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revista cólera

REPORTAGEM sul do Recife, em 2017. A vítima relata que estava dentro de seu carro, à espera de um amigo, na companhia da esposa e de um outro amigo, em frente a um prédio. O assalto aconteceu quando ele estava ainda dentro do carro. O assaltante disparou um tiro na barriga da vítima. Ninguém mais ficou ferido. Tudo isso aconteceu em plena luz do dia. Até hoje, ninguém foi preso. A vítima já tinha sido assaltada outras duas vezes, mas nada tão violento comparado ao assalto relatado.

Foto: Reprodução/Pixabay

as engrenagens de uma MENTE criminosa por juliany SANTOS O que motiva um criminoso? Como fica o emocional da vítima e seus familiares após a violência? Abuso de força, opressão, constrangimento, coação, tirania. Essas são algumas definições de violência que constam no dicionário Aurélio. Nesse sentido, sempre que se ofende a integridade de alguém, seja integridade física, moral ou simbólica, comete-se um ato de violência. Nas ruas, o tema

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é bastante conhecido. Muitas pessoas narram que já sofreram, presenciaram ou obtiveram informações sobre violência. É o caso do analista de sistemas P. H., que prefere não ser identificado. Ele foi vítima de um assalto à mão armada na zona

F.N.S., professora, é outra vítima da violência. Ela, que também prefere não ser identificada, foi feita refém dentro de casa, junto com sua família, em Paudalho, Zona da Mata Norte de Pernambuco. “Na minha casa há uma mercearia. Quando minha mãe foi colocar o lixo do lado de fora, dois assaltantes a renderam. Eles entraram na casa e nos mandaram deitar no chão enquanto procuravam e pegavam tudo de valor que viam pela frente. Após recolherem tudo que desejavam, nos mandaram tirar a roupa e nos trancaram no banheiro. Tudo durou uns 40 minutos, mas para mim foi uma eternidade”, relata. A sensação de impunidade e insegurança no Brasil não é sem embasamento. Somos, de fato, um dos países mais violentos da América Latina, que por sua vez é a região mais violenta do mundo, segundo dados da Organização

Mundial da Saúde (OMS). Na pesquisa divulgada em abril de 2018, o Brasil ocupava a nona posição no ranking dos países mais violentos. A nível nacional, em 2018, Pernambuco foi o sétimo estado mais violento do país, de acordo com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP). As vítimas também sentem a impunidade na pele, como relatou a professora F.N.S. “Fui à delegacia prestar B.O, mas não nos foi informado se eles foram pegos ou não. Somos todos reféns da violência. Os bandidos vivem soltos e nós presos. Os papéis andam se invertendo”, lamenta. O agente da Polícia Federal e palestrante em segurança pública Carlos Arouck afirma que a impunidade perde força cada vez que um cidadão se recusa a ter pena do criminoso. “Hoje, as pessoas têm mais acesso à informação e começam a perceber que a polícia, apesar de todas as críticas feitas diariamente, é a última linha de defesa do cidadão de bem,” defende. O total das perdas causadas pela criminalidade é incalculável e nos faz questionar: como pode se medir o valor de uma vida para os familiares de uma vítima de violência? Como fica o psicológico das vítimas? Como funciona a mente de um criminoso?

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Revista Cólera  

A revista Cólera foi produzia no primeiro semestre de 2019 por alunos do curso de comunicação social - Jornalismo da Universidade Federal de...

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