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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ DE VITÓRIA

CARLOS HENRIQUE ASSIS BAZILEU JEAN BISPO DE JESUS

ESTEREÓTIPO X: EDITORIAL FOTOGRÁFICO INSPIRADO NA CONTRACULTURA HARDCORE

VITÓRIA 2012


CARLOS HENRIQUE ASSIS BAZILEU JEAN BISPO DE JESUS

ESTEREÓTIPO X: EDITORIAL FOTOGRÁFICO INSPIRADO NA CONTRACULTURA HARDCORE

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado a Faculdade Estácio de Sá de Vitória como requisito para

obtenção

Bacharelado Propaganda.

em

grau

de

Publicidade

Orientador:

Juliana Zucolloto

VITÓRIA 2012

do

e

Profª


CARLOS HENRIQUE ASSIS BAZILEU JEAN BISPO DE JESUS

ESTEREÓTIPO X: EDITORIAL FOTOGRÁFICO INSPIRADO NA CONTRA-CULTURA HARDCORE

Trabalho de conclusão de curso apresentado à banca examinadora da Faculdade Estácio de Sá de Vitória, como requisito para avaliação. Orientador: Profª. Juliana Zucolloto Aprovada em

COMISSÃO EXAMINADORA


“Aos nossos familiares e amigos, aos professores e todos envolvidos nesse projeto.�


AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente a Deus, e as nossas famílias que estão sempre presentes em nossas vidas, fazendo os investimentos necessários, nos dando condições de lutar por um futuro melhor e particularmente as mães que são mantenedoras da nossa cultura.

À nossa orientadora Juliana Zucollotto, pela forma tão incentivadora e apaixonada que tratava o assunto e pelos ensinamentos necessários para a conclusão desse projeto.

Todos os amigos que deram palavras de ânimo a todo o momento, ações tão simples, mas com um grande poder de incentivo.

Aos técnicos que nos ajudaram e tiveram paciência para dar o suporte necessário. E também a todos os professores que ministraram as matérias ao longo desses quatro anos in memorian, Gabriel Labanca que no primeiro dia de aula assustou a todos com discursos terroristas só para mostrar o poder do convencimento. E ao longo dos anos, abrindo nossos olhos para o mercado tão complexo e concorrido que é a publicidade.

Nosso muito obrigado à banca examinadora por toda análise feita do nosso Projeto.


“A vida é muito curta para ser pequena.” Mário Sergio Cortella – Filósofo “A mentira secular de trabalhar para viver e a rotina angustiante de viver pra trabalhar.” Banda Forfun


RESUMO

Este trabalho teve como objetivo geral elaborar um editorial fotográfico que retratasse o estereótipo do jovem roqueiro e suas indumentárias, inserido dentro do segmento Straight Edge fruto da ideologia Punk/Hard Core. Teve como metodologia um estudo de caso e registros fotográficos. Para a parte prática do trabalho foi selecionada a banda “Down Beat” para que seus integrantes fossem os modelos do ensaio fotográfico. Foi montado uma equipe para a iluminação e suporte técnico e um câmera man para a gravação de making off e edição das filmagens. A organização das fotos foi feita separada em grupos: Foto Individual de cada integrante e foto modelo Street, com todos os integrantes da banda em locações diferentes nas ruas de Vitória. Na parte teórica, inicialmente fez-se um estudo sobre o jovem e seu processo transformativo na sociedade, compreendendo a importância das roupas na construção de uma identidade. Sobre a fotografia, fez-se um estudo sobre o olhar histórico do processo fotográfico e sobre a importância para sociedade. No que se refere a cultura Hard Core Straight Edge , fez-se um apanhado histórico do movimento Punk narrando desde o surgimento até os acontecimentos mais importantes. A parte prática desse projeto é um Editorial Fotográfico focado nos estereótipos e indumentárias, destacando-se a importância deles para o segmento. E finaliza-se com os costumes e as cargas ideológicas dos adeptos ao movimento.

Palavras-Chave: Jovem, Editorial Fotográfico, Straight Edge, música, moda.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................. 11 1

REVISÃO DE LITERATURA ...................................................................... 13

2

A IRREVERÊNCIA DA JUVENTUDE ........................................................ 16

3

IMPORTÂNCIA DO VISUAL DAS ROUPAS NA CONSTRUÇÃO DE SUA

IDENTIDADE.................................................................................................... 22 3.1

A SIMBOLOGIA DAS ROUPAS .......................................................... 24

3.2

A DINÂMICA DAS CIDADES MODERNAS E O FORTALECIMENTO

DA IDENTIDADE VISUAL. ........................................................................... 26 3.3 4

5

6

MODA E MÚSICA ............................................................................... 27

A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA ................................................................ 29 4.1

O DAGUERREÓTIPO ......................................................................... 31

4.2

A REVOLUÇÃO DA FOTOGRAFIA .................................................... 32

4.3

DO P/B AO DIGITAL ........................................................................... 34

SURGIMENTO DO UNDERGROUND E O MOVIMENTO PUNK ............. 41 5.1

O “X” DA QUESTÃO ........................................................................... 45

5.2

O MOVIMENTO NO BRASIL .............................................................. 51

5.3

A “SANTIFICAÇÃO” NO ESPÍRITO SANTO ....................................... 52

O PROJETO .............................................................................................. 54 6.1

PROCESSO PRÁTICO ....................................................................... 54

7

CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 56

8

REFERÊNCIAS ......................................................................................... 78

ANEXO A ANEXO B


LISTAS DE FIGURAS

Figura 1: Van Gogh - Siesta ............................................................................. 32 Figura 2: Anne Katrhin Greiner......................................................................... 34 Figura 3: James Clerk Maxwell ........................................................................ 35 Figura 4: Make over: Surgery Story David LaChapelle .................................... 39 Figura 5: Tommy Lee – David LaChapelle ....................................................... 40 Figura 5: Punk2 ................................................................................................ 43 Figura 6: Fanzine ............................................................................................. 44 Figura 7: Drug Free Straight Edge ................................................................... 46 Figura 8: Straight Edge sXe ............................................................................ 49 Figura 9: Store Straight Edge ........................................................................... 50 Figura 10: Cartaz.............................................................................................. 51


LISTAS DE FOTOGRAFIAS

Foto: 001 .......................................................................................................... 58 Foto: 002 .......................................................................................................... 59 Foto: 003 .......................................................................................................... 60 Foto: 004 .......................................................................................................... 61 Foto: 005 .......................................................................................................... 62 Foto: 006 .......................................................................................................... 63 Foto: 007 .......................................................................................................... 64 Foto: 008 .......................................................................................................... 65 Foto: 009 .......................................................................................................... 66 Foto: 010 .......................................................................................................... 67 Foto: 011 .......................................................................................................... 68 Foto: 012 .......................................................................................................... 69 Foto: 013 .......................................................................................................... 70 Foto: 014 .......................................................................................................... 71 Foto: 015 .......................................................................................................... 72 Foto: 016 .......................................................................................................... 73 Foto: 017 .......................................................................................................... 74 Foto: 018 .......................................................................................................... 75 Foto: 019 .......................................................................................................... 76 Foto: 020 .......................................................................................................... 77


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INTRODUÇÃO

O presente trabalho propõe apresentar o processo de construção de um editorial fotográfico inspirado no segmento Straight Edge, contracultura esta, nascida do movimento Punk/hardcore, narrando o que permeia esse estilo de vida e contextualizando seu estereótipo, despontando as indumentárias utilizadas e qual a maneira como são utilizadas. O que significa o visual Straight Edge para o grupo e qual a mensagem que pretende transmitir para a sociedade? Para iniciar, discorre-se sobre a irreverência da juventude, relatando o comportamento jovem, iniciando pelo movimento do Romantismo, que dá inicio a cultura juvenil.

O primeiro capítulo retrata a formação do termo juventude, bem como o processo histórico ao qual se formou esse estágio da vida das pessoas, o processo de amadurecimento e de aceitação dos adultos para com essa nova etapa do ciclo da vida, onde a criança deixa de ser criança e vive o processo de transição entre o infantil e o adulto, fazendo menção de citar as gerações de jovens que foram evidências em seus próprios períodos, tais como, por exemplo, Baby Boomers e Geração X, além de fazer ligação entre a Indústria Cultural de Adorno e Horkheimer e o consumo, finalizando com a iniciativa da contracultura do movimento punk através de sua indumentária.

O segundo capítulo vem retratando a Importância do visual das roupas, com o embasamento teórico de Lipovetsky. Separado em sub-temas que fazem referencia a como os indivíduos agem decorrente ao tipo e qualidade da vestimenta que possui, a simbologia da roupa, a segregação que a vestuário pode causar, criando tribos ao qual o individuo pode se adaptar e a moda e música.

O terceiro capítulo foi voltado à fotografia, que para a sociedade é uma ferramenta fantástica que serve de documentação e é capaz de registrar fatos históricos importantes. Inicialmente foi apresentado o processo histórico e a importância da ciência para a evolução da fotografia. No decorrer do capitulo,


12 mostra-se a revolução que a fotografia causou na sociedade e como influenciou em seu dia-a-dia. Da era analógica até a era digital são temas abordados nesse capítulo que também menciona o pós-produção, o nascimento do PhotoShop, um software muito utilizado neste trabalho para os procedimentos de produção e manipulação das imagens. A sustentação teórica teve respaldo bibliográfico nos ensinamentos do inglês Michael Buselle, escritor e fotógrafo, nascido no ano de 1935, autor de mais 50 livros, entre eles, “Metres Fotografia” vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. Outro autor importante neste capítulo é o escritor Michael Langford que com o seu livro “Fotografia Básica de Langford” contribuiu para uma melhor compreensão do conteúdo no texto introdutório que aborda os princípios da fotografia, as técnicas, incluindo também, informações sobre desenvolvimentos na fotografia digital.

O objetivo geral deste trabalho foi apresentar o processo de construção de um editorial fotográfico inspirado no estilo suburbano da contracultura punk/ hardcore, seus estereótipos e indumentárias. Discorrer sobre seu surgimento nas regiões pobres da Inglaterra e nos países industrializados, e sua ascensão cultural nos Fanzines e na música, tanto nos Estados Unidos como na GrãBretanha. Por conseguinte a continuação do movimento que resultaria no Hard Core e no Straight Edge com o conceito de independência global gerando o termo “Faça você mesmo”, e as vertentes de libertação humana que é contra as drogas de todos os gêneros inclusive “artificiais”, como também a discriminação homofóbica e o racismo. Movimentos como Vegan e Veganismo, Anarquismo, são associados à cultura Hard Core Straight Edge por terem ideais comuns.

Logo este trabalho tem como objetivo específico, reproduzir a estética de uma banda no conceito Straight Edge, descrevendo a história e o estilo de vida desse movimento gerado no Punk, concluindo com as representações artísticas dos estereótipos, compondo, produzindo e finalizando as fotografias.


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REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura neste trabalho consiste em uma breve abordagem dos assuntos mais significativos que estão relacionados à relação entre o jovem e a música, a criação de estereótipos, influências e alterações no cenário musical.

Os assuntos serviram, também, de base, auxiliando no alcance dos objetivos propostos pelos pesquisadores. Por conseguinte, a presente revisão, mesmo que simples, pretende trazer algumas considerações sobre: o jovem transformando o meio em que vive, seja ele na música, no teatro, cinema ou política.

