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Caracas, Venezuela * Ano IX – Época II * 31 Janeiro de 2009

* Fernando Namora 1919: Fernando Gonçalves Namora nasce em Condeixa a 15 de Abril, filho de António Mendes Namora e de Albertina Augusta Gonçalves Namora. 1929: Concluída a instrução primária na escola local, inicia os estudos liceais no Colégio Camões, em Coimbra. 1932: Transita para o Liceu Camões, em Lisboa, onde permanece durante dois anos, sendo aí condiscípulo de Jorge de Sena. Acentua-se a sua vocação para as artes plásticas, manifestada desde a infância (ver auto-retrato al lado). 1935: De novo estudante em Coimbra, surge como director do Jornal académico Alvorada. Durante esse período escreve o seu primeiro livro, Almas sem Rumo, que fica inédito. 1936: Matricula-se nos preparatórios médicos da Faculdade de Medicina de Coimbra. 1937: Em co-autoria com Carlos de Oliveira e Artur Varela, publica Cabeças de Barro. No mesmo ano é anunciada a próxima publicação da novela Pecado Venial, que não chega a vir a lume. 1938: É publicado o seu primeiro livro de poemas, Relevos. Com outros companheiros de geração, intervém na organização dos Cadernos da Juventude, cujo primeiro e único número é apreendido e destruído antes de ser posto à venda. No mesmo ano publica o romance As Sete Partidas do Mundo, que obteve o Prémio Almeida Garrett. É-lhe atribuído o Prémio Mestre António Augusto Gonçalves, de artes plásticas. 1939: Surge como co-director da revista literária Altitude, conjuntamente com João José Cochofel e Coriolano Ferreira. 1940: É publicado o livro de poemas Mar de Sargaços.

* Neo-realismo 1941: Juntamente com outros companheiros, concretiza a ideia do Novo Cancioneiro, que assinala o advento do neo-realismo, demarcando uma viragem na literatura portuguesa. Essa colecção poética principia com o seu livro Terra. 1942 Conclui a licenciatura em Medicina. Publica o romance Fogo na Noite Escura. 1943: Passa a exercer clínica em Tinalhas, localidade das proximidades de Castelo Branco, em pleno surto do volfrâmio, onde escreverá em oito dias, a novela Casa da Malta. 1944: Realiza a sua única exposição individual de pintura. 1946: Em Outubro desse ano vai ocupar o cargo de médico municipal de Pavia, no Alentejo. Publica o romance Minas de San Francisco. 1949: É publicada a primeira série de Retalhos da Vida de Um Médico, que obterá o Prémio Vértice. Participa, em Paris, numa exposição internacional de artistas plásticos médicos. 1950: Sai o romance A Noite e a Madrugada. Em Dezembro é admitido como assistente do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa. 1951: Publica no Boletim do Instituto Português de Oncologia os primeiros capítulos de um livro inacabado: Memórias Imaginárias de Um Médico. 1952: Dá a lume a primeira versão de Deuses e Demónios da Medicina. É-lhe atribuído o Prémio Ricardo Malheiros pela nova versão do romance Minas de San Francisco. Realiza a sua primeira viagem ao estrangeiro, visitando a França, Bélgica e


Holanda. 1954: Sai a primeira edição estrangeira dos seus livros: Escenas de la vida de un médico, com prefácio de Gregório Marañón. É publicado o romance O Trigo e o Joio. 1955: Eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa. 1957: Publica o romance O Homem Disfarçado, que provoca acesas e opostas reacções, tanto no meio médico como no meio intelectual. 1959: Edita Cidade Solitária e a colectânea As Frias Madrugadas. 1960: Sai Domingo à Tarde, que obtém o Prémio José Lins do Rego. 1962: Adaptado ao cinema o livro Retalhos da Vida de Um Médico. 1964: Obtém o 2.º prémio de Pintura na Exposição Colectiva de Artistas Médicos. Coordena, prefacia e apresenta um álbum dedicado a Aquilino Ribeiro. 1965: Manuel Guimarães adapta ao cinema o romance O Trigo e o Joio. Convidado a participar nos Encontros Internacionais de Genebra, recolhe aí elementos para um livro que abre um novo caminho na sua obra, entre o ensaísmo e a ficção: Diálogo em Setembro. 1966: António Macedo adapta ao cinema o romance Domingo à Tarde. Começa a preparar um romance sobre a emigração com o título provisório As Formigas do Inverno. 1967: O ensaísta Mário Sacramento publica Fernando Namora – a Obra e o Homem. 1969: Sai o livro de poemas Marketing. Manuel Guimarães realiza um filme sobre a sua vida e obra, com texto de Álvaro Salema. 1971: É publicado o volume Os Adoradores do Sol. 1972: Publica Os Clandestinos. É-lhe atribuído o Grande Prémio SOPEM, destinado a galardoar o conjunto da obra de um escritor médico. 1974: É publicado o livro Estamos no Vento, a que o autor chama «narrativa literário-sociológica», no qual aborda a temática da juventude e a ruptura entre gerações. 1975: Sérgio Ferreira realiza um filme sobre a sua vida e obra. 1976: Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, realizado em Moscovo, tem uma intervenção na sessão final. 1977: Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, em Sófia, não assiste porque, na mesma data, a convite da Comissão Nacional de Comemorações das Comunidades Portuguesas, realiza em São Paulo uma conferência sobre Camões e a Portugalidade. 1980. Publica Resposta a Matilde. 1982: Publica Rio Triste, romance a que foi atribuído o Prémio Fernando Chinaglia. 1984: Sai o livro de poemas Nome para uma Casa. 1986: Publica Sentados na Relva, mais um volume de «Cadernos de um Escritor», e URSS, Mal Amada, Bem Amada. 1988: É publicado Jornal sem Data. Comemora-se o 50º ano da sua vida literária. É agraciado com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique. 1989: Morre em Lisboa, a 31 de Janeiro. Resumido de http://www.vidaslusofonas.pt/namora.htm

