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JORNAL

avançando Jornal da Juventude Comunista Avançando | Março de 2018 | Edição XVII | R$0,50 | 4 jcabrasil.org.br | f facebook.com/jcapclcpbrasil

JCA completa 19 anos de história

MARIELLE PRESENTE!

Intervenção militar no RJ e o avanço do Estado fascistizante

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Nenhum minuto de silêncio e toda uma vida de luta


ORGANIZAÇÃO

JCA: há 19 anos defendendo o comunismo! A construção da Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (hoje Polo Comunista) teve a iniciativa de reorganizar, conforme camaradas mais jovens iam se somando às suas fileiras, a Juventude Avançando. A JA foi organizada pelos próprios jovens, com autonomia organizativa. A vinculação à Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes era, e ainda é, uma vinculação ideológica e programática. A Juventude Avançando surge nos anos 1980, como uma tendência estudantil identificada com a “Carta aos Comunistas”, com a morte de Luiz Carlos Prestes e a derrubada da URSS, com o tempo essa tendência acabou se disseminando e mais tarde se transformou em uma organização juvenil de caráter leninista. O grande desafio da JA desde essa época era organizar a juventude para lutar por seus direitos e pela constru-

ção de uma perspectiva socialista para a sociedade brasileira. Não bastando os ataques irracionalistas aos ideais socialistas e marxistas, que pregavam o fim da história e a “superação” da teoria marxista em plena sociedade neoliberal, existia ainda a forte perspectiva dentro da esquerda brasileira de uma pretensa superação do nosso passado de luta comunista. A institucionalização e aparelhamento da esquerda nestas décadas eram cada vez mais sentidas; o governo FHC estava completamente alinhado ao imperialismo e ao “Consenso de Washington”. A Juventude Avançando participou no seguinte Congresso da UNE, levando a estratégia da Universidade Popular e a situação do movimento estudantil, cuja luta política deveria ser pautada pelos problemas fundamentais do povo, voltando a Universidade para suas soluções; o combate

às políticas de FHC para a educação, expressas através da LDB, da Lei de Patentes e da PEC que atacava a autonomia universitária na escolha dos reitores; denunciou a conivência da UNE com os “Créditos Educativos”, nas faculdades privadas, ao invés de investir a militância na busca por direitos estudantis amplos. A semelhança destas contrarreformas e da inércia da UNE para enfrentá-las não é coincidência em relação ao momento recente de aprofundamento de políticas danosas à educação nos governos de Lula e Dilma: são as mesmas forças políticas sem compromisso e sem estratégia de classe para o movimento Universitário. Neste Março, comemoramos, portanto, 19 anos de atividade ininterrupta, voltada para a construção de uma estratégia socialista, lutando pelo justo, bom e melhor do mundo e da humanidade!

NACIONAL

“Águas para a vida e não para a morte!” 22 de março é o Dia Mundial da Água, mesma data da promulgação da Declaração Mundial dos Direitos da Água, que reconhece esse mineral como essencial à vida e direito fundamental que deve ser compartilhado entre toda a humanidade e demais seres vivos. O acúmulo de impactos ambientais, causados pela atividade industrial desenfreada, somado ao consumismo, inerentes ao sistema de produção capitalista, provoca alterações climáticas, poluição e a destruição dos ecossistemas essenciais para a renovação da água. O Brasil possui a maior oferta hídrica do mundo, concentrando cerca de 12% da água doce do planeta e 94% da água potável disponível é consumida pela indústria, frente aos 6% de uso exclusivamente doméstico. Apesar de o governo golpista de Michel Temer negar a negociação com empre-

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sas como Nestlé e Coca-Cola para a privatização do Aquífero Guarani - segunda maior fonte de água na América do Sul depois do Aquífero Grande Amazônia - tramita no Senado o projeto de lei nº 495/2017 do senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), que prevê a criação de “mercados de água”, com o objetivo claro de possibilitar a privatização da água. Nesse contexto, aconteceu entre os dias 18 e 23 de março, em Brasília, o 8º Fórum Mundial da Água (FMA), organizado pelo Conselho Mundial da Água, no qual se reúnem os grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O FMA, na realidade, é uma grande feira de negócios, permitindo que as grandes empresas tenham o acesso privilegiado às decisões dos governos e bloqueiam, a base de corruptelas e subornos, o avanço de