Para esta revisão de literatura foram pesquisados artigos científicos, dissertações e revistas que envolvessem a música, destacando alguns trabalhos que se assemelham a esta pesquisa, porém abordando aspectos diferentes.

Jacques (2008) ao tratar em sua pesquisa a seguinte questão, partindo de uma etnografia do rock autônomo de Florianópolis, buscando abordar concepções artísticas e visões de mundo dos músicos que fazem parte deste universo, tendo como foco a composição dos estilos de suas bandas e seu método de composição musical. Segundo a autora, a elaboração do rock e seus gêneros agem no sentido de configurar um território simbólico demarcado por uma percepção de mundo hedonista, que se contrapõe à racionalização da sociedade moderna e que é proclamada não por um discurso verbal articulado, mas por uma forma específica de criar música.

Criar estilos musicais tem muito haver com a juventude, com a cultura jovem. Na Revista Ágora1, Ramos (2009) relata que seu artigo trata a relação entre o nascimento do rock’n roll e a formação de uma cultura jovem de caráter mundial, destacando no bojo deste processo, o Brasil dos anos 1960 e 1970. A autora em sua pesquisa observa que após o nascimento deste ritmo, a

1

Revista Ágora n.10, 2009, p.1-20


14 chamada cultura jovem ganhou espaço privilegiado nas sociedades ocidentais e na indústria cultural que se apoderou dele para responder aos seus anseios capitalistas demonstrados pela constituição de um mercado de jovens consumidores. Apesar disso, nota-se também que o rock não se esvaziou de sentidos e trouxe consigo transformações significativas nos modos de ser e de ver o mundo dos sujeitos sociais juvenis que dele se tornaram discípulos. No Brasil ele também veio carregado de significados transformadores, o que culminaria numa maior visibilidade na década de 1980.

Falando em Brasil, e indústria cultural, começam a surgir diversos outros segmentos e identidades no rock que é causada pelo consumo. Carrijo (2010) em seu artigo “Os rockeiros de Goiânia: tensões e disputas na formação da identidade local”, procura realizar uma comunicação em relação às disputas atuais no processo de formação da identidade goiana. Conhecida e estereotipada em cenário nacional como produtora de música sertaneja, Goiânia tem firmado um novo pólo de rock no país. Já é palco de um dos mais importantes festivais de rock underground do Brasil, o Goiânia Noise, além de vários outros festivais, bares, casas noturnas, selos e produtoras musicais especializadas no gênero. Ante disso, compreende uma divisão ou até mesmo uma incoerência dentro da cultura goiana e na formação de suas identidades, o que pode ter influenciado a afirmação do rock na cidade. Assim a pesquisadora, analisou as tensões e disputas presentes no processo de formação da identidade do povo goiano através das experiências e dos discursos políticos dos participantes do movimento de rock na capital de Goiás, principalmente, na década de 1990.

Em meio a toda essa juventude consumidora, o que falar sobre a moda colorida? É atual e modifica completamente o cenário musical que deixa de buscar a qualidade sonora, tendo havido deixado há tempos para buscar lucros na venda de rostinhos bonitinhos, e intensificando cada vez mais com a utilização de roupas de fácil acesso. Para Teixeira, Silveira e Oliveira (2010)2, foi de suma importância analisar institucionalmente um novo grupo intitulado

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Revista Olhar Científico – Faculdades Associadas de Ariquemes – V. 01, n.2, Ago./Dez. 2010


15 ‘Grupo Adolescente “Coloridos”’. Os adeptos a esse novo estilo costumam usar roupas coloridas, calças justas, blusas extravagantes e óculos modernos. O que para a maioria das pessoas é cor demais, extravagância demais, para os coloridos, é uma maneira de expressar a alegria da adolescência. Além do gosto pelas cores, esses ‘personagens’ são influenciados pelo novo estilo das bandas de rock, que fazem sucesso com o auxílio da internet, que está tão presente na vida dos adolescentes brasileiros. Diante do discurso desses adolescentes, se identifica a tribo dos “Coloridos” como instituição, e desta forma a autora pesquisa os instituídos e instituintes representados dessa relação. Silva (2011)3, faz uma abordagem mais profunda sobre o segmento e o tema, abordando o surgimento de um subgênero do rock dentro do processo de evolução da música pop moderna, o punk rock. O pesquisador tomou como exemplo o grupo inglês Sex Pistols e o disco Never mind the bollocks: here’s the Sex Pistols para efetuar uma breve análise do que representou o punk e a própria banda em meio ao cenário social e político da década de 1970. Também é realizada uma crítica a respeito da principal característica desse gênero musical, a politização, ainda que nem sempre esta seja uma ação consciente por parte dos envolvidos. Além disso, uma análise do conteúdo das composições da banda e uma abordagem baseado na experiência, no sentido de alcançar a percepção que os ouvintes de música têm a respeito da música da banda já mencionada e também do punk enquanto gênero musical que ainda hoje resiste.

Toda essa temática envolvendo o rock, juventude, o independente, as mudanças de hábitos e etc; discutido por diferentes pesquisadores e com diferentes enfoques busca abordar o quanto este tema é atual e pode movimentar o mercado cultural, comercial e industrial.

3

Revista Fronteiras do Sertão v. 2, n.2, 2011


16

2

A IRREVERÊNCIA DA JUVENTUDE

O termo juventude é recente, juntamente com adolescência, ao considerar a evolução da medicina e tecnologia e levando em conta que há quase dois séculos atrás as pessoas morriam muito jovens. Se comparado aos dias atuais, no qual a classificação etária de um idoso é de no mínimo 65 anos, no século passado, por exemplo, a divisão das faixas etárias podia ser avaliada em apenas três: criança, adulto e idoso, podendo esse último assim ser julgado, diante da “[…] expectativa de vida de um homem brasileiro em 1910 de 33,4 anos” (Fonte: IBGE, 2011).

Segundo Morin (1997), outrora as crianças passavam para o estado adulto quando demonstravam virilidade. Em algumas tribos indígenas, por exemplo, a criança haveria de caçar algum animal para demonstrar que já não era pertencente àquele grupo de pouca idade. O “jovem4” por toda história deixou sua marca de irreverência, como por exemplo, em movimentos revolucionários, tais como os ocorridos na França em 1830, 1848 e 1871, o outubro de 1917 na União Soviética, a revolução húngara de 1956, e outros (MORIN, 1997). Se a Revolução Francesa é marcada como o despertar da população para a política, anos antes, durante a década de 1770, o romantismo dá inicio à cultura juvenil.

Se 1789 marca o nascer do sol da juvenilidade política, desde 1777 Les Souffrances Du Jeune Werther anunciam o nascer do sol da juventude cultural [...]. O romantismo é um imenso movimento de fervor e de desencantamento juvenis, que se segue ao desmoronamento do Velho Mundo e anuncia as aspirações do novo homem. O jovem Hegel, o jovem Marx, por seu lado, operam a revolução mental do homem que da adesão ao vir-a-ser do mundo (MORIN, 1997, p. 148).

Morin (1997) ressalta que mesmo com todos os esforços da juventude contra a política, em um governo predominantemente senil, e tendo o jovem ganhado

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De acordo com dicionário Aurélio, jovem está relativo à juventude ou a quem está na juventude; Que ou quem tem pouca idade; que ainda não é adulto (Dicionário Aurélio).


17 espaço no meio cultural, só em 1950 é que os moldes se proliferam para as massas. Esse período que se inicia em meados de 1940 é um marco importante para a consolidação do que é ser jovem. É a década dos Baby Boomers, geração nascida após II Guerra Mundial. O poder de influência que o jovem hoje tem, teve gênese com esse grupo. Foram os primeiros a conquistar esse direito, ao viverem aquilo que chamariam de lifestyle jovem, uma vida de liberdade. Desde quando os jovens tinham em suas mãos, as chaves de casa? Uma conquista, assim pode-se definir. Conquistaram o direito de ir e vir, algo que mexia com a cabeça. Tanto que tiveram iniciativas de criação de republicas nos centros acadêmicos, festivais, manifestos nas ruas, ganhando assim o apelido de ‘Juventude Libertária’. No documentário ‘We All Want to Be Young5’ (Nós todos queremos ser jovem), afirmam que “[...] o papo de paz e amor, sexo livre, e “flower power”, continua influenciando o comportamento até hoje”.

As artes, desde a pintura à literatura, junto com a música, promoveram talentos que estariam marcador na história, vale citar personagens tais como Marlon Brando, Elvis Presley e Jimi Hendrix, que fizeram sucesso muito jovens.

Falar em artes é falar daquilo que foi chamado movimento da Nouvelle Vague, a revolução da cinematografia francesa, com nomes de grandes feitos, Godard, François Tranffout e Alain Resnais.

A alta costura, por exemplo, teve seu valor reconhecido nesse período. Lipovetsky (1993) nos diz que podemos definir pelo termo Alta Costura, confecções de luxo sob medida, que monopoliza a inovação e lança tendências. A alta costura era ou pode-se dizer que ainda é um laboratório de novidades, que o mercado tenta fazer reproduções em série. Falar em alta costura é citar Yves Saint-Laurent6, que aos 23 anos, assim como muitos jovens famosos, teve seu nome envolvido na primeira polêmica de sua

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We All Want to Be Young. Direção: Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues. 9 min. Disponível em <http://vimeo.com/16638983>. Acesso em: 04 out. 2012. 6 Estilista francês e um dos nomes mais importantes da alta-costura do século XX.


18 vida ao criar modelos de roupas que inovassem os padrões da época. Lipovetsky (1989, p. 210), fazendo referência à moda, declara que “[...] a novidade é a lei, com a condição de não ferir frontalmente o público”. E sempre que isso é ocorrido, há de causar confusão. O Sofrimento do Jovem Werther7 escrito pelo romancista Johann Wolfgang Von Goethe8, fora um marco para a juventude. O personagem principal do livro, tido para alguns como uma válvula de escape para um amor platônico vivido por Goethe que o expos na forma de literatura, sob o nome do alter-ego Werther, comete suicídio, causando uma onda de mortes juvenis na Europa. Esse ato fez com que diversos países tentassem censurar o livro.

Através de estudos recentes, feitos pelo sociólogo americano David Phillips, essa tendência passou a ter o nome de Efeito de Werther9. Essa referência comportamental transitou também para o aspecto da roupa de Werther casaco azul, colete e calções amarelos - tornou-se praticamente moda entre os jovens. Janotti (2003, p.1 e p.2) afirma “[…] desde a década de cinqüenta é possível visualizar

os

movimentos

juvenis

através

de

cortes

operados

no

posicionamento corporal e social em relação aos espaços normativos”. Percebe-se que mesmo séculos atrás os jovens já tinham um poder de revolução, que se perpetua pelos dias atuais, tanto na política, por meios de revoluções político-sociais, como ocorreu na Tunísia em 2010, no Egito e Líbia em 2011, quanto na tecnologia e informática, como no caso do jovem Mark Zuckerberg.

Para se chegar a toda essa carga cultural que a atual juventude detém, ainda devemos mencionar a geração posterior a da década de 1940 e 1950. Chamada de Generation X, esses jovens almejavam prazeres sem culpa. “A 7

Primeira produção literária do Romantismo, ela é considerada o sinal inicial que indicia o princípio deste movimento cultural; 8 Escritor, romancista, dramaturgo e filósofo alemão, nascido em Frankfurt, no dia 28 de agosto de 1749; 9 Uma onda de suicídios de imitação após a primeira publicação do livro “Os sofrimentos do jovem Werther em 1774.


