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APRESENTAÇÃO Esta lista de livros recomendados é fruto de uma necessidade. Incontáveis são as ocasiões em que estudantes e pessoas curiosas, amantes da leitura, perguntam sobre uma boa indicação bibliográfica. Quais seriam os títulos a se ler sobre o Brasil? De fato, o volume deles é tão avassalador nos dias de hoje que é quase impossível poder acompanhar as publicações que saem em fornadas das editoras. O leitor interessado chega a ficar tonto. A preocupação do Memorial do RS e da Câmara do Livro RioGrandense foi elaborar pequenas sínteses daqueles autores que nos parecem os mais significativos e relevantes e daquelas obras que contribuem para a formação geral dos cidadãos e dos interessados em cultura brasileira, independentemente de suas inclinações partidárias, ideológicas ou estéticas. A maioria dos livros arrolados é de história, sociologia e de literatura, pois elas são as áreas que mais oferecem condições para obter-se o conhecimento mais amplo sobre um povo. Listaram-se tanto os considerados como clássicos da cultura brasileira como outros, tidos como de apoio. Alternou-se tratados históricos com livros de ficção, desde que fossem fundamentais aos propósitos do Memorial do RS e da Câmara do Livro. Quanto às novelas e romances, encontrou-se uma limitação, visto não ser possível resenhar todas as que são significativas no espaço que nos coube. Ficaram assim de fora da presente listagem autores como Gregório de Matos, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Jorge Amado e tantos outros mais. Em parte porque eles são tão conhecidos, lidos e admirados que não necessitam entrar nesta relação porque já são muito lidos. Lamentou-se não ter incluído no rol outras expressões da nossa cultura tais como a música popular e erudita, as artes plásticas, a arquitetura, etc. Também, com uma outra exceção, evitou-se o regionalismo, procurando selecionar os livros que tratam sobre o Brasil de maneira mais geral e ampla.


ABREU, Capistrano de – Capítulos da História Colonial (1500-1800). Brasília, Editora da UnB. Conjunto de ensaios seminais sobre a história do período colonial feito pelo famoso historiador cearense José Capistrano de Abreu. É considerado o primeiro historiador a enfatizar as questões sócio-econômicas, diminuindo a importância da crônica política. Tratou da formação indígena nacional, dos descobridores, da organização da ocupação lusa em forma de capitanias, da presença francesa e espanhola do alargamento das fronteiras pela conquista do sertão. Desconsiderou o movimento da Inconfidência por ele não se ter concretizado, ter ficado apenas no plano das intenções.


ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de – “Pequena História da Formação Social Brasileira”. Rio de Janeiro, Editora Graal, 728 páginas. Manual de história brasileira, de 1981, com ênfase inicial nas atividades econômicas da sociedade escravista, a estrutura jurídicopolitica da etapa colonial, sua estrutura ideológica, a transição para a subordinação do país ao capitalismo mundial, sua respectiva estrutura jurídico-politica e ideologia, concluindo com etapa recente, a capitalista liberal.

ANDRADE, Mário de – Aspectos da Literatura Brasileira. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 288 páginas. Conjunto de ensaios do líder do movimento modernista brasileiro tratando da obra de Machado de Assis e de outros autores tidos como clássicos nacionais.

AZEVEDO, Fernando – “A Cultura Brasileira”. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 603 páginas. Levantamento da cultura brasileira, começando pelos condicionamentos geográficos do país (hidrografia, flora, fauna, migrações, etc.), acompanhados de capítulos dedicados às formações urbanas, à evolução sócio-política, à psicologia do povo brasileiro, a sua vida religiosa, intelectual, científica, cultural e artística, bem como pelas várias etapas percorridas pela educação desde os tempos coloniais até a formação das principais universidades do país.


BASTIDE, Roger – “Brasil, terra de contrastes”. São Paulo, Difusão Européia do livro, 282 páginas. Painel da sociedade brasileira feita por um sociólogo francês, enfatizando os contrastes entre o arcaico e o moderno. Começando com a descrição da Amazônia, a estrutura criada no litoral em torno da cana-de-açúcar, a presença africana, as minas, o café, o pampa, encerrando-se com um capítulo dedicado às letras e artes.

