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N.º 107

Este Jornal é parte integrante da edição do Expresso n.º 2050, de 11 de Fevereiro de 2012. Venda interdita.

ESPECIAL DIA MUNDIAL DAS DOENÇAS

RARAS 29 DE FEVEREIRO 2012

Próxima

edição

Março

Identificadas sete mil

doenças raras

O Dia Mundial das Doenças Raras celebra-se a 29 de Fevereiro. Até agora, já foram identificadas cerca de sete mil patologias raras, um número que justifica a razão pela qual, apesar de serem invulgares, atingem uma quantidade elevada de pessoas. Estima-se que 600 mil portugueses sofram de alguma destas doenças. Págs. 4/5

Como tratar e prevenir as doenças cardiovasculares? As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade e morbilidadade nos países ocidentais. Segundo o Prof. Fausto Pinto, vice-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia, apesar da maior variedade de terapêuticas que existe actualmente, a manutenção de estilos de vida inadequados continua a dificultar a eficácia do tratamento. Pág. 3

Lei sobre ensaios clínicos vai mudar Até ao momento, a legislação portuguesa sobre ensaios clínicos era escassa, causando ineficiências administrativas. Uma situação que pode mudar brevemente. Segundo o Dr. Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, o Governo está a trabalhar no sentido de modificar as regras que têm sido seguidas pelos hospitais. O objectivo é que Portugal não continue a deixar fugir, como tem feito até aqui, muitos dos ensaios clínicos que poderiam trazer riqueza ao País. Pág. 8


2 • SÁBADO, 11 DE FEVEREIRO 2012

Agravamento da diabetes tipo 2: um caminho irreversível? Numa fase em que a Saúde não escapa aos cortes orçamentais impostos pela crise económica, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) apresentou, recentemente, a sua proposta para as normas de tratamento farmacológico da diabetes tipo 2, tendo em conta critérios científicos que não deixam de estar assombrados pelas limitações financeiras que o país atravessa.

S

egundo a Prof.ª Helena Cardoso, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo e endocrinologista do Hospital Geral de Santo António, no Porto, as referidas normas estão em audição e teste de aplicabilidade até 30 de Abril de 2012, pelo que «podemos manifestar a nossa opinião, relativamente às propostas terapêuticas apresentadas, no site da DGS, em formulário próprio», esclareceu. No entanto, «quando abordamos um doente com diabetes tipo 2 sabemos, à partida, que a modificação do estilo de vida, caracterizada pela adopção de uma alimentação equilibrada e pela prática de actividade física, é a principal recomendação e que se deve manter ao longo de todo o tratamento», afirmou. Tal como as mais reconhecidas recomendações internacionais (ESC/EASD e ADA), também as normas da DGS recomendam as modificações do estilo de vida como a base do tratamento da diabetes tipo 2.

Prof.ª Helena Cardoso

Assim, à luz das normas da DGS, a metformina é o fármaco de primeira linha, em especial nas pessoas com obesidade ou com excesso de peso, embora nas pessoas sem excesso de peso também deve ser considerada uma opção de primeira linha. No caso de intolerância à metformina ou

contra-indicação ao seu uso, a opção de primeira linha é uma sulfonilureia, se houver necessidade de uma resposta rápida para controlar os sintomas de hiperglicemia, se não houver excesso ponderal e se apresentar preferencialmente uma HbA1c 7,5%, vale o recomendado para evitar as hipoglicemias, um dos efeitos laterais que podem ocorrer com as sulfonilureias. Ainda segundo as normas da DGS, no caso de intolerância ou contra-indicação à metformina e no caso de contra-indicação ao uso de sulfonilureias, nomeadamente nas situações atrás mencionadas, deve considerar-se a prescrição, como terapêutica de primeira linha, de um inibidor da DPPIV, preferencialmente nos casos em que a HbA1c é inferior a 7,5%. Ao inibirem a actividade da enzima DPP-4 sobre o GIP e o GLP-1, os inibidores da DPP-4 vão aumentar os níveis endógenos das incretinas. «Desta forma, estes agentes só actuam quando é necessário, daí o reduzido risco hipoglicémico», sublinhou a Prof.ª Helena Cardoso.

A par desta questão da segurança relativamente às hipoglicemias, os inibidores da DPP-4 têm ainda a vantagem de diminuírem a produção de glucagon pelo pâncreas, permitindo, desta forma, uma redução da glicemia em jejum. Para além disso, demonstraram não ter efeitos sobre o peso, ao contrário do que é conhecido nas sulfonilureias.

As normas da DGS recomendam as modificações do estilo de vida como a base do tratamento da diabetes tipo 2. «Em doentes com insuficiência renal, os inibidores da DPP-4 devem ser utilizados em doses mais reduzidas», recomendou a endocrinologista.

Porto acolheu Jornadas de Actualização Cardiológica Os especialistas presentes nas XXIII Jornadas de Actualização Cardiológica do Norte para Medicina Geral e Familiar, realizadas no Porto, entre os dias 18 a 20 de Janeiro, organizadas pelo Prof. Doutor Carlos Ramalhão, ouviram a apresentação da Prof.ª Helena Cardoso. O grande objectivo do encontro, em que participaram mais de 1000 médicos, foi promover a sua actualização clínica.