19 vida passa muito rápido, se você não parar e olhar ao redor de vez em quando, você pode perdê-la” (texto extraído do filme “Curtindo a Vida Adoidado” (1986)). Assim eram os pensamentos da juventude. Ainda mais independentes do que os Baby Boomers, eles dominavam a própria vida. Talvez ali fosse o começo do que temos hoje por Industrial Cultural, certamente pelo avanço do Marketing e da publicidade, que influenciavam ao consumismo e criavam o estereótipo. Nesse âmbito é necessário citar a Indústria Cultural por Adorno (2002):

[...] o sistema da indústria cultura surgiu nos países industriais mais liberais, nos quais triunfaram todos os seus meios característicos: o cinema, o rádio, o jazz e as revistas. É verdade que o seu desenvolvimento progressivo fluía necessariamente das leis gerais do capital (ADORNO, 2002, p. 24).

Adorno e Horkheimer (1947) ainda completam:

[...] As mais íntimas reacções das pessoas estão tão completamente reificadas para elas próprias que a ideia de algo peculiar a elas só perdura na mais extrema abstracção: personality significa para elas pouco mais do que possuir dentes deslumbrantemente brancos e estar livres do suor nas axilas e das emoções. Eis aí o triunfo da publicidade na indústria cultural, a mimese compulsiva dos consumidores, pela qual se identificam às mercadorias culturais que eles, ao

mesmo tempo, decifram HORKHEIMER, p.79).

muito

bem

(ADORNO

&

A Geração X (traduzido Generation X) é classificada como ‘Juventude Competitiva’, pela capacidade da competitividade corporativa, tais como CocaCola e Pepsi, ou até mesmo através do entretenimento. Nesse período que o jovem passa a utilizar o próprio corpo para causar impacto na sociedade.

Dessa mesma forma podemos utilizar o Janotti (2003) para relacionar os jovens roqueiros a um estereótipo, que fazia as pessoas ao olharem para eles perceberem quem eles eram. E o autor os define assim:

[...] as jaquetas de couro, motos, carros, a brilhantina; enfim, o visual do ‘delinqüente’ que ficou definitivamente associados ao


20 rock and roll era parte dos sonhos de auto-afirmação dos jovens diante das pressões escolares. (JANOTTI, 2003, p. 30).

Em concordância a esse visual, Carmo (2000, p.32) complementa:

O rock, mais do que apenas um gênero, transformou-se num símbolo que ultrapassou a esfera musical. Gerou uma nova forma de comportamento para a juventude, como os blusões de couro, as motos e lambretas, a dança, os topetes, as camisas coloridas, a calça rancheira ou o autêntico brim coringa.

O marco final dessa algazarra no meio musical teve origem com a independência do rock no ano de 1960, com a autoconsciência das próprias possibilidades de expressão, foi dessa forma que Jimi Hendrix transformou a musicalidade em expressão política, quando tocou o hino Norte Americano com distorção em sua guitarra (JANOTTI, 2003). Janotti (2003, p. 45) cita que “[…] o rock deixava de ser uma manifestação adolescente e passava a englobar os anseios de grande parte da juventude”. Anseios esses que não envolviam o consumismo, até a entrada das grandes gravadoras em meio ao cenário, transformando o que era uma difusão de ideias em comércio sonoro, estético e porque não comercial.

No desenvolvimento do rock, o gênero punk foi rapidamente assimilado pelos conglomerados multimidiáticos e, de repente, o que antes era uma colagem de diversos elementos descartáveis como alfinetes, calças usadas e camisetas pintadas à mão, transformou-se em mercadoria de boutique (JANOTTI, 2003, p. 50).

A Indústria Cultural (como indústria musical) coloca tantos outros segmentos do rock and roll em voga, criando, por exemplo, o Emotional Hardcore (EMO)10 ou Screamo11, ambos os segmentos derivados do Hardcore12, fazendo com que se fragmente ainda mais o rock,para se ter mais lucro, tanto na venda de 10

É um gênero musical pertencente ao Rock, tipicamente caracterizado pela musicalidade melódica e expressiva, e por vezes letras confessionais, originada do Hardcore Punk. 11 Screamo é um estilo musical com influencias do Hardcore Punk surgido mais ou menos em 1990. 12 Cena musical surgida internacionalmente através da “segunda onda do Punk”, no final dos anos 70.


21 discos e shows, quanto no lançamento de produtos. A afirmação de Frith (apud JANOTTI, 2003, p. 47) confirma esse fato quando nos diz que “[…] as gravadoras por natureza não ligam muito para as formas que as músicas tomam desde que elas possam ter assegurado o controle dos lucros – música e músicos podem ser embalados e vendidos”. Dessa forma, passa a existir uma ruptura moral, social e ética para entrar na supremacia do capital.

O jovem se torna um produto comercializável quando lançado como estrela na grande exposição que é o cenário artístico musical e cinematográfico. Os exemplos mais recentes são os Jonas Brothers, Justin Bieber e Miley Cyrus, dentre outros, que causam frisson entre a juventude com suas letras, performance em palco e estilos que lançam.

O fato do rock se tornar um produto comercial causou diversas críticas entre os entendedores, estudiosos e pioneiros do segmento, e foi com o movimento punk que o estilo voltou a lembrar de suas origens no quesito sonoro. Fora referência também na estética visual que adotou.

É perante essa atitude, tanto musical quanto referente à indumentária, que Roach e Eicher (1979) (apud BARNARD, 2003, p. 97) referem-se sobre os acontecimentos ocorridos no final de 1960 e inicio de 1970, quando declaram que

os papéis raciais, os papéis do rico e do pobre, do homem e da mulher eram questionados e esforços feitos, particularmente pelos jovens, para articular novos papéis dentro de todas essas categorias, e usar vestimentas que refletissem esses novos papéis.

E aqui mais uma vez é visto o jovem utilizando a capacidade e poder que havia em mãos, desta vez através dos punks, na composição de letras musicais, melodias e seus moicanos coloridos e suas roupas.

No capitulo seguinte, dando continuidade o enfoque feita em relação a vestimenta, será abordado qual a importância da roupa na identidade visual.


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IMPORTÂNCIA DO VISUAL DAS ROUPAS NA CONSTRUÇÃO DE SUA IDENTIDADE.

Ao passar pela rua e deparar-se com uma pessoa vestindo uma camiseta preta, uma calça justa, um tênis modelo All Star, o que se passa primeiramente na cabeça de quem vê? A maioria das pessoas logo pensa que é um roqueiro. Dependendo da montagem que o “roqueiro” mantém de sua roupa, muitos avaliarão como um estilo de moda legal, como outro qualquer, tal como urbano ou casual, dentre outros.

A caracterização das roupas e a ligação com algum grupo social é muito mais antigo do que se pode imaginar. Segundo Lipovetsky (1989), em épocas nas quais a sociedade era dividida por hierarquia, as pessoas das classes mais baixas ansiavam o brilho e o glamour que a moda (as roupas) proporcionava àqueles que eram considerados superiores, de tal modo a gerar ondas de imitações, ainda que esses ‘superiores’ ostentassem pouco poder a mais do que eles.

Na atual condição econômica isso também ocorre. As classes altas ficam na expectativa para as novidades no mundo da moda, para assim poderem desfilar todo poder que as roupas lhe dão. É o Princípio do Prazer, regido pelo inconsciente, ao qual Freud descreve. Segundo Freud (1940) (apud Fadiman e Frager, 1986), a parte do inconsciente ao qual o ego pertence é que nos dá o movimento voluntário, se esforçando “pelo prazer” e buscando “evitar o desprazer”. Diante disso, o ato de “causar inveja” que os ricos têm perante a moda, pode ser voluntário ou não.

Freud identifica como um grande passo para o inicio de distúrbios patológicos, a relação existente entre o “eu” e os objetos existentes no mundo externo, sobretudo com as sensações que estes objetos causam no mundo interno da pessoa.


23 Ele também avalia a liberdade do indivíduo como não sendo um resultado da civilização, mas sim o contrário, sendo a civilização fundada precisamente na capacidade de, através dos mecanismos que regula as ações, restringir a liberdade individual.

O homem acaba por se apresentar como um ser social, encarcerado a um dilema que parece sem solução, pois no seu estado original de natureza o ser humano era totalmente despadronizado e sem regras, sendo esse livre-arbítrio de pouco valor. O fato é que todos os indivíduos estavam vulneráveis e em grau de igualdade dos outros, sem as normas sociais que regulam o comportamento. Portanto, é a civilização que mantêm a ordem social, ainda que com o elevado custo de restringir as liberdades pessoais, sendo varias delas regidas pelo princípio do prazer, ao qual Freud identifica que, por conta da liberdade perdida, as pessoas estarão em constante conflito com a civilização, tendo conhecimento de cada revolução que a humanidade experimenta é uma tentativa de expor e superar esse conflito.

Assim sendo, constituiu-se a hierarquia das classes, sendo aqueles com maior quantidade de posses de valor, um pequeno numero com domínio. Essa questão de classe dominante é comentada por Marx e Engels (1970 apud BARNARD, 2003, p. 68):

[...] as idéias da classe dominante são em todas as épocas as idéias dominantes, isto é, a classe que constitui a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante.

Definindo assim uma forma de, quem sabe, alienação da população submissa, que através dos meios de comunicação acabam ingerindo aquilo que lhes é oferecido. Para Lipovetsky (1989, p. 43), “[...] a moda [...] contribuiu, ao compor uma roupa nacional, para reforçar a consciência de pertencer a uma mesma comunidade política e cultural”. Essa consciência ocorrida na Idade Média perpetua até os dias atuais, formando assim as tribos.


24

A formação de tribos ou ‘grupos sociais’, de acordo com Barnard (2003) se dá com o indivíduo adquirindo as indumentárias que o caracterize no segmento. Barnard concorda com Hebdige, quando este último caracteriza que usar “[...] cabelo raspado, suspensório, jeans Levi’s curtos e largos ou calças sta-prest funcionais, camisas Bem Sherman lisas ou abotoadas de cima a baixo, e botas no estilo Doctor Marten muito bem engraxadas” (apud BARNARD, 2003, p. 55), torna uma pessoa um skinhead. Toda essa montagem do visual é que vai catalogar o indivíduo no gênero, e não o sujeito ser skinhead primeiro e depois utilizar a roupa.

Por fim, a pessoa pode até ter ações de um punk, skinhead ou qualquer grupo social a qual ele queira pertencer, mas só será visado ao se caracterizar, só será conhecido e considerado parte quando tomar como identidade o estereótipo. E por isso é importante o visual das roupas na construção de sua identidade.

3.1

A SIMBOLOGIA DAS ROUPAS

A roupa tem a função de encobrir o corpo humano. Porém, a roupa tem mais significado que simplesmente evitar que as pessoas sejam presas por atentado violento ao pudor13 e também ser ‘prejudicial à salvação da alma’, evitando o pecado e a vergonha, assim como fora com Adão e Eva, segundo a bíblia. Proteção corporal contra o frio ou o calor, elegância, o fato de expressar sentimentos, transmitindo uma comunicação não verbal, assim como as expressões corporais, as roupas também imprimem algo as pessoas.

Reforçando o que já fora dito, Barnard (2003) comenta: Proteção, camuflagem, pudor e impudicícia são formas de alguém comunicar uma posição numa ordem cultural e social, tanto para os outros membros da ordem a que

13

Lei nº 12.015


25 pertencem, quanto para aqueles que estão fora dela (BARNARD, 2003, p.91).

