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EDITORIAL

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primeira edição da Revista Sou Rio marca o nosso compromisso com o equilíbrio entre a inovação e jornalismo de qualidade. Não comprometemos nossa linha editorial em acordos com governos e grupos econômicos ou políticos. Temos autonomia e visão crítica para tratar de assuntos variados de maneira íntegra e imparcial, usando a palavra como instrumento para fugir dos estereótipos e promover a integração entre as regiões metropolitanas do Rio e Grande Rio. Estaremos dispostos a assumir e corrigir eventuais erros, prezando sempre pela exatidão das informações e a conformidade com as fontes. Seguindo essa linha editorial, a Revista SOU RIO vai estimular o turismo e promover senso crítico com textos que despertem a curiosidade e o interesse do leitor.

Equipe SouRio


Feira de São Cristovão

Especial

Mantém tradições e rompe fronteiras

115 anos do bondinho de Santa Tereza

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índice

Transcarioca

Esportes radicais

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Feira do Lavradio

14 Leia também 4 Artigo de Opinião 5 Viaduto Negrão de lima 8 Perfil 12 Ping-pong

prato cheio

17 Dica certa

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27 Mercadão de madureira 29 Crônica

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AS BARREIRAS QUE INTERCEPTAM O POVO E A CULTURA

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relação entre cultura e direitos do cidadão, bem como seu papel na luta contra a desigualdade social, é uma realidade que o Brasil enfrenta.  O abismo entre os analfabetos e aqueles capazes de ler, escrever e interpretar reproduz a humilhante separação entre os que ampliam suas possibilidades de evoluir e entre os que têm abortado um direito pleno do indivíduo: a capacidade de pensar de maneira crítica.   Algumas formas de entretenimento, à exemplo do teatro e do museu, são práticas tidas como elitizadas. Isso se dá não só pelo preço dos ingressos, que não é razoável para todos, como também pelo déficit educacional do povo brasileiro o que se ratifica se pensarmos no livro como uma dessas articulações. A leitura é uma atividade gratuita, se considerarmos as bibliotecas públicas, e ainda assim é praticada por uma minoria que teve acesso à educação de qualidade.   Há ainda a dificuldade no acesso à internet, grande catalizadora desse processo cultural. Lugar de conhecimento compartilhado livremente, a rede ainda não

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atinge igualmente à população.  O fomento às políticas culturais pode favorecer a superação desse quadro. Entretanto, a integração da cultura junto às demais políticas sociais é uma experiência recente que necessita ser aperfeiçoada.

  O momento atual é de reconhecimento dos direitos culturais como necessidade básica e direito de todos. Isso que conduzirá à busca de uma inserção à prática de políticas sociais e de desenvolvimento.

Jéssica Reis


Viaduto reúne amantes da Black Music

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urante a semana, é apenas um estacionamento num bairro da Zona Norte carioca. Todos os sábados, de 20h às 5h, é palco da Black Music, num local que tradicionalmente é berço do samba. Essa é a rotina sob o viaduto Negrão de Lima, no bairro de Madureira, desde 1990.   Marcado pela presença histórica do Jongo da Serrinha e, posteriormente, pelas tradicionais escolas de samba Portela, Império Serrano e Tradição, Madureira sempre demonstrou em sua essência a predominância da cultura negra.   O baile do “duto”, como é conhecido, celebra seus 21 anos em grande estilo. Cada vez mais democrático e pacífico, reúne um público fiel

e segmentado que se renova com o passar do tempo. O evento, que sempre foi mais popular no subúrbio, conta agora com blogs e redes sociais para promover a divulgação.  - Hoje é um movimento mais uniforme, atrai pessoas de várias partes do Rio de Janeiro e já recebeu até caravanas de charmeiros de outras cidades - afirma Michell, dj do baile há 13 anos.   A festa tem espaço para todos os gostos e estilos. Quem curte dançar pode acompanhar os ‘passinhos’ de grupos que se formam em coreografias de diversas influências. Já aqueles com ouvidos mais afinados para uma boa música black, podem se acomodar nas barraquinhas improvisadas no viaduto.

Kolawole Dias frequentador assíduo do baile, há sete anos, não se importa com os esteriótipos criados para quem curte música black. Desligado de preconceitos, afirma que o baile em si já antecipa qualquer ideia sobre as pessoas que o frequentam. - A grande maioria é black. Somos negrões cheirosos e bem vestidos! Aliás, o que mais conta nisso tudo é o estilo de se vestir porque é ali que será observado se você é frequentador ou entendedor do mundo black – confessa.  Se você é carioca e ainda não conheceu o Charme no Rio, está perdendo a oportunidade de se divertir ao som da Black Music. Jéssica Reis


Pra encher a pança

“Vamos botar água no feijão” A feijoada da Dona Helena do Jardim Redentor é famosa. Mas o segredo de tanto sucesso ela não revela

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essoas carregando panelas vão pipocando na Rua Zigmund, no bairro de Jardim Redentor, Belford Roxo, Baixada Fluminense. Carros com placas de São João de Meriti, Nova Iguaçu, Nilopólis estacionam um a um. Lá dentro, na estreita e abafada cozinha, Dona Helena Caverzan se reveza com a irmã, a cunhada e as vizinhas, no preparo da feijoada mais famosa da região. São quase onze horas da manhã de domingo e a fila já começa a se formar.  A feijoada completa vem com lombo, carne seca, lingüiça, pé de porco, costela, arroz, farofa e couve. E o preço do prato, por pessoa, custa R$10. Visitante pela primeira vez, a auxiliar financeira Valéria Mincareli, já sabe aonde ir quando quiser comer bem e pagar barato.  – O preço é camarada, a feijoada é puxadinha no sal, mas não é gordurosa – opina.  O cliente pode comer ali mesmo, em uma das mesas espalhadas pelo saguão, ou ser servido em suas próprias panelas para le-