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políticas públicas globais que resolvam a crise de acesso à água. Foi organizado, concomitantemente, o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), que reuniu organizações e movimentos sociais de várias partes do mundo, que lutam em defesa da água como direito elementar à vida. O objetivo era denunciar e unificar a luta contra a tentativa das grandes corporações em transformar a água em uma mercadoria. O controle social da água e sua defesa como direito fundamental é urgente e necessária para barrar o avanço do grande capital sobre os recursos naturais, concentrando riquezas, mergulhando povos na miséria e nas guerras de todo tipo. A luta pela preservação e socialização dos recursos naturais não está dissociada da luta geral do proletariado contra a própria exploração capitalista. Assim se garante a autonomia de um povo e, acima de tudo, a própria sobrevivência da humanidade.


HOMENAGEM

Marielle e Anderson presentes agora e sempre!

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a noite de 14 de março, a notícia da execução de Marielle Franco, quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro e militante do PSOL abalou o país. O fato tem articulado uma série de movimentos sociais e pessoas em torno da indignação e da pergunta “Quem Matou Marielle?”. Acreditamos que não basta saber “quem”, mas também os motivos e as relações que possibilitaram esse tipo de atrocidade. Marielle estudou em cursinho popular na favela da Maré, onde morava,formou-se em Ciências Sociais pela PUC-Rio, tornou-se mestre em Administração Pública pela UFF, era mãe de uma menina de 18 anos e namorava uma mulher, sua companheira de militância. Orgulhava-se de sua história de vida, que como tantas outras mulheres negras, pobres e lésbicas era de muita resistência e luta. Sabe-se que há em curso hoje no país um extermínio não oficial da juventude negra marginalizada. Segundo dados das secretarias estaduais de segurança pública, a cada 23 minutos um jovem negro é morto no Brasil e segundo a 5ª edição do Índice de Homicídios na Adolescência, a possibilidade de jovens negros serem assassinados é 2,88 vezes maior que um jovem branco. Soma-se a isso, os dados de violência contra a mulher, que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 4,4 milhões de mulheres sofrem agressão por ano por conta de seu gênero, sendo 63% delas negras. Além de ser uma mulher negra, fator esse que torna a morte dela mais um expoente dessa realidade, Marielle era militante socialista e atuava junto aos movimentos sociais, fazendo frente à repressão e à violência do Estado. Marielle coordenou a Comissão de Direitos Humanos da Alerj e, na Câmara do Rio, era relatora da comissão responsável por inspecionar e acompanhar a intervenção militar no estado. Dois dias antes de sua morte, denunciou o

terror ao moradores implantado pela Polícia Militar na favela de Acari-RJ. O assassinato de líderes comunitários, de movimentos sociais do campo e da cidade, sindicais e caciques indígenas no Brasil e na América Latina, tem crescido exponencialmente e os casos continuam esquecidos pela justiça. 48 horas antes da morte de Marielle, Paulo Nascimento, líder da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia, foi alvejado a tiros do lado de fora da sua casa, em Barcarena, no Pará. Ele denunciava os dejetos tóxicos libertados pela refinaria Hydro Alunorte nas águas da região desde o início do ano. Uma semana antes, George Rodrigues, líder comunitário do Recife, foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado ao pescoço num matagal às margens de uma estrada de terra. Ele havia sido sequestrado por quatro homens que se apresentaram como policiais. A morte de Marielle acontece no mês em que se marca a luta das mulheres trabalhadoras no mundo. O 8 de março, data da grande greve das mulheres operárias russas nas prévias da vitória da Revolução de 1917, tem marco importante na história da luta das mulheres por melhores condições de trabalho, igualdade social e, antes de mais nada, contra a exploração e opressão exercida pelo capital e seu Estado, parte da estrutura Patriarcal que vitimiza, violenta e assassina mulheres, sobretudo mulheres negras, cotidianamente.A média brasileira é de 1 estupro a cada 11 minutos. A taxa de feminicídio no nosso país é a quinta

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maior do mundo; em São Paulo, a cada 3 vítimas de feminicídio 2 são mortas dentro de suas próprias casas. Assim, fica evidente que a luta contra o patriarcado, o racismo e o capitalistmo são centrais para a construção de uma nova sociedade. Nos solidarizamos com os familiares, amigos(as) e companheiros(as) de luta de Marielle, assim como mantemos constante a pressão pela apuração desse atentado, além do alerta na garantia de integridade física e segurança daqueles que vivem nas favelas, mulheres e militantes dos movimentos sociais. Para os nossos mortos nenhum minuto de silêncio e toda uma vida de luta! Marielle e Anderson presentes, agora e sempre!

