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Escola Secundária Emídio Garcia 1ª Edição 2010/2011

LICEU

Retrospectiva da construção de presépios pg 14

PRÉMIOS

Requalificação do liceu Escola para as próximas décadas estará pronta em dezoito meses (pg. 3)

Honra do mérito Reconhecimento internacional de alunos da Emídio Garcia A festa foi celebrada no dia 8 de Setembro, no salão de festas, espaço onde sempre se premiou, com emoção, o gosto de saber de algumas gerações de estudantes deste liceu. (pg 2)

reportagem Toponímia Os nomes da cidade Os bragançanos lidaram, durante alguns anos, com uma toponímia estranha, que designava por letras os arruamentos da cidade em crescimento. (pg 8)

economia Turismo em espaço rural A aposta do Turismo em Espaço rural (TER) é hoje uma realidade em algumas aldeias do concelho e da região (pg 19)

desporto Uma reflexão sobre a prática desportiva escolar

teatro

(pg. 12)

Uma viagem pelos sentidos para uma Educação Integral dos nossos alunos.

Actualmente o funcionamento do Desporto Escolar assenta quase num regime de voluntariado (pg 21)

crónica Sr.ª Literatura, saia de cena, por favor O Ensino da Literatura na Actualidade: foi subordinado a este tema que o presente sermão me foi encomendado pelo Director deste jornal. (pg 26)

Distribuição Gratuita


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LICEU |

Escola Secundária Emídio Garcia | 1ª Edição 2010 / 2011

EDITORIAL

EDITORIAL Estamos num tempo de generalização, senão mesmo de vulgarização dos jornais escolares, com reconhecidas vantagens para a participação dos diversos membros das comunidades educativas, para a abertura de espaços de reflexão, de criatividade e de intervenção cívica. As múltiplas publicações poderão, de facto, dar inestimáveis contributos para a construção de cidadãos integrais da sua pátria, do seu país e deste mundo que todos partilhamos, num caminho que pode ser de esperança, mas também corre o risco da tragédia, se não soubermos cultivar os valores da vida, da liberdade, do respeito pelos outros, da dignidade, da firmeza de convicções, da lealdade, da compaixão, de todos os esteios da sabedoria. Cabe-nos, por isso, um esforço sério para que a nossa comunidade escolar possa considerar este “LICEU” como um instrumento útil que propicie a informação sobre as nossas actividades, a partilha das expectativas e anseios de todos, os espaços de análise, os momentos de reflexão crítica, os apelos ao empenhamento, os reconhecimentos do esforço e da dedicação e, naturalmente, a expressão da serenidade de quem tem consciência que a educação é uma tarefa permanente. Abre-se um novo ciclo de publicação do jornal da Escola Secundária Emídio Garcia que, tendo como referência os horizontes do futuro, precisa de se suportar no legado de quase cento e sessenta anos da instituição. Por isso o título “LICEU”, que constitui uma referência histórica indelével. A equipa coordenadora pretende que o jornal se torne, em breve, um verdadeiro espaço de participação, um instrumento útil na vida da escola, com utilização proveitosa em aulas, que seja motivo de debate, que suscite iniciativas que, enfim, cumpra os seus naturais desígnios. Nesta primeira edição a participação dos alunos ainda não atingiu os níveis desejáveis, mas o esforço de mobilização vai continuar e, naturalmente, os que constituem a razão de ser da escola hão-de permitir-nos a satisfação de ver expressas todas as suas capacidades num jornal que a todos honrará. Procuraremos que o “LICEU” seja realmente um jornal, com notícias, reportagens, entrevistas, crónicas, artigos de opinião e páginas dedicadas à criatividade literária, à expressão plástica e à arte da fotografia. A participação dos professores será solicitada, na procura de textos que suportem reflexões ponderosas sobre as grandes questões da escola, da educação, do conhecimento científico, dos valores, porque todos precisamos de continuar a semear e a colher na seara da sensibilidade, da profundidade e da prospectiva. Desta vez ficam textos sobre o ensino da literatura, uma entrevista sobre livros e leitura e um trabalho relacionado com a economia regional que, certamente, poderão ser bons pretextos para reflexão. Os encarregados de educação, assim como os funcionários, também encontrarão possibilidade de dar os seus contributos sendo, como são, elementos decisivos para o funcionamento equilibrado da comunidade escolar. Quanto ao formato optou-se pelo jornal típico, impresso em papel reciclado, uma forma de valorizar os equilíbrios ambientais que também têm mobilizado alguns projectos da escola. Esperamos ter contribuído para que todos se sintam gratificados com a publicação do “LICEU”.

FICHA TÉCNICA 1ª Edição de 2010/2011 - Distribuição Gratuita

LICEU - Jornal da Escola Secundária Emídio Garcia Morada: Rua Eng. Adelino Amaro da Costa, Bragança Coordenação: Teófilo Vaz, Adriano Valadar, Ana Moreno e Ana Cortinhas | Design gráfico: Ana Moreno Colaboração: Direcção da Escola, professores, alunos, funcionários e encarregados de educação | Créditos fotográficos: Stock.xchng Impressão: Casa de Trabalho | Nº de exemplares: 800

Entrega de diplomas e prémios Reconhecimento internacional de alunos da Emídio Garcia Adriano valadar

O nosso calendário escolar iniciou-se com um dos momentos mais bonitos, com uma verdadeira festa das inteligências, dos saberes e das competências: a entrega dos diplomas aos alunos finalistas e de dois prémios a alunos da nossa escola que se destacaram a nível nacional e internacional. A festa foi celebrada no dia 8 de Setembro, no salão de festas, espaço onde sempre se premiou, com emoção, o gosto de saber de algumas gerações de estudantes deste liceu. Foram muitos os presentes, destacando-se na mesa o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, um representante da DREN, o Presidente do Conselho Geral e o Director da Escola. O sub-director, Carlos Fernandes, que apresentou a sessão, começou por felicitar todos os alunos pelo empenhamento e dedicação e não deixou de sublinhar quanto o momento o emocionava, referindo que se tratava do termo de uma etapa, onde os alunos tinham demonstrado

saberes, competências e, por conseguinte, uma grande vontade de ir mais longe. Os resultados que se traduziram por médias excelentes, não foram o efeito exclusivo e determinante de um dom, mas devem-se sobretudo a uma inteligência que se foi afirmando ao longo do percurso, que se desenvolveu e floriu a partir de encontros com colegas e professores, num ambiente muito saudável que sempre caracterizou a Escola Liceu Emídio Garcia, herdeira do Liceu de Bragança. O Presidente da Câmara, Eng. Jorge Nunes, sublinhou a importância do esforço, do trabalho, da perseverança e da reflexão para conseguir bons resultados. Felicitou e agradeceu aos dois alunos, Salomão Fernandes e Jorge Nogueiro por terem levado o nome de Bragança além fronteiras, por nos fazerem saborear a honra de estar entre os melhores, por se terem tornado embaixadores de excelência da escola e da cidade.

Jorge Nogueiro e Salomão Fernandes são exemplos notáveis de alunos que atingiram níveis excepcionais de aproveitamento e também se empenharam em iniciativas nacionais de investigação que os levaram a projecções inéditas. Jorge Nogueiro representou o país, no Japão, nas Olimpíadas Internacionais de Química, donde trouxe uma menção honrosa. A referida classificação qualificou-o ainda para as Olimpíadas Ibero-Americanas, realizadas na cidade do México, onde ganhou a medalha de bronze. Salomão Fernandes foi vencedor das Olimpíadas Nacionais do Ambiente, realizadas nos Açores. A sociedade tem necessidade destas energias, da sua iniciativa para ajudar os colegas a encontrar mais motivação e ver mais claro no projecto futuro da escola, a fim de construir a sua futura liberdade. O professor Teófilo Vaz, presidente do Conselho Geral da Escola, valorizou o mérito dos alunos premiados e exortou à emulação, ao trabalho, à dedicação e ao respeito pelo legado de quase cento e sessenta anos da escola. Procedeu-se ainda nesta cerimónia à entrega dos prémios do Concurso literário “Emídio Garcia”, patrocinado pela Câmara Municipal de Bragança. Foram também entregues os prémios do concurso interno “Conhece melhor a tua escola”, dinamizado pela Área Disciplinar de Filosofia/Psicologia.

Escola institui quadro de honra ADRIANO VALADAR

A avaliação dos alunos é uma componente da prática educativa e tem como objectivo estimular o sucesso educativo dos alunos, certificar os saberes alcançados e promover a qualidade do sistema educativo. Neste sentido, e partindo do pressuposto de que o sucesso educativo dos alunos resulta do empenhamento pessoal, de encontrar no fundo de si próprios os recursos para se distinguirem, mas também de uma incitação à excelência e à celebração do mérito, foi instituído na Escola Emídio Garcia, a partir de 2010/2011, o “Quadro de Honra” que tem como objectivo divulgar junto da comuni-

dade educativa, em cada período, os alunos que obtiverem os melhores resultados. Este reconhecimento constitui, na nossa óptica, um bom prelúdio para o que deve fazer a especificidade do sistema educativo português: o reconhecimento daqueles que procuram a excelência, instituindo a “meritocracia”. Integrarão o Quadro de Honra três alunos de cada ano e curso, com as melhores médias, nunca inferiores ao nível 5, no ensino básico e a dezassete valores no ensino secundário. Também serão distinguidos os alunos dos diversos cursos profissionais do ensino secundário.

A instituição do Quadro de Honra foi proposta pelo Conselho Pedagógico para integrar as alterações ao regulamento interno da escola que vieram a ser aprovadas em Conselho Geral. Todos os alunos da escola têm agora mais um motivo para darem mostras da sua aplicação, dedicação e esforço no processo de ensino/ aprendizagem. Quanto aos docentes e à comunidade educativa, encontrarão uma forma de reconhecimento do trabalho que quotidianamente os deve mobilizar.


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DESTAQUE

Requalificação do liceu Escola para as próximas décadas estará pronta em dezoito meses

Nova entrada principal

Sessão de apresentação do projecto Teófilo vaz

O edifício do liceu, uma referência arquitectónica da cidade que, durante quatro décadas se manteve sem intervenções significativas e, por isso, já denotava alguns problemas funcionais, vai ser objecto de profundas obras de remodelação, integradas no programa nacional de requalificação do parque escolar. A intervenção integra ampliações com construção de raiz e a requalificação dos corpos centrais de salas de aula, renovação de toda a caixilharia, da cobertura, assim como isolamento e climatização.

Vai ser construído um novo corpo paralelo ao actual corpo poente, destinado principalmente aos diferentes laboratórios, às salas de tecnologia de informação e comunicação (TIC), a equipamentos de manutenção e logística e a salas específicas para práticas artísticas. A cerca nascente será transformada em espaço de lazer e de acesso a um novo edifício, onde funcionará a cantina/ buffet, com espaço de estar e de recreio para os alunos. O corpo dos serviços administrativos vai ser demolido e substituído por um edifício de dois pisos com integração da biblioteca/centro de recursos, onde o acervo clássico e os livros da biblioteca pessoal que o Abade de Baçal legou ao Liceu, disporão de condições de conservação e acesso ao público que, até agora, não tem sido possível garantir. A escola verá ainda concretizada a substituição do pavilhão gimnodesportivo por outro significativamente

mais amplo e com condições técnicas e de climatização que há muitos anos constituía uma necessidade sentida por todos os alunos e restante comunidade escolar. Por outro lado, ficará apetrechada com um pavilhão desportivo ao ar livre, com as condições necessárias e que substituirá os actuais campos de jogos, que eram uma preocupação, especialmente por via do piso em asfalto que, naturalmente, não era seguro e impunha condicionamentos na realização de determinadas actividades desportivas. O projecto foi apresentado aos órgãos da escola durante o anterior ano lectivo, estabelecendo-se contactos intensos com a equipa projectista e os responsáveis da empresa Parque Escolar, o que permitiu a partilha de perspectivas e a conjugação de esforços para responder a algumas necessidades entendidas como especialmente marcantes.

Planta do Liceu actual

Planta da remodelação


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DESTAQUE

Aspecto do lado poente

Vai ser construído um novo pavilhão Valerá a pena saber-se, a título de exemplo, que quando se iniciaram os contactos só se previa uma remodelação do pavilhão gimnodesportivo, mantendo as dimensões e a estrutura. No momento seguinte foi aceite uma ampliação de cerca de um metro nas bandas, o que não se revelava suficiente para uma equipamento que deverá ficar para as próximas décadas ao serviço da escola, mas também aberto à comunidade local. A abertura da equipa projectista e da empresa Parque Escolar viria a permitir chegar a uma solução que se entende como correspondendo aos anseios da comunidade e que se traduz na demolição do actual pavilhão e sua substituição por outro com as dimensões adequadas à pratica de várias modalidades, assim como poderá albergar até três turmas em aula. Enquanto a actual cerca nascente passará a integrar o espaço ligado à cantina/buffet, a cerca poente vai integrar a loja do aluno (reprografia/ papelaria) e um salão para multiactividades que se poderá constituir como auditório amovível. Alterações significativas sofrerá o edifício dos actuais salão de festas e cantina. O espaço da cantina transformar-se-á numa estrutura para aulas de educação física e o salão manterá as suas funções transmutando-se num auditório com bancada retráctil, assim garantindo ampla

polivalência. A sala dos professores localizarse-á em dois pisos, ocupando a actual localização, agora destinada a espaço de trabalho para os docentes, complementada pelo salão da actual biblioteca clássica destinado ao bar e zona de estar dos professores. Durante as obras o acervo da biblioteca clássica e a biblioteca do Abade de Baçal serão postos à guarda do Arquivo Distrital, oportunidade que poderá ser aproveitada para uma intervenção vital nos exemplares mais antigos, alguns do séc. XVII, que requerem cuidados de conservação e restauro.

Alterações ao faseamento previsto O concurso lançado previa três fases para o desenvolvimento das obras, que deveriam estar concluídas ao fim de dezoito meses. Numa primeira fase de seis meses seria construído o corpo paralelo ao actual corpo poente ao mesmo tempo que se processaria a demolição e reconstrução dos espaços administrativos. A segunda fase, durante mais seis meses seria constituída pela remodelação dos corpos centrais de aulas e da nova cantina/buffet, para se concluir com a terceira fase de mais seis meses, destinada à construção do novo pavilhão e campo de jogos. Na sequência do desenvolvimento do concurso e da iminência da respectiva consignação, o consórcio vencedor apresentou uma propos-

ta de reformulação do faseamento, avançando argumentos como a segurança para a comunidade escolar, mas alegando também razões técnicas de consolidação das estruturas a construir. Tais propostas vieram a ser apreciadas pela direcção da escola, pelo conselho pedagógico e, finalmente, pelo conselho geral que, reunido extraordinariamente, emitiu parecer favorável conduzindo a que a Parque Escolar aceitasse as propostas do consórcio e a reformulação do faseamento, integrando as duas primeiras fases numa só. Ficou assim estabelecido que nos primeiros onze meses (até ao fim do ano civil corrente) se desenvolverá a intervenção correspondente às duas fases primeiramente estabelecidas, permitindo uma única, mudança dos alunos e dos equipamento, o que poderá significar menos incómodos e, por outro lado, evitará perturbações de segurança no decurso das obras. Naturalmente, a empresa gestora das construções escolares, foi questionada, sobre as condições de cumprimento dos prazos. Foram avançadas garantias de reformulação do contrato, contemplando o estabelecimento de prazos intermédios de cumprimento obrigatório e passíveis de sanção se assim não se verificar. De qualquer modo, tendo em conta das dificuldades que se têm vivido na escola vizinha (Secundária Abade de Baçal) mantém-se a expectativa, mas também se cultiva o optimismo relativamente à conclusão do empre-

Bancada retráctil a colocar no salão de festas

Passadiço entre a zona da actual cantina e o novo ginásio

Lado nascente com zona de lazer


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DESTAQUE endimento no tempo previsto. Entretanto, a situação obrigou à reformulação das instalações provisórias que, de dezasseis salas, passam para quarenta, colocadas num espaço relativamente exíguo, mas que deverá garantir conforto e segurança. De facto, ali haverá espaços cobertos, protecções contra a chuva e o vento aos acessos por escadas aos segundos pisos que serão instalados e, pelo que se sabe, o conforto das salas constituídas pelos designados contentores será razoável.

Condicionamentos durante as obras Os alunos ficarão, durante os próximos meses, bastante condicionados no que respeita ao espaço disponível para circularem, mas as coberturas provisórias e adaptação de

parte significativa do actual salão de festas para espaço de convívio irão atenuar as incomodidades. Aliás, o bar dos alunos ficará instalado junto à entrada actual da cantina e todo o corredor envidraçado ao longo do salão de festas poderá ser espaço de resguardo e convívio. O centro de recursos ocupará o restante espaço do salão de festas, delimitado por uma parede provisória. As maiores limitações que se irão viver resultam da drástica redução dos espaços para a realização das actividades desportivas e aulas de educação física que, aliás, se agravarão quando as obras entrarem na terceira fase já que não haverá, pelo menos durante seis meses, nenhum espaço destinado a tais actividades. Os acessos dos automóveis ao recinto da escola não vão ser possíveis nos primeiros onze meses de obra, o

que acarreta adaptações de todos os membros da comunidade escolar. Não se perspectivam, no entanto, problemas insanáveis, tendo em conta as possibilidades de estacionamento nas vias adjacentes que, nos primeiros dias de condicionamento, demonstraram capacidade para acomodar os automóveis que habitualmente acedem à escola. Todos os integrantes da comunidade escolar terão, certamente, consciência da necessidade de algum sacrifício, que nos levará a tempos de renovação e consolidação do papel decisivo desta nossa escola, antigo Liceu Nacional de Bragança, na cidade e na região para a construção de um futuro de que possamos continuar a orgulhar-nos, a caminho dos cento e sessenta anos do Liceu, que se completarão no início do ano lectivo de 2013/2014.

