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Escola Secundária Emídio Garcia nº3 | 1ª EDIÇÃO DO ANO LECTIVO 2011/2012

LICEU

o livro

da minha v ida

1ª fase das obras quase concluída

Mudança progressiva de Janeiro ao Carnaval I pg. 3

À descoberta do paleolítico superior Alunos visitaram núcleo do parque arqueológico do Vale do Côa pg. 12

DESPORTO

ARTES

DESTAQUE

CRÓNICA

Dia do Exército em Bragança

Alunos de artes animam espaço escolar

Distrito de bragança perdeu 12424 pessoas

dia da filosofia

Alunos do Escola Emídio Garcia bem classificados no corta-mato que contou com a participação de várias escolas. (pg 6)

Actividades realizadas a propósito do centenário do nascimento de Alves Redol e Manuel da Fonseca. (pg 8)

Segundo resultados dos Censos 2011 o interior não consegue inverter o esvaziamento populacional. (pg 10)

Qual a importância da Filosofia nos dias de hoje? (pg 18) Distribuição Gratuita


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Escola Secundária Emídio Garcia | Nº 3 | 1ª Edição 2011 / 2012

EDITORIAL

ALARGAR HORIZONTES O projecto do jornal “Liceu” conhece, neste ano lectivo, um alargamento de horizontes que se realizará na publicação de três números, procurando uma maior participação de toda a comunidade educativa e tentando consolidar um espaço de informação, reflexão, debate e análise crítica que seja reconhecido como útil e interessante. Por outro lado, coloca-se-nos o desafio de a Escola Secundária Emídio Garcia poder participar, com esta publicação, em concursos nacionais de jornais escolares que, na generalidade estabelecem o requisito de três publicações por ano. Tal participação, a realizar-se, pode constituir um outro patamar de avaliação deste projecto que, esperamos, venha a mobilizar o empenhamento de cada um e de todos os que sentimos o liceu como nosso. Neste número verifica-se uma clara intensificação da participação de alunos, na sequência de um aparentemente crescente entusiasmo de alguns docentes, que poderá dar ainda melhores frutos nas edições de Fevereiro e Maio próximos. No entanto, continua a notar-se que só um muito reduzido número de alunos se dispõe a participar em actividades caracteristicamente jornalísticas, condicionando uma função primordial desta publicação – informar e criar condições para que os problemas, as expectativas e as reivindicações sejam objecto de reflexão que suporte posições a assumir com seriedade e empenho. A coordenação do jornal espera, por isso, que haja condições para constituir um real clube de jornalismo, que conte com um número significativo de alunos, professores e outros elementos da comunidade educativa, grupo donde poderão até surgir outros projectos de comunicação com condições para utilizar outras plataformas como a rádio, a televisão e a web. Mais uma vez, um tema de grande destaque é o desenvolvimento das obras de remodelação, cuja primeira fase está em vias de conclusão. Apesar das nuvens ameaçadoras que a crise económica e financeira fez instalar por cima das nossas cabeças, colocando-nos quase na posição ridícula do chefe da aldeia gaulesa do famoso Asterix, sempre receoso de que o céu lhe caísse em cima, o ritmo das obras não abrandou e os responsáveis da escola contam iniciar as mudanças durante o mês de Janeiro. Um tema de grande actualidade que, naturalmente, o jornal “Liceu” não poderia deixar de trazer aos seus leitores é o resultado dos censos 2011 no que respeita ao distrito de Bragança e à sua capital. O artigo de análise da dinâmica negativa da nossa população é um contributo para a consciencialização de que as miragens, induzidas a partir do provincianismo lisboeta, ameaçam extinguir definitivamente os alentos que ainda restam por estas terras de deus. Valerá a pena realçar que esta edição conta com uma peça da autoria de um ex-aluno, animador de rádio, repórter e actualmente correspondente da estação de rádio TSF em Bragança, Afonso de Sousa que, na sequência de uma reportagem que produziu para a sua estação, se dispôs a escrever para o jornal da “sua” escola. Este pode ser um exemplo a seguir em futuras edições, com natural proveito para os nossos leitores. TEÓFILO Vaz

FICHA TÉCNICA Nº 3 I 1ª edição de 2011/2012 - Distribuição Gratuita Propriedade da Escola Secundária Emídio Garcia

LICEU - Jornal da Escola Secundária Emídio Garcia Morada: Rua Eng. Adelino Amaro da Costa, Bragança Número de depósito legal: 327700/11 Coordenação: Teófilo Vaz, Adriano Valadar, Ana Moreno e Ana Cortinhas | Design gráfico: Ana Moreno Colaboração: Direcção da Escola, professores, alunos, funcionários e encarregados de educação | Créditos fotográficos: Stock.xchng Impressão: Casa de Trabalho | Nº de exemplares: 1000

O saber vale a pena Entrega de prémios e diplomas - 2010/2011 ADRIANO VALADAR

QUADRO DE HONRA 7º Ano Inês Solange Dores - 8ºA Inês Trovisco - 8ºD Rita Trovisco - 8ºD

8º Ano António Pedro Fernandes - 9ºA Mariana Oliveira Borges - 9ºB Ana Sofia Aleixo - 9ºC Sara Lereno ramos - 9ºC

9º Ano Representante do município entrega diploma

Ana M. Barreira Gomes - 10ºC Ana Maria Borges - 10ºA Bernardo Artur Lopes - 10ºA Gonçalo João Pinheiro -10ºC Isabel Maria Pires - 10ºB Ruben Afonso Santos - 10ºC

10º Ano Ana Marta Dias - 11ºE Marta Sofia Costa - 11ºC Joana Piloto - 11ºB Filipe Mota - 11ºB Alexandra Silvano - 11ºB A comunidade escolar participou na celebração

11º Ano Decorreu na Escola Secundária Emídio Garcia a cerimónia de entrega dos diplomas e prémios, momento privilegiado para honrar as realizações dos nossos estudantes e professores, uma verdadeira festa da inteligência, do estudo e das competências, que deve ser vista não só como uma recompensa, mas também como uma marca de gratidão da escola em relação aos alunos. Foi uma alegria para os professores presentes e uma emulação para os jovens de todas as idades que integravam a assistência, vislumbrando já o futuro com um brilho nos olhos. A forte convicção assumida por este estabelecimento de ensino, exprimiu-se em primeiro lugar na voz do director da escola, o Dr. Eduardo Santos, que lamentou não poder entregar o prémio monetário aos melhores alunos devido às medidas de austeridade impostas pelo governo sublinhando, no entanto, que o mais importante é que os que terminam este ciclo de estudos vejam recompensados publicamente os seus esforços, o gosto pelo saber e as aprendizagens, em suma, o reconhecimento do mérito a todos os finalistas. Por sua vez, o representante da Câmara Municipal, o vereador Hernâni Dias, começou também por fazer alusão à ausência de prémio monetá-

rio, felicitando todos os alunos pelo investimento e esforço que fizeram ao longo do ano, honrando assim o nome do Liceu Emídio Garcia que é uma referência no distrito. O presidente do Conselho Geral da escola, Dr. Teófilo Vaz, depois de lembrar e saudar os ausentes que já frequentam o ensino superior, disse entender que é imperativo que a comunidade educativa encontre referências, sublinhando o papel decisivo das escolas - “desígnio fundamental da sociedade humana” - na formação dos jovens, na tentativa de construir homens que procurem encontrar no fundo de si mesmos os recursos para se distinguirem, para serem cada vez melhores, trazendo assim benefícios para toda a comunidade. O Dr. Carlos Fernandes, subdirector, na apresentação e entrega dos prémios, referiu o orgulho que a Escola Secundária Emídio Garcia tem na promoção da excelência e da celebração de todos os méritos: “O exemplo passa por outros alunos que atingiram a excelência na nossa escola e que continuam a levar bem longe o seu nome.” A criação deste prémio pretende manter vivos o gosto pelo saber, a pesquisa desinteressada da excelência e a valorização pela escola dos seus melhores alunos.

Ricardo Jorge Rodrigues - 12ºB Telma Cid Moreno - 12ºB Daniela Filipa Bento - 12ºA Maria Manuela Estevinho - 12ºA Armanda João Rebelo - 12ºA

12ºAno Ariana Afonso Maria Assis Ferreira João Bragada Paula Sofia Paula Ana Elisa Morais

PROFISSIONAIS 1º Ano Carla Manuela Jordão - PTDG 2 Cristiano L. Martins -PTDG 2 Rute M. Rodrigues - PTDG 2 Miguel A. Almeida - PAS 2 Nuno Miguel Pinto - PAS 2

2º Ano Ana Sofia Meirinhos - PTAP 3 Patrícia I. Granadeiro - PTAP 3 Cátia Filipa Veigas - PTAP 3 Alexandra S. Sousa - PTAP 3

3º Ano Leandro Lourenço Filipe Raul Ala Débora Raquel Concha Sílvia Cristina Pires Ana Rita Afonso


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DESTAQUE

Mudança progressiva de Janeiro ao Carnaval

1ª fase das obras quase concluída TEÓFILO VAZ

Oito meses passados aproxima-se o tempo de fazer o percurso de retorno ao edifício do Liceu, onde os trabalhos de renovação conheceram uma notória intensificação depois das securas de Agosto, quando as dificuldades de recrutamento de trabalhadores impuseram algum vagar no desenvolvimento da obra. A mudança perspectivou-se para os últimos dias da interrupção das actividades lectivas do Natal. Era, aliás, o que estava previsto nos termos do contrato entre a Parque Escolar e o consórcio que adjudicou as obras.

Fachada concluída do bloco poente

Havendo condições para que assim fosse a direcção da escola, percebendo as dificuldades que uma mudança brusca poderia acarretar, entendeu propor aos responsáveis e aos construtores um tempo de transição que possa permitir uma gradual adaptação de funcionários, professores e restantes membros da comunidade escolar. A adaptação deverá realizar-se ao longo de todo o mês de Janeiro, de modo a que, em Fevereiro, aproveitando a pausa do Carnaval se concretize, menos de um ano depois, um retorno tranquilo às instalações remodeladas. De facto, tendo em conta a nova configuração, com um corpo de salas construído de raiz, as novas instalações da cozinha, cantina e bar/ buffet dos alunos, a que acresce um conjunto de equipamentos totalmente novos, parece curial promover actividades de formação/adaptação para funcionários e professores, com o objectivo de reabrir as instalações

garantindo a optimização de todas as capacidades e funcionalidades. A proposta da direcção da escola, suportada num parecer favorável da comissão permanente do Conselho Geral, convocada especificamente para o efeito, foi bem acolhida pela Parque Escolar e pelo consórcio construtor. Assim, ao longo do mês de Janeiro, quando estiverem em curso alguns acabamentos finais, os funcionários de actividades mais especializadas, nomeadamente os que estão afectos à biblioteca, à cozinha/cantina, ao bar, à reprografia, ao laboratórios e aos sistemas de climatização poderão praticar a utilização dos equipamentos e garantir uma recepção aos alunos com plena eficácia. Também os professores, especialmente os das disciplinas que requerem uma utilização intensiva dos laboratórios e dos ateliers artísticos, terão condições para se adaptar aos novos equipamentos.

Adeus ao velho pavilhão Entretanto, já estão a decorrer os trabalhos de demolição do ginásio, que vai dar lugar a um novo pavilhão, com condições para realização de competições oficiais em desportos do género, uma conquista que, apesar de todas as contingências que o país tem vindo a sofrer, não foi posta em causa, felizmente para a comunidade educativa da Escola Secundária Emídio Garcia, mas também para a cidade de Bragança. A demolição foi precedida pela cuidadosa remoção da cobertura que, à maneira da década de sessenta, era constituída por placas de fibrocimento, que constituem hoje um reconhecido perigo potencial, por via do amianto que integra os seus componentes. Por isso a remoção foi realizada por uma empresa especializada, que garantiu os procedimentos de segurança legalmente estabelecidos.


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DESTAQUE A biblioteca será um equipamento que corresponde ao valor patrimonial do acervo histórico do Liceu Nacional de Bragança, com volumes publicados desde o século XVI

Futura biblioteca

Naturalmente, as obras de demolição do pavilhão determinaram uma redução dos espaços de lazer dos alunos que já eram exíguos, mas este novo sacrifício não vai prolongar-se por tempo significativo. O novo pavilhão vai dispor também de uma bancada lateral, o que lhe confere capacidades que não são habituais em instalações escolares, permitindo a sua mobilização para eventos que possam a vir a ser promovidos na cidade e na região. Ao contrário do que acontecia até aqui a escola vai dispor de uma equipamento de alta qualidade, com condições de climatização que garantirão um conforto para os utilizadores que o extinto pavilhão nunca lograra proporcionar, visto que era uma autêntica geladeira.

O novo corpo central

Aspecto de um corredor já remodelado

Novo auditório polivalente

O corpo central, que vai integrar os serviços administrativos, as instalações da Direcção, o gabinete para o Conselho Geral e salas para os serviços de apoio, no piso térreo, terá, no primeiro andar, a nova biblioteca, com uma nave com cerca de 300 m2 que se tornará certamen-

te numa referência de equipamentos do género na região. Trata-se de um equipamento que corresponde ao valor patrimonial do acervo histórico do Liceu Nacional de Bragança, com volumes publicados desde o século XVI e que, apesar das dificuldades para a sua manutenção nas últimas décadas, foi preservado em condições aceitáveis. Agora a nova biblioteca vai dispor de todas as condições técnicas para o seu acondicionamento, de modo a que o testemunho passe, sem perdas lamentáveis, para as gerações vindouras. Ali ficará também, com a dignidade que requer, a biblioteca pessoal que o Padre Francisco Manuel Alves, o renomado Abade de Baçal, legou ao seu Liceu. Este legado, de mais de três mil volumes, constitui um fundo documental que, infelizmente, durante décadas não pôde ser mobilizado com proveito por investigadores, mas que agora terá todas as condições para suportar trabalhos sobre o Portugal da primeira metade do século XX, já que dispõe de uma série de colecções de publicações periódicas que marcaram a cultura, a técnica, a ciência e a filosofia portuguesas.