Nova esperança no VIH A Comissão Europeia aprovou o uso de um comprimido único de toma diária destinado às pessoas infectadas com o VIH, fármaco que contém três substâncias activas: tenofovir, emtricitabina e rilpivirina.

O

desenvolvimento da rilpivirina e a sua autorização de introdução no mercado têm por base dois estudos internacionais com mais de 600 doentes em cada uma das fases, com selecção aleatória e dupla ocultação de medicamento, sem que antes estivessem expostos a outros medicamentos retrovirais, tendo como objectivo demonstrar a não inferioridade da rilpivirina relativamente ao efavirenze. Após 96 semanas de estudo e com avaliação primária às 48 semanas, a rilpivirina evidenciou eficácia semelhante ao efavirenze em doentes sem exposição prévia a terapêutica anti-retroviral. Com um perfil de segurança muito favorável, e de acordo com o Dr. Eugénio Teófilo, especialista do Serviço de Medicina Interna do

Hospital dos Capuchos, em Lisboa, «a rilpivirina demonstrou um valor muito baixo de efeitos adversos, incluindo alterações metabólicas, impacto no metabolismo da vitamina D e na recuperação do tecido adiposo subcutâneo». Outro ponto importante deste fármaco é que, após estudos pré-clínicos, não demonstrou ter teratogenicidade, isto é, capacidade de produzir malformações congénitas, sendo por isso considerado seguro na gravidez. A boa tolerabilidade ao nível do sistema nervoso central é outra das mais-valias no contexto da terapêutica crónica. Também o seu aparente perfil de toxicidade muito baixo, se comprovado a longo prazo, poderá ser uma esperança renovada para doentes com VIH, sendo a

Dr. Eugénio Teófilo

toma um acto simples de deglutição de um comprimido único diário.

Encontro reúne especialistas em doenças infecciosas Esta novidade terapêutica veio a público nas 8.as Jornadas de Actualização

em Doenças Infecciosas do Hospital de Curry Cabral, organizadas pelo Serviço de Doenças Infecciosas desta instituição. Durante o encontro, foram debatidas temáticas como a optimização da terapêutica anti-retrovírica, hepatites víricas, tratamento e luta contra a tuberculose, entre outras. De acordo com o Dr. Fernando Maltez, presidente da Comissão Organizadora da Reunião e director do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral, sendo esta uma «época de grandes constrangimentos económicos, que se teme poderem afectar o Serviço Nacional de Saúde, importa realçar a importância que a Infecciologia tem no nosso tempo e lembrar os compromissos que não podem quebrar-se na prevenção e no tratamento das suas principais entidades clínicas, algumas de elevada prevalência no nosso País e que causam grande preocupação na saúde pública».


SÁBADO, 11 DE FEVEREIRO 2012 • 3

Prof. Fausto Pinto fala da prevenção e tratamento da doença cardiovascular:

«O mais difícil é mudar hábitos e comportamentos» Tratando-se da principal causa de morbilidade e mortalidade nos países ocidentalizados, a doença cardiovascular (DCV) assume-se como uma das principais preocupações ao nível da saúde pública. Tratá-la e preveni-la são prioridades que devem mover a classe médica, a sociedade e os responsáveis políticos. Apesar das diversas estratégias para evitar o aparecimento e agravamento de DCV, «o mais difícil é mudar hábitos e comportamentos». Cátia Jorge

P

ortugal não foge à regra no que respeita às tendências ocidentais. Se assim é em relação a modas e comportamentos, o mesmo ocorre ao nível da adopção de estilos de vida inadequados, que, mais cedo ou mais tarde, acabam por ter um impacto na saúde. As DCV são exemplo disso, revelando-se, actualmente como a principal causa de mortalidade e de morbilidade.

Prof. Fausto Pinto

«Na verdade, estamos a falar de um conjunto de várias patologias que, ao longo dos anos, se vai desenvolvendo como reflexo de uma alimentação desregrada e de uma vida sedentária», afirma o Prof. Fausto Pinto, professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa e vice-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia. Hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, obesidade e tabagismo são doenças que, quando conjugadas, actuam como uma bomba relógio, cujo desfecho pode ser um acidente cardio ou cerebrovascular. «A par deste conjunto de factores de risco, sabemos que determinadas pessoas têm uma componente genética que favorece, ainda mais, a ocorrência desse tipo de episódios», adianta o especialista. A prevenção tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante e, nesse contexto, várias campanhas têm sido desenvolvidas no sentido de sensibilizar e alertar a população para esta epidemia, que alastra a um ritmo alarmante. Do ponto de vista político, algumas medidas têm sido implementadas com vista à

minimização da exposição a determinados factores de risco. «No caso da legislação antitabágica e da obrigatoriedade de redução do teor de sal no pão, os resultados positivos estão à vista e têm significado científico». No entanto, «muito mais pode ainda ser feito». Apesar da evolução do conhecimento científico em relação aos factores de risco, da maior facilidade na identificação dos doentes e da existência de ferramentas terapêuticas eficazes, uma elevada percentagem de doentes continua sem conseguir reduzir a pressão arterial, o colesterol e a glicemia para níveis mais próximos dos normais. Segundo Fausto Pinto, vários factores podem estar na origem desta limitação. Em primeiro lugar, «se diagnosticamos mais doentes, também é mais provável que uma maior percentagem não consiga controlar os factores de risco». Por outro lado, «tratando-se de condições que são, inicialmente, assintomáticas, os doentes facilmente deixam de tomar a medicação, pois, desvalorizam ou desconhecem as suas potenciais consequências». Contudo, «o mais difícil é mudar os hábitos e os comportamentos de risco, pois, a manutenção de estilos de vida inadequados vai sempre comprometer a eficácia das estratégias terapêuticas implementadas», justifica.

