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Caracas, Venezuela * Ano IX – Época II * 15 Janeiro de 2009

* Henrique Pousão: mestre da pintura naturalista Henrique César de Araújo Pousão ou Poisão nasceu no primeiro dia do ano de 1859, em Vila Viçosa, no seio de uma família com tradições artísticas. É obra do seu avô materno, Caetano Alves de Araújo, um óleo sobre tela que podemos apreciar na capela do Santíssimo Sacramento da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Do seu bisavô paterno, António Pousão, podemos ver alguns trabalhos pictóricos de valor no Convento de São Paulo da Serra de Ossa, no Redondo. Aos 4 anos, muda-se com os pais para Elvas, onde faz a primária. Bem cedo, por volta de 1869, executa um desenho, Retrato da Prima, que anuncia as potencialidades de um novo artista. Dois anos mais tarde, vai com os pais para o norte, para Barcelos, terra e gente que lhe inspiram algumas obras fundamentais. Pouco depois passam a viver no Porto.

* Entra na Academia de Belas Artes Em 1872 começa os seus estudos na Academia de Belas Artes do Porto, após aprendizagem feita com o mestre António José da Costa. Logo no ano seguinte começa a sua colheita de prémios artísticos, na disciplina de Desenho Histórico. A sua permanência no Porto é interrompida cada tanto pelas férias que passa em Olhão, onde o pai é Juiz de Direito. Descansa? Parece que não muito e aproveita para pintar temas inspirados pela costa e pelos pescadores. Ao terminar o curso de pintura (1880) concorre e obtém uma bolsa no estrangeiro. A caminho de Paris, onde estará um ano, faz escala em Madrid e visita o Museu do Prado. Na capital francesa trabalha com paixão intensa nos ateliers de pintura de Adolphe Yvon e de Alexandre Cabanel e acaba por ser vítima de uma bronquite aguda que degenera finalmente numa tuberculose violenta que lhe põe em perigo a vida. Numa tentativa gorada de recuperar a saúde, viaja mais para o sul. Passa por Puy-de-Dome, segue para Marselha e, estabelece-se finalmente na Itália, primeiro em Turim e Pisa, até que chega a Roma, onde permanece algum tempo. É desta fase o quadro Cecília, que retrata uma jovem orante junto a um pilar da Igreja de Santo António dos Portugueses, com o qual concorreu ao Salão de Paris. No Verão de 1882, vai à ilha de Capri e descobre com êxtase a luminosidade da luz mediterrânica. É o local onde pinta algumas das suas melhores obras, entre elas o conhecido óleo Casa das Persianas Azuis e várias paisagens. No ano seguinte, seguindo a costa do Mediterrâneo, toma o caminho de regresso a Portugal, e a 15 de Novembro está de novo em Vila Viçosa.


* De regresso em Portugal As melhoras na saúde não são muitas. Contudo, continua a trabalhar com enorme intensidade e em 1884 pinta as suas últimas obras: Rosas num Copo, que oferece ao seu médico Dr. Couto Jardim e outras de tema floral, destinados ao seu primo Matroco. Aspecto da casa do primo Matroco, onde viria a falecer, é uma das obras mais significativas deste período. Finalmente, em Março desse mesmo ano de 1884, a tuberculose pulmonar, que tantas vidas portuguesas cobraria nesses anos, obtém nova vitória e põe ponto final à obra e vida de Henrique Pousão. Já o tinha feito antes com a mãe do pintor, que o deixou quando este ainda era criança. Viveu só 25 anos. Teve, porém, tempo para realizar uma obra ímpar na nossa pintura. Considerando que este ano se celebram os 150 anos do nascimento de um dos mais importantes pintores portugueses do século XIX, a Universidade do Porto e o Museu Nacional de Soares dos Reis instituíram 2009 como o Ano de Pousão, assinalando desta forma a efeméride, que homenageia um dos mais ilustres antigos alunos da universidade portuense, formado em Desenho Histórico, Arquitectura Civil, Escultura e Pintura Histórica na Academia Portuense de BelasArtes, antecessora directa da actual Faculdade de Belas-Artes da UP. Lembra ainda a alta casa de estudo que o artista, apesar de jovem, “produziu uma vasta e original obra afirmada com surpreendente confiança dada a sua juventude» e foi «reconhecido e acarinhado por figuras maiores da cena artística portuguesa como Soares dos Reis”. Actualmente, a maior parte do corpo de desenhos e pinturas de Pousão foi entregue, por vontade expressa do pai do artista, à Academia Portuense de Belas-Artes.

* Prémio internacional para Gonçalo M. Tavares Gonçalo M. Tavares (Angola, 1970) conquistou em Itália o Prémio Internacional Trieste 2008. Ainda que começou a publicar há pouco tempo – 2003 – já contabilizou 21 livros e arrecadou vários prémios: Portugal Telecom 2007, Prémio José Saramago 2005, Prémio LER 2004, Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian, Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores Camilo Castelo Branco. No discurso de atribuição do Prémio José Saramago a Jerusalém o Nobel afirmou: "....é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!" Os seus livros são traduzidos e vendidos em mais de 16 países.

