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Jefferson Bessa

Ch達o da pele

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JEFFERSON BESSA – POEMAS http://jeffersonbessa.blogspot.com.br/

Jefferson Bessa

Chão da pele

2015

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Chão da pele

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Corpo lido Cheguei há pouco Hino Nenhum outro mundo me delicia Como seguir apenas em um barco? Um corpo vivo Como quem não quer nada O plano do corpo Chão da pele Quando ouvir falar em calor Odor da carne Luz laranja fim de tarde Corpo que escreve Verso-corpo Nu nº 1 Nu nº 2 Nu nº 3 Nu nº 4 Nu nº 5 Pouquíssima luz Topázio Beijo Me lembro bem claro Nos dias do cansaço em olhar Passando pela rua Basta se sentar à minha frente Primeira noite Voltar Sopro Antenas Linhas da boca (ou copo da boca) Lâmpada Pêssego Estar simples Nudez rasa Branco

5 6 7 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 39 40 41 42

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Chão da pele

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CORPO LIDO

no meio da página respira úmido o poema-corpo a mão reflete a folha nua a mostrar os braços na dança escrita pelo paladar escorrem diversos sabores de versos ingeridos no leito da audição da boca sai o som a dizer claro sussurro à ponta dos olhos se vê a pele tesa a letra tateando sobraram palavras a noite farta vai arrastá-las às entradas do corpo lido

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Chão da pele

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CHEGUEI HÁ POUCO

cheguei há pouco sentei-me sozinho rabisquei umas letras mas no meu corpo persiste um odor em mim respiro o ar de outro corpo a mistura desperta os corpos sozinho se sente muito pouco agora com o pouco calor que faz de mim exala o encontro de odores recordo-me dos outros quantos outros odores ao chegar neste quarto já pude em mim sentir. as paredes não lembram nem mesmo agora podem respirar o que há de alheio em mim nesta noite me deitarei com as horas misturadas de hoje. às minhas narinas está o corpo parece ainda transpirar forte como as coisas que não vivem sozinhas

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Chão da pele

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HINO

imagino os deuses reunidos na minha hora de nascer imagino as mãos entrecruzadas que desejavam me acolher imagino como eu chorava na mão dos que não me agradavam como eu sentia graça agradecido quando a seguir me deitavam nos braços de outro tocado por tantas mãos fui assim passando rolando por tantas divindades eram tantos corpos proviam de tantos lugares que agora não me lembraria de um sequer mas um fato se fez agora me lembro: ao meu redor ficaram os deuses de mãos aquecidas, envolveram-me os deuses em corpo bruto eram todos de beijos eram de abraços

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Chão da pele

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em meio a tantas mãos aprendi a ser táctil hoje sinto na maneira bruta vivo num corpo feito terra revolvida (ah, deuses dos quais não sei o nome, nunca me preocupo por onde andais glorifico-vos sem glorificar não espero me trazerdes outra coisa imagino estardes por aí entre ruas e casas apresentando vossas mãos a quem queira)

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Chão da pele

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NENHUM OUTRO MUNDO ME DELICIA

quando nu está ao meu lado é da pele que tenho o perfume na hora de sentir próximo rasa respiração pelos fios no crescente que o envolve, mas desperto ao que me traz cerrando meus olhos à noite seu aroma não me embriaga sozinha a mente se aquieta braço firme que ao fluir reconheço no fulgor táctil, na textura a que simples atento conduzido por suas linhas sinto a presença em plenitude nenhum outro mundo me delicia

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COMO SEGUIR APENAS EM UM BARCO?

baixos e altos passam os desejos pelo tamanho de corpos que se veem. por entre tantas pernas e braços como seguir apenas em um barco? sempre aos olhos andam os traços em muitos sinais morenos, espessos. dentre as várias pessoas na rua como poder idealizar uma? só percebo em você a roupa que entra se a hora do dia esfria ou esquenta. mas sempre se desnudam aos olhos nossos corpos fáceis que descem lisos. por que todos os dias as pessoas não se levam a sonhar em todas?

