Issuu on Google+

Tudo sobre o lançamento do segundo filme da trilogia

R$ 12,50 Jul - Dez 2013 | 1º Edição

Jogos Vorazes

OUT

Fade


Editorial Para a equipe da revista Fade Out, o trabalho se divide entre o juízo crítico de uma produção acessível ao leitor e a vontade de chamar a atenção para filmes que nos entusiasmam e que, de alguma forma, foram ou serão sensações do cinema. É uma grande responsabilidade e honra preparar esta 1ª edição, dedicada a todos os leitores e amantes do Cinema, das críticas e das grandes produções cinematográficas... Fazer um material a fim de entreter nosso público, nos faz refletir sobre as matérias que estarão em alta e terão os olhares voltados à ela. Nesta edição, trouxemos temas que vão desde a crise no processo de criação ate aos filmes que fizeram mais sucesso no semestre, tendo um público e bilheterias de destaque. Se a espera por filmes promissores faz parte da sua vida fique atento, pois a partir de agora essa revista faz parte do seu mundo. Nossa matéria principal apresenta detalhes sobre o filme que está dando o que falar: Jogos Vorazes: Em Chamas. Com isso, vocês ficarão por dentro das notícias, além de terem acesso as fotos mais marcantes do filme. Na editoria Críticas, vocês ficarão a par da crítica de 2 filmes que estão dando o que falar no momento. Na seção Bilheteria, estará a relação dos 6 filmes que tiveram a maior quantidade de público e bilheteria. Traremos suspense, curiosidades, além de matérias que prometem deixar você de boca aberta.

Sumário 16 bons atores que nunca ganharam o Oscar p.6

Bilheterias p.18

Por que Hitchcock era considerado o ‘Mestre do Suspense’? p.16


Equipe A evolução do cinema p.8 Jennifer

Jogos Vorazes: em chamas p.10

Sinopses p.14

Kaísa

Karla

Luiza

Mineira, 19 anos, cristã. Viciada em esportes, academia e seriados. Amante de uma boa música, aspirante a designer.

Menina do Rio, 22 anos, estudante de Desenho Industrial na UFES. Apaixonada por música e filmes.

Capixaba, 19 anos, estuda Design Gráfico na UFES. Adora fotografia e não vive sem musica. O violão é seu melhor Hobby.

Capixaba, 21 anos, Especialista em Marketing. Cursa Design Gráfico na UFES. Abundante na alegria.


A falada cris N

unca houve tanto dinheiro disponível para a produção audiovisual no Brasil. Rodando mais de 100 filmes por ano e com o mercado televisivo aquecido por conta da lei da obrigatoriedade da TV paga, o país se vê frente a uma crise: temos dinheiro, mas temos conteúdo para tanta produção? Existem histórias boas o suficiente e bem construídas que possam interessar a alguém? Tais questionamentos começaram a ser levantados pelas emissoras televisivas frente à obrigação de passar 3h30 semanais de conteúdo brasileiro qualificado. Muitas alegavam não haver projetos bons para figurarem em suas grades. As produtoras audiovisuais, por sua vez, alegaram, em parte, que falta ao nosso audiovisual bons roteiros e bons roteiristas para cumprir toda essa demanda. Roteiristas, por sua vez, declararam que falta estrutura e valorização ao trabalho. Se há mesmo uma crise de criação, a questão é saber o porquê disso e aonde se precisa melhorar.

O que falta é mercado Se por um lado as condições ruins de trabalho exigem uma velocidade não condizente com qualidade, ainda dividido em vários projetos, a profissão de roteirista profissional – que só faz roteiros – não tem tradição no Brasil. “A profissão de roteirista é algo novo na nossa cultura. Uma pessoa investir anos estudando para ser roteirista era bem menos cogitado há 10 anos. Temos vários bons roteiristas, mas na maioria das vezes ou são contratados fixos de alguma emissora ou muitas vezes estão ocupados em outros trabalhos. Ser um bom roteirista exige, além do talento, bastante trabalho e estudo. A prática também traz experiência e agora estamos conseguindo ter um mercado com um volume de trabalho que vai permitir dar quilometragem para muitos profissionais”, afirma Andrea Barata Ribeiro, produtora da O2 Filmes, que crê faltarem também profissionais de outras áreas, como produtores executivos.

