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Cobi Mayson sabe exatamente quem Hadley é para ele no momento em que ele a vê pela primeira vez. Isso não significa que será fácil para ele convencê-la a dar uma chance a ele. Hadley Emerson sabe que ela pode se apaixonar fácil por um cara como Cobi. Um homem que parece aparecer toda vez que ela precisa dele, mas ela sabe melhor do que apenas entregar seu coração. Sabendo que seu futuro com Hadley está na linha, Cobi começa a amarrar suas vidas juntos. Conforme a corda invisível que os conecta se aperta e as coisas entre eles se aquecem, uma ameaça desconhecida surge, ameaçando tirá-los do felizes para sempre e mandá-los para a escuridão.


PRÓLOGO COBI — Você a conhece, Mayson? — pergunta meu parceiro Frank, estudando a mim e a mulher em meus braços. Suas sobrancelhas grossas estão bem unidas em confusão sobre seus olhos azuis. Quero rugir, Sim, eu a conheço. Ela é minha!, mas isso soa ridículo, porque é ridículo. Não sei nada sobre a mulher que estou segurando além do fato de que seu primeiro nome é Hadley, ela cheira a pêssegos, e fica perfeita contra mim, ainda que esteja desmaiada. — Ela é sua? — Não — rosno, meus dentes rangendo enquanto o meu aperto sobre ela aumenta. Chegando mais perto, Frank abaixa a voz. — Então, talvez você queira parar de rosnar, porra, para qualquer um... — ele empurra o polegar por cima do ombro —, que tenta tocá-la, e deixá-los fazer o trabalho deles.


Eu franzo a testa e olho para ele, observando os três paramédicos em pé ao meu redor parecendo inseguros e nervosos. Não quero – como fodidamente eu não quero mesmo – soltar Hadley, mas eu sei que preciso. Ela tem um corte na testa que não parou de sangrar e um machucado sob o queixo. Levanto meu queixo e um dos paramédicos se aproxima. Eu devo fazer um barulho, porque sua cabeça voa para cima quando ele a toca e seus olhos se arregalam de medo quando encontram os meus. Porra. Minha mandíbula se aperta enquanto me forço a relaxar e soltá-la, e assisto com a respiração presa no peito enquanto ela é colocada em uma maca. É preciso todo o autocontrole que possuo para não ir atrás dela, para não estender a mão e tocá-la novamente, só para provar que ela é real. Enquanto eles a colocam na parte de trás da ambulância, eu envolvo minha mão na minha nuca. Quero ir com eles para ter certeza que ela está bem, mas não posso. Tenho uma cena de crime que precisa ser isolada e um corpo morto na mata atrás de mim que precisa ser checado. O bom é que, como sou policial, não terei problemas em rastrear Hadley, mesmo que ela seja liberada do hospital hoje à noite antes que eu possa alcançála. — Que porra foi essa? — pergunta Frank do meu lado enquanto as portas da ambulância se fecham e as luzes se acendem. Não olho para ele. Corro meus dedos pelo meu cabelo e balanço a cabeça. — Nada. — Tem certeza de que você não a conhece? — Eu não a conheço — murmuro, em seguida, olho em volta. — Vamos arrumar essa merda. — Foda-se. — Frank olha para a floresta quase toda escura e aos outros oficiais que circulam. — Será uma noite longa. Preciso ligar para minha esposa e avisá-la que não estarei em casa por um tempo. — Quando você terminar, me encontre no corpo — digo, e ele levanta o queixo antes de sair. Eu pego uma lanterna de um dos guardas e entro na floresta para chegar ao corpo. Quando recebi o telefonema informando que uma mulher ligou


para o 911 dizendo ter testemunhado uma mulher inconsciente sendo jogada no porta-malas de um carro do lado de fora do cinema local, eu não fazia ideia de que a mulher inconsciente era minha prima, Harmony. Não até que a irmã dela, Willow, ligou para dizer que Harmony não havia voltado do banheiro, onde ela foi durante o filme que elas estavam assistindo. Após o telefonema de Willow, tive que ligar para Hadley, que foi quem testemunhou o sequestro da minha prima. Ela estava seguindo o carro e eu estava logo atrás dela – apenas não perto o suficiente. Depois que ela me informou que o carro saiu da estrada, eu disse que ela deveria continuar dirigindo, que os outros policiais e eu estávamos nos aproximando e estaríamos lá, mas ela não escutou. Em vez disso, ela desligou e continuou seguindo. Pelo que percebi, ela acabou correndo risco de vida junto com Harmony, que de alguma forma conseguiu escapar do porta-malas do carro em que estava. Ambas quase não escaparam da morte nas mãos de um louco que estava apontando uma arma para elas no meio da mata. Quando chego ao corpo, que agora está coberto por um lençol branco, sei que Frank estava certo. Será uma longa noite de merda. Só que, ao contrário dele, não tenho ninguém para ligar para dizer que não estarei em casa. Quatro horas e meia depois, os caras da cena do crime vão embora junto com o legista, e eu pego uma carona para a delegacia com Frank, onde pego minha caminhonete antes de ir ao hospital. Quando chego, faço check-in no posto de enfermagem e pergunto sobre Hadley. Descubro que ela sofreu uma concussão e que os médicos estão mantendo-a durante a noite, só por precaução. Após saber que ela está descansando, vou verificar minha prima Harmony, que está fora da cirurgia com nossa família reunida em torno dela. Converso com minha família e com o noivo de Harmony, Harlen, por alguns minutos, certificandome de que estejam bem antes de ir ao quarto de Hadley. É do outro lado do hospital, e quando chego à porta dela, eu entro, esperando ver sua família reunida em torno dela, mas o quarto está vazio, exceto pela cama, onde posso ver sua forma sob as cobertas. Sento-me na cadeira ao lado da cama e olho para o rosto dela – quão perseguidor de repente me tornei. Mesmo com círculos escuros sob as pálpebras


fechadas, uma contusão, e pontos em volta da testa, suas feições são elegantes. Ela é linda, com cabelos ruivos, ondulados e escuros, espalhados ao redor da cabeça, e uma tez de pêssego e creme que é um grande contraste no travesseiro branco em que está deitada e o cobertor que puxou sob o queixo. Eu franzo a testa, imaginando quem ela é e por que ela parece ter um efeito tão profundo em mim. Esfrego minhas mãos no meu rosto e me inclino na cadeira, cansado demais para pensar nisso agora. Estou de pé desde as 5:30 da manhã, e já passa das três da manhã. Digo a mim mesmo que vou descansar meus olhos por um minuto, então vou para casa, mas ao invés disso, eu acabo desmaiando. — Não posso acreditar que eu tive que descobrir no noticiário que você estava no hospital! — grita uma mulher, me tirando do sono. Sento-me para frente, esfrego minha nuca dolorida, e vejo uma mulher muito bonita, com pele escura e cabelos compridos e ondulados atravessando o quarto de salto alto na direção da cama de Hadley, onde ela para e planta as mãos nos quadris. — Brie, mantenha a sua voz baixa. — Não me diga para manter a voz baixa, Hadley. Você está em todos os noticiários e no hospital. — Sim, mas como você pode ver, estou bem. — Você foi baleada! — grita a mulher, e estremeço com o som, então vejo as duas mulheres se virarem para olhar para mim. — Quem é ele? — pergunta ela a Hadley, em seguida, olha para mim, repetindo sua pergunta com os olhos estreitados. — Quem é você? — Detetive Cobi Mayson — respondo, e seus olhos se arregalam enquanto sua boca forma um suave O. — Eu preciso dar uma declaração? — pergunta Hadley antes que sua amiga possa dizer qualquer coisa, e concentro minha atenção nela, realmente vendo-a pela primeira vez à luz do dia. Seus pequenos dentes brancos mordiscam nervosamente seu lábio cheio e rosado. Seu cabelo ondulado na altura dos ombros não é vermelho escuro como eu pensava na noite passada, mas marrom-escuro, com um toque vermelho. Ela tem algumas sardas na ponte do nariz, e seus olhos


são azuis, não um azul profundo, mas um mar azul enevoado com manchas douradas que saíam da íris. — Preciso? Limpo minha garganta e reproduzo sua pergunta anterior em minha mente. — Sim — respondo, imaginando que seria estranho para ela acordar comigo em seu quarto por qualquer outro motivo. — Ele está morto, certo? — pergunta ela, e vejo cada músculo em seu pequeno corpo apertar. — O cara que sequestrou aquela mulher, Harmony, ele está morto, não está? — Ele está morto — confirmo baixinho. Seus ombros relaxam e ela sussurra: — Bom. — Mesmo que ela diga isso como se quisesse dizer, eu posso dizer que ela estar aliviada que alguém esteja morto não cai bem para ela. Harlen me disse que tanto Harmony quanto Hadley, o testemunharam matando Hofstadter com uma bala na parte de trás da cabeça enquanto ele estava de pé sobre as duas com a arma apontada para elas e o dedo no gatilho. Não tenho dúvidas de que se Harlen não tivesse atirado em Hofstadter, nem minha prima nem Hadley estariam aqui agora. Olhando nos olhos de Hadley, posso ver que o que ela testemunhou na noite passada ainda está perturbando-a. A maioria dos civis nunca será vítima de um crime violento, mas aqueles que carregam esse peso com eles todos os dias nunca são capazes, sem tempo e ajuda especializada, de esquecer o que experimentaram. — E... Harmony... Está... ok? — Seus dedos envolvem a borda do cobertor com tanta força que suas juntas ficam brancas. — Harmony está bem, fora da cirurgia e descansando. Os médicos esperam que ela se recupere totalmente. — Graças a Deus — sussurra ela, liberando o cobertor enquanto sua amiga se aproxima para esfregar seu ombro. — Graças a Deus você está bem também — diz Brie, e Hadley olha para ela. — Eu sei — concorda, e uma sensação desconfortável enche a boca do meu estômago, uma que tem tudo a ver com o fato de que eu poderia tê-la perdido antes mesmo de saber quem ela era para mim.


— Você não deveria tê-los seguido — digo. A cabeça dela se vira para mim e suas costas instantaneamente ficam eretas. — Malditamente certo, ela não deveria tê-los seguido — acrescenta Brie, mas os olhos de Hadley permanecem fixos nos meus. Eu acho que gosto de Brie. — Eu precisava. — Eu te disse que estava bem atrás de você. Eu te disse para continuar dirigindo — rosno, incapaz de manter o controle da emoção que enche meu estômago e peito. — E eu lhe disse que não poderia fazer isso. — Você deveria ter me escutado. — Você vai me prender por não ouvir? — pergunta ela, e estou realmente surpreso com a quantidade de atitude que ela está me dando. A maioria das pessoas não me responde, e as mulheres nunca me dão trabalho, a menos que eu esteja dizendo a elas que as coisas entre nós estão acabadas e que é hora de seguirem em frente. — Não, mas talvez eu deva te dar umas palmadas por não seguir uma ordem e por se colocar em perigo — respondo. Porra. Por que disse isso? Ela respira fundo enquanto Brie faz o mesmo. — Não posso acreditar que você acabou de dizer isso — assobia Hadley, apontando para mim. — Acredite — devolvo, observando seus olhos ainda fixos em mim se transformando de azul enevoado para verde profundo enquanto suas bochechas ficam rosadas com irritação. Porra, ela é linda quando está chateada. — Bem, isso é interessante — diz a amiga dela, quebrando nosso olhar encarando um ao outro, e nós dois viramos nossas cabeças em sua direção ao mesmo tempo. — Você não precisa ir para o trabalho? — estala Hadley para ela.


— Não vou trabalhar hoje. Eu ficarei aqui com você. — Não, você não ficará — nega Hadley com movimentos bruscos de sua cabeça. — Sim, eu ficarei. — Não, você não ficará. Eu ficarei deitada na cama o dia todo. Você não precisa ficar sentada aqui olhando para mim. — Eu não vou olhar para você. Vou ler uma revista. — Brie dá de ombros casualmente. — Brie, você tem que ir trabalhar. Você sabe e eu sei que você não pode perder mais nenhum dia — diz Hadley, e os olhos de Brie se estreitam. — Tudo bem se eu perder hoje. — Você sabe que não — insiste Hadley. — Marian está procurando um motivo para te demitir. Você falta ao trabalho hoje, e dá a ela essa razão. — Ela pode tentar. — Brie. — Mesmo sem conhecer Hadley, eu posso ouvir o aviso na voz dela. — Vá trabalhar. Você tem um trabalho para manter e um casamento para pagar. — Tudo bem — resmunga Brie. — Eu vou para o trabalho, mas só porque sei que você precisa descansar e não fará isso se eu estiver aqui. — Ela se inclina, envolvendo os braços em volta de Hadley e dizendo baixinho: — Estou seriamente feliz por você. Ok, mas também estou muito brava com você. — Você vai superar isso. Brie sacode a cabeça, levantando-se e ajustando a bolsa em seu ombro. — Deixe-me saber se eles liberarem você hoje. Se fizerem isso, ligue para mim e voltarei para buscá-la. — Não se preocupe comigo. Eu ficarei bem. Posso pegar um táxi para casa se eles me liberarem — diz Hadley. — É melhor você ligar caso eles te liberarem — repete Brie com mais firmeza, colocando as mãos nos quadris mais uma vez. — Falo sério, Hadley. — Tudo bem, eu ligarei — concorda, parecendo relutante.


— Descanse — ordena Brie, e então seus olhos vêm para mim. — Detetive, não dê muito trabalho a ela. — Então ela se foi, e Hadley e eu nos encaramos mais uma vez. — Sua amiga é um pouco louca. — Ela é minha melhor amiga desde os dez anos. É como uma irmã para mim. — Ela ama você. — Nós deixamos uma a outra louca, mas nos amamos incondicionalmente. Ela se preocupa comigo o tempo todo — diz ela, começando a se deitar, e vejo seus olhos se encherem de dor. — Você quer que eu chame a enfermeira para te dar alguns remédios? — pergunto baixinho. — Você tem transtorno de personalidade múltipla? Sorrio ante ao seu comentário espertinho. — Acho que não. — Então você não sabe se tem ou não. — Nunca tive um médico me dizendo que seja algo que eu precise verificar. Ela suspira, recostando-se completamente e estremecendo. — Deixe-me chamar uma enfermeira. Elas podem te dar algo para ajudar com a dor. — Eu ficarei bem. — Ela vira a cabeça para olhar para mim. — Onde está o seu caderno? — Perdão? — Seu caderno de detetive... para pegar minha declaração. Cadê? — Não tenho um — minto. — Hmm. — Ela olha para o teto mais uma vez, em seguida, pergunta baixinho: — O que você precisa que eu lhe diga? — Nada. — Eu me levanto e olho para ela. — Não agora. Sua amiga estava certa – você precisa descansar. Pegarei sua declaração mais tarde. — Seus olhos me estudam enquanto seus dentes mordiscam seu lábio novamente. — Vamos


conversar em breve, Hadley. — Puxo minha carteira do bolso de trás e abro-a, tirando um dos meus cartões. — Aqui tem meu número de celular. Use-o. Ligue se precisar de alguma coisa, mesmo que seja só para conversar. — Entrego a ela. — Obrigada. — Ela pega, segurando o cartão contra o estômago. — O que você fez foi estúpido. — Seus olhos se estreitam nos meus, em seguida, alargam-se enquanto deslizo meus dedos por sua bochecha macia. — Estúpido, mas realmente corajoso. Descanse. Vejo você em breve. — Viro-me e saio sem olhar para trás, imaginando por quanto tempo poderei ficar longe. Meu palpite? Fodidamente não muito tempo.


CAPÍTULO UM HADLEY Eu olho para a TV no canto do meu quarto e respiro fundo quando aparece outra imagem do lado de fora do hospital em que estou na tela. Meus olhos se fecham brevemente quando meu nome, junto com o de Harmony, é mencionado mais uma vez pela emissora de notícias. Até eu ligar a TV no meu quarto de hospital depois que Cobi foi embora, eu apenas pensei ter visto um homem louco sequestrar uma mulher e fazer o que qualquer outra pessoa teria feito – tentar ajudar alguém em necessidade. Eu não fazia ideia que o que acontecera com Harmony e eu seria notícias nacionais. Eu não sabia que o homem que a sequestrou era um médico neste hospital, um hospital no qual ela trabalhava como enfermeira. O Dr. Hofstadter, o homem que vi morrer na noite passada, estava envolvido em uma dúzia ou mais de queixas de assédio sexual que foram varridas para debaixo do tapete por anos. Em vez de Hofstadter ser repreendido como deveria, sua família – que fazia parte do conselho de diretores – demitiu quase todas as enfermeiras que fizeram uma queixa contra ele, para esconder o que acontecia. Isso durou anos, até que ele avançou em direção a Harmony, que se propôs a esclarecer o que estava acontecendo. Por isso ele a sequestrou. Pelo que as notícias


disseram, ele pensou que se ela desaparecesse, o mesmo aconteceria com a verdade sobre o que ele estava fazendo. Ele não teve essa sorte. Mesmo da minha cama, posso ver o que parecem dez furgões estacionados ao longo da rua, com os satélites no topo apontando para o céu. Âncoras de notícias e cinegrafistas estão montados na grama e nas calçadas, parando quase todas as pessoas que saem do hospital. Não tenho ideia de como sairei daqui sem ser questionada pela mídia, e realmente não quero ser questionada sobre uma situação da qual não sei nada. Para mim, o que aconteceu comigo e com Harmony na noite passada é uma história completamente diferente daquela que aconteceu com ela aqui neste hospital, mas não acho que a mídia se importe com a semântica. — As duas mulheres foram baleadas enquanto corriam por suas vidas — diz a âncora, e rapidamente retiro o som quando um arrepio desliza pela minha espinha e o medo enche a boca do meu estômago. Não preciso da lembrança do que aconteceu, do que poderia ter acontecido. — Toc, Toc. Podemos entrar? — Olho para o outro lado, para um homem e uma mulher que não conheço do lado de fora da minha porta aberta. A mulher é bonita, com longos cabelos escuros, vestindo uma simples camisa branca, um longo cardigã bege jogado sobre ela, jeans escuros e botas que sobem até os joelhos. Percebo que ela está segurando um grande buquê de flores e seis ou mais balões de Fique Bem Logo amarrados ao vaso com diferentes fitas coloridas. O homem com ela é assustadoramente sexy, como um falcão, e tatuagens cobrindo quase cada centímetro de sua pele exposta. Ele também é enorme, sua camisa branca apertada e jeans mostrando que mesmo para um senhor mais velho ele cuida do corpo. — Eu acho que vocês entraram no quarto errado — digo, quando a mulher sorri e começa a se aproximar da minha cama onde estou sentada. — Você é Hadley? — Sim. — Eu sou a mãe de Harmony, Sophie. Esse cara é Nico, o pai dela. — Oh. — Olho entre os dois mais uma vez. — Prazer em conhecer vocês.


— Igualmente. — Sophie abaixa as flores que ela está segurando na mesinha ao lado da cama. Quando seus olhos voltam para mim, ela começa a falar. — Eu só… Só queremos agradecer pelo que você fez ontem à noite. Antes que eu possa responder, ela pega meus braços e me puxa para um abraço. — De nada. — Minhas palavras são abafadas contra sua cabeça, e acho que ouvi Nico rir. — Como você está se sentindo? — Ela se afasta para olhar para mim, e minha garganta começa a ficar engraçada. — Estou bem. — Tem certeza? Cobi mencionou que você estava com um pouco de dor. — Cobi? — Por que ela está mencionando Cobi? Quando acordei e o vi dormindo na cadeira ao lado da minha cama, pensei que estava imaginando coisas. Eu não conheci Cobi na escola, mas como todas as outras garotas, eu o via. Eu era uma caloura quando ele estava no último ano, e ele sempre foi o tópico da conversa, já que ele não era apenas lindo, mas também legal com todos, tirava boas notas e jogava futebol. Ele foi o quarterback do time por três anos seguidos, e todos achavam que ele jogaria na faculdade e se tornaria profissional um dia, porque ele era muito bom. Em vez de fazer o que todo mundo achava que faria, ele entrou para o exército logo depois do ensino médio e, mesmo depois de muito tempo, as pessoas ainda cochichavam sobre ele. Alguns disseram que ele era um atirador de elite. Outros disseram que ele estava nas Forças Especiais. Não sei se alguma dessas coisas era verdade; o que eu sei é que quando estou no mesmo cômodo que ele, meu estômago parece sair pela minha garganta e minha mente para de funcionar corretamente, me fazendo agir como uma completa idiota. — Harmony e Cobi são primos — diz Sophie, sem saber meus pensamentos. — Cobi parou para verificar Harmony ao sair. Ele nos disse que você ainda estava aqui, que estava com um pouco de dor e que certificássemos que estava se cuidando. — Oh. — Olho entre eles. — A enfermeira me deu um pouco de Tylenol há pouco tempo. Eu já estou me sentindo melhor. — Bom — responde Sophie suavemente.


— Como está Harmony? — perguntei sobre ela algumas vezes, mas ninguém me deu nenhuma informação. — Ela está acordada; está bem. Ela está preocupada com você. — Por favor, diga a ela que estou bem e que estou feliz que ela também esteja. — Eu vou — concorda ela suavemente. Olho para Nico quando ele murmura um Porra silencioso, em seguida, sigo seu olhar através do quarto para a televisão, e minha foto antiga do Facebook está na tela. — Alguém vazou seu nome completo para a mídia — diz ele, olhando para mim. — O hospital prometeu descobrir quem fez e lidar com eles, mas como você pode ver, eles já estão correndo com a história. — Ele poderia repetir isso. — Você será liberada hoje? — Não sei. — Dou de ombros um pouco levemente. — Meu médico veio mais cedo e disse que eu deveria estar bem para ir para casa, mas não voltou. — Você tem uma carona? — Penso em Brie e o olhar no rosto dela mais cedo. Se eu não ligar para ela, ela vai enlouquecer e nunca vou parar de ouvir sobre isso. — Eu tenho uma amiga que virá me buscar assim que eu for liberada. — Certo — murmura ele, e puxa seu telefone. Eu o vejo digitar e, menos de dez segundos depois, o telefone toca e ele olha para mim novamente. — Tudo pronto. Uma vez que seu médico disser que você pode ir, um oficial estará aqui para acompanhá-la até o estacionamento da equipe. Sua amiga pode pegar você lá. — Obrigada. — Meus músculos relaxam, na verdade, todo o meu corpo relaxa com a notícia de que não precisarei sair pela frente e encarar as câmeras. — A qualquer momento, e tenho certeza de que Cobi cuidará de você. Mas se precisar de alguma coisa, eu lhe darei meu número. Não tenha medo de ligar. — Obrigada — murmuro, ignorando a parte de Cobi cuidando de mim, já que depois de hoje, eu espero nunca mais vê-lo novamente. Nico sorri um sorriso estranho, como se soubesse algo que não sei.


— Nós vamos deixá-la descansar — diz Sophie, agarrando minha mão e atenção. — Mas quando Harmony estiver bem, eu adoraria que você se juntasse a nós para jantar. Estudo ela e o marido, em seguida, penso no que aconteceu ontem à noite com Harmony. Não é mentira quando digo, — Eu gostaria disso. — Bom. — Ela se inclina para beijar minha bochecha então, me surpreendendo, Nico faz o mesmo. Minha garganta coça enquanto os vejo sair do meu quarto falando baixinho e de mãos dadas. Eu me pergunto se Harmony sabe quão sortuda é por ter duas pessoas que obviamente se amam, e a ela também; eu espero que ela saiba. Como filha de pais que mal conseguem suportar um ao outro e não se importam comigo, sei que esse tipo de amor é raro.

***

— Você está liberada, mas quero você aqui em alguns dias para que eu possa olhar os seus pontos — diz o Dr. Ross, anotando algo no meu prontuário antes de encontrar o meu olhar. — Mas se tiver alguma náusea ou se sua dor piorar, você precisará voltar à sala de emergência. — Claro — concordo, então olho para a porta quando alguém entra no quarto. Eu olho o senhor mais velho e solto um suspiro aliviada quando vejo um distintivo preso ao cinto dele. Também vejo que ele está carregando minha bolsa e uma sacola de plástico branca em uma mão. — Não se esqueça de voltar. Normalmente não há nada para se preocupar depois de receber pontos, mas, de tempos em tempos, a infecção pode se instalar, e quero ter certeza de que isso não aconteça — acrescenta Dr. Ross, chamando minha atenção para ele. — Eu voltarei — asseguro a ele enquanto o policial se aproxima da minha cama e o Dr. Ross olha para ele.


— Detetive Frank, esta é a Sra. Emmerson. Eles me disseram que você estaria aqui para escoltá-la para fora do hospital. Eu agradeço. As coisas estão uma bagunça desde que a história começou. — A qualquer hora — responde o detetive Frank, me dando um pequeno sorriso antes de olhar para o Dr. Ross. — Demorará um pouco até que a história morra. Você pode querer mais alguns guardas de segurança na porta da frente para gerenciar quem está entrando no prédio. Eu parei um repórter no meu caminho e o mandei para fora. — Vou falar com o chefe do departamento de segurança e ver o que eles podem fazer — diz Ross, parecendo irritado. Não posso dizer que o culpo; eu também ficaria aborrecida se o meu local de trabalho estivesse sobrecarregado de pessoas da mídia. — Deixe-me saber se você precisar que o meu capitão faça uma ligação. — Sim — diz o Dr. Ross, e então seus olhos voltam para mim. — Tome um pouco de Tylenol quando chegar em casa e descanse. Vejo você em alguns dias. — Certo. Ele levanta o queixo para mim e depois faz o mesmo para o detetive antes de sair. — Mayson queria vir, mas ele está preso em um caso — diz o detetive Frank, e eu me concentro nele, piscando surpresa. Por que Cobi queria vir? — Ele também me deu isso para dar a você. — Ele entrega minha bolsa e a sacola plástica. Eu abro a sacola de plástico, vendo um par de moletons e uma camisa branca simples. Cobi enviou roupas para mim? Que diabos? — Ele não precisava fazer isso. — Levanto a camiseta. — Minha amiga trará roupas quando vier me visitar — informo a ele. — Nós conversamos antes que eu viesse. Achamos que seria melhor se a sua amiga não entrasse para buscá-la, e Mayson não quer que você tenha que vagar pelo hospital nessa roupa ou ter que ir para casa com ela. — Ok, havia muito lá para absorver, mas antes que eu tenha uma chance de responder, ele continua. —


Ele também disse que você ainda precisa dar sua declaração. Você está pronta para dar agora? Não estou realmente pronta para isso, mas ainda quero que seja feito. — Eu gostaria de acabar com isso. O rosto dele suaviza. — Que tal você ligar para quem vai te pegar, e então vá se trocar. Devemos estar prontos quando chegarem aqui. — Certo. — Procuro em minha bolsa e rezo para o meu telefone estar lá, e então rezo para que ainda esteja carregado. Quando o encontro, eu ligo para Brie para avisá-la que estou liberada, e Frank me diz onde ela deveria me encontrar. Quando desligo, vou ao banheiro levando a sacola plástica comigo. Eu me troco rapidamente, ignorando o fato de que a camisa cheira como imagino que Cobi cheiraria – misterioso e masculino. Também ignoro o fato de que tanto a camisa quanto a calça são enormes em mim, o que significa que elas possivelmente pertencem a ele. É estranho o suficiente ele ter enviado algo para eu usar; acho que não conseguiria lidar com o conhecimento de que elas realmente pertencem a ele. Depois de me vestir, sento-me com Frank, que registra meu depoimento enquanto o escreve em um caderno espiral que ele puxa do bolso de trás. Quando terminamos, assim como o que foi prometido, sou escoltada pelo hospital e saio pela porta dos fundos até onde Brie está me esperando. — Seus pais ligaram? Com a pergunta de Brie, eu termino de afivelar meu cinto de segurança e olho para ela. — Não. — E eles não ligaram. Recebi algumas mensagens de pessoas com quem Brie e eu trabalhamos, mas nada dos meus pais. Não é surpresa. Minha mãe e meu pai não sabem o que está acontecendo, ou estão tão chapados e bêbados que não se importam com o que aconteceu. — Sério? — pergunta ela, dando marcha a ré e saindo do estacionamento ao lado da porta que acabei de sair. — Eles nunca me ligam, a menos que precisem de algo — lembro a ela, e seu rosto se contrai de raiva.


— Seu rosto está em todas as notícias, junto com o fato de você ter sido baleada. Ken tem me ligado o dia inteiro perguntando se eu soube algo de você. Ele está preocupado, e você sabe que ele nunca se preocupa com nada. — Ela está errada; Kenyon, o noivo dela, se preocupa o tempo todo. Talvez não sobre as merdas do dia-a-dia, mas ele é protetor das pessoas de quem ele gosta, e por eu ser a melhor amiga de Brie desde sempre, e o conhecer desde que eles começaram a namorar quando éramos calouros na faculdade, ele é protetor comigo também. — Kenyon também se importa comigo. Meus pais não, e eles nunca se importaram. — Você é filha deles, a filha deles que poderia ter morrido na noite passada. — Ela bate no volante em frustração. — Meus pais não são como foram seus pais, Brie. Você sabe disso. — Eu já te disse o quanto eu os odeio? — Não faz muito tempo que você desabafou sobre o quanto os odeia. Então sim, você me disse — murmuro, e ela olha para mim e franze a testa. — Eu não desabafo. O que há com você e Ken dizendo que eu falo o tempo todo? Não respondo, porque eu sinceramente não estou com disposição para ela começar a reclamar agora. — Hum, onde estamos indo? — pergunto quando perdemos a entrada da minha rua. — Estou te levando para minha casa. Ken e eu queremos que você fique conosco até sabermos que você está bem para ficar sozinha. — Eu não vou ficar na sua casa. — Sim, você vai. — Brie, eu amo você até a morte. Você é a irmã que nunca tive. Mas de jeito nenhum eu vou ficar com você e Kenyon. Você só tem um quarto e um sofá que foi feito para olhar, não para descansar. — Nosso sofá é confortável — argumenta ela, sabendo que é uma mentira. É um belo sofá de couro branco, mas é duro como pedra e seriamente desconfortável, até para sentar.


— Não, querida, não é. Lembra-se de alguns meses atrás, quando ficamos bêbadas e desmaiamos em sua casa? Acabei dormindo no chão, porque era melhor que o seu sofá. — Você disse a Ken que devia ter rolado bêbada do sofá quando ele te encontrou no chão na manhã seguinte. — Eu menti. Não queria dizer a ele que o sofá é uma droga. — Então você está me dizendo que meu sofá é uma merda agora? — Bem, sim, já que eu realmente não quero dormir no seu sofá ou no seu chão. Quero dormir na minha cama esta noite. — Ou pelo menos deitar na minha cama essa noite, eu penso, mas não digo. — Ken não gostará disso — murmura ela, virando em uma rua que eu sei que levará a minha casa. — Ele ficará bem. — Ele vai querer ver você, ver por ele mesmo que você está bem. — Vocês podem vir quando ele sair do trabalho. Quero apenas ficar em casa hoje à noite. — Tudo bem. — Ela vira na minha rua e estaciona na minha garagem. — Não fique brava — digo quando ela desliga o carro e solta o cinto. — Não estou brava — bufa ela, abrindo a porta. — Estou preocupada com você. — Ela sai, pegando meu buquê de flores antes de bater a porta. Eu faço o mesmo, mas ao invés de bater a porta, eu deixo escapar um suspiro quando fecho a minha e a sigo até a porta da frente, onde uso a minha chave para nos deixar entrar. Eu a escuto reclamando, esperando que isso não dure para sempre enquanto largo minha bolsa e tiro meus sapatos. — Você nem me disse que estava no hospital. Tive que ver no noticiário esta manhã, quando me preparava para o trabalho. — Sinto muito. Eu estava apagada, mas você está certa. Eu deveria ter ligado assim que consegui falar.


— Sim, deveria — concorda ela, indo para a cozinha, onde deposita as flores antes de abrir a geladeira, pegar uma garrafa de água e entregá-la para mim. — Beba isso. — Não discuto com ela. Eu abro a garrafa e tomo um gole. — Eu realmente não gosto que você queira ficar aqui sozinha. — Brie, o cara que me perseguiu pela floresta com uma arma na noite passada está morto. Muito morto. Ele não é uma ameaça. — Bile desliza pela minha garganta quando uma imagem de Hofstadter com um buraco na cabeça e a vida deixando seus olhos preenche minha mente. — Estou segura. — Eu sei, e essa é a única razão pela qual estou sendo legal sobre você ficar aqui sozinha — murmura ela, estudando-me com lágrimas enchendo seus olhos. — Por favor, não chore. — Não vou chorar — mente, e reviro meus olhos, em seguida, vou até ela, abraçando-a. — Estou bem. — Não posso te perder, Hadley. Você é a única família que me resta. Meu estômago dá um nó e uma dor passa pelo meu peito. Cinco anos atrás, Brie perdeu a mãe, e dois anos atrás, ela perdeu o pai. Ela não é próxima de mais ninguém de sua família. Para ela, é só Kenyon e eu, e para mim, são apenas os dois. — Você não vai me perder — sussurro, e seus braços me apertam. — Não posso. — Você não vai. — Dou-lhe um aperto e a solto quando seus braços caem. — Você jura que está bem? — Eu juro — digo, e ela me estuda por um longo momento antes de respirar e desviar o olhar. — Você deveria ir para casa e esperar Kenyon sair do trabalho. Seus olhos cortam para mim. — Você sabe que eu odeio que você sempre aja como se tudo estivesse as mil maravilhas quando não está. — Preciso de um banho — digo a ela, não querendo começar outra conversa que vai tê-la reclamando novamente. — Se quiser ficar aqui enquanto faço isso, sabe que é mais do que bem-vinda. Mas tenho certeza que Kenyon gostaria que


você estivesse em casa quando ele chegasse lá, e não me importaria se você trouxesse pizza quando voltasse com ele. — Então você está me dizendo que quer que eu vá embora. — Não respondo. Ela me conhece, sabe que eu gosto do meu espaço e do meu tempo sozinha. Algumas pessoas se alimentam da energia dos outros e precisam que ela prospere. Eu? Eu preciso de tempo para mim mesma e silêncio para energizar. — Tudo bem — cede. — Voltarei com Kenyon e a pizza. — Obrigada. — Sinto meu corpo relaxar. — Eu te amo. — Eu sei. — Ela balança a cabeça e começa a ir para a porta da frente. — Por favor, descanse, e se qualquer coisa – qualquer coisa – acontecer, me ligue. — Sim. — Te amo. Minha garganta queima junto com meu peito. — Também te amo. — Doulhe outro abraço antes que ela abra a porta, e então a vejo caminhar até o carro, entrar e sair da minha garagem. Eu examino a rua, em seguida, fecho a porta e vou para o meu banheiro, onde tomo um banho quente que não faz nada para me ajudar a relaxar.


CAPÍTULO DOIS HADLEY Com a cabeça no braço do sofá e meus olhos na TV, olho por cima do meu ombro para a porta quando alguém bate e fecho os olhos, rezando para que os repórteres não voltem. Pouco mais de uma hora após Brie e Kenyon saírem depois de trazerem pizza e ficarem comigo por um tempo, eu abri a porta para um homem que não conhecia, com um microfone preso à mão, e fechei a porta na cara dele. Ele foi o primeiro a bater, mas não o último. O toque constante da minha campainha e a batida continuaram a maior parte da noite, até que meu senhorio e vizinho, Tom, chegou em casa de onde quer que passasse seus dias. Parou após ouvi-lo através da porta gritando com os repórteres. Eles estavam estacionados na rua e em pé na calçada e no gramado, e ele disse que eles estavam invadindo uma propriedade privada, e se não fossem embora, ele os mataria. Sabendo o que eu sei de Tom, de nosso breve encontro, considerei uma ameaça real, e felizmente os repórteres também o fizeram e recuaram. Eu entendo porque eles recuaram; Tom é assustador. Ele é baixinho,


talvez um metro e meio, com uma constituição corpulenta e uma expressão sempre presente de Eu-não-estou-feliz em seu rosto. Ele é de New Jersey e me lembra de um dos caras maus do programa da HBO, The Sopranos. Na verdade, tenho certeza de que a única razão pela qual ele está morando aqui no Tennessee é porque está no Programa de Proteção a Testemunhas por delatar a máfia. Quando a batida vem novamente e meu nome é retumbado em uma voz profunda através da porta, eu franzo a testa e cuidadosamente levanto do sofá. Vou para a parte de trás do meu sofá, mantendo-me na parede e fora de vista. Uma vez que estou na porta, olho através do vidro ao lado e meu coração bate quando vejo Cobi na varanda da frente. Ele parece quase exatamente como nesta manhã, quando acordei para encontrá-lo no meu quarto. Seu cabelo ainda está um pouco bagunçado, e há barba no queixo dele, como se não tivesse tido a chance de fazer a barba ontem ou hoje. Seus olhos ainda parecem cansados, mas ele está com outra roupa, e agora está usando uma camisa de flanela cinza, preta e azul, calça jeans escuro com um cinto preto, onde está seu distintivo, e pesadas botas nos pés. Porcaria. O que diabos ele está fazendo aqui? Eu pulo quando ele bate não na porta, mas no vidro, e mordo meu lábio com força enquanto ele murmura: — Hadley, eu posso te ver. Abra a porta. — Afastome da porta, na esperança de me esconder. Apertando meus olhos fechados, acho que talvez, apenas talvez, ele pense que não me viu se eu não fizer barulho. — Abra a porta. — Ele parece impaciente e um pouco divertido, e meu coração se aloja na minha garganta quando abro meus olhos e dou de cara com seu rosto no vidro olhando para mim. Não querendo parecer uma idiota maior, deixo escapar um forte suspiro, destranco o ferrolho e giro a maçaneta. Assim que a porta se abre, ele entra na casa e fecha a porta. — Ei. — Quero revirar os olhos com o quão ofegante e desesperada eu pareço, mas falando sério – ele é a porra de Cobi Mayson. Todas as mulheres do mundo soariam ofegantes e desesperadas se um homem com a aparência dele entrasse em sua casa.


— Hey. — Ele olha em volta antes de seus olhos voltarem para mim e viajarem ao longo do meu corpo. — Você vai dormir? Olho para o meu robe cobrindo minha camisola e me encolho. — Sim — minto. Provavelmente nunca dormirei novamente, não com a visão de Hofstadter morrendo do jeito que morreu reproduzindo em um loop constante na minha cabeça toda vez que fecho meus olhos. Acho que a única razão pela qual consegui dormir na noite passada foi porque o hospital me deu uma dose de remédio para me ajudar a descansar. Isso fez o trabalho, e não me lembro de nada depois disso, até que acordei e encontrei Cobi dormindo no meu quarto esta manhã. — A mídia esteve aqui desde que você chegou em casa? — Eles apareceram esta noite — digo. — Foram embora depois que meu senhorio, que também é meu vizinho, chegou em casa e disse para eles irem embora. — Não falo sobre Tom ameaçando atirar neles. Não o quero em apuros ou acabar com o seu disfarce caso ele esteja em Proteção às Testemunhas. — Eu deveria ter pensado sobre eles aparecendo aqui. — Ele balança a cabeça. — Sinto muito. — Não é culpa sua. — Dou de ombros antes de envolver meus braços em volta do meu corpo. — Não sei se você sabe; mas eu falei com o detetive Frank antes de sair do hospital. Já dei a ele a minha declaração. — Eu sei — diz ele, e aceno com a cabeça, mordiscando meu lábio e me perguntando por que ele está aqui, se ele sabe que seu parceiro já falou comigo. — Queria ver você, ter certeza de que está bem. — Estou bem — respondo rapidamente, esperando que ele sinta que seu trabalho está feito depois de ver que estou bem e vá embora. — Todas as suas luzes estão acesas — aponta ele, e olho para onde ele está olhando, vendo que ele não está errado; todas as luzes na minha casa estão acesas, incluindo a pequena em cima do fogão. — O que você está fazendo? — pergunto a suas costas quando ele começa a ir para o outro lado da sala.


— O que você está assistindo? — pergunta ele, não respondendo a minha pergunta enquanto se senta no meu sofá. Olho para a televisão e aponto desnecessariamente, — Cake Boss. — Tem alguma cerveja? Pisco para ele, e olho em volta para ter certeza de que, de alguma forma, não me encontro em uma nova dimensão. — Cerveja? — Ou uísque? — Aqui parece um bar para você? — Não. — Seus lábios se contorcem. — Está bem então. Não, eu não tenho cerveja nem uísque. — Água? Oh meu Deus, o que diabos está acontecendo? — Por quê você está aqui? — Eu sei o que você viu ontem à noite — diz ele baixinho, e meu corpo fica tenso. — Eu sei como passar por algo assim pode foder com a sua cabeça. — Estou bem. — Você não está — afirma ele, ainda falando baixinho. — Você não precisa ficar sozinha agora. Ele provavelmente está certo sobre isso, mas entre estar sozinha e estar com ele, eu escolho ficar sozinha. — Estou bem. — Todas as luzes acesas neste lugar diz o contrário. — Ele se inclina, apoiando os cotovelos nos joelhos e testando os limites da camisa que está usando enquanto seus músculos flexionam. — Quer falar sobre isso? — Não — respondo imediatamente. Não quero falar sobre o que aconteceu, porque não quero que as memórias voltem. Eu sei que não é saudável, mas espero que se eu não falar sobre isso ou pensar no que passei, as lembranças simplesmente desapareceram.


— Tudo bem, não precisamos conversar. Podemos assistir a alguns programas de TV e passar um tempo. Quando eu ver que você está bem, eu vou embora. — Você não precisa fazer isso. Estou realmente bem — digo, imaginando se ele se sente obrigado a cuidar de mim por ser um policial. — Você parece pronta para cair. Meus olhos se estreitam nos dele. — Você está me dizendo que pareço uma porcaria? — Você é linda, querida. Ainda assim, você parece cansada — diz ele, gentilmente, e meu estômago dá um nó na palavra linda. — Venha se sentar. Olho para o meu sofá, o qual não é muito grande, mas parece ainda menor com ele sentado no meio. — Você está sentado no meio — digo a ele. Ele me dá um sorriso estranho, em seguida, se move para a almofada, ao lado do braço. — Melhor? Não, já que ele ainda está sentado no meu sofá e ainda na minha casa, onde tenho que olhar para ele. Meu sofá poderia ser grande para caber um time de futebol inteiro e ainda não seria grande o suficiente. Entendendo que ele não vai embora, eu vou para a geladeira e pego duas garrafas de água antes de voltar ao sofá, e depois entrego a ele uma enquanto me sento. — Estou realmente bem em ficar sozinha. — Claro que você está — concorda, mesmo sabendo que estou mentindo. Não respondo. Puxo minhas pernas para cima e olho para a televisão, tentando ignorar o fato de que Cobi Mayson está sentado no meu sofá, algo que está realmente me agitando demais. Sua presença parece me sufocar, seu perfume masculino, até mesmo a poucos metros de distância, me agride e me faz querer me aproximar para dissecá-lo. — Seu carro está em poder da polícia. — Em suas palavras, eu me viro para olhar para ele. — Há alguns arranhões, mas nada importante. Ainda é dirigível. Eu mesmo teria trazido para você, mas só você pode assinar os papeis. — Ele teria trazido para mim? Por que ele faria isso? Assim como, por que ele enviou roupas


para eu deixar o hospital, e por que está aqui agora? — Você pode pegá-lo a qualquer momento. — Vou buscá-lo amanhã. — Você consegue uma carona para ir ou precisa de uma? — Eu tenho uma carona — digo, sabendo que Brie, com quem eu também trabalho, estará mais do que disposta a me buscar de manhã para o trabalho, e então eu posso pegar um táxi para buscá-lo à tarde. — Obrigada por me informar sobre isso. Eu esqueci completamente dele. — Não tem problema, e eu entendo isso. Você tem muita coisa em mente. Tenho certeza que você teria se lembrado mais cedo ou mais tarde. — Sim, como amanhã, quando estivesse saindo de casa para ir trabalhar, o que seria tarde demais para lembrar — digo em tom de brincadeira. Ele olha para mim com um olhar estranho em seus olhos e depois fala: — Você vai trabalhar amanhã? — Sim. — Franzo a testa com o seu tom. — Você acha isso inteligente? — Desde que eu tenho contas para pagar, eu acho que sim — respondo, e sua mandíbula aperta. — Eu acho que você precisa tirar alguns dias antes de voltar ao trabalho. — E como eu lhe disse antes, estou bem. — Hadley, você esteve no hospital ontem à noite com uma concussão. Você tem pontos na testa e hematomas que não posso ver, mas sei que está lá apenas pelo jeito que está se segurando. Você precisa de alguns dias para se recuperar antes de voltar ao trabalho. — Como sou eu que estava no hospital e sou eu quem tem hematomas, sou eu quem sabe do que sou ou não sou capaz e voltarei ao trabalho amanhã. — Você é sempre tão teimosa? Sim.


— Porra, você é sempre tão teimosa. Nem precisa dizer isso para eu saber. — Você não me conhece, Cobi — indico, e seus olhos escurecem quando seu nome deixa a minha boca, essa escuridão fazendo algumas partes de mim se iluminarem de uma forma que nunca se iluminaram. — Eu irei. O que diabos isso significa? — Preciso ir para a cama. — Eu me levanto, pegando o controle remoto e desligando a TV. — Obrigada por vir me checar. — Hadley. — Ando em direção à porta e olho para ele quando ele diz meu nome. — Pare, eu serei legal. Apenas venha se sentar. — Estou cansada. — Não é mentira; estou exausta. Apenas não sei se conseguirei dormir quando for para a cama. — Eu vou para a cama. Agradeço por vir, mas você pode ir agora. — Venha se sentar. — É uma ordem, e isso coloca meus dentes no limite. — Boa noite, Cobi. — Coloco a mão na maçaneta e começo a girar. — Não sairei, Hadley. Você pode ser teimosa demais para admitir que não quer ficar sozinha, mas eu sei que você não quer. Não agora. Não depois do que aconteceu ontem à noite. — Não sou teimosa. — Você é. — Não sou. Ele sorri. — Venha se sentar. — Você precisa ir embora. — Eu abro a porta, mas ele ainda não se move; seus músculos nem se mexem enquanto ele olha para mim. — Eu não vou sair, baby, e apesar de você parecer adorável nesse robe, duvido que queira que a sua imagem fique por todo o noticiário amanhã — ressalta. Olho para fora e bato a porta quando vejo duas caminhonetes estacionadas na rua. Deus, eu realmente espero que eles não tenham me visto com o que estou vestindo. Ouço Cobi rir e meus dentes rangem quando olho para ele. — Venha se sentar.