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NACIONAL

Derrotar o golpe e direita fascista é a palavra de ordem de 2018!

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aprofundamento da crise estrutural do capital e o evidente rearranjo da classe dominante em nosso continente tem seus reflexos imediatos em nosso país. O ano de 2018 já começou com muita luta para garantir que a reforma da previdência – parte da agenda do capital financeiro nacional e internacional – fosse barrada. Também vivemos as grandes manifestações em defesa da democracia. Os governos estaduais seguem alinhados à política do golpe marcham junto ao Estado brasileiro sobre o povo trabalhador, mas a resistência a essa agenda também aumenta, com diversas mobilizações a nível nacional. A disputa eleitoral está marcando as lutas desde 2017 e é necessário que a esquerda dispute esse processo, que tenhamos capacidade de disputar a consciência do povo para um programa de esquerda, com horizonte estratégico que aponte para a necessidade do socialismo, mas devemos também fazer a crítica à disputa eleitoral que tem todas as limitações da institucionalidade burguesa e agora, ainda mais, quando acontece nos marcos de um golpe de Estado. O julgamento sem provas de Lula e sua recente condenação fazem parte do cenário de golpe e do que se pode esperar no plano eleitoral. A recente garantia de liberdade provisória a Lula não significa o aval da burguesia nacional - representada pelo Judiciário - para que o ex-presidente possa ser candidato nas eleições de outubro, mas faz parte das contradições internas do bloco hegemônico golpista que é heterogêneo. Surge como candidatura popular o nome de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara (PSOL), apresentando uma plataforma desde os de baixo que se faz fundamental neste momento. Há também as candidaturas que ainda não estão definidas como os nomes da direita “tradicional” PSDB, PMDB que continuarão seguindo toda a cartilha do grande capital monopolista.

Importante também denunciar a candidatura de direita fascista de Jair Bolsonaro (PSL), que tem como papel central formar um movimento de extrema direita, conversador e reacionário, que se alimenta do discurso e da prática daquilo que há de mais retrógrado. Entendemos que é dever da esquerda denunciar o golpe e as condições anormais às quais nosso país está submetido, mas há também a necessidade pungente de se organizar e lutar contra o aprofundamento deste golpe no processo eleitoral – e não só. A eleição pode ser um meio potencializador de organização do povo e da juventude, mas não deve ser um fim em si mesmo. A tarefa central dos comunistas é organizar o povo e a classe trabalhadora para lutar contra a agenda de retrocessos propondo bandeiras de luta unitária que representem os anseios dos oprimidos. É nosso dever utilizar o momento das eleições para apresentar o debate de um projeto estratégico para nosso país, antiimperialista, antimonopolista e antilatifundiário. E é tarefa dos jovens dinamizar e potencializar este movimento junto das classes trabalhadoras em prol da superação desse sistema. Não há capitalismo sem corrupção, como também não há capitalismo sem opressão de gênero/sexo, raça/etnia e classe social; e o recrudescimento dos aparatos repressivos do Estado contra as forças populares democráticas dão, a cada novo dia, demonstrações dessa velha forma reacionária de ação. A intervenção militar no Rio de Janeiro iniciada em janeiro deste ano e o recente assassinato de Marielle e Anderson são um recado do que podemos esperar para o próximo período. É urgente que a esquerda avance na sua capacidade organizativa em todos os aspectos para podemos reunir forças para derrotar o projeto fascistizante do capital. Só a luta muda a vida!

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Jornal Avançando - Edição XVIII  

Na edição de março do Jornal Avançando você confere a análise de conjuntura da JCA sobre o ano de 2018 e mais.

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