Essas questões levam os grupos sociais a criarem ideologias. Através da vestimenta, as pessoas podem desafiar as crenças, criar valores, expor sentimentos. Essa ideologia pode estar englobada como estilo de vida, a visão do mundo, o que ele tem e o que ele oferece. Como se portar diante do convívio em comunidade pode moldar essa ideologia. Enfim, o posicionamento pessoal vai ser peculiar ao grupo social em que cada pessoa se enquadra. Algumas pessoas têm certa dificuldade em se adequar a algum grupo, tanto pela personalidade, e aqui se define personalidade na concepção de Lundin (1977), como uma “definição leiga14”, feita por civis, quanto na ideologia e indumentária estipulada para o grupo. Essa dificuldade acaba por fazer o indivíduo viver sazonalmente por entre os grupos, não moldando assim uma identidade de caráter e de visual estético bem definido. Na óptica de Simmel (1971) (apud BARNARD, 2003, p. 28) a pessoa passa para um estágio de “[...] adaptação à sociedade e afastamento individual de suas exigências”.

As simbologias das roupas vão muito além da caracterização a algum grupo social, já que é necessário vivermos em sociedade, integrando algum grupamento de interesse comum. Alheio a isso, as roupas denotam uma simbologia individual. Através disso podemos mencionar que o individuo, quando fixo em alguma parte (um grupo) do todo (o sistema), busca singularidade, através de roupas e acessórios diferenciados, raros, caros, ou até mesmo mais esdrúxulos, como no caso dos punks. Mesmo dentro dessa ‘sub-sociedade’ as pessoas tentam se diferenciar uma das outras, pois apesar de partilharem de um mesmo ideal, cada um vai tentar alcançá-lo de maneira diferente, tendo assim uma identidade própria dentro daquele grupo.

Essa identidade pode acabar por levá-lo a uma importância dentro desta parte da sociedade ao qual ele se inseriu. Voltando a falar em status social, através do entendimento de Barnard (2003) esse status é consequência ou de ‘herança’ ou pode ser conquistado. Status por herança, nada mais é do que ser 14

Definição leiga de personalidade, para Lundin (1977, pag.3) “[...] podem descrevê-la como charme, boas maneiras, facilidade de se expressar e atração física”.


26 de uma família já conceituada, aos quais, ‘não existe’ a possibilidade de serem vistos utilizando indumentárias feitas para a massa, onde qualquer plebeu poderá ser visto utilizando a mesma roupa, e assim lembra-se como foi na Era Medieval.

3.2

A DINÂMICA DAS CIDADES MODERNAS E O FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE VISUAL.

A indústria cultural, cinema, estúdios musicais e até mesmo a televisão, induzem a população a escolher um estilo de vida. Como dito em capítulos anteriores, acabamos por viver em tribos e a roupa como elemento de exposição da identidade da tribo a que pertencemos, nos faz usar cada vez mais objetos, e esses itens carregam em si o peso das marcas. Muitas vezes são as etiquetas, a assinatura de uma grande marca de roupas, que nos conferem senso de identidade social e nos auxiliam a construir, projetar e intensificar nossa autoimagem ou marca pessoal para a sociedade.

A agitação das cidades em que se vive gera muitas consequências. A atual sociedade é vista como sociedade de consumo, onde se trabalha para viver e se vive para trabalhar. Todos os dias é um corre-corre, aumentam os números de Fast-Food, as doenças causadas por esse aceleramento na rotina, stress e também a reprodução cultural. Apenas a Alta Sociedade, com suas contas bancarias abarrotadas de dinheiro conseguem manter-se em grande estilo na moda. As classes mais baixas ainda vivem conforme a Idade Média, utilizandose de peças que tentam aproximar-se do que a alta costura produz. Alguns poucos se aventuram a comprar uma peça de alguma grife famosa e parcelando a compra. Confecções em massa das roupas enchem as lojas de departamento. Tudo por conta da exposição que mídia faz daqueles que eles mesmos apresentam à população como celebridades, abastecidos de produtos e acessórios facilmente encontrados nessas lojas. Sejam essas celebridades nacionais ou internacionais, o que acaba valendo para a indústria é tornar mais fácil a globalização. É mais fácil tanto para a indústria lucrar quanto para a classe baixa comprar. Quanto tempo será que demora a ficar pronto um vestido feito pelos grandes ateliês? Por serem feitos sob medida e costurados a mão,


27 não por máquinas de produção em série, as roupas acabam por custar uma fortuna, sendo assim de difícil consumo pela classe baixa. A vontade do consumo, seja ele em qualquer segmento, faz com que se desestabilizem as marcas identitárias, o que acaba por pôr em crise o conceito de identidade territorial, a partir do momento em que o processo de globalização generalizou um discurso de ‘mundo’ sem raízes, onde o baiano utiliza botas gaúchas, o capixaba utiliza gírias cariocas, paulistas utilizam roupas de padrões estrangeiros e perde-se a noção da regionalização e cada classe, de cada região, acaba por se inspirar em outras culturas que se assemelham a sua realidade, fazendo o fato social se misturar com o estético.

3.3

MODA E MÚSICA

A mistura faz parte do mundo em que a juventude (inclusive adolescentes) vive. Misturam bebidas, comidas, ideias e até músicas. Até ousaram misturar moda e música. O que dizer sobre os estilos lançados pelos Beatles, a beatlemania, ou pelos emos nos anos iniciais do século XXI. O blog Comunidade Moda15 nos traz que a moda “[...] entendida como um sistema de produção e produção de tendências que orienta a produção e consumo de uma infinita categoria de bens, entre elas o vestuário [...]”, está em conjunto da juventude.

O blog ainda nos remete a refletir sobre como poderia ser a juventude que uniu moda e música. […] Imaginemos o movimento punk sem a composição indumentária que marcou o estilo, as calças rasgadas, braceletes com rebites, a costomização (o do it yourself) nas roupas… Agora imaginemos os anos 80 sem os cabelos repicados e armados com gel, os acessórios em couro e rebites, a maquiagem pesada e as tatuagens em ascensão. Fica evidente o encadeamento dos eventos culturais promovidos por grupos juvenis a e geração de padrões de moda adotados consensualmente (COMUNIDADEMODA, 20 de março 2012, p.2).

15

http://www.comunidademoda.com.br/consumo-o-jovem-a-tendencia-e-o-mercado


28 Laís Andrade, do blog DeluxeBox relata o fato da relação entre música e moda sempre render bons frutos para os dois segmentos. Ela cita a canção Vogue, da Madonna e relembra das roupas um tanto quanto exótica da Lady Gaga e ainda cita a parceria entre uma das bandas ícones do movimento Punk, o Sex Pistols e a estilista Viviene Westwood, inventora do look punk. Visto e citado por Janotti anteriormente, o movimento punk, mesmo sem interesse em causar ou produzir o consumismo, chamou a atenção de um cenário que até então não havia ousado tentar expor esse tipo de moda.

O punk impactou toda a cidade de Londres. Porque não impactar o mundo da moda? Foi isso que a estilista Viviene Westwood fez. Criada a imagem de do look punk, os autores do blog Comunidade Moda declaram: Se não fosse Vivienne Westwood, talvez não existisse o punk, nem Londres seria a capital mundial dos grupos de estilo. Todavia, é necessário ressaltar que, se uma subcultura juvenil agregadora de significados como o punk, produtora de ideologia, consumo; união entre jovens revolucionou modos de ser, pensar e fazer nos anos 70/80, (orientando entre tantas instâncias, a moda), no fim do segundo milênio, é a disjunção de estruturas de significados, a desterritorialização de universos simbólicos e ideológicos e a randômica mutação de modus vivendi que caracterizam os grupos juvenis, a sua produção cultural e a influência que esta exerce sobre a sociedade contemporânea. (COMUNIDADEMODA, 20 de março 2012, p.3).

Dessa forma o Punk, sua história e toda a carga de ideologia que tem, além da fama nas regiões onde se concentravam, começaram a ganhar o mundo através das fotos que foram produzidas. Nos capítulos seguintes serão abordados, para melhor entendimento, um pouco sobre a fotografia e sobre o movimento punk.


29

4

A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA

A procura por algum recurso que permitisse fixar as imagens que os artistas gravuristas faziam, está no princípio da câmera escura ou câmara escura. O objetivo era fazer com que a imagem fosse um guia para o próprio desenho, mas espontaneamente foi necessário que a ciência da química se desenvolvesse para o bem de todos. A História da fotografia é algo tanto como subjetivo, não se pode considerar que a fotografia foi obra de apenas uma pessoa. Vários personagens na história foram agregando conhecimento ao longo de percurso. Aristóteles, falava que a “câmara escura”, era um fenômeno familiar. Era preciso um orifício para a entrada em um ambiente escuro que resultaria numa imagem externa invertida. Leonardo da Vinci, mestre da Renascença, discorreu as suas propriedades e a utilizou: o seu funcionamento era de origem física, a propagação da luz permitia que os raios luminosos passassem pelo orifício da câmera. Essa projeção produzia uma imagem real invertida do objeto na superfície fotossensível. Em 1604, o químico italiano Ângelo Sala16 publicou sua significativa descoberta, que uma substância prata ficava escura quando exposto ao sol, seu estudo contribuiu bastante na compreensão das reações químicas e para o entendimento das combinações químicas de outras substâncias. O pesquisador alemão Johann Heinrich Schulze descobriu que tal substância prata era halógena17, e se convertia em prata metálica. Johann chegou até publicar um resultado de pesquisa em que folhas de papel tratadas com nitrato de prata enegreciam a luz. Schulze não tinha a intenção de fazer descobertas fotográficas, o que queria era fabricar pedras luminosas de fósforo. Sem saber o professor Schulze dava o primeiro passo para descobrir a fotografia. Em 1558, Danielo Barbaro18, da Universidade de Pádua, implantou um diafragma no orifício de uma câmara obscura, fazendo com que objetos em diversas distâncias pudessem ser focalizados. Barbaro demonstrou que uma 16

Disponível em: <http://7c1histfoto.wetpaint.com/page/Angelo+Sala> Os elementos de halogênio são flúor, cloro, bromo, iodo e ástato. Disponível em: <http://es.thefreedictionary.com/hal%C3%B3gena.> 18 Disponível em: <http://www.tharrell.prof.ufu.br/pdfs-setechaves/Capitulo1.pdf>, página 7. 17


30 imagem nítida e clara era produzida pela substituição do orifício por uma lente. Desde então os pintores italianos passaram a pintar paisagens, com precisão de detalhes, usando este mecanismo. Do ponto de vista literário, “escrever com luz”, é a tradução da palavra fotografia, que é a junção da técnica com a observação visual. É a máquina com seus detalhes de fabricação. Por outro lado, são as diversas formas de abordagem para a produção, que resulta em documentar um evento, comunicar uma ideia, mostrar o que auto-expressivo e até mesmo, registrar algo aberto à interpretação. Segundo Langford (2009), sem a fotografia não seria possível registrar momentos históricos da humanidade, como as guerras, revoluções, fenômenos naturais, movimentos artísticos, ações pessoais tão importantes como um casamento, ou um aniversário, ou até mesmo o crescimento dos filhos; momentos incríveis da própria vida.