— É normal um policial aparecer na casa de alguém e depois se recusar a sair quando solicitado... repetidamente? — Você realmente não quer que eu vá embora, Hadley. — Você está errado, Cobi Mayson. Eu realmente quero que você vá. — Como você me conhece? Por alguma razão, essa pergunta faz meu pulso bater com tanta força que sinto na minha garganta. — O que? — Como você me conhece? — Eu não te conheço. — Não é mentira; eu não o conheço. Mesmo quando nós estávamos juntos na escola, eu não o conhecia – simplesmente sabia quem ele era. — Por que você está mentindo? — Ele franze a testa, e solto um suspiro irritado. Se ele acha que sou teimosa, ele deveria se olhar no espelho. — Nós estudamos juntos. — Estudamos? — Sua carranca se aprofunda enquanto seus olhos percorrem meu rosto e cabelo como se tentasse se lembrar. — Eu era uma caloura quando você era um veterano. Não nos conhecíamos. Sequer tivemos aulas juntos. Eu te conhecia porque todo mundo conhecia você. — Entendo, embora não possa acreditar que eu não me lembre de você. Mesmo você sendo uma caloura quando eu estava no último ano, não teria como esquecer um rosto como o seu. Suas palavras são doces, mas ele não faz ideia da garota que eu era naquela época. Eu não era apenas gordinha; eu estava com cerca de sessenta quilos acima do peso. Tinha acne, óculos que eram três tamanhos grandes demais para o meu rosto, e meu cabelo era uma bagunça. Eu era uma nerd. Ainda sou uma nerd, mas agora sou apenas uma nerd por dentro. Fui provocada o tempo todo quando estava na escola e só tive uma amiga – essa pessoa sendo Brie. Não sei como ou porque Brie fez amizade comigo na quinta série, mas ela fez, e nós ficamos bem, mesmo que ela pudesse facilmente estar na


multidão popular. No início de nossa amizade, achei que ela era legal comigo porque sentia pena de mim, mas com o tempo aprendi que era apenas Brie. Ela é legal com todo mundo, não julga, não faz suposições, e nunca acha que conhece a história de alguém apenas por boatos. — Eu não tenho a mesma aparência de naquela época — digo a ele quando percebo que ele não tirou os olhos de mim. — Em absoluto. — Você era uma dessas crianças que andava por aí com roupas folgadas e de preto o tempo todo? — Não, eu era uma das garotas que estava acima do peso e desajeitada. Acredite, se me visse no corredor, você não teria dado um segundo olhar em mim. — Eu duvido disso — murmura. — Aposto que você era linda mesmo assim. Ele está tão errado, mas não acho que ele acredite em mim sem provas. Também, ele vendo a bagunça que eu era naquela época poderia assustá-lo e fazêlo ir embora. — Volto logo. — Vou para o meu closet e abro o armário. Pego uma das grandes bolsas de plástico que guardei e vasculho até encontrar o que estou procurando. Levo comigo para a sala de estar, me sento no meio do sofá ao lado de Cobi e abro o anuário no colo. Quando encontro minha foto, aponto para mim mesma, ficando feliz que a mídia tenha escolhido usar minha antiga foto do Facebook em vez daquela que estou vendo. Meu cabelo é mais frisado do que enrolado. Meus óculos de plástico roxo ocupam metade do meu rosto e fazem meu nariz parecer amassado. Estou sorrindo um sorriso estranho, o qual mostra meus dentes tortos, e minhas bochechas estão cheias de acne. Olhando para a foto, eu sei que se não tivesse Brie, não teria saído ilesa da escola. As crianças podem ser más e, às vezes, eram más comigo, mas tendo Brie e sua amizade inabalável, nunca me senti sozinha. Sempre tive alguém para sentar, alguém para ficar comigo, e ela nunca me fez sentir como se eu não pertencesse lá. — Você era fofa. — Minha cabeça voa ao redor para olhar para ele, e estudo sua expressão para ver se ele está mentindo. — Você era — diz ele, como se soubesse o que estou pensando. — Você ainda usa óculos?


— Não, eu fiz a cirurgia há alguns anos. — Que pena, esses óculos eram fofos em você. — Ele bate na minha foto. — Você está brincando comigo agora? — Estreito meus olhos nos dele. Ele inclina a cabeça para o lado. — Brincando com você? — Não sei. Estou tentando descobrir o que diabos está acontecendo. Você está sendo legal, mandando roupas para mim e depois aparecendo aqui e exigindo ficar para ter certeza de que estou bem. — Não sei se você está pronta para muita honestidade. Ok, o que isso significa? Não pergunto. Parte de mim não quer saber. Na verdade, eu acho que não posso lidar com a honestidade dele agora. — Talvez devêssemos apenas assistir um pouco de TV — murmuro. Seus olhos se voltam com ar de conhecimento e ele sorri. — Boa ideia, baby. Não digo mais nada. Eu fecho o anuário, pego o controle remoto e ligo a TV novamente. Percorro canais para assistir e acabo parando em um programa sobre caçadores de tesouros. Ficamos em silêncio por dois episódios, e nunca, nem uma vez, os caras que procuram tesouros encontram algo além de uma antiga cerâmica. Ainda assim, parece que não consigo parar de esperar que eles encontrem o que estão procurando. Quando o terceiro episódio começa, meus olhos ficam pesados, mas eu me forço a mantê-los abertos, não confiando que serei capaz de manter as memórias a distância se cair no sono. — Hadley. — Com meu nome, olho para Cobi e vejo sua expressão suave e cheia de compreensão. — Você está segura. Deite e feche os olhos, eu não deixarei nada acontecer com você. — Eu... — Prometo — ele me interrompe. — Você está segura comigo. Segura com ele. Senhor, Cobi Mayson é seriamente doce – e seriamente observador. Lambo meus lábios, e sem uma palavra, eu me deito, descansando minha cabeça contra o braço do sofá. Coloco minhas pernas perto do meu peito para que meus pés não


toquem nele, então eu solto um suspiro quando ele puxa o cobertor da parte de trás do sofá e coloca sobre mim. Meus olhos começam a parecer engraçados, como se eu pudesse chorar, mas me recuso a ceder ao sentimento. Fico lá por um longo tempo, não esperando adormecer, mas aparentemente, sim. E com Cobi cuidando de mim, durmo em paz.


CAPÍTULO TRÊS HADLEY — O tempo acabou. — Com a declaração de Brie, meus olhos vão da papelada que estou preenchendo para ela. Eu a vejo fechando a porta do meu escritório, em seguida, atravessando o tapete e sentando na cadeira em frente à minha. Ela faz uma pausa, passando as mãos no topo de suas calças antes de olhar para mim. — Precisamos conversar sobre Cobi Mayson. À menção de Cobi, meu coração começa a bater estranhamente e meu estômago se contrai. Quando acordei esta manhã, Cobi não estava sentado no meu sofá a poucos centímetros de distância, onde estava na noite passada quando adormeci. Em algum momento ele nos manobrou para que eu ficasse bem apertada contra o peito dele, com seu braço forte em volta da minha cintura, segurando-me firmemente contra ele para que eu não caísse do sofá. Despertei com a sensação dele ao meu redor e sua respiração sussurrando contra o meu pescoço. Eu sabia que não conseguiria lidar com o que estava acontecendo, então fiz o que qualquer garota sensata faria. Fingi que nada aconteceu. Rapidamente e cuidadosamente me afastei dele, levantei-me e comecei a me preparar para o trabalho. Eu esperava que ele fosse embora quando eu saísse do chuveiro ou ainda


estivesse dormindo, mas em vez disso, ele estava na minha cozinha, fazendo café da manhã para mim, como se ele tivesse feito isso um milhão de vezes. Ele também ainda estava lá quando Brie apareceu para me levar ao trabalho, e mesmo que ela não perguntasse e ele não falasse muito, eu sabia que ela estava curiosa para saber por que ele estava na minha casa tão cedo. — Cobi? — Tento a minha maneira me fingir de boba, mas os olhos dela se estreitam nos meus. — Cobi Mayson, que estava em sua casa esta manhã. — Oh, isso? — Aceno minha mão na minha frente. — Isso não foi nada. Ele está apenas sendo legal. — Ele ficou com você na noite passada? — Começo a abrir a boca, mas antes que eu possa falar uma mentira, ela continua. — E não minta. Eu sei quando você está mentindo para mim. Mordo meu lábio, algo que é um hábito horrível, e murmuro: — Ele dormiu no sofá. — Ele dormiu no seu sofá? — Bem... — paro, tentando pensar em algo para dizer, e então acho que uma meia verdade vai acalmá-la. — Acho que ele sabia que eu teria dificuldade em dormir caso estivesse sozinha. — Não me sinto culpada por deixar de fora o fato de que eu também dormi no sofá, que tenho certeza que dormi melhor do que tenho dormido em meses, talvez anos, e que acordei com ele me segurando. — Você poderia ter eu ou Kenyon lá, ou como eu disse ontem, você poderia ter ficado conosco. — Eu não o convidei exatamente, Brie. Ele apareceu e meio que se recusou a ir embora, mesmo quando eu pedi para ele ir algumas dúzias de vezes. Ela pisca para mim. — O que? — Como eu disse, ele está sendo legal. — Certo, e hoje de manhã, quando cheguei lá, ele estava na sua cozinha limpando o que pareciam ser pratos de café da manhã.


— Ele estava com fome. — Meu estômago tremula como esta manhã, quando saí do meu quarto para ovos, torradas e café, e ele esperando por mim. — Exatamente, o quanto você bateu com a cabeça? — Minha cabeça está bem. — Reviro meus olhos. — Ok, então me diga a verdade sobre você e Cobi. — Não há nada para dizer. — Querida — ela se inclina em sua cadeira, sua voz suave como se falasse com uma criancinha. — Um homem não vigia uma mulher se não estiver interessado, ou faz café da manhã para ela. — Ele está apenas sendo legal. Ele é um policial — dou de ombros. — É trabalho dele cuidar das pessoas. — Tenho certeza. — Ela revira os olhos. — Ou você é totalmente alheia e não vê o fato de que ele te quer muito. — Eu não estou interessada — minto. Estou totalmente interessada, mas de jeito nenhum eu iria lá – não com ele. Ele sendo um policial é apenas uma cereja no topo do bolo. Se ele soubesse a história da minha família, ele iria... Bem, não sei o que ele faria. Mas não há como submetê-lo à minha família ou ao meu passado. Ela balança a cabeça, os longos cabelos saltando sobre os ombros. — Não acho que ele se importe se você está ou se não está interessada. Na verdade, eu acho que ele não é o tipo de homem que entende a palavra não. — Podemos parar de falar sobre isso? Não há realmente nada acontecendo entre ele e eu, e precisamos trabalhar. — Ele quer você. — Brie — suspiro. Ela sacode a cabeça novamente. — Ele é Cobi Mayson, Hadley. Toda garota na escola o desejou, e eu o vi ontem e esta manhã. Não tenho dúvidas de que toda mulher com quem ele cruza tem uma paixão por ele agora. Ele é lindo e você é você.


Você é linda, um pouco chata, mas doce. Tenho certeza que ele está vendo tudo o que você é e pensando que quer isso. — Eu acho que você está pensando demais sobre isso. — Pego minha bolsa da gaveta e fico em pé. — Eu tenho que ir. Preciso pegar um táxi para pegar meu carro, então preciso ir aos Shelps para a vistoria em casa. — Eu contorno a minha mesa. — Tudo bem. — Ela se levanta da cadeira, mas me interrompe, envolvendo a mão em volta do meu braço antes que eu possa sair. — Se ele estiver interessado, por favor, dê uma chance a ele? Mesmo que isso nunca aconteça, eu aceno. — Você merece coisas boas em sua vida, Hadley. — Eu tenho coisas boas na minha vida — respondo instantaneamente, e continuo. — Eu tenho você e Kenyon, e um trabalho que adoro. Estou feliz, então, por favor, pare de pensar que não estou. Seus olhos observam os meus antes de suavizarem. — Você poderia ser mais feliz. Ela pode estar certa, mas aprendi desde muito cedo a nunca confiar em um homem, e nunca esperar que um homem seja o único a me fazer feliz. Não quero ser tão cínica, mas desisti do sexo oposto há muito tempo. Tenho vinte e oito anos, e o único cara em quem realmente confiava era Kenyon. Levei anos para chegar a esse ponto com ele, porque todos os outros homens que conheço eram drogados, mentirosos e trapaceiros. Meu pai, o primeiro homem a ser um elemento importante na minha vida, era todas as três coisas. — Eu amo você e entendo totalmente que você queira coisas boas para mim, mas eu realmente não posso falar sobre isso agora. Preciso ir. — Hoje à noite, jantar comigo e Kenyon. Nós vamos falar sobre isso então. — Brie... — Hadley, eu estou preocupada com você — sussurra ela, deslizando a mão pelo meu braço, pegando minha mão e apertando-a. — Você acabou de passar por algo traumático e, como sempre, está fingindo que nada aconteceu, como se nada


tivesse mudado. Como sua melhor amiga, preciso saber que você está bem. Por favor, me dê isso. Engulo e mordo meu lábio antes de concordar. Eu sei que ela se preocupa comigo; ela sempre se preocupou. Ela simplesmente não entende que às vezes é mais fácil fingir que tudo é perfeito do que reconhecer como as coisas realmente estão bagunçadas. Não gosto de ir ao passado. Não quero reviver tudo o que passei, porque no final do dia é uma perda de tempo olhar para trás constantemente. E sei, em primeira mão, que é preciso mais do que coragem para seguir em frente. — Eu te verei hoje à noite — diz ela, e aceno a cabeça mais uma vez. Saio correndo do meu escritório, saio do prédio e ligo para um táxi. Quando pego meu carro, está como Cobi disse – amassado, mas ainda dirigível. Graças a Deus.

***

— Sua puta do caralho. Você acha que pode me julgar? Você acha que pode vir aqui e em cinco minutos decidir que a coisa certa a fazer é levar meus filhos para longe de mim? — Sr. Shelp, por favor, acalme-se — insisto suavemente, mantendo minha distância do homem que está a poucos metros de distância, na porta aberta para sua casa. — Se você limpar as coisas, e... — Foda-se — ele me corta, apontando para mim, minhas palavras não fazendo nada além de irritá-lo mais. — Você verá o que está vindo para você, cadela. Esteja preparada. Você tirou algo de mim, então eu pegarei algo de você. — Ele entra na casa, batendo a porta. Fecho meus olhos por um momento, respirando fundo antes de entrar no meu carro, que está estacionado na rua. Eu me sento, olhando para a casa, mas não vendo nada, porque lágrimas enchem meus olhos, deixando-o embaçado. Esta é a parte do meu trabalho que eu odeio, a parte que eu gostaria de não ter que fazer. Eu sempre soube, desde a juventude, que queria ser assistente social. Eu não sabia exatamente o que o


trabalho implicava; só sabia que queria ser uma voz para as crianças que eram jovens demais para falarem por si mesmas. Crescendo como filha de duas pessoas que estavam mais preocupadas em ficar bêbadas ou altas, eu precisava de alguém para intervir por mim, mas ninguém nunca fez. Ninguém nunca se importou que meus pais gastassem todo o dinheiro em drogas e álcool. Nenhuma pessoa levou um segundo para se certificar de que eu tinha comida no estômago ou um lugar seguro para descansar a cabeça à noite. Não sei como seria a minha vida caso alguém se importasse o suficiente para fazer uma ligação para o serviço social, por estarem preocupados com o meu bemestar. Tudo o que sei é que agora eu sou a pessoa que precisa entrar nas casas das pessoas para verificar se as crianças que as rodeiam têm preocupações. Crianças como Lisa, filha de 10 anos de Shelp, e Eric, de 12 anos, cuja escola ligou para garantir que as crianças ficassem bem quando estivessem em casa com o pai. O relatório que recebemos nos disse que as duas crianças regularmente apareciam na escola com roupas sujas, muitas vezes dizendo aos professores que não comeram ou que o pai não estava por perto há dias. Mesmo com as informações fornecidas naquele primeiro relatório, não fiz nenhuma suposição. Eu sei melhor do que entrar em uma situação assumindo o pior. Coisas acontecem. A vida acontece. As pessoas têm dias ruins ou semanas ruins, e as famílias muitas vezes lutam para colocar comida na mesa. Eu, por exemplo, nunca quero ser a razão pela qual uma criança é tirada da única casa que conhece, as únicas pessoas que conhece, sem ter uma razão válida. Durante minha primeira visita aos Shelps, vi que as preocupações da escola eram válidas. Sr. Shelp me cumprimentou na porta bêbado, em seguida, levou-me para sua casa, que era uma bagunça. O lugar não era apenas isso. Era inabitável. Havia pratos sujos em todos os lugares, junto com recipientes abertos de álcool, cinzeiros cheios, preservativos usados e lixo... Tanto lixo. O chão estava coberto por uma espessa camada de lixo, incluindo o quarto das crianças. Pior, não havia comida comestível nos armários ou na geladeira. Foi durante a primeira visita que tomei a decisão de que as duas crianças deveriam ser retiradas da casa até que as coisas fossem limpas, e só então a situação seria reavaliada. Hoje, foi minha segunda avaliação da casa. Eu esperava


vir e encontrar coisas melhores do que da última vez que estive aqui. Infelizmente, descobri que nada havia mudado, incluindo o Sr. Shelp, que estava perdido novamente. Uma vez que me controlei e garanti que pudesse dirigir sem colocar ninguém em perigo, saí para a rua e voltei ao escritório para preencher a papelada necessária. Ambos os filhos do Sr. Shelp foram colocados com uma família local por enquanto, e sei, por trabalhar com essa família no passado, que eles estão sendo bem cuidados. Infelizmente, algumas famílias adotivas estão envolvidas pelo dinheiro. Essas são geralmente aquelas que as pessoas ouvem nos noticiários ou através de boatos, mas há famílias que querem apenas ajudar. Famílias como os McKays, que nunca foram capazes de ter seus próprios filhos, tiveram sucesso em poder receber crianças que precisam de um lugar tranquilo para ficar quando a vida está complicada. Os McKays já adotaram dez crianças, e três delas estão atualmente na faculdade. Eles também tiveram inúmeras crianças adotivas ao longo dos anos, e a maioria das crianças não quer sair quando é hora de voltarem para seus pais biológicos. Eu gostaria que mais pais adotivos fossem como eles. Infelizmente, ser pai adotivo não é fácil e é, frequentemente, uma faca de dois gumes. Quando você se inscreve para fomentar, sabe qual é o seu papel. Sabe que provavelmente terá que devolver a criança a seus pais biológicos ou pais, mas os apegos acontecem e os sentimentos surgem, tornando isso difícil. Eu nunca fiz isso, mas não consigo imaginar o amor de uma criança após conhecer sua história, e depois ter que deixá-la retornar a uma situação que pode não ser a mais saudável para ela. Ainda assim, os tribunais acreditam que as crianças deveriam ficar com seus pais biológicos e que nós, como assistentes sociais, devemos trabalhar para isso, não importa o que aconteça, o que significa que muitas vezes, as crianças são tiradas de pessoas que poderiam cuidar delas e devolvidas a seus pais, apenas isso – seus pais. Nem todas as situações que passam pela minha mesa são as mesmas. Eu tenho, ao longo dos anos, tido mais do que algumas famílias adotivas que só precisam de mim para ajudá-los a finalizar as adoções, ou famílias que foram denunciadas, sendo denúncias imprecisas. Não posso dizer quantas vezes eu tive


que investigar uma família porque alguém fez uma falsa afirmação contra eles por despeito. Quando chego ao escritório, vejo que o carro de Marian é o único que restou no estacionamento, o que significa que todos os meus colegas de trabalho saíram. Ótimo. Estaciono, entro no prédio e corro para o meu escritório. Eu nem paro na cozinha da equipe para uma xícara de café, a qual eu preciso desesperadamente, porque não quero encontrar minha chefe. Não é legal, mas tento evitar Marian tanto quanto possível. Ela me empurra da maneira errada. Ela é julgadora e arrogante, e sempre fala com todo mundo assim, incluindo as famílias que ela deveria ajudar. Como ou por que ela se tornou uma assistente social, eu não sei. O que sei é que ela serviria melhor como guarda de uma prisão. Quando chego à porta do meu escritório, paro e vejo Marian sentada na minha mesa, olhando para o meu computador. — Está tudo bem? Com a minha pergunta, a cabeça dela se ergue e surpresa preenche seus olhos antes que ela mude o olhar e tente franzir a testa, o Botox que ela usa faz com que seja difícil. — Por que tudo não estaria bem? — Não sei. — Eu me movo para o meu escritório, e quando começo a ir em direção a minha mesa, vejo que ela tem alguns formulários abertos no meu computador. Tento dar uma olhada no que ela está fazendo, mas ela sai rapidamente de tudo o que está olhando. Ok, o que diabos está acontecendo? — Eu precisava usar seu computador. O meu não está funcionando. Eu a observo por um longo tempo, tentando avaliar se ela está mentindo ou não, mas não consigo lê-la. Realmente não tenho motivos para pensar que ela mentiria sobre o fato de seu computador não funcionar, já que nossos sistemas não são atualizados há anos, e meu computador só saiu do conserto há uma semana.


— Você conseguiu o que precisava? — Coloco minha bolsa na borda da mesa e seus olhos se movem para ela. — Quando você conseguiu essa bolsa? — Olho para a minha bolsa Coach, um presente que comprei para o meu aniversário – um presente que não custou nem a metade do que deveria, desde que peguei na loja em Nashville. — Algumas semanas atrás. — Como você pode pagar? — Com a pergunta dela, lembro fisicamente do quanto não gosto dela enquanto sinto os músculos ao redor da minha coluna ficarem tensos. — Perdão? — Estou apenas perguntando, porque tivemos algumas discrepâncias nos últimos meses. — Discrepâncias? — Alguns dos fundos destinados a algumas das crianças para as coisas que precisavam desapareceram. — O que? — Meu estômago revira com a ideia de alguém tirando das crianças, crianças que não têm muito para começar, que contam com o pouco que lhes damos. — Deixa para lá. Não é algo que você precise se preocupar. — Ela se levanta da minha cadeira e caminha em direção à porta. — Estou olhando essas coisas. — Quanto foi tirado? Com a minha pergunta, ela se vira para olhar para mim. — Não posso te dizer essa informação. Só sei que quando eu descobrir quem pegou o dinheiro, eles estarão respondendo a mim antes de serem presos. — Por que estou ouvindo sobre isso só agora? — pergunto em voz alta. Marian é minha chefe, mas ainda faço parte da gerência. Eu deveria ter ouvido sobre isso; deveria saber sobre fundos em falta. — Não queremos que ninguém saiba. Agora, todo mundo é um suspeito. — Sinto meus olhos se estreitarem, e vendo meu olhar, ela continua, — Scott sabe.


Eu o informei sobre os fundos em falta e ele pediu para manter isso quieto enquanto a situação está sendo investigada. — Você tem algum suspeito? — Todo mundo é suspeito — repete, e sinto meus músculos tensos. Trabalhei com todos nesta agência por mais de cinco anos. Eu confio em cada um deles. Conheço a maioria de suas famílias e amigos, e suas histórias. Não é fácil acreditar que um deles faria algo tão horrível. — Você não pode falar sobre isso — diz ela, com o rosto duro. — O que acabei de dizer é confidencial. Eu nem deveria ter mencionado isso para você. — Eu não direi nada — concordo, e ela acena uma vez antes de sair do meu escritório e atravessar o espaço aberto. Continuo observando até que ela feche a porta do escritório. Vou até minha escrivaninha e me sento, minha mente girando enquanto tento encontrar uma explicação plausível para os fundos em falta. Todos os meses nós alocamos fundos para as crianças no sistema, dinheiro que é usado para pagar coisas extras, como uniformes esportivos, instrumentos musicais e coisas do tipo. Esse dinheiro é sempre contabilizado; temos que fazer um relatório e explicar em detalhes por que estamos usando esses fundos. Se o dinheiro está faltando, tem que haver uma trilha de papel. Nenhum fundo é dado sem aprovação por escrito e a documentação apropriada sendo arquivada. Não tendo a menor ideia do que fazer a respeito disso, faço o que precisa ser feito. Uso meu mouse e trago meu computador de volta à vida e então faço o relatório para o arquivo do Shelps, após terminá-lo, eu ligo para os McKays e os informo que os dois filhos do Shelp ficarão com eles até novo aviso. A sra. McKay, que já passou por isso antes, é compreensiva e promete falar com as duas crianças quando chegarem da escola. Ela também me diz que desde que as crianças estão com ela e seu marido, suas notas já melhoraram. Não estou surpresa; um ambiente amoroso, comer regularmente, e ter boas pessoas ao redor tende a trazer o melhor das crianças, mesmo quando estão passando por uma experiência traumática. Antes de desligar o telefone com a Sra. McKay, marco outra visita para poder ver as crianças, só para ter certeza que elas estão se adaptando à nova situação de


vida delas. No momento em que saio do telefone e desligo o computador, já passa das cinco. Vi Brie entrar no escritório há pouco tempo e sei que ela fechará as portas para ir para casa em breve também, então recolho minhas coisas e vou em direção ao cubículo dela no centro da sala. Eu vejo que ela está no telefone, então não me aproximo, mas ela levanta a cabeça e sorri para mim, me dando um sinal de cinco minutos. Aceno e vou para a cozinha, na esperança de pegar uma xícara de café antes que seja despejado pelo ralo. Chego na hora certa. Pego a última xícara e passo alguns minutos limpando a cozinha antes de encontrar Brie. Ela me diz que fez reservas em um dos meus restaurantes favoritos, um lugar grego local que não tem apenas as melhores ostras frescas, mas Gyro1, que até pensar faz minha boca encher d'água. Após concordar em encontrá-la no restaurante as sete, nós nos separamos e volto para casa. Hoje foi surpreendentemente tranquilo. Não que meu celular não esteja tocando a cada cinco minutos com pessoas desconhecidas, mas nenhum repórter apareceu no meu trabalho – algo com o qual eu estava honestamente preocupada. Até os meus colegas de trabalho, que sabem o que aconteceu, foram tranquilos. Sim, eles perguntaram se eu estava bem ou precisava de alguma coisa, mas não me importunaram por informações ou me questionaram excessivamente, o que foi um alívio. Quando chego em casa, vou direto para o meu quarto e tiro meus sapatos, calças e blusa que usei para trabalhar. Coloco um par de jeans skinny escuros e um suéter cinza, para o caso de comermos na parte de fora, o que é algo que fazemos com frequência, e deslizo pelo meu apartamento. Quando termino de me arrumar, paro na cozinha para pegar uma garrafa de água da geladeira, mas paro ao ver uma nota no balcão da cozinha. A caligrafia é simples, mas masculina. As palavras escritas são curtas e diretas. Voltarei hoje à noite

1 Gyros ou gyro, lido "guíros", é uma apresentação de carne assada num forno vertical, servido num pão de pita ou sanduíche. Como acompanhamento da carne incluem-se algumas verduras e molhos. Os mais comuns acompanhamentos são o tomate, a cebola e o molho tzatziki. Na Grécia, o gyros significa literalmente "assado giratório"


Provavelmente será tarde Cobi Meu coração fica pesado no meu peito quando pego o bilhete e o releio. Eu fecho meus olhos e inclino a cabeça contra meus ombros, tentando descobrir como posso sentir alívio e medo ao mesmo tempo. Sem uma resposta, solto a nota, pego minha garrafa de água, minhas chaves, bolsa, e saio. De uma coisa eu sei com certeza – nada pode acontecer entre Cobi e eu, mesmo que eu queira que tudo aconteça entre nós.


CAPÍTULO QUATRO HADLEY — Nós amamos você, Hadley — diz Kenyon quando chegamos ao meu carro, e meus dedos se apertam em torno das chaves. Sempre sinto um pouco de dor quando ouço essas palavras, dor porque, por mais que eu queira acreditar que entendo a emoção do amor, não acho que o faça. Nem mesmo assim. Eu olho para cima. Aos quase dois metros de altura, Kenyon não se eleva sobre mim; ele domina todos. Até Brie, que tem um metro e oitenta de altura e sempre usa pelo menos sete centímetros de salto, tem que inclinar a cabeça para olhar para o homem. Essa é uma das razões pelas quais ela me disse que se apaixonou por ele. A maioria dos homens com quem ela namorou era da altura dela, ou não muito mais alto, então ela nunca usou saltos, e os homens nunca a fizeram se sentir feminina ou delicada. Kenyon poderia fazer alguns dos maiores homens que eu conheço se sentirem femininos e delicados, com seu tamanho e presença gigantes. Ele é mecânico; é áspero em torno das bordas, e provavelmente poderia esmagar alguém com um movimento do pulso, embora eu duvide que ele faça isso. Ele é muito legal, provavelmente uma das pessoas mais legais que eu já conheci. — Estamos apenas preocupados com você.


— Eu sei. — Eu me inclino para ele quando ele me abraça, e meu olhar encontra Brie, que está perto de nós, quando vejo seus olhos começar a se encher de lágrimas. Mais uma vez, eu engulo em seco e sussurro — Apenas mais alguns dias, e então eu prometo que vou falar com quem você quiser que eu fale. — Jura? — Brie se aproxima, estendendo o dedo mindinho, e eu me afasto de Kenyon e envolvo meu dedo mindinho ao redor dela antes de pressionar nossos polegares. — Juro. — Com as mãos ainda unidas, eu a abraço. — Tem certeza que não podemos te convencer a ficar conosco, apenas por alguns dias? Sorrio e me inclino para olhar para ela. — Não. — Tudo bem. — Ela revira os olhos, em seguida, o braço de Kenyon envolve meus ombros, me apertando em seu lado antes de me soltar e agarrar a mão de Brie. — Ainda estamos combinadas para amanhã? — Quando eu já perdi um dos nossos sábados? — pergunto. Durante anos, uma vez por mês, fazemos nossas unhas, almoçamos e vamos ver um filme. É o nosso dia. — Verdade. Estarei na sua casa as dez para buscá-la. — Onze — afirma Kenyon, e Brie inclina a cabeça para ele. Quando ela lê o olhar em seu rosto, ela sorri e olha para mim. — Onze — diz ela, e dou uma risadinha. Abro a porta do meu carro e deslizo atrás do volante. — Te vejo amanhã. — Ligue quando chegar em casa. — Sim. — Além disso, amanhã, vamos ter uma conversa séria sobre Cobi — diz ela por cima do ombro enquanto Kenyon começa a levá-la embora. — Ótimo — murmuro, e ela ri. No jantar, ela trouxe Cobi mais de uma vez. Ela também me observou atentamente, e olhou para mim como se eu estivesse mentindo toda vez que disse a ela que não estava interessada nele.


Bato minha porta e observo pela janela da frente quando Kenyon a leva até o carro e a ajuda antes de ir para o lado do motorista. Eles não saem do estacionamento até que eu faça isso, e ouço a buzina soar quando saímos em direções opostas. Quando chego em casa, noto que a rua está vazia, sem vans ou meios de comunicação à vista. Talvez a história do que aconteceu já seja uma notícia antiga, ou talvez a mídia tenha percebido que eu não tinha nada a ver com o que aconteceu com Harmony enquanto ela trabalhava no hospital. Pego minha correspondência da caixa no final da garagem, em seguida, olho para a esquerda para ver Tom em pé na sua varanda da frente fumando um cigarro. Sério, ele deve ser um mafioso. Que outro tipo de cara usa roupas quando estão em casa? Dou um aceno quando nossos olhos se encontram, não surpresa quando ele não acena, mas seu queixo se levanta em saudação. Com um aceno de cabeça, entro na minha casa, acendo todas as luzes enquanto passo. Largo a correspondência e a bolsa na ilha, depois vou para o meu quarto e me visto em uma das minhas camisolas, jogando meu robe sobre ela. Lavo meu rosto e sento no sofá para assistir TV por algumas horas antes de ir para a cama. Com os olhos cansados, vejo a hora do meu despertador mudar de 00:59 para 1:00 da manhã. Estou deitada na cama, o sono me evitando por quase quatro horas agora. Ou talvez seja eu quem está evitando dormir? Eu gostaria de poder dizer que não estive esperando por Cobi, mas a verdade é que estive. Puxo meu cobertor por cima da minha cabeça, percebendo quão silenciosa está minha casa. Não é solitária, apenas quieta. Tive um gato por alguns anos; adotei da Humane Society2 quando aluguei meu primeiro apartamento em meu primeiro ano de faculdade. O nome dela era Shy. Ela era velha e precisava de medicação diária, mas também era doce, temperamental, adorava abraçar e nunca era agressiva. Logo depois de adotá-la, levei-a ao veterinário para um check-up e eles disseram que não acreditavam que ela tivesse mais de dois anos. Eles estavam certos, mas esses dois anos foram bons, não só para ela, mas para mim também.

2 A Humane Society dos Estados Unidos e afiliadas prestam cuidados diretos a mais de 100.000 animais a cada ano - mais do que qualquer outra organização de bem-estar animal. Trabalha para profissionalizar o campo de cuidado animal com programas de educação e treinamento.


Sinto falta dela agora mais do que nunca. Ter outro ser vivo, respirando ao redor, tornava o silêncio não tão alto. Talvez amanhã eu verifique o meu contrato e veja se diz alguma coisa sobre ter um animal de estimação. Se disser que liberam os animais de estimação com apenas um depósito a mais, falo com Tom. Nunca tive um cachorro. Nem sei se posso lidar com a responsabilidade de ter um cachorro, mas estarei totalmente olhando para os cães. Talvez um daqueles pequeninos e fofinhos, que eu possa levar comigo para todo lugar que eu for. Sorrio com o pensamento e pulo ao ouvir a campainha tocar. Meu coração acelera e meu corpo parece cheio de eletricidade com a ideia de Cobi estar na minha porta. Quando a campainha toca novamente, eu tiro meus cobertores de cima de mim, e pegando meu robe no final da cama, atravesso a sala de estar ainda iluminada em direção à porta da frente, amarrando o cinto ao redor da minha cintura. Quando vejo Cobi me observando se aproximar do vidro ao lado da minha porta, meu estômago enche de borboletas. Não hesito em abrir as fechaduras e girar a maçaneta, e ele não hesita em entrar na minha casa e fechar a porta. Sério, ele é bonito. Assim como ontem, ele tem botas e jeans, com o distintivo preso ao cinto. Ao contrário de ontem, ele está usando uma camisa de botão, camisa preta para dentro da calça, uma camisa moldada em seu corpo, mostrando a todos com olhos como o modelo de camisa que ele está usando deve se ajustar. — Você está na cama, mas ainda tem todas as luzes acesas — diz ele, olhando ao redor, e começo a abrir a boca, mas antes que eu possa responder, ele continua. — Baby, a única maneira de você poder lidar com o que aconteceu, é falar sobre isso. Ser teimosa não consertará as coisas. — Perdão? — Falo um pouco mais alto, então não me sinto tão intimidada com ele se elevando sobre mim e olhando para mim. — Você está sendo teimosa. — Estou bem — digo, deixando de fora o fato de que Brie e Kenyon já me convenceram de que preciso conversar com alguém e que concordei em fazê-lo. — Querida, você está com medo de dormir em sua própria casa. Você não está bem.


Meus olhos se estreitam com aborrecimento. — Você não me conhece. — Não, não completamente, mas sei que você está sendo teimosa sobre isso. — Para sua informação, nunca gostei de dormir no escuro. Nunca fui capaz de dormir quando um quarto está escuro como breu. Sempre precisei de um pouco de luz, e é por isso que, na maioria das vezes, eu tenho meu som, o qual também emite um brilho azul suave que não me mantém acordada, mas me dá luz suficiente para ver. — Nunca? — pergunta ele baixinho enquanto seus olhos examinam os meus. Olhos que parecem ver tudo, até as coisas que não quero que ele veja. — Nunca. — Dou um encolher de ombros, em seguida, minto. — E eu estava quase dormindo quando você tocou a campainha. Seus lábios se contraem. — Você é tão cheia de merda. — O que? — Você é cheia de merda, querida. Vi você ontem à noite antes de você dormir. Lembro-me exatamente como seus olhos e rosto pareciam então. Você não estava dormindo quando toquei a campainha. Você pode ter tentado, mas não estava nem perto de chegar lá. Ele se lembra de como meus olhos e rosto pareciam antes de adormecer? Não, não. Sacudo a cabeça. Não deixarei que suas palavras me façam sentir estonteante. — Alguém já lhe disse que você é realmente irritante? — Uma vez ou duas. — Aposto. — Descanso minhas mãos nos meus quadris e olho para ele. — Então, você quer ficar no sofá comigo e assistir TV, ou quer ir para a cama e tentar dormir um pouco? — Então você está dizendo que não vai embora. — Paro e acrescento: — Mais uma vez, embora eu esteja dizendo que você não precisa estar aqui e eu estar bem. — Eu não vou embora — confirma.


— Isso é um novo serviço oficial que estão fornecendo aos cidadãos deste município? — Não. — Seus olhos se prendem nos meus e se enchem com algo que não entendo. — Este é um serviço que estou fornecendo exclusivamente para você. — Por quê? — Como eu disse antes — sua voz suaviza antes de continuar —, não estou certo que você está pronta para essa honestidade. Olhando nos olhos dele, sei que ele está certo. De jeito nenhum, eu estou pronta para o tipo de honestidade dele. — Eu vou para a cama. — Dissimulada. — Ele sorri e meus mamilos formigam. Sério, ele tem olhos grandes, cabelos grandes e um corpo grande, mas sua boca e seu sorriso são exageradamente sensuais. Tenho certeza que Brie está certa sobre ele se tornar o crush de todas as mulheres com quem ele entra em contato. Não estou disposta a pensar em por que isso faz meu estômago revirar de desconforto; virando com os pés descalços, inclino sobre o encosto do sofá e pego o controle remoto. Ligo a televisão e atiro o controle remoto para ele. Não escuto o barulho de cair no chão, então eu sei que ele pegou. Não olho para ele novamente ou digo mais nada antes de deixá-lo na sala de estar e ir para o meu quarto. Um, porque tenho certeza que qualquer coisa que eu dissesse sairia uma bagunça completa, me fazendo parecer uma idiota. Dois, porque não quero reconhecer o quanto estou grata por ele estar aqui... De novo. E mesmo que eu nunca admita isso, me sinto mais à vontade com ele em minha casa. E três, se eu soubesse por que ele está aqui, eu gostaria de encontrar alguma maneira não muito decorosa de agradecer o que ele está fazendo. Essas coisas incluem beijá-lo, provavelmente apalpá-lo, e talvez – se eu tivesse sorte – cada um de nós tendo um orgasmo. Fecho a porta do meu quarto e vou para a cama. Nem tenho a chance de realmente pensar em Cobi estar em minha casa, porque durmo quase assim que minha cabeça bate no travesseiro. Não.


Oh Deus não. O medo enche a boca do meu estômago, em seguida, corre por mim quando vejo a arma nas mãos dele. Ele não diz uma palavra, mas o olhar sombrio em seus olhos frios diz tudo – ele vai me matar. Meus membros tremem e um arrepio desliza pela minha espinha. Eu quero me mexer. Quero correr. Mas estou congelada no lugar. Meus olhos se fecham. Este é o fim. Bang! Eu grito, esperando sentir a dor que sei que está chegando. — Baby. — Braços me envolvem e luto contra o aperto deles, precisando correr, precisando fugir agora que não estou congelada no lugar. — Acalme-se. Você está segura. Prometo que você está segura. — Co... bi? — O nome dele sai irregular enquanto meus pulmões lutam para se encher de oxigênio. — Respire, você está segura. Em casa — diz ele. Eu tento. Tento tanto, mas parece que não consigo ar suficiente nos meus pulmões. Não consigo recuperar o fôlego. Meu peito dói e meus pulmões sentem que podem explodir. — Venha. — Sou puxada para sentar ao lado da cama, então sinto sua mão nas minhas costas, pressionando para baixo e forçando minha cabeça entre as minhas pernas. — Respire, baby, apenas respire. Você está em casa. Casa... Estou em casa. Não estou no meio da floresta, correndo pela minha vida, não estou deitada indefesa no chão e olhando para a arma que eu sei que vai me matar. Uma respiração curta após a outra vem até que meus pulmões acabam se enchendo com o oxigênio que eu preciso para respirar facilmente. Lágrimas enchem meus olhos enquanto a mão de Cobi esfrega círculos suaves nas minhas costas, suas palavras suavemente faladas de encorajamento me dizendo para respirar, me dizendo que estou bem, me puxam de volta à realidade. Levanto a cabeça e a mão dele desliza ao redor do meu pescoço e seu polegar pressiona no meu queixo.


— Sinto muito. — Lágrimas escorrem pelo meu rosto, e com a luz azul no meu quarto, vejo seu rosto suavizar, em seguida, eu assisto fascinada quando se aproxima do meu. Seus lábios quentes e macios tocam minha testa e meus olhos se fecham. — Você não tem nada com o que se desculpar. — Eu... — Você precisa falar com alguém, Hadley. Precisa conversar com alguém para poder resolver isso. — Eu sei. — Deixo minha testa cair, mas ele não se afasta, então acaba descansando no queixo dele. — Já concordei em falar com alguém. Brie vai marcar com alguém que ela conheça. Seus movimentos ainda estão congelados por um momento, antes de sussurrar, — Bom. — Sua mão desliza pelas minhas costas e seu queixo desliza para o lado, de modo que sua bochecha descansa contra o topo da minha cabeça. — Ficará mais fácil quando você falar sobre isso. Eu aceno e minhas mãos se fecham em punhos. Quando percebo que a camisa dele está entre as pontas dos meus dedos, eu rapidamente deixo minhas mãos caírem. — Sinto muito por isso. — Não sinta. Estou feliz por estar aqui. Ele se inclina e eu inclino a cabeça para olhar para ele. — Você precisa de um pouco de água? — Sim. Por favor. — Também preciso de um momento longe dele, longe do jeito que ele me faz sentir. Eu não deveria estar me agarrando a um homem que não conheço. Eu não deveria estar pensando em como estou grata por ele estar aqui agora. Quão segura me sinto na presença dele. — Volto logo. Minha respiração para quando ele se inclina, pressionando um beijo suave na minha testa, e meus olhos se fecham e não abrem novamente até ouvi-lo sair do meu quarto. Não me deito; corro para o meio da cama e descanso minhas costas na cabeceira, trazendo os cobertores até o peito. Quando Cobi volta, noto que seu cabelo está amarrotado e seus olhos estão cansados. Também vejo suas botas e a


camisa aberta com as mangas enroladas até os cotovelos. Eu olho para o relógio no criado-mudo, e passa das quatro da manhã. — Você estava dormindo? — O que? — Eu... — balanço a cabeça. — Você dormiu no meu sofá? — pergunto, quando ele vem em minha direção, segurando um dos meus copos cheios de água. — Sim, você desmaiou não muito tempo depois que veio para a cama. Porcaria, eu sou uma merda. Aqui estou eu, dormindo em minha cama confortável e aconchegante, e nem sequer ofereci um travesseiro ou um cobertor para ele. Pego o copo de água, tomo um gole, depois fecho os olhos e suspiro. — Eu sou uma idiota. — Desculpe-me? — A cama afunda quando ele toma um assento ao lado das minhas pernas esticadas. — Você tem sido legal, e eu nem sequer me ofereci para pegar um travesseiro para você. Sua mão repousa no topo do meu pé, e apenas esse simples contato faz com que as borboletas voem novamente no meu estômago. — Eu dormi em lugares piores com muito menos. Confie em mim, eu estou bem. Quero perguntar o que ele quer dizer, onde dormiu que foi pior, mas não pergunto. Quando percebo que ele está sorrindo, franzo a testa e pergunto: — O quê? — Você está preocupada com o meu bem-estar. Revirando os olhos, luto contra um sorriso. — Talvez você não seja chato. Talvez você seja apenas convencido. Eu o vejo jogar a cabeça para trás e rir, e o som passa sobre mim, me fazendo sentir triunfante. Quando ele para de rir e seus olhos encontram os meus, minha respiração fica presa na garganta. Não sei o que vejo em seu olhar sombrio, mas sei que isso me faz sentir que eu deveria fugir o mais rápido possível, ou me segurar


mais forte. — Hadley. — Seus olhos buscam os meus quando ele se inclina para mais perto de mim. — Você está bem para voltar a dormir? Com o pensamento de dormir sozinha no escuro, o medo começa a tecer o seu caminho através do meu sistema, como os intrincados detalhes de uma teia de aranha, mas em vez de dizer não, eu aceno com a cabeça enquanto sussurro: — Sim. — Mentirosa. — Seu polegar desliza pela minha bochecha. — Você é uma linda mentirosa, mas ainda é uma mentirosa. — Não sou mentirosa — afirmo, enquanto ele pega o copo de água da minha mão e o coloca no criado-mudo. — Você é, mas eu acho que com o tempo isso vai mudar, mas mesmo que não, eu aprenderei a ler você. Ele fica de pé e meu coração dispara, pensando que ele vai sair. Mas então o sangue começa a correr pelas minhas veias quando ele tira o distintivo e o deixa cair perto da minha água, e então pega o celular e a carteira, fazendo o mesmo com os dois. Abro a boca para perguntar o que ele está fazendo, mas calo quando ele se deita ao meu lado, descansando as costas contra a cabeceira e empurrando seu braço para trás dos meus ombros, me puxando para mais perto dele. Cada parte de mim gela quando ele cobre a parte de trás da minha cabeça e força minha bochecha para o seu peito duro. — Relaxe e tente dormir um pouco. Eu quase rio. Ele honestamente espera que eu relaxe enquanto ele não está apenas na minha cama, mas me segurando contra o seu corpo musculoso? Relaxar quando o cheiro dele está me deixando tonta? — Relaxe, Hadley. Eu tenho você — diz ele, suavemente, enquanto seus dedos deslizam pelo meu cabelo. Apertando meus olhos fechados, eu debato em dizer a ele que de nenhum maldito jeito eu serei capaz de relaxar com ele por perto, mas meus músculos começam a afrouxar lentamente com seus dedos trabalhando sua magia, a batida constante de seu coração contra o meu ouvido e sua respiração uniforme. — É isso aí, baby. Durma — sussurra ele bem antes de eu adormecer, e mais uma vez, durmo como um bebê com Cobi me observando.


— Então, você está aqui novamente. — Na declaração de Brie, meus olhos se abrem lentamente. Eles se ampliam quando minha visão se esclarece e vejo a hora no relógio ao lado da minha cama. — Sim — afirma Cobi, e meu coração começa a bater. — Então, você passou a noite de novo? — Com a pergunta de Brie, eu afasto o cobertor e rolo da cama, indecorosamente. Eu pareço um peixe fora d'água, então quase caio de cara no chão. — Não responda a ela! — grito, abrindo a porta e saindo correndo do meu quarto. Paro em frente à ilha da cozinha, onde Brie e Cobi estão em lados opostos. — Não responda a ela. É uma armadilha. — Uma armadilha? — Brie estreita os olhos em mim. — Sim, uma armadilha. — Olho para Cobi. — Não responda a ela. — Então não digo a ela que dormimos juntos novamente? — Seus lábios se contraem enquanto seus olhos se enchem de humor. — De novo. — Brie levanta uma sobrancelha para mim. — Nós não dormimos juntos — digo. — Não dormimos? — questiona Cobi, e eu me viro para olhar para ele. — Não dormimos juntos. — Nós dormimos — afirma ele com um casual encolher de ombros ao pegar seu café e tomar um gole. — Você dormiu com ele duas vezes? — pergunta Brie. — Não. Ok, sim, nós dormimos juntos, mas não dormimos juntos. Quero dizer, nós, na verdade, dormimos juntos. — Olho para Cobi quando ele começa a rir. — Isso não é engraçado. — Então vocês dormiram ou não dormiram junto? — Brie franze a testa, parecendo confusa. — Certo! — Estendo meus braços. — Nós não transamos; apenas dormimos juntos.


— Foi o que eu disse. Dormimos juntos — diz Cobi, e Brie começa a rir. — Se vocês acabaram de me irritar, eu preciso me arrumar. — Eu também tenho que ir — afirma Cobi, olhando para o relógio no microondas. — Você se importa se eu roubar sua garota por um minuto? — pergunta ele a Brie. — De modo nenhum. Um minuto, um mês, para sempre, talvez. — Ela pisca para ele e ele ri. — Venha. — Pego a mão de Cobi e o arrasto para o meu quarto, em seguida, fecho a porta. — Você pode, por favor, parar de ser charmoso com minha amiga? — Então, agora eu sou charmoso? — Um grunhido soa na minha garganta e minhas mãos se fecham em punhos enquanto olho em seus olhos cheios de humor. — Devo começar a fazer uma lista? — Claro — digo —, e por que você não adiciona bundão nela? — Não sei se gosto disso — sorri. — A menos que você esteja se referindo à qualidade da minha bunda. — Você não precisa ir embora? — Aceno minha mão para a porta que ele está próximo. — Foi você quem me trouxe para o seu quarto, baby. — Bem, então você pode ir. — Posso dar um beijo de despedida? — Seus olhos caem para a minha boca, e os meus caem para a dele. Meu pulso acelera e meu estômago afunda. Sim, todos os sssimms! Minha mente grita, mas, — Absolutamente não — deixa minha boca. — Absolutamente não? Isso é muito firme, considerando a maneira como você estava apenas olhando para minha boca. Estreito meus olhos para ele. — Eu não estava olhando para sua boca. — Mentirosa.


