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jb folhas o informativo do jardim botânico

março /abril 2013 | ano 8 | nº48 distribuição gratuita

Jardim Botânico Horto | Gávea | Humaitá

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Por que a gente é assim? Flagrante de irregularidades mostra que somos os principais responsáveis pela desordem urbana, seja como transgressores ou como mero espectadores.  (Páginas 4 e 5)

Palma matter  Consul Geral de Portugal abre os festejos do ano de Portugal no Brasil no JBRJ.  (Página 3)

Os jardins fazem a cidade  Exposição em cartaz no Museu do Meio Ambiente revela relação entre a arte e a natureza  (Página 6)


Editorial  A nossa parte na desordem do bairro

Expediente

Caro Leitor, O ano de 2013 começou com a tragédia de Santa Maria, onde centenas de jovens morreram vítimas do descaso ou pouco cuidado dos proprietários da boate Kiss. Mas de quem é a culpa? Das autoridades? Sim, pois não fiscalizaram. Mas é também de nós, cidadãos, que não cobramos das autoridades. Em artigo sobre a tragédia de Santa Maria na Folha de São Paulo, o jornalista Antonio Prata escreveu: “...Quantas pessoas que compraram a carta de motorista você conhece? Que têm gato de TV a cabo? Que já subornaram um guarda de trânsito para não ser multado? O avião vai decolar, o comissário de bordo pede para desligarem os celulares, mas o sujeito o ignora solenemente...Se não mudarmos a nossa mentalidade, se não entendermos que as leis são universais, que há procedimentos que precisam ser executados conforme as regras, sem jeitinho, sem gambiarra, em TODAS as esferas, por TODAS as pessoas, as tragédias continuarão acontecendo – e a morte é um limite que nós, brasileiros, por mais espertos que nos julguemos, não somos capazes de transgredir.” A partir daí veio a sugestão da nossa matéria de capa: por que a gente é assim? Somos capazes de parar o carro no meio da rua e ficar de conversa, sem pensar no quanto estamos atrapalhando o trânsito. E, no momento seguinte, reclamar do motorista que faz a mesma coisa, mas só que, desta vez, nós é que estamos sendo incomodados. Apesar de meu telhado de vidro, sou a primeira a atirar pedra. Passei uns meses no exterior e lá andei de bicicleta usando capacete, coisa que aqui, onde costumo usar o veículo como transporte, não acontece. Sequer tenho o acessório. A diferença é que lá é lei e você paga multa se não usar, enquanto aqui não tem punição. Erro meu, eu sei. No país do jeitinho, somos os primeiros a tentar burlar a lei de acordo com nossos interesses. Por conta disso, passei duas semanas fotografando e ouvindo moradores em vários pontos do bairro. Reuni material que daria para fazer mais de um jornal com fotos das irregularidades que acontecem na região e das quais o maior responsável é o cidadão. Infelizmente, nem tudo entrou nessa edição, mas boa parte você pode conferir nas páginas 4 e 5. A boa notícia é que as coisas estão melhorando. Lentamente, mas estão. Que o diga o gari Lúcio,

O JB em Folhas é uma publicação bimestral, editada pelo Armazém Comunicação Projetos Jornalísticos Ltda. www.armazemcomunica.com.br Editora Responsável: Christina Martins (Mtb 15185 -RJ) Redação: Betina Dowsley Projeto Gráfico: Paulo Pelá - www.bolaoito.com.br Revisão: Carla Paes Leme Impressão: CMYK Gráfica - 2581-8406 Estagiária de Redação: Sheila Gomes Fotos da Capa: Chris Martins/ divulgação (museu) Tiragem: 5.000 exemplares Telefone: 3874-7111 e-mail: jbemfolhas@armazemcomunica.com.br site: www.jbemfolhas.inf.br