A Opinião dos interessados Grande parte da comunidade escolar mostra-se ansiosa e optimista em relação às transformações que a escola vai sofrer, considerando que resultarão em claras melhorias no funcionamento. CAROLINA ALVES | JOANA BAPTISTA | 12º F

Novo corpo destinado a laboratórios

Nova cantina/buffet e espaço de convívio

Como é já do conhecimento geral, a nossa escola vai ser submetida a obras de remodelação. Na nossa opinião, estas obras são necessárias, ainda que cheguem atrasadas para os alunos do 12º que, como nós, não vão poder usufruir das novas instalações do antigo Liceu Nacional. Ainda assim, aparecem na altura certa, permitindo uma “melhoria nas condições higiénicas, de climatização, que têm sido objecto de alguma contestação por parte dos alunos. Grande parte da comunidade escolar mostra-se ansiosa e optimista em relação às transformações que a escola vai sofrer, considerando que vão “melhorar o funcionamento e as condições” da mesma. Principalmente os alunos, que já esperavam estas obras há algum tempo, lamentam que não tivessem começado mais cedo. Quanto aos professores, mostram-se igualmente receptivos, já que a reedificação “vai tornar a escola mais confortável, melhor equipada e mais propícia a satisfazer os interesses da comunidade escolar”, principalmente com a aquisição de novos materiais audiovisuais e as reformas no Centro de Recursos Educativos que irão ter uma repercussão a nível do aproveitamento escolar. Os auxiliares de acção educativa confiam no breve início das obras, principalmente devido aos problemas de aquecimento. Os pais concordam, pois os seus filhos vão dispor de melhores condições. Porém, o período das obras é o que mais os preocupa, tendo em conta que questões como o trânsito e estacionamento poderão

vir a alterar o ritmo normal do seu dia-a-dia. No entanto, nem todos concordam: é a opinião de alguns que as obras a que o liceu vai ser submetido vão anular a funcionalidade da escola, edifício bem projectado e que permitia uma boa distribuição da comunidade escolar, inclusive das diferentes áreas do Ensino Secundário. As salas improvisadas aparecem-nos também como divisoras de opiniões: se os alunos acham que podem ser boas alternativas às salas normais, os professores pensam que podem ser um problema. A par das opiniões mais negativas surgem algumas preocupações relativamente “ao barulho e à sujidade” que as obras irão provocar. Além disso, a falta de estacionamento e o cuidado extra que os auxiliares de educação vão ter que prestar aos alunos menos cuidadosos são igualmente preocupações emergentes. Alunos, professores e funcionários defendem ainda algumas mudanças que deveriam ocorrer na escola, não ao nível físico, nomeadamente a contratação de mais auxiliares de educação e a compra de mais e melhor equipamento audiovisual, principalmente para as salas. Por agora, a remodelação da Escola parece agradar à maioria que, porém, não tem a certeza das modificações a que esta vai ser sujeita. A nós, que não vamos usufruir da “nova escola”, resta-nos esperar e regressar um dia para ver as alterações.


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ACTIVIDADES

Gonçalo Cadilhe: o fascínio da viagem Escritor visitou a Escola Secundária Emídio Garcia CAROLINA ALVES i JOANA BAPTISTA 12ºF

No passado dia 10 de Janeiro a nossa escola recebeu a visita de Gonçalo Cadilhe. O escritor, que veio a Bragança apresentar o seu mais recente livro, “O mundo é fácil”, esteve connosco cerca de hora e meia, tempo que bastou para surpreender a plateia e partilhar uma filosofia de vida. A palestra teve início com uma introdução, feita por parte do professor João Cabrita, que além de nos situar com uma pequena biografia avançou também a paixão do autor pela viagem e pelo surf. Esclareceu que não se trata de um rico deleitado no luxo que outros não podem usufruir. Feitas as apresentações, Cadilhe tomou a palavra e lançou para o ar uma questão que foi plataforma de arranque para o que iríamos ver. Perguntou-nos então o que é para nós a riqueza, o que é ser rico. No seu jeito natural e descontraído, que a sua própria imagem deixa transparecer, avançou pela plateia procurando diferentes respostas e desta forma cativando os que assistiam e aproximando-se deles. As respostas que ouviu seriam provavelmente as que ele já esperava, ou seja, para muitos sinónimos de riqueza são os bens materiais, entre eles, mota, carro e casas. Partindo daqui, o autor levounos ao cerne da questão, afirmou que afinal não era pobre mas sim um dos homens mais ricos de Portugal e isto porque tinha várias casas espalhadas pelo mundo. Continuando o jogo perguntavanos então o que valorizava uma casa, uma piscina aquecida, uma vista, dando relevo a esta última. De seguida foram projectadas imagens

“Não interessa aquilo que têm, mas aquilo que vivem.”

Cadilhe cativou a atenção dos participantes

então das suas casas. Curioso foi ver a reacção de alguns alunos que esperavam ver grandes e luxuosas casas e foram confrontados com cabanas e até casas flutuantes. Espalhadas um pouco por todo o mundo (Sumatra, Filipinas, Mali, Namíbia), todas elas dispõem de uma vista deslumbrante que acaba por relegar para segundo plano a falta de condições das habitações. É-nos também fácil perceber todo o valor sentimental que elas têm para Gonçalo Cadilhe, todas as histórias e momentos que guardam e que as tornam especiais. É a partir deste ponto que o escritor partilha connosco algo que aprendeu, um conselho que nos dá (que segundo ele é válido já que tem mais de trinta anos): “não interessa aquilo que vocês têm, mas aquilo que vivem”. Foi ao som de aplausos que terminou esta parte da sessão e se deu iní

cio ao tempo destinado a questões. Quase todas as questões rondaram em torno das viagens já antes descritas, isto porque ter na escola alguém que já deu a volta ao mundo e faz disto a sua vida suscita bastante curiosidade e até inveja. Sem mais questões a colocar o escritor finalizou a sessão como começou, a falar de viagem. O feedback dos alunos e professores foi positivo, aliás durante toda a sessão a plateia mostrou-se receptiva e interessada, o que é, em parte, responsabilidade do escritor que, de forma acessível nos cativou a todos. Foi uma experiência enriquecedora, aliás vários alunos indicavam esta como a melhor sessão que tiveram deste género na escola. O bichinho da viagem terá ficado decerto na cabeça de quase todos os que ali estiveram.

Sangue, saúde e Solidariedade

ESCOLA ELECTRÃO - RECOLHA ATÉ 28 DE FEVEREIRO

RAÚL GOMES

equipa coordenadora

A Federação das Associações de Dadores de Sangue, em parceria com os Serviços Sociais da Caixa Geral de Depósitos – delegação de Bragança, realizou no dia 03 de Novembro de 2010, na Escola Secundária Emídio Garcia, uma palestra subordinada ao tema: “Sangue, Saúde e Solidariedade”. Esta iniciativa destinada ao curso de Educação e Formação de Adultos teve lugar na Biblioteca Clássica e

permitiu que se clarificassem algumas das ideias e estereótipos existentes relativamente ao que é a dádiva de sangue, como ocorre e quais as implicações deste acto. A todos os participantes foi ainda distribuído um prospecto, que esclarece acerca das vinte dúvidas mais comuns sobre a dádiva de sangue e uma revista das actividades da Federação de Dadores de Sangue.

A escola tem participado, desde há três anos, no projecto “Escola Electrão” que, para além dos alunos, mobiliza o empenhamento das famílias, garantindo quantidades significativas de equipamentos eléctricos e electrónicos em fim de vida útil. A edição em curso continua a demonstrar entusiasmo de toda a comunidade escolar e espera-se atingir uma tonelagem que nos per-

mita aspirar à disputa dos melhores prémios a nível nacional. Quanto mais peso, mais possibilidades. Até ao fim do mês em curso ainda é tempo para mostrar o que valemos.


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ACTIVIDADES

Grupo Sótão

Criar poemas e lançá-los ao vento Equipa da BE/CRE

Vieram e entusiasmaram. Era 26 de Novembro. O dia estava frio, como são os dias invernosos deste Nordeste transmontano. No salão de festas, apesar de ser sexta-feira, depois do almoço e com poucas actividades lectivas, o espaço estava bem composto e o frio fora esquecido. Alunos e professores ouviram e colaboraram. Muitos foram os convidados para o “repasto” lúdico do Sótão. As Bibliotecas Escolares congeminaram a ideia, a Biblioteca Municipal apoiou e a Escola não disse não. Os nossos alunos sentaram-se, ouviram, deitaram-se e tiveram à-vontade na criação e entretenimento. Convidados em surdi-

na, estiveram em palco, dançando e gesticulando, como se trabalhassem em diversão desde longa data. Livros muitos, estendal grande com pregadores verdadeiros, sustentando poesia autêntica de livros trinta de igual fornada, de autores consagrados, portugueses, porque de poesia também nós sabemos. Tarde para lembrar. Cooperação de alunos, professores e profissionais que se denominam Sótão. Todos juntos trabalharam e produziram diversos materiais de aprendizagem e de apoio ao currículo. E nós ouvimos, gostámos, colaborámos e deliciámos os olhos. A BE/CRE na sua missão de tornar a leitura um prazer e um regalo

para a vista e o ouvido cumpriu a tarefa que lhe incumbe. No âmbito desta oficina, todos os actores presentes foram solicitados a participar na produção de textos poéticos a partir de uma pequeno número de palavras – mote. Muitos alunos, seduzidos pela ideia, elaboraram, de forma espontânea, alguns poemas que foram declamados posteriormente pelos mesmos. Por conseguinte, foi um momento conseguido pelo “Grupo Sótão”, onde os presentes sentiram a brisa e o eco subjectivo das palavras. Até à próxima…

Shiu! Shiu! É maravilhoso este mundo silencioso. Shiu! Shiu! Deixa à porta os teus pavores nem tudo na vida é sem cores. Shiu! Shiu! Não existem monstros aqui, é um mundo só para mim e para ti. Shiu! Shiu! Não estragues o silêncio que tu próprio conseguiste criar, onde na tua imaginação te conseguiste encontrar. Ana Borges 9ºA Bernardo Lopes 9ºA

Num sonho que eu tive Uma estrela sorriu De tanto sonhar O meu pensamento abriu Pensava que era uma ave Que voava livremente pelo céu Pensava que era um barco Que velejava ao sabor do vento Quando acordei, Vi que não era apenas um sonho Na realidade, a estrela existia mesmo Porque, sorriu para mim. Inês Andrade Trovisco 7ªD Daniela Galvão 7ªD

O grande grupo no estendal de poesia

“Cidade Noite escura Por entre a sombra das casas Brilha um fio de lua.”

Gostava de ter palavras P’ra descrever o amor Mas simplesmente não consigo Infinitas palavras Não chegam para uma só Apenas consigo sentir As espadas que me magoam Que me provocam esta dor Por não ter palavras P’ra descrever o amor Sara Inês Sabim dos Santos 7ºD Rita Andrade Trovisco 7ºD

Cidade Noite escura Por entre a sombra das casas Brilha um fio de lua Nos recantos escondidos Onde o mundo adormeceu Acordam as aranhas E tecem redes até ao céu Inês Vaz 9ºC Maria João Fonseca 9ºC


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ACTIVIDADES

As mulheres e a República Palestra da historiadora Fina d’Armada No centenário da implantação da República, o papel da mulher foi o tema de uma reflexão da comunidade escolar Maria do Ceú afonso

Historiadora Fina d’Armada

O Centenário da Implantação da República em Portugal serviu de mote ao tema da 1ª exposição comemorativa realizada pela BE/CRE no mês das Bibliotecas Escolares. Esta evocação tem pleno cabimento porque a República consolidou alguns valores que haviam sido iniciados pelo liberalismo monárquico (liberdade, igualdade, fraternidade). Em primeiro lugar, os conceitos de liberdade e de cidadania aprofundaram-se, contribuindo para que o alargamento do direito de voto atingisse novos estratos sociais. O ideário republicano pugnava ainda pela secularização da sociedade, partindo do princípio de que o homem só seria livre se se libertasse da influência secular da igreja. Saliente-se a lei de separação da Igreja e do Estado, a expulsão das ordens religiosas e a nacionalização dos seus bens. Outros princípios vanguardistas para a época, serviam de bandeira a alguns sectores republicanos, como por exemplo, o estabelecimento do registo civil, a legalização do divórcio, a lei da greve e a melhoria das condi

ções de vida dos operários. O ensino teve uma atenção especial, com a criação de muitas escolas e o estabelecimento da instrução obrigatória e gratuita. Libertar do mundo das trevas, através da leitura e da escrita, milhares de pessoas, até então esquecidas, foi uma grande conquista para as hostes republicanas. Todavia, para muitos, era preciso ir mais além, era urgente educar, pondo em prática as propostas pedagógicas que estavam em voga. Neste sentido, os republicanos mais esclarecidos abriam caminhos de emancipação que até então andavam nas margens da sociedade. É certo que uma boa parte das intenções republicanas não se concretizou, por razões de ordem histórica, cuja contextualização se torna supérflua neste pequeno texto. O que importa aqui valorizar é, acima de tudo, todos aqueles que quase não constam nos livros de História, nomeadamente as Mulheres. As comemorações do cinco de Outubro são um momento chave para devol-

vermos, em particular, nestes cem anos de República, as Mulheres ao seu lugar por direito na História de Portugal. O seu papel na construção da República e na consolidação dos ideais republicanos, como o da igualdade de género e o direito de voto assume-se, então, preponderante e foram vários os seus feitos inerentes à época, tendo perdurado no tempo e até na actualidade. Deste modo, a Biblioteca da escola, organizou no passado dia 29 de Outubro, uma palestra, proferida pela escritora e historiadora Fina D´Armada, sobre o importante papel das Mulheres no processo da Implantação da República. Durante uma hora e meia, perante uma assistência de três turmas do ensino básico, Fina D´Armada levou-nos com ela a uma viagem contra a invisibilidade das mulheres na luta pela implantação da centenária República. Centrada em cerca de três décadas da nossa história, a escritora propôs-nos uma abordagem sobre as histórias de vida de inconformistas de Norte a Sul do País, tal como Angelina Vidal (1853-1917) professora de francês nas escolas de “A Voz do Operário”, poetisa, dramaturga, jornalista e oradora na abertura do Partido Republicano do Porto. Estavase em 1880 e Angelina Vidal aparece vestida de vermelho e verde “daí a relação simbólica com aquela que viria a ser a bandeira da República Portuguesa”, defende Fina d´Armada, ao mostrar-nos que todas as bandeiras da época foram confeccionadas por famosas costureiras e bordadeiras republicanas. Ana de Castro Osório (1872-1935) escritora, editora, pedagoga, publicista, fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e outros movimentos feministas, como o de Carolina Beatriz Ângelo (1877-1911), médica e feminista convicta que se tornou a primeira eleitora portuguesa, em 1911. Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1850-1925) alemã de nascimento, dedicou-se à instrução feminina, porque a sua característica é o progresso na educação. As leis sobre o ensino primário obrigatório eram letra morta e o primeiro liceu feminino foi cria-

do, em Lisboa, em 1906, e no Porto em 1915. Não admira que, em 1911, fosse nomeada a primeira professora universitária de Portugal. As mulheres do distrito de Bragança foram também memorizadas porque, sendo elas as primeiras educadoras das futuras gerações, assumiram um papel tão importante que não há República que possa ignorar todo o seu valor. Maria Ermelinda Ferreira (nascida em Palácios em 1895, desconhecendo-se a data do seu nascimento) professora feminista, na freguesia de Babe desde 1895 e, em Bragança desde 1906) foi evocada nesta sessão pois, apesar de viver no Norte, houve jornais que publicaram elogios à sua acção, escritos pela família de alunos que ela preparava. A sua fama chegou a Lisboa em 1906. A Revista do “Bem” publica o seu retrato e suas ideias feministas. “ Se eu fora uma escritora consumada, o meu ideal seria o levantamento do meu sexo. A mulher não tem só coração bem formado, mas também, como o homem, o cérebro… elevá-la-ia muito acima dos que cantam a nossa incompetência”.

Esta conterrânea e tantas outras Mulheres Republicanas, destacaram-se intelectualmente, escreveram em jornais e revistas da época, defenderam a educação e lutaram não só pelo sufrágio, do qual eram excluídas, mas também pelos direitos de cidadania a que a República aspirava. Eram essencialmente feministas, mostrando-nos a enorme diversidade que já naquela altura enformava o feminismo. E para que o silêncio de ontem não se sobreponha a uma imensidão de rostos e vozes que hoje se fazem sentir, Fina d`Armada fez-nos por fim, a apresentação do seu novo livro - “As Mulheres na Implantação da República”, publicado no início do mês de Outubro. Mostra-nos uma investigação profunda sobre o papel da Mulher na implantação da República em Portugal.