Os laboratórios do século XXI O Liceu sempre foi um referência nas actividades das disciplinas científicas, dispondo de um património de “arqueologia” laboratorial que tem sido preservado e constituiu o essencial de uma grande exposição realizada no Arquivo Distrital de Bragança em 2004, a propósito do centenário da morte de Emídio Garcia. Desde colecções de mineralogia, passando por exemplares de animais


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DESTAQUE

MAGUSTO 2011 Mais castanhas e menos tabaco Equipa Coordenadora

Sala de actividades artísticas no novo bloco

Os malefícios do tabaco foram, como tem vindo a ser hábito, objecto de tratamento no âmbito da comunidade escolar, no passado dia 17 de Novembro. Os alunos do curso Profissional de Técnico Auxiliar de Saúde encenaram na escola e em vários locais da cidade um cortejo para o enterro do tabaco, uma iniciativa que causou impacto junto de quem passava. A organização desta actividade, promovida pelo projecto Educação para a Saúde, contou com o apoio do professor Acácio Pradinhos, dinamizador das actividades cénicas, que também mobilizou alunos para mais uma participação na Bienal da Máscara - Mascararte - a decorrer nesta semana. A data foi aproveitada para realizar o já tradicional Magus-

to da escola, que teve lugar ao fim da tarde, na sequência de actividades desportivas e jogos tradicionais, enquadrados pelos professores de Educação Física e Desportos. As castanhas, com “DOP - Denominação de Origem Protegida”, em que pontificavam as castas Longal e Boaventura, foram fornecidas por produtores afamados da Freixeda e Vila Boa de Carçãozinho, que geralmente contam com a protecção da Senhora do Aviso para a garantia da qualidade e do sabor. A fogueira juntou à sua volta dezenas de festeiros e crepitou sob o coberto ao lado do ginásio que, no dia seguinte, foi desactivado para se dar início à esperada demolição daquele equipamento que será substituído por um mui mais amplo e moderno.

Aspecto de um dos novos laboratórios

Até agora a escola dispunha de 3 espaços de laboratório. Com a conclusão das obras ficaremos com 7 laboratórios: 2 de química, 2 de biologia, 1 de física e 2 polivalentes

e plantas, até instrumentos de medição próprios para física e química, usados ao longo de gerações, tudo marcou as actividades de investigação, compreensão e explicação da realidade. As novas condições dos laboratórios, que serão equipados com os meios mais modernos, vão potenciar ainda mais as actividades experimentais, com natural proveito para a formação dos alunos que hão-de continuar a passar por esta instituição de referência. Até agora a escola dispunha de 3 espaços de laboratório. Com a conclusão das obras ficaremos com 7 laboratórios: 2 de química, 2 de biologia, 1 de física e 2 polivalentes. Os espaços estão agrupados dois a dois, com uma sala de preparação a meio, com excepção de um dos espaços já existentes na ala poente do edifício. A nova cantina cumpre todas as condições legalmente estabelecidas para uma preparação adequada das refeições e um serviço de mesas confortável e suficientemente actual para agradar aos utentes, já que será um espaço de menor rigidez funcional, com maior autonomia de movi-

mentos e outra espontaneidade ao mesmo tempo mantém ligação com o espaço de bar/buffet, proporcionando uma maior polivalência. A área de expressões vai dispor de amplas salas específicas para desenho e geometria descritiva, uma sala de oficina de artes, uma de educação tecnológica, outra de artes visuais e de uma câmara escura para trabalhos de fotografia. O auditório polivalente, com capacidade para oitenta lugares, que ocupará a cerca coberta poente, também já estará em funcionamento quando se consumar o retorno às instalações. Para além do novo ginásio, já em obra, a segunda fase vai desenvolver-se até ao início do próximo ano lectivo, quando a renovação do liceu estará consumada. Entretanto, as actividades de educação física e desportos estão a ser desenvolvidas no pavilhão do Clube Académico de Bragança e no pavilhão Municipal sob a bancada do Estádio, na sequência de um acordo com aquele clube desportivo e da colaboração activa da Câmara Municipal de Bragança.

O enterro do tabaco no dia do “não fumador”

Assador carregado para o magusto da escola


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DESPORTO

DESPORTO ESCOLAR Emídio Garcia aposta na diversificação de modalidades ANTÓNIO OLIVEIRA

O projecto do Desporto Escolar aprovado para o presente ano letivo terá seis grupos. Além dos grupos de Basquetebol, Danças Urbanas, Multiatividades da Natureza e Futsal, que já existiam em anos anteriores, para o presente ano foram aprovados também os grupos de Xadrez e de Voleibol. Os grupos escolhidos e os escalões que irão representar cada grupo, nas competições externas que a nossa escola irá realizar foram determinados pelas inscrições existentes. As alterações que se verificam nos grupos relativamente ao ano anterior são no Basquetebol e no Futsal. O Basquetebol terá somente um grupo/equipa no escalão

Juvenil Feminino. Por motivos de competição local foi-nos sugerido pela coordenação que o grupo teria de passar do escalão Júnior para o escalão inferior. O outro grupo existente no ano passado, Juvenil Masculino, teve de ser alterado, pois não havia competição externa que justificasse a sua existência. O grupo de Futsal Iniciado Masculino, que existiu em 2010/2011, foi extinto e a solução passou pela troca do escalão e do género, alterando este ano para o escalão Juvenil Feminino. Constatámos na altura das inscrições que havia muitas alunas interessadas em participar nesta competição, sendo a maioria do escalão juvenil.

Outra modalidade que mereceu atenção especial por parte dos nossos alunos foi o Voleibol. Dado que é uma modalidade nova no Projecto do Desporto Escolar da nossa escola, optámos por começar pelo escalão iniciado com um grupo feminino. O Xadrez aparece pelas potencialidades óbvias que apresenta em termos cognitivos e também pela limitação de espaço disponível para a prática desportiva, que a escola apresenta devido às obras de remodelação. Procuramos também, com a abertura deste grupo cativar uma faixa de alunos que normalmente não participava nas actividades do Desporto Escolar.

Assim os responsáveis pelos grupos/equipas são: o professor Amilcar Pires responsável pelo Basquetebol; a professora Emília Tavares responsável pelo Xadrez; o professor António Oliveira responsável pelo Multiactividades da Natureza; a professora Helena Ramos responsável pelo Danças Urbanas; a professora Fátima Brito responsável pelo Voleibol e a professora Ana Mateus pelo Futsal. Além da actividade externa, o projecto tem uma componente interna que será realizada no decorrer do ano. Além das actividades desportivas que são mais recorrentes na escola, o corta-mato e o projecto Mega, iremos realizar também uma

prova de orientação, um passeio de BTT e um torneio inter-turmas de Voleibol. Os objetivos do projeto do Desporto Escolar da nossa escola passam pela prática desportiva como forma de promoção de saúde, pela interação interpessoal existente em treino ou em competição, pela amizade que se cria com os restantes intervenientes. Pretendemos formar melhores alunos, mais inteligentes, mais fortes e mais justos. O Desporto Escolar pode e deve ser uma valência importante na formação geral dos nossos alunos. APROVEITEM.

Dia do exército em bragança Alunos do liceu bem classificados no corta-mato ANTÓNIO OLIVEIRA

Na manhã do passado dia 19 de Outubro realizou-se o Corta-mato escolar na quinta da Trajinha, que contou com a participação de todas as escolas da cidade de Bragança, inserido nas comemorações do Dia do Exercito. O Exército Português comemora o seu dia festivo a 24 de Outubro, data em que se celebra a tomada de Lisboa, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército. Foram muitas as actividades apresentadas para festejar a data. A Exposição de Pintura e História no Centro Cultural Adriano Moreira, entre 14 de Outubro e 14 de Novembro; a exposição de Materiais/Equipamentos, Actividades Multiusos e de Pólos de

Excelência, na Praça Cavaleiro Ferreira, Largo dos Correios e na Praça da Sé, entre os dias 21 e 23 de Outubro; As Jornadas Académicas, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, no dia 21 de Outubro; A Demonstração de Capacidades e Meios, na Praça Luís de Camões, Concerto Musical pela Banda Sinfónica do Exército, no Teatro Municipal de Bragança (TMB), no dia 22; A Missa de Acção de Graças e Sufrágio, na Catedral de Bragança, no dia 23. Assim no dia 19, pelas 8.30, partiram em direção à quinta da trajinha cerca de 150 alunos da nossa escola, acompanhados pelos professores de Educação Física, com enorme motivação de participar e apoiar os inter-

venientes nesta iniciativa. O número total de participantes foi cerca de 450 alunos, de todas as escolas do 2º e 3º ciclo e ensino secundário, da nossa cidade. Todos os nossos alunos que participaram tiveram um comportamento digno na representação da nossa escola. Interessa realçar as classificações de pódio alcançadas pelos nossos alunos. Infantil B feminino 3º lugar: Catarina Antão Iniciado feminino 2º lugar: Mariana Bragada Iniciado masculino 3º lugar: André Esteves Juvenil feminino 2º lugar: Ana Sabina Juvenil masculino 1º lugar: Nuno Esteves Júnior feminino 1º lugar: Barbara Freire 2º lugar: Carla Jordão 3º lugar: Sara Gonçalves Perto de alcançar classificações de pódio: Juvenil feminino 4º lugar: Sónia Veiga Juvenil Masculino 4º lugar: Filipe Mota 5º lugar: Ricardo Alves 6º lugar: Daniel Matos

7º lugar: Ivo Teixeira 8º lugar: Filipe Rodrigues 9º lugar: David Vaz Júnior feminino 4º lugar: Mónica Valente Júnior masculino 4º lugar: Dinis Diegues A nossa prestação desportiva foi muito boa, com muitos pódios e alunos muito bem classificados. A organização do evento contou

com a colaboração da Associação de Atletismo de Bragança. O local da realização do evento reunia características especificas para a prática da modalidade embora o piso pudesse estar um pouco menos duro. No final da prova, os elogios foram unânimes. Todos classificaram o evento como sendo um sucesso. Fazemos votos que a iniciativa se repita pela convivência e espírito desportivo que todos sentiram.


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REPORTAGEM

Dia da Alimentação As crianças e os jovens estão a crescer com obesidade

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o livro

da minha v ida

ANA ANGÉLICO | MARIANA ALMEIDA 10º E

No dia 14 de outubro, o Clube de Protecção Civil da ESEG organizou uma palestra, realizada pela nutricionista Dr.ª Regina Afonso, no âmbito do Dia Mundial de Alimentação que se comemora a 16 de outubro. Esta iniciativa realizou-se no salão de festas da nossa escola onde estavam presentes alunos de várias turmas e foram expostos trabalhos de pesquisa, elaborados por alguns deles, nos quais o mote era: “Somos o que comemos!” Segundo a professora Deolinda Fernandes, responsável pelo clube que organizou esta actividade, o objectivo principal da mesma foi: “alertar a comunidade educativa, em especial os jovens, para a necessidade de ter cuidado com a saúde e com o ambiente, visto que foi feita uma articulação entre os hábitos alimentares saudáveis e a agricultura biológica”. A professora sublinhou que as questões abordadas nesta palestra preocupam as pessoas em geral, logo, tem a ver com a saúde pública. Nos dias que correm, as pessoas são constantemente confrontadas com espectros como o sedentarismo, o stress e os produtos alimentares nefastos para a saúde, três factores que contribuem para uma deficiente qualidade de vida. Comentando a declaração da APN (Associação Portuguesa dos Nutricionista): “ Mais de 75% das mortes na europa são devidas a doenças directamente relacionadas com certos hábitos alimentares”, a professora afirmou ser fundamental uma boa alimentação para assegurar a sobrevivência do ser humano. Lembrou, em jeito de slogan, o que foi reiterado ao longo da palestra “nós vivemos do que comemos” para chamar a atenção de que a longevidade, ou esperança média de vida, está condicionada pela alimentação que fazemos. Ainda estabeleceu o contraste entre os países desenvolvidos e os menos desenvolvidos no que respeita a este ponto. Naqueles, os problemas de saúde prendem-se com o excesso de alimentos, nestes com a escassez dos mesmos. Seguidamente, a nossa conversa continuou com a convidada daquela manhã. Começamos por referir que, segundo uma pesquisa realizada, o ovo tem propriedades antioxidantes podendo prevenir o cancro e doenças cardiovasculares, assim, perguntámos quantos ovos se aconselhava

“HOLES” O livro que eu escolhi foi “Holes”, de Louis Sachar. Li este livro no original porque ainda não há tradução para português, mas pareceu-me bastante acessível. Conta-nos a história de um rapaz chamado Stanley Yelnats, membro de uma família que parece ser vítima de uma maldição que os faz estar no sítio errado à hora errada. Tudo começa quando, um dia, Stanley se dirige para casa e umas sapatilhas lhe caem em cima vindas não se sabe de onde. Stanley apanha-as com boa intenção, mas

esse gesto vai mudar toda a sua vida. Por esse motivo ele vai ser preso e enviado para um campo de correção de jovens, onde vai aprender sobre amizade, solidariedade,