BIELSCHOWSKY, Ricardo – Pensamento Econômico Brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimento. São Paulo, Editora Contraponto, 480 páginas. A melhor exposição sobre as teoria e idéias econômicas que modelaram o Brasil do século XX, registro das polêmicas que envolveram liberais e desenvolvimentistas, estruturalistas e monetaristas, personalidades como Celso Furtado, Roberto Campos, etc., com grande ênfase no papel desempenhado pela CEPAL e seus seguidores no Brasil.

BOJUNGA, Clóvis – JK, o artista do impossível. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 798 páginas. Alentada biografia do presidente Juscelino, o construtor de Brasília e um dos principais arquitetos do Brasil moderno. Relato que acompanha o estadista desde os seus tempos de jovem médico da Força Pública de Minas Gerais até a sua morte trágica num acidente na estrada Rio-São Paulo, em 1976.


BOSI, Alfredo – “Dialética da Colonização”. São Paulo, Editora Companhia das Letras, 404 páginas. Uma série de 10 ensaios, nos quais o autor procura descrever os mecanismos de certos aspectos culturais do país, partindo dos tempos coloniais, de Anchieta, de Vieira, de Antonil, passando por Alencar e chegando até aos problemas raciais brasileiros e seus reflexos na literatura, encerrando-se com considerações sobre o nosso estágio cultural.

BOXER, Charles R. – “A Idade de Ouro do Brasil”. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 390 páginas. Painel da sociedade colonial brasileira no século XVIII, feito por um historiador inglês, descrevendo os efeitos econômicos da mineração que provocaram a expansão das fronteiras e a criação de gado.

CÂNDIDO, Antônio – “Formação da Literatura Brasileira: 1750-1880”. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2 volumes, 803 páginas. Notável estudo de como a literatura brasileira, que não descende das gestas medievais, mas que é resultado de uma “transplantação” cultural, misturada com elementos nativos e africanos, vai lentamente adquirindo personalidade própria, forjando sua linguagem e sua original temática.

CARDOSO, Fernando H. – Escravidão no Brasil Meridional. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1962. Tese pioneira na análise do trabalho escravo das relações escravistas numa parte bem pouco conhecida do Brasil; no Rio Grande do Sul. O autor, na época, era integrante da famosa escola de sociologia da USP (Universidade de São Paulo) e se dedicou a estudar o fenômeno da escravidão em outras paragens do Brasil, que não fossem as do Nordeste ou do Centro-Leste do país.


CARONE, Edgar – “A República Velha”, São Paulo, Difusão Européia do Livro, 2 volumes, 875 páginas. Dividido em um volume dedicado às instituições e classes sociais e outro à evolução política, abarcam a história brasileira desde a proclamação de 1889 até a revolução de 1930. São livros-marco de um grande projeto que cobre toda a história republicana brasileira sob o viés marxista Trabalho erudito, destacando-se pela impressionante informação qualitativa sobre a sociedade brasileira em geral. O autor seguiu publicando outros títulos ao longo da sua atividade como historiador das instituições e da vida política e econômico- social do Brasil do século XX.

CARVALHO, José Murilo de – “Construção da Ordem”, São Paulo, Editora Relume Dumará. Trata-se da história da burocracia imperial brasileira. É uma análise detalhada e profunda da composição dos grupos dirigentes, em particular a magistratura, que criaram o Estado-nacional e o consolidaram ao longo do Primeiro Reinado, da Regência e dos primeiros anos do Segundo Reinado.

CASCUDO, Luís da Câmara – “Dicionário do Folclore Brasileiro”. Rio de Janeiro, Ediouro, 930 páginas. Imenso arquivo coletado pelo autor, com o auxílio de vários outros colaboradores, para organizar, em verbetes, a vastidão da cultura popular brasileira, com suas raízes indígenas, seus caipiras com suas lendas e expressões singulares. Encontram-se, também, pequenas biografias de estudiosos dos nossos folclores, intercaladas com lendas de todas as regiões do país.


