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JORNAL

avançando

Jornal da Juventude Comunista Avançando | Março de 2017 | Ano VII | Edição XV | R$0,50 | Juventude do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes 4 jcabrasil.org.br | f facebook.com/jcapclcpbrasil

A tentativa de golpe parlamentar na Venezuela p. 2

A resistência contra ataques da classe dominante p. 3

O saldo das ocupações de escolas e universidades em 2016 p. 4


INTERNACIONAL

NACIONAL

Dilema venezuelano:socialismo ou barbárie

A

Venezuela vive uma grave crise. O processo de democratização (econômica, política e social) começada com Hugo Chávez corre risco. Seu governo foi marcado pelo enfrentamento ao imperialismo e pela construção do socialismo. Por dentro da estrutura do Estado burguês, realizou reformas que elevaram as condições de vida e consciência do povo daquele país, foi a chamada “Revolução Bolivariana”. Programas sociais, elevação do salário mínimo, moradia popular, nacionalização de setores estratégicos, fez a UNESCO reconhecer a Venezuela como o 5º país em matrículas no ensino superior do mundo, e ocupa posições do IDH acima de potências regionais como o Brasil. Isso não agradou o imperialismo que viu um grande produtor petrolífero gozar de alguma soberania. Não há socialismo na Venezuela. Mesmo os chavistas afirmando-se socialistas, o regime

de propriedade privada continua existindo. Desde 2002 foram muitas tentativas de golpe. Em 2014 a burguesia venezuelana convocou manifestações violentas, resultando em grandes conflitos e mortos. O país sofre com uma crise pela queda do preço do petróleo (mais de 90% das suas exportações) e pelo controle privado de suas mercadorias. Cerca de 98% de tudo que é consumido no país é importado e mais de 60% da distribuição está nas mãos do setor privado, que retém os produtos para gerar uma crise de abstaecimento no país tátitca similar a aplicada no Chile, com Salvador Allende. Nas eleições parlamentares a oposição conseguiu maioria, criando uma “queda-de-braço” institucional contra o governo de Nicolás Maduro. Enquanto a Asamblea Nacional declarava vaga a presidência, a Justiça anula as decisões da oposição.

A disputa real, embora objetive o poder do Estado, reside na luta de classes concreta. A oposição, incapaz de derrotar o governo legalmente, cria problemas de abastecimento escondendo víveres, boicota, incita a violência, etc. Maduro ainda tem forte apoio popular e do exército. A crise se agravou e quem tem posição mais sensata é o Partido Comunista da Venezuela, que defende a organização dos trabalhadores criando mecanismos de poder popular capazes de assumir a produção e da circulação. Denunciam corruptos e conciliadores dentro do governo sem negar os avanços do processo. Para sair do dilema, em que o avanço progressista está atravancado pelas amarras do capital e pela resistência da burguesia, o socialismo proletário-popular autêntico é o único possível, através do rompimento definitivo com o poder oligárquico -burguês servil ao imperialismo.

Fidel Castro: vive, viveu, viverá! Homenagear e relembrar a figura deste revolucionário é também homenagear e relembrar a Revolução Cubana (1959) como um todo. Para o continente americano, especialmente para os povos latino -americanos, a Revolução culminou e ao mesmo tempo representou um novo capítulo de um conceito defendido e compreendido pelos comunistas: a autodeterminação dos povos. Não à toa temos a Revolução Cubana como a grande inspiração para as lutas latino-americanas, africanas e asiáticas. Grandes lutadores sempre se referenciaram no movimento que culminou na Cuba socialista e no estabelecimento de Fidel Castro como defensor e amigo dos povos. Fidel Castro deve ser lembrado e pensado no contexto histórico, como um dos homens que construiu o século XX do continente latino-americano. Quando estudan-

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te esteve presente nas manifestações denominadas de bogotazo, importante marco das lutas sociais da Colômbia. Sua tentativa de derrubar Fulgêncio Batista, em 1953, no assalto ao Quartel Moncada, mostrou o início do amadurecimento do líder do Movimento 26 de Julho, e apresentou ao mundo seu famoso discurso “A História me Absolverá”. Aderindo ao marxismo-leninismo, Fidel Castro aplicou sempre com convicção as maiores qualidade advindas desse posicionamento, e pelo qual seria e será sempre lembrado pelos lutadores e lutadoras do mundo inteiro: a crítica e autocrítica e a solidariedade entre os povos. Julio Antonio Mella uma vez afirmou que nenhum camarada de fato morre: sua vida e sua obra não se perdem, servem de trincheira. Podemos afirmar que Fidel Castro sozinho foi a maior trincheira pela

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qual os povos de nuestra america puderam atacar e se defender do imperialismo. Fidel Castro, presente!

