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S么nia Brand茫o

O muro e a flor


O MURO E A FLOR


Sônia Brandão

O MURO E A FLOR poemas & fotos

Bauru - 2013 Edições Barravento 1ª edição


ÍNDICE

Poesia – 9 Rio Seco – 10 As janelas – 11 Poente – 12 Hora da desolação – 13 Dor – 14 O barro do esquecimento – 15 Gregueria – 16 Teus olhos beberam – 17 O muro e a flor – 18 Memória – 19 Bolero de Ravel – 20 A janela cega – 21 As violetas – 22


Dormir – 23 O rosto da morte – 24 Silêncio – 25 Alba – 26 A flor da aflição – 27 Enigma – 28 Espera – 29 Ainda há canções – 30 Labirinto – 31 Memento – 32 Ninho – 33 A última paisagem – 34


A poesia Um campo de girass贸is entontecidos de luz.

9


Rio seco Os barcos se afogam nas รกguas dos olhos do pescador.

10


As janelas As janelas das casas s찾o espelhos do tempo quando murcharam todos os caminhos e onde apenas brotam as flores do esquecimento. S처 os olhos de pedra se lembrar찾o para sempre. 11


Poente O meu alimento ĂŠ o sangue do sol poente.

12


Hora da desolação Os salgueiros choram sobre o sangue dos galos degolados.

13


Dor Mataram as minhas borboletas azuis.

14


O barro do esquecimento

O silĂŞncio ĂŠ o alimento dos mortos.

15


Gregueria Leve-me flores quando o meu rel贸gio morrer.

16


Teus olhos beberam o leite da noite

De que cor ĂŠ a casa do esquecimento?

17


O muro e a flor

A flor encostada no muro, tenta decifrar o seu silĂŞncio.

18


Memória As lembranças crescem no sangue do sol poente. O velho poço tira as estrelas lá do alto. A terra se mistura com o pó dos pássaros e das borboletas e cega os olhos ressequidos dos velhos. Todas as canções se apagaram. É terrível o silêncio na garganta dos mortos. 19


Bolero de Ravel O dia desliza no tapete do tempo. Uma vassoura varre o pó dos homens que arrastam na noite as suas cicatrizes. Um bêbado conversa com as pedras da calçada. Na gaiola um papagaio dança o Bolero de Ravel.

20


A janela cega Debruçada na janela cega procuro o esquecimento. Penduro os olhos no varal do tempo para não ver a rosa que sangra no espelho.

21


As violetas O mundo ĂŠ uma concha vazia. As violetas pendem do silĂŞncio.

22


Dormir Dormir ĂŠ estender a rede sobre o precipĂ­cio.

23


O rosto da morte As vozes calam na noite. Todos os caminhos silenciam. A casa vestiu o rosto da morte. Estรก seco o poรงo onde lavamos nossos olhos. Apenas a morte conhece o que somos.

24


SilĂŞncio As nuvens se banham no silĂŞncio do rio.

25


Alba Bebo a água do dia O sol cintila em minha língua O vento dança em meus cabelos Meus pés descalços tocam a terra Uma toalha de silêncio verde Se estende diante de meus olhos Um pássaro paira no céu É azul a sombra do universo. 26


A flor da aflição São de pedra nossos dias. Sentados sob as árvores secas, tecemos a treva. Perdemos o caminho de volta. Sobre nossos ombros um cansaço de morte. Breve vestiremos a pele da terra.

27


Enigma

É difícil aprender o silêncio da pedra

28


Espera Quando a morte comeรงa a desfazer costuras.

29


Ainda há canções para cantar? Na cidade dura no concreto frio bocas concretas mastigam a vida. Nas mãos encardidas o peso da noite o peso da morte.

30


Labirinto A noite ĂŠ um labirinto de pedras. As palavras se quebram em minha boca.

31


Memento Desde o dia em que nascemos o espelho nos vĂŞ como terra.

32


Ninho De tanto olhar o ninho nos meus olhos nasceram pรกssaros.

33


A Ăşltima paisagem A noite lava a morte. Apaga a Ăşltima paisagem gravada nos olhos de pĂŠrola do peixe.

34

O muro e a flor  

livro de foto-poemas de Sônia Brandão

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