Capa do Livro “As mulheres na Implantação da República”


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LICEU 9

ACTIVIDADES

Amnistia Internacional O trabalho permanente em prol dos direitos humanos António fernandes conceição galhardo

No âmbito da comemoração do Dia Internacional da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no dia treze de Janeiro, pelas 15 horas e trinta minutos, decorreu na Biblioteca Clássica da escola uma Acção de Sensibilização, intitulada “Luta Contra a Violação Dos Direitos Humanos”, dirigida pela Coordenadora de Campanhas da Amnistia Internacional Portugal, Isabel Gomes. A oradora iniciou a sessão contextualizando o aparecimento da (ONG) referida, dizendo que Peter Benenson, um advogado britânico, quando teve conhecimento em 1961,de uma notícia que relatava a condenação de dois jovens portugueses a sete anos de prisão pelo facto de “brindarem à liberdade” numa esplanada de um café do centro de Lisboa, apelou aos países que libertassem pessoas detidas por motivos de consciência. Nesse mesmo ano surgia o movimento da Amnistia Internacional denunciando vários casos mundiais. No dizer de Isabel Gomes, esta Organização Não Governamental é inteiramente independente, sem fins lucrativos, o que lhe permite denunciar com toda a liberdade qualquer

acto que atente contra a dignidade humana. Os valores humanos não são negociáveis pelo que todos têm o mesmo grau de importância e devem existir como um todo. A Amnistia Internacional actua segundo a recolha ou recepção de informação que denuncie situações de prisão, bem como casos de tortura e execuções. Acompanha casos, assistindo aos julgamentos, através da designação de representantes que não pertençam à nacionalidade do país visado. Isabel Gomes alertou a comunidade escolar para a necessidade da

denúncia de situações que desrespeitem a dignidade humana, redigindo e enviando cartas para a própria organização. Pois só deste modo as suas acções surtirão efeito. Através da apresentação de vários Vídeos, no decurso da sessão, foram referenciados casos chocantes e verídicos de violação de Direitos Humanos. Os relatos de casos de homicídios, detenções, torturas, discriminação e abusos à liberdade de expressão continuam a chocar o mundo. A pena de morte continua a merecer atenção. O Irão voltou a ser notícia

pelo uso da pena de morte como medida de punição com o caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, acusada de adultério. O que dizer da Mutilação Genital Feminina? Costume sócio-cultural que causa danos físicos e psicológicos e viola o direito de jovens se desenvolverem psicossexualmente de um modo saudável. Como impedir a constituição de exércitos com crianças - soldado? Como ajudar os prisioneiros de consciência? Todos os dias e a toda a hora e a cada segundo, são violados os Direitos Humanos consagrados pelas Nações Unidas há mais de meio século. A cada instante são praticados actos bárbaros contra homens, mulheres, idosos e crianças, levando a que ninguém se possa sentir livre e seguro. Estas e outras questões relacionadas com a temática em discussão foram alvo de reflexão, tendo sido do agrado quer de alunos quer de professores. Foram dados testemunhos de discentes que ficaram particularmente sensibilizados pelo facto de crianças serem obrigadas, desde os nove anos, a usarem uma metralha-

dora, situações de pobreza extrema e exclusão social, situações de desigualdade social, com o retrato de situações em que animais são tratados como pessoas e pessoas tratadas como animais, ou ainda a morte por lapidação e condenação de inocentes à pena de morte. Consideramos que acção decorreu com assinalável sucesso, pois foram transmitidos conceitos relevantes, não só para a compreensão das matérias leccionadas, como também para a formação e participação dos jovens numa cidadania responsável e actuante. Assim, ficou a vontade de repetir este tipo de eventos, pois impelem ao despertar de consciências sob o lema de Voltaire que diz “ Mesmo que não concorde com o que dizes lutarei para que o possas dizer “ .

Logótipo da Amnistia Internacional

www.amnistia-internacional.pt

Alunos de biologia em projecto nacional Biojogo didáctico “clue hunter”, seleccionado para 2º fase do prémio Ilídio Pinho “Ciência na escola” 9ª Edição CARLA PINTO

Terminou a 1ª fase da 9ª Edição do Prémio Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola”, em parceria com o Ministério da Educação e o Banco Espírito Santo, com a apresentação dos projectos candidatos, atingindose um novo número recorde de 701. Esta edição tem como tema a “Biologia/Ciências da Terra e da Vida” e a nossa Escola candidatou-se ao 4º escalão, por um grupo de alunos do 12º B, com o projecto Biojogo didáctico “Clue Hunter”.O Biojogo didáctico “Clue Hunter” foi um dos 351 projectos que o Júri Nacional seleccionou para passarem à 2ª fase e que serão contemplados com apoio financeiro para o seu desenvolvimento. Esta 2ª fase do Prémio terminará em 20 de Maio de 2011, com a

apresentação do relatório final dos projectos.O projecto apresentado consiste no desenvolvimento de um jogo interactivo didáctico que tem como objectivo ajudar os alunos de ensino básico e secundário a entender como se processam algumas técnicas biológicas de investigação forense, nomeadamente a determinação de grupos sanguíneos, DNA fingerprinting e PCR (Polymerase Chain Reaction). O software (em Macromedia Flash) pretende ensinar Biologia de maneira divertida e atraente. As fases do jogo exigem conhecimentos de Biologia molecular, o que força o jogador a interagir com o que sabe, a fim de poder completar as missões. A ideia do jogo consiste na criação

de um crime fictício onde o jogador assume o papel de um investigador forense que começa por recolher meios de prova biológicos da cena do crime (fragmentos de pele, cabelos do agressor, manchas de sangue em roupas, garrafas, etc.). Após a indicação de suspeitos pela polícia, o investigador procede às técnicas mencionadas, no laboratório de DNA forense, recolhendo dados para a elaboração de um relatório, para identificação do possível culpado, a apresentar em tribunal. Cada missão do jogo recebe uma explicação sobre os seus objectivos e conhecimentos científicos associados, de modo a que o jogador as possa cumprir com sucesso e entender os princípios biológicos subjacentes. O

nosso projecto conta com diversas parcerias: GNR- Núcleo de Investigação Criminal – que nos irão dar um workshop sobre os procedimentos da investigação criminal, recolha de provas na cena do crime, etc; Serviço de Imunohematologia do CHNE – Bragança e Escola Superior de Saúde do IPB - Bragança que nos irão apoiar no desenvolvimento dos trabalhos laboratoriais (de determinação de grupos sanguíneos, pesquisa de Drogas de abuso em sangue e urina; extracção de DNA, DNA finger printing e PCR); IPB – Escola de Artes, Comunicação e Multimédia – Curso de Design de Jogos Digitais e Departamento de Informática da nossa escola, auxiliando no desenvolvimento do software.Num

mundo cada vez mais tecnológico e inovador é um projecto que alia a Biologia às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. Pretende-se que, para além de ser atractivo e divertido, ajude na compreensão de fenómenos biológicos complexos; difíceis de serem ensinados unicamente através de métodos de ensino tradicionais, como a leitura de textos e aulas expositivas. Queremos que esta ferramenta desperte o interesse dos jovens para a ciência, contribuindo, assim, para a formação de futuros investigadores e cientistas.


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ACTIVIDADES

Voluntariado social Ptap 2 pratica a solidariedade

Actividade no Centro de Saúde de Santa Maria

Camisola amarela do voluntariado HELENA GOULÃO

Este ano lectivo a turma do PTAP 2 formalizou a sua colaboração com o Projecto de Voluntariado Social da Escola/Projecto de Educação para e Saúde. Como formadora de Comunidade e Intervenção Social do Curso de Técnico de Apoio Psicossocial, tentarei interligar os conteúdos da área nesta iniciativa. Deste compromisso deixo aqui algumas das abordagens que se fizeram até à data. Integrado no módulo 5- Desenho e Concepção de Projectos, os alunos participaram em sessões de esclarecimento e numa actividade prática no Centro de Saúde de Santa Maria de Bragança.

Aqui ficam os testemunhos... Para melhor compreendermos o significado das palavras “voluntário” e “voluntariado”, no dia 13 de Outubro de 2010, tivemos uma formação com a Dra. Manuela Veloso. Nesta formação ficamos a saber que a nossa escola e o centro de saúde já colaboram há quatro anos e que a cor do voluntariado é o amarelo. Foi-nos esclarecido que o voluntariado é uma atitude pessoal de querer praticar o bem na sociedade, sendo útil, sem esperar receber qualquer gratificação monetária. O voluntário gosta, tem prazer em ajudar os outros. Por norma, o voluntário tem de estar enquadrado numa instituição e desen-

volver as actividades incluídas nos projectos da respectiva instituição. Quando um indivíduo decide ser voluntário, assume um compromisso e não deve falhar, pois a instituição passa a contar com o seu apoio. No entanto, um voluntário não substitui o trabalho de um profissional, o seu papel é auxiliar a instituição a alargar as suas respostas sociais. O voluntário tem de ter espírito de equipa, ser responsável, humano, amigo, solidário e saber manter sigilo. Apesar de não receber gratificações monetárias, o voluntário recebe afecto, carinho e alegria por parte de quem ajuda. (...). No dia 15 de Outubro, tivemos

uma sessão informativa sobre a actividade que iríamos desenvolver no Centro de Saúde junto dos utentes – Inquérito de Satisfação dos Utentes. Como apresentar as questões, como interagir com as pessoas,... Para finalizar o módulo em estudo, deslocamo-nos ao Centro de Saúde de Santa Maria no dia 25 de Outubro de 2010. Saímos da escola acompanhados pelas professoras Olinda Bragada e Helena Goulão. O meio de transporte utilizado foi o comboio “tchu-tchu”...tendo-nos proporcionado uma viagem divertida. Chegados ao Centro, fomos atendidos pela Dra. Manuela Veloso que nos distribuiu os inquéritos

e forneceu algumas indicações. E lá começou a actividade... Agrupamonos dois a dois e dispersamos pelas diversas salas de atendimento. As pessoas colaboraram muito, foram simpáticas em ceder-nos um pouco do seu tempo. Manifestaram interesse e apelaram à nossa ajuda sempre que tinham dúvidas e apresentaram questões oportunas. Penso que todos concluímos com êxito esta actividade e, mais uma vez, gostamos de participar nas actividades práticas, pois permitem-nos adquirir experiências enriquecedoras.

Dia mundial do não fumador Enf. olívia I enf. patrícia

No dia 17 de Novembro comemora-se a nível Nacional o Dia do Não Fumador. O consumo do tabaco na infância e adolescência tem consequências imediatas. É lesivo para a maturação e a função pulmonar, que contribui para agravar a asma ou dificultar o seu controle, bem como para a sintomatologia respiratória, como a tosse e a expectoração, diminuindo ainda o rendimento físico. Na Escola Secundária Emídio Garcia durante a semana de 15 ao 19 de Novembro realizaram-se inúmeras actividades abrangendo esta temática. O Projecto de Educação Para a Saúde, o Gabinete de Informação e Apoio ao Aluno e a Equipa de Saúde Escolar da UCC

(Unidade de Cuidados na Comunidade) do Centro de Saúde de Bragança, colaboraram nas seguintes iniciativas: Foram efectuadas pelas Enfermeiras da UCC, sessões de sensibilização sobre os “Malefícios do Tabaco e os riscos inerentes ao seu consumo” às turmas de 7º Ano e curso EFA’S, dando seguimento ao projecto do ano transacto. No dia 17 de Novembro, foi realizada a avaliação do Índice de Monóxido de Carbono à comunidade educativa, em dois momentos distintos, pelas Enfermeiras da Saúde Escolar, com as respectivas informações e encaminhamentos para a Consulta de Cessação

Tabágica. Esta avaliação consiste na detecção de partículas de Monóxido de Carbono no volume de ar expirado. O Monóxido de Carbono é um gás inodoro que quando inalado em grandes quantidades se torna mortal. Forma-se durante a combustão dos produtos do tabaco. É tóxico para o organismo reduzindo a capacidade do sangue para transportar oxigénio dos pulmões às células aos tecidos e órgãos. Mediante os resultados desta avaliação é-nos possível diagnosticar valores excessivos ou não e assim podemos avaliar o grau de consumo e a possibilidade de desenvolvimento de problemas associados ao tabagismo; Foram distribuídos pelos alunos “conselhos,

mensagens e sugestões”, através de panfletos, exposição de trabalhos, power- point, alusivos a este grave problema de Saúde Publica cuja prevalência (uso e consumo do tabaco), entre o grupo dos adolescentes, tem subido dramaticamente desde o inicio da década de 90; Tivemos ainda a projecção de power-points relativos ao tema, elaborados pelos alunos, durante o período lectivo, na Área Curricular Não Disciplinar-Área de Projecto 7ºAno, trabalhando com os mais jovens a prevenção. Decorreram em simultâneo actividades desportivas, incentivando os alunos à prática do exercício físico e seus benefícios para a saúde.


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ACTIVIDADES

Quanto mais me bates...

Heróis da Ciência

Dia nacional do laço branco contra a violência doméstica

Alunos de química em concurso da Ciência Viva

olinda bragada

Dia Nacional do Laço Branco – Dia da Violência Doméstica No âmbito do Projecto de Voluntariado Social da nossa escola, participamos nas actividades comemorativas do Dia Nacional do Laço Branco/Dia da Violência Doméstica, promovidas pelo Núcleo Distrital de Bragança da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, Projecto “SIM- Sensibilizar Informar e Mobilizar- Olhar a pobreza com olhos de ver” e pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica do Distrito de Bragança - Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança. Estas actividades decorreram no dia 25 de Novembro de 2010, através de uma marcha simbólica, pelas principais vias da cidade de Bragança (10.30h). Os alunos das turmas PAS1 e PTAP2, participaram de uma forma activa, exibindo cartazes alusivos à temática e distribuindo material (Laços brancos; Pins; Panfletos sobre a violência doméstica e sobre o NAVVD), às pessoas que encontravam durante o decurso da marcha. Os alunos foram acompanhadas pelos respectivos professores, pela Técnica Superior de Serviço Social e pelas Enfermeiras do Centro de Saúde de Stª Maria, as quais têm vindo a colaborar com a nossa escola no Projecto de Voluntariado Social e no Projecto de Educação Para a Saúde. Nesta actividade estiveram ainda envolvidas os representantes de diversas Entidades, nomeadamente,

Marcha contra a violência doméstica

http://blogues.cienciahoje.pt/index.php/termodinamicos Centro Distrital de Bragança, ISS, IP. PSP/GNR, Administração Regional de Saúde do Norte, Cruz Vermelha Portuguesa, Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Equipa de Apoio às Escolas (EAE) e Centro de Saúde de Bragança. Esta marcha simbólica teve como principais objectivos: - Sensibilizar e mobilizar a comunidade de forma a combater e a prevenir a violência doméstica. - Estabelecer e dinamizar uma rede de instituições, grupos e pessoas que trabalham no terreno da luta contra a pobreza e a exclusão social, incentivando a promoção de acções inovadoras para o desenvolvimento integral das pessoas que vivem em situação de pobreza e de exclusão; - Sensibilizar, informar e mobilizar a sociedade civil para o esforço conjunto da erradicação das situações de pobreza e exclusão; - Aumentar a consciência sobre a pobreza e a exclusão social e o conhecimento aprofundado dos fenómenos de forma a promover mudanças de atitudes, comportamentos, preconceitos e estereótipos; - Dinamizar iniciativas de sensibilização e educação para a igualdade e cidadania, numa lógica de prevenção do fenómeno, bem como de luta contra a Violência Doméstica. Pretendemos ainda sensibilizar e alertar os nossos alunos/jovens para a problemática da violência (Violência conjugal, violência familiar, contra idosos e no namoro), actuando

de uma forma reflexiva, preventiva e interventiva. Esta actividade foi previamente preparada em contexto de sala de aula, através de formação adequada e da elaboração dos materiais (cartazes, panfletos informativos e outros materiais pedagógicos), que os alunos apresentaram durante a marcha. Marcha simbólica contra a violência doméstica (25/11/10) Participámos com os alunos dos Cursos EFA’S e algumas alunas do PTAP2, acompanhados pelos Professores, no Seminário com o tema “ Como Denunciar a Violência Doméstica”, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança às 20.30h. Este seminário teve como objectivos: - Sensibilizar e mobilizar a comunidade de forma a combater e a prevenir a violência doméstica. - Informar sobre o Dia Nacional do Laço Branco, sobre a violência doméstica (em que consiste, quais os tipos de violência doméstica e a quem recorrer de imediato). Este Seminário teve como oradores- Testemunho de uma vítima, Drª Augusta Branco- PAIDEIA, Drª Sílvia Costa- Médica, Dr. Nuno Gonçalves - Procurador da República do Círculo Judicial de Bragança, Amândio Correia- Comandante da PSP de Bragança e Drª Teresa Fernandes (NAVVD), foi informativo, esclarecedor, dando oportunidade à intervenção do público.