CASTRO, Josué – Geografia da Fome. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 318 páginas. Memorável ensaio de sociologia sócio-econômica, escrito no após-II GM, no qual o autor denuncia as mazelas sociais e os desequilíbrios regionais do Brasil, terminando com a visão eufórica que até então existia sobre o país. Acima de tudo, é um livro de denúncia que visava à mobilização nacional para superar a calamidade da fome, do impaludismo e das doenças decorrentes do atraso nacional e do descaso oficial.

CHACON, Vamireh – História dos Partidos Brasileiros. Brasília, Editora da UnB, 811 páginas. A mais abrangente história da vida partidária no Brasil moderno. Obra fundamental para o conhecimento das agremiações políticas que atuaram no Brasil desde o império. Divide-se o livro numa primeira parte, dedicada às formações políticas do império e das várias etapas republicanas (da Iª República em diante) para, depois, lhes analisar o conteúdo programático e ideológico.

CORTESÃO, Jaime – A carta de Pero Vaz de Caminha. Lisboa. Edições Livro de Portugal, 351 páginas. Além de contar com a edição íntegra do documento, segue-se uma detalhada análise da Carta de Caminha - que registra a descoberta do Brasil - feita por um notável historiador português exilado no Brasil.

COUTINHO, Afrânio – “Introdução à Literatura no Brasil”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 321 páginas. Classificação da literatura brasileira dentro dos grandes quadros culturais do barroco, do rococó, do romantismo, do realismo, do naturalismo, do parnasianismo até os movimentos modernos, tais como o simbolismo e o impressionismo, havendo, ainda, um especial sobre a semana da arte moderna e seu legado.


COUTO DE MAGALHÃES, General – “O Selvagem”, Belo Horizonte, Livraria Itatiaia - USP, 159 páginas. Grande trabalho etnográfico, concluído em 1876, que investiga o primitivo homem americano, as suposições de sua penetração no Brasil, as línguas faladas pelas tribos brasileiras, os tipos de raças e as mestiçagens ocorridas, bem como a estrutura familiar e a religião das nossas tribos, encerrando com um capítulo dedicado às mitologias tupi-guaranis.

CRUZ COSTA, - “Contribuição à História das idéias no Brasil”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 456 páginas. Obra dividida em três grandes momentos das idéias do Brasil: Primeiro expõe a herança portuguesa e as vicissitudes da formação colonial; depois as principais correntes filosóficas que por aqui aportaram ao longo do século XIX, especialmente o positivismo, alcançando até as considerações do presente, determinado pelo pósguerra.

CUNHA, Euclides – “Os Sertões”. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 471 páginas. Extraordinária obra, publicada em 1902, sobre a campanha de Canudos, arraial situado no sertão baiano onde, entre 1896-1897, várias colunas militares do governo republicano se enfrentaram com os sertanejos seguidores de Antônio Conselheiro. Livro que é, ao mesmo tempo, um ensaio literário e histórico, considerado um dos mais relevantes da cultura do Brasil.


DEAN, Warren – “A Industrialização de São Paulo”. São Paulo, Difusão Européia do Livro/USP, 269 paginas. História dos primórdios da industrialização do mais poderoso estado da união, e, por igual, como a burguesia industrial emergiu da burguesia rural e imigrante, entre 1880-1914, e os efeitos que a Primeira Guerra Mundial provocou na formação do nosso parque industrial.

DELLA CAVA, Ralph – “Milagre em Juazeiro”. Rio de janeiro, Editora Paz e Terra, 279 páginas. O Surgimento no Cariri, em pleno sertão cearense, da figura carismática do Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço” dos beatos e beatas. Notável estudo das condições sociais do interior do nordeste e dos conflitos internos da igreja católica brasileira com a européia, que conduziram à formação de um grande poder político ao redor do patriarca sertanejo.

DULLES, J.W.F – Getúlio Vargas: biografia política. Alentado ensaio historiográfico, redigido com isenção e objetividade por este autor norte-americano, sobre a personalidade política de Getúlio Vargas. Percorre a vida do estadista desde seus tempos de estudante e integrante do partido republicano riograndense (PRR), até sua derradeira ascensão ao poder. Além disso, é uma obra síntese da vida política nacional durante os anos do getulismo.


