Page 1


Viva São roque Nossa cidade novamente entra em uma de suas épocas mais festivas, um tempo de alegria, mas também de confraternização e religiosidade. Não é difícil ouvir alguém dizer que o ano do são-roquense não começa em 1° de janeiro, mas sim depois do dia 16 de agosto, após o aniversário da cidade, e apesar deste ditado parecer exagerado, ele parece ter um fundinho de verdade quando paramos para notar a movimentação das pessoas durante o período de festa, na entrada dos carros de lenha, durante os show e procissões. As Festas de Agosto são mais do que uma simples comemoração do aniversário de São Roque, elas fazem parte da história do município, sendo um resquício da época em que a cidade foi fundada e do caráter religioso que nos cerca desde então. É um tempo de revigorarmos nossa fé e tradição, afinal é um momento que une pessoas de todas as idades e traz a nova geração para participar dos ritos e eventos municipais é a única forma de fazermos com que elas continuem a ser realizados no futuro. Além da celebração, agosto é o momento de olharmos para São Roque e pensarmos no que queremos para nossa cidade, para que possamos seguir pelo resto do ano cobrando as autoridades competentes pelas melhorias que tanto precisamos, seja no turismo, na educação, saúde, segurança e tantas outras áreas que podem melhorar. Mas, acima de tudo, agosto é um tempo de apreciarmos nosso município, de repararmos em como, apesar de alguns problemas, vivemos em uma cidade linda e que oferece atrativos a todos que moram nela. É um tempo de se orgulhar de ser são-roquense, seja de nascimento ou de coração, para que possamos gritar com alegria “Viva São Roque”!

Prefeito Claudio Góes Agosto é o mês do são-roquense. É época em que se aflora em todos nós, ainda mais, o sentimento de pertencimento à nossa aprazível Cidade. Agora são 361 anos, uma nova página que juntos escrevemos, com novos sonhos e novas realizações. É uma satisfação fazer parte dessa trajetória. Tenho orgulho de ser são-roquense, filho dessa Terra de gente honesta e do bem. Parabéns São Roque. Parabéns aos Festeiros. Parabéns ao nosso povo!

Niltinho Bastos Presidente da Câmara Municipal Parabéns, São Roque! Nesses 361 anos tenho muito orgulho de fazer parte de sua história como Vereador e Presidente da Câmara Municipal, mas sobretudo como um são-roquense que ama esta terra e sua gente, uma gente guerreira e batalhadora que vive com fé, admira sua beleza, aprecia sua natureza, se doa para seu progresso, trabalha com garra e acredita no seu futuro. Viva São Roque! Viva o Santo Roque!


S

Um polo turístico em expansão

ão Roque é uma estância turística desde a década de 90 e, uma das maiores missões do município foi trazer visitantes para conhecer os encantos de nossa cidade. Uma tarefa difícil, afinal muitas cidades de nossa região também oferecem atrativos de qualidade aos seus turistas, porém poucas trazem as maravilhas que a tão conhecida “Terra do Vinho” tem a oferecer. Podemos começar pela própria marca da cidade, que tem o vinho como uma de suas referências, assim como sua gastronomia, atraindo anualmente milhares de pessoas para conhecer o nosso Roteiro do Vinho, recheado de estabelecimentos conhecidos pela sua qualidade e bom atendimento. Porém não é apenas do vinho e da boa comida que o turismo de São Roque pode desfrutar. A região central também recebe muitos visitantes para conhecer pontos maravilhosos, como o Centro Cultural Brasital, a Capela de São Bene-

