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RIFKIN

O FIM DOS EMPREGOS


FICHA DE LIVRO AUTOR : Rifkin, Jeremy TÍTULO : O fim dos empregos, O declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho. EDITOR : MAKRON Books ANO : 1996 NÚMERO DE PÁGINAS : 348 ÁREA DE INTERESSE : Management COMPTE RENDU : Jeremy Rifkin1 Introdução : O desemprego global atingiu seu ponto mais alto desde a grande depressão : aproximadamente 800 milhões de seres humanos desempregados ou subempregados2. No passado, novos setores sempre surgiam para absorver os trabalhadores demitidos. Hoje todos os setores estão vivenciando deslocamento tecnológico forçando milhões de trabalhadores para a fila do desemprego. Duas forças irreconciliáveis e potencialmente antagônicas : Uma nova elite cosmopolita de "analistas simbólicos" controlando a tecnologia e as forças de produção e o crescente número de trabalhadores permanentemente demitidos. Capítulo 1 : O fim do trabalho Reengenharia : As empresas estão reestruturando suas organizações tornando-as computer friendly eliminando níveis de gerência tradicional, comprimindo categorias de cargo, criando equipes de trabalho, treinando funcionários em várias habilidades, reduzindo e simplificando processos de produção e dinamizando a administração. A gerência média está particularmente vulnerável à perda do cargo em função da reengenharia. Mundo sem trabalhadores : Novo período da história em que cada vez mais as máquinas tomarão o lugar dos seres humanos no processo de fabricação e de


transporte de bens e fornecimento de serviços. A maioria dos trabalhadores sentese totalmente despreparada para lutar com a enormidade da transição que está ocorrendo. Subitamente, homens e mulheres perguntam se existe, para eles, algum papel que possam desempenhar no novo futuro que se abre para a economia global. Capítulo 2 : A "Mágica" da tecnologia e realidades de mercado 1 RIFKIN, Jeremy, O fim dos empregos, São Paulo, MAKRON Books 1996 2 International Labor Organization, press release (Washington, D.C. : ILO, 6 de março 1994); International Labor Organization, The World Employment Situation, Trends and Prospects, Genebra, Suiça : ILO, 1994 Mágica da tecnologia : O conceito de que os drámaticos benefícios resultando dos avanços da tecnologia e do aumento da produtividade acabam se filtrando para a massa de trabalhadores na forma de bens mais baratos, maior poder de compra e mais empregos é essencialmente uma teoria da mágica da tecnologia. Para Marx, eliminando a mão-de-obra humana no processo produtivo e criando um exército de reserva de trabalhadores desempregados, cujos salários poderiam ser forçados cada vez mais para baixo, os capitalistas estavam cavando sua própria sepultura, pois haveria cada vez menos consumidores com suficiente poder aquisitivo para comprar seus produtos. O Evangelho do Consumo de Massa : Em sua forma original, consumir significa destruir, saquear, subjugar, exaurir. A metamorfose do consumo de vício a virtude é um dos fenômenos mais importantes , no entanto, o menos analisado do século XX. O consumo de massa não ocorreu espontaneamente tampouco foi o subproduto inevitável de uma natureza humana insaciável. o fato de as pessoas preferirem trocar horas a mais de trabalho por horas a mais de ociosidade tornou-se uma preocupação crítica e a ruína de empresários cujos estoques de produtos se acumulavam rapidamente. Novos conceitos de marketing e de propaganda


deslancharam na década de 1920 refletindo a determinação crescente da comunidade empresarial para esvaziar seus depósitos e acelerar o ritmo do consumo a fim de acompanhar a produtividade cada vez maior. O redirecionamento dos hábitos de compra dos assalariados foi obra do crédito ao consumidor que permitiu que, em menos de uma década, uma nação de americanos esforçados e frugais foi transformada numa cultura hedonista em busca de caminhos sempre novos da gratificação imediata. O surgimento do subúrbio foi projetado para imitar a tranqüila vida campestre dos ricos e famosos. Infelizmente, a renda dos assalariados não crescia com rapidez suficiente para acompanhar os aumentos na produtividade da produção. A maioria dos empregadores preferia embolsar o lucro extra obtido com o aumento da produtividade a transferi-lo para os trabalhadores na forma de aumentos salariais. A comunidade empresarial continuava convencida de que poderia colher lucros inesperados, reduzir salários e ainda assim forçar o consumo para absorver a superprodução. Os novos esquemas publicitários estimulavam uma nova psicologia de consumo em massa. Entretanto sem os rendimentos suficientes para comprar todos os novos produtos que inundavam o mercado, os trabalhadores americanos continuaram a comprar a crédito ; alguns avisaram que os produtos estão sendo financiados mais rapidamente do que podem ser produzidos. Ao dispensar trabalhadores com tecnologia que economiza mão de obra, as empresas americanas aumentaram a produtividade, mas às custas de números cada vez maiores de trabalhadores desempregados e subempregados, a quem faltava o poder aquisitivo para comprar seus produtos. As novas realidades : O único novo setor no horizonte é o do conhecimento, um grupo de indústrias e de especialistas de elite serão responsáveis pela condução da nova economia automatizada da alta tecnologia do futuro. Os novos profissionais, os chamados analistas simbólicos ou trabalhadores do conhecimento vêm de áreas da ciência, engenharia, administração, consultoria, ensino, marketing, mídia e


