vou deixá-lo perto do meu coração novamente.

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Parte II Onde quer que um homem possa estar, o que quer que um homem possa empreender, ele sempre acabarรก retornando ao caminho que a natureza definiu para ele.

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Capítulo Dezoito DOIS ANOS DEPOIS SpideR Uma meia hora antes da hora do show no Madison Square Garden, eu estou tomando uma dose de tequila cara quando uma batida vem na porta do meu camarim. É a minha segunda bebida antes do show começar. Preciso disso para me soltar, mas nunca sou bombardeado no palco. Eu fiz uma promessa para o Sebastian que eu não faria isso, e até agora eu cumpri isso. Mas depois, uma vez que a música acabou e a plateia foi embora... é um novo jogo. Eu estou vestindo a minha roupa de costume para um show: jeans skinny preto e uma camisa cinza apertada com buracos artisticamente no tecido caro. Estou usando joias de prata e a maquiadora já apareceu para delinear meus olhos de preto. Abro a porta, esperando o Sebastian ou o nosso baterista Rocco. Ambos são grandes palestrantes que gostam de conversar antes de continuar... principalmente irritar. Rocco gosta de falar sobre os desenhos de carvão que eu venho fazendo, e o Sebastian gosta de falar através dos sets. Max, nosso guitarrista rítmico, é um cara quieto que gosta de ficar sozinho até entrarmos no palco. Mas não é nenhum deles. É o Rick, um dos roadies da turnê Acorde e Morra que estamos fazendo após o enorme sucesso do nosso último álbum. – Oi. O que foi? – pergunto.

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Ele está mascando tabaco e os joga para falar. Ele tem um sotaque lento do sul; Eu acredito que ele é do Alabama. – Há uma garota na porta dos fundos pedindo para ver você. Levanto uma sobrancelha. – Sem groupies até o show terminar, Cara. Apenas ligue para segurança. Ele cospe em uma garrafa de água vazia. – Chamei no rádio deles, mas não consigo colocá-los na linha. – Ela vai embora quando o show começar. – digo a ele com a minha cabeça já se movendo para outras coisas. Preciso ligar para o meu pai e verificar onde vou ficar aqui em Nova York depois do show. Sempre que venho aqui, normalmente acabo ficando em uma de suas propriedades em vez de um hotel. Eu provavelmente deveria ter feito isso agora, mas estamos no final da nossa turnê e minha cabeça está em todo lugar. – Ela diz que conhece você. – ele está olhando para mim com os olhos entreabertos agora, como se ele soubesse algo que eu não sei. – E não são todas elas? Ele olha para a nova tatuagem que eu tenho em cima da minha mão esquerda, uma rosa vermelha envergada. Fiz na semana passada. Nas minhas costas há outra rosa, que ganhei durante o primeiro ano depois que saí de Dallas. – Ela diz para dizer que seu nome é Rose. Sinto como se todo o ar tivesse sido sugado do quarto, e eu me agarrei ao lado da porta de metal para não cair. – Você a viu? Como ela é? – minha voz é baixa. Ele concorda. –Abri a porta, chefe. Ela é atraente, está vestida com um vestido preto apertado e saltos. Parece o seu tipo, uma morena. Sebastian se aproxima, vestido como se estivesse pronto, com jeans e uma jaqueta de couro preta. Sua juba dourada cai em torno de seu

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rosto, e eu posso ver que ele acabou de ter seu cabelo alisado. Ele para em minha porta. – Cara, você parece que acabou de ver um fantasma. Você está bem? – seus olhos procuram os meus. – Estou bem. – deixo escapar. Ele nos olha com cautela, mas continua andando. – Vejo você na porta do palco em alguns minutos? Eu aceno de cabeça para ele, mas estou olhando para o Rick. Ele continua. – Normalmente, eu simplesmente ignoro garotas na porta dos fundos, mas ela sabia o seu nome verdadeiro: Clarence. O calor puro se inflama quando imagens de Rose voam para mim... nosso beijo no avião... ela debaixo de mim na cobertura... suas respirações eram como asas de um anjo quando tocaram na minha pele. A única lembrança que passa na minha cabeça é a expressão dela quando ela me viu com a Mila. Eu afasto a imagem de seu rosto pálido. Não pense sobre isso. Acima de tudo, penso na promessa que fiz ao meu pai quando saí de Dallas. Eu jurei a ele que deixaria a Rose viver a vida dela, para crescer e ser a pessoa que ela deveria ser. Eu peguei sua oferta de meio milhão de dólares e fiz uma vida para mim em Los Angeles. Sim, mas você não gostaria de apenas... vê-la? Meu coração acelera com o pensamento. – Chefe, o que você quer que eu faça? Deixe-a entrar, meu corpo grita. Ela não tem mais dezessete anos. Mas...

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Eu ainda não estou bem. Claro, eu tenho bons dias, mas não sou o que ela precisa. Eu tenho que ser forte para mim antes que possa ser forte para ela. Sebastian grita meu nome. – Dez minutos. Vamos, quero ver algo além de você. Olho para o Sebastian sem expressão, com a minha cabeça em outro lugar, e ele me dá um olhar impaciente. – Você vem? Eu aceno e empurro o Rick. – Diga a ela que você está chamando a polícia se ela não sair. Corro para o palco com o meu corpo agitado, enquanto cubro a distância entre onde estou e onde eu preciso estar. Eu corro, caso contrário eu poderia apenas me drogar. Eu poderia abrir a porta dos fundos e deixá-la entrar. Eu poderia pressionar os meus lábios nos dela e contar a verdade. Que ela é aquela em que eu penso quando fecho meus olhos à noite.

Eu acordo enquanto uma sirene da polícia passa pela janela aberta. Porra. Onde estou? Olho em volta e observo o pequeno e apertado apartamento. Roupas estão espalhadas por toda parte, e o lugar cheira a fumaça de cigarro e bebida alcoólica. Eu olho para cima e vejo o teto empipocado, a mancha escura de água no canto da parede. É um lixo, mas já acordei em lugares piores.

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Esfrego meu rosto, minha cabeça batendo como a bateria no show da noite passada. Eu ouço um gemido do outro lado da cama. Há uma garota nua ao meu lado e o rosto está irreconhecível. Tudo o que vejo é uma massa de cabelo loiro bagunçado. Obrigado, porra não aguento mais morenas. Eu me levanto e me estico, com a minha cabeça passando pelo que aconteceu depois do show. Uma boate em cima de algum hotel. Cheirando e gozando na bunda de uma garota no banheiro. Eu visto o meu jeans e a camiseta, sentindo como se a morte tivesse à espreita. Eu tenho que dar o fora daqui. – Onde você está indo? – diz a garota, enquanto se apoia na cabeceira da cama, com os seios de fora. Meu estômago revira e rapidamente olho para baixo enquanto enfio os meus pés em meus Chucks8. – Eu tenho que ir. – É cedo ainda. Vamos tomar café da manhã. – ela se levanta, e dou uma olhada em como ela é alta. Ah, isso pelo menos explica porque eu a escolhi. Garotas altas, morenas, garotas de olhos verdes - são todas Rose na minha cabeça. Eu as aceito porque não posso tê-la. Ela está encolhendo os ombros em uma túnica de seda, enquanto saio para a sala de estar. – Espere! – ela chama. – Preciso do seu número. Você não quer me ligar quando voltar para Nova York?

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Foda-se não. Eu me encolho com o pensamento. Há um chapéu de palha no encosto do sofá. Eu pego ele e giro isto ao redor. – Se importa se eu levar isso? Ela murmura um ok, mas me diz que é um chapéu de garotas. Eu não dou a mínima; Eu só não quero ser reconhecido. – Posso te ver de novo? – ela passa as mãos pelo o meu peito, enquanto coloco o chapéu na minha cabeça e me aproximo da porta. Eu invoco uma desculpa, dizendo que estarei fora do país em turnê pelos próximos meses, e então, antes que ela possa me seguir, murmuro um obrigado apressado e saio pela porta. Em vez de esperar pelo elevador, eu pego as escadas. Eu nem sei o quanto alto estou, mas não me importo. Eu preciso do ardor. Subo as escadas de dois em dois, até que finalmente atravesso a porta e entro na manhã de Nova York. Eu inalo profundamente, finalmente consigo respirar. As ruas são quase todas quietas porque é domingo, e eu verifico as placas da rua, saindo do telefone para ver onde estou: Bedford Street, na área de Greenwich Village. Meu cérebro meio acordado descobre que estou perto da NYU. Eu paro. Rose está por perto. .. apenas a alguns quarteirões de distância. Eu sei porque ela está vivendo em uma das propriedades do meu pai, e eu sei disso porque... Bem, eu sei tudo sobre a Rose. Papai me mantém atualizado e eu tenho meu próprio pessoal que checa ela periodicamente. Eu nem tenho consciência do que meus pés estão fazendo... não até que eu esteja do lado de fora do prédio dela perto do Washington Square Park. Eu entro em um Starbucks do outro lado da rua para pegar algo para beber, e uma hora depois, estou sentado em uma banqueta de frente para o seu apartamento quando ela sai. Ela é... tudo.

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Seu rosto é uma obra de arte. Seus movimentos como uma música doce. Ela estica o pescoço e olha para a rua como se esperasse alguém. Meus olhos disparam descontroladamente ao redor... e então, eu o vejo andando na direção dela. Ele está acenando para ela, com um largo sorriso no rosto bonito. Trenton. Fecho meus olhos para não vê-los juntos... mesmo que não seja uma surpresa. Afinal, eu a coloquei aqui com ele. Criei essa porra de confusão. Eu não posso deixar de abrir meus olhos e observá-los. Eu preciso ver. Eu preciso ver se ela me trocou. Ele a alcança, levanta-a nos braços e a beija profundamente. Ela envolve os braços em volta do pescoço dele e se agarra a ele. Quanto a mim... Eu morro. Eu morro porra. Porra. Porra. Porra. Deus. Eu me odeio. Eu odeio essa vida que tenho sem ela. Eu odeio tudo. Eu não posso continuar sem ela. Não mais. Eu tentei pelos últimos dois anos. Eu fingi que estou bem... mas não posso mais fazer isso. Quero arrancá-la dos braços de Trenton e fazê-la me amar de novo. E o meu coração... sabe o que tenho que fazer para que isso aconteça. Eu tenho que ficar bem.

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8.

Chucks: é o All Star que conhecemos aqui.

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Capítulo Dezenove DOIS ANOS DEPOIS Rose – Feliz aniversário, sexualidade9! – Oscar diz, levantando o copo para um brinde, enquanto nos sentamos no Bono, meu bistrô italiano favorito e um dos lugares mais badalados de Manhattan. Também trabalho aqui em meio-período para ganhar um dinheiro extra, enquanto frequento a pós-graduação. Eu levanto meu copo para ele e tomo a tequila. O lugar gira apenas um pouco, enquanto coloco o copo de volta na mesa. Estou com vontade de comemorar. É setembro, e nós nos formamos na NYU em maio passado. Oscar, que acabou recebendo a bolsa de estudos que queria, formou-se com um diploma em design e conseguiu um trabalho cobiçado na Barneys como balconista, com aspirações de ser um gerente algum dia. Quanto a mim, atualmente estou matriculada no programa de pós-graduação da NYU, trabalhando para o meu doutorado em psicologia. – Se ao menos Trenton não tivesse que trabalhar. – Oscar murmura com um beicinho, enquanto endireita os óculos escuros estilo hipster. – Mas não se preocupe. Eu serei o seu namorado hoje à noite e me certificarei de que você chegue em casa sóbria. – ele toma outra dose de tequila em frente a mim, e eu dou a ele um olhar sinistro. – Você sabe o que a tequila faz para mim. – digo quando eu volto para ele. – Eu também quero brigar ou tirar a roupa, e eu não acho que vou estar fazendo isso hoje à noite. – Briga, briga, briga. – diz ele, batendo as mãos na mesa.

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Eu rio enquanto checo meu celular para ver se o Trenton ligou ou mandou uma mensagem desde hoje de manhã quando nos encontramos para tomar café. Ele não mandou, e isso me deixa frustrada. Ele está trabalhando até tarde quase todas as noites esta semana. Eu suspiro, lembrando-me o quanto importante o seu novo trabalho é para ele. Ele é um gerente de uma empresa de boutique; felizmente, seu pai conhecia alguns caras na faculdade. – O que o Sr. Empresário está fazendo hoje à noite? – Marge pergunta enquanto ela toma outro martini. Com seu cabelo vermelho encaracolado e sorriso sombrio, ela tem sido uma boa amiga para mim desde que me mudei para Nova York, quatro anos atrás, para frequentar a NYU. Nós ainda rimos na noite em que ela me pegou no bar para ver o Vital Rejects. Sim, Anne - com o incentivo de Robert - concordou em me mandar para a NYU. Eles nos apoiaram nos últimos quatro anos, até mesmo permitindo que o Oscar e eu morássemos em um de seus prédios. Desde a noite da discussão com o Spider, meu relacionamento com Anne mudou. Não tolero suas manipulações e ela sabe disso. Ela parece ter percorrido um longo caminho e eu a aprecio. Ela sempre quis o melhor para mim; nós simplesmente não concordamos sobre o que era isso. Marge acena com a mão na frente do meu rosto. – Olá? Você está com a gente? – Sim. – digo com uma risadinha. – Trenton saiu com alguns caras do escritório dele. Eles estão comemorando um grande cliente hoje. Ele está fazendo conexões e toda essa animação. Ele provavelmente vai aparecer mais tarde. Oscar levanta uma sobrancelha. Ele e o Trenton nunca foram grandes amigos, e eu leio o rosto dele como um livro aberto. Ele acha que o Trenton não estar aqui é um movimento idiota. – A carreira dele é importante para ele. – acrescento.

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Oscar encolhe os ombros, parecendo elegante em sua calça e camisa azul de botão com as mangas enroladas. – Ele sempre pode nos pegar no clube, porque nós vamos dançar, menina! Estou feliz que você tenha usado seus sapatos de dança. Axe, o cara novo na vida de Oscar, olha para baixo e assobia para o meu presente de aniversário, um par de Christian Louboutins de prata metálica - da Barneys, é claro. Oscar suspira e cobre seu coração. – Meu desconto de dez por cento é a única razão pela qual você me ama. Eu bato no braço dele. – Isso não é verdade - eu só amo você porque você cozinha como um sonho. Ele franze as sobrancelhas. – Panquecas amanhã? Eu coloco meus braços ao redor dele. – Eu vou fazer os ovos, ou pelo menos vou tentar. Ele ri quando uma mensagem de texto chega para mim e eu corro para olhar para ela, pensando que é o Trenton. Não é, mas não estou muito desapontada, já que a Lexa me deseja um feliz aniversário de Atlanta. Eu mostro para o Oscar e tiramos uma selfie para mandar para ela. Ela frequentou a Universidade de Emory depois de Claremont e nos separamos ao longo dos anos. Embora, eu ainda gosto de ouvir sobre ela. Alguns minutos depois, deixo a mesa para ir ao banheiro. Um edifício de forma retangular longa, a maior parte dos assentos do Bono é perto da frente com uma grande área de bar ao longo da parede direita. Há um banheiro na parte dos fundos ao longo do lado esquerdo, mas o lugar está lotado e não sinto como se estivesse lutando através da multidão de sábado à noite de solteiros à espreita. Em vez disso, opto por bater nos banheiros no subsolo, com uma parte do restaurante que é menos urbana e mais confortável, geralmente reservada para festas particulares. Uma vez encontrei a Reese Witherspoon nesta seção quando ela estava comemorando um filme em Nova York.

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Bono é um lugar popular, especialmente com celebridades, e considerando o meu currículo consistia no Restaurante do Jo em Highland Park, fiquei emocionado por ter uma posição aqui. A sorte parece me seguir por toda parte em Nova York; é estranho. Talvez, seja porque estou tão feliz por estar fora de Highland Park que as minhas vibrações positivas se espalham ao meu redor. Subo as escadas com cuidado em meus saltos, e estou no último degrau, prestes a me virar e entrar no banheiro feminino, quando paro por completo. Choque me atinge, roubando minha respiração. É ele. Há um feroz golpe no meu coração... primeiro amor sempre corta mais profundo. Spider olha para o celular, movendo o polegar, enquanto vira o corredor que leva ao banheiro. Ele ainda não me viu, e os meus olhos o levam avidamente. O cabelo dele é mais comprido do que eu me lembro, e vejo quando ele o afasta para longe de sua testa, em vez de branco ou azul, a cor é um marrom escuro com reflexos loiros. É novo e diferente. Ele está quente como o inferno. Minha pele cora, enquanto olho para ele descaradamente, ansiosa por qualquer pequeno detalhe. Vestindo um suéter marrom de cashmere com decote em V que se encaixa nele como uma luva e um par de calças justas, ele é mais largo nos ombros, mais alto até, embora, não ache isso possível. Ele parece um cara que quebra corações a cada noite com apenas um dedão de seus dedos na guitarra - ou na pele de uma garota. Eu paro esse tipo de pensamento. Apenas a lembrança da garota em Dallas me faz querer vomitar.

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Ele coloca o celular no ouvido, como se estivesse fazendo uma ligação, e quase inconscientemente, volto para a sombra escura de um canto criado pela escada. – O apartamento está pronto? – eu o ouço dizer. Ele não parece gostar do que ouve porque coloca a palma da mão livre na parede como se para se equilibrar e um olhar vulnerável nos ombros enquanto ouve quem está falando. – Claro. Você não mencionou essa informaçãozinha antes. Como diabos você espera que eu fique no mesmo prédio que ela... Ele para abruptamente, como se a pessoa do outro lado o tivesse interrompido. Ele bate os dedos na parede enquanto a conversa continua. Eu me movo para frente, esforçando-me para ouvir, apavorada que ele se vire e me veja, mas eu não consigo me impedir, especialmente quando o tom dele muda para de um bajulador. Eu ouço trechos. – Oi, querida... te vejo em breve... amor... Ele ri calorosamente. – Diga a ele que vou te trazer um cachorrinho, amor. Veja como o papai gosta disso... Quem é o seu irmão mais velho favorito, Bella? – ele diz, claro como o dia, e meu peito se contrai. Bella! É claro que ele sabe dos três anos de idade da Bella, Robert e Anne. Nós dois a vemos de vez em quando - apenas nunca ao mesmo tempo. Eu vou aparecer para o Natal, e em seguida, Robert menciona casualmente que o Spider está chegando alguns dias depois que eu ir. É estranho e bizarro, mas acho que ele simplesmente não quer me ver. – Tchau, doces. Eu te amo. Diga ao papai que vou vê-lo logo, ok? Além disso, diga a ele para se acostumar com as cenouras - você precisa de mais pudim de chocolate. – ele ri enquanto enfia o celular no

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bolso e seu corpo se voltando para mim. Eu me endireito contra a parede, me preparando para o momento em que ele finalmente me verá.