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CORPO VIVO as cores se abrem do corpo aberto aos olhos para quem o vê. de súbito, eternamente acordo à verdade de quem deve abrir-se não sou eu, nem nós, nem ninguém porque se quero desfolhar alguém vejo qualquer coisa inexistente nem como rosa, nem como cravo hoje nada arrancarei de sua pele não perderei, nem perderá um pelo. sentará frente a mim de corpo nu e aos meus olhos, sim, libertará a minha visão já esquecida de mim para só ver e ver um corpo vivo

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COMO QUEM NÃO QUER NADA

existe um corpo que pede olha e cumprimenta. solicita que não o pense, se move e não induz o nosso a ir ao que não se quer convida como se não nos seguisse, e quando aproximamos os corpos já conhecemos um ao outro numa plenitude que não se sabe. nos encontramos todos os dias sempre casualmente feito animais que surgem de repente na esquina caminhando lentamente como quem não quer nada

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O PLANO DO CORPO seus olhos de papel têm uma vida plana de não ver. por que esqueceu o rosto e me trouxe em estampa? quando o vejo se vaporiza, se tento lembrar se espalha, se perde como na textura lisa da foto que hoje já está velha não há marcas nem cicatrizes. por que não deixar o rosto ondular, crescer feito um monte? o que há em você está plano um pampa nos panos da pele sem relevo, preso a um muro

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CHÃO DA PELE descer ao plano das águas salgadas mas não as dos mares levantar o copo da boca ao brilho do suor do corpo erguem-se os braços desnudos se lavam em branca espuma no alto se firmam as mãos em músculo alheio a hora encharca, o que tange se agita seguir cavando os dedos pelo chão da pele revolver essas terras suadas em que se chega

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QUANDO OUVIR FALAR EM CALOR

(quando ouvir falar em calor - bastante atenção - não separe o ardor a que um só pertence) sim, podemos sentir mais forte um dia junto a outro corpo - não deixamos de sentir mas não pense em simples calor o da hora, do quarto, da roupa. não pense em beijo de novela, em ondas de calor de menopausa em calor da espera em fila em ventos de meteorologia o que aqui se faz sentir se deixa deitar e transpassar o quente por entre mãos. não veja por ver - atenção os olhos de quem realmente vê vê pelo quente das retinas

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ODOR DA CARNE

em você todo tremor está no odor da carne suado paladar de beijo não há nenhuma tontura que se espalha das pernas abertas às minhas mãos não há mesmo nenhum deus entre a mirra e a canela da água eriçada das peles eleva-se o toque crescente sob o calor da noite, do dia na firmeza do aroma forte sente o rosto hortelã de sexo que adensa no ar, evapora desaparece sem vertigem

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LUZ LARANJA FIM DE TARDE na luz laranja fim de tarde desce o odor de dourado táctil na leitura erguida que abrasa por entre o azul que cintila se desnuda quente do verso o inundado vermelho da tez fina na cor dos olhos vou deitar-me mergulho do que no corpo percorre para todas as cores lamber feito o declive do tecido rasteiro e quase plano da língua do sol que eleva o vigor de ver corpo

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CORPO QUE ESCREVE

o verso se volta quando as mãos cruzam a ver o rosto desnudo deslizar não somos um único em fusão estamos um entre o outro como a luz perpassa o vidro deita-se na calma de transpirar é quando se volta para mim e porque saio evaporando torna-se úmido o corpo que escreve

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VERSO-CORPO

no vão do braço no vão dos músculos o verso sobe e se deita na contração natural se esvai, na linha de fibra cordial o verso desce e desliza ombros e mãos se elevam tudo recebe assim afável a cavidade crescente cortês o corpo se abre como assento nele aqui deixarei se sentar o verso ofertado e mais vigoroso

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NU Nº 1

deslizar a nudez de muitos corpos desenrolar olhares na audição do traço braçal e andar por muitas pernas delineando todas as partes com o dedo - como quando se pinta cores se agarrar em muitas mãos e as passaria no corpo como as águas descem como um escultor por mil vezes sentindo a pedra se esqueça de mim sem pose quem vê é o corpo do meu olho rolando como pedras submersas ... soltas neste rio

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NU N º 2

não era o sono de quem dorme mas o sono de quem olhava de olhos cerrados acenou-me o corpo em relevo se deitava os olhos de repente não viam eram mãos como areia molhada em umidade os olhos escorregavam delineando um gesto feito onda nos traços do outro que agora sou não apenas transpiro ao teu lado: o meu corpo em rio repousou na nudez de teu corpo deitado

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NU Nº 3

se distancia, mais longe embaça a distância não engana depois da fumaça não te busco

em ar de sombras te vejo certo na visão que em mim te oscila em linhas que molham ao longe

sobre a cama se deitam os olhos por dentro d'água as mãos por entre os vidros tua nudez

indo e vindo tão lento aos olhos deitado, não te vejo incerto te vejo plenamente em banho

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NU Nº 4

a nudez clareia sozinha. quantas vezes me disse se não houvesse roupa não haveria nudez alguma, que o tecido de desnudar veste a existência da nudez. sua voz quando isso diz se esconde, se esquece de ver nos olhos a centelha do corpo no simples ver. veja: não vela nem desvela a nudez se desnuda sozinha.