ciência cardíaca, para a prevenção do AVC em doentes com fibrilhação auricular (anticoagulantes orais) e para a prevenção de novos eventos em doentes que já sofreram um primeiro enfarte (antiagregantes plaquetários), «demonstrou, no âmbito da investigação clínica, uma redução clara da mortalidade e das complicações relacionadas com estas condições», lembra Fausto Pinto. Também na área dos dispositivos, «um vasto conjunto de ferramentas foi criado ou aperfeiçoado, nomeadamente, para o tratamento da síndrome coronária aguda», afirma o médico, referindo-se aos stents, alguns deles embutidos em fármacos, colocados por via percutânea, para corrigir as lesões provocadas pela placa aterosclerótica nas artérias. Ainda em fase de ensaios clínicos estão as técnicas que envolvem a utilização de células estaminais para regeneração do tecido morto ou não activo do miocárdio.

Novas Fronteiras em Cardiologia Face ao sucesso da primeira edição do congresso Novas Fronteiras em Cardiologia, realizado em Fevereiro do ano passado, uma segunda edição está já agendada para os dias 24, 25 e 26 deste mês, no Hotel Vila Galé Ericeira. A iniciativa do Serviço de Cardiologia do «maior hospital universitário do país – o Hospital de Santa Maria –, tem como objectivo apresentar a sua actividade, seja no contexto clínico, investigacional ou académico», descreveu Fausto Pinto. «É um momento em que conseguimos juntar os profissionais do mesmo serviço e convidar vários colegas de serviços de outros hospitais nacionais para trocar experiências e perceber que projectos estão em curso», continua. Hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca, imagiologia e arritmologia foram os quatro temas eleitos para o programa científico da reunião, que contará com a participação do bastonário da Ordem dos Médicos, Prof. José Manuel Silva, e de quatro palestrantes estrangeiros.

Avanços no diagnóstico e tratamento da DCV No que respeita ao diagnóstico e tratamento da DCV já estabelecida, têm-se verificado importantes avanços. «Da parte do diagnóstico, tem havido, ao longo dos últimos anos, desenvolvimentos tecnológicos fantásticos, que têm permitido um apuramento dos métodos já existentes», descreve o cardiologista. Desde métodos laboratoriais para avaliação de biomarcadores, que permitem, por exemplo, determinar alterações precoces preditivas de um maior risco de enfarte agudo do miocárdio, a técnicas imagiológicas, que ajudam a caracterizar melhor as alterações do coração em diversas patologias, vários foram os avanços que prometem revolucionar a avaliação dos doentes. Na vertente terapêutica, o aparecimento de novos agentes farmacológicos para a hipertensão arterial, para a insufi-

Os estilos de vida saudáveis ajudam a prevenir as doenças cardiovasculares


4 • SÁBADO, 11 DE FEVEREIRO 2012

ESPECIAL DIA MUNDIAL DAS DOENÇAS

RARAS

600 mil portugueses são portadores de doenças raras

29 DE FEVEREIRO 2012

Dia 29 de Fevereiro assinala-se o Dia Mundial das Doenças Raras, que este ano se celebra sob o mote «Somos raros, mas a união faz a força». Na União Europeia, uma doença é considerada rara quando afecta menos de cinco em cada 10 mil pessoas. Apesar da singularidade destas patologias, o número de portadores de uma doença rara (até agora, foram identificadas sete mil) pode ser elevado. No nosso País, estima-se que 600 mil portugueses sofram de alguma destas enfermidades. outro lado, para a maior parte dos casos, não existe um tratamento curativo, mas o seu rastreio e diagnóstico precoce, semaioria das pessoas já ouviu falar guido de uma prestação de cuidados adedo conceito de doença rara, mas quados, promove a melhoria da qualidaserá que todos sabem realmente de de vida dos doentes e pode aumentar o que significa? O Dr. Luís Brito Avô, méa sua esperança de vida». dico internista do Hospital de Santa MaO diagnóstico destas doenças é, na ria, em Lisboa, e coordenador do Núcleo maior parte dos casos, difícil. Uma situade Estudos de Doenças Raras da Socieção que se deve, de acordo com Luís Brito dade Portuguesa de Medicina Interna Avô, «à própria raridade e ao desenrolar (SPMI), indica que, «em Portugal, serão dos quadros clínicos, que se exprimem, doenças raras aquelas em que o númemuitas vezes, em peças de puzzle ao longo da vida». Com esta citação, o méro de casos não ultrapassa os cinco mil dico pretende afirmar que o indivíduos». doente pode «vaguear» por Segundo explica, «do várias especialidades méponto de vista da patologia dicas até ser identificada a humana, o conceito de doensua patologia. ça rara é absolutamente Efectivamente, para Luís transversal, sendo que 80% Brito Avô, «uma das maiores dos casos são de origem dificuldades do portador de genética e os restantes 20% doença rara é a sua referencausados por doenças infecciação, ou seja, encontrar o ciosas, oncológicas e degedepartamento médico e o nerativas, entre outras». cuidador adequado para a De acordo com Luís Brisua peculiar invulgaridade». to Avô, «cerca de 70% das Dr. Luís Brito Avô Segundo refere, «apedoenças raras são diagnossar da existência no País de ticadas à nascença ou na múltiplas unidades de exceprimeira década de vida». lência para a abordagem das No entanto, «apesar de podoenças raras, estas estão derem apresentar sinais sedeadas em diversas instie sintomas na infância e tuições de saúde e não existe adolescência, 30% só são uma rede de comunicação identificadas, ou só surgem eficaz entre elas, assim mesmo em idade adulta. como um acesso fácil a inGeralmente, dão origem a formação para uma referendisfunção orgânica e dor ciação célere dos doentes». crónica e muitas causam Contudo, espera-se que a mortalidade prematura. Por Dr. Francisco Beirão Susana Catarino Mendes