Nos dias que correm, as pessoas são constantemente confrontadas com espectros como o sedentarismo, o stress e os produtos alimentares nefastos para a saúde, três factores que contribuem para uma deficiente qualidade de vida. por semana. A nutricionista informou que o antioxidante a que nos referíamos é vitamina E, que além de estar presente na gema do ovo, também existe quer nos vegetais ou em certos frutos. Acrescentou ainda que a Sociedade de Cardiologia aconselha dois ovos por semana para quem apresente um nível de colesterol mais elevado e gorduras no sangue. “Esta média não é má, desde que os ovos não sejam fritos.” Questionada sobre a notória e crescente obesidade na população de jovens portugueses, a doutora Regina corrigiu-nos afirmando que as crianças estavam a crescer com préobesidade e mesmo obesidade. Disse que os estudos apontam para quase 32% da população de crianças, na faixa etária de seis anos, naquela situação. Logo, pelo menos parte desse número, caso cresçam sem cuidados alimentares, serão adultos obesos. A nossa convidada fez notar que

as crianças dependem do que os pais lhes dão a comer, ou colocam na lancheira. Por isso, na sua opinião, a responsabilidade é inteiramente do adulto que está a criar a criança: “Não adianta pôr uma Coca-Cola na mesa e negar--lha… Não pode haver alimentos gordurosos na casa de uma criança obesa! Os pais devem proporcionar à criança actividades extracurriculares ligadas à actividade física, pois o sedentarismo e o excesso de alimentos são os principais causadores de obesidade.” Passando a um tema completamente oposto, quisemos saber quais os sinais dos dois distúrbios alimentares que se conhecem: a anorexia e a bulimia. Foi-nos dito que os sinais são opostos, isto é, enquanto na anorexia os sinais são bastante visíveis, pois a pessoa começa, realmente, a perder peso; já uma pessoa que sofre de bulimia nunca perde peso como a que tem anorexia. A bulimia é muito mais difícil de detectar, porque há uma ingestão de muita quantidade de alimentos, portanto, parte da comida é absorvida. A pessoa que sofre de bulimia nunca desce o seu IMC mantendo o peso considerado normal. Contudo, há comportamentos que podem evidenviar estas doenças: no caso da anorexia, a pessoa tende a isolar-se, mostra repúdio pelos alimentos e evita comer com companhia; no caso da bulimia, as pessoas vão frequentemente à casa de banho, mas às vezes não se percebe se chegam a tomar laxantes ou se provocam o vómito. “Há que estar muito atento… é muito difícil ajudar estas pessoas, primeiro elas têm de querer ser ajudadas. Devemos contar às famílias, levar a pessoa ao médico…estas pessoas não precisam de um nutricionista, mas sim de um psicólogo”, concluiu. Finalmente, quisemos saber a opi-

trabalho e a necessidade de acreditar em si próprio e nos seus ideais. Para além desse aspeto, o que eu achei mais interessante é que esta história vai cruzar-se com muitas outras

histórias do passado e só no final compreendemos como tudo está relacionado. A maldição vai finalmente quebrarse e Stanley reunir-se-á com a família, ganhará um novo amigo e será uma pessoa diferente e melhor. Li este livro nas férias e escolhi-o para tema deste texto,

realizado na aula de Português, porque me marcou, visto que valoriza a coragem, a determinação e a importância de manter o sonho e procurar atingi-lo. Recomendo, por isso, esta leitura a todos vós. Pedro Lima | 10º C

nião da Dr.ª Regina sobre o reality show “Peso Pesado”. “Não tenho uma opinião formada, porque assisto muito pouco. Sou da opinião de que ao ver uma vez já se viu tudo o resto!”, disse-nos. Explicou, ainda, que nesse programa a perda de peso é intensa, o mais importante é que os concorrentes consigam manter o peso perdido ou continuar nessa luta em casa. Acrescentou que os participantes do concurso são pessoas com obesidade mórbida e, na opinião da nutricionista, vê-los perder tantos quilos e

tão rapidamente acaba por ser interessante. No entanto fez o seguinte reparo: “ Quem restringe demais o alimento, mais cedo ou mais tarde o organismo vai pedir de volta. Assim, as pessoas com excesso de peso devem perder peso de outra forma daquela que se vê neste programa. Se as pessoas levam tanto tempo para ganhar peso, então, também vão perdê-lo com o tempo. O importante é aprender a comer!”


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Escola Secundária Emídio Garcia | Nº 3 | 1ª Edição 2011 / 2012

ARTES

Alunos de artes animam espaço escolar Actividades realizadas a propósito do centenário de Alves Redol e Manuel da Fonseca MANUEL TROVISCO

artistas ao longo da história para desenhar sobretudo paisagem. Pode ser diluída com água ou misturada no decurso de aguadas e aguarelas, salvaguardando as características dos vários materiais. Ao escolhermos o retrato de Manuel da Fonseca e de Alves Redol para este trabalho, procuramos divulgar, uma vez mais, os escritores portugueses, neste caso, escritores do Neo-realismo literário. Foi feito um paralelismo com o Neo-realismo na arte e nomeadamente com alguns artistas portugueses da época: Júlio Pomar e Lima de Freitas. Numa 1ªfase, na sala de aula, foram realizados, individualmente, alguns desenhos em formato A3 com referente à vista em formato A4. Numa 2ª fase, no exterior e em grupo, foram realizados os retratos dos escritores em papel de cenário (2mx2m) com referente à vista formato A4. Os principais objectivos desta actividade consistiram em:

Este trabalho revelouse de grande importância. Os alunos durante o processo de representação no exterior estiveram expostos à comunidade escolar e à crítica. Tendo como referência “Outubro o mês da Biblioteca” e a comemoração do centenário do nascimento dos escritores Manuel da Fonseca e de Alves Redol, os alunos do 12º E na disciplina de Desenho A, desenvolveram uma unidade de trabalho onde foram explorados os seguintes conteúdos: - materiais e técnicas (carvão vegetal, sépia e sanguínea), o retrato e as mudanças de escala. - o carvão vegetal é um material clássico no desenho, talvez o mais antigo. O carvão pode ser obtido a partir de ramos de salgueiro ou videira carbonizados (dentro de um recipiente fechado). Obtêm-se diversas durezas de carvão conforme

o tempo de carbonização. O carvão pode encontrar-se à venda no mercado com várias durezas, quer sob a forma de pequenos galhos carbonizados com o aspecto original, quer com formas regulares de paralelepípedo ou cilindro e ainda envolvido por madeira. Usa-se para esboçar ou para desenhos definitivos de acordo com o suporte e a intenção. Já na pré-história se usavam galhos queimados para desenhar. No Renascimento foi usado regularmente para fazer estudos preliminares em paredes, para posterior realização de “frescos”. Hoje em dia, o carvão é um material presente nas aulas de artes visuais, em escolas e academias de arte, pois proporciona gradações muito expressivas. Nas aulas de desenho e figura humana é usado pelas suas óptimas características de riscador, deposita-se suavemente no papel ao sabor dos gestos, sendo possível de retirar com miolo de pão, borrachas apropriadas (por ex: PVC) ou mesmo com um pano macio. - sanguínea é uma espécie de “giz vermelho”, mistura de caulino e hematite e tem um tom castanhoavermelhado escuro, semelhante à terracota. Conhecida desde o paleolítico, a sanguínea começa a ser

usada com bastante frequência por volta de 1500. É na Renascença e Barroco que artistas como Leonardo da Vinci, Rafael e Rubens usam a sanguínea de uma forma notável. Os efeitos de “sfumato” que empregaram são admiráveis. “Sfumato” termo criado por Leonardo da Vinci para se referir à técnica artística usada para gerar gradientes perfeitos na criação de luz e sombra de um desenho ou de uma pintura. A cor quente e suave da sanguínea fez com que fosse empregue no desenho de representação do corpo humano através da história. No séc. XVI os artistas italianos usaram imenso a sanguínea, isoladamente ou em combinação com outros materiais, nomeadamente com a pedra negra e giz branco, sobretudo no retrato. A sanguínea, tal como o carvão e o pastel seco, deve ser fixada, embora neste caso apenas com uma camada suave de fixador apropriado, porque normalmente escurece e perde a luminosidade inicial. Sépia é um riscador castanho escuro, cujos pigmentos são extraídos de um molusco e misturados com um mineral do tipo do giz. Usa-se no desenho da mesma forma que a sanguínea. A sépia foi usada pelos

- dominar uma grande diversidade de suportes, escalas e materiais diferenciados, enquadramentos e processos de transferência; - desenvolver a capacidade de análise através de estudos analíticos de desenho à vista, de proporção, distâncias, eixos e ângulos relativos, volumetria, configuração e pontos de inflexão de contorno, proporcionando o desenvolvimento de uma capacidade de síntese gráfica. Este trabalho revelou-se de grade importância. Os alunos durante o processo de representação no exterior estiveram expostos à comunidade escolar e à crítica, o que certamente contribuirá para o seu desenvolvimento e maturidade. Esta actividade terminou com a exposição dos desenhos, concomitantemente com alguns livros e frases dos autores, no CREBE da nossa escola, dia 24 de Outubro, dando corpo a comemoração do “Dia daBiblioteca”.


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BIBLIOTECA

Biblioteca da escola na rede Portal e-catálogo constitui prioridade para este ano lectivo

Era uma VeZ UM PLANETA Ciência e Poesia no Reino da Fantasia

Coordenadora da BE/CRE

Luísa Fernandes

As atividades e projetos que se desenvolvem na biblioteca escolar tanto são atividades letivas como de estudo autónomo ou de lazer, envolvendo toda a comunidade educativa. No início de mais um ano lectivo e, no mês de outubro, mês internacional da Biblioteca Escolar, foram realizadas diversas iniciativas por alunos e professores, deixando-se em aberto a reflexão sobre o conceito de BE e a sua representação na Escola. O Programa da Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE) foi lançado em 1996, tendo por objetivo a instalação e o desenvolvimento de bibliotecas em escolas públicas dos diferentes níveis de ensino, o que acontece a partir de 1997. Num mundo global, unido pelas tecnologias e marcado pelo crescimento, dispersão e variedade da informação, as Bibliotecas Escolares têm vindo a incrementar o livre acesso ao livro e a outros recursos eletrónicos e digitais. Hoje, decorridos quinze anos sobre o lançamento do Programa RBE, um novo conceito de biblioteca é partilhado pela generalidade das escolas. As bibliotecas escolares afirmam-se cada vez mais como estruturas pedagógicas, que se envolvem com as escolas e as comunidades e cooperam com docentes e alunos de modo a responder às suas necessidades educativas. As atividades e projetos que se desenvolvem na biblioteca escolar tanto são atividades letivas como de estudo autónomo ou de lazer, envol-

vendo toda a comunidade educativa. O apoio ao currículo, à promoção da leitura, à educação digital e para a informação são os “pontos fortes” destes novos espaços. É, portanto, cada vez com mais frequência que na BE/CRE podemos testemunhar o trabalho de colaboração com turmas e professores, no desenvolvimento das suas atividades e projetos de caráter disciplinar ou interdisciplinar. Durante todo o ano e, particularmente, no dia 24 de outubro, trabalhamos para fazer mais e melhores leitores; leitores utilizadores da biblioteca, leitores consumidores de livros, mas também leitores digitais competentes, criativos, capazes de utilizar os diferentes suportes da escrita e da leitura, pois é aqui que se inscrevem os grandes desafios colocadas às bibliotecas. O lançamento de um modelo de avaliação – MABE, constitui outro factor muito importante de monitorização e melhoria do seu trabalho e de valorização e reconhecimento do seu papel a nível interno e externo. O reforço das parcerias com outros programas e projetos (Ideias com Mérito, a Ler +, Ler é para Já e Newton Gostava de Ler) é uma vertente que também merece ser assinalada, nomeadamente no que respeita ao Plano

Olimpíadas de Matemática A nossa escola aceitou uma vez mais o convite da Sociedade Portuguesa de Matemática para participar na 1ª eliminatória das XXX Olimpíadas Portuguesas de Matemática. Assim, no passado dia 9 de novembro, cerca de 30 alunos, distribuídos pelas diferentes categorias da competição - Categoria Júnior (7.º ano),

Categoria A (8.º e 9.º anos) e Categoria B (10.º, 11.º e 12.º anos), exercitaram o pensamento matemático e aperfeiçoaram a sua capacidade de raciocinar e resolver problemas. Aguardam-se para breve os resultados. Quem sabe se descobrimos algum talento matemático escondido…

Nacional de Leitura (PNL). A cooperação com outras entidades, em que se destacam as autarquias e respetivas bibliotecas municipais, é outro eixo do programa RBE que tem vindo a reforçar-se, fruto da necessidade de rentabilizar os recursos existentes e agir segundo uma perspetiva de rede em torno de objectivos e serviços comuns, como por exemplo o Serviço de Apoio a Bibliotecas Escolares (SABE). A criação de portais e catálogos coletivos de bibliotecas, associando bibliotecas públicas/municipais e bibliotecas escolares atestam bem o progresso realizado neste domínio, bem como o empréstimo interbibliotecas. Em Bragança, a criação/disponibilização online do Portal e-catálogo coletivo concelhio, integrando as colecções de todas as Bibliotecas Escolares, da Biblioteca Municipal e de outros parceiros, constitui uma prioridade para este ano letivo. A existência de um sistema integrado de informação documental é uma forte aposta feita pela RBE e pelas Escolas nestes últimos anos. As bibliotecas em rede ficarão, de certo, melhor preparadas para enfrentar os grandes desafios da Web rumo ao futuro.

No passado dia 24 de Outubro decorreu na BE/CRE a aula de ciências físico-químicas da turma do 7º B. Os alunos fizeram a leitura do texto “Era uma Vez… um Planeta”, de Regina Gouveia. Este texto faz uma descrição, em verso, da visita de um extraterrestre, que “tinha umas grossas melenas e usava duas antenas”, que trava amizade com um menino “sorridente com uns olhos cor do céu” e lhe descreve um pouco como é o espaço sideral, a constituição do sistema solar, dando grande relevo a um planeta “azulsafira” e pedindo que o menino cuide do mesmo. Após a leitura do texto em vários suportes, houve um momento para a interpretação e discussão dos referidos conteúdos.

