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Caracas, Venezuela * Ano IX – Época II * 28 Fevereiro de 2009 RIF: J301839838

* Vitorino Nemésio: um ilhéu que foi arquipélago Segundo o poeta, professor e crítico literário David MourãoFerreira, Vitorino Nemésio é autor de uma obra equiparável a um “arquipélago”. Foi poeta, ficcionista, biógrafo, crítico, palestrante, investigador literário e romancista. Dele mesmo disse que morria “autor de um romance único”. Referia-se a Mau Tempo no Canal, talvez o momento mais elevado da sua carreira de escritor e para muitos especialistas uma das obras-primas da literatura portuguesa do século XX, que mereceu, em 1944, o Prémio Ricardo Malheiros. Vitorino Nemésio – acrescente-se ainda Mendes Pinheiro da Silva para que o nome fique completo – nasceu na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, a 19 de Dezembro de 1901 e faleceu, em Lisboa, a 20 de Fevereiro de 1978. Esta figura grande das nossas letras, que muitos emigrantes talvez terão visto e escutado em pessoa pois esteve em Caracas mais de uma vez, teve, durante a adolescência, uma relação com a escola que não permitia perspectivar o brilho intelectual que adquiriu posteriormente. Foi expulso do Liceu de Angra, chumbou o quinto ano e concluiu o Curso Geral dos Liceus com a qualificação de dez valores. Corria então o ano de 1918. Felizmente, apareceu-lhe pela frente um professor – Manuel António Ferreira Deusdado, curiosamente um historiador – que lhe abriu o universo das letras.

* Estreia literária

Conforme se pode ler n’O Telégrafo, jornal da Horta, o “fedelho” Vitorino, um ano antes de terminar o liceu, tinha enviado ao director da publicação um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poemas, a que se seguiriam posteriormente O Bicho Harmonioso (1938), O Verbo e a Morte (1959), Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976), entre outros títulos.

* Mau Tempo no Canal Em 1918, quando ainda ecoava o estrondo dos canhões da I Guerra Mundial, que oporia entre si as potências coloniais de então, o autor de Mau Tempo no Canal vive na Horta, então importante porto para o reabastecimento de frotas e “nó de comunicações” mundiais, que dava à ilha um ambiente de modernidade. Esta conjugação de elementos e outros mais estão na origem da obra, que evoca o período que vai de 1917 a 1919, e na qual o autor trabalhou perto de cinco anos: de 1939 a 1944, ou seja durante a II Guerra Mundial. Fácil é de imaginar que a intriga atravessa todo o livro.


* Adeus à insularidade: da vida militar à universitária A tropa leva-o, em 1919, a viajar pela primeira vez fora dos Açores. Faz o serviço militar como voluntário e dois anos depois já o vemos em Coimbra, onde se matricula em Direito. Três anos mais tarde, muda as agulhas e passa para Ciências Histórico-Filosóficas, curso que também não lhe enche as medidas, pelo que, em 1925, salta para o de Filologia Românica, que culminará com brilho, em 1931, em Lisboa, para onde se tinha transferido no ano anterior. Começa de imediato a dar aulas de literatura italiana e posteriormente literatura espanhola. Durante perto de 40 anos leccionará na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se tinha doutorado, em 1934, com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. A sua vida de docente inclui ainda passagens por universidades da França, da Bélgica (1937 a 39) e do Brasil (1958).