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var a feijoada e almoçar em casa.  - Achei engraçado as pessoas na fila, segurando panelas – confessa Dona Maria da Conceição.  A dona de casa também ia provar o prato pela primeira vez e levar a encomenda para Jacarepaguá, na Zona Oeste.  - Meu filho come aqui com os amigos, hoje eu vou experimentar – conta, ansiosa. Dona Helena, de 66 anos, contou que estava trabalhando desde as duas horas da manhã e que cumpre a mesma rotina, há 15 anos, quando o bar era uma mercearia. Com a chegada de um mercado no bairro, ela teve medo de perder a clientela e logo surgiu a ideia de fazer feijoada.   - Tinha que manter meu sustento e sempre gostei de cozinhar. Uni as duas coisas. Faço

com amor – revelou o segredo.   Casada com Seu Edgar Gomes de Aguiar e mãe de dois filhos já criados, Dona Helena lamenta não ter ninguém na família para dar continuidade ao pequeno negócio. Em dias de maior movimento, sábados e domingos, o bar chega a servir 16 panelas de feijoada.  - Ultimamente não tenho dado conta de tanto trabalho – confessa.   Mesmo assim, jura que não pensa em parar agora.   -Vou continuar aqui até quando puder – avisa.   O motorista de ônibus, Alberto Ferreira estava empolgado. Chegou de moto, com uma dúzia de panelas. Naquele dia ele levou a feijoada para a família e para o vizinho.  -Final de semana tenho que dar um descanso para Dona

Helena A feijoada da Dona nda a funciona de segu Carlos domingo na Rua o bairro Zigmund, nº 200 n BelJardim Redentor, em moço é ford Roxo. O al s 11h e servido a partir da e cedo. quer uma dica? Chegu

Maria na cozinha, né? – brinca, referindo-se à esposa. Rosemi de Oliveira compra a feijoada toda semana.   - Lá em casa a gente faz e não fica igual – admite a dona de casa. E o simpático Seu Alberto concorda.   - Se ela me contar o segredo eu não venho mais aqui - ameaça. Caroline Ribeiro

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Perfil

UM ILUSTRE DESCONHECIDO Marcus Vinicius Rodrigues da Silva tem 17 anos, orgulho de ser morador da Baixada Fluminense e acredita que a região é berço de uma forte cena de produção cultural

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É

tarde de sábado. Os termômetros do bairro Rocha Sobrinho, em Mesquita, na Baixada Fluminense, deviam estar marcando uns 35 graus Celsius. Marcus Vinícius me recebe na Rua Soledade, apelidada entre os moradores de “Rua Meio a Meio”, por ser metade pavimentada e metade calçada com paralelepípedos. Sou confundida pelo vizinho Reginaldo, que entra quintal afora, com a amiga baterista de Marcus, minha xará. Aqui ele é Marcão. Inquieto, reservado, mas conversador. Assim ele se define. Os amigos de infância, Gabriel e Gi00ovane, o acham brincalhão. Caseiro, prefere o sossego ao tumulto da rua, mas não dispensa os eventos que pintam nos finais de semana. Aquariano, os astros explicam o lado humanitário, fraterno. Flamenguista, não acompanha os jogos, mas jura que é torcedor quando se pega ao acaso assistindo as transmissões. A casa, onde mora com a tia Hilda e o avô José Fabrício, de 86 anos, é simples. A mãe, Dona Lúcia Helena, está na cozinha preparando o almoço, e de lá, reclama, em tom de brincadeira, que foi abandonada pelo único filho. Marcus está morando com a tia há cerca de um ano por conta do acesso a internet. Ele é viciado em redes sociais. Desde 2009, por intermédio do amigo e parceiro musical Ualax, com quem escreve e canta eventualmente, está envolvido no Movimento Enraizados. Lá ele é Marcão Baixada, nome artístico. Começou


com a oficina de produção de áudio, para aperfeiçoar as gravações caseiras. Aprendeu a mixar, samplear e se tornou beatmaker. Hoje é locutor da Rádio e colunista do Portal. Na varanda arejada onde conversamos por cerca de uma hora e meia, ele ainda está tímido. Levanta, vai até o quarto e traz o livro “Pelas Periferias do Brasil, volume 5”, organizada pelo escritor, cineasta e apresentador Alessandro Buzo. Na coletânea, publicou a poesia Bonde do Trem. De tanto perambular nos vagões da Super Via, veio o nome do blog pessoal: Itinerante. Sem pestanejar, se considera um jovem diferente, que foge ao padrão. “Desarmo-me da lógica comum”, diria Partum, ídolo na música rap. E a música faz parte dele. Aos nove anos, começou a estudar guitarra e ainda hoje se aventura em algumas cifras. A poesia também o influencia. Rabisca alguns versos e os transforma em ritmo. Parece ansiar por uma rotatividade no cenário da música rap. Ele é MC. Mas cresceu ouvindo MPB, Djavan. Conheceu o jazz – e logo cita o último vinil comprado, Duke Ellington, da Coletânea Gigantes do Jazz. Ele me convida para dar uma volta no bairro. No caminho até a quadra da praça, onde agora, uma vez ou outra, joga basquete – esporte que o levou a conhecer a cultura hip hop - esbarra com Pipoca, segundo ele, “moleque

bom de bola”. O menino franzino cultiva um estiloso moicano, lembrando o talentoso Neymar. Invadimos a quadra e até eu arrisquei alguns arremessos, sem a marcação cerrada do Michael Jordan de Mesquita. No final do nosso bate-papo descontraído ele coloca um boné na minha cabeça, me dá óculos escuros e me fotografa com a câmera do celular. Já não era mais o tímido garoto do início da tarde. Caroline Ribeiro

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Pra curtir com a galera

Feira de São Cristovão A opção carioca para comprar, comer e se divertir ao melhor estilo nordestino

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Rio de Janeiro é mesmo a cidade maravilhosa. Na capital carioca encontrase de tudo, até mesmo tradição nordestina. É na feira de São Cristovão que vive um pedaço do Nordeste brasileiro. São cerca de 700 barracas fixas que disponibilizam toda a modalidade dessa cultura. Lá o visitante encontra artesanato, comidas típicas, trios e bandas de forró, dança, cantores, poetas populares e repentistas, e ainda pode esbarrar com figuras bastante peculiares durante o passeio.   O Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas ou Feira

