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DESIGN de interiores

Fernanda RĂşbia | Jesley de Barros | Mirela Stefanoni | OsmĂĄrio Wanderlei


Referências DEMPSEY, A. Estilos, escolas e LARA, M. Publicidade: a máquimovimentos: guia enciclopédi- na de divulgar. São Paulo: Senac, co da arte moderna. São Paulo: 2010. Cosac & Naify, 2003.

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Renascimento http://4.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S6DJYHxpzSI/AAAAAAAAACs/gX5PiufPHnQ/s1600-h/renascimento+1.jpg http://www.lib-art.com/imgpainting/1/2/12521-the-nerli-cassone-jacopo-del-sellaio.jpg http://www.museoborgogna.it/it/salaII/pagine/imm/cassapanca.jpg http://www.christies.com/lotfinderimages/d51853/d5185328l.jpg Neoclassicismo: http://farm4.static.flickr.com/3269/2512926148_694f6a8185.jpg http://2.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60IPcedZxI/AAAAAAAAAJs/cUo5cAx40uc/s1600/N3.jpg http://1.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60IWALta-I/AAAAAAAAAJ0/Cx3QCP7ETuU/s1600/N4.jpg http://3.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60J8zD0PlI/AAAAAAAAAKM/_dbfQb_FWFk/s1600/E3.jpg

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Art Déco http://imgpe.trivago.com/uploadimages/56/51/5651563_l.jpeg Estilo Internacional http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2011/06/weissenhof-le-corbusier.jpg http://carolinekraft.com.br/design/galeria.asp?c=14# http://theurbanearth.files.wordpress.com/2008/08/195grandconfort-447.jpg http://2.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/TFMhSDeMa4I/AAAAAAAAAbk/duusNfG5xTE/s1600/CORBUSIER+4.jpg Design Orgânico http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cadeira-jolyonyates-chair-ode-oceanrocker-2.jpg http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cadeira-jolyonyates-chair-ode-leaf-stool-1. jpg http://1.bp.blogspot.com/_osi5SVG9jSU/SXSQPVH5Q0I/AAAAAAAABJY/ULlQNbowEws/s1600-h/ Maria+Yasko+3.jpg http://4.bp.blogspot.com/_osi5SVG9jSU/SXSQPGAtA6I/AAAAAAAABJI/_NLWe0KIfLQ/s1600-h/ Maria+Yasko+1.jpg http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Peca-banheiro-organica-3.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/01.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/111.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/031.jpg http://maisarquitetura.com.br/wp-content/uploads/karim_260410_01-630x473.jpg http://maisarquitetura.com.br/wp-content/uploads/karim_260410_07-940x705.jpg http://www.designorganico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/RossLovegrove5_B_DNA_in_office.jpg

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Sumário

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04 Design de Interiores 06 Século XVIII 07 Renascimento 08 Barroco 09 Rococó 10 Neoclassicismo 11 Art and Crafts 14 Art Nouveau 16 Art Déco 17 Bauhaus 18 Estilo Internacional 20 Design Orgânico 22 Design Pop 24 Design Pós-Moderno 26 Referências

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Matéria da Capa

Design de Interiores

O

Design de Interiores busca unir as ideias de funcionalidade e beleza com o propósito de melhorar os ambientes de uma casa e os demais espaços utilizados no nosso dia-a-dia, sejam eles para lazer, trabalho ou saúde. 1 Desde os início da civilização o homem busca melhorar o espaço em que vive. Há registros de que na antiguidade os egípcios pintavam o interior das suas moradias com cores fortes, os romanos faziam mosaicos e pinturas murais e os gregos tinham grande habilidade na cerâmica. 1

1- Disponível em: http://goo.gl/znI5y acessado em 29 de junho de 2011.

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esse objeto oferece em seu contexto de uso. Esse grupo anti-design ganhou força e ocasionou à criação do grupo Menphis, esse grupo se propôs em lançar uma série de móveis inspirados em estilos passados. 18 19 http://goo.gl/MmvIB O Menphis teve sua primeira exposição em 1981, Milão, e contou com 31 peças de releitura, Por viverem em umcores tempo em que ase principais os designers utilizaram primárias padrões atividades cotidianas eram realizadas ao arcomlivre e que lembravam o Op Art. O mobiliário era muitopor tempo eraformas gasto para se realizar essa tarefa, posto cores, e padrões improváveis casas dessesao povos reuniam pouca quantidade deasser aplicados mesmo tempo, o que acabou 19 de mobiliário e utensílios, contando apenas com o resultando numa série divertida. básico combinado com paredes coloridas. 1