entretenimento. Embora seu número continue a crescer, permanecerá pequeno se comparado com o número de trabalhadores que serão deslocados pela nova geração de máquinas inteligentes. Retreinar para quê ? A grande maioria das pessoas (sendo demitidas como resultado das novas tecnologias da informação e das telecomunicações) não terá o conjunto de habilidades ou a capacidade para ser retreinada. Capítulo 3 : Visões do paraíso tecnológico Na nova era, os seres humanos começam a pensar em si mesmos como ferramentas de produção. A nova auto-imagem reforçou o modus operandi de uma ordem industrial emergente cuja primeira regra nos negócios era ser produtivo. Em menos de meio século, a visão tecnológica foi bem-sucedida em converter as massas americanas de infantes do Senhor em fatores de produção; e, de seres criados à imagem e semelhança de Deus, em ferramentas criadas à imagem das máquinas. Utopia da engenharia : os utopistas tecnológicos combinaram com êxito o conceito cristão da salvação eterna e o ethos utilitário americano numa nova e poderosa síntese cultural. A idéia de que ciência e tecnologia utilizadas por uma nação de trabalhadores dedicados e fiéis impregnados da moderna ética do trabalho nos levariam a um reino terrestre de grande prosperidade e ociosidade que continua a servir de modelo social e econômico predominante até os dias de hoje. O culto da eficiência : "Eficiência" significa o máximo rendimento que podia ser produzido no menor tempo possível, dispendendo menor quantidade de energia, trabalho e capital no processo. A eficiência passou a dominar o ambiente de trabalho e a vida da sociedade moderna por causa de sua adaptabilidade à cultura tanto da máquina quanto humana. Aqui estava um valor de tempo planejado para medir a relação entrada/saída da energia e da velocidade em máquinas, que poderia facilmente ser aplicado ao trabalho de seres humanos e ao trabalho de toda a


sociedade. Da democracia à tecnocracia : O cowboy agora tinha a companhia de outro herói o engenheiro civil da era tecnológica. Se independência arrebatadora, ousadia e bomsenso foram os valores mais prezados na fronteira americana, capacidade organizacional e eficiência eram os novos valores ambicionados numa América cada vez mais industrializada e urbana. Os tecnocratas foram os que mais se aproximaram de todos os movimentos políticos da época, na tentativa de integrar a visão de uma utopia tecnológica diretamente ao processo político. Hoje, o centenário sonho utópico de um futuro paraíso tecnológico está próximo. As tecnologias da revolução da informação e das comunicações acenam com a tão esperada promessa de um mundo praticamente sem trabalho no próximo século. Ironicamente, quanto mais próximos parecemos estar da concretização tecnológica do sonho utópico, menos utópico parece ser esse futuro. Isto porque as forças do mercado continuam a gerar produção e lucro, com pouco interesse na geração de maior lazer para milhões de trabalhadores cujos serviços estão sendo dispensados. Capítulo 6 : O grande debate da automação. A rendição dos trabalhadores : O fracasso em tratar adequadamente a questão do desemprego tecnológico é, em grande parte, culpa dos sindicatos. Encurralados, transferiram suas exigências da questão do controle sobre a produção e os processos de trabalho para o apelo ao retreinamento profissional. Foram incapazes de enfrentar a principal dinâmica da revolução da automação : a firme determinação do empresariado de substituir trabalhadores por máquinas tanto quanto possível e, com isso, reduzir encargos trabalhistas, aumentar o controle sobre a produção e melhorar as margens de lucro. "Assim como na década de 1920, encontramo-nos perigosamente próximos de outra grande depressão e, no entanto, nem um único líder mundial parece disposto a considerar a possibilidade de que a economia global esteja caminhando