Telefones úteis Bombeiros 193 / 3399-1234 Cedae (água e esgoto) 195 / 0800 281195 CEG (emergência) 0800 240197 CET-Rio 2286- 8010 Comlurb 2204-9999 Defesa Civil 199 / 2576-5665 Disque-Denúncia 2253-1177 Disque-Luz (Iluminação urbana) 2535-5151 Disque-Barulho e Patrulha Ambiental 2503-2795 Guarda Municipal 153 Light 0800 210196 15ª DP 2332-2871 Polícia Militar 190 Subprefeitura da Zona Sul 2274-4049 / 2511-0501 Vigilância Sanitária 2503-2280 Tele-Dengue 3553-4025 Tele-gripe 0800 2810 100 Procon 151 Atendimento ao Cidadão 1746

responsável por recolher o lixo na praça Pio XI e A Cara do JB logo abaixo. Segundo ele, se tem algo que diminuiu no bairro foi o cocô de cachorro na rua. Premiado, o presidente do Jardim Botânico, Liszt Vieira, é um belo exemplo de que a gente não deve esmorecer diante das dificuldades, como você vai ler na página 7.

CHRIS MARTINS

Christina Martins

Distribuição: Agência dos Correios da rua Jardim Botânico, Bibi Sucos, Cavídeo, Jardim Botânico, Parque Lage, bancas de jornais, galerias e prédios comer­ciais do Jardim Botânico.

Cara do JB  Lúcio Assis Fagundes Há quatro anos, Lúcio Assis Fagundes cuida da Praça Pio XI. Funcionário da Comlurb há 34 anos, ele trabalhava no Parque Lage, mas pediu a mudança para a praça por conta do movimento menor. O trabalho só aumenta em época de chuva e no carnaval. Diariamente, é comum ver o gari de 71 anos e cabeça branca limpando e arrumando o espaço frequentado por famílias e crianças que moram no entorno. Tranquilo, Lúcio não reclama nem do cocô de cachorro. Embora ainda tenha um ou outro porcalhão que deixando a sujeira na praça, o problema já melhorou 85%, segundo ele. “Os moradores estão mais conscientes e preocupados com a limpeza, recolhendo o que sujam e até me ajudando”, confessa. Para a limpeza ficar ainda melhor, Lúcio sugere aumentar o número de caçambas. A praça conta com três, mas uma delas está bem prejudicada. “O ideal seria haver mais duas caçambas, pois o povo joga de tudo no lixo, de lata velha a colchão”, atesta.

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CLASSIFICADOS

AULAS DE PIANO – professora formada na França, com mais de 10

LOCAÇÃO - procuro profissional de saúde para dividir consultório em

de 4 anos. Em domicílio ou na rua Pacheco Leão. Béatrice: 2512-

condomínio privilegiado no Jardim Botânico. Contato: 2511 4849.

1940 ou 8149-0070.

anos de experiência, especializada em aulas para crianças a partir


Folhas do Jardim  CHRIS MARTINS

Pardal no Horto

funcionou o Juizado Especial Cível. Entre os esta-

educação musical Barbara Lau, que trouxe para o

belecimentos que fecharam, podemos lamentar

repertório canções infantis, como “Sapo não lava o

a sorveteria Itália e a loja de material de cons-

pé”, “Fui no Itororó” e “Atirei o pau no gato”. O blo-

trução Citylar – que estava há 40 anos no bairro.

co contou com o apoio do comércio local: Mercadi-

Já a Kopenhagem e o Subway passaram por re-

nho Afonso Celso, Villa Ipanema, Bibi Sucos, Ibeu,

formas recentemente, após a mudança de seus

Belmonte, Bar Joia, Braseiro da Gávea, Sorvete Mil

proprietários, mas seguem com suas atividades

Frutas, Bebê Básico e Parceria Carioca. Além disso,

normalmente. Um banco de investimentos de-

a Padaria Século XX e o supermercado Zona Sul do-

verá funcionar no prédio que está sendo cons-

aram sanduíches e água para os integrantes da ba-

truído na rua Lopes Quintas, próximo à TV Globo.