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dos Paraíbas, como é popularmente conhecido, está localizado no bairro de São Cristovão, zona norte da cidade. O lugar atrai em média 300 mil pessoas por mês, que varia entre freqüentadores assíduos e turistas curiosos.   – Costumo vir sempre aqui por toda alegria que o lugar oferece. Essa música tocando o tempo inteiro um ritmo dançante e a comida é um espetáculo – afirma a vendedora Rita Ribeiro.   Durante sua breve passagem pela cidade, a paulistana Márcia Rocha resolveu seguir as dicas do amigo Marcos Emílio que pesqui-

Thaís Fukuda

sou na internet um lugar diferente para ela conhecer.   – Adorei a feira, mesmo sendo um local animado o ambiente é familiar, não me arrependi de ter trazido minha filha. – diz a turista.   O funcionamento é a partir das 10h de sexta-feira até às 22h de domingo. Todas as barracas funcionam, ininterruptamente, animadas por trios, bandas de forró e shows de cordelistas e repentistas em palcos espalhados pelas ruas estreitas do complexo. De terça a quinta-feira os restaurantes abrem no horário de almoço e a entrada custa somente R$3.


Pra curtir com a galera

Bazar da Cantoria

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m estabelecimento chama atenção entre restaurantes e pistas de dança a céu aberto. O Bazar da Cantoria é uma espécie de espaço para calouros, onde qualquer pessoa pode gravar um cd, pagando apenas R$2 por música.   – É uma coisa diferente em se tratando de feira. Às vezes a procura é tanta que fica uma fila de duas horas de espera para cantar – conta o proprietário Luiz Paulo Keijok.   Depois de algumas cervejas, o ambiente fica pequeno para tanto ego dos cantores.   – Estou desde cedo fazendo uma homenagem pra minha esposa, vou gravar um cd pra ela com 15 músicas que lembram a nossa história – diz o apaixonado Marcelo Sales casado há 32 anos.   O estabelecimento existe desde 1998, cinco anos antes de o pavilhão ser reformado pela Prefeitura do Rio. Após sua estruturação, o complexo passou a oferecer ao visitante mais conforto e segurança, com banheiros públicos e estacionamento.   – As coisas estão bem melhores, agora não é preciso montar e desmontar o equipamento todo dia lembra Keijok.

História da Feira   O início dos primeiros movimentos que deram início à Feira de São Cristovão foi em 1945. Nesta época os caminhões paus-dearara vindo de vários lugares do Nordeste, chegavam ao Campo de São Cristovão trazendo os retirantes nordestinos para trabalhar na construção civil. A animada festa regada a muita música e comida típica, gerada pelo encontro dos recém-chegados com parentes e conterrâneos, deu origem à Feira, que permaneceu ao redor do Campo por 58 anos.

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ENTREVISTA MARINA BARROS

“QUEM TEM NÃO DÁ VALOR” A turismóloga diz que o carioca não sabe aproveitar o Rio de Janeiro Por Thaís Fukuda

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ormada em Turismo pela FGV, Marina Barros de Melo é uma apaixonada pelo Rio de Janeiro e conhece a fundo o que essa cidade tem a oferecer. Ela já viajou para diversos lugares fora e dentro do país, porém é na capital carioca que se sente realmente em casa. Marina dá dicas do que fazer na capital e fala sobre alguns problemas de acessibilidade. SOURIO - Acredita que o carioca não conhece sua região? Marina Barros - Quem vem de fora fica impressionado com a quantidade de programas interessantes para se fazer no Rio de Janeiro, como shows, peças, apresentações de dança, competições esportivas, passeios ecológicos e quase tudo que se possa imagi-

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nar. E o melhor é que para uma capital, os custos de muitas dessas atrações não chega a ser alta para grande parte da população. No entanto, quem tem não dá valor. O carioca se esquece de tudo que pode fazer em sua cidade. SOURIO - Qual a importância de expandir o turismo interno... levar o morador da Zona Sul para a Zona Oeste, o morador da Zona Norte para a Baixada, por exemplo? Marina Barros - É de enorme importância expandir o turismo interno, pois o carioca se limita muito a sua região. Muita coisa passa despercebido no dia a dia agitado do carioca, ele não desperta para o potencial turístico e cultural que a cidade tem, tanto no centro, como nas zonas sul, norte

e oeste e até na Baixada Fluminense. As vezes o próprio morador não vê atrativos no seu bairro. Mas se ele decide fazer um passeio, descobre o rico patrimônio que existe na região onde mora. SOURIO - Como promover lugares populares e de boa qualidade no Rio de Janeiro? Marina Barros - Em primeiro lugar o ponto deve ser um lugar onde as pessoas se sintam seguras e o ambiente seja agradável. É necessário também um bom marketing e acessibilidade no transporte. SOURIO - O transporte como forma de acessibilidade à diversos pontos atrai e integra as regiões? De que forma? Marina Barros - Sim, se for


mas culturais acessíveis a maioria? Marina Barros - Sim. Há diversos programas interessantes para fazer aqui como olhar as estrelas e os planetas nas sessões de cúpula do planetário ao som de música clássica ao Vico; passear na Floresta da Tijuca e fazer um churrasco; subir a Pedra da Gávea; fazer uma visita ao Museu de Arte Moderna (MAM) ou aos muitos centros culturais da cidade; passear de bonde em Santa Tereza e visitar os ateliês de artistas desconhecidos; correrno caminho Cláudio Coutinho, na Praia Vermelha, tomar um chop na Rua do Lavradio; conhecer os inúmeros SOURIO - Você acredita que o bares e restaurantes da Lapa em governo do Rio oferece prograacessível o usuário muitas vezes vai conhecer outras regiões por ter facilidade em chegar até ela. Mesmo que demore um pouco às vezes vale a pena conhecer outros lugares da Grande Rio.