A fotografia é uma mídia poderosa de persuasão e propaganda. Ela tem aquela aura de veracidade quando o tempo todo pode afirmar o que o manipulado escolher. Considere por um momento o álbum de família; que fotos são representadas ali: toda a vida da família ou apenas os bons momentos? (LANGFORD, 2009, p. 19).

Em seu contexto histórico a fotografia cresceu e evoluiu de uma forma fantástica, para começar, um dos nomes mais importantes a se fazer referência é o de Joseph Nicéphore Niépce. Foram dez anos de muita experiência e trabalho para o francês registrar a primeira imagem produzida pela ação direta da luz. Sua façanha foi realizada em 1826. Seus resultados anteriores eram insatisfatórios com os trabalhos de “Litografia19”, o que o fez produzir negativos de baixa densidade em seu processo de revelação onde o papel recebia cloreto de prata e ácido nítrico. Logo mais, acidentalmente o artista e físico francês Louis Daguerre descobriu um meio mais eficiente para ter uma imagem revelada: guardou uma chapa de prata sensibilizada com iodeto de prata dentro de um armário, quando o abriu no dia seguinte, obteve sobre a placa, a

19

Arte ou processo de produzir um desenho, caracteres etc. em uma pedra plana, especialmente preparada, e por meio desta reproduzi-los em papel. 2 Qualquer processo, baseado no mesmo princípio, em que se usem placas de zinco, alumínio etc., em vez da pedra.


31 imagem revelada. O agente revelador foi o vapor de mercúrio, fruto de um termômetro quebrado esquecido em um armário. Depois Daguerre passou a utilizar chapas de cobre sensibilizadas com prata e tratadas com vapor de iodo, fazendo surge o Daguerreótipo.

4.1

O DAGUERREÓTIPO

Busselle (1979) relata que em 1939, Daguerre, depois de ter padronizado o processo do Daguerreótipo, abriu os olhos do Governo Francês para a sua invenção que ainda não era de boa qualidade. Havia pouco contraste e a imagem era invertida, sem falar que o tempo de exposição não chegava a ter 1 minuto. Mesmo assim o Governo comprou a ideia em troca ofereceu seis mil Francos vitalícios.

O Governo francês declarou o invento como domínio público. Quem ganhou muito com isso foram os artistas plásticos que tiveram mais liberdade para criar, já que o Daguerrótipo proporcionava o surgimento da nova forma de obter imagem da realidade.

Simultaneamente à criação do Daguerreótipo, o cientista William Talbolt deu um grande passo quando desenvolveu o Talbótipo, um sistema de produção de indeterminado número de cópias. Nessa mesma época em toda a Europa, nascia uma nova tendência artística. O impressionismo usava a luz em seu processo de pintura. Por definição:

O impressionismo é um movimento artístico surgido na França no Século XIX que criou uma nova visão conceitual da natureza utilizando pinceladas soltas dando ênfase na luz e no movimento. Geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as nuances da luz e da natureza. (LANGFORD, 2009, p. 19).

Os artistas impressionistas retratavam os elementos como se estivessem totalmente alumiados pelo sol, assim, as cores da natureza ganhavam mais vida. Além disso, não havia, nas figuras, contorno nítido, e a cor preta não era usada. No quadro “Siesta” de Van Goh, até as sombras eram luminosas e coloridas.


32

Figura 1: Van Gogh - Siesta

Fonte: <http://navegantesaomar.blogspot.com.br/2012/07/van-gogh.html>

Vincent Van Gogh20 foi um dos principais nomes da época juntamente com Monet, Manet, Renoir, Camile Pissaro, Alfred Sisley entre outros. No Brasil, o artista que melhor representou o impressionismo foi o pintor e desenhista Eliseu Visconti, o qual teve contato com a obra dos impressionistas e soube transformar as características do movimento conforme a cor e a atmosfera luminosa do próprio país.

4.2

A REVOLUÇÃO DA FOTOGRAFIA

“Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, o slogan da Kodak expressa fielmente o que aconteceu nos primórdios da história da fotografia. O jovem bancário George Eastman demonstrava um grande interesse pela fotografia. Comprava seus equipamentos, fazia aula com um profissional de Nova Iorque e era leitor de diversos artigos. O que o incomodava era o desprazer de carregar muitos equipamentos, pareciam verdadeiros trambolhos.

Eastman transformou o seu desconforto em uma ótima oportunidade. Começou a fabricar e vender sua própria produção. Fundou a Companhia que levava o seu nome: Eastman Dry Plate Company. Em 1884 já tinha deixado seu emprego no banco e feito uma parceria com um fabricante de máquina 20

Disponível em: <http://www.brasilescola.com/artes/impressionismo.htm>


33 fotográfica chamado Willian H. Walker, juntos desenvolveram um acessório cilíndrico em um rolo de papel montado sobre uma base protetora, sendo o suficiente para 24 exposições que ainda se encaixava nas câmeras com o mesmo padrão. George Eastman queria proporcionar mais praticidade aos usuários das câmeras. Em 1886 depois de uma tentativa bem sucedida fez com que as pessoas apenas tirassem as fotos, sem precisar realizar todo o processo, fez-se então nascer a KODAK em 1888. Uma máquina pequena, fácil de manusear. Busselle (1979) afirma que Eastman chegou a escrever na época, que o uso dela dispensava estudos preliminares, laboratórios e produtos químicos. A revolução se explica quando o fotografo só precisava pressionar a chapa, e ainda poderia mandar as câmeras para a fábrica para realizar a recarga de 100 cópias montadas em cartão.

Quando se fala em revolução fotográfica é preciso discorrer sobre seu processo evolutivo significativo na história. Muito se afirma que as maiores e mais famosas fotografias sempre foram tomadas em preto e branco(P&B), porém, depende-se muito da técnica e do olho artístico do fotógrafo para dar qualidade a um trabalho em P&B. Quando não há cor, as fotografias proporcionam ilimitadas interpretações artísticas. Extraído do site Sépia, Arte e Estética21, Curl (1979) externa essa questão.

A Câmera não tem senão um olho: a lente. Só pode registrar um fragmento do mundo visual. O fotógrafo leva com ele o segundo olho. Este é o olho da seleção. O artista tem ainda um terceiro olho: o olho da imaginação criativa. Este terceiro olho é o que pode penetrar no nosso mundo interno. (CURL, 1979, p. 1).

Os resultados podem ficar com um largo espectro de tons de cinza e também com a luz mais extrema contrastando com a escuridão, o que nos faz ter diversas sensações distintas, quando as cores trabalham no psicológico humano.

21

Disponível em: <http://sepia.no.sapo.pt/sepiafot_c.html>


34 Figura 2: Anne Katrhin Greiner

Fonte: <http://www.ilfordphoto.com/home.asp>

Ao estudar a psicologia das cores nota-se que cada uma tem suas características, sua própria expressividade: o branco, por exemplo, transfere inocência ao olhar, a paz, divindade, calma, harmonia limpeza, pureza. O preto é expressivo e angustiante ao mesmo tempo, transmite sujeira, sombra, miséria, pessimismo, melancolia, seriedade. Alegre e nobre quando combinado com outras cores como a prata e o dourado. O cinza, por exemplo, remete a pó, chuva, neblina, tédio, tristeza, velhice, passado, seriedade. É uma posição intermediária entre luz e sombra.

4.3

DO P/B AO DIGITAL

São diversos os quesitos que influenciam no resultado final. A escolha do filme, os filtros especiais, o modo de processamento, a escolha do papel e o próprio modo de impressão. O fotógrafo quando está prestes a realizar sua beleza artística precisa repensar a cena em tons de cinza e não nas cores originais. Se a imagem a sua frente for bastante contrastada a fotografia poderá ficar com um efeito dramático. Mas se for o contrário, a imagem assume um efeito pastel. O controle artístico fica na mão do fotógrafo, é a autonomia de retratar a cena como bem desejar.


35 Com o passar dos anos, muito se experimentou para dar mais vida as fotos através das cores, até existiam pessoas que se especializavam em pintar as fotos em P/B, mas não havia nenhum recurso tecnológico que deixasse a foto em cores. Em 1861 o físico britânico James Clerk Maxwell conhecido também por ter dado a forma fina à teoria do eletromagnetismo, registrou a primeira imagem colorida: Figura 3: James Clerk Maxwell

Fonte: <http://fosgrafe.com/index.php/a-primeira-fotografia-colorida>

Ao realizar essa façanha Maxwell precisou fotografar três vezes e com três filtros de cores diferentes: o verde, o azul e o vermelho, o resultado foram os negativos monocromáticos com as variações de cinza. Os negativos foram transformados em slides para serem projetados um sobre o outro, até serem alcançadas as cores originais do elemento. No entanto, esse método apresentava complicações, pois não era possível registrar fotos em movimento e também a perda de luz era grande. Os filtros permitiam uma passagem limitada da luz, apenas 1/3 do total. Era um método cansativo e difícil, mas foi de grande valia para se chegar as fotos coloridas.

Com a evolução constante das tecnologias a fotografia que antes era colorida se torna aos poucos também digital. Institutos de economia foram criados para estudar e avaliar os aspectos econômicos mundiais para as próximas décadas. A crise de 29 foi um acontecimento que gerou esta reflexão para os investimentos no estudo sobre a tecnologia. Na Segunda Guerra Mundial os militares testavam a digitalização na comunicação através de mensagens


36 criptografadas para servir na espionagem. A fotografia digital, pode se dizer que é um embrião da Guerra Fria e também do programa espacial norteamericano. Nesse caso, o planeta Marte foi registrado por uma câmera de TV em 1965. As imagens ainda eram em P&B e contavam com apenas 0,04 megapixels22 que não eram 100% digitais, os princípios dos sensores eram analógicos. O interesse dessa invenção era oferecer um bem de consumo para a população, fazendo com que a política capitalista se estabilizasse.

Em 1964 a empresa RCA cria o primeiro circuito CMOS, sem dar conta que seria a base das primeiras câmeras digitais. O outro sensor, o CCD foi criado pelos laboratórios Bell em 1969 e quatro anos depois a Companhia Fairchild Imaging lança a 201ADC, que era a primeira versão a ser comercializada. Os proprietários obtinham uma máquina que capturava imagens de 0,01 megapixel somente.

Com o passar do tempo a KODAK, pioneira na fotografia apresentava seu protótipo com base no CCD da Fairchild. Apesar desse pioneirismo, é a concorrente SONY que disponibiliza as primeiras câmeras sem filme, a famosa MAVICA tinha 0,3 megapixels e ainda armazenava 50 fotos no Mavipakes, que eram disquetes.

Já nos anos 2000 a fotografia passa por uma nova revolução, segundo a PMA (Phorography Marketing Association Estados Unidos), 22% dos lares americanos contava com uma câmera digital, esta porcentagem classifica a câmera como um produto de massa. Com a crescente venda de câmeras para atender as demandas de consumo, cresce também a resolução dos pixels nos modelos que são considerados mais populares. Para os usuários, na maioria feminina, é sempre satisfatória a compra das máquinas mais populares, pois, com a frenética velocidade de evolução tecnológica dos produtos, os populares acabaram ficando mais baratos (História da Fotografia Digital23).