* Uma obra marcada pela insularidade As raízes insulares e a vida açoriana marcam grande parte da sua obra, assim como as recordações da infância, que revelam a sua face humanista tocada pelo sofrimento da vida que vê decorrer à sua volta. Isto nota-se especialmente nas suas primeiras obras. Posteriormente, como bem assinala o crítico Óscar Lopes, o autor entra por outros caminhos e coloca-se, e coloca-nos, temas sobre a vida e a morte, que o aproximam do movimento existencialista. Por vezes é acusado de regionalista, talvez porque a sua poesia popular mergulha na simbologia açoriana. Contudo, a sua poesia erudita foge desse eventual colete de forças e eleva-se na tentativa de encontrar o sentido para a existência do homem. Vitorino Nemésio foi igualmente promotor de revistas literárias (p.e. Revista de Portugal) e colaborador de outras (v.g. Presença e Seara Nova), excelente palestrante (numa viagem a Espanha conheceu Miguel de Unamuno, com quem manteria correspondência) e grande comunicador (caso de Se bem me lembro, na RTP, no começo dos anos 70). A sua antologia Portugal: a terra e o homem passa revista a alguns dos nosso melhores autores e é uma boa forma de se abeirar do nosso meio literário dos séculos XIX e XX. O vulto literário que hoje recordamos, para além do prémio já mencionado, conquistou ainda outros galardões, nomeadamente o Prémio Nacional de Literatura (1965) e Prémio Montaigne (1974).

* Adeus a Sérgio Alves Moreira…. Aos 77 anos, faleceu em Caracas Sérgio Alves Moreira, um dos fundadores da Comissão Fernando Pessoa, que posteriormente deu nascimento ao Instituto Português de Cultura. Sérgio, como era conhecido, nasceu em Espinho. Ainda jovem emigrou para a Venezuela, tendo vivido entre nós – em Caracas e Barcelona – durante mais de 50 anos. Nele concorreram duas grandes paixões: a literatura e a política. Opositor declarado da ditadura do Estado Novo, foi com absoluta naturalidade que, em 1958, passou a formar parte da Junta Patriótica Portuguesa, e que, em 1961, participou activamente na preparação de umas das acções mais mediáticas contra a ditadura: a captura do Santa Maria. Devido a desencontros de opinião com o capitão Henrique Galvão, à ultima hora não embarcou no navio. No campo cultural, esteve constantemente rodeado de livros – sem favor algum, foi reconhecido como um dos melhores livreiros da Venezuela – e fez do seu lugar de trabalho – a Librería Divulgación – um local de divulgação da literatura portuguesa. Nos últimos tempos, fundamentalmente por razões de saúde, não nos pode acompanhar com a frequência que desejava, mas não deixou, porém, de se manifestar atento e solidário com o nosso trabalho. Aos seus amigos e família, a nossa manifestação de fraterna solidariedade.


* Passamento de Agostinho Macedo Agostinho Macedo, uma das personalidades mais conhecidas da Comunidade Portuguesa, faleceu em Caracas, aos 75 anos, após prolongada doença. Era natural da Ribeira Brava e ainda adolescente emigrou para a Venezuela em 1948. Três anos depois, com o apoio de outros conterrâneos, começou a construção de um império económico, cujo emblema principal é a Central Madeirense – fonte de trabalho directo para seis mil pessoas – seguido de perto por uma instituição financeira, que conta actualmente com perto de 30 balcões e mil e seiscentos funcionários. O nome deste empresário, de discreto perfil mediático mas de inegável importância no sector económico da Venezuela, está igualmente ligado ao associativismo, especialmente no que respeita ao Centro Português de Caracas. Em tanto que presidente da fundação da Central Madeirense, apoiou igualmente diferentes acções de tipo cultural, entre elas a publicação de Antologia da Poesia Portuguesa, uma iniciativa do Instituto Português de Cultural. Aos amigos e familiares fazemos chegar a nossa palavra de sincero pêsame.

