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Caracas – Venezuela * Ano X – Época III * 30 de Outubro de 2010 RIF: J301839838

Marquesa de Alorna, uma mulher fora do seu tempo... Leonor de Almeida de Portugal Lorena e Lencastre nasceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1750 e teve o seu passamento na mesma cidade, também num mês de Outubro, mas em 1839. Viveu 89 anos, uma longevidade pouco comum para a época, especialmente se tivermos em conta que a sua vida esteve muito longe de ser um mar de rosas. Pelo facto de que os Alornas estavam unidos, por laços de parentesco, com os Távoras, que foram ferozmente perseguidos pelo Marquês de Pombal por alegada participação num atentado contra o rei D. José, Leonor de Almeida, com só oito anos de idade, deu entrada no Convento de Chelas, acompanhado a sua irmã, de cinco anos, e sua mãe, prisioneira do Estado. O pai foi encerrado, pelas mesmas razões, na Torre de Belém, sendo, depois de um incêndio nesta masmorra, transferido para o Forte da Junqueira. Mais de dezoito anos foi quanto viveu Leonor de Almeida no convento, submetida a uma vigilância apertada por parte das religiosas, que comunicavam todos os seus movimentos ao Marquês. Tanto tempo naquele convento-prisão levou-a a pensar em abraçar a vida religiosa, do qual foi dissuadida por frei Alexandre da Silva, futuro bispo de Malaca e tio de Almeida Garrett. Apesar da hostilidade do meio no qual passou grande parte do primeiro quartel da sua vida e da sua fragilidade física, a jovem aproveitou a reclusão forçada da melhor maneira possível. Para além de ajudar a mãe e de se escrever com o pai, que lhe dirigia as leituras, a futura Marquesa de Alorna, graças ao seu espírito vivo e irrequieto, abriu-se às ideias do iluminismo francês, através da leitura de Rousseau, Voltaire e da Enciclopédia de Diderot e d’Alambert, ganhando prestígio como organista do convento, artista plástica de reconhecido valor, como uma das mais notáveis vozes poéticas do pré-romantismo português – os seus admiradores celebravam-na com nome de Alcipe – e mantendo contactos com alguns dos grandes nomes literários do seu tempo, entre eles Alexandre Herculano e Bocage. A morte do rei e a ascensão ao trono de D. Maria I é a circunstância histórica que, em 1777, lhe devolve, a ela e os outros presos do Estado, a liberdade. O seu pai e alguns mais, não quiseram, porém, usar dessa liberdade sem que primeiro fosse proclamada sua inocência. Pouco depois de ganhar a liberdade casa, em 1779, com o Conde de Oeynhausen, oficial alemão contratado pelo Marquês de Pombal para reorganizar o exército português, depois que aquele abraça a religião católica. O casamento é apadrinhado pela rainha e o alemão, após uma passagem pelo Porto, é nomeado Ministro Plenipotenciário em Viena

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(1780), cidade que Leonor de Almeida cativa com o seu fino talento de poetisa. A caminho da capital austríaca, passa por Madrid e Paris, onde é recebida cerimoniosamente por Carlos III (Espanha) e Luís XVI (França). Logo de 13 anos de matrimónio, enviúva e fica com seis filhos por educar e numa situação financeira precária. Em 1802, depois de passagem por Madrid, vai para Londres, de onde regressa em 1809. Permanece pouco tempo em Portugal e volta à Inglaterra para um segundo exílio, do qual volta em 1813, para se instalar em Benfica. Na capital dedica-se a reabilitar a memória do irmão acusado de traição à pátria, o que só consegue depois de dez anos de intensa luta. É partir de então que começa a usar o título de 4ª. Marquesa de Alorna e 6ª. Condessa de Assumar., títulos que seriam renovados em 1833. As obras da Marquesa de Alorna foram publicadas depois da sua morte. Incluem poesia (sonetos, éclogas, elegias, canções, apólogos, cantigas, epigramas,..), traduções, epístolas, ensaios e alguns textos de carácter científico. Segundo Jacinto de Prado Coelho, “as cartas particulares de Alcipe merecem um lugar na história da prosa literária” e, de acordo com Hernâni Cidade, aproximou esta da linguagem falada, emprestando-lhe “a graça espontânea da vida”. .

Joaquim Benite premiado em Cádis... Joaquim Benite, director do Festival de Almada e da Companhia de Teatro de Almada, acaba de ser distinguido no Festival Internacional de Teatro de Cádis, pelo CELCIT – Centro Latino-Americano de Criação e Investigação Teatral, entidade organizadora do evento. Segundo o director do CELCIT, Luís Molina, foram distinguidas nesta edição do festival “as pessoas e instituições que têm ajudado na tarefa de divulgar o teatro latino-americano e aquilo que de melhor os criadores latino-americanos têm para dar”. Molina referiu-se ao Festival de Almada como “um espaço aberto ao teatro latino-americano e do Mundo”, indicando-o como “uma das realizações teatrais mais extraordinárias da Europa”.