9. O Oscar faz uma referência sobre a idade da Rose, é como uma saudação a sexualidade.

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Capítulo Vinte SpideR – Preciso ir ao banheiro. – grito para o Sebastian sobre a multidão enquanto ele pede outra rodada de bebidas no bar do andar de baixo do Bono. Levanto meu copo de ginger ale10 e dou a ele um sorriso. Graças a um bom terapeuta, à minha arte e ao meu pai que me apoiou, estou bem há algum tempo. Nós estamos comemorando com a equipe porque na próxima semana é o nosso último show e uma vez que a turnê terminar, o Sebastian e estaremos indo para locais diferentes. Sebastian e companhia estarão voltando para LA, onde eu morava, mas há muito tempo abandonado por um apartamento em Londres. É menos agitado lá, e parece em casa. Ele me dá um aceno com o queixo e eu saio, precisando de alguma distância do barulho para que eu possa ligar para o meu pai. Ele tentou me ligar várias vezes hoje, e esta é a primeira oportunidade que tive de retornar para ele. Ligo e ele me diz a localização do meu novo apartamento na cidade. Minha cabeça gira quando ele me deixa saber que é o mesmo prédio e o mesmo andar onde a Rose mora. Ainda não estou preparado para vê-la, mas há pouco que ele possa fazer. Ele não tem mais nada disponível, e a cobertura pessoal que ele possui na Park Avenue está sendo pintada atualmente. Eu poderia conseguir um hotel, mas as groupies sempre acham um jeito de entrar, e é barulhento quando as pessoas andam pelos corredores todas as horas do dia e da noite. Eu preciso de paz e tranquilidade. Eu preciso do meu próprio espaço. Então, estou preso em Greenwich Village.

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Robert coloca a Bella no telefone e eu converso com ela antes de desligar. Digo a eles adeus e desligo o celular. Eu me endireito, prestes a ir para o banheiro, quando uma figura feminina sombria me chama a atenção embaixo da escada. Eu estreito meus olhos enquanto ela abaixa a cabeça, uma cortina de longos cabelos ruivos sombreando seu rosto. Sentindo que devo estar bloqueando o caminho, eu imediatamente murmuro um pedido de desculpas e dou espaço para ela passar. Ela não passa. Eu olho para ela novamente, desta vez com mais discernimento, tentando ler suas características. Ela é uma stalker? Repórter? Groupie? Eu a observo enquanto ela dá um passo hesitante para fora da alcova. Um senso de familiaridade me incomoda. Lábios vermelho rubi. Pernas longas. Um vestido curto. Eu engulo com o meu peito se expandindo enquanto me aproximo. Não pode ser. Ela não deveria estar trabalhando hoje à noite. Liguei mais cedo e verifiquei com o gerente para ter certeza. É engraçado porque eu escolhi este lugar para o nosso grupo hoje à noite. É porque eu quero estar onde ela esteve - sem realmente vê-la. – Rose? Seu nome nos meus lábios é como um golpe no meu coração. – Spider. – ela se move totalmente para fora das sombras e a iluminação do teto ilumina seu rosto. Eu respiro fundo.

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Ela é diferente com o cabelo ruivo. Deus, mal posso acreditar que é ela. Mas, isso é... Ela é linda... ampliada por um milhão. Vestindo um vestido branco curto frisado com tiras finas, ela fica lá com uma ligeira inclinação no queixo, como se estivesse se preparando para a batalha. Olhos verdes que uma vez leram minha alma, olham para mim. Ela estende a mão para se apoiar no tijolo branco pintado da parede. Eu mal posso respirar, e não acho que ela esteja afetada por mim. – O que você está fazendo? – pergunto. Uma pergunta tão estúpida. Sua boca se abre, mas nada sai, até que finalmente ela pigarreia. – Eu trabalho aqui... literalmente sou uma funcionária. – sua respiração e voz parecem reunir força enquanto ela fala, suas feições se fixando em uma máscara fria enquanto ela se recompõe. Claro, eu sei disso, mas não posso dizer como. Pego no meu cabelo, apenas para me impedir de chegar até ela. Quero dizer, tem sido minha intenção desde que fiquei bem para recuperá-la, mas tenho esperado... Eu não sei para quê. Deus, estou com medo. Estou com medo de que ela me odeie. Estou com medo de que ela me ame e depois me deixe. Não estou preparado para vê-la esta noite e meu coração bate forte. – Você é real, então? Eu pergunto porque há noites em que acho que ela está comigo, noites em que eu estava chapado ou bêbado e ela era uma imagem confusa no fundo. – Eu sou.

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Eu inclino meu ombro na parede, procurando fundo por alguma indiferença. Eu estou vindo de uma performance e me sentindo nervoso; não há como dizer o que eu poderia dizer a ela. – Imaginei isso mil vezes... te vendo de novo. Ela cora, a cor vermelha subindo por suas bochechas. – Sim, eu aposto. – diz ela secamente. – Eu vim te ver em um show há dois anos. Eu apareci na porta do palco, mas você obviamente não queria me ver. Foi um momento fraco da minha parte. Isso nunca vai acontecer novamente. – ela encolhe os ombros. – Você nunca consegue me ver nos jantares de férias em família também. Porque dói ver o que eu perdi. Alguém passa por nós quando saem do banheiro e eu mal olho para eles. Eu mordo meu lábio. – Eu sei. Estou ocupado. Eu vou para casa quando posso. Bella... ela é incrível. Eu sou louca por ela. Ela me chama de "Spidie". Ela balança a cabeça com os seus lábios sérios. Porra. Ela está com raiva de mim. Você pode culpá-la? Ela move a cabeça e um cacho de cobre desliza por cima do ombro até o decote do vestido. – Eu gosto do seu cabelo. Ainda estúpido, Spider. Ela engole. – Eu... preciso ir. Oscar está no andar de cima... – sua voz desaparece quando ela se vira para sair. Eu agarro o braço dela. – Espere. – O quê? – ela pisca para o meu braço e depois de volta para mim, balançando em seus pés.

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– Você está bem? Ela balança a cabeça com os olhos brilhando. – Não... sim... Eu não sei. Eu só não esperava ver você. Meu coração martela. Porra. Ela é tão... Rose... e minha cabeça está em todo lugar. – Você está feliz que você viu? – Não. – Rose! – Alguém chama o nome dela. Ela vira a cabeça e seu rosto se enche de algo que parece alívio. Eu me viro para ver como o Trenton se aproxima, vestindo um terno cinza, não mais como um garoto jovem de dezessete anos. Ele a beija na bochecha antes de sussurrar algo em seu ouvido que a faz sorrir. Meu coração cai como um peixe morrendo. – Trenton, você se lembra do meu meio-irmão, Spider? – ela me dá um breve sorriso formal. Ele agarra a minha mão, agitando-a com firmeza, parecendo cada centímetro do homem de negócios polido que ele claramente se esforça para ser. Mais sociável do que eu me lembro, ele me dá um tapinha no ombro e percebo que ele bebeu muito, se a intensidade do cheiro de bourbon é algo para se avaliar. – Claro, o cara da música. Espero que você não esteja aqui para roubar minha garota. Ele ri e olha para a Rose, que tenta um meio sorriso. – Ela está sempre ouvindo sua música, cara. A ama. – Ele é meu meio-irmão. – ela murmura. Trenton a acena com um sorriso. – Você sabe o que eu quero dizer, querida. – ele coloca as palmas na parte inferior das costas dela, apenas contornando a sua bunda e a beija de novo, desta vez nos lábios. Merda, eu deveria sair? Ir embora? Eu não posso.

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É como um acidente de trem que você não pode deixar de ver, mesmo que você esteja parado ali nos trilhos, sabendo que isso vai te matar. – Alguém está bebendo tequila. – ele murmura, rindo baixinho enquanto ele coloca um braço ao redor da cintura dela. – Eu sei o que isso significa. Você sente vontade de sair daqui e voltar para sua casa mais cedo ou mais tarde? Um fantasma de um sorriso aparece em seus lábios. – Temos planos para a balada. Ele se inclina para cheirar o pescoço dela. – Você cheira tão bem pra caralho. Eu me lembro do cheiro dela, mel e baunilha. Eu sinto meus dentes rangendo, mas ainda não posso fazer a coisa cavalheiresca e sair. Em vez disso, fecho os punhos com um músculo estourando no meu queixo. Trenton se afasta e me dá um olhar malicioso. – Desculpe pela demonstração de afeto em público. Eu não a vi muito esta semana... – ele divaga, algo sobre um trabalho importante e como ele odiava perder sua festa de aniversário, então ele se afastou para vê-la... blá blá blá. Eu não estou ouvindo. Eu estou a observando. Ela está no círculo de seus braços e nos encaramos. É como se o Trenton não existisse e nós silenciosamente tivéssemos nossa própria conversa. Ela parece bem, como um fodido manequim em uma loja de departamentos, mas sei que é uma mentira quando vejo o pulso revelador no pescoço dela, o jeito que ele lateja furiosamente em sua pele macia. Ela interrompe o contato visual comigo para sorrir para o Trenton e eu suspiro, sentindo raiva. Olhe para mim! Eu quero dizer. Porra.

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Quatro anos é muito tempo. Muitas coisas podem acontecer - as Olimpíadas, a Copa do Mundo, todo um mandato presidencial. Inferno, tudo pode acontecer. Talvez, ela esteja completamente sobre mim. Eu não a superei. – Ei, Oscar e alguns amigos estão lá em cima. – diz Trenton, suas palavras penetram no meu cérebro e me tirando do meu nevoeiro. –Você quer se juntar a nós? – ele está olhando para mim. – Eu não posso, tenho que descansar. – seguro a minha tatuagem de aranha, um sinal seguro de que estou nervoso, e a Rose me observa e seu cérebro analítico não perde isso. Uma carranca aparece em seu rosto, enquanto ela olha fixamente com os seus olhos focados na minha mão no meu pescoço. Porra. Eu rapidamente tiro a minha mão e coloco no meu bolso. Seus olhos se levantam de volta para os meus, enquanto ela respira fundo, seus dentes de cima cravam em seu lábio inferior. Ela não está enganada. Ela vê a tatuagem de rosa no topo da minha mão. – Ah. – diz Trenton, franzindo a testa. – Mas vocês não se veem há algum tempo e é aniversário dela... – Tenho certeza que ele está aqui com outras pessoas. – diz Rose em voz baixa. Eu aceno, agarrando-me a isso. – Sim, a banda toda está aqui roadies também. Estamos na cidade para mais um concerto e depois vou para Londres. Pigarreio, meus olhos a devorando pela última vez. – Olha, tem sido ótimo ver você... vocês dois. Eu nem sequer dou a eles tempo para me despedir antes de sair correndo para a área do bar. Encontro o Sebastian, faço uma saudação final e saio pela noite.

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Eu acordo frio e solitário em uma cama king-size e olho para a luz do sol que brilha na porta de vidro que leva à varanda do lado de fora. Coçando meu maxilar, eu me estico, soltando os músculos que estão tensos por estar em turnê nos últimos quatro meses. Além do show, a coisa que estou mais ansioso para sair de Nova York é a minha exposição de arte. Isso tem sido parte da minha terapia de recuperação e ver isso acontecer significa muito para mim. O som da música vem do apartamento vizinho e viro meu rosto para a parede, escutando. É uma das nossas, um remake de "Love is a Battlefield" de Pat Benatar. Eu estou no apoio, e a guitarra está no local. Um pequeno sorriso brinca em volta da minha boca. É surreal pensar em quanto sucesso tivemos, em grande parte devido ao dinheiro e influência do meu pai. Pensar nele traz de volta tudo da noite passada e, de repente, estou bem acordado e de pé. Apenas um pensamento está passando pela minha cabeça agora. Eu coloco a minha palma na parede de onde a música veio. Essa é ela? Papai disse que ela estava no mesmo andar que eu e há apenas quatro apartamentos no andar. Respiro profundamente, como se eu pudesse sentir o cheiro dela. Ela está aqui... bem aqui. Eu sei disso.

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Pela primeira vez em muito tempo, a alegria inalterada e irrestrita que não tem nada a ver com drogas me toma. Eu me sento na cama, sentindo tontura. Ela está tão perto. A questão é... o que eu vou fazer sobre isso?

10.

ginger ale: é um refrigerante comum nos Estados Unidos.

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Capítulo Vinte Um Rose Minha música toca no meu alarme às oito da manhã é a minha sugestão para tirar minha bunda da cama. É domingo e tenho o turno das onze horas no Bono. Minha cabeça lateja e o meu estômago revira quando me sento. Eu definitivamente não deveria ter tido aquela última dose. Ah. Eu coço o ninho de rato que é o meu cabelo e solto um profundo suspiro. Eu ouço o Oscar batendo panelas e frigideiras ao redor enquanto ele faz o café da manhã de domingo de costume dele para nós. Do banheiro, o som da água se aproxima, e imagino que já seja o Trenton. Ele mora a alguns quarteirões daqui, mas fica aqui algumas vezes, ou fico na casa dele. Ele está me pedindo para morar com ele permanentemente desde a formatura, mas algo me impede. Além disso, o Robert deixa o Oscar e eu morar aqui sem aluguel. Ele não é extravagante, mas é bom e em grande parte do Greenwich Village. A brisa do Oscar carrega uma grande caneca cerâmica de unicórnio com "Eu sou Mágico" escrita nela. – Bom dia. Pensei que você poderia precisar de uma dessas depois de ver uma certa pessoa na noite passada. – ele se senta ao meu lado na cama, tomando a sua própria caneca combinando. Eu tento sorrir, tanto quanto posso com uma ressaca. – Lembre-me de nunca mais beber de novo. Ele levanta uma sobrancelha. – Você sabe o que o Frank Sinatra diz sobre pessoas que não bebem... que quando eles acordam de manhã, é triste, porque é tão bom quanto eles vão se sentir o dia todo. – ele ri enquanto toma seu café.

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Eu sorrio. – Seu herói é sábio e você é uma alma velha com o coração de um hipster. – Você sabe disso. – ele me olha com cuidado. – Sério mesmo, você se lembra de tudo que aconteceu ontem à noite? Eu forço o meu cérebro tentando refazer a minha noite depois de ver o Spider, mas tudo está embaçado. Eu aperto a ponta do meu nariz. – Eu pedi algo chamado Cherry Blow Pop¹¹? – Três deles. Eu quase engasgo. – É por isso que estou tão enjoada. Ele cruza as pernas. – Não é tão surpreendente com pêssego e amaretto, e um pouco de um líquido verde que não tenho idéia do que era. – Isso nem é de cereja! – Lembro claramente de você não se importou desde que funcionou. – ele inclina a cabeça. – Mas... uma palavra de conselho: as coisas que você diz quando está bêbada geralmente são o que você realmente pensa quando está sóbria. Minha cabeça lateja ainda mais forte, se possível. – Porra. O que foi que eu disse? Oscar faz careta. – Você fez um pequeno discurso sobre as estrelas do rock sexys e como eles são todos idiotas que estragam qualquer coisa em um segundo. Eu mordo meu lábio. – Porra. Eu mencionei você-sabe-quem? Ele me dá uma olhada. – Menina, tenho certeza que todos nós sabíamos quem - até mesmo Trenton. Eu xingo sob a minha respiração. Quatro anos atrás, quando comecei a namorar o Trenton, isso não trouxe o Spider. No começo foi porque eu não queria que o Trenton pensasse que ele era o meu cara substituto quando ele obviamente era, e mais tarde quando os meus sentimentos por Trenton se transformaram em amor, simplesmente não

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era apropriado. Spider é meu meio-irmão, e a maioria acha que é errado - especialmente pessoas de Highland Park. – Obrigada pelo aviso. – digo quando tomo um profundo gole do líquido espumoso e inclino a minha cabeça contra a cabeceira da cama. – O que eu faria sem você? – Você seria consideravelmente menos elegante e estaria com fome. Eu sorrio. – Embora, eu tenho mais dinheiro. – Quem precisa de dinheiro quando você me tem? A água desliga no banheiro e fico de pé, notando que eu ainda estou vestindo minha roupa de baixo da roupa da noite anterior: um sutiã branco de renda e calcinha. Suspiro. Nenhum sexo com o Trenton; infelizmente, não estou surpresa. Ultimamente, parece que estamos à deriva, ambos presos em nossas vidas cotidianas. Mas eu o amo e sei que ele me ama. Oscar assobia sua apreciação. – Seu corpo está balançando, mas palavra de conselho, seu cabelo está pronto para o Halloween. – ele me dá um tapinha na perna. – Agora suba e deixe a mamãe Oscar fazer umas panquecas para você. – Eu te amo! – eu digo de costas enquanto ele sai do meu quarto e vai para a cozinha. No momento em que o Trenton sai do banheiro, eu estou vestida com calças de yoga e uma camiseta. Vou esperar para tomar banho depois do café da manhã; minha barriga às avessas precisa de fritura para se sentir melhor e pronta. Ele entra no meu quarto já vestido com bermuda de algodão e uma pólo esportiva. Eu observo o seu rosto, procurando sinais de que eu revelei muito sobre o Spider na noite anterior, mas ele parece ser o seu eu calmo de sempre. Um pouco sem emoção, nada parece irritar suas feições. Às vezes, gostaria que ele tivesse mais paixão, mas é só... ele. Pelo menos ele é previsível.