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Para quando o cartão de doente raro?

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pesar de já ter sido aprovado por unanimidade por todos os grupos parlamentares, o cartão do doente raro ainda não foi implementado. Todavia, e segundo refere Francisco Beirão, «sempre com o atraso decorrente da sua já longínqua aprovação, o assunto está em estudo na DGS e aguardam-se para breve desenvolvimentos na sua implementação efectiva». De acordo com o presidente da APL e da APADR, «ao possibilitar o acesso imediato às características de cada doente, o cartão do doente raro permitirá evitar menor cuidado no tratamento do doente em situação de urgência por parte de quem, até pelas características próprias das doenças raras, com elas esteja menos familiarizado».

implementação em curso do Plano Nacional de Doenças Raras (PNDR) do Ministério da Saúde modifique este panorama.

Associações de doentes reclamam abertura de centros de referência Em Janeiro de 2011, foram aprovados Para Paula Brito e Costa, presidente os critérios para a criação dos centros da FEDRA (Federação das Doenças Raras de referência das doenças raras. No ende Portugal) e da Raríssimas, «a rede de tanto, até agora, ainda não foram implecentros de referência é essencial para um mentados. Na opinião do Dr. Francisco completo e eficaz apoio a pessoas com Beirão, presidente da Associação Portudoenças raras e seus familiares». Aliás, guesa das Doenças do Lisossoma (APL) «o objectivo destes centros de referência e da Aliança Portuguesa das Associações será, justamente, optimizar a capacidade de Doenças Raras (APADR), «os centros de diagnóstico, de tratamento, de inforde referência permitem não mação e de apoio social a só uma uniformidade de pessoas, doentes e familiatratamento e um melhor res afectados por este tipo e mais oportuno acesso à de patologias». medicação, beneficiando de Porém, «até hoje, contitoda uma reconhecida esnuam por existir estes cenpecialização, como também tros de referência, tendo o conhecimento e registo unicamente sido aprovados do número de doentes, seu os critérios para a sua criaacompanhamento estatístição», defende. «Esperamos, co e inerente melhor seguisinceramente, poder contar mento por parte das entidacom o processo inicial de Paula Brito e Costa des oficiais». candidatura ainda para este

Crise dificulta abertura de centros de referência? A definição de centros de referência para to animadoras». Segundo refere, foram já as doenças raras esteve a cargo da Comis- ultrapassados «largamente» os prazos de implementação previstos no são Nacional para as Doenprograma. «Desde o início, ças Raras, particularmente a não atribuição de verbas, de um subgrupo orientado comunitárias ou nacionais, pela Prof.ª Heloísa Santos, do específicas para o PNDR e a qual a Prof.ª Luísa Diogo, do dependência que os centros Hospital Pediátrico Carmona de referência teriam da senda Mota/Centro Hospitalar sibilidade e disponibilidade Universitário de Coimbra financeira dos conselhos de (CHUC), fez parte. O resuladministração dos hospitais tado foi a elaboração de um em que se iriam inserir foi documento que estabelece por nós considerada como os critérios para a criação Prof.ª Luísa Diogo um grande obstáculo à exedos referidos centros. cução prática do programa. Na opinião de Luísa Diogo, as perspectivas para o futuro quanto A somar a essa dificuldade inicial está agoà implementação do PNDR «não são mui- ra o contexto de crise actual…».


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Trombocitopenia imune

Novas opções terapêuticas procuram melhorar a qualidade de vida dos doentes APADR promove conferência

ano de 2012, apesar de sabermos que o PNRD prevê um período de consolidação até 2015.»