“Acho que o carioca não sabe aproveitar a cidade”

que se pode comer petiscos e beber uma caipirinha enquanto se ouve ao melhor da música brasileira. Esses são apenas alguns dos exemplos. SOURIO - Na sua opinião o carioca sabe aproveitar o que sua cidade oferece?Por quê? Marina Barros - Acho que o carioca não sabe aproveitar a cidade. Porque muitas vezes ele se restringe a sua região. Ele precisa despertar para a vida cultural e o entretenimento de qualidade que a cidade maravilhosa pode oferecer. Claro que a violência nos impede de ir e voltar com facilidade, mas há sempre várias alternativas.

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Pra Radicalizar

Rapel em Niterói

Aventura cercada de exuberante beleza natural

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parque estadual da Serra da Tiririca hoje é um pólo de ecoturismo e lazer de Niterói. Com 2.260 hectares, ele protege áreas naturai e é palco de grandes aventuras. Entre as categorias de esportes possíveis o rapel, modalidade esportiva de descida em corda, se destaca, devido à geografia dos grandes paredões.   Após uma leve caminhada de 30 minutos, acessível também para crianças, chega-se a esse paraíso, que mais parece um anfiteatro natural. Ideal para quem quer relaxar e contemplar a natureza ao som do mar. E aos

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que procuram adrenalina essa é a hora de preparar o equipamento.   – Sempre cheque o seu equipamento de segurança – recomenda Francisco Costa, guia e instrutor da expedição.  As descidas de rapel podem ser feitas em três vias, a primeira são 12 metros de rapel em positivo, onde os pés do participante têm contato com a parede. A segunda de 17 metros, metade é feita em negativo, ou seja, em vãos livres. E a última conhecida como garganta do diabo são 31 metros, todo em negativo, quando se chega ao final pode

sentir o respingar da água que quebra nas pedras.   – Valeu a pena encarar o medo de descer a Garganta do Diabo, a sensação é incrível.- admite o aventureiro Marcos Paulo.   O rapel pode ser feito até mesmo pelos mais inexperientes e a maior parte dos acidentes que ocorrem acontece por erro humano, seja por má utilização ou falta de manutenção do equipamento ou mesmo por negligencia do praticante.   – Se tudo for feito com segurança será uma experiência incrível - garante Costa.

Thaís Fukuda


Vôo livre em Nova Iguaçu Experimentando novos ares

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Baixada Fluminense é uma localidade popularmente marginalizada. O que muita gente não sabe é que a região é um pólo em potencial para a prática de turismo ecológico e esportes radicais. O lugar é uma opção diferente para quem já conhece pontos famosos do Rio e está em busca de outras alternativas.  O atrativo para os aventureiros é a oportunidade de viver uma nova experiência.   - Aqui há uma imensa área de trilhas que passam por serras e florestas ainda pouco exploradas - afirma o instrutor e professor de educação física, Carlos Lima.  As correntes de vento favoráveis da Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu, propiciam a prática de asa delta, e fazem desse o segundo melhor ponto do país e

primeiro no ranking estadual.   - Os ventos vindos do norte são mais quentes, o que permite um vôo de cross, que é como decolar aqui e ir voando até outros municípios próximos - explica o instrutor de vôo livre, Gerci Trevenzolli.  A Serra também é uma das mais procuradas por praticantes. A subida a pé para a rampa de decolagem dura em média três horas e é indicada para os mais experientes.  - É um trajeto pesado e deve ser feito sempre em grupos – aconselha Gerci.   Na maioria dos casos, o acesso ao local é feito por uma espécie de gaiola, um carro tubular leve e com tração traseira, que em cerca de 40 minutos leva o visitante até o topo.  Embora não exista um tra-

Caroline Ribeiro

balho consistente de promoçăo turística por parte do poder público e nem o vôo livre tenha se tornado um símbolo da cidade, as qualidades de vôo săo inegáveis. Raffael Cordeiro, auxiliar administrativo e morador de Nova Iguaçu, acredita que o lugar merece um investimento oficial, já que a iniciativa para a visitação parte de grupos de instrutores.  - Eles arrecadam dinheiro para a manutenção da estrada de acesso e uma vez ao ano se reúnem para subir - conta.   A Serra, certamente, tem potencial para o turismo. Do pico é possível ver toda a cidade de Nova Iguaçu, cidades ao entorno e parte da Baía de Guanabara.  - A vista não perde em nada para a famosa Pedra da Gávea – afirma Raffael.

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Pra Torrar a Granaana

Feira do Lavradio

Há 14 anos, a feira é um dos eventos gratuitos mais prestigiados da cidade do Rio

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rtância História tem uma impo iníio d ra v a L o d a A Ru ata do itetônica que d cultural e arqu a das primeiras ruas um cio do século. É ade, e foi moradia e a cid residenciais d critores o de poetas, es zertr n co en e d l loca que fi ticos e artistas tipógrafos, polí Uma visRio de Janeiro. a oco d a ri tó is h a am bém io Antigo é tam ita à Feira do R ara apreciar a beleza da p ssica. asião apropria itetura neoclá u rq a e d s a d a das fach

uer ouvir música boa e de qualidade? Quer assistir ao ar livre uma encenação de teatro ou dança? Comer e beber nos mais variados bares? Fazer compras de todos os tipos? E que tal fazer tudo isso no mesmo lugar ou ainda, ao mesmo tempo? Assim acontece na feira mais charmosa e uma das mais antigas do Rio de Janeiro.   Através do comércio de antiguidades da Rua do Lavradio, muitas histórias são relembradas, recomeçadas ou continuadas. Em barracas, lonas e lojinhas cerca de 400 expositores se reúnem e vendem seus produtos, entre objetos antigos e usados que vão desde anéis de prata da década de 20 até enormes e lindas cristaleiras, tudo com muito conteúdo e história.  Mas há também espaço para as últimas tendências, como a sapatilha florida que a estudante Marina Bueno vai levar pra casa.  - Já tinha visto uma parecida, mas não sabia de onde era, foi uma sorte encontrá-la aqui – comemora a jovem.  Serviços como restauração de mobiliário, consertos de lustres, estofamento e pinturas personalizadas também são oferecidos. Entre uma barraca e outra é possível assistir a performace da vendedora Tereza Queiroz declamando trechos das obras de Ghandi enquanto demonstra 10 maneiras de usar o que, a princípio, seria um colar.  Esse é o charme da feira. Gente de todas as tribos se junta, mistura e acrescenta, sem preconceitos. Além do privilégio de estar a um pulo da Lapa, reduto carioca do samba, onde a cada esquina há um bar e a cada bar uma roda e cerveja gelada. Enila Bruno