18 Disponível em http://goo.gl/eHGvQ acessado em 10 de junho de 2011. Na Idade Média, poucaacessado coisa em se 10 sobressai 19 Disponível em http://goo.gl/HKAeA de junho dequan2011.

to ao design de interiores, sendo os castelos e igrejas os ambientes mais representativos. Os castelos têm decoração sóbria nos tetos, pisos e paredes, com objetos de metal e madeira. Enquanto que as igrejas têm estilos variados, mas em geral com mais requinte, de acordo com o estilo vigente em cada período. 1

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http://goo.gl/k7MRV


Século XVIII N

o século XVII as residências se humanizam e assumem dimensões apropriadas à escala humana, e nesse mesmo período com o surgimento da burguesia as casas se tornam luxuosas seguindo os padrões vigentes na época, impostos pelos Países Baixos, Inglaterra e França, já inuenciados pela Itália. 1 A partir do século XVIII acontecem grandes mudanças não só referentes às invenções tecnológicas que foram um marco na época, como o trem e a locomotiva a vapor, mas também no que se refere ao design de interiores. Juntamente com a mecanização dos meios de trabalho e o aumento da demanda por produtos e comida decorrentes do aumento populacional na Europa, um novo estilo artístico surge: o Rococó. Surgido na França no m do reinado de Luís XIV, esse estilo propõe certa feminilização e adoçamento no gosto, com motivos ornamentais exagerados. É adotado depois na Itália e principalmente na Alemanha. 1

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Renascimento

http://goo.gl/uWFgj

C

om conceitos humanizados, as casas adquirem o sentido de residência, deixando de ser apenas uma habitação, logo os móveis tornam-se peças mais descoladas e fazem parte dos interiores e se integram aos projetos arquitetônicos. Novos ornamentos passam a surgir e fazer parte do vocabulário, como, cornijas, cariátides e festões, contudo ainda prevalece a rigidez medieval na maioria das peças, sendo raros os móveis de luxo. Os móveis renascentistas eram praticamente uma cópia dos edifícios daquela época, certas peças pareciam miniaturas dos prédios. 2

Modelos em destaque são a cassone e a cassapanca. Cassone é uma espécie de arca usada como presente de casamento onde guardavam o enxoval e demais pertences. “Era um móvel bastante trabalhado e ornamentado, com entalhes, cenas pintadas com temas ligados à antiguidade Clássica ou mitologia grega, com pés em forma de pata de leão”; enquanto a cassapanca era um móvel de guarda menos ornamentado e que também servia de assento, era usado pelo senhor da casa, o que demarcava seu lugar perante aos criados e visitantes. 2

2- Disponível em http://goo.gl/ymjCj acessado em 09 de junho de 2011.

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Barroco N

o período Barroco é quando ocorrem grandes transformações no mobiliário devido ao constante comércio com os orientais. Caracterizado pelo contraste entre ostentação e austeridade nas decorações e no mobiliário, o Barroco tem por um lado o luxo exuberante das peças folheadas em ouro, por outro, peças que ainda lembram o período medieval, seguindo formas rígidas e assentos desconfortáveis – duros e retos. 3

Design Orgânico Nesse contraste surgiram móveis que nos são familiares até hoje, como os guarda-roupas, cristaleiras, estantes e o sofá – algo altamente evoluído para a época. 3

3- Disponível em http://goo.gl/7z0pR acessado em 09 de junho de 2011.

O

conceito de design orgânico, data da década de 50, com a tentativa de humanizar as formas utilizadas no desenvolvimento de objetos de decoração e móveis, mas esse movimento não é característico apenas de um período temporal, ele está presente em outros estilos e épocas. Caracteriza-se pelo fato de imitar a natureza

na confecção de objetos, engloba também o uso de elementos sustentáveis, e de meios de produção com técnicas tradicionais. No movimento há a presença de curvas, para dar a impressão de movimento, cores vivas e variadas formas e texturas. 13 14

80, mas desde o início do século 20 existiam peças inspiradas no Art Nouveau, estilo que remetia às formas orgânicas. Mas é um movimento que perdeu um pouco a sua força devido à diculdade de produção dessas formas variadas em grande escala. 13

No Brasil essa denominação só chega a partir da década de

13 Disponível em http://goo.gl/EGbSK acessado em 09 de junho de 2011. 14 Disponível em http://goo.gl/kM4OZ acessado em 09 de junho de 2011

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http://goo.gl/n0APL http://goo.gl/7oeAO