Unidade programática para derrubar a junta golpista

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esde o impeachment podemos confirmar que o golpe ainda em curso não veio por mero capricho das classes dominantes, ele tem um programa para além da troca de governantes e é parte de um projeto da burguesia interna associada ao imperialismo, especialmente das diretrizes emanadas dos Estados Unidos. O que caracteriza um golpe não é necessariamente a intervenção militar, e sim a mudança de regime social e político pelo uso de mecanismos ilegítimos e nesse caso, também ilegais. Nunca nos últimos trinta anos os direitos da classe trabalhadora e dos oprimidos em geral estiveram tão ameaçados. Reforma do Ensino Médio, Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, PEC 241 (que depois virou PEC 55 e agora é a Emenda Constitucional 95) e a lei antiterrorismo (sancionada ainda no governo Dilma) fazem parte de uma série de projetos que alteram a Constituição de 1988 e têm sido aprovadas a toque de caixa pela junta golpista que hegemoniza os Três Poderes no Brasil. Nosso país, como outros da América Latina, teve o desenvolvimento de um capitalismo dependente. A produção de riqueza voltada para os interesses do grande capital e o desenvolvimento das forças produtivas de acordo com as demandas e concessões das grandes potências imperialistas nos colocam dentro do ciclo atual da crise estrutural do capital afetando diretamente a situação econômica do país. Para a manutenção da taxa de lucro dos patrões e especuladores exigem cada vez mais precarização da força de trabalho com retirada de direitos do povo pobre e do proletariado. Diversos pensadores(as)

>>> JCA E PCLCP presentes nos últimos atos contra a PEC 241 e PEC 287 do RJ, GO, SC e DF; 4 jcabrasil.org.br | f facebook.com/jcapclcpbrasil

marxistas do mundo estão caracterizando esse momento como um dos mais complexos e perigosos após a segunda guerra mundial. A guerra e o fascismo se aproximam a passos largos de um novo auge. Vivemos grande instabilidade mundial, de aprofundamento da crise social e econômica que está sendo usada habilmente pela classe dominante para, a partir de um retrocesso democrático, poder intensificar a exploração humana a fim de salvar o sistema e sua meia dúzia de beneficiários. Na verdade o que está ocorrendo no Brasil não é um caso isolado. Para superar esse novo ciclo da crise está em curso uma ofensiva continental da direita radical, comandada pelo imperialismo estadunidense e integrada às classes dominantes dos países capitalistas dependentes da América Latina e Caribe (principalmente os monopólios mais associados ao capital financeiro internacional). Está sendo colocado em prática um rearranjo de forças imperialistas cunhada para que não haja nenhum espaço de esperança em qualquer outro horizonte. Toda a situação atual no país e no mundo impõe à classe trabalhadora e à juventude a tarefa histórica urgente de organização das forças aliadas ao proletariado num bloco popular, que no Brasil deve reunir as forças antiimperialistas, antimonopolistas e antilatifundiárias, capaz de barrar a ofensiva do grande capital e conferir vitórias para o nosso povo, até a vitória final. “Essa é a era que a gente pode fazer a revolução. Se tivermos pessoas organizadas, juntos podemos fazê -la.” Angela Davis 3


MOV. ESTUDANTIL

O saldo das ocupações e a tarefa da esquerda no mov. estudantil

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os dois últimos anos, o movimento estudantil no Brasil vivenciou um intenso processo de mobilizações e luta contra a agenda de retrocessos do governo, que ameaça a educação pública no país. Mais de 1200 escolas, universidades, ministérios e outros espaços foram ocupados por estudantes contra os cortes de verba da educação, a PEC 55/241 (a PEC da morte) e o Projeto de Reforma do Ensino Médio, medidas que ao impor retrocessos históricos à educação escancarou o golpe como medida para minar a educação pública por dentro e promover a manutenção do lucro das classes dominantes. As ocupações, por sua vez, foram uma experiência não só de mobilização, mas de organização e formação política para os/as estudantes, que em muitos casos proporcionou uma abertura de diálogo com as comunidades locais, disputa de consciência e uma ampliação do diálogo com professores já em luta. As escolas e universida-

des foram palco de um movimento que há muito tempo não víamos: a proposta e a construção do conhecimento de forma coletiva, com a preocupação de abordar a realidade social do país. Ainda que os saldos das ocupações tenham sido positivos, há muito que se avançar na organização do movimento estudantil, sobretudo na criação de uma articulação nacional que lute contra os retrocessos sociais e a retirada de direitos, envolvendo as entidades estudantis de cada escola, cada curso e de cada universidade. Todos esses desafios aparecem em uma conjuntura de acirramento da luta de classes e de aprofundamento da crise estrutural do capital, por isso é uma tarefa difícil e cada vez mais necessária. A forma violenta de repressão, que garantiu a aprovação da PEC 55, bem como a apresentação das propostas de Reforma do Ensino Médio e o Projeto Escola Sem Partido (Lei da Mordaça) nos aponta a disposição do Estado autocráti4 jcabrasil.org.br | f facebook.com/jcapclcpbrasil

co burguês em barrar as lutas por direitos, cerceando desde o debate crítico-educativo sobre os problemas do nosso mundo, para cumprir seu objetivo de sucatear a educação pública e garantir o lucro das redes privadas. Não podemos, portanto, nos deixar abalar por tal conjuntura, subestimando a capacidade do movimento estudantil em se organizar contra a agenda de retrocessos da junta golpista, não só na educação, mas também na saúde e na previdência. É preciso que todo o movimento estudantil, sobretudo organizado, comece a pautar a unidade em todos os espaços, a partir de um programa mínimo, que colabore para o enfrentamento de tais retrocessos, mas que também procure aglutinar a força estudantil junto à classe trabalhadora para a construção de um projeto de educação popular, crítica, criativa e criadora, que só possível com a transformação da estrutura social vigente.

Jornal Avançando XV  
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