Os alunos aceitaram o desafio proposto pela professora: elaborar uma composição partindo de um extrato do texto apresentado/analisado. O texto elaborado será trabalhado, posteriormente, na aula de língua portuguesa, promovendo deste modo a interdisciplinaridade mas, sobretudo, o incentivo à leitura e à escrita. Os alunos desenvolveram todas as atividade com muito entusiasmo e curiosidade expondo, depois, os trabalhos na BE/CRE. Como tinham estado numa sessão com a autora do texto, durante a qual realizou pequenas experiências, os alunos tinham referências da obra da escritora, o que aumentou a vontade de participarem.

Concurso nacional de leitura À semelhança dos anos anteriores, a nossa Escola está presente no Concurso Nacional de Leitura, no âmbito das atividades promovidas pelo Plano Nacional de Leitura. As inscrições a decorrer no Centro de Recursos Educativos (Biblioteca) serão aceites até ao dia 9 de dezembro. A prova escolar realizar-se-á no dia 6 de janeiro de 2012 (sexta-feira). Este Concurso só é possível com a colaboração de todos. Lendo somos melhores. Qualquer esclarecimento será prestado pelos Professores João Cabrita e Amália Silva.

A prova escrita terá por base a leitura dos seguintes livros: Secundário • O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago • A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Dinis 3º Ciclo • Escrito na Parede, de Ana Saldanha • Meu Pé de Laranja Lima, de Erico Veríssimo


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DESTAQUE

Distrito de Bragança perdeu 12424 pessoas Segundo os resultados dos Censos de 2011 o interior não consegue inverter o esvaziamento populacional ANA CORTINHAS

Somos 10 555 853 residentes, constituímos 4 079 577 famílias e dispomos de 5 879 845 alojamentos em 3 550 823 edifícios. Foi desta forma que foram anunciados os resultados preliminares dos Censos 2011, pelo Instituto Nacional de Estatística.

Com estes resultados, verifica-se que o território nacional nunca teve tanta população, sendo que, nos últimos 100 anos, quase duplicou, passando de 6 milhões (em 1911) para quase 11 milhões (em 2011).

Figura 1 – Evolução da população nos últimos 100 anos De 2001 para 2011 verificou-se um ligeiro crescimento da população residente, de cerca de 1,9%. Em relação à variação da população residente por municípios verifica-se que, de uma forma geral, é no interior do país que essa variação é mais acentuada, como o caso de Carrazeda de Ansiães com um valor de – 17%.

Figura 2 – Variação da população residente – os concelhos que mais ganharam e perderam população. A região Norte apresenta um valor de 3 689 713 indivíduos. Verifica-se que na última década, não houve alterações significativas, invertendo a tendência de crescimento verificada nas últimas décadas. Contudo, na comparação litoral/interior encontram-se dinâmicas de crescimento muito diferenciadas.

A população residente nos últimos 100 anos

As estatísticas atuais do INE apresentam dados por NUT I, II e III (nomenclatura de unidade territorial), sendo que esta divisão geográfica começou a ser utilizada para uniformizar dados ao nível das várias regiões que compõem os países da União europeia.

As áreas do Cávado, Grande Porto e Ave apresentam um aumento da população residente de, respectivamente 4%,2% e < 1%. Invertendo esta tendência, no interior, existe uma perda significativa de população, na última década. Dos 86 municípios que constituem a região Norte, apenas 25 registam acréscimos na população residente.

Variação da População Residente - os 5 mais e os 5 menos

11000 10000

Alcoutim

9000

Armamar

MILHARES

8000

Idanha-a-Nova

7000 6000

Mourão

5000

Carrazeda de Ansiães

4000

Sesimbra

3000

Montjjo

2000

Alcochete

1000

Mafra

0 1911

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1981

1991

2001

2011

Santa Cruz - 40%

ANO

Figura 3 - Variação da população residente por NUTS III, 2001-2011 No que diz respeito ao distrito de Bragança verifica-se que este perdeu, na última década, 12424 efectivos, passando de 148883 habitantes (2001) para 136459 habitantes (2011). A tendência para a perda de população é clara, uma vez que entre os 12 concelhos do distrito, todos perderam população, com a excepção de Bragança que ganhou 595 pessoas.

- 20%

0

Figura 4 - Variação da população residente por concelho, 2001-2011 Os resultados preliminares dos Censos 2011 são o prelúdio da tão anunciada desertificação. Entenda-se este termo em dois sentidos, a desertificação humana, pela saída de pessoas e a desertificação física, pelo abandono do campo. O abandono das nossas aldeias, o seu desprovimento de jovens, a perda cada vez mais

20%

40 %

60 %

acentuada de homens e mulheres que seriam fundamentais na continuação do papel iniciado pelos nossos antepassados. A litoralização, o envelhecimento da população, a desertificação do interior do país, levam ao abandono da terra, das casas, da cultura, das tradições, da natureza… Estaremos a tempo de inverter esta tendência?

40000 35000

Minho-Lima

30000 25000 15000

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FONTE: WWW.INE.PT

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1. Existem actualmente 92 homens por cada 100 mulheres. >= 20

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Alto Trás-os-Montes Cávado

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2. O número médio de pessoas por família desceu de 2,8 (2001) para 2,6 (2011) em todas as regiões da país. 3. O número médio de filhos por mulher em idade fértil (índice sintético de fecundidade) é, atualmente de 1,37, sendo que, para se assegurar a continuidade de gerações é necessário que cada mulher tenha 2,1 filhos.

4. Na região de Alto Trás-os-Montes o número de edifícios aumentou cerca de 6% e a população residente teve uma diminuição de 8 %. 5. No concelho de Bragança, foi a freguesia de São Pedro de Sarracenos que teve uma variação mais positiva em termos de população residente, com valor igual ou superior a 20%.


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REPORTAGEM

Parlamento Jovem 2010/11 Sessão nacional contou com a participação activa de “deputadas” da escola Emídio Garcia ANTÓNIO LUÍS RODRIGUES | 11º B

Era notório um olhar de satisfação e de alegria entre todos os que estavam envolvidos no projecto, desde deputados e jornalistas a professores, ao ver uma etapa do projecto ser concluída. O programa “Parlamento dos Jovens” é uma iniciativa da Assembleia da República que se desenvolve em parceria com o IPJ e com o Ministério da Educação. Este programa visa incentivar a participação activa dos jovens na vida democrática e insere-se na promoção da Educação para a Cidadania, como competência transversal aos diferentes níveis de ensino, através da participação em debates, votações e na elaboração de um Projecto de Recomendação à AR. O Regimento do Parlamento dos Jovens inspira-se nas regras de funcionamento da AR, respeitando a autonomia dos jovens em todas as fases de eleição, desde a Escola até à Sessão Nacional.RA O tema para o secundário era “Que futuro para a educaçao?”. O círculo eleitoral de Bragança levou à AR, “os deputados” Joana Baptista e Maria Borges da nossa escola, Carlos Alvarenga porta-voz do nosso círculo e Jorge Ribeiro da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais. Os deputados acima citados foram eleitos na sessão distrital que decorreu no Governo Civil de Bragança e foram à AR defender o Projecto de Recomendação da Escola Secundária Emídio Garcia, o qual foi eleito. A Sessão Nacional decorreu nos dias 30 e 31 de Maio de 2011, na Assembleia da República em Lisboa. O 1º DIA A saída de Bragança estava prevista para as 5.30h mas devido um pequeno atraso o rumo a Lisboa só se iniciou as 5.45h da manha. A boa disposiçao era geral e a vontade de defender o nosso distrito e a nossa

escola era enorme. Fomos acompanhados na viagem pelos “jovens deputados” de Vila Real, alguns dos quais já nossos conhecidos de outras sessoes do parlamento dos jovens. Chegámos a Lisboa pelas 13:45 horas, esperavam-nos dois dias de trabalho, mas nada disso influenciava a nossa alegria. A 1ª etapa era a das Comissões, os deputados do Círculo de Bragança participaram na 2ª Comissão, juntamente com os deputados do Porto, Açores, Castelo Branco, Beja, Viana do Castelo e Lisboa. Nesta comissão apenas foram debatidos os projectos dos circulos de Bragança, Porto, Açores, Castelo Branco, Beja, Viana do Castelo e Lisboa. Comissão foi orientada pelo deputado Emídio Guerreiro , eleito pelo PSD. Após 3 horas de debate, o projecto de recomendação eleito foi o do Círculo do Porto, tendo sido alterado através da apresentação de uma proposta da círculo de Bragança. No final das reuniões das Comissões, surgiram 4 conjuntos de medidas, onde em cada uma, estava presente o esforço e empenho de todos os participantes. Era notório um olhar de satisfação e de alegria entre todos os que estavam envolvidos no projecto, desde deputados e jornalistas a professores, ao ver uma etapa do projecto ser concluída. Enquanto decorria o debate na especialidade e a votação das propostas de alteração às medidas, os jovens jornalistas e professores tiveram uma visita guiada ao Palácio de S. Bento. Passaram na Sala da Sessão Parlamentar, onde decorrem as Sessões “a sério” da AR, na Sala do Senado onde no dia a seguir iria decorrer a

Sessão do Parlamento dos Jovens, e na Sala dos Passos Perdidos que era magnífica. Depois de todo o trabalho que os jovens deputados tiveram ao defender as suas medidas nas comissões estava á sua espera um lanche nos claustros do Palácio. Depois de repostas as energias todos os intervenientes e incluindo os alunos do Euroscola foram convidados a assistir a uma magnífica actuação do grupo “Os Paganinus – Orquestra de Violinos do Conservatório Regional de Setúbal”. No final do dia e depois de um belo jantar servido novamente nos Claustros do palácio fomos encaminhados para a Pousada da Juventude DE Almada, um sítio agradável, com boa vista para o rio tejo, aí passámos bons momentos de confraternização com os nossos colegas deputados.

O 2º DIA O dia começou cedo, com muita animação e a boa disposição era geral. Chegados à AR, os deputados ocuparam os seus lugares na Sala do Senado, a Sessão foi aberta pelo Dr. José Seguro, então Presidente da Comissão de Educação e Ciência. Depois de alguns elogios por parte dos senhores da mesa aos jovens deputados, seguiu-se um período de perguntas aos deputados da AR, Sofia Cabral do PS, João Prata do PSD, Michael Seufert do CDS-PP, Rita Calvário do BE, Rita Rato do PCP e Heloísa Apolónia do partido Os Verdes. Terminado o período de perguntas, os jovens jornalistas usufruíram de uma conferência de imprensa com o Dr. José Seguro, que respondeu a algumas questões. No fim da Sessão, desfrutámos de um rápido almoço nos claustros do

Palácio de S. Bento, para depois, todos regressarem aos seus trabalhos. Já no Salão Solene do Palácio de S. Bento deu-se, por fim, a conclusão do debate e a votação final do Projecto de Recomendação, com dez medidas. O encerramento da Sessão Plenária foi feito pelo Presidente da Comissão de Educação e Ciência, que entregou os diplomas ouvindo-se o hino Nacional. Na hora da despedida todos queriamos ficar e as despedidas não foram fáceis, mas sempre com um “até um dia”. Se não fossem algumas pessoas, nós não teríamos conseguido representar tao bem o nosso distrito nem a nossa escola, um obrigado aos nossos colegas da fase Distrital e todos os professores que nos acompanharam desde o início deste projecto, especialmente, o professor Teófilo Vaz e o professor Carlos Fernandes.


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ACTIVIDADES

À descoberta do paleolítico superior Alunos visitaram núcleos do parque arqueológico do Vale do Côa

No passado dia 16 de Novembro, pelas 7.00 horas da manhã, um grupo de alunos e professores da Escola Secundária Emídio Garcia partiram para Vila Nova de Foz Côa onde os esperava uma visita orientada às gravuras rupestres do Parque Arqueológico desta região. Cumprindo todos os objetivos do programa, visitaram em primeiro lugar, o Museu do Côa e, seguidamente, as “Gravuras Rupestres do Vale do Côa”, núcleo de Penascosa,

freguesia de Castelo Melhor. O Museu com uma notável inserção paisagística Entre-os-rios Côa e Douro, sintetiza o longo ciclo de arte rupestre representado no Parque Arqueológico do Vale do Côa. O edifício apresenta uma forte interação com a paisagem, desenvolvendo-se ao longo de 4 pisos compostos por 3 salas de coleções e contextualização de imagens das gravuras e dos sítios arqueológicos do Vale do Côa, com recurso à utilização de

tecnologias multimédia e novos suportes de leitura. As excelentes características arquitetónicas, o contacto direto com os materiais e a permanente interatividade na explicação dos artefactos e réplicas proporcionaram, a todos, as condições necessárias para boa aquisição de conhecimentos relativos ao quotidiano do Homem do Paleolítico Superior. A arte rupestre do Vale do Côa demonstra-nos, de forma excepcional, a vida social, económi-

grupo de TEATRO - ESEG 36 elementos, do 7º ao 12º, participam nas actividades ACÁCIO PRADINHOS

É do conhecimento geral que o “teatro” permite ao aluno evoluir em múltiplos níveis. A interacção com outros elementos promove a socialização, os desafios criativos estimulam a criatividade, os trabalhos de corpo e movimento promovem a coordenação, a memorização e o vocabulário, entre muitos outros. Desde o primeiro dia o encenador submete os candidatos a diferentes exercícios que promovem a descoberta do indivíduo na relação com o outro e com esta sui generis forma de comunicar. O Grupo de teatro, nesta fase “procura proporcionar situações que promovam descoberta do corpo e dos seus limites, na relação com o outro. «A expressão corporal favorece as manifestações de si próprio, não impondo cânones obrigatórios, mas deixando uma área de liberdade que cada um pode usar sem medo de ser julgado ou avaliado» (Montanari, 2002).