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Lembro-me da noite em que dormimos juntos pela primeira vez. Foi depois do Baile de Primavera e o meu coração ainda estava arrasado com o Spider. Solitária e deprimida, fiz o que disse a Spider que faria; Eu me concentrei em Trenton. Naquela noite, Trenton nos levou para um quarto de hotel e foi gentil e meigo quando transamos. Deitada em seus braços, chorei pelo meu coração estúpido, mas nos próximos dias aprendi a amá-lo. Estamos juntos desde então, um relacionamento fácil e sem drama. Ele me dá um beijo nos lábios, cheirando a menta e fresco. – Onde você está indo? – pergunto. – Eu pensei que nós tomaríamos café da manhã juntos. Ele penteia seu cabelo na frente de um espelho apoiado em minha cômoda, trabalhando o produto em suas madeixas loiras areia. – Não posso. Estou conhecendo alguns dos sócios de um clube de campo em Connecticut. Eu preciso pegar a estrada se quiser jogar golfe. Estou desapontada, mas também aliviada. Preciso de algum espaço hoje para pensar, refazer cada detalhe da minha interação com o Spider na noite passada - o que está errado. Eu nem deveria estar pensando nele. – Parece que mal nos vemos nos dias de hoje. Seus olhos encontram os meus no espelho. – Eles gostam de mim e eu preciso alimentar essas relações se eu quiser subir. Tenho um bom pressentimento sobre esta empresa. – ele se aproxima e me envolve em um abraço. – Venha, não fique triste. Você sabe, você não precisa servir mesas até obter seu diploma de pós-graduação... – Mas eu quero. – eu digo, interrompendo-o. Sua boca se fecha. – Parece que você trabalhando no Bono e na escola, você está ocupada demais para mim. Fico tensa e me afasto. Este é um argumento familiar com a gente desde a formatura. Ele é um cara tradicional que quer que eu termine a escola e passe o meu tempo com ele. Às vezes, parece que ele está

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colocando distância entre nós e permanecendo ocupado de propósito, apenas para me manipular a fazer o que ele quer - que é desistir de tudo e ir morar com ele. Ele suspira. – Então, talvez, possamos almoçar um dia nessa semana? – Claro. Ele dirige-se para a porta do meu quarto, mas antes que ele vá, ele olha para mim, uma expressão estranha no rosto. – A propósito, acho curioso que o Spider não quisesse comemorar conosco ontem a noite. Existe algum tipo de tensão entre vocês dois? – Não. – digo rapidamente. Ele franze a testa. – Tem certeza? Você se queixou de rock stars ontem a noite. Parecia haver algumas... animosidades. – Eu estava arrasada. Não há como repetir o que eu disse. – aceno para ele. – Spider... bem. Nós apenas levamos vidas muito diferentes. Ele balança a cabeça lentamente, mas há um olhar em seus olhos que diz que ele não acredita em mim. Ele faz uma pausa por alguns instantes como se fosse dizer algo mais, mas depois sai pela porta. Solto um suspiro de alívio quando o ouço dizendo adeus a Oscar na cozinha, enquanto ele sai. Meia hora depois, as coisas estão melhorando enquanto coloco um pedaço do melhor bacon que já comi na boca. Então uma batida soa na porta. Oscar está ocupado fritando mais bacon, então, eu ando até a porta e a abro, meio que esperando ver o Trenton. Ele está sempre deixando as coisas aqui, e em seguida, fazendo uma corrida louca para buscá-las. Não é o Trenton. – Bom dia, meia-irmã.

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O choque passa sobre mim quando a minha mão agarra a beirada da porta e, assim, não consigo respirar. Ele está na minha frente - de novo. Eu deixo o meu coração desacelerar. Ele parece mais confiante esta manhã, e isso me enfraquece. – O que... Como você chegou aqui? Ele me deu aquele encolher de ombros dele. – Sou seu vizinho. Bem ao lado. – Isso não faz sentido. – não consigo pensar direito. Eu não posso nem começar a ligar os pontos. Ele está muito bonito para ser tão cedo, e eu sei que pareço uma pessoa demente com o cabelo assustador. – Porque o meu pai é seu padrasto e ele é dono deste prédio. Ele me disse na noite passada que estávamos no mesmo andar. Ouvi sua música esta manhã, e acabei supondo que esse era seu. Acho que estava certo. – ele se inclina para trás e aponta para a porta do apartamento à minha esquerda. – Esse é meu. – Ah. – suspiro, arrumando o meu cabelo. – Você sempre ficou no 4E quando está na cidade? – sei exatamente quantos concertos ele teve em Nova York - três. Eu fui naquele onde ele não saiu para me ver, mas eu afastei isso da minha cabeça. Ele balança a cabeça. – Papai disse que isso era tudo que ele tinha na cidade... Oscar grita da cozinha, interrompendo-o. – Meu Deus, pare de interrogar o homem e deixe-o entrar e comer! Somos do Texas, garota, onde está sua hospitalidade? Eu sorrio. Acho que Oscar ouviu tudo o que dissemos. O interesse ilumina os olhos do Spider. – Isso seria ótimo. – diz ele suavemente. – Cheira muito bem aqui, para ser honesto. Além disso, eu não tenho café lá. Estou morrendo.

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Dê cabo a hospitalidade sulista. Quero dizer a ele para ir se foder, eu realmente quero, mas não posso. É ele em carne e osso e tem poder sobre mim. – Posso entrar, Rose? – seus olhos são como raios de luz solar através do âmbar, e eu suspiro. – Eu nunca negaria café a um homem. – contrariada eu me afastei para deixá-lo entrar e a sua mão acidentalmente encostou na minha. A eletricidade vibra, agitando as minhas entranhas, mas eu me afasto. Ele entra na cozinha e eu dou um olhar malvado para o Oscar por convidá-lo, mas o Oscar mal percebe. Ele está dando beijos no ar em ambas as bochechas como se fossem velhos amigos. Eu mostro a minha língua para ele atrás das costas de Spider, e ele me ignora. – O que será essa manhã, Spiderman? Panquecas? Omelete? Veja bem, é melhor você comer bem, porque só faço isso uma vez por semana. Spider sorri enquanto vai até o balcão para se servir de uma xícara de café. – Eu vou querer tudo o que você tem. – Você está muito esperto esta manhã. – eu resmungo. Ele bebe da sua caneca. – Vida saudável. É incrível como as manhãs são ótimas quando você não está se recuperando de um problema. Eu dou a ele um olhar, procurando em seu rosto a verdade. Robert mencionou que o Spider estava bem na última vez que fui visitá-los, mas eu me recusei a pensar muito sobre isso, para me perguntar sobre como era sua vida agora. Ele faz uma pausa. – Não uso álcool ou drogas há quase dois anos. Agora cigarros... isso é outra história. – Isso é incrível. Estou muito feliz por você. Parabéns. Ele dá de ombros e fica quieto.

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Felizmente, o silêncio é preenchido quando o Oscar coloca um prato na frente dele. Spider se abaixa, fatiando a sua refeição e a comendo com uma lentidão excruciante, saboreando cada mordida. Ele parece sexy - apenas comendo - e isso me deixa nervosa. Bufo e corto um pedaço de panqueca, provavelmente parecendo um cachorro sarnento. Um pouco depois, o Oscar se levanta para colocar sua caneca na pia. – Bem, pombinhos, eu odeio ir, mas tenho que ir checar o meu homem. Posso contar com vocês dois para se dar bem, enquanto eu estiver fora? Eu gaguejo. – Claro. Spider sorri. – Obrigado por me deixar tomar o seu café da manhã. Oscar dá a Spider um olhar sério. – Sem problemas. Só não machuque a minha garota novamente... ou eu vou te matar. – antes que qualquer um de nós possa responder, ele está correndo para seu quarto e fechando a porta. Eu suspiro, mortificado enquanto Spider olha para mim, seus olhos escuros com uma emoção que não consigo ler. Talvez eu não queira ler. Ele limpa a boca com o seu olhar me observando atentamente. – Você quer que eu saia? Estou supondo que você só me convidou por causa do Oscar. Eu engulo com meu peito doendo quando olho seu rosto esculpido, o jeito que suas maçãs do rosto perfeitamente esculpidas acentuam seu queixo. Meus dedos doem para tirar o cabelo do rosto dele. Porra. Ele está rasgando meu coração de novo... apenas sentando na minha frente. – Sim. Ele balança a cabeça com um olhar de compreensão em seu rosto enquanto se levanta. Eu estou com ele e minha mão apertando enquanto falo as palavras que meu cérebro não poderia formar na noite passada. – A verdade é que não quero ver você de novo. O que você fez para mim... como você me

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machucou... nunca pode ser desfeito. Só quero esquecer que isso aconteceu, mas não posso fazer isso quando te vejo. Ele concorda. – Antes que eu saía, há algo que eu quero que você saiba. – O que? Ele suspira e abre a boca, mas nada sai. Ele morde o lábio e passa a mão pelo cabelo, depois esfrega o queixo. Ele está atrapalhado, tentando encontrar as palavras, mas ele não pode. Meus olhos vão para a tatuagem de rosa que vi ontem à noite, no topo da mão com PERDIDO nas juntas. – É sobre mim? Ele olha para baixo. – Sim. Eu ganho uma. – ele respira fundo. – A cada ano que estamos separados. Eu não acredito nele. Meu rosto está quente. Ele suspira. – No primeiro ano, ganhei uma rosa nas minhas costas. A mão foi a próxima. – ele levanta a manga do suéter azul marinho e me mostra o interior de seu braço, onde meu nome está escrito em letras minúsculas ao longo de seu bíceps. – A ganhei no terceiro ano. Eu respiro fundo, processando suas palavras. Ele fica lá, inquieto. – E este ano? O que você conseguiu? – Nada. Estou esperando... – Para quê? – digo com a minha voz trêmula, e eu quero voltar atrás. Eu não quero que ele veja como suas palavras estão me afetando, como sua vulnerabilidade está me aproximando. Ele morde o lábio e olha para mim longo e sério. – Por você. Este é o ano em que eu te trago de volta.

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Eu suspiro e dou um passo para trás. – Você não tem o direito de supor isso - não tem motivo. – Eu sei. – Eu tenho uma vida sem você - uma perfeita. – Eu sei. – ele enfia as mãos em seus jeans skinny. – Eu estou com o Trenton. – Confie em mim, eu sei. – E você não pode esperar apenas entrar aqui e me pegar de volta... – Eu não. – Você me machucou! – grito para ele, cansada de sua calma. Eu preciso que ele esteja tão zangado quanto eu. – Você dormiu com outra pessoa imediatamente depois de quase dormir comigo! Você me deixou em Dallas depois que prometeu que me levaria para Los Angeles. Você é um mentiroso, um horrível, um mentiroso horrível, eu te odeio por isso. – minhas palavras são amargas e duras, e é bom tirá-las, dizer todas as coisas que se acumularam dentro de mim desde que ele partiu. Ele engole com o seu rosto lidando com a emoção, parecendo em conflito. – É apenas... Eu sabia que tipo de garota você era, forte e forte. Eu sabia que se você realmente me quisesse, encontraria um jeito, e eu não poderia deixar isso acontecer. É por isso que te magoei, Rose. – sua voz soa como se tivesse sido arrastada no cascalho. – Eu... Eu prometi ao meu pai que te deixaria em paz. – Mas, porque? Ele me encara de frente, com seu rosto como pedra. – Ele me deu meio milhão de dólares para sair de Dallas e começar minha carreira. A condição era que eu tivesse que te deixar para trás. Fecho meus olhos. – E olhe para você agora... você é famoso. Ele sacode a cabeça. – Não, Rose, olhe para você.

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– O que você quer dizer? – Você se formou na NYU com louvor. Está na pós-graduação. Está vivendo a vida que você queria. Lágrimas ardem nos meus olhos com a idéia de que ele sabe coisas sobre mim que nunca contei a ele, como se ele continuasse comigo... mas rapidamente as enxugo. Eu não posso ser gentil ao seu redor. Isso dói demais. – Você não tem o direito de supor que eu não teria essas coisas com você em Los Angeles. Você tomou a decisão de pegar o dinheiro para você porque percebeu que eu não valeria a pena. Eu teria acabado atrapalhando as coisas que você realmente queria fazer - transar com qualquer coisa que mexesse, encher o nariz e o que fosse. Seu rosto empalidece. – Mereço isso. Deixei você sem explicação e isso não foi certo. Sinto muito por Dallas. Eu não era o homem que você precisava. – Você acha que é agora? – a descrença é evidente no meu tom, enquanto olho para ele. Quem ele pensa que é? Será que ele acha que pode simplesmente voltar para a minha vida como se os últimos quatro anos nem tivessem acontecido? Ele me observa com cuidado, seu olhar passando pelo meu rosto e se demorando nos meus lábios. – Você é minha, Rose, sempre será. E então, ele se foi antes que eu possa até formar uma resposta.

11.

Cherry Blow Pop: é um nome de uma bebida.

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Capítulo Vinte e Dois Rose É quarta-feira a noite, quando me levanto acordada ao som do trovão que cruza os prédios altos de Manhattan. Perfeito, exatamente o que preciso - e em uma noite em que o Oscar fica com o Axe. Verifico o meu celular e vejo que é uma da manhã e na verdade quinta-feira. Ah. Saio da cama na escuridão e caminho até ao banheiro. Tem sido uma semana estranha e tem tudo a ver com o Spider. Você é minha, Rose, ele comentou no domingo. Eu me encaro no espelho, vendo as olheiras pela falta de sono esta semana. Só então, um relâmpago cruza o céu e o seu ataque repercute pelas paredes de concreto do meu apartamento. Um grito escapa de mim, quando a energia se apaga, mergulhando-me na escuridão total. Odeio tempestades desde a noite em que mamãe foi morta. Tropeçando no escuro, volto ao meu quarto, onde rapidamente bato o meu dedo e grito. Droga! Pulando em um pé e xingando, consigo encontrar a gaveta do criado do mudo onde eu mantenho minha pequena lanterna no caso do apocalipse zumbi... ou um apagão. Mas não está lá. Oscar. Ele foi em um acampamento no mês passado com o Axe e a pediu emprestado. Grito com ele na minha cabeça. Descansando em meus travesseiros, encontro o meu celular e uso a lanterna dele, mas sei que não vai durar muito, já que a minha bateria está fraca. Caminhando para a porta da varanda, tenho coragem de espreitar, tentando ignorar o estrondo alto de outro ataque do

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relâmpago. A escuridão em um quarteirão da cidade encontra o meu olhar. Sem faróis vermelhos, sem letreiros luminosos, sem postes de luz, nada. O raio deve ter atingido um transformador em algum lugar. É assustador na cidade e eu tremo de novo. Velas. Eu preciso de velas. Estou na cozinha, revirando as gavetas em busca do estoque de velas perfumadas da Bath & Body Works e fósforos do Oscar. Eu não estou tendo sorte e quando bato minha cabeça em uma porta de armário aberta, eu xingo sem parar. Para piorar as coisas, tudo o que eu acho são velas e nenhum fósforo. Com esse agravante e lutando contra um surto, decido esquecer e me deitar debaixo dos cobertores na minha cama enquanto rezo para que a tempestade passe logo. Uma batida soa na porta e eu grito. – Rose? Você está bem? Eu mantenho a porta aberta, deixando o trinco. Eu coloco a luz do meu celular nele, fazendo-o fechar os olhos. Vestindo nada além de um boxers Union Jack é o Spider. Seus abdominais musculosos estão à mostra, e é claro que ele está maior desde a última vez que os vi. Seu peito é largo e esculpido, seus bíceps parecem que eu poderia pular neles, e o V profundo em sua cintura está me fazendo salivar. Todos saúdem a Inglaterra. Movo a luz para verificar as suas pernas. Sim, elas são sexys também. Droga. Eu afasto meus olhos do corpo dele e me concentro no rosto dele. Pelo menos o cabelo dele está espetado. Bem feito. Ele levanta a mão para bloquear a luz em seus olhos. – Você pode, por favor, desligar essa coisa? Você está me cegando.

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Ele olha além de mim e entra na área da sala de estar. – Eu ouvi você gritar e fiquei preocupado. Lembrei-me de que tempestades te assustam. – Como você sabia disso? – pergunto, não me lembro de ter contado a ele. – Quando nos conhecemos no avião, você me disse. – Ah. – mordi meu lábio, surpresa, ele lembrou. Eu me lembro de outro detalhe do avião. – Você ainda está com medo de Dolly Parton se escondendo em seu chuveiro? Um sorriso curva os seus lábios. – Porra, apavorado. Relâmpagos novamente, e eu recuo. – Você está bem? Precisa de alguma coisa? Eu fico lá e pretendo dizer a ele que estou bem, mas algo em mim suaviza. – Oscar pegou a minha lanterna e eu não tenho nenhum fósforo. – digo, com um sorriso. Ele sorri segurando uma pequena lanterna. – Quer alguma companhia? Uma pequena batalha se enfurece dentro de mim. Eu estou desconfortável com a tensão entre nós, mas também odeio ficar sozinha durante as tempestades. Eu suspiro, tiro o trinco e dou um passo para que ele possa entrar. As minhas entranhas estremecem com a nossa proximidade, especialmente porque posso ver todos os seus músculos ondulados e cabelos despenteados. Eu olho seus boxers. – Você não está com frio? Seus lábios se curvam. – Quer que eu coloque algumas calças?

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O trovão cruza novamente e um raio atinge como um flash brilhante vindo das janelas dos fundos do apartamento. Ilumina a sala de estar e a área da sala por alguns segundos. Minhas mãos se apertam. – Não. – digo apressadamente. – Não me deixe. Não até a tempestade acabar. Este relâmpago... ele me deixa nervosa. Sua testa franze com o seu olhar em como estou encostada na mesa de entrada. – Oi, estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum. – ele acende a luz ao redor do apartamento, verificando as grandes janelas na parte dos fundos. – Você tem janelas no seu quarto? Eu concordo. – Do chão ao teto de um lado. Pensei em pedir a Robert algum tipo de cortinas, mas ele já fez muito. – minha voz se abaixa. – Os únicos quartos que não têm janelas são os banheiros e a área da cozinha. Ele pensa por um momento e diz. – Vamos, eu tenho uma ideia. Eu o sigo, enquanto ele entra na sala e observa os meus móveis. Parecendo chegar a uma decisão, ele começa a movê-los. Minha testa enruga enquanto o vejo empurrar uma cadeira pela área. Ele pega uma luminária de chão e a aproxima da cadeira. O que ele está fazendo? Ele se inclina para dar uma olhada melhor em uma mesa e eu suspiro. Sua bunda dura... Fecho os meus olhos com o meu corpo corando. Estou ficando quente e não é pela umidade da tempestade. – Onde está Oscar? – ele pergunta, enquanto move a mesa de café. Eu mordo meu lábio. – Ele vai ficar no Axe hoje à noite. – Ah. Eu não posso esperar mais, perplexa com suas ações. – O que você está fazendo? Algum tipo de feng shui? Ele me dá um sorriso e, pela primeira vez desde que o vi, parece o que costumava acontecer conosco... assim como em casa. – Você vai ver, Amor.

