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JOAQUIM CASTILHO

TORRESMOS LÍRICOS COM FEIJÃO BRANCO

POEMAS


JOAQUIM CASTILHO

TORRESMOS LÍRICOS COM FEIJÃO BRANCO

POEMAS


Cadastro do Autor AS PALAVRAS DO SILÊNCIO - 2002 ARTESANATO - 2007 NOVAS DE ACHAMENTO - 2008 QUASE POEMAS – 2009 LEGENDAS -.2010

Ficha Técnica Título :

“Torresmos Líricos com Feijão Branco”

Autor::

Joaquim Castilho

Edição:

Autor

Execução Gráfica: Tipografia Fátima Lda Tiragem:

200 Exemplares

1º Edição:

Dezembro de 2011


À Zézé minha Amiga e minha Editora


“Para lá do nada e de ninguém o estranho mar do desejo” GUNDULA STEGLITZ


1. Teus braços, regaços porto de lamentos, mar de afagos ou de gelo. Lugar de vento, memória habitada de um gesto suave elo lunar de todas as distâncias.


2. Teus olhos na raiz pura do olhar mensageiros indiscretos dos teus silĂŞncios. Olhar que fala que grita que chora em ti. Tu mesmo mesmo sem ti.


3. Teu peito cofre de afectos de medos e de sonhos de mem贸rias escondido, enterrado sob tuas colinas brandas onde ser谩 doce adormecer.


4. Tu a vontade assumida na imagem projectada de ti. Tu uma casa fechada de varandas floridas nunca as janelas abertas de par em par. Tu o tempo sem tempo no medo agreste de n達o controlar os ventos que nascem revoltos dentro de ti.


5. Pousar minhas m達os, eu queria, sobre a tua pele e percorrer devagar muito devagar, os doces caminhos do teu corpo.


6. Procurar descobrir em ti o lugar onde escondes o mรกgico segredo do teu afecto.


7. Não me dás teus lábios quando me beijas, ficam longe, fechados, hirtos, baços, neutros de sabor desfeito porque tu não estás porque tu não queres estar comigo.


8. Deixa-me esconder minhas m達os no teu cabelo para beijar teus olhos para adivinhar tua boca. Despenteada, que importa? Despenteada como louca, por mim?


9. Tuas mãos que ajudam que mostram que explicam que oferecem que acenam que saúdam que dão mas que não se entrelaçam nas minhas.


10. Teu rosto face visível da tua face guardião tranquilo dos teus segredos. Face a face com quem te olha, o mundo como que te sorri só o olhar, por vezes, te atraiçoa.


11. Tenho sede, sede de ti nos meus lĂĄbios secos, sede do que nĂŁo ĂŠs, apenas do que eu de ti em mim, me imaginei. Apenas uma sombra iluminada de ti.


12. Rio de afecto sem nenhum mar. Poalha de nada por mim pousada na tua ausência. Para ti um poema translúcido do prazer dorido, máscara de luz distância sem qualquer sentido.


13. Um barco estranho de sombras, de palavras, de mem贸rias, de onde as tuas m茫os tecem formas, ber莽os, caminhos. Vida que te constr贸is com a tua vontade em que acreditas por que tens de acreditar.


14. Aguardar que o futuro te aconteça, esquecendo o presente, névoa escura que te dói no peito; fugindo, profissional determinada eficiente sempre em frente.


15. Passageira da vida, 茅s uma ilha no tempo, um olhar um gesto um rosto, um caminho, uma hist贸ria de est贸rias para um dia, algu茅m contar sem perceber sem acreditar.


16. Pedaços farrapos sensíveis como nuvens brancas povoam de ti os meus dias brandos. Ventos vêm e te fazem distância para que um dia possas ainda regressar.


17. Eu sei, mais não és em mim que a minha construção de ti. Um abraço longo, uma presença que não me espera uma sombra, um gesto que eu me elaborei.

.


18. Por vezes d贸i-me a dist芒ncia, mem贸rias acordam-se-me de um torpor dorido e assalta-me a fome de ter-te de sentir-te junto a mim.


19. Porque te sinto em mim se não me chamas? Que afecto de ti me alaga se não é o teu? Estranho pacto este que fiz comigo: Gostar de ti!


20. Um barco que navega em busca de alguém. Alguém que, um dia, lhe acenou de uma ilha deserta. Um estranho barco que nunca levantou âncora! Uma ilha vazia sempre deserta.


21. Projectar em ti o que vejo o que quero o que sinto o que por mim passa e nรฃo alcanรงo.


22. A distância é longa porque estás perto. Perto ao alcance da minha mão. Mão que te não toca, corpo que te vê bebendo do teu olhar.


23. Estar contigo, pousar o meu olhar no teu olhar e imaginar o que pensas sem pensar porque me olhas sem me querer olhar eu s贸 comigo a imaginar.


24. Versos, apenas alguns versos banais irão restar do jogo lírico, da estranha luz que me acendeste. Tu, inocente, quase ausente sossega um dia até mesmo a tua sombra deixará de habitar as palavras baças que, de ti, eu vou escrevendo.


25. Assustei o pรกssaro negro que pousava no teu ombro. Por momentos, venci! Consegui fazer sorrir o teu olhar.


26. Dentro de ti sem sequer te tocar, a escutar o que n達o dizes quando ousas falar de ti. Sentir, em ti, o outro som das tuas palavras.


27. Porquê perto de ti, quando os olhares se tocam, aumenta em mim o sabor da distância? Porque não descubro em ti a tua imagem e encontro barreiras de gelo no teu olhar.


28. Temos um pássaro branco que, por vezes, voa para nós. É belo vê-lo voar! Um pedaço de vento que logo se acalma e se desfaz em nada.