Rococó

http://goo.gl/B3nRg

O

estilo Luís XV ou Rococó é uma suavização dos padrões carregados do Barroco, aqui a arquitetura de interiores e mobiliário se integram de uma forma que não tinha acontecido em nenhum período anterior. O rococó corresponde a padrões da elegância da corte, e nessa época que se prezam pelos espaços íntimos, distinguindo, assim, os espaços sociais e privados, demonstrando preocupação com o conforto e privacidade. 4

No Rococó há uma preocupação maior em como os móveis estarão organizados no espaço dos ambientes, atingindo um caráter decorativo e se tornando itens de coleção. A mobília torna-se mais acessível à população. 4

4- Disponível em http://goo.gl/SkXiO acessado em 09 de junho de 2011.

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Neoclassicismo

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urge no nal do século XVIII e se estende nas pelas três primeiras décadas do século XIX, esse movimento buscava retomar os estilos antigos, tais como a arte grega, romana, renascentista e barroca; as técnicas empregadas eram as ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes, e buscava a imitação da natureza. 5 6 7

Na arquitetura, trás os modelos de templos greco-romanos e edicações do renascimento italiano, e utilizam matérias nobres, formas geométricas e simétricas, retoma o uso da abóboda de berço, de cúpulas. Um exemplo de arquitetura neoclássica é o Panteão Nacional em Paris (antiga Igreja de Santa Genoveva). 5 6 7

No mobiliário, foi identicados sinais de decadência das monarquias europeias, que se voltou para a nostalgia de peças baseadas, principalmente, na arte grega, com bastante presença de bronze nas suas confecções. Com as campanhas Napoleônicas, passa a ter elementos bélicos e egípcios. 8

5 Disponível em http://goo.gl/g3yRN acessado em 09 de junho de 2011. 6 Disponível em http://goo.gl/oqmiV acessado em 29 de junho de 2011. 7 Disponível em http://goo.gl/ZnDi8 acessado em 29 de junho de 2011. 8 Disponível em http://goo.gl/RTaM7 acessado em 29 de junho de 2011.

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http://goo.gl/G5QXC


Art and Crafts O

Arts and Crafts teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XIX até o século XX, disseminou-se na Europa continental e nos Estados Unidos. Artistas, arquitetos, designers, escritores, artesãos e lantropos participaram deste movimento reivindicando a importância do design e do artesnato em todas as artes diante da crescente industrialização, com o objetivo de acabar com a hierarquia das artes (que exaltava a pintura e a escultura), a m de reavivar e restaurar o artesanato e, fazer uma arte acessível a todas as classes sociais. (DEMPSEY, 2003, p. 19)

ser ao mesmo tempo bela e funcional. (DEMPSEY, 2003, p. 19) A Casa Vermelha, construída por Phillip Webb a pedido de Morris caracteriza o início do Movimento. Em 1861, Morris juntamente com seis amigos, dentre os quais pintor, topógrafo e contador, fundaram a empresa de decoração e manufatura Morris, Marshall, Faulkner 7 Co. (mais tarde Morris & Co). Nesta empresa os artesãos criavam e, ao mesmo tempo executavam a obra, os membros da companhia projetavam e produziam objetos domésticos, como mobiliário, tapeçaria, vitrais, tecidos de decoração, forros, ladrilhos e papel de parede. (DEMPSEY, 2003, p. 19-20)

Le Corbusier, arquiteto suíço, foi um dos primeiros a utilizar esse estilo na arquitetura residencial, tendo nesses projetos as formas retas, estruturas em aço, grandes paredes brancas e divisões feitas em vidro, tomando um aspecto de caixa. 11 No mobiliário, mantêm a simplicidade como nas cadeiras Grand Confort e Chaise-longue, de Le Corbusier, que possuíam a geometrização dos traços e a utilização do aço em sua estrutura. 12 12 Disponível em http://goo.gl/jclOf acessado em 11 de junho de 2011. nal/ acessado em 10 de junho de 2011.