FAORO, Raymundo – “Os donos do Poder”, Porto Alegre, Editora Globo, 2 volumes, 750 páginas. Imenso ensaio histórico que trata da evolução política brasileira, desde suas origens, no estado português, até a eclosão da Revolução de 1930, e a reconcentração da vida política nacional feita por mecanismos autoritários. É uma tentativa de abordar a nossa história com os recursos da sociologia de Max Weber, dando ênfase nos aspectos administrativos, burocráticos e patrimonialísticos da nossa sociedade.

FAUSTO, Boris – História do Brasil. São Paulo, Edusp, 2002. 660 páginas. Novíssima história do Brasil, merecedora do Prêmio Jabuti. É obra da nova geração de historiadores, que enfatiza os aspectos econômicos e sociais da história brasileira no contexto da evolução dos sistemas econômicos internacionais.

FENELON, Dea Ribeiro (org.) – “50 textos de História do Brasil”, São Paulo, Editora Hucitec, 210 páginas. Volume utilíssimo na medida em que organiza os principais documentos e interpretações de momentos–chave da história brasileira desde o início da expansão ultramarina portuguesa; da fixação dos reinóis, nas terras coloniais, à organização e consolidação do estado nacional nos princípios da independência, até o Brasil dos anos de 1970.

FREYRE, Gilberto – “Casa-Grande e Senzala”. Rio de Janeiro, Editora José Olimpio, 572 páginas. Primeira parte da trilogia de uma história social do Brasil, surgida em 1933 (os outros volumes são “Sobrados e Mocambos” e “Ordem e Progresso”), entendida sob o


prisma do sincretismo cultural entre o branco, negro e o índio, com ênfase na presença luso-africana na configuração cultural e nos costumes gerais do Brasil. É um dos maiores clássicos da ensaística brasileira, obra verdadeiramente revolucionária e magistralmente bem escrita.

FURTADO, Celso – A Formação Econômica do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 256 páginas. A mais influente e difundida obra sobre a história econômica do Brasil. Livro publicado em início dos anos 50 do século XX, ideologicamente comprometido com o desenvolvimentismo e com o anticolonialismo, defensor da industrialização do país, segundo o intervencionismo advogado pela doutrina econômica da Cepal.

GASPARI, Élio – A Ditadura Envergonhada. São Paulo, Cia das Letras, 424 páginas. Primeiro livro de uma série de cinco que o autor pretende publicar sobre a história política da ditadura militar brasileira (1964-1985). A sua fonte principal de documentação é o acervo deixado pelo general Golbery do Couto e Silva, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), que ocupava posição estratégica em larga parte do período militar. É um relato tenso, rico em detalhes, dos bastidores das principais decisões que foram tomadas naquela época.

GORENDER, Jacob – “O Escravismo Colonial”. São Paulo, Editora Ática, 592 páginas. Da mesma maneira que Marx estudou e dissecou a fundo o sistema capitalista, atuando como um anatomista, Jacob Gorender o faz com o sistema escravista, em sua especificidade colonial. O autor observa que este sistema desenvolve um conjunto de leis próprias e singulares, que o destaca dos demais, como o feudalismo ou escravismo antigo. É um monumento da ciência social brasileira.


GUIMARÃES, Alberto Passos – “Quatro séculos de latifúndios”. Rio de janeiro, Editora Paz e terra, 255 páginas. História do sistema latifundiário brasileiro, desde os tempos das sesmarias coloniais, passando pelas parcerias e pelos chamados núcleos de colonização de épocas mais recentes. A tese do autor é que o latifúndio continua praticamente intocado desde os tempos de Martim Afonso de Souza, impedindo, com sua estrutura iníqua, a democratização do acesso a terra.