teria, enquanto a Jardim Botânico Educação Infantil,

Por falar na emissora, estão em andamento três

a Le Pain du Lapin e as bancas do Amandio (Horto)

obras no bairro para atender suas necessidades:

e do Luís (Video Nacional) cederam seus espaços

um estacionamento para cerca de 250 veículos

para a venda de camisetas do bloco.

na rua Barão de Oliveira Castro e dois prédios de escritórios, um na esquina da rua Saturinino de Está funcionando há um mês um radar eletrônico

Entre novos e antigos Blocos

Brito e outro na rua Pacheco Leão.

para medir a velocidade dos carros na rua PacheO pardal foi instalado pela prefeitura atendendo a

Nova Palmeira Imperial no Jardim Botânico

um pedido dos moradores, por conta dos vários

O plantio de uma nova palmeira-imperial, no dia

atropelamentos que já aconteceram ali, perto das

7 de março, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,

escolas Capistrano de Abreu (municipal) e Manoel

celebrou duas datas: os 205 anos da chegada da

Bandeira e Camilo Castello Branco (estaduais).

corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, e o

co Leão, quase em frente à rua Estela, no Horto.

início oficial do Ano de Portugal no Brasil. A ceri-

Estacionamento do Parque Lage é pago

mônia aconteceu no arboreto, próximo ao busto CHRIS MARTINS

de D. João VI e o plantio foi feito pelo Presidente

Desde janeiro, o estacionamento do Parque La-

do JBRJ, Liszt Vieira, e pelo Cônsul Geral de Portu-

ge deixou de ser gratuito. A tarifa é a mesma do

gal no Rio de Janeiro, Nuno Bello. A nova palmei-

Jardim Botânico (R$ 7,00), sendo que estudantes

ra está ao lado da Palma Filia, ocupando o lugar

O Jardim Botânico bombou no carnaval. Além do

da Escola de Artes Visuais pagam R$ 3 e idosos

de outra plantada em 1957 pelo então presiden-

Bloco da Pracinha e do Suvaco do Cristo, que fazem

têm gratuidade. O objetivo é diminuir o fluxo de

te português Craveiro Lopes, que já pereceu.

o aquecimento para as folias de Momo no final de

pessoas que não são frequentadoras do parque

semana anterior ao carnaval, passaram pelo bairro

e que utilizavam o estacionamento ali por ser

Bloco da Pracinha inovou

gratuito. A arrecadação será destinada a obras e

Esse ano o Bloco da Pracinha não foi igual ao do

de Plantão. A novidade ficou por conta do Bloco

melhorias do parque.

ano que passou. O evento organizado pelo site

Ambiental, organizado pelo projeto educativo do

www.amigasdapracinha.com.br inovou, começan-

Museu do Meio Ambiente para foliões mirins, que

Mudanças no comércio

outros blocos, como o Vagalume e o Fofoqueiros

desfilou pelos jardins do museu. Já o Último Gole –

da esquina da rua Conde Afonso Celso com a Jar-

bloco quase secreto, que se concentrava na praça

Maria Oiticica, na rua Visconde de Carandaí, tem

dim Botânico, em direção à praça Pio XI, e chamou

Pio XI desde 1999 – cresceu, apareceu e mudou de

a cara do bairro, com suas biojoias, sandálias e

a atenção dos que passavam pelo local. Outra no-

endereço. Este ano, ele reuniu mais de cinco mil

acessórios feitos de sementes e fibras naturais.

vidade foi a presença da cantora e professora de

foliões no Parque dos Patins.