* Lobo Antunes… outro prémio! O autor de O Esplendor de Portugal acaba de conquistar outro prémio para a sua galeria de reconhecimentos. Desta vez trata-se do prémio do Clube Literário do Porto. Ao afirmar que escreve para as pessoas que não têm voz, Lobo Antunes lamentou que as mesmas não tenham muitas vezes para o comprar porque "os livros em Portugal são indecentemente caros". Uma situação tanto mais incompreensível quanto "quem lê não são as classes altas, é a classe média/baixa", a que declarou pertencer, já depois de ter lembrado as suas origens num bairro pobre, "onde as pessoas comiam batatas com cebola". Destacou igualmente que noutros países com maior poder de compra (Alemanha, Noruega, Holanda…) os livros são muito mais baratos. Segundo a notícia que nos serve de fonte “Lobo Antunes rejeitou a ideia de generosidade, pelo prémio, "óptimo" (o dinheiro "foi para as miúdas, que ficaram todas contentes"), e porque tem uma dívida de gratidão para com o Porto. "Quando estive doente, recebi sete, oito mil cartas, e a maior parte veio daqui", disse. Depois do cancro, confessou, "a gente passa a jogar com as cartas para cima; não esconde nada. Para quê?".


* Tertúlia Musical recorda Carmen Miranda Numa iniciativa do Instituto Português de Cultura, decorreu na passada sexta-feira, 30 de Janeiro, a I Tertúlia Musical 2009, durante a qual foi recordada a figura da artista Carmen Miranda, no bar A Nau, do Centro Português. Na Tertúlia, recebendo aplausos frequentes de um público que atestou o local, participaram alguns dos valores musicais da Comunidade. José Carlos Rebelo interpretou temas portugueses e brasileiros coreados pela assistência. O Trio Acordionistas, integrado por António Granja, Avelino Tavares e Avelino Seténio, mostrou o seu virtuosismo em várias composições populares portuguesas, e o Grupo Tradições, dirigido por Vaz Fernandes, avançou pela noite fora com cantigas populares e expressões do folclore português. Entre actuação e actuação foram apresentados videoclips de algumas das canções mais emblemáticas de Carmen Miranda. Como se recordará, Maria do Carmo Miranda da Cunha, que seria durante um quarto de século – entre 1930 e 1955 – talvez a representante mais universal da música brasileira, nasceu em Portugal, em Marco de Canaveses, a 9 de Fevereiro de 1909, e emigrou para terras de Veracruz ainda muito criança. Curiosamente, se o fado – tal como o tango – nasceu em berço pobre e teve de lutar para entrar nos salões mais exclusivos da sociedade de então, igual sucedeu com o samba, e quem o fez subir na escala social foi precisamente Carmen Miranda. Quando partiu para os Estados Unidos em 1939, já era famosa na sua terra de adopção. Vários eram os discos editados e os filmes onde aparecia como primeira figura. Foi, contudo, a partir de essa data que a sua imagem ganhou dimensão universal. Foi, pelo menos para alguns, a Madona da sua época. O único inglês que dominava quando chegou aos Estados Unidos foi o que aprendeu durante a viagem de barco, que evidentemente não passava de duas ou três palavras mal alinhavadas e pior pronunciadas. Isso marcou-lhe a carreira artística e apesar de que posteriormente aprenderia a falar correctamente o inglês, as exigências de Hollywood sempre a obrigaram a maltratar a língua de Shakespeare para que fosse mais “auténtica” no seu papel de latino-americana. Não há dúvida de que a sua alegria conquistou os Estados Unidos, onde, em plena II Guerra Mundial, chegou a ser um instrumento político ao serviço do governo desse país, numa tentativa de aproximar a América Latina da Europa. Além de fama, ganhou muito dinheiro e convivia e fazia negócios com os “grandes” da época – John Wayne, Clark Gable, Gary Grant, Bob Hope, Ava Gardner e Humphrey Bogart, entre outros. Esse foi o lado bom da aventura na “fábrica de sonhos”. O lado mau foi que ela, que nunca tinha sido bebedora nem fumadora, começou, por força do ritmo de vida que lhe era imposto, a saltar das anfetaminas para os barbitúricos. Uns para a manter acordada, outros para que pudesse dormir. Caiu na depressão e foi tratada com choques eléctricos, que a deixavam aturdida e lhe arruinavam a saúde precocemente. O coração não aguentou muito e a 5 de Agosto de 1995 teve um desmaio durante o show de Jimmy Durante. Não é nada, terá dito. Era. No dia seguinte morreu. Durante o seu funeral no Rio de Janeiro viu-se que não tinha perdido o seu público brasileiro: meio milhão de pessoas acompanharam-na na marcha final. Hoje tem um museu nessa cidade e outro na sua terra natal, à qual nunca voltou. Ela que nunca teve grandes homenagens, recebeu tributo musical de Ney Matogrosso e de Caetano Veloso. E a Cinemateca Portuguesa está a exibir alguns dos seus filmes – valem pelo que têm de históricos – para a recordar e apresentar às novas gerações. Em síntese, resume assim a vida trágica de quem parecia ser a dona da alegria.