Na expressão dramática, o aluno (re)descobre a incontornabilidade do jogo dramático nas relações interpessoais e de grupo e apreende dos códigos e convenções teatrais. Durante o percurso da preparação de uma criação teatral, o aluno interage, revela-se, supera bloqueios, desinibe-se, e exterioriza traços da sua personalidade. O comportamento individual e em grupo do aluno são indicadores que permitem ao professor direcionar o seu trabalho pedagógico, potenciando o ser humano em detrimento do artista. O Professor do grupo de teatro na escola, ou direccionado às crianças/ jovens, deve estar em sintonia com outras áreas de saber. Criam-se vínculos com o professor, com o grupo, com o jogo das personagens e rapidamente, a sexta-feira à tarde passa a ser um momento de magia e entusiasmo na vida dos jovens. Consolidam-se roti-

nas, partilham-se afetos, definem-se objectivos e marcam-se os primeiros encontros com o público. As capacidades do grupo vão ser postas à prova no dia 3 de Dezembro na Mascararte, a Bienal da Máscara, com uma performance surpresa. Poucos dias depois, o grupo de teatro comemora o “Dia mundial da luta contra a sida” com o espectáculo “Com a sida não se brinca”. A partir de Janeiro as energias do grupo vão estar concentradas na peça que representará o Liceu no encontro de teatro escolar. O Grupo de Teatro, versão 20112012, tem 36 elementos e integra alunos do 7º ao 12º anos com a particularidade de alguns deles frequentarem o projecto pelo 4º ano consecutivo.

ca, e “religiosa” dos nossos primeiros antepassados, numa altura em que a vida quotidiana era muito difícil. Após o almoço rumamos para Penascosa/Castelo Melhor, junto ao centro de acolhimento, onde nos esperavam os guias que, em jipes de oito lugares, organizaram o percurso da visita ao Núcleo Rupestre desse local. Durante o percurso os guias questionaram os alunos e explicaram o que iríamos ver. Nas primeiras rochas

alertaram para a existência de alguns animais gravados em xisto, entre eles o auroque, o cavalo, o bode, o veado, signos geométricos simbólicos e até figuras antropomórficas. Todos os alunos, com idades e níveis de ensino diferentes, souberam estar à altura e usufruir desta explicação. Junto ao Côa e ao longo do vale, durante duas horas, pudemos todos recuar ao tempo dos nossos antepassados e aos seus habitats naturais. Diversos homens e mulheres deixaram a sua marca nas rochas, desde há cerca de 25.000 anos até à contemporaneidade. Com perplexidade observamos e fotografamos diversas gravuras que integram um valioso património que constitui, a nível mundial, o mais importante conjunto de gravuras paleolíticas ao ar livre (Património Mundial da Unesco em Dezembro de 1998). No regresso, professores e alunos, expressaram o seu elevado grau de satisfação, concluindo que esta viagem foi, para todos nós, uma experiência muito enriquecedora e jamais inesquecível.


Escola Secundária Emídio Garcia | Nº 3 | 1ª Edição 2011 / 2012 |

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ACTIVIDADES

Escola mantém bandeira verde Pela 5ª vez foi reconhecido o empenho ambiental da comunidade LUÍSA FERNANDES

Pelo 5º ano consecutivo, em Setembro deste ano a nossa escola foi galardoada com a Bandeira Verde. A escola está de parabéns, bem como todos os que têm colaborado neste projecto! Este galardão, Bandeira Verde, é atribuído às escolas que participam no Programa Eco-Escolas e que demonstraram o cumprimento da metodologia, dos temas de trabalho propostos e das acções programadas. O Eco-Escolas é um Programa de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, promovido em Portugal pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), que pretende encorajar acções e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pela escola, no âmbito da Educação Ambiental/EDS. Encorajar, reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pela escola na melhoria do seu desempenho ambiental e na sensibilização para a necessidade de adopção de comportamentos mais sustentáveis são os objectivos principais do Programa Eco-escolas. “Este programa visa ainda criar hábitos de participação e cidadania, tendo como objectivo principal encontrar soluções que permitam melhorar a qualidade de vida na escola e na comunidade”. (ABAE) A ABAE fornece fundamentalmente metodologia, formação, materiais pedagógicos, apoio e enquadramento ao trabalho desenvolvido pela escola. A nossa escola, ao aderir ao EcoEscolas, compromete-se a desenvolver um conjunto de acções e actividades que deverão envolver os diferentes elementos da comunidade escolar (alunos, professores, assistentes operacionais, encarregados de educação) e ainda da comunidade envolvente, nomeadamente o município. Após a inscrição (anual) da escola no programa, que tem sido incluído no Projecto Educativo, forma-se/ ratifica-se o Conselho Eco-Escolas, responsável pela aplicação do programa (incluindo a planificação, implementação/orientação e avaliação das actividades a desenvolver). O nosso Conselho Eco-Escolas, conforme orientação do programa, tem sido constituído por professores (de várias áreas disciplinares e da Direcção), alunos (12), assistentes

associação de estudantes promoveu haloween solidário LUÍS AIRES I 12º D

operacionais, psicóloga e um representante da Câmara Municipal de Bragança. Tendo sido o ano lectivo anterior aquele em que se verificou um maior número de alunos fazendo parte do conselho. Após a realização/actualização da auditoria ambiental à escola, e tendo em conta os temas a desenvolver definidos pela ABAE (obrigatórios: resíduos, água e energia; opcionais: biodiversidade, mar, floresta e agricultura biológica), é proposto e aprovado pelo conselho Eco-Escolas um plano de acção (onde são definidos objectivos, medidas a implementar e actividades a desenvolver). No final do ano lectivo, e durante o seu desenvolvimento, é efectuada uma monitorização e avaliação da implementação do plano de acção. Após a avaliação, e caso seja positiva (como tem sido), o Conselho EcoEscolas elabora e submete a candidatura ao galardão. Durante este processo constrói-se o Eco-Código (objectivos traduzidos em acções concretas que todos os membros da escola se comprometem a seguir), que deverá ser assumido de forma empenhada pela comunidade escolar. Desde o ano lectivo 2006/07, que a nossa escola tem participado neste programa, com resultados positivos, desenvolvendo várias actividades (incluídas no plano de actividades da escola), articuladas pelo Conselho Eco-Escolas. As actividades, além de estarem relacionadas com os temas propostos, devem estar relacionadas com o currículo escolar. De entre as

várias actividades, e no âmbito deste programa, no tema “resíduos”, na nossa escola faz-se: • recolha/separação selectiva de papel, plásticos e vidro (eco-pontos ao pé da biblioteca e mini-ecopontos nas salas) • recolha de tampinhas de plástico (vários recipientes de recolha pela escola) • óleos alimentares usados (cantina da escola) • pequenos REEEs (no Depositrão perto do ginásio) • recolha de rolhas de cortiça • recolha de tinteiros e toners vazios (projecto Tinteiros com valor) Também participaremos, uma vez mais, no projecto Escola Electrão, que este ano tem a designação de “Gincana Rock in Rio”. Este projecto inclui 6 tarefas para toda a comunidade escolar: “Recolha de embalagens” (ecoponto amarelo) (de 1 a 30 de Novembro); “Pulseira por um mundo melhor” (de 1 de Novembro a 30 de Dezembro); “Escola energicamente eficiente” e “Escola eficiente – Uso eficiente da água” (de 1 de Novembro a 23 de Março) e “Escola electrão” (de 2 de Janeiro a 23 de Março). Para os alunos: jogo on-line (http:// www.rockinriolisboagincana.com/ tarefa/6), inscreve-te! (a nossa escola é o nº 433). Mais informações em http://www. rockinriolisboagincana.com/projeto. Participa propondo e ajudando! Procuremos criar um melhor ambiente para obtermos um futuro melhor!

Este ano, a tua associação de estudantes pretende marcar a diferença. A energia, a garra, a força de trabalhar, a dedicação e sobretudo a união marca a forma como trabalhamos e como iremos continuar a trabalhar. A tua AE tem como objectivo lutar pelos interesses de todos os alunos, em conjugação com os representantes eleitos para o Conselho Pedagógico e Conselho Geral, órgãos onde são abordados os mais diversos temas que regem a vida quotidiana da tua escola. Pretendemos lutar pelos direitos que nos assistem, mas

também criar um ambiente de convivência, de bem-estar, de fraternidade, de aprendizagem, de cultura e acima de tudo um ambiente apelativo dentro da nossa escola. Iniciámos com a realização da festa de halloween solidária. Esta festa procurou não só a magia, a fantasia e o divertimento de todos os participantes, mas também apelou à consciência solidária. Recolhemos diversos alimentos entre os quais arroz e massas que serão entregues a instituições de solidariedade ajudando desta forma lares de famílias carenciadas.


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JUVENTUDE CRIATIVA

Ser Profissional Eu frequento um curso profissional

VALE A PENA

ESTUDAR? DANIELA ANDRADE | 11º C

Saber escolher a profissão é o melhor trunfo para escapar ao desemprego Valerá a pena passar anos a gastar as poucas economias que os nossos pais conseguiram juntar e investi-las num diploma que não é certo, que nos dê emprego para o resto da vida? Valerá a pena arriscarmos? As gerações mais antigas “meteram” na cabeça essa ideia, ainda hoje a minha mãe me diz, “Estuda se queres ser alguém”, mas os tempos mudam. E se há uns anos ter um “canudo” era sinónimo de emprego e estabilidade financeira. Hoje se não se escolher o curso certo, é só mais um para a estatística do desemprego. Não há lugar para todos! São as leis do mercado de trabalho a funcionar-quanto mais abundante é a procura, maiores serão as hipóteses de ficar excluído. Os cursos com mais alunos inscritos são os que apresentam maior taxa de desemprego.Por exemplo, os candidatos a gestores, engenheiros, psicólogos, arquitetos ou advogados, são tantos em Portugal que uma boa parte dos recém-licenciados corre o risco de não encontrar emprego quando terminar o curso. Diploma não é portanto garantia de emprego certo. Saber escolher a profissão é o melhor trunfo para escapar ao desemprego. Para boa parte dos estudantes universitários, essa opção representa o dilema entre a vocação ou a estabilidade financeira. Então, valerá a pena estudarmos? Sim, vale a pena estudar, mas é preciso ter bem a noção da escolha que iremos fazer pois é o nosso futuro que está em risco. A vida é feita de escolhas e por vezes escolhas muito difíceis. Saberás tomar as decisões corretas?

Tirar um curso não serve só para arranjarmos emprego, mas também para aprendermos um pouco mais e nos tornarmos pessoas mais cultas. Há muito que se reflete e discute sobre o que é aprender. Para alguns, aprender confunde-se com memorizar ou com registar algo; para outros aprender tem inerente saber resolver situações problemáticas e saber aplicar os conhecimentos a novas situações. Aprender significa também ser capaz de resistir a contra sugestões enganosas e fazer prevalecer os seus argumentos. Atualmente, no decorrer de um curso, também já se pretende implementar práticas de flexibilidade curricular e uma crescente autonomia das escolas. Já não se fala apenas de objetivos a atingir, mas de competências a desenvolver nos alunos, com vista a metas que se alargam muito para além das fronteiras das disciplinas e da escola, pois incluem a preparação para o exercício de uma cidadania plena. Aprender é um processo que não tem fim e uma pessoa está sempre a aprender, até quando menos se espera. Aprender é uma actividade inerente a estar vivo. Por isso mesmo não é possível estar numa aula, nem em qualquer outro lugar, sem aprender. O que os alunos podem é não aprender o que os professores e pais desejariam que aprendessem. Podem até aprender coisas que não queriam que aprendessem. Para além daquilo que os professores tentam ensinar, os alunos aprendem também através das suas vivências. Por isso, “A educação é a transmissão de um modelo que existe em cada um de nós, ou não é educação” e “Aprende-se a aprender, não se ensina a aprender”.

Miguel Almeida | PAS 2

Muitas pessoas julgam que os cursos profissionais não podem ser comparados aos cursos no ensino regular, isto porque dizem que o nível de exigência é bastante inferior ao dos cursos regulares e porque nos cursos profissionais reina um clima de facilitismo. Entenda-se por facilitismo frases como esta “qualquer um consegue concluir o 12º ano nos cursos profissionais”. Já ouvi algumas vezes comentários do tipo “nos cursos profissionais os alunos são todos baldas, os alunos passam, mesmo que não mexam uma palha”, para os que pensam desta forma permitam-me discordar. Uma vez que já frequentei o ensino regular em Ciências e Tecnologias 10º ano e actualmente frequento o ensino profissional de Animação Sociocultural, poderei partilhar um ponto de vista mais correto sobre o assunto. Vou então contar a minha história. Depois de concluir o 9º ano, chegou a hora de escolher o tipo de ensino

que queria frequentar. Fui orientado para humanidades pelo S.P.O. (Serviço de Psicologia e Orientação), contudo decidi arriscar e inscrever-me no curso de Ciências e Tecnologias, porque queria aprender Biologia. Deparei-me com dois “obstáculos”: as disciplinas de Física e Química e Matemática. Rapidamente perdi o interesse por elas e deixei de estudar para ultrapassar as minhas dificuldades, mas não tive qualquer dificuldade nas outras disciplinas. Transitei para o 11º ano, e apercebime de que aquele não era o curso ideal para mim. Decidi começar de novo num curso profissional. Já não tinha a disciplina de F.Q., porém continuava a ter a disciplina de Matemática. Mentalizei-me que não podia voltar a fazer o mesmo erro, mudei e atitude e comecei a estudar e a procurar ultrapassar as minhas dificuldades nessa disciplina. Transitei então para o 11º ano no curso profissional de Animação Sociocultural. Existem de facto dife-

renças nos dois tipos de ensino, um é mais teórico, outro é mais prático. Quer seja no ensino regular ou no ensino profissional, os professores exigem o mesmo de todos os alunos. Tanto nos cursos profissionais como nos regulares vamos encontrar alunos “baldas”, ou seja, a principal diferença não está no tipo de ensino mas sim na atitude, vontade de aprender e determinação de cada aluno, para fazer cada dia melhor. Face a esta experiência, que vivi e que continuo a viver como estudante, penso que as duas modalidades de ensino são positivas. Haja vontade por parte dos alunos e bons métodos por parte dos professores. A escola é um local de ensino, de aprendizagem, de diversão, de prazer, de socialização. É preciso que nós saibamos utilizar todas estas mais valias, não esquecendo que um futuro se constrói a partir do saber adquirido na escola, com os amigos e na vida.