— Ela mente o tempo todo! — grita Brie do outro lado da porta, e gemo enquanto Cobi começa a rir. — Cala a boca, Brie, e saia da minha porta, sua espiã. — Deixei um brinco cair — diz ela, e reviro meus olhos em direção ao teto e os mantenho lá, rezando para ser pega em um vórtice que me mandará para outro tempo ou lugar. — O que você fará hoje? — pergunta Cobi, e meus olhos encontram os dele. — Apenas coisas de garotas, depois um filme com Brie. — Bom. — Ele estende a mão, envolvendo os dedos em volta de uma mecha do meu cabelo antes de colocá-la atrás da minha orelha. — A que horas você acha que estará em casa? Quando você disser que estará aqui. — Tarde, muito tarde. — Ela está mentindo. Ela estará em casa as seis — afirma Brie, soando como se estivesse sorrindo. — Oh meu Deus, fique longe da minha porta, Brie. — Só tentando ajudar um irmão — murmura ela. — E eu aprecio muito — fala Cobi, e eu gemo, em seguida, pisco meus olhos quando ele agarra a minha mão. — Estou de folga hoje. Vou ajudar meu pai com algumas coisas. Mas estarei aqui às seis com pizza. — Eu não... — Vejo você então. — Ele escova sua boca contra a minha, me assustando em silêncio e enviando meu corpo em um frenesi. Sem outra palavra, ele abre a porta e me deixa no meu quarto, congelada no lugar. Eu o ouço dizer adeus a Brie, e então escuto a porta da frente abrir e fechar. — Eu realmente gosto dele — diz Brie, dançando no meu quarto, seus longos cabelos amarrados em um rabo de cavalo saltando com ela. — Muito, e ele é engraçado. — Ela se deita na minha cama, e me viro para olhar para ela, imaginando como é possível que meus lábios ainda estejam formigando – como


cada centímetro de mim ainda está formigando. — Eu não esperava que ele fosse engraçado, porque ele tem toda essa vibe séria e fodona nele, mas ele é muito engraçado. — Brie. — Eu sei que ela ouve meu aviso quando revira os olhos. — Não me diga para parar ou dar a mesma merda de não estou interessada que você me deu ontem, porque você e eu sabemos que é uma mentira. — Brie. — Hadley, uma mulher teria que estar morta para não se interessar por ele, e estou pensando que, mesmo assim, elas se transformariam em mortos-vivos se ele estivesse por perto. — Eu preciso me trocar. — Suspiro quando vejo que ela não desistirá disso tão cedo. — Faça isso. Vou ligar para o Ken e falar sobre o que aconteceu. Paro de vasculhar minhas gavetas e me viro para olhar para ela. — Você está falando sério? — Sim. — Ela pega o telefone, disca, e leva ao seu ouvido. — Ei, querido, você não vai acreditar nisso. Não espero a ouvir falar com Kenyon. Não preciso de uma recapitulação desta manhã. Na verdade, não preciso passar mais tempo pensando em Cobi, que mal escovou os meus lábios e me deixou paralisada – Cobi, que voltará hoje à noite com pizza. Eu visto minha calça jeans favorita, uma blusa branca e um suéter leve por cima, e então coloco um par de sandálias para não estragar minha pedicure. Rapidamente passo uma escova no meu cabelo, adiciono um pouco de rímel aos cílios e passo um pouco de gloss nos lábios. Quando termino e saio do banheiro, encontro Brie exatamente onde a deixei, ainda ao telefone e deitada na cama. Seus olhos encontram os meus e ela sorri, então se despede de Kenyon e desliga. — Estou pensando que devemos ir ao local de depilação a cera antes de irmos ao salão de beleza — afirma ela enquanto sai da minha cama.


— Não vou me depilar. — Balanço a cabeça e vou para a cozinha pegar minha bolsa. — Quando foi a última vez que você — ela faz uma pausa —, você sabe, cuidou das coisas lá embaixo? — Ela para na ilha enquanto vou à geladeira para pegar uma garrafa de água. — Não estamos falando sobre isso. — Apenas responda. Você pode usar um maiô agora sem se preocupar? — Sério? — Sou sua melhor amiga. Se alguém pode te perguntar esse tipo de coisa, sou eu. — Minha vagina está bem, e não estou dormindo com ninguém, então não importa, de qualquer maneira. — Você já dormiu com Cobi duas vezes. Eventualmente, um de vocês vai empurrar as coisas do apenas dormindo. Você precisa estar preparada para isso quando acontecer. Uma visão de Cobi e eu enche minha mente, mas afasto isso. — Você sempre foi tão insana? — Vamos lá, não vai demorar nem vinte minutos no máximo, e você tem que admitir que se sentirá melhor sabendo que está preparada. — Estou pensando em me tornar natural a partir de agora. Pernas peludas, axilas e mata. — O nariz dela se contrai. — Podemos ir agora? — pergunto. — Sim. — Ela digita algo no telefone ainda em sua mão, em seguida, olha para mim. — Mas estou dirigindo. — Por mim tudo bem. Isso significa que eu posso beber vinho no cinema. — Merda, eu não pensei nisso — murmura ela, e sorrio. O cinema a que vamos é um daqueles que tem cadeiras reclináveis, jantar e bebidas, se você quiser. É incrível. Eu a sigo até a porta e nós duas entramos no carro dela. Quando atravessamos a cidade para onde está nosso salão de beleza, franzo a testa quando


ela estaciona em um estacionamento do outro lado da rua. Quando vejo o nome do estabelecimento em que ela para em frente, balanço a cabeça. — Você acha que sou teimosa? Você é implacável. — Que seja. Você me agradecerá depois. — É sábado, Brie. Eu não ficarei esperando aqui o dia todo — digo quando ela abre a porta. — Não se preocupe com isso. Mandei para Mandy, que sempre cuida de mim, uma mensagem. Ela sabe que você está vindo — diz ela alegremente, e eu gemo.

***

— Eu te odeio. — Eu me desloco desajeitadamente depois de me sentar no escuro teatro. — Oh, pare. Não é tão ruim assim. — Brie ri, pegando o cardápio e olhando por cima. — Não é tão ruim? Você está louca? Eu me sinto como se todo... — olho ao redor, então assobio —, ela nem perguntou o que eu queria. Ela apenas tirou tudo. — Dê algumas horas. O desconforto vai embora. Quando isso acontecer, você cantará A Whole New World a plenos pulmões. — Que seja. — Eu me mexo novamente, em seguida, pressiono o botão ao lado da minha cadeira. Quando o garçom chega, peço a ele que me traga dois copos de vinho e nachos com jalapenos extras, e Brie pede uma coca Diet e uma pipoca com manteiga extra. — Não posso esperar por amanhã — diz Brie quando o garçom sai, e eu olho para ela. — Por quê? O que está acontecendo? — Hum, olá? Cobi irá para sua casa hoje à noite, e você acabou de depilar. — Eu não vou transar com ele, Brie.


— Claro que não vai. — Ela sorri para mim. — Eu não vou — afirmo firmemente enquanto meu estômago revira. Não consigo nem imaginar a ideia de dormir com Cobi. Se uma carícia de seus lábios me enviou em uma pirueta, o sexo com ele provavelmente me deixaria sem cérebro. — Ainda — murmura Brie, mas a ignoro e concentro toda a minha atenção no filme quando ele começa. Quando o filme chega ao fim, eu olho para Brie e nós duas sorrimos. — Chris Pratt é tão sexy. — Muito sexy — concordo com um sorriso extravagante. — Cobi é mais sexy. — Aqui vamos nós novamente. — Só estou dizendo. — Ela pega sua bolsa, e eu pego a minha da cadeira ao meu lado. — Cobi poderia ser um bom concorrente para o Chris. — Kenyon sabe que você está obcecada com Cobi? — Meu homem sabe exatamente o que ele me dá. Confie em mim, ele não está preocupado. — Ela sorri para mim por cima do ombro enquanto descemos as escadas. — É bom saber. — Eu rio enquanto saímos pelas portas da frente do cinema. No meio do estacionamento, os cabelos da minha nuca ficam em pé e olho em volta, procurando a fonte do meu desconforto. Sacudo a sensação e abro a porta quando não percebo ninguém ou algo que me deixasse desconfortável. — Você está bem? — pergunta Brie enquanto aperto meu cinto de segurança. — Sim, apenas uma sensação estranha. — Um arrepio desliza pela minha espinha. — Sensação estranha? — Eu acho que é apenas o estacionamento e o que aconteceu. Você sabe? — Eu nem pensei. Deveria ter me lembrado — diz ela, parecendo preocupada.


— Tudo bem. Eu estou bem. — Descanso minha mão sobre a dela. — Confie em mim, estou bem. Só levará tempo. — Vou ligar segunda-feira e marcar sua consulta. — Ok. — Ok? — pergunta ela, surpresa com o meu acordo fácil. — Eu sei que preciso falar sobre isso. Não estou ansiosa por isso, mas sei que preciso falar sobre o que aconteceu. — Estou aqui por você. O que precisar, eu estou aqui para você, e Ken também. — Eu sei — concordo com uma respiração instável. — Vamos para casa. — Ela coloca a chave na ignição e liga o carro. Quando saímos do estacionamento, juro que sinto olhos em mim e olho em volta, mas não vejo ninguém. Tento colocar o sentimento de lado, mas até eu chegar em casa e entrar, esse sentimento só parece ficar mais intenso.


CAPÍTULO CINCO COBI Com uma caixa de pizza enfiada entre o meu bíceps e a minha mão, e uma caixa de cerveja ao meu alcance, caminho em direção à porta da frente de Hadley. Quando vejo que todas as luzes estão novamente acesas, minha mandíbula aperta. Odeio que ela esteja vivendo com medo. Odeio que ela esteja com medo de ficar sozinha em sua própria casa. Odeio mais ainda que não haja nada que eu possa realmente fazer, além de estar aqui por ela até que ela fale tudo e encontre uma maneira de passar pelo que ela passou. Saber que não posso protegê-la de sua própria mente me faz sentir impotente, um sentimento que nunca senti. Então, novamente, ela parece trazer muitos sentimentos em mim que eu nunca senti. Protetor, possessivo e um pouco louco de luxúria. Quando não estou com ela, estou pensando nela, e quando estou com ela, penso em todas as coisas que quero fazer com ela. Não só o fato de ser doce, mas ela é a mulher mais sexy que eu já conheci, com cérebro e uma boca inteligente que parece me deixar ofegante andando atrás dela como um cachorro perdido. Quando chego à porta da frente, toco a campainha e espero olhando pelo vidro ao lado. Eu a vejo se aproximar, e meu pau se contorce atrás do meu zíper.


Normalmente, quando chego, ela já está vestida para dormir, mas esta noite ela está vestindo jeans apertados, os quais são rasgados do tornozelo até a coxa, mostrando pele esporadicamente, com uma blusa justa que deixa pouco para a imaginação. Quando seus olhos encontram os meus através do vidro, vejo um milhão de emoções filtrarem através de seu olhar – luxúria, confusão e apreensão, a mais forte das três. — Hey — saúdo. Antes que ela possa abrir a boca para responder, eu abaixo minha cabeça e escovo meus lábios contra os dela. Porra, seus lábios são macios, tão fodidamente macios que eu quero passar semanas ou talvez anos explorando sua textura. Mesmo que eu queira, não paro para estudar o olhar em seu rosto depois que a beijo. Em vez disso, vou para a cozinha, que é aberta para a pequena sala de estar, e deixo a pizza cair no balcão. Quando me viro, descubro que ela ainda está à porta, com ela bem aberta, seus olhos em mim parecendo atordoados. — Querida, você pode querer fechar isso. — Pulando de repente, ela bate a porta rapidamente e balança a cabeça como se tentasse acertar seus pensamentos, e luto contra um sorriso. — Temos uma metade queijo extra, metade de tudo, porque eu não sabia o que você gostava — digo a ela quando ela começa a vir em minha direção. — Eu gosto de tudo — diz ela. — Embora, queijo extra é sempre um bônus. — É bom saber. — Eu a observo quando ela se aproxima de mim e posso dizer que ela está nervosa, algo que não esteve nas duas vezes que eu estive aqui. — Como foi hoje? Ela solta um suspiro e balança a cabeça. — Bom, se você não contar Brie trazendo você para o assunto sem parar. — Ela gosta de mim — afirmo com um encolher de ombros. — Sim — concorda, parecendo irritada. Meu sorriso se transforma em um sorriso grande e ela deixa os olhos caírem brevemente na minha boca. — Então, novamente, ela não está perto de você quando você é irritante. Meu palpite é que quando isso acontecer o sentimento dela em relação a você mudará. — Vamos ver — murmuro, abrindo a tampa da caixa no balcão. — Com fome?


— Eu não estava, mas agora estou — diz ela, olhando para a pizza antes de pegar os pratos de um dos armários. Abro uma cerveja para mim e ofereço a ela, mas ela balança a cabeça. Coloco quatro fatias de pizza no meu prato e a vejo colocar três no dela antes de pegar uma garrafa de água e ir em direção ao sofá. Eu a sigo e me sento enquanto ela pega o controle remoto e liga a TV. — Como foi o seu dia? Em sua pergunta suavemente falada, eu viro minha cabeça para olhar para ela e luto contra o desejo de arrastá-la para mais perto e beijá-la novamente. — Minha mãe está se preparando para uma grande venda de quintal e queria olhar coisas em um dos depósitos que ela possui. Papai sabia que ela arrastaria tudo para fora, então ele me pediu para ajudar. — Em seu olhar confuso, eu preencho os espaços em branco. — Minha mãe tem uma loja na cidade e ela nunca joga nada fora, até mesmo coisas que deveriam ser jogadas, ela se agarra a elas. Ela tem dito há anos que fará uma venda de quintal. — É melhor tarde do que nunca. — Ela ri, e ao ouvir sua bela risada pela primeira vez, sei que quero ouvi-la todos os dias pelo resto da minha vida. — Já faz dez anos, baby. — Bem, então eu quero saber quando ela planeja fazer. Talvez ela esteja vendendo itens colecionáveis. Sorrio e empurro outro pedaço de pizza na boca. — De qualquer forma, gosto de passar tempo com meu pai, então foi bom fazer isso. — É só você e seus pais, ou você tem algum irmão? Com a sua pergunta, eu termino outra mordida de uma das minhas fatias, engolindo antes de responder. — Uma irmã, o nome dela é Hannah. Ela é comissária de bordo. Ela mora na França, e a maioria de seus voos são internacionais. Ela vem para casa algumas vezes por ano. — Uau, então ela fala francês? — Não, não bem, de qualquer maneira. — Eu rio. — E ela reprovou em francês no ensino médio e passou na risca na faculdade. — Isso deve ser interessante para ela.


— É, mas ela adora, e por ter ido visitá-la algumas vezes ao longo dos anos, eu entendo por que ela insistiu em ficar lá. — Você já esteve na França? — A voz dela se enche de admiração e os olhos se iluminam. — Em Paris. — Tomo um gole da minha cerveja. — Nunca saí da cidade. Então, novamente, com tanta história, levaria anos para experimentar tudo, então não me senti enganado. — Está na minha lista de desejos. — Ela sorri, inclinando-se mais perto, seus olhos se enchendo de excitação. — Um dia, quero ficar debaixo da Torre Eiffel e assistir as luzes acesas. Então eu quero me sentar debaixo dela e comer um crepe ou doze de um dos fornecedores locais que pesquisei. — Eu comi os crepes e posso contar, em primeira mão, que os de Nutella são os melhores. Então, novamente, os de limão e açúcar não são de se jogar fora. — Não posso esperar para experimentá-los — murmura ela antes de morder uma de suas fatias. — E você? Você tem algum irmão? Com a minha pergunta, eu vejo sua imagem congelar e seus músculos se apertarem. — Não, sou só eu. — E seus pais? Seus olhos encontram os meus, e algo que parece apreensão os enche. — Meus pais... — ela aperta os lábios e depois desvia o olhar brevemente. — Não os vejo muito. Eles… hum… eles estão meio ocupados fazendo suas próprias coisas. Lendo o olhar em seu rosto, deixo passar e não questiono o que ela quer dizer. Eu sei que os pais dela não estavam em seu quarto de hospital na noite em que ela esteve lá, e que eles não apareceram desde que ela esteve em casa, pelo menos não quando eu estive por perto. A julgar pela maneira como o corpo dela ficou tenso com a minha pergunta, sei que o que aconteceu entre ela e seus pais não foi bom. Também sei que preciso ir devagar quando o assunto for sobre eles. — Você nunca me disse o que faz. — Mudo de assunto e seu corpo relaxa.


— Sou assistente social. Trabalho para Giving Hearts. Estou lá nos últimos cinco anos. — Isso não é um trabalho fácil. — É um eufemismo. Sendo um policial, eu entendo melhor do que a maioria como os assistentes sociais precisam ser dedicados, quanto tempo eles passam protegendo as crianças e trabalhando para reunir as famílias. Muito amor entra no trabalho e eles nem sempre recebem o crédito que merecem pelo tempo e energia que dedicam ao trabalho. — Não, não, mas eu amo o que faço. É gratificante da sua maneira, e saber que estou ajudando as crianças é o que realmente importa para mim. — O que você faz é importante. — Sim — concorda com um leve encolher de ombros, como se não estivesse confortável com o meu elogio, e então seus olhos vão para a TV. — Nada está passando. Você está bem em assistir ao Hallmark Channel? — Eu tenho escolha? — Minha resposta é sarcástica, e seu riso é instantâneo. — Você não gosta do Hallmark Channel? — Ela se vira para olhar para mim. — Programas melosos não é realmente minha coisa — murmuro, ouvindo-a rir de novo. — É um mistério. — Olho para ela mais uma vez quando sinto seus olhos em mim. — Eu acho que você pode até gostar. Porra, eu gosto dela. Ela é um mistério para mim. Um mistério que eu quero passar o resto da minha vida tentando resolver. Eu nunca conheci outra mulher como ela. Nunca conheci uma mulher que me deixa questionando tudo. Uma mulher que me deixa querendo mais do que ela está disposta a me dar. — Vamos ver — resmungo, e ela sorri antes de desviar o olhar. Eu me concentro – ou tento me concentrar – no programa, mas com ela tão perto, no alcance do braço, é difícil. Depois que eu como a pizza e termino minha cerveja, coloco meu prato na mesa de café e me inclino para trás. Quando ela larga o prato, eu não penso; eu a seguro em torno de seus ombros e a puxo para o lado sem pedir


permissão. Ela fica tensa, mas depois de alguns minutos, seu corpo relaxa, sua cabeça descansa no meu peito e sua mão desliza sobre meu estômago. Eu assisto a televisão, não vendo realmente nada. Minha mente e meu corpo estão hiper alerta de cada centímetro dela pressionada contra mim. Nunca pensei que estaria sentado com uma mulher assim, pensando nas coisas que estou pensando. Eu sei que é muito cedo, mas também sei, sem dúvida, que eu poderia passar todas as noites pelo resto da minha vida com ela enrolada contra mim, com seu cheiro de pêssegos me trazendo paz, com a gente fazendo nada além disso. Quando o filme chega ao fim, ela inclina a cabeça para mim. Eu estudo seu pequeno sorriso, seu rosto lindo e os bonitos olhos, e então, sem pensar, eu toco meus lábios nos dela. Ouço sua ingestão aguda de ar e sinto seus dedos envolvendo firmemente ao meu lado. Eu não me afasto, passo a língua através da costura de seus lábios, e gemo em aprovação quando a língua dela sai para tocar a minha. — Cobi — ela respira o meu nome contra a minha boca, fazendo meu pau sacudir em resposta. Porra. Nunca ouvi nada mais quente do que o meu nome em seus lábios. Sem pensar, eu movo minha mão em seu cabelo para segurá-la no lugar, então a beijo novamente, mais profundo do que antes, empurrando minha língua entre os lábios. Ela não hesita. Ela não se afasta. Ela me beija. Seus dedos se enroscam na minha camiseta e suas unhas cravam na minha pele, me deixando duro como pedra. Eu a movo, levantando-a para escarranchar em meu colo e belisco seu lábio quando ela mexe seus quadris contra os meus. Meu pau estremece e minhas mãos em seus quadris se contraem. Eu provavelmente deveria parar com isso. Sei que deveria, pelo menos, diminuir o ritmo, mas com cada gemido, cada ofego, cada movimento da língua dela contra a minha, eu estou lutando uma batalha perdida. Desde o momento em que ela olhou nos meus olhos, eu sabia quem ela era para mim, sabia exatamente o que ela seria para o meu futuro. Sabia que ela era minha. Deslizando minha mão em torno de seu quadril, deslizo-a entre seus jeans e barriga, em seguida, eu observo suas costas arquearem e rosno, — Você é tão


fodidamente suave em toda parte. — Quando meus dedos encontram seu clitóris, meu pau pula contra o meu zíper. Deslizo meus dedos e a escuto gemer. — Por favor, não pare — implora ela, empurrando seus quadris, e seguro um xingamento. Ela é macia e úmida, tão molhada que posso sentir o cheiro, tão molhada que eu sei que se tivesse meu rosto entre suas pernas, minha boca se encheria com seus sucos e seu gosto ficaria comigo por dias. — Deus, não pare. — Suas unhas cravam na minha pele. — Cavalgue, linda. Mostre-me como você fica quando goza — insisto, usando minha mão em seu quadril para balançá-la com força contra meus dedos. Seus lábios se abrem e seus olhos se abrem a meio mastro e encontram os meus, o calor deles me queimando em meu núcleo. Porra, ela é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida. — Eu… — Porra, não pare. — Eu a balanço mais forte contra mim enquanto deslizo um dedo, depois outro, em seu calor quente, apertado e úmido. — Porra, você é tão gostosa, tão molhada. Não posso esperar para provar isso. — Deslizo meu polegar sobre seu clitóris, fazendo com que seus quadris se curvem e um gemido escapa de seus lábios. — Mal posso esperar para sentir essa boceta apertando meu pau. Você sabe como será bom sentir-me deslizar dentro de você? Sabe quão bom será sentir quando eu encher você de mim? — Sua boceta espasma em volta dos meus dedos com as minhas palavras, e intensifico o meu aperto sobre ela. — Jesus, baby, essa buceta foi feita para mim. Ela aperta meus ombros com mais força e pega minha mão, gemendo meu nome. — Cristo, baby, você me fará gozar no meu jeans só de te ver. — Seus olhos brilham e sua boca se abre, mas antes que ela possa falar, eu me inclino e mordo seu mamilo através da camiseta, fazendo-a suspirar. — Oh, Deus. — Sua cabeça cai em seus ombros enquanto sua boceta aperta os meus dedos. — Olhe para mim, Hadley. — Sua cabeça cai para frente e seus olhos encontram os meus. — Cristo, eu quero ter você nua sobre mim nesta exata posição. Quero assistir seus peitos saltando na minha cara, seu cabelo selvagem


fluindo sobre seus ombros. Quero suas pernas abertas para que eu possa ver você me levar. Então eu quero ver-me desaparecer em sua boceta repetidamente, até que seus sucos estejam cobrindo meu pau. — Eu me inclino até que minha boca esteja quase contra a dela. — Então eu quero ver como você encontra a sua liberação usando-me, antes de usar seu corpo para encontrar a minha. — Cobi! — Ela grita com os quadris se movendo em sincronia com os meus dedos. — Dê-me sua boca, em seguida, me dê o seu orgasmo, Hadley. — Suas pupilas se dilatam, seus lábios estão entreabertos, e seu peito se ergue. Quando ela não me dá o que eu quero, paro de empurrar meus dedos e apertar seu clitóris. — Dê-me o que eu quero. — Seus olhos escurecem, em seguida, sua boca cai para a minha enquanto ela desliza a mão macia ao redor da minha nuca, e pelo meu cabelo, tocando sua língua na minha. Eu a forço a mexer contra os dedos enquanto a beijo, empurrando minha língua em sua boca. Quando sua boceta começa com os espasmos, eu puxo minha boca da dela para que eu possa ver sua expressão ao gozar. — Sim. — Ela ofega para respirar, olhando nos meus olhos antes de encostar sua testa na minha. Quando sua respiração se dissipa, eu lentamente puxo meus dedos, em seguida, envolvo meus braços em volta de sua cintura e a seguro contra meu peito, correndo minha mão em suas costas. Espero que ela surte, que me diga que o que aconteceu foi um erro e preciso ir embora, mas logo percebo que ela está adormecida. Fecho meus olhos por um momento, então, cuidadosamente a pego em meus braços e vou em direção ao quarto. Eu a deito na cama, e ela nem sequer se contorce quando puxo o cobertor sobre ela e ligo o abajur, lançando no quarto um brilho azul. Eu a deixo no quarto, fechando a porta e ignorando meu pau ainda duro e o desejo de ir para a cama com ela. Ao longo dos anos, meu instinto nunca me levou a algo mal, e neste momento, está me dizendo que estou indo rápido demais, e que se me mover mais rápido ou forçar mais, ela vai correr e eu terei que gastar muita porra de tempo tentando pegá-la novamente. Quando estou limpando a cozinha e nossos pratos, meu celular toca. Eu pego e leio a mensagem, esfregando uma mão em meu cabelo em frustração. Frank e eu estamos investigando uma série de arrombamentos pela cidade nas últimas duas


semanas, e hoje à noite um suspeito foi detido por um proprietário que não estava nada bem com um homem invadindo sua casa. Depois que ligo para o Frank para avisar que estou a caminho, enfio o celular no bolso. Eu me debato em apenas deixar uma nota a Hadley para informá-la que eu fui embora, mas me preocupo dela acordar e enlouquecer quando eu não estiver aqui como eu estive nas últimas duas noites. Abro a porta do quarto dela e caminho até a cama, sentando-me, afasto o cabelo do seu rosto. Quando seus olhos se abrem, eu me inclino para perto dela. — Eu tenho que ir, baby. — Você está indo? — Ela se senta de repente, quase derrubando-me em sua pressa para ligar a lâmpada. Quando seus olhos preocupados encontram os meus, meu estômago se contorce. — Está tudo bem? — Tenho trabalhado em um caso por algumas semanas, e hoje à noite um suspeito foi preso. Preciso ir e interrogá-lo. — Oh. — Ela engole, e acena. — Ok. — Você quer que eu volte quando eu terminar? Seu corpo congela junto com sua respiração. Posso dizer que ela não quer admitir que deseja isso, mas eu sei instintivamente que ela me quer aqui com ela. — Você não precisa fazer isso. Eu ficarei bem. — Eu voltarei. — Eu a forço para trás uma polegada enquanto me inclino mais perto. — Vou pegar uma chave. Dessa forma, se você estiver dormindo, eu posso entrar. — Você... — ela balança a cabeça e dá um suspiro estremecido. — Sério, isso não é necessário. — Seus lindos olhos encontram os meus, mas não perco quando ela agarra o lençol entre os dedos. — Eu agradeço, mas estou certa que você tem uma casa e uma cama da qual provavelmente sente falta. Ficarei bem esta noite se você for para casa depois que terminar. — Eu estou voltando. — Não digo a ela que tenho uma casa vazia e uma cama ainda mais solitária, que mesmo Maxim – meu bullmastiff de cem libras – não está em casa, porque ele está ficando com meus pais, já que estou trabalhando


muito e não gosto de deixá-lo sozinho por muito tempo. — Não sei quando voltarei, mas voltarei em algum momento hoje à noite. — Cobi. — Ela lambe os lábios. — Onde você tem uma chave? — interrompo antes que ela possa tentar me afastar novamente. Ela me estuda por um longo momento e depois solta uma respiração profunda. — Tenho uma chave reserva na gaveta ao lado da geladeira. Tem um chaveiro da Disney preso a ela. — Certo. — Sorrio, e seu olhar cai para a minha boca brevemente. — Hum... Você virá aqui me avisar quando voltar, então não vou pirar se eu te ouvir na sala de estar andando por aí? — Eu posso fazer isso. — Eu me levanto e me inclino sobre ela, plantando um punho na cama de cada lado de seus quadris. — Tente dormir um pouco. Deixarei todas as luzes acesas na sala de estar, para que você não precise se preocupar. — Obrigada, Cobi. — Não tem problema, baby. Descanse. Vou te ver em breve. — Beijo sua testa, e inclino a cabeça com meus dedos sob o queixo, tocando minha boca na dela antes de sair do quarto, depois fecho a porta sem olhar para ela na cama. Pego sua chave reserva da gaveta ao lado da geladeira, em seguida, mantenho todas as luzes acesas como eu disse que faria antes de sair, trancando a porta. Examino a rua e sinto um pouco da tensão me deixar quando não vejo a mídia estacionada em nenhum lugar do quarteirão dela. Não ouvi o nome de Hadley ser mencionado nas últimas vezes que vi as notícias. A história do que aconteceu com Harmony se voltou principalmente para o que aconteceu com o Dr. Hofstadter no hospital, algo pelo qual sou grato, já que não sei como Hadley lidaria se a imprensa estivesse perseguindo-a como fizeram com minha prima. Onde Harmony tem seu noivo e nossa família para protegê-la, Hadley, até onde posso ver, não tem ninguém, a não ser sua melhor amiga, e agora eu.


Esfrego minha mão sobre o peito com essa percepção, e aperto o botão de destravar o meu carro. Quando chego ao volante, olho para a casa de Hadley por um longo momento antes de ligar o motor. Quando saio da garagem, tenho que me lembrar de que estou deixando-a sozinha por um tempo, não para sempre.


CAPÍTULO SEIS HADLEY Meu peito aperta de medo quando escuto Cobi ir embora e a porta da frente se fechar. Eu me sento no meio da cama, com meu coração batendo descontroladamente, e luto contra o desejo de me levantar e correr atrás dele, implorar para ele ficar ou me levar junto. Eu nunca fui fraca. Nunca precisei de alguém para me dizer que tudo ficará bem, até agora. Fecho os olhos e lembro em silêncio que não há ninguém atrás de mim, que estou segura em casa, na minha cama, atrás de paredes sólidas, uma porta trancada e janelas fechadas. Quando meus olhos se abrem, me sinto um pouco melhor e começo a me deitar, mas percebo que ainda estou vestida. É quando isso acontece. É quando me lembro do que Cobi e eu fizemos no meu sofá. É quando me lembro do orgasmo mais espetacular da minha vida dada por ele, seus dedos e suas palavras sujas. Obviamente, com o medo que tomou conta do pensamento dele ir embora, não pensei no que fizemos ou o que eu queria fazer antes de aparentemente adormecer e ele me colocar na cama. Meus olhos se fecham e o calor sobe pelas


minhas bochechas. Eu pensei anteriormente que era difícil estar perto dele, mas agora não tenho ideia de como diabos o encararia novamente. — Com a maneira que você agiu, provavelmente ele pensa que você é uma imbecil, que faz esse tipo de coisa o tempo todo – apenas deixa homens aleatórios te tocarem e te levar ao orgasmo. — Eu gemo, me deitando e puxando o travesseiro para o meu rosto. Nenhum homem jamais me fez o que ele fez, nenhum homem me excitou ao ponto de perder o pensamento racional. Nenhum homem me levou ao orgasmo com algumas palavras e alguns golpes de seus dedos. Então, novamente, nenhum homem com quem eu estive chegou perto de ser um cara como Cobi. Um homem que vocaliza o que quer, o que precisa e exige conformidade com um simples olhar. Só de pensar nas coisas que ele disse e fez comigo faz meu corpo formigar e apertar. — Isso não é bom, Hadley, absolutamente não é bom — digo enquanto afasto o travesseiro do meu rosto. Ainda sentindo o resultado do orgasmo entre as minhas pernas, eu me levanto e tomo um banho rápido, em seguida, visto uma das minhas camisolas. Sabendo que Cobi voltará, eu coloco meu robe, amarrando-o com força em volta da cintura antes de voltar para a cama. Permaneço lá, esperando ouvi-lo retornar. Tento pensar no que direi a ele quando o vir, mas antes que eu possa encontrar algum tipo de explicação para o meu súbito ataque de descaramento, adormeço. Meus pés parecem afundar no concreto enquanto tento fugir. Abro a boca para gritar, mas nenhum som escapa. Luto para respirar, ouvindo os pés dele no chão da floresta, trazendo-o para mais perto do meu esconderijo. — Posso ouvir você respirando. Prendo a respiração quando a voz dele ecoa através da escuridão que me rodeia. — Eu vou te encontrar, vadia. Vou te encontrar e acabar com você. Um tiro que arrebenta os ouvidos soa, ecoando através do silêncio, e detritos de uma das árvores ao meu redor raspa minha pele, queimando minha carne. Ofego por ar quando me sento, segurando uma mão contra o meu peito.


Eu me atrapalho com a luz ao lado da cama, derrubando o abajur na minha pressa, e ouço o delicado vidro quebrar ao cair no chão enquanto meus pulmões imploram por oxigênio. Afasto os cobertores do meu corpo superaquecido e jogo minhas pernas para o lado da cama, levantando. Não sinto os cacos de vidro cortando meus pés descalços enquanto tropeço até o banheiro. Acendo a luz e ligo a água fria, espirrando-a em meu rosto, querendo lavar as memórias do meu sonho. Quando minha respiração se estabiliza e me livro do meu pesadelo, caio de joelhos, deito e me enrolo no chão do banheiro. Quando um arrepio desliza pela minha espinha e o frio penetra na minha pele, eu puxo uma das toalhas sobre mim como um cobertor e a abraço no meu peito. — Hadley? — Meu nome é chamado enquanto lágrimas roçam minhas bochechas, e olho para a parede de azulejos brancos do chuveiro do outro lado do cômodo, sem piscar. — Hadley? — A porta do banheiro pressiona contra minhas costas. Então, antes que eu tome minha próxima respiração, estou de pé, encolhida em braços fortes e acomodada no peito duro de Cobi. — Porra, eu sinto muito — sussurra ele contra a minha cabeça, e fecho meus olhos com força, sentindo a segurança e o calor deslizar por todas as células do meu corpo. Quando ele se acomoda na minha cama com as costas contra a cabeceira, meus olhos se abrem. Vejo o quarto ao nosso redor ficar azul e ouço o som suave do oceano vindo da minha máquina de som, fazendo com que isso pareça um sonho. — Ele estava me perseguindo — sussurro, inclinando a cabeça para olhar um par de olhos preocupados. — Eu não conseguia fugir ou gritar. — Meus olhos se fecham e enterro meu rosto contra o peito dele. — Ouvi a arma disparar e senti, senti as cascas das árvores ao meu redor cortar a minha pele. — Você está segura agora, Hadley. — Eu sei — concordo, afundando mais nele. — Eu... — puxo uma respiração trêmula. — Parecia tão real, como se eu estivesse lá. Sua mão quente percorre minhas costas, e suas palavras suavemente faladas infiltram-se em minha pele. — Você não está lá. Você está aqui comigo, segura em meus braços, exatamente onde deveria estar. Você está segura, Hadley.


Lágrimas frescas enchem meus olhos e meu aperto sobre ele se intensifica. Ele está certo, mas também está completamente errado, porque, por mais segura que eu esteja nos braços dele, também sinto mais medo do que em toda a minha vida. Puxo uma respiração instável, não estou certa do que vou dizer, mas sei que preciso dizer algo a ele. Mas antes que eu possa abrir a boca, seu corpo fica rígido e seu braço me aperta quase dolorosamente. — O que foi? — pergunto. — Você está sangrando. Onde você está sangrando? — O quê? — Eu pisco quando ele me afasta de seus braços, e o ouço amaldiçoar quando ele percebe que o abajur não está sobre a mesa, mas no chão ao lado da cama. — Você cortou os pés? — Não tenho a chance de responder antes que ele me ponha de lado e me levante. Então, eu o vejo seguir para o interruptor de luz e ligálo. Seu olhar segue para meus pés, e eu me encolho com a visão de sangue pontilhado em meus lençóis e cobertores. — Merda — rosna, voltando para mim e me tirando da cama como se eu não pesasse nada. Indo ao banheiro, ele acende a luz e me coloca na beira do balcão. — Você tem um kit de primeiros socorros? — Não, mas tenho alguns Band-Aids em uma dessas gavetas. — Começo a descer para encontrá-los, mas ele me para, envolvendo minha cintura. Minha respiração gagueja quando ele coloca seu rosto a um centímetro do meu. — Fique aí. Eu tenho um kit no meu carro. Volto já. — Eu... — lambo meus lábios, tentando lutar contra o desejo de me inclinar e colocar minha boca na dele. — Eu acho que só preciso lavar meus pés. Os cortes não parecem tão ruins. — Fique aí — ordena ele, beija minha testa e depois desaparece. — Fique aí? Que diabos eu sou, um cachorro? — Eu ouvi isso — eu o ouço dizer, e reviro meus olhos em direção ao teto. Nem mesmo dois minutos depois, ele volta carregando uma grande caixa de plástico, a qual ele coloca na pia e abre. Vejo-o pegar um frasco de álcool e um rolo de gaze, em seguida, abrir a torneira. Meus olhos se arregalam quando ele envolve


seu braço sob meus joelhos e levanta minhas pernas para que meus pés fiquem na pia. Mordo o interior da minha bochecha quando a água atinge os cortes abertos. — Isso pode arder um pouco. — Ele desliga a água, e derrama o álcool nas minhas feridas abertas, me fazendo pular e gritar. — Um pouco? — grito. — Parece que meus pés estão pegando fogo agora. — Aperto seu antebraço e afundo minhas unhas em sua pele. — Oh meu Deus, assopre ou algo assim, seu idiota! — continuo a gritar, e ele ri. — Isso não é engraçado. — Respire, o ardor vai aliviar em um segundo. — Diz o cara que não está sendo torturado — resmungo, observando-o sorrir. — Eu te odeio. — Coloco meus braços atrás de mim quando ele levanta um pé, depois o outro. Quando ele toca um dos cortes, eu recuo. — Os cortes não são profundos, mas este tem um pedaço de vidro que preciso tirar. — Ótimo, mais tortura. Você está gostando disso? Seus olhos encontram os meus, e o olhar deles é tão intenso que minha respiração para. — Eu nunca vou gostar de machucar você. Meu silencioso Ok é quase inaudível enquanto nos encaramos. Com um movimento do queixo, ele afasta os olhos dos meus e tira um par de pinças do seu kit. Observo o músculo em sua bochecha saltar quando ele cuidadosamente e sem dor puxa o pedaço de vidro lascado do meu pé, e então eu gemo quando ele levanta o frasco de álcool. — Isso é mesmo necessário? Você já fez isso uma vez. — Desculpe, baby, eu não vou me arriscar. — Sem aviso, ele derrama o líquido frio sobre a minha pele e recuo com o ardor. Quando ele termina, e a ardência diminui, ele seca os meus pés. Eu suspiro de alívio quando ele abre uma pomada e passa em minha pele antes de começar a envolver meus pés com gaze. — Graças a Deus eu não tenho que trabalhar amanhã. Se tivesse, eu pareceria uma idiota usando saltos com pés de múmia — digo a ele, e ele olha para mim brevemente e sorri. Em seu sorriso, meu coração bate duas vezes dentro do meu peito e meu corpo esquenta da cabeça aos pés. Eu sei que se virasse e olhasse


para mim no espelho, estaria parecendo um tomate vermelho brilhante. — Hum... Eu acho que preciso dizer algo sobre o que aconteceu antes — começo, precisando preencher o silêncio no banheiro. — Você não precisa, a menos que queira — diz ele, soltando um pé ao acabar de embrulhar e pegar o outro. — Na verdade, não quero falar sobre isso, mas eu quero que você saiba disso... Eu... Hum. — Porra, como eu digo a ele que não sou uma vadia? — Você não precisa dizer nada, Hadley. Eu sei que o que você está passando é difícil, e que até você falar com alguém, isso continuará mexendo com a sua cabeça. Ficará mais fácil. — Oh. — Mordo meu lábio, me perguntando se eu deveria deixar isso pra lá, deixá-lo pensar que é sobre isso que eu queria falar. Não, não posso. Não acho que serei capaz de estar perto dele se ele pensar menos de mim, especialmente quando pareço precisar tanto dele. — Não é isso. — Desculpe-me? — Ele olha para mim mais uma vez, suas mãos no meu pé parando no meio do processo. — É sobre o que aconteceu no sofá. Eu... Bem, eu só quero que você saiba que normalmente eu não... — minhas bochechas queimam ainda mais enquanto seus olhos vagueiam pelo meu rosto. — Bem, não faço esse tipo de coisa sempre. — Fecho meus olhos e os abro novamente. — Quero dizer, obviamente eu faço esse tipo de coisa. Quero dizer, eu não... Tenho feito isso. — Meus olhos se estreitam nos dele. — Por que você está sorrindo? — Por várias razões diferentes. Mas, por favor, continue. — Acho que não quero mais. — Eu posso esperar. — Ele encolhe os ombros, voltando para o meu pé. Eu fico olhando para ele por um longo tempo, esperando que ele me pergunte o que eu vou dizer. Quando percebo que ele não vai, eu desisto. — Tudo bem. — Solto um bufo. — Eu só queria dizer que não sou normalmente uma vadia. — Suas mãos param novamente e ele vira a cabeça para mim. Quando seus olhos encontram os meus e as palavras que acabei de dizer se registram em minha


própria cabeça, eu sei que estou oficialmente passando vergonha. — Vou apenas calar a boca agora. — Você não é uma vadia, e eu nunca pensaria isso de você. O que aconteceu entre nós foi bom, então não tente distorcer isso em algo ruim, porque isso vai me irritar — rosna, seus olhos brilhando com algo que eu nunca vi. — Temos química. Isso estava prestes a acontecer. Foi cedo demais? Talvez. Isso acontecerá de novo? Porra sim, vai. — Eu... — Puta merda. Por que diabos eu abri minha boca? — Não sei se isso é inteligente, Cobi. — Você não tem que saber, porque eu sei. — Você parece... humm... certo. — Nunca tive mais certeza de algo na minha vida. — Ele afasta os olhos dos meus e termina o meu pé, não tendo ideia do efeito que suas palavras tiveram em mim. Quando ele termina, deixa a bagunça no balcão e me pega, levando-me para a minha cama. Parando ao lado, ele me segura em seus braços, em seguida, resmunga algo que não consigo entender antes de me levar para a sala e me colocar no sofá. — Fique aqui, eu vou retirar os cacos. Você tem lençóis em algum lugar? Atordoada, eu aceno, apontando na direção do armário do corredor onde mantenho as toalhas e a roupa de cama. Eu o escuto se movendo e, em seguida, ouço o som do aspirador. Eu observo o relógio na parede enquanto espero que ele termine, querendo levantar e ajudar, mas não tendo nenhuma dúvida de que se eu tentar me levantar ele me trará de volta. Quando termina, ele volta para me pegar e me leva para a cama. Estou surpresa com a maneira como ele fez a cama; a maioria dos homens que conheço não se incomodava em enrolar o lençol de cima ou dobrar a borda do cobertor. — Obrigada, novamente. — Não é grande coisa. — Ele encolhe os ombros conforme tira seu distintivo, largando-o no criado-mudo, e fazendo o mesmo com o seu celular. Olho para os dois itens, em seguida, olho para cima enquanto ele está soltando o cinto e deslizando-o de seus jeans. — Você ficará aqui?


— Sim. — Bem, tudo bem. Agora o que diabos eu faço? Eu deveria bancar a não-vadia e dizer para ele dormir no sofá, mas oferecer um travesseiro e cobertor, já que ele tem sido tão legal. Provavelmente eu deveria fazer isso, mas não faço. Eu não faço porque a verdade é que eu o quero perto. Eu me sinto melhor quando ele está por perto, mais segura até da minha mente quando ele está perto de mim. — Ok. — Vou até o meio da cama e ele sorri um sorriso suave antes de apagar a luz. Quando ele volta, se deita, e me puxa para o lado, deixando-me sem escolha a não ser me enrolar nele. Então ele pega o telefone e o vejo programar um alarme. — Isso é apenas quatro horas a partir de agora — o informo quando ele clica em seu telefone e o coloca no criado-mudo. — Sim, mas tenho que trabalhar de manhã. Antes disso, preciso ir à minha casa para tomar banho e me trocar. — Estou realmente mexendo com a sua vida. — Sim, você está — concorda, e a culpa me atinge com força e rapidez. Eu sei que ele tem os pais dele, sei que ele tem uma prima, tia e tio. Também sei que ele tem uma casa. Ainda assim, ele passou as últimas três noites comigo, cuidando de mim e trazendo o jantar. — Não torça isso, Hadley. — Seu braço aperta meus ombros. — Eu não iria querer de outra maneira. Não há outro lugar que eu queira estar. Meu peito parece diferente enquanto ofego — Você meio que me assusta. — Eu sei. — Ele solta um suspiro. — Você vai se acostumar com isso. — Eu vou? — Sim, eventualmente. — Ouço um sorriso em sua voz, e quero olhar para ele para ver sua expressão, mas não olho. — Durma. — Sabe, você também é meio mandão. — Imagino que você se acostumará com isso também. Não bufo nem reviro os olhos, embora eu queira. Definitivamente não digo a ele que não vou me acostumar com isso, porque isso não funcionará entre nós. Por


melhor que pareça, eu preciso lutar contra isso. Preciso me lembrar de onde eu venho, de quem eu venho. Eu sei que se Cobi descobrir alguma coisa sobre minha família, a opinião dele sobre mim mudará, e ele olhará para mim como qualquer outro homem para quem eu já contei sobre o meu passado – com desprezo e horror. — Você está segura, Hadley. — Ele lê o aperto no meu corpo, pensando que estou com medo, e meus olhos se fecham. Sério, ele é doce. Quando seus lábios roçam o topo da minha cabeça, eu me aproximo mais dele sem dizer uma palavra, dizendo a mim mesma que amanhã eu vou me afastar e colocar minhas paredes contra ele. Mas esta noite eu vou dormir em seus braços e fingir que isso pode funcionar, como se ele descobrisse sobre o meu passado, ele não se importaria.


CAPÍTULO SETE HADLEY Quando meu celular toca em minha bolsa, continuo trabalhando, e o ignoro como fiz o dia todo, sentindo náuseas quando o zumbido para e recomeça. Ontem de manhã, Cobi saiu cedo, dando-me um doce beijo na testa, depois nos lábios, antes de dizer que me veria mais tarde. Depois que ele se foi, fiquei deitada na cama por um longo tempo em um sono sonolento e feliz, ainda sentindo o prolongado beijo suave em meus lábios. Não foi até que me levantei, tomei uma xícara de café, e na minha feliz neblina atendi ao meu telefone, que a realidade desabou ao meu redor. Normalmente, eu nunca atendo quando vejo um dos meus pais ligando, mas atendi sem pensar e imediatamente desejei não ter feito. Às dez da manhã, meu pai estava bêbado e provavelmente drogado. Ele arrastava as palavras quando me perguntou se eu realmente fui baleada por – nas palavras dele – um médico fodido. Após a minha resposta afirmativa e explicações do que aconteceu, ele perguntou se poderia pedir algum dinheiro para ajudar a pagar a conta de luz que está atrasada. Sua não reação não foi uma surpresa; ainda assim, doeu que ele nem se importasse se eu estava bem ou que eu podia ter morrido.


Tenho certeza que o único motivo pelo qual ele ligou foi para pedir dinheiro. Descobrir se os rumores eram verdadeiros era apenas um bônus. Após eu dizer não a ele, que não tinha dinheiro para ajudá-lo com a conta de luz, ele desligou, mas não antes de ouvi-lo murmurar sobre quão ingrata eu sempre fui. Não foi uma surpresa que minha mãe não tenha ligado exigindo respostas, já que, no caso das mães, ela é a pior das piores. Ela nunca deveria ter filhos, e felizmente, depois de mim, ela nunca teve outro. Meu pai, por outro lado, tem mais três filhos, cada um com uma mulher diferente. Tecnicamente eu não menti quando disse a Cobi que era apenas eu, e que não tenho irmãos. Nunca conheci meus três irmãos mais novos, e provavelmente nunca irei. Cada uma das mulheres que tiveram filhos com meu pai saíram espertamente após perceberem que ele é um fraco e que, no final, ele está preso à minha mãe ou eles estão presos um ao outro. Meus pais ainda são casados, provavelmente porque o divórcio é caro, mas eles não estão mais em um relacionamento, e não estão há anos. Eles compartilham o trailer em que cresci e moram lá quando não estão atacando alguém com quem estejam envolvidos. Meu pai vende drogas de vez em quando, quando alguém é estúpido o suficiente para confiar nele com seu produto e dinheiro, e minha mãe trabalha em um bar local desde que me lembro. Como ela mantém um emprego por tanto tempo estando quase sempre bêbada, ninguém sabe, mas ela conseguiu. O telefone da minha mesa tocando me puxa dos meus pensamentos, e estendendo a mão, agarro e coloco no meu ouvido. — É a Hadley. — Ugh, eu só pensei em te avisar — começa Brie, parecendo preocupada, e sento na minha cadeira enquanto ela continua. — Eu estava saindo do estacionamento e vi o que parece ser um muito irritado Cobi Mayson indo para o escritório. — O quê? — Olho em volta, em busca de algum lugar para me esconder, e então meus olhos se arregalam quando vejo Cobi falando com um dos meus colegas de trabalho cuja mesa está perto da porta da frente, e o vejo mostrar seu distintivo.