Ilha de Paq

uetá

O passeio a té a Ilha de Paquetá po gens de 60 de minutos, o u em aerob ser feito nas tradicio apenas 20 m nais barcas arcos ou ca in , em viatamarãs, q tro do Rio. utos. O embarque par u e fa z a Lá, as prin e m a Il o h t a r é feito no c ajeto em cipais atra ais da Praç ções são a a XV, no Cen charrete e o passeio d e pedalinh o.

Centro Cultural Casa Rosa

D I C A C E R T A

a ício do século passado. Er in no ído tru ns co foi s, nhecido irro das Laranjeira Hoje, a Casa Rosa é um co . O casarão, localizado no ba 80 os an s do s do ea m é ncionou at unidade local uma cabaré de luxo que fu do bairro e pessoas da com es or ad or m be ce re a, da an a sem uma programação varia tem a Centro Cultural. Durante an m se de ais fin s No público esia e saraus. eventos que reúnem um para oficinas e rodas de po em l, na gio re ica ús m e ho 0 , chorin do Rio, na Rua Alice, nº 55 e ad cid de samba, forró, rock, MPB da l Su na Zo , ira sa fica em Laranje bastante variado. A Casa Ro

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Fundição Progresso

A Fundição é um centro cultural localizado em um prédio histórico no coração da Lapa. Contrapondo com a arquitetura antiga, a filosofia artística da Fundição é contemporânea, arrojada e independente. O enorme casarão, que começou a ser construído no século XIX, conta com espaços, onde ocorrem ensaios, festas, filmagens, aulas, eventos corporativos e shows. Os preços variam de 30 a 70 reais e a Fundição fica na tradicional e famosa Rua dos Arcos, na Lapa.

MAC

CCBB

O Museu de Arte Contemporânea é um dos postais principais da cidade de Niterói. O visitante pode desfrutar de extraordinárias vistas panorâmicas fora do museu, no pátio, ou dentro do museu através do anel de janelas que divide este gigantesco prato de concreto em duas faixas. O MAC fica no Mirante da Boa Viagem, em Niterói e a entrada custa 5 reais.

O Centro Cultural Ba nco do Brasil tem um volume de frequ res comparável ao de entadooutras grandes institu ições culturais do mun Nos vários campos da do. arte, o CCBB consegue atingir um público am plo, com os mais din stintos níveis de inter esse. O Centro Cultura localizado na Rua Prim l es tá eiro de Março, número 66, no Centro do Rio de Janeiro.

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Circo Voador

para cipais espaços n ri p s o d m u o o público considerad ma pista onde os da Lapa, e é u rc e A r s a o b d o, o lc ix a a osa p b lizado logo a mposto pelo se tornou fam ca co sa lo s, ca le tá a p es is m a si co u é ir q C s te o O , pel bien ídeo. de do Rio. O am ações. Além dos shows de rock poesia, pintura, cinema e v shows na cida o, tr tr a s dança, tea rece para ver a formances de er p a eclético compa g ri b a co os 80, o Cir a partir dos an

Pólo gas tro

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O Pólo Ga str atrações onômico da Via Lig mu de jogos sicais e culinária ht é um complex de futebo od variada. O l, quando ambient e bares e restau Pólo fica ran e já há na Via Lig ht, nº 351 transmissão das é um sucesso, prin tes que oferecem , Nova Ig p uaçu, e f artidas em algu cipalmente em d unciona ns estabe ias de terça a doming lecimentos. O o, das 12h às 4h.

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BONDINHO DE SANTA TERESA Os 115 anos de um símbolo da história do Rio Caroline Ribeiro

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anta Teresa sempre foi conhecido como um bairro boêmio, famoso pela presença de estilistas, artistas plásticos e escritores, e marcado pelo seu peculiar conjunto arquitetônico. Desde os tempos do Império, frequentar o local era sinônimo de status. A implantação do sistema de bondes, em 1896, trouxe ainda mais charme ao bairro carioca e tornou-se uma refer-

ência como ponto turístico.   O plano inclinado que fazia o transporte da Rua do Riachuelo até o Largo do França já não conseguia atender ao crescente número de passageiros. Assim, em 1986, foi inaugurada uma linha à tração elétrica, que faria o trajeto do Largo da Carioca até Santa Teresa, passando sobre o antigo Aqueduto da Carioca, hoje os Arcos da Lapa. A partir de então, com menos de R$1, foi

possível seguir pelas ladeiras do bairro e conhecer pontos turísticos como a Igreja e o Convento de Santa Teresa, o Largo do Curvelo e o Parque das Ruínas. Ao longo de sua existência o sistema chegou a ter em operações mais de 35 veículos, inicialmente, pintados de verde. Os bondes só tornaram-se os famosos amarelinhos, depois que moradores reclamaram que os veículos não se desta-


cavam em meio à vegetação do bairro. O Bonde de Santa Teresa foi reconhecido como Patrimônio Cultural, em 1988 e foi a última linha do país a interromper sua circulação.