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NU Nº 5

ver já cansou porque não se entra mais no templo de ver na contemplação mas se ergue logo em sentir quando vem a ser nu assim no escuro logo sentir acontece sem luz e na luz de tocar, de encostar na mão há muitos sins

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POUQUÍSSIMA LUZ

pouquíssima luz não se vê nem o todo nem as partes nada se exibe nada tem caras e bocas pouquíssima luz só na claridade do nu beijos e mãos desfocados na nitidez o rosto do corpo na claridade do áspero do úmido coisa de pele

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TOPÁZIO

mas aquele topázio no modo de ser bruto que expõe e guarda sobre a estante nele há uma grandiosidade uma força de convite que se vê em seu olhar e assim é por ser castanho, buscando feito uma luz que bem sabe minerar. quando ao lado se senta nada é estranho ao que se associa é que entre a pele e a pedra é que entre o corpo e a terra há uma cor que se vê que imagina e transa no tom de ser moreno.

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BEIJO

não pense muito não pense no antes no depois do beijo. pense pouco sabemos de tão pouco mas juntos sabemos por esse pouco que é muito por ele se conhece por ele te sei por isso me sabe basta ver ouvir sabemos um do outro nesse tudo que é pouco não pense muito não pense no antes no depois do beijo. pense pouco

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ME LEMBRO BEM CLARO

me lembro bem claro te levo aqui perto agora bem nas mãos ausente, pois te vi ontem passou por mim e agora ainda vejo ter visto se espalha e passa por entre mãos, olhos, boca e pescoço me lembro bem claro os olhos te guardam aberto nas retinas te levo e tua imagem agora me vem presente dentro da mão me deita

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NOS DIAS DO CANSAÇO EM OLHAR

nos dias do cansaço em olhar as ruas, os andares, os cabelos os jornais, as fotos, os carros depois de tanto olhar arrastado para te ver deixo a escuridão bem firme como uma presença o que não se olha não nos leva à terra alguma longe desta, estamos juntos, bem próximos. pouco se imagina e se pensa, os olhos se cansaram por hoje e na escuridão sentimos bem ouvimos claro o que se tem, pois aqui a noite não é ausência de luz de não sabermos sentir. de olhos cerrados a luz se abre as mãos se abrem, iluminando o ver dos dedos no teu corpo

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PASSANDO PELA RUA

passam dois, quatro, seis olhos me olham como se quisessem descobrir o que no instante reluz provável que tenham no desejo o que dos meus olhos escapa (poderia pensar que me vigiam ou me convocam. no entanto, essas oscilações não importam poderiam me julgar que eu nos olhos do meu sujeito exacerbado vejo os olhos alheios por dentro dos meus) alguns podem não ter consciência e sentem no olhar, mas outros sabem pelo imediato do olhar o que seu também sabe sentir é que os corpos acordam ao encontro dos que passam, por isso se dá passagem à transpiração entre olhos: na verdade, quem vejo quem me vê é o Amor de minutos atrás no corpo ainda sinto e aos olhos se revela translucidamente

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BASTA SE SENTAR À MINHA FRENTE

basta se sentar à minha frente nem preciso chegar pela mão porque sei tocar bem de leve, meus olhos aprenderam a ver. chegam muito discretamente num gesto de pequena violação a quem gosto e não sabe ver na cisma de traje que o preserve do que os olhos podem alcançar o outro pode não ter conhecimento mas sob a linha da visão existe o que se pode sentir na textura: desliza sobre a pele, sabe deitar no macio áspero e no tocar lento que desce num tempo que dura. pra se ver é que um corpo existe

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PRIMEIRA NOITE

estar por inteiro num corpo que não se conhece é a primeira noite lembrar que a noite é de muita chuva e hoje se deixar chover com noites e dias jamais saber quem foi este tu que vieste na presença de um sonho de transpirar quando acordar pulsando e trêmulo encharcar todo o quarto se deitar no branco do lençol sobre a terra estendido respirar o odor branco de chuva o cheiro de corpo molhado do rosto com quem sonha vislumbra poucos traços mas ter sob a vista sobre a cama o instante do sonho derretido em branco