Prémio “Nobel”

Cristina Folgado

“Se eu fosse …cientista” é um concurso organizado pela Ciência Hoje e pela Ciência Viva que pretende entusiasmar os jovens para o conhecimento da vida e do trabalho dos heróis da ciência. O prazo de inscrição terminou a 12 de Novembro e em concurso estavam 247 equipas, de alunos e respectivos professores orientadores, de escolas de ensino secundário de todo o país. Cada equipa embarcou então numa viagem pela vida e obra de um cientista de uma qualquer época, área científica e nacionalidade. Os Termo(dinâmicos) são a equipa de alunos do 11ºA, da Escola Secundária Emídio e o cientista escolhido é o químico sueco Alfred Nobel (1833-1896). Este cientista ficou conhecido por ter inventado a dinamite e por ter fundado os Prémios Nobel. A escolha do cientista vem de encontro à comemoração do Ano Internacional da Química 2011 e do Projecto Curricular de Escola, que este ano tem como tema Química: razão e emoção. A primeira prova foi uma «Carta aos Pais» em que o cientista escolhido por cada equipa explicou aos progenitores (responsáveis ou tutores), enquanto jovem, por que razão escolheu a ciência como objectivo de vida e a área científica abraçada. O júri que classificou a prova era constituído por Raquel Soares, investigadora, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e subdirectora

de «Ciência Hoje», Marta F. Reis, jornalista de Ciência do jornal «i», e por Paula Serra, representante da Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação. Os resultados foram publicados on-line, no site da Ciência Hoje, no dia 20 de Janeiro de 2011. Os Termodinâmicos obtiveram 245 pontos, sendo a quinta “carta aos pais” melhor classificada num universo de 200 provas em concurso. No entanto, a equipa ficou em 20º lugar por não ter 15 pontos de bónus que foram atribuídos a todas as equipas que escolheram cientistas portugueses. Os Termodinâmicos estão já a preparar a segunda prova, «A Angústia do cientista perante a investigação». Num vídeo com a duração de 5 minutos, o cientista (representado por um dos elementos da equipa) terá de explicar a dois colegas ou pares (os restantes elementos) o seu grande objectivo. A partir das suas dúvidas e inquietações, das suas angústias e incertezas, terá de perceber-se que passos já deu e que razões tem para esperar o sucesso. Os Termodinâmicos têm ainda um blogue no Jornal da Ciência Hoje, onde publicam os resultados das suas pesquisas acerca do cientista em questão, do seu percurso, das suas invenções, da Fundação Nobel e outras notícias do mundo da ciência e da tecnologia.


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TEATRO

Grupo de teatro da Escola Secundária Emídio Garcia Uma viagem pelos sentidos para uma Educação Integral dos nossos alunos. ACÁCIO PRADINHOS

O teatro é uma síntese de todas as artes. Nas actividades dramáticas, os intervenientes desfrutam de uma enorme variedade de aprendizagens como por exemplo a socialização, a criatividade, a coordenação, a memorização, o vocabulário específico e muitas outros. As actividades dramáticas, nas suas múltiplas modalidades, são as mais indicadas para satisfazer a necessidade de acção e curiosidade, próprias do ser humano nas diferentes etapas do seu desenvolvimento. Além disso, por terem forma de expressão espontânea para o aluno, dão ao professor um precioso instrumento de investigação. O teatro é um espaço onde, pela acção/interacção, se identificam dificuldades que os alunos têm em se expressar ou até mesmo comunicar com os seus pares. Se, na vida em sociedade, a timidez pode acarretar consequências negativas, ao nível da auto-estima e da personalidade, no laboratório de teatro o clima favorável que se estabelece, entre o encenador e o grupo, facilita o diálogo. Sem dúvida umas das melhores maneiras de erradicar a timidez é colocá-la à prova em algumas actividades, sem nenhum tipo de pressão. Através do teatro, ler, decorar, declamar, falar, agir, interagir e expressar-se pela interpretação, são maneiras de se desprender aos poucos dos medos e dificuldades comunicativas. O processo que conduz até ao palco é um desafio com várias etapas com diferentes graus de dificuldade, cuidadosamente elaboradas pelo encenador/professor. Em cada criança/jovem existe uma tendência de criação teatral, a não ser que o adulto venha a sufocála ou a desvirtuá-la. O teatro escolar, na sua fase mais adiantada, cumprirá o objectivo de contribuir para a formação de seres pensantes, que saibam expressar o seu pensamento e aprendam a entender o pensamento alheio. No mundo do teatro profissional “o produto” é privilegiado em detrimento “do processo” mas, no fundo, os mecanismos de levar um projecto a cena são muito semelhantes aos

praticados no teatro escolar. As actividades dramáticas submetem os alunos a múltiplos processos criativos que desenvolvem a imaginação e a iniciativa individual dentro do esforço colectivo. O teatro está em toda a parte, dentro de nós e à nossa volta, misturado em todos os nossos actos individuais, dissolvido em tudo o que observamos objectivamente. Nas actividades dramáticas e performativas é clara a intenção de exteriorização, de construção e interpretação de sentidos como forma de comu-

nicar com o nosso mundo interior e com o mundo em que vivemos. No processo dramático os participantes permutam de lugar: ora são actores, ora são espectadores, interpretam conteúdos sociais e íntimos, negociando e reflectindo sobre os sentidos que produzem. As actividades de teatro do clube de teatro propiciam evasão às rotinas diárias da escola e garantem uma ocupação agradável dos tempos livres dos participantes. Neste “jogo” todos podem “entrar” porque a metodologia utilizada é

adaptada aos jovens e as expectativas artísticas do formador são centradas exclusivamente no aluno. No entanto desde a chegada ao grupo, é explicado ao “candidato” que, para além do prazer da aventura no mundo do teatro, terá a responsabilidade de representar o Liceu junto da comunidade. A seriedade, o rigor e o sentido de responsabilidade devem ser palavras de ordem porque, para além da magia do processo, que pertence aos intervenientes, existe a inevitabilidade dum produto que vai ser

submetido à apreciação do público. Depois de ter apresentado. em 2009, uma peça de teatro físico com uma grande componente não verbal, “A Idade de Pedra”, em 2010 escolhi a obra “O auto da Índia” de Gil Vicente. O facto de ser um fã incondicional do “teatro dentro do teatro” não serviu de desculpa para o “Um Auto da Índia” que o Liceu levou à Mostra de Teatro Escolar do Município. Gosto de grandes desafios. Mas, o que pretendi efectivamente mostrar foi a seriedade com que encaramos o compromisso de formar homens e mulheres com sentido crítico, que não amam o que é fácil, que lutam pelo direito à sua opinião, num ambiente de diálogo e tolerância. Faz tanta falta nestas idades. Quis demonstrar, sob a forma de uma peça de teatro, o clima de empatia, autenticidade, comunicação e partilha que norteiam o Grupo de Teatro no Liceu. O sucesso alcançado obriga-nos a trabalhar ainda mais e melhor, sem privar os alunos das suas responsabilidades. No ano em curso, para além de integrarmos 15 novos elementos, vamos continuar na linha que os actores/actrizes gostam e os pais apreciam. Em 2011 vamos recriar um local imaginário onde, “Os Grandes Portugueses do Passado” acompanham a crise no mundo em geral e particularmente em Portugal. Percebendo a inevitabilidade do colapso planeiam uma intervenção de emergência. O grupo de teatro do Liceu Emídio Garcia é o resultado efectivo e afectivo de múltiplos factores: o apoio entusiástico da direcção da Escola, a cumplicidade do corpo docente, o carinho do corpo discente, a disponibilidade dos alunos e sobretudo a confiança dos encarregados de educação que nos seguem de perto na fabulosa aventura da descoberta do ser humano. Eu, como homem do teatro dentro e fora da educação, procuro potenciar todos estes factores favoráveis e fazer o meu trabalho.


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TEATRO

Ensaio da peça “Idade da Pedra”

Porque frequento o clube de teatro? Helder Afonso (desde 2010) Ciências e Tecnologias - 9º ano O teatro é algo divertido que nos faz acreditar que é possível crescer e ser alguém usando pequeno gestos e sendo vários “eus” para saber quem somos. Rui Correia (desde 2008) Ciências e Tecnologias - 9º ano Porque no teatro sou feliz e gosto de representar. Morgane Podence (desde 2010) Ciências e Tecnologias - 9º ano Porque gosto de teatro. Joana Baptista (desde 2008) Ciências Sociais e Humanas Ando no teatro porque falo demais mas aqui não faz mal e também porque é uma forma de exprimir, fazer aquilo de que gosto sem ser julgada e dar largas à imaginação. Edite Baía (desde 2009) Línguas e Humanidades Porque é interessante, aprendo muito e é divertido.

Sara Barreira (desde 2009) Artes Visuais Sempre me disseram que a sensação de estar em palco, a representar, era boa. Mentiram-me. É fantástica. Ana Rodrigues (desde 2010) 9º Ano Porque sou feliz e porque gosto de teatro. Márcia Vaz (desde 2009) 9º Ano Vim para o teatro porque gosto de representar. É um grupo divertido, engraçado e adoro estar em palco. Sinto-me bem no teatro. Inês Sofia Pires (desde 2010) 9º Ano Porque gosto de representar. Na minha opinião, acho que o grupo de teatro é engraçado e aprende-se muito a representar. Estou a gostar muito do teatro. Ana Marta Dias (desde 2010) Artes Visuais Ter um clube de teatro fez-me ter ainda mais vontade que as sextasfeiras chegassem. Catarina Fernandes (desde 2008) Humanidades O Teatro é giro porque nos enriquece e convivemos, fazemos novos amigos e reforçamos a nossa confiança e liberdade.

Maria Borges (desde 2008) 9º Ano O teatro é sinónimo de liberdade, é crescer, construir personalidades e formar pessoas. Subir a palco é o realizar de um sonho, é ser livre estando com os pés assentes na terra.

Convívio de membros do Grupo de Teatro

João Afonso (desde 2009) 9º ano É interessante, divirto-me e aprendo mais coisas.

João Fernandes (desde 2009) Artes Visuais Porque adoro teatro e representação e que eu quero seguir no futuro.

Inês Alves (desde 2008) Ciências Sociais e Humanas Ando no teatro para não apanhar uma depressão.

Inês Correia (desde 2010) Unificado Vim porque gosto de teatro e depois de ver “um auto da Índia” quis experimentar. Além disso, acho que é uma ajuda para eu ultrapassar a minha timidez.

Daniela Galvão (desde 2010) Unificado Eu ando no grupo de teatro porque sempre gostei de representar e também porque feliz ao andar aqui.

Miguel Correia (desde 2008) - 3º ciclo Para conhecer pessoas.

Com a SIDA não se brinca

Carolina Alves (desde 2008) Humanidades Ando no teatro porque é onde posso partilhar as minhas ideias mais parvas sem ser descriminada. Carolina Pereira Ciências e Tecnologias (desde 2008) Eu, Carolina frequento o teatro escolar devido a sonhos vividos que lá são realizados. Representar é um sonho. David Carvalho (desde 2010) Ciências e Tecnologias Gosto do teatro, gosto de representar e achei que seria divertido participar no teatro escolar, para além de divertido seria produtivo. Bárbara Freire (desde 2008) Ciências e Tecnologias Eu ando no teatro porque gosto bué, bué de representar, e porque não tinha nada para fazer às sextas à tarde e também porque amo bué teatro.

Com a sida não se brinca 1ª actuação neste ano lectivo O Grupo de Teatro, em articulação com o Projecto de Educação para a Saúde e Educação Social, comemorou o “Dia mundial contra a sida” com uma peça de teatro negro e teatro de sombras humanas. A peça desenvolve-se a partir de uma situação de divórcio, que leva o Sr. Manuel a mergulhar numa profunda depressão. Durante 10 anos, alheia-se da vida social e isola-se na sua quinta biológica situada em Odemira. A filha Marta supera a separação e consegue conviver de forma equilibrada com ambos os progenitores. Quando o pai, finalmente começa a revelar vontade de recuperar a sua vida, Marta trata de

lhe arranjar uma namorada. Nem mais nem menos, uma bonita professora da Escola Superior de Enfermagem da cidade onde estudava, com quem marcou um encontro num bar da cidade. A descrição física da professora, foi de tal forma convincente que o Sr. Manuel teve um sonho erótico, representado na forma de um teatro de sombras humanas. A filha, sabendo da falta de “preparação” do pai, quis saber se, no sonho, tomou as devidas precauções. Perante a intranquilidade do pai e, como “com a sida não se brinca” tratou de lhe explicar, sob a forma de um teatro negro, quais as formas de contrair o vírus da sida.


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ARTES

Presépios de 2005 a 2010 Uma retrospectiva da construção de presépios da Escola Secundária Emídio Garcia

Presépio de 2010 Equipa coordenadora

O presépio é uma expressão da vivência cristã do Natal que se vai mantendo um pouco por todo o mundo, especialmente nas comunidades de predominância católica. A escola sempre construiu presépios, umas vezes de maior impacto, outras de grande discrição, espalhados por diversos sectores que constituíam referências para o tempo de especial celebração da solidariedade. Desde que o município lançou os concursos de presépios, as turmas de artes, lideradas pelo professor Manuel Trovisco, têm representado a escola com grande dignidade e alcançaram nas edições dos últimos seis anos o primeiro prémio na modalidade “inovação”.

Manuel Trovisco, no início da sua actividade no Liceu de Bragança, constatou que a quadra natalícia surgia de forma adormecida, rotineira, sem revelar a importância que a maioria dos jovens e os seus familiares lhe atribuem. Considerando a comunidade escolar uma grande família, compete à escola proporcionar, nesta altura do ano, bons e agradáveis momentos. Deste modo, sendo a nossa escola a única no distrito a leccionar o Curso de Artes Visuais, o professor tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos seis anos, com os alunos de artes, trabalhos que considera importantes, para a dignificação e reconhecimento do trabalho que realizam. As propostas de trabalho que desenvolveram têm enquadramento nos conteúdos programáticos da disciplina de Desenho – A do 10º,11º e 12º ano do Curso de Artes Visuais do ensino secundário. O “Presépio da Escola” tem sido um dos trabalhos, que se realiza com esse propósito e com o qual a escola tem participado no concurso de persépios organizado pela Camâra Municipal, dirigido às várias instituições do concelho.

Em 2005, o presépio foi construído em arame, representando as figuras tradicionais. Constituiu uma novidade e, principalmente, um espaço de empenhamento dos alunos que construíram as estruturas e viram o seu trabalho reconhecido. Com a primeira vitória no concurso, a participação evoluiu e, em 2006, decidiram desenvolver as formas correspondentes às figuras mais representativas do presépio tradicional utilizando algum “lixo” e reutilizando outros materiais. Cada aluno da turma foi responsabilizado pela execução de uma dessas formas, orientado e apoiado pelo professor, depois de realizados vários estudos. Foram utilizadas latas de conserva, bidões, um frigorífico e um guarda-chuva. Na composição foi valorizada a simplificação e o processo de síntese, procurando o impacto simbólico aos níveis conotativo e denotativo e a consciencialização da importância da participação, do papel cívico de cada um, da necessidade de preservar o ambiente, naturalmente tudo integrado num objectivo mais amplo de cultivar o espírito criativo e a capacidade de reflexão crítica.


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ARTES Tratou-se de um presépio que constituiu uma radical inovação, muito celebrada e reconhecida na escola e na cidade, demonstrando que há sempre espaços para a originalidade e a criação em interactividade com o meio envolvente. Em 2007, novo caminho de aventura conceptual e estético e de compromisso com a cidadania. Desta vez decidiram, professor e alunos, “desenvolver um presépio de tal forma que a figura principal fosse um sem abrigo”. A cena devia passar-se numa rua da cidade, junto a um contentor do lixo. Contentor esse que veio mesmo, assim como um troço de passeio com paralelos, lancil e tudo, construído pelo professor e alunos. A figura humana e um cão lá estavam como símbolos da miséria, do abandono, mas também da solidariedade vital entre o animal e o homem. O presépio, feito de pão, estava abrigado debaixo do capote, qual luz de esperança que irradiava da alma! Arame, pasta de papel, um projector de slides e lixo propriamente dito completavam a instalação, que não deixou ninguém indiferente. Os alunos puderam contactar com novos materiais e técnicas, criar mensagens visuais e cultivar o trabalho de equipa.Mais uma vez, o primeiro prémio não fugiu à equipa, liderada por Manuel Trovisco e o presépio foi exposto no centro cultural municipal. Em 2008, de novo a figura humana marcou, esculpida, um presépio que partiu do grito desesperado contra o abandono da região e o desprezo do legado histórico-civilizacional que ela constitui.

Uma casa da aldeia, construída com materiais autênticos (porta, janela, para além do banco da soalheira) tinha, encostadas à parede, duas mulheres no inverno da vida, melancólicas mas empenhadas em deixar a marca de gerações infindas, a realizar um presépio no pano de renda. (o presépio de renda foi realizado pela mãe de uma aluna). Foi mais um trabalho notável que surpreendeu o júri do concurso e toda a comunidade escolar e, naturalmente, ganhou o prémio principal. Veio então 2009 e o professor Trovisco e a sua equipa, sempre renovada, elaboraram um trabalho de minúcia e sensibilidade estética. Este presépio foi integrado no estudo de proporção do corpo humano, divisões, anatomia, compreensão das articulações, pontos de inflexão e movimento, o que também passou por aulas no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, com modelo nu. Foram usadas ripas de madeira de mogno, paus de espetada, palitos, cola branca e lixa, sem nenhum prego. Em 2010 quando todos se questionavam relativamente à capacidade de surpreender do professor Trovisco e seus alunos, eis que nos surge com uma sala de aula, dois alunos (figuras esculpidas) a criar um presépio feito com materiais escolares (lápis, borrachas, clips, afia-lápis...) enfim, um trabalho de imaginação extraordinário, num ambiente de uma brancura indelével com uma luz azul a focar o símbolo fundamental. O prémio voltou a ser atribuído à nossa escola com geral reconhecimento de que o manancial de criatividade não ameaça esgotar-se.