O grande expoente do movimento Arts and Crafts foi o designer, pintor, poeta e reformador social Os temas e motiWilliam Morris, este vos deste movimento desenvolveu o conceito reportavam-se às de que a arte deveria lendas do Rei Arthur

http://goo.gl/SZfbR

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http://goo.gl/MmTLM


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http://goo.gl/rB43K


que o design deveria ser ditado pela função, de que os estilos vernaculares de arquitetura e de materiais locais integrar-se à paisagem circunstante e que era essencial livrar-se dos historicistas. Dessa postura resultaram inúmeras edicações, sobretudo residências para a classe média. Esses princípios arA arquitetura quitetônicos nutriam o constitui o aspecto crescente movimento mais radical devido das cidades-jardins na aos princípios que se Inglaterra, no início tornaram marco para do século XX, o qual a arquitetura do século juntou, em grande esXX, desenvolvidos por cala, o projeto do Arts expoentes do moviand Crafts e ideias da mento. (DEMPSEY, reforma social de Mor2003, p. 20) ris.” (DEMPSEY, 2003, “Tais princípios p. 20) incluíam a crença de Esse movimento e à poesia de Geoffrey Chaucer, poeta do século XX, pois sua principal inovação estava na sua ideologia e não em seu estilo ou projetos. O movimento fracassou no aspecto de promover suas artes para as massas, pois seus produtos eram caros. (DEMPSEY, 2003, p. 20)

baseava-se na criação de cidades pequenas e economicamente autossucientes pelo país, com o objetivo de deter a expansão urbana e o excesso populacional. (DEMPSEY, 2003, p. 22)

O movimento decai durante a Primeira Guerra Mundial, mas o ideal artesanal do movimento está por trás do prestígio que o design desfruta nos dias de hoje. (DEMPSEY, 2003, p. 22)

Em 1888 foi criada a Arts and Crafts Exhibition Society, que deniu como seu principal objetivo colocar todas as atividades do espírito humano sob a inuência de uma ideia, a de que a vida é uma criação. O desenho ser um mobiliário simples, sem adornos, simplicidade, utilidade eram os conceitos fundamentais do design. (DEMPSEY, 2003, p. 22) 13


Art Nouveau A

rt Nouveau foi o movimento internacional que se espalhou pela Europa e os Estados Unidos desde o nal da década de 1880 até a Primeira Guerra Mundial. (DEMPSEY, 2003, p. 33) “Foi uma tentativa de criar uma arte verdadeiramente moderna, caracterizada pela ênfase na linha – fosse ela ondulante, gurativa, abstrata ou geométrica – tratada com ousadia e simplicidade.” (DEMPSEY, 2003, p. 33) Embora o Art Nouveau fosse um estilo moderno, buscava inspirar-se em modelos passados, principalmente os desconsiderados e os exóticos, tais como a arte e a decoração japonesa, iluminuras e ourivesaria céltica e saxônica e a arquitetura gótica. Com as descobertas cientícas as formas naturais também eram empregadas e eram vistas como modernas e progressistas. (DEMPSEY, 2003, p. 33,35) “[...] Art Nouveau englobava todas as artes. Suas manifestações mais bem sucedidas se deram na arquitetura e nas artes grácas e aplicadas, nas quais adotaram novos materiais e novas tecnologias.” (DEMPSEY, 2003, p. 35) As suas principais tendências foram baseadas na linha intricada, assimétrica, sinuosa – França e Bélgica – e outra que 14


adotava uma abordagem mais retilínea – Escócia e Áustria. (DEMPSEY, 2003, p. 35) Um grande expoente deste movimento foi o designer e arquiteto escocês Charles Rennie Mackintosh com seus métodos de trabalho em grupo, estilo linear de grades, linhas e curvas verticais e alongadas. Seus interiores integrados e seu estilo puro e geométrico de mobiliário e arquitetura inspiraram muitas descobertas na arte, na arquitetura e no design do século XX. (DEMPSEY, 2003, p. 35) O Art Nouveau oresceu rapidamente na Bélgica, onde os Vinte, grupo artístico progressista que promovia um clima artístico e intelectual experimental, nomes importantes desse grupo eram Victor Horta e Henry van de Velde. Horta, considerado o pai da arquitetura Art Nouveau, é famoso pela linha “belga” ou “horta”, a característica curva de chicotada. A Casa Tassel, em Bruxelas, foi a primeira residência particular onde o ferro forjado foi empregado extensivamente, tendo em vista objetivos estruturais e o design de interiores. (DEMPSEY, 2003, p. 35)

http://goo.gl/2Bh0s

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http://goo.gl/i8UwD

Art Déco

T

em início na década de 20, recebe essa denominação a partir da exposição “Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas”, realizada em Paris em 1925. Caracterizam-se por formas geométricas, linhas retas, volumes e planos sobrepostos. Utilizava materiais nobres na produção das peças, como a madrepérola, o bronze, mármore e peles de animais. 9 O movimento está interligado às grandes cidades, à evolução tecnológica do entre guerras, aos arranha-céus; começa como um movimento fútil, para as elites, mas depois se torna acessível 9 Disponível em http://goo.gl/TD4ro acessado em 10 de junho de 2011.