A movimentação na rua segue com a inauguração, em breve, de um restaurante dos mesmos proprietários do espanhol Venga!, na casa onde

ROBERTO GARZON

do pelo cortejo do grupo Meninas do Rio, que saiu

Recém-inaugurada no Jardim Botânico, a loja

funcionava o Baukurs. A rua Visconde da Graça também vai ganhar um pé-sujo estilizado, que abre no final de março. A novidade na galeria dos Correios é a Doralice Bonita, que oferece serviços de depilação, e, do outro lado da rua, a assistência técnica para piscinas Acquamar. Já na galeria da rua Maria Angélica foi inaugurada a Helena Perfumes & Cosméticos. No mesmo quarteirão, a Redbull abriu escritório de representação, onde 3


FOTOS: CHRIS MARTINS

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Jardim Botânico fora da ordem

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A rotina do Jardim Botânico bem que poderia

necessário sair do bairro para perceber a falta

po”: “Sujismundo é uma referência até hoje. É im-

inspirar o cantor e compositor Chico Buarque a

de respeito com o próximo.

portante que as pessoas sejam orientadas a não

fazer uma nova versão para a música “Cotidiano”.

Aqui a educação está na ordem do dia – ou

jogar lixo na rua” (foto 5), observa a empresária.

Todo dia, ônibus ultrapassam, em alta velocida-

melhor, a falta dela. Em uma breve caminhada

No geral, todo o bairro está fora de ordem,

de, o sinal vermelho da rua Jardim Botânico na

pelo bairro, saltam aos olhos exemplos de impru-

mas algumas áreas têm problemas específicos e

altura da rua Maria Angélica; a toda hora, carros

dência e de falta de respeito no trânsito, nas cal-

recorrentes. Do início da rua Jardim Botânico até

estacionam irregularmente – mesmo que por

çadas e com o próximo, evidenciando como o ser

o Parque Lage, chama a atenção o sinal na esqui-

“um minuto apenas” – em alguma rua do bairro;

humano atualmente está mais individualista.

na da rua Maria Angélica (foto 10) e a ocupação

a todo momento, o cruzamento da rua J.J. Seabra

O ex-presidente da AMA-JB, Alfredo Piragibe,

das calçadas pelos bares. Moradora do bairro há

é fechado (foto capa 6), impedindo a passagem

lembra-se das reclamações quando convocou

20 anos, Sandra Fournier (foto 13) é testemunha

de quem vem da rua Lineu de Paula Machado;

moradores a arrumarem suas calçadas: “As pes-

e vítima das duas ocorrências.

e, a qualquer hora do dia, é possível ver veículos

soas não se movimentam para fazer o que de-

- Não tenho nada contra os botecos, mas acho

cruzando a principal avenida do bairro em locais

vem, por lei. Aí, quando o pior acontece, culpam

que eles estão exagerando, pois não deixam es-

proibidos. À lista de irregularidades somam-se,

o poder público, esquecendo-se de que também

paço para a gente passar e ainda fazem cara feia

ainda, calçadas mal conservadas ou com mesas

não fizeram a sua parte”.

(foto 2). Outro dia, quando atravessava a rua,

que impedem a circulação, ônibus que param no

A falta de respeito dos motoristas de táxi é um

quase fui atropelada por um carro que vinha pela

meio da rua e que não respeitam o passageiro,

dos pontos que incomoda a designer de biojoias

terceira faixa da rua Jardim Botânico e não parou

carros estacionados em lugares proibidos e tra-

Maria Oiticica. “Os táxis param no meio da rua

no sinal vermelho – alerta.

vessia de rua fora da faixa de pedestre.

para embarque e desembarque de passageiros,

Muito do trânsito complicado do bairro deve-

No começo do ano, a tragédia na boate Kiss

sem se preocupar com quem vem atrás ou se es-

se à falta de educação dos motoristas, especial-

chamou a atenção para instalações inadequa-

tá impedindo o trânsito” (foto 4), queixa-se. Ela

mente dos ônibus que, mesmo quando têm um

das e o não funcionamento de extintores de

diz que é necessário um grande movimento de

recuo (foto 3), param onde querem. Isso quando

incêndio. Não é a primeira vez que se começa o

conscientização, principalmente contra a sujeira

não passam em alta velocidade pelo ponto, sem

ano com uma tragédia, mas elas quase sempre

nas ruas, e lembra o personagem Sujismundo,

respeitar o sinal dos passageiros.