— Eu acho que você deixou de fora um monte de coisas na noite passada — diz Brie no meu ouvido, e puxo uma respiração instável. — Vou explicar mais tarde. Agora preciso encontrar um lugar para me esconder. — Boa sorte com isso. Com o quão irritado aquele homem parece, a lua não estaria longe o suficiente para você escapar dele. — Ela desliga e coloco o telefone no gancho enquanto Cobi se vira para olhar para mim. Quando seus olhos negros e raivosos encontram os meus, eu sei que ele não só está chateado, mas – eu estou ferrada. Ontem à noite, coloquei meu plano para manter Cobi longe em ação. Não fiquei em casa, em vez disso, aceitei a proposta de Brie e dormi na casa dela. Por sorte, não tive que dormir no sofá, já que ela comprou um colchão de ar só para mim, caso eu aparecesse. Quando ela perguntou sobre Cobi, eu disse que ele estava trabalhando, em seguida, evitei todas as conversas que tinham a ver com ele, mudando de assunto a cada momento. Se algum dia eu dissesse a ela meu plano de mantê-lo à distância, e desse a ela minhas razões para fazer isso, ela ficaria brava. Na verdade, ela ficaria lívida. Embora esteja na minha vida, ela nunca entendeu porque sou tão envergonhada. Ela acha que eu deveria estar orgulhosa de quem eu sou, de onde cheguei, e olhar o lado positivo das coisas. Ela não sabe quão humilhante é ter que explicar meu passado. Ela não sabe o quão embaraçoso é ter um ou ambos os meus pais aparecendo sem aviso prévio e fazendo uma cena. Algo que eles fizeram mais de uma vez quando não dei o que eles queriam. Nenhum cara quer lidar com isso. Nenhum cara quer uma mulher que tenha o tipo de bagagem que eu tenho. E um policial com certeza não ficaria feliz em ter uma namorada com pais alcoólatras, que foram presos tantas vezes que a maioria dos oficiais e juízes os conhece pelo nome. Não vendo um lugar para escapar, levanto-me e observo Cobi seguir em direção ao meu escritório, seu longo passo percorrendo a distância entre nós rapidamente. Merda, as coisas seriam muito mais fáceis se ele não fosse tão atraente. Mesmo com raiva, ele é sexy, talvez até mais sexy, com a mandíbula rígida e os músculos mais pronunciados. Quando ele passa pela minha porta aberta,


começo a abrir a boca, não tendo ideia do que direi a ele, mas fecho quando ele bate a porta, fazendo as fotos nas paredes tremerem. — Que porra é essa? — Sua voz explode no meu pequeno escritório, e olho por cima do ombro, percebendo meus colegas de trabalho parando para assistir a cena. — Mantenha a voz baixa — assobio, virando a cabeça para olhar para ele. — Este é o meu trabalho. Você não pode entrar aqui, bater as portas e gritar comigo. — Onde você estava ontem à noite? — exige ele, e suspiro, querendo acalmar meu coração batendo descontroladamente. — Responda. — Eu fiquei com a Brie. Ela queria que eu ficasse com ela e Kenyon. Eles estão preocupados comigo. — Mentira. Como diabos ele sabe que estou mentindo? — Não é mentira. — Parte disso não é, e parte disso é. — Ele cruza os braços sobre o peito. — Agora me diga por que você está me evitando? — Não estou evitando você — zombo, e seus olhos se estreitam. — Outra mentira. — Você não me conhece, Cobi — falo, ficando com raiva e na defensiva. — Quantas mentiras você me dirá antes de começar a dizer a verdade? — Isso não é mentira. Você não me conhece. Nós nem nos conhecemos realmente. — Eu sei como você soa e como fica quando goza. Oh meu Deus. Ele não acabou de dizer isso. — Não seja grosseiro — rosno, apontando para ele. Ignorando-me, ele continua, ainda segurando o meu olhar. — Sei que você tenta ser corajosa, mas tem tanto medo que está com medo do escuro. Sei que se torna doce quando está com sono e não sabe como lidar com a situação. Eu


também sei que você gosta de mim mais do que quer, e isso assusta tremendamente. — Eu não gosto de você — sussurro, suas palavras batendo muito perto do gol, deixando-me em pânico. — Outra mentira do caralho. — Ele balança a cabeça. — Por que você está com tanto medo de mim? — Ele se inclina mais perto, rosnando: — Por quê? — Não posso fazer isso agora — afirmo, deixando de fora que eu nunca serei capaz de fazer isso. — Estou no trabalho. Preciso sair para verificar um cliente em breve, e antes disso, tenho cem e-mails para responder. Passando a mão pelo cabelo, ele desvia o olhar brevemente. — Hadley, você precisa saber que mesmo se eu deixar você ir agora, não deixarei você ir. Teremos essa conversa e você falará comigo. Eu ignoro o jeito que meu estômago aperta e sacudo a cabeça. — Conversaremos. — Quando? Nunca. — Mais tarde, não apenas agora, não quando estou no trabalho, e não com todos os meus colegas de trabalho assistindo — digo, sem nem precisar olhar pela janela do meu escritório para ver que todos os olhos ainda estão voltados para nós. — Outra mentira. — Ele afasta o olhar, empurrando os dedos pelos cabelos. — Estarei na sua casa hoje à noite, às oito. Vou te avisar, querida, se você não estiver lá e eu precisar te rastrear, vou ficar puto. — Você já está puto — aponto o óbvio, em seguida, luto contra o desejo de dar um passo atrás quando sua mandíbula se contorce e seus olhos escurecem. — Passei a noite toda preocupado com você, preocupado se você estava dormindo, preocupado se teve outro pesadelo, preocupado que ninguém estaria lá caso você se tivesse. Toda a porra da noite, eu me debati e virei, incapaz de dormir por sua causa. Então sim, eu estou fodidamente puto. Ele passou a noite inteira preocupado comigo? Por que isso faz meu estômago esquentar? Sem eu sequer tentar, a tensão deixa meus músculos e meu corpo


suaviza. — Eu sinto muito — digo baixinho. — Deveria ter ligado para você para dizer que estava bem. — Você dormiu? Eu olho para longe, mordendo meu lábio antes de balançar a cabeça. Tentei dormir, mas não consegui. Eu estava com tanto medo de ter um pesadelo que fiquei acordada a noite toda, fingindo assistir TV enquanto pensava nele. Eu realmente odeio que ele fez a mesma coisa. — Quando é a sua primeira consulta médica? — O quê? — Olho para ele, confusa por sua mudança de assunto. — Sua consulta, a que Brie estaria marcando para você. Quando é? Merda, claro que ele lembra que eu disse a ele que falaria com alguém. — Hoje, depois que sair do trabalho. — Bom, baby — diz ele suavemente enquanto sua expressão suaviza. Deus, eu amo quando sua voz fica suave assim, realmente amo o olhar em seu rosto agora. Eu não digo isso. Em vez disso, sussurro: — Eu realmente preciso trabalhar, Cobi, mas espero que você saiba que eu realmente sinto muito por fazer você se preocupar na noite passada. Deveria ter pensado nisso, e pelo menos ligado para dizer que estava bem. — Vou ligar para nós, mesmo que você pare de me evitar agora. — Não concordo em voz alta, já que isso seria uma mentira e ele poderia me confrontar novamente. Em vez disso, eu aceno uma vez. — Mesmo não falando, você é uma mentirosa. Sério, como diabos ele sabe quando estou mentindo? Não tenho um parasita ou algo assim me delatando, não mexo no meu cabelo nem sinto uma contração no meu olho. — Nós terminamos? — Longe disso. — Ele descruza os braços. — Ainda assim, vou deixar você voltar ao trabalho. — Obrigada. — Luto contra a necessidade de revirar os olhos para ele. — Vejo você à noite.


— Sim. — Aceno. Ele balança a cabeça e seus lábios se contorcem. Não sei o que ele acha engraçado, mas posso dizer que ele está achando algo divertido. — Até mais, baby. — Ele se vira e sai, abrindo e fechando a porta. Tento não me sentir desapontada que ele nem sequer tentou me tocar ou me beijar enquanto sento à minha mesa. E evito olhar para o escritório principal, onde posso sentir os olhos em mim. Tento voltar ao trabalho, tendo dificuldade em fazêlo, porque continuo pensando nele. Eventualmente, eu me recomponho o suficiente para responder aos e-mails inundando minha caixa de entrada. Depois que termino no escritório, saio para verificar meus clientes – um casal que recentemente adotou uma menina recém-nascida. Passo algum tempo com eles, certificando-me que eles estão se acomodando bem, depois parto para a consulta do meu médico na cidade, algo que não estou ansiosa para fazer.

***

Sentindo-me esgotada, saio do consultório do Dr. Sprat as seis e dez, dando um pequeno aceno a sua secretária antes de ir para o estacionamento. Eu não tinha ideia de como seria minha consulta hoje. Realmente não tinha ideia de que o Dr. Sprat não só me faria me abrir sobre o que aconteceu com Harmony e eu, mas também encontrar uma maneira de me fazer falar sobre o meu passado e meus pais. A coisa toda foi cansativa, mas se eu fosse honesta comigo mesma, me sinto bem em falar com alguém que não é preconceituoso e que não me conhece. Quando ele pediu para eu voltar em alguns dias a fim de conversar um pouco mais, eu não disse não. Em vez disso, concordei em vê-lo novamente. Dirijo-me para o carro, tiro as chaves da bolsa e paro na metade para olhar em volta quando sinto que alguém está me observando. — Sério? — sussurro, observando Cobi encostado no meu carro com os braços cruzados sobre o peito e os olhos em mim através da luz fraca que vem das lâmpadas dos postes no estacionamento. — Está começando a parecer que você está me perseguindo — grito para ele enquanto pego minhas chaves.


— Provavelmente é porque eu estou. — Ele encolhe os ombros como se não estivesse ofendido pela minha acusação. — Como você sabia que eu estava aqui? Eu sei que esta não é a única clínica psiquiátrica na cidade. — Liguei para Brie. Ela me contou onde você estava. — Ela está seriamente com muito problema — resmungo sob a minha respiração, parando a alguns metros dele. — Como foi? — Como foi o quê? — A consulta. Respiro profundamente e deixo sair devagar. — Boa, ou seja, o que deveria ser. — Levanto meus ombros ligeiramente. — Tenho outra em poucos dias. — Isso é bom. — Ele estende a mão e agarra a minha, me puxando para mais perto dele. — Estou orgulhoso de você. — Pisco para ele em surpresa. — É preciso muita coragem para buscar ajuda. A maioria das pessoas não tem esse tipo de coragem. — Obrigada — digo baixinho enquanto o calor inunda minhas veias. Ele estende a outra mão e toca seus dedos na minha bochecha, em seguida, desliza-os até o meu lábio inferior, fazendo-me tremer. — Eu odiei não tocar ou beijar você esta tarde. — Com sua confissão, meus pulmões congelam. — Fiquei na minha caminhonete no estacionamento por um longo tempo falando comigo mesmo para voltar. — Você ficou? — Minha voz é ofegante quando olho em seus olhos. — Sim. — Seu dedo passa em meu lábio mais uma vez. — Você pensou nisso? Sobre não conseguir um pouco de mim antes que eu saísse? Eu deveria dizer que não. Deveria levantar minhas mãos para afastá-lo, mas em vez disso, eu aceno e fecho meus olhos enquanto ele mergulha a cabeça para roçar a minha boca.


— Os lábios mais suaves que já senti — murmura ele. Meus olhos se abrem e meu coração começa a bater rápido. — Vou segui-la para casa. — Ele dá um pequeno passo para trás, fazendo-me sentir subitamente fria. — Vamos pedir algo para jantar quando chegarmos lá. — Certo — concordo sem pensar, em seguida, deslizo atrás do volante quando ele abre a minha porta. Uma vez que estou dentro, ele fecha a porta e, até eu ligar o motor, ele não vai embora. Com o motor ligado, vejo-o ir até o carro estacionado a alguns metros e entrar. Saio na frente e o vejo no meu espelho retrovisor, me seguindo para casa. Quando chegamos, eu estaciono e saio, indo à caixa de correio enquanto ele estaciona seu carro atrás do meu carro. Depois que eu pego a correspondência, me viro e o vejo arrastar uma grande mochila preta. Não pergunto o que está na mochila, porque já sei a resposta para essa pergunta. Obviamente, ele planeja passar a noite, mas não planeja ter que ir para casa cedo para tomar banho e trocar de roupa antes do trabalho de amanhã. Sua suposição de que ele estará dormindo aqui devia me irritar, mas isso não acontece. Em vez disso, sinto-me aliviada com a ideia de tê-lo perto e de poder dormir um pouco esta noite. Quando estou a meio caminho da porta da frente, o meu celular toca, por isso pego e olho para a tela. Vendo o nome de Brie, sei que não posso ignorar a ligação dela; ela não desistirá se eu não atender e, em vez disso, ela aparecerá pessoalmente, exigindo respostas. Coloco o telefone no ouvido e paro no meio de dizer olá, observando Cobi pegar a minha chave reserva e abrir a porta da frente. — Brie, eu preciso retornar depois — digo ao telefone, ouvindo-a gritar: — O quê? — Antes de desligar. — Você ainda tem a minha chave. Com a minha declaração, Cobi vira para olhar para mim por cima do ombro. Seus olhos percorrem meu rosto e ele sorri, resmungando. — Você não pediu de volta.


Dando alguns passos a frente, paro no final da escada, olhando para ele. — Eu não sabia que precisava pedir minha chave de volta, já que é... — aponto para mim —... a minha chave. — Você deu para mim. Balançando a cabeça, eu cuspo. — Eu não dei a você. Deixei você pegar emprestado. — Tanto faz. Você sabe o que quer para o jantar? — Tanto faz? Sério? — Planto minhas mãos nos meus quadris. — Baby, você está exausta. Eu estou exausto, e também estou com fome. Tão fofa como você é quando está chateada, não estou com a mínima vontade de discutir com você sobre a porra de uma chave. Ignoro a coisa toda de Você é fofa e concentro-me no resto. — Não estou brigando com você. Estou apontando que você ainda tem a minha chave. — Franzo a testa. — Você a usou ontem quando eu não estava em casa? — Sim — afirma ele facilmente. Esse cara não pode ser de verdade. — Eu quero a chave de volta — digo a ele, estendendo a mão e subindo os degraus para onde ele está. — Claro. — Ele a deixa cair na palma da minha mão aberta, e olho para ele, surpresa. — Realmente não importa, fiz uma cópia esta tarde, então você não ficaria sem a sua sobressalente. — Você é louco — sussurro. Eu sabia que ele apenas me entregando a chave estava fácil demais. Eu só não fazia ideia de que fora fácil para ele me devolver por que já havia feito uma cópia dela. — Talvez. — Ele encolhe os ombros antes de pegar minha mão e me puxar para dentro da casa. Quando empurro a porta, ele a fecha atrás de mim. Ele solta a minha mão e vai em direção à cozinha, deixando-me olhando para ele. — Eu acho que você pode precisar de alguma ajuda — digo a ele quando ele deixa sua mochila cair perto da porta do meu quarto.


Quando ele se vira para mim, sorri como se achasse que eu estava brincando. — Baby. — Não, sério, quem faz isso? Quem faz essas coisas que você está fazendo? Balanço os braços em frustração. — Um homem que está interessado em uma mulher. — Ele encolhe os ombros e pega seu telefone. — Agora, o que você quer comer? Eu estava pensando em comida indiana, mas realmente estou bem com qualquer coisa. Olhando em seus olhos, eu sei, com certeza, que ele não verá quão louco ele está agindo, quão irracionais são suas ações. Não tendo a energia para confrontálo e convencê-lo de que ele pode estar louco, eu vou para a ilha onde ele está parado e coloco minha bolsa. — Indiana soa bem. Ele sorri antes de perguntar: — Você sabe o que quer? — Queijo naan, completo, e manteiga de frango3. — Entendi. — Ele levanta o queixo em direção ao celular ainda na minha mão. — Você pode querer retornar a ligação para a sua amiga. Tenho certeza que ela está preocupada. Enquanto ele coloca o celular no ouvido para fazer nosso pedido, eu balanço minha cabeça e caminho em direção ao meu quarto, discando para Brie. Ela atende no primeiro toque e nem sequer me dá a chance de dizer olá antes de disparar uma rápida sucessão de perguntas. Eu respondo a cada uma o melhor que posso, mas digo que terei que falar com ela pessoalmente sobre todas as coisas sobre Cobi, já que ele está a apenas um cômodo de distância. Relutantemente, ela concorda depois de me fazer prometer fazer o jantar amanhã, só ela e eu. Após desligar, eu troco de roupas, coloco uma legging e uma camisa folgada antes de ir à sala de estar. Cobi está no sofá com a TV ligada, não assistindo. Em vez disso, seus olhos estão em um laptop descansando na mesa de café na frente dele. Eu o estudo por alguns momentos, observando sua postura relaxada e o olhar de concentração em seu rosto.

3 Manteiga de frango ou murgh makhani é um prato originário do subcontinente indiano, de frango em um molho de tomate levemente temperado.


Ele deve sentir que eu olhava para ele, porque se vira para olhar para mim e faz uma varredura da cabeça aos pés. — Tudo bem com Brie? — Sim, mas como sempre, ela está preocupada e tem perguntas. Prometi jantar com ela amanhã à noite. — Meus ouvidos estarão queimando? — pergunta ele com um pequeno movimento dos lábios. — Provavelmente. — Dou de ombros, e seu lábio se contrai em um sorriso. — Você quer um pouco de água ou algo assim? — pergunto, precisando fazer algo para não pular nele. Vou tomar uma cerveja. — Vou pegar. — Contorno a ilha até a geladeira e pego uma cerveja para ele e sirvo um copo de vinho para mim. Quando volto para o sofá, ele está desligando o computador. — Como foi o trabalho? — Trabalho. — Ele encolhe os ombros, pegando a cerveja que empurrei para ele. — Na TV, meu trabalho parece empolgante. Na verdade, é muita papelada e ficar atrás da mesa ou do volante de um carro. — Você sempre quis ser policial? — Sim, desde que me lembro. E você? Sempre quis ser assistente social? — Sim, de certa forma. — Tomo um gole de vinho antes de continuar. — Eu não sabia o que uma assistente social desenvolvia, mas sempre quis ajudar as crianças que não conseguiam falar por si mesmas. Quando fui para a faculdade, um dos meus conselheiros me disse que a melhor maneira de fazer isso era trabalhar no serviço social, e foi nisso que decidi me formar. — Eu tomo outro gole do meu vinho, tentando não deixar o jeito que ele está olhando para mim me afetar. — Por que você quis ser policial? — Para proteger as pessoas que eu amo. — Essas simples palavras e essa declaração fácil fazem o meu peito sentir como se um peso tivesse se estabelecido nele. — Pensei em jogar bola depois do colegial, até tive algumas ofertas com bolsa integral. Mas no final, eu sabia que não seria feliz, então entrei para o exército e me tornei membro da PM.


— PM? — Policial Militar. Sorrio. — Então você não era um atirador de elite? — Não. — Ele sorri. — Conheço os rumores. Nenhum deles é verdade. — Mmm. — Tomo um gole de vinho. Os rumores podem não ser todos verdadeiros, mas não tenho dúvidas de que há muita coisa que ele não está dizendo. Quando há uma batida na porta, ele se levanta para atender. Espero que seja a comida que ele pediu, mas quando o ouço perguntar: — Posso ajudá-lo? — Eu me viro para encontrar Tom na porta. — Ei, Tom. — Eu me levanto e contorno o sofá. Olho para Cobi enquanto ele ainda está bloqueando a porta e explico em voz baixa: — Tom é meu senhorio. — Erguendo o queixo, ele me deixa passar e balanço a cabeça. — Peguei o bilhete que você deixou na minha caixa de correio — diz Tom logo quando chego à porta. — A resposta é sim, contanto que você limpe toda e qualquer merda e pague o depósito de trezentos dólares. — Obrigada — digo baixinho, e ele grunhe em resposta. Ele se vira e vai embora sem outra palavra; eu o vejo ir me perguntando exatamente o que ele fez para a Máfia, então sorrio. — O que foi isso? — pergunta Cobi, vendo o sorriso no meu rosto. — Estou pegando um cachorro, ou talvez um gato. De qualquer maneira, estou pegando um animal. — Olho para ele quando ele fecha a porta. — Você quer um cachorro? — Bem, nunca tive um cachorro, mas tenho um cercado no quintal. Eu tive uma gata uma vez; sinto falta dela. — Seu rosto suaviza. — Não decidi que tipo de animal eu quero. Eu só sei que quero outra alma na casa, então não será tão silencioso quando estou sozinha em casa. — Você tem medo de cachorros? — pergunta ele enquanto nós dois voltamos para o sofá e nos sentamos.


— Não. — Cachorros grandes? — empurra. — Não, ou não que eu saiba. — Minhas sobrancelhas se unem. — Por quê? — Meu bullmastiff, Maxim, ficou com meus pais, desde que eu tenho trabalhado muito. Ele é domesticado e protetor. Você o amaria. Pode ficar aqui com você enquanto decide se quer um cachorro ou outro gato. — Você tem um cachorro? — Não sei por que estou atordoada com esta informação. — Sim, ele tem seis anos agora. O peguei filhote quando ainda estava no exército. — Ele está ficando com seus pais? — Não estive em casa nos últimos dias — diz ele, sem dizer em voz alta que não está em casa porque está basicamente cuidando de mim desde que fui liberada do hospital. — Por melhor que Maxim fique sozinho, não gosto que ele fique sozinho, não por longos períodos de tempo. Ele fica melhor quando está perto de pessoas que não se importam em dar atenção a ele. — Ele pode ficar comigo — digo imediatamente, e ele sorri. — O pequeno quintal na parte de trás da casa é cercado, então ele tem um lugar para passear, e posso voltar para casa durante o dia para deixá-lo sair se precisar. — Ele é domesticado, ele consegue segurar. — Seus olhos sorriem. — Vou avisá-la – ele dorme na minha cama quando está comigo e, pelo que minha mãe e meu pai disseram, ele também dorme com eles. Ele não é um cachorro pequeno. Ele mastiga as cobertas e ronca. — Não me importo. Durmo com luz e uma máquina de som, então o ronco dele será como uma nova forma de ruído brando. — Tudo bem, eu vou pegá-lo dos meus pais amanhã e trazê-lo para que vocês possam se conhecer. Se as coisas derem certo, ele pode ficar com você por enquanto. Também darei ao senhorio o depósito, já que você realmente estará me ajudando.


— Você não precisa fazer isso — nego com um aceno de cabeça. — Eu acabaria pagando o depósito de qualquer maneira e, além disso, tê-lo por perto me dará uma ideia de que eu realmente sou uma dona de cachorro. — Agora que Maxim é um adulto, ele é fácil. Quando era um filhote, era uma história diferente. Ele estava em tudo e não tinha ideia do seu tamanho ou do dano que poderia fazer. Não posso nem dizer o número de vezes que eu cheguei em casa quando ele era um filhote para descobrir que ele, de alguma forma, escapou do canil e rasgou o lixo, arrastando-o por toda a casa. — Talvez eu não seja talhada para possuir um cachorro — murmuro, e ele sorri. — Ele não faz mais esse tipo de coisa, mas ainda assim, se decidir ter um filhote, esse tipo de coisa é inevitável, até que eles fiquem mais velhos e treinados. — É bom saber — digo, e ele me puxa e me beija suavemente com um sorriso nos lábios. Assim que o beijo começa a esquentar, a campainha toca, anunciando que nossa comida chegou. Nós comemos assistindo TV em um silêncio confortável, e quando terminamos, nós limpamos e então vamos para o meu quarto sem uma palavra de onde ele estará dormindo. Como se fizéssemos isso há anos, trabalhamos em sincronia, cada um usando o banheiro para trocar de roupa e escovar os dentes antes de ir para a cama. — Obrigada pelo jantar — digo a ele quando ele me puxa para o lado dele. — A qualquer momento. — Além disso, obrigada por estar aqui para mim nestes últimos dias. — Ele não diz uma palavra para isso, mas seu braço aperta os meus ombros, forçandome mais perto de seu peito, então ele coloca um beijo no topo da minha cabeça. — Boa noite, Cobi. — Bons sonhos, baby. — Meus olhos se fecham, e antes que eu perceba, adormeço, tendo apenas doces sonhos.


CAPÍTULO OITO COBI Abro meus olhos e me viro para olhar o relógio ao lado da cama. Não são nem três da manhã, cedo demais para eu estar acordado. Não sei o que me acordou, e inclino a cabeça para olhar para Hadley. Ela está dormindo profundamente, com a cabeça no meu peito, uma coxa levantada e descansando sobre a minha, e o braço em meu estômago. Começo a fechar os olhos e ouço um barulho que parece fora do lugar. Permaneço deitado e espero para ver se ouço o som novamente. Quando rangidos de madeira, e o que soa como passos suaves se registram, eu cuidadosamente desalojo Hadley e saio da cama. Procuro pela minha arma no criado-mudo e fecho os olhos quando lembro que a deixei no carro, sob o meu assento. Eu não queria assustar Hadley trazendo-a para dentro de casa, não queria que ao ver a minha arma, isso trouxesse memórias para ela. Chego à porta do quarto e abro devagar. A sala de estar e a cozinha estão escuras, a única luz é a que vem do relógio do micro-ondas. Examino a sala e paro quando vejo uma sombra escura mexer um pouco. Adrenalina começa a bombear em minhas veias enquanto espero, prendendo a respiração. Quando a sombra não se move, eu abro a porta e me movo em direção ao interruptor de luz ao lado da


cozinha. Assim que acendo a luz, uma figura escura usando um capuz passa correndo por mim em direção à porta da frente. Vou em perseguição, mas antes que eu possa alcançá-lo, a pessoa abre a porta e desaparece. Quando chego à porta, eu paro. De nenhum maldito jeito eu deixarei Hadley desprotegida. Eu o vejo descendo o quarteirão, mantendo-se nas sombras. Fecho e tranco a porta, em seguida, vou para o quarto e pego meu celular. Eu ligo no escritório e os informo do arrombamento. Durante a ligação, Hadley acorda e olha para mim com os olhos arregalados enquanto repasso que alguém estava na casa e que fugiu antes que eu pudesse prendê-lo. — Se vista, baby — digo a ela assim que eu desligo e acendo a luz. — Os oficiais estão a caminho. — Alguém estava na casa? — pergunta ela, puxando os cobertores para cima do colo e olhando para a sala de estar com medo em seus olhos. Chego mais perto dela e coloco minha mão contra sua bochecha, arrastando sua atenção para mim. — Ele foi embora. Você está segura. — Alguém estava na casa? — repete, olhando nos meus olhos. — Você viu quem era? — Não. — Minha mandíbula aperta. Seus olhos se fecham e ela abaixa a cabeça. — Ele não iria — sussurra ela, pegando-me desprevenido, e franzo a testa. — O que? — Alguma coisa foi levada? — Ela olha para mim. — Não tive a chance de olhar. Se pegaram alguma coisa, era pequeno o suficiente para carregar sem que eu notasse. Ela balança a cabeça, em seguida, afasta os cobertores e levanta da cama. Começo a abrir a boca para perguntar o que ela está fazendo, mas paro quando vejo que ela está em uma missão. Eu sigo atrás dela e congelo quando ela pega sua bolsa e joga o conteúdo no topo da ilha. — Minha carteira. — Ela olha para mim. — Minha carteira se foi.


— Mais alguma coisa? — Olho em volta e ela faz o mesmo, saindo da ilha e andando pela sala. Nada parece fora do lugar, mas não estive aqui o suficiente para saber exatamente onde tudo está. — Acho que não falta mais nada. — Ela balança a cabeça. — Eu... Eu acho que sei quem fez isso. — Quem? — rosno, e ela morde o lábio enquanto se abraça. — Meu pai. Pisco surpreso. Devo ter ouvido errado. — Desculpe? — Meu pai. Eu acho... — ela balança a cabeça e afasta o olhar. — Ontem ele perguntou se eu poderia ajudar ele e minha mãe com a conta de luz. Eu disse que não. — Você acha que seu pai invadiu sua casa no meio da noite para roubar você, mesmo depois do que aconteceu com você dias atrás? — Minhas palavras são ditas com os dentes cerrados e a raiva começa a preencher cada célula do meu corpo. Que tipo de homem faria isso com a filha, especialmente depois do que ela acabou de passar? — Eu... — começa, mas para quando há uma batida na porta. — Se vista — ordeno baixinho, me afastando dela. Não quero fazê-la se sentir pior do que já está. Não quero que ela veja como estou chateado. — Cobi. Quando meu olhar encontra o dela, a raiva que estou sentindo é amplificada. Os olhos dela brilhando são a minha ruína, e juro por Deus que vou matar o pai dela se descobrir que foi ele quem entrou. Eu me aproximo dela, gritando: — Espere — para os policiais do lado de fora. Uma vez que estou perto, eu envolvo minha mão ao redor do pescoço dela e gentilmente minha voz comanda. — Se vista e volte imediatamente para mim. Tudo ficará bem, querida. — Cobi. — Eu te prometo, baby, ficará tudo bem. — Abaixo minha cabeça e beijo seu lábio trêmulo, então me afasto para olhar em seus olhos mais uma vez. — Faça o que eu pedi e volte para mim.


— Ok — sussurra, e a libero, observando-a enquanto desaparece no quarto. Puxo algumas respirações antes de ir até a porta e abri-la. Deixo Haws e Tracy, dois oficiais que eu conheço, entrarem em casa, apertando suas mãos. Trabalhei com cada um deles algumas vezes no passado, e ambos são bons oficiais, tendo estado com o PD4 local por anos. Enquanto Hadley se arruma, relato a história do que aconteceu, digo como acordei e ouvi um som, depois fui à procura e vi alguém sair correndo da casa. Digo a eles que não tive um vislumbre dele ou dela, mas em minha opinião, a pessoa era um homem, apenas a altura me levando a acreditar nesse fato. Ele deve ter pelo menos um metro e oitenta, e muitas mulheres não são tão altas. Digo a eles sobre Hadley mencionando que poderia ser o pai dela que invadiu, e quando Hadley sai vestida do quarto, eles perguntam qual é o nome do pai dela. Estou chocado por conhecê-lo. Pessoalmente, eu nunca lidei com Derrick Emmerson, mas seu nome e o de sua esposa apareceram em reuniões mais de uma vez desde que comecei no departamento. — Não sei ao certo se foi ele — diz Hadley, e a puxo contra mim, esfregando seu braço quando sua voz se quebra. — Mas ontem mesmo ele me pediu dinheiro emprestado, e ele sabe que eu sempre mantenho pelo menos cem dólares em dinheiro na minha carteira. — Ela balança a cabeça. — Ele é a única pessoa em quem consigo pensar que invadiria. Não gostando da ideia dela acreditar que seu pai faria isso com ela, eu pergunto: — Vocês sabem se alguma outra invasão aconteceu na área? — Olhando entre os dois policiais, eu vejo como eles compartilham um olhar e depois balançam as cabeças. — Nenhum nesta vizinhança, mas os dias estão ficando mais curtos e os feriados estão chegando. As pessoas sempre começam a ficar desesperadas nessa época do ano — diz Tracy, e aceno com a cabeça. O bairro de Hadley é um dos mais seguros dentro dos limites da cidade, mas Tracy está certa. Com os feriados se aproximando rapidamente, as invasões estão cada vez mais frequentes. A maioria das pessoas têm um segundo emprego para sustentar a família, mas há algumas que simplesmente saem e tiram dos outros para dar aos seus entes queridos o que

4 Police Department – Departamento de Polícia


eles acham que precisam. Não posso nem dizer o número de vezes que fui chamado para uma casa no mês de dezembro, com os proprietários me dizendo que alguém roubou todos os presentes embaixo da árvore ou pacotes que estavam fora de casa. O Natal deixa as pessoas malucas e a taxa de criminalidade durante as férias é a prova disso. — Você sabe como entraram? — pergunta Haws. — Ainda não fiz uma varredura. Não queria sair sem minha arma, que está no meu carro. — Vou verificar em torno da casa para ver se consigo encontrar um ponto de entrada — murmura ele antes de elevar o queixo e sair. — Você notou alguma coisa no criminoso antes que ele fugisse? — pergunta Tracy. — Nada mais do que eu já disse a você. Não tenho certeza se ele usava uma máscara, mas não vi o rosto dele. Sequer sei se era caucasiano. — Em que direção ele foi? — Na direção da 5th Street. Eu o perdi de vista quando chegou ao fim do quarteirão. — Minha mão aperta em frustração. — Não o persegui depois que ele decolou. Eu não queria deixar Hadley sozinha, e como disse antes, eu não tinha arma. — Provavelmente foi inteligente você deixá-lo fugir — diz Tracy enquanto Hadley faz carinho no meu peito com o lado do rosto. Eu beijo o topo de sua cabeça e tento me forçar a relaxar quando sinto como ela está tensa. Não quero que ela sinta minha raiva e se alimente disso, especialmente, não no meio da noite. Ela ainda tem algumas horas para dormir e eu quero que ela faça isso sem ter outro pesadelo. — Você precisa de mais alguma coisa de Hadley? — pergunto, e os olhos de Tracy vão para ela e suavizam. — Só mais uma coisa — diz Tracy, e eu me preparo, vendo o olhar dela. — Em circunstâncias normais, eu não perguntaria, mas se descobrirmos que foi o seu pai que invadiu, como você quer que prossigamos?


Porra. Todo o corpo de Hadley fica tenso, e sinto cada músculo em contato comigo quando sua respiração engata. — Tracy — aviso, e seus olhos encontram os meus. — Eu acho que preciso perguntar, Mayson, devido às circunstâncias. — Se meu pai fez isso, eu quero que você prossiga, como normalmente faria — diz Hadley em voz baixa, terminando minha encarada a Tracy. — Você tem certeza disso, baby? — questiono, capturando seu queixo entre meus dedos para forçá-la a me olhar nos olhos. Eu sei de nossas conversas anteriores que seus pais são um assunto delicado, mas não tenho ideia do relacionamento atual deles. — Tenho certeza — sussurra ela. Quando vislumbro as lágrimas em seus olhos, eu a viro para mim e seguro a parte de trás de sua cabeça, colocando seu rosto contra o meu pescoço. — Terminamos? — pergunto a Tracy. — Sim, se precisarmos de mais alguma coisa, ligarei para você amanhã. — Obrigado. — Eu a sigo até a porta com Hadley ainda enfiada na minha frente, e Tracy me dá um olhar de desculpas antes de sair. Depois que ela sai, tranco a porta e levo Hadley ao quarto. Vou para a cama com ela e mordo uma maldição quando suas lágrimas penetram na minha camiseta. — Fale comigo, Hadley. Me diga o que você está pensando. — Foi ele. Eu sei que foi ele — choraminga, se enterrando em mim. — Baby. — Eu viro para ela e a aperto. Seu corpo fica tenso imediatamente e ela tenta se afastar. — Isso não pode acontecer. — O que? — Solte-me. — Ela luta sem responder.


Não solto. Eu a seguro com mais força e coloco minha boca no ouvido dela. — Eu não soltarei você, Hadley. — Você tem que fazer isso. — Ela tenta se libertar, mas ela não é páreo para mim. Eu sou mais forte e mais determinado que ela. — Você tem que me soltar. Por favor, apenas me solte — choraminga quando a luta deixa seu corpo. — Nunca — afirmo, segurando meus lábios no topo de sua cabeça. — Eu nunca a soltarei. — É uma promessa. Eu não podia soltá-la, mesmo se quisesse. A cada segundo que passo com ela, entendo cada vez mais que ela foi feita para mim. Quando seu corpo se acalma e a respiração se acalma, olho para o seu rosto. Seus olhos estão fechados, mas sei que ela não está dormindo. — Você é minha, Hadley, minha até eu dar meu último suspiro. Seus músculos endurecem em resposta à minha confissão, provando que ela está acordada, mas ela não abre a boca para responder. Uma coisa eu sei com certeza – esta será a última noite que ela ficará aqui. Mesmo que eu tenha que amarrá-la na minha cama, ela ficará na minha casa, comigo protegendo-a até que eu saiba, sem dúvida, que ela está segura. Espero até que eu saiba que ela está dormindo antes de fechar os olhos, mas mesmo assim, eu não durmo. Não posso. O sol nascerá como sempre acontece, e sei que quando isso acontecer, eu terei uma nova luta em minhas mãos. — Este é o seu novo plano? — pergunto, encostado no balcão em frente à Hadley. Escondo meu sorriso com minha xícara de café quando ela não diz nada, nem sequer me reconhece. Ela tem me ignorado a manhã toda. Assim que acordou, ela saiu dos meus braços e da cama sem olhar para trás. Desde então, ela fingiu que eu nem existo. — Vou trabalhar hoje à noite, mas me certificarei de que você vá morar na minha casa antes de ir. — Isso causa uma reação; sua cabeça balança na minha direção e seus olhos se estreitam. — Eu não deixarei você ficar aqui sozinha. — Dou de ombros. — Pelo menos, não até eu descobrir se foi seu pai quem invadiu. — Termino minha xícara de café e coloco na pia. Ela ainda está olhando para mim, e posso ver as rodas girando em sua cabeça, tentando descobrir o que ela deveria fazer. — Eu tenho que ir.


Quando vejo o olhar aliviado em seus olhos, quase sorrio. Contorno o balcão até onde ela está sentada e levanto sua bunda da cadeira, ouvindo-a gritar enquanto a coloco em cima da ilha. Com minhas mãos atrás dos joelhos, eu abro suas pernas, agarro sua bunda e a puxo contra mim. Sua respiração para e meu pau dói. Quando as mãos dela se movem para o meu peito, eu enterro meus dedos em seus cabelos, inclino sua cabeça e a beijo. Ela não luta contra o beijo, nem sequer tenta negar a minha entrada. Ela abre a boca sob a minha e geme quando nossas línguas se tocam. Porra, eu amo o sabor dela, eu amo os sons que ela faz, e como ela não consegue chegar perto o suficiente de mim quando a gente está assim. Não querendo, mas sabendo que eu preciso, afasto minha boca. — Desculpe, baby, eu tenho que ir. — Ok — diz ela contra meus lábios. — Para que eu faça isso, vou precisar que você me solte — digo, e ela abaixa a cabeça, relaxando as pernas ao redor dos meus quadris e liberando o aperto que tem na minha camisa. Quando ela mantém a cabeça baixa, eu a forço a olhar para mim e sorrio. — Vou vê-la hoje a noite. — Cobi — Eu sei que você tem planos para jantar com Brie esta noite, então me ligue quando vier para casa depois disso. Eu te encontrarei aqui antes de você me seguir até a minha casa e eu te instalarei lá. — Eu não vou ficar na sua casa. — Você não ficará aqui. Este lugar não é mais seguro. Preciso me concentrar quando estiver trabalhando hoje à noite, e não posso fazer isso se estiver pensando em como não posso protegê-la quando não estou aqui. Minha casa tem um sistema de segurança de última geração, junto com Maxim, que informa a você se alguém que ele não conhece está em casa e depois o ataca por estar no espaço dele. — Que tal eu ficar com Brie e Kenyon então? — E se você tiver um pesadelo? — Ela olha por trás do meu ombro e pressiona os lábios. Ela não quer admitir, mas sabe que ninguém mantém seus sonhos ruins longe além de mim. — Você poderia me dizer por que está tentando me afastar


novamente. Nós poderíamos falar sobre isso, então você poderia ceder e ficar comigo. — Você disse que está trabalhando esta noite. Nem estará em casa. — Fale comigo. — Não há nada para falar. — Tão teimosa. — Pego os dois lados do seu rosto para que eu tenha sua atenção completa. — Se isso é sobre o seu pai, você precisa saber que não dou a mínima para quem são seus pais. — Meus pais? — sussurra ela, e esfrego meus polegares ao longo de sua mandíbula. — Baby, eu sei exatamente quem é sua mãe e seu pai. Nunca lidei pessoalmente com eles, mas conheço o tipo de pessoa que são. Também sei que isso não reflete em você. Você não é eles. — Não podemos fazer isso. — Já estamos fazendo. Eu te disse antes, e continuarei dizendo até você entender. Você é minha e não a deixarei. — Eu não sou sua. — Você é. — Não sou um objeto que você pode possuir, Cobi, e não quero ser possuída. Nunca. — Seja como for. — Eu me inclino e beijo seu nariz. — Eu tenho que ir. Vou te ver esta noite. — Eu acabei de dizer que não estou... Eu a corto, dando um beijo rápido em seus lábios antes de pegar minha mochila. — Vou ligar para Brie assim que eu sair, para que ela saiba o plano. — Você não pode simplesmente ligar para a minha melhor amiga — dispara ela enquanto sai da ilha e começa a me seguir até a porta.


— Tenha um bom dia, baby. — Abro a porta e saio para a varanda, rindo enquanto ela grita sobre eu ser um idiota arrogante. Quando entro no carro, sorrio para ela enquanto ela me encara. Quando ela gira e bate a porta, eu sei que já estou meio apaixonado por ela.

***

Abro a porta do meu carro e saio, com Maxim pulando atrás de mim. Conheço a casa de Hadley; o carro dela está parado junto a outro. Imaginando que Brie está lá dentro, eu vou até a porta e uso minha chave para entrar. As duas mulheres se viram para olhar para mim – Brie com um sorriso brilhante, Hadley com uma carranca. — Vejo que precisamos ter outra conversa sobre a minha chave — diz ela, e sorrio para ela, em seguida, observo um sorriso se espalhar em seus lábios quando ela vê Maxim ao meu lado. Ela escorrega do banquinho em que está sentada e se aproxima de Maxim, estendendo a mão. — Ei, bonito. — Ela desce ao nível dos olhos dele, correndo os dedos sobre o topo de sua cabeça, e depois ri quando ele começa a lamber seu rosto. — Posso dar um beijo de olá? — pergunto, e ela olha para mim. — Não. — Não era realmente uma pergunta. — Sorrio, e a puxo contra mim, ouvindoa choramingar antes de capturar sua boca. Quando me afasto, seu fôlego Brie está aqui me faz rir. — Por favor, não se importe comigo — diz Brie, e a encontro dando uma massagem na barriga de Maxim. — Como foi o jantar? — Bom — responde Brie. — Tenho certeza que seus ouvidos estavam queimando.


Em sua declaração, sorrio para Hadley, que está em um lindo tom de rosa, e pergunto: — Você fez sua mala? — Eu vou ficar com Brie. — Você não vai — nego. — Ela sabe que não ficará com a gente. — Brie estreita os olhos para Hadley. — Nós já conversamos sobre isso. Ela sabe que é melhor ficar com você, ela está apenas sendo teimosa. — Isso significa que você falou sobre isso — diz Hadley, dando um passo para longe de mim e virando para encarar sua amiga. — Ok, eu falei sobre isso, e sei que mesmo que você seja teimosa demais para admitir, você sabe que estou certa. Você precisa que eu te ajude a fazer as malas? — Não. — Hadley nega, parecendo irritada. — Tudo bem, então eu vou para casa. — Brie pega sua bolsa e dá uma piscada para mim, então dá um abraço em Hadley. Quando ela sai, olho para Hadley. — Eu fui conversar com seu pai hoje. — Com a minha declaração, seu corpo congela. — Ele está convencido que não teve nada a ver com o que aconteceu na noite passada. Ele disse que estava em casa com sua mãe e ela poderia confirmar isso caso eu precisasse. — Puxo uma respiração e agarro sua mão, arrastando-a contra mim. — Ele estava preocupado com você. Disse que não gostava da ideia de você estar aqui sozinha, mesmo depois que eu disse a ele que você e eu estamos juntos. — Tenho certeza que ele estava preocupado — murmura ela, revirando os olhos. Não querendo aborrecê-la agora, falando sobre o relacionamento dela com os pais, eu mudo de assunto. — Você ligou para o banco e os cartões de crédito? — Sim, foram todos cancelados. Ainda preciso ir ao DMV5 para uma nova licença, mas isso terá que esperar até amanhã, após me encontrar com um dos meus clientes.

5 Department of Motor Vehicles – Departamento de Veículos Motorizados


— Algo que eu possa ajudar? Seu rosto suaviza e ela balança a cabeça. — Não, mas obrigada. Beijo o topo de sua cabeça e a solto. — Vá fazer a mala. Quero tempo para te mostrar minha casa antes de ir para o trabalho. — Cobi... — Não estou discutindo com você sobre isso novamente. Vá arrumar as malas. — Talvez eu precise que a minha cabeça seja examinada — bufa, antes de se virar e ir para o quarto. Eu a escuto falando sozinha e o som de pancadas, então olho para Maxim, que está deitado no chão perto do sofá. — O que você acha, amigo? — Ele late para mim, em seguida, se levanta e vai para o quarto dela, me dando sua resposta, e sorrio.


CAPÍTULO NOVE HADLEY Ouço a porta de garagem subir, e Maxim, que sabe que seu pai está em casa, levanta a cabeça do meu estômago, mas não se move. Um minuto depois, escuto a porta se abrir, o som de botas pesadas no piso de madeira e o som das teclas batendo no painel da cozinha. Quando a porta se abre alguns segundos depois, eu olho através dos meus cílios e vejo Cobi se mover silenciosamente pela sala. Maxim finalmente se levanta e suas placas de identificação se chocam quando Cobi fala baixinho com ele. Depois de alguns minutos, ele entra no banheiro, fechando a porta antes de acender a luz e Maxim sai do quarto, provavelmente para dormir no sofá. Fecho meus olhos quando o chuveiro continua e visões de um Cobi nu enchem minha mente. Totalmente acordada, com meu corpo zumbindo, meus mamilos formigando e o espaço entre minhas coxas quentes, eu rezo por um milagre. O inferno deve ser isso, ter algo que você quer perto, mas fora do alcance. Quando o chuveiro desliga e ele sai do banheiro, eu abro meus olhos apenas o suficiente para vê-lo vestindo nada além de um par de calças de dormir que pendem baixo em seus quadris, acentuando o V profundo de seu abdômen e suas tatuagens, tatuagens que o deixam ainda mais ardente. Fecho meus olhos


novamente e finjo dormir quando ele vem para a cama. Quando ele me rola e me puxa contra seu peito quente e limpo, eu quase choramingo e imploro para ele ter o seu caminho comigo. — Você está dormindo, baby? Não respondo. Permaneço o mais imóvel possível, esperando que o pulsar entre as minhas pernas desapareça. O latejar que começou por causa do livro que eu estava lendo piorou quando deitei na cama dele e me envolvi em seu cheiro. Pensei em me masturbar, mas não consegui fazer isso. Quando a mão dele desliza lentamente pelas minhas costas, por cima da minha camisola de algodão simples e vem descansar em minha bunda, meu batimento cardíaco aumenta. — Hadley. — Seu hálito quente desliza sobre a concha da minha orelha e um arrepio desliza pela minha pele. Ele move a mão na parte de trás da minha coxa e sobe, debaixo da minha camisola, sobre a minha bunda e calcinha de renda. — Porra. — Aquela palavra está cheia de fome conforme seus quadris se movem para frente, enviando seu pênis duro em minha barriga. Um gemido que não posso mais controlar foge, e minha mão envolve seu bíceps para segurar. Antes que eu possa puxar outra respiração, ele me rola para as minhas costas e se acomoda entre as minhas coxas. A nova posição eleva minha frequência cardíaca e minha cabeça gira. Sem uma palavra falada entre nós, eu me inclino quando ele abaixa a cabeça e nossas bocas se encontram. O beijo é frenético e descontrolado, conforme mordemos, lambemos e beliscamos a boca um do outro. Quando ele afasta a boca e beija meu pescoço, eu arqueio para ele, então gemo quando ele puxa a parte de cima da minha camisola e leva meu seio à boca. Chupando com força, ele contorna meu mamilo antes de morder o broto endurecido. Envolvo minhas pernas ao seu redor e mexo contra sua dureza. Ele muda para o meu outro seio enquanto sua mão se move para o meu lado, e então desliza na minha calcinha, passando os dedos sobre o meu clitóris, me fazendo choramingar. — Cristo, Hadley, você está fodidamente encharcada, baby. — Ele desliza dois dedos dentro de mim e belisca meu outro seio antes de resmungar: — Tão molhada e macia.