Fotos: Arquivo JE

dito e também nossa igreja da Matriz, construída no século XVII e considerada um dos templos religiosos mais bonitos da região. Na verdade, a religiosidade é um dos pilares são-roquenses, contando com outros pontos turísticos que tem a história e a religião como grandes atrativos, como a Capela de Santo Antônio e o Morro do Saboó, um dos pontos mais altos da nossa região e que também atrai diver-

sos devotos, além de ser conhecido pelas suas belezas naturais. E para os que curtem uma boa aventura, São Roque também conta com o Ski Mountain Park, um dos únicos lugares do Brasil onde os amantes de ski podem realizar este esporte radical, além de outras atividades. Por estas e outras atrações, São Roque tem se tornado cada vez mais conhecida no seguimento turístico,

conquistando o título de melhor roteiro de Turismo Rural de São Paulo, disputando com mais de 400 cidades no Prêmio Top Destinos Turísticos. "É com enorme felicidade que trazemos esse prêmio para nossa casa, a nossa São Roque. É muito bom ver o reconhecimento aos esforços de todos, incluindo poder público e iniciativa privada”, comenta o Diretor do Departamento de Turismo, Márcio Feltrin, na época da premiação. Mas as conquistas não devem parar por

aí. A administração são-roquense já busca oferecer mais oportunidades aos turistas que visitem a nossa região no futuro, com projetos envolvendo passeios de trens, com as conhecidas Marias Fumaça, a revitalização da Praça da Matriz, as reformas na Brasital e até mesmo é estudada a utilização da nossa conhecida pedreira, como um futuro polo para visitantes. Projetos que ficam para o futuro, mas que prometem abrilhantar ainda mais o turismo em São Roque.


Canções do passado e emoções que nunca morrem Rafael Barbosa

S

ão Roque é uma cidade que mantém muitas de suas tradições e ações que remetem não apenas aos anos de fundação, como as Festas de Agosto, mas também atividades que buscam resgatar recordações e lembranças dos tempos passados, antes das televisões, celulares, computadores e agitações da era moderna. Você pode não saber o que é a seresta, mas com certeza seus pais e avôs conhecem esta antiga tradição, onde pessoas se reuniam na casa de um conhecido para confraternizarem e também cantarem as músicas famosas de outrora. Uma tradição que infelizmente não é mais encontrada na maioria das cidades, mas que foi resgatada em São Roque. Segundo a Coordenadora do Grupo Choro Serestas e Serenatas de São Roque, Mari Dineri Moraes de Camargo, sua família sempre participou destas atividades, que começaram com seu avô, que gostava de reunir as pessoas em sua casa e sair também para tocar na casa

A apresentação atrai pessoas de todas as idades e, ás 22h, é o momento dos músicos levarem suas canções para a rua, em um passeio pelas ruas centrais da cidade, parando aqui e ali para tocar especialmente para as pessoas de vizinhos, uma atividade que se tornou parte do seu centro familiar. Até os anos oitenta era possível encontrar ainda pessoas que faziam a seresta, mas infelizmente com a agitação do dia a dia esta prática foi sumindo até quase ser esquecida, porém em 2012, houve a ideia de trazer a tradição de volta. Uma ideia que tomou a forma atual quando Zé do Nino ofereceu sua Casa para que eles realizassem as apresentações, e assim o projeto foi ganhando adeptos e

persiste até hoje, sendo realizada uma vez por mês desde então. “Tem sido muito gratificante, não apenas por conta dos músicos, que amam participar e o fazem de forma voluntária, mas também por conta do público, pois sempre temos pessoas que vem prestigiar a seresta e Graças a Deus não é incomum contarmos com a presença de pessoas de fora da cidade, que ficam curiosas para conhecer o nosso trabalho, porque hoje em dia não se vê mais coisas assim”, comenta Mari. Assim, sempre na última sexta-feira do mês, as pessoas se reunem na casa de Zé do Nino, na Rua Rui Barbosa, nº 277, as 20h, para acompanhar a apresentação do grupo, que toca bonitas canções de autores conhecidos nacionalmente, como Pixinguinha e de outros, e musicas de autores regionais como Edson D'aísa.

que saem nas janelas para ver a passagem dos músicos, mantendo viva uma tradição que é oferecida de forma totalmente gratuita e a população, se comove e se encanta com todos aqueles que participam dela.