29. Imigraste-me sinto-o, porque te sinto em mim envolta como sempre no teu silĂŞncio como se me tivesses vestido de ti.


30. Regressas sem nunca ter chegado, sem nunca teres partido, sonhando sempre novas dist芒ncias. Fui eu, eu s贸, que desenhei em mim todos os teus caminhos.


31. Gaivota, pรกssaro que pousa sem pousar que vive ocupado a voar que de mim se afasta para o mar, como tu!


32. Sentado na noite te esperei como se viesses. Pedi-te um aceno sem te chamar, adivinhei-te e foi entĂŁo no silĂŞncio que desejei tua boca!


33. Teu nome arbusto em flor que plantei em mim. Ao vĂŞ-lo o teu silĂŞncio fere-me o olhar.


34. Enquanto espero iluminas o meu tempo desenhas a tua sombra nos meus versos trôpegos. Contigo nasce um poema. Vês não te custou nada basta existires em mim.


35. Tenho-te, eu sei, incrustada no lado de dentro da minha pele. Quando te esqueço não te posso esquecer contra tua vontade alagaste-me.


36. As palavras que escrevo nos versos que escrevo, tomo-as de ti e a ti as devolvo iguais e diferentes cheias de mim.


37. Jogo acre e doce de silĂŞncios iluminados de desculpas justificadas jogo de dor branda de lĂ­ricas certezas onde sĂł se ganha perdendo.


38. Escancarar as janelas as portas e os postigos. Abrir o peito as sombras e o olhar e respirar a vida em bruto nem que seja por um minuto.


39. Hoje esqueci-te, apagou-se, em mim, a tua imagem foi mesmo necessário ir buscar-te ao interior do meu silêncio, onde repousavas adormecida para fabricar este poema da tua ausência.


40. Estar contigo e escutar as palavras de silêncio que em ti guardas ler, no teu olhar, os barcos vazios que transportam distância. Estar contigo para descobrir caminhos apetecíveis para nenhum lado.


41. Que iria eu encontrar se te me abrisses e te entregasses esquecida de ti; se, por momentos, n達o te pensasses e fosses apenas tu?


42. Longe do rito, do ritmo de todos os fios sensatos tecidos pelo tempo, para alĂŠm do que faz sentido, fora de qualquer RazĂŁo, respirando o sabor liberto do absurdo, estĂĄs tu!


43. Basta-me tocar a tua voz que não ouço para que tudo de ti em mim se acorde e a estranha magia recomece.


44. Uma porta que se abre para outra porta que se abre para outra porta que se abre para outra porta, para poder chegar Ă  tua porta. Se um dia eu tocar a tua porta, tu abres?


45. Já não temos espaço por entre afazeres, promessas e compromissos já não temos tempo atravessado de muros brancos, restam-nos as sombras arrancadas da memória e o futuro que nunca irá acontecer.


46. Que guardas, avara, no teu silêncio? O que, um dia, me contaste ou a versão só tua para cobrir a angústia dos teus dias de abismo?


47. Colher teus beijos visitar tua pele descobrir como serรกs indefesa, se alguma vez conseguires esquecer-te se alguma vez conseguires entregar-te, nua.


48. Procuro-te nos pĂĄssaros, nos rios nas sombras, nos versos, nas palavras nos dias cinzentos, na noite, no mar. Procuro-te atĂŠ em ti!


49. Um vazio ĂĄcido que enche o peito, uma voz muda que te chama. Desejo, chamam-lhe, o eco dorido da tua ausĂŞncia.


50. Cr贸nica l铆rica esta do amor imaginado como versos, inventado, sentimento rid铆culo auto-sustentado no que existe s贸 adivinhado, num estilo velho e abandonado nas palavras exacerbado do pobre poeta deslumbrado e no entanto... um vale deserto e gasto por ti, hoje e sempre, iluminado.


51. Vejo-te no pรกssaro que se aquieta na noite branca no riso aberto da crianรงa que brinca no medo exausto do nunca acontecer.


52. Estranho o jogo de acreditar no que se adivinha no auto-engano que alimenta de vazio o sabor alagado dos dias baรงos


53. Escrever o que as palavras dizem no ritmo construĂ­do dos versos que me nascem literatices tintas de ti ocupando as folhas em branco com os teus fantasmas como se existisses.


54. Do nada aconteceste corpo sem corpo olhar sem olhar rosto do nĂŁo haver transparĂŞncia apenas vento de torpor tranquilo imagens lenta de madrugadas.


55. Tu, semente que o acaso em mim germinou cântico suave que só eu ouço berço onde me embalo versos que me escrevo falar que só eu, em mim, percebo.


56. Chamei por ti tu que nem nome tens segui teus passos para nenhum lado caminho longo inventado porto de abrigo meu ficção de acaso.


57. De braços abertos me acolhes no logro translúcido em que te imaginei desejo fátuo do impossível o teu abraço laço terno de ninguém.


58. Por entre o ruĂ­do ĂĄspero de tantas palavras apagadas a luz difusa de uma imagem doce o riso terno de um estranho alguĂŠm a paz de um outro lugar.


59. Das crianรงas a ternura na alegria dos pรกssaros no desejo aberto do desconhecido e a alegria sempre de te poder ter junto a mim.


60. Quando os risos se encaixam sem o esforรงo de um olhar sem o lastro arrastado dos dias de todos os dias sem tempos nus. Nasce em mim o lugar onde os braรงos se afagam no calor sereno do nada. Lago extremo sempre reencontrado em ti.



TORRESMOS LÍRICOS COM FEIJÃO BRANCO