“Todo mundo entendeu a importância do roteiro. Mas poucos entenderam a do roteirista. O produtor criativo é quem a vida toda fez a contabilidade da empresa e agora quer fingir que é roteirista”. Newton Cannito

4

Fade Out

A formação do roteirista Parece haver um consenso quando se diz que há bons roteiros e roteiristas no Brasil, assim como parece ser consenso que boa parte dos produtos audiovisuais brasileiros tem problemas diversos na estruturação dos roteiros. Com o aumento da produção, a necessidade por roteiristas e criadores passou a ser maior. Historicamente, no Brasil, o diretor é o roteirista, e isso continua forte. A demanda nos últimos anos, porém, fomentou o interesse na área. Existem cinco pós-graduações exclusivas de roteiro no país, mais de 80 cursos superiores de audiovisual, nos quais há pelo menos dois ou três semestres de roteiro, além dos muitos cursos livres. Para Newton Cannito isso não basta. “No fundo, a formação nem deve ser de roteiro. Deve ser de escrita criativa e/ou narrativa mesmo. O conhecimento de roteiro é 90% igual ao conhecimento de literatura. Dez por cento é o específico audiovisual. Tem que estudar mais literatura e teatro para se formar em roteiro. Não temos no Brasil formação de escritores. O curso de Letras forma professores. Cinema forma pessoas que sonham em dirigir. Formar-se em roteiro é algo que vem da base, da cultura. É uma longa formação”


se na criação Visões do mercado para roteirista Atualmente, no Brasil, o roteirista tem conseguido mais trabalho como script doctor ou como roteirista de encomenda – quando o diretor ou o produtor tem a ideia, mas não tem tempo ou não se considera apto a desenvolvê-la. Roteiros também podem surgir de demandas específicas, como adaptação de um livro ou baseado em algum fato real. Em geral, para esses projetos, já há uma verba para a roteirização. O que parece faltar é dinheiro para o desenvolvimento de histórias. A falta de verba para desenvolvimento não afeta apenas os projetos de ficção, mas também os de documentário. “A sensação que dá é que o documentarista precisa ter feito a pesquisa e escrito o roteiro com dinheiro caído do céu”, desabafa Tata Amaral.

“Acho que falta sensibilidade para perceber que um bom projeto precisa de tempo para se desenvolver. Normalmente, você orça um valor de roteiro que implica numa produção de seis meses. Para um roteiro ficar bom, você precisa de um ano ou mais, salvo raras exceções”. Tata Amaral

As exigências do mercado

“O produtor independente não tem autonomia suficiente para escolher os seus projetos. Estes são abraçados por roteiristas por um cachê mínimo, sendo finalizados quando os projetos forem viabilizados”. Paulo Schmidt

Nesse âmbito da comunicação e do entendimento das distintas funções, entra outra questão: produtor sabe avaliar roteiros? “Temos que analisar roteiros sob o ponto de vista do que o distribuidor de filmes e as TVs por assinatura buscam no mercado. Estamos amarrados estruturalmente. O produtor independente ainda não tem autonomia suficiente para escolher os seus projetos, já que a cota e os incentivos para a produção televisiva são muito pequenos e os veículos não dependem desta produção para o seus negócios. De qualquer forma, os projetos devem conter ingredientes mercadológicos e essenciais para a realização do trabalho, portanto, deve-se avaliar as adaptações de literaturas conhecidas e biografias de personalidades que são boas fontes para bons projetos”, explica Paulo Schmidt. A necessidade de se enquadrar em padrões pré-determinados também prejudica a inserção de roteiristas no mercado, assim como de desenvolver diferentes obras. “No cinema, há a necessidade de se criar histórias para outros gêneros, mas isto depende muito dos distribuidores e do público-alvo. Eles estão definindo o gênero que o povo brasileiro deve assistir. A lei que estabelece uma cota para produção nacional na TV por assinatura requer conteúdos que estejam alinhados ao perfil e grades dos canais, como seriados, por exemplo, e neste formato os roteiristas brasileiros não têm a experiência necessária e muito menos uma boa formação”, complementa Paulo Schmidt.