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VOLTAR

voltar a este quarto às cortinas à janela às toalhas à cama voltar ao espelho voltar como sempre ao mesmo deste lugar foi nesta hora que quase me deixei ser o mesmo com os objetos do quarto. por um momento quase deixei o beijo como um passado e me lancei a dormir o sono de olhares iguais. por pouco não me estendi sobre a cama como roupas penduradas em cabide. mas foram essas roupas as últimas coisas iguais agora volto como se estivesse indo porque tua nudez, tua pele, teus beijos, teus dedos e abraços o moreno do odor de teus braços me fizeram voltar como se nada fosse antes

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SOPRO

da terra se levanta o corpo deitado sonolento e errante como na hora de dormir já esquecido de ouvir sente somente o sopro - ao pé dos rochedos do ouvido – e o corpo se estendendo plenamente ao sopro de vida que provém de ti

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ANTENAS

ser uma antena, não a de casa não a que cobre grandes regiões ser um satélite, não o dos espaços que vive o centro como grande astro com minhas mãos tenho dez antenas com minha língua tenho apenas uma com meus olhos tenho duas antenas como tenho duas com meus mamilos meu corpo acende agora nesta hora: meu dedo plugado a um raio de sol

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LINHAS DA BOCA (OU COPO DA BOCA)

beber no móvel de círculos como se enrola a um pescoço. balançar nas bordas à beira das águas do copo que a cavidade escancara não é de vidro ou plástico mas daquela malha das bocas que resiste aos altos graus do que entorna sem agravo qualquer apenas abrir os lábios na finura de um céu aberto que bem aos poucos sente derreter feito a alvura de nuvens quando do alto vêm molhar apenas santamente abri-la como quem se abre ao cálice ou como quem brinca de abri-la embaçar a janela num dia de chuva para escrever e apagar resvalar por bocas variadas valer-se dessas águas quentes cópula dilatada que desliza aos dentes, à língua ao palato duro, ao mole ao céu, ao alto: abóbadas da boca

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LÂMPADA

a lâmpada trocada agora já pisca aos poucos ligando. pode ver? há dias se pendurava queimada, quebrada neste quarto. já nem queria mais trocá-la, lembro escondeu-se no fumê da camiseta. dentro da cama ficou acariciava lençóis imaginava-os limpos encardidos os pés no escuro de seu escuro escondiam o tecido de seu tecido. imaginavam luzes vibrantes de receio. mas se agora no instante em que mais sente este manto descobrisse a bermuda se abrisse o lençol fosse um lençol e da falta de luz abrisse o escuro de tocar sem saber abrisse todo o gosto 37


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de um calor noturno para além do limpo e do sujo a lâmpada trocada agora já pisca aos poucos desligando. pode ver?

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PÊSSEGO

nem pedirei qualquer coisa que lá esteja estou no meio destas mãos que me arredondam. e também o gosto alcança os dedos como a ponta dos pés se levanta e no alto toca o farto fruto da pele meio amarela meio morena, úmida de terra e chuva. ponha-me agora como um alimento fresco que mordido nem saúde ou doença traz. sem lavar, sem limpar a poeira do vento ponha-me inteiro na vez calma da boca. deitada aos pés por entre o lençol da carne a árvore do corpo se descasca e desfruta o gosto que se ergue já assentado na terra como a nudez do redondo sabor de pêssego.

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ESTAR SIMPLES escorregar como quem lambe o estar simples do mundo brincar dançar beijar sentir fácil o olhar no toque lisamente desce a transpiração calma de só poder ver o rosto: é vê-lo mais do que pode Deus, porque seu corpo em mim jamais perdeu a úmida placidez de ondas serradas que roçam e veem na face sensação

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NUDEZ RASA

ficar na cama com o calor e ter o corpo sem envergadura arrastar todo o rosto ao suor na nudez rasa em seu desenho fluir sempre devagar por entre braços venerados na linha reta das curvas estar alinhado como verso entrelaçado em pernas volumosas olhar a tarde em névoa quente se deixar escorrer por mãos atentar ao corpo em pouco pensamento como simples calor a pele sente

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BRANCO

brilha sob a luz desta noite e vaza do corpo profundo o mais branco e mais antigo - branco líquido de leve tinta. molha por inteiro este poema como o branco dos olhos, do papel do leite que se bebe - melando a ponta da língua em cada verso. ficar suspenso neste galho, nele saltar, mover-se no balanço de deixar vir à tona a camada do branco que jorra de todo este poema.

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