22 23

Pixel, do inglês é Picture Elements Disponível em: <http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=5141.0>


37 Para entender a fotografia digital o autor Thales Trigo em seu livro “Equipamento Fotográfico, Teoria e Prática”, nos permite a compreensão de como se obtém uma fotografia digital, desde o funcionamento do CCD citado no parágrafo a cima. A imagem digital é composta pelos Pixels, que na tradução significa: elementos formadores da imagem e há três maneiras de ser produzida. Pode ser através de um programa com processador de textos que forma no monitor as imagens representando letras e símbolos; através de um escaneamento de uma imagem original e também com uma câmera digital. Cada pixel é formador da imagem digital, neles são atribuídos números que os identificam e localizam e também caracterizam sua cor.

A localização do pixel na imagem é determinada pela sua posição em um sistema de coordenadas xy, e a cor associada ao pixel é dada por um número que representa a luminosidade de cada uma das cores primárias – vermelho, verde e azul (RGB, iniciais em inglês) – representadas pelo pixel. (TRIGO, 2005, p. 174).

Para obter a imagem digital, é preciso da câmera digital, que é claro produz a mágica através do sensor eletrônico que é colocado no plano focal. As imagens são formadas nesse período. Os sensores para câmeras digitais são os Charge-Coupled Device (CCD), que oferece mais qualidade do que o do tipo Complementary Metal-Oxide Semiconductor (CMOS) que tem uma tecnologia mais simples e seu custo de produção é bem menor.

O CMOS e o CCD funcionam de maneiras similares, mas vale a pena discorrer mais um pouco sobre a CCD que é usada atualmente em grande maioria. Ela tem uma estrutura de fabricação muito complexa, é basicamente feita em três camadas diferentes. A luz é convertida em carga elétrica parecido ao que acontece em um fotômetro, o CCD é formado por um grande número de elementos sensíveis à luz e são chamados de photosites ou fotodiodos que correspondem a um pixel da imagem. Langford (2009) orienta os leitores para o uso da CCD:

Sensores CCD relativamente grandes e muito caros são embutidos no back digital para câmera de médio e grande formatos. Diminuir o tamanho desses sensores, mantendo a


38 correspondência do tamanho de pixels significa menor sensibilidade à luz. A maioria corresponde à velocidade de filme fotográfico ISO entre 100 e 400. Quanto mais alto o ISO, mais ruído você verá na sua imagem, oque pode degradar a qualidade da imagem, mas isso talvez mude. (LANGFORD, 2009, p. 134).

As dimensões das photosites variam entre 6 a 15 mm dependendo do fabricante da câmera e a finalidade de uso. Quando a luz incide no pixel a carga elétrica é liberada da camada de polissilicato e é conduzido e armazenado no substrato inferior de silício. Depois da transferência da carga elétrica os pixels, são analisados e contados, o sinal passa por um conversor analógico-digital que transforma as informações em digitais, esse conversor analisa o número de carga enviada de cada pixel e associa um número no sistema binário de cada pixel. Desta forma os usuários do programa Photoshop podem entender o que significa os valores associados às cores em RGB (TRIGO, 2005).

Toda essa evolução merecia um software que permitisse a edição das imagens. O Photoshop foi concebido em 1987 acidentalmente. Thomas Knoll estava em sua casa, na Califórnia, trabalhando na tese de seu próprio doutorado, quando criou um código que exibia imagens em tons de cinza em um monitor de bitmap preto e branco. Knoll não deu muita importância para o que seria o esboço do fenômeno Photoshop. Só depois que seu irmão John Knoll se encantou pelo programa é que ele percebeu o potencial. Os dois trabalharam para desenvolver o programa. Em 1990 a empresa ADOBE lança no Mercado o programa que tinha comprado dos irmãos. Hoje em dia o programa gera muito dinheiro para os donos. Mudou o conceito da fotografia e a visão que se tem dela, mudou o trabalho do fotógrafo; tornou os padrões da beleza feminina mais rígida; interviu nos rumos da sociedade. Mais de 10 milhões

de

pessoas

usam

o

Photoshop,

entre

elas,

um

fotógrafo

contemporâneo que faz um excelente uso do programa e manipula as imagens perfeitamente para o fim que se deseja.

David LaChapele, nasceu em Connecticut, Carolina do Norte em 1968, seu estilo é surreal, ele cria o seu mundo visionário próprio em vez de reproduzir o


39 que é visível no mundo. A foto abaixo é intitulada: “Make over: Sugery Story”, um belo exemplo de uso genial do Photoshop, inclusive para causar reflexões. Figura 4: Make over: Surgery Story David LaChapelle

Fonte:

<http://danishprinciple.tumblr.com/post/21160235430/david-lachapelle-surgery-story-

make-over-new>

LaChapelle é uma dos profissionais mais brilhantes que consegue trazer muita intensidade as suas fotos, seu estilo de fotografia não se compara com ninguém. Entre as celebridades de Hollywood como Madonna, Lady Gaga, Elton John, Pamela Anderson, Lil’ Kim, Uma Thurman, Elizabeth Taylor, David Beckham, Paris Hilton, Leonardo DiCaprio, Hillary Clinton, Muhammad Ali, Britney Spears, Rihanna entre outros, LaChapelle também faz seu excelente trabalho com músicos e bandas, veja na foto abaixo:


40 Figura 5: Tommy Lee – David LaChapelle

Fonte:

<http://www.lachapellestudio.com/portraits/tommy-lee/?ci=194>

Além de Tommy Lee da Mötley Crüe, Red Hot Chili Peppers, Blink 182, Beastie Boys, The Vines e Moby, este até com destaque pelo prêmio conquistado pela MTV, todos essas bandas agregam mais notoriedade para o trabalho de LaChapelle.


41 5

SURGIMENTO DO UNDERGROUND E O MOVIMENTO PUNK

Como visto no primeiro capítulo, a juventude que antes não tinha uma identidade definida, após a Segunda Guerra começou a influenciar e demarcar um território ideológico que impactou a sociedade com uma proporção nunca vista antes. Os Babys Boomers, a geração de jovens dessa época, acabaram sendo responsáveis pelo o surgimento de toda uma geração de adolescentes e jovens adultos que ganharam muita notoriedade nas manifestações artísticas, principalmente na música, que foi o exemplo mais bem sucedido de expressão da cultura jovem.

O rock veio para transmitir os diferentes preceitos ideológicos e formas de mensagem que na década de 1960 começou a identificar os jovens que se interessavam com os temas musicais que falavam do cotidiano de forma crítica e direta. A ascensão do estilo punk começou com as bandas americanas MC5, Stooges e Velvet Underground, que tecnicamente não tinham nada muito complexo em seus arranjos, sendo as músicas rápidas e curtas. A monstruosa banda Ramones chegou, na década de 1970, com músicas bem mais toscas e objetivas que conseguiram solidificar o estilo musical punk. Na época, os jovens já eram enérgicos, com as características de um punk, eram provocadores,

irônicos

e

debochados,

embora

não

se

identificavam

uniformemente de tal modo.

O punk assumiu um papel mais agressivo e crítico na Inglaterra, alimentado pelos problemas econômicos e sociais. Uma banda nova se destacava. Sex Pistols nasce na terra da rainha e se torna uma eficiente representação da postura punk num país onde a sociedade era tão cinza e conservadora.

O movimento Punk, com o passar dos anos se popularizou e influenciou jovens de diferentes partes do mundo a organizar e promover festivais. Assim também ocorriam os surgimentos de novas bandas, além da produção na área da literatura, onde, o conteúdo era oriundo do próprio contexto punk. Nos parágrafos mais a frente será conceituado tal literatura que é viva até hoje.


42 [...] tal êxito acabou servindo de inspiração para que a própria indústria cultural absorvesse elementos visuais e musicais que estabeleceram a explosão do gênero musical “New Wave”, na década de 1980 (SOUZA, 2012, p. 124).

O Movimento punk idealizava o jovem da época à contestação contra o sistema, era a marca registrada. O jovem punk não ficava calado nem acomodado como a maioria dos jovens e o povo em geral. A atitude é uma qualidade virtuosa do movimento. Manifestações, panfletagens, boicotes, passeatas. O punk mostrava sua cultura e seu repúdio a todas as formas de fascismo, nazismo e racismo, autoritarismo, sexismo e comando, vendo como solução a autogestão (anarquia) para a libertação dos povos, raças, homens e mulheres.

Em sua grande maioria, garotos moradores dos subúrbios e periferias, de famílias de trabalhadores de baixa renda, que ouviam rock e viviam em busca de informações, novos discos e tendências

musicais,

sentiram-se

atraídos

pelos

sons,

imagens, ideias e visual de rua dos grupos punks da Inglaterra. (CARMO, 2000, p.146).

O visual do punk fugia de todos os padrões da sociedade impostos pelo modismo, a revolta era mostrada no corte de cabelo moicano colorido, roupas velhas e surradas que faziam oposição ao consumismo e a sociedade inglesa, que usavam roupas com cores na maioria em tons de cinza. Os punks incrementavam ao visual, jaquetas arrebitadas com frases de indignação contra o Estado repressor. O exemplo do punk pode ser compreendido como um fenômeno ideológico mais explícito. É possível ver, no uso de correntes de privada, sacos de lixo, alfinetes de segurança, “tecidos de pouca qualidade, e ‘baratos’... modelos vulgares... e cores irritantes’”, documentados por Hebdige (1979:107), uma agressão ideológica aos valores

24

estéticos das classes

Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/movimento-punk.htm>


43 dominantes, senão do próprio capitalismo. (BARNARD, 2003, p.71). Figura 5: Punk2

Fonte: <http://www.cultura10.com/vestimenta-del-estilo-punk/>

A classe dominante não usava corrente, nem sacos plásticos como decoração ou como joia. Considerado vulgar e desagradável, os panos, as cores e desenhos, inseridos como indumentária própria, faz o punk se opor a classe dominante. A moda e a indumentária nesse caso são enquadradas como armas ideológicas numa guerra de grupos sociais distintos.

Um parêntese para falar que o punk também mostra sua cultura anticapitalista pelo FANZINE (jornal político-alternativo), que trazia propostas políticas e seu comportamento livre e objetivo. Isso fazia com que o Punk não fosse uma moda, quando na verdade, é um modo de vida e pensamento.

O Fanzine surgiu na década de 1930, sendo uma neologia formada pela contração dos termos fanatic e magazine: revista do fã para fã, e teve sua origem com o informativo de ficção científica The Comet, editado pelo americano Ray Palmer. O incentivo a aceitação do fanzine, foi na década de 1970 com a popularização a baixo custo da fotocopiadora e pela própria explosão do movimento punk.


44

O aspecto mais importante está no fato de o fanzine ser uma espécie de porta-voz do movimento que afirma tratar da realidade, do dia-a-dia dos punks. Uma vez que qualquer punk pode fazer o fanzine, tem-se que aceitar a pluralidade de opiniões e posições no interior do próprio movimento. (OLIVEIRA, 2006, p.23).

A foto abaixo mostra a estética bem agressiva de uma Fanzine punk anarquista do ano de 1996 da cidade de Teresina-PI.

Figura 6: Fanzine

Fonte: <http://contraculturapunk.blogspot.com.br/2010/04/frutos-da-miseria-1.html>

O movimento punk que contestava o sistema fortaleceu os Fanzines em sua época. A ousadia, a autogestão como forma de protesto e as novas maneiras de narrar o cotidiano de forma caótica, virou uma nova maneira de fazer a imprensa alternativa ir além, se tornar independente.