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* Génios: Camões, Eça e Pessoa! No seu livro Genio: un mosaico de cien mentes creativas y ejemplares, o crítico norte-americano Harold Bloom, talvez o mais conhecido actualmente – o mesmo que desancou J. K. Rowling e a saga de Harry Potter, o mesmo que disse de Saramago que é o escritor vivo mais dotado – incluiu Luís de Camões, Eça de Queirós e Fernando Pessoa no seu muito exclusivo Grupo Cem. Bloom utilizou como base na estrutura do livro a divisão dos autores em dez conjuntos regidos cada um por um "Sefirah" da Cabala. Camões entraria na Nezah, vitória de Deus; Pessoa, na Hod, "majestade feminina" de Deus; e Eça, na Yesod, ou seja "fundação", que encerra dois significados afins: o impulso sexual masculino e o mistério do equilíbrio entre o feminino e masculino. Saramago não aparece nesta selecção porque Harold Bloom decidiu não incluir autores vivos.

* Efeméride a não esquecer... A Restauração deu-se a 1 de Dezembro de 1640, depois de 60 anos de domínio filipino sobre Portugal. Madrid não gostou de perder aquele pequeno reino a Ocidente e obrigou Portugal a uma guerra de vários anos, até que, derrotada em 1665 em Montes Claros, aceita o inevitável. Talvez isto explique que o papa Inocêncio XII tenha esperado até Janeiro de 1669 para reconhecer a restauração da independência de Portugal através do breve através do breve Dilectum Filium. 29 anos!!! Melhor tarde do que nunca!

* Cinema: Continua homenagem a Manoel de Oliveira... Durante a primeira quinzena de Fevereiro Instituto Português de Cultura continua o ciclo de homenagem ao maestro Manoel de Oliveira com ocasião seus 100 anos de vida. O ciclo inclui cinco filmes: Non ou vã glória de mandar, Vou para casa, A caixa, O convento e O dia do desespero. Esta é uma das poucas oportunidades que temos para ver alguns filmes de referência do nosso realizador mais universal. As projecções terão lugar nas instalações do Centro Português, de Caracas, que desta forma se associa igualmente a esta homenagem ao mais galardoado dos realizadores portugueses. Actualmente, o cineasta Manoel de Oliveira, ao lado do romancista José Saramago e do arquitecto Siza Vieira é, sem dúvida alguma, umas das três grandes figuras portuguesas do século XX, figuras portuguesas de indiscutível valor universal, cujas obras marcam a nossa cultura de forma incontornável. AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA! Colabore com a campanha destinada à obtenção de fundos e de novos aderentes! Telefaxe. 0212 985.41.43 - E-mail: - iptcultura@gmail.com - ipcultura@yahoo.com

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NotiFax de 31 de Janeiro de 2009