Fade Out

5


16 Bons atores que nun

John Malkovich já foi indicado duas vezes, em 1985 por Um Lugar no Coração e em 1994 por Na Linha de Fogo. Mesmo sem ser premiado, de lá para cá seus papeis no cinema só ganharam mais notoriedade. Ainda assim, John permanece esquecido pela academia.

Liam Neeson é um ator que deu vida a personagens tão marcantes na história do cinema como o filme Star Wars: A Ameaça Fantasma. Infelizmente o ator nunca foi agraciado pela estatueta dourada da Academia. 6

Fade Out

Leonardo DiCaprio já provou que não era apenas o rostinho bonito de Romeu e Julieta e Titanic e com o passar do tempo sua carreira decolou. Leonardo DiCaprio já foi indicado três vezes, mas parece mesmo não ter seu talento reconhecido pelos membros da academia.

Will Smith, apesar de já ter conquistado seu lugar entre as estrelas de Hollywood, ainda não pôde colocar o prêmio máximo do cinema em sua prateleira pessoal. O americano é conhecido por filmes como Bad Boys, MIB, Sete Vidas e À procura da Felicidade.

Ewan McGregor pode ser considerado um artista completo. Interpreta, canta e dança, e já integrou o elenco de comédias, dramas e thrillers. Nem por isso já foi ao menos merecedor de uma indicação ao Oscar através de seus filmes de sucesso Moulin Rouge e O Impossível.

Johnny Depp, com uma legião de fãs, nunca levou um Oscar para casa. Conhecido por seus papeis excêntricos, Johnny é considerado um dos maiores nomes do cinema da atualidade. Suas indicações foram por Piratas do Caribe e Em Busca da Terra do Nunca.

Gary Oldman, com uma carreira sólida e papeis principais como em A Letra Escarlate e Drácula de Bram Stocker, voltou a angariar mais fãs em três filmes de Batman e em quatro da saga Harry Potter. Porém, foi indicado apenas uma única vez, por O Espião que Sabia Demais.

Robert Downey Jr. passou por uma carreira com altos e baixos na década de 90, mas a guinada mesmo só aconteceu com Homem de Ferro e seus predecessores. Já foi indicado ao Oscar duas vezes, a primeira por Chaplin em 1993 e a segunda por Trovão Tropical, em 2009.


nca ganharam o Oscar

John Malkovich já foi indicado duas vezes, em 1985 por Um Lugar no Coração e em 1994 por Na Linha de Fogo. Mesmo sem ser premiado, curiosamente, de lá para cá seus papeis de destaque no cinema só ganharam mais notoriedade. Ainda assim, John permanece esquecido pela academia.

Ralph Fiennes é ator, diretor e produtor. Ele têm no currículo grandes filmes e uma quantidade considerável de vilões como Hades (Fúria de Titãs I e II), Amon Goeth (A Lista de Schindler) e Lord Voldemort (Harry Potter.) Já foi indicado duas vezes, mas ainda não faturou o prêmio.

Bruce Willis é visto como um colecionador de indicações em diversas premiações, principalmente por seus trabalhos de ação e já faturou o Globo de Ouro em 1987 por A Gata e o Rato. Porém, os Academy Awards, surpreendentemente sempre passaram longe desse do astro.

Samuel L. Jackson, com uma carreira invejável e com papeis de destaque, é surpreendente que o ator só tenha sido lembrado uma única vez: Em 1995, por Pulp Fiction: Tempo de Violência. Ainda assim, um dos astros de Os Vingadores continua sem faturar o prêmio até hoje.

Brad Pitt está sempre envolvido em algum trabalho premiado e elogiado pela crítica, já que coleciona em seu currículo grandes sucessos do cinema como Seven – Os Sete Crimes Capitais e Bastardos Inglórios. Contudo, o astro de Hollywood ainda não ganhou o Oscar.