Presépio de 2007

Presépio de 2008

Presépio de 2009

Presépio de 2010


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REPORTAGEM

Toponímia - os nomes da cidade Na nossa região, como pelo mundo fora, há designativos do território que nos abrem portas.

O antigo lactário, localizado onde no séc. XVII se situava uma das portas da cidade de Bragança

TEÓFILO VAZ

Os bragançanos lidaram, durante alguns anos, com uma toponímia estranha, que designava por letras os arruamentos da cidade em crescimento. Tiveram que encontrar formas práticas de resolver a sua relação com o espaço urbano. Em muitos casos surgiram novos problemas com referências espúrias, mas também se estabeleceram designações criativas, pragmáticas e de bom senso. Uma grande parte da população continua a não conhecer a toponímia da cidade e, naturalmente, os membros da comunidade escolar não são excepção. Por isso, aqui vai um contributo para uma relação mais próxima com a cidade e os seus nomes.

A relação do homem com o espaço requer a identificação partilhada dos sítios, integrando-os nos desígnios vitais da comunidade. Na nossa região, como pelo mundo fora, há designativos do território que nos abrem portas insuspeitadas de compreensão da interdependência com a natureza, que marcou, milénios inteiros, a vida destas gentes. A cobertura vegetal, os fios de água, elementos orográficos, formações rochosas características, presença de determinadas espécies animais ou simples funções produtivas enquadram, geralmente, os topónimos tradicionais. As condições do seu estabelecimento não são tangíveis, mas pres-

sente-se uma perenidade tão firme como a que aparenta, para cada geração, a própria natureza. Mesmo os núcleos mais urbanizados da região, secularmente caracterizados por relativamente pequena dimensão, acolheram o modelo tradicional, que demonstrou ser eficaz, até que, nas últimas décadas, o crescimento inaudito de alguns centros fez sentir a necessidade de estabelecer referências, num espaço que ameaçava tornar-se caótico, tendo em conta as condições e necessidades das comunidades neste outro tempo. Bragança, cidade há 547 anos, com movimentos de expansão pontuais, seguidos de longos períodos de estabilização, chegou ao meado do século XX com o mesmo espaço urbano que conhecia havia cerca de 300 anos. As referências toponímicas, geradas na intuição quotidiana do povo, mostravam-se práticas. Por exemplo, a Rua Direita, centro do comércio e de alguma manufactura, constituía referência básica. Assim, facilmente se assumia que a artéria

paralela, a norte, era a Rua de Trás. As artérias, ribeirinhas à margem esquerda do Fervença, referenciavamse, uma pelos gatos, que qualquer casa mantinha, os ratos assim o impunham, enquanto outra dava notícia de amoreiras (Rua das Amoreirinhas), provavelmente plantadas nos tempos áureos da produção de seda. Para cima, no sentido poente, a Rua dos Oleiros (actual Almirante Reis), à maneira medieval, reflectia a instalação de actividade básica para a cidade e o concelho. Na margem direita do Fervença, o pequeno bairro não requeria senão a constatação da sua localização: Além do Rio. Para o Castelo subiam as costas (encostas), a grande e a pequena, assim como o Caminho da Vila. Em tempos posteriores, a Estacada, o Toural, os Campos do Trinta (estrutura militar), as hortas da Coxa, os lugares onde se instalaram a estação de caminho-de-ferro e a Mãe d’Água serviram de referências que se mantêm para bairros inteiros. Para uma rua junto ao núcleo urbano, pavimentada de seixos até à


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REPORTAGEM década de 70 do séc. XX, encontrouse uma forma simples de identificação, de acordo com a sua condição: Rua Nova. Em 1972, assim funcionava a cidade capital do distrito. Começavam, no entanto, a surgir os primeiros problemas. O Bairro da Estação já tinha as ruas identificadas por letras do alfabeto, enquanto no bairro da Mãe d’Água as construções em intensificação definiam ruas sem referência. Na Coxa, começavam a surgir as primeiras artérias e junto ao Colégio S. João de Brito cresciam algumas construções. Uma primeira confusão toponímica poderia então ser suscitada. No Toural, uma das duas ruas, entretanto desenhadas, era designada Rua Nova do Toural, o que induzia confusão com a Rua Nova junto ao centro histórico. De qualquer modo, a designação oficial desta última era Emídio Navarro que, mesmo hoje, quase ninguém utiliza. A Avenida João da Cruz, única durante muitos anos, era simplesmente a Avenida, enquanto a estrada de Gimonde, onde foram surgindo, na década de 60, moradias individuais, se tornara na Avenida do Sabor. Ninguém se perdia na cidade e não há grande notícia de problemas com o correio, a factura da água ou da electricidade. Mesmo as vias que tinham sido objecto de intervenção toponímica, à maneira da transição do século XIX para o XX, celebrando determinadas personalidades, principalmente políticos do tempo da Repú-

blica, continuavam a ter, da parte da população, a preferência pelas designações tradicionais ou de referência a outras artérias.

Pelo meado da década de 70, o crescimento da urbe atingiu níveis nunca vistos, com a conclusão de uma casa em cada dia do ano. Assim, era comum ouvir falar da Rua dos Correios (Almirante Reis), do Tombeirinho (Rua 5 de Outubro) e das diversas Calejas. A própria Rua Alexandre Herculano era, em grande parte do seu traçado, designada, até há pouco tempo, por cidadãos mais idosos, como “fora de portas”. Outros chamavamlhe Loreto de Baixo, por referência à Rua do Loreto propriamente dita. Havia ainda as casas da Boavista, nas imediações do Liceu, espalhadas pela encosta, sem definição clara de artérias. Pelo meado da década, o crescimento da urbe atingiu níveis nunca vistos, com a conclusão de uma casa em cada dia do ano. A expansão na Mãe d’Água, em Vale d’ Álvaro, na Coxa, nos Formarigos, no Bairro S. João de Brito, nas Cantarias e no Campo Redondo foi anárquica e os remedeios só serão possíveis, se forem, daqui a

algumas gerações. Recorreu-se, então, ao alfabeto, para designar as artérias em cada bairro. Nalguns, atingiu-se o limite, chegando-se às ruas Y, o que perspectivava, dali para a frente, a necessidade de utilizar combinações do género “Rua AA, AB”, etc., o que seria notoriamente insustentável. Por outro lado, havia seis ou sete ruas na cidade com a mesma letra e, se os interessados na localização ou os remetentes de correspondência não identificassem o bairro, entrava-se num autêntico labirinto. Entretanto, a cidade continuava a crescer, com uma multiplicidade de novos bairros, que passaram a ser designados pelos nomes dos empreiteiros ou das firmas por eles constituídas e onde o alfabeto se distribuía a esmo. Multiplicavam-se as queixas, os equívocos, os prejuízos. Perante a situação, no declinar da década de 80, a Assembleia Municipal de Bragança constituía a primeira comissão de toponímia, que veio a propor à Cãmara topónimos para mais de uma centena de ruas. Um critério geralmente assumido pelos integrantes da comissão, durante dois mandatos, foi a consagração de designações tradicionais e a atribuição de topónimos do mesmo tipo onde se revelasse adequado. Por isso, vieram a ser consagradas designações como Rua da Nogueira, Rua do Souto, Rua do Teixo, entre outras. Depois, figuras históricas ou lendárias com significado local também foram consideradas. Naturalmente,

os soberanos do reino que tomaram decisões marcantes para a cidade deveriam ter os sinais do seu legado celebrados. Assim, Sancho I, Afonso III e Afonso V deveriam ter lugares cimeiros numa possível hierarquia da malha urbana. O rei povoador atribuiu, em 1187, o primeiro foral a Bragança, Afonso 111 confirmou-o,

enquanto Afonso V, em 1464, elevou a vila de Bragança a cidade. Os três viram perpetuada a sua memória. No entanto, dão nome a arruamentos onde se situam principalmente estruturas administrativas ou sociais de lazer, o que não propicia uma relação mais viva dos cidadãos com as suas figuras. »


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REPORTAGEM

Toponímia e Política Generalizou-se, no país, a tendência para utilizar a toponímia como expressão de opções políticas. O fenómeno não é sequer nacional. O século XX foi fértil na propensão propagandística, ao sabor das diversas guerras, frias ou mais quentes. Em Portugal, as mudanças políticas nos séculos XIX e XX, muitas vezes de tipo revolucionário, também acarretaram razias, ainda que temporárias, de memórias respeitáveis, em nome da consagração de figuras que, em cada momento de ruptura, eram erigidas em símbolos de novos tempos. Foi assim que, às ruas do centro histórico de Bragança, a vontade política quis impor figuras da República, transformando a Rua dos Oleiros em Almirante Reis, a Rua do Sol em Rua da República, a do Tombeirinho em 5 de Outubro, assim como atribuiu ao jardim público, construído na década de 20, o nome de António José de Almeida. Entretanto, a Praça da Sé fora temporariamente Praça Almeida Garrett, uma referência do século XIX. Um comerciante famoso, que ali esteve instalado várias décadas, manteve sempre nos seus sobrescritos a designação de Praça Almeida Garrett, porque se reivindicava anticlerical convicto. Trago este exemplo para ilustrar as contingências da atribuição de topónimos que celebram figuras lo

Em Portugal, as mudanças políticas nos séculos XIX e XX, muitas vezes de tipo revolucionário, também acarretaram razias, ainda que temporárias, de memórias respeitáveis, em nome da consagração de figuras que, em cada momento de ruptura, eram erigidas em símbolos de novos tempos. cais, nacionais ou universais, bandeiras de ideologias ou agentes políticos. De facto, em muitos casos, as ebulições políticas retiram serenidade e distanciamento, provocando clamorosas injustiças e gerando mesmo acrimónias, com desnecessários reflexos na convivialidade citadina. Mas as tentações parecem ser gerais, sem significativa diferenciação de co-

res políticas ou opções ideológicas. Todos nos lembramos como Salazar viu o seu nome por bairros, pontes e mesmo uma cidade, na Angola do fim do império. Até Américo Tomaz deu nome a ruas em vida, para depois ser relegado para o total esquecimento. Bragança também chegou a ver oficializada a designação de Américo Tomaz para a Avenida do Sabor, na década de 70. Em 1974, a Praça Cavaleiro Ferreira, homenagem de um determinado tempo ao ministro oriundo do concelho, foi, por pressão de alguns grupos, transformada em Praça 1.° de Maio, designação que durou pouco mais de um ano. O critério toponímico não passava, afinal, da ostentação de determinados símbolos, por quem considerava controlar o poder, o que arrastava conflitos latentes, quando não expressos em pancadaria, como aconteceu relativamente à referida praça. E assim continuou. A cidade assumiu o traçado da antiga linha férrea como eixo fundamental, a malha urbana subiu para junto do Liceu e da Escola Industrial e, pelo fim do ano de 1980, o país ficou chocado com a queda de uma avioneta .que matou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, protagonistas da coligação que dera ao país o primeiro governo de maioria. Pouco depois, a antiga linha foi dedicada ao ex-primeiro ministro e a ligação entre as duas escolas recebeu o nome do extinto ministro da Defesa. Vinte e quatro anos depois, ainda se fazem proclamações contra tal decisão, embora o tempo pareça poder atenuar a contestação. De qualquer modo, apesar da diversidade político-ideológica das comissões de toponímia que emanaram da Assembleia Municipal de Bragança nas décadas de 80 e 90, os entendimentos politicamente condicionados determinaram, algumas vezes, processos de negociação que diferiram algumas propostas de decisão. Figuras políticas locais do século XIX não geraram, na maior parte dos casos, grande discussão. Assinalaram-se memórias importantes, como a da primeira mulher a fazer o curso de direito em Portugal, oriunda de Bragança, de médicos dedicados ao concelho, de intelectuais e estudiosos de tempos diversos. Para homenagear o rei Sancho I, foi proposta a ligação da Avenida João da Cruz até ao quartel da GNR, espaço com instituições vivas e escolas, rua com dimensão e dignidade que se consideravam adequadas. No entanto, no mandato seguinte (1993/97), deixou de funcionar a comissão de toponímia na Assembleia Municipal e a Câmara, que é o órgão com competência, veio a

decidir atribuir àquela via o nome do General Humberto Delgado, indicado para um outro arruamento nas proximidades. Foi uma opção legítima e respeitável que não deixa, no entanto, de reflectir a manutenção de critérios fundamentalmente político-ideológicos. Naturalmente, Humberto Delgado merece que a sua memória de lutador pela liberdade no século XX, em Portugal, não se desvaneça. No entanto, Bragança deve a sua “fundação” oficial ao soberano do século XII, figura que não gerará nenhuma controvérsia e, pelo contrário, poderia, se o topónimo fosse complementado por monumento de dimensão justa, constituir uma referência no espaço urbano. No mandato autárquico em curso, e nos anteriores, tem funcionado uma comissão de toponímia constituída por convidados do presidente do município. O trabalho produzido foi quantioso e mais de duas cente-

nas de ruas viram fixado o topónimo, com todas as vantagens que daí advêm para a comunidade. Os critérios não terão sido suficientemente clarificados e, por vezes, quando se observa o resultado, pressente-se algum arbítrio e uma preo cupação em valorizar figuras queserviram com empenho o regime do Estado Novo. Mas também é verdade que a memória da relação com espaços de presença portuguesa pelo mundo não foi postergada, figuras do município e do distrito têm merecido homenagem, assim como notáveis do país e do mundo nas letras, nas artes, na ciência, na cultura e na dedicação às causas mais nobres. Remodelada há pouco tempo, a comissão de toponímia pode agora fazer um trabalho com mais serenidade, dando resposta quase imediata às solicitações que o crescimento da cidade, agora bem menos acentuado, vai requerendo.


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ECONOMIA REGIONAL

Turismo em Espaço Rural A oportunidade de conviver com a cultura, tradições e valores da sociedade rural ANA CORTINHAS

O concelho de Bragança integra uma área de 1173 km2 no qual se distribuem 49 freguesias, sendo a densidade populacional de 29,6 hab/ km2. Os valores dos censos de 2001 atribuíam uma população residente de 34752 habitantes, sendo que mais de metade desta população se concentrava nas freguesias da cidade. Tendo uma localização periférica relativamente ao território nacional, na NUT III de Alto Trás-os-Montes, encontra-se numa situação de perda demográfica, assistindo-se ao fenómeno da desertificação, pelo que não só o concelho, como toda a região, se vêem a braços com uma redução da sua população. Contudo, a cidade em si, pelo papel que representa como capital de distrito, com a predominância de funções ligadas ao ensino superior, saúde, administração e economia, com um peso muito significativo a nível regional, tem apresentado algum dinamismo demográfico, não se sentindo tanto o peso da tal desertificação anunciada. A capital de distrito tem absorvido população vinda dos vários concelhos, não contribuindo, em certa medida, para o tão acentuado processo de litoralização que o nosso país conheceu ao longo das últimas décadas. A predominância actual do sector terciário no concelho, reforçada na cidade, contrasta com a ainda resistente prática agrícola nas aldeias, mas com um peso pouco significativo nas actividades económicas, muitas vezes praticada apenas nos tempos livres, sendo que as pessoas têm uma outra actividade, normalmente ligada ao sector terciário. Em 2001 apenas 10% da população activa se dedicava às actividades agrícolas, enquanto o sector terciário ocupava mais de 70 % da população. Empresas ligadas à transformação de produtos da região, o ensino superior personificado no Instituto Politécnico de Bragança, bem como outras actividades terciárias ligadas ao comércio absorvem a maioria da população activa do concelho. Face ao problema de perda demográfica das aldeias do concelho, verificado em todo o interior de Portugal, de Norte a Sul, torna-se necessário delinear estratégias e desenvolver estruturas que permitam não só que a população residente se mantenha, como também proporcio-

“A aposta do Turismo em Espaço rural (TER) é hoje uma realidade em algumas aldeias do concelho e da região” nar a fixação de população de outras áreas, ainda que temporariamente. É inevitável o ponto de viragem e a aposta naquilo em que estas áreas de interior tem de melhor para oferecer. O rico e vasto património natural caracterizado pela qualidade ambiental associado às tradições e ao saber-fazer, aos produtos de primeira qualidade, “criados” e transformados na região, como a castanha e o azeite, as raças autóctones, a gastronomia, tornaram-se imagem de marca das regiões mais desfavorecidas. Surgem as “feiras de produtos regionais, mostras gastronómicas, roteiros turísticos” associados à ruralidade, que vão trazendo algum dinamismo, atraem visitantes de áreas diversas, atraem público específico como por exemplo a “feira da caça e pesca”, entre outras. Com a vinda de pessoas do litoral, cada vez mais curiosas em conhecer este Portugal “profundo”, misterioso, de paisagens naturais única suge um conceito diferente associado ao alojamento, que visa oferecer aos visitantes desta área a oportunidade de conviver com a cultura, tradições e valores da sociedade rural. A aposta no Turismo em Espaço Rural (TER) é hoje uma realidade em algumas aldeias do concelho e da região. Esta actividade tem vindo a crescer e a ganhar importância principalmente devido à crescente mobilidade da população e melhoria das acessibilidades, o interesse pelo património, pela natureza, o aumento dos tempos de lazer, o aumento dos níveis de instrução da população, entre outras situações. Surgem diversas modalidades associadas ao TER, nomeadamente o turismo de habitação, agro-turismo, casas de campo, turismo de aldeia, entre outros. São já vários os empreendimentos desta natureza na região.