HOLANDA, Sérgio Buarque (dir.) – “História Geral da Civilização Brasileira”. São Paulo: Difel, 4.500 páginas. Monumental obra sobre a história da sociedade brasileira e seus aspectos políticos, econômicos e sociais, desde os tempos coloniais até a República Velha. Dividida numa época colonial (2 volumes), no Brasil monárquico (5 volumes) e no Brasil Republicano(2 volumes), contando com especialistas em cada um dos temas enfocados. O Brasil Republicano contou com a direção do historiador Boris Fausto.

HOLANDA, Sérgio Buarque – “Raízes do Brasil”. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 155 páginas. Um dos mais conhecidos ensaios sobre o Brasil, publicado em 1936, simultaneamente, uma síntese histórico-sociológico e uma análise das características nacionais mais marcantes. É nele que o autor defende a conhecida tese do brasileiro ser “o homem cordial” e como tal predisposição influencia no desenho da nossa realidade.

LAMBERT, Jacques – “Os dois Brasis”. São Paulo, Editora Companhia Nacional, 277 páginas. Ensaio clássico deste sociólogo francês sobre a dualidade sócioeconômica do Brasil, um país onde o passado indígena e escravista coabita com o presente industrial moderno. O autor interpreta as


situações contrastantes da nossa sociedade dualista, a luta entre o velho e o novo, onde desenvolvimento e subdesenvolvimento se digladiam em todos os frontes.

LEAL, Victor Nunes – Coronelismo, enxada e voto. São Paulo, Editora Alfa-ômega, 280 páginas. Famosa monografia do jurista V.N.Leal sobre o sistema político eleitoral brasileiro, expondo os mecanismos de controle exercidos pelos coronéis do sertão brasileiro sobre o eleitorado. Minimiza o papel do municipalismo e enfatiza a importância do controle sobre o estado.

MOREIRA LEITE, Dante – O caráter nacional brasileiro. São Paulo, Editora Pioneira, 378 páginas. Clássica tese sobre as várias interpretações que escritores e intelectuais brasileiros produziram, ao longo do tempo, no sentido de procurarem identificar qual é, afinal, o caráter dos brasileiros.

LÉRY, Jean de - Viagem a Terra do Brasil. Rio de Janeiro, Biblioteca Editora do Exército. Uma das mais sensacionais narrativas sobre o Brasil no tempo da presença francesa na baía de Guanabara (1555-1565). O autor era um missionário calvinista enviado ao Brasil para ajudar no povoamento e colonização da França Antártida na época de Villegagnon. O livro, editado em 1578 na cidade huguenote de La Rochelle, repleto de relatos sobre a vida e costumes indígenas, é considerado pelos antropólogos como o documento fundador da etnografia brasileira.

LÉVY-STRAUSS, Claude – “Tristes trópicos”. Lisboa, Edições 70 413 páginas. Um dos mais célebres relatos antropológicos que se conhece sobre as sociedades indígenas brasileiras feito por este eminente intelectual francês, que esteve em viagem de estudo pelo nosso sertão, nos anos de 1930.


Depois das divagações autobiográficas iniciais, narrou sua experiência como professor da USP, dedicou sua atenção em descrever a vida dos caduevos, dos bororós, dos nambikwara e dos tupi-kawahib.

LIMA, Manoel de Oliveira Independência: 1821-1822”. Melhoramentos. 509 páginas.

“O São

Movimento da Paulo, Editora

A mais ampla descrição do quadro histórico, econômico e social em que ocorreu o processo de Independência do Brasil, feito por um dos maiores historiadores brasileiros. Trabalho erudito que celebra a importância da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, como responsável pela promoção do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal, bem como elemento deflagrador indireto da emancipação brasileira, alcançada em 1822.

MACAULAY, Neil – “A coluna prestes”, Difel. São Paulo, 269 páginas. Narrativa feita por um historiador norte-americano daquela que foi considerada um dos grandes épicos da história do Brasil republicano: a marcha da Coluna Prestes que, saindo do sul do país, percorreu todo o sertão nordestino para se refugiar, finalmente, na Bolívia em 1927.