Jude Law já protagonizou vários filmes de sucesso e já foi indicado duas vezes: A primeira por O Talentoso Ripley, em 1999 e a segunda por Cold Mountain, em 2004, que rendeu o Oscar de melhor atriz para a colega de cena, Renee Zellweger.

Harrison Ford, teve uma carreira iniciada nos anos 60 e foi conhecido mundialmente como Indiana Jones e Han Solo (Star Wars), já foi indicado na categoria de melhor ator, ainda nos anos 80 por seu trabalho em A Testemunha, mas ainda não pôde fazer seu discurso de campeão.

Tom Cruise já foi indicado três vezes, em 1990, por Nascido em 4 de julho; em 1997 por Jerry Maguire e em 2000 por Magnólia. O astro de Missão Impossível também é um dos que ainda não faturaram o Oscar. Fade Out

7


A evolução do

Cinema

O

cinema, com seus mais de 115 anos, evoluiu, e muito! Seja terror, comédia, drama ou ação, essa arte cresceu e modificou, mas nunca deixou de encantar seus espectadores, seja em 1957 com 12 Homens e uma Sentença ou em 2009 com Bastardos Inglórios. Para conhecer um pouco mais dessa evolução, vamos viajar pela máquina do tempo imaginária, indo direto para a década de 20, onde, lá em 1927, foi produzido “O Cantor De Jazz”, primeiro filme falado da história do cinema. O filme foi produzido pela Warner Bros, com o sistema sonoro Vitaphone. Al Jolson, famoso cantor de jazz da época, canta várias canções no filme. A história se baseia numa grande peça da Broadway de 1925. Vamos pular agora para a década de 30, mais exatamente em 1935, com “Becky Sharp”, ou se preferir, “Vaidade e Beleza” que é um filme estadunidense, do gênero drama, dirigido por Rouben Mamoulian e estrelado por Miriam Hopkins e Frances Dee. Este foi

8

Fade Out

o filme mais aguardado do ano por toda Hollywood, pois foi o primeiro longa-metragem totalmente em Technicolor de três cores. A partir de 1950, com o crescimento da televisão, os estúdios começaram a investir em diversas tecnologias, um exemplo disso é o CinemaScope que foi uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes anamórficas criada pelo presidente da Twentieth Century Fox em 1953. Foi utilizada entre 1953 e 1967 para a gravação de filmes widescreen. Outra grande inovação foi o 3D, que teve sua primeira passagem pelas telas lá em 1915, mas sua era de ouro foi nos anos 50 também, que foi destaque nos filmes americanos. Em 1952 foi lançado o primeiro com cor estereoscópica: Bwana Devil. A partir daí, as tecnologias foram evoluindo cada vez mais, até a chegada do computador, e em 1995, foi criado o primeiro filme feito totalmente nesse tipo de máquina: Toy Story que, com certeza, acompanhou a vida de muita gente.


Nascido num tempo de mudanças profundas, quer a nível estético, quer a nivel técnico. O cinema surgiu graças aos irmãos Louis e Auguste Lumière, na qual criaram o cinematógrafo e que, futuramente, seriam o precursor das filmadoras como a conhecemos hoje e do cinema moderno. O cinematógrafo utilizava vários negativos de fotos perfurados que eram movimentados por uma manivela e assim davam movimento as imagens, e foi através deste aparelho foi possível criar os primeiros filmes a serem exibidos para pequenos públicos. O cinematografo deu nome a nova arte que começava a surgir, o cinema que encantou todo o mundo com a sua magia e que futuramente seria mundialmente conhecido, independentemente da classe social.

Um filme belo! Tanto visualmente falando, como musicalmente. O filme é leve, ele me emociona, encanta e nos transporta para uma época que vem surgindo no mundo do cinema, onde os atores não eram só atores, mas artistas no mundo da arte! Ticiana Araújo

Fade Out

9


Jogos Vorazes em chamas

“O cinema está repleto de mimetizações da política de pão e circo que tanto caracterizou a evolução da humanidade, mas essa verve narrativa jamais surgiu tão cristalina e bem formatada em uma franquia de apelo jovem”.