Zé do Nino: uma representação da cultura e da tradição de São Roque

S

e você mora em São Roque há muitos anos, ou visita a cidade com frequência, você conhece Zé do Nino. Se não for o caso, certamente já teve contato com um de seus trabalhos, afinal aos seus 85 anos, comemorado no dia 06 de agosto, ele é uma das pessoas mais conhecidas e queridas da cidade, sendo um símbolo de tradição são-roquense. A família de Zé do Nino tem um histórico antigo nas Festas de Agosto, que se tornou quase como uma tradição de família. Sua avó (Alzira Xavier de Lima) foi festeira em 1905, seus pais (Antonino Dias Bastos e Julieta Eugenia da Silva Bastos) em 1924 e ele mesmo desempenhou o papel em 1989, uma tarefa importante e que foi desempenhada pois seis de seus 13 irmãos. Com uma trajetória tão importante na família, Zé cresceu rodeado pela tradição são-roquense. “Minha casa sempre esteve envolvida da festa, assim como outras tantas famílias. Temos a festa em nosso sangue. Ser festeiro mexe muito com a gente, pois é uma responsabi-

lidade muito grande que foi desempenhada com brilhantismo pelos que vieram antes. Nos desligamos de tudo por um ano para nos dedicarmos as festividades, uma função muito trabalhosa, mas muito gratificante”, comenta. Nas verdade muitas das tradições que conhecemos hoje foram trazidas de volta ou inseridas nas celebrações com a ajuda de Zé do Nino. Os tapetes, hoje tão famosos, foram trazidos por ele, Vasco Barioni e Lucindo Lima, que aprenderam as técnicas em outras cidades e a trouxeram para São Roque em 1975, montando os desenhos na frente de suas casas.Uma ação que rapidamente se espalhou pelo resto da cidade e que ainda conta com sua con-

Fotos: Divulgação

tribuição, já que ele é um dos responsáveis por organizar a busca da serragem e o seu tingimento. Os carros de Lenha também só continuam hoje por conta de um empurrãozinho de Zé do Nino. A tradição já havia acabado na cidade, que não tinha mais carros de boi na região, porém em 1988, numa de suas viagens a Monte Verde, em Minas Gerais, ele ficou sabendo que uma cidade

próxima utilizava carros de bois em sua festa. Ao ir ao lugar, conheceu um dos organizadores daqueles eventos e, após combinar os detalhes, ligou para os Festeiros sugerindo a volta dos carros de boi, que foram trazidos naquele mesmo ano, retomando uma tradição muito importante da cidade.

Mas as ligações de Zé do Nino com São Roque não se estendem apenas as festas de agosto, já que ele também foi um dos responsáveis pela volta das serestas ao município, abrindo sua casa para que os eventos pudessem ser realizados e recebendo a todos com muita alegria. Uma figura cativante, que tem sempre na ponta da língua a história da cidade e de suas festividades, não se fazendo de rogado na hora de nos contar as memórias do passado, porém sem nunca deixar de olhar para o futuro, afinal sabe que as Festas de Agosto também são para a nova geração,

que são os herdeiros do município e de seus costumes. “As Festas de Agosto envolvem todos nós. É um momento de alegria e festividades pois, eu sempre brinco, para o são-roquense o ano não começa em janeiro e sim no dia 17 de agosto, após as festividades”, brinca. Com uma história tão grande de dedicação a São Roque e pela forma querida com que é tratado por todos, fica a dúvida se, quando gritamos “Viva São Roque” no período de festas, não deveríamos também gritar “Viva Zé do Nino”, afinal ele é um dos maiores símbolos da cidade.


São Roque celebra a história do peregrino que virou santo Fotos: Rafael Barbosa

Rafael Barbosa

N

este ano o Desfile da Entrada dos Carros de Lenha de São Roque celebrou a trajetória do padroeiro da cidade. O evento que abre oficialmente as festividades municipais trouxe o tema “Os Caminhos de São Roque – O Andarilho do Amor”, retratando a peregrinação do santo francês, que deixou sua família rica para realizar uma viagem a cidade de Roma. Diversos momentos marcantes da vida do padroeiro foram retratados em oito carros, que mostravam desde sua saída de casa, até o momento de sua santificação. Na ocasião também se apresentaram diversos grupos artísticos de São Roque, como o Grupo de Dança Patrícia Alky, o Grupo de Dança Brasitalle, a fanfarra Schoenacker e a Comitiva Brasil Poeira. Ao contrário dos outros anos, o desfile foi

marcado por um tempo fechado e com um pouco de chuva, principalmente no seu início. Porém o frio não intimidou as pessoas que se dedicam para a preparação deste belo evento, como Zé do Nino e Joberto Alves, responsáveis pela elaboração dos carros. Assim, as 11h os festeiros 2018 encabeçaram o desfile que seguiu pelas principais ruas da cidade, com destino a Igreja da Matriz. Os casais Amauri Gabriel Vieira e Tânia Cristina Antunes Vieira e Paulo de Tarso de Arruda Pires e