Casa da Bica Casa situada na aldeia de Gondesende, a 8 km da cidade de Bragança, em pleno Parque Natural de Montesinho. Casa em xisto, caracteristicamente transmontana.

Moinho do caniço Antigo moinho de água situado nas margens do rio Baceiro, num cenário campestre de frondosa vegetação e tranquilidade.

Casa do Lello Casa particular de cariz rural na aldeia de Rabal na raia do Parque Natural de Montesinho, com mais de 150 anos, apresenta características únicas vincadas da região e específicas da aldeia de Rabal.


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DESPORTO

Clube Desporto Escolar Projecto do Clube Desporto Escolar para o biénio 2009/2011 ANTÓNIO OLIVEIRA

Dando continuidade à actividade externa do Projecto do Clube de Desporto Escolar para o biénio de 2009/2011 da nossa escola, apresentado no inicio de 2009/2010, no presente ano lectivo continuamos com 5 grupos/equipa de Desporto Escolar. Os grupos/equipa são: Actividades Rítmicas Expressivas, Basquetebol, Futsal e Multiactividades da Natureza. A responsável pelo grupo de Actividades Rítmicas Expressivas é

a Professora Helena Ramos. Este grupo tem actividade externa e está por isso inserido no campeonato distrital de dança com um grupo de Hip-Hop. No ano lectivo 2009/2010 este grupo foi campeão Distrital de Actividades Rítmicas Desportivas. Na modalidade de Basquetebol o clube tem dois grupos: Juvenil Masculino e Júnior Feminino. A professora Fátima Brito é a responsável pelo grupo Juvenil Masculino. Este

grupo no ano anterior 2009/2010 sagrou-se Campeão Distrital. O responsável pelo grupo Júnior Feminino é o professor Amílcar Pires. Este grupo também tem actividade externa e disputa o Campeonato Distrital de Basquetebol Feminino nos escalões Juvenil e Júnior. O responsável pelo grupo de Futsal Iniciados Masculino é o professor Filipe Lopes. Neste ano lectivo, como nos anteriores, o Grupo tem actividade externa participando no

Campeonato Distrital da Modalidade no respectivo escalão. O professor António Oliveira é o Coordenador do Desporto Escolar da nossa escola e responsável pelo grupo/equipa Multiactividades da Natureza. Neste grupo os alunos podem vivenciar diversas modalidades. As provas regionais são compostas por Orientação, Rappel, Escalada, Tiro com Arco, Canoagem, BTT, Zarabatana, entre outras. Em 2009, a nossa escola foi Campeã da Zona

Norte numa competição realizada em Lamego. Os alunos que desejam participar no Clube Desporto Escolar podem inscrever-se em dois grupos (uma modalidade colectiva e uma modalidade individual). Deverão comparecer nos treinos semanais e participar nas competições externas dos diferentes grupos/equipas.

Calendário Distrital de Danças Urbanas 2010/2011

Apuramento, fase escola, Mega Sprint

Calendário Regional de Multiactividades da Natureza 2010/2011

Grupo/Equipa de basquetebol júnior feminina


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DESPORTO

DESPORTO Calendário Distrital de Basquetebol Iniciado/Juvenil Masculino 2010/2011

UMA REFLEXÃO SOBRE A ACTIVIDADE DESPORTIVA ESCOLAR ANTÓNIO OLIVERIA

Calendário Distrital de Basquetebol Juvenil/Junior Feminino 2010/2011

Calendário Distrital de Futsal Iniciado Masculino 2010/2011

Na história recente do Desporto escolar teremos de dar particular atenção à sua criação pelo D.L. 165/96, de 05/09. Nesta data e pela primeira vez, toma forma um órgão com coordenação nacional e funções de planeamento, dinamização, avaliação e controlo. É também nesta data que o Desporto Escolar passa definitivamente para o Ministério da Educação. Como instrumento educacional e pedagógico é de facto o local onde este órgão deverá permanecer. Compete à escola introduzir nos jovens uma cultura motora e facultar uma formação e orientação desportiva. Actualmente o funcionamento do Desporto Escolar assenta quase num regime de voluntariado. A ausência de cultura desportiva, os condicionalismos inerentes a horários e instalações, a pouca participação da comunidade educativa, dos próprios pais, entre outros, parecem fazer crer que este modelo actual necessita de ajustamentos e novos objectivos, que terão que ser alcançados por toda a comunidade educativa. O Desporto Escolar ainda não conseguiu assumir-se verdadeiramente e ainda não foi assumido pela comunidade educativa como um meio imprescindível da formação dos nossos alunos. Preocupada com o domínio cognitivo que tem de ser avaliada a comunidade educativa negligência a formação e a educação pelo exercício físico. A promoção da saúde, o desenvolvimento e crescimento equilibrado, a preven��ão de comportamentos desajustados, integração social, respeito pelas regras, superação, compreensão e aceitação dos outros e das suas diferenças são fundamentais na formação do conceito de cidadania, podem e serão adquiridas certamente, na vivencia e participação no Clube de Desporto Escolar.

Não pretendemos distribuir esta responsabilidade de incutir nos nossos jovens conceitos tão importantes. Somente pedimos aos órgãos de tutela que facultem às escolas e aos seus profissionais condições físicas e materiais, com o mínimo de dignidade, para potenciar a motivação existente.

“Actualmente o funcionamento do Desporto Escolar assenta quase num regime de voluntariado” A titulo de curiosidade e para lembrar os mais distraídos, não querendo com esta lembrança justificar a importância do Desporto Escolar, pois essa é muito mais global e tem uma dimensão muito maior, dois dos nomes nacionais mais sonantes nos últimos Jogos Olímpicos, se calhar os mais importantes, foram descobertos no Desporto Escolar, Naíde Gomes e Nélson Évora. Os contratos e protocolos existentes entre o Desporto Escolar e as diferentes federações do nosso país, bem como os Planos de Desenvolvimento, os Centros de Formação Desportiva Especializada provam que o Desporto Escolar tem futuro e é necessário para o mesmo. Nem tudo é mau, mas ainda não conseguiu atingir o plano de destaque que merece, fundamental para transmitir a toda a comunidade escolar e população em geral que o Desporto Escolar é tão só um dos projectos mais importantes no desenvolvimento e formação do aluno enquanto indivíduo e enquanto cidadão integrado na sociedade.


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ACTIVIDADES

Bandeira verde O “balanço” verde da Escola Secundária Emídio Garcia

OS JOVENS E O ÁLCOOL

ADRIANO VALADAR

A bandeira verde Eco-Escolas é um prémio atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa. Faz parte de um programa internacional para a educação ambiental e tem como objectivo encorajar e reconhecer as escolas que se implicam num funcionamento ecoresponsável. Por conseguinte, no fim de cada ano lectivo, é premiado o esforço e contributo dos estabelecimentos que se mostram voluntários, os alunos, os professores, a direcção e toda a comunidade, todos os que

trabalham sucessivamente sobre alguns temas prioritários relativamente à qualidade ambiental: A alimentação, a reciclagem do lixo, a reciclagem do papel, a água, a energia e as solidariedades. Dia 17 de Novembro de 2010, na Escola Secundária Emídio Garcia, pela quarta vez consecutiva, assistimos ao arvorar da Bandeira Verde. Na cerimónia, além da comunidade escolar, esteve também presente um representante da Câmara Municipal de Bragança, parceira sempre activa do nosso Liceu nas diversas

áreas, o Sr. Engenheiro João Cameira, da divisão … O Sr. Director, Dr. Eduardo Manuel dos Santos, fez questão de referir que “ a nossa escola trabalha, há alguns anos com os seus alunos e professores, de modo a que sejam desenvolvidos, tanto individualmente como institucionalmente, reflexos que permitam reduzir a nossa mácula ecológica, contribuindo assim para a generalização da educação com vista à obtenção de um ambiente mais são”.

Hasteamento da Bandeira Verde

1º Encontro de actividades rítmicas | 2010-2011 EQUIPA COORDENADORA

O canal 2 da RTP transmitiu, no passado dia 19 de Fevereiro, uma reportagem sobre o 1º Encontro Distrital de Actividades Rítmicas Expressivas, realizado na nossa escola, no dia 2 de Fevereiro. Participaram no encontro representações das escolas de Miranda do Douro, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, para além do grupo 3XL, de danças urbanas, da Escola Secundária Emídio Garcia, coordenado pela professora Helena Ramos. O encontro integra o calendário da modalidade no desporto escolar, na fase regional, cujo vencedor foi o grupo da nossa escola. O evento contou com ampla participação de alunos e professores da escola que, com entusiasmo, acompanharam as evoluções coreográficas dos participantes.

Grupo 3 XL

PROBLEMA SOCIAL, PROBLEMA REAL, COMÉRCIO FLORESCENTE ADRIANO VALADAR

Os jovens e o álcool, problema social, problema real, comércio florescente para os bares e opinião pública chocada ou indiferente. Qual é o ponto da situação hoje, face a esta pseudo novidade que aparece cada vez mais frequentemente nos media. O tema “Os jovens e o álcool ”está cada vez mais presente na imprensa; lia-se recentemente num diário “Quando é que nos vamos preocupar com o consumo de álcool por adolescentes cada vez mais jovens?”. Assistimos portanto a um verdadeiro problema social e os pontos de vista divergem bastante, com certos pais que declaram “já passámos todos por lá” ou outros mais radicais que vêem um verdadeiro flagelo para a juventude. Portugal é um país onde se consome muito álcool, não sei se não se pode considerar que há mesmo uma certa “religião” do álcool; o facto de ver desde muito cedo os jovens beber um copo de vinho à mesa e em família é de forma geral encarado como sendo “normal”. O consumo de aguardente também é uma prática normal nesta região onde o Inverno é tão rigoroso… As bebidas mais espirituosas são consumidas regularmente pelos jovens (shots, espumantes). Há por conseguinte em Portugal uma relação com o álcool que é diferente da de outros países europeus. Portanto pode-se defender a tese de uma tradição local, regional ou mesmo nacional, outros preferem falar da presença de causas sociais nesse consumo excessivo de álcool: o desemprego, a incerteza no futuro, o fracasso escolar ou profissional. Certos estudos científicos (IREB) sobre as bebidas confirmam a tese seguinte « começar a beber acontece no contexto familiar, seja em casa ou no restaurante”. 70% dos jovens declaram consumir álcool em família aos 13 ou 14 anos. O consumo

pode ser enquadrado assim por adultos que são pródigos de uma certa “educação” para as bebidas com álcool. Apesar de tudo o “bebe se queres ser um homem” continua bem ancorado na nossa sociedade. Com a idade, as formas de consumo diversificam-se gradualmente: o fim do copo de vinho em família transforma-se na “narça” ou na “besaina” do fim de semana. Para tentar compreender este novo problema social, certos sociólogos e psicólogos vêem uma exteriorização do stress, da pressão da sociedade cada vez mais pesada. Assim a incerteza no futuro e ao mesmo tempo a obrigação de conseguir um curso ou um emprego levariam os jovens a perderem-se no álcool para melhor esquecer ou usufruir do momento presente. Outros especialistas põem em causa a sociedade, mas desta vez, longe do stress dos estudos, uma forma de se sentir mais livre, mais certo de si mesmo, mais atraente, o álcool é que irá ajudar. Outros ainda falam de um simples problema de moda, vindo direitinho de Espanha ou de Inglaterra o “binge drinking”. O que é certo é que a juventude de hoje tem muitas dificuldades em se divertir sem álcool ou droga e isso é gravíssimo. Tudo o que foi evocado mais acima atesta de uma situação muito preocupante para a juventude face ao álcool e ao alcoolismo. No entanto, não podemos ver tudo de uma forma pessimista ou generalizar todos os jovens e colocá-los todos no mesmo cesto. De qualquer forma, temos o dever na escola de ser vigilantes, continuando a deixar a liberdade de o jovem tentar abandonar o álcool e compreendê-lo por si mesmo: muitos dir-vos-ão que uma boa “borracheira e uma grande ressaca acalmam …”


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JUVENTUDE CRIATIVA

Carta de um matemático intemporal José Sebastião e Silva | Mértola, 12 de Dezembro de 1914 - Lisboa, 25 de Maio de 1972 ADRIANA Lima I 11º C

Minha cara menina foi com grande consternação que tive conhecimento das tuas dificuldades este ano a Matemática e por isso me apresso em seu socorro. Será que tantos anos passados, ainda não foi possível mostrar aos alunos a beleza dos números? Ao contrário do que dizes nada há de surpreendente no meu sucesso nesta área. Nasci a 12 de Dezembro de 1914 em Mértola, no Alentejo, estudei no liceu de Beja, e, a 31 de Julho de 1937 concluí a licenciatura. Era um curso de que realmente gostava e as coisas saíam-me naturalmente, aí está a beleza da matemática, quando entendida tudo flui. Depois do curso terminado dediquei cinco anos a ensinar alunos como tu e a dar explicações. Lembrome que adorava o entusiasmo que todos tinham em aprender, pena que hoje em dia já não seja tanto assim. Estive como investigador bolseiro no Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa no Instituto de Alta Cul-

tura e foi nesta fase que publiquei um dos meus primeiros trabalhos de investigação na Portugaliae Mathematica. Em Fevereiro de 1942 fui finalmente contratado como 2º assistente da Faculdade de Ciências de Lisboa, e no ano seguinte, obtive uma bolsa no Instituto de Alta Cultura que me permitiu ir trabalhar em Roma ,tendo aí tido oportunidade de publicar mais alguns trabalhos nos Rendiconti dell’ Accademia Nazionale dei Lincei. Como vês Adriana, quem espera sempre alcança. Mas acho que, como acontece a todos, senti vontade de variar um bocadinho, e regressei a Portugal em Dezembro de 1946, onde voltei a leccionar na Faculdade de Ciências de Lisboa e foi aí que em 1949 me doutorei em Ciências Matemáticas com a classificação de 18 valores. Para essa prova apresentei a tese “As funções analíticas e a análise funcional”. Nada disto me impediu de ter uma vida normal e prosseguir outros

interesses. A ideia de que os matemáticos e os cientistas são uns tontinhos que vivem noutro mundo não pode ser mais falsa. Toda a realidade é matemática, daí nós vivermos absolutamente no real. Casei, e tive três filhos, por acaso o Carlos Sebastião também teve dificuldades na trigonometria, é o teu caso, não é? Como lhe disse a ele, não te aflijas, é só preciso porfiar, continua a esforçar-te que tudo acabará em bem. Em 1960 fui nomeado, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa. Até Julho de 1970 exerci aí o ensino da Análise Superior, salvo durante dois anos em que uma comissão de serviço me libertou de qualquer cargo docente, para plena consagração ao planeamento e elaboração de textos didácticos para o 6º e o 7º ano dos Liceus, no âmbito de um projecto da OCDE com vista à actualização, à escala europeia, do ensino secundário da disciplina de Matemática. Escrevi então o Compêndio de Álgebra para o 3º ciclo,

bem como a Geometria Analítica para o último ano do ensino secundário - aposto que a compreenderás bem quando lá chegares. Passei, assim, quase toda a minha vida, a tentar que os outros gostassem tanto de matemática como eu gostava. Inspirei-me em outros grandes amigos, tais como Francisco Gomes Teixeira e Bento Jesus Caraça sobre os quais também deverias procurar saber alguma coisa. Adianto-te que tínhamos em comum a paixão pela matemática, e que, se lhes escrevesses, certamente te diriam o mesmo que eu: é preciso insistir até que se compreenda a beleza e a pura simplicidade dos exercícios. Tudo está ligado, é só preciso concentrares-te e abrir o espírito às soluções de cada problema. Elas estão ali, bem próximas de ti. Como Faraday disse “a matemática é como um moinho de café que mói admiravelmente o que se lhe dá para moer, mas não devolve outra coisa senão o que se lhe deu.”. “Os números governam o mundo”

Adriana, disse-o Platão e digo-to eu agora. Espero ter ajudado nalguma coisa, mais que não tenha sido no incentivo. Alguma dúvida ou algo que precises, escreve.