STUDENTS’ VOICES Discrimination Racism

Stereotypes

I feel like I don’t belong here. I feel like nobody understands me. People mock People criticize People hurt. I would like to be free Free from this hell Who can I talk to? Who can I trust?

So if I don’t fit to your liking? And I don’t wear what you wear? You don’t even look around to see if I’m missing… You just don’t really care.

Diana Morais, 9º A

What about talking to me? And getting to really know me… You shouldn’t trust what you see. You make mistakes, Oh, you do! But I’m willing to forgive Because I’m not like you!

I don’t get along with popular people I get along with who deserves! You think you can just ignore me, That really gets on my nerves.

Sara Barros, 9ºA


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LICEU 15

JUVENTUDE CRIATIVA 2

O regresso da chuva

o livro

da minha vida

MARTA COSTA | 11º C

Finalmente choveu. Caiu água em abundância. Dias frios acompanhados de chuva fazem hoje a alegria de muita gente. Desenham-se sorrisos e perspectivam-se colheitas. É sempre assim. A água a correr em abundância é sempre sinónimo de prosperidade. Longe as cheias que destroem e tempestades que trazem o caos e a ruína. Os campos secos faziam desesperar aqueles que ao campo vão buscar o seu alimento e o fruto do seu trabalho, que se lamentavam e receavam pelo futuro das suas culturas. Presos à sua religiosidade chamavam pela chuva que nunca mais chegava. Na urbe, cidadãos receavam o corte da água. Habituados a uma higiene diária, não prescindem de muita água a correr a jorros em chuveiros, em banheiras ou em piscinas. Animais, na sua aparente irracionalidade/racionalidade faziam uma

busca incessante por alimento, que escasseava a olhos vistos. Bragança era notícia de jornal e televisão. Pelos piores motivos, responsáveis alertavam as populações que, incrédulas, acreditavam que o Azibo era a porta aberta para a salvação. E a chuva chegou. O céu toldouse de cinzento depois de os meteorologistas terem feito as suas previsões. Não se enganaram. Todos agradecem o regresso deste precioso líquido que, apesar de molhar os pés, causar constipações e convidar à cama, é o bem mais precioso que existe neste planeta. Por mim, que oiço falar da água e vejo gente triste em tempos de seca, observo atento a transformação nos hábitos e no humor dos meus conterrâneos.Bendita água que tanta felicidade nos trazes. Haja água e seremos todos felizes

“O RAPAZ DO PIJAMA ÀS Após a leitura de um livro, este sujeita-se a dois possíveis dest inos: ou é votado ao esquecimento ou, então, deixa uma marca inde lével na nossa vida. Quando isto acon tece, mesmo passados alguns anos, até os pequenos pormenores permanecem presentes. É sobr e um livro destes de que vos vou falar . Assim, lembro-me de um livro que, apesar de já o ter lido há algum tempo, recordo tão bem como se o tivesse lido há apenas dias. Refiro-me a “O Rapaz do Pija ma às Riscas”, de John Boyne. Con ta-nos uma história sobre a amizade e sobre a inocência das crianças , num mundo de guerra, durante a época em que foram cometidas as maiores atrocidades de toda a Hist ória, a 2º Guerra Mundial. Esta história tem início com a promoção do pai de Brun o, um rapaz alemão de nove ano s, para

RISCAS”

comandante de um campo de concentração; são assim forç ados a mudarem-se para Auchwitz, onde este se sente muito sozinho , uma vez que não tinha ninguém com quem brincar. Certo dia, Bruno descobre que, atrás de uma cerca, vivem muitos adultos e crianças, cuja farda de prisioneiro este confund e com um pijama. Isto e a consequ ente curiosidade de Bruno levam-n o ao encontro de Shmuel, um rapa z da sua idade, judeu, que também vestia um “pijama às riscas”. A partir deste momento, nasce uma grande e secreta amizade entre as duas crianças. Um dia, após Shmuel contar a Bruno que o seu pai desapare cera, este resolve passar a cerc a e ajudar o amigo a encontrá -lo. É apenas nesta altura que Brun o se apercebe que, ao contrário do que

pensava, atrás da cerca as pessoas não eram nem livres nem felizes. No entanto, quando Brun o se preparava para voltar para casa, os guardas mandaram-nos entrar numa câmara de gás, ond e estes morreram de mãos dadas. Neste livro há dois aspectos que considero importantes: o prim eiro diz respeito à atitude de egoí smo, cobardia e, ao mesmo tem po, de inocência de Bruno e a modéstia de Shmuel; o segundo tem a ver com a consciencialização, por part e do pai de Bruno, da enorme monstru osidade, com a qual compactuava , só quando foi também atingido pelo mal que ele infligia ao povo jude u. Por tudo isto, recomendo a sua leitura, tanto aos que não gostam de ler, como àqueles que já cultivam este hábito tão salutar.

Inês Pires | 10º B

Steve Turner reinterpretation Who made a mess?

MESSAGES TO THE WORLD

Who made a mess?

We do not reduce, reuse and recycle We throw fumes and rubbish on the planet. We use many aerosol sprays and this will change the climate.

Who made a mess of the planet And what’s that bad smell in the breeze? Who punched a hole in the ozone And who took an axe to my trees?

It was us that did it And we put the scent on the breeze We’ve harmed the ozone layer But we promise not to cut more trees.

Who sprayed the garden with poison While trying to scare off a fly? Who streaked the water with oil slicks And who let my fish choke and die?

The bad men Who make money and get rich The distracted people That destroy the good things that exist.

Who tossed that junk in the river And who stained the fresh air with fumes? Who tore the fields with a digger And who blocked my favourite views?

All of us did it It was man who didn’t care It was the world of the greedy That created this nightmare.

Who’s going to tidy up later And who’s going to find what you’ve lost? Who’s going to say that they’re sorry And who’s going to carry the cost?

Who will deal with all the errors are the young ones of the future who’ll find the crap that was made by the older ones, by our culture.

Steve Turner

João Filipe, João Luís, Nádia Silva, Lilian Atenor, Pedro Cunha, Ricardo César, Júlio Fernandes, Rúben Barreira, 8º B

The deadly Aerosol Sprays That kill innocent flies. The water pollution from factories That let the fish to die. It was the Garbage Company And the dusty human mind It was their drivers A.K.A human kind I care about the environment but Nobody wants to work, fix or find what is lost. I say the humans are sorry but If we all join we can reduce the pollution cost. Ariana Fernandes, Inês Trovisco, Eduardo Afonso, Guilherme Madureira, Eduardo Silva, João Silva, 8º D


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JUVENTUDE CRIATIVA 3

Não se vive sem esforço

o livro

ida da minha v

MARTA COSTA | 11º C

Seis e meia da manhã. Toca o despertador. De imediato, como se de um inimigo se tratasse faço calar quem me acorda tão cedo. Depois começa a luta entre o quente da cama e o frio que me espreita lá fora. Segunda vez. E o toque estridente daquele despertador que me acompanha há anos parece fazer-me um ultimato. Não tenho outro remédio. Sonho com o fim de semana que não mais chega ou com férias ainda longínquas. Faltar à escola não está nos meus planos. Nunca faltei nem cheguei atrasada. Em silêncio quebro todos os elos da minha preguiça matinal. Não sou única. Vou vencer mais um dia. O futuro está lá fora e eu faço parte do futuro. Levantar da cama é sempre difícil mas não tenho escolha. A partir daí é o habitual: lavar a cara, escovar o cabelo, vestir, tomar o pequeno-almoço e ir a correr para a paragem do autocarro. Sete e dez. Entro no autocarro, meia dúzia de caras cobertas de sono dão me os “bons dias” num tom um pouco

forçado. A viagem dura uma hora e dez minutos. Uns aproveitam para dormir, outros para ouvir música e ainda há quem estude. Tudo numa tentativa de fazer com que o tempo passe. Oito e vinte. Chego ao meu destino. Cumprimento os meus amigos, rolam dois dedos de conversa e vamos para as salas de aula. Assim começa uma longa maratona de oito horas. Ser aluno é fácil, basta fazer o sacrifício de levantar cedo e ter o corpo presente na sala de aula, ainda que a mente ande a vaguear. Ser estudante já é mais difícil. É necessário muito esforço e força de vontade. Muitos dias chegamos a casa e estamos a rebentar pelas costuras de trabalhos de casa e revisões, para não falar daquelas semanas em que temos três testes e mais de cem páginas de matéria para estudar para cada um. É super exaustivo. Desejamos que cheguem as férias ou então até as semanas de entregas, só para termos algum descanso. Se isto é difícil para quem tem a escola perto de casa e demora

no máximo vinte minutos a chegar a casa, imaginem como será para os alunos que, por viverem nas aldeias, chegam a casa às sete da noite e ficam com um tempo muito limitado. Mas nada é impossível. Lá em casa também há quem faça sacrifícios. Pais, irmãos, tios e primos vivem do trabalho. Não há viver sem esforço. Depois o prémio, o descanso, o se estar bem só se conquista através da dificuldade. Poucos são os que vivem do que lhes é dado. Lembro-me que os ricos também trabalham, também se esforçam e tentam no aperfeiçoamento a melhoria para as suas vidas. Levantam-se cedo e lutam contra a comodidade da cama. Na Suíça, na Islândia e na Noruega, países tão gélidos, como será? Certamente que se levantam cedo. Muito cedo e têm frio. Neste Portugal, à beira-mar plantado, onde o frio também apoquenta, é a vez desta cidadã, embora jovem, cumprir o ritual que a acompanhará ao longo da sua vida, a dar os primeiros passos. E oxalá seja sempre assim.

Orlando Ribeiro, senhor geografia

“A LUA DE JOANA” Neste texto vamos falar de um livro que nos marcou de forma particular, quer pelo seu caráter reflexivo, quer pelo interesse que provoca. A obra que consideramos ser o livro da nossa vida é: “A Lua de Joana”, de Maria Tere sa Maia González. “A Lua de Joana” não nos foi recomendado por ninguém. Contudo, era uma obra bastante referenciada e por isso despertou-nos curiosid ade. Lemos este livro quando frequentávamos o 6º ano. “A Lua de Joana” relata a emo cionante história de uma jovem chamada Joana que viu partir a sua melhor ami ga, Marta, também ela uma jovem. Marta enveredou pelo caminho das drogas e acabou por falecer. Esta perda tornou-se irremediável para Joan a, que sentia necessidade de continuar a contar tudo à sua amiga do coração. Deste modo, Joana começou a escrever diariamente cartas à sua falecida amiga, contando-lhe as novidades de cada dia. Porém, Joana nunca se conformou com a perda de Marta e também ela acabou por se envolver no mundo das drogas e partiu para junto da sua amiga. Em suma, este livro tem um misto de emoção e curiosidade, alertando-nos, de form a indireta, para os perigos das drogas, para a importâ ncia dos amigos e da família na nossa vida e ensina-nos a gostar de ler ao cativar-nos através desta interessante hist ória! Ana Pereira e Isabel Pereira

| 10º B

ALUNOS do 7º ANO

Retrato do Professor Orlando Ribeiro

Comemora-se este ano o centenário de Orlando Ribeiro, o maior geógrafo português do século passado. Dedicado ao ensino e investigação em Geografia, Orlando Ribeiro é considerado o renovador desta ciência no Portugal do século XX, e o geógrafo português com mais ampla projecção a nível internacional. No entanto, a sua vasta obra, produzida a par da longa e intensa carreira como professor e investigador universitário, abarca muito mais do que avanços científicos na Geografia, e revela uma diversidade de interesses e intervenções que desenham uma invulgar geografia intelectual. A renovação da Geografia, é antes de mais fruto de um espírito humanista que desde os anos do liceu impulsionava o estudante Orlando Ribeiro para o conhecimento da História, da Antropologia, da Etnografia, através do contacto, entre outros, com David Lopes, seu professor, e Leite de Vasconcellos, de quem foi também, desde muito jovem e ao longo da vida, dedicado discípulo. Mas o alargamento de horizontes

da Geografia como ciência é também resultado do seu espírito curioso e independente que, ainda nos bancos da escola, o levou a manter ligações com cientistas de outras áreas, onde procurou alicerces de uma formação naturalista que sempre consideraria indispensável a um geógrafo. Aprendeu geologia trabalhando no campo com Fleury e colaborando mais tarde com Carlos Teixeira e Zbyszewsky. É sobre Goethe a sua primeira conferência, no ano do centenário da morte do escritor (1932), e o seu primeiro artigo, Geografia humana, é publicado, em 1934, numa revista de medicina. Licenciado em Geografia e História em 1932, Orlando Ribeiro doutorou-se em Geografia pela Universidade de Lisboa em 1936, com a tese A Arrábida, esboço geográfico. Em 1937 segue para Paris como Leitor de Português na Sorbonne, onde viria a alargar horizontes com mestres como Marc Bloch, E. de Martonne e A. Demangeon. De regresso a Portugal em 1940, foi sucessivamente nomeado Professor em Coimbra e

em Lisboa onde, em 1943, fundou o Centro de Estudos Geográficos. A colaboração científica internacional foi, com efeito, outro aspecto marcante da actividade de Orlando Ribeiro. Em 1949 organizou em Lisboa o que seria, no pós-guerra, o primeiro Congresso da União Geográfica Internacional, organização para que viria a ser nomeado Primeiro Vice-Presidente em 1952. São talvez as viagens, e os trabalhos delas resultantes, o melhor testemunho da sua actividade como geógrafo. Viajante incansável, sobretudo em Portugal e Espanha na década de 40, e pelo Mundo fora entre 19501965, com destaque para o ultramar português, Orlando Ribeiro oferecenos leituras de muitos lugares do Mundo em que a observação científica não se desliga da natureza como um todo, dos costumes, da arte e, sobretudo, do elemento humano.