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as grande massas. 9 Na arquitetura, um bom exemplo das características do movimento é o edifício Chrysler, em Nova York. 9 No design de interiores, tanto na composição dos ambientes quanto no mobiliário, a ideia não era diferente, exaltava as possibilidades da atual evolução tecnológica e os projetos assumiam características futuristas e linhas aerodinâmicas, que causavam a sensação de movimento e velocidade. 9


Bauhaus

N

ascida como uma escola de design que funcionasse como uma consultoria para a indústria, comércio e ofícios, Bauhaus tornou-se um mito na história do design por defender uma formação e visão do design ímpar. No decorrer de seu funcionamento a escola passou por diversas mudanças. Os ideais divergentes de Bauhaus possibilitaram uma concepção interdisciplinar dos ensinamentos instie à poesia de da Geoffrey 10 tuição. Chaucer, poeta do

pios básicos do design, teoria da cor e forma. Após isso os estudantes se dirigiam às ocinas que ofereciam formação com metais, mobiliário, tecidos, tapeçaria, fotograa, tipograa, etc. Movimentos como o De Stijl e Construtivismo exerceram grande inuência sobre a Bauhaus. 10

Em sua primeira fase, na cidade de Weimar, a escola reuniu no corpo docente diversos artistas expressionisque oJohannes design deveria tas. Itten ser ditado pela função, teve grande importânde que osprimeiro estilos vernaséculo XX, pois sua neste moBauhaus possuía cia culares de arquitetura principal inovação um curso inicial que mento ao ministrar aue de materiais locais estava na sua de teoria da forma e ensinavam osideologia princí- las e não em seu estilo ou integrar-se à paisagem quede era projetos. 10 Disponível O em movimento http://goo.gl/VwrSUcircunstante acessado em 10 de e junho 2011. fracassou no aspecto essencial livrar-se dos Dessa de promover suas artes historicistas. resultaram para as massas, pois postura seus produtos eram ca- inúmeras edicações, ros. (DEMPSEY, 2003, sobretudo residências para a classe média. p. 20) Esses princípios arA arquitetura quitetônicos nutriam o constitui o aspecto crescente movimento mais radical devido das cidades-jardins na aos princípios que se Inglaterra, no início tornaram marco para do século XX, o qual a arquitetura do século juntou, em grande esXX, desenvolvidos por cala, o projeto do Arts expoentes do moviand Crafts e ideias da mento. (DEMPSEY, reforma social de Mor2003, p. 20) ris.” (DEMPSEY, 2003, “Tais princípios p. 20) incluíam a crença de Esse movimento

história da arte, adotou a metodologia da “intuição com método”, onde os alunos tinham liberdade para criar qualquer coisa que lhes viessem à cabeça, não se importando com a funcionalidade. 10

Na década de 30, Bauhaus passa pela sua terceira fase de transformações, e seu novo diretor adota o método de construção e desenvolvimento, dando ênfase à arquitetura. Devido a problemas políticos da época, Bauhaus fecha as portas três anos mais tarde. Entretanto sua contribuição ao meio designer que inuenciou a criação de grandes cursos de design. Parte do corpo docente emigrou decai para O movimento os Estados Unidos durante a Primeira da América (EUA) e Guerra Mundial, mas tentaram restabelecer o ideal artesanal do uma Nova Bauhaus em movimento está por 10 Chicago trás do (1937). prestígio que

Na segunda fase da escola houveram grandes mudanças no corpo docente e direção da escola, onde o novo diretor tinha uma visão mais cientica, racional e grandes aspirações politicas. baseava-se na A escola mudacriação para de cidades pequenas Dessau e os professo-e economicamente aures recebem moradias tossucientes pelo país, próximas da Bauhaus. com o objetivo de deter 10 a expansão urbana e o excesso populacional. o design desfruta nos (DEMPSEY, 2003, p. dias de hoje. (DEMPSEY, 2003, p. 22) 22) Em 1888 foi criada a Arts and Crafts Exhibition Society, que deniu como seu principal objetivo colocar todas as atividades do espírito humano sob a inuência de uma ideia, a de que a vida é uma criação. O desenho ser um mobiliário simples, sem adornos, simplicidade, utilidade eram os conceitos fundamentais do design. (DEMPSEY, 2003, p. 22) 17 13 http://goo.gl/XNULM