“O sistema modificou o cotidiano e o comportamento das pessoas” A representante da empresa Riotur, Mônica Sanches, afirma que o bondinho sempre exerceu uma função importante para a cidade.  - O Bonde sempre foi um atrativo para visitantes e turistas estrangeiros – afirmou.  A estudante de pedagogia Teresa Barbosa, que mora no bairro há um ano e meio, acredita que muitos cariocas não conhecem o bairro e nunca andaram de bonde.  - Isso é uma pena porque Santa Teresa é um lugar in-

crível. Acho que mais turistas andaram nos bondinhos do que os próprios cariocas - opina.   O bonde foi um elemento fundamental no desenvolvimento do Rio de Janeiro. O sistema modificou o cotidiano e o comportamento das pessoas ao introduzir uma nova maneira de andar pela cidade e proporcionar formas de interação social até então impensáveis. Muitas obras literárias da virada do século XIX para o XX remetem às mudanças de costumes geradas pelos bondes. “Na roça, é tomando café que se estabelecem e estreitam as relações; na cidade, é viajando no mesmo bonde que se consegue isso.” afirmava o poeta Olavo Bilac nas crônicas dos jornais diários.   Os bondinhos continuavam atendendo à população da região até agosto deste ano. De acordo com a Secretaria de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro, alguns moradores preferiam usar os bondes a utilizar outros

meios de transporte porque podiam pagar mais barato. Mas muita gente ainda gostava de pegar carona. A dona de casa Augusta de Souza, moradora de Santa Teresa há mais de 40 anos, lembra das pessoas que se aproveitavam da pouca velocidade do bonde para se pendurar. - Até hoje alguns meninos se arriscam - ri. A valorização que vem ocorrendo no mercado imobiliário do bairro é resultado da revitalização da região central da cidade. Para Tomas Martin, mestre em antropologia e professor da Universidade Veiga de Almeida, esse processo está construindo uma imagem do Rio, que cruza patrimônio cultural arquitetônico e manifestações culturais cariocas. “O bonde de Santa Teresa nesse sentido, condensa história e memória. Faz uma conexão com o Rio antigo.” - afirmou em entrevista para a BBC Brasil.

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O CHARME SAIU DOS TRILHOS

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acidente com o Bonde de Santa Teresa levantou a discussão sobre as políticas públicas que atendem ao sistema, e suspendeu por tempo indeterminado o funcionamento do meio de transporte que completaria 115 anos, em 28 de agosto, um dia após o acidente.   As primeiras conclusões sobre o caso, que deixou 57 feridos e seis mortos, apontaram para a superlotação do veículo, que teria capacidade para transportar no máximo 40 passageiros. O laudo pericial do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) sinalizou o excesso de passageiros como agravante (no momento do acidente, o bonde transportava 62 passageiros, 50% a mais que o permitido) e apontou 23 falhas no sistema. Segundo o documento, o veículo não tinha condições para circular e o acidente ocorreu por problema no sistema de freios, gerado por falta de manutenção preventiva.  O governador do Rio, Sérgio Cabral, reconheceu que falta

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controle sobre o número de passageiros e que os bondes estavam sucateados. “A verdade é que é a frota dos bondinhos é uma frota sucateada. É uma frota onde foram reformados alguns bondes e outros não.” – admitiu à imprensa, três dias após o acidente. Cabral também informou que foi realizado um investimento para a recuperação dos veículos e trilhos.

“Foi uma tragédia anunciada” A empresa TTrans entregou, até 2009, sete bondes reformados, pelos quais recebeu R$ 9 milhões. O contrato previa a reforma de 14 bondes, com uma verba de R$ 14 milhões. Mas, somente R$ 8,6 milhões foram usados para a conversão dos bondes em Veículos Leves Sobre Trilhos (VLTs).  A presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Elzbieta Mitkiewicz relatou que os prob-

lemas são recorrentes há décadas. “O que aconteceu foi uma tragédia anunciada”. – afirmou a presidente ao portal G1 no dia seguinte ao acidente. Ela conta que a Associação está cobrando ações do Ministério Público, do governo e da empresa responsável desde fevereiro.  - Caso medidas de fiscalização, manutenção e cumprimento das normas de segurança não sejam tomadas, outros acidentes poderão acontecer – acredita Marieta Novaes, representante da Associação.


OUTROS ACIDENTES

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m junho deste ano, um turista francês morreu depois de cair de um bonde que passava sobre os arcos da Lapa. Em Novembro de 2007, quando técnicos da TTRANS realizavam testes com o primeiro bonde modernizado dentro da oficina, o veículo perdeu o freio e atingiu um funcionário. Dois anos depois, em 2009, um outro acidente com um dos bondes modernizados provocou a morte de uma passageira e deixou, pelo menos, sete pessoas, após uma colisão com um táxi.

FUTURO

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erca de dois meses após o acidente, as duas linhas de ônibus que estão substituindo os bondinhos começaram a circular. O serviço deve funcionar durante um ano e meio, até que os tradicionais meios de transporte voltem a operar normalmente. A criação das linhas foi uma determinação do prefeito do Rio, Eduardo Paes, para atender à solicitação dos moradores, que alegavam que o transporte no bairro ficou prejudicado desde que as composições pararam de funcionar. - Agora está bem melhor. Os ônibus estão passando até tarde pelo mesmo preço do bondinho

e descem pela Riachuelo, o que é ótimo para quem vai para a Lapa - comemora a técnica em enfermagem Karine Soares.

“Não será possível manter o estilo tradicional do bonde”

  O governador Sérgio Cabral anunciou, no início de novembro, que pretende entregar, em 2013, um novo sistema de bondes, com um investimento inicial de R$ 40 milhões. Segundo Eduardo Macedo, presi-

dente da Central (Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística), não será possível manter o estilo tradicional. “A troca dos trilhos torna inviável a permanência do antigo modelo” – explicou, em declaração para o Jornal O Dia. Outra questão é o que será feito com os bondinhos antigos. Uma sugestão dos moradores é que os carros fiquem expostos para visitação.   - O ideal é que eles fossem restaurados e tivessem manutenção frequente para funcionar com segurança - afirma a Débora Lerrer, representante da AMAST.