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LICEU 17

CRÓNICA

Era uma vez... a magia de educar Uma fábula grega muito actual ANA CORTINHAS

A história dos povos está repleta de exemplos que demonstram a preocupação com a educação. O excerto seguinte, um dos muitos com os quais somos bombardeados diariamente no nosso correio electrónico, chamou-me a atenção e pareceu-me interessante partilhá-lo com mais alguém… O enredo retrata a forma como Licurgo, um Legislador que viveu no séc. VII a.C., demonstrou a uma plateia, a importância da educação para cada um e para a vida em sociedade: …“ Conta-se que Licurgo foi convidado a proferir uma palestra a respeito da educação. Aceitou o convite e pediu o prazo de seis meses para se preparar. Esse pedido causou admiração, pois todos sabiam que ele tinha capacidade e condições de falar a qualquer momento sobre o tema. Passados os seis meses, Licurgo compareceu perante o povo em expectativa. Postou-se à tribuna e logo de seguida entraram dois criados, cada um trazendo duas gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo

duas lebres e dois cães. A um sinal previamente estabelecido, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e a pequena lebre, branca, saiu a correr espantada. Logo de seguida o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu a correr atrás da lebre. Alcançou-a com destreza e matou-a rapidamente. A cena chocou todos os presentes. Um grande silêncio tomou conta da assembleia e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Contudo, nada falou. Repetiu o sinal e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão. O povo mal continha a respiração. Alguns, mais sensíveis, levaram as mãos aos olhos para não ver a morte bárbara do indefeso animalzinho que corria e saltava pelo palco. No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, em vez de mordê-la, bateu-lhe com a pata e ela caiu. Depois a lebre ergueu-se e ficou a brincar com o cão. Para surpresa de

todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, saltitando de um lado para o outro do palco. Então, Licurgo tomou a palavra: – Povo de Esparta. O que acabais de assistir é uma demonstração do que pode a educação. Ambas as lebres são filhas da mesma mãe, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães. A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação que lhes dei – E prosseguiu vivamente o seu discurso, dizendo das excelências do processo educativo: – A educação, baseada numa concepção exacta da vida, transformaria a face do mundo. Eduquemos os nossos filhos, esclareçamos a sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos aos seus corações, ensinemo-los a despojarem-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em tornarmo-nos melhores. Percebese, portanto, que a educação não se constitui num mero estabelecimento

de informações, mas sim em trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam”. Muito se tem falado acerca do termo “educar”, surgem métodos, teorias, palestras, ações…, enfim, um sem número de estratégias, modelos a aplicar, no sentido de desmistificar este ou aquele comportamento, de justificar esta ou aquela atitude. Perante uma situação inesperada qual a resposta mais eficaz? Em que fase da nossa vida começa este processo complexo de educar? A quem cabe tal tarefa? E se houver falhas, quem assume a responsabilidade? Etimologicamente, o termo educar, deriva do latim e-ducere e significa “conduzir para fora de”, “extrair”. Segundo a visão de Paulo Freire* (1981) “…ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo.”… Esta afirmação vai ao encontro o sentido inicial do termo, pois pressupõe que cabe a cada um de nós fornecer elementos, exemplos, para que a educação se

desenvolva a partir da consciência de cada um. O sentido último é o de apontar um caminho que leve o sujeito de um lugar para outro. Deveras importante, senão fundamental neste longo e complexo processo de educar é o papel da sociedade, que deve investir mais e melhor na educação, na escola. “Ao ensinar, o Mestre orienta seus alunos sem arrastá-los; convida-os a avançar mas não os coage; abrelhes caminhos mas não os força a caminhar. Orientando sem arrastar, torna o que se aprende agradável; convidando sem coagir, torna o que se aprende fácil; abrindo caminho sem forçar a caminhada, faz com que seus alunos pensem por si mesmos.” Era bom se fosse assim… Deixo aqui algumas questões que me inquietam: O que está mal na sociedade de hoje em dia? Quem falhou? Porquê? Haverá um ponto de viragem? Afinal o que é mesmo EDUCAR?

A procura dos paraísos verdes Durante alguns anos assistimos a uma pseudo-dinâmica de desenvolvimento rural Adriano valadar

Não, não é “ruralmente correcto”, as pessoas não vão para o campo à procura das suas raízes, vão simplesmente explorar um território que começa onde acaba a cidade. Os meios rurais nem somente têm sofrido grandes transformações, como se tornam cada vez mais difíceis de definir. Antigamente as aldeias eram um espaço de culturas e criação de gado. Hoje, deitando uma vista de olhos aos censos, onde se assiste a uma desertificação sem precedentes, vemos que só uma pequena parcela do meio rural é explorado pela agricultura: o monopólio da cultura agrícola sobre a definição do campo desapareceu. Para a maioria dos portugueses, o campo começa a tornar-se antes de mais uma paisagem e um património natural, vem somente depois a agricultura e a sociedade rural agrícola. O campo

aparece cada vez mais pelo seu carácter pitoresco e paisagístico, um espaço a ser conservado ou consagrado mesmo. Nas aldeias, nos últimos 50 anos, há vagas de residentes que merecem talvez um pequeno acampamento para uma reflexão mais próxima. As aldeias médias tinham uma população importante, basta dizer que nas escolas funcionavam em média duas turmas em simultâneo. A emigração é um aspecto que reveste grande importância também na construção ou desconstrução da identidade social das nossas aldeias. Os emigrantes da Europa regressavam facilmente para visitar a aldeia natal e construir as suas casas (não pretendo manifestar-me sobre o aspecto arquitectónico!) e passar as suas férias, sim férias, pois para muitos era uma palavra e uma realidade novas. O café e a mercearia da

aldeia eram testemunhas de relativos aumentos pecuniários nas suas gavetas, mas havia sobretudo ricas e sinceras manifestações de alegria e muita felicidade nos rostos das pessoas. Onde estão essas emigrantes e quem os acolheu no seu regresso, cansados e com os olhos inchados de tanta lágrima conter?! Durante alguns anos assistimos a uma pseudo-dinâmica de desenvolvimento local, onde não faltaram programas e projectos rurais. Mas esses financiamentos europeus dispuseram de pouco tempo e empenhamento para um trabalho de “fundo”, que conferisse uma real autonomia e obrigasse os diferentes actores a dialogar. Verificou-se uma ausência de financiamento de “matéria cinzenta” (estudos, formação) mais do que o financiamento de infra-estruturas e equipamentos. Surgem agora fragmentos de uma

nova geração marcada pelo regresso à natureza, tentando romper com a cidade e inventar uma sociedade de substituição, capazes de salvar a paisagem e o património ao fimde-semana. Mas estes poucos “biresidentes” residentes não querem que a vida local interfira com os seus sonhos e que, paradoxalmente os implique na vida local. Nem mundanos, nem extra-mundanos, encontram-se na estratégia de esquiva. O problema até nem é integrarem-se à vida local mas sim serem aceites, pretendendo ter os mesmos direitos, mas não os mesmos deveres. Dizem bom dia mas não aceitam as pessoas em suas casas. Contrariamente ao que se diz, não vêm para se implicar na sociedade rural. Não procuram uma sociedade, mas sim uma companhia escolhida. Vêm atrás amigos, familiares ou outros, não as pessoas da aldeia.

Esta procura dos meios rurais, pode ser sintoma de um certo malestar social. Efectivamente, o indivíduo que possui duas residências, dividido entre a aldeia e a cidade, não participa nas associações nem da aldeia, nem do bairro. “Tem mais que fazer”: cortar a relva do jardim ou reunir os amigos e familiares. O indivíduo volta-se cada vez mais para o familiar, o tribal. Temos razões para nos preocuparmos com o esmigalhamento da sociedade em sociedades cada vez mais individualistas ao ponto de as mesmas não se verem como tal. Cada um vai construindo o seu microcosmo, subtraindo-se ao colectivo, regressando à aldeia só em ocasiões graves: doença, desemprego ou quando uma trovoada inunda a casa. Procura-se um mundo cada vez mais fechado, numa ordem de protecção de si e dos seus.


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LICEU |

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CRÓNICA

Três escritores a Nordeste A M. Pires Cabral, Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira FERNANDO BRANCO

Pretendo hoje fazer referência a três notáveis homens de letras e de cultura nascidos no Nordeste Transmontano, e em cuja escrita a nossa terra assume um papel de relevo. O maior escritor não só do Nordeste como, em nossa opinião, transmontano é o poeta, romancista e contista A. M. Pires Cabral, nascido em Chacim, Macedo de Cavaleiros, em 1941. É um escritor de renome nacional e venceu muito justamente alguns dos prémios mais prestigiados de Portugal: Luís Miguel Nava (Poesia), PEN Club (Poesia), APE (Conto), etc. A sua escrita quer na ficção quer na poesia é austera, sóbria, despojada, procurando a beleza da claridade e da simplicidade. Os seus temas partem da terra, da gente, da paisagem de onde surgiu para a luz e onde se move. Através do seu estilo leve, mas elegante e sofisticado,

apresenta-nos um extraordinário quadro desta região, embora seja a partir desse regionalismo essencial que ele se projecta enquanto escritor de dimensão nacional e internacional. Em cada personagem, em cada reflexão poética sobre o ser, o homem e a sua condição existencial no mundo e na vida, ele visa o homem intemporal e universal, isto é, o homem nas suas forças e nas suas fraquezas, em qualquer tempo e em qualquer espaço. Falo-vos de seguida de Ernesto Rodrigues, nascido em Torre de Dona Chama em 1955. Professor Universitário na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e notável investigador na área literária e cultural, com uma obra ensaística, romanesca, poética e de tradução verdadeiramente notáveis. É um intelectual e um erudito de um saber verdadeira-

mente enciclopédico e a sua escrita revela, por vezes, essa marca cultista, a requerer um leitor activo e empenhado. O seu texto é uma teia, um mapa, um labirinto de sentidos exigindo o consequente fio de Ariadne da atenção e da concentração. É de salientar a sua passagem como professor pela Hungria; o seu perfeito domínio da língua húngara permitiu-lhe traduzir para português alguns importantes poetas húngaros. Essa antologia encontra-se de resto na biblioteca da nossa escola, onde foi aluno, diga-se. É também presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Finalmente, falarei de Amadeu Ferreira, com o pseudónimo literário de Francisco Niebro, natural de Sendim, Miranda do Douro, nascido em 1950. Professor de Direito, em Lisboa, Vice-Presidente da CMVM, tem uma

vasta obra na poesia, no romance, no conto, no Direito, na pesquisa histórica e linguística. Não obstante, a sua coroa de glória é a forma como ele se funde e confunde com a sua língua de berço, o mirandês. Tem exercido uma acção notável na divulgação e preservação do mirandês, através da sua obra própria, da tradução de grandes obras para mirandês, como Os Lusíadas, Mensagem, ou do apoio a escritores da terra que se queiram expressar nessa língua minoritária, mas que não deixa de ser a segunda língua oficial de Portugal. Recentemente, decidiu invadir a Cidade de Deus com a sua língua, traduzindo para mirandês “Os Quatro Evangelhos”.

também este o sentido que Sócrates, o grande mestre da filosofia da antiguidade clássica, nos propunha com a frase “conhece-te a ti mesmo”? Paralelamente a este movimento dos anos setenta do século passado nos EUA, surge uma outra corrente na Alemanha com Gerd Achenbach onde se realça a dimensão ética da filosofia aplicada como meio para a felicidade. No nosso país, com as devidas diferenças temporais, que nos vão separando das sociedades referidas, estão agora a emergir os seguidores quer da escola alemã quer da americana na tentativa de valorizar a filosofia nesta dimensão ética e prática. Surgem consultas filosóficas para resolver conflitos existenciais que outras áreas científicas não estão a dar resposta. A filosofia já não é só a do ensino secundário e a dessa classe restrita que se dedica ao seu estudo. Cada vez aparecem mais escolas com pro-

gramas de filosofia para crianças, vão surgindo consultórios de filosofia… Também é interessante verificar-se a legislação que recentemente foi publicada, Dec. Lei nº50/2011 de 8 de Abril. Dá a possibilidade, ao aluno do 11º ano, de substituir o exame nacional de uma disciplina específica bienal pelo exame de filosofia. Estranha-se? Talvez não. Ainda que as vozes contra a filosofia proliferem, ela está aí, faz parte das nossas vidas, das decisões mais ou menos importantes que tenhamos de tomar. É o aprender a viver percorrendo o caminho ao encontro da felicidade pessoal e da humanidade. “Poder-se-ia viver sem filosofia? Certamente que podia, mas não era a mesma coisa.” Compete à filosofia contribuir para um mundo melhor.

