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Evilázio Teixeira Conselho Editorial Conselho Editorial da Coleção Filosofia

(Editor) Agemir Bavaresco Cláudio Gonçalves de Almeida Draiton Gonzaga de Souza Eduardo Luft Ernildo Jacob Stein Felipe Müller Nythamar H. F. de Oliveira Junior Reinholdo Aloysio Ullmann Ricardo Timm de Souza Roberto Hofmeister Pich Thadeu Weber Urbano Zilles

Ana Maria Lisboa de Mello Elaine Turk Faria Érico João Hammes Gilberto Keller de Andrade Helenita Rosa Franco Jane Rita Caetano da Silveira Jerônimo Carlos Santos Braga Jorge Campos da Costa Jorge Luis Nicolas Audy – Presidente José Antônio Poli de Figueiredo Jurandir Malerba Lauro Kopper Filho Luciano Klöckner Maria Lúcia Tiellet Nunes Marília Costa Morosini Marlise Araújo dos Santos Renato Tetelbom Stein René Ernaini Gertz Ruth Maria Chittó Gauer EDIPUCRS

Jerônimo Carlos Santos Braga – Diretor Jorge Campos da Costa – Editor-Chefe


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Porto Alegre, 2010


© EDIPUCRS, 2010 1ª edição: 1989; 2ª edição: 1996; 3ª edição: 2006; 4ª edição: 2010 Capa

Vinícius Xavier

Revisão de texto 4ª edição Caren

Capaverde EDITORAÇÃO eLETRÔNICA Jardson Corrêa impressão e acabamento

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) U42E

Ullmann, Reinholdo Aloysio Epicuro : o filósofo da alegria / Reinholdo Aloysio Ullmann. – 4. ed. rev. e amp.– Porto Alegre : eDIPUCRS, 2010. 132 p. – (Coleção Filosofia ; 35) ISBN 978-85-7430-920-0 1. Filosofia Romana. 2. Filósofos Romanos 3. epicurismo. I. Título. II. Série. CDD 187

Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS.

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Sumário Apresentação 1ª e 2ª edições ....................................................................................9 Apresentação 3ª edição .............................................................................................11 Apresentação 4ª edição..............................................................................................13 Introdução...................................................................................................................15 I. Epicuro – Vida e Obras.........................................................................................19 II. Por que surgiu o epicurismo?..............................................................................35 III. Canônica...............................................................................................................47 IV. Física......................................................................................................................53 V. A Ética de Epicuro.................................................................................................59 VI. A Teologia de Epicuro........................................................................................75 VII. A origem da sociedade e a evolução da cultura segundo Lucrécio............89 VIII. Epicuro na história...........................................................................................95 IX. Crítica a Epicuro.................................................................................................105 Conclusão....................................................................................................................117 Referências .................................................................................................................119 Índice remissivo..........................................................................................................123


AGRADECIMENTOS Ao Professor Dr. Urbano Zilles, pelo constante estímulo à pesquisa e à publicação deste trabalho; ao Professor Dr. Draiton Gonzaga de Souza, pelo fornecimento de bibliografia atual sobre Epicuro trazida da Alemanha.

Reinholdo Aloysio Ullmann

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INTRODUÇÃO Epicuro tornou-se, no decurso da história da filosofia, uma figura ambígua. A imagem que dele prevaleceu e, talvez, ainda predomina é a que resultou de alguns epicureus os quais interpretaram, erroneamente, a doutrina do mestre do Jardim, distorcendo-a. De feito, “epicureu” é tomado como voluptuoso, sensual, depravado, luxurioso, consoante o registram os dicionários. E não é recente esse significado negativo. Já no segundo século de nossa era, o senado romano expulsou da urbs dois discípulos de Epicuro, porque acusados de pregarem a “introdução de prazeres” no meio do povo. Também para o vulgo grego, epicureu era sinônimo de crápula, fanfarrão, ocioso e sensual, A denominação pejorativa, que estigmatizou o epicurismo, acompanhou os séculos, com algumas tentativas de traçar o perfil exato de Epicuro e de seus lídimos seguidores. Quem muito contribuiu para desfazer as afirmações desvirtuadas em torno do epicurismo foi Diógenes Laércio (século III d.C.), o qual não hesitou em afirmar que Epicuro era um homem dotado de grande honestidade, benevolência, costumes simples e de engenho agudíssimo. No século XX, a partir da década de 1920, aproximadamente, vêm sendo feitos estudos profundos da filosofia de Epicuro. Evita-se a informação de segunda e de terceira mãos e vai-se às fontes mais próximas, máxime aos textos que nos foram legados pelo próprio Epicuro ou por seus discípulos. Assim, por detrás das sombras projetadas sobre sua figura, confundida com os desmandos de alguns asseclas, emerge a silhueta marcante de um homem que foi um verdadeiro criador da filosofia do prazer, da felicidade e da amizade. Mais uma vez se comprova que o erro de alguns, seja em que organização for, se estende, generalizadamente, a todos os membros dela. Nem as Igrejas estão disso isentas. Em nossa pesquisa, buscamos ir às fontes primeiras, seguindo Cobet, Mewaldt, Farrington, Mondolfo, Festugière, Bailey, Rodis-Lewis, Graeser, Hossenfelder, Stricker, Isnardi Parente, Lucrécio e outros. Entre estas, destacam se as Cartas de Epicuro, suas Máximas, seus Aforismos, os Fragmentos encontrados em Herculanum, os Fragmentos do Vaticano e os textos coligidos por Usener o qual foi o primeiro a publicar, em 1887, tudo quanto, na época, era conhecido sobre o grande filósofo grego. Sua obra Epicurea tornou-se clássica. Informações sobre Epicuro temo-las, através de vários autores. Ressalta, sobretudo, a obra de Diógenes Laércio a quem devemos a primeira história da filosofia antiga que foi escrita. Seu título é Vidas, opiniões e sentenças dos filósofos mais ilustres. José Ortiz y Sanz, tradutor da obra de Diógenes Laércio, ao lhe traçar a biografia, aduz citações de vários autores que, 11