MAGALHÃES, Basílio de – Expansão Geográfica do Brasil Colonial. São Paulo, Editora Nacional, 348 páginas. Exposição dos ciclos econômicos que foram responsáveis pela conquista do território brasileiro entre 1504 e 1696. Começando pelas entradas e bandeiras, seguido da procura do ouro e da caça à mãode-obra indígena, alcançando a difusão da criação do gado pelo interior do Brasil, responsável pela ocupação do Mato Grasso e de Goiás.


MARTINS, Wilson – “História da inteligência Brasileira”. São Paulo, Editora Cultrix, 5 volumes, 3 mil páginas. Colossal obra do crítico W. Martins, abrangendo praticamente todos os aspectos significativos da cultura literária e poética do Brasil, desde os tempos do Pe. Leonardo Nunes, no século XVI, até 1914. São 3 mil páginas que oferecem o mais amplo painel do que ficou registrado de importante em nossa história cultural.

MELLO, Evaldo Cabral de – “O negócio do Brasil – Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669”. Rio de Janeiro, Editora Topbooks, 273 páginas. Livro que analisa a ocupação holandesa do Nordeste (1830-1854), num contexto mais amplo, situando-a entre empreendimentos mercantilistas europeus, abarcando um horizonte que contemplava a rota para a Índia e o comércio de escravos com o litoral africano. O negócio do Brasil mostra que o Nordeste batavo foi “bem mais do que um episódio pitoresco numa colônia remota” e explica como os portugueses recompraram de volta o Nordeste, então em mãos dos holandeses, pelo equivalente, na época, a 63 toneladas de ouro.

MORAIS, Fernando – “Chatô, o rei do Brasil”. São Paulo, Companhia das Letras. 732 páginas. Biografia de Assis Chateaubriand, o poderoso jornalista que constituiu a primeira rede de comunicações no Brasil, os Diários Associados, que englobavam jornais, rádios e canais de televisão. Simultaneamente, é uma envolvente e um tanto tenebrosa descrição de história da vida política e dos costumes brasileiros entre os anos de 1920 a 1960.


MOTA, Carlos Guilherme – “Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974). São Paulo, Editora Ática, 368 páginas. Uma das melhores exposições sobre a história das idéias no Brasil desde a Revolução de 1930 até a época da Abertura Democrática do regime militar. Estão presentes não somente os grandes nomes do pensamento nacional (cientistas políticos, ensaístas, acadêmicos...), mas também o resumo das ideologias de cada um dos períodos analisados pelo autor.

NABUCO, Joaquim – “O Abolicionismo”. Petrópolis, Editora Vozes, 204 páginas. Exemplar descrição da luta pela emancipação dos escravos no Brasil, publicada em 1883, feita por um dos principais líderes do movimento abolicionista, Joaquim Nabuco, bem como uma acurada análise das leis de alforria que foram gradativamente aprovadas até aquela data.

NABUCO, Joaquim – Um estadista do Império.Rio de Janeiro, Topbooks, 2 volumes, 1.444 páginas. Relato histórico da vida política de Nabuco de Araújo, pai do autor, um dos mais proeminentes homens do parlamento na época do império. Além de ser a biografia política do senador, é, acima de tudo, uma crônica da atividade parlamentar e das atividades econômicas e sociais do Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889). Um dos livros mais admiráveis da historiografia brasileira.


PEREIRA, Luis Carlos Bresser - “Desenvolvimento e crise no Brasil”. São Paulo, Editora Brasiliense, 230 páginas. Análise do desenvolvimento econômico brasileiro a partir do que o autor denomina a Revolução Industrial Brasileira, nos anos de 1930-9, a descrição da emergência do moderno empresariado e da classe operária, a ascensão da tecnocracia e a luta ideológica entre a esquerda e os conservadores, encerrando-se com as três ideologias capitalistas possíveis de dominar nosso cenário político-econômico futuro.

PRADO JÚNIOR, Caio – “Formação do Brasil Contemporâneo”. São Paulo, Editora Brasiliense, 390 páginas. Editado em 1942, foi considerado um trabalho inovador no campo da interpretação da nossa história na medida em que se utilizou largamente das categorias marxistas para analisar nosso passado, com grande ênfase nas atividades econômicas do Brasil Colônia.

