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Jéssica Colaço de Freitas


TUDODEBOM

receita NATURAL As propriedades medicinais das folhas, flores e raízes são potencializadas por meio do preparo correto dos chás MÉTODO Conta a lenda que, há cinco mil anos, um imperador chinês ordenou que seu reino bebesse água fervida para prevenir doenças. Certo dia, enquanto caminhava no jardim com um copo de água quente, algumas folhas caíram na água, deixando o líquido com certa coloração e aroma agradável. O imperador experimentou a bebida e aprovou, criando assim o chá, que na cultura oriental está associado à beleza e paz. Desde a sua descoberta, o chá está relacionado ao equilíbrio e bem-estar por reunir compostos medicinais das plantas, além de atrair pelo aroma e sabor exóticos. Calmante, cicatrizante, anti-inflamatório, analgésico, expec-

torante e até antidepressivo são algumas propriedades medicinais encontradas nos mais variados tipos de chás, há muito tempo receitados por avós, curandeiras e homeopatas. “Chá é saudável e mais barato”, ressalta a química Amélia Ramos, do projeto Farmácias Vivas, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Cuidados especiais O fácil acesso às plantas medicinais e o modo de preparo não podem, contudo, dar a entender que o chá pode ser tomado sem cuidados especiais. A atenção deve começar ainda na seleção da matéria-prima para a preparação da bebida: sejam folhas, flores ou

o caule da planta, é essencial verificar a procedência e o estado de cada um dos componentes. A química Amélia Ramos atenta, ainda, para o cuidado na hora de lavar as folhas ou raízes, sempre com água corrente para eliminar sujeiras e micróbios. Também ressalta a importância de escaldar os utensílios que vão ser utilizados no processo. A preparação do chá é considerado um ritual para muitos. Cada pessoa

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Se ferver a água com as folhas dentro, o sabor do chá será mais forte, mas sem efeito medicinal


FOTOS: MARÍLIA CAMELO

Seja por infusão, decocção ou maceração, o chá deve preservar as funções da planta tem uma receita diferente, para atender a gostos variados, desde os amantes do chá com sabor marcante e apurado, até aqueles que preferem os mais suaves e adocicados. No caso das folhas e flores, a química Amélia Ramos ensina que a maneira correta de preparar o chá é através da infusão, fervendo a água e colocando na xícara, sobre as folhas ou flores lavadas e cortadas. Uma dica importante: “Se você cozinhar a água com as folhas dentro, o chá vai ficar com um sabor bem forte, mas não vai ter nenhuma propriedade medicinal”, explica. Para raízes e caules, o chá pode ser preparado por decocção, quando as partes da planta cozinham ao fogo, junto com a água. Outra maneira de aprontar a bebida é por maceração, quando a planta é colocada de molho na água por cerca de 24 horas. O método pode ser usado com qualquer parte da planta. Amélia Ramos atenta para os cuidados ao misturar plantas diferentes na preparação de um chá porque, segundo a química, nem sempre é possível saber qual substância resultou a mistura e qual o efeito que ela terá. Propriedades Além do sabor, as propriedades medicinais dos chás são muito visadas pelo apreciadores da bebida. Para não errar na receita,

a química da UFC indica alguns tipos de chá e seus respectivos bebenefícios para a saúde. As folhas de capim-santo são indicadas como calmante e para quem apresenta problemas de cólica e insônia. Para aliviar o incômodo do reumatismo, a especialista recomenda chá de gengibre e mentrasto. A cidreira comum, que leva o composto limonedo-carvona, serve como sedativo e expectorante, mas deve ser usada com cuidado porque pode baixar a pressão arterial. No caso do chá de cidreira, algumas folhas de chambá adicionadas deixam a bebida com efeito broncodilatador, potencializando desta forma a expectoração. As folhas de malva-santa são recomendadas para má-digestão. Podem ser usadas tanto no preparo do chá quanto para ingestão comum, enquanto o chá de colônia é indicado por Amélia Ramos com efeito de antidepressivo. Beber com moderação Todas as propriedades dos chás podem, entretanto, perder o efeito benéfico ao organismo se a bebida for ingerida com muita frequência ou por um período de tempo prolongado. “Se você tomar muito um determinado tipo de chá, o corpo se acostuma com os compostos da planta, da mesma forma que acontece com os medicamentos feitos em laboratório”, enfatiza Amélia Ramos. Além de manter o equilíbrio na ingestão da bebida, é essencial levar em consideração qual parte da planta pode ser usada para fazer chá. Isso porque, em algumas espécies, determinadas partes da planta, a exemplo da raiz ou até mesmo as folhas, são recomendadas apenas para o uso externo, ou seja, para a elaboração de pomadas e unguentos.

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Capim-santo (1) Para uma xícara de 200ml são necessárias cerca de seis folhas. Devem ser lavadas e cortadas antes de iniciar o preparo. (2) É importante evitar o uso de panelas de alumínio para preparar a bebida. (3) Depois de ferver a água, é hora de colocá-la sobre as folhas e abafar a panela por cerca de 10 minutos. (4) Após a infusão, as folhas são separadas do líquido com o uso de uma peneira. (5) O chá pode ser adoçado com açúcar, adoçante ou mel

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Matéria sobre Chá  

Matéria publicada dia 20 de maio na Revista Siará do Diário do Nordeste.

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