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todos, dão encômios ao velho historiador da filosofia. Assim, por exemplo, José Escalígero diz que Diógenes foi “escritor eruditíssimo”. Daniel Morhof escreveu: “Se carecêssemos de Laércio, seria muito pouco o que saberíamos dos filósofos antigos e que, os que querem saber suas opiniões, não podem prescindir de Laércio”. Outros elogios poderiam ser citados, mas bastam esses dois para nos inspirar credibilidade no que herdamos de Laércio. Homônimo dele é Diógenes de Enoanda e lhe ombreia em importância como fonte informadora. Por ter-lhe a doutrina de Epicuro dado a felicidade, esculpiu, num muro de quarenta metros de comprimento, em Enoanda, o resumo do conteúdo principal do hedonismo epicurista1. Menos conhecido, porém precioso como fonte é Filodemo de Gadara. Natural de Decápolis, na Palestina, ficou à testa do Jardim, em Nápoles. Próximo a essa cidade, possuía, ele, em Herculanum, uma vila que o Vesúvio soterrou com suas lavas. Restos de escritos epicuristas ali se encontraram, e muitos deles ainda não foram decifrados, porque o calor vulcânico os crestou grandemente, o que dificulta a leitura. Por último, Tito Lucrécio Caro (c.a. 97 – 54 a.C). É considerado o maior e o mais entusiasmado dos discípulos de Epicuro. Consubstanciou os ensinamentos do Jardim em De rerum natura. Com base nessas e noutras obras, o objetivo do trabalho é colaborar na restauração da imagem desfigurada de Epicuro e, dessarte, mostrar a validade de sua mensagem para os nossos dias. Ao estudar o pensamento grego, muitas vezes, entre nós, no Brasil, inicia-se pelo grande trio – Sócrates, Platão e Aristóteles –, omitindo outros nomes, cuja importância é capital. Um deles é, precisamente, Epicuro. Dentro da linha de culto ao humanismo, uma das características dos países europeus, onde se multiplicam edições sobre filósofos epicureus e estoicos, é preciso, também, nos nossos meios intelectuais e acadêmicos, despertar a atenção para filósofos de nós quase desconhecidos. Porém, embora desconhecidos, não deixaram de marcar o fluxo do pensamento ocidental, como é o caso do mestre do Jardim. Realmente, Epicuro se apresenta como uma personagem multifacetada. Nele estão resumidos, pelo assim dizer, vários “ismos” que, posteriormente, hão de surgir, com força própria e individual, caracterizando épocas da história do pensamento humano. Em sua Canônica, aparecem o sensismo e o positivismo; na Física, o materialismo atomista; na Ética, o subjetivismo; na Teologia, o antiteísmo. Em todo o seu way of life, pululam germes do existencialismo e do niilismo. Em Epicuro, estão presentes diversos filósofos. De uma só fonte derivam várias vertentes. Ele é um e muitos, ao mesmo tempo. Encarna William James; prenuncia Augusto Comte; inspira Karl Marx; prepara o terreno para o pensamento 1 “Um das Jahr 200 n. Chr. liess ein Epikureer namens Diogenes in seiner Vaterstadt Oinoanda im Südwesten Kleinasiens zum Wohle seiner Mitbürger einen Abriss der epikureischen Philosophie und eine Auswahl der Hauptlehren auf einer monumentalen Mauer einmeisseln, von der noch Bruchstücke erhalten sind” (STRI‑ CKER, Gisela, Epikur. 3. überarbeitete Auflage. In: Klassiker der Philosophie I (München, 1994, p. 97). (Herausgegeben von Otfried HÖFFE).

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EPICURO - o filósofo da alegria

de Jean-Paul Sartre. Usando a linguagem, tão do gosto do nosso tempo, dir-se-ia que foi um “filósofo e teólogo da libertação”, porquanto seu pensamento estava articulado com a realidade do povo sofredor. Neste trabalho, procederemos a uma visão geral sobre o epicurismo, analisando os seguintes tópicos: 1. Vida e obras de Epicuro – 2. Por que surgiu o epicurismo? – 3. A Canônica – 4. A Física – 5. A Ética – 6. A Teologia de Epicuro – 7. Epicuro na história – 8. Crítica a Epicuro – Conclusão. Todas as citações que abonam o texto, tiradas de obras em idiomas estrangeiros, foram traduzidas pelo autor.

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Epicuro  

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