Heloisa Helena Mariucci de Arruda Pires seguiam a frente da comitiva, acenando para as centenas de pessoas que se aglomeravam pelo caminho e que também não se intimidaram diante do mal tempo. “É muito emocionante ver todas estas pessoas saírem as ruas para acompanhar este desfile e torcendo pelo sucesso da festa. É muito emocionante”, disse Tânia Cristina. A comitiva percorreu a cidade, trazendo também o tradicional carro dos Festeirinhos 2018, apresentados em um carro de-

nominado “O Brasil que queremos: Eu sou o Brasil Ético”. O Sindicato dos Vinhos também compareceu ao evento, representando o produto pela qual a cidade é conhecida, assim como a Expo São Roque, que apresentou seu tema para este ano: Volta ao Mundo. Como nos outros anos, a Expo São Roque acontece no recanto da Cascata, de 05 de outubro a 11 de novembro. Na etapa final do evento, os Festeiros chegaram a Praça da Matriz onde receberam as bênçãos do Padre Daniel

Balzan e em sua companhia passaram a apreciar a passagens dos outros componentes do evento, em um dia rechegado de celebrações e alegrias. “O coração bate forte, pois esta é uma festa que cresce e que emana uma energia maravilhosa, pois além de entreter ela também evangeliza e alegra a todos”, comentou Heloisa Helena. O evento também contou com a presença dos Carros de Boi, que vieram novamente de Minas Gerais apenas para participar deste evento. A

alegria era contagiante e compartilhada por todos, pois, como disse o Festeiro Paulo de Tarso, “este é um dia especial e que com as graças divinas é compartilhado por todos”. Finalizando da abertura oficial, as festas continuam até o dia 16, com uma grande celebração, mas sem nunca esquecer o caráter religioso desta grande festa. “Obrigado a todos que compareceram hoje e também a Nossa Senhora da Assunção e São Roque. Que Deus ilumine a todos”, finalizou Amauri Gabriel Vieira.


Confira alguns dos principais momentos da Entrada dos Carros de Lenha

O Jornal da Economia acompanhou a abertura oficial das Festas de Agosto 2018, que celebrou a trajetória de São Roque, e agora traz para você alguns dos principais momentos. Veja essa e outras fotos em nosso portal de notícias (www.jeonline.com.br)

Fotos: Rafael Barbosa


A união das comunidades em um ato de fé

Fotos: Arquivo JE

Ana Laura Gonzalez

O

mês de agosto é com certeza o mais agitado em São Roque, por conta da festa em comemoração ao aniversário da cidade. O evento se inicia com a Entrada dos Carros de Lenha, mas uma das atrações mais esperadas pelos fiéis é a procissão de Nossa Senhora da Assunção e de São Roque, que acontecem respectivamente nos dias 15 e 16 de agosto. Além da presença dos fiéis, a procissão de Nossa Senhora é marcada pela participação das comunidades católicas espalha-

das por toda a cidade. A paróquia de São Roque é dividida em 17 grupos e, no dia da procissão, todos comparecem à Praça da Matriz na companhia do santo que representa sua capela, seja seguindo a imagem ou até mesmo carregando o andor. “É sempre muito emocionante para nós são-roquenses poder participar deste ato de fé popular

que é a procissão de Nossa Senhora da Assunção e de São Roque, então quando se inicia o mês de agosto o coração já bate forte cheio de expectativa para o grande dia”, diz Débora Andrade, membro da Comunidade de Santa Quitéria. A celebração une toda a população da cidade que demonstra sua religiosidade e devoção.