— Preciso de você — imploro. — Por favor, eu preciso de você. — Com um gemido, ele esfrega os dedos contra o meu ponto G, em seguida, tira a mão. Ele empurra minha calcinha para o lado, então ele está dentro de mim, me enchendo em um impulso rápido e forte, o qual é dolorosamente perfeito. Deus, ele é grande, tão grande que quase dói acomodá-lo quando ele começa a bater seus quadris nos meus. Deslizo minhas pernas para envolver a parte de trás de suas coxas, e levanto minhas mãos sobre a minha cabeça, colocando-as contra a cabeceira da cama enquanto ele me monta com força e rapidez. Quando seus dedos encontram meu clitóris novamente, eu faço um barulho que nunca fiz antes, gritando quando um orgasmo inesperado me atravessa, enviando minha mente para a escuridão. Meu corpo treme e minha buceta convulsiona em torno de seu pau duro. Nunca, nunca senti algo parecido com o que sinto enquanto ele me conduz ao orgasmo. Quando desço do meu clímax, eu me concentro em seu rosto acima do meu e levo minhas mãos a sua mandíbula, deslizando meus dedos ao longo da nuca para suas bochechas. — Preciso sentir você completamente — diz ele, saindo de mim de repente e tirando minhas roupas, em seguida, removendo as dele. Quando ele entra em mim novamente e seu corpo quente e duro se acomoda sobre o meu, eu fecho meus olhos. Nunca me senti mais ligada a outra pessoa como sinto agora. Nunca me senti mais completa. Eu o envolvo e enterro meu rosto em seu pescoço, não querendo que ele leia o olhar em meu rosto ou veja as lágrimas que sinto acumular em meus olhos. — Porra, olhe para mim, Hadley. — Suas palavras duras forçam minha cabeça para trás e encontro seu olhar. Quando nossos olhos se encontram, ele levanta a mão para descansar na minha bochecha, então ele fecha os olhos, diminuindo seus impulsos. Quando seus olhos se abrem, eu olho para eles enquanto ele me beija novamente. Ele para de se mover e descansa seu peso em mim enquanto meu coração troveja no meu peito. Esse beijo é diferente dos outros que compartilhamos. Eu sei sem palavras que ele está me dizendo que sou dele e que ele nunca me soltará. Com a boca presa na minha, seus quadris começam um círculo lento e tortuoso, seu pênis batendo em um ponto dentro de mim várias vezes em um ritmo


lento, enquanto sua boca devora a minha. Nossos olhos ficam trancados quando outro orgasmo começa a crescer dentro de mim, fazendo meus músculos do estômago se contrair e minhas mãos apertarem seus ombros. Sinto-o ficar ainda maior, e sei o momento exato em que ele goza, porque o orgasmo dele se junta ao meu. Deslizo minhas mãos em seu cabelo e mantenho sua boca fundida contra a minha enquanto cavalgamos a onda de prazer que nos envolveu. Quando ele afasta a boca da minha e descansa a cabeça na dobra do meu pescoço, eu me pergunto se ele sabe que me arruinou para sempre. — Você está bem? — pergunta ele, afastando-se para olhar para mim e capturando meu rosto entre as palmas das mãos. Ainda respirando pesadamente, eu aceno um sim silencioso. Ele sorri, beija meus lábios e depois nos leva para o lado. Quando ele desliza para fora de mim, solto um pequeno gemido. — Machuquei você? — Não. — Esfrego meu rosto contra seu peito enquanto meus braços o apertam. — De modo nenhum. — Você sabe o que isso significa, certo? — Ante sua pergunta, meus músculos enrijecem e meus pulmões param de funcionar. — Eu nunca a deixarei ir, Hadley. Eu poderia ter feito isso antes de você se entregar a mim nesta cama, mas não há como fazer isso agora. Fecho meus olhos quando as lágrimas ameaçam se derramar entre meus cílios. A verdade é que eu quero acreditar que ele me quer. Completamente. Apenas não sei se posso confiar nele. Não o conheço bem o suficiente para acreditar que ele está sendo honesto quando diz que me quer mais do que apenas neste momento. Tendo a infância que eu tive, aprendi desde cedo que as ações falam mais alto que as palavras, que só porque alguém diz que se importa com você, não significa que se importe, e que só porque alguém deveria te amar, não significa que amem. Meus pais me ensinaram essa dura lição no começo da vida. — Você é minha. Eu sei que você não entende isso ainda, mas eu te prometo, baby, não há lugar mais seguro para você do que comigo.


— Eu sempre me sinto segura quando estou com você — admito antes que possa pensar melhor, e seus braços me puxam impossivelmente mais perto dele. — Isso é porque você está segura — diz ele, cada palavra falada suavemente, roçando minha testa onde seus lábios estão descansando. — Seja paciente comigo. — Prometo — concorda em voz baixa. Fecho meus olhos e me agarro a ele. Não digo que não sei como confiar nele, que nem sei o que é amor. Não digo que as duas pessoas neste mundo que deveriam ter me mostrado isso, nunca o fizeram. Eu quero me abrir para ele sobre o meu passado, mas ao invés disso, pressiono meus lábios e luto contra as lágrimas, me recusando a ceder a elas. Pressiono meu nariz em seu peito e respiro seu perfume. Eventualmente, eu adormeço em seus braços, envolta em calor, me sentindo segura como sempre sinto quando ele está perto de mim.

***

Sinto o cheiro de bacon e meu estômago ronca antes mesmo de abrir os olhos. Sento-me na cama e olho em volta e depois para mim mesma. Eu ainda estou completamente nua, minha camisola e calcinha em nenhum lugar à vista. Após vasculhar o cobertor e o lençol, encontro os dois itens de roupa e me levanto, colocando-os. Com a porta aberta, posso ouvir Cobi na cozinha e a televisão ligada enquanto vou ao banheiro para escovar os dentes. Depois que espirro um pouco de água fria no meu rosto, olho para o meu reflexo no espelho. Eu pareço diferente. Não sei se foi o que aconteceu ontem à noite ou o que aconteceu nos últimos dias, mas não me pareço com o meu eu passado. O olhar em meus olhos parece mais calmo, e me sinto mais segura em quem eu sou. Quando saio do banheiro, sou cumprimentada por Maxim, que se inclina para o meu lado. Arranho-o atrás das orelhas e seus grandes olhos castanhos de


cachorro encontram os meus. Ele é adorável, e eu não tive escolha senão me apaixonar por ele desde o momento em que nos conhecemos. — Venha. — Corro novamente meus dedos em seu pelo no topo da cabeça, em seguida, vou para a sala principal da casa de Cobi. Mais uma vez deixo escapar um suspiro inquietante conforme vou para a cozinha. A casa de Cobi é incrível, com uma vista das colinas da janela da cozinha, de um pequeno lago artificial do lado de fora de uma porta de correr, e de um deque traseiro. A casa dele é de dois andares, a garagem e a despensa no andar principal, e no andar de cima estão a sala de estar, dois quartos, dois banheiros e meio e um piso plano aberto. A construção é nova, já que só foi construída há alguns meses. É em uma parte da cidade que só agora está tendo mercearias, lanchonetes e restaurantes de fast food. Enquanto atravesso a sala de estar com Maxim nos meus calcanhares, fico impressionada com a beleza do espaço aberto. A cozinha bem iluminada, com armários brancos e granito pontilhado, está aberta para a sala de estar, o grande espaço quebrado com uma longa ilha que tem três banquetas de bar alinhadas na borda. Ele tem um sofá de couro escovado cinza escuro na frente de um home theater de última geração, completo com uma TV de tela plana de sessenta polegadas. Prateleiras embutidas alinham uma das paredes, e papel de parede decorativo em prata e dourado acentuam o espaço aberto, fazendo com que pareça mais aconchegante. Quando chego à cozinha, paro para absorver a visão de um Cobi de peito nu em frente ao fogão, virando o bacon em uma panela. Meu corpo se arrepia e minha boca seca enquanto o estudo. Sério, ele é o homem mais sexy e intenso que já conheci na vida. Não posso acreditar que na noite passada eu tive todo o poder dele em mim, enchendo-me de algo inesperado e memorável. Mesmo em pé em sua cozinha, ele é hipnotizante, eu poderia vê-lo por horas e constantemente encontrar algo novo que eu gosto nele. Não ajuda que ele não seja apenas gostoso, mas doce e carinhoso – qualidades raras nos homens de hoje. — Bom dia, querida — diz ele, virando para olhar para mim enquanto me inclino contra a parede na borda da cozinha, precisando que ela me segure, sem saber se consigo manter meus pés debaixo de mim. Maxim, que ainda está ao meu


lado, descansa a cabeça pesada contra a minha coxa, e corro minha mão por sua pele, coçando atrás da orelha. — Bom dia — sussurro, e ele sorri apenas um pouco, seus lábios mal inclinando nos cantos. — Estou tentando muito fortemente não ficar com ciúmes do meu cachorro, baby. Talvez você queira me ajudar com isso, vindo beijar seu homem? Meu homem? Eu não conseguia nem imaginar um homem como Cobi há uma semana. Nunca ousaria sonhar com um cara como ele, então é muito difícil pensar que ele é meu. — Baby. — A única palavra é impaciente, fazendo-me pular no lugar. Eu me movo da parede e me dirijo para ele. Assim que estou a uma curta distância, ele envolve a mão no meu quadril e me puxa contra ele. Não me inclino para beijá-lo. Não preciso, porque ele se abaixa e captura minha boca em um beijo ardente, o qual faz meus dedos se enrolarem e zumbirem. Quando ele me libera, seus olhos procuram os meus. — Sem sonhos ruins na noite passada? — Não. — Balancei a cabeça, correndo minhas mãos até seus bíceps e sobre suas tatuagens. — Você ainda precisa continuar. Mesmo que os sonhos parem por um tempo, você precisa conversar sobre as coisas. — Tenho uma consulta amanhã. Ele beija minha testa em aprovação. — Quer um pouco de café? — Sim, por favor — digo, e ele me mantém ligada a ele, com o braço em volta da minha cintura enquanto me leva para a cafeteira e pega uma xícara do armário acima. Ele serve uma xícara de café e depois adoça o quanto eu gosto. — Sente-se comigo enquanto termino o café da manhã. — Não é um pedido, é uma ordem, e sei disso quando ele me levanta e coloca minha bunda no balcão frio. Eu sento e tomo meu café enquanto ele termina o bacon, então ele usa a gordura do bacon para fritar os ovos. Quando ele pega um pedaço de pão, eu desço e tomo dele, imaginando que seria rude se eu não tentasse ajudar.


— Você tem que trabalhar hoje? — Sim, mas não até muito tarde — diz ele, encontrando o meu olhar quando pressiono a alavanca na torradeira. — Devo estar em casa na mesma hora que cheguei esta manhã. Tenho o fim de semana de folga, entretanto, assim eu imaginei que sábado ou domingo nós poderíamos ir ver Harmony. Ela me ligou ontem perguntando como você está. — Como ela está? — pergunto, sentindo como se um peso de repente se instalasse na boca do meu estômago. — Bem, em casa agora. A mídia não parou de tentar contatá-la, então ela está na dela por enquanto. — Sinto muito que ela esteja lidando com isso — digo sinceramente. Eu odiava até mesmo a ideia de ter que falar com a mídia, e sou grata por nunca ter sido pega onde precisaria fazer. Eu me sinto como uma idiota por até mesmo pensar nisso, considerando o que ela deve estar passando, mas estou aliviada que eles deixaram a minha parte da história para lá e me deixaram em paz. — Eu também, mas também estou aliviado por você não ter que lidar com isso — diz ele, lendo minha mente. Ele vem até onde estou e dá um beijo no lado da minha cabeça, e eu olho para ele, perguntando: — Ela está realmente bem? — Ela tem nossa família e seu noivo a protegendo, então ela está bem. Não sei se ela estaria se estivesse sozinha. Sozinha como eu, ele não tem que dizer isso, mas sei exatamente o que ele quer dizer. Até Cobi aparecer, as únicas pessoas que eu realmente tinha em minha vida eram Brie e Kenyon, e essa lembrança é deprimente. Talvez seja hora de fazer algumas mudanças. Talvez seja hora de fazer alguns amigos e ter uma vida que não gira em torno de encontros mensais com Brie e reality shows. — Eu realmente gostaria de vê-la neste fim de semana, se ela quiser — digo, me sentindo mais confiante. — Provavelmente eu deveria avisá-la que minha mãe e meu pai devem estar lá, então você também os conhecerá.


— Seus pais? — Eu sei que meus olhos estão arregalados de horror. Tenho certeza de que pareço um cervo preso em um conjunto de faróis brancos brilhantes com um carro vindo em direção a ele, indo a cinquenta milhas por hora. — Eles vão te amar, Hadley, então tire esse olhar do rosto, baby. — Não sei como conhecer os pais. Conhecer até mesmo pessoas é uma coisa nova para mim. — Ele ri, jogando a cabeça para trás. — Não estou brincando. — Eu sei, querida, mas ainda é engraçado. — Ele toca sua boca na minha. — Ficará tudo bem. Você verá. Não tenho tanta certeza quanto ele. Na verdade, eu acho que ele não entende o que está me pedindo para fazer. Eu nunca fui social. Sempre encontrei uma maneira de concordar com reuniões sociais, mas escapar no último minuto sem parecer rude. Brie e Kenyon são as únicas pessoas com quem passei algum tempo, e isso é só porque os conheço há anos. — Se você diz — murmuro, recebendo outro sorriso dele antes de me soltar e voltar para os ovos que está fritando. Tendo um par de horas antes de precisar sair para o trabalho, e sua casa estando mais perto do meu trabalho do que a minha, eu como com ele, aproveitando o momento antes de ter que me arrumar para sair. Quando o tempo finalmente se aproxima de nós e da bolha que criamos, eu vou me arrumar para o trabalho, e depois ele me leva até o meu carro, esperando até eu entrar e me afastar para voltar para a casa dele.

***

— Hadley. — O suspiro no tom de Reggie me deixa saber o que eu já suspeito. Ele terminou. Ele não quer mais me ouvir, e com certeza não quer acreditar no que eu tenho dito a ele nos últimos dez minutos. — Reggie, eu vou procurar as coisas, mas meus registros mostram que Marcus recebeu os fundos emitidos para ele por seu novo uniforme de futebol. O


dinheiro foi depositado. Não sei o que aconteceu depois, já que o dinheiro não pode ser encontrado depois disso. — Ele nunca recebeu o dinheiro, Hadley. Não dou a mínima para o que seu sistema diz. Ele nunca recebeu o dinheiro, e agora eu e Shawna pagamos pelo uniforme do nosso bolso. Não me importo de fazer isso, porque ele é meu filho, mas ainda assim, esse dinheiro é dele. Ele deveria ter tido, e agora não tem. Marcus, que agora tem quinze anos, está com a família Shill há três anos. Sua mãe biológica entrou e saiu da reabilitação e da corte tantas vezes que perdi a conta. Ela está em uma batalha constante para se recompor, mas ainda precisa ter sucesso em seus esforços. — Eu prometo que vou olhar essas coisas — digo, e Reggie suspira mais uma vez. — Vou ligar para você assim que descobrir algo novo. — Obrigado, Hadley. Eu sei que isso não é sua merda, mas essa porcaria não pode continuar. Não é justo com o Marcus. Se fosse outro garoto e eles não tivessem pessoas como Shawna e eu para ajudar a pagar pelo material extra, eles estariam fodidos. — Eu sei — concordo suavemente. — Nós vamos conversar em breve. — Desligo depois de dizer adeus, me sentindo culpada. Olho para o monitor do meu computador novamente. A razão para o dinheiro ser distribuído está em preto e branco, junto com o cheque recebido e descontado. Pensando no que Marian disse, sobre a falta de fundos, levanto-me e vou ao escritório dela depois de desligar o computador. A porta está fechada, então eu bato e, como de costume, Marian não diz imediatamente para entrar. Depois de cinco minutos, ela finalmente me chama e eu entro. Ela está sentada em sua mesa, seu cabelo escuro puxado de seu rosto em um coque, sua maquiagem perfeitamente no lugar, e seu terno sem amassados. Se ela não fosse bonita, eu diria que ela parecia a figura da Matilda má, mas infelizmente, ela é bonita. Eu me sento em frente a ela e ela levanta uma sobrancelha irritada, mal desviando os olhos de seu computador. — Como posso ajudá-la, senhorita Emmerson?


Em vez de dizer: — Você pode ajudar a mim e a todos os outros que trabalham aqui não sendo uma vaca tão má — lanço o que aconteceu com Marcus. Quando termino, ela não me dá nada, nenhuma ajuda, de qualquer maneira. Ela me diz que Marcus deve estar mentindo e que ele provavelmente mentiu para sua família sobre conseguir o dinheiro e gastá-lo. Eu poderia ter acreditado nela com uma das outras crianças, mas Marcus tem estado feliz desde que está com a família Shill. Ele assumiu seu papel de irmão mais velho de dois outros filhos adotivos com orgulho, esteve presente na escola e está obtendo melhores notas. Eu sei de falar com ele e sua família adotiva que ele adora jogar futebol, algo que sem o dinheiro ele não seria capaz de fazer, já que é uma despesa extra que a maioria das famílias adotivas não está disposta a cobrir. Antes de sair do escritório, ela me diz para deixar as coisas acontecerem e que ela vai investigar. Não me sentindo bem com a resposta dela, eu envio um email para a empresa que supervisiona os fundos alocados para as crianças. Espero que eles possam me ajudar a resolver essa bagunça, que alguém realmente se importe o suficiente para realmente se preocupar em resolver essas coisas.


CAPÍTULO DEZ HADLEY Assisto Cobi sorrir para mim quando ele sai da garagem, e dou um sorriso estranho em retorno. Quando isso se transforma em um sorriso, eu reviro meus olhos, o que o faz rir. Quando a porta da garagem finalmente se fecha, cortando minha visão dele, olho para Maxim inclinado contra mim e coço atrás das orelhas. — Eu acho que é só nós esta noite, carinha. Vamos. — Subo as escadas para a sala principal da casa de Cobi e vou direto para a cozinha. Eu me sirvo de uma taça de vinho e então me inclino contra o balcão, observando as notícias que Cobi deixou passando na TV excessivamente grande do outro lado da sala. Normalmente, nunca assisto ao noticiário. É deprimente, especialmente com tantos debates políticos acontecendo agora, mas Cobi parece estar sempre assistindo quando está em casa. Tenho certeza de que isso está enraizado nele porque ele é um policial e é obrigado a saber o que está acontecendo no mundo ao seu redor. Eu, por outro lado? Prefiro viver com a cabeça na areia até a hora de votar.


Quando meu celular toca no balcão, eu verifico o identificador de chamadas. Vejo que meu pai está ligando de novo, pela terceira vez em tantos dias, e rejeito a ligação. Eu sei que meu pai está ligando porque está preocupado com meu relacionamento com Cobi. Ele não está preocupado pelas razões normais que um pai estaria. Ele está preocupado que eu fale com Cobi sobre o meu passado, sobre as coisas que eu sei que meu pai faz para ganhar dinheiro e sobre minha mãe. Independentemente do que ele disse para Cobi, tenho certeza de que foi ele quem invadiu minha casa, especialmente após descobrir que apenas minha carteira foi roubada. Cobi não conhece meu pai, então ele não sabe que a preocupação dele com a minha segurança é apenas uma farsa, uma maneira de parecer que realmente cuida de mim quando ele não cuida – algo que ele faz desde que eu era uma menininha. Depois de outro gole de vinho, levo meu copo comigo para o quarto para pegar o livro que tenho lido nos últimos dias. Cobi e eu deveríamos ficar em casa hoje à noite, e fizemos planos nesta manhã para ir jantar no meu lugar favorito de sushi. Mas não passou dez minutos depois de eu chegar a casa dele, ele recebeu uma ligação de que precisava ir trabalhar. Não perguntei o que aconteceu, mas eu disse que esperava que tudo estivesse bem após ele me dar um beijo de despedida na porta do carro e fazer um carinho em Maxim. Com um suspiro, balanço a cabeça. Embora ele tenha acabado de sair, eu já sinto falta dele. Nos últimos dias ficando com ele, minhas paredes desmoronaram ao redor dos meus pés, me enterrando mais profundamente sob a sensação de contentamento que recebo sempre que estamos juntos. Quem poderia me culpar? Seria impossível alguém passar algum tempo com ele sem se apaixonar. Existe uma conexão entre nós, algo que nunca senti com outra pessoa. Ele me faz feliz, me faz rir, e me faz me esquecer de onde eu vim. Quando estamos juntos, posso fingir que nada mais importa além de mim e do relacionamento que estamos construindo. Ouvindo meu celular tocar novamente, volto à cozinha e sorrio enquanto o coloco no ouvido, respondendo: — Olá. — Cobi ligou. Ele disse que teve que trabalhar, então eu deveria fazer companhia para você — diz Brie, e luto contra o riso. De alguma forma, Cobi e ela


se tornaram aliados na última semana, e Cobi usou suas habilidades de persuasão para colocar Brie ao seu lado na luta para me convencer de que estamos destinados a ficar juntos. Algo que ele não precisa mais fazer. — Ele acabou de sair — olho para o relógio —, não tem nem mesmo quinze minutos. — Tento parecer irritada, mesmo que não esteja. — Eu sei. De qualquer forma, estou ligando para avisar que estou a caminho. Devo estar aí em menos de vinte. Precisa de alguma coisa? — Vinho — respondo antes de tomar outro gole do meu copo. — Isso é ruim? Não, isso é bom, eu penso com uma pequena sacudida de cabeça. — Não, eu só não tive tempo de ir ao mercado e acabei de encher o último copo da garrafa que Cobi comprou para mim. — Eu o amo. Vou parar no caminho. — Ouço o sorriso em sua voz e deixo escapar um suspiro. — Não sei como você está aborrecida quando está morando com Cobi Mayson. Sério, você deveria estar nas nuvens. — Não estou aborrecida, estou apenas repensando nossa amizade. Começo a acreditar que você é mais fiel a Cobi do que a mim. — Eu nem vou entrar nisso por telefone. — Ela ri. — Falarei com você quando chegar. A propósito, estou levando todas as minhas coisas de casamento. Ela desliga antes que eu possa responder. Soltando meu telefone no balcão, olho para Maxim, que aparece ao meu lado. — Que tal eu te alimentar antes de Brie chegar aqui? — Ele late em resposta, em seguida, deita-se no chão da cozinha com um gemido, esperando que eu o sirva. Encho a tigela com uma mistura de comida seca e úmida, e dirijo-me ao quarto de Cobi. Sua cama king-size ainda está como deixamos esta manhã, depois que fizemos amor e finalmente nos levantamos. O edredom de penas marrom-escuro está meio pendurado na cama e os lençóis estão enrugados e torcidos em um nó. Faço a cama ao acaso e lanço os travesseiros no lugar antes de ir ao armário para trocar minhas roupas de trabalho.


Quando Brie chega, trinta minutos depois, ela está carregando uma caixa de vinho e uma sacola que eu posso ver que está transbordando de revistas e sua agenda de casamentos. — Você me deu uma caixa de vinho. — Sorrio, tirando dela, e ela revira os olhos. — Você está bebendo a mesma coisa desde que estávamos na faculdade. Eu costumava pensar que era porque nós estávamos na faculdade e muito pobres para pagar algo melhor. Eu sei agora que você só gosta de vinho barato. — O gosto é bom — digo. — E tem trinta e quatro, o que significa que eu basicamente tenho um suprimento infinito de vinho quando o clima para beber agravar. — O que você disser, querida, mas tenho certeza que aquelas pessoas de Napa Valley a apedrejariam até a morte se te ouvissem dizendo que o vinho de uma caixa é gostoso. — É gostoso. — Levo a caixa para a geladeira e a coloco lá dentro. — Quer alguma coisa para beber? — Eu trouxe uma garrafinha de amaretto, e disse a Kenyon que estou bebendo e que ele vai ter que me pegar. — Funciona para mim — digo quando ela coloca sua bolsa no balcão e começa a retirar coisas. Ela tem trabalhado nesse casamento desde o dia em que Kenyon pediu a ela. Literalmente, no dia em que ele pediu, ela comprou uma agenda de casamento e revistas. Uma semana depois do pedido dele, ela reservou o local e marcou um encontro com Julie, uma padeira local, para projetar seu bolo de casamento. O casamento ainda é daqui a seis meses e Kenyon só pediu que ela se casasse com ele há quatro meses. Ainda assim, a maioria dos detalhes foram atendidos devido à excitação de Brie e a suas habilidades de planejamento. — Temos algumas coisas para passar esta noite, como o vestido de dama de honra e quem estará sentado ao lado de quem na recepção. Você sabe que não me dou bem com a maioria da minha família, mas ainda estou convidando-os, em parte para esfregar nos rostos deles que eu tenho um bom homem e eles não participaram nisso.


— Querida, eu ainda não sei se é uma boa ideia que você convide a todos. Eu acho que você deveria ter ao seu redor apenas as pessoas que realmente se importam com você e sua felicidade. — Não. — Ela balança a cabeça e olha para mim. — Meus pais queriam todos lá, e eu quero que eles saibam que o que eles fizeram depois que meus pais morreram não me quebrou. O que eles fizeram foi tomar a casa em que os pais dela possuíam. A mãe e o pai dela nunca atualizaram o desejo deles, então a propriedade foi deixada para as tias dela, duas mulheres que deveriam ter sabido melhor do que pegar o dinheiro que deveria ser da sobrinha delas. Elas pegaram, entretanto, e então usaram para ajudar os próprios filhos, enquanto não deram sequer um centavo a Brie. — Por favor, não me peça para ser gentil com elas. Eu juro, Brie, não sei se posso fazer isso. — É apenas um dia. Todos nós podemos ser bons por um dia — diz ela, soando bem, mas a expressão que ela me dá diz o contrário. — O que Kenyon diz sobre isso? — Que ele me ama e apoia minha decisão. Olho para ela em descrença. Isso não soa como Kenyon. Sim, ele ama Brie, e sim, ele é sempre favorável, mas eu sei que ele odeia a família dela e nunca desistiu de uma oportunidade de deixá-los saber como ele se sente. — Agora, qual é a verdade? Bufando, ela balança a cabeça em frustração. — Ele não está feliz por elas virem, mas entende porque eu as quero lá. — Eu a vejo sorrir. — Ele me avisou que se elas fizerem algo que ele não goste, nem mesmo eu serei capaz de segurálo. — Espero que elas não façam nada, mesmo que seja divertido ver Kenyon chutar o traseiro de alguém. — Enquanto ouço sua risada, começo a procurar nos armários algo para preparar para o jantar. Não encontrando nada, olho para Brie. — Você quer pedir alguma coisa?


Ela inclina a cabeça para o lado. — Cobi disse que pediu o jantar para nós. — Pisco para ela. — Sushi e frango agridoce. — Acho que estou apaixonada por ele — sussurro, e ela sorri. — Não, estou falando sério, Brie. Como isso é possível? Eu só o conheço há uma semana. — Eu soube no momento em que vi Kenyon que queria ficar com ele — diz ela, segurando meu olhar. — Depois de três encontros, eu sabia que queria passar o resto da minha vida com ele, e depois da primeira vez que fizemos amor, eu sabia que o amava de uma maneira que sempre amaria. Às vezes, você apenas sabe quando conhece a pessoa com quem deveria estar. — É louco. — Sim — concorda. — Loucamente assustador, loucamente incrível, e às vezes, simplesmente louco. — Eu digo a ele? Ela encolhe um ombro. — Eu acho que há uma regra escrita em algum lugar que eu deveria dizer a você para evitar ser honesta sobre seus sentimentos para que não o assuste. Eu digo que você faça o que precisa fazer. Se você está apaixonada por ele e quer que ele saiba... — ela encolhe os ombros novamente. — Diga a ele como se sente. — Ela se inclina para perto de mim e pega minha mão. — Eu acho que você deveria dar um pouco mais de tempo. Eu sei que você não tem muita experiência no departamento de relacionamento, e não quero que você confunda amor com sexo, porque eles são completamente diferentes. Engulo o caroço que de repente se formou na minha garganta. É isso? Estou me sentindo ligada a ele porque fizemos sexo? Quando fiz sexo no passado, nunca senti o que sinto agora, mas, novamente, nunca fui perseguida pela floresta por um louco. Quem sabe se tudo o que aconteceu não está mexendo com a minha cabeça, me fazendo sentir coisas que na verdade eu não sinto. — Você está certa. Preciso dar tempo antes de dizer qualquer coisa a ele. — Oh, Senhor — diz Brie, levantando-se e ficando bem na minha frente. — Por favor, me diga que você não está duvidando desse homem e os sentimentos dele?


— Estou seguindo o seu conselho — respondo, e ela de repente envolve as mãos em volta do meu bíceps e começa a me sacudir com força. — O que diabos você está fazendo? — grito enquanto tento me afastar dela. — Estou esperando agitar algum maldito sentido em sua cabeça. Eu não disse para começar a duvidar dele. Eu disse que você precisa dar esse tempo para que você saiba que é amor, e não apenas o fato de que finalmente está com um cara legal e fazendo sexo realmente bom. — Eu sei disso. — Finalmente me solto e tiro o cabelo do rosto. — Senhor, você é louca. — Aliso meu cabelo. — Eu não vou deixar você afastá-lo. — Brie, eu posso estar estragada da minha infância, mas não sou burra. Eu sei que Cobi não é apenas um bom homem, mas provavelmente um dos melhores que existe por aí. — Descanso minhas mãos nos quadris e respiro fundo. — Não sei por que ele me quer. Não sei se algum dia eu vou descobrir, mas não serei aquela a convencê-lo de que ele não me quer, porque, acredite em mim, eu tentei. Agora, tudo que sei é que estou vivendo um dia de cada vez, e me acostumando em estarmos juntos. — Ela continua olhando para mim, mas agora com os olhos arregalados. — Ele mais de uma vez deixou claro que minha família não importa para ele, que apenas como ele se sente sobre mim é importante. — Arrasto uma respiração instável. — Acredito nele quando ele diz isso. E amanhã eu provavelmente vou conhecer os pais dele, e você me conhece bem o suficiente para saber que algo assim não aconteceria, não importa o quanto eu gostasse de um cara antes. — Você realmente o ama. — Não sei. Como você apontou, isso poderia ser um sexo realmente incrível e uma situação fodida me fazendo pensar que sinto coisas que não sinto. — Não, você está apaixonada. — Brie... — Ok, eu vou calar a boca, mas só quero dizer que eu o amo por você, Hadley. — Seus braços me envolvem. — Você não está errada; ele é um homem bom, um


dos poucos que sobraram no mundo, e eu amo o jeito que ele está cuidando de você. Você merece que alguém cuide de você, pelo menos uma vez. — Não me faça chorar. — Como se eu pudesse. — Ela ri, em seguida, me solta. — Agora, eu preciso de uma bebida, precisamos conversar sobre merdas de casamento, e então precisamos encontrar um tempo para juntar nossos caras para o jantar — diz ela quando a campainha toca, e Maxim late. — Bem, você pega sua bebida enquanto eu pego o jantar, e então nós vamos descobrir o resto — digo antes de ir até a porta da frente. Eu pego a comida do motorista que me informa que tudo já foi pago, incluindo a gorjeta. Levo a bolsa para a cozinha com minha mente em Cobi e as pequenas maneiras que ele encontra de cuidar de mim, mesmo quando não está por perto. Sem pensar no que estou fazendo, deixo o saco de comida cair no balcão, levo meu celular para o quarto, e fecho a porta. Pressiono o botão Discar no número de Cobi e coloco o telefone no ouvido. — Tudo bem, baby? — Ele atende suavemente antes do segundo toque, e eu me inclino contra a parede, fechando os olhos e não falando, apenas deixando seu tom suave lavar e inundar as rachaduras no meu coração. — Hadley? — A única palavra é aflita e abro meus olhos. — Desculpe... Eu só... Eu só queria agradecer — digo com a súbita explosão de emoções que estou sentindo. — É apenas Brie e o jantar, baby — diz ele baixinho. — Não é — respondo com firmeza, mas com a mesma calma. — Meus pais nunca se importaram se eu comia ou dormia. Eles não se importavam se eu tinha um pesadelo ou mesmo se escovava meus dentes. — Balanço a cabeça. — Não que você se importe com isso. — Eu me preocupo com tudo que tem a ver com você e seu bem-estar. — Sim. — Meus olhos se fecham mais uma vez. Estou me apaixonando por ele. — Acho que estou me apaixonando por você — admito sem pensar se deveria ficar de boca fechada ou se é cedo demais para admitir algo assim para ele.


— Então estamos na mesma página. — A resposta dele é imediata, e minha frequência cardíaca aumenta. — Odeio terminar esta conversa, mas meu parceiro está esperando por mim, então vamos conversar quando eu chegar em casa mais tarde. Ok? — Claro — concordo quando mais satisfação me enche. — Fique seguro. — Sempre estou. Agora eu tenho simplesmente outro motivo para fazer isso. Aproveite o seu jantar e o tempo com Brie. — Sim. — Até mais, querida. — Até mais, Cobi. — Desligo e volto para a cozinha, onde Brie está tomando sua bebida enquanto tira o jantar das sacolas. — Tudo bem? — pergunta ela quando me vê parar na entrada da cozinha. — Perfeito. — Sorrio, e ela olha para mim por um momento, estudando meu rosto antes de sorrir.

***

— Não pare — choramingo para Cobi enquanto ele me fode por trás, fazendo isso com força, tão forte que a cama está tremendo com a força, e é difícil ficar em minhas mãos plantadas contra o colchão. — Eu não poderia parar nem se quisesse — rosna ele, segurando meus quadris firmemente. — Porra, você é deliciosa. — Uma palma da mão percorre a bochecha da minha bunda, e aperta. A sensação de sua mão na minha bunda me faz pressionar contra ele, um impulso silencioso. Não sei exatamente o que quero, só sei que quero mais. Sua palma larga ainda se move novamente e se afasta. Eu quase choro de irritação, mas em vez disso gemo quando a mão dele desce forte com uma pancada.


A picada da palma da mão envia um pulso direto para o meu clitóris, e minha boceta convulsiona em torno de seu comprimento. — Sim — assobio, minha cabeça voando para trás junto com o meu cabelo. — Jesus. — Ele bate na minha bunda mais forte do que antes, e gozo instantaneamente, meus braços deslizando na minha frente, não conseguindo mais segurar meu peso. Com minha bunda no ar, ele me guia através do meu orgasmo, seu impulso firme e forte. Quando minha boceta para de pulsar, ele me levanta até que estou ajoelhada na frente dele, um de seus braços envolvendo minha cintura sob meus seios e a outra mão agarrando a minha, entrelaçando nossos dedos e deslizando-os pelo meu estômago. Quando nossos dedos passam sobre o meu clitóris, minha cabeça cai em seu ombro e meus olhos se fecham. — Vire a cabeça e me dê sua boca, baby — ordena ele rudemente enquanto se planta dentro de mim. Eu inclino minha cabeça em direção a ele e sua boca se abre sobre a minha. Quando sua língua desliza entre meus lábios, eu abro mais para ele tomar mais. Ele começa a mover seus quadris novamente e nossos dedos entre minhas pernas se movem mais rápido. Eu sei que vou gozar e sei que não conseguirei parar quando isso começa a crescer ainda mais. Seu ritmo aumenta e sua respiração se torna irregular contra a minha boca. — Cobi — ofego quando o sinto em mim, maior do que antes. — Solte, Hadley, baby. Solte. — Ele morde meu lábio e eu caio sobre a borda em um suspiro. Ele empurra mais três vezes antes de deixar seus quadris contra os meus, gozando dentro de mim. Fecho meus olhos e absorvo cada detalhe, nossos peitos se levantam em uníssono, seu coração batendo forte contra minhas costas, nossos corpos escorregadios de suor, o cheiro de sexo no ar. — Nada é melhor do que estar em você, nada é melhor do que estar com você, mas realmente, porra, nada é melhor do que você se masturbando em mim e gozando no meu pau. Eu sei que meu rosto está vermelho quando ele termina de falar, e viro meu rosto em seu pescoço para me esconder. Quando seu peito começa a tremer, eu olho para ele para confirmar minha suspeita de que ele está rindo. — Não sei se acho isso tão engraçado quanto você. — Faço uma careta para ele e seu rosto suaviza.


— Eu não acho que nada do que fizemos é engraçado, baby. Acho engraçado que você esteja aberta para mim, aberta para qualquer coisa que eu queira fazer quando estou dentro de você e você está no momento, mas no minuto em que eu falo sobre isso, você fica adoravelmente tímida. — Não estou acostumada a falar sobre sexo — murmuro. Eu nunca estive com alguém que queria falar sobre isso, e nem sabia que as pessoas faziam esse tipo de coisa. — Eu vejo isso. — Ele levanta meu queixo para que possa beijar a minha boca suavemente. Ele sai de mim devagar, em seguida, sai da cama e me pega, levando-me ao banheiro antes de nos limpar. Quando ele me leva para a cama, ele nos manobra, então estamos cara a cara, envolvendo o braço sobre a minha cintura e jogando a perna sobre as minhas. — Em quantos relacionamentos você já esteve? — pergunta ele assim que me acomodo contra ele. — Não muitos, e nenhum deles durou muito tempo — admito, olhando para a garganta dele. Afastando o braço da minha cintura, ele captura meu queixo e inclina minha cabeça. — Por quê? — Na maioria das vezes, tinha a ver comigo falando sobre meus pais, ou meus pais aparecendo sem aviso prévio e fazendo uma cena. — Arrasto uma respiração instável. — Nenhum deles ficou muito tempo depois disso. — Idiotas — diz ele duramente, e fecho meus olhos. — Você só encontrou meu pai uma vez e, quando o fez, ele estava com seu melhor comportamento. Você nunca conheceu minha mãe, ela é pior. — Eu sei tudo sobre seu pai, baby, e sua mãe. De nenhuma maldita maneira eu os deixaria me assustarem. — Sim, mas você é um policial. Está acostumado a lidar com pessoas como eles, enquanto a maioria das pessoas não.


— Você não é seus pais, Hadley. Seus pais não definem a pessoa que você é hoje. Conheço pessoas que cresceram em situações de merda e deixam que isso as leve a caminhos de merda. Não você, baby. — Você tem conversado com Brie sobre isso? — pergunto. Seu queixo endurece e seu rosto fica meio assustador. — Não. Qualquer coisa que eu queira descobrir sobre você, eu quero ouvir com você, não com outra pessoa. — Eu só disse isso porque parece muito com o que ela diz quando está tentando me convencer de que eu não deveria ter vergonha de como cresci e dos meus pais. — Você não deveria ter vergonha. Deve se orgulhar, apesar deles, você criou uma vida para você. — É o que o Dr. Sprat diz também. — Talvez você devesse nos ouvir em vez da porcaria com que os idiotas encheram sua cabeça — diz ele enquanto seus olhos vão para a minha testa, onde tirei os pontos hoje. — Acho que você não terá uma cicatriz. — Nem eu. Mesmo se tiver, acho que será pequena. Enquanto ele estuda minha testa, deslizando o polegar sobre a marca, eu observo o olhar intenso em seu rosto, imaginando do que se trata. Percebo assim que ele fala de novo. — Eu queria que as cicatrizes do seu passado pudessem desaparecer facilmente. — Cobi. — Seu nome está cheio de dor quando escapa da minha garganta. — Não vou deixá-los te machucarem mais, Hadley. Eu preciso que você realmente entenda isso. — Ele olha nos meus olhos. — Não sei que relacionamento você tem com eles. Não sei como se sente sobre eles, mas não a deixarei perto deles ou eles perto de você se eu pensar que eles podem te causar mais dor. Meu queixo dói quando meus dentes apertam e lágrimas que não consigo controlar começam a encher meus olhos. Eu nunca fui uma chorona, mas cada vez mais está ficando mais difícil controlar o desejo de deixar essas lágrimas caírem quando ele é doce e protetor. — Não falo muito com eles. Eles realmente só me contatam quando precisam de algo.


— Você dá dinheiro a eles? — questiona ele, parecendo irritado com a ideia. — Eu costumava. — Arrasto uma respiração profunda e deixo sair enquanto descanso minha mão contra a mandíbula dele. — Parei quando começou a se tornar um hábito para eles me pedirem dinheiro a cada duas semanas, quando sabiam que eu recebia o pagamento. É difícil o suficiente cuidar de mim na maioria dos meses, e se algo acontecer e eu precisar de dinheiro, eu não tenho ninguém para pedir, além de Brie. E ela e Kenyon não têm mais, com eles pagando pelo casamento e juntando para uma casa. — Fico feliz que você tenha parado de ceder a eles. — Eu também, mas isso ainda não impediu que eles me pedissem, e isso não impediu que meu pai invadisse minha casa. — Se eu descobrir... — Você provavelmente nunca vai — o interrompo. — Ele é um idiota, mas não tanto, e mesmo que você consiga evidências de que foi ele quem invadiu, não importa, de qualquer maneira. — Ele iria para a cadeia, baby. — Sim, ele passará alguns dias na prisão e voltará aos seus velhos hábitos. A prisão não assusta nem a minha mãe, e as leis também não. Ambos viram o interior de um tribunal provavelmente mais do que você. Para eles, isso é normal. — Balanço a cabeça. — Quando digo que meus pais são problemáticos, isso significa que eles são problemas, além da definição normal de problemas. — Não sei se há uma definição normal para problemas. — Ele sorri. — Tanto faz. Você entende o que estou dizendo. — Eu bocejo. — Sim. — Ele cruza os braços ao meu redor e descansa os lábios na minha testa por um momento antes de colocar minha cabeça sob o queixo e ordenar, — Durma. — Só porque eu quero fazer isso, de qualquer maneira — murmuro. E o último som que ouço antes de cair no sono é ele rindo, o que significa que adormeço com um sorriso no rosto.


CAPÍTULO ONZE COBI Quando toca a campainha e o meu celular apita junto, eu viro e olho para o relógio no criado-mudo. Vendo a hora, eu mordo uma maldição. São apenas nove, e hoje é o primeiro dia em que não preciso trabalhar e Hadley também não. Nossos planos para o dia são ir ver Harmony em algum momento, mas não precisamos fazer isso até esta noite. Eu deveria estar dormindo, acordando com minha mulher e depois fazendo amor com ela – antes e depois do café da manhã. O que eu não deveria estar fazendo é olhando o app da câmera no meu celular e vendo o rosto da minha mãe aparecer perto da câmera como se estivesse tentando ver dentro dela. Com um grunhido baixo e frustrado, saio da cama e pego um moletom junto com uma camiseta. Puxo minhas calças, e atravesso a casa, descendo as escadas para a porta da frente e vestindo minha camisa enquanto caminho.


Quando abro a porta, minha mãe sorri como se não me visse há anos, e meu pai revira os olhos para ela quando ela me cumprimenta com excitação: — Ei, querido, esperávamos que você estivesse em casa. Olho para o meu pai e pergunto: — Sério, você a deixou te arrastar para isso? — Não tenho escolha. Você deveria saber disso agora. Desculpe, amigo. — Ele encolhe os ombros, mas realmente não parece lamentar nada. Na verdade, parece gostar disso. — O que isso quer dizer? — pergunta mamãe, olhando entre nós dois. — O que há de errado com uma mãe querendo checar seu único filho? — Não sei, mãe. Talvez o fato de que eu tenha contado sobre Hadley, e você simplesmente não pudesse se controlar o suficiente para encontrá-la esta noite, como eu disse a você que iria. Em vez disso, você decidiu nos emboscar antes mesmo de sairmos da cama. — Não estou emboscando você — diz ela, e meu pai ri, o que a faz bater no estômago dele com as costas da mão. — Hadley ainda nem acordou. — Espero que ela me dê uma folga, mas minha mãe é teimosa em seus próprios caminhos, então ela me ignora e eu suspiro. — Tudo bem, apenas faça um pouco de café enquanto eu a acordo e digo a ela o que está acontecendo. — Posso fazer café e café da manhã. — Ela sorri feliz. — Cristo. — Empurro minha mão pelo meu cabelo. — Tudo bem, mãe, mas por favor, não a assuste quando você finalmente encontrá-la. — Eu não vou. Prometo. — Certo. — Beijo sua bochecha, e ela sorri para o meu pai por cima do ombro antes de se virar para a casa e subir os degraus. Quando ela está na metade do caminho, me viro para olhar para o meu pai. — Sério? — O quê? — Ele sorri e balanço a cabeça. — É um rito de passagem. — Você está amando isso.


— Sim. — Ele dá um tapinha nas minhas costas, e aperta meu ombro antes de subir os degraus atrás da minha mãe. Fecho a porta e subo atrás deles, não parando para vê-los cumprimentando Maxim, que está feliz em ver os dois. Vou direto para o quarto e fecho a porta. Hadley ainda está desmaiada, mas sem mim na cama, ela se moveu. Seu cabelo está espalhado atrás dela. A pele lisa de suas costas e o lado de seu seio podem ser vistos, com o cobertor mal cobrindo sua bunda. Eu mordo um tipo diferente de maldição e me sento ao lado da cama, deslizando meus dedos pelo rosto dela. Seu nariz se contorce e então seus olhos se abrem quando chamo seu nome suavemente. — Por favor, não me diga que você tem que ir trabalhar agora — diz ela, enfocando finalmente em mim e no fato de que estou de pé. — Não, mas meus pais acabaram de aparecer aqui, então acho que você vai encontrá-los agora em vez de mais tarde. A menos que queira que eu te ajude a fazer uma corda e sair pela janela. O desconforto em seus olhos desaparece com a minha piada e um belo sorriso curva seus lábios. — Essas coisas aguentam? — Nenhuma ideia. Acho que nós vamos descobrir — digo enquanto ela rola de costas, puxando o cobertor e colocando-o sob seus braços. — Prefiro não ser a pessoa a experimentar. Talvez você deva ir primeiro para ver se vai aguentar — sugere com um sorriso. — Você acha que pode aguentar meu peso? Ela encolhe os ombros. — Provavelmente não, mas podemos amarrá-lo ao criado-mudo. — Ela olha para ele e faço o mesmo. Meus criados-mudos são basicamente um caixote com uma pequena gaveta, sequer pesam dez quilos cada. — Vejo que você tem muitas piadas esta manhã — sorrio, colocando minhas mãos na cama em ambos os lados dela, e me inclino para beijá-la rapidamente antes de dizer: — Sinto muito sobre isso. — Não é um grande negócio. — Ela descansa a mão no meu peito. — Eu já me preparei para conhecê-los. Ficarei bem.


— Não, sinto muito por não passar toda a manhã na cama e em você. — Deslizo meus dedos ao longo do topo de seus seios expostos logo acima do cobertor. — Bem, então, eu acho que sinto muito também. — Ela franze o nariz. — Ainda há amanhã, certo? — Ainda que eu tenha que amarrá-la à cama, descartar nossos telefones e barricar portas e janelas, não sairemos da cama amanhã, a menos que seja para comer. — Eu gosto do jeito que você pensa. — Ela sorri e coloca pressão no meu peito. — Agora, me deixe em paz. Preciso me vestir para poder conhecer seus pais. Eu não cedo, em vez disso, deixo meu rosto mais perto dela. — Tem certeza que você está bem com isso? Seu rosto suaviza e sua mão sobe para descansar contra o meu queixo. — Tenho certeza, ou estou tão certa quanto posso estar. — Ela me beija brevemente. — Tudo isso é novo para mim, mas eu acho que por falar sobre as coisas, estou aceitando um pouco melhor... bem, tudo. A palavra tudo é forte e a puxo contra mim. — Bom. — Agora, deixe-me levantar antes que seus pais pensem que estamos aqui... — suas bochechas ficam rosadas quando as palavras dela somem. — Achem que estamos o que? — sorrio e seus olhos caem na minha boca. — Você é um idiota. — Ela ri, empurrando o meu peito e saindo da cama. Eu rolo de costas e depois no meu lado para que eu possa vê-la atravessar o quarto. — Baby, você deve saber que é adorável quando fica tímida e não estou dentro de você. — Querido. — Ela pausa para olhar para mim por cima do ombro. — Você deve saber quão irritante você é sempre que abre a boca. Não sei se é a palavra querido, o sorrisinho em seus lábios ou o olhar em seus olhos. Tudo o que sei é que meu peito aperta e o desejo de expulsar meus pais e passar o dia dentro dela quase me esmaga. Saio da cama e ajusto meu pau, e


seus olhos caem para ele. — Vá em frente antes que meus pais realmente se perguntem o que estamos fazendo aqui. — Quando ela lambe o lábio, eu gemo. — Vá baby, então me encontre na cozinha quando estiver pronta. — Ok. — Ela engole em seco, em seguida, vira e desaparece no banheiro. Respiro fundo, me controlando antes de abrir a porta do quarto e ir para a cozinha. Minha mãe está na frente da geladeira aberta, e papai está sentado em um banquinho na ilha, tomando uma xícara de café. Assim que minha mãe me vê, seus olhos se enchem de pânico. — Você não tem nada na geladeira para fazer o café da manhã. — Mãe... — Nada de mãe, Cobi. — Ela me interrompe, fechando a porta da geladeira. — Que tipo de homem tem uma mulher que fica com ele e nada para cozinhar para ela? — Eu tenho uma caixa de mistura de panquecas na despensa. — Oh. — Ela vai até a despensa e abre, e quando encontra a caixa, o alívio preenche suas feições. — Mãe, você está nervosa? — Claro que não. — Ela bufa. — Por que diabos eu estaria nervosa? Não tenho nada para ficar nervosa — divaga, e papai ri. Vou para onde ela está agora, despejando uma quantidade excessiva de mistura em uma tigela, e envolvo meu braço em volta dos seus ombros. — Ficará tudo bem. Hadley vai amar você. Ela olha para mim e solta um suspiro. — Nunca conheci uma de suas namoradas. Até alguns dias atrás, eu me perguntava se você era... — franzo a testa para ela, e seus olhos se afastam brevemente. — Bem, se você fosse, eu teria ficado bem com isso também, só para você saber. — Não sou, mas fico feliz em saber que você está aberta a isso, já que sua filha é.