inexoravelmente rumo a uma era praticamente sem trabalhadores, com conseqüências potencialmente profundas para a civilização." As empresas têm estado ocupadas reestruturando suas organizações, na verdade reinventando a si mesmas, para criar estruturas administrativas e de marketing novas e eficazes que permitam acompanhar a gama extraordinária de novas tecnologias de informação e de telecomunicações que está surgindo. O resultado é uma transformação radical no modo como o mundo faz negócios, que ameaça colocar em discussão o papel real do operariado no próimo século. Capítulo 7 : o pós-fordismo. A transição para a produção enxuta : Além de combinar a vantagem da produção artesanal e de massa, evita o alto custo da primeira e a inflexibilidade da última. A gerência reúne equipes de trabalhadores com várias habilidades em cada nível da organização, para trabalharem ao lado de máquinas automatizadas, produzindo grandes quantidades de bens com uma variedade de escolha. Este modelo começa com a eliminação da tradicional hierarquia gerencial. substituindo-a por equipes multiqualificadas que trabalham em conjunto, diretamente no ponto de produção, o que empurra o poder da decisão cada vez mais para baixo na escala hierárquica, tão próxima quanto possível do ponto de produção. Aplicando a reengenharia ao local de trabalho : A gerência média está sendo atingida porque várias empresas estão desfazendo suas hierarquias organizacionais, eliminando cada vez mais a gerência média com a compressão de várias funções em um processo único; o computador está sendo usado para desempenhar funções de coordenação. O acesso instantâneo à informação significa que o controle e a coordenação podem ser exercidos rapidamente e em níveis mais baixos de comando que estão mais próximos dos acontecimentos. Capítulo 11 : Vencedores e perdedores da alta tecnologia. Oprimindo o pequeno : Os benefícios arduamente conquistados e a acomodação


entre patrões e empregados começaram a desmanchar-se ao final da década de 1970 e início de 1980. Enfrentando a competição acirrada com outros países e armados com um arsenal cada vez mais sofisticado de novas tecnologias economizadoras de mão-de-obra em casa, assim como da disponibilidade de mãodeobra barata em outros países, as corporações americanas começaram uma ofensiva planejada para enfraquecer a influência dos sindicatos e reduzir o custo da mão-de-obra no processo econômico. A decadência da classe média : Enquanto a primeira onda de automação teve seu impacto maior sobre os operários, a nova revolução da reengenharia está afetando os escalões médios da comunidade corporativa, ameaçando a estabilidade econômica e a segurança da classe média. Peter Drucker diz que a classe gerencial está começando a "sentir-se como escravos em leilão"3. Os novos cosmopolitas : A diferença crescente em salários e benefícios entre os altos executivos e o restante da força de trabalho está criando uma sociedade profundamente polarizada, formada por uma pequena elite cosmopolita enclausurada numa massa de trabalhadores cada vez mais empobrecidos e de pessoas desempregadas. A classe média está se desvanecendo rapidamente com conseqüências aterradoras para a futura estabilidade política. Na era industrial, aqueles que controlavam o capital financeiro e os meios de produção, exerciam praticamente controle total sobre o funcionamento da economia. Durante algum tempo precisaram compartilhar parte desse poder com o trabalho, cujo papel crítico na produção assegurava-lhe alguma influência na decisões que governavam tanto os modos e os meios de fazer negócios quanto a distribuição dos lucros. Agora, a influência dos trabalhadores diminuiu significativamente e os trabalhadores do conhecimento tornaram-se o grupo mais importante da equação econômica. São os catalisadores da Terceira Revolução Industrial e os responsáveis pela manutenção da economia da alta tecnologia em movimento. Por essa razão, os