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Eu o sigo, enquanto ele segue seu caminho infalivelmente para o meu quarto, tira os travesseiros e lençóis, e em seguida, os leva de volta para a sala, ainda usando a lanterna para iluminar o caminho. – Eu preciso de mais algumas colchas. Você tem alguma? Eu aceno e mostro a ele o armário de roupas de cama. Ele coloca embaixo dos braços e volta para a sala. Ele arruma as colchas e os travesseiros no carpete e depois arrasta vários lençóis sobre os móveis que ele moveu para mais perto do centro da sala. A luminária de chão é o ponto mais alto e cria um efeito de tenda. Ele dá um tapinha no chão, indicando uma pequena abertura que ele fez para eu rastejar. – Você fez um forte. – eu digo. – Para eu me esconder? Ele balança a cabeça e fazendo um daqueles encolhimentos de ombros sem esforço. – Só quero que você se sinta segura. Pelo menos o raio não será tão perceptível. Quero dizer, sei que você ainda pode ver através dos lençóis... – É perfeito. – eu digo, mordendo meu lábio. – Você está vindo? – Se você quer que eu faça isso? – há um som hesitante em sua voz. – Eu quero. Eu me inclino e rastejo, e olho por cima do ombro para vê-lo me observando, provavelmente vendo a calcinha de renda amarela que estou usando sob a minha camiseta folgada. Assim que me estabeleço, ele dá a lanterna. – Agora feche os olhos e conte até cem - em voz alta, para que eu possa ouvir você. Eu volto já. Meus olhos brilham quando ele se levanta. – Você está indo? – Só por um segundo. Espere... – e então, ele se foi. O ouço abrindo a porta da frente e depois silêncio. Eu suspiro, fecho meus olhos e começo a contar.

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Ele chega ao redor por trás e se aproxima. O ouço brigando em volta da minha sala, um grunhido alto quando ele bate em alguma coisa, e depois o som de um isqueiro. A abertura da porta do forte sussurra quando ele entra, mas mantenho meus olhos fechados. Seu ombro encosta no meu e a sua voz é abafada. – Ok, você pode abrir seus olhos agora. Eu os abro e meu foco está paralisado nas inúmeras velas que ele colocou ao redor da sala e acendeu. Várias estão sobre a lareira, e algumas estão na mesa da sala de estar ao lado da porta da frente. Meu peito se expande e percebo que não posso olhar para ele. – Está... um país das maravilhas. Ele aperta meu ombro, nós dois sentados de pernas cruzadas sobre as colchas. – Da próxima vez que você tiver uma tempestade, faça isso. Talvez, isso mude toda a sua perspectiva. – Sim. – não sei mais o que dizer. Estou impressionada por ele. Por sua consideração. Ele vira meu queixo para ele e... estamos tão perto. Eu vejo que ele colocou calça de pijama depois de tudo; Ela é xadrez de azul e verde e pendem folgadamente em seus quadris. – Você ainda está com medo? – Não. – sussurro. Eu estou algo completamente diferente. Ele puxa algo de trás dele, um pequeno embrulho embrulhado em papel grosso e caro e amarrado com um laço de tecido. – O que é isso? – minha voz é suave e um pouco ofegante. – Um presente. Eu... Eu tive isso por um tempo. – Por que você não me enviou?

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Um longo suspiro vem dele e ele engole. – Rose... Eu não podia te ver ou ter contato com você... Não até que eu estivesse bem. É por isso que não cheguei à porta dos fundos na noite do concerto. Eu processo suas palavras, sentindo-as. – Você esteve bem por um tempo, certo? Se foi tão importante para você... por que você não me procurou? Ele esfrega a mão no rosto. – Eu não sei... estar bem tem sido difícil e eu estou descobrindo isso enquanto eu fico. Eu vejo um terapeuta e eu desenho para manter os demônios longe. Meu pai e eu... conversamos mais e tentamos nos ver com frequência. Apenas tendo o apoio dele... significa muito para mim. Eu concordo. Ele morde o lábio inferior. – Não houve um dia que não tenha imaginado como você estava e o que você estava fazendo. – ele para e respira profundamente. – Eu fiquei bem por você. Por nós. – Não há nós. – lembro a ele. – Ainda. Suas palavras enviam uma sensação de pura necessidade através de mim, mas eu a ignoro. Ele machucou você, Rose, eu me lembro. Pego o pacote dele e abro gentilmente. Meus olhos lacrimejam quando vejo o que é - uma cópia da primeira edição de Jane Eyre - e olho para ele. – Isso deve ter custado a você... milhões. Viro a capa do livro, passando os dedos sobre a página do título cuidadosamente preservada. Ele encolhe os ombros com o seu rosto suave. Olho para a capa marrom, minhas mãos segurando-a como uma tábua de salvação. Nunca quero a deixar. Ele me beija gentilmente na bochecha e de repente eu não consigo respirar com o meu corpo todo quente e formigando.

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Ele tocou em uma mecha do meu cabelo. – Eu terminei, você sabe, há muito tempo. – O que você achou? – pergunto. – No fundo, é uma história sobre o destino, o destino de Jane e como ele está entrelaçado com o de Rochester. O destino é uma coisa maravilhosa, certo? – uma pequena risada escapa, e me pergunto se ele está pensando o que eu sou... o destino nos reuniu naquele dia no Quickie Mart e depois no avião. Ele continua. – Jane é uma porra de chefe, como você, embora as pessoas queiram derrubá-la. Ela só quer... Eu não sei, liberdade para ser ela mesma e tomar suas próprias decisões. – Sim. Ele pigarreia, os lábios mais próximos dos meus do que antes, a mudança em nossa posição quase imperceptível. – Ela recusa a oferta de Rochester de ser sua amante porque ela quer ser fiel a si mesma. – E quanto a Rivers? – pergunto, perguntando sobre o outro interesse amoroso de Jane. – O que você acha dele? Ele ri baixinho. – Ele é um babaca religioso. Eu estou tão completamente fascinada por suas palavras... o fato de que ele leu por minha causa. – Como você sabe que ela não ama o idiota? – digo, com meus olhos perfurando os dele. – Porque ela não pode esquecer o Rochester. Ela nunca vai estar acima dele, e quando ela ouve a voz dele chamando por ela, ela vai... – sua voz para, com seu rosto corando quando ele encostou na minha bochecha. Sua boca se detém a poucos centímetros da minha com o seu peito subindo e descendo rapidamente. Se eu não tocar nele...

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Deus, se eu não tocar nele... Eu vou morrer aqui mesmo. – Rose, eu realmente quero te beijar agora. – Deus, sim. – digo sem fôlego.

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Capítulo Vinte e Três SpideR Eu beijo ela gentilmente, como se estivéssemos em um primeiro encontro, saboreando-a com reverência, meus lábios reivindicando os dela tão dolorosamente lentos, como se dissessem: Você pode se afastar a qualquer momento. Eu não quero assustá-la. Minhas emoções são incrivelmente ferozes neste momento, quentes com a necessidade, e eu tenho que me segurar para não esmagá-la em meus braços. Eu a respiro, minha mão envolvendo seu pescoço e puxando-a para mais perto, até que tudo que eu posso pensar, cheirar, querer é ela. – Spider. – ela sussurra entre beijinhos no meu pescoço, seus dentes raspando na minha clavícula, fazendo-me gemer e o meu pau já está duro como aço. Eu gemo, minha mão deslizando sob sua blusa e apalpando o seu peito, meus dedos beliscando seu mamilo. – Nós não devemos. – diz ela, enquanto levanto a camisa até os ombros. Inclino o queixo para cima e olho em seus olhos. – Não há nada de errado com a maneira como eu me sinto sobre você e como penso que você se sente em relação a mim, mas esta é uma decisão sua. Eu quero você. Eu te quero tanto que não posso respirar. Ela fecha os olhos com seus cílios encostando em suas bochechas. – Olhe para mim.

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Seus olhos se abrem. – Apenas me diga para parar e eu vou. – meu polegar percorre seu lábio inferior. – Você diz a palavra e eu nunca vou beijar esses lábios novamente. Nós podemos continuar fingindo e andando na ponta dos pés quando nós dois sabemos que esse calor entre nós é algo que não podemos ignorar para sempre. O destino tem outros planos. Ele quer isso. Você quer? Um rubor lento inicia em seu pescoço. – Sim. Minha mão passa em seu cabelo e aproximo o seu rosto no meu. – Então, deixe-me mostrar o quanto quero você. Eu a beijei novamente, mais forte desta vez com os meus dentes e língua possuindo a dela. Ela ofega com uma mão enfiando nos meus cabelos para agarrar meu crânio, puxando-me enquanto a outra puxa minha calça de pijama, deslizando para dentro e por baixo da minha cueca de seda para agarrar meu pau. Afasto-me dela com uma risadinha e deito as costas contra os travesseiros, meus olhos devorando-a. – Você vai me fazer gozar muito cedo, amor. – Tudo bem. Nós podemos sempre ir de novo. – ela tira sua camisa e chuta a sua calcinha, me fazendo gemer. Ela está com pressa, e eu suspeito que é porque, como eu, ela está no momento e tem medo dessa coisa entre nós desaparecer. Altos e tonificados com seios de tamanho perfeito que fazem a minha boca salivar, ela é a personificação da forma feminina em meus olhos. Ela sempre foi. Eu tiro minhas calças e boxers e os chuto para fora do caminho. Seus olhos vão direto para a haste que está ereta. – Eu sei, é formidável.

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Ela ri. – O que é tão engraçado? – digo, olhando para baixo. – Nada. É apenas... Eu esperei tanto tempo e estou nervosa... – sua voz desaparece. Eu me estico e seguro a cabeça dela, beijando-a. – Eu também. Eu me sinto como uma adolescente com você. Ela se inclina e me leva em sua boca, sua mão bombeando meu pau, enquanto ela me explora com longas lambidas, se abaixando com seus lábios até que eu sinto o aperto de sua garganta. Jogo a minha cabeça para trás, sem estar preparado quando ela acaba comigo, enviando meu coração para uma prorrogação enquanto ela me chupa. – Porra... Rose. Ela geme, e eu a deixo me chupar mais algumas vezes antes de me afastar. Eu quero saboreá-la... estar dentro dela. Eu a levo de volta para a colcha e a beijo novamente. Ela se levanta, querendo mais enquanto desço seu corpo, não parando até que ela esteja esticada na minha frente. Meus lábios a exploram, a curva do joelho, a curva dos quadris e a inclinação do pescoço. Parte de mim quer pegá-la com força porque parece que eu esperei para sempre, mas o outro lado de mim quer ser gentil. Eu não sei qual vai ganhar. Eu a rolo para o lado dela e presto atenção especial à tatuagem no topo das costas dela, a que tem o meu número antigo dentro da borboleta. Minha língua traça o contorno, meus lábios acariciando a sua pele acetinada. Agarrando o seu quadril, meus dedos deslizam até a sua fenda e os penetro nela. – Você está tão molhada, Amor. Ela geme enquanto minha boca segue, provando-a. Ela chama meu nome e separa suas pernas, levantando-se para mais perto, enquanto a penetro com os dedos, alcançando seu ponto G.

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– Você gosta? – digo em sua boceta com a minha língua brincando com seu clitóris. – Não pare. – ela murmura com uma dificuldade em sua voz. Eu nunca posso negar nada a ela. Acaricio a minha língua sobre ela, pegando sua protuberância e chupando forte, enquanto ela grita meu nome e se quebra, suas paredes apertando em torno dos dois dedos que eu tenho dentro dela. Ela cai de costas contra os travesseiros. – Ninguém nunca fez isso. Meus olhos brilham, e porra, eu não quero dizer o nome dele, mas um milhão de perguntas queimam em minha mente. Ela olha para baixo, obviamente envergonhada. – Eu nunca quis que ele fizesse isso. Eu afasto os pensamentos dele e me concentro nela. – Temos muito mais para fazer. – eu sorrio. – Você tem camisinha? Ela acena e me diz onde elas estão, então, corro para pegá-las. Em dez segundos, estou de volta ao forte e os seus braços estão abertos. – Demorou muito tempo. Eu rio e relaxo entre suas pernas, e em seguida, me viro, a colocando em cima de mim. – O que você está fazendo? – ela diz suavemente. – Isso. – eu a separei com meus polegares e a coloco no meu pau, gemendo ao sentir seu aperto em meu pau, enquanto deslizo para dentro dela. Sim. Isso. Ela geme e arqueia as costas enquanto agarro os seus quadris e bombeio. Seus seios pulam com cada impulso, mamilos apontando para mim, e abro meus lábios neles com a minha língua provando seu suor e meu nariz inalando sua pele. Ela é linda.

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Ela é tudo. Nós nos movemos um no outro, meu pau deslizando quase todo o caminho para fora e depois de volta. O som da nossa reunião de pele é inebriante, me empurrando mais forte. Ela ofega e grita quando empurro mais forte, ficando mais profundo, querendo que cada centímetro seja envolvido por ela. Tudo desaparece e tudo que vejo é ela. Eu quero queimar rápido e arder. Ela parece ter a mesma urgência, como se esse momento pudesse ser o último. Eu a viro de costas e deslizo de volta para dentro, a breve ausência suficiente para fazê-la ofegar com o contato renovado. Eu tomo o controle, entrando e saindo dela, forte e rápido. Eu ponho a perna dela por cima do meu ombro. Mais. Minha mão livre encontra a sua boceta e brinca com o seu clitóris, o acariciando ao ritmo dos meus impulsos. – Você é minha. – murmuro com a voz rouca. Eu mordo a palma da mão dela e grunho quando eu a faço gozar, o movimento frenético, mais intenso quando ela se aproxima com as pernas me apertando ao redor. – Para sempre. Sempre. Sempre. – digo com a minha voz como cascalho. Eu me empurro dentro dela mais rápido, sentindo o formigamento na base da minha coluna. Nós transamos como animais e estou prestes a gozar. O suor escorre pelo meu rosto e cai em seus seios. – Goze para mim. – eu me afasto, torcendo o seu mamilo com os dedos. Seus olhos estão selvagens quando ela se separa novamente, seus músculos ordenhando meu pau e me enviando para a felicidade com ela. Com o meu coração ainda disparado, caio ao lado dela com as minhas emoções em todo o lugar. Isso foi... tão incrível. Ela se vira até que estamos deitados cara a cara com as nossas pernas entrelaçadas. Uma expressão preocupada cruza em seu rosto.

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– O que há de errado? – digo, passando a mão pela sua bochecha. Ela morde o lábio. – É sempre assim com você? Assim... intenso? A satisfação me preenche e eu sorrio. – O melhor que você já teve, hein? Ela revira os olhos e me coloca no braço, me fazendo grunhir. Não faz mal, claro, mas gosto de fazê-la sorrir. – Talvez. – ela admite quando levanta a cabeça com o cotovelo. – E quanto a você? Eu fui a melhor? Eu fico sério enquanto olho em seus olhos. – Tudo é diferente com você. Eu nunca fiz sexo com alguém com quem eu me importava, então sim, foi incrível. Inferno, geralmente agora estou vestido e saio pela porta. – o meu coração aperta. – Eu não vou ir embora... a menos que você queira.

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Capítulo Vinte e Quatro Rose Na manhã seguinte, acordo antes de Spider. Em algum momento da noite, deixamos o forte, apagamos as velas e nos mudamos para a cama. Dormimos encolhidos um ao lado do outro e de costas para o peito dele. Durante as primeiras horas, senti seus lábios encostarem no meu ombro, quase reverentemente... esperançoso. Mas esta manhã, enquanto olho para o brilho do sol entrando pelas persianas, a culpa está se formando, especialmente quando eu verifico meu celular. Eu passo os olhos nas mensagens de textos. Todas elas são de Trenton. Você está bem? Enviado em torno do tempo que as luzes devem ter se apagado. Seu apartamento fica a cinco quarteirões daqui, mas imagino que todas as sirenes e reportagens provavelmente o tenham alertado sobre o blecaute. Outro foi enviado alguns minutos depois, provavelmente no tempo em que o Spider bateu na minha porta.

Rose, eu sei que você está acordada. Você está aí? Você está assustada?

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Então, outra meia hora depois, Ok, você deve estar dormindo. Boa noite. Eu te amo. – Tudo bem? – Spider murmura, levantando-se para espiar por cima do meu ombro. Seu cabelo está em toda parte com um pequeno sorriso em seus lábios carnudos. Eu coloco meu celular para baixo e tento afastar os pensamentos de Trenton para longe. Eu olho para Spider enquanto ele esfrega os olhos e se alonga. Ele parece... sexy. Eu pego um vislumbre de seu peito largo das cobertas e tudo que quero fazer é me jogar em cima dele. Mas, eu não posso. – Tudo está ótimo. – eu digo brilhantemente. Mas, isso não é verdade. Eu estou preocupada com Trenton e no que fiz. Eu saio da cama, envolvendo o edredom em torno do meu corpo nu, enquanto eu corro para o banheiro. – Ei, volte aqui, mulher. Eu não terminei com você. – sua voz está me provocando, e isso me faz sorrir um pouco. Vou para a minha cômoda, sentindo-me deliciosamente dolorida. – Eu tenho uma aula em algumas horas. Preciso tomar banho e sair daqui. Não estou olhando para ele, mas sei que ele está me observando. Eu o ouço rondando quando ele se senta na cama. – Rose? – Sim? – vasculho a minha gaveta de roupas íntimas com os meus dedos nervosos pegando o que eu puder encontrar. Eu pego o cetim branco - puro e ingênuo... destinado a meninas que não traem seus namorados. – Você está bem? Eu olho para ele enquanto ele se levanta em sua glória nua, o sol criando um efeito de halo em torno de sua cabeça.

