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Caracas – Venezuela * Año IX – Época II * 31 de Julho de 2009 RIF: J301839838

Vasco Granja e o movimento cineclubista... Vasco Granja nasceu em Lisboa, na zona de Campo de Ourique, a 10 de Julho de 1925 e faleceu em Cascais no dia 4 de Maio deste ano. Estava nas vésperas de fazer 84 anos e tinha passado à reforma em 1990, depois de uma vida de trabalho que começou em 1940, aos 15 anos, nos Armazéns do Chiado. Inicialmente esteve ao cuidado das amostras de seda e alguns tempos depois, uma vez que descobriram nele o gosto pela leitura, passou para o departamento de publicidade. Após outros trabalhos, entre eles na Foto Áurea, em 1960, entra para a Livraria Bertrand, onde ficará até à idade da aposentação. A sua paixão pelo cinema começa na infância e aos 16 anos foi admitido como segundo assistente de fotografia num filme de Santos Neves: A Noiva do Brasil (1945). O cinema foi o seu grande amor que, partilhado com a que votou à banda desenhada, o levaria a ser preso pelo Estado Novo (1952), acusado de militância comunista. Em 1950 começa a sua ligação ao movimento cineclubista, para o qual contou com a colaboração de varias embaixadas. Ainda que os filmes deviam passar pela incontornável censura, Vasco Granja conseguiu exibir obras do neo-realismo italiano, surgido imediatamente nos após guerra. Em 1954, acusado de financiar as actividades anti-salazaristas com a venda dos bilhetes de cinema, cai, pela primeira vez, numa prisão do fascismo. Permanece no Aljube durante seis meses. Nunca chegou a ser julgado. Recuperada a liberdade, sempre precária, volta ao movimiento cineclubista e à sua divulgação cultural na imprensa. São de referências os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação – era grande admirador do canadiano Norman McLaren, a quem chegou a conhecer pessoalmente. O começo da década dos 60 marca a sua entrada na Livraria Beltrand, uma das mais históricas do nosso país, onde trabalha perto de 30 anos. Em 1963, nova detenção por razões políticas. Nesta oportunidade sim é julgado e condenado. Dezoito meses depois, após várias sessões de tortura física e psicológica e de encerramento na Fortaleza de Peniche, volta à liberdade e às suas actividades culturais, publicando artigos sobre cinema e


literatura. Fortemente ligado ao cinema de animação – de aí a sua admiração por McLaren – torna-se natural a sua presença em vários festivais da especialidade: em 1960 assistiu ao encontro de Annecy, França, para representar Portugal, na que foi a sua primeira viagem ao exterior. Por outro lado, é-lhe acreditado o pioneirismo na divulgação da banda desenhada em Portugal. De facto, é ele que utiliza pela primeira vez o termo “banda desenhada”, em 1966, num artigo publica no jornal vespertino Diário Popular. Na linha do seu carácter de pioneiro domovimento cineclubista e da banda desenhada, integra a equipa fundadora da revista francesa Phénix. Nesta mesma década participa na fundação da revista Tintin (1968), onde foi articulista e tradutor. Fui também um dos responsáveis da edição portuguesa de Spirou. Já nos anos 70 participa regularmente no Salone Internazionale del Comics (Lucca, Itália), o mais importante da especialidade. Nesta mesma época animou Quadrinhos, um dos franzines de referência em Portugal e esteve associado ao nascimento de O Mundo da Banda Desenhada, a primeira livraria especializada no género. Em 1974 e no ano seguinte faz parte do júri do Salão Internacional de Banda Desenhada de Angoulême. Em 75 cria um curso de cinema de animação, que deu origem à aparição da Associação Portuguesa de Cinema de Animação. Cinco anos mais tarde é membro do júri de Animafest, do Festival Mundial de Animação. A partir do 25 de Abril mantém, na RTP, um programa regular sobre cinema de animação. Ao longo de mais de mil emissões divulgou o melhor desse cinema, com trabalhos que iam dos países da Europa de Leste aos Estados Unidos e lhe permitiram divulgar as grandes escolas dessas cinematografias. O programa durou até 1990, data da reforma de Vasco Granja, cujo nome completo era Vasco de Oliveira Granja. Em 1998 fez as suas últimas aparições na televisão portuguesa no programa de humor Herman Enciclopédia, onde parodiava os seus próprios programas de animação. Toda a sua vida foi um autodidacta que se formou culturalmente enquanto trabalhava. Chegou mesmo a considerar o seu trabalho na Tabacaria Travassos como a sua universidade.

O Mar em Casablanca: novo romance de Francisco José Viegas! ... Segundo informa o Correio da Manhã, o novo romance de Francisco José Viegas, O Mar em Casablanca, vai ser publicado na primeira semana de Outubro, anunciou o escritor e jornalista, esta sexta-feira, no seu blogue pessoal, numa altura marcada pela sua saída da Asa para a Porto Editora. José Viegas conta com uma intensa actividade jornalística na rádio e na televisão e já trabalhou em mais de dez títulos da imprensa portuguesa. Como escritor publicou obras de divulgação, poesia, romances, contos, teatro e relatos de viagens. Em 2006, o romance policial, ‘Longe de Manaus’ recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Como se recordará, Francisco José Viegas já esteve na Venezuela a convite do Instituto Português de Cultura e, segundo nos referiu recentemente o autor, no livro aparecem algumas referências à Comunidade residente na Venezuela. AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA! Colabore com a campanha destinada à obtenção de fundos e de novos aderentes! Telefaxe. 0212 985.41.43 - E-mail: iptcultura@gmail.com