Cumprimentos, José Sebastião e Silva

No final de contas... nem começou O momento certo para tudo acontecer tinha fugido por entre os dedos MARIA INÊS | 12º A

No final de contas o sonho era demasiado grande e não passou de uma mera ilusão; no final de contas as pessoas eram demasiado pequenas e não quiseram lutar e tentar o impossível; no final de contas o mundo continuava redondo e girando sobre si mesmo e não conseguiu tranformar-se. No final de contas... nem começou. Não foi preciso fechar os olhos e adormecer, simplesmente apareceu na minha mente quando me encontrava presa num trânsito infernal, a ideia agradou-me e guardei-a com cuidado para não a perder, afinal a ideia era genial. Todos os dias ficava presa no trânsito e todos os dias, também, eu me lembrava da magnífica ideia que me passara na cabeça. Contei a algumas pessoas que me poderiam ajudar, contei-a à minha família, aos meus amigos e à pessoa que durante

10 anos havia estado junto a mim. Todos me chamaram louca , todos disseram que queria o impossível. Mas para mim o impossível era tão simples, tão fácil, mas ninguém queria saber. A ociosidade dominava essa gente, impedia-a de me acompanhar, de sonhar como eu. Queriam um mundo melhor, mais perfeito, mas isso dava trabalho e ninguém queria trabalhar. Houve quem me respondesse que um dia talvez pudesse ajudar-me mais tarde, mas mais tarde era tarde de mais. Eu precisava delas, sozinha nada conseguia, mudar um mundo inteiro não é fácil mesmo quando é todo o mundo a ajudar e sozinha é que era mesmo um sonho e daqueles que, além de impossíveis, é ainda difícil. O que eu pedia era tão simples, tão fácil, mas ninguém se predispunha a ajudar. O tempo foi passando

e eu, impotente, nada conseguira ainda fazer; o sonho, que não passava de um ideia louca, continuava latejando na minha cabeça. Todos os dias eu me lembrava dela, mas nada conseguia fazer. O tempo continuou a fazer das suas e continuou passando por mim e pelo mundo, o mundo envelhecia e, com ele, eu e todos aqueles com quem eu tentara falar. Quando a preguiça humana perdera forças devido a efeitos colaterais da idade, houve quem refletisse no mundo e tivesse enfrentado a realidade. O meu sonho, que passara de ideia louca a impossível, tinha-se tornado numa ideia genial. Faltava algo e só agora havia sido notado. Todos com quem havia falado tentavam pôr em prática a ideia que eu havia tido. Na altura teria sido mais fácil do que impossível; hoje, era muito mais impossível do que

fácil. Lutar continuava a dar trabalho e tudo acabou por desistir. O tempo tinha passado e o momento certo para tudo acontecer tinha fugido por entre dedos e dedos que não quiseram. A vontade de fazer melhor e transformar desvaneceu-se e tudo ficou igual a hoje, a ontem e a amanhã. E sabem o que é que eu queria mesmo? Qual a minha ideia genial? Eu só queria amar, e ninguém me deixou. O mundo era acelerado de mais para pensar num próximo e nem havia tempo para amar. Quis eu mudar isso, mas chamaram-me louca e, no final, era uma ideia genial. Mas, quando o egoísmo do Homem em pensar num próximo o torna num bicho, amar já não é de forma alguma possível, e lamentamse porque não houve tempo para mudar enquanto tempo era. Falta de tempo que não passou senão de

preguiça humana. O mundo continuava sem amar e girava sozinho sobre si mesmo. Sonhar é uma característica inata do ser humano, uma característica que todos nós herdamos de antepassados. Uns sonham mais do que outros, uns têm melhores sonhos do que outros. Uns concretizam esses mesmos sonhos, outros ficam olhando o céu à espera de um milagre e, quando vêem que ele não acontece, o tempo já passou, o momento já não existe e a iniciativa já fez as malas e partiu. É assim, sempre o foi e sempre será. A preguiça vence a vontade e sonhadores tornam-se miseráveis perdidos de si, do mundo e de todos. E, no final de contas,... nem começou, não houve tempo e a vontade fora demasiado pequena.


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JUVENTUDE CRIATIVA

Da monarquia à República A História contada pelos alunos ANA BORGES | BERNARDO LOPES | MORGANE PODENCE | TIAGO MOREIRA | 9ª B

Era uma vez um rei...e uma monarquia. Era uma vez um rei... chamado D. Carlos. Este reinava num pequeno país à beira-mar, chamado Portugal. D. Carlos vivia com grande luxo e pompa, rodeado pela sua corte, levando uma vida de muito lazer: ora eram caçadas, ora eram passeios de iate ou enormes banquetes...pagos com dinheiros públicos. Enquanto isso, a população morria à fome, de tuberculose, sem dinheiro, sem emprego... O rei também começa a ser acusado de não defender os interesses de Portugal. Porquê? Por ter cedido ao Ultimato Inglês (1890)! Os sentimentos de revolta começam a manifestar-se... No dia 31 de Janeiro de 1891, a

conspiração é posta em prática, mas...Mas fracassa! O “povo” não desistiu e, de norte a sul do pequeno Portugal, entoa-se a canção revolucionária: A Portuguesa. Mais...este “povo” arregaçou as mangas, angariou fundos e comprou uma embarcação de guerra, a que deu o estrondoso nome de Adamastor. Já que o rei não luta por Portugal, lutaremos nós! O rei, incomodado por este espírito revolucionário, concede plenos poderes a João Franco. Este, para travar os ares de revolta, persegue todos os que se manifestam contrários ao rei. Mas a actuação de João Franco não fez parar a população descontente... A 1 de Fevereiro de 1908, quando o rei regressava de Vila Viçosa, foi

assassinado no Terreiro do Paço, por dois elementos, supostamente financiados pela Carbonária. Com ele morre o príncipe-herdeiro...Na carruagem, a rainha defendia-se com um ramo de flores que lhe fora oferecido. Os regicidas foram Manuel Buiça, transmontano (Vinhais) e atirador de 1ª classe, e Alfredo Costa, um fanático. Ambos foram mortos na praça pública. Como o trono é hereditário, Portugal tem novo rei, D. Manuel, filho mais novo de D. Carlos. Mas, a 5 de Outubro de 1910, este, pressionado pelas forças revolucionárias é obrigado a fugir para Inglaterra. Termina a Monarquia Portuguesa para dar lugar à República!

Péricles

O homem que marcou um século Bruna freitas | 10º E

Sendo os alunos de 10ºE alunos de Artes Visuais, foi-lhes solicitado, em História e Cultura das Artes, que representassem Péricles, não só por escrito mas também numa perspectiva prática, explorando a imaginação e a criatividade. Péricles terá nascido entre 495 e 492 a.C. e descendia de uma poderosa família ateniense.

Armando Pires

Nos inícios de 460 a.C., Péricles exerceu um cargo importante levando Atenas ao apogeu económico, cultural e artístico, demonstrando inteligência na forma de governar. Como grande defensor da democracia, preocupou-se em vigiar as leis existentes, diminuir o papel dos nobres e ricos no tribunal do areópago; aumentar o poder da assembleia e do

Vanessa Rodrigues

tribunal do povo; reconstruir a cidade, destruída pelas Guerras Persas. Mas nem tudo lhe correu bem...Os conservadores começam a criticar a sua governação e Esparta declara guerra a Atenas. Inicia-se a Guerra do Peloponeso. Atenas resistiu... Péricles morrerá pouco depois (em 429 a.C.) vítima da Peste que grassou na cidade já degradada pela guerra.

Mariana Lourenço

Vales pelo que dás? MARIA INÊS | 12º A

Arrumados os últimos enfeites é hora de fazer um balanço a esta época de festividades. O Natal já lá vai, o ano que começou vai contando os novos dias e os Reis, seguindo o lendário GPS, chegaram ao seu destino. O regresso a casa foi tranquilamente normal e mataram-se as saudades de toda a família, que se não esteve por perto, veio deixar os presentes debaixo da árvore, para que a tradição do Natal seja cumprida. As outras tradições, aquelas de se fazerem os doces natalícios e de ir, com a família, assistir à missa do galo, vão sendo substituídas pela nova e tão melhor do sec XXI. Esta tradição arrasta os portugueses para os centros comerciais a fim de comprar a melhor prenda para oferecer. Tão pouco importa estar reunido, o que mesmo se valida é receber o melhor presente e dar um ainda melhor. E isto não é apenas conversa. Apesar da crise, em 2010, os portugueses gastaram 784 milhões em compras, pagas por multibanco, mais 14.6 % face ao ano anterior (crise?, qual crise?). Em 6 dias (20 ao 26 de Dezembro) fizeram-se 17 milhões de compras e conseguiram-se levantar, nas caixas mul-

tibanco, mais de 578 milhões de euros. FMI onde estás tu? Apesar de terem menos dinheiro os portugueses gastaram mais e isso só reafirma que cada vez mais as pessoas parecem por aquilo que dão e não por aquilo que são. É muito triste, meus senhores, mas vende-se o coração pelo dinheiro e pelo que este pode dar e não por sentimentos, como outrora fora tão comum. O materialismo é a epidemia das gerações vindouras, já se entranhou e cada vez se dissemina mais depressa. Até já se faz sentir na quadra natalícia. A troca de presentes passou a ser o momento alto das festividades. E os gestos de carinho vão sendo rasgados e postos ao lixo, como os embrulhos de Natal… Pergunto-me se será assim tão difícil regressar aos primórdios e voltar a dar valor ao verdadeiro sentimento de sentir, aquele que nos tocava bem cá dentro, no coração. Aquele sentimento de compaixão e cumplicidade que fazia parte não só do Natal, como de todo o ano. Aquele sentimento que fazia sorrir verdadeiramente. O receber um sorriso em troca de um gesto carinhoso, era tão bom… Esse era o melhor dos presentes!


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Entrevista com o professor João Cabrita “Vendem-se muitos livros em Portugal, mas eu não penso que se leia muito” ISABEL PIRES | 9º C

A literatura é significativa dos valores, das concepções, dos saberes que os professores ou os adultos, em geral, querem transmitir, pelo menos do que lhes parece transmissível através dos livros, sendo assim um interessante espelho social. Neste contexto, conjuntamente com o professor de espanhol, foi realizada esta entrevista ao professor João Cabrita, professor de Português, com vários livros publicados e colaborador da biblioteca da nossa escola.

uma maneira carinhosa, de uma maneira agradável, de uma maneira que quem não lê, não constrói um texto e não percebe o enunciado que se solicita em exames, em provas, etc.

A literatura que mais lemos hoje não é algo angustiante? (muita violência…racismo, outros temas…)

P - Não acha que se nota um certo desinteresse dos media pela literatura para os jovens? Porquê? R - Sabes, eu não acho que haja desinteresse na literatura para jovens e penso mesmo o seguinte: nunca se escreveu tanto para jovens, nunca se falou tanto na literatura infanto-juvenil como agora. Penso até que é uma terminologia adequada. Quando eu andava a estudar e tinha a tua idade, não havia esta literatura infanto-juvenil. Os jovens liam… O que é que havia de literatura infanto-juvenil? Vamos lá ver: Júlio Diniz lia-se nessa altura. Não se pode dizer que Júlio Diniz fosse um autor de literatura infanto-juvenil. Mas não havia, concretamente, um espaço de literatura que nós chamássemos infanto-juvenil. Hoje proliferam em Portugal autores que escrevem exclusivamente para jovens. Há bibliotecas para jovens onde os jovens, naturalmente, têm os seus livros. Esse conceito de não haver literatura para jovens, na minha opinião, não é verdadeiro porque há, hoje, um mercado vasto, tal como há um mercado direccionado para jovens. Mesmo na televisão, há séries para jovens que são retiradas de livros exclusivamente para jovens. Esta é a verdade.

A biblioteca (professores), tem um papel importante enquanto mediadora entre os professores e os pais em relação aos alunos e à leitura. Sendo a finalidade da escola formar pessoas livres e com princípios, qual o género literário que mais aconselham? Bem, em relação a isso, não há dúvida nenhuma que o professor é um mediador entre a escola e o aluno. Agora, em relação aos pais…

Há pais e pais, não tenho dúvidas. Há pais que pretendem exclusivamente que os filhos atinjam determinado desiderato, não interessa como; há outros que se interessam pela leitura dos filhos. Vendem-se muitos livros em Portugal, mas eu não penso que se leia muito em Portugal. Agora, o professor, naturalmente, ao incutir no aluno o gosto pelo livro, tem de ser o primeiro a gostar do livro. Só que há, neste momento, muitos concorrentes do livro. Chega-se a casa tarde e a más horas porque a escola acaba por absorver toda a vida do aluno, não vou dizer com algumas coisas inúteis, mas acaba por absorver toda a vida do aluno. Comparando o leque de matérias que hoje temos com o leque de matérias que havia no meu tempo… Antigamente havia muito menos disciplinas. Havia talvez um ensino mais especializado. Ora, o aluno não tem tempo para as leituras porque tem uma série de meios de comunicação que disputam ferozmente e acabam por criar um mundo feérico

no jovem que o conduz a espaços utópicos que ele não alcança. O professor é, naturalmente, o grande mediador, vamos lá, entre o livro e o aluno. Há bons e maus alunos. O bom aluno estuda para ter boas notas e estuda, eu não vou dizer quase até à exaustão… Os bons alunos, muitas vezes, não lêem porque não têm tempo. Ao não terem tempo, se se convida um aluno a ler livros, se se convida um aluno a participar em determinados concursos de leitura, os bons alunos, de um modo geral, rejeitam esta hipótese. Rejeitam esta hipótese porque não têm tempo para se dedicar aos livros. O professor só pode colaborar com o aluno que queira, efectivamente, ler. Aqueles que não têm tempo, dão as mais variadas justificações, muitas vezes plausíveis. É impossível obrigar os alunos à leitura. Não há dúvida nenhuma que quem não lê, não sabe! Quem não lê, não sabe escrever. Porque para nós escrevermos, temos que ler. Temos que ler! Aqueles que constroem um texto de

Eu acho que não. O ser inteligente é ter a capacidade de perceber, de escolher aquilo que trazem os livros. Nós temos que ter essa possibilidade. Há livros de todo o tipo, há textos de todo o tipo, há cultura de todo o tipo. Nós temos, naturalmente, que saber escolher. Por vezes, temos dificuldade em escolher qual é o livro melhor ou o livro pior, acontece, porque a capa não é suficiente para nos dizer se um livro é bom ou é mau, mas, há, realmente, literatura angustiante. Quando nós abrimos um programa de televisão, nós sabemos escolher aquilo que nos interessa e aquilo que não nos interessa. Além disso, temos professores, pais, pessoas que nos podem encaminhar num livro. A vida de hoje também não é uma vida fácil. Neste momento vivemos num período de crise. É natural que esse período de crise seja transportado para o livro. Não vamos ler só livros de final feliz. Não vamos pensar que a vida é uma coisa fácil, porque não é. É natural que o livro, muitas vezes, transmita algo angustiante. Não podemos viver num mundo irreal, num mundo virtual. É importante que os jovens e toda a gente saiba que se vive com dificuldades, que há gente que passa fome. Isso está no livro. Mas, naturalmente, podemos tentar seleccionar as bibliotecas que devem ajudar não só os jovens, mas também toda a gente a escolher um livro e retirá-lo da literatura chamada angustiante.

O livro não deveria oferecernos referências fortes para podermos viver mais em segurança? Qual seria a literatura nesse sentido? O livro dá-nos essa segurança. Eu não leio por modas. Leio os livros que penso que serão capazes de me satisfazer em determinado momento. O livro também nos dá

referências fortes e nós estamos sempre em comunicação uns com os outros. Estou-me a lembrar por exemplo de um livro de Trindade Coelho, que é um homem aqui da região. O livro “Os meus amores” é um livro que nos dá referências fortes e se pode ler muito bem com referências de Trás-os-Montes. Mas há outros que não. Reflectem a vida. Por exemplo, Saramago, que é para alguns um mal-amado, dá-nos referências em relação à História de Portugal, em relação àquilo que flui, a grande reportagem das classes operárias em Portugal, por exemplo no “Memorial do Convento”. De algum modo, é capaz de nos dizer que afinal quem construiu o Convento de Mafra não foi D. João V na sua omnipotência, mas foram os trabalhadores que morreram lá. Para mim… Quando eu tinha a tua idade, era natural que tivesse as minhas dificuldades: dificuldades em saber qual era a literatura que me dava mais segurança. Mas depois de eu ter lido tantos livros! Sabes, vai-se conquistando alguma segurança com muitas leituras. E quando vemos que um livro não nos interessa, tal como uma companhia não nos interessa, somos capazes de o pôr de lado. Portanto, os livros dão-nos experiência desse conhecimento. Aqueles que não nos interessam, pomos de lado para ler um dia mais tarde. Penso que é isso.

Concordaria que existisse na escola um manual de instrução cívica e moral? Ah, sim. Sim. Nós somos alunos toda a vida. Tu és aluna, eu sou aluno. E serei aluno até a razão me conduzir até ao fim da vida, imaginemos. Eu serei sempre um aprendiz. Portanto, ter um manual cívico… Todos os dias eu aprendo. E ninguém diz que sabe tudo. Quando eu disser que sei tudo, naturalmente não estarei na plena posse das minhas faculdades mentais! Um manual que realmente saiba mais que nós e há manuais de tudo: há manuais de comportamento, há manuais de viajar… Um manual faz sempre falta porque há sempre alguma coisa que nós não sabemos e que podemos consultar num livro.