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Eu pisco com a magnificência dele. Além das tatuagens incríveis que ele tem, seu peito é bronzeado e ondulado com músculos. E o V delicadamente esculpido que leva até a cintura é malditamente perto do pedaço mais bonito de carne que eu já vi. Ele direciona o meu olhar direto para o seu pênis, que atualmente está longo e grosso. Minha boca o quer chupar. Meu corpo vibra, precisando dele novamente. Ele é sem dúvida a criatura mais linda que eu já tive. E eu o tive com certeza. Eu o quero de novo. Agora mesmo. Uma sensação de remorso me atinge. Eu sou terrível! Eu deveria encontrar o Trenton para jantar hoje a noite. Como vou poder enfrentá-lo? Spider se aproxima de mim e apoia a palma da mão na parede atrás de mim com inquietação em seu rosto. – Você está se arrependendo? Esse homem me fez apaixonar por ele e depois foi embora. – Não tenho certeza se posso confiar em você, Spider. Você me deixou. Ele olha para a rosa em sua mão. – Eu te deixei para respirar. A emoção obstrui minha garganta e eu me afasto dele, saindo de seu alcance. Ele me traz de volta, agarrando minha mão e entrelaçando nossos dedos, sua expressão passando do desconforto para a determinação. – O que está errado? Eu mordo meu lábio. – Estou com pressa... Eu tenho um teste que eu realmente deveria estudar. Ele passa a mão pelo meu pescoço. – Não me faça implorar para passar mais tempo com você.

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– Spider... Ele me interrompe e me beija, sua língua entrelaça com a minha, enquanto a sua mão desliza sob o edredom e cobre a minha bunda, me puxando para ele. – Isso... é isso que eu quero. Me diga que você também me quer. – Eu quero. – gemo. Todo pensamento coerente voa pela janela. Ele sabe que me tem.

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Capítulo Vinte e Cinco Spider Com meus óculos aviadores espelhado azul e um boné de beisebol dos Yankees sobre meus olhos, sinto-me bastante incógnito enquanto saio do prédio e caminho pela rua até a padaria para pegar a Rose e tomar um café da manhã. Paro na esquina e vejo um homem mais velho, maltrapilho, sentado em um velho caixote de leite e tocando um ukulele¹6. Ele tem um olhar faminto sobre ele com feições magras e um pouco de barba grisalha até o pescoço. Seus olhos estão vermelhos e turvos. Ele poderia ter sido eu algum dia. O pequeno vira-lata que descansa ao lado do homem da música late para mim, como se estivesse lendo meus pensamentos, me fazendo sorrir. Eu paro na frente dele, me aproximando, mas determinado a ficar e ouvir enquanto o velho toca uma pequena melodia que soa familiar, embora eu não possa reconhecer. Deixo cair cem dólares no seu estojo aberto. Ele olha para mim. – Que você encontre alegria e felicidade hoje. Eu aceno, virando-me para responder a ele enquanto me afasto. – Já tenho, e ela é linda. Eu corro até a padaria e pego algumas coisas que eu acho que ela gostaria - dois sanduíches de croissant com ovo e bacon, vários bolinhos de mirtilo e dois muffins de morango. No impulso, pego alguns biscoitos de chocolate recém-assados. Nós comemos pouco ontem à noite, e eu, por exemplo, estou morrendo de fome. – Ei, eu não te conheço? – a balconista me pergunta enquanto pago em dinheiro.

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– Não. Ela estreita os olhos, observando-me enquanto pega os biscoitos e os adiciona ao saco de guloseimas. Ela olha a tatuagem no meu pescoço. – Você se parece com aquele cara, o Spider do Vital Rejects. – Quem? – pergunto, colocando uma expressão confusa no meu rosto. Ela inclina a cabeça. – Sim, você é como seu sósia. Apenas me dê o meu troco, eu penso. Ela se inclina conspiratoriamente. – Você pode me dizer. Eu não vou contar a ninguém. Eu suspiro. – Sim, eu sou o Spider. – afinal, é bastante óbvio com a tatuagem. – AH, MEU DEUS. – ela grita. Eu levanto as minhas mãos, fazendo sinal para ela se acalmar. As pessoas estão olhando. Ela lambe os lábios e joga uma mecha de cabelo por cima do ombro. – Ei, você sabe, você é meu passe livre. Minha testa franze. – Isso é algum tipo de café grátis? Ela ri. – Não, isso significa que vou transar com você e o meu namorado tem que estar bem com isso. Pisco, olhando para ela agora, em vez de salivar sobre a caixa da padaria. Ela é uma loira escultural com belos traços e um par de seios firmes. – Eu não fodo pessoas aleatórias. – eu digo. Não mais. Ela levanta uma sobrancelha. – Não com todos esses trapos de supermercado. – ela pega um bloco de anotações, rabisca algo nele e joga na sacola - seu número de telefone, sem dúvida.

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Respiro com a minha boca contraindo. Eu o pego e entrego de volta para ela. – Eu não quero isso. Um olhar mal-humorado cruza seu rosto. – Tudo bem, eu só pensei que você estaria nisso, é tudo. Eu poderia ter estado há dois anos, mas não agora. Alguns minutos depois, volto para o apartamento da Rose com as sacolas e ela está olhando para mim incerta. Imagino que ela esteja pensando em Trenton e no que vem a seguir. Estou aterrorizado francamente. Eu quero que ela me diga que ela nunca mais o verá, mas há uma distância em seus olhos que me dá uma pausa. Eu passo meus olhos por cima de sua calça casual cinza de yoga e camiseta da NYU. Ela tira o fôlego. – Você está linda. – Obrigada. – ela sorri hesitante enquanto abro seus armários e pego pratos para os doces. Nós comemos juntos, ambos quietos. Eu estou nervoso; ela está nervosa. Alguns momentos passam enquanto a sala se enche de silêncio. Eu a vejo comer o bolinho, meus olhos em seus lábios perfeitos, o jeito que o cabelo dela cai sobre o ombro. Meu pau está duro, e tudo o que posso pensar é esticá-la sobre a mesa. Eu digo a mim mesmo para relaxar. Eu não quero sobrecarregá-la. Ela olha para mim enquanto mastiga. – Fizemos sexo e agora as coisas estão esquisitas. Eu engulo a última mordida de um croissant. – Sei como não ficar esquisito. – Ah? – ela arqueia uma sobrancelha. – Vamos fazer de novo. – digo com um pequeno rosnado. Ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha e solta um suspiro trêmulo.

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– O que você está pensando? – pergunto, inclinando-me sobre a mesa para limpar uma migalha de sua bochecha. Ela não fala, mas seus olhos estão baixos e seus cílios tremulando. – Diga-me o que você está pensando. – a minha voz está quase implorando. – Eu te quero tanto que não posso respirar. Não consigo pensar direito... Ela não consegue terminar a frase. Eu a pego em meus braços e a levo de volta para o quarto.

16. ukulele: o instrumento musical.

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Capítulo Vinte e Seis Rose EU SOU UMA PESSOA HORRÍVEL. Uma traidora. Uma mentirosa. Eu me sento no metrô e o meu estômago se agita, enquanto esfrego a minha testa. Tudo que eu penso é o meu tempo com o Spider. Sobre como tivemos momentos sensuais em todo meu apartamento hoje. Ele é inebriante. Fascinante. Encantador. Hipnotizante. Ele é tudo em que posso pensar. Está acontecendo de novo e estou com medo de que ele vá me arruinar. O metrô ressoa e eu olho para cima para perceber que é minha parada. Trenton... Deus. Meu estômago revira quando penso em como contar a ele. Entro na sala de sua empresa dentro do enorme prédio de escritórios e paro na recepção que fica no centro da sala. O lobby tem duas janelas, cada uma decorada com poltronas personalizados. Ao longo da parede

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há uma fileira de cadeiras confortáveis e de aparência formal em estilo Queen Anne, cheirando a dinheiro velho e tradição familiar. Isso me lembra de Highland Park. A recepcionista se vira com papéis, então, pigarreio para chamar sua atenção. Ela se vira para me encarar e eu dou uma olhada. – Aria? – minha voz está surpresa, e estou bastante certa de que minha boca pode estar aberta. A última vez que ouvi do Trenton, ela ainda estava no Texas e frequentava a faculdade. Sim, ela é prima dele, mas ele raramente a vê, exceto nos feriados, quando estavam nas mesmas reuniões de família. Evitei qualquer evento em que soubesse que ela estaria, mas a vi uma vez em um casamento de outra prima. Nós mal nos falamos, o que foi fácil o suficiente para fazer, uma vez que estava lotado. Por que ele não me disse que ela se mudou para cá? Ela ainda é linda, é claro, com o cabelo castanho mais curto e cortado em um estilo reto. Vestindo uma saia lápis vermelha curta e uma camisa de botão estampada, ela parece incrível. Eu olho para as minhas calças de yoga e moletom. Estou praticamente como uma andarilha comparado a ela. – Olááááá, Rose! – diz ela, arrastando a saudação em seu suave sotaque sulista. – Comecei na semana passada. Trenton não te contou? – ela levanta uma sobrancelha. Eu sacudo minha cabeça. Sua risada tilintou no escritório com janelas escuras, irritando os meus nervos. – Bem, aqui estou eu... a nova funcionária do escritório. – ela estende os braços e faz uma pirueta completa em seus sapatos pretos. Eu concordo. – Trenton tem estado tão ocupado com esse novo caso, acho que ele esqueceu de me dizer. Ela sorri com firmeza, sem me mostrar seus dentes, seus olhos passando pela minha roupa e aterrissando diretamente no meu Converse vermelho. – Você tem algo em seu moletom aí. – diz ela, apontando para

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mim e entreabrindo os olhos com uma expressão no rosto como se ela cheirasse algo ruim. Eu olho para baixo e vejo uma pequena mancha branca, que eu acho que é o açúcar do muffin que o Spider me trouxe esta manhã ou, mais embaraçosamente, minha pasta de dente. Parece o Highland Park mais uma vez, e estou de volta a minha gordurosa pólo do Restaurante do Jo. A tensão que sempre esteve entre nós aparece e eu suspiro. Eu correspondo o seu sorriso tenso. – Então, o pai de Trenton te deu esse emprego? Não conseguiu encontrar mais nada na cidade? – Somos uma família e nos unimos. – ela suspira, colocando a mão em seu coração, mostrando um enorme anel de noivado de diamante. – Tenho sorte de ter minha família de verdade, sabe? Tantas pessoas não têm nos dias de hoje. Meus dentes rangem com a insinuação. Ela se inclina sobre o balcão. – Claro, espero que possamos superar nossas diferenças. Trenton é meu primo e quero que sejamos amigos. – Eu não achei que tivesse o pedigree certo para ser sua amiga. Ela encolhe os ombros. – Acabamos de nos mudar para cá e tenho certeza de que o Trenton vai querer sair com a gente. Esta é uma cidade bastante grande e somos uma família. – Nós? – meus olhos pousam em seu diamante novamente, quase cega pelo tamanho dele. Ela sorri amplamente e estende a mão. – Garrett, claro. Vai ser um casamento no verão depois que ele terminar o primeiro ano de faculdade de medicina aqui. As minhas mãos se fecham, mas disfarço bem, sorrindo. – Esplêndido. Agora vou ver o Trenton.

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Ela grita atrás de mim enquanto vou até seu pequeno escritório, mas eu a ignoro, abrindo a porta. Ele está de pé atrás de sua mesa, seu cabelo loiro e avermelhado bagunçado como se ele passasse as mãos por ele várias vezes. Sentada em uma cadeira ao lado de sua mesa está sua assistente Vivien, uma senhora elegante de cinquenta anos que conheci na primeira semana em que ele começou. Papéis e pastas enchem a sala. – Rose! – seu rosto está preenchido com uma carranca quando ele me vê e a Aria bem atrás de mim. – Eu disse a ela que você estava ocupado, mas ela me ignorou. – diz Aria. Ele acena para ela por cima do meu ombro. – Está bem. Eu posso dizer oi para a minha garota. – Oi. – eu digo, entrando na sala e ficando um pouco animada de fechar a porta no rosto de Aria. Ele vem ao redor da mesa de carvalho e me encontra no meio do caminho, me dando um abraço. – Agora há uma visão para os olhos doloridos. – ele me beija profundamente nos lábios, e eu reflexivamente o beijo também, me sentindo errada - horrivelmente, terrivelmente errada. Vivien diz oi, e seu olhar imediatamente se volta em seu trabalho. – Então, e a Aria? Isso é uma novidade. Ele sorri. – Claro, desculpe, esqueci de te contar. Eu espero que possamos resolver as coisas com eles... se você estiver confortável com o Garrett. Confortável? Ele é um babaca. Eu franzo a testa. – Eu não estou. Ele acaricia sua mão pelo meu braço. – Eles estão comprometidos, então ele fará parte da minha família. Talvez, devêssemos dar uma chance para ele.

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Começo a dizer algo, mas fecho a boca quando percebo que, a essa altura, Garrett é um ponto discutível. Há uma razão pela qual estou aqui e não tem nada a ver com a Aria ou o Garrett. – Olha, me desculpe por não ligar primeiro, eu só... precisava falar com você. Talvez, você possa fazer uma pausa e possamos ir ao café do outro lado da rua? Ele verifica o seu relógio com um olhar de pesar em seu rosto. – Pode esperar? Este cliente virá amanhã para uma conferência, e acabamos de receber algumas adições de última hora do gerente de investimentos, para que não estejamos despreparados. – ele me beija na testa. – Eu prometo a você, uma vez que os próximos dias acabem, que eu ficarei com você, mas você tem que me deixar fazer isso. Eu mexo na minha mochila, sem encontrar os seus olhos. – Nós precisamos conversar. Ele inclina o meu queixo para cima com os olhos azuis me observando e franzindo a testa. – Alguém está morrendo? Está todo mundo bem em Dallas? – Isso é sobre nós, Trenton. Impaciência cruza as suas feições esculpidas. – Estou no trabalho, Rose. Este trabalho é novo e a Vivien e eu temos um prazo final. Vivien pigarreia e ele dá um passo para trás em sua direção. – Vou te mandar uma mensagem depois. Jantar, talvez? Concordo. – Vou aparecer em seu apartamento e podemos pedir. Ele acena para mim distraidamente, já voltando para a sua mesa. Dou a eles um olhar final, embora nenhum deles perceba. Pegando minha mochila no meu ombro, eu cruzo a sua porta e saio para o escritório principal.

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Capítulo Vinte e Sete SpideR Onde você está? Eu cliquei mandando a mensagem de texto para Rose enquanto eu estava sentada dentro de uma livraria pequena e mal iluminada ao lado do nosso prédio. Tento não deixar o pânico me consumir, mas quando ela me disse na casa dela que iria falar com o Trenton depois da aula, a preocupação tomou todo o espaço na minha cabeça. Ela disse que iria terminar com ele, mas havia dúvida em seu rosto. Foi a dúvida sobre o Trenton ou eu? Porra. Eu não sei. Estou preocupado. Eu só a quero de volta e em meus braços. Isso é tudo. Ela é uma maldita flor e eu quero abrir cada pétala, uma a uma. Sebastian se senta à minha frente e bebe uma cerveja. Nós dois estamos usando bonés e óculos aviadores e mantendo o queixo baixo. Talvez, os óculos de sol sejam demais à noite, mas há coisas mais estranhas nesta cidade. Sebastian já teve um grupo de repórteres de alguma forma tirando uma foto dele em sua varanda no Hotel Madison. Rocco e Max estavam saindo na casa de um amigo até o show. Mila, nossa garota de relações públicas, caminhando de onde ela estava procurando algum tipo de livro de romance. Lembro-me de como pedi a ela que aparecesse naquele dia em que a Rose apareceu no meu apartamento em Dallas. Eu sabia que a Mila tinha uma queda por mim e eu a explorei, pedindo a ela para fingir que fizemos sexo e para colocar a saia detrás para frente. Claro, ela concordou e, bem... o resto é história.

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Nós bagunçamos um pouco em LA, mas era meio indiferente, e nunca transamos. Quando ela percebeu que eu estava usando ela para afastar a Rose da minha cabeça, ela seguiu em frente, e está namorando atualmente uma estrela da música country. Vestida com sua roupa habitual - uma minissaia rosa e uma camisa branca, ela bate um livro de poemas sobre o amor na mesa. – Se ela ama Jane Eyre e quer conquistá-la, é melhor você ler. Talvez, leia alguma poesia para ela. – ela ri com os seus olhos observando as pessoas ao nosso redor, certificando-se de que ninguém está ouvindo. Ela é a nossa pequena buldogue e se esforça para nos proteger. – Eu sei como cortejar. – levanto as minhas sobrancelhas. Sim, eles sabem que dei a ela o livro, mas não contei sobre a nossa noite juntos. Eu nem sequer lhes disse que ela é minha vizinha. Eu não sei porque não posso admitir a felicidade que estou sentindo. Talvez, seja porque eu tenho medo de falar muito sobre isso, que ela vai desaparecer. Como a Cate e a mamãe. O pensamento de perdê-la novamente... me esmaga. Mila engasga. – Por favor, não me fale sobre sua vida sexual. Eu posso vomitar. Eu sorrio. Mila me encara, como se ela estivesse tentando me entender. – Você a ama. – diz ela, com uma expressão satisfeita no rosto. – O poderoso Spider se apaixonou. Eu pisco. – Não sei o que você quer dizer. – Só não posso dizer a palavra com A, não é? – Sebastian sorri quando ele toma a sua cerveja. Eu tomo um gole da minha água com gás. – Não estamos tão em contato com nossos sentimentos como você está. – mas ele está certo. Eu não uso a palavra amor. – Pena. – Cai fora, babaca.

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– Cai fora você. – ele diz. Eu rio. – Você nem sabe o que significa. – Isso não significa erva? – ele pergunta com um brilho nos olhos. – Não, babaca. Mila se senta ao meu lado. – Eu amo todos os seus palavrões, mas babaca é a minha favorita. – ela diz. Eu rio e ela me dá um soco no meu punho. Ela envolve um braço em volta de mim e me dá um abraço de lado. – Estou feliz que a viu. Você já decidiu o que vem depois? Você vai convidá-la para sua exposição de arte? – ela sorri. Eu a abraço também e a beijo na bochecha. – Sim. Eu não vejo a Rose entrar no bar e nos observar. Eu não a vejo quando ela sai.