Um marco histórico e religioso localizado no centro de São Roque A

igreja de São Benedito é um local importante de nossa cidade, mas que muitas vezes passa despercebido por boa parte de sua população, por estar próximo da imponente igreja da Matriz. Localizada na rua XV de Novembro, ao lado da Praça Heitor Boccato, poucos sabem que o local passou por uma reforma recente e que começou quando a paróquia da cidade foi informada que algumas áreas da construção estavam se deteriorando. Após uma análise no local, foi constatado que o prédio precisaria de um trabalho mais aprofundado, para que além de reparar os danos, também fosse mantida a estrutura, que tem um valor histórico enorme para a cidade. Assim foi realizado um trabalho minucioso, já que a igreja não é feita de pedras, como é o caso da Igreja da Matriz de São Roque, mas sim de taipas, um método de construção antigo onde se usa terra prensada e barro molhado para fechar as paredes. “Existia um outro desafio na reforma, pois os tra-

Fotos: Rafael Barbosa

balhos deveriam ser feitos sem que isso atrapalhasse as celebrações que são realizadas no local, como as missas vespertinas, toda quarta-feira às 18h e os batismo, no segundo domingo de cada mês”, informou o Padre Daniel Balzan. Então, as obras foram feitas em grande parte durante o período da noite, primeiramente na parede que fica ao lado do banco Bradesco, onde foi colocada uma tela protetora, também foram realizados trabalhos na fachada do prédio, além de uma reforma nos toaletes e na sacristia. Obras que se estenderam sem o conhecimento de muitos, mas que visavam tratar com respeito um prédio tombado (as-

sim como a Praça da Matriz) e que tem um grande valor histórico e religioso para a cidade. Tão antiga quando o templo na praça da Matriz, a Igreja de São Benedito, foi construída em 1855, por escravos que não podiam participar dos serviços religiosos da Vila de São Roque e que fizeram a edificação utilizando taipa de pilão, criando em um estilo colonial típico da época. Na verdade,a aparência desta igreja é muito

similar ao o que seria a segunda igreja da matriz, construída em 1837, e que permaneceu até 1937 até a construção do templo que conhecemos hoje no centro municipal. Deste modo, a igreja de São Benedito não é apenas um local de religiosidade, mas também um marco da história da nossa cidade e que nos lembra no passado longínquo de nosso município, algo que deve ser respeitado e preservado sempre.


Novena ao Morro do Cruzeiro celebra a religiosidade são-roquense Fotos: Rafael Barbosa

Rafael Barbosa

A

Novena ao Morro do Cruzeiro é um dos eventos religiosos mais importantes das Festas de Agosto. A procissão que se estende por nove dias abre o calendário religioso das festividades de São Roque, celebrando a fé em nosso padroeiro e assim, atrai todos os anos centenas de pessoas, que sobem o morro para agradecer as graças recebidas. ”É com muita alegria que nos reunimos ao pé de São Roque, aqui no Morro do Cruzeiro, para louvar e agradecer os nossos santos padroeiros

nesta caminhada de fé e oração”, diz a festeira Heloisa Helena Mariucci de Arruda Pires, ao lado dos também festeiros Paulo de Tarso de Arruda Pires, Amauri Gabriel Vieira e

Tânia Cristina Antunes Vieira. Como acontece em todos os anos, durante a procissão, os fieis realizaram sua peregrinação entoando diversas orações,

parando na subida de tempos em tempos para realizarem reflexões importantes sobre a vida religiosa. Neste ano o tema central escolhido foi o último escrito do Papa Fran-

cisco sobre a santidade. “Ele fala justamente da santidade ao pé da porta. Ele vai mostrando como a santidade é necessária para o mundo de hoje. A santidade está nas mãos, nos pés, no falar... No teu jeito de ser”, explicou Padre Daniel Balzan, responsável pela paróquia de São Roque, aos fiéis. A celebração foi um grande sucesso, atraindo

muitas pessoas, muitas delas participam diariamente das procissões, que ocorreram do dia 20 a 28 de agosto. Uma trajetória que demonstra que as Festas de Agosto são mais do que uma festividade, celebrando também a fé de sua população, que compareceu em peso principalmente no último dia, onde foi celebrada uma missa pelo padre Daniel.