— Sério? — Seus olhos procuram os meus. — É por isso que ela também não está namorando. — Ela parece tão aliviada que quase me sinto mal por minha mentira. — Pare de foder com sua mãe — murmura papai, e olho para ele para ver que ele está rindo. Sorrio logo antes de grunhir quando mamãe bate com força no meu estômago. — Deus, eu não sei como lido com vocês. — Ela se afasta de mim e volta a despejar mais mistura na tigela. — Vocês são iguais, e fazem a minha cabeça girar. — Mãe, somos apenas quatro comendo. Eu acho que é muito — digo enquanto ela esvazia toda a nova caixa na tigela. Quando ela bate a caixa vazia no balcão e olha para mim, eu sinto meus lábios tremerem, mas estendo a minha mão na minha frente. — Ignore-me. Faça o que quiser. — Eu vou. — Ela bufa novamente, em seguida, seus olhos passam por meu ombro. Seu rosto se enche de surpresa e suavidade. Eu me viro, sabendo que Hadley está lá, então estendo minha mão para ela quando vejo que ela está mordiscando nervosamente seu lábio. Uma vez que ela coloca a mão macia e delicada na minha, eu a viro para encarar meus pais enquanto a coloco debaixo do braço. — Mãe, pai, gostaria que conhecessem Hadley. Hadley, meus pais, Liz e Trevor Mayson. — Sra. e o Sr. Mayson — diz ela baixinho. — É bom conhecer vocês. — Chame-me de Liz — diz mamãe, se aproximando e afastando Hadley de mim para lhe dar um abraço. — Estou muito feliz em conhecê-la. — Eu também — responde Hadley quando mamãe a solta. — Me chame de Trevor, querida. — Papai se levanta e vem para beijar a bochecha de Hadley. Quando se afasta, ele olha para mim e pisca antes de voltar para o café. — Estou fazendo panquecas! — exclama mamãe um pouco alto demais, virando e indo para o fogão. Aproximando minha boca do ouvido de Hadley, eu sussurro: — Mamãe está um pouco nervosa em conhecê-la.


— Sério? — Ela olha para mim surpresa. — Sim, ela nunca conheceu nenhuma das mulheres com quem eu namorei, então isso é novo para ela também. — O quê? — Seus olhos se arregalam. — Nunca? Dou de ombros. — Por que eu iria apresentá-las a alguém quando eu sabia que não ia realmente a lugar algum com elas? — Ugh. — Ela pressiona os lábios e franze o nariz. Quando relaxa os lábios, ela anuncia: — Acho que provavelmente nós nunca deveríamos falar sobre isso novamente. Ouço meu pai rir e olho para ele. — O que? — Ele encolhe um ombro. — Estou apenas curtindo o meu café. Balanço a cabeça para ele e olho para Hadley. — Quer um pouco de café? — Sim, por favor. — Sente-se. Vou pegar uma xícara. — Obrigada. Dou um aperto na cintura dela e beijo sua têmpora antes de soltá-la. — Então, Hadley, conte-me sobre você. — Papai olha para ela quando ela se senta ao lado dele. — Na verdade, não há muito para contar. — Seus olhos vão para ele. — Eu cresci aqui. Fui para a faculdade em Nashville, então morei lá por anos, e só recentemente voltei para a cidade. — Eu não sabia disso — digo, e seus olhos encontram os meus. — Sim, eu aluguei um pequeno apartamento lá. O aluguel foi barato e meu senhorio era ótimo. Eu provavelmente ainda estaria lá, mas os proprietários colocaram a casa no mercado há alguns meses. Quando isso aconteceu, eu sabia que era hora de ficar mais próxima do meu trabalho. É bom não ter que viajar todos os dias, já que isso acrescentou mais duas horas no meu dia de trabalho.


— Cobi disse que você é assistente social — diz mamãe em voz baixa, e Hadley acena com a cabeça. — É uma profissão nobre, tipo como Cobi que é um policial. — O trabalho dele é muito mais importante que o meu. — Hadley sorri para mamãe e depois para mim. — Não penso assim, baby. Na maior parte do tempo, estou lidando com adultos que já escolheram o caminho deles. Você está ajudando as crianças a direcionar o caminho delas. Seu trabalho é um dos mais importantes do mundo, depois de ser pai. — Quando termino de falar, seu rosto está mais suave do que já vi e seus olhos estão molhados. — Eu já volto — diz mamãe baixinho antes de desaparecer na esquina em direção ao lavabo no corredor, com a cabeça baixa. Papai se levanta e a segue, mas ele olha para mim, deixando-me saber que ela ficará bem antes de ir. — Você é um bom homem, Cobi. — Meus olhos deixam o meu pai e encontram Hadley. — Um homem muito bom. — Ela se inclina sobre o balcão e agarra minha camisa com um punho. Quando me puxa para frente, eu aceito sua demanda e a beijo. Eu sei que ela só quer tocar sua boca na minha, mas aprofundo o beijo e toco minha língua na dela. Depois que ela afasta sua boca, nos encaramos até ouvir meus pais saindo do banheiro. Quando eles surgem, posso dizer que minha mãe estava chorando. Não é surpresa, ela sempre foi assim. — Você está bem, senhora... Quero dizer, Liz? — pergunta Hadley, e mamãe lhe dá um sorriso trêmulo. — Uma coisa que você aprenderá bem rápido, meu amor, é que esses homens Mayson sabem como usar suas palavras para irritá-la em um minuto e derreter seu coração no outro. — Posso ver isso. — Hadley sorri para a minha mãe. — Embora, a parte de irritar acontece com mais frequência do que a de derreter o coração — acrescenta mamãe.


— É assim? — pergunta papai, e mamãe encolhe os ombros para ele. — Minha mente deve estar falhando, porque você não parecia chateada ontem à noite ou hoje de manhã. — Oh meu — sussurrou Hadley. — Trevor! — Mamãe se agita. — Cristo, pai, sério? — rosno. — O quê? — Papai casualmente toma outro gole de café. — Baby, você provavelmente deveria aprender agora que meus pais não se importam com DPA6 ou qualquer outra coisa assim, especialmente meu pai. — Claro que não. — Ele concorda, dando uma piscadela para a mamãe. — Podemos fingir que somos uma família normal durante o café da manhã? — pergunta a mamãe. — Senhor, vocês estão causando uma má impressão em Hadley — provoco. — Estou bem, sério. É bom ter um vislumbre do por que Cobi é como é — murmura Hadley. — Como exatamente eu sou? Ela inclina a cabeça para o lado e responde. — Doce, engraçado, carinhoso, um pouco honesto demais, às vezes, ok, muitas vezes, chato. — Assim como o pai dele. — Mamãe ri e dá um tapinha no meu peito. — Agora, Hadley, quantas panquecas você quer? — Três está bom para mim — responde ela, e sorrio para ela enquanto mamãe derrama massa na chapa. Quando os olhos do meu pai encontram os meus por cima do copo dele, sei que ele está feliz por mim. Eu também sei que ele entende exatamente o que estou sentindo agora, porque é o que ele sente por minha mãe há anos. Quando o café da manhã termina e nos despedimos dos meus pais com a promessa de vê-los mais tarde, Hadley está completamente à vontade com os dois.

6 Public Display of Affection - exibição pública de afeto


Não que eu esteja surpreso – meus pais são fáceis de conversar, rápidos para rir e pés no chão. Ao contrário de muitas crianças, quando eu e minha irmã crescíamos, não tínhamos problemas em ficar em casa com nossos pais, e normalmente nossos amigos preferiam passar o tempo em nossa casa, e não nas deles. Agora não é diferente. Se eu tivesse folga, iria para a casa dos meus pais ou passaria tempo com o resto da minha família, que é exatamente igual. Minha família é próxima de mim, nós sempre fomos, e espero que com o tempo Hadley se acomode e sinta o que senti toda a minha vida. Uma conexão com as pessoas que irão protegê-la quando ela mais precisar. Eu quero isso para ela mais do que quero qualquer coisa. Quero que saiba, no fundo de seus ossos, que ela pertence aqui, que pode ser ela mesma, e que tem uma família. Porque uma coisa que eu certamente sei é que, no final do dia, o amor incondicional que uma família pode lhe trazer é o que o tornará mais forte como indivíduo.


CAPÍTULO DOZE HADLEY — Então, como foi ver Harmony de novo? — pergunta Brie enquanto deslizamos em uma cabine uma em frente a outra. É segunda-feira depois que conheci os pais de Cobi no sábado de manhã e o resto da família dele naquela noite, quando fomos à casa do tio Nico para jantar. Tendo conhecido Nico e Sophie no hospital, me senti à vontade perto deles, e não demorei a me apaixonar pelo resto da família de Cobi. Assim como seus pais, todos fizeram questão de me incluir e me fazer sentir bem-vinda. Foi estranho no começo estar perto de uma família que realmente se importava e obviamente amava um aos outros, e se eu for honesta, me fez desejar isso para mim. — Hadley — chama Brie, puxando-me dos meus pensamentos e trazendo minha atenção para o momento. — Como foi? — Desculpe — soltei um suspiro. — No começo foi um pouco estranho — admito, desembrulhando meu garfo e faca do guardanapo amarrado em torno dele. — Harmony e eu meio que nos encaramos cada uma de um lado da sala, então ela começou a chorar e eu também, e corremos uma para a outra. — Você chorou? — pergunta Brie surpresa. — Foi emocionante — digo baixinho.


— Eu aposto. E é compreensível. Vocês passaram por algo traumático juntas. Concordo. — É estranho, mas sinto uma conexão estranha com ela por causa do que aconteceu naquela noite. — Eu acho que isso é normal. Quem sabe o que teria acontecido com ela ou com qualquer uma de vocês se não estivessem juntas? — Sim — concordo, e olho para a garçonete quando ela chega. Depois que ela pega nossos pedidos de almoço e sai, eu olho para Brie mais uma vez. — Mas foi bom ver por mim mesma que ela estava bem e sendo cuidada. — Então você conheceu toda a família de Cobi? — A maioria deles, todo mundo que mora na área estava lá — digo, colocando o guardanapo no meu colo. — O que você acha deles? — pergunta ela, me estudando. — São todos muito legais. — Muito legal ou falso legal? — Honestamente, todos parecem boas pessoas, o tipo de pessoa que você gostaria de ter na família. Eles são super próximos, mas não me senti desconfortável ou fora do lugar. — Como se Cobi permitisse que você se sentisse desconfortável. — Ela revira os olhos. — Você está certa, ele não permitiria. Ainda assim, eu não me senti. Nem uma vez. Seu rosto é suave quando ela pergunta: — E os pais de Cobi? — Eu os amo — digo facilmente. — Mesmo que as coisas entre Cobi e eu não funcionarem, eu gostaria de manter contato com eles. A mãe dele é doce e o pai dele é engraçado. Eu gostei deles instantaneamente, e amo como eles ficam juntos. Nunca vi um casal que esteve junto por anos e ainda estão felizes depois de todo esse tempo, mas eles estão. Na verdade, pensando nisso, seus tios e suas esposas são iguais. Eles são como algum tipo de experimento científico familiar que deu certo em vez de errado.


— Eu gosto disso para você. Gosto da ideia de você estar com Cobi e tê-los também — diz ela assim que a garçonete chega à mesa, deixando nossos pedidos. — Eu também gosto disso. — Pego meu sanduíche e então admito. — Também estou um pouco preocupada. — Sobre? — E se eu me acostumar com Cobi, com a família dele, e com todas essas pessoas maravilhosas, então as coisas não funcionarem entre nós e... — eu ficar sozinha de novo? Não adiciono. — Primeiro, você sempre terá a mim e a Ken. — Ela levanta um dedo e acrescenta outro. — Segundo, se você constantemente pensar no que poderia dar errado, você deixará de sentir como as coisas vão bem. Apenas aproveite o momento. Você mesma disse que está levando as coisas um dia de cada vez com o Cobi, então continue fazendo isso, continue gostando do que está construindo com ele e não deixe o que pode acontecer afetá-la. — Você está certa. — Hum... Quando diabos eu estive errada? — pergunta ela em um tom indignado. — Oh, eu posso pensar em algumas vezes. Sorrio para ela e ela murmura, — Que seja — baixinho, me fazendo rir. Nós mergulhamos em nossa comida já que não temos muito tempo antes de voltarmos ao escritório. Quando acabamos, a garçonete deixa a conta e começo a procurar por algum dinheiro na minha bolsa, então paro quando ouço. — Sua puta do caralho! — Olho para cima e sinto a cor escorrer do meu rosto. Sr. Shelp, pai de Lisa e Eric, está parado na porta do restaurante com os olhos irritados em mim. — Sua puta do caralho! — repete, e Brie se vira para olhar para ele brevemente antes de voltar a cabeça para mim. — Você o conhece? — Ele é o pai de duas das minhas crianças que foram recentemente retiradas da custódia dele — digo a ela em voz baixa.


— Porra! — sussurra, entendendo exatamente o que isso significa quando ele começa a vir para a nossa mesa. Um homem grande vestindo um colete de construção bloqueia o caminho dele, e o Sr. Shelp o empurra no peito, rugindo. — Saia do meu caminho! Aquela vadia tirou meus malditos filhos de mim. — Ele aponta diretamente para mim e meu pulso, que já estava batendo forte, começa a trovejar quando todos no lugar se viram para olhar em minha direção. A adrenalina corre pelas minhas veias e o medo enche meu peito quando ele empurra o cara. Eu fico em pé e Brie também. Quando ele alcança a Brie, que está mais perto dele do que eu, ela tenta dizer algo para ele, mas ele coloca a mão no peito dela e a empurra na cabine. Eu olho para ela, certificando-me de que ela está bem, então foco no homem que vem até mim rapidamente. — Sr. Shelp, você precisa se acalmar e pensar no que está fazendo agora e como isso pode acabar afetando seu caso para recuperar seus filhos. — Porra, não me diga o que eu deveria fazer. — Ele diz em cima de mim, empurrando o dedo na minha cara, e cheiro o uísque velho nele como se estivesse saindo de seus poros. — Você levou meus filhos. — Sua mão se move tão rápido que não tenho tempo para me preparar, e quando seus dedos envolvem meu pescoço meus olhos se arregalam. Eu cavo minhas unhas em seu braço tentando me libertar, e estrelas começam a encher minha visão quando seu aperto na minha garganta aumenta. — Eu te disse, cadela, que eu machucaria você! — ouço Brie gritando. Posso ouvir comoção acontecendo ao meu redor, mas meus olhos estão fixos aos injetados que estão presos nos meus conforme a escuridão começa a tomar conta da borda externa da minha visão. De repente, o aperto no meu pescoço se foi e desmorono no chão, minhas pernas não fortes o suficiente para me segurar. Envolvo minhas mãos ao redor da minha garganta tentando respirar através da dor lá. Parece quase impossível. — Oh meu Deus, Hadley, diga-me que você está bem. — Brie entra em cena, segurando o meu rosto. Tento me concentrar nela, mas tudo parece confuso, como


se eu tivesse tomado Nyquil7, mas acordasse antes de dormir o suficiente. — Chame uma ambulância! — grita, olhando freneticamente atrás dela. — Policiais e ambulâncias estão a caminho — diz alguém soando distante, e um barulho alto soa ao meu lado. Assustada, olho para o lado e vejo três homens prendendo o Sr. Shelp no chão e lutando para manter os braços dele atrás das costas enquanto mesas e cadeiras são tiradas do caminho. — Concentre-se em mim, Hadley. Olhe para mim, garota — diz Brie, e meus olhos voltam para ela. — Você está bem? — Tento dizer que estou bem, mas parece que não consigo fazer minha voz funcionar, e acabo assentindo em vez disso. — Eu não posso acreditar nisso. — Aqui, pegue isso. Coloque no pescoço dela. — Alguém enfia uma toalha branca entre nós e Brie a pega, então gentilmente puxa minhas mãos da minha garganta. Quando o frio úmido atinge minha pele eu recuo, e suspiro de alívio quando o frio se infiltra. Ouço sirenes se aproximando e fecho meus olhos. Eu cresci aprendendo que nada de bom vinha desse som, mas agora não sinto nada mais que alívio em ouvir isso. — Cobi está a caminho. — Brie envolve o braço em minhas costas e descanso a cabeça em seu ombro, quando um tipo diferente de alívio me enche. — Realmente não posso acreditar que isso aconteceu — repete Brie enquanto segura a minha mão, mantendo a outra mão gentilmente no meu pescoço, onde está o pano molhado. Não sei como, mas eu sei o instante em que Cobi entra no restaurante. Sua energia volátil é tão forte que juro que posso saboreá-la na minha língua e senti-la passando pela minha pele. Abro os olhos e o vejo seguir até onde ainda estou sentada no chão com Brie. Quando ele está na metade do caminho para mim, seus olhos se movem para onde o Sr. Shelp ainda está deitado antes de voltarem para mim e escurecerem. Sua mandíbula aperta quando ele percebe a mão de Brie segurando o pano no meu pescoço e suas mãos ficam em punhos, flexionando uma vez antes de soltar. — Deixe-me ver, baby — ordena ele, caindo em seus joelhos cobertos de jeans. Brie afasta a mão, mas eu me recuso a remover a minha. Posso

7 Um antitussígeno.


dizer que ele está pronto para enlouquecer e não precisa de muito para deixá-lo no limite. — Deixe-me ver, Hadley. — Você está chateado — sufoco. Se pensei que ele parecia chateado antes, eu sei que estava errada quando ele ouve minha voz e seus olhos se enchem de raiva. Sua mão gentilmente puxa a minha de onde estou segurando a toalha e seu olhar examina meu pescoço, rosto e olhos. — Por quê? — pergunta ele, e não tenho a chance de responder. Brie responde por mim. — Ele é pai de duas crianças que ela recentemente foi forçada a remover da casa dele. — Cristo — rosna Cobi, me pegando em seus braços e me levantando do chão. Ele fica de pé, segurando-me protetoramente como uma criança e algo no meu peito se quebra. — Cobi... — Não fale agora. — Ele morde. — Vou levá-la para a ambulância. Quero ter certeza que sua traqueia está bem, e seu olho. — Meu olho? O que estava errado com meu olho? Não tenho a chance de perguntar, porque ele desvia o olhar e se dirige para a porta, mas para de repente e se vira levemente. — Jacobs? — Sim, cara? — Uma voz masculina retorna e olho por cima do ombro de Cobi para vê-lo se dirigindo a um dos policiais que agora está de pé sobre a forma do Sr. Shelp, com a bota nas costas dele. — É melhor você colocar esse filho da puta em algum lugar no qual eu não possa colocar minhas mãos nele. Juro por Deus, se eu conseguir segurá-lo, eu vou tratá-lo como ele tratou minha mulher, só que não serei puxado para longe ou terminarei a porra do dia até que eu acabe com sua merda de vida. — Eu te entendo, Mayson — concorda Jacobs, batendo um par de algemas em Shelp e então, não muito gentilmente, ele e outro oficial o levantam do chão. Afasto o olhar e coloco meu rosto no pescoço de Cobi quando os olhos de Shelp pousam em mim e se enchem de ódio, fazendo com que um arrepio deslize pela minha espinha. — Ele não vai brincar com você, baby. Juro por Deus, ele nunca te tocará, porra. — A voz de Cobi raspa contra o meu ouvido e as lágrimas


começam a deslizar pelas minhas bochechas. Meu peito dói enquanto luto contra um soluço e torço meus dedos em sua camisa, segurando-o o mais forte possível. Quando ele me senta em seu colo na parte de trás da ambulância, ouço Brie e ele conversar. Ele diz que ela precisa informar ao nosso chefe o que aconteceu e que eu não estarei no escritório hoje. Sequer tentei discutir com ele e dizer que tenho que trabalhar. Eu não acho que poderia se eu quisesse. Tudo o que tenho mantido trancado dentro de mim está borbulhando para a superfície e lágrimas que não consigo controlar estão correndo pelo meu rosto no que parecem rios. Meu corpo treme em um soluço baixo e Cobi me segura mais perto, dizendo com os lábios no meu ouvido para liberar tudo. Enterro meu rosto contra o peito dele e choro. Choro enquanto os paramédicos me checam, eu choro conforme Cobi me coloca em seu carro, e continuo chorando quando ele me deita na cama antes de chorar até dormir. Acordo no escuro e me deito de costas, olhando para o teto e a luz das persianas abertas. Posso ouvir vozes do lado de fora da porta conversando em voz baixa, e sei que três delas são Kenyon, Brie e Cobi. As outras eu não posso identificar. Meus olhos ardem porque chorei demais, e minha garganta está dolorida e seca. Com uma dor na parte de trás do meu crânio que só será curada com Tylenol, eu afasto os cobertores que me cobre e me sento. Cuidadosamente, saio da cama e vou ao banheiro. Procuro até encontrar algo para acabar com a minha dor de cabeça, espirro água no meu rosto e inclino-me para mais perto do espelho quando meu olho chama minha atenção. O branco está vermelho sangue, provavelmente da pressão que o Sr. Shelp exerceu quando estava me sufocando. Meus olhos caem para o meu pescoço, onde um tom roxo e feio de coloração verde circunda minha garganta. Minha cabeça cai e levo minhas mãos ao meu rosto, meus dedos enrolados em minhas palmas. Quando vejo o sangue seco sob minhas unhas, meu peito queima. Ligo a água quente, pego o sabonete e começo a esfregar minhas mãos. Minha garganta trabalha enquanto tento engolir uma nova onda de lágrimas. Quando o sangue não sai, eu choramingo angustiada, acrescento mais sabão e esfrego com mais força. Mantenho minhas mãos sob a água quente e me inclino, descansando minha testa no balcão frio, precisando me acalmar para poder respirar.


A água se fecha e um braço forte me envolve. — Eu peguei você, baby — diz Cobi, gentilmente. Balanço a cabeça freneticamente. — Não posso tirar o sangue de debaixo das minhas unhas. — Deixe-me ver. — Agarrando meus quadris, ele me move para encará-lo, então me levanta para sentar no balcão. Eu o vejo pegar minhas mãos entre as dele e levá-las aos lábios. — Não há nada aqui, baby. Você limpou tudo. — Por que ele fez isso? — Deixo a minha testa cair em seu peito com as minhas mãos ainda presas entre nós. — Por que ele não podia simplesmente fazer a coisa certa e se limpar para seus filhos? — respiro fundo, tentando permitir que a sensação dele me relaxe. — Você nunca conseguirá essa resposta, querida. Eu acho que você sabe disso melhor do que a maioria das pessoas. — Deus, eu sempre... Ao mesmo tempo eu não sei, porque não posso imaginar ter um filho, ou filhos, tirados de mim por causa da minha própria estupidez. Então, me recusar a fazer tudo ao meu alcance para recuperá-los. — Ele ainda está na cadeia? — Pânico me enche da ideia dele estar fora. Eu sei que os policiais o estavam levando quando eu ainda chorava no colo de Cobi, mas não sei se ele foi libertado sob fiança, porque estou dormindo desde que Cobi me trouxe para a casa dele. Liberando o aperto que tem em mim, ele desliza as mãos entre nós e em torno de cada lado do meu pescoço, inclinando meu rosto em direção a ele. Seus olhos passam por mim e sua raiva de mais cedo retorna quando eles pousam no meu pescoço e os hematomas lá. — Ele não verá um juiz até a manhã, e de jeito nenhum eu vou permitir que ele saia facilmente. Ele pegou você em um lugar público, com testemunhas. Todas e cada uma das pessoas concordaram que se não tivessem intervindo ele teria matado você. — Cobi — sussurro, não sabendo o que posso dizer para desarmar a situação.


— Vou pessoalmente garantir que ele cumpra o tempo, e muito disso, pelo que ele fez e o que pensava em fazer. — Ok — concordo, descansando as palmas das mãos contra o peito dele, onde posso sentir seu coração batendo forte. Ele encosta sua testa na minha e mantém o seu olhar no meu enquanto fala: — A vida nem sempre são rosas. E entendo melhor que, na maioria das vezes, as pessoas escorregam e cometem erros, mas sei... — seus dedos no meu pescoço deslizam levemente pela minha pele. — Eu sei que se você quiser algo melhor, você se levanta, sacode a poeira, encontra uma maneira de corrigir seus erros e faz isso acontecer. — Sua voz firme cai para um grunhido enquanto continua, — O que você ganha com isso, você não pode culpar alguém por sua merda e depois jogar sua dor neles. Ele não tinha o direito de estar chateado com você, não tinha o direito de entrar no seu espaço, e não tinha o direito de colocar as mãos em você do jeito que ele fez. — Você está certo — afirmo suavemente, na esperança de acalmá-lo. — Quero matá-lo. — Seus olhos se fecham como se estivesse com dor. Eu movo minhas mãos até o peito dele. Esperando acalmá-lo de alguma forma, eu corro as pontas dos meus dedos sobre sua mandíbula dizendo em voz baixa: — Eu estou bem. — Eu sei, mas juro por Cristo, quando vi você e as contusões em volta do seu pescoço, eu sabia que se não me concentrasse em cuidar de você, eu colocaria as mãos nele e acabaria com a vida dele. — Estou feliz que você não tenha feito isso — sussurro. — Eu não me arrependeria se o fizesse, Hadley. — Ele focaliza seus olhos nos meus, e sua mandíbula aperta antes de começar a falar novamente. — Esse é o tipo de cara por quem você está se apaixonando, o tipo de cara que não se importaria com o futuro se algo acontecesse com você. Você está bem com isso? — Eu ficaria muito brava com você se fizesse algo tão estúpido, porque você seria tirado de mim, mas você não me assusta, Cobi Mayson. Eu gosto que você seja protetor das pessoas de quem você gosta, mesmo aquelas que você não


conhece. Gosto de como você me faz sentir segura quando estou com você e cuida de mim mesmo quando não estamos juntos. — Respiro depois de terminar, então me pergunto se ele está realmente tentando me avisar e fazendo isso suavemente. Se ele está tentando encontrar uma maneira de conseguir que eu termine com as coisas, então ele não precisaria. — Hadley... Normalmente, eu nunca teria coragem de perguntar, mas com o coração na linha eu nem hesito. — Você está tentando me assustar para que então eu me afaste de você? — O que? — Ele empurra a cabeça para trás e franze a testa. — Como essa pergunta faz sentido depois do que acabei de dizer para você? — Não sei. — Afasto minhas mãos. — Você está sendo intenso e assustador. Apenas não sei se você está fazendo isso para me assustar ou para me avisar de como será o futuro se continuarmos juntos. — Estou deixando você saber o tipo de homem que eu sou, Hadley — diz ele com um grunhido frustrado. — Ok, então eu entendi. Você é super protetor e possivelmente louco. Podemos parar de falar sobre isso agora? Estou com fome. Eu também acho que ouvi você conversando com Brie e Kenyon. Se eles estão aqui, provavelmente estão preocupados, e preciso ter certeza de que eles sabem que estou bem. — Sério? — pergunta ele em descrença. — O que? Você queria falar mais sobre o homem das cavernas que você é? — Aprofundo minha voz. — Eu vou procurar por comida, você fica aqui e varre a caverna, cuida dos bebês e cozinha. — Em que porra eu me meti com você? — pergunta ele, inclinando a cabeça em direção ao teto. Eu sorrio, então perco o meu sorriso e descanso minhas mãos contra ele. — Estou bem, você está bem, e não sei se poderia parar de me apaixonar por você, nem se tentasse. Estou assustada por agora, embora eu me reserve o direito de ter outra opinião. Mas agora estou bem. Ok?


— Sim, baby. — Ele escova a boca sobre a minha e se afasta, sorrindo. — Embora eu ache que você possa ser a louca entre nós, só para você saber. — Ele pode estar certo em pensar em todas as emoções pelas quais passei nas últimas horas. Eu sinto que posso estar louca. — É uma possibilidade — concordo enquanto ele me puxa do balcão. — Você pode querer correr para as montanhas enquanto ainda tem chance. — Eu gosto de loucura. — Ele me puxa contra seu peito e me abraça. — Muito. — Sua boca toca a minha em um beijo suave e doce. Abro os olhos quando ele afasta a boca e pergunto: — Quem está aqui? — Meus pais, Brie e o homem dela. — Ele pega a minha mão para me levar do banheiro, então para antes de abrir a porta do quarto e olha para mim. — Minha família queria vir, mas mamãe disse para eles dar alguns dias a você. Eles estão preocupados com você. — Eu me derreto contra ele. — Você tem muitas pessoas que se preocupam com você, baby. — Ele envolve sua mão na lateral do meu pescoço e alisa o polegar ao longo da minha mandíbula. — Por sua causa. — Não, por sua causa. Por causa da pessoa que você é. — Não me faça chorar novamente. Acho que cheguei a minha cota diária — digo a ele, não brincando. — Não quero que você chore. Eu só quero que você saiba que vale a pena se preocupar, que você vale a preocupação. Que você merece ter boas pessoas em sua vida, porque você é uma boa pessoa. — Estou começando a acreditar nisso — digo em voz baixa, e estou. Não sei se por falar com meu médico, ou o que Brie me fala desde sempre, ou se é Cobi batendo em minhas defesas, mas estou começando a acreditar que sou alguém que vale a pena conhecer. Alguém digna de um cara como ele. Um bom homem que vê algo em mim que nem sempre vejo em mim mesma. — Agora vamos lá para que eu possa te alimentar e você possa tranquilizar as pessoas que se importam com você. — Ele não me dá a chance de responder


antes de me beijar e me levar do quarto, para sua e minha família, para as pessoas que eu conheço e realmente se importam.


CAPÍTULO TREZE COBI — Então, como está Hadley? — pergunta meu parceiro Frank, me estudando. Paramos no Banks, o bar ao lado da estação, depois que ambos saímos do serviço. Eu, porque precisava matar o tempo antes de ir para casa, já que Hadley está na consulta do médico dela. Frank, porque sua esposa e suas três filhas estão em casa – nas palavras dele – imprensando-o na parede para fazer uma piscina enquanto os custos caem neste inverno. Conhecendo sua esposa, Stacey e suas filhas, de doze a dezessete anos, posso imaginar. Embora eu conheça Frank e saiba que ele vai ceder a elas; ele só precisa fazer isso em seu próprio tempo. Dou um gole na minha cerveja enquanto tiro meus cotovelos da mesa e me inclino contra a cadeira. — Ela está se curando. As contusões estão quase desaparecendo. Mas ainda está preocupada com o Shelp. — Ele está na cadeia. Ela sabe que ele não pode machucá-la novamente, certo? — pergunta ele, preocupação enchendo sua voz.


— Não é sobre isso. Ela nunca gostou da parte de seu trabalho que envolve dividir famílias, e ela sabe que com o que fez, ele ficará fora por um tempo. Ela não gosta de ter sido o catalisador para isso. — É culpa dele mesmo por não puxar a cabeça de sua bunda — resmunga Frank. — Você não está dizendo nada que eu não saiba. É apenas ela; ela é doce, pensa que a maioria das pessoas, tendo o tempo e a chance, farão a coisa certa. — Como ela não é triste depois da maneira que cresceu, ninguém sabe, mas não é. Ela realmente acredita que todo mundo é bom ou que tem bondade neles. — É bom com o trabalho dela, ela pensar assim, mas às vezes as pessoas simplesmente não dão a mínima para ninguém além de si mesma. — Você não está errado. — Olho para o meu celular quando a tela se ilumina com uma mensagem dela, me avisando que terminou o seu compromisso e segue para o carro. Depois que eu leio, olho para Frank. — Vá em frente. Vou beber outra antes de ir para casa, para o caos e mais falatório sobre a piscina. — Ele levanta sua cerveja. — Apenas desista e a conversa terminará. — Sorrio para ele. — Criança, você acha que funciona assim, você está prestes a despertar brutalmente em cerca de cinco anos. Se não é uma coisa, é outra, e às vezes, você precisa ser firme para provar um ponto. — Bem, veterano, você é casado com Stacey há vinte e três anos? Eu digo que fique com o que está funcionando para você. — Ele sorri, e com isso me levanto, jogando algum dinheiro na mesa. — Te vejo amanhã. — Sim, diga a Hadley que eu disse oi. — Vou dizer. — Dou uma elevação de queixo e sigo para o meu carro. Paro no caminho de casa e pego uma pizza completa do Marco, então dirijo para a minha casa. Não vejo o carro de Hadley até que aperto o controle remoto da garagem, o que significa que estou sorrindo quando entro em um dos espaços da garagem. Eu disse a ela por três dias que queria seu carro dentro da minha primeira vaga da garagem. Durante três dias ela me ignorou e estacionou fora,


dizendo que não fazia sentido, já que normalmente ela saía antes de mim pela manhã. Depois que desliguei o motor, saí levando a pizza. Apertei o botão para fechar a porta e subi as escadas. Maxim não veio me receber na porta, e sei disso porque vejo Hadley na ilha, a cabeça inclinada, com um copo de vinho na frente dela. Vendo sua postura, sei que ela estacionou na garagem sem pensar no que fazia, a mente dela estava em outra merda. Porra. Eu deveria tê-la encontrado na consulta, feito uma rápida checagem, e então decidido se ela estava bem para dirigir, especialmente depois do que acabara de acontecer e ela falar sobre isso podendo trazer tudo à tona. — Baby. — Ela levanta a cabeça e olhos vazios encontram os meus, me assustando. — O que está acontecendo? — Minha mãe está no hospital. — Em sua declaração, eu paro e ela leva a taça de vinho aos lábios. — Diga isso de novo? — Ando até o balcão e coloco a pizza. — Meu pai estava me ligando. Eu estava cansada, não queria lidar com ele, então bloqueei o número dele no meu telefone. Ele me localizou hoje à noite quando saí do meu compromisso. Ele me pegou no meu carro depois que mandei a mensagem para você saber que eu vinha para casa. — Ele disse que sua mãe está no hospital? — pergunto, chegando perto dela. — Sim. — O que há de errado com ela? Ela morde o interior da bochecha antes de responder. — Ele disse que acha que ela tomou as pílulas de Fentanil8. Quando a encontrou na cama, ela mal respirava, seus lábios e unhas estavam azuis, e era óbvio que ela teve uma overdose. — Ela suspira quando a abraço. — Ele não conseguiu fazer com que ela acordasse, então chamou uma ambulância. Ela está no hospital há três dias e não 8 O fentanil é um opióide utilizado como uma medicação para a dor e também pode ser usado juntamente com outros medicamentos para a anestesia.


melhorou. Os médicos disseram que não acham que ela aguentará muito, e que todos precisam saber para poder dizer adeus. Meus olhos se fecham enquanto descanso meu queixo em cima de sua cabeça. — Sinto muito, querida. — Eu também — sussurra. — Você quer que eu te leve lá hoje à noite? — questiono, inclinando-me para olhar para ela, mas seus olhos estão apontados para a minha garganta. — Não. — Ela balança a cabeça e olha para mim, parecendo em conflito. — Mas sei que preciso ir. — Então nós vamos. — Beijo o topo de sua cabeça e a solto. Eu a ajudo a colocar o casaco, e a levo para o meu carro, ajudando-a a entrar. Ela fica em silêncio no caminho do hospital, mas quando alcanço e seguro sua mão, seus dedos fecham firmemente ao redor dos meus. Estaciono perto da entrada e a levo até o posto das enfermeiras, informando sobre quem estamos procurando e obtendo um número de quarto. Quando chegamos à porta do quarto da mãe dela, eu a paro do lado de fora e a viro para mim. Chamando a atenção dela, eu deslizo uma mão ao redor das costas dela, a outra ao redor da nuca. — Cobi — começa, mas eu a corto, apertando minhas mãos sobre ela. — Aconteça o que acontecer, você não está sozinha, baby. Lembre-se disso quando atravessarmos essas portas e sairmos delas quando acabar. — Seus olhos esquentam e ela balança a cabeça. — Estou aqui para o que você precisar. — Obrigada. — Seu lábio inferior treme e os músculos do meu estômago se contraem com a visão. Mata-me vê-la com dor. — Ficará tudo bem. — Certo — concorda ela suavemente. Eu a beijo e a solto, pegando sua mão quando ela a estende para mim. Quando entramos no quarto, está vazio, exceto pela cama onde a mãe está deitada, as cobertas até os ombros. Seu cabelo é quase da cor do de Hadley, com prata misturado. Está em um coque, e sua pele está tão pálida que parece quase azul.


Mesmo da porta eu posso ouvir um chocalho no peito dela toda vez que ela respira – um som que eu sei que é como os médicos disseram, ela provavelmente não durará muito mais tempo. Deixei Hadley definir o ritmo e me levar para a cama, seus passos devagar, e posso sentir sua mão tremendo. Ao pararmos perto da cabeça de sua mãe, eu deslizo meu braço ao redor de sua cintura quando ela solta a minha mão e toca o rosto da sua mãe. — Eu gostaria que as coisas tivessem sido diferentes — diz ela baixinho, suas palavras cheias de dor, saudade, tristeza e derrota. — Eu gostaria... — antes que pudesse terminar, ela soluça e se vira para mim, enterrando o rosto no meu peito e me abraçando, agarrando-se a mim como uma criança perdida. Não hesito por um momento. Eu a pego e a carrego para fora do quarto e do hospital, ignorando os olhares das pessoas quando passamos. Quando alcançamos o meu carro, é preciso um pouco de manobra para mantê-la em meus braços e abrir a porta, mas eu a coloco lá dentro antes de dar a volta e entrar atrás do volante. Quando estamos de volta à minha casa, eu a levo para a cama e a troco. Através de tudo isso, ela chora silenciosamente, e então chora mais um pouco quando me enrolo em volta dela e a seguro até que ela adormeça. Quando sei que ela está descansando, levanto-me, solto Maxim e faço algumas ligações. Um amigo da minha família, Justin, é meu primeiro telefonema, e ele me dá o número do pai dela. Quando o homem atende, posso dizer que ele está bêbado e isso me irrita. Não entro nisso com ele, eu o informo que quando sua esposa não aguentar mais, ele precisa entrar em contato comigo para que eu possa contar a filha dele. Ele concorda e eu desligo. Depois disso, ligo para Brie, então, minha mãe e meus primos, que estiveram em constante contato com Hadley nos últimos dias. Quando a mãe dela morrer, independentemente do relacionamento, ela precisará de pessoas ao seu redor que se importem. Após desligar na última chamada, volto para a cama com ela. No momento em que o faço, ela se vira para mim e se ajusta ao meu lado enquanto dorme. Eu


a seguro e fico acordado durante a noite para que, se ela acordar, eu esteja lá para garantir que ela está bem. Ela não acorda, não até o meu telefone tocar no criadomudo, com um telefonema do pai dela me avisando que o hospital ligou para dizer que Charlene faleceu.


CAPÍTULO QUATORZE HADLEY Sentada no sofá muito confortável de Liz e Trevor, na linda casa deles, eu examino a sala de estar e cozinha, observando cada pessoa. O espaço está lotado com toda a família de Cobi – tias e tios, primos que conheci antes de hoje, e outros que conheci algumas horas atrás, junto com alguns outros importantes – Brie e Kenyon. Todos estão de pé ou sentados enquanto conversam, comem e bebem. Todos se reuniram por minha causa. Meus olhos pegam Harmony, e ela me dá um sorriso triste, mas reconfortante. Dou um pequeno sorriso em troca, em seguida, olho para o meu colo, respirando fundo. Hoje foi o funeral da minha mãe. Não um funeral real – meu pai não podia se dar ao luxo de fazer um para ela, e eu não podia ajudar muito. O serviço foi pequeno; algumas pessoas do bar em que minha mãe trabalhava apareceram, junto com papai, alguns dos amigos dele, depois eu, e essa sala cheia de gente fez o resto. O pastor dos pais de Cobi veio dizer algumas palavras no cemitério antes que o caixão barato de minha mãe fosse abaixado no chão, e todas as tias dele


trouxeram flores para serem jogadas em cima antes que a terra estivesse sobre ela. Foi legal, muito mais legal do que minha mãe provavelmente merecia. Com esse pensamento, minha garganta fica apertada, mas não pelas razões que deveria. Fica apertada, porque nos últimos dias, eu tive que aceitar que o relacionamento da minha mãe e eu nunca será mais do que era quando ela estava viva. Eu não gostava muito dela. Nunca senti um vínculo ou uma conexão com ela. Ela era apenas minha mãe, a mulher que me deu à luz, nada mais, e isso é uma pílula difícil de engolir, especialmente depois de passar tanto tempo com a família de Cobi. É difícil, às vezes, vê-los interagir, vê-los se provocando e sendo carinhosos. Todos genuinamente se preocupam com o bem-estar e felicidade uns dos outros. Eles são a definição de família – família real. Algo que nunca experimentei. Quando o peso se instala no meu lado, levanto a cabeça e olho para Brie. — Você está bem? — pergunta ela, me estudando. — Sim. — Mentirosa. — Ela sorri, batendo seu ombro no meu. Então sua expressão fica séria. — Eu gostaria de saber o que dizer para tornar isso mais fácil para você, mas sei que não há palavras para torná-lo melhor. — Ela pega uma das minhas mãos, entrelaçando nossos dedos. — Mas ficará mais fácil. Quanto mais tempo passar, menos dor você sentirá todos os dias. Eu sei que ela fala por experiência. Eu sei como foi para ela depois de perder seus pais. Mas nossas histórias não estão nem perto de parecidas. — Nós não éramos nem um pouco próximas. Para mim, ela era apenas alguém que eu conhecia, que por acaso era minha mãe. Estou apenas tentando chegar a um acordo com isso — admito, sentindo-me um pouco culpada por não estar devastada pela perda da minha própria mãe. — Hadley, eu conheço você e sei que você acreditava, em algum lugar aí no fundo, que talvez ela mudasse um dia. E agora é uma droga, porque você nunca terá essa resposta. Essa é a dor que você terá que trabalhar — diz ela com firmeza, mas calma.


— É assustador o quão bem você me conhece. — Nós somos melhores amigas desde sempre. Eu te conheço melhor do que você mesma. — Ela aperta meus dedos. Eu esmago a mão dela em troca, murmurando — Verdade. — Pelo lado positivo, você tem muitas pessoas que estão aqui para você enquanto trabalha com isso, então você não está sozinha. Afasto meus olhos e observo a sala novamente. Meus olhos pousam em Cobi, que está conversando com o marido da sua prima, July, um cara chamado Wes, que conheci esta tarde. Ambos estão rindo sobre o que estão falando. Sentindo meus olhos nele, Cobi olha para mim e seu rosto suaviza. Com esse olhar, meu coração se agita e meu estômago se fecha. Não tenho dúvidas de que estou apaixonada por ele. Ele cuidou de mim desde o momento em que nos conhecemos, me tranquilizou quando tive dúvidas e passou por todas as minhas defesas. Nunca conheci um homem como ele, e sei que é porque homens como ele só existem em romances, contos de fadas e filmes da Disney. Mas de alguma forma, ele está vivo e respirando. — Se você ainda está questionando se você está apaixonada por aquele homem, eu juro que vou chutar o seu traseiro. — Brie corta meus pensamentos, e afasto meus olhos de Cobi para olhar para ela. — Como se você pudesse. Ela poderia. Ela é mais alta do que eu por pelo menos dez centímetros, tem um pouco mais de peso do que eu – tudo distribuído nos lugares certos – e é ávida por malhar. Algo que eu sou alérgica a fazer. — Eu totalmente poderia. Apenas não faço porque não me sinto com vontade de lascar uma unha ou bagunçar meu cabelo — diz ela, e eu rio. Brie sempre foi toda sobre sua aparência. Ela é linda, com pele escura, cabelos quase pretos que caem nos ombros, olhos amendoados, maçãs do rosto salientes e lábios carnudos. Ela nunca perde um compromisso de arrumar o cabelo todo mês, e vai ao salão de beleza mais de uma vez além do tempo que passamos juntas. — Continue dizendo a si mesma isso, querida — digo.


Ela sorri, então descansa a cabeça no meu ombro. — Eu te amo. Fecho meus olhos e deixo essas palavras penetrarem. Como uma constante em minha vida, eu sempre soube que me importava com Brie, mas agora eu sabia que quando ela dizia eu te amo e eu dizia de volta, eu realmente queria dizer isso. Até recentemente, não sabia exatamente o que era o amor. Realmente não entendia que o amor é mais do que apenas uma palavra que as pessoas dizem para quem elas se importam. O amor é estar presente quando alguém mais precisa de você. É se preocupar com a felicidade de outra pessoa e querer isso para ela mais do que você mesmo deseja. É estar presente e lutar com as coisas difíceis, porque sabe que valerá a pena no final. — Eu também te amo — digo finalmente. — Obrigada por sempre estar aqui para mim quando precisei de você. — Sempre, Hadley, você tem a minha palavra que você sempre me terá. Não respondo, não posso chorar e não quero chorar. Em vez disso, eu aperto meu agarre em seus dedos, e inclino minha cabeça para o lado para beijar o topo de sua cabeça. Eu a ouço puxar uma respiração e puxo uma minha. Quando abro meus olhos de novo, eu pego Kenyon compartilhando um olhar com Brie com um pequeno sorriso nos lábios antes de voltar a conversar com o pai de Harmony, Nico. — A família de Cobi é legal. Quero que eles me adotem — diz Brie, levantando a cabeça do meu ombro. — Não é? — Embora eu não ache normal pensar que sua família é sexy, então talvez eu não vá. — Começo a rir, jogando minha cabeça para trás, e Brie ri junto comigo antes de levantar, ainda sorrindo. — Vou pegar outro prato de comida. Quer alguma coisa? — Não, eu estou bem. — Pego o copo de vinho que enchi mais cedo e tomo um gole. — Volto já. — Ela dirige-se para a cozinha, e um segundo depois, uma grande sombra paira sobre mim.