Estilo Internacional E

stilo de origem suíça, permaneceu no período pós-guerra, tem seu ápice na década de 50 e possuía a ideia de que a forma seguiria somente à função, que qualquer ornamento era inútil, pois apenas seria uma interferência visual para aquilo que se desejava mostrar. É inuenciado pelo movimento e o funcionalismo pregado na escola Bauhaus. 11

Com suas características, o minimalismo, a geometrização, a utilização de materiais industriais, a objetividade e a compreensão da mensagem, o estilo internacional modicou a arquitetura, construindo prédios visando à função e não os ornamentos, no design aplicavam-se com mais clareza. 11 11 Disponível em http://goo.gl/QTFvb acessado em 10 de junho de 2011.

http://goo.gl/5Y6vf

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Art and Crafts O

Arts and Crafts teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XIX até o século XX, disseminou-se na Europa continental e nos Estados Unidos. Artistas, arquitetos, designers, escritores, artesãos e lantropos participaram deste movimento reivindicando a importância do design e do artesnato em todas as artes diante da crescente industrialização, com o objetivo de acabar com a hierarquia das artes (que exaltava a pintura e a escultura), a m de reavivar e restaurar o artesanato e, fazer uma arte acessível a todas as classes sociais. (DEMPSEY, 2003, p. 19)

ser ao mesmo tempo bela e funcional. (DEMPSEY, 2003, p. 19) A Casa Vermelha, construída por Phillip Webb a pedido de Morris caracteriza o início do Movimento. Em 1861, Morris juntamente com seis amigos, dentre os quais pintor, topógrafo e contador, fundaram a empresa de decoração e manufatura Morris, Marshall, Faulkner 7 Co. (mais tarde Morris & Co). Nesta empresa os artesãos criavam e, ao mesmo tempo executavam a obra, os membros da companhia projetavam e produziam objetos domésticos, como mobiliário, tapeçaria, vitrais, tecidos de decoração, forros, ladrilhos e papel de parede. (DEMPSEY, 2003, p. 19-20)

Le Corbusier, arquiteto suíço, foi um dos primeiros a utilizar esse estilo na arquitetura residencial, tendo nesses projetos as formas retas, estruturas em aço, grandes paredes brancas e divisões feitas em vidro, tomando um aspecto de caixa. 11 No mobiliário, mantêm a simplicidade como nas cadeiras Grand Confort e Chaise-longue, de Le Corbusier, que possuíam a geometrização dos traços e a utilização do aço em sua estrutura. 12 12 Disponível em http://goo.gl/jclOf acessado em 11 de junho de 2011. nal/ acessado em 10 de junho de 2011.

O grande expoente do movimento Arts and Crafts foi o designer, pintor, poeta e reformador social Os temas e motiWilliam Morris, este vos deste movimento desenvolveu o conceito reportavam-se às de que a arte deveria lendas do Rei Arthur

http://goo.gl/SZfbR

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http://goo.gl/MmTLM


Design Orgânico

O

conceito de design orgânico, data da década de 50, com a tentativa de humanizar as formas utilizadas no desenvolvimento de objetos de decoração e móveis, mas esse movimento não é característico apenas de um período temporal, ele está presente em outros estilos e épocas. Caracteriza-se pelo fato de imitar a natureza

na confecção de objetos, engloba também o uso de elementos sustentáveis, e de meios de produção com técnicas tradicionais. No movimento há a presença de curvas, para dar a impressão de movimento, cores vivas e variadas formas e texturas. 13 14

80, mas desde o início do século 20 existiam peças inspiradas no Art Nouveau, estilo que remetia às formas orgânicas. Mas é um movimento que perdeu um pouco a sua força devido à diculdade de produção dessas formas variadas em grande escala. 13

No Brasil essa denominação só chega a partir da década de

13 Disponível em http://goo.gl/EGbSK acessado em 09 de junho de 2011. 14 Disponível em http://goo.gl/kM4OZ acessado em 09 de junho de 2011

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http://goo.gl/n0APL


Rococó Exemplos desse tipo de design são os apresentados nas cadeiras projetadas pelo designer Jolyon Yates, que remetem às formas orgânicas, fabricadas artesanalmente. 15

15 Disponível em http://goo.gl/3pK2q acessado em 10 de junho de 2011.

http://goo.gl/B3nRg

O

estilo Luís XV ou Rococó é uma suavização No Rococó há uma preocupação maior em dos padrões carregados do Barroco, aqui a como os móveis estarão organizados no espaço arquitetura de interiores e mobiliário se integram dos ambientes, atingindo um caráter decorativo de uma forma que não tinha acontecido em ne- e se tornando itens de coleção. A mobília torna-se nhum período anterior. O rococó corresponde a mais acessível à população. 4 http://goo.gl/Z2fCz padrões da elegância da corte, e nessa época que se prezam pelos espaços íntimos, distinguindo, assim, os espaços sociais e privados, demonstrando preocupação com o conforto e privacidade. 4 4- Disponível em http://goo.gl/SkXiO acessado em 09 de junho de 2011.