Acesso a medicamentos órfãos Outro dos problemas que ainda urge resolver é o do acesso aos medicamentos órfãos (utilizados para tratar doenças raras). De acordo com os dados divulgados, em 2011, pelo Infarmed, os doentes portugueses ligados aos Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm acesso a 60 dos 62 medicamentos órfãos autorizados pela Agência Europeia do Medicamento. Destes, apenas 18 podem ser adquiridos por Autorização de Utilização Especial (AUE). Contudo, na opinião de Paula Brito e Costa, «esta informação não invalida que continuem a existir doentes com patologias raras que não têm acesso aos medicamentos de que necessitam». Na verdade, «apesar da maior abertura das entidades responsáveis para esta temática, o facto é que o critério de aprovação do medicamento não foi alterado e, com o estado geral da economia, necessariamente, os doentes com patologia rara serão os primeiros a sofrer as consequências da tão “falada” crise». Os medicamentos órfãos são comparticipados a 100%. Contudo, para o presidente da APL e da APADR, «mais grave é a situação daqueles que, na ausência de medicamento órfão específico, tenham de tomar, em regime constante e por força da sua doença rara, toda uma série de outros medicamentos, cujas comparticipações não têm em conta a cronicidade da sua doença e cujos custos são, assim, suportados pelos próprios». No que se refere à medicamentação, uma outra questão prende-se com o local de tratamento, já que, como Francisco Beirão avança, «os medicamentos órfãos

No âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, a APADR agendou, para o dia 29 de Fevereiro, uma conferência, que irá decorrer na Fundação Eng.º António de Almeida, no Porto, pelas 14.30h. Durante a iniciativa, serão abordados temas como o «Ponto da situação do PNDR» e «ORPHANET: portal de doenças raras e medicamentos órfãos». apenas são dispensados nas farmácias hospitalares e ministrados nos hospitais centrais, obrigando os doentes a sucessivas deslocações (a maior parte das vezes semanais), por vezes, de centenas de quilómetros num dia, quando tal seria evitável se fosse permitido aos centros de saúde das respectivas áreas de residência ministrar tal medicamentação».

A trombocitopenia imune (PTI) é uma patologia rara que se caracteriza por uma diminuição do número de plaquetas. Estima-se que, anualmente, surjam 300 novos casos em Portugal.

A

PTI é uma doença de carácter auto-imune, que se traduz numa diminuição da contagem de plaquetas [células que participam na coagulação sanguínea]. «Existe um mecanismo imunológico responsável pela destruição de plaquetas no baço. Mas também se sabe que há, simultaneamente, uma insuficiente produção de plaquetas por parte da medula óssea», esclarece o Prof. João Forjaz de Lacerda. Para o hematologista do Hospital de Santa Maria e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, esta baixa de plaquetas manifesta-se clinicamente pela ocorrência de hemorragias espontâneas ou que surgem na sequência de traumatismos.

Raríssimas: plano de actividades para 2012 A Associação Raríssimas vai lançar, no dia 16 de Fevereiro, a primeira edição de «Vidas Raras», um livro que pretende «dar voz aos portadores de doenças raras». Na lista de prioridades da Raríssimas, para este ano, continua a construção da Casa dos Marcos, uma obra que, conforme explica Paula Brito e Costa, se encontra neste momento parada devido à actual conjuntura económica. «Continuamos a aguardar financiamento e a contactar novos mecenas, de modo a conseguirmos terminar este projecto, que já conta com 88% da sua construção concluída.» A presidente da Raríssimas acrescenta ainda que, ao longo de 2012, os centros Raríssimos, unidades de apoio a doentes, sedeados em Lisboa, Maia e Açores, irão prosseguir o seu trabalho «na área da reabilitação/habilitação, criando novas valências e apoios sociais, de forma a servir um número cada vez maior de doentes raros».

Prof. João Forjaz de Lacerda

«Vulgarmente, aparecem nódoas negras ou manchas pequenas e avermelhadas na pele. Em alguns casos, também pode haver ocorrência de hemorragias do aparelho digestivo ou das cavidades oral e nasal. Essas são as manifestações mais comuns», lembra o especialista. Regra geral, as hemorragias «não colocam em perigo a vida dos doentes». Mas, «num número muito diminuto de doentes, quando a contagem de plaquetas é muito baixa e a descida é muito rápida», há um potencial risco de hemorragia do Sistema Nervoso Central,

«uma situação que, felizmente, é rara». O especialista nota que a PTI na infância «é uma doença aguda e, geralmente, auto-limitada». João Forjaz de Lacerda esclarece que «muitas crianças recuperam espontaneamente a contagem de plaquetas». Em contrapartida, no adulto, «a PTI tende a transformar-se numa doença crónica». Contudo, conforme explica o hematologista, «o manuseamento desta situação depende da contagem de plaquetas e do nível de actividade e necessidades do doente; um jovem com uma vida activa tem necessidades diferentes de um idoso com um estilo de vida mais sedentário».

Novas alternativas de tratamento Nas situações em que não há uma resposta sustentada à terapêutica medicamentosa inicial com corticosteróides, a esplenectomia (remoção do baço) é um procedimento cirúrgico que remove o órgão onde as plaquetas são destruídas. Esta intervenção tem uma taxa de sucesso que ronda os 50-60%, pelo que poderá haver necessidade de equacionar outros tratamentos. «Existem, actualmente, fármacos que estimulam a produção de plaquetas na medula óssea. Estes fármacos, nomeadamente o romiplostim (o primeiro agente de segunda geração a entrar em ensaios clínicos), usados em doentes que não respondem ao tratamento convencional, têm uma taxa de resposta na ordem dos 80-90% e podem ser uma alternativa antes ou depois da esplenectomia.» Estes medicamentos implicam, porém, um «tratamento persistente e continuado», uma vez que, após a sua suspensão, o número de plaquetas volta a baixar «na larga maioria dos doentes». Para João Forjaz de Lacerda, «estas terapêuticas inovadoras envolvem um mecanismo ainda não explorado do ponto de vista terapêutico». Os tratamentos disponíveis até agora deprimem o sistema imunológico do doente, «atingindo também o mecanismo imunológico responsável pela PTI», o que não se verifica com os estimuladores da produção de plaquetas.