poderiam ser evitadas. Não apenas pelas auto-

criado nos anos 1970 para a campanha do Go-

Já na área que vai do Parque Lage à rua Lopes

ridades, mas também por nós, cidadãos. Não é

verno Federal, “Povo desenvolvido é povo lim-

Quintas, a maioria das reclamações é direciona-


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permite três vagas, mas caminhões ocupam quase toda a calçada (foto 12). Mesmo quando a responsabilidade é de terceiros, cabe ao cidadão fazer sua parte. Um dos sócios do Mercado Afonso Celso há 21 anos, Bruno Ferreira (foto 14) tem péssimas recordações de quando precisou usar o extintor de incêndio do estabelecimento. Tanto na primeira vez - curtocircuito no relógio da Light -, quanto na segunda – uma tomada pegou fogo -, os extintores, apesar de estarem no prazo de validade e tendo sido re-

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carregados um mês antes, não funcionaram . “É muito frustrante você não poder contar com um serviço pelo qual pagou, especialmente num caso como este”, confessa Bruno. Apesar de nunca ter morado no bairro, o comerciante é comprometido com os problemas daqui. Partiu dele a ideia de melhorar a iluminação em frente ao mercado e o pedido de instalação de uma placa de carga e descarga no local. É comum ouvir e dar sugestões a moradores: “Outro dia comentaram comigo sobre a segurança da rua (Conde Afonso Celso). Aí eu mostrei ao morador o quanto a entrada de seu prédio era escura e sem iluminação. As pessoas reclamam, mas não querem investir em melhorias. Se todo mundo fizesse um pouco, talvez nossa realidade fosse bem

da à loja de material de construções Showbrasil,

Em frente à ABBR, o problema são os carros

diferente”. Mas há uma esperança: “O respeito

na altura da rua Nina Rodrigues (foto 7). Todo

estacionados na faixa de pedestre ou em cima

aumentou. Os fumantes agora não fumam dentro

dia, a qualquer hora, tem um carro ou caminhão

da calçada, vide o carro da Light (foto 15) pego

dos estabelecimentos”, destaca Bruno.

parado na calçada, carregando ou descarregan-

em flagrante em uma área muito frequentada

O curioso é notar que, quando a ordem é es-

do material, e impedindo a passagem de pedes-

por portadores de deficiência. A acessibilidade

tabelecida, as coisas funcionam direito. Um bom

tres. O problema é antigo e, ao que parece, sem

também não é respeitada nas rampas de aces-

exemplo é o ônibus do metrô (foto 9), que não

solução (foto 8).

so. É comum ver carros bloqueando a passagem

para fora do ponto e no qual os passageiros são

(foto 11).

obrigados a esperar em fila para ter acesso ao ve-

Outro problema comum na região é em relação aos carros que cruzam a rua Jardim Botânico,

Da Lopes Quintas até o Horto, o que mais atra-

ículo. A Lei Seca também é um sucesso, mesmo

entrando ou saindo das ruas perpendiculares. Al-

palha é o estacionamento irregular (foto 1). Há

que em função da multa elevada aplicada àque-

guns repetem-se todos os dias, como o micro-

os que dão uma paradinha rápida apenas para

les pegos ao volante após beber.

ônibus escolar que sai da Nina Rodrigues e cruza

pegar um jornal na banca ou um passageiro, mas

Só nos resta mesmo fazer a nossa parte por um

a Jardim Botânico por volta do meio-dia. Além

há também os que sequer se dão ao trabalho de

Jardim Botânico melhor. Como já cantou Ivan Lins:

disso, as vans escolares também não respeitam

encostar o veículo junto à calçada. As obras nas

“Depende de nós / Se esse mundo ainda tem

a faixa de pedestres, muitas vezes parando em

ruas Lopes Quintas e Pacheco Leão só servem pa-

jeito / Apesar do que o homem tem feito / Se a

cima (foto 12).

ra agravar a situação. Ao lado do Zona Sul, a obra

vida sobreviverá”.