Capa

O

filme Jogos Vorazes (Hunger games, EUA 2012) é um produto de seu tempo. Uma aposta arriscada de um estúdio (a Lionsgate) que já vinha perseguindo uma franquia jovem adaptada de um best-seller infanto-juvenil. Assim como ocorre na saga Crepúsculo, esse primeiro filme carece de arestas melhor aparadas e uma melhor adequação dos conflitos centrais que movem a trama. No entanto, a produção distingue-se de Crepúsculo porque já neste exemplar se verifica a potencialidade da narrativa. Há, também, no desenho do universo criado por Suzanne Collins e transposto para o cinema por Gary Ross, uma clara metáfora política – ainda que subaproveitada. Este valor temático coloca Jogos Vorazes em posição de destaque dentro do universo das franquias infanto-juvenis – e aí inclusa a saga Harry Potter. Esse destaque, porém, deriva mais das possibilidades ensejadas por esse primeiro filme do que pelas graças alcançadas; até porque este primeiro capítulo é invariavelmente frustrante. Em um futuro distópico, a capital domina os 12 distritos de Panem com mão de ferro. Anualmente são organizados os jogos vorazes que consistem basicamente em membros de cada distrito duelando até a morte. Os tributos, como são chamados os escolhidos, são treinados para esse misto de jogos de guerra e

12 Fade Out

reality show. O vencedor é agraciado com uma vida de luxo e ostentação. O cinema está repleto de mimetizações da política de pão e circo que tanto caracterizou a evolução da humanidade, mas essa verve narrativa jamais surgiu tão cristalina e bem formatada em uma franquia de apelo jovem. Jennifer Lawrence, talentosa que é, segura as pontas como protagonista e heroína de ação. Duas coisas distintas e que aqui necessariamente precisam se complementar. Aí está outra grande divergência entre este filme e Crepúsculo. Bella (Kristen Stewart) é a protagonista de Crepúsculo, mas em momento algum é uma heroína de um filme de ação. Nem sequer tem as atenções reiteradamente depositadas sobre ela. Katniss Everdeen é a heroína de um filme de ação (Crepúsculo só foi flertando com a ação à medida que se quis fisgar o público masculino) e foco principal da narrativa, não o amor que a envolve a dois homens. Muito embora haja uma atrapalhada tentativa de reproduzir os efeitos do triângulo amoroso aqui. Ross, no entanto, resiste à ideia de deixar o romance deslocar o centro da trama.Jogos vorazes não é nem de longe o filme que promete ser ou o filme que poderia ser. Mas sugere, que com a vontade no lugar certo, que as bilheterias vão garantir que tudo será muito mais voraz nas sequências. A ideia é assistir para conferir.


Capa

Jennifer Lawrence, talentosa que é, segura as pontas como protagonista e heroína de ação. Duas coisas distintas e que aqui, necessariamente, precisam se complementar.

Fade Out 13


Críticas

Blue Jasmine Woody Allen é um daqueles diretores cuja frequência de produção às vezes excede a própria criatividade (Almodóvar seria outro bom exemplo). Com tamanha eficiência, erros e acertos tornam-se parte de sua carreira, composta não apenas de obras-primas. Mas, para os fãs do cineasta, a época está ótima: Blue Jasmine é um deleite, sequência de dois belos filmes - Meianoite em Paris e Para Roma com Amor – que fecha uma tríade admirável. Com um roteiro bem desenvolvido, Blue Jasmine articula diálogos inteligentes e ácidos em uma dinâmica particular. Na decadência da protagonista surge uma oportunidade surreal de casamento em uma festa, o par perfeito para levá-la à ascensão novamente. Quando tudo começa a dar certo demais, o longa adquire um ar quase surreal, enfatizando ainda mais o certo clima de absurdo do mundo dos muito ricos. Na tentativa de parecer seu “eu” anterior, antes da falência, Blanchett passa a fazer exatamente o que foi mencionado: mudar de conduta rapidamente, a exemplo da cena na qual atende o telefonema de seu pretendente no tumulto da casa da irmã. A interação dessa catatônica Jasmine no ambiente simples, com sobrinhos, irmã e demais figuras, provoca aquele dito humor-negro tão precioso a Woody Allen. De forma inteligente, o diretor desvela a decadência superficial de uma sociedade fascinada por dinheiro. E por meio de Cate Blanchett – em grande parte graças a ela - faz um dos melhores filmes do ano e deixa outro marco em sua carreira.