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ESPECIAL DIA MUNDIAL DAS DOENÇAS

RARAS 29 DE FEVEREIRO 2012

Doença de Morquio A: especialistas portugueses envolvidos em ensaio clínico A doença de Morquio A é uma patologia rara que afecta o crescimento de todo o esqueleto, deteriorando a mobilidade, causando dores e envolvendo também outros órgãos. Actualmente, não tem tratamento curativo e atinge, em média, uma em cada 700 mil pessoas em todo o Mundo. Sílvia Malheiro

A

Unidade de Doenças Metabólicas do Hospital Pediátrico de Coimbra é um dos centros de tratamento a nível mundial envolvido num ensaio clínico de fase 3 para o desenvolvimento de uma terapia enzimática endovenosa de substituição para a doença de Morquio A. A Dr.ª Paula Garcia, pediatra da Unidade e investigadora principal deste estudo em Portugal, conta que estão, actualmente, incluídas no ensaio duas crianças, uma portuguesa e outra espanhola. «Trata-se de uma patologia muito rara», refere, acrescentando que estão, no entanto, «em vias de conseguir incluir um terceiro doente». Para serem incluídas no estudo, as crianças têm de cumprir diversos critérios: «Terem a doença comprovada através de estudos genéticos ou enzimáticos para Morquio A; terem mais de cinco anos; não possuírem patologia grave que impeça a sua participação no estudo; não estarem em tratamento com outros produtos de investigação, nem terem sido sujeitos, por exemplo, a um transplante de medula; e, entre outros aspectos, não terem prevista alguma cirurgia inadiável durante a vigência do estudo, que tem uma duração de seis meses». Além destes, um dos critérios importantes de inclusão que, de acordo com Paula Garcia, «não considerou para este estudo alguns dos doentes portugueses, foi terem obrigatoriamente de andar pelo menos 30 metros autonomamente ou com a ajuda de algum apoio». Outro aspecto importante prende-se com as autorizações e consentimentos de participação em qualquer ensaio clínico em seres humanos, uma vez, que para se implementar um projecto de investigação clínica em Portugal, existe uma série de procedimentos importantes, que são obrigatórios. «É necessário que o Infarmed e a Comissão de Ética para a Investigação Clínica aprovem a sua realização em Portugal e que seja feito um contrato

Deixar de fumar… um cigarro de cada vez É possível deixar de fumar, sem imposições… um cigarro de cada vez. De forma inovadora, discreta e gradual. Sem datas definidas ou metas por cumprir. É possível deixar de fumar de forma progressiva, ao ritmo de cada um.

entre a empresa promotora do estudo e o hospital onde este decorre», menciona a pediatra. E desenvolve: «Em relação aos doentes e antes de qualquer procedimento relacionado com o ensaio clínico, devem dar o seu consentimento informado por escrito. No caso de se tratar de menores de idade, este consentimento deve também ser dado pelos pais ou tutores legais.»

A acção desenvolvida incluiu a distribuição do Saúde Pública® nas estações de comboio

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Dr.ª Paula Garcia

Questionada acerca da importância do envolvimento de várias especialidades na avaliação e acompanhamento destes doentes, Paula Garcia responde que, «em qualquer doença multissistémica, como é o caso da Morquio A, que afecta vários órgãos, é importante que exista apoio de diferentes especialidades médicas, que podem promover uma melhor qualidade de vida aos doentes ou até tratar alguns dos seus aspectos». Para terminar, Paula Garcia confessa ser «muito positivo verificar que existem companhias farmacêuticas que continuam a apostar na investigação e desenvolvimento de fármacos para o tratamento de doenças raras, uma vez que se trata de terapêuticas muito caras, para um número reduzido de doentes».

m Janeiro, o Saúde Pública®, em parceria com a Refer e com a coordenação científica da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, desenvolveu uma acção de sensibilização junto do grande público para esta problemática, com a distribuição de um jornal informativo em estações de comboio. Como realça o Prof. Carlos Robalo Cordeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, «o tabaco é a primeira causa de morte evitável em todo o Mundo, assim o declara a Organização Mundial de Saúde. Este tipo de hábito está intimamente relacionado com as principais causas de morte por doença: cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares e neoplasias de outros órgãos». «Logo, os ganhos a nível da saúde de uma pessoa que deixa de fumar são evidentes, a partir do momento em que está a eliminar o principal factor de risco para estas doenças», frisa. Como pode, então, enganar o seu próximo cigarro? A escolha está nas mãos de cada um. Contudo, há apoio nalgumas soluções disponíveis no mercado. O NiQuitin Menta alivia a ansiedade e ajuda a deixar de fumar de vez, mas de forma gradual. Disponível em farmácias e parafarmácias, esta pode ser a resposta para não fumar o próximo cigarro.

Para a Dr.ª Lurdes Barradas, coordenadora da Comissão de Tabagismo e pneumologista do IPO de Coimbra, «o tabaco é a principal causa de morte evitável no mundo e o seu consumo constitui um dos maiores problemas de saúde pública, com repercussões em toda a população, seja ela fumadora ou não».