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TRANSCARIOCA

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população carioca passa diariamente por transtornos relacionados aos meios de transporte, que ficam ainda mais evidentes com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A superlotação nos trens e nas barcas, a capacidade insuficiente das linhas de metrô e os extensos congestionamentos nas principais avenidas são os problemas mais recorrentes da mobilidade urbana na cidade.   A Transcarioca, também chamada de T5, será um projeto de BRT, sigla que, em inglês, define os corredores de ônibus (Bus Rapid Transit) integra o conjunto de obras viárias planejadas pela Prefeitura do Rio para estruturar o sistema de transportes a fim de viabilizar os eventos esportivos que serão sediados na cidade. A obra é um corredor expresso de 41 km que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, passando pe-

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Jéssica Reis los bairros de Jacarepaguá, Curicica, Taquara, Tanque, Praça Seca, Campinho, Madureira, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Penha e Vila da Penha.   A previsão é que a nova via expressa atenda cerca de 350 mil passageiros por dia e permita que o trajeto Barra-Penha seja percorrido em 47 minutos, ao invés dos 96 atuais. A estimativa de custo inicial foi de R$ 730.498.256,86 e a previsão é que a obra seja concluída em 2013, três anos após seu início.  - A Transcarioca é um compromisso da prefeitura e, por isso, há um esforço para que seja tudo feito segundo o cronograma estipulado - revelou o secretário municipal de obras, Alexandre Pinto da Silva, em entrevista ao Jornal Extra Online.  A linha exclusiva por onde vão passar ônibus articulados – com capacidade para pelo menos 160 passageiros cada um - inaugura um novo conceito de

transporte público na cidade, integrando metrôs, trens, terminais rodoviários e ciclovias.  Alexandre Pinto, explicou ao site da Prefeitura do Rio que a Transcarioca está dividida nos lotes 1 (Barra-Penha) e 2 (Penha-Galeão). O projeto prevê a construção de viadutos, um deles sobre a Avenida Brasil, e de uma ponte que ligará a Ilha do Fundão à Ilha do Governador.   As obras da T5 vão mudar a cara da cidade para quem chega ao Rio através da Avenida Brasil ou da Linha Vermelha. De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes do Rio, serão construídas 46 estações BRT, quatro mergulhões, dez viadutos e nove pontes. Além disso, o projeto contemplará os bairros afetados com novas calçadas, muretas, praças e iluminação pública. Contará, principalmente, com a diminuição do preço da passagem e com a urbanização da área ao redor da obra.


DESAPROPRIAÇÃO

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polêmica gerada pela desapropriação de imóveis em áreas residenciais em função de projetos de infraestrutura para eventos esportivos chegou à Zona Norte. A Transcarioca irá afetar diretamente a rotina da população. As expectativas pela conclusão e o andamento do projeto vêm causando discussões e dividindo opiniões. Os insatisfeitos com as obras, que são diretamente afetados, estão se pronunciando através das associações de moradores.   O bairro de Olaria é um dos principais atingidos com a mudança. Moradores da região fundaram uma entidade para acompanhar o projeto e reuniram mais de 4 mil assinaturas, reivindicando a alteração do traçado. Eles querem que a BRT siga pela Rua Uranos e chegue à Avenida Brasil por uma via, a ser aberta, paralela à Linha Amarela. Em contrapartida, o projeto prevê a saída da Penha seguindo pela Estrada Engenho da Pedra para chegar à Avenida Brasil. - Não tem sentido desalojar milhares de moradores de uma área residencial - afirma Marcos Saldanha, líder do movimento de Olaria.   Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ramos e Olaria, Jorge Medeiros, reclama da organização do trânsito e argumenta que o traçado proposto pelos moradores provocaria mais congestionamentos no entorno da Linha Amarela.   No bairro de Vicente de Car-

valho, a associação de moradores protestou colocando faixas ao longo da avenida. A auxiliar administrativo Gisele Gomes Telles, de 32 anos, cresceu na Rua Ouro Fino, próximo a Av. Vicente de Carvalho. Para ela, a obra só tem a acrescentar.   - Moro aqui há 32 anos e sempre dependi de condução para ir até o trabalho. Daqui para Barra é uma viagem. Sem contar os transtornos com ônibus cheio e o preço abusivo das passagens – conta a moradora.  Entre as modificações previstas, o projeto inclui a eliminação de oito linhas de ônibus e a incorporação de 33 delas aos trajetos integrados à Transcarioca. Outras 28 serão mantidas, duas continuarão operando, e 19 terão seus percursos desviados.   -Soube que algumas linhas de ônibus vão mudar de itinerário e outras não passarão mais por aqui. Mas se for para desafogar o trânsito, eu apoio – afirma Gisele.  A lista de imóveis que serão desapropriados foi divulgada pelo Diário Oficial do Município no dia 14 de dezembro de 2009. A principal reclamação dos moradores é a falta de informação e o descaso. Entre as insatisfações, há também a questão dos imóveis alugados. Na desapropriação, o inquilino perde o ponto de venda e não recebe parte alguma da indenização, que compete ao locatário.   - Eu só lamento pela derrubada da padaria que é tradicional no bairro. E também me preocupo com a travessia da rua, que antes

só tinha duas pistas com faixa de pedestres e sinal. E agora, como vai ficar? – desabafa, Gisele.   Segundo a Secretaria de Obras, ninguém foi comunicado antes para evitar especulações imobiliárias. O montante para os ressarcimentos será de R$ 300 milhões. Assim, o valor médio delas seria de R$ 82.644,62. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Obras informou ao Jornal O Globo que apenas os proprietários em situação regular, com posse do Registro Geral de Imóveis (RGI), serão indenizados. Quem não possui o registro passará por uma avaliação, que será feita pela Secretaria de Habitação.   Caso o proprietário não concorde com a avaliação proposta pelo município, a indenização será depositada em juízo e o poder judiciário decidirá a questão.   - Vale lembrar que, pela Constituição, o bem público possui supremacia sobre o privado - avisa o Secretário Municipal de Obras, Luiz Antônio Guaraná em entrevista ao Jornal Extra Online.   A Procuradoria-Geral do Município determinará as indenizações com a Comissão Especial de Avaliação - criada em 1994, à época dos preparativos para construção da Linha Amarela. A construção da via expressa, aliás, é o único parâmetro de comparação para a construção da BRT. A obra resultou em 783 desapropriações e na remoção de 3.091 famílias que viviam em favelas e terrenos invadidos no traçado de 15 km da autoestrada.