Quando olho para cima e vejo Harlen, eu me preparo por causa do olhar no rosto dele. Ele se senta onde Brie estava, mas mantém os cotovelos nos joelhos, virando apenas a cabeça em minha direção. — Nunca tive a chance de agradecer pelo que você fez — diz ele, olhando nos meus olhos, e meu peito fica apertado. — Obrigado. — Eu... De nada. Mas não sei se fiz alguma coisa — digo baixinho. — Ela estaria sozinha. Teria passado por isso sozinha se você não estivesse lá com ela. Então sim, você fez alguma coisa — responde ele, sua mandíbula enrijecendo. — Ok. — Tudo o que você precisar, eu estarei aqui para você. Eu aceito isso. Ele é muito bonito, mas também muito assustador – definitivamente alguém que me faria andar no outro lado de um beco escuro. Ainda assim, eu soube ao vê-lo com Harmony que ele também é suave e doce. Bem, pelo menos com ela, ele é. — Vou manter isso em mente caso eu precise de algum músculo — brinco para aliviar a tensão que eu sinto saindo dele, e ele sorri. — Você tem a mim se precisar. — Ele se levanta e toca o topo da minha cabeça antes de atravessar a sala diretamente para Harmony. Quando está perto, ele desliza o braço ao redor da cintura dela e beija o lado de sua cabeça. Eu vejo o rosto dela suavizar e sei a razão para isso, porque eu sinto exatamente isso quando Cobi faz o mesmo comigo. Termino o último gole do meu vinho e me levanto, indo para a cozinha. Quando chego lá, vejo Liz começando a guardar as coisas e as tias lavando a louça. Começo a ajudar a limpar um dos balcões de comida, mas paro quando uma mão gentilmente alisa a parte de trás da minha cabeça e os lábios tocam minha bochecha. Olho para Liz ao meu lado, e ela me dá um curto sorriso. — Você está bem, querida? Ela me fez essa pergunta muitas vezes nos últimos dias. Ela ligou só para perguntar se eu estava bem e enviou mensagens perguntando o mesmo. É bom


que ela se importe tanto, e sinceramente não sei o que teria feito sem ela, Cobi e Trevor, que seguraram minha mão a cada passo do caminho. — Estou bem. — Eu a tranquilizo. — Você não precisa ajudar com isso. Nós temos isso sob controle — diz ela, e olho para as tias de Cobi, que eu posso dizer que já fizeram isso antes. — Não me importo. — Eu sei que não, mas eu sei melhor. Você precisa relaxar. Na verdade, você provavelmente deveria pedir ao Cobi que te leve para casa para que você possa descansar um pouco. Foi um longo dia para você. — Eu... — Querida, apenas ceda — diz Sophie, vindo em nossa direção e me cortando. — Ela não desistirá. Além disso, ela não está errada. Foi um dia longo, então você deveria ir para casa, tomar um banho e relaxar. — Mamãe não está errada, e nem a tia Sophie — diz Cobi, entrando na cozinha, me abraçando por trás e apoiando o queixo no meu ombro. — Eu vim te encontrar para lhe dizer que é hora de ir. — Eu quero ajudar a limpar. — Viro minha cabeça para olhar para ele. — Como Liz e Sophie disseram, nós estamos bem aqui, querida — diz sua tia November, enquanto sua tia Lilly acena em concordância. — Vá para casa e descanse. — Eu... — Por favor — murmura Liz, descansando a mão na lateral do meu rosto. — Eu sei que você quer ajudar, mas pode fazer isso deixando-nos cuidar de você. — Oh, tudo bem — suspiro, e Cobi ri, saindo de trás de mim e pegando minha mão. — Diga boa noite, baby. — Você é realmente irritante quando é mandão — digo a ele, e sua mãe e todas as tias riem enquanto ele apenas beija o lado da minha cabeça. Antes de


irmos, eu digo boa noite a todos, incluindo Brie e Kenyon, e então Cobi me leva para seu carro e me acomoda lá dentro. Quando chegamos em casa e subimos, ele serve um copo de vinho para mim, deixando-o no balcão da cozinha antes de desaparecer no quarto. Quando estou enganchando a guia de Maxim na coleira, Cobi sai do quarto. Eu o vejo ir para a cozinha e pegar meu copo de vinho, em seguida, vem em minha direção estendendo-o. Ele pega a coleira de Maxim e me entrega o copo. — A banheira está enchendo. Vá e entre. Volto logo. — Espera... O que? — pisco para o copo agora na minha mão. — Banho, baby. — Ele gentilmente me empurra para o quarto. Eu ando em direção ao quarto, mas paro para observá-lo. — Vá, baby — ordena, olhando para mim antes de fechar a porta. Após respirar fundo, atravesso o quarto até o banheiro e paro na porta. As luzes estão fracas e a grande banheira está cheia de água fumegante e bolhas fofas. Coloco o copo de vinho na beirada da banheira e retiro meu casaco. Penduro no armário, e tiro meus saltos e o simples vestido preto que usei hoje. Amarro meu cabelo e entro na banheira, suspirando quando a água quente toca minha pele. Quando estou sentada na água, olho em volta do banheiro. Como o resto da casa, é lindo. Há um chuveiro com box de vidro creme, jade e azulejos de vidro branco no canto. As paredes são pintadas de creme, e o chão combina com o resto da casa, que é de madeira rústica. Há uma longa bancada e pias duplas, cada uma com um espelho acima, e tapetes e toalhas fofas. Pego o copo de vinho, tentando lembrar se já tomei um banho de banheira. Provavelmente tomei quando era pequena, mas não me lembro. O trailer em que cresci tinha uma banheira, mas era pequena, e eu não tomaria banho lá a menos que tomasse uma vacina antitetânica antes. Havia mais ferrugem do que tinta na superfície interna, e alguns pontos afiados que o cortariam se não fosse cuidadoso. Abaixo meu copo e me inclino para trás, fechando os olhos e permitindo que o som da água corrente e do calor me relaxe.


Um dedo desliza suavemente entre os meus olhos e até a ponta do meu nariz, e abro os olhos. — Ei, baby — diz Cobi, descansando os cotovelos na borda, as mangas da camisa agora enroladas nos antebraços. — Adormeci — digo a ele, algo que ele obviamente sabe, e ele sorri, tocando a minha bochecha. Seus olhos se movem sobre as minhas partes não cobertas de bolhas antes de voltarem aos meus. — Como está a água? — Boa, quente. — Pego a mão dele e estudo a pele tatuada contra a minha. — Não me lembro de tomar banho de banheira. — Você gostou? — Sim... — olho em seus lindos olhos. — Mas eu gostaria mais se você estivesse aqui comigo. — Posso fazer isso — responde ele, ficando em pé. Eu o vejo puxar a camisa da calça e depois desabotoá-la, expondo seu peito largo e abdômen. Ela desliza de seus ombros e é jogada em direção ao armário, então ele solta o cinto antes que ele voe para o armário também. Quando tira as calças e boxers e vejo que ele está duro, meus mamilos empinam e meu núcleo aperta. Ele desliga a água e fica diante de mim, seus joelhos dobrados com as pernas do lado de fora das minhas. — Melhor? — pergunta, e balanço a cabeça. — O que você precisa, baby? — Você, sempre você — sussurro, e ele pega a minha mão, me puxando através da água para ele, até que seu corpo escorregadio está sob o meu e sua ereção descansa contra o meu baixo ventre. Suas mãos envolvem meus quadris e deslizo meus quadris para cima. Sinto-o cutucar minha entrada com a ponta do pênis e seguro seu rosto. Toco minha boca na dele antes de me afastar para olhar em seus olhos. — Eu te amo. — Na minha admissão, seu corpo enrijece e seu aperto, já firme, torna-se possessivo. — Sei que provavelmente é cedo demais, mas eu quero que você saiba. — Hadley... — Eu... — Eu o interrompo e balanço a cabeça. — Você é o melhor homem que eu já conheci na minha vida, a melhor coisa que já aconteceu comigo.


— Eu também te amo — rosna, se empurrando dentro de mim, mas me segurando no lugar com as mãos, os olhos ainda nos meus. — Você me pertence, não é? — Sim — respiro, encostando minha testa na dele. — Sempre. — Até o fim, até que um de nós deixe de existir, pertencemos um ao outro. Lágrimas enchem meus olhos e descanso minha boca na dele. — Até o fim. — É uma promessa, uma promessa para ele e para mim. — Eu quero que você venha morar comigo — diz ele enquanto começa a me balançar em seu comprimento. Começo a abrir a boca para dizer que é muito cedo para isso, mas ofego quando ele arrasta seus quadris para trás, em seguida, empurra para dentro de mim com força, fazendo a água espirrar para fora da banheira. — Você acabou de dizer que me pertence. Não estou adiando. Eu quero você aqui comigo. Quero cuidar de você. Suas palavras atingem diretamente o meu coração e concordo com um gemido, — Ok — quando ele empurra para dentro de mim novamente. — Amanhã — rosna, e começo a rir. — O que é engraçado? — Ele para de se mover. Deslizo meus dedos em seus cabelos e me inclino sobre ele. — Eu... — eu rolo meus quadris nos dele e ele grunhe. — Estou fodida. Parece que nunca digo não para você. — Você está definitivamente fodida. — Ele inclina a cabeça e captura meu peito, puxando meu mamilo em sua boca. Chupando com força, ele levanta os quadris em cada um dos meus golpes. A água espirra sobre a lateral da banheira enquanto nos movemos juntos, em sincronia. Ele pega meu seio negligenciado e aperta, em seguida, desliza a mão e para entre as minhas pernas, acariciando meu clitóris enquanto minha cabeça cai para trás. — Cobi — suspiro enquanto meus olhos se fecham. — Olhe para mim, baby. — Inclino minha cabeça e meus olhos encontram os dele. — Eu te amo.


— Eu sei — choramingo, segurando o olhar dele. Seu dedo circunda com mais força e minhas mãos se movem para seus ombros para se segurarem. Quando minhas unhas cravam em sua carne, ele se inclina e captura minha boca. Eu abro para ele, esperando derramar naquele beijo tudo o que sinto por ele, esperando que entenda o que ele significa para mim. Quando começo a apertar e ter espasmos ao redor dele, ele geme em minha boca enquanto seus quadris se movem. Eu gozo, sentindo-o se tornar incrivelmente maior quando ele se libera profundamente dentro de mim. Ofegante e vendo estrelas, meu corpo cai fracamente contra o dele. Seus braços deslizam em volta das minhas costas e ele enfia o rosto no meu pescoço, respirando pesadamente, seu coração batendo forte entre nós, meu coração batendo tão forte quanto. Nós dois nos agarramos um ao outro até a água começar a esfriar. — Tenho que levantar, baby — diz ele, e eu me afasto um pouco para olhar para ele, cada um dos meus músculos protestando contra mim. Quando ele puxa seus quadris dos meus, um suspiro suave escapa e meus olhos se fecham. — Eu tenho você. — De alguma forma ele tem a força que não tenho para me pegar e sair da banheira. Quando me coloca no chão e a água escorre sob meus pés, eu olho para baixo e depois para ele. — Oops. — Não se preocupe com isso agora. — Ele me solta com um sorriso, em seguida, envolve-me em uma toalha e pega outra. Ele me leva para a cama, onde me deposita antes de jogar as cobertas sobre mim. Eu rolo para o meu lado, e ele se inclina, procurando meus olhos antes de gentilmente colocar um beijo suave nos meus lábios. — Volto já. Ele levanta e o vejo ir ao banheiro. Quando retorna alguns minutos depois, ele ainda está nu e seu pênis ainda está um pouco duro. Eu o olho, imaginando o que fiz para merecê-lo. Não é a aparência dele, isso é apenas um bônus. Mesmo se ele tivesse cem quilos acima do peso e fosse careca, eu ainda me sentiria agradecida por poder chamá-lo de meu. Ele afasta o cobertor e eu grito quando ele arranca a toalha do meu corpo e a joga no chão. Ele acende o abajur e depois volta para desligar a luz antes de vir


para a cama comigo, arrastando-me contra ele. Eu me enrolo nele com o ouvido sobre o coração, pensando em tudo que aconteceu em tão pouco tempo. — Você está quieta — diz ele, passando os dedos pelo meu braço, sobre seu estômago. — Estou tentando entrar em acordo com as coisas — digo, levantando a cabeça e descansando meu queixo em seu peito. — Que coisas? — Bem... — eu sinto meus lábios se contorcerem. — Aparentemente, você está apaixonado por mim e eu vou morar com você. É muito para aceitar e estou trabalhando em silêncio. — Eu vejo. — Ele se inclina para colocar os lábios na minha testa antes de descansar a cabeça no travesseiro. — E, hum... Agora que não estamos no calor do momento, devo te contar. Meu contrato é de um ano, e eu só estive na casa por alguns meses, então vamos esperar para que eu me mude. — Vou falar com o senhorio — diz ele facilmente, e sinto meu corpo enrijecer. — Tom — Desculpe? — Tom é meu senhorio. Você o conheceu brevemente quando ele foi dizer que eu poderia ter um cachorro — lembro a ele, e o reconhecimento preenche seus olhos. — Dito isso, eu acho que não seria uma boa ideia tentar me tirar do meu contrato. — Por que não? — Ele franze a testa. — Tenho certeza que Tom está no Programa de Proteção a Testemunhas, porque ele estava na máfia ou ainda está. — Faço uma careta. — Você pode sair da máfia, ou isso é como um parentesco, tipo o de sangue? — Parentesco, tipo o de sangue? — repete ele, olhando para mim como se eu fosse louca.


— Isso não importa. — Balanço a cabeça. — O ponto é que acho que ele pode estar em Proteção às Testemunhas agora, e ele é assustador. Seria horrível se eu desaparecesse de repente. — Você sabe que é louca, certo? — pergunta ele, mas sei pela forma que ele diz que também acha que estou sendo fofa. — Porque eu sou louca? — Seu senhorio não está na máfia, e não está na Proteção às Testemunhas também. — Como você sabe? — Apenas sei. Agora, quanto a você sair do seu contrato, falo com ele e vejo o que ele diz. Você pode ter que manter o aluguel por alguns meses até que ele possa encontrar um novo locatário, mas podemos fazer as coisas se moverem agora, e você ainda pode se mudar para cá enquanto isso. Eu me movo, descansando meu queixo no dorso da minha mão contra o peito dele. — Não que eu não ache que isso vai funcionar, mas acho que é uma boa ideia eu manter a minha casa por alguns meses, apenas no caso. — Isso vai funcionar, Hadley. — Ele desliza os dedos no meu cabelo, envolvendo-os na parte de trás do meu crânio. — Eu te prometo, isso vai funcionar. — Eu acredito em você. — Beijo seu peito, e descanso minha cabeça nele. Depois de fechar os olhos, eu ordeno: — Vá dormir — e rio quando seu corpo treme com uma risada silenciosa. — Boa noite, baby. — Ele rola, então estamos de peito a peito, com meu rosto descansando na curva de seu pescoço e seus braços apertados ao meu redor. E como sempre quando durmo com ele, eu durmo sorrindo.


CAPÍTULO QUINZE COBI — Ela parece diferente. Com o comentário de Kenyon, olho para onde ele está descansando no meu deck com uma cerveja na mão. Ele e Brie vieram para o jantar hoje à noite, e depois que comemos, as meninas nos expulsaram para que pudessem limpar e conversar sobre as coisas do casamento. Eu não briguei, e Kenyon também não. Nós as deixamos lá e saímos com nossas cervejas. — Ela parece mais leve, mesmo com tudo o que aconteceu. Ele não está errado. Ela mudou nas últimas semanas. Está se abrindo um pouco mais a cada dia, e ficando cada vez mais confortável comigo e conosco. Pensei que eu tinha tudo dela, pensei que entendia a mulher que ela era. Mas eu não tinha ideia do quão doce e engraçada ela realmente é. Ela é perfeita... perfeita para mim. — Ela está feliz. Não a falsa felicidade que costumava ser, simplesmente feliz. Obrigado por dar isso a ela — finaliza.


— Eu diria de nada, mas desde que eu sou o único beneficiado com isso, eu acho que você entenderá porque não digo. Ele sorri para mim e depois começa. — O pai dela entrou em contato desde... — Não. — Eu o interrompo, sabendo sua pergunta. — Cuzão — sussurra ele, balançando a cabeça. — Nem mesmo uma ligação para agradecer por pagar pelo funeral da mãe dela? — Nem mesmo para isso. — Tomo um gole da minha cerveja para esfriar a raiva que de repente queima minha garganta. Quando a casa funerária para a qual o corpo da mãe dela foi enviado ligou, dizendo que eles receberam o número dela de seu pai para pagar a conta, eu quase perdi a minha merda. Eu não podia acreditar nele, mas Hadley não ficou nem um pouco surpresa. Isso também me irritou. Isso me disse como ela costumava cuidar de tudo. No final, não havia nada que ela pudesse fazer. Ela não podia deixar sua mãe onde estava. Ela não tinha escolha; teve que cuidar das coisas e se recusou a me deixar ajudá-la de qualquer maneira. — Eu tenho que dizer, tanto quanto me irrita, eu estou feliz que ele esteja longe. Ela não precisa dele fodendo com seu progresso ou sua vida. — Você não está errado sobre isso. — Levanto a cerveja em direção a ele, e ele faz o mesmo em resposta. Quando a porta de vidro se abre, me viro para ver Hadley sair, seguida por Brie, as duas mulheres carregando uma taça de vinho. — Do que vocês dois estão falando? — pergunta Hadley enquanto se senta de lado no meu colo em vez de pegar a cadeira ao lado da minha. Envolvo um braço em volta de sua cintura e beijo seu pescoço, dizendo: — Apenas merdas de cara. Brie ocupa a mesma posição no colo de Kenyon com um sorriso suave no rosto direcionado para nós. — Você conseguiu arrumar as coisas do casamento? — pergunta Kenyon, e ela olha para ele.


— Por enquanto. — Ela retruca, e os olhos dele encontram os meus. — Conselho, cara. Faça um favor a si mesmo e fuja. Eu rio e Hadley ri. — Sério? — estala Brie, olhando para ele. — Baby — Sua voz suaviza. — Eu te amo. Eu quero ser seu marido, mas não quero ouvir sobre merdas de casamento dia e noite. E tenho ouvido você falar sobre merdas de casamento dia e noite por meses. E se lembre que ainda temos meses pela frente, então não vejo isso mudando tão cedo. — Não falo sobre coisas de casamento dia e noite — argumenta ela, encarando. — Então, quem está animado para o Halloween? — pergunta Hadley de repente, e todo mundo olha para ela. — Estou pensando que este ano eu vou vestir Maxim como um dragão e ir como Khaleesi. Que fofo isso seria? — Belo salvamento, querida. — Brie revira os olhos, e Kenyon e eu rimos. — Com isso, devemos ir. — Kenyon fica de pé, levando Brie com ele e colocando-a de pé. — Nós já temos que ir? — Brie faz beicinho, olhando para ele. — Preciso abrir a loja de manhã, para que eu possa pagar o nosso casamento — diz ele suavemente. Ela inclina a cabeça para o lado, o rosto suave. — Prometo que valerá a pena. — Ter você como minha esposa valerá a pena — murmura ele, e seus olhos brilham enquanto Hadley se derrete em mim. — Ter você feliz é um bônus. — Ele beija a testa dela, e envolve um braço em volta dos seus ombros. Ele os move ao redor da mesa e dá um tapinha no meu braço. — Vejo você por aí, cara, e obrigado pelo jantar e a cerveja. — A qualquer hora — digo enquanto ele se inclina para beijar a bochecha de Hadley. — Te amo.


— Eu também te amo. — Ela sorri para ele e se levanta para dar um abraço em Brie. Eu a sigo e beijo a bochecha de Brie, então, de mãos dadas, Hadley e eu os levamos até a porta. Após eles saírem, eu olho para ela. — Então você vai vestir Maxim como um dragão? Ela ri, jogando a cabeça para trás, e absorvo o som e o olhar de felicidade no rosto dela. — Eu não queria que eles discutissem. — Ela encolhe os ombros, indo em direção à cozinha. — E acredite em mim, se eu não cortasse, teria se tornado uma discussão. — Sua expressão suaviza. — Kenyon não mentiu, ele só quer que Brie seja sua esposa. Ele não se importa com nenhuma das outras coisas, mas Brie quer um grande casamento. Ela sempre quis um grande casamento e conversava sobre isso antes que Kenyon estivesse no jogo. — Qual é o tamanho do casamento? — pergunto, encostando-me ao balcão e observando-a colocar alguns pratos perdidos na lava-louças. — Enorme, mais de duzentas pessoas convidadas, e tudo é totalmente exagerado. Falo de cristais e centros de flores que você veria em um grande filme. — Agora vejo por que ele sugeriu que fugíssemos. — Sim — concorda, sorrindo para mim. — Então você quer um casamento assim? — pergunto, estudando-a. — Eu? — Ela balança a cabeça. — Eu sequer conheço uma centena de pessoas, e nunca pensei em me casar, muito menos ter um casamento. — Minha mãe vai querer que façamos algo grande. — Minha mãe vai; ela, minhas tias e avós são do mesmo jeito. Elas não precisam de muita razão para planejar uma festa. — O quê? — Ela franze a testa, fechando a porta da máquina de lavar louça. — Quando nos casarmos, minha mãe vai querer que façamos algo grande. Talvez não duzentas pessoas, mas vai querer que tenhamos um casamento, e vai querer ajudar a planejar.


— Eu gostaria de salientar que você está falando sobre um casamento como se fosse acontecer. — Porque vai. Não agora, mas vai acontecer. É inevitável. — Dou de ombros. — Me mudar, casamento, a próxima coisa que eu sei, é que você estará falando sobre ter bebês — diz ela suavemente, e fecho a distância entre nós, envolvendo minha mão em torno de seu quadril enquanto coloco a outra na sua nuca. — Eu quero três, e pelo menos uma menina — afirmo, e as pupilas dela aumentam. — Cobi. — Meu nome sai áspero e suas mãos seguram o meu lado, aonde elas vieram descansar. — Eu te faço feliz? — pergunto com meu rosto perto do dela. — Sim. — Seus olhos procuram os meus enquanto suas mãos se movem para o meu peito. — Você quer passar o resto da sua vida comigo? — Sim. — As pontas dos seus dedos cravam em minha pele através da minha camisa. — Você quer ter filhos? — Eu... bem... — seus olhos procuram os meus novamente e fecham brevemente. — Com você, sim. — Nós começaremos amanhã — digo, mantendo meu rosto sério, e seus olhos se arregalam. — Estou brincando, querida. — Você é um idiota. — Ela empurra meu peito, e eu rio, colando-a contra mim e empurrando meu rosto em seu pescoço. — Não posso acreditar em você. — Ela ri, e eu me afasto, chamando sua atenção. — Você ama isso. — Mais ou menos. — Sua expressão suaviza. — Talvez eu seja louca, então. — Provavelmente — sorrio, e ela empurra meu peito novamente, mas eu não a solto. Em vez disso, a pego e a atiro por cima do ombro.


— O que você está fazendo agora? — ela grita de cabeça para baixo enquanto a levo em direção ao quarto. — Levando você para a cama. Devemos começar a praticar a criação de um bebê, assim estaremos prontos quando chegar a hora. Ela ri e solta outro grito quando eu a atiro na cama, observando-a saltar duas vezes. Ela tira o cabelo do rosto e se levanta em seus cotovelos, me observando tirar a camisa. — Você é louco. Deixo minha camisa cair no chão, e subo em cima dela, escarranchando seus quadris. — Só com você. — E brega. — Ela suspira quando deslizo minhas mãos até a cintura, tirando a camisa dela. — Mmm. — Mergulho minha cabeça em seu peito e belisco seu mamilo duro através do sutiã, ouvindo-a gemer. Ela se arqueia para mim e passo minhas mãos em torno de suas costas, soltando seu sutiã e depois o deslizo pelos seus ombros. Quando ela está exposta a mim da cintura para cima, eu seguro seus seios e olho em seus olhos acalorados. — Sues peitos são perfeitos. Aperto os dois, mordendo um mamilo enquanto puxo o outro entre os meus dedos. Ela se contorce debaixo de mim e meu pau se sacode. Eu movo meus joelhos entre suas coxas e solto o botão de seu jeans. Quando eu o tiro e juntamente com as calcinhas, deslizo minhas mãos por suas pernas. — Abra para mim, baby, quero ver essa boceta — insisto, e ela faz. Uso meus polegares para abri-la completamente, e me inclino, colocando minha boca em seu sexo. Seus dedos se prendem no meu cabelo e seus quadris se afastam da cama quando ela engasga. Doce, até mesmo entre as pernas, ela é doce. Eu a como, ouvindo-a gemer meu nome, em seguida, lentamente, empurro dois dedos dentro dela. Quando ela os aperta, eu gemo, afastando-me para olhá-la. — Quero sentir isso no meu pau, baby. Você precisa gozar para me dar o que eu quero. — Ok — diz ela, me puxando com a mão ainda no meu cabelo.


Eu sorrio para ela e me inclino, chupando seu clitóris, mantendo meus dedos firmes. Quando aperto seu clitóris e esfrego seu ponto G, ela goza, e mais de sua doçura enche minha boca. Beijo a parte interna da sua coxa enquanto ela cai contra a cama, e então me levanto, puxando meu jeans. Ela se ajoelha e, assim que meu pênis se solta, ela o envolve em sua mão quente e macia. — O que você está fazendo, baby? — assobio quando ela me acaricia da base às pontas. Ela não responde, o que ela faz é melhor. Seus lábios cheios se fecham em torno da ponta e ela se move, levando-me completamente em sua boca. — Porra. — Seguro seu cabelo e me vejo desaparecer enquanto ela usa a mão e a boca no ritmo perfeito. Seus olhos encontram os meus e corro meus dedos ao longo do seu rosto. — Você está linda assim. Linda com a boca cheia de mim. Ela geme ao meu redor, e a vibração envia um choque na minha espinha. — Por mais que eu queira assistir você me engolir, você terá que me mostrar isso em outra hora. Quando gozar, vou estar na sua boceta. Suas pupilas se dilatam e vejo sua mão desaparecer entre as pernas enquanto falo. Eu quase enlouqueço, quase gozo ali ante a visão dela gozando sozinha enquanto me leva até sua garganta. — Porra, você tem que parar, baby. — Minha cabeça cai para trás quando ela passa a língua sobre a ponta do meu pau. Ela não para; ela me suga mais e mais rápido. — Jesus — assobio, de alguma forma encontrando a força para afastar sua boca, o que é uma tortura. — Cobi. — Seus olhos encontram os meus, sua expressão é de excitada e frustrada. — Quieta. — Eu a viro e empurro seus ombros na cama, em seguida, movo entre suas pernas. Enfio minha mão entre suas coxas e a coloco sobre seu sexo encharcado enquanto minha outra mão envolve o meu pau. — Você me quer? Eu me inclino sobre ela e ela balança a cabeça, lambendo os lábios. Movendo minha mão, seguro seu quadril e deslizo para dentro dela lentamente. — Amo essa bunda — rosno enquanto minhas mãos vagam por seu traseiro, e ela geme. Eu sei o que ela quer, sei o que a deixa louca, mas não dou a ela imediatamente. Mantenho meus golpes lentos e deixo minhas mãos deslizarem em sua pele quente. Espero até que ela não esteja esperando, e dou um tapa em sua


bunda. Ela geme, seus espasmos na buceta e sua cabeça se voltam para trás. Deslizo minhas mãos sobre ela novamente e espero antes de bater na face oposta. A resposta é a mesma, só que desta vez sua buceta não dá apenas um espasmo, ela ondula e me puxa mais fundo. Minhas bolas ficam apertadas e minha coluna reta. Estou perto, tão perto. Eu quero ir, mas não quero gozar, só para poder continuar transando com ela. É como o céu e o inferno, e não consigo ter o suficiente. Eu me inclino sobre ela, envolvo meu braço sob seus seios e a coloco de joelhos. Uma vez que eu a tenho onde quero, eu seguro seu seio. — Se toque, baby. Então você e eu vamos nos unir. Ela não hesita. Ela desliza os dedos entre as pernas e sei o instante em que eles se movem sobre o clitóris, porque um gemido suave escapa de seus lábios. Eu movo minha boca para o pescoço dela e fodo com força. Quando ela começa a gozar, dou um último empurrão até o fundo dela e a deixo me puxar com ela. Eu gozo, mordendo sua carne macia enquanto as estrelas dançam na minha visão. Meu coração bate e minha respiração é pesada quando beijo seu pescoço sobre o lugar que eu acabei de morder. — Você está bem? — Eu acho que poderia gostar deste negócio de prática — diz ela, e eu rio. Ela vira a cabeça e seus olhos suaves encontram os meus. — Eu amo sua risada, e realmente adoro ouvir você enquanto ainda está dentro de mim. — Eu simplesmente amo estar dentro de você. — Esfrego minha bochecha contra a dela quando ela sorri, em seguida, movo meus olhos para seu ombro. — Eu te mordi. — Eu sei. — Ela inclina a cabeça para olhar a marca. — Pensei que ia gozar enquanto gozava quando você fez isso. — Ela sorri para mim, e eu rio mais uma vez. Porra, quando eu já ri tanto assim? Acho que nunca. Então, novamente, eu nunca conheci outra mulher como ela. Eu saio dela e a coloco em meus braços, caindo na cama com ela contra o meu peito, eu fecho os olhos. — Podemos tomar um banho? — pergunta ela, parecendo esperançosa, e eu sorrio.


— Sim, assim que eu consiga me mover para levantar. — Abro um olho para olhar para ela. — Você quase me matou. — Mentiroso. — Ela se inclina, beijando meu queixo, então começa a se afastar. — Aonde você vai? — Pego sua mão antes que ela possa sair. — Vou começar o banho. Volto já. Eu a libero então escuto o banho começar. Quando isso acontece, meu pau começa a ficar duro novamente, só de pensar no que fizemos da última vez que estivemos juntos no banho. Com esse pensamento, levanto-me e vou para o banheiro, e mais uma vez fazemos uma bagunça e encharcamos o chão. Não que eu possa encontrar em mim energia para me importar.

***

— Você tem certeza que realmente quer que eu vá junto com vocês? — pergunta Hadley ao telefone enquanto pega seu copo de suco de laranja e toma um gole. — Eu sei, mas não quero impor. Realmente, podemos planejar algo para outra hora. — Ela tenta novamente, e seus olhos encontram os meus. Quando sorrio e dou de ombros, ela solta um pequeno e frustrado bufo. Ela está no telefone há quinze minutos tentando escapar de sair com meus primos amanhã à noite. Ela também está falhando horrivelmente, principalmente porque está conversando com Willow, a irmã de Harmony. Willow nunca foi dissuadida quando quer alguma coisa, e ela quer que Hadley participe da família. Na verdade, toda a minha família quer, e é por isso que eles estão constantemente a convidando para almoçar ou tomar um café. Ela também teve minhas primas aqui algumas vezes desde que se mudou há duas semanas, e embora eu saiba que ela não está acostumada a ter uma família grande, eu sei que ela está gostando. — Ok, se você tiver certeza, então eu vou. — Ela olha para mim e seus olhos se arregalam com o que Willow está dizendo. — Uh... sim, tudo bem. Umm, não,


eu nunca estive em um. — Suas bochechas escurecem, e eu me pergunto a razão. — Você se importaria se eu convidasse Brie? Sabe, desde que ela vai se casar em poucos meses. Ótimo. Entendi, sete. Nos encontraremos com vocês no restaurante. Obrigada também. Vejo você então. — Ela desliga e abaixa a cabeça. — O que está acontecendo? — pergunto enquanto ela empurra seus ovos mexidos no prato, parecendo nervosa por algum motivo. — Oh, nada. — Suas bochechas ficam mais vermelhas, o que me deixa ainda mais curioso. — Por que você está ficando vermelha como você fica quando falo sobre sexo? — Não estou — nega, evitando olhar para mim. — Está. O que vocês farão? Seus

olhos

encontram

os

meus.

Aparentementevamosparaumclubedestripmasculino. — O quê? — Franzo a testa, não tendo ideia do que ela acabou de dizer, porque tudo estava confuso. — Vamos olhar para pênis. — Você acabou de dizer que vai olhar pênis? — questiono, sabendo que devo ter ouvido errado. Eu não ouvi. Ela começa a concordar. — Willow quer surpreender suas primas recém-casadas e comprometidas com uma visão de pênis. — Você está fodendo comigo — rosno, olhando para ela em descrença. — Vou convidar Brie. — Ela encolhe os ombros, dando uma mordida nos ovos, de repente parecendo totalmente bem com essa conversa. — Você não vai, então não, você não vai convidar Brie para qualquer lugar. — Eu disse a Willow que iria. Tentei sair disso, você ouviu, mas ela foi inflexível para que eu fosse. Então agora eu vou, e já que Brie se casará em breve, eu vou convidá-la para ver os pênis também.


— Você pode parar de dizer a palavra pênis? — Esfrego minhas mãos pelo meu rosto. Não posso acreditar nessa merda. — Como você quer que eu os chame? — ela sorri, e estreito meus olhos em sua boca. — Não quero que você chame de qualquer coisa. Por que eu achei que era uma boa ideia encorajar você a ser amiga das mulheres da minha família? — Não sei, mas foi ideia sua, então isso é basicamente tudo culpa sua. — Você não vai sair com elas — repito. — Sim, eu vou. — Não, você não vai, Hadley. — Ok, então, eu não vou. — Ela encolhe os ombros, pegando seu suco e tomando outro gole. Eu a estudo por um longo momento, tentando ler se ela está realmente concordando, mas seu rosto e seus olhos estão inexpressivos. — Você ainda vai, não é? — Sim. — Ela toma outro gole de seu copo, e o abaixa. — Além disso, os pênis são estranhos, então não ficarei olhando para eles. Assim, você não tem nada para se preocupar. E oi? — ela acena com a mão para mim. — Não preciso de um homem desde que eu tenho você. — Pênis são estranhos? — repito; preso em sua declaração anterior. — Você já olhou para o seu pênis? — pergunta ela, baixando os olhos brevemente para onde meu pênis está fora de vista, debaixo da mesa. — Não me entenda mal. É um ótimo pênis, o melhor do mundo, mas ainda é estranho. — Obrigado, baby — murmuro sarcasticamente. — A qualquer hora, querido. — Ela sorri. — Você não vai. — Eu soo como um disco quebrado. — Você continua dizendo isso como se tivesse uma palavra a dizer, quando não tem. Você não pode me dizer o que fazer.


— Você é minha, então sim, eu posso, porra. Ela inclina a cabeça para o lado e vejo as rodas girando. — Você já foi a um clube de strip? — Não, desde que estou com você. — Então, você já esteve em um? — Mais uma vez, não desde que estou com você — repito. Ela desliza para trás da ilha e se levanta. — Exatamente quão louco você estará comigo amanhã à noite quando eu chegar em casa? — Furioso — respondo, sentindo meu queixo enrijecer. — Isso funciona — diz ela, levando seu prato para a pia. — Funciona para você que eu ficarei chateado? — pergunto, incrédulo. — Não, mas estou curiosa sobre o sexo louco com você. — Ela sorri para mim por cima do ombro, e meu pau contorce-se atrás do meu zíper. — Posso te mostrar agora, já que estou perto de enlouquecer. — Tanto quanto eu quero essa experiência, tenho que começar a trabalhar — cantarola, indo em direção ao quarto. Quando ela está fora de vista, eu suspiro, pego meu telefone e envio algumas mensagens, esperando poder acabar com essa merda. Quando termino, deixo meu telefone no balcão e a sigo até o banheiro, onde a levo debruçada sobre a penteadeira. Não é sexo furioso, mas ainda é gostoso.


CAPÍTULO DEZESSEIS HADLEY — Há muitos pênis! — grito por cima da música alta, e todas as garotas olham para mim e começam a rir. — Sério, não posso olhar em qualquer lugar sem ver um. Por que eles têm que ser tão esquisitos? — Não é? — concorda December, e olho na direção dela, vendo que seu rosto está da mesma cor vermelha que o meu provavelmente está. — Não entendo nada disso. — Ela olha para o lado e se encolhe quando um dos caras encosta nela por trás. — Pare de ser tão puritana — grita sua irmã, April, e empurra um pouco de dinheiro na direção de um dos caras dançando por perto. Ele sorri para ela, tomando isso como um convite para empurrar seus quadris em sua direção. Quando ela não reconhece o empurrão, ele se move para outra mulher, que está muito ansiosa para tê-lo em seu espaço. Meu nariz enruga. — Não entendo. Eles são apenas caras, caras nus. Qual é o grande problema? — Olho em volta, tentando descobrir por que o rebuliço. A sala está cheia de mulheres, mulheres de diferentes idades, formas e raças. A única coisa que elas têm em comum é que estão ficando loucas. Algumas segurando


dinheiro, algumas jogando dinheiro no ar, a maioria delas gritando como se tivessem quatorze anos e esses caras fossem sua boy band favorita. — Não tente descobrir — diz Brie, e olho para vê-la tomando casualmente um gole de sua bebida. — Apenas aproveite o show pelo que é. — Estou um pouco desapontada — digo a ela, olhando em volta novamente, tentando evitar olhar para qualquer pênis – algo que é difícil de fazer, já que eles parecem estar em toda parte. — Isso nem é um show, quer dizer, no filme Magic Mike, os caras pelo menos fizeram um pouco de performance. Isso é apenas o caos dos pênis. — Sim — concorda, em seguida, pergunta: — Como estava Cobi quando você saiu de casa hoje à noite? — Louco, mas, novamente, ele está louco desde ontem — sorrio. — Embora eu meio que goste dele assim, então tem isso. — Eu aposto. — Ela sorri, e eu sorrio de volta. — Não sei se estou preparada para isso — afirma July, sentando ao lado de Brie e eu em nosso estande. — Você também, hein? — pergunta December. — Eu não queria nem vir, mas quando Wes disse que eu não estava permitida vir, tive que provar que ele não é meu chefe. — Ela olha em volta e se encolhe quando vê a ereção de um cara não muito longe de seu rosto. — Não acho que isso vale a briga que tenho certeza que Wes e eu teremos hoje à noite quando eu chegar em casa. Eu sinto por ela, porque tenho certeza que terei a mesma briga com Cobi. Só espero que o sexo raivoso com ele valha a pena. Quem estou enganando? Todo sexo com Cobi é incrível. — Isso é insano — diz Ashlyn, empurrando o caminho através de duas mulheres para chegar até nós, segurando uma garrafa de água na mão, que ela obviamente pegou do bar do outro lado da sala. — Sério, você acha que essas mulheres nunca viram um pau antes.


— Eu acho que o ponto é que elas precisam ver um pau. — April toca de cima de nós, e inclino a cabeça para olhar para ela. — Nem todo mundo aqui está transando regularmente como todas vocês. Tendo conhecido April algumas vezes, sua franqueza não me surpreende mais. É tão estranho ter conhecido toda a família de Cobi, o quão diferente eles são, e como aceitar todas essas diferenças. Como December e April sendo irmãs, mas não poderiam ser mais opostas. Onde December é reservada e tímida, April é agressiva e direta ao extremo, mas quando as vê interagindo você sabe que elas se amam. — Sério, eu acho que talvez precise ir embora. Estou começando a ficar claustrofóbica — afirma December, afastando-se de um dos caras quando ele começa a dançar perto dela. — E acho que já vi pênis suficientes hoje à noite para durar uma vida inteira. Na verdade, acho que posso precisar de terapia antes de olhar de bom grado para um pênis novamente. — Não me importo de sair daqui também — digo a December, e seus olhos se enchem de alívio. — Vocês não podem ir — afirma Willow – quem planejou todo esse fiasco – olhando para cada uma de nós. — Acabamos de chegar e ainda é cedo. — Não estamos longe do centro. E se pegarmos um táxi para a Broadway e pararmos em alguns dos bares? — sugiro, realmente esperando que todas digam sim. — Eu estou bem com isso — diz December, sorrindo para mim. — Oh, tudo bem — cede Willow. — Mas vou ver se meu amigo Curtis pode nos levar em uma bicicleta de festa9. — Você fala daquelas carroças que você tem que pedalar enquanto bebe? — peço confirmação, e ela balança a cabeça enquanto pega o telefone.

9


— Não sei se é uma boa ideia — diz July, e Willow desvia os olhos de seu telefone. — Por que não? — O que acontece quando todas nós ficarmos muito bêbadas para pedalar? — Não se preocupe com isso. Será divertido. — Famosas últimas palavras — insere Brie, e olho para ela, sorrindo. — Tudo pronto, Curtis tem uma bicicleta para nós. — Willow fica de pé. April, que não participou da conversa, franze a testa para nós enquanto todas estamos de pé. — Já estamos saindo? — Vamos para a Broadway. — Legal, então. — Ela nos conduz através da multidão e sai pela porta do clube. Quando saímos, pegamos dois táxis e seguimos para a Broadway. Depois disso, a noite é basicamente um borrão de fingimento de pedalar, beber demais e rir tanto que meu estômago dói.

***

Acordo levemente desorientada, e gemo quando ouço Cobi rir e sinto a cama se mover com o som. O que ele poderia pensar que é engraçado quando minha cabeça está latejando e meu estômago revirando, ninguém sabe. — Suponho que você não se sente tão bem. — Por favor, não fale. — Puxo o travesseiro sobre a minha cabeça para tentar bloqueá-lo, juntamente com a luz que entra pelas minhas pálpebras. — Você não se sentirá melhor até comer e tomar algo para a cabeça. Até mesmo a menção de comida faz meu estômago revirar. — Estou bem. Eu só preciso dormir. — São três da tarde. Você está dormindo desde que eu te peguei na noite passada e coloquei no meu carro.


Espere, o que? Não me lembro disso. Afasto o travesseiro e olho para ele. — Você me pegou ontem à noite? — Você ligou e disse que estava pronta para voltar para casa e fazer sexo furioso. Ok. Aparentemente, eu nunca deveria beber tanto, porque não me lembro de fazer isso. — Obrigada por me pegar. — A qualquer hora, baby. — Ele toca seus lábios nos meus. — Você parece bem — observo. — Você quer dizer que não pareço chateado? — pergunta ele com um sorriso, e eu aceno. — Não estou louco. Eu sei que vocês não ficaram no clube por muito tempo. Eu também sei que você se divertiu depois que saiu, então está tudo bem. Franzo a testa. — Você sabe que não ficamos muito tempo? Como você sabe disso? — Tenho meus caminhos. Minha carranca fica mais profunda. — Você nos seguiu? — Ele encolhe os ombros e eu me sento. — Sério? — Com as merdas que aconteceram recentemente, eu precisava ter certeza que você estava bem. — Mas nos seguindo? — Eu me intrometi? — Não, ele não se intrometeu, mas ainda assim ... — Não, eu deixei você fazer sua coisa e fiquei de olho em você, de longe. Você nem sabia que eu estava por perto. — Sua insanidade não conhece limites — sussurro, olhando em seus olhos. — Você é minha para proteger e cuidar. — Eu gosto de como você faz ser louco parece tão racional. — Reviro meus olhos, em seguida, cubro meu rosto quando a ação faz a minha cabeça doer.


— Vá para o chuveiro. Vou fazer algo para você comer e pegar algumas pílulas. — Ele beija o topo da minha cabeça e sai da cama. — Só para você saber, quando não estiver com vontade de morrer, continuaremos essa conversa. — Só para você saber, tudo que eu faço, louco ou não, é porque eu te amo, baby, com tudo que sou. Meu corpo esquenta e meu coração derrete. — Não seja doce quando estou aborrecida com você. — Tire sua bunda linda da cama para que eu possa te alimentar — ordena. Meus olhos se movem sobre ele e suspiro. Ele parece muito quente vestindo apenas um par de calças pretas e nada mais. Quero dizer algo atrevido em retorno, mas nada vem à minha mente, então eu apenas pego um dos travesseiros da cama ao meu lado e jogo na direção dele. Não chega nem perto de atingi-lo, e ele ri enquanto sai do quarto. Maxim vagueia pela porta aberta, e quando ele vê que estou sentada na cama, ele pula ao meu lado e lambe o meu rosto. — Ei, amigo. — Esfrego sua cabeça, e ele descansa seu peso contra mim, fazendo-me cair contra o colchão. Eu rio, empurrando-o para que eu possa levantar, e toda a sua metade inferior balança de excitação quando ele está na cama. — Preciso de um banho, carinha. Vamos brincar depois que eu sair. Ele solta um latido alto, então sai da cama e do quarto. Eu vou ao banheiro e direto para o chuveiro, ligando-o. Quando chego à pia para escovar os dentes, fico ofegante com a minha aparência. Pareço pronta para o Halloween. Meu cabelo está em pé, como se eu tivesse enfiado o meu dedo em uma tomada, meu delineador escorreu, sujando as minhas bochechas, meu rosto está pálido, e o batom vermelho que usei na noite passada está borrado. — Linda — bufo em descrença, pegando um pano para limpar o resíduo de maquiagem do meu rosto. — Ele é tão cheio disso. — Conversar consigo mesma é um sinal de instabilidade mental.


Pulo no lugar, e olho para Cobi encostado no batente da porta, me observando. — Apenas lembrando que você é realmente louco. — Por quê? — Ele contorce o lábio, cruzando os tornozelos e os braços, como se estivesse se preparando para um show. — Você não vê meu rosto? — Paro de esfregar para colocar minhas mãos em meus quadris. Seus olhos varrem meu cabelo, rosto, e depois a camiseta que ele obviamente colocou em mim na noite passada, e seus olhos estão mais escuros quando reencontram os meus. — O que? — Pareço pronta para pisar no set de The Walking Dead — indico o óbvio, levantando as mãos para acenar na direção do meu rosto. Ele encolhe os ombros. — Você ainda é linda. — E vejo que você ainda é louco. — Volto a esfregar enquanto pergunto: — Meu café da manhã está pronto? — Sim, está no microondas, então Maxim não irá comer — diz ele, levando as mãos à cintura de suas calças e chutando-as em direção ao armário. Minha boca instantaneamente está aguada com a vista dele completamente nu. — Você vai tomar banho comigo? — Eu sei que meu tom é esperançoso, assim como sei que meus mamilos estão duros e meu núcleo subitamente quente e molhado. — Sim. Yay! minha mente grita, minha dor de cabeça e náusea em nenhum lugar à vista. Seu olhar aquece junto ao meu, então ele amaldiçoa sob sua respiração e olha para longe, empurrando os dedos pelos cabelos. — Tanto quanto eu quero o que você está oferecendo, baby, eu preciso ir trabalhar. — Não. — Faço beicinho como uma criança que foi forçada a passar pelo corredor de doces na mercearia e não pegar nada. — Sério?


— Eu vou fazer as pazes com você. — Ele vem em minha direção, pegando o pano com o qual estou limpando o rosto e jogando-o no balcão. Então, com as mãos nos meus quadris, ele me leva ao chuveiro, tirando minha camisa. Ele abre a porta do chuveiro, e assim que estamos lá dentro, sua boca cobre a minha e seus dedos deslizam entre as minhas pernas. Como sempre faz, ele cuida de mim, o que significa que quando ele me deixa no chuveiro para se arrumar para o trabalho, eu tive dois grandes orgasmos e ainda tenho um sorriso no rosto.


CAPÍTULO DEZESSETE HADLEY Sentada na minha mesa na manhã de segunda-feira, olho para o monitor do meu computador, incrédula, em seguida, pego meu telefone e o coloco no ouvido. Ligo para o meu chefe, não Marian. Ligo para o atual dono da Giving Hearts, Scott Rosenblum. Toca e cai no correio de voz, e deixo uma mensagem curta com o meu nome, pedindo que ele me ligue assim que tiver tempo para conversar. Quando coloco o telefone no suporte, esfrego a ponta do nariz. Na última sexta-feira, recebi um telefonema de outra das minhas famílias que teve os fundos perdidos. Fundos que planejavam usar para ajudar nas taxas de natação de seus filhos. Sabendo que Marian me daria a mesma reação, enviei outra carta para a empresa que cuida da contabilidade e, nesta manhã, estou vendo quase a mesma resposta que recebi antes. Cara senhorita Emmerson Nossos registros indicam que o Número de verificação 2341 no valor de US $ 222,45 foi depositado diretamente no dia 14 de outubro. Por favor, deixe-nos saber se podemos ajudá-la ainda mais.


Até a próxima. Esta situação está realmente começando a me frustrar, e posso sentir no meu íntimo que algo está errado. Olho para o relógio na parede do outro lado da sala e me afasto da escrivaninha, abrindo a gaveta onde guardo minha bolsa. Preciso estar do outro lado da cidade em vinte minutos, o que significa que preciso sair agora. Felizmente, quando deixei uma mensagem para Scott, também lhe dei o número do meu celular, e espero que ele me ligue, caso não me encontre no escritório. Fecho o computador, pego a minha bolsa e vou para o carro, dizendo adeus a alguns colegas de trabalho quando saio. Chego aos McKays e estaciono na garagem deles, e assim que abro a porta, ouço crianças rindo e gritando. Eu saio e bato minha porta, enfiando meu caderno e pasta na bolsa. É uma segunda-feira, mas a maioria das escolas está nas férias de outono, então o som de crianças sendo crianças não é uma surpresa. Quando chego à porta da frente, e antes que tenha a chance de bater, ela se abre e Liz sorri para mim. — Estamos na cozinha fazendo biscoitos. — Seu sorriso ilumina os olhos, e um pouco da tensão nos meus ombros se dissipa ao vê-la feliz e não com o coração partido pelo pai. Eu a sigo para a casa de tijolos de dois andares, olhando em volta enquanto ela sai pulando. Largo a bolsa no banco perto da porta da frente, coberta de mochilas, sapatos e parafernália de crianças, e então tiro meu casaco, pendurando-o em um dos poucos ganchos que não estão ocupados. Tendo estado aqui antes, sei que, embora haja uma confusão na mesa de café da sala de estar, correspondência não aberta na mesa de entrada, e poeira se acumulando em algumas das superfícies não utilizadas, as coisas que realmente importam estão no lugar; organizado, feliz, saudável e limpo. Esta é a casa de uma família com filhos. Uma família que gosta de passar mais tempo juntos do que se certificar de que tudo está perfeito e no lugar. Quando chego à cozinha e vejo todas as crianças reunidas lá, alívio e alegria me tomam.