«O tabaco é a principal causa de morte evitável no mundo e o seu consumo constitui um dos maiores problemas de saúde pública», afirma a Dr.ª Lurdes Barradas. «Por ano, morrem cerca de 5,6 milhões de pessoas no mundo com doenças relacionadas com este hábito, das quais 5 milhões são fumadoras activas e cerca de 600 mil fumadoras passivas. A epidemia de tabagismo requer uma actuação multidisciplinar centrada na prevenção, na promoção da cessação e na protecção da exposição ao fumo ambiental», sublinha a especialista.


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Em doentes renais

Aprovado novo tratamento na diabetes tipo 2 Vårios inibidores da DPP-4 (dipeptidil peptidase 4), fårmacos que actuam atravÊs das hormonas incretinas (produzidas no intestino), usados no tratamento da diabetes tipo 2, obtiveram recentemente a aprovação europeia para serem utilizados em doentes com insuficiência renal crónica moderada a grave.

A

lguns deles podem ser administrados isoladamente quando o fårmaco de primeira linha habitual não pode ser usado (por intolerância ou contra-indicação), em associação com outros medicamentos orais para a diabetes tipo 2, bem como em combinação com a insulina. Agora, um destes medicamentos, que foi o primeiro a estar comercialmente disponível em Portugal, foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento para doentes com diabetes tipo 2 com insuficiência renal moderada a grave, incluindo doentes em diålise (hemodiålise ou diålise peritoneal).

menos casos de hipoglicemias ou ganho de peso, em comparação com alguns fårmacos desta última família. Aliås, as normas de orientação clínica (NOC) identificam os doentes com risco de hipoglice-

ser administrado em doentes com insuficiência hepåtica ligeira a moderada. A generalidade dos doentes diabÊticos parece beneficiar dos inibidores da DPP-4. A possibilidade de reduzir a hemoglobina glicada, sem variação significativa do peso, Ê uma proposta de valor deste fårmaco, jå que cerca de 90% dos doentes com diabetes têm excesso de peso ou obesidade, disse.

mia como os principais beneficiĂĄrios dos inibidores da DPP-4Âť. Este inibidor da DPP-4 ĂŠ de toma Ăşnica diĂĄria e ÂŤĂŠ escassamente metabolizada pelo fĂ­gadoÂť, razĂŁo pela qual pode

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Dr. João Conceição

Este fårmaco pode ser usado antes ou depois do início dos tratamentos de diålise, referiu o Dr. João Conceição, endocrinologista do Hospital de Egas Moniz, ao intervir no âmbito do XIII Congresso Português de Endocrinologia e 63.ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM). Outros inibidores da DPP-4 tambÊm podem ser administrados em doentes com graus maiores ou menores de insuficiência renal e um deles tambÊm em doentes sob diålise. A classe dos inibidores da DPP-4, alÊm de atingir reduçþes de hemoglobina glicada (HbA1c), semelhante às sulfonilureias (outra classe de medicamentos utilizada para o mesmo efeito), estå associada a

Prof.ª Manuela Carvalheiro deixa direcção da SPEDM A Prof.ª Manuela Carvalheiro despediu-se da presidência da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo (SPEDM). O cargo pertence agora à Prof.ª Helena Cardoso, endocrinologia do Hospital de Santo António, no Porto. A eleição decorreu durante o XIII Congresso Português de Endocrinologia e 63.ª Reunião Anual da SPEDM, no final do mês de Janeiro, no Porto.

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8 • SÁBADO, 11 DE FEVEREIRO 2012

Por ano, Portugal perde 136 milhões de euros

Nova lei pode reduzir entraves à promoção de ensaios clínicos A importância dos ensaios clínicos para o doente e para o País tem vindo a ser desvalorizada nos últimos anos. Portugal perde, anualmente, cerca de 136 milhões de euros que poderiam ser investidos em ensaios clínicos, já que os hospitais realizam menos de metade daqueles que a sua capacidade permitiria. Até ao momento, a legislação sobre esta matéria era muito escassa, causando ineficiências administrativas. Contudo, esta situação pode mudar brevemente. Segundo o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Dr. Fernando Leal da Costa, o Governo está a preparar um diploma que prevê alterações à lei que controla os ensaios clínicos.