Vozes luso-americanas nos Estados Unidos... Katherine Vaz (na foto) e Frank X. Gaspar, dois dos escritores luso-americanos mais reconhecidos da actualidade, participaram, em Lisboa, no colóquio Portugal na América, uma iniciativa da Fundação Luso-Americana. Os dois falaram da vida da escrita e da escrita da vida luso-americana nos seus mais recentes livros: o romance Stealing Fátima, de Gaspar, e a colecção de contos Our Lady of the Artichokes and Other Portuguese-American Stories, de Katherine Vaz. Para além dos dois escritores, o encontro, que decorreu no auditório da FLAD, em Lisboa, contou ainda com a presença de Frank Sousa, historiador luso-americano, editor de Portuguese in the Americas Series, uma colecção publicada pela Universidade de Massachusetts.

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Manoel de Oliveira é modelo para Clint Eastwood... O premiado actor e realizador norte-americano Clint Eastwood apontou o seu congénere português Manoel de Oliveira como um exemplo a seguir, esperando continuar a fazer filmes tanto tempo quanto o autor de ‘Non, ou a Vã Glória de Mandar’ e ‘Vale Abraão’, que está a pouco mais de um mês de comemorar o 102º aniversário. Falando aos jornalistas que cobriam o Festival de Cinema de Nova Iorque, onde o autor de ‘Imperdoável’ apresentou ‘Hereafter’, a sua mais recente longa-metragem, o cineasta de 80 anos negou ter planos de aposentação. "Há um português com mais de 100 anos que continua a fazer filmes. Planeio fazer a mesma coisa", garantiu Eastwood, sem referir o nome de Manoel de Oliveira.

Uma obra-prima de longa duração ... A crítica mundial rendeu-se a ‘Mistérios de Lisboa’, filme de Raúl Ruiz produzido por Paulo Branco, e recentemente o jornal francês ‘Le Monde’ destacou na primeira página a estreia do filme em França. A partir dos próximos dias nos cinemas nacionais, os portugueses poderão confirmar porquê. "É uma obra-prima", enaltece Ricardo Pereira, protagonista da trama adaptada do livro de Camilo Castelo Branco e rodada em Portugal. Maria João Bastos e Adriano Luz, que integram também o elenco principal, corroboram. "É uma obra tão intensa e o Ruiz é genial", frisa a actriz.

XXV aniversário do IPC ... Com motivo do XXV aniversário do IPC e das jornadas pessoanas correspondentes aos 76 anos da morte do autor de Mensagem, estará em Caracas para uma série de conferências e contactos com a comunidade portuguesa e o público venezuelano, Ana Margarida Ramos, professora da Universidade de Aveiro, com um doutoramento em Literatura pela mesma Universidade (2005) com uma tese intitulada «Os monstros na literatura de cordel portuguesa do século XVIII» O acto central do evento será no dia 30 de Novembro, no Salão Nobre do Centro Português, onde esta especialista em literatura dissertará sobre “Fernando Pessoa e a literatura para a infância: encontros e desencontros”. AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA!

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Efemérides... 17 de Outubro de 1924. Nasce o poeta António Ramos Rosa. No mesmo dia do ano de 1917, nasce o camilianista Alexandre Cabral. 18 de Outubro de 1739. Morre, em Lisboa, queimado num auto-de-fé levado a cabo pela Inquisição, António José da Silva, dramaturgo e escritor português nascido no Brasil. Embora fosse judeu, teve de se afirmar como Cristão-Novo, devido à perseguição que Portugal fazia, na época, a todas as pessoas da religião judaica. 19 de Outubro de 1941. Passamento, em Lisboa, de Carlos Malheiro Dias, importante prosador do século XX. 21 de Outubro 1147. D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da história de Portugal 22 de Outubro de 1730. D. João V, rei de Portugal, havia prometido construir uma basílica se a sua esposa, D. Maria Ana Josefa de Áustria, lhe desse descendência. O nascimento da princesa D. Maria Bárbara foi interpretado por este monarca como uma graça divina, pelo que, não olhando a despesas, mandou construir, em Mafra, um enorme edifício composto por uma basílica, um palácio real e um convento com uma das mais belas bibliotecas europeias. Às 7 horas da manhã de 22 de Outubro de 1730, dia em que o rei fazia 41 anos de idade, iniciou-se a festa de consagração da basílica, que se prolongaria até às 7 de manhã do dia seguinte. Foi servido, na ocasião, um banquete popular a 9000 pessoas. As festas acabariam por se estender por mais de uma semana, ao som das melodias dos dois enormes carrilhões mandados vir expressamente de Antuérpia. 26 de Outubro de 1855. Morre o pintor português José Vital Branco Malhoa. Entre as suas obras mais emblemáticas poder-se-á citar a tela O Fado, de 1910 26 de Outubro de 1988. Falecimento do escritor José Cardoso Pires, autor de O Delfim, obra que serviu de base ao filme do mesmo nome de Fernando Lopes. 27 de Outubro de 1949. O médico, professor e investigador português Egas Moniz (1874-1955), partilha o Prémio Nobel da Medicina com Walter Hess (1881-1973), pela "sua descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses". 28 de Outubro de 1920. Nascimento da poetisa Natércia Freire. 30 de Outubro de 1929. Falecimento de António José de Almeida, um dos mais importantes dirigentes republicanos:. 31 de Outubro de 1750. Nasce, em Lisboa, D. Leonor de Almeida, mais conhecida como Marquesa de Alorna, que ganharia nome como poetisa e pintora.

www.institutoportuguesdecultura.blogspot.com Informações em português, castelhano, inglês e francês

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NotiFax de 31 de Outubro de 2010  

Boletim Quinzenal do Instituto Português de Cultura de Caracas

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