Bailes de agosto e sua tradição Divulgação

Rafael Barbosa

O

s Bailes de Agosto se tornaram uma tradição tão esperada pela população de São Roque e região, quanto as próprias festas em homenagem ao padroeiro da cidade. Celebrado em três ocasiões diferentes, em 2018 as festas acontecem nos dias 04, 11 e 15 de agosto, sendo que cada festa traz uma característica diferente em relação aos demais. O baile que ocorre no dia 04 é praticamente uma preparação para os outros bailes, uma festividade mais calma e reservada para todos aqueles que querem um programa mais tranquilo, onde todos devem ir vestidos no estilo

Sportchic. O segundo baile (celebrado no dia 11) é o mais badalado, pois apesar de exigir o mesmo vestuário do anterior, tem uma banda com um estilo mais animado e traz um público de todas as idades. Já o terceiro baile é o encerramento das festividades e, assim, exige uma festa a rigor, onde os convidados se vestem no estilo social completo, para

curtir uma noite recheada de glamour e confraternização. A história dos Bailes de Agosto se misturam com a vida social de São Roque, pois são realizados desde a fundação do São Roque Clube, há 55 anos. O clube mais tradicional de São Roque é a junção de São Paulo Clube e a Literária, que realizavam bailes similares, e quando

se uniram em uma única entidade, as celebrações de agosto também passaram a ser realizados em um único lugar. O número de bailes variou com o tempo e em alguns anos chegaram a ser realizados quatro festas. Na verdade, um dos grandes desafios da administração do São Roque Clube é justamente adaptar estas celebrações aos

tempos modernos, atraindo não apenas as pessoas mais idosas, já acostumadas a esta celebração, mas também os mais jovens, que vivem uma vida social muito discrepante da que seus pais tinham. “Fazemos uma grande pesquisa de campo, antes de cada evento, conferindo o que cada faixa etária do nosso público tem buscado e assim montamos uma celebração de acordo, escolhendo a banda, montando o repertório apropriado e idealizando como será o clima e as outras atrações. É um trabalho que não busca apenas divertir, mas construir uma ligação com o clube”, comenta a coordenadora de eventos do clube, Isabela Rodrigues Calvo. Um desafio que vem

carregado de muita responsabilidade, mas que tem sido bem sucedido já que mais de duas mil pessoas estiveram presentes nos três eventos em 2017, números que devem continuar este ano, trazendo pessoas de toda a região e celebrando em grande estilo não apenas o aniversário da cidade, mas também a confraternização entre as pessoas. “Os Bailes de agosto são um dos poucos eventos que unem pessoas de todas as idades e é sempre muito bonito acompanhar pessoas que aguardam por esta festa para rever amigos e familiares que por razões diversas acabam não se vendo pelo resto do ano. É sempre uma celebração muito especial”, finaliza Isabela.


Adeus ao maior sambista da história de São Roque O

representante do samba de São Roque se foi em 2018. Em abril deste ano, o cantor Dirceu Ferraz, mais conhecido como Iberê do Morro, faleceu aos 74 anos, levando consigo muito da irreverencia e alegria tão conhecidas e admiradas do samba, porém deixando muita saudade e memórias felizes de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Embora tenha sido são-roquense em seu coração, Iberê é natural de Itanhaém, e chegou para São Roque ainda menino, quando seu pai veio trabalhar na Pedreira Valter, na região do bairro Marmeleiro. Antes de se dedi-