Sem ensaios clínicos não há novos medicamentos

«Um dos motivos porque a promoção de ensaios clínicos é importante é o facto de que, sem a sua realização não há novos medicamentos», sublinha o Prof. Susana Catarino Mendes Barreiras administrativas portância da investigação clínica no País, Joaquim Ferreira, neurologista e investipodem ser resolvidas propondo a existência de um reconhecigador do Serviço de Neurologia do Cenmento político da estratégia da investigatro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN). m levantamento efectuado pela Fernando Leal da Costa estima para ção para as áreas da Saúde e da Investi«Queremos que os medicamentos Associação Portuguesa da Indúsbreve a implementação de alterações à lei gação e o desenvolvimento económico. que estão disponíveis para nos tratarem tria Farmacêutica que controla os ensaios clínicos com meSegundo João Barroca, o casejam eficazes, ou seja, induzam benefí(Apifarma), em 2009, evidicamentos em Portugal. A medida pode minho passa, efectivamente, cios e sejam seguros (com baixo risco). dencia que Portugal regista resolver algumas ineficiências adminispor valorizar a investigação Contudo, essa informação nunca estará menos de 55% de ensaios trativas por parte dos centros e estrutuclínica que é praticada, cuja disponível sem a condução realizados do que a Bélgiras de investigação. qualidade, sublinha, «é gade ensaios clínicos bem deca, um país de dimensão «Um dos objectivos é colrantida pelo Infarmed e pela senhados e realizados em equivalente ao nosso. Uma matar uma carência que é a Comissão de Ética para a Incentros com condições para diferença que, em termos de inexistência de lei sobre vestigação Clínica». os conduzirem», defende. de investimento em ensaios ensaios clínicos em geral. A Indústria FarmacêuNa opinião de Joaquim clínicos, representa uma A actual legislação remete, tica defende a definição de Ferreira, Portugal tem conperda de cerca 136 milhões apenas, para os ensaios com objectivos e metas a prazo dições de se posicionar de euros que poderiam vir a fármacos, mas a investiga– em benefício das unidades como um país competitivo. ser investidos nas unidades Dr. João Barroca ção clínica é muito mais do de saúde, dos centros de «Os números indicam que de saúde onde decorrem que usar medicamentos», investigação, da economia, o nosso potencial não está a os ensaios e na criação de emprego nas refere o responsável. E esdos doentes e da sociedade em geral, ser explorado», justifica, suempresas e estruturas de investigação. clarece: assim como para a competitividade inblinhando, porém, a imporNa verdade, a realização de ensaios «Por termos consciência Prof. Joaquim Ferreira ternacional –, a valorização das activitância de os investigadores traduz-se em significativos ganhos para das lacunas que existem por dades de investigação clínica nos indicaserem capazes de atrair um maior núas unidades de saúde, que proporcionam parte dos centros de ensaios, que acabam dores de avaliação e o financiamento das mero de doentes para participarem nos o acesso precoce de doentes às novas por dificultar a celeridade na aprovação actividades das unidades de saúde e da ensaios clínicos. terapêuticas, assegurando, ao mesmo dos contratos financeiros, vamos introcomponente de investigação clínica nos tempo, os encargos com as terapêuticas duzir normas no sentido de programas de apoio à inobrigar a que o processo de já existentes em outros doentes incluídos vestigação promovidos com melhoria no padrão geral de cuidados» em grupos de comparação e controlo. aprovação seja mais rápido, fundo públicos. e, por outro, «há um conjunto de doentes Dados do Infarmed (2009) revelam de maneira a que o tempo Além disso, propõe tamque não pode aceder à medicação senão que o número de ensaios realizados enentre a proposta de ensaio e bém a introdução de uma através da participação nestas investigatre 2006 e 2009 baixou aproximadamente o seu início não seja superior medida efectiva de simplifições». 21%. Uma situação que revela, na opinião a dois meses.» cação administrativa que crie do Dr. João Barroca, vice-presidente da Para o governante, mais uma estrutura de coordenaApifarma, que ainda há muito a fazer nesdo que a riqueza que podem ção única que superintenda ta área. Contudo, ainda assim, o respongerar para o País, os ensaios na investigação clínica e a clínicos são importantes, por sável acredita que «Portugal tem capaciinstituição de um Programa dade para competir». um lado, porque, como está Nacional Específico de Apoio Dr. Fernando Leal da Costa provado, «permitem uma A Apifarma tem vindo a defender a imà Investigação Clínica.

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Director: José Alberto Soares Assessora de Direcção: Helena Mourão Redacção: Andreia Montes, Andreia Pereira, Bruno Miguel Dias, Cátia Jorge, David Carvalho, Paula Pereira, Sílvia Malheiro, Susana Catarino Mendes Fotografia: Ricardo Gaudêncio (editor), Jorge Correia Luís, José Madureira Agenda: Maria José Lages (saudepublica@saudepublica.pt) Director de Produção: João Carvalho Director de Produção Gráfica: José Manuel Soares Directora de Marketing: Ana Branquinho Director de Multimédia: Luís Soares Redacção: Av. Infante D. Henrique, 333 H, 5.º 1800-282 Lisboa, Tel. 21 850 40 00, Fax 21 850 40 09, geral@jasfarma.com, www.jasfarma.com. Publicidade: Just Me Comunicação, Tel. 21 852 50 30, Fax 21 852 50 39, geral@justme.pt Directora de Publicidade: Conceição Pires (conceicaopires@justme.pt) Gestora de Contas: Cláudia Real (claudiareal@justme.pt) Saúde Pública® é um projecto da JAS Farma®, de periodicidade mensal e de distribuição conjunta com o Expresso, com a tiragem total do próprio jornal Pré--press: IMPRESA Publishing Impressão: Lisgráfica. Pretendemos promover e divulgar a informação na área da Saúde. É permitida a reprodução total ou parcial dos textos e fotografias, desde que referenciada a sua origem (JAS Farma®) e com autorização expressa da Direcção. Os artigos de opinião são da inteira responsabilidade dos seus autores. Nota: Os conteúdos publicados no presente dossier não são da responsabilidade da Direcção do Expresso ou da IMPRESA Publishing, sendo editorialmente autónomos.


Saúde Pública - Fevereiro 2012