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JBF Indica Revista Digital Portfólio

Bistrôs do JB O recém-lançado guia “Bistrôs do Rio de Janeiro”, de Alex Herzog, reúne bares e restaurantes de

FOTOS: DIVULGAÇÃO

várias categorias, cuja seleção foi feita com base nos locais que o carioca frequenta. Como morador do Jardim Botânico, Herzog indica inúmeros endereços daqui, dos famosos aos menos conhecidos. Na seção “Gourmandise”, figuram ainda padarias, delicatessens, sorveterias, livrarias e os bons e velhos “pés-sujos” espalhados pelo JB.

Jardins públicos no museu Está em cartaz no Museu do Meio Ambiente a exposição “Os jardins fazem a cidade”, com fotografias de Michel Corbou. A mostra é baseada no livro “Des jardins dans la ville” (Os jardins na cidade), que revela a atração do fotógrafo pela re-

Projeto educativo no IACJ

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage

lação entre arte e natureza. Autor de exposições

O Instituto Antonio Carlos Jobim, no JBRJ, con-

conta agora com uma revista digital, com

e instalações sonoras, o artista também trabalha

ta agora com o projeto educativo “O obser-

plataforma multimídia. “Portfolio” (www.

como documentarista, percorrendo o mundo e re-

vador da natureza”, que oferece visita guia-

revistaportfolioeav.com.br) tem 78 páginas

alizando projetos em que os jardins públicos são o

da para o público e grupos de escolas, com

de texto, 20 vídeos e quatro arquivos sono-

foco principal. A exposição, gratuita, tem visitação

atividades de música e observação da fauna

ros, sendo possível fazer download gratuito

de terça a domingo, das 9h às 17h, até 5 de maio.

e da flora no espaço em que o maestro tanto

de todo seu conteúdo. A revista mistura re-

O museu fica na rua Jardim Botânico, 1008.

gostava de passear. O projeto faz parte das

Ciclista paga meia entrada

e pesquisadores. A edição é assinada pe-

Os espetáculos da série “Música no Tom”, no

vo olhar sobre a trajetória do músico. A ex-

la jornalista Marilia Martins, com conselho

Espaço Tom Jobim, oferecem meia-entrada

posição é permanente e pode ser visitada de

editorial formado por professores da EAV,

àqueles que chegarem ao Jardim Botânico de

terça a domingo, das 10h às 17h. Já as visitas

como Anna Bella Geiger, Charles Watson,

bicicleta. Confira os preços e a programação em

guiadas, de quinta a domingo, podem ser

Ricardo Basbaum, Ângela Leite Lopes, Flora

www.jbrj.gov.br. Para quem não sabe, o ende-

agendadas por telefone 3874-0594 ou por

Sussekind e Carlos Alberto Mattos.

reço é rua Jardim Botânico, 1008.

e-mail observadordanatureza@gmail.com.

Flagrante 

FORÇAS DA NATUREZA São dois exemplos de como o pior pode ser evitado, mas nada é feito. As águas de março chegaram com toda força à cidade no começo do mês e repetiram uma cena costumeira: ruas alagadas e mureta do JBRJ sendo usada como passarela. Enquanto isso, na rua Lineu de Paula Machado, em frente ao número 850, uma velha amendoeira está em CLEOMIR TAVARES

contagem regressiva. Apesar de ter sido avisa-

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atividades relacionadas à exposição “Tom Jo-

ensaios escritos por jornalistas, professores

da em outubro de 2012, a prefeitura ainda não tomou as devidas providências.