— Se você for rápida, pode conseguir um biscoito — diz Sarah McKay, sorrindo enquanto usa uma espátula para tirar os biscoitos recém-assados da assadeira. Com outra família, eu poderia pensar que este momento foi encenado, mas com Sarah, eu sei que não, esta é a vida dela. É quem ela é, o tipo de mãe que ela é. — Obrigada. — Pego um biscoito quando Eric estende um para mim e dou uma mordida. — Como tem sido as coisas? — pergunto após mastigar e engolir. — Loucas como sempre — responde Sarah com um sorriso. Então ela olha para as crianças na cozinha. — Hora da conversa dos adultos, pessoal. Peguem um biscoito e vão para fora por um tempo. — Todas as crianças gemem, mas saem, pegando os biscoitos no caminho. Quando a porta se fecha, Sarah tira os olhos da porta e olha para mim. — Eles estão felizes. Sei que isso está em sua mente, mas eu juro que eles estão felizes aqui. — Ela afasta os olhos, pegando a assadeira e colocando-a na pia, ela a enche de água antes de olhar para mim. — No começo, as coisas foram um pouco confusas, depois que descobriram que o pai delas não voltaria por um tempo, mas ambos se estabeleceram e estão aceitando as coisas. Alívio me atinge com força, e me sento em um dos banquinhos ao redor da ilha da cozinha. O Sr. Shelp ficará preso por alguns anos, cinco para ser exato, e tem sido difícil pensar que seus filhos podem ter problemas com o novo normal, mesmo sabendo que estão melhores agora do que quando estavam sob a supervisão dele. — Fico feliz em ouvir isso — digo baixinho. — Eles são ótimos filhos, crianças doces. — Ela puxa uma respiração. — Eu sei que eles sentem falta do pai, mas ambos estão bem, por enquanto. — Fico feliz em ouvir isso. — Minha resposta é instantânea. — Se as coisas mudarem... — Você sabe que eu ligarei para você. — Ela me interrompe. — Por enquanto, eles estão bem. Estão se acomodando. — Obrigada. Eu queria... — pego a mão dela no balcão entre nós. — Eu gostaria que houvesse mais pessoas como você no mundo. Você pode não saber, mas está fazendo a diferença.


Seu rosto suaviza. — Tudo que eu sempre quis foi uma grande família. Toda e qualquer criança que vem à nossa casa me dá um pedacinho do meu sonho, não importa se ficam um mês ou para sempre. Sim, eu realmente queria que mais pessoas fossem como os McKays. Pessoas que são apenas boas pessoas, que estão dispostas a dar às crianças um lugar caloroso e seguro quando elas mais precisam. Após conversar e passar algum tempo com cada uma das crianças, eu preencho minhas anotações e agendo outra visita. Depois que saio e entro no meu carro, eu verifico meu telefone, que estava no silencioso enquanto eu estava dentro da casa. Vejo uma chamada perdida de Scott, então eu ligo e ele atende no terceiro toque. Enquanto dirijo para o escritório, digo a ele o que aconteceu na sexta-feira e sobre o e-mail que recebi hoje. Quando ele parece não ter ideia do que estou falando, menciono Marcus e o dinheiro perdido. — Por que Marian não me informou dessa situação? Com a pergunta dele, meu estômago se aperta. — Perdão? — Por que não fui informado dessa situação, até agora? — A pergunta é dura e, para não sair do caminho, preciso parar em uma das ruas laterais e estacionar. — Eu estava com a impressão que você sabia sobre esses problemas. — Bile rasteja até a parte de trás da minha garganta. — Marian me disse que estava trabalhando com você para descobrir quem é o responsável, já que esta não é a primeira vez que os fundos não são contabilizados. — Bom Senhor. — Ele parece preocupado, na verdade... Assustado. — Vou ter que ligar depois. Preciso descobrir o que diabos está acontecendo. — Ok — digo baixinho. Olho além do parabrisa por um longo tempo, tentando descobrir o que estou sentindo, o que farei. Eu deveria saber que não podia confiar em Marian. Deveria ter questionado o que ela estava dizendo no momento em que a vi no meu escritório, e certamente deveria ter feito mais pesquisas depois que Reggie me ligou para contar sobre o dinheiro de Marcus. — Como diabos ela está recebendo o dinheiro? — Isso, eu não sei.


Quando volto ao escritório, o estacionamento está vazio, então sei que todo mundo saiu. Uso minha chave e deixo a porta destrancada para qualquer outra pessoa que voltar. Assim que entro e chego à minha mesa, ligo o computador. Pesquiso todos os meus arquivos, procurando exatamente o que, não tenho ideia, mas deve haver algo que eu esteja perdendo, alguma razão pela qual Marian estava na minha mesa, usando meu computador. Estou tão absorta no que estou fazendo que quando meu celular toca, pulo de susto. — Onde você está? — esbraveja Cobi no meu ouvido antes mesmo de eu ter a chance de dizer olá. — No escritório. Por quê? O que está acontecendo? — Preocupo-me que algo aconteceu com alguém da família dele, e isso me deixa nauseada. — Porra — corta ele, e sinto sua raiva como um toque físico, mesmo através do telefone. — O que aconteceu? Está todo mundo bem? — Você está sozinha? Minha frequência cardíaca dispara com a pergunta dele, e olho para o escritório principal através das janelas de vidro, vendo que ainda está vazio. Ou pelo menos, eu acho que está. A porta de Marian está fechada e as persianas estão fechadas, e não consigo ver a cozinha. — Acho que sim, mas não consigo ver a cozinha ou o escritório de Marian, — digo, e ele repete o que acabei de contar. Por que ele está repetindo o que acabei de dizer? — Onde no escritório você está exatamente? — Estou na minha sala. — Minha voz treme. — Você tem um armário ou um banheiro aí? — Cobi, você está me assustando. O que está acontecendo? — sussurro, minhas mãos começando a tremer junto com a minha voz. — Explicarei em um segundo. Neste momento, preciso que responda a minha pergunta.


— Não, não há armário ou banheiro. — Eu o escuto repetir o que acabei de dizer novamente. O que está acontecendo? — Quero que você vá para debaixo da mesa e puxe a cadeira quando estiver debaixo dela. — Cobi... — Faça agora, baby. Tudo ficará bem, mas preciso que você me escute. Eu me agacho embaixo da minha mesa e puxo a cadeira. Assim que estou totalmente sentada no chão, tento respirar, mas percebo que não posso. — Respire, apenas respire. Tudo ficará bem. — Suas palavras suaves aliviam um pouco da tensão nos meus pulmões. — Que ótimo — chiei. Posso ouvir sirenes pelo telefone. — Meu tenente recebeu um telefonema do dono da Giving Hearts há pouco tempo, junto com a papelada provando que sua chefe, Marian, tem entrado em contas de clientes e mudando as informações de depósito para as dela. — Bem, isso responde como ela está recebendo o dinheiro. Meus olhos se fecham. — Estamos a caminho para prendê-la. — Oh meu Deus. — Apenas fique parada. Não temos motivos para acreditar que ela esteja armada, mas não vou me arriscar. O alívio facilita minha respiração e dou algumas respirações muito necessárias. — Não acho que ela esteja aqui — afirmo em voz baixa. — O carro dela não estava no estacionamento quando voltei da casa dos meus clientes e o prédio estava trancado. Usei minha chave para entrar. — Isso é bom, baby, mas não saia de onde está — diz ele, logo quando eu ouço uma voz familiar no escritório exterior. — Brie está aqui. — Empurro a cadeira sem pensar e saio de debaixo da mesa. Posso ouvir Cobi gritando para eu ficar no celular, mas ignoro meu telefone quando ele cai da minha mão quando eu corro para onde vejo Brie desaparecendo na cozinha. — Hey. — Ela sorri para mim, e vejo que ela tem o celular no ouvido.


— Venha. — Pego a mão dela antes de me virar e começar a puxá-la para o meu escritório. — Ken, eu volto a ligar. Algo está acontecendo com Hadley. Sim, também te amo. — Ela deve ter desligado, porque me força a parar. — O que está acontecendo? — Não tenho tempo para explicar. Agora, eu só preciso que você venha para debaixo da minha mesa comigo. — Hadley. — Sua voz está cheia de preocupação. — Agora, Brie. — Olho para ela e giro quando ouço a porta do escritório principal se abrir. — Você ligou para Scott — afirma Marian quando a porta se fecha atrás dela. — Marian. — Eu me coloco na frente de Brie e começo a empurrá-la. — A polícia está a caminho. — O que? — Brie ofega atrás de mim. — Eles não estão a caminho. Eles estão do lado de fora — Marian vira a maçaneta da porta. Eu olho para ela e para a porta de vidro, mas não vejo nada do lado de fora. — Se você sabe disso, então o que está fazendo? — questiono, observando-a vasculhar sua bolsa. — Ainda não sei, só sei que não vou para a cadeia. — Quando retira a mão, ela está segurando um estojo de couro em forma de uma arma. Eu vejo que é uma arma quando ela solta um fecho, soltando o revólver rosa de seu suporte. — Então você vai atirar em nós? — Minha voz está cheia de descrença e medo. Brie vem para o meu lado, segura a minha mão e diz baixinho. — Marian, você precisa guardar isso antes de fazer algo que você vai se arrepender. — Ela deveria ter apenas mantido o nariz onde pertencia. — Ela empurra Brie, então olha para mim. — Marian, por favor.


— Cale a boca, cale a boca! Preciso pensar. — Ela acena a arma para nós, e Brie e eu nos apertamos uma a outra. — Não pode ser tão ruim assim. O que quer que você tenha feito, não vale a pena machucar ninguém — diz Brie calmamente. — Você tem alguma ideia de quantos anos eu vou pegar por roubar mais de quinhentos mil dólares? — sussurra, e meus olhos se arregalam. — Puta merda — suspira Brie. Ouço meu celular tocar e olho em direção ao meu escritório, onde deixei cair na minha pressa para chegar a Brie. Lágrimas queimam a parte de trás da minha garganta. Eu sei que Cobi está me ligando, sei que ele provavelmente está furioso, não o escutei e estou com medo agora. — Por que você não pode se importar com seu próprio negócio? — Sei que ela está falando comigo, embora esteja olhando para o chão enquanto anda. — Eu estava tão perto. Tão perto de fugir, de desaparecer. Ela para, e seus olhos cheios de raiva pousam em mim. Quando ela levanta a arma em sua mão, estrelas começam a encher minha visão e meus pulmões ficam apertados. — Isto é tudo culpa sua. Congelada, tudo que posso fazer é olhar para ela. — Não faça isso. — Meus lábios se movem para dizer mais, mas nenhum som sai. Uso a mão de Brie ainda na minha para empurrá-la para o chão quando ouço o clique do gatilho sendo puxado e um som alto de estalo. O caos entra em erupção quando alcançamos o chão. O som de vidro quebrando, outro tiro e pessoas gritando. — Hadley! Cobi? Pisco para o rosto dele acima do meu. — Porra, amor. Jesus. — Ele me puxa contra seu peito e me abraça com tanta força que é difícil respirar. — Brie? — Olho em volta em pânico. — Ela está bem.


— Eu estou bem! — Meus olhos pousam sobre ela e fecham quando vejo que ela não tem um fio de cabelo fora do lugar. — Baby. — Cobi segura o meu queixo, e meus olhos se abrem para encontrar os seus cheios de agitação. — Estou bem. — Respiro fundo e repito: — Estou bem — antes de começar a chorar e me segurar nele, empurrando meu rosto em seu pescoço.


CAPÍTULO DEZOITO HADLEY Vejo Cobi conversando no telefone a poucos metros de distância, vestindo uma térmica cinza escura, jeans e botas, com seu distintivo preso ao cinto. Ele não se barbeou em um par de dias, e a barba crescendo em suas bochechas e queixo faz com que ele pareça ainda mais bonito do que seu belo normal. Quando o vejo sorrir para algo que a mãe dele diz, o calor e a felicidade irradiam dentro de mim. Já faz seis meses desde que ele ignorou as ordens e atravessou a porta de vidro do meu escritório para me pegar quando viu a arma de Marian em mim. Marian foi baleada não por Cobi, mas por Frank. A ferida no ombro foi ruim o suficiente para precisar de cirurgia, mas depois de uma semana no hospital, ela foi transferida para a cadeia, onde ficará por muito tempo. Surpreendentemente, não fui eu que tive pesadelos depois de tudo o que aconteceu. Durante semanas, Cobi acordava suando frio ou gritava comigo enquanto dormia. Matou-me vê-lo sofrendo assim, mas felizmente, com o tempo e falando sobre as coisas, os pesadelos foram embora. Ainda assim, sinto seus olhos em mim o tempo todo, como se achasse que eu poderia desaparecer – algo que só piorou nos últimos três meses, desde que eu descobri que estava grávida.


Não, não planejamos ter um bebê, e pessoalmente, eu teria preferido me casar com ele antes de engravidarmos, mas aparentemente o controle de natalidade é realmente apenas noventa e nove por cento efetivo. Não que eu esteja reclamando. Na verdade, estou animada para começar uma família com ele, mas agora, esse grande casamento que Cobi mencionou está em andamento, porque ele se recusou a me deixar adiar o casamento até que nossa filha nasça. Ele não quer que eu mostre a barriga sem ter o sobrenome dele, e estou bem com isso. Meus olhos caem para a tigela de massa de brownie que estou misturando e para o meu anel de noivado, um anel que Cobi colocou no meu dedo dois dias antes de descobrirmos que teríamos uma garota. Meu solitário não tão simples, seriamente exagerado, anel de diamantes de três e meio quilates tirou o meu fôlego quando Cobi o deslizou no meu dedo na casa de seus pais, onde convidara sua família, Brie e Kenyon para todos comemorarem com a gente depois que ele me pediu para ser sua esposa. — O que você está fazendo? Inclino a cabeça para o lado para olhar para ele enquanto ele desliza a mão sobre o meu estômago ligeiramente inchado, onde a nossa menina está crescendo. — Não estou certa — respondo, afastando meu olhar e pegando massa de brownie sobre a camada de biscoitos esmagados com manteiga derretida que pressionei no fundo da panela. — Eu queria tentar algo novo. — Ele descansa o queixo no meu ombro e observa. — Depois que terminar aqui, eu vou adicionar manteiga de amendoim e marshmallows e assar novamente. — Parece bom. — Ele beija meu pescoço. Eu tremo e meus mamilos se arrepiam em resposta. — Espero que fique gostoso. — Luto para segurar um gemido quando a mão dele vem em torno do meu peito sensível e seus lábios roçam atrás da minha orelha. — Preciso colocá-lo no forno — ofego, mas ainda pressiono minha bunda em seu comprimento enquanto ele se esfrega contra mim. Ele tira a panela do balcão e abre o forno, jogando-o lá dentro antes de fechar a porta. — Feito — diz ele, e eu rio quando ele me vira e me levanta, me colocando no balcão. Ele afasta minhas pernas, colocando seus quadris entre os meus, em


seguida, agarra o meu cabelo e inclina minha cabeça até que nossos olhos se encontrem. — Eu te amo. — Eu também te amo. — Minhas palavras terminam contra seus lábios quando ele me beija. Deslizo minhas mãos para cima e sob sua camisa, sentindo sua pele quente sobre os músculos tensos. Continuo empurrando sua camisa até que ele se afasta e a tira. No momento em que ele tira a minha e o meu sutiã, eu já estou mais do que excitada. Eu me atrapalho com seu cinto enquanto suas mãos vão para a minha cintura e ele agarra minhas leggings, puxando-as pelos meus quadris e jogando-as no chão junto com a minha calcinha. Quase choro de alívio quando ele afasta minhas mãos, solta seu cinto e puxa seu pênis para fora. — Bunda na borda, e abra, baby. — Ele segura meu quadril com uma mão, a outra ao redor de seu comprimento, acariciando quando chego mais perto da borda. Quando estou onde ele quer, eu agarro seu bíceps e seus olhos caem entre as minhas pernas. Ele observa enquanto desliza a ponta sobre o meu clitóris e sai, de novo e de novo, a sensação é uma tortura. — Cobi. — Ele levanta a cabeça e nossos olhos se encontram. — Por favor. — Minha respiração sai em um whoosh. Minhas mãos deixam seu bíceps e deslizam para o balcão atrás de mim, a fim de me segurar enquanto ele finalmente me dá o que eu quero, me preenchendo em um longo golpe. — É isso que você quer? — aceno; incapaz de falar enquanto ele sai lentamente, em seguida, entra de novo. Levanto minhas pernas e envolvo-as em torno de suas costas, mantendo-o perto enquanto minha cabeça cai para os meus ombros. — Juro, sua buceta é tão quente que vai me queimar vivo um dia desses — rosna ele, deixando o meu quadril e deslizando o polegar sobre o meu clitóris, fazendo-me saltar com mais uma estimulação. Desde que fiquei grávida, não é preciso muito para ter um orgasmo. É como se todas as minhas terminações nervosas estivessem mais perto da superfície e um toque pudesse me mandar para a borda. — Demais. — Tranco meus olhos com os dele. — É demais. — Meu núcleo aperta quase dolorosamente ao redor de seu comprimento, mas ele não relaxa, ele continua apertando meu clitóris enquanto bate no meu ponto G a cada golpe


profundo. — Oh! — Meus braços caem e minhas costas pousam contra o balcão quando eu gozo. Sinto suas mãos envolverem a parte interna das minhas coxas, mantendome aberta, usando-as para me puxar em seu impulso. Meu corpo treme e seus golpes se tornam desiguais antes de entrar profundamente, segurando seus quadris contra os meus quando ele goza. Quando desce a testa no meu peito, eu deslizo meus dedos em seus cabelos e sorrio quando ele beija entre meus seios. — Juro, desde que você engravidou, sua buceta está mais quente, mais úmida e mais firme. — Inclino meus olhos para olhar para o topo de sua cabeça. — Tenho que lutar contra mim mesmo para não gozar em você no momento em que deslizo dentro de você, e você quase me mata toda vez que goza e me aperta com força. Posso simplesmente mantê-la acordada para sempre — diz ele, e uso minhas mãos ainda em seu cabelo para forçá-lo a olhar para mim. — Você está dizendo que não foi bom antes de eu engravidar? — É sempre bom entre nós, baby, mas se você sentisse o que sinto, entenderia o que estou dizendo. — Ele beija meu peito. — Infelizmente, você não pode sentir, mas confie em mim, é realmente muito bom e seriamente gostoso. — Que seja. Eu sei que minhas bochechas estão rosadas quando seus olhos vagam pelo meu rosto e ele balança a cabeça. — É diferente para você agora também. Você está pronta para gozar no momento em que consegue o meu pau. — Talvez você devesse parar de falar agora — sugiro, e ele me puxa para frente. O movimento repentino com ele ainda dentro de mim faz minhas paredes o apertarem com força, e minhas mãos voam para seu peito para me firmar conforme ondas de choque rolam pelo meu sistema. — Você estava dizendo? — Ele sorri. — Não seja chato quando acabei de ter um orgasmo — digo, e ele ri, lentamente afastando seus quadris dos meus. Eu gemo com a perda dele, e em seguida envolvo minhas pernas e braços ao redor dele quando ele me pega.


— Vou te dar um orgasmo de conciliação no chuveiro — diz ele, carregandome através do quarto e no banheiro. — Não tenho tempo para um orgasmo de conciliação. Eu tenho brownies no forno — lembro a ele, e meu estômago ronca. — Serei rápido. — Ele me coloca no chão e estreito meus olhos nele. — Quando você já foi rápido? — pergunto, enquanto ele estende a mão para ligar o chuveiro. — A última vez que você me disse que seria rápido, ficamos uma hora atrasados para a casa dos seus pais. — Baby — é tudo o que ele diz, com um sorriso. Reviro meus olhos. — É verdade. Você não sabe como ser rápido. — Ok, então você será rápida, e poderá fazer as pazes comigo depois. — Como meu orgasmo de conciliação se transformou em eu fazendo as pazes com você? — pergunto, e então perco minha linha de pensamento, porque ele me distrai com as mãos e a boca. Como prometido, ele me faz gozar rapidamente, e não apenas uma vez, mas duas vezes. Eu saio do chuveiro bem a tempo de tirar meus brownies do forno, e depois de adicionar a manteiga de amendoim e os marshmallows, nós comemos a sobremesa nus na cama, e foi delicioso.

COBI Estendo a mão para Hadley, e quando não a sinto na cama comigo, meus olhos se abrem para contemplar a escuridão. Eu me levanto em um cotovelo e olho em direção ao banheiro. Está escuro e as luzes apagadas, então ela não está lá. Eu me sento, jogando as cobertas para trás, vou até a beirada da cama e fico em pé. Puxo uma calça de dormir e saio do quarto. Quando chego à sala de estar e não a vejo lá ou na cozinha, eu sei exatamente onde ela está. Em um lugar que ela tem passado mais e mais tempo nos últimos


meses.

Vou

para

a

porta

do

que

costumava

ser

a

minha

sala

de

ginástica/principalmente sala de tranqueira e me encosto ao batente da porta. Ela está sentada no chão, no meio do quarto vazio, com um livro no colo, rabiscando enquanto Maxim dorme ao lado da pilha de caixas contendo o berço e o trocador que ainda preciso montar. Eu a estudo em silêncio por um momento, algo que costumo fazer muito, como se precisasse lembrar que ela é real, que é minha, e que eu a tenho para o resto da minha vida. — Não sou um grande fã de acordar sem você na cama comigo. Ela levanta a cabeça ao som da minha voz, e no instante em que seus olhos encontram os meus, fico impressionado com o quanto vejo de amor brilhando para mim. — Desculpe. — Ela sorri, encolhendo os ombros. — Não consegui dormir, então me levantei, e de alguma forma terminei aqui, escrevendo no meu diário. — Você deveria ter me acordado. — Você precisa dormir. — Ela fecha o livro e depois o coloca de lado. — Desde que você está aqui, se importa de me ajudar? Eu me afasto da porta e vou até ela, segurando suas mãos. Eu a puxo contra mim e beijo o topo de sua cabeça. — O que você adicionou ao seu diário desta vez? — Apenas coisas sobre como me sinto, o que desejo, coisas assim. — Enquanto ela fala, eu movo minhas mãos de seus quadris e as coloco sobre seu estômago. A camisola que ela está vestindo é uma de antes de engravidar, então o algodão macio está esticado sobre os seios e a barriga de grávida, a qual está ficando mais perceptível a cada dia. — Você está nervosa sobre amanhã? — Levanto o meu olhar para o dela. — Você fala de todo o casamento que você está fazendo? Não. Seus olhos procuram os meus. — Por que, você está nervoso sobre amanhã? — Não sou eu que não conseguia dormir — lembro a ela gentilmente. Ela ri. — Sua filha pode ser do tamanho de um abacate, mas eu juro que ela está sentada na minha bexiga. Eu me levantei para fazer xixi oito vezes antes de


finalmente desistir de dormir e entrar aqui. — Ela acena com a mão, e sigo o movimento com os olhos. — Após voltarmos da nossa lua de mel, papai e eu pintaremos, arrumaremos a mobília, e vamos colocar uma cadeira para que você não fique sentada no chão. — Eu gosto daqui. — Ela mastiga o interior de sua bochecha. — Eu sei que é estranho, mas me sinto perto dela quando estou aqui. Mesmo com o vazio, sintome mais perto dela. — Não ficará vazio por muito tempo. Antes que perceba, ela estará aqui. — Eu sei. — Ela boceja. — Vamos para a cama. Você tem negócios importantes para cuidar amanhã, então precisa descansar. Ela bufa. — Entre sua mãe e Brie, eu não conseguirei levantar um dedo. Disseram-me que meu único trabalho é aparecer e ficar bonita. — Eu amo o jeito que elas pensam. — Eu a balanço em meus braços e a levo ao quarto. Assim que eu a coloco na cama, deito com ela e enrolo meu corpo ao redor do dela, descansando minha mão sobre a nossa filha. — Você está animado? — pergunta ela enquanto beijo seu ombro nu, e ela coloca seus dedos nos meus descansando sobre seu estômago. — Sobre casar com você? Sim. — Não, sobre a nossa filha — corrige ela suavemente, e sorrio contra sua pele. Quando ela me disse que estava grávida, fiquei chocado, mas sabia que havia um plano em ação que era maior do que ela ou eu. Não vou mentir, eu gostaria que tivéssemos um pouco mais de tempo só nós dois, porque sou egoísta quando se trata dela, mas estou ansioso para me tornar pai. Estou animado por ter uma menina, embora esteja um pouco nervoso sobre o que isso significa para o meu futuro. Meus pais e família também estão animados conosco e ansiosos para acrescentar outro bebê à nossa crescente família, e minha irmã planeja ficar aqui por um mês após o parto, para passar algum tempo com sua sobrinha e com a nova cunhada.


— Você está? — A mão dela apertando a minha me lembra de sua pergunta. — Não posso esperar para conhecê-la. Não posso esperar para ver você como mãe, e estou ansioso para o nosso futuro juntos, vendo nossa família crescer. Então sim, estou animado. Eu a escuto bocejar novamente e rio quando ela geme alto. — Já volto. — Ela sai da cama e corre para o banheiro. Quando não a ouço vomitando – algo que acontece de vez em quando – eu relaxo. A água liga e desliga e, um momento depois, ela volta e deita na cama, enrolando-se em volta de mim. — Boa noite, baby — sussurro para o topo de sua cabeça. Ela não responde, porque já está adormecida. Com uma mão apoiada em seu estômago, a outra em suas costas, adormeço com todo o meu mundo ao meu alcance.

DECEMBER Observo o casal feliz entrar no salão de festas, junto com todos os outros, e sorrio quando meu primo ergue a mão de sua nova esposa no ar, com um grande sorriso antes de girá-la para encará-lo. Quando ele a tem onde quer, ele a inclina e a beija. Todos aplaudem e riem, inclusive eu. Estou feliz por ele, mas, mais feliz por Hadley. Nos últimos meses, nos aproximamos muito e sei do passado dela e ela merece ser feliz, mais do que a maioria das pessoas. — Eu me pergunto quem é o próximo — diz minha irmã April, e olho para ela, me sentindo carrancuda. — O que? — Eu me pergunto quem é o próximo. Você sabe, a próxima pessoa que vai se apaixonar. Parece estar acontecendo em um ritmo alarmante. — Ela toma um gole da cerveja e olha ao redor. — Não estou dizendo isso. Não tenho vontade de ser alvejada ou sequestrada apenas para encontrar o amor. — Você é tão dramática. — Balanço a cabeça para ela.


— Sou? Ok, ela não é. Parece haver algo quando se trata de alguém com o sobrenome Mayson se apaixonando. Mas ainda assim. — Você vai beber? — pergunta ela, mudando de assunto e estudando o copo de água na minha mão. — Provavelmente não. — Eu me movo para uma das mesas colocadas em torno da pista de dança e me sento, sorrindo para algumas pessoas que eu conheço que já estão sentadas. — Bom, você será minha cuidadora da noite — diz ela, sentada na cadeira ao lado da minha. — Ótimo — suspiro, não realmente ansiosa para cuidar dela a noite toda, garantindo que ela não faça nada estúpido. Eu amo minha irmã, mas ela tende a forçar os limites da estupidez. — Quem é aquele? Olho na direção em que seus olhos estão apontados e o mundo ao meu redor parece parar. Do outro lado da sala, conversando com meu primo Sage e o marido de Brie, Kenyon, está um cara. Não apenas um cara, mas o cara mais lindo que eu já vi na minha vida. Ele é alto, mais alto que Sage, e quase tão alto quanto Kenyon, que é praticamente um gigante comparado a todos. Seu cabelo castanho escuro é mais longo no topo e cortado curto nas laterais. Ele está de perfil, então não posso ver todo o seu rosto, mas sua mandíbula, coberta por uma barba de aparência rude, afiada na borda e de linhas retas. Ele tem tatuagens espreitando acima da borda da camisa e colarinho, e mais em seus antebraços grossos, pelo que eu posso ver onde suas mangas estão enroladas até os cotovelos. Seus braços são tão grandes que duvido que pudesse envolver minhas duas mãos em torno de um dos seus bíceps. Quando ele vira seu corpo em minha direção e sorri para algo que Sage diz, minha respiração acelera. Eu pensei que ele era bonito de perfil, mas estava errada. De frente, seu olhar é cativante e misterioso, com sobrancelhas grossas sobre seus olhos escuros e lábios cheios cercados pela barba.


— Quem quer que seja, vou levá-lo para casa esta noite — diz minha irmã, e meu estômago se aperta. — Deus, ele é gostoso. Não posso esperar. Engulo o súbito e inesperado ciúme que estou sentindo e realmente queria não ter concordado em cuidar dela, porque não apenas preciso de uma bebida, eu preciso de uma garrafa inteira de tequila agora. — Não faça nada estúpido — assobio, cortando-a e pegando seu olhar. — Transar não é estúpido. Você saberia disso se realmente tentasse. Mordo minha língua para me impedir de dizer algo malvado, em seguida, olhe ao redor procurando um lugar para escapar. A placa do banheiro é como uma luz de neon piscando chamando minha atenção. Eu levanto. — Já volto — murmuro, antes de sair correndo com a cabeça baixa e meu coração alojado na garganta. Desde que cresci, minhas irmãs e eu tivemos uma regra. Se uma de nós gosta de um cara, ele está completamente fora dos limites, mesmo que ele não esteja interessado em quem quer que tenha uma queda por ele. Essa regra nos salvou em mais de uma ocasião, mas agora eu queria que essa regra estúpida não existisse. Quando chego ao banheiro, vou a uma das cabines e fico ali tentando me controlar. Eu sei que April provavelmente já fez um movimento para conversar com quem quer que ele seja, e sei, sem dúvida, que ele estará interessado, porque eu nunca conheci um cara que não esteja interessado nela. Ela é linda, engraçada e extrovertida – três coisas que não sou. Eu sou fofa o suficiente, posso ser engraçada quando estou com meus amigos ou família, mas leva tempo para eu me acostumar com pessoas que não conheço. Também sou o oposto de extrovertida. Prefiro livros e tenho preguiça de sair e ter aventuras. Sempre fui assim. Após saber que não farei algo louco como dar um soco na cara da minha irmã, eu saio do banheiro e começo a ir em direção ao bar, imaginando que um copo de vinho não vai doer. Faço meu pedido ao barman, e me inclino para o topo do bar de madeira com meus antebraços. — Você é prima de Sage, certo? — pergunta uma voz profunda, e meu cabelo fica em pé enquanto borboletas voam no meu estômago.


Não tenho que olhar para saber que é ele falando. Ainda assim, eu inclino minha cabeça para pegar seu olhar. Senhor, salve-me. Ele é alto e tão lindo. Pensei ter visto tudo do outro lado do lugar, mas vê-lo de perto é outra coisa. — Eu acho que ele me disse que você era. — Suas sobrancelhas se juntam sobre seus olhos escuros cercados por cílios grossos enquanto olho para ele. Mentalmente me bato e forço minha boca a começar a trabalhar. — Sim, sou December. Relaxando, ele se inclina ao meu lado com o quadril, cruzando os braços sobre o peito. — Outro mês. — Seus olhos brilham com humor. — Perdão? — Conheci July, June, May e April. Agora, December. Na menção de April, meu estômago torce. — Nossos pais estavam mantendo um tema. — Pego meu vinho e tomo um gole muito pouco feminino. Por que não o vi primeiro? — Gareth. — Sua mão vem em minha direção. Não quero pegar, realmente não quero, mas meus modos me forçam a colocar minha mão na dele. Quando a sua força áspera e quente envolve minha mão, minha respiração fica presa em meus pulmões. — Prazer em conhecê-la. Lambo meus lábios e sussurro: — Igualmente. — Com a minha mão ainda na dele, seu olhar procura o meu. O olhar intenso em seus olhos me faz sentir engraçada, me faz sentir como se ele visse uma parte de mim que nem eu conheço. — Pensei que você não estivesse bebendo. — Meus olhos se fecham, bloqueando Gareth enquanto April de repente joga o braço em volta dos meus ombros. — Você é tão rebelde, bebendo vinho quando deveria me levar em segurança para casa. — É apenas um copo. Estarei bem para levá-la para casa mais tarde. Abro os olhos e viro a cabeça para olhar para ela. — Eu sei — concorda ela, olhando para mim, e então ela olha para Gareth e sorri. — Minha irmã é uma boa menina. Ela sempre segue as regras. Deus, eu realmente gostaria que isso não fosse verdade.


EPÍLOGO HADLEY Com Chloe finalmente em meu peito, eu estudo seu rostinho bonito enquanto gentilmente a balanço. Com apenas cinco dias, ainda estamos no processo de me acostumar com a amamentação e ela tomando meu peito. Tem sido uma curva de aprendizado, mas posso dizer honestamente que há algo bonito em fazer com que ela tome o que ela precisa de mim. Quando ela finalmente se enche, eu ajusto minha camisa antes de trazê-la até meu ombro e esfregar suas costas. Pressiono meu nariz no topo de sua cabeça e respiro seu perfume, fechando meus olhos. O chocalho da coleira chama minha atenção, e sorrio ao ver Maxim entrar no quarto. Ele tem sido um soldado nos últimos dias, entre passar o tempo na casa da mãe e do pai de Cobi enquanto eu estava no hospital dando à luz e voltar para casa com um bebê ocupando a maior parte do tempo de seus pais. — Ei, carinha — digo, e ele coloca a cabeça no meu colo, em seguida, pressiona o nariz na perna de Chloe por alguns segundos antes de olhar para mim. — Eu sei que levará algum tempo para se acostumar, mas você ficará bem.


Paro de esfregar Chloe para que eu possa arranhar atrás de suas orelhas, e volto minha mão para ela quando ela solta um grito. Maxim levanta a cabeça do meu colo, inclinando-a de lado a lado, estudando-a antes de sair e deitar-se ao lado do berço com um longo gemido. Após Chloe arrotar e dormir, eu a deito no berço e ligo o monitor do bebê para que eu possa observá-la enquanto estou na cozinha. Maxim não se move de seu lugar ao lado do berço, mas, novamente, quando ela está lá, ele nunca faz. Quando chego à cozinha, vejo que Cobi deixou o noticiário passando na TV antes de ir ao mercado. Eu não mudo; em vez disso, sirvo um pouco de suco de laranja para mim, bebo e vou para o sofá. Levando o monitor comigo, eu o coloco na mesa de café antes de me deitar. Cobi queria que nos mudássemos da casa da cidade durante meu último trimestre para uma casa real, com um quintal, mas bati o pé e recusei. O lugar é perfeito para nós, e apenas a quantidade certa de quartos. Eu sei que eventualmente construiremos uma casa na propriedade que seus pais deram para nós como presente de casamento, mas não quero me mudar antes disso. Este lugar guarda lembranças especiais para mim, memórias cheias de paixões e construção da nossa família. Essas paredes sustentam nossa história e, embora eu saiba que eventualmente cresceremos para além desse lugar, não estou pronta para deixar isso. Sinto dedos percorrerem o meu rosto e abro os olhos, sentando-me rapidamente. — Tudo bem, só queria que você soubesse que voltei — diz Cobi, e percebo que ele tem Chloe descansando na dobra de seu braço tatuado. — Ela acordou? — pergunto, me sentindo como uma mãe horrível se ela acordou e não a ouvi. — Não, vi você dormindo, fui checá-la, e não pude resistir a pegá-la. — Ele me dá um sorriso tímido. — Acho que estamos estragando-a. — Corro meus dedos em sua bochecha, e seus lábios franzem em resposta. — E eu acho que não me importo — responde ele, olhando para ela por um momento antes de levantar os olhos para os meus. — Eu sempre estragarei minhas


garotas. — Meu rosto suaviza e eu me inclino sobre Chloe, pressionando meus lábios na bochecha dele. Quando me afasto, toco meus dedos onde meus lábios estavam. — Nós amamos você — sussurro. — Eu sei — sussurra ele. Ele sabe, mas realmente não tem ideia do que eu sinto por ele. Eu o amo, mas toda vez que o vejo com nossa filha e como ele é devotado a ela, sei que o amo. Ele me deu tudo, junto com a prova de que vale a pena lutar pelo amor.

COBI Alguns meses depois...

Acordo quando sinto a mudança na cama e vejo Hadley através da escuridão se levantar e sair do quarto. Começo a me sentar, mas paro quando a ouço através do monitor do bebê ainda na minha mesa de cabeceira. Eu ouço, olhando para o teto, enquanto ela fala com Chloe antes de começar a cantar baixinho. Desde o dia em que trouxemos Chloe para casa do hospital, Hadley pulou toda vez que Chloe fez o menor barulho. Sempre correndo para buscá-la antes mesmo de eu ter a chance. Pensei que com um pouco de tempo ela relaxaria, mas ela não relaxou, e isso começou a me preocupar. Eu sei que ela não quer ser nada parecida com a mãe dela, e não é. Ela é uma mãe incrível, dedicada, amorosa e paciente. Quando o canto dela chega ao fim, levanto-me e saio do quarto. Quando chego à porta do berçário, vejo Maxim adormecido ao lado do berço, encostado no batente enquanto minha esposa coloca nossa filha adormecida na cama. Quando ela me vê depois de levantar a cabeça, sua expressão muda e puro amor brilha de seus olhos. Estendo a mão, e quando ela pega, eu a puxo contra mim. — Eu teria me levantado para ela, baby.


— Eu sei — sorri. — Mas, infelizmente, você não está equipado com o que ela precisava. — Eu teria levado ela para você — digo enquanto a levo para o nosso quarto. Quando estamos na cama, eu arrasto os cobertores e a puxo para o meu lado. Espero até que ela esteja acomodada antes de falar. — Você é uma boa mãe. — O que? Eu a sinto mover e inclino a cabeça para olhar nos olhos dela com a luz vinda da rua. — Você é uma boa mãe, uma ótima mãe, baby, mas não é uma mãe solteira forçada a fazer tudo sozinha — digo a ela, sentindo seu corpo ficar tenso contra o meu. — Eu sei — diz ela baixinho, levantando e colocando as mãos contra o meu abdômen. — Quero apenas que ela saiba que estou aqui. Que se ela precisar de mim, eu estou bem ali com ela. Eu nunca quero que ela questione isso. Se pergunte se eu a amo. Não quero que ela se sinta sozinha. Porra. Meus músculos sob as palmas das mãos ficam apertados — Baby, ela sabe. Ela nunca duvidará disso. — Dou-lhe um aperto. — Nunca. — Mas e se ela duvidar? E se... — Ela vai crescer cercada de amor — interrompo. — Cercada por uma família e pais que a amam. Ela não questionará isso, e ela nunca – nunca – se sentirá sozinha. — Eu simplesmente a amo tanto — diz ela baixinho. — Eu sei que você ama, e eu também. Eu também te amo e quero ajudar, então, por favor, deixe-me fazer isso. — Tudo bem — concorda, mergulhando a cabeça para me beijar. Antes que ela possa se afastar, eu deslizo minha mão em seu cabelo para mantê-la onde está. — Tire sua camisola e calcinha, baby. Vou comer você, então você vai me montar. — Ok. — Sua respiração está cheia de desejo e necessidade. Quando ela tira a camisola e rola para o lado para tirar a calcinha, eu tiro meu pijama e seguro sua cintura, colocando-a sobre o meu rosto, suas coxas de cada lado da minha cabeça.


Suas mãos batem contra a cabeceira da cama e Oh sai de seus lábios. Agarro suas coxas e a puxo para a minha boca. Eu gemo quando a umidade dela atinge minha língua, e vou para ela; lambendo, sugando, mordiscando até seus quadris começarem a tremer ao meu alcance, me dizendo que ela está perto de seu auge. Não paro até que ela chore e sua cabeça caia para descansar na cabeceira da cama. Duro como uma rocha, eu envolvo uma mão ao redor do meu comprimento e acaricio para aliviar a pressão. Hadley se move, e me ajusto com ela, segurando seu quadril enquanto ela se abaixa sobre mim. Seu calor úmido e apertado se fecha ao meu redor, lentamente fazendo meus dentes se juntarem. — Porra, mas eu amo essa buceta — gemo quando estou completamente dentro dela. — Eu te amo — geme ela, levantando os quadris e soltando-os lentamente. — Eu amo como você preenche cada centímetro meu. Deus, eu sinto você em todo lugar. — Sua cabeça cai para trás e seus olhos se fecham. Eu me inclino, capturo seu mamilo entre meus lábios e enrolo minha língua sobre a ponta dura. Quando a cabeça dela cai, nossos olhos se encontram. Eu movo minha boca para seu outro mamilo e suas coxas me apertam enquanto sua vagina ondula ao longo do meu comprimento. — Não goze, Hadley, não até que eu diga. — Seus olhos brilham e seus cílios vibram. — Cristo, minha esposa é linda quando está levando meu pau. — Ela geme, descendo mais forte em cada golpe meu. Quando minhas bolas apertam, eu deslizo minha mão ao redor de seu quadril e passo meu polegar sobre seu clitóris. — Goze comigo, baby. Me dê isto. Ela me aperta, e eu ainda a seguro conforme me perco profundamente dentro dela. Respirando pesadamente, com o meu coração batendo contra o meu peito encharcado em nossa conexão, e a sensação de sua respiração batendo no meu pescoço e o seu corpo morno contra o meu. Fecho meus olhos. Nunca poderia ter imaginado uma mulher mais perfeita para mim do que ela. Ela é toda esperança, sonho e desejo misturados no pacote perfeito. — Se eu fosse capaz de projetar a esposa perfeita, mãe perfeita, mulher perfeita, eu ainda nem chegaria perto de descrever você — sussurro, e seus músculos se contraem. — Todos os dias, sou grato por acordar para você. Por poder passar o resto da minha vida com você ao meu lado. — Eu a abraço, segurando-a


contra mim. — Chloe sentirá o mesmo em todos os dias de sua vida. — O corpo dela está contra o meu e coloco minha boca no ouvido dela. — Você é tudo para nós, baby... fodidamente tudo. Rolo-nos para ficar cara-a-cara e a abraço com força enquanto ela chora até finalmente adormecer. Quando Chloe acorda e eu a ouço através do monitor algum tempo depois, vou ao quarto dela e a trago para a nossa cama, descansando seu peso leve contra o meu peito. Eu seguro ela e a mãe dela em meus braços, e sei que sem dúvida tenho algo que a maioria das pessoas nunca entenderá; algo bonito, algo raro, algo que vale a pena amar. Uma família criada a partir do amor.

HADLEY Anos e anos e anos depois...

— Você é quem decidiu que ela deveria ganhar um carro no seu aniversário de dezessete anos — lembro a Cobi enquanto ele enfia os dedos pelos cabelos e passa pela porta da frente pela milésima vez nas últimas três horas. Ele começou a andar cerca de trinta segundos depois que Chloe saiu para ir a um encontro duplo. — Você concordou comigo. — Ele para tempo suficiente para olhar para onde estou atualmente sentada, em nosso sofá, assistindo a TV e a ele. — Eu estava sob a influência do seu pênis. Acho que isso não conta. — Ele sorri, mas então isso se esvai e seus olhos se movem sobre mim, em seguida, de volta para a janela. — Ela está bem, querido. Não é nem mesmo a hora do toque de recolher dela — lembro a ele quando ele volta a andar de um lado ao outro. — Quero apenas saber se ela estará em casa segura. — E ela estará em casa em breve, mas o seu andar não vai magicamente fazê-la aparecer — digo, e ele olha para mim. — Venha se sentar. — Acaricio a almofada ao meu lado.


— Se ela não se parecesse com você, eu não me preocuparia tanto, mas ela se parece com você. Ela não parece comigo. Ela tem meu cabelo e corpo, mas tem os lindos olhos e personalidade doce do pai. Na verdade, acho que ela se parece muito com a avó dela, Liz. — Eu vejo o papai ainda andando de um lado para o outro — comenta Briana, nossa filha de quinze anos, quando entra na sala de estar, se sentando no sofá ao meu lado. Eu rio quando ela me dá um olhar surpreso e depois sorri. Nossa garota do meio é uma mistura de Cobi e eu, com o cabelo e os olhos do papai. — Chloe ainda não está em casa? — grita Jace, nosso mini-alfa de quatorze anos, do seu quarto no andar de cima. E Briana grita: — Não. — Antes que eu ouça seus pés descalços batendo nas madeiras no andar de cima. Escuto-o descendo as escadas – tendo certeza que ele pula três ou quatro degraus de cada vez. Algo que eu digo para ele não fazer o tempo todo, algo que ele faz de qualquer maneira, porque aparentemente ele não pode evitar. Felizmente, ele nunca quebrou nada fazendo isso. — Você não deveria tê-la deixado ir, pai — diz ele para Cobi assim que aparece na sala de estar. Briana sibila: — Cale a boca, Jace. — Cala a boca você — retorna ele, olhando para sua irmã. — Vocês dois, parem com isso — interrompe Cobi com um grunhido, e os dois fecham a boca e olham para o pai com os olhos arregalados. — Não digam um ao outro para calar a boca. Entenderam? — Ele olha entre os dois. — Sim, pai — murmura Jace. — Sim, papai — diz Briana suavemente. Luto contra um sorriso e seguro Briana, em seguida, toco o rosto do meu filho quando ele se senta do meu outro lado. — Posso fazer pipoca? — pergunta Jace depois de alguns minutos assistindo TV.


— Claro, querido — respondo, e ele sai do sofá, passando por seu pai, que estende a mão e puxa-o para um abraço, o qual ele retorna instantaneamente. Jace é a imagem cuspida do pai, da cabeça aos pés, mas provavelmente ele será mais alto, desde que ele já está tocando o topo de sua cabeça no queixo de Cobi, ele é tão alto que tenho que olhar para ele de baixo, mesmo agora. — Traga uma cerveja para mim quando voltar, garoto — ordena Cobi, e Jace sorri para ele antes de desaparecer pela porta. — Não posso esperar para começar a namorar — afirma Briana, e seu pai para de andar tempo suficiente para dar-lhe um olhar que nos faz rir. Jace volta com uma tigela de pipoca, entregando ao pai a cerveja antes de se sentar ao meu lado novamente. Briana e eu atacamos, ignorando seus comentários sobre nós comendo tudo. Observo meu marido com o canto do olho, e quando vejo seus ombros largos relaxarem, eu sei que minha filha mais velha está em casa. — Corre, garoto — ordena ele a Jace, próximo de onde Jace ainda está sentado. — O quê? — pergunta Jace com a boca cheia de pipoca. Em vez de se repetir, ele se senta entre Jace e eu, pegando a tigela de pipoca e colocando-a no colo dele. — Então você vai fingir que não estava na janela desde que ela saiu? — digo, revirando os olhos para o meu marido enquanto as duas crianças no sofá riem dele. — Apenas aja normalmente. — Ele coloca um braço em volta dos meus ombros, me puxando firmemente para o lado dele. Olho para ele quando ele inclina a cabeça e anuncio: — Você é louco. Sua resposta é me beijar, e quando ele se afasta, estou sorrindo. — Ei, pessoal — diz Chloe assim que entra na sala. Olho para minha linda garota, que está olhando para o pai dela enquanto tira o casaco. — Estou em casa, então você pode parar de se preocupar agora.


— Eu não estava preocupado — mente, e solto uma risada, sentindo seu braço me apertar. Isto é uma família. Pessoas que se preocupam. Pessoas que se importam. Pessoas que estarão presentes quando você mais precisar delas, e até mesmo quando não precisar. Olho para os meus filhos e para os olhos do meu marido, sentindo-me abençoada além da razão. Nós construímos uma linda família juntos. Uma família construída sobre uma base sólida de amor e devoção. Uma família que nunca questionará o que é amor ou se sentirá sozinha.

FIM


Toda vez que eu digito Fim em outro livro Until, eu preciso ter um momento para respirar e lembrar que não é o fim verdadeiro. Until November foi meu primeiro bebê, e a série Until é como ir para casa para mim. Amo esses personagens, amo a família deles, e estou sempre animada para ver o que acontecerá no mundo deles. Como vocês. Muito obrigada a todos por amarem os Maysons tanto quanto eu, mas, realmente, obrigada a todos por me inspirarem a continuar escrevendo. Esta série não seria nada sem cada um de vocês. Espero que o clã Mayson continue crescendo para que eu possa continuar escrevendo sobre eles enquanto meus dedos continuarem trabalhando. Aqui está um monte de mais BOOMS! Com todo o meu amor, Aurora

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Until #3 Cobi - Aurora Rose Reynolds  

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