Foto: Reprodução Internet

car a música,Iberé atuou como jogador de futebol, defendendo o Estrela do Bairro do Marmeleiro e trabalhou na Sorocabana/Fepasa, mas ganhou verdadeiro destaque quando passou a se dedicar ao samba e adotou o nome artístico pelo qual passou a ser conhecido

em São Roque e região. Enquanto lutava para conquistar seu lugar no concorrido mundo da música, Iberé levou o nome de São Roque para toda a região, realizando apresentações em locais icônicos, como o conhecido Bar Brahma, porém deu contribuições muito im-

portantes ao cenário artístico do município. Além de suas inesquecíveis apresentações nas Festas de Agosto, ele foi um dos responsáveis por introduzia o samba enredo no Carnaval de São Roque, nos anos 80, durante sua atuação na Escola de Samba Juventude Unida

do Cambará. Sua ligação com o carnaval será sempre lembrada, já que foi um grande colaborador com suas composições de samba enredo para as escolas da cidade. No mundo musical, conquistou seu lugar ao realizar apresentações em vários programas de TV, como o Programa do Ratinho, onde participou do quadro Dez ou Mil, obtendo a nota máxima dos jurados e recebeu um troféu do programa das mãos do apresentador no ano passado. Porém apesar de suas conquistas no ramo musical, Iberê nunca perdeu a humildade. “Sou apenas um simples e humilde cantor, que ama toda a cidade de São Roque”, comentou o sambista certa vez em uma de suas conversas com o jor-

nalista Vander Luiz. Sempre conquistando a todos, não só com sua música com seu jeito irreverente de ser, o Jornal da Economia também teve a oportunidade de entrevista-lo em algumas ocasiões, estabelecendo um bonito relacionamento que durou por muitos anos, afinal apesar de suas apresentações fora da cidade, o artista nunca negou que sempre gostava de tocar no município. Infelizmente a voz do samba de São Roque se calou este ano, mas as lembranças felizes e a contribuição deste grande homem ao samba e a música são-roquense nunca serão esquecidas, assim como a icônica melodia que sempre cantava “Iberê, Iberê, Iberê... está chegando para você”.


A

s Festas de Agosto são, acima de tudo uma grande homenagem ao padroeiro que dá nome a cidade. Uma figura adorada por muitos, mas conhecida por poucos e por este motivo você conhece agora um pouco de sua história. Assim como a vida de muitos santos, sabe-se muito pouco sobre a vida de Roque, que teria nascido na cidade de Montpellier, na França, entre os anos de 1295 a 1350. Na verdade seu nome de batismo é um grande mistério, já que Roch( que foi aportuguesado posteriormente para Roque) é o nome de sua família. Filho de um nobre Fidalgo João e sua esposa Libéria, quando jovem estudou nas melhores escolas de sua região, tendo uma infância e adolescência abastada e relativamente normal, até a trágica morte de seus pais, aos 20 anos. A vida de um fidalgo não coube a Roque, que de bom grado doou grande parte de sua fortuna a caridade, deixando uma pequena parte para seu tio, que havia tornado-se seu tutor, antes de partir

A história de São Roque

Fotos: Rafael Barbosa

em peregrinação para Roma. Em suas andanças passou por diversas cidades acometidas pela Peste Negra, onde oferecia sua ajuda para tratar dos doentes e onde surgiram os primeiros relatos de seus milagres em vida, já que as histórias dizem que ele realizava seus tratamentos apenas com um bisturi e suas orações. Infelizmente ao tratar tantos pacientes, o jovem também foi acometido pela doença, que o impossibilitou de continuar

sua peregrinação. Decidido a não depender de ninguém, refugiou-se em uma floresta, onde teria morrido de fome caso um cão pertencente a um fidalgo local chamado Gottardo não lhe trouxesse alimento todos os dias. Esta relação esta tão arraigada a figura do santo que a grande maioria de suas imagens o retrata ao lado do animal. O comportamento estranho do cachorro chamou a atenção do dono, que descobriu o santo e, como forma de peniten-

cia pelos seus pecados passados, passou a ampará-lo até que este milagrosamente se curou de sua enfermidade. Restabelecido este retornou a Montpellier,

onde foi preso acusado de ser espião, o que não é uma grande surpresa já que a França se encontrava em um período de instabilidade. Alguns relatos dizem que ele

deixou a cadeia após um longo período de encarceramento, porém é mais provável que tenha morrido na prisão por volta de 1379. Seu primeiro milagre pós morte é atribuído ao seu próprio carcereiro, que seria manco e teria sido curado ao tocar a perna do Santo para verificar seu óbito. Roque só foi reconhecido após a morte, dizem que por uma marca em forma de cruz em seu peito, e sua história e relatos de milagres se espalharam com os anos. O santo passou a ser adorado como protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. Sua canonização foi oficializada em 16 de Agosto, dia da sua festa, pelo Papa Urbano VIII.