Outro prémio para Sofia Escobar ... A vimaranense Sofia Escobar foi distinguida com o Prémio Frederico Valério, na 2.ª edição dos prémios de Teatro Guia dos Teatros 2008, cujos galardões foram entregues no passado dia 25 de Maio, no Museu Nacional do Teatro. "Este prémio destina-se a homenagear quem, de uma maneira ou outra, esteja a contribuir para o crescimento do Teatro Musical com uma veia portuguesa", explicou Frederico Corado, director dos Prémios de Teatro Guia dos Teatros. Depois de ter recebido o prémio de Melhor Actriz de Teatro Musical em Inglaterra, atribuído pelo portal de espectáculos britânico Whatsonstage, e da nomeação para o prestigiado prémio Laurence Olivier, pelo seu papel de Maria em West Side Story, Sofia Escobar é agora distinguida em Portugal. Ausente do país por razões profissionais, Sofia Escobar fez questão de deixar uma mensagem de agradecimento: "Este prémio é resultado de um trabalho de equipa e dedico-o a todos os que, de uma forma ou outra, têm contribuído para a minha carreira", disse a actriz, deixando ainda uma palavra de incentivo aos artistas portugueses: "Não desistam, lutem sempre, porque nada é impossível e os sonhos podem mesmo realizar-se."

Teolinda Gersão publicada no estrangeiro... Teolinda Gersão (Coimbra, 1940), professora universitária e escritora, acaba de ver que dois dos seus livros foram editados além fronteiras. A Casa da Cabeça de Cavalos (1995) foi traduzida na Croácia e O Silêncio (1985) viu a luz na República Checa. Ambos os livros foram prémios do Pen Clube. Além dos textos já referidos, Teolinda Gersão é igualmente autora de Os Guarda-Chuvas Cintilantes (1984) e A Árvore das Palavras (1977), cuja acção decorre na cidade Maputo, antes Lourenço Marques, onde viveu algum tempo. Gersão, que estudou Germanística e Anglística em Coimbra, Tuebingen e Berlim, e foi Leitora de Português nesta última cidade.

Portugal (também) pôs uma bandeira na lua !... Não se espante, que é verdade, verdadinha. Um pouco por todo o mundo, recordou-se há pouco a gesta da primeira equipa de astronautas que pôs um pé na lua. Foi uma equipa norte-americana (Neil Armstrong e colegas) que emulou uma façanha anterior do soviético Yuri Gagarine. O que não toda a gente lembrou nesse momento foi a “participação” lusitana no corolário dessa viagem altamente mediática. A quantos lhes terá vindo à mente que aquela bandeira norte-americana foi feita por uma emigrante portuguesa? Maria Isilda Ribeiro, agora de novo na sua Sosa natal, foi quem coseu as costuras dessa histórica bandeira, que custou pouco mais de cinco dólares e tinha um tamanho de 152 por 91 centímetros. Isilda Ribeiro, que assim passa de algo forma para a história, trabalhou meia hora na confecção da bandeira e ganhou por esse trabalho a “fabulosa” soma de 40 cêntimos de dólar. Na Internet não encontramos qualquer referência a esta emigrante-costureira.


Laura Antillano escreve sobre Sérgio Alves Moreira... No número 53-54 de A Plena Voz, revista cultural que circula juntamente com o jornal Vea, aparece uma nota da escritora venezuelana Laura Antillano (Caracas, 1950) sobre o nosso colaborador Sérgio Alves Moreira, cujo passamento ocorreu há alguns meses. Sob o título de Santo oficio el del librero, a autora de Perfume de gardenia e vários outros títulos fundamentais da narrativa venezuelana, refere o seu derradeiro encontro com Sérgio, precisamente num acto do Instituto Português de Cultura, no qual ela foi a oradora principal. Trata-se de um texto cuja leitura recomendamos vivamente pela forma profundamente humana como se refere a quem foi, sem sombra de dúvida, um livreiro de referência durante várias décadas. Com mão firme mas suave, Laura Antillano oferece-nos um texto pleno de humanismo, admiração e solidariedade referindo, por exemplo, que foi um “...livreiro como deveriam ser todos: amante dos livros, com uma generosidade que ultrapassou todos os limites, pelo que não só lhe devemos orientações mestres como intelectual informado, mas também muito dinheiro, por andar fiando a tanto poeta sem vintém”...

Efemérides... 17 de Julho de 1919. Nascimento de João José Cachofel. Destacou-se como ensaísta e poeta do neo-realistmo. 18 de Julho de 1697. Falecimento do Padre António Vieira, em São Salvador da Baía. Missionário e diplomata foi chamado de “imperador da língua portuguesa” por Fernando Pessoa. Ficaram famosos os seus sermões, que são de uma beleza estilística ímpar. 19 de Julho de 1886. Morte, vitimado pela tuberculose, o poeta Cesário Verde. O seu único livro foi publicado postumamente, graças à iniciativa do seu amigo Silva Pinto com o título de O Livro de Cesário Verde. Anos mais tarde seria considerado um dos grandes poetas da língua. 20 de Julho de 1888. Nascimento de Fidelino de Figueiredo, professor e crítico literário. De espírito liberal foi sempre incompreendido pelo regime do Estado Novo. 23 de Julho de 1944. Nascimento de Maria João Pires, pianista de valor internacional e fundadora do Centro para o Estudo das Artes de Belgais. 31 de Julho de 1872. Nasce, no Porto, o poeta Ângelo de Lima, autor de sonetos de grande beleza. Sofreu de várias crises nervosas e chegou a estar internado no Hospital de Rilhafoles.

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NotiFax de 31 de Julho de 2009