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* Consulado-Geral de Portugal: formação à distância O Consulado-Geral de Portugal em Caracas informa que o Instituto Camões continua a apostar na formação à distância como objectivo de levar o ensino da língua, literatura e cultura portuguesa a públicos que habitualmente não dispõem acesso formação nestas áreas. Para divulgação, informa-se que estão previstos os seguintes cursos para o 2º semestre, a iniciar no próximo dia 10 Fevereiro: ● Curso de especialização pós-graduado em Cultura Portuguesa Contemporânea. ● Intercompreensão (Português, Espanhol, Francês) ● Laboratório de Escrita Criativa – Nível Avançado ● A Novíssima Poesia Portuguesa e a Experiência Estética Contemporânea ● Literatura Dramática Portuguesa Contemporânea ● Portuguese for foreigners, level 1 ● Portuguese for foreigners, level 2/ Português para estrangeiros, nível 2 ● Português para estrangeiros, nível 3 Calendário: ● 7 a 25 de Janeiro de 2009 – inscrições ● 26 a 28 de Janeiro de 2009 – selecção de candidatos ● 29 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 2009 – período de pagamento ● 10 de Fevereiro de 2009 – início dos cursos. Aproveita-se oportunidade para informar que, ainda durante 1º trimestre, iniciar-se-á Curso de Interpretação de Conferências e será lançado outro dedicado à História da Primeira República. Mais informação em http://www.instituto-camoes.pt/cvc

* Luísa Todi: uma efeméride para recordar A 9 de Janeiro de 1753, nasceu, em Setúbal, Luísa Rosa de Aguiar, filha de um professor de música. Alguns anos depois, tornar-se-ia célebre como Luísa Todi, a meiosoprano portuguesa mais universal de todos os tempos. Começou a cantar profissionalmente aos 14 anos, e antes de fazer 20 estreava-se na corte de D. Maria I. Em 1777 actua em Londres, sem grande sucesso. Um ano depois é a vez de Paris e Versalhes e começa a sentir o sabor do êxito, que se torna em glória quando, em 1778, deslumbra Turim, onde passa à categoria de prima-dona e a ser considerada uma das melhores vozes de sempre. Áustria, Alemanha e Rússia rendem-se ao fascínio do registo vocal desta mulher que cantava com igual intensidade em francês, inglês, alemão e italiano. Entre 1784 e 1788 deslumbra a corte de Catarina II da Rússia, que a presenteia com jóias de grande valor. Como retribuição, Luísa Todi e o marido, um violinista napolitano, escrevem a ópera Pollinia, que dedicam à imperatriz. Guilherme II da Prússia não quer ficar atrás e dá-lhe aposentos no palácio real, além de um contrato principesco, carruagens e cozinheiros dedicados. Esta mulher que triunfa por aquela Europa fora, volta em 1793 a Portugal. Reina ainda D. Maria I à frente de uma corte pouco esclarecida e onde a artista, porque é mulher, precisa de uma autorização especial para cantar em público!!! Regressa a Nápoles, mas em 1901 volta definitivamente a Portugal e falece em Lisboa em 1811. Anton Reicha, compositor checo seu contemporâneo, considerou-a, no seu Tratado de Melodia, “a cantora de todas as centúrias” (...) “uma cantora para a eternidade”.


* Cinema: Homenagem a Manoel de Oliveira... Como início do seu programa de actividades para 2009, o Instituto Português de Cultura apresenta um conjunto de filmes como homenagem ao maestro Manoel de Oliveira com ocasião seus 100 anos de vida. O ciclo inclui cinco filmes: Non ou va glória de mandar, Vou para casa, A caixa, O convento e O dia do desespero. Esta é uma das poucas oportunidades que temos para ver alguns filmes de referência do nosso realizador mais universal. As projecções terão lugar nas instalações do Centro Português, de Caracas, que desta forma se associa igualmente a esta homenagem ao mais galardoado dos realizadores portugueses. Actualmente, o cineasta Manoel de Oliveira, ao lado do romancista José Saramago e do arquitecto Siza Vieira é, sem dúvida alguma, umas das três grandes figuras portuguesas do século XX, figuras portuguesas de indiscutível valor universal, cujas obras já marcaram a cultura portuguesa de uma forma incontornável.

* Teolinda Gersão: novo prémio literário Depois de ter merecido o Prémio Máxima com A mulher que prendeu a chuva, Teolinda Gersão (Coimbra, 1940) acaba de obter o Prémio Fundação Inês de Castro 2008, no valor de cinco mil euros, com o mesmo livro de contos. Segundo o presidente do júri, Aníbal Pinto de Castro – intelectual já esteve em Caracas a convite do IPC – a autora, que conquistou antes o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu romance A Casa da Cabeça de Cavalo (1995) e os Prémios de Ficção do Pen Clube pelos livros O Silêncio (1981) e O Cavalo de Sol (1989) «escreve muito bem e tem uma maneira de estruturar a narrativa muito nova». Teolinda Gersão, que é professora universitária, estudou Germanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tuebingen e Berlim. Foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, docente na Faculdade de Letras de Lisboa e posteriormente professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada até 1995. Da sua página na Internet, extraímos o seguinte: “A problemática das relações humanas, a dificuldade de comunicar, o amor e a morte, opressão e liberdade, identidade, resistência, criatividade, são alguns dos temas focados. Outro aspecto central é a atenção dada ao tempo: quer se trate do tratamento do tempo na própria estrutura narrativa, quer seja o tempo histórico em que a acção decorre: a ditadura de Salazar em Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo, os anos vinte em O Cavalo de Sol ,o século XIX em A Casa da Cabeça de Cavalo, os anos cinquenta e sessenta em Lourenço Marques em A Árvore das Palavras. Os factos históricos são todavia encarados numa perspectiva que transcende a sua época e os situa em ligação com a actualidade.” AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA! Colabore com a campanha destinada à obtenção de fundos e de novos aderentes! Telefaxe. 0212 985.41.43 - E-mail: - iptcultura@gmail.com - ipcultura@yahoo.com

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