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Capítulo Vinte e Oito Rose Estou quase de volta ao apartamento quando meu olhar vai para as luzes do bar e da livraria do outro lado da rua. Um ponto de encontro favorito, eu costumo parar depois das aulas para conferir seus livros e assados. Não é uma típica livraria, é escura e aconchegante e serve ótimos biscoitos assados. Eu decido entrar e pegar um pretzel... ou dois. Talvez Spider esteja em casa e eu compartilharei com ele. Eu sei que o show dele é amanhã à noite, então é possível que ele esteja ensaiando até tarde, mas você nunca sabe. Meu celular está morto ou eu mandaria uma mensagem e perguntaria a ele. Eu vou para dentro e chego ao bar enquanto uma risada familiar me chama a atenção. Tirando o meu pretzel da caixa, viro meus olhos aterrissando nas costas e nos ombros de Spider. Um boné na maior parte esconde o cabelo, mas eu sei disso. Uma morena bonita em uma saia super curta está inclinada em seu espaço. Outro cara fica um pouco longe deles, também com um boné. A garota. Eu a conheço. Meu estômago cai e náuseas se agitam enquanto a vejo abraçar o Spider. Ele coloca as mãos nos ombros dela e beija sua bochecha. Minha respiração para - inferno, o mundo todo para. Há algo entre eles, uma facilidade que fala que estão muitos anos juntos.

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Lambo os meus lábios, sentindo tontura com o meu coração aberto e sangrando. Eu reproduzo a memória que tenho dela... ela sai do prédio dele com a saia para trás... isso me diz que ele acabou de foder com ela. – Ei, você está bem? – pergunta o caixa que entregou meu pretzel. Eu engulo e aceno com a cabeça, as lágrimas ardendo em meus olhos, palavras furando a minha garganta enquanto me inclino contra a parede. Em um borrão de movimento, corro para fora da porta e para a noite.

Eu chego em casa em transe. Às nove, meu celular está carregando e vibrou com mensagens do Trenton perguntando se eu estou indo e várias do Spider querendo saber onde estou. Eu ignoro todas elas. Anne tenta me ligar e eu caio em declínio. Alguns minutos depois, ela me envia um texto dizendo que eles estão vindo para Nova York em poucos dias. Eu não me importo. Só quero me enclausurar e esquecer o que vi esta noite. Eu como forçado o pretzel e bebo um copo de vinho... e depois outro. Logo eu tenho a garrafa na mesa de café para poder beber direto dela. No momento em que Oscar chega em casa, por volta das dez, estou empilhada no sofá com um cobertor de pele sobre mim, apoiada em travesseiros, chorando por um filme no Lifetime.

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Ele se senta e coloca o braço em volta de mim. Eu liguei para ele mais cedo no seu intervalo e contei tudo a ele. – Estou aqui, menina. É hora de uma intervenção do Oscar. Eu aceno para ele para ficar quieto, embora eu realmente não queira que ele faça isso. Eu preciso de alguém para conversar, mas estou com medo de encarar a verdade: Spider estava saindo com a garota de Dallas. Quem é ela para ele? Por que ele a beijou? Por que eles pareciam estar juntos há muito tempo? Ele sempre me disse que não tinha muito tempo com garotas... mas obviamente ela é diferente. Oscar me considera. – Acho que você precisa parar de se esconder aqui e crescer garota. Funguei. – Pode esperar? O herói está prestes a descobrir que a garota teve o bebê dele secretamente dez anos atrás. – Você está assistindo a porra da TV para evitar seus problemas. Eu acredito que em suas aulas de psicologia que eles chamam isso de evitação clássica. Eu pego um lenço e bufo. – Você está lendo meus livros novamente. Ele encolhe os ombros. – Ele está bem ao lado. Você precisa ir até aquele apartamento e perguntar o que está acontecendo. – Mas eu não deveria terminar Meu bebê secreto do pai bilionário? Ele pega o controle remoto da mesa de café, desliga a TV e me dá um olhar sério. – Agora eu nunca vou saber o que acontece! Oscar não está comprando nada disso. – Talvez, o que você viu não seja como realmente é. – Ela estava abraçando todo ele. – eu digo. – E ele estava olhando para ela como se importasse com ela. – minha voz desvanece. Deus. Eu tenho que saber. Eu preciso chegar ao fundo disso.

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Com uma expiração profunda, eu me levanto, arrumando as minhas calças de ioga e camisa amassada. Não estou usando muita maquiagem e meu cabelo está em um topete solto que há muito tempo decidi colocar para o lado. Eu vou para a porta. – Espere! – Oscar grita. – Você não pode ir até lá assim. Pelo menos calce os sapatos e penteie o cabelo. – Por quê? – Porque você cheira a vinho e parece uma andarilha. – ele move os olhos para a garrafa de chardonnay na minha mão. – Pelo menos deixe o vinho aqui. Eu tomo um gole. – Eu não quero perder minha alegria. Ele se agita ao meu redor, prendendo o meu cabelo e limpando os meus olhos. – Só me deixe limpar esse rímel. Coloquei o meu Converse e caminho para fora da porta, me estabilizando contra as paredes do corredor. Estou um pouco bêbada e eu não me importo. Eu bato na porta dele e ela se abre. É ela. Às dez horas da noite. Em seu apartamento. Se isso não é mais evidente do que antes, então não sei o que é. Ela abre a porta cerca de dois centímetros, em seguida, lentamente, ela se fecha enquanto ela me olha com cautela. Eu bufo. Claramente ela está desconfiada de mim. Seus olhos passaram sobre mim, arregalando ao ver a garrafa na minha mão. – Você está entregando a comida chinesa?

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– Pareço que tenho comida chinesa? – murmuro, com a palavra comida saindo como sangue. Sua testa franze, mas isso não tira a sua beleza. – Eu conheço você? Eu a empurro. Ela deveria me conhecer de Dallas, mas é provável que eu pareça diferente com meu cabelo acobreado com um nó e minhas roupas desarrumadas. Além disso, ela provavelmente não prestou muita atenção em mim como fiz com ela. Ela estica o pescoço para o corredor e verifica cuidadosamente. – Como você chegou até este andar? Eu a ignoro e fecho a minha boca, olhando com desdém para as migalhas que caem na minha mão. Oscar estava certo - pareço uma andarilha. Mas eu não dou a mínima, minha mente grita. Aponto meu dedo para ela, usando a mão que segura a garrafa. – Eu quero ver o Spider. Agora. Ela franze a testa como se estivesse confusa e vai mais longe para bloquear minha visão no apartamento. – Eu não sei quem é. – Mentirosa. Eu sei que ele vai ficar aqui. Ela estreita os olhos para mim. – Sugiro que você saia antes que eu chame a polícia. Eu rio. – A última coisa que ele quer é um relatório policial sobre uma briga de garotas dentro do seu prédio. Ela inclina a cabeça. – Você parece muito familiar... Não a deixo terminar, em vez disso, empurro a porta. Ela empurra para trás e nos debatemos para frente e para trás. Eu penso brevemente que provavelmente vou me arrepender disso de manhã, mas agora, eu não me importo.

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Eu tenho álcool e Converse do meu lado enquanto ela é pequena com um par de tamancos rosa que parecem pertencer a uma criança de dez anos de idade. Eu a empurro para o lado e marcho para a sala de estar do apartamento enquanto ela puxa meu braço. Eu o sacudo. É fácil, especialmente porque estou correndo com adrenalina e pura raiva. Uma rápida olhada ao redor do apartamento dele mostra um quarto vazio e a cozinha. Roupas estão por toda parte, algumas penduradas em plásticos de limpeza a seco. Partituras se espalham pelo chão junto com telas de arte em branco. Paro um pouco sobre elas, pensando sobre elas, mas fico concentrada em um cardigan rosa macio pendurado na cadeira da sala de estar. Eu me encolho, sabendo que é dela. Eu viro ao redor. – Onde ele está? Ela me dá um olhar lívido enquanto pega seu celular. – Você está invadindo, e eu estou chamando o porteiro. Eu vou deixar ele lidar com você. Eu bato no celular da mão dela. Ela realmente não é páreo para mim, não com as aulas de autodefesa que eu ainda tenho e a raiva queimando no meu estômago. – Onde ele está? – deixo escapar as palavras. – Apenas me diga. Ela dá uma respiração trêmula e por um momento vejo medo cruzando seu rosto, mas então ela parece se recuperar, sua determinação se fortalecendo enquanto ela circula em volta de mim, me impedindo de me mover mais para dentro do apartamento. Meus olhos vão para o quarto e meu coração se parte. Ela endireita os ombros. – Ele está no chuveiro. Feliz? Meus olhos voltam para o quarto, e o silêncio ensurdecedor me permite ouvir a água caindo. Um momento depois, para de cair. – Você precisa ir agora. – ela diz, me enxotando com as mãos como se eu fosse uma mosca errante que ela quer que saia do apartamento.

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A voz de Spider grita do quarto. – Ei, deixei as minhas coisas na lavanderia. Seja um amor e me traga algumas boxers, sim? Por favor? – ele ri, o som vindo para onde estamos. Eu me sinto estranha como se eu não estivesse realmente na sala, mas em um filme assistindo a garota perceber que o herói realmente é um idiota. Eu não posso mais evitar a verdade. Eu ainda o amo muito. Eu não sei como é possível, mas desta vez dói mais. Isso martela o meu coração um pouco mais forte, um pouco mais profundo. Eu esfrego o meu peito, me sentindo mal. Como se eu pudesse vomitar. Nós fizemos amor. Ele disse que eu era dele. Não, isso foi apenas foda para ele. Leopardos não mudam seus costumes. Comportamento passado é o melhor profeta para um comportamento futuro. Amá-lo é inútil, e se há uma coisa que sei que é verdade, é que não mereço esse tipo de amor. Cardigan rosa me encara. Ela está no celular falando com alguém. – Eu chamei o porteiro lá embaixo. Ele está subindo. Sem outra palavra, eu tropeço para fora da porta que ela ampliou para mim, então ela bate atrás de mim. Desesperadamente, ando os poucos passos de volta ao meu próprio apartamento, a minha bravura se foi e o meu espírito está quebrado. Eu abro a porta e entro.

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Capítulo Vinte e Nove SpideR No dia seguinte, por volta das onze, bato na porta da Rose, mas ninguém responde. O show é hoje à noite e eu tenho uma tonelada de coisas para fazer, mas estou ansioso para ver o rosto dela. Eu estou querendo saber se ela pode vir nos ver correr pelo nosso set. Eu quero contar a ela sobre a minha próxima exposição de arte e talvez apresentála ao resto da banda. Estou preocupado quando fico lá e bato. Ontem à noite, eu bati na sua porta depois que a Mila deixou a minha roupa, mas Oscar atendeu e disse que a Rose estava doente e não queria me ver. Eu queria invadir e checá-la, especialmente desde que ela não respondeu a nenhum das minhas mensagens de textos anteriores, mas o rosto sério do Oscar me fez parar. Algo parecia fora do lugar, mas eu não pude apontar para isso. Isso me fez me preocupar com o Trenton e o que aconteceu entre eles. Eu decidi dar a ela algum espaço, então me afastei e voltei para a minha casa. Não foi até esta manhã no chuveiro quando eu estava pensando na noite, especialmente na parte sobre a garota aleatória que apareceu bêbada no meu apartamento, que tudo fez sentido. Mila mencionou que a menina parecia familiar, mas ela não podia lembrar dela. Ela assumiu que ela era uma das groupies que nos seguem de cidade em cidade, tentando encontrar maneiras de entrar em nossos quartos de hotel e casas. Uma vez em Los Angeles, uma garota até se escondeu no meu carro e dormiu lá, surpreendendo-me quando entrei para ir ao estúdio no dia seguinte. Mas...

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E se essa garota aleatória tivesse sido a Rose? Quer dizer, eu não disse a Mila que ela morava no apartamento ao lado e se a Mila abriu a porta para a Rose antes que eu tivesse a chance de explicar a ela sobre Dallas... Com um nó no estômago, eu bato na porta dela novamente, desta vez com mais força. Eu não recebo nada além de silêncio. Puxando meu celular, eu digito um texto rápido para ela. Você está em casa? Você está se sentindo melhor? Agitado, eu me inclino no corredor e espero por sua resposta, mas não recebo nada. Passei a mão pelos cabelos e andei pelo corredor, imaginando o que fazer a seguir. A garota que apareceu na minha porta está realmente me incomodando... parece sinistro, e eu quero me livrar disso. Eu tenho que saber se era a Rose. Mando outra mensagem de texto. Você veio ao meu apartamento ontem à noite? Sim, é a resposta imediata. Eu a vi. Porra. Pavor está no meu estômago enquanto imagino a cena do jeito que a Rose poderia ter percebido. Não é boa. Não é o que você pensa, digo a ela. Eu posso explicar, mas não através de mensagem de texto. Abra a sua porta. Eu estou na biblioteca. Estou desligando meu celular. Adeus. Eu bato minha mão na parede e empurro, me sentindo frustrado. Eu não sei o que está acontecendo com ela. Ela está com raiva? Ela vai me deixar explicar? Porra! Talvez, eu deva ir à biblioteca e encontrá-la. Estou assumindo que é a biblioteca da NYU, mas não tenho certeza. Pode ser qualquer

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biblioteca. Ansioso e nervoso, eu decido que não está ajudando ficar por perto, então me movo e saio para executar minhas incumbências. Minha primeira parada é na galeria de arte no Soho, onde meu show será daqui a alguns dias. É um evento apenas para convidados, onde vários músicos estarão mostrando seu trabalho. Eu tenho trabalhado nisso há meses, e estou ansioso para vê-lo se concretizar. Eu entro e a Jenny, a dona da galeria, me encara com um largo sorriso. Uma loira com um largo sorriso genuíno, ela aperta a minha mão com entusiasmo. – Você quer dar uma espiada em tudo? Balanço a minha cabeça. – Só aqui para pegar mais convites para o show. Eu não achava que meu pai e sua esposa iriam conseguir, mas eles virão. Eu também preciso de um para uma garota. Ou pelo menos espero que sim. Meu pai ligou ontem para me dizer que eles estavam vindo para ver o meu show. Ele não tinha certeza, porque a Anne quebrou a perna em uma viagem de esqui há algumas semanas e ele não sabia se ela estaria pronta para viajar. Felizmente, ela está, e estou feliz. Parece que a Anne me tolera a maior parte do tempo, e verdade seja dita, estou bem com isso. É o meu pai que quero garantir um relacionamento sólido. Eu disse a ele sobre ver a Rose e ele me desejou sorte. Eu pego os convites de cartolina da Jenny e saio. Com o mal-estar ainda me consumindo sobre a Rose, eu entro no meu carro para ir ao local do show. Digito mais uma mensagem de texto para ela. Posso te ver hoje à noite depois do show? Eu não recebo resposta.

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Capítulo Trinta Rose Depois de ler o texto do Spider, eu guardei o meu celular. Eu disse a ele que iria desligá-lo, mas não vou. Eu simplesmente não posso falar com ele agora. Fecho meus olhos e inclino a minha cabeça na parede da biblioteca onde estou me escondendo, supostamente trabalhando em um trabalho de pesquisa para uma das minhas aulas. Pego o Gatorade do Oscar, com sabor de cereja, que eu enfiei na mochila esta manhã e tomo junto com algumas Saltines17 - almoço de campeões. Depois de me forçar a fazer mais algumas anotações no meu notebook, eu guardei as coisas e fui para a aula de Krav Maga de fim de semana em uma pequena academia na Brewster Street. Assim que me mudei para Nova York, me inscrevi para o curso que comecei em Dallas. Empregando movimentos eficientes e instintos, meu instrutor é um dos melhores da cidade. Depois de uma cansativa lição em que meu parceiro me joga no tatame mais vezes do que eu acho necessário - embora meu corpo goste - tomo banho lá e coloco minhas calças pretas de sempre e blusa branca de botões com gola de renda, meu uniforme do Bono. Eu penteio o meu cabelo e prendo em um topete. Minha única maquiagem é meu batom vermelho escuro e um pouco de rímel. Esta noite, estou trabalhando no turno do restaurante. É o fim de semana, então as coisas vão ficar agitadas, e fico feliz porque não vou ter tempo para pensar em Spider.

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Ao entrar pela porta, recebo outra mensagem de texto da Anne. Ela enviou uma a noite passada dizendo que eles estavam vindo para Nova York e eu nunca respondi. Eu respondo e pergunto sobre seus planos, ansiosa para saber se vou ver a Bella. Ela me diz que eles estão vindo sem a Bella e ficando na cobertura deles, desde que os pintores já terminaram. Ela me convida para jantar no domingo à noite, e eu digo a ela que sim, já que não estou trabalhando. No próximo texto dela, ela me manda.

Nós estaremos participando da exposição de arte do Spider na segunda-feira. Você vai? Exposição de arte? Eu não sei nada sobre isso.

Não sei como responder a ela. Um dos gerentes chama meu nome e eu sei que é hora de começar a trabalhar. Querendo saber mais sobre a exposição, mas também precisando não ser demitida, eu guardo meu celular. Às nove, quando a agitação do restaurante diminuiu, estou servindo uma mesa com quatro entradas quando ouço uma voz familiar atrás de mim. – Acho que você percorreu um longo caminho quando saiu do Restaurante do Jo em Manhattan. No entanto, você ainda é uma garçonete. Que... pitoresco. Meus dentes rangem quando me viro para ver a Aria, o Trenton e o Garrett sentados onde a recepcionista os colocou, e ela me dá um olhar de desculpas após o comentário da Aria. – Esses caras querem sua seção. Eu suspiro. – Ótimo.

