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– É, podia mesmo. Essas coisas acontecem. Mas não aconteceram e estou aqui. Abra. Carter passou a mão pelo cabelo dela. – Deixe eu tirar o seu casaco. – Posso tirar o casaco sozinha. Ande, abra. Veja – disse ela, tirando o casaco e jogando-o no corrimão da escada. – É isso que faço. Jogo o casaco de qualquer maneira. Você nem se importa. Talvez um dia venha a se importar. E daí? Abra, Carter! Ele desfez o laço e abriu a caixa. Ela sorria, com o rosto colado ao seu. Carter lembrou-se daquele beijo, de como ela gostou do presente que ele lhe dera. O calor que veio depois e a sensação do rosto dela roçando o seu. – É linda! – É mesmo. Fiquei com uma do beijo. Você nem sabia que eu tinha batido uma foto. É um beijo incrível, uma imagem belíssima. Mas essa aqui... Essa aqui somos nós. Olhando. Olhando para a frente. Hoje, depois do trabalho, depois de lidar com coisas que não podem ser controladas, que não podem ser previstas, boas ou ruins, alegres ou tristes... E ainda teve a história do armário... Fiz a maior bagunça com as minhas saias e o seu casaco estava lá. – Ah, devo tê-lo pendurado quando... – Pouco importa. É exatamente isso. Não importa que a minha mãe seja a minha mãe, ou que as coisas nem sempre funcionem como a gente quer. O que conta são os momentos. Sei disso melhor que ninguém, mas nunca o apliquei na minha vida. Não comigo mesma. O que conta são as pessoas, o que elas sentem, as relações que estabelecem, quem são quando estão sozinhas ou com alguém. Tudo isso é importante, e tanto faz se o momento passa depressa. Talvez seja assim justamente porque ele passa. O que importa é que você é a borboleta azul. – Sou... o quê? – Ah, vamos lá, professor. Dr. Maguire. Você entende tudo de metáforas, analogias e simbolismos. Voou para a minha vida e simplesmente pousou aqui de forma inesperada. Talvez por um milagre. E o quadro se formou. Só levei um instante para perceber isso. – Não... Ah, a foto. Aquela que você tirou quando era menina. – Epifanias. Tive uma naquele instante, e tive outra hoje à noite. Quero isso. – Mac tirou a foto da mão dele. – Quero... Aqui. – Olhou ao redor e escolheu um lugar numa das prateleiras de livros. – É isso que quero. Ela fica perfeita aqui, não fica? Carter sentiu um aperto no coração. – Fica. Foi feita para esse lugar. – Não vem com garantia. Por que viria? Não é um carro ou um computador. É vida, é algo bagunçado e pode quebrar. É uma promessa: vou tentar. Quero prometer que vou tentar, Carter. Mac voltou para junto dele e pegou o seu rosto com ambas as mãos. – Carter Maguire, eu amo você. Quando o punho que apertava o seu coração se afrouxou e o soltou, Carter a fitou,

Álbum de Casamento - Nora Roberts  
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