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revista cólera uma incapacidade do Governo de lidar com a crise da categoria, gerou uma instabilidade.

TG | O programa Alerta Celular tem conseguido resgatar e devolver com uma porcentagem de 58%, telefones celulares roubados. Essa porcentagem é exitosa e fruto da união dos serviços de segurança pública? EA |

Sim. Essa é uma taxa alta. Muito disso deve-se a um trabalho colaborativo entre a formação e treinamento de inteligência da Polícia Civil, com o apoio tático da polícia Militar, aliados às novas tecnologias de GPS e rastreio disponíveis nos próprios aparelhos telefônicos. Cada celular encontrado e devolvido é uma resposta efetiva do trabalho da polícia que consegue não apenas restituir um bem ao cidadão, como também desestabilizar a rede de crimes e pequenos furtos, tirando das ruas assaltantes perigosos e que representam uma ameaça à sociedade.

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ENTREVISTA TG | Com um número de delegacias reduzidas e com serviços burocráticos a “Delegacia online” é uma alternativa para a população? EA | Talvez. A delegacia online

pode desafogar o trabalho de registro na ponta, desburocratizando a atividade do atendente, do escrivão, mas não exclui ou minimiza a responsabilidade de investigação dos delegados.

TG | Pernambuco figura entre os dez estados em que mais se matam policiais. Essa é uma tendência que tende a crescer?

TG | No Brasil a corrupção está impregnada em todos os setores e níveis da sociedade. Na segurança pública não seria diferente e nós temos ciência de casos de união entre polícia e milicianos. A que se deve isso? EA | A milícia surge e atua na ineficiência de ação ou ausência do Estado. Ela é informal, ilegal e com certa medida de extorsão. Geralmente os milicianos são ex-policiais ou policiais aposentados. Eles são cooptados porque podem portar armas, sabem planejar escalas, realizam reconhecimento de território e conhecem a estrutura do sistema de justiça. Possuem, desse modo, as condições perfeitas para a atividade.

EA |

A morte de policiais é uma realidade. Com o aumento da criminalidade, precariedade do armamento, condições insalubres de trabalho e os enfrentamentos direto e cotidiano contra as facções criminosas, a tendência é aumentar. Nesses embates morrem pessoas de ambos os lados. O bairro do Ibura é um dos mais violentos do Recife e é onde tem acontecido mais enfrentamentos entre a polícia e os criminosos.

TG | Como as facções estão organizadas? EA |

As organizações criminosas diversificam seu trabalho lidando com entorpecentes, tráfico de armas, assaltos a bancos, sequestros, queima de ônibus e impondo medo ao estado e à população em geral. O Nordeste sofre, ultimamente, com a chegada

de facções criminosas rivais como o Comando vermelho e o PCC, que têm em Pernambuco uma base para dar vasão e exportação de drogas. A localização geográfica, a interiorização dos seus membros e a cooptação de colaboradores dificulta o trabalho da polícia que, além de estratégia e tática, precisa ser articulada com outros estados e até países para desmantelar o aparato de rede das facções criminosas.

TG | Existe uma política de incentivo ao armamento no atual governo Bolsonaro? EA | Não existe uma política de armamento, o que existe é uma flexibilização do governo baseado na necessidade da população. Se o estado tivesse comprando armas e distribuindo para a população, aí seria uma política de armamento, mas não é o caso. O acesso para o uso de armas, com fins específicos e com critérios rigorosos de acesso, não é política pública, é a garantia do recurso de defesa.

TG | Existe uma vinculação 31

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Revista Cólera  

A revista Cólera foi produzia no primeiro semestre de 2019 por alunos do curso de comunicação social - Jornalismo da Universidade Federal de...

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A revista Cólera foi produzia no primeiro semestre de 2019 por alunos do curso de comunicação social - Jornalismo da Universidade Federal de...

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