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– Oi, Carter. Você está com um sorriso radiante. – Tive um daqueles momentos especiais. É um dos meus alunos. Ele era um caso difícil, daquele tipo que senta e liga um botão na cabeça que o leva para qualquer lugar que seja, menos para a sala de aula. – Ah, sei. Eu tinha esse botão. Era bem útil, ainda mais durante as aulas sobre a Guerra Revolucionária ou sobre impostos. Essas acionavam o botão automaticamente. Seu alunoproblema se saiu bem hoje? – Ele vem se saindo bem ultimamente. Está quase encontrando um outro botão, aquele que aciona interesses e ideias. Dá para ver nos olhos dele, do mesmo jeito que dava para ver o botão que o desligava. – Sério? – Garrett é o tipo de aluno que faz o professor trabalhar um pouco mais. E, quando a gente encontra esse outro botão, é muito gratificante. Foi ele que tirou B no trabalho que corrigi no Dia dos Namorados. Ou na véspera. Penso nessa ocasião como um dia muito especial. – Ah, eu lembro. Que bom para o Garrett. – A mãe dele me procurou hoje. Em geral, quando os pais vêm nos ver, não é para trazer uma maçã. Pois ela me trouxe um pomar inteiro. Veio me agradecer. – Agradecer? – Curiosa, Mac ergueu a cabeça. – E isso é um pomar inteiro? – É. A questão não é ensinar fatos e teorias, ou atribuir notas e conceitos. É... encontrar o botão. Consegui encontrar o do Garrett e ela foi me agradecer por isso. Agora é você que está com um sorriso enorme. – Você mudou uma vida. Você muda vidas. – Isso também já é exagero... – Não. É verdade. Eu documento vidas ou, pelo menos, partes delas. E isso é importante, tem o seu valor. Mas você as transforma, o que é impressionante. Vou pegar um pedaço de pizza para você. Mas não dá para comer também – disse Mac, levantando-se. – Meu estômago está cheio de sorvete. – Por que comeu um pote inteiro, ou talvez dois? – Ah... – Ela deu de ombros entrando na cozinha com Carter em seu encalço. – Pura gula. – Você me disse que recorre ao sorvete em momentos de turbilhões emocionais. Mac olhou para trás enquanto pegava um prato. – Às vezes esqueço que você ouve muitíssimo bem. Digamos apenas que não tive um dia lá muito bom. Ou talvez tenha tido – acrescentou, depois de pensar por um instante. – Depende do ponto de vista. – Me conte. – Não é nada de importante. E você tem a pizza pela frente. Quer uma taça de vinho para acompanhar? – Só se você também tomar uma e me contar o que aconteceu. Podemos passar os próximos

Álbum de Casamento - Nora Roberts  
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