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Design Pop

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http://goo.gl/Ofvpj

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design Pop criava uma releitura de imagens, ícones e símbolos da época, dos quais se apropriava gerando nessas novas imagens a explosão de energia, de cores, motivos e atitudes. A ideia do movimento surge após a Segunda Guerra Mundial, quando os artistas inventam de fazer colagens utilizando símbolos de consumismo da época e a coincidência da manifestação artística com o momento em que ocorre, adicionado do sentimento de nacionalismo, faz com que esse movimento chegue à grandeza. (LARA, 2010, p. 58-59)

No mobiliário, usavam-se materiais como o plástico para alcançar novas formas e curvas. Alguns móveis que usaram essa nova conguração se tornaram ícones do movimento, como a cadeira Sacco, de Gatti, Paolini e Teodoro ou a poltrona inável de Lomazzi, De Pas & d’Urbino. Os designers pop criavam peças voltadas para o futuro, não pensam apenas no objeto funcional, recebem elementos que possibilitam a interação com o objeto estimulando sensações, devido suas formas, cores vibrantes e diferentes materiais. 16

nesse movimento foi a Ball Chair, desenvolvida pelo designer Eero Arnio, em 1963, feita em bra de vidro. 17

As produções grácas desse movimento ainda são empregadas nos dias atuais na decoração e composição de espaços internos de casas e apartamentos, peças criadas por Andy Warhol, com suas cores variadas e diversidade na representação de uma mesma gura, são um exemplo disso. Quadros como os da Marilyn Monroe e os da propaganda da sopa “Campbell’s” são bastante Outra poltrona, apresentada utilizados. 17

16 Disponível em http://goo.gl/YpGAf acessado em 09 de junho de 2011. 17 Disponível em http://goo.gl/Qlceu acessado em 10 de junho de 2011.

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Design Pós-Moderno O

movimento data da década de 60 apresenta formas de estrutura e materiais alternativos, algumas vezes usando materiais orgânicos nas fabricações de objetos. Foi um movimento que, seus integrantes radicais iam contra a ideia do “bom design”, faziam releituras de peças clássicas, para a confecção de outros que às vezes não tinham nalidade nenhuma, ou ergonomicamente, era “mal solucionados”. Acreditavam que a forma não seguia a função, mas sim a capacidade de comunicação que

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esse objeto oferece em seu contexto de uso. Esse grupo anti-design ganhou força e ocasionou à criação do grupo Menphis, esse grupo se propôs em lançar uma série de móveis inspirados em estilos passados. 18 19 http://goo.gl/MmvIB O Menphis teve sua primeira exposição em 1981, Milão, e contou com 31 peças de releitura, Por viverem em umcores tempo em que as principais os designers utilizaram primárias e padrões atividades cotidianas eram livre e que lembravam o Op Art. O realizadas mobiliário ao eraarcommuito tempo eraformas gasto para se realizar essa tarefa, posto por cores, e padrões improváveis casas dessesao povos reuniam pouca quantidade deasser aplicados mesmo tempo, o que acabou 19 de mobiliário e utensílios, contando apenas com o resultando numa série divertida. 1 básico combinado com paredes coloridas.

18 Disponível em http://goo.gl/eHGvQ acessado em 10 de junho de 2011. Na Idade Média, poucaacessado coisaem se10sobressai 19 Disponível em http://goo.gl/HKAeA de junho de quan2011.

to ao design de interiores, sendo os castelos e igrejas os ambientes mais representativos. Os castelos têm decoração sóbria nos tetos, pisos e paredes, com objetos de metal e madeira. Enquanto que as igrejas têm estilos variados, mas em geral com mais requinte, de acordo com o estilo vigente em cada período. 1

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http://goo.gl/k7MRV


Referências DEMPSEY, A. Estilos, escolas e LARA, M. Publicidade: a máquimovimentos: guia enciclopédi- na de divulgar. São Paulo: Senac, co da arte moderna. São Paulo: 2010. Cosac & Naify, 2003.