* Sofia Escobar: passeia a sua classe por Londres Sofia Escobar, 28 anos, natural de Guimarães, é um desses casos – demasiados por certo – de portugueses que não vingam em Portugal mas conquistam outros países. Em terra vimaranenses não tinha grande sucesso, mas em Londres, que é paradigmática da exigência artista, foi (quase) chegar, ver e vencer. Pouco depois de arribar à capital inglesa, estreou-se, em 2007, no West End, como é conhecida a zona dos teatros em Londres, no papel de Christine em O Fantasma da Ópera como suplente da actriz principal, que conseguiu após oito meses de provas e audições. Menos de dois anos depois, o seu nome aparecia no lote de cinco finalistas dos prémios mais importantes do teatro britânico: os Lawrence Olivier. Sofia Escobar, que tinha sido votada em Fevereiro Melhor Actriz de Teatro Musical no portal de espectáculos Whatsonstage, foi nomeada para os Lawrence Olivier pelo seu papel de Maria no espectáculo West Side Story. "Não (estou desiludida), de maneira nenhuma", manifestou a actriz, após a cerimónia, que se realizou num hotel em Londres. "Não estava à espera de ganhar, as outras [nomeadas] são pessoas que andam neste Mundo há muitos anos". De facto, a vencedora da presente edição na categoria Melhor Actriz do Teatro Musical foi a argentina Elena Roger, protagonista do musical Piaf, baseado na vida da cantora francesa, e que antes tinha desempenhado o papel de Eva Péron na peça Evita. De todas as maneiras, a noite da eleição foi “fantástica”, afirmou Sofia Escobar,

* Efemérides * Em Fevereiro de 1855 nascia em Lisboa o poeta Cesário Verde. Vítima de tuberculose,morreu muito jovem, aos 31 anos de idade. Publicou poemas em jornais. A sua obra foi reunida pelo amigo Silva Pinto e publicada postumamente em 1887, com o título O Livro de Cesário Verde. É o seu único livro, mas revelou um poeta de grande valor. * A 16 de Fevereiro de 1925 nasceu Carlos Paredes, guitarrista exímio e um virtuoso de prestígio internacional.

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* Encerramento de Ano Vieirino Em 2008, marcámos o início do Ano Vieirino com a projecção do filme Palavra e Utopia, do mestre Manoel de Oliveira, que fez igualmente parte do ciclo de homenagem apresentado no Centro de Estudos Latino-Americanos Rómulo Gallegos (CELARG). Agora, em Março, com algum atraso temos o encerramento deste ano de homenagens a uma das grandes figuras portuguesas do século XVII. No dia 20 de Março será inaugurada nos espaços do Centro Português, de Caracas, uma exposição dedicada ao religioso, político e grande orador, que vivendo entre Portugal e o Brasil, atravessou quase todo o século XVII e que, apesar de membro da Companhia de Jesus e de favorito do poder real durante muitos anos, foi ferozmente perseguido pela Inquisição do seu tempo. Conhecido pelos índios do Brasil como Paiaçu – grande pai na língua tupi – o Pe. António Vieira é o autor de alguns dos mais belos sermões em língua portuguesa, em muitos dos quais aponta o dedo crítico aos colonos portugueses interessados quase exclusivamente no enriquecimento rápido nas terras do Brasil. A exposição estará patente até 27 de Abril. No mesmo dia da inauguração da exposição, o professor Miguel Moiteiro, leitor do Instituto Camões destacado em Caracas para leccionar na Escola de Idiomas Modernos da Universidade Central de Venezuela, proferirá uma conferência sobre o Pe. António Vieira, no Cantinho da Cultura do CP.

* Lançamento de Siete Poetas Portugueses na UniMet A 26 de Março será apresentado na Sala de Exposições da Universidad Metropolitana (Caracas) o livro Siete Poetas Portugueses, uma antologia de Nidia Hernández, condutora de La Maja Desnuda, programa rafiofónico com vários anos no ar e premiado em repetidas ocasiões pela sua qualidade. A antologia, que inclui versos de Sophia de Melo, Nuno Júdice, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Ana Luísa Amaral, Rosa Alice Branco e Eugénio de Andrade, será apresentada ao público venezuelano – o lançamento para a Comunidade foi a 6 de Dezembro de 2008 – com um recital na voz de vários poetas venezuelanos. O evento está programa para as 17 horas.

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NotiFax de 28 de Fevereiro