PRADO, Paulo - Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira. Rio de Janeiro, F. Briguet e Cia., 221 páginas. Famoso ensaio de um aristocrata paulista que repelia a visão ufanista do Brasil, contida na obra do Conde Afonso Celso. Para Prado, era a tristeza do jaburu, pássaro longilíneo, solitário e desamparado, que melhor representava o estado de espírito nacional. O livro subdivide-se em capítulos dedicados à luxúria, cobiça, tristeza e ao romantismo.


RAMOS, Graciliano – “Memórias do Cárcere”. Rio de Janeiro, Editora Record, 697 páginas. O autor, simpatizante da esquerda, detido depois do fracasso do levante comunista de 1935, deixou um pungente relato do seu tempo de encarceramento no presídio da Ilha Grande. Obra póstuma, publicada em 1954, tornou-se um impressionante documento da literatura carcerária mundial.

RIBEIRO, Darcy – “Teoria do Brasil”. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 146 páginas. O Brasil, visto como resultado da grande expansão européia, provocada pela revolução mercantil e industrial que dividiu o mundo em povos desenvolvidos e subdesenvolvidos, fazendo com que nosso país se configurasse entre os Povos-Novos. Um instigante ensaio de um dos mais conhecidos antropólogos brasileiros.

RODRIGUES, José Honório – “Aspirações nacionais”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 234 páginas. Todo e qualquer país desenvolve em seu íntimo um conjunto de aspirações, o que deseja vir a ser. Este é o tema desta conhecidíssima obra, publicada em 1963, que ressalta o traço conciliador na política nacional. A conciliação das elites por outro lado visa à exclusão popular, tornando nossa vida política uma opção pela mediocridade.

ROSA, João Guimarães – “Grande Sertão: Veredas”. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora. 460 páginas. Fantástico romance narrado a partir de um relato feito pelo jagunço Riobaldo, de suas aventuras pelos sertões terrivelmente agrestes do interior das Minas Gerais, e sua estranha relação com seu companheiro Diadorim. Foi um marco da renovação da linguagem brasileira que


incorporou todo o universo rústico e a sintaxe diferenciada, até então pouco contemplada na nossa literatura.

SCHWARTZ, Roberto – “Ao vencedor as batatas”. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 169 páginas. Ensaio literário no qual o autor afirma estarem nossas idéias “fora do lugar na medida em que elas são importadas da Europa, cuja realidade social e cultural é completamente distinta daquela existente no Brasil dos tempos de Alencar e machado de Assis”.

SILVA, Hélio – “O Ciclo de Vargas”. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira. Detalhado e criterioso levantamento de documentos e depoimentos de personagens da história contemporânea, que cobrem grande parte do século XX, desde a Proclamação da República, em 1889, até o movimento militar de 1964 (incluído). É obra magna da historiografia jornalística nacional, subdividida em volumes especiais dedicados a cada um dos episódios que cobrem todos os eventos importantes do século passado, durante a Era Vargas (Revolta do Forte de Copacabana, Coluna Prestes, Revolução de 1930, etc.).

SANTIAGO, Silvano (org.) - Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 3 volumes, 4.699 páginas. Monumental edição dos maiores clássicos da cultura, do ensaio e da história brasileira, especialmente preparada para celebrar a passagem dos 500 anos da descoberta do Brasil. Nela estão os principais textos de Gilberto Freyre, Euclides da Cunha, Alcântara Machado, etc. Formam, os 3 volumes, uma biblioteca-síntese com o que de melhor a cultura nacional produziu.


SIMONSEN, Roberto C. – “História Econômica do Brasil: 1500-1820”. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 475 páginas. Resultado do primeiro curso de história econômica brasileira, proferido pelo autor em São Paulo e publicado em 1937. É uma abrangente exposição da política econômica desde o início das navegações lusitanas, passando pelas inúmeras atividades coloniais até a chegada de D. João VI ao Brasil.