Renascimento http://4.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S6DJYHxpzSI/AAAAAAAAACs/gX5PiufPHnQ/s1600-h/renascimento+1.jpg http://www.lib-art.com/imgpainting/1/2/12521-the-nerli-cassone-jacopo-del-sellaio.jpg http://www.museoborgogna.it/it/salaII/pagine/imm/cassapanca.jpg http://www.christies.com/lotfinderimages/d51853/d5185328l.jpg Neoclassicismo: http://farm4.static.flickr.com/3269/2512926148_694f6a8185.jpg http://2.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60IPcedZxI/AAAAAAAAAJs/cUo5cAx40uc/s1600/N3.jpg http://1.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60IWALta-I/AAAAAAAAAJ0/Cx3QCP7ETuU/s1600/N4.jpg http://3.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/S60J8zD0PlI/AAAAAAAAAKM/_dbfQb_FWFk/s1600/E3.jpg Art Déco http://imgpe.trivago.com/uploadimages/56/51/5651563_l.jpeg Estilo Internacional http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2011/06/weissenhof-le-corbusier.jpg http://carolinekraft.com.br/design/galeria.asp?c=14# http://theurbanearth.files.wordpress.com/2008/08/195grandconfort-447.jpg http://2.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/TFMhSDeMa4I/AAAAAAAAAbk/duusNfG5xTE/s1600/CORBUSIER+4.jpg Design Orgânico http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cadeira-jolyonyates-chair-ode-oceanrocker-2.jpg http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cadeira-jolyonyates-chair-ode-leaf-stool-1. jpg http://1.bp.blogspot.com/_osi5SVG9jSU/SXSQPVH5Q0I/AAAAAAAABJY/ULlQNbowEws/s1600-h/ Maria+Yasko+3.jpg http://4.bp.blogspot.com/_osi5SVG9jSU/SXSQPGAtA6I/AAAAAAAABJI/_NLWe0KIfLQ/s1600-h/ Maria+Yasko+1.jpg http://marcoscesarinteriores.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Peca-banheiro-organica-3.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/01.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/111.jpg http://adrianabaccari.files.wordpress.com/2010/10/031.jpg http://maisarquitetura.com.br/wp-content/uploads/karim_260410_01-630x473.jpg http://maisarquitetura.com.br/wp-content/uploads/karim_260410_07-940x705.jpg http://www.designorganico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/RossLovegrove5_B_DNA_in_office.jpg

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Design Pop http://4.bp.blogspot.com/-aRP1Q94eGLg/TdqCgkoZvJI/AAAAAAAAFkU/SvpZlFL4Zo4/s1600/revista-casaclaudia-maio-italia-linha-tempo_04.jpg http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Casaejardim/foto/0,,34490002,00.jpg http://1.bp.blogspot.com/_SWoG6vMpKo0/TEChce4l5jI/AAAAAAAAAIM/vYiOLuDhp8M/s1600/ballchair.jpg http://1.bp.blogspot.com/-qsSypdi4-aU/Tc3Bs_TCh3I/AAAAAAAACr0/JLPYde1JU2w/s1600/salaestarquadros.jpg http://2.bp.blogspot.com/-3ljf-205Lio/Tc3iNVFiprI/AAAAAAAACsI/genzZUXQvx0/s1600/andysopas.jpg Design P贸s-moderno http://4.bp.blogspot.com/_rtRFgNf03Bs/TB5QZUL-mdI/AAAAAAAAAEM/Hidv8GO2K3E/s320/ettoresottsass.jpg http://farm1.static.flickr.com/59/214237787_9a20e17de7_o.jpg http://4.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/TGrdwY1GLxI/AAAAAAAAAdk/pxgclbXSL6Q/s1600/posmoderno+3.jpg http://1.bp.blogspot.com/_dTIOMSQptYM/TGren-OhqsI/AAAAAAAAAd8/fnX7F9Unfc0/s1600/safari.jpg http://design-milk.com/images/2008/MM/2413076765_544ff5ce0d.jpg


Universidade Federal do Espírito Santo Centro de Artes Departamento de Desenho Industrial História das Técnicas e do Design Gráfico Ms. Letícia Pedruzzi Fonseca Fernanda Rúbia Batista Jesley de Barros Mirela Capistrano Stefenoni Osmário Cavalcante Wanderlei Jr.

Relatório - História do Design de Interiores

Vitória - ES 2011

Revista Design de Interiores  

Revista produzida por Jesley de Barros, Osmario Wanderlei, Fernanda Rúbia e Mirela Stefanoni para a disciplina de Historia das Tecnologias d...