45 O movimento Punk no Brasil25, novos ares tomaram conta do país na década de 1980, o que mais se falava era na abertura política, a censura permanecia, mas não era tão pesada. Isso fez com que os roqueiros undergrounds mostrassem suas ideias para o publico, dando mais alternativa aos jovens que eram influenciados pelos monstros da MPB brasileira como Caetano Veloso, Chico Buarque e as cantoras Simone, Maria Betânia entre outras que dominavam a programação nos rádios. Quando o movimento punk chegou a São Paulo em 1987, se limitava ainda a jovens que imitavam as roupas e atitudes dos punks ingleses. As primeiras bandas punks brasileiras surgiram em São Paulo e Brasília uns dez anos antes, no meio underground, sem rótulos, apenas como rock’n roll. Os grupos Joelho de Porco, Al-5, Lixomanaia e Restos de Nada se apresentavam nesse meio. Em 1982 o público começava a tomar conhecimento da nova tendência com o lançamento do primeiro disco Punk brasileiro, chamado Grito Suburbano que reuniu as bandas Cólera, Olho Seco e Os Inocentes. Logo depois foi realizado o primeiro grande festival Punk no Brasil chamado de “O começo do fim do mundo” que acabou terminando em confronto com a polícia. Foi a vizinhança que alertou a polícia sobre o evento, pois não gostaram do ambiente que era reproduzido. O que viria após o Punk carregaria a expressão da contracultura produzida por eles. Com um o ritmo ainda mais rápido e agressivo, o Hard Core tomava forma, e se expressava na contracultura do Straight Edge.

5.1

O “X” DA QUESTÃO

O surgimento do Straight Edge deu um novo ânimo à contracultura punk. O modo de vida dos adeptos do movimento, que contestavam o sistema, mas em partes, não ficavam sóbrios para defender o ideal. O punk ganhava um novo estilo de vida, mais regrado.

O jovem Straight Edge era resistente e abnegava substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas. Defendia a abstinência ao tabaco, álcool e as drogas. Além de não usar drogas, o movimento defendia uma conduta sexual. O sexo 25

Disponível em: <http://anarquiapunk.br.tripod.com/anarquiapunk/id1.html.>


46 promíscuo, irresponsável ou casual não eram praticados, isso fazia parecer ser um paradoxo para os jovens cheios de atitude. Embora as atitudes e o modo de vida regrado parecessem um dogma religioso, os Straight Edge, não tinham nenhuma relação religiosa, eram apenas os punks vivenciando a nova fase do Hard Core, livre das drogas, promovendo então esse conceito ao participante do novo movimento.

A imagem a seguir é uma referência viva. A frase de efeito é usada em tudo que se pode ser impresso, principalmente em estampas. Figura 7: Drug Free Straight Edge

Fonte: <http://stu-bacca.deviantart.com/art/DRUG-FREE-STRAIGHT-EDGE-17715572>

A idéia surgiu com o início da cultura punk, no meio de jovens de culturas distintas que simplesmente não queriam fazer uso de drogas ou de bebidas alcoólicas para se divertir. Há várias razões pelas quais se escolhe ser Straight Edge. Para alguns, é um fundamento porque creem que desta maneira estarão mais envolvidas com sua própria saúde física e mental. Outros optam pela identificação com o movimento mais consensual, o uso de substâncias que alteram o humor contribui para anestesia política e enfraquece a atitude de contestação. Outra grande parte do Straight Edge escolhe ser vegetariano ou vegano, como foi o caso da Youth of Today, umas das primeiras bandas do segmento. Além disso, eles tinham também a identificação antidrogas, e em geral, assumiam total responsabilidade por seus atos.


47 O veganismo26 é uma filosofia de vida inserida no meio Straight Edge, mas não é necessário que um Edge seja um vegano. Grande parte das pessoas do segmento opta por esse estilo de vida que é motivada por convicções éticas com base nos direitos dos animais, que procuram evitar exploração ou abuso qualquer espécie animal, fazendo boicotes a atividades e produtos que faça a exploração deles. No Reino Unido e nos Estados Unidos o número de vegans está crescendo juntamente com os restaurantes veganos.

O termo vegan nasceu nos Estados Unidos na década de 1944 numa reunião onde o seu precursor Donald Watson se desvinculou da organização The Vegetarian Society por motivos ideológicos e decidiu criar uma nova sociedade chamada de The Vegan Society. A ideologia do veganismo defende o princípio de que o homem viva sem a exploração dos animais, condenando a alimentação por qualquer espécie animal e todos os outros usos que envolvam a exploração da vida animal pelo o homem. Para o vegano os animais não existem para serem explorados, assim como o negro não existe para servir o branco, nem a mulher para servir o homem.

Mas qual é a diferença do vegan para o vegetariano? Os seguidores da filosofia têm o objetivo em comum de proteger os animais em diversos aspectos que vão além de comer a carne animal de qualquer espécie. A diferença é que o veganismo não é dieta. É um conjunto de práticas direcionadas ao direito animal. Veganos não utilizam nada de origem animal, nem mesmo roupas ou cosméticos que tenham sido testados em animais. Já o vegetarianismo não é necessariamente ingerir exclusivamente vegetais. A origem do nome vem da palavra vegetus, que em latim quer dizer saudável. A dieta exclui qualquer produto alimentício que promova o sofrimento animal. Carnes e derivados não fazem parte do prato vegetariano, que pode, entretanto, conter leite, ovos e laticínios 27 (PRECIOSO, 2011, pag. 1, BLOG DA KARLINHA )

26

Disponível em: <http://vegantifascista.blogspot.com.br/2010/07/o-que-e-o-straight-edge-sxehistoria.html>, pag. 4 27 Disponível em: <http://mdemulher.abril.com.br/blogs/karlinha/geral/veganismo-versusvegetarianismo-qual-a-diferenca/>


48 O vestuário e os adornos vegans são de origem vegetal, algodão, linho, sintético e polyester. Os vegans se policiam para não exagerar com o consumismo que também, indiretamente acaba gerando degradação e negação aos animais. Retomando o lado histórico do segmento Straight Edge, as bandas percussoras do movimento foram Teen Idles e a Minor Threat. Em 1980 em Washigton D.C, capital dos Estados Unidos, os integrantes da Teen Idles eram todos menores de idade e não podiam frequentar os shows punks porque se consumia bebidas alcoólicas. Os próprios integrantes não queriam beber, eles faziam ao contrário da maioria dos punks da época. As drogas e o álcool eram bastante consumidos na época, os menores eram excluídos dos shows. Para os membros da banda, o consumo de álcool e drogas só trazia coisas ruins para o movimento e se sentiram na obrigação de não pactuar com essa atitude. Era um desperdício de talento quando algum punk inteligente bebia e ficava a causar brigas que aconteciam desnecessariamente. Para a banda Teen Idles, a atitude do "faça você mesmo" que o punk trazia na bagagem, envolvia o indivíduo, fazendo-o ter pleno controle do que estava fazendo, do seu corpo, mente e atitudes. As drogas eram uma barreira, um obstáculo. Por isso, ao redor da banda, toda uma turma de jovens punks foi se formando, e algo como um "mini-culto" foi surgindo.

Quando a banda estava fazendo a arte da capa de seu primeiro disco, que se chamou "Minor Disturbance", o baterista Jeff Nelson pegou um esquadro, e brincou fazendo uma comparação a qualidade das retas e os ângulos retos do encarte, com sua postura firme e "careta" de vida. Com essa brincadeira, o membro da banda fez uma analogia entre o esquadro e o novo estilo punk de ser e foi com essa brincadeira que o baterista Nelson apelidou aquele grupo de punks "caretas" de "Straight Edge Punks". Alguns anos depois a banda acaba e Jeff Nelson junto com Lan Mckaye formam uma nova banda chamada Minor Threar. Essa sim foi a banda que teve repercussão em todo o mundo principalmente nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, parte da Europa e também na Austrália. Além das bandas precursoras do movimento como Minor Threat, Youth of Today e Teen Idles, outras bandas como Rise Against, Gorilla


49 Biscuits, Lärm, Bold, LCE, To See You Broken nascem e promovem a continuação do Hard Core Straight Edge.

O surgimento do X ocorreu durante uma turnê do Teen Idles, quando tocaram na Califórnia no bar chamado Mabuhay Gardesn. Lá os menores de idade que frequentavam os shows eram marcados com um “x” na mão para ficar fácil a visualização dos garçons, fazendo com que não distribuíssem bebidas para eles. O pessoal do Teen Idles gostou da idéia, que a levou para casa, onde vários clubes e bares copiaram a ideia. O tempo foi se passando e os adeptos da filosofia Straight Edge começaram a usar o X fora dos lugares dos shows.

Depois que atingiram a idade legal para beber eles continuaram a usar o símbolo, e assim, ele acabou se tornando o símbolo do movimento. Figura 8: Straight Edge sXe

Fonte:

<http://jaderocks12.buzznet.com/user/photos/sxe-xxx-straightedge-large-

msg/?id=4611484>

Para alguns os três “X" é interpretado como a representação de "corpo", "mente" e "alma". Para outros é como símbolo da letra da música "Out of step" do Minor Threat: "I Don't Drink, I Don't Smoke, I Don't do drugs - At Least I can fuckin' think! [...]" (Eu não bebo, eu não fumo, eu não me drogo - Pelo menos eu consigo pensar, porra!). Mas na verdade, a representação dos X’s foi criada por Jeff Nelson baterista do Minor Threat. Ele trocou as três estrelas da


50 bandeira da cidade natal da banda que era Washington D.C. pelos XXX, usados na arte da capa da coletânea "Flex Your Head", em 1982.

Para os adeptos do Straight Edge, é comum fazer tatuagens com o símbolo do X tanto na mão quanto em outras partes do corpo. O símbolo também é bastante usado em camisas, blusas de manga longa, moletons, bandeiras, shorts, buttons, patches, bonés, relógio entre outros itens. Figura 9: Store Straight Edge

Fonte: <http://www.quickening-store.com/jakarta/browse/shirts>

As bandas de Straight Edge não têm postura capitalista, a venda dos produtos é destinada para cobrir custos de um show, para pagar a viagem realizada pela banda. A intenção não é lucrar, é difícil encontrar bandas que se sustente totalmente da música no meio underground, muitos tem trabalhos além de tocarem nas bandas e colocam a amizade e a família em primeiro lugar.

Outro item que tem uma estética de identificação com as bandas de hard core Straight Edge, são as artes de tatuagens e as tipografias estilo old school, cujo suas características têm formas de estilo grosso com bordas quadradas e


51 também no estilo hand, que seria um manuscrito mais arredondado e no estilo gótico, com muitas serifas em sua composição. Essas tipografias são mostradas em todos os lugares, mas ganham destaque quando estão num cartaz de divulgação de shows. Figura 10: Cartaz

Fonte: <http://www.lastfm.com.br/event/3343769+Bridge+Nine+Scion+Label+Showcase>

Mas, além do olhar estético e visual do movimento Straight Edge, é necessário saber que o X’’ é uma forma de identidade. Inseri-lo em um nome pessoal ou de banda é uma prática comum para os Straight Edge, em uma analogia visível, é como os moicanos e rebites da cultura punk.