altos executivos e os investidores tiveram de compartilhar cada vez mais, pelo menos parte de seu poder com os detentores da propriedade intelectual, homens e mulheres cujos conhecimentos e idéias abastecem a sociedade da informação de alta tecnologia. Uma nova elite de trabalhadores da sociedade do conhecimento está surgindo com habilidades críticas que os elevam ao palco central da economia global : estão tornando-se rapidamente a nova aristocracia. À medida que seu sucesso vai fortalecendo-se, a situação econômica do grande número de trabalhadores no setor de serviços de baixa remuneração declina, criando uma nova e perigosa divisão entre os possuidores e os não-possuidores de cada nação industrializada. Peter Drucker alertou que o desafio social crítico que se apresenta à emergente sociedade da informação é evitar um novo conflito de classes entre os trabalhadores do conhecimento e os prestadores de serviços. Capítulo 12 : Réquiem para a classe trabalhadora Estresse high-tech : Pouco tem sido dito sobre a desabilitação do trabalho, a aceleração do ritmo de produção, a maior carga de trabalho e as novas formas de coação e sutil intimidação usadas para forçar a concordância do trabalhador com os requisitos das práticas de produção pós-Fordistas. O trabalhador fica impotente para exercer julgamento independente e tem pouco ou nenhum controle sobre os resultados previamente ditados por programadores especializados. Quando a execução da tarefa estava nas mãos dos funcionários, era possível introduzir um elemento subjetivo no processo. Com a implementação do cronograma de trabalho, cada empregado conferia sua marca no processo produtivo. A transição da produção de cronograma para a produção programada alterou profundamente o relacionamento dos trabalhadores com o trabalho : agem exclusivamente como observadores, impossibilitados de participar ou interferir no processo de produção. A rápida adoção do controle numérico foi inspirada tanto pelo desejo das empresas 3 "Caught in the Middle", Business Week, 12 setembro 1988, p.80


consolidarem o maior controle sobre o processo decisório na fábrica quanto para incentivar a produtividade. Ao contrário da gerência científica tradicional que negava aos trabalhadores qualquer voz ativa sobre o modo de execução do trabalho, a gerência japonesa decidiu logo de início envolver seus trabalhadores, visando a explorar mais amplamente seu trabalho físico e mental, utilizando uma combinação de técnicas motivacionais e uma coação antiquada. As empresas tornam-se "instituições totais" exercendp influência sobre muitos aspectos da vida social. Nesse sentido assemelham-se a outras formas de instituições totais, tais como ordens religiosas ou o exército4. Embora possa se reconhecer a participação limitada dos trabalhadores no planejamento e na solução de problemas, pode-se dizer que serve apenas para torná-los cúmplices voluntários de sua própria exploração. O novo exército de reserva : O trabalho contingencial pode diminuir a lealdade do empregado no futuro com conseqüências potencialmente sérias para a comunidade empresarial no futuro. Salários achatados, ritmo frenético no ambiente de trabalho, rápido crescimento de trabalho contingencial de meio período, maior desemprego tecnológico, crescente disparidade de renda entre ricos e pobres e o dramático encolhimento da classe média estão impondo um estresse sem precedente. Está aparecendo um ceticismo crescente quanto ao poder corporativo e uma desconfiança crescente sobre homens e mulheres que exercem um controle praticamente total sobre o mercado global. Capítulo 16 : um novo contrato social A relação de troca entre governo e comércio está tornando-se cada vez mais evidente no surgimento de novos acordos comerciais internacionais radicais, que efetivamente transferem maior poder político da nação-estado para as corporações globais. Sob esses acordos comerciais, centenas de leis que regem os assuntos de estados-nações soberanas tornam-se potencialmente invalidadas e ineficazes, se


comprometem a liberdade de as empresas multinacionais de participarem do livre comércio. Eleitores e grupos constituintes em dezenas de países têm realizado vigorosos protestos com a finalidade de bloquear esses acordos comerciais por receio de que vitórias legislativas arduamente conquistadas sejam abandonadas abrindo caminho para o controle quase total das multinacionais sobre os negócios econômicos do planeta. Corporações e nações-estados são criaturas da era industrial. No transcorrer do século atual, esses dois setores têm assumido cada vez mais funções e atividades anteriormente desempenhadas por vizinhos trabalhando lado a lado em milhares de comunidades locais. Agora, entretanto, que nem o mercado nem o setor público são mais capazes de assegurar algumas necessidades básicas das pessoas, o povo não tem outra alternativa a não ser começar a procurar por si mesmo, restabelecendo, mais uma vez, comunidades viáveis para amortecer tanto as forças impessoais do mercado global como as autoridades governamentais cada vez mais fracas e incompetentes. O serviço comunitário é uma alternativa revolucionária para formas tradicionais de trabalho. Ao contrário do trabalho escravo, da servidão e do trabalho remunerado, não é coagido nem se reduz ao relacionamento fiduciário. É uma ação de ajuda. É um ato assumido voluntariamente e, muitas vezes, sem a expectativa de ganho 4 Kenney, Martin e Florida, Richard. Beyond Mass Production : The Japanese System and Its Transfer to the U.S. Nova Iorque : Oxford University Press, 1993, p.271 material. Provém de uma profunda compreensão da interconectividade de todas as coisas e é um intercâmbio social com conseqüências econômicas tanto para o beneficiário quanto para o benfeitor.

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