Uma tradição que começa na infância Ana Laura Gonzalez

pais terão comprometimento para auxiliar os festeiros durante todos os preparativos, que duram um ano. “Eles [os pais] nos dão muito apoio. A parte burocrática, assim como outras funções, nós passamos para eles, porque

T

odos os anos, como de costume, a Paróquia de São Roque escolhe dois casais de festeirosque ficam responsáveis pelas Festas de Agosto. Além de organizarem as festividades, uma das tarefas dos casais é escolher quem serão os festeirinhos do ano. É uma decisão muito importante, já que essas crianças são um dos símbolos mais tradicionais das celebrações. Os pequenos representam a participação da nova geração de são-roquenses nas tradições da cidade e, ao participarem, criam laços que podem durar uma vida inteira, já que muitas crian-

ças que participaram das festividades cresceram e continuaram a participar das festas de diversas maneiras, seja através de trabalho voluntário, como membros dos casais de apoio ou mesmo como festeiros. “Os festeirinhos auxiliam em todos os eventos como jantares, a Ação Entre Amigos... Eles também auxiliam no contato dos compradores da Ação Entre Amigos cada vez que

acontece algum evento”, disse o festeiro Amauri Gabriel Vieira. Quando são escolhidos, os festeiros procuram os pais dos festeirinhos e os convidam a participar das celebrações. Geralmente essa escolha se dá pelo vínculo que algum festeiro tem com os pais da criança, já que a escolha dos pequenos não significa apenas que eles participarão dos eventos, mas também que seus

Fotos: Rafael Barbosa

o festeiro sozinho não faz nada”, brinca Amauri. Pai de dois dos festeirinhos e também colaborador das Festas de Agosto 2018, Alexandre Pontes comentou sobre a experiência de seus filhos Pedro e Léo nas celebrações. “É uma experiência muito

satisfatória, pois as crianças se divertem bastante e ficam amigos umas das outras”, diz. Uma tradição que passa muitas vezes de pai para filho e que assegura que as tradições da cidade continuem pelas próximas gerações.


Voluntariado: a fé e as barracas das Festas de Agosto Fotos: Rafael Barbosa

Rafael Barbosa

A

s Barracas da Festa de Agosto são elementos tão conhecidos e esperados na cidade quanto as próprias festividades. Instaladas na região central, elas são um dos principais atrativos para a populaçãoprestigiar as duas semanas de celebração, que culminam nas procissões em louvor a Nossa Senhora e São Roque. Embora a maioria das barracas sejam instaladas em contêineres, sendo que grande parte destas estruturas foram

produzidas pela FladafiSoldatopo. Entretanto alguns comércios buscam se diferenciar ao se instalarem em estruturas de madeira, dando um tom de diversidade as ruas

da cidade, refletindo também na quantidade de produtos que podem ser encontrados. Andando pela festa você encontra de tudo: doces, salgados, lanches,

e até pratos mais rebuscados, em uma variedade de produtos para agradar a todos os paladares. Porém as barracas também representam uma ajuda a sociedades sociais que desempenham um trabalho importantíssimo na cidade e que utilizam o evento para angariar fundos para suas atividades. Deste modo,ao circular pela região central, é possível encontrar barracas, da Sociedade Protetora dos Animais, Associação de Deficientes Auditivos de São Roque (ADAS), dentre outras, sendo que todas sempre

contam com muito movimento pois as pessoas sabem que ao consumirem nestas barracas, eles também estarão contribuindo para as atividades destas instituições. As barracas irão ficar

abertas até o dia 16 de agosto, trazendo muitas opções em gastronomia a população, oferecendo não apenas uma opção de boa comida, mas também de conscientização social.


TABLOIDE_FESTAS_AGOSTO_2018  

Confira nossa tabloide especial das Festas de Agosto 2018.

TABLOIDE_FESTAS_AGOSTO_2018  

Confira nossa tabloide especial das Festas de Agosto 2018.

Advertisement