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FACILIDADES

á cronogramas a serem cumpridos para todas as mudanças, inclusive para a modernização dos ônibus, com a obrigação de chegar a 2016 com cem por cento dos veículos dentro do novo padrão. De acordo com a Fetranspor, até as Olimpíadas, os ônibus terão direção hidráulica, suspensão a ar, escadas de acesso rebaixadas, elevador para pessoas com deficiência, motor traseiro (para reduzir a poluição sonora dentro dos coletivos) e carroceria dupla articulada.   Dentre as mudanças que já serão percebidas pelos usuários, logo nos primeiros meses de operação, estão a nova identificação dos veículos (com cores padronizadas por região de exploração), o uso de GPS e a instalação de dispositivos de segurança como câmeras de vídeo. Outra novidade que já pode ser usufruída pelos passageiros é o Bilhete Único Carioca, no valor de R$ 2,50, que permite a utilização de duas viagens em um intervalo de duas horas e meia entre os embarques, proporcionando economia de R$ 2,50 para cada segunda viagem realizada.  Para o prefeito do Rio, Eduardo Paes, depois de 50 anos com o mesmo sistema de transportes, a cidade vive um de seus momentos mais importantes.

FALANDO EM CIFRAS O Tribunal de Contas da União (TCU) quer que a prefeitura apresente licenças ambientais para liberar R$ 500 milhões de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção da Transcarioca. Já a Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), liberou a prefeitura de contratar um estudo de impacto ambiental (EIA/Rima). Depois de longa negociação, o BNDES confirmou o financiamento de R$ 1,1 bilhão. O custo do projeto chega a R$ 1,3 bilhão dos quais R$ 1,1 bilhão são financiados pela instituição e R$ 220 milhões são uma contrapartida da prefeitura.   - Há 30 anos, o Rio espera para começar essas obras que interligam todo o sistema de transporte público. Além disso, conseguimos o empréstimo em boas condições. Ao contrário de outras cidades, o Rio fará a amortização em mais tempo, e terá que desembolsar R$ 131 milhões de contrapartida. Percentual inferior ao exigido para outros municípios - disse Luiz Antônio Guaraná em entrevista ao Jornal O Globo.

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MAIOR MERCADO POPULAR DO BRASIL É O XODÓ DE MADUREIRA

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e você quer comprar barato, o Mercadão de Madureira com certeza é o melhor lugar. Entre produtos de beleza, itens de decoração e artigos religiosos, o mercado oferece uma variedade de produtos e serviços a preços altamente competitivos no mercado do atacado e do varejo. São mais de 580 lojas que atraem cerca de 80 mil pessoas por dia.  Próximo ao centro comercial de Madureira e à estação de trem,

o Mercadão passou a ser um símbolo do comércio da cidade. Apesar de ser considerado um mercado popular, o Mercadão é local de convergência social. A aposentada Silvia Guedes confirma isso e se considera cliente fiel do lugar. Moradora da Barra da Tijuca, hoje aos 63 anos, ela fabrica bombons caseiros.   - Eu tiro um dinheirinho por fora com os meus bombons e ainda me divirto fazendo o que eu gosto. Devo isso ao Mer-

cadão, que vende tudo o que eu preciso sem que eu tenha que ir para o Centro. Saio da Barra para a Rodoviária de Madureira e pronto, já estou no Mercadão – afirma Silvia.   O Mercadão de Madureira fica na Av. Ministro Edgard Romero, nº 239, em Madureira e funciona de segunda à sábado de 6h às 19h e domingos e feriados de 7h às 12h. Vale à pena conferir!

Jéssica Reis

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ganhou o ã d a c r e M o , 9 Em 200 mbiental do A o it r é M io m ê o Pr do Museu a r tu a r e it L e d Centro Forte de e o it c r é x E o d Histórico ercado posm O . a n a b a c a Cop sistema de m o c to n o p o c sui um e da água to n e m ta a tr e captação ários, it n a s m e o s u a da chuva par eis, tratav á n r to e r s la o c produz sa esgoto, coleta o d l ia c r a p to men outras ativie tr n e , o x li o d seletiva biental. m a o ã ç a v r e s e r dades de p

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Histór ia Inaugura do em 191 4 como um feira livre a ponto de v enda de produtos agropecu ár localizado na quadr ios, era a do Impé Serrano. rio Em 1959, com a mo nidade em derinente do g ov foi inaugu rado em 1 erno JK, 8 de dezem bro no me smo local q u Em 2000 e é hoje. um incên dio destru por comp iu leto o Me rcadão e e de outubr m5 od o maior m e 2001, finalmente , ercado po p u l a r do reabre su as portas. país


Eu quero mais é samba

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ais carioca, mais brasileiro que ele, impossível. Nasce no morro e no asfalto, no subúrbio e na Zona Sul. O samba é um só. A alma do carioca. Cai bem com churrasco, feijoada, com cerveja gelada. Cai bem na sexta, no sábado. Nas ruas com o carnaval passando, nas rodas com alguém improvisando. Consagrou Noel, Cartola, Caymmi, Ary Barroso, Adoniran. Ou seria o contrário? O tamborim ecoa e o pandeiro batuca. O cavaco grita, a cuíca chora e os poetas cantam. Não precisa nascer na Portela, nem ter frequentado o Cacique de Ramos. Não precisa ter sido criado nas rodas de samba do Rio pra se fazer em qualquer uma delas. O samba é resistência, criação. Tem ginga, suingue e poder duplamente incansável de seduzir e libertar. É paixão que floresce e arrepia da cabeça aos pés. É paixão correspondida e transparente. Eu quero mais é samba miudinho, samba de partido alto. Eu Caroline Ribeiro quero mais é muito samba.

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Revista Sou Rio  

Trabalho Universitário da UFRRJ - Iniciativa das repórteres Jéssica Reis, Caroline Ribeiro, Enila Bruno e Thaís Fukuda.

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