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Trenton me dá um abraço arrebatador. – Estamos aqui para comemorar. Consegui tudo na hora certa e o cliente está me indicando para alguns dos seus amigos. Eu pisco, de repente, lembrando que eu deveria aparecer em sua casa ontem à noite para conversar. Ele não menciona que eu nunca respondi as suas mensagens de textos, provavelmente porque a Aria e o Garrett estão aqui. – Fantástico. Parabéns. – minha voz é calma. Aria estreita os olhos para mim. – E é claro que você se lembra do Garrett, meu noivo. – ela enfatiza a última palavra. Eu concentro meu olhar nele. Vá se foder, meus olhos dizem. Garrett perdeu o cabelo em cima e parece azedo e um pouco malhumorado, com os ombros rígidos enquanto ele me observa. Um ligeiro desdém curva seus lábios antes de desaparecer num piscar de olhos, uma microexpressão, aquelas coisas que as pessoas fazem quando querem esconder como realmente se sentem. A maioria deles é completamente involuntário. É como quando você entra na casa de alguém e sente o cheiro de urina de gato - você não consegue esconder a breve expressão de desprazer. Eu respiro e olho para o Trenton. Hoje... com todos os três aqui, minha cabeça apenas... dói. – Eu não vou ser sua garçonete. – afirmo. – Isso é pura preguiça. – murmura Aria. – Você não ganha dinheiro com gorjetas? – Eu não quero o seu dinheiro. – enfrento o Trenton, uma bola de raiva construindo. – Você os trouxe aqui... sem sequer me perguntar? Seu rosto se contorce como se não gostasse do meu tom. – Eles são da família. Se isso é sobre meu trabalhando... – Não. – levanto minha mão. – Isso é sobre você e eu.

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Ele deve ler alguma coisa no meu rosto porque ele pega o meu cotovelo e me leva para longe da Aria e do Garrett até que estamos de pé a poucos metros de distância perto da porta da frente. – O que há de errado com você, Rose? – sua voz limita entre irritada e surpresa. Normalmente, sou fácil e pronta para ir junto com o que ele quiser. O ar está tenso, e sei que este momento é sobre a verdade, sobre ser fiel a mim mesmo quando não sou há muito tempo. Olho para o Trenton, meu instinto percebendo que acabei de passar o tempo com ele, contente com nosso relacionamento, mas não muito feliz. Ele não consegue ver quem eu sou e o que eu preciso. – Eu não posso mais ver você. O choque se instala em seu rosto. – Eu... Eu não posso acreditar nisso. O que eu fiz de errado? – Nada. Não é você. É apenas... nós estamos nos separando por um tempo. Ele suspira. – Nós nos veríamos mais se você fosse morar comigo e parasse de trabalhar... – Eu não sou para você. – eu digo, interrompendo-o. Seus olhos se arregalam. – O que é isso quer dizer realmente? Meus lábios se fecham. Ele me observa. – Isso é sobre o Spider? Eu poderia estar bêbado na noite em que vi vocês dois juntos, mas eu teria que ser um idiota para não ver que ele quer você. Presa por um pequeno detalhe, em mil. Fecho os meus punhos por força. – Eu fiz sexo com o Spider... Esta semana. – arranco o Band-Aid, pronta para chegar na parte de cura.

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Seu rosto fica pálido e um músculo flexiona em sua mandíbula. Seu peito se expande quando ele inspira profundamente. Eu concordo. – Sinto muito te machucar. Eu realmente sinto. Nós não estamos dando certo... a muito tempo. Ele está com raiva agora, seu pescoço e rosto ficando vermelhos. É a maior reação que vejo em muito tempo. – Todo mundo sabe que ele é um drogado, Rose. Ele nunca será fiel a você. As suas últimas palavras me matam, porque elas podem ser verdadeiras. Não posso pensar sobre isso agora, e me concentro em dizer a verdade. – Eu o amo mais do que tudo. – Mais do que você. Emoção aparece em seu rosto e ele balança a cabeça para mim. Suas mãos se fecham, e eu posso dizer que ele está lutando com os seus sentimentos, decidindo o que dizer para mim. Eu me preparo para ele me atacar. Ele não decepciona e as palavras que ele usa só provam que ele e eu nunca fomos feitos para ficar juntos. – Eu deveria ter escutado os meus amigos. Você é mesmo uma escória, Rose. Então, ele se vira e volta para onde a Aria e o Garrett esperam. Eu vejo quando ele diz algo a eles brevemente e eles se viram para olhar para mim. Sem outra palavra, eles juntam suas coisas da mesa onde a recepcionista os colocou e saem pela porta.

Depois do meu turno, estou exausta. É quase meia-noite e tudo o que quero é cair na cama. Enquanto eu caminho para o apartamento, Oscar me manda uma mensagem que ele irá passar a noite com o Axe de novo, mas estará em casa pela manhã para nos fazer o café da manhã de domingo. Eu dou

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uma resposta rápida dizendo a ele para convidar o Axe também. Estou feliz que pelo menos um de nós tenha uma ótima vida amorosa. Quando chego ao meu prédio, o porteiro me deixa subir e eu entro no elevador e encosto na parede. – Segure a porta. – Spider grita pouco antes de se fechar. Eu seguro a porta como um reflexo e ele entra. Eu tento ignorar seu perfume masculino e a maneira como a sua camisa se molda ao seu peito largo. O seu cabelo está úmido como se tivesse tomado banho recentemente, e acho que o show acabou e ele está bem. Ele está ao meu lado, e eu deveria me afastar, mas sou fraca e quero estar perto dele por mais algum tempo. – Eu mal consegui focar no concerto. Você está bem? – seus olhos procuram os meus, descendo para ver a minha roupa de garçonete. Eu ignoro sua pergunta. – Eu estava no trabalho... e eu terminei com o Trenton. Alívio cruza o seu rosto. – Obrigado porra. – ele afasta uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. – Você esteve doente ontem à noite ou foi tudo pela Mila? Eu quero explicar isso... Fico tensa, meu queixo levantado quando o interrompo. – Ela é a garota que estava no seu apartamento no dia em que você deixou Dallas? Ele me dá um aceno curto. – Olha, ela é apenas nossa Relações Públicas e eu a conheço há anos. Não é... Eu o interrompi com as minhas palavras firmes. – Eu vi você com ela no bar do outro lado da rua. Então, bati na sua porta e ela atendeu... enquanto você estava tomando banho. Ele solta um suspiro. – Rose, me escute. Nunca dormi com ela. Eu apenas fingi aquele dia em Dallas. Liguei para ela para vir e fazer um show para ter certeza que você não arruinasse a sua vida e talvez me seguir até LA. Eu odiei fazer isso e odiei me afastar de você naquele dia, mas eu tive que fazer. – ele faz uma pausa, com o seu rosto ansioso

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enquanto observa o meu rosto, procurando por minha reação. – Eu teria dito a você antes, mas... tem sido louco e não tivemos tempo. Há um sinal de verdade em sua voz. Mas... – Vocês dois parecem ser muito carinhosos. Você teve algum relacionamento com ela em algum momento em Los Angeles? – Nós nunca fizemos sexo. – seus olhos estão implorando para eu entender, e parte de mim entende. Ele a usou para chegar até mim, para enfatizar aquilo. – Ela é uma amiga e uma colega de trabalho, Rose. E ontem à noite, ela estava deixando a minha lavagem a seco. É isso aí. Eu não me sinto assim com ela. Eu nunca me importei. É você. Só você. Suavizo com as suas palavras, mas as lágrimas ardem nos meus olhos enquanto penso em voltar para aquele dia em Dallas. – Eu sei que você pensou que eu era muito jovem e que você estava muito ferrado, mas eu teria ido para os confins do mundo com você. Ele parece torturado. – Eu não estava pronto. – Você está pronto agora? Ele concorda. – Sim. Mas há um olhar incerto no rosto dele, como se ele estivesse inseguro... e isso me assusta. Eu não consigo descobrir onde está sua cabeça. Eu preciso mais dele. Eu preciso das palavras. – Você me ama? Há uma luta no rosto dele, e ele apenas olha para mim. A clareza chega quando eu o aceito. Com o Spider, sempre foi sobre as pessoas que ele perdeu, mas é hora dele descobrir que eu não vou deixá-lo.

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Eu mordo meu lábio inferior e coloco tudo na reta. – Você diz que eu sou sua, mas tudo que vejo é um cara que me quer em seus termos. Você aparece e espera que eu caía em seus braços quando deveria ter me contado sobre a Mila na primeira vez que você me viu. Você poderia ter me dito a noite da tempestade. Você deveria ter me encontrado hoje de alguma forma e explicado para mim - e você não o fez. Sua hesitação e falta de compromisso me aterrorizam. Você tem medo do tamanho dessa coisa entre nós. – eu paro. – Eu preciso de mais, Spider. Quero que seja épico. Eu quero que alguém me ame com a mesma intensidade que sinto por ele. – respiro fundo. – E até que você dê isso para mim, eu não posso ver você. Ele suspira, enquanto olha para mim, com a emoção ardendo em seus olhos. A porta do elevador se abre e saímos. Ele me observa enquanto eu vasculho minha bolsa pelas chaves. Finalmente as encontro e destranco a minha porta. Eu me viro para olhar para ele, com o meu coração doendo. Ele ainda está lá quando eu fecho a porta. Eu me apoio nela e deixo as lágrimas que mantive durante todo o dia finalmente chegarem.

17. Saltines: é a marca de um biscoito de água e sal. Como a cream cracker.

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Capítulo Trinta e Um Rose No dia seguinte, Oscar e eu vamos para a cobertura do Robert e da Anne para o jantar. Oscar não os viu muito ao longo dos anos, apenas algumas vezes quando eles iam a Nova York para uma rápida visita. – Como eu pareço? – ele me pergunta, parecendo ansioso enquanto endireita sua gravata roxa do Tom Ford18 enquanto estamos na frente das pesadas portas duplas cor creme, prestes a bater. – Impressionante. Ele pigarreia com um olhar estranho no rosto. Ele está nervoso e eu franzo a testa, lendo sua linguagem corporal. – O que é isso? Você não está me dizendo algo. Ele suspira e seus ombros abaixam quando ele se vira para mim. – Tem uma coisa que eu preciso te contar. Talvez, eu devesse ter contado a você há muito tempo, mas não o fiz. – Ok, isso soa sinistro. Você é realmente hetero? Ele bufa e aponta para seu terno cinza claro com calças justas e meias amarelas argila. – Este conjunto diz diretamente algo para você? – Não. – Certo. – ele arruma o seu cabelo. – Desembucha. Você está mantendo segredos de mim. Você e o Axe vão se casar?

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Ele suspira. – Eu desejo. Não, Robert me pediu para não contar, mas lembra de quando eu lhe contei que consegui uma bolsa de estudos de última hora para a NYU e foi assim que consegui ir para Nova York? Eu concordo. – Sim, você sempre me disse que você teve a bolsa de estudos de pessoas que não eram inteligentes e que também gostavam de ser gays. Lembro-me que a sua carta foi de última hora e fiquei preocupada com você. Oscar faz careta. – Minha carta não chegou atrasada. Ela veio e a bolsa de estudos foi negada. Simplesmente não posso te dizer por que eu sabia o quanto você queria a NYU para nós dois. Ah. – Ok, então como você conseguiu o dinheiro? Oscar me dá uma olhada. – Robert... ou Spider... Eu não sei com certeza... pagou a conta por tudo. Minha boca se abre e eu rapidamente fecho. Sacudo a minha cabeça. – Pare de brincar. O que está acontecendo? Ele suspira. – Quatro anos atrás, um dia depois do Baile da Primavera, recebi essa ligação do Spider. Ele disse que só queria checar você. Estou chocada. – Não posso acreditar que não me contou! Você sabe o quanto gostaria de saber disso! – Você já estava com o Trenton e, sinceramente, só não queria que você ficasse triste ou fosse tentar vê-lo em Los Angeles. – ele me dá uma olhada. Eu aceno, lembrando como eu estava deprimida. Eu poderia ter ido para Los Angeles. Eu não sei. – De qualquer forma, ele fez algumas perguntas e queria saber se eu estava indo para a NYU com você e contei a ele toda a história... que eu fui aceito, mas minha bolsa de estudos não. Isso parecia ser o fim disso. – Mas não foi?

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Ele sacode a cabeça. – Alguns dias depois, Robert apareceu na minha porta com papéis para assinar de uma fundação que pagou por toda a minha educação. Tudo o que eu tinha que fazer era contatar a fundação a cada semestre com meu total e eles pagariam. O endereço da fundação era um lugar em LA. É por isso que acho que foi o Spider quem pagou por ela. Meu coração está batendo e minha cabeça está tentando entender toda essa informação. – Por que o Robert não quer que eu saiba? Ele encolhe os ombros. – Não sei. Talvez, ele não quisesse que você cavasse mais fundo e corresse para Los Angeles. Ele me pediu para não lhe contar, e ele foi muito gentil com isso, e eu fiquei tão agradecido por ter a oportunidade de viver nosso sonho aqui na cidade que deixei passar. Era muito dinheiro, Rose. A porta se abre, interrompendo mais alguma conversa. Robert e a Anne nos cumprimentam com abraços na porta, mas eu ainda estou cambaleando. Não tenho certeza se posso ficar. Não tenho certeza se posso comer alguma coisa... mas eu entro porque parte de mim está esperando que o Spider esteja chegando. Eu só quero vê-lo, mesmo que não estejamos juntos. Isso é tudo. Anne olha para o meu vestido vermelho decotado e dá uma respiração profunda. – Eu gosto de vestidos apertados, então, não comece. – digo com um sorriso, suavizando minhas palavras. Ela balança a cabeça e engancha o braço no meu e me leva para a sala de jantar. Eu vejo que há outro lugar em frente a mim. Meu coração entristece. – Spider está vindo? – Ele foi convidado, mas pediu desculpas. – Robert diz, com o seu tom inquisitivo e seus olhos atentos quando ele olha para mim.

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Isso machuca que ele não veio. – Ah. – pigarreio, precisando conversar, precisando descobrir o que diabos está acontecendo. – Oscar me contou que você... ou Spider... pagou a mensalidade dele. Há mais alguma coisa que você não está me contando? Ele olha para a Anne e eles parecem ter algum tipo de comunicação silenciosa. Ela acena com a cabeça. – Sim. – diz ele. – Porque você não entra no escritório e nós podemos conversar antes de comermos? Eu concordo. Finalmente. Algumas respostas.

18. Tom Ford: é uma marca de um nome de estilista.

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Capítulo Trinta e Dois Spider Deus, eu desejo ainda beber whisky. Mas, então, acho que não seria capaz de correr cinco quilômetros como eu posso agora. Eu faço o meu ritmo, correndo pela trilha no Central Park, mas não importa o quanto eu tente manter meu foco, mantenha minha respiração contida e, até mesmo, eu me sinto desequilibrada e desligada. Eu não tenho a Rose. Nada está certo. Meu telefone tem tocado e ligado por vinte minutos, e eu finalmente paro na ponte de pedra com vista para o parque, em seguida, tiro-o do meu bolso para verificar. É o meu pai. – Oi. – respiro pesadamente no celular enquanto me sento em um banco próximo. – Você recebeu seu convite para o show? – Spider... – sua voz é calma, mas forte ao mesmo tempo. – Tenho más notícias. Minha cabeça corre em um milhão de direções. – É a Rose? – Não, não. Não podemos fazer o seu show hoje à noite. Bella está com febre alta e nós queremos voltar para Dallas. Anne e eu temos um voo em apenas algumas horas. Eu só queria que você soubesse. Eu odeio perder isso, filho. Eu realmente quero dizer isso.

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– Posso fazer alguma coisa? Ele ri baixinho. – Não a menos que você queira segurar uma criança chorando por algumas horas. Eu ri. Ele fica sério, um longo suspiro vindo dele. – Há outra coisa? – pergunto. Eu o vejo balançando a cabeça com o rosto severo. – Rose veio ontem à noite. Eu contei tudo a ela. Agora é a minha vez de suspirar. Eu ando de um lado para o outro no pequeno caminho com o celular no meu ouvido, pensando. – O que ela disse? – Não muito. – Ah. – desapontamento passa sobre mim. O que eu esperava? – Sinto muito, filho. Espero que funcione para vocês dois.

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Capítulo Trinta e Três rose Estou toda nervosa quando andando na galeria. Oscar está ao meu lado com uma expressão sombria e contemplativa em seu rosto, e eu acho que ele ainda está remoendo a conversa que tivemos ontem à noite com o Robert. Acho que voltei para a pasta que ele me deu, a que tinha recibos do Oscar e a minha mensalidade para a NYU, o custo total de mais de quatrocentos mil dólares, todos pagos com acréscimos, conforme o Spider saltou para o sucesso nos últimos quatro anos. Robert até me disse que o Spider negociou que eu iria para a NYU como parte de seus termos de me deixar. Ele também queria pagar por isso... apenas algo que ele queria fazer por mim. Isso confundiu o meu cérebro que o Robert lhe deu meio milhão de dólares para ir embora, e então, ele voltou e deu a maior parte para mim e o Oscar. Também incluiu na pasta um convite belamente escrito com o endereço para a galeria no Soho. Estou aqui esta noite para perguntar por que. Por quê... tudo. A primeira pessoa que vejo é a Mila. Nossos olhos se encontram do outro lado do lugar e o seu rosto começa empalidecer, enquanto ela coloca a sua bebida na bandeja de um garçom que passa e cruza a multidão para chegar até nós. Eu paraliso, com as minhas costas rigidas.

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Oscar me fala de lado. – A vadia está chegando? – Veremos. – murmuro. – Droga. Eu deveria ter trazido o meu soco inglês. – ele entrelaça o braço no meu. – Estou com você, menina. Eu e você, podemos ser pobretões do Texas, mas ficamos bem fazendo isso. – Você parece gostosa, a propósito. – diz ele. – Estou feliz que você usou o vestido branco, faz você parecer uma noiva. Por outro lado, a visão que se aproxima em rosa é um pouco difícil de se ver por muito tempo. – Ela me lembra de algodão doce, certo? – olho para o Oscar com o meu rosto fazendo caretas. – Talvez, isso não tenha sido uma boa ideia. Ele sacode a cabeça. – Não, apenas escute ela. Você chegou até aqui. Estamos aqui e há champanhe e camarão grátis. Um homem tem que comer. A visão no vestido maxi rosa com um milhão de lantejoulas para em frente a nós. Tenho que apertar os olhos para que ela não os machuque. – Então, você é a Rose. – diz ela, olhando-me com cautela, como se eu fosse um cão raivoso que poderia mordê-la. – Eu estava tão nervosa em Dallas que mal olhei para você. Você também é diferente dos retratos que ele desenhou de você... embora, esta seja a primeira vez que os vejo. Quais retratos? Mila ainda está falando. – Sou um pouco lerda. Eu não tinha ideia de quem você era quando chegou à porta do Spider. Pensei que você fosse uma groupie bêbada. – Isso teria feito diferença em como você me tratou? Uma expressão horrorizada cruza seu rosto. – Claro! Ela é... você é... a sua Rose.