SKIDMORE, Thomas – “Brasil: de Getúlio e Castelo”, Rio de Janeiro, Editora Saga, 512 páginas. Narrativa da crônica política do Brasil, desde a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, até o colapso do sistema democrático, ocorrido em 1964. Todos os grandes conflitos que a sociedade brasileira viveu estão registrados em 7 grandes capítulos de fácil entendimento.

SOUZA, Octávio Tarquínio de – “Introdução à História dos Fundadores do Brasil”. Belo Horizonte, Editora Itatiaia. A história do Brasil da época do Império, narrada através dos seus personagens principais, ao estilo de Plutarco, no qual a biografia é um recurso para expor uma vastidão de outros temas. Além dos 3 volumes dedicados a D.Pedro I, temos as biografias de José Bonifácio, Bernardo Pereira de Vasconcellos, etc.

STADEN, Hans – “Viagem ao Brasil”. Além de ser uma eletrizante narrativa da vida de um alemão náufrago, capturado pelos tupinambás antropófagos do litoral de Bertioga, em São Paulo, é uma notável fonte de informações sobre os


rituais indígenas do Brasil do século XVI, e uma excelente exposição das rivalidades luso-francesas para atraírem as simpatias dos nativos.

TAUNAY, Affonso de – “História das Bandeiras paulistas”. São Paulo, Edições Melhoramentos, 2 volumes. Clássico relato das incursões dos bandeirantes, realizadas desde o século XVII e que, partindo do planalto de Piratininga à caça de índios e de veios de ouro e pedras preciosas, desbravaram o sertão brasileiro, abrindo caminho, assim, a sua posterior conquista e povoamento. É uma obra de celebração dos feitos dos antepassados dos paulistas (“tipos notáveis”), que procura ressaltar o trabalho desbravador deles e não o de preadores de mão-de-obra escrava.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo – “História Geral do Brasil”. 5 volumes. Obra mestra da historiografia brasileira, composta no século XIX, por um integrante do Instituto Histórico do Brasil, que se tornou referência obrigatória a todos os estudiosos da história nacional. Seus críticos apontam que ele teria criado o “quadrado de ferro”, ideologicamente conservador, um molde rígido de ver a história, recheada de verdades tidas como indiscutíveis, que teriam condicionado a maioria dos livros didáticos do país. Abrangente, impressionante e muito bem escrita.

VERISSIMO, Érico – “O Tempo e o Vento”. Porto Alegre, Editora Globo, 3 volumes. Saga da família Terra-Cambará na conquista do Rio Grande do Sul. Grande romance épico da literatura sul-rio-grandense e brasileira, dividido em três grandes momentos: o continente, o retrato e o arquipélago. Narrativa fundamental para a compreensão de formação sócio-econômica e política do Rio Grande do Sul, através de grandes personagens-tipo.


VERISSIMO, José – “História da Literatura Brasileira”, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 319 páginas. Primeira das sínteses da história da nossa literatura, publicada em 1916, que vai de Bento Teixeira, no Brasil barroco-colonial, até a época de Machado de Assis, em 1908. Pautando-se por encontrar aquilo que distingue a literatura brasileira da portuguesa, especialmente desde o Romantismo.

VIANA, Francisco José de Oliveira – Populações Meridionais do Brasil. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2 volumes. Um dos mais famosos e influentes ensaios da sociologia brasileira na ótica culturalista, liberal-conservadora. Ainda que classificado por seus contendores como racista, elitista, estatista, corporativista e colonizado, a obra dele, especialmente este seu primeiro livro, aparecido em 1920, teve então um sucesso editorial que suscitou interesse e notória repercussão, gerando produtivas polêmicas.

VIERA, Pe. Antônio – “Os Sermões”. Difel, São Paulo, 438 páginas. A mais alta expressão da cultura luso-brasileira do período barroco. Trata-se de uma coletânea de grandes sermões, entre eles o da Sexagésima, proferidos pelo autor durante sua longa estada no Brasil, no século XVII. Orador extraordinário, a prosa barroca de Vieira carrega a carga emotiva e grandiloqüente de um dos períodos áureos da língua portuguesa. Os seus sermões completos foram editados pela Lello Editores de Lisboa, Portugal.


Incursão dos bandeirrantes