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gente incrível Guilherme dos Santos, 42, rendeiro de filé

Rendeiro de coração Ele herdou da avó e da mãe a paixão pelo bordado e hoje é referência nessa arte

ele estava sentado na calçada quando cheguei à porta da sua loja. Assim como as outras daquela rua, peças coloridas de renda ficavam expostas penduradas e espalhadas pelas paredes para chamar a atenção. O homem na porta era o único rendeiro trabalhando naquele domingo de baixa temporada na rua Alípio Barbosa da Silva, em Maceió, ponto turístico da cidade pela produção artesanal e venda do filé, estilo de bordado tradicional do bairro Pontal da Barra. Guilherme passou a fazer parte desse grupo de artesãos aos 12 anos, quando começou a prestar atenção no trabalho já praticado pela mãe e pela avó. As peças vão ganhando forma a cada ponto dado pela marcação da tela que sustenta os fios de algodão. Aos poucos, com paciência e naturalidade, Guilherme transforma a matéria-prima em arte. O artesão conta que o interesse pela renda surgiu naturalmente, não foi uma imposição das matriarcas. Ao observar a maneira como as peças de tecido tomavam forma, ele quis aprender. Assim, conforme ganhou prática e ainda na adolescência, passou a produzir a renda. Ao longo de 30 anos, Guilherme teve peças exibidas em desfiles do evento Maceió Fashion Design, produziu material exclusivo para uma marca

ilustração

Indio San

“O interesse em aprender a tecer a renda surgiu naturalmente. Não foi uma imposição” — Guilherme dos Santos

de refrigerante, já presidiu a associação que representa os artesãos do bairro e viajou para divulgar a cultura do filé. Como ponto turístico, a loja tem demanda maior durante o verão. Mas seus clientes fazem pedidos o tempo inteiro e, por isso, ele tem que estar preparado todos os meses. Por fazer a renda na hora e na porta da loja, não são poucos os turistas que pedem para aprender a técnica. “Faço em câmera lenta, assim o pessoal pode acompanhar”, ex-

plica. O artesão lembra o episódio de uma americana que quis pegar o jeito do filé em dois dias. “Ela veio com o marido e fui mostrando como fazer os pontos. A mulher tinha na cabeça que queria voltar para casa sabendo fazer”, conta. Outra situação é a dos clientes que chegam com uma ideia pronta de peça. “Às vezes eles sabem o tipo de fio, de modelo, alguma coisa específica, mas quem fala o que funciona sou eu”, finaliza. — jennifer ann thomas

fevereiro 2013

• vida simples

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Rendeiro de coração