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CRÓNICA

Srª. Literatura, saia de cena, por favor FERNANDO BRANCO

A

ntes que seja tarde, e o leitor já não tiver remédio na recuperação do seu tempo perdido, que nenhum Proust há-de ajudar a recuperar, aviso já que sou parte interessada e suspeitíssima no que a este tema respeita, por vários motivos que me dispenso elencar. Assim, quem procurar aqui distanciamento ou neutralidade bem pode bater a outra porta ou pregar para outra freguesia. Avanço também que quanto mais avanço nos anos, ou os anos por mim avançam, me vou cristalizando num conservadorismo aterrador, avesso às mudanças, pouco compatibilizado com o mundo tecnológico do séc XXI onde abruptamente caí, sem ter sito tido nem achado. No presente estado da arte, salvo seja, afigura-se-me aliás a única atitude saudável, embora não pareça; que depois dos cinquenta é melhor conservar o que resta do que esperar amanhãs que cantam salmos, responsos, requiems ou missas de Sétimo Dia. “O Ensino da Literatura na Actualidade”: foi subordinado a este tema que o presente sermão me foi encomendado pelo Director deste jornal e por ser um tema tão vasto, complexo e candente, de múltiplas possibilidades e ramificações, já certamente se aperceberam que estou para aqui a encher chouriços de papel, com tanta vontade de entrar no assunto como numa acção de formação sobre quadros interactivos. Bem, mas lá terá de ser, embora a matéria não se compadeça com o espaço habitual de um artigo num Jornal de Escola. É caso para dizer, com a propósito, que o assunto nos levaria longe, e eu hoje pretendo ficar por perto.

Considerando que a literatura é uma amálgama sincrética e compósita de vários saberes, experiências, sentimentos, sensações, tomados enquanto matéria sensível destinada a despertar as mais diversas emoções estéticas, e nem só, nos diferentes agentes da leitura ou da recepção, podemos concluir que ela poderá ser um bom agente didáctico e pedagógico não só das aulas de Língua Portuguesa como das aulas de qualquer outra disciplina, que tanto quanto me é dado saber não são leccionadas em chinês ou aramaico. Por isso estranho sempre a sanha com que os diversos agentes da educação se encarniçam sobre os infelizes professores de Português perante o insucesso dos alunos, tornando-os pau para toda a pancada e bodes expiatórios quanto baste, como se somente sobre os seus ombros assentasse a voz da nação ou a honra da pátria. “Eles não sabem português!” Ouvimos, qual sino da minha aldeia dolente na tarde calma (…) cada tua badalada tem o som de repetida. E daí? Ensinem-lhes! Será que não se podem aplicar resumos, sínteses, comentários, interpretações, relatórios, etc., etc., às matérias de todas as disciplinas? Quero com isto dizer que todos os professores são naturalmente professores de Português dentro dos justos limites do uso que da nossa língua fazem, quer oralmente quer por escrito. Poderia aqui explicar por a mais b mais c mais d que num exame de 12º ano de Português um aluno com cerca de uma centena de erros pode perfeitamente ter uma nota, vamos lá, média, seguindo, o corrector, rigorosamente os Critérios de Correcção emanadas do GAVE. E o contrário também acontece, um aluno brilhante na escrita sair de lá com um

quinzezito, ou pouco mais. Ou pouco menos. Mas isto, vendo bem, de pouco interessa para esta missiva. Deixemos a catarse fazer o seu caminho, que bem útil pode ser nos tempos que vão correndo. Ou parando. Retiro daqui, claro está, por razões óbvias, os professores de Inglês, Alemão e Espanhol; a concorrência é sempre bem-vinda e saudável. Já ouvi esta pérola em qualquer lado! Por mais de uma vez. Regressando ao tema da Literatura: temos que o texto literário poderá ser um bom instrumento de sensibilização e motivação do aluno para um conteúdo mais cerrado, para uma aprendizagem mais agreste, desde que criteriosamente seleccionado e sabiamente trabalhado. Na nossa escola há aliás exemplos felizes dessa interdisciplinaridade que por conhecidos me dispenso de nomear. Ao longo dos tempos os textos literários funcionaram sistematicamente como repositórios ancestrais de memória dos homens e de povos, modelos a que o indivíduo recorria na nobre tarefa de comunicar correctamente quer pela palavra oral quer pela palavra escrita. A correcção linguística era o centro de toda a actividade intelectual nos diferentes níveis de ensino e nas diferentes áreas do saber. O logos grego engloba simultaneamente pensamento e linguagem numa síntese inextrincável. Após um período de crise por que passaram os estudos literários na América - de onde tudo parte, seja a crise do sub prime, sejam as mo-

das por onde se veste outra prima qualquer, e que parece, profeticamente, ter pronunciado outras crises mais vastas e arrasadoras - os textos literários regressaram aí gradual e paulatinamente aos Curricula, nas mais selectas escolas superiores, não só obviamente nos cursos de humanidades, mas inclusive nos tecnologicamente mais avançados - de ponta, como soe dizer-se - com resultados, dizem os registos, surpreendentes. Simultaneamente, a fazer fé nas declarações do professor Nuno Crato, matemático de altíssimo nível, foram retirados das salas de aula os computadores, porque agentes perturbadores da normal e indispensável concentração dos alunos. Desde já avanço - antes que algum elemento integrante da furiosa claque dos Super Magalhões desate a arremessar para o meu meio campo isqueiros, telemóveis ou very lights; ok, moedas, nos tempos que correm, pode ser - que eu próprio devo aos computadores o desenvolvimento de trabalhos que nunca atingiria sem o seu precioso e para mim indispensável auxílio. Mas uma coisa é a utilização da técnica ao serviço do homem, outra bem diferente é pôr o homem ao serviço da técnica de forma totalmente acrítica e irracional. Por ser moderno? Ó senhores, ao tempo que o moderno deixou de ser moderno: que moderno agora, até ver, é o pós-moderno. Portanto, se quiserem, vão de mula meus caros e não chateiem! Que a um morto nada se recusa e eu por força quero ir de burro. Dando testemunho dos meus trinta anos (irra como o tempo passa, Proust, Proust …) de professor e dos meus 46 de frequência de salas de aula, ininterruptamente, (se isto não


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CRÓNICA

merece já uma reforma de 10 000 euros, ó Mira, ó Teixeira regressai que estais perdoados) comprovei sempre que os melhores alunos, os mais brilhantes, mesmo nas áreas de ciências tinham um especial gosto pela literatura e eles mesmos cultivavam com esmero o gosto pela escrita literária. Eram, digamos assim, escritores em potência. Temos exemplos bem conhecidos nesta escola. Mas não vou dizer quem. Não insistam! Arre, que são curiosos! O Carlos Trancoso, o Jorge Nogueiro, a Ana Luísa Silva, etc., etc., etc. Mas a literatura em Portugal, fustigada pelos papistas da linguística, muito mais papistas que o papa Ferdinad de Saussure, vão passo a passo expulsando a literatura, os grandes autores e as grandes obras dos diferentes programas nos diversos níveis de ensino. Limitando-me aos programas do Ensino Secundário, constato, de memória, terem sido rasurados, nos últimos anos as seguintes temáticas, correntes ou autores: toda a Lírica Trovadoresca (Cantigas de Amigo, de Amor, de Escárnio e Mal Dizer), o Cancioneiro Geral, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Bernardim Ribeiro, o Garrett das Viagens da Minha Terra e das Folhas Caídas, Camilo Castelo Branco, José Régio, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, Vergílio Ferreira, etc., etc. Não nego que no seu lugar se colocaram conteúdos a todos os títulos estimulantes, excitantes mesmo: guiões de telenovelas, receitas de medicamentos,

slogans, publicidade, propaganda, banda desenhada, sms, convites, avisos, recados, blogue, fórum, normas, notícias, reportagens, entrevistas, cartas de toda a ordem, para o bebé, para a mamã, para a titi, para o bichano; e contratos, e declarações, e requerimentos, e regulamentos. Há lá nada melhor que a leitura e a análise de um regulamento! Se está triste, deprimido, cortado de vencimento, se tem problemas de acne, perturbações de sono, azias, distúrbios biliares, ansiedades, palpitações, micoses, défices externos, balança desequilibrada, por que está à espera? Vá, ande, leia um regulamento. Interno, se puder ser! Para me facilitar a tarefa – que a minha cabeça já não é o que era, sobretudo ao nível do couro ex-cabeludo - convocarei a este artigo afirmações da nossa bem conhecida colega e escritora Maria do Carmo Vieira inscritas, como epitáfios, no seu O Ensino do Português. Livro, aliás, que recomendo vivamente; raramente quatro euros e noventa e sete cêntimos poderão ser tão bem empregues. Ficar-me-ei por afirmações a abrir o ensaio, assim à mão de semear os ventos, ou para não ser acusado de ter posto demais na minha carta. Referindo-se à mudança instituída pela reforma de 2003 – 2004, sustenta que criou “um conflito irresolúvel entre ensinar e aprender, saber e competências, passado (“velho”) e presente (“novo”). Daí a secundarização dos conteúdos e o menosprezo pelo património artístico que representa a

Literatura, bem como pela formação científica do professor, a que se junta a criação de um “perfil” que lhe retira a sua individualidade” . Considera ainda que esta reforma foi implementada “na base de teorias pedagógicas polémicas, já avaliadas e ultrapassadas, mas aceites acriticamente, e se foi alicerçando o vício da facilidade, da ausência de reflexão e de criatividade, bem como a crença no êxito imediato e sem esforço, em tudo contrário à experiência da própria vida, do saber e da arte” . Devo dizer que embora sendo sensível à convicção e à paixão que Maria do Carmo Vieira põe na defesa da sua causa, não ignoro a radicalidade com que ocupa a sua trincheira, nem a rigidez com que circunscreve o seu território. O que é certo é que as circunstâncias parecem dar-lhe razão, se tivermos em conta o facto observável a olho nu de que a gradual retirada dos programas de Português da Literatura tem acompanhado a progressiva degradação da qualidade da compreensão e expressão escritas por parte dos discentes. E todas as estatísticas nacionais e internacionais nos indicam que o sucesso escolar dos alunos está intimamente ligado, entre outros aspectos, naturalmente, a uma prática sistemática da boa leitura. Claro que foi uma iniciativa meritória a criação do Plano Nacional de Leitura, com resultados positivos, sem dúvida. Mas sobre a selecção dos autores e obras integrantes do referido

Plano haveria muito a dizer, mas, francamente, hoje não estou para isso. Diga lá, Maria do Carmo, qualquer coisa sobre o Plano. Com cuidado, vá! - “O PNL integra, com a sua chancela imperativa, obras de uma pobreza confrangedora do ponto de vista linguístico, estético e até temático, deseducando a sensibilidade dos alunos pela sua convivência com textos medíocres, na sala de aula” . - Chega, chega, que mau feitio! Retiro-lhe a palavra. E, já agora, a escritora Isabel Alçada, aqui mesmo à bica, também nossa colega, o que me diz do Plano Nacional de Leitura? - Bah! Comer bem é fundamental! Beber também, e dormir, então, ó, ó, shsssssss!!! - Sim, claro, de acordo. Mas e o Plano, o que acha do Plano? - Depois de dormir bem é necessário descansar um pouco. Dormir cansa muito! Ufff! - Apoiado! A quem o diz. E sobre o Plano? Vá lá, uma aventurazita com 5 palavrinhas, no máximo! O Teófilo Vaz, meu Director Interino, há-de apreciar! - “Gostaria apenas de deixar claro que discordo de listas de livros ainda que apresentadas como sugestão” . Essa, agora! Isto já é demais! Fim de papo.


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Olimpíadas de Química

FORMAÇÃO DE ADULTOS

Equipa da Emídio Garcia ganha o 1º Prémio

A REALIDADE DA UTOPIA

ADRIANO VALADAR

RAÚL GOMES

A física e a química revelam-se, certamente para muitos alunos, matérias difíceis, mas a sua dificuldade, com um trabalho regular e com professores sempre presentes e atentos, é claramente ultrapassável. Isso ficou demonstrado pelo grande número de estudantes que participou na 6ª edição da fase regional de Bragança das Olimpíadas de Química 2011, que teve lugar no dia três de Fevereiro de 2011 na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTIG). Os nossos alunos, que já nos habituaram à excelência nas diversas áreas de ensino, arrancaram, mais uma vez, o primeiro prémio desta eliminatória. A equipa vencedora da Escola Secundária Emídio Garcia era constituída pelos alunos Telma Cid L. Moreno, do 11ºB, Joana da Fonseca Piloto, do 10º B e Ricardo Rodrigues J. P. Rodrigues, do 11ºB. O segundo lugar foi para a Escola Secundária de Macedo de Cavaleiros e o terceiro lugar para a Escola Secundária Abade de Baçal de Bragança. A nossa escola contou com a participação de mais uma equipa consti-

tuída pelos seguintes alunos: André Filipe Fernandes, do 10º B, Filipe Rodrigues P. Pinto da Mota, do 10ºB e Nuno Miguel Lopes Fonseca, do 11ºB. A prova dirigia-se aos alunos do Ensino Secundário, do 10º e 11º ano, tendo contado com a participação de 75 estudantes e 25 equipas, tendo cada uma 3 elementos, e sendo provenientes das diversas Instituições secundárias de ensino do distrito, designadamente das três escolas secundárias de Bragança (Abade de Baçal, Miguel Torga e Emídio Garcia), assim como das escolas de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vinhais. A equipa vencedora terá a honra de representar Bragança na semifinal, no Porto, de onde sairão os seleccionados para a final em Aveiro. Daqui serão escolhidos os alunos que integrarão a equipa nacional que representará Portugal além-fronteiras, nas Olimpíadas Internacionais e nas Olimpíadas Ibero-Americanas. Efectivamente, trata-se de participações que nos são familiares, foi onde brilhou e dignificou a nossa escola,

com uma menção e uma medalha, o aluno Jorge Nogueiro. A ESTIG e a Sociedade Portuguesa de Química foram os organismos organizadores e, por conseguinte, coube-lhes a produção das provas, que compreendiam duas partes, uma teórica e uma prática. Era proposto aos participantes uma experiência (adaptada aos currícula de 10º e 11º ano), onde seria necessário determinar a concentração de Ácido Acetilsalicílico, uma substância componente do famoso medicamento Aspirina. O objectivo destas Olimpíadas foi conseguido, tendo-se reflectido no entusiasmo de todos os concorrentes e responsáveis pela organização do evento. Todos estão de parabéns pelo investimento fornecido, especialmente os vencedores, pois o concurso responde a uma lógica diferente, visa atingir uma performance, ambicionar ser o melhor e encontrar no mais profundo de si mesmo os recursos para se distinguir. Não será isto a investigação?!...

A Educação e Formação de Adultos constituiu-se, desde sempre, numa preocupação dos sistemas democráticos que, lançando mão desta modalidade formativa, desejam promover as habilitações académicas e profissionais dos adultos. Pretendendo cumprir assim um dos princípios fundamentais da democracia, que se baseia na igualdade de oportunidades e no livre acesso à educação formal, tais sistemas orientam a formação de adultos para uma vertente na qual a educação para uma cidadania activa e participada se assume como fim último de todo um ciclo de estudos. Por este facto, embora o modelo se encontre formalmente enquadrado num esquema conceptual devidamente fundamentado, é desenhado de modo a poder corresponder às necessidades formativas de cada cidadão, de acordo com as competências que apresenta aquando da sua integração numa das modalidades de formação de adultos que se encontrem disponíveis. Com efeito, e embora o princípio da universalidade da educação esteja sempre presente, o modo como este desígnio se tem concretizado em cada época, tem variado de acordo com as políticas e as circunstâncias que cada governação vai definindo e que, por vezes conduz a formulações mais ou menos afastadas do que deve ser o valor da formação ao longo da vida. Entendemos por isso que conceber um modelo educacional para adultos ao qual subjaz o imperativo de certificar mais em menos tempo ou de qualificar tendo como base a aquisição de competências mínimas, obscurece o que é a essência do ser humano e desvirtua tudo aquilo,

que através da história da humanidade, tem sido o caminho de quantos compreenderam o valor da educação como forma de ser mais e ser melhor. Contase que estando um dia, o futuro Alexandre Magno a ter aulas de matemática com o seu pedagogo, este lhe propôs um exercício que se revestia de algum grau de dificuldade. Perante isto, terá contestado o futuro imperador: “Mas não há uma forma mais fácil de fazer isto?” ao que o mestre respondeu: “Nos reinos de seu pai existem estradas para os pobres e outras para os ricos, mas na matemática o caminho é igual para todos.” Sob este ponto de vista, a educação formal de adultos tem necessariamente de contribuir para a dignificação do indivíduo tendo em consideração o desenvolvimento das suas competências mediante a realização de um percurso que lhe permita a reflexão, a sistematização e também a dúvida de modo a poder interrogarse e a compreender a dinâmica da vida em sociedade e a importância do seu “Eu” enquanto ser em relação com os outros. Propor estes percursos formativos é concretizar os valores universais e uma utopia (na acepção que Thomas More lhe atribuiu) onde os princípios da Liberdade e da Igualdade se actualizam com a dignidade que merecem; realizar estas formações, hoje em dia, é apelar à reescrita de um novo paradigma que coloque os indivíduos no centro das preocupações dos governos e se relegue para o lugar que lhe é devido tudo quanto sejam estatísticas e números, mesmo que estes sejam os do sucesso.


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