14 Fade Out

Ficha Técnica Dirigido por: Woody Allen Com: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins, Peter Sarsgaard, Louis C.K., Bobby Cannavale, Andrew Clay e Michael Stuhlbarg. Gênero: Comédia Romântica Nacionalidade: EUA Língua: Inglês Classificação: 12 anos Distribuidor: Imagem Filmes Ano de produção: 2013 Sinopse: Uma mulher rica (Cate Blanchett) perde todo seu dinheiro e é obrigada a morar em São Francisco com sua irmã (Sally Hawkins), em uma casa muito mais modesta. Ela acaba encontrando um homem (Alec Baldwin) na Bay Area que pode resolver seus problemas financeiros, mas antes ela precisa descobrir quem ela é, e precisa aceitar que São Francisco será sua nova casa.


Críticas

Crô - O Filme

Ficha Técnica Dirigido por: Bruno Barreto Com: Marcelo Serrado, Alexandre Nero, Milhem Cortaz, Kátia Moraes, Carlos Machado, Carolina Ferraz, Ivete Sangalo, Gaby Amarantos. Gênero: Comédia Nacionalidade: Brasil Língua: Português Classificação: 12 anos Distribuidor: Paris Filmes Ano de produção: 2013 Sinopse: Após herdar a fortuna de Tereza Cristina, “Crô” (Marcelo Serrado), está cansado da vida de milionário. Decidido a encontrar uma nova musa a quem possa dedicar sua vida, ele inicia uma busca pessoal que faz com que entreviste diversas peruas. Entretanto, após muito avaliar, acaba percebendo que sua musa ideal é justamente aquela que jamais havia imaginado.

Levaram Crô, personagem de sucesso vivido por Marcelo Serrado na novela Fina Estampa, para a telona. O próprio criador do tipo afetado e cheio de maneirismos, o novelista Aguinaldo Silva, assina o roteiro. Na direção está o experiente Bruno Barreto. O que poderia dar errado? Aparentemente, tudo. A começar por bordões que são repetidos exaustivamente ao longo do filme. O personagem, que já é caricato, transforma-se em algo irreal na tela, o suprassumo do exagero, uma espécie de boneca tresloucada a repetir citações pretensamente engraçadas, mas que na verdade soam irritantes. Artificiais, a bem da verdade, são todos os personagens. Nada é convincente, nada funciona. O que vemos - a certa altura um tanto constrangidos -são esforços dramáticos e cômicos resultarem em coisa alguma. A trama é um verdadeiro samba do crioulo doido que não se sustenta. Aquela distância entre a poltrona e o que se desenrola na tela não desaparece. Pelo contrário, se alonga como se estivéssemos vendo o filme com um binóculo invertido. A história serve para evidenciar ainda mais o amadorismo dos realizadores na condução de uma produção que deveria ser engraçada. Para piorar, temos o drama de uma criança que tenta fugir da confecção onde é mantida escravizada. A graça não entra aqui. O roteiro de Silva tem a mecânica de uma novela, dividido em núcleos, o que naturalmente não funciona no cinema que precisa de unidade dramática mais coesa.

Fade Out 15


Por que

era considerado o ‘mestre do suspense’?