Dia da filosofia Qual a importância da filosofia nas dias de hoje? ANTÓNIO FERNANDES

Na terceira quinta-feira do mês de Novembro, comemora-se o dia da filosofia. Fará sentido comemorar o dia da filosofia? Qual a importância que pode ter a filosofia num mundo tão agarrado à utilidade prática das coisas se ela não serve para nada? Se é uma pura atividade de abstração que normalmente se associa a uma nítida perda de tempo e que não traz qualquer proveito? Aqui está precisamente uma questão pertinente “não serve para nada”. Hoje em dia, torna-se cada vez mais imperativo, lembrar a filosofia. A filosofia serve de facto para cada um encontrar o sentido da vida. Ela está nas mais diversas atividades da condição humana. Quando digo cada um, é mesmo uma tarefa pessoal que todos experienciamos, são decisões que a cada um dizem respeito e não podemos esperar que os outros tomem

por nós. A este propósito, gostaria de lembrar Lou Marinoff e o seu livro Mais Platão, menos Prozac. Filósofo americano, atento ao frenesim diabólico em que as pessoas viviam na procura de dar resposta às exigências de uma vida utilitária assente no ter e no possuir cada vez mais, para de seguida responder a novas necessidades subjugadas a modelos economicistas. Nesta corrida, as pessoas começam a manifestar a ausência de sentido na vida. Surgem as inquietações, angústias e frustrações. Não há projetos de vida. Para estar em forma e continuar a dar resposta a esta escalada de novas exigências, recorre-se ao prozac. Lou Marinoff, propõe uma coisa simples: em vez de procurar ajuda externa no antidepressivo, porque não voltar-se para si próprio e, através da reflexão, encontrar o sentido da vida que queremos ter? Ou seja -- mais Platão. Não será


Escola Secundária Emídio Garcia | Nº 3 | 1ª Edição 2011 / 2012 |

LICEU 19

CRÓNICA

Padre António Vieira e a oratória JOÃO CABRITA

I

mperador da língua portuguesa lhe chamou Fernando Pessoa. Em Saramago, nos Cadernos de Lanzarote, Diário IV, de 21 de julho de 1996, lê-se “porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando ele a escreveu”. Margarida Vieira Mendes, a maior estudiosa na contemporaneidade, afirma em A Oratória Barroca de Vieira, livro de referência para o estudo do jesuíta “Vieira é um ser verbal, um homem umbilicalmente atado à língua e com ela intimamente fundido – um verdadeiro organismo linguístico”.

Desenvolvendo o trabalho por si levado a cabo, é possível saber que, presumivelmente, no Brasil foram pregados 96 sermões, 89 em Portugal e 20 em Roma. Alegando motivos de saúde, Vieira volta ao Brasil pela última vez em 27 de janeiro de 1681 retirando-se para a Quinta do Tanque, a meia légua da cidade da Baía. Aí caíra, de noite, por um lanço de escadas de pedra, batera fortemente, sentindo-se molestado em todos os membros, não podendo por muito tempo segurar a perna. Persuadido de que era definitiva a lesão que lhe afetara as faculdades do intelecto, decidiu despedir- -se da correspondência da Europa, ditando uma carta-circular aos fidalgos e pessoas da corte, a quem usualmente escrevia, expondo os seus motivos. Perdera quase totalmente a vista. A audição também já lhe faltara. A 18 de julho de 1697 à uma hora da noite expirou.

Coberto de adjectivos, é dos poucos que escapou à amputação levada a cabo nos programas de Língua Portuguesa nas nossas escolas. Não tendo sido esquecido no centenário da sua morte, promoveu a Universidade Católica um congresso internacional onde se fizeram ouvir cerca de 400 congressistas. Inspirador de muitos que nas palavras e no gesto buscam o seu equilíbrio e a sua afirmação, exemplo de todos nós que procuramos na argumentação o modelo adequado para levarmos por diante os nossos intentos, recordemos este mestre da oratória que, apesar de já ter sido lido, recordado e estudado, não deixa de fazer parte das nossas vidas, independentemente do credo que abracemos. Primogénito de uma família de poucos recursos, que para a vida gerou seis filhos, nasceu em 5 de fevereiro de 1608 em Lisboa, em modesta casa da Rua dos Cónegos, vizinha da Sé. Seu pai, Cristóvão Vieira Rovasco, natural de Santarém e de origem alentejana de Moura, a mãe, Maria de Azevedo, era de Lisboa. Embora o seu primeiro biógrafo, o Padre André de Barros, o tenha considerado de estirpe nobre, consta de informações do Santo Ofício, que tanto o pai como o avô foram criados do conde de Unhão. Repartindo a sua vida entre Portugal e o Brasil, instala-se com a família na Baía em 1614, tendo fugido de casa dos pais, aos 15 anos, em 5 de maio de 1623, pede para ser admitido na Companhia de Jesus. Conquanto os padres não admitissem menores no noviciado sem o consentimento dos pais, a questão foi ultrapassada face às excelentes perspectivas que a carreira eclesiástica podia oferecer. Sendo nomeado sacerdote em 13 de dezembro de 1635, rege a cadeira de Retórica no Colégio de Olinda em fins de 1626 ou princípios de 1627, datando de 1633 o seu primeiro sermão pregado na Baía, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que denominou Dominga de Quarta da Quaresma. Regressado a Portugal, em 1641 e perfeitamente integrado no espírito da restauração,

Os manuscritos dispersos na cela e livraria do Colégio onde expirara, foram arrolados, conforme ordem precedente do Geral, e postos a recato em duas arcas, tendo o reitor do Colégio enviado a relação para Roma.

começou a ser moda ir ouvi-lo e Lisboa em peso corria aos sermões do jesuíta novato na corte. O entusiasmo era tal que, para reservar lugar, os ouvintes começaram a lançar tapetes de madrugada na igreja de São Roque para escutar o Padre Vieira. A sua prédica, pelo concurso de ouvintes e influência das suas palavras tinham, por vezes, aspecto de comícios em que se julgavam atos de governo e as individualidades mais altas. No Brasil, prega o Sermão de Santo António aos Peixes em 13 de junho de 1654 no Maranhão, o que lhe traz grandes dissabores. Com o nome de Santo António pregou Vieira nove sermões, sendo o primeiro em 1638 na Baía, na igreja de Santo António e o último com o mesmo nome entre 1672-1674, quando se deslocou a Roma em 1670 e por lá permaneceu cerca de seis anos. Em 1669 parte para Itália tentando conseguir junto do Papa a imunidade perante a Inquisição portuguesa, bem como a canonização dos mártires do Brasil. É grande a sua atividade como orador, sendo muitos os italianos que o vão ouvir. A rainha Cristina da Suécia que abdica do trono por conversão ao catolicismo por intermédio dos jesuítas, ouve-o e convida-o para seu pregador particular. Recusa. Aprende a língua italiana e é em Português e Italiano que fala para multidões no púlpito das igrejas romanas. Em 1679 começa a publi-

cação do primeiro volume dos seus sermões, num total de doze volumes, cuja publicação irá até 1699, data posterior ao seu falecimento. São cerca de duzentos sermões dados à estampa a partir de 1679. Onze sermões seus sairão, de forma avulsa, em folhetos, antes de 1679. Servindo-nos de Jorge de Sena que à literatura emprestou muito do seu talento no campo da matemática, são 205 os sermões pregados. Com a identificação do lugar e da data, afirma Jorge de Sena: - com lugar e data certa ou aproximada - 141 - com lugar e sem data (ou errada) - 8 - sem lugar e sem data - 56 - Total - 205 VIda do Pe António Vieira

Em 1720 retiraram da sepultura, na igreja do Colégio, os ossos de Vieira, para no mesmo local se inumar outro cadáver e se guardarem aqueles num caixão de madeira. Fazendo um exame aos despojos, verificaram que a parte côncava do crânio era semeada de partículas brilhantes como de metal, em que a luz faiscava, o que foi considerado natural para um homem de tão intensa vida intelectual. VIDA REPARTIDA 50 anos no Brasil Interesses da Companhia de Jesus 30 anos em Portugal Interesses da Coroa Portuguesa 9 anos na Europa

VIAGENS do Pe António Vieira

6 anos

Infância Lisboeta

1614

Parte para o Brasil

27 anos

Juventude Baiana

1641

Parte para Portugal

12 anos

Político Europeu

1653

Parte para o Brasil

8 anos

Missionário no Maranhão

1654

Parte para Portugal

20 anos

Em Portugal (semi-exílio em Roma)

1655

Parte para o Brasil

15,5 anos

Velhice

1661

Expulso do Maranhão, vem para Portugal

7

Viagens entre Portugal e Brasil

1681

Volta ao Brasil


LICEU ÚLTIMA PÁGINA 4

O voluntariado na “minha” escola

o livro

ida da minha v

A reportagem não foi tarefa fácil! Afonso de Sousa Balserida - Correspondente da TSF

Confesso que fiquei um pouco surpreendido! Quando cheguei à porta principal de entrada, depareime com um obstáculo impossível de contornar. Um fosso do lado de lá do portão que me obrigou a procurar, no meio das obras, uma possibilidade de acesso. Passei ali quatro anos e sempre pensei que conhecia os cantos da casa. Erro meu! Segunda tentativa pela porta do lado do centro de saúde ou do lar da Gulbenkian. Suspirei de alívio quando vi que estava aberta. Mas por pouco tempo. Dei comigo no meio dos contentores e com um responsável das obras a dizer, “por aqui não passa, tem que dar a volta pela catedral!”. “Lindo”, pensei… até já estava ligeiramente em cima da hora que tinha agendado para a entrevista com a turma de 12ºano. Lá fui, em passo apressado, para a entrada do eterno “caravela”. Sim, ainda ali está. Desta vez não entrei mas de certeza que também está diferente dos anos em que, com mais dois ou três da mesma idade, ali, no final dos anos oitenta, passei parte dos “furos”. Sorri para mim ao rever-me naquela quantidade de alunos, que agora e durante mais algum tempo vão fazer daquela entrada o sítio de acesso principal à “sua” escola. Sim é preciso carregar no “sua”! Porque

o Liceu sempre foi a “minha” escola. Sempre fizemos da posse, uma bandeira, principalmente junto da sempre rival Industrial. Apesar de estar esventrada, com aulas em contentores, com tábuas e ferros feitos escadas e corredores, apesar das obras encherem de pó e lama todos os acessos interiores e exteriores da Emídio Garcia, apesar de todos, alunos e professores, terem de entrar pelo terceiro e último acesso do edifício, aposto que todos aqueles estudantes têm orgulho na “sua” escola. E mais vão ter, com certeza, depois das obras mostrarem uma escola de futuro. Uma escola com possibilidades físicas para apoiar as gerações que se estão a criar e dar-lhes bases sólidas de ensino e preparação intelectual e cívica, como sempre aconteceu. Com mais orgulho fiquei, quando falei com a turma do Acácio Padrinhos. São apenas doze. Rapazes e raparigas. O ensinamento de teatro e as aprendizagens de desinibição, perante os outros, reforça-lhes a estima. Mas mais do que isso, leva-os a diversas instituições de solidariedade social da cidade, onde com as suas representações oferecem alegria a novos e idosos. Tudo voluntariamente! Disseram-me, nos testemunhos que recolhi para a peça

Acção de alunos do projecto de voluntariado na APADI

“CADERNETA DE CROMOS ” da TSF, que gostam de fazer o que fazem, não só pelos momentos diferentes que vivem com os diversos públicos, não só pelos sorrisos que proporcionam, não só pelos aplausos que recebem, mas principalmente porque, aquilo tudo, lhes enche a “alma” de satisfação e os preenche enquanto alunos e actores. Confesso que gostei de voltar à escola… à “minha” escola. Voltei a sentir aquele orgulho egoísta do meu passado. Gostei de ver esta abertura, da Emídio Garcia, à sociedade. Da disponibilidade do professor Carlos em responder a qualquer solicitação dos alunos e de ver o Professor Teófilo imiscuído nas eleições dos alunos. Revi uma escola, fisicamente virada do avesso, nas trincheiras, mas sempre digna no serviço para o qual está vocacionada: ensinar e educar para uma prática social activa e com valores. Saí da “minha” escola com uma certeza, o Liceu vale pelas pessoas que o fazem, desde os auxiliares, passando pelos alunos até aos professores. O edifício que, no passado, foi o sítio de orgulho de muitos, agora, com as mudanças físicas que está a sofrer, será de certeza um local de referência para toda a comunidade humana que o habita e que um dia, como eu, se orgulhará dele quando lá voltar.

Foi-nos proposto fazer uma composição subordinada ao tema “O Livro da minha Vida ”. Não tendo concordado mui to com este título (devido ao fact o de ser improvável dois alunos, sentados na mesma mes a, terem o mesmo livro favorito e ainda isto acontecer com treze pares de alunos) reso lvemos mudá-lo. Assim sendo, a nossa composição chama-se “Uma Escolha a Pares”. Escolhemos o livro “Cadern eta de Cromos”, de Nuno Markl, visto considererarmos que é um livro diferente, divertido , acessível e em que podemos escolher o “cromo” que nos interessa ler. Além disso, gost amos do tema do livro (os ano s 70 e 80), do próprio autor e costumamos ouvir o program a da “Caderneta de Cromos” na Rádio Comercial. Como já demos a entender, não é um livro muito complicado de ler, quiçá comparável aos livros “Boca do inferno” de Ricardo Araújo Pereira em term os de estrutura – ambos são conjuntos de crónicas – e até no tom algo irónico e brincalhão característico de um hum orista como Markl. O cromo mais célebre é, dece rto, o do gelado Fizz Limão – desaparecido das arcas da Olá há cerca de vinte/trinta ano s e resgatado através de uma petição de um ouvinte no Face book. Como diria Markl: “O D. Sebastião dos gelados regressou! Já não é preciso despir-m e ou patinar no gelo! E tudo graças ao meu ouvinte Ricardo Augusto!” Findamos então o nosso text o com a recomendação deste livro, que nos traz um “che irinho” de há vinte/trinta ano s atrás, num mundo de Peta Zetas explosivos, bolachas Belinhas, calças que picam e jogo s perigosos como o jogo do Espeta e o jogo do Alho.

Professor Acácio Pradinhos mostra as suas habilidades

Inês Vaz e Telma Vaz | 10º B


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