bim - Música e Natureza”, que revela um no-

CHRIS MARTINS

portagens, entrevistas, críticas, resenhas e


Ilustre Morador 

Liszt Vieira

Os mais desavisados podem não entender por que Liszt Vieira é o Ilustre Morador desta edição, uma vez que, na verdade, ele mora na vizinha Gávea. Mas alguém que há dez anos passa, no mínimo, oito horas por dia no Jardim Botânico conhece como ninguém o bairro. Além do mais, ele já morou aqui e sua filha e neta são sempre ótimos motivos para circular por essas bandas. Liszt é mesmo figurinha fácil no Jardim Botânico. Desde 2003 na presidência do parque, ele recebeu, no iníco deste ano, o prêmio Faz Diferença 2013. Não bastasse ter aumentado o número de visitantes do parque de 294 mil, em 2003, para 800 mil, em 2012, e ver a receita do parque quase triplicar no mesmo período com ingressos, aluguéis e venda de mudas, o ambientalista trava uma luta para liberar a área ocupada por casas irregulares e expandir as atividades de pesquisa do instituto. Se no ano passado chegou a ameaçar deixar o cargo diante das dificuldades em resolver a questão imobilia uma solução favorável ao Jardim Botânico. - Sinto-me bastante lisonjeado com o prê-

JOÃO LINHARES

ária, atualmente está mais otimista com relação

IGNÁCIO DROCCHI

mio. Vejo-o como o reconhecimento pela luta em defesa do Jardim Botânico, com significado

Mas nada disso o abala ou o esmorece. Para

Quando tem algum aniversário ou outra co-

muito mais institucional do que pessoal – avalia

favorecer a utilização do Jardim Botânico pelos

memoração de sua equipe do Jardim Botânico,

Liszt com modéstia.

moradores do bairro, Liszt abriu um portão de

acaba quase sempre indo em direção à Gávea.

Todo esse engajamento vem de longa data

entrada do parque na rua Pacheco Leão, quase

A comodidade leva-o também a frequentar os

– Liszt participou do movimento estudantil na

na esquina com a rua Jardim Botânico. A apro-

cinemas e teatros do Shopping da Gávea.

década de 1960, engajou-se na luta armada

vação do IPHAN demorou, mas saiu. Ele lembra,

- O transporte público é deficiente na cidade,

contra a ditadura militar, foi exilado e, na volta,

porém, que até hoje há puristas que acharam a

provocando engarrafamentos por toda parte. É

tornou-se pioneiro na ecologia política – e pro-

atitude uma heresia ao patrimônio histórico.

inadimissível levar uma hora e meia no trajeto entre a Gávea e a Praça Mauá, por exemplo –

voca reações extremas, que vão do apoio de

Antigo morador do Alto Maria Angélica, ele hoje

boa parte da sociedade carioca, chegando ao

frequenta mais os arredores da rua JJ Seabra, onde

xingamento por parte dos moradores irregula-

mora sua filha. Aos domingos, costuma ir à feira

Ilustre trabalhador que não mora, mas ama

res do parque. Em momentos de maior estres-

da Lineu de Paula Machado e comer no Belmonte

o Jardim Botânico, Liszt Vieira passou a maior

se, costuma refugiar-se na Aléa do Pau-Mulato

ou no Mamma Jamma. Durante a semana, a fim

parte de sua vida perto do verde e lutando por

– situada na região chamada “Amazônica” do

de diminuir o tempo com deslocamentos e evitar

ele. Para sua aposentadoria, porém, sonha com

parque, perto da rua Pacheco Leão – ou apela

o tráfego intenso do bairro, Liszt almoça no Couve-

Soares Marinho, ou melhor, “só ares marinhos”,

ao shiatsu.

Flor, no Filé de Ouro ou no Nanquim.

explica bem humorado.

reclama indignado.

A vez do leitor Limpeza no Pão de Açúcar O leitor Ignácio Drocchi fez fotos do estado de relaxamento com a higiene dentro do supermercado Pão de Açúcar. Paredes precisando de pintura, prateleiras sem limpeza e alimentos em mau estado de conservação mostram que a concorrência no bairro não levou o supermercado a melhorar o serviço. Pelo contrário. 7


PRÓXIMA EDIÇÃO MAIO/JUNHO 2013. RESERVE JÁ O SEU ESPAÇO: 3874-7111

jbenfolhas48  

Informativo do Bairro Jardim Botanico

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