P

orque além de saber manipular bem os elementos de um filme (roteiro, elenco), Alfred Hitchcock (1889 - 1980) era um gênio do marketing. Foi um dos primeiros diretores a explorar a própria imagem, transformando-se em um personagem público. Criou o hábito de fazer “pontas” em seus próprios filmes - e o público passou a aguardar esses “easter eggs”com tanta ansiedade que, no fim da carreira, o cineasta inglês decidiu aparecer sempre no começo da história para liberar a atenção da plateia. Especula-se até mesmo que ele é quem criou o termo “mestre do suspense”. E com razão: ninguém soube lapidar os elementos desse gênero.

16 Fade Out


Instrumentos de trabalho 1. Sem medo de inovar: Se o filme é protagonizado por um ator famoso, o público presume que o personagem não morrerá. O cineasta foi contra esse clichê e acabou criando uma das cenas mais surpreendentes do cinema: o assassinato no chuveiro da personagem interpretada por Janet Leigh que ocorre aos 46 minutos de Psicose (1960).

2. Um segredo entre nós: A plateia era feita de cúmplice. Ele revelava a ela uma informação preciosa que o personagem desconhecia. Em O Marido Era o Culpado (1936), um garotinho carrega, sem saber, um pacote com uma bomba-relógio. Atrasa-se várias vezes para entregá-lo, deixando o público roendo as unhas de ansiedade.

3. Trauma de infância: Hitchcok revela que quando tinha 5 anos, seu pai o enviou à delegacia com um bilhete que pedia ao delegado que o trancasse em uma cela e lhe dissesse: “Isso é que acontece com meninos desobedientes”. Então, pessoas acusadas injustamente por um crime são um tema recorrente em sua obra, assim como O Homem Errado (1956).

4. Inspirado pelo silêncio: Ele começou no cinema como criador das legendas que simulavam diálogos em filmes mudos. Aprendeu como causar emoções no público mesmo sem diálogo - só com enquadramentos e cortes precisos. Festim Diabólico (1948), sobre dois amigos que matam um colega, é cheio de cenas contínuas e cortes disfarçados.

5. De corpo e alma: Em um discurso de agredecimento, o diretor disse que devia seu sucesso a quatro pessoas: “Uma é roteirista, outra é editora, outra é mãe da minha filha e a última é a melhor cozinheira que já existiu”. Era sua esposa Alma Reville. que foi até roteirista, em filmes como Sombra de uma Dúvida (1943).

6. O objeto insignificante: Ele bolou um recurso até hoje usado por roteiristas: o “MacGuffin”. Assim ele chamava qualquer objeto comum, que só servia para dar um objetivo ao protagonista e gerar suspense, como o microfone secreto que causa a perseguição ao herói de Intriga Internacional (1959). Mas é irrelevante: quando a trama avança.

7. Mania de assistir Hitchcock se aproveitava bastante da ideia do voyeurismo: o prazer de observar os outros em situações íntimas ou de sofrimento. É um elemento central em Janela Indiscreta (1954), em que o protagonista bisbilhota a vida de seus vizinhos e acaba descobrindo um assassinato. Em outros filmes, mostrou pelo ponto de vista do vilão.

8. Menina dos olhos: Um Corpo Que Cai (1958), sobre um detetive que fica obcecado pela loira que investiga, foi um de seus filmes que abordam a fixação com mulheres. O tema pode ser outro reflexo da vida pessoal do cineasta: ele adorava atrizes loiras. Tippi Hedren, protagonista de Os Pássaros (1963), chegou a acusá-lo de assédio sexual.

Fade Out 17


Bilheteria

As maiores bilheterias do primeiro semestre de 2013

1

Homem de Ferro 3

2

Público 7,6 milhões

Público 4,3 milhões

Bilheteria 97 milhões

Bilheteria 46 milhões

3

De Pernas pro Ar 2

4

Público 4,3 milhões

Público 3,7 milhões

Bilheteria 44 milhões

Bilheteria 48 milhões

5

Detona Ralph

6

Público 3,6 milhões

Público 2,9 milhões

Bilheteria 43 milhões

Bilheteria 32, milhões

18 Fade Out

Velozes e Furiosos 6

João e Maria

Se Beber, Não Case 3



Revista Fade Out