5.2

O MOVIMENTO NO BRASIL

O primeiro registro que se tem, foi no ano de 1982, na contra capa da coletânea Grito Suburbano. Fábio Sampaio que era vocalista da banda Olho Seco aparece com um X pintado na mão, e no ano de 1989 surge em São Paulo a banda Energy Induct, que não chegou a gravar em estúdio, e logo depois com o selo da Liberation a banda Point of No Return e a No Violence se associam ao movimento. Em 1993 nasceram as bandas inteiramente Straight


52 Edge, tais como a Personal Choice, onde um de seus membros era Fábio Neve que atualmente é vocalista da banda paulistana Dance of Days. A Positive Minds que mais tarde passaria a se chamar Self Conviction, ajudou a fundamentar a cena no Brasil, e entre as bandas houve um compartilhamento de seus membros e alguns deles formaram o Point of No Retun, banda mais conhecida do Straight Edge no país. Como o movimento ganhava mais adeptos, novas bandas surgiram e começaram a organizar eventos independentes fora dos bares e das casas noturnas. Não havia só música nos shows, aconteciam atividades culturais e políticas também, servindo esses eventos de base para a Verdurada, principal evento Straight Edge do país, realizado desde 1996. Era promovido em uma casa no Jabaquara, bairro paulistano. Porém, com a aceitação e crescimento da cena, o evento é atualmente realizado em um galpão maior, próximo ao metrô de Jabaquara. A Verdurada mantém a mesma filosofia nos eventos, além de realizar outras atividades como palestras, exposições de arte, vídeos com temas político-cultural e ecológico. Também defende os princípios Straight Edge, e lá dentro continua a não se consumir e álcool e cigarros. Não existe patrocínio de empresas para o evento, quem organiza são as próprias pessoas ligadas ao movimento, fazendo valer assim a auto-gestão, “o faça você mesmo”. 5.3

A “SANTIFICAÇÃO” NO ESPÍRITO SANTO

No Estado do Espírito Santo, não há bandas consideradas 100% Straight Edge, na maioria dos casos a banda relacionada ao movimento, tem algum de seus membros devoto do movimento, mas o meio underground tem bons motivos para se orgulhar ainda que a cena atualmente seja fraca com apenas um evento de rock importante e ainda anual chamado Metanoia Fest. Foi das terras capixabas que saíram as bandas Dead Fish, que já foi considerada a melhor banda de Hard core nacional, fazendo escola até hoje por todo o Brasil, além da banda Mukeka di Rato que também tem grande destaque no meio underground nacional. Essas bandas não estão ligadas especificamente ao movimento Straight Edge, mas estão unidas dividindo os mesmos palcos por


53 se tratar do estilo contestador e do som que ĂŠ o Hard core.


54

6

O PROJETO

O

ESTEREÓTIPO

X:

EDITORIAL

FOTOGRÁFICO

INSPIRADO

NA

CONTRACULTURA HARDCORE é um editorial fotográfico inspirado em demonstrar o estereótipo e as indumentárias de uma banda de rock. O objetivo principal foi produzir uma estética do gênero musical Hard Core e seu segmento específico chamado de Straight Edge. O trabalho teve como objetivo específico produzir imagens e manipulá-las com uma estética coerente ao segmento, finalizando as fotografias para o editorial fotográfico e para servir de apoio a promoção da banda de hard core Down Beat.

6.1

PROCESSO PRÁTICO

Após o processo de seleção que foi constituído pelos próprios integrantes da banda, Hebert Marchesi, Filipe Borges, Carlos Henrique Bazileu, Felipe Bernades e Amerson Thomazeli, o passo seguinte foi agregar recursos matérias e procurar ajuda técnica para auxiliar no trabalho. Profissionais contribuíram no jogo de luz e na fotografia realizadas dentro do estúdio fotográfico, gravação e edição de vídeo relativo ao making off do trabalho.

O ensaio fotográfico ficou dividido em duas partes. A primeira parte foi realizada no Estúdio de fotografia da Faculdade Estácio de Sá de Vitória. Pela disponibilidade de horário, as fotos foram realizadas em meio de semana, totalizando 3 semanas seguidas com fotos individuais e coletiva em fundo preto e em fundo branco. Essas fotos tiradas dentro do estúdio ficaram com um teor mais artístico com o uso das luzes do estúdio. Camisas, blusas e shorts com estampas de bandas de Hard Core e do próprio movimento Straight Edge que também serviram de base para as montagens e manipulações de imagem.

Para a segunda parte foi necessário realizar locações externas para realçar o verdadeiro espírito suburbano do movimento. Escadarias e becos com corrimões foram os lugares escolhidos no Centro de Vitória, representados por pichações e grafites nos muros e paredes, apoiados do profissional em


55 filmagem Helber Lopes, responsável para os takes de apoio do Making off.

Os equipamentos utilizados foram uma câmera SONY Z5 HDV para a realização das filmagens e uma câmera NIKON D3000 para as fotografias. As imagens foram editadas em um IMAC (Macintosh) com o software Adobe PhotoShop CS5.


56

7

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do que foi exposto, pode se perceber que o mundo tem sido movido por atitudes jovens. Independente da idade que o estatuto venha a dar para considerar uma pessoa jovem, as grandes mudanças e efeitos sócio-políticoeconômico e cultural, tiveram surgimento e grande participação da juventude. Todos são jovens, basta ter o espírito liberto, vontade de mudança e visão do mundo melhor.

Sendo assim, em certo momento da história da cultura mundial, todo o contexto cultural, seja ele cinema, música, literatura ou até mesmo a moda, que hoje volta a ter a atenção da população jovem, foi revolucionada pela juventude. Ter atitude, como visto que os roqueiros tinham, e talvez ainda tenham, não era questão da música, mas era antes de tudo, um princípio dos jovens, hoje temos moda e toda uma vasta indumentária que identifica um leque enorme de personalidades espelhadas no estereótipo, visto aqui como Straight Edge.

Concluí-se com o passar dos anos, a fotografia desde seu surgimento, sofreu inúmeras transformações e avanços no conhecimento técnico. Os recursos da tecnologia deixaram o processo de produção mais ágil, reduziram-se os custos e beneficiaram a qualidade das imagens que podem retratar os detalhes que não eram percebidos antes. Atualmente há mais facilidade para alterar e manipular uma imagem com o auxílio de softwares.

No segmento Punk e seu subgênero Hard Core Straight Edge, o expoente cultural é demonstrado através da música e da “moda”, certamente o termo moda não é aceito nos princípios desse movimento, entende-se como identidade visual. O modismo, a aceitação social a mera aparência e o comércio são repudiados pelo grupo. O uso de indumentárias simples e antiquadas combinada com o corte de cabelo moicano está muito longe de ser moda, essa combinação aleatória têm o um significado real, que é usar as roupas e os artefatos como afirmação pessoal ainda que o subgênero hardcore não se sinta obrigado a compartilhar da mesma aparência. A ideia e ponto forte


57 que não segrega o movimento, são os ideais libertários e anarquistas, que valorizam a autogestão, o “faça você mesmo”, e defendem as minorias desfavorecidas, que estão as margens da sociedade.

Para a realização deste editorial fotográfico, um estudo foi feito sobre os temas centrais deste assunto, salientando também o que permeia o tema central, estes, de suma importância para a construção de todo o trabalho.

Assim, uma equipe foi formada para agregar conhecimentos técnicos e dar o suporte para a produção das fotografias mais o vídeo que ilustraram este editorial que seguiu os padrões estéticos do movimento com unidade e coerência gráfica. Isso serviu como uma bússola, que norteia o aventureiro, sendo assim, necessária para a construção do trabalho previamente proposto.


58

FOTOGRAFIAS Foto: 001


59 Foto: 002


60 Foto: 003


61 Foto: 004


62 Foto: 005


63 Foto: 006


64 Foto: 007


65 Foto: 008


66 Foto: 009


67 Foto: 010


68 Foto: 011


69 Foto: 012


70 Foto: 013


71 Foto: 014


72 Foto: 015


73 Foto: 016


74 Foto: 017


75 Foto: 018


76 Foto: 019


77 Foto: 020 8


78 REFERÊNCIAS ADORNO, T. A Indústria Cultural e Sociedade. Seleção: Jorge Mattos Brito de Almeida. Trad: Julia Elisabeth Levy... [et al.] . São Paulo: Paz e Terra, 2002. ADORNO, T. e HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Disponível em:<http://www.nre.seed.pr.gov.br/umuarama/arquivos/File/educ_esp/fil_dialeti ca_esclarec.pdf>. Acesso em: 19 de agosto de 2012. ANDRADE, Laís. Blog DeluxeBox. Disponível em: <http://www.deluxebox.com.br/2011/music/moda-e-musica/>. Acesso em: 14 de maio de 2012. BARNARD, Malcolm. Moda e comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003. Blog Anarquia Punk. Disponível em: <http://anarquiapunk.br.tripod.com/anarquiapunk/id1.html>. Acesso em: 23 de setembro de 2012. Blog Comunidade e Moda. Disponível em: <http://www.comunidademoda.com.br/consumo-o-jovem-a-tendencia-e-omercado>. Acesso em: 07 de maio de 2012. Blog Vegan Antifascista, p. 4. Disponível em: <http://vegantifascista.blogspot.com.br/2010/07/o-que-e-o-straight-edge-sxehistoria.html>. Acesso em: 02 de abril de 2012. BUSSELLE, Michael. Tudo sobre Fotografia. São Paulo: Thomson Pioneira, 1979. CARMO, Paulo Sérgio. Culturas da rebeldia: a juventude em questão. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=zwlZAY8aakYC&printsec=frontcover&hl= pt-BR#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 17 de outubro de 2012. CURL, David H. Photocomunication. 1979. Disponível em: <http://sepia.no.sapo.pt/sepiafot_c.html>. Acesso em: 18 de outubro de 2012 Dicionário Aurélio, 2010, 5ª Ed. Documentário ‘We All Want to Be Young’. Direção: Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues. 9 min. Disponível em: <http://vimeo.com/16638983>. Acesso em: 04 out. 2012. Fórum Mundo Fotográfico. Disponível em: <http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=5141.0>. Acesso em: 02 de novembro de 2012 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas do Século XX. 2003. Disponível em:


79 <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/29092003estatisticasecxxht ml.shtm>. Acesso em: 3 de julho de 2012. JANOTTI JUNIOR. Jeder. Aumenta que isso aí é Rock and Roll- mídia, gênero musical e identidade. Rio de Janeiro: E-Papers, 2003. LANGFORD, Michael. Fotografia básica de Langford: guia completo para fotógrafo. Tradução Michael Furmankiewicz. 8ª Ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. LIPOVETSKY, G. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Tradução de Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. LUNDIN, R. W. Personalidade: Uma análise do comportamento. Tradução Rachel Rodrigues Kerbauy. 2ª edição. São Paulo: EPU. 1977. MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX – v.1 Neurose. Tradução Maura Ribeiro Sardinha. 9. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997. PRECIOSO, Karla. Blog da Karlinha. Disponível em: <http://mdemulher.abril.com.br/blogs/karlinha/geral/veganismo-versusvegetarianismo-qual-a-diferenca/>. Acesso em: 17 de setembro de 2012. SOUZA, Rainer. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/movimento-punk.htm>. Acesso em: 12 de outubro de 2012. TRIGO, Thales. Equipamento fotográfico: teoria e prática. São Paulo: Ed. SENAC, 2003. OLIVEIRA, Antônio Carlos de. Os fanzines contam uma história sobre punks. São Paulo: Editora Achiamé, 2006. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=zwlZAY8aakYC&printsec=frontcover&hl= pt-BR#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 17 de outubro de 2012.


80 ANEXO A


81 ANEXO B


Estereótipo x - Editorial Fotográfico Inspirado Na Contracultura HardCore  

Trabalho de Conclusão de Curso - Publicidade e Propaganda.

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