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Mila toca meu braço, um pouco hesitante. – Olha, eu não estou mais com ele. Se eu estivesse, não poderíamos trabalhar juntos. – seus olhos estão arregalados e diretos enquanto ela olha para mim. – Eu realmente sinto muito por pensar que você era uma fã maluca perseguidora. As pessoas que mentem tendem a olhar para cima e para a esquerda. Ela não está e eu acredito nela. Olhamos uma para a outra, me lembro dela e do Spider se beijando todos aqueles anos atrás, e a minha dor deve aparecer nos meus olhos porque ela me empurra para a entrada da sala de arte onde os convidados estão entrando e saindo. – Olha, apenas entre. Eu não acho que você vai se arrepender. Se você ainda tiver dúvidas depois, eu responderei, mas não acho que você vá. Oscar e eu saímos e entramos na sala quando a anfitriã nos entrega a programação com as informações sobre a exposição. Com um alto teto abobadado, claraboias espaçosas e paredes brancas, a exposição de arte ocupa toda a atenção. Convidados circulam por toda parte e alguns reconhecem. – Nossa é a Mary Tyler Moore e aquele é o Sting no canto? – Oscar sussurra no meu ouvido. Desvio os meus olhos onde os seus dispararam, no fundo da sala. – Parece com ele. Você deveria ir ver. Vou começar do começo e cruzar a sala. Eu vou te encontrar lá? Ele dá um tapinha na minha mão. – Tem certeza? Eu aceno, querendo ficar sozinha. Quando começo a exposição no lado da sala do Spider, vejo logo que as peças são feitas em carvão, como as de sua irmã. Eu me movo de lado a lado, percebendo que está organizado como uma jornada autobiográfica. Há uma de Cate brincando na neve do lado de fora da casa de sua infância. Eu as observo atentamente, observando os traços ousados e a sensação moderna. Eu sorrio. Ele é realmente incrível e talentoso.

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Existe alguma coisa que ele não pode fazer? Suspiro quando chego perto de uma minha... servindo mesas no Restaurante do Jo, meu cabelo em uma trança, vestindo aquela horrível polo. É de perfil, e meus lábios estão carnudos e exuberantes quando eu mordo o meu lábio inferior. Eu pareço assim... linda e dolorosamente jovem. Meu coração dispara. Os próximos três desenhos são todos meus. Uma de mim com uma cópia de Jane Eyre na minha mão. Uma das minhas costas nuas com o meu rosto escondido, o foco na tatuagem da borboleta com o seu número de celular dentro das asas. Finalmente, há uma minha do lado de fora do seu prédio em Dallas, sentado no banco do parque. Meu rosto está virado para cima como se eu estivesse procurando por ele e eu tenho meu uniforme escolar. Aperto a minha bolsa de mão de missangas, a emoção me açoitando e, instintivamente, sigo em frente, precisando ver como isso termina. As próximas passam em um borrão, embora, eu observe cada uma delas, cada uma representando a si mesma. Spider fazendo uma linha fora de um pequeno espelho. A cabeça do Spider em uma mesa com uma garrafa de whisky ao lado dele. Cru e real. Eu me esforço para conter meus sentimentos. Não posso me quebrar aqui, não quando isso não é realmente sobre mim. É sobre ele. Chego ao fim, outro auto-retrato dele olhando para um espelho, sua guitarra amarrada nas costas. Sua mão passa pelos cabelos e seu rosto é nítido e magro com os olhos abertos e claros. É intitulado Recuperação.

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Enxugo os olhos e vou para o banheiro do lado, evitando todos. De pé na frente da pia, eu limito meu rosto, e uma vez que eu reapliquei o meu rímel, eu lavo minhas mãos, ainda oscilando em perder o controle. Tenho que ver ele. Eu tenho que dizer a ele que não me importo se ele não pode dizer as palavras, eu quero estar com ele de qualquer forma. Eu nem sei que ele me seguiu até o banheiro até levantar a cabeça para pegar um lenço. – Rose. Eu me viro para encará-lo, virando e prendendo a minha respiração. Ele parece incrivelmente bonito com calças pretas e um suéter cinza. Uma pulseira de couro está em seu pulso e um colar de prata pendurado no pescoço, acentuando a sua pele bronzeada e os destaques em seu cabelo escuro, mas é os olhos que têm a maior parte de minha atenção. Há luxúria neles. – Você pagou para eu ir para a faculdade? E o Oscar? – não sei por que essas são as primeiras palavras que saem da minha boca, em vez de um elogio sobre sua arte, mas desde que o Robert entregou a pasta, eu fiquei em choque. Ele me dá um aceno rápido quando se inclina no batente da porta e cruza os braços. Balanço a cabeça para ele, lembrando o conteúdo da pasta, as pequenas coisas que me surpreenderam. – Você fez questão de entrar nas aulas de Krav Maga mesmo que a lista de espera fosse ridícula e você até ligou para o dono do Bono assim que eu me candidatei para um emprego? Ele concorda.

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Engulo, sentindo a emoção me rasgando. – Costumava me perguntar por que tive tanta sorte em Nova York. – mordo o meu lábio. – Como você me acompanhou? Ele suspira com seus olhos examinando meu rosto, memorizandoo. – Por um tempo tive alguém te observando periodicamente... nada intrusivo... só para ter certeza que você estava bem. Robert me manteria atualizado sobre as coisas que você queria ou mencionava, e eu tentaria fazer isso acontecer para você. Não foi nada grande. – Porque não deixar o Robert pagar pela NYU? – eu sinto que ele teria. – Queria fazer algo por você, Rose. Eu trabalhei por esse dinheiro e foi meu. Eu queria que você fosse feliz e tivesse seu amigo com você. –a angústia cruza seu rosto. – Eu te machuquei tanto. – Porque tudo isso? – pergunto, espalhando minhas mãos. Ele sorri, embora mal, como se doesse fazer mais alguma coisa. – Acho que você sabe o porquê. Eu concordo. Seu peito se expande enquanto seus olhos se movem sobre mim, e eu sei o que ele vê: uma garota que se vestiu só para ele. Meu vestido é todo branco, justo e frente única que mostra claramente minha tatuagem com o seu número e com os meus cabelos compridos em cachos. A saia é um pedaço ridiculamente curto de tule que choca em minhas coxas quando ando em meus sapatos prateados. – Você está linda. Suas palavras são como um bálsamo para minha alma. – Obrigada. Ele se aproxima e toca meu rosto gentilmente, como se temesse que eu desaparecesse. Eu fecho meus olhos.

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Deus. Eu quero ser tudo dele. Eu quero que ele seja consumido por mim. Eu quero ser a pessoa que o mantém na linha reta e estreita. Eu quero que ele não seja capaz de sair da porra da cama a menos que eu esteja ao lado dele. Eu quero que ele desmorone se eu for embora. Eu quero que ele me ame para sempre. Eu digo essas coisas para ele enquanto lágrimas escorrem pelo meu rosto. Seu rosto parece triste quando ele se ajoelha. – Rose, estive pensando sobre o que você disse. Sempre foi minha intenção de ter você de volta algum dia, mas todo mundo sempre me abandona. – diz ele, com a voz baixa. – No dia em que papai me deixou no Texas, jurei que seria frio, duro e implacável pelo resto dos meus dias. Jurei nunca deixar ninguém partir o meu coração, mas então, você veio... e eu fiquei tão perdido em você. Toco sua bochecha e ele se inclina para mim e seus lábios acariciam minha mão. – Eu não admiti para mim mesmo até que eu estava no avião para Los Angeles, mas me apaixonei por você no momento em que nos beijamos, mas estava muito confuso e eu não te merecia. Eu não poderia te arrastar para baixo comigo. Tive que te dar uma vida de verdade sem mim, eu tive que te dar algo, então quando nos encontrássemos novamente, você saberia que eu estava pronto para sempre. – Você tem sido minha para sempre desde que eu tinha onze anos. – eu me ajoelho na frente dele.

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Ele respira fundo e a umidade brilha em seu intenso olhar. – Eu te amo, Rose, mais que tudo. Sinto muito por eu não dizer isso antes. Se você ainda me quer, se ainda nos quer, então estou bem aqui. Meu coração dispara. – Claro que ainda te quero. Eu amo você. – sussurro. – Não posso ter outro dia sem estarmos juntos. Sinto muito por precisar ouvir essas palavras bobas. Tudo o que precisamos é um do outro... Ele me beija, me interrompendo com os seus lábios pressionando nos meus. – Para sempre. – ele diz no meu ouvido. E foi...

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Epílogo ALGUNS ANOS DEPOIS Spider – Senhor, você não pode levar isso no avião. Levanto minha sobrancelha para a bilheteira. Ela tem cerca de cinquenta anos com um halo de cabelo loiro e batom rosa brilhante. Normalmente, posso fazer qualquer mulher jogar o meu jogo com o meu sorriso arrogante e sotaque inglês, mas verdade seja dita, não tento tanto quanto costumava ter. – Claro. Ela acena com a cabeça. Seu crachá diz que o nome dela é Gwendolyn, e eu sorrio, apesar de ter saído de uma turnê de três meses que acabamos de fazer em Nova York. – Gwendolyn... Posso te chamar de Gwen? Ela pisca. – Não. Não fico perturbado. Eu me inclino e apoio meus braços no balcão, dando a ela uma ótima visão dos meus musculosos bíceps na camisa de manga curta da Vital Rejects que estou usando. Tenho trabalhado diariamente, e não tenho vergonha de compartilhar meus belos músculos com o mundo. – A verdade é que não posso viver sem Helene - esse é o nome da minha guitarra. – olho para o estojo aos meus pés. – Ela está comigo desde o começo de, bem, tudo, e é má sorte viajar sem ela. Além disso, estou completamente exausto, e se não tenho minha guitarra... Eu posso ficar triste.

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A bilheteira me dá um olhar uma vez, com seus olhos demorando no cabelo preso, que é branco este mês. – Eu conheço você? Eu sorrio. – Você gosta de estrelas do rock britânico? – Não em particular. – Homens lindos com tatuagens? – viro meu pescoço para que ela possa ver a aranha. Seu nariz se levanta. – Definitivamente não. Eu sorrio. – Que tal música com riffs de guitarra incríveis? Ela comprime os lábios. – Não quero nada disso que faça os meus ouvidos doerem. Ouço o Kenny Rogers e a Dolly Parton. Meus olhos brilham e paraliso - Dolly me assusta. Talvez, seja o cabelo, talvez, seja os peitos, mas apenas a menção dela evoca imagens mentais dela se escondendo atrás de uma porta ou uma cortina de chuveiro com uma faca. Não sei porque. Não posso explicar o medo; apenas isso. – Precisa de ajuda, querido? – Rose sussurra atrás de mim, tão perto que sua respiração ventila contra a parte de trás do meu pescoço. Apenas o som de sua voz me relaxa e me faz querer virar e beijá-la, mas tenho que me concentrar. Estou determinado a conquistar esta bilheteira. – Não. – sussurro baixinho. – Eu cuido disso. Ela ri. Antes de chegarmos à mesa, apostamos se conseguiríamos ou não levar a Helene no avião conosco. Normalmente nós viajamos de primeira classe e não é um problema colocar o estojo no armário de casacos, mas quando você está em uma classe econômica, tudo é diferente. Se permitido, eu poderia apenas a verificar, mas me incomoda se ela não está perto. – Senhor. – diz Gwendolyn, olhando-me com desdém quando ela olha por cima do meu ombro. – Se você seguir em frente, posso chegar à próxima pessoa.

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Eu tento novamente, mostrando um sorriso brilhante e balançando minhas sobrancelhas. – Caso você não saiba, sou o Spider do Vital Rejects. Nosso quinto álbum acabou de ganhar platina dupla. – Nunca ouvi falar de você. – ela torce o nariz. Puta merda. Deixe eu pegar a pessoa que não conhece música. Atrás de mim, Rose ri, lembrando o tempo em que nos conhecemos em um avião todos esses anos atrás. – Você não vai mentir sobre a sua namorada traindo você com alguém - ah, ou talvez um cachorro morto? Eu lhe respondo: – Minha namorada - também conhecida como minha esposa - nunca me trairia. Ela está feliz com o que ela tem, se você quer saber. Seu marido é muito incrível. – Ele é agora? – Rose diz. – Não é nenhum segredo que ele é um companheiro de stand-up, além de um garanhão no quarto. – Sim, ele é. – ela murmura. – E eu o amo. A satisfação profunda me atinge. – Você me ama o suficiente para lidar com essa velhota? Eu não acho que ela ligue para minha aparência, minhas tatuagens ou minha música. – Você está falando para si mesmo, senhor? – a bilheteira finalmente pergunta com a sua sobrancelha franzida sobre os olhos redondos. Ela está me encarando desde que comecei a falar com a Rose sem realmente me virar. Acho que pareço estranho. – Preciso chamar o segurança? Eu pisco. Segurança? Merda. Realmente perdi essa aposta. Suspiro, perturbado por não conseguir mais uma guitarra em um avião. – Deixe-me lidar com ela. – declara Rose, enquanto ela passa por mim com a bunda em formato de coração balançando em todas as maneiras corretas quando ela passa na minha frente em seu vestido frente-única preto. É verão e as pernas dela estão nuas e bronzeadas, e o cabelo de cobre dela é preso para cima em algum topete que parece

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bagunçado e elegante ao mesmo tempo. Com um olhar determinado em seu rosto, ela caminha até a mesa. Eu sorrio e vejo como ela faz o que faz melhor: ler as pessoas e saber exatamente como avaliar suas reações. Suas habilidades vêm a calhar como nossa publicitária de turnê para a banda, concentrando-se principalmente em grandes pontos de mídia quando estamos na estrada. Mila, que recentemente se casou, ainda é nossas Relações Públicas geralmente, mas ela não viaja conosco. Rose vasculha em sua bolsa, pega o celular e mostra algo para Gwen - que decididamente mudou de tom e sorri de orelha a orelha. Espere... O que está acontecendo? Eu me inclino para ver a Rose mostrando suas fotos de Chloe e do Connor, nossos gêmeos de um ano de idade. – Eles são adoráveis! – ela diz, brincando com uma foto deles tocando no Central Park há poucos dias. Rose sorri. – Eu sei. – ela aponta a cabeça para mim. – E essa estrela do rock arrogante é o pai deles. Gwendolyn me dá um olhar crítico, mas acho que vejo uma suavização lá. – Ele é um bom pai? Sorrio e apenas fico atrás para esperar pela resposta de Rose. Nós estivemos juntos nos últimos quatro anos, e cada momento foi um sonho. Nós passamos pelo inferno descobrindo isso todos esses anos atrás, mas agora que estou bem, nossos destinos se alinharam. – Ele é o melhor pai de todos os tempos. – ela murmura baixinho com a mão sobre o coração. Belo toque, meus olhos dizem. Eu aprendi com o melhor, o dela diz em resposta.

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Rose pigarreia e se concentra em Gwendolyn. – Então, se você puder encontrar um lugar para a guitarra em um armário ou depósito, isso seria fantástico. Normalmente, voamos de primeira classe, mas trouxemos alguns amigos para ir a Londres e todos decidimos ir juntos de ônibus. – Estamos lotados e o armário provavelmente já está cheio. – Gwendolyn pensa sobre isso com o seu rosto em dúvida. – Pronto! Graças a Deus! – Oscar diz, enquanto corre até nós, empurrando os gêmeos em um carrinho duplo. Vestindo seu sobretudo preto, ele parece confuso. Axe caminha atrás dele, sorrindo. – Você não mencionou que esses diabinhos são repugnantes com o cocô deles. Ah, meu Deus, isso é fora de controle. – Oscar exclama com o seu rosto pálido, enquanto ele olha para eles. – Eles são assim... uma aparência angelical. Quero dizer, não faz sentido. Bato no ombro dele e rio. – Você os teve por dez minutos, Cara. – Dez minutos é muito quando você não consegue respirar por medo de engasgar. – Ele é sua babá? – Gwendolyn pergunta a Rose. Oscar revira os olhos e acena para ela. – Não, Senhora. Sou o melhor amigo. Estamos todos indo para Londres para passar as férias em sua nova casa de campo. Axe levanta a mão. – Sou o noivo. – ele diz para uma Gwendolyn piscando. Só então, Chloe solta um choro horripilante e seu rosto se vira, e eu cedo a sua exigência. Antes que eu possa fazer isso sozinho, Rose a pega e a acalma, acariciando-a nas costas, enquanto ela a levanta para cima e para abaixo. Eu as observo, emocionado. Como se ela me sentisse pensando nela, os olhos verdes de Rose se afastam de Chloe e encontram os meus. Eu recebo um burburinho da conexão que sempre esteve entre nós

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e o conhecimento de que ela e eu somos duas partes de um todo. Eu solto um suspiro. Eu não sou nada sem isso. Sem ela. Connor, o mais sossegado, olha para mim com seus grandes olhos castanhos, e porque eu estou me coçando para estar perto dele, o pego e o seguro. Gwendolyn se derrete com à vista. Não fiz isso para ganhar a aposta, mas ela pegou seu celular e começou a me chamar, e em apenas alguns segundos nós temos uma comissária de bordo nos ajudando com o carrinho e a guitarra, que eles conseguiram achar espaço no armário de casacos. Alguns minutos depois, estamos sentados com a Rose e eu ao lado um do outro. Ela segura a Chloe e eu o Connor. Os assentos de Oscar e Axe estão atrás de nós, e eu sinto que estou no topo do mundo. É apenas um dia simples, mas são os pequenos momentos que mais significam, aqueles que moldam as nossas vidas. Penso no passado e como foi difícil chegar a esse nível de amor. Fiz coisas auto-destrutivas e magoei as pessoas, e não posso voltar e desvendar o nó que fiz, mas o passado é o passado e agora... Eu tenho um futuro. Eu tenho a Rose. Eu tenho uma família que me ama. Eu me inclino e beijo a Rose, como fiz há oito anos, só que desta vez cada um tem um filho no colo. Olho em seus olhos sorridentes e sei que ela é minha rocha. – Você é meu tudo. – digo baixinho. – Eu te amo. Ela irradia felicidade em seu olhar. – Um amor épico... você e eu.

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Profile for Jé

Spider - Ilsa Madden-Mills  

Spider - Ilsa Madden-Mills  

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