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Caracas – Venezuela * Ano X – Época III * 30 de Setembro de 2011 RIF: J301839838

Fernão Mendes Pinto: uma vida que foi uma Peregrinação...! Em Montemor-o-Velho, antiga vila cujos vestígios remontam à Pré-história, designadamente ao período Neolítico, e que recebeu o primeiro foral em 1212, nasceram alguma figuras cujos nomes dão brilho à história da terra e também de Portugal. O registo mais antigo – ainda Portugal não tinha nascido – corresponde a Sesnando Davides (m. 1093), um moçárabe de Tentúgal. Supõe-se que era filho de judeus, mas sabe-se que foi companheiro de El Cid, o Campeador, e que exerceu altas funções na corte de Sevilha. Um pouco mais perto no tempo, temos Diogo de Azambuja, fidalgo português, que acompanhou Afonso V de Portugal na conquista de Alcácer-Ceguer. E outra grande figura é a de Jorge de Montemor ou Jorge de Montemayor, que foi músico, dramaturgo, poeta e escritor português – também escreveu em castelhano pela época em que lhe tocou viver – e que acompanhou Filipe II de Espanha quando este visitou Flandres. Contudo, a figura de maior vulto nascida em Montemor-o-Velho (terra da lenda das arcas, mas isso será estória para outro momento) é Fernão Mendes Pinto, que terá nascido ali em 1509 ou talvez alguns anos depois. Assim sendo, estamos perfeitamente a tempo de recordar brevemente este aventureiro e explorador português, que, neste ano de 2011, foi homenageado com uma moeda comemorativa de 2 euros. Nasceu em família modesta, mas aparentemente com certo grau de nobreza como parece ficar demonstrado pela forma como foi recebido na capital e em Setúbal, quando saiu da “miséria e estreiteza da pobre casa” de seus pais. De ele escreveu Teófilo Braga que foi, de todos os aventureiros portugueses, o que mais audácia patenteou e o “mais extraordinário pela coragem das suas remotas investigações em regiões desconhecidas, pela resistência a incessantes contrariedades e sofrimentos, tudo observando e tudo conservando por uma assombrosa retentiva”. Depois de algum tempo ao serviço do Duque de Coimbra, quando tinha 20 anos começou a sua “peregrinação” com uma viagem à Índia e por outras regiões da Ásia, por onde andou mais de duas décadas e onde, segundo relata, foi cativo três vezes e vendido dezassete! Esses 20 anos de viagens atribuladas foram bem aproveitados. Esteve na China, em Sião, Tartária e também no Japão, onde conheceu S. Francisco de Xavier e aonde os portugueses chegaram pela primeira vez em 1542. É certo que Mendes Pinto não fez parte dessa primeira expedição, mas sucede que quando ele

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lá chegou os governantes locais não tinham ainda visto outros ocidentais e por isso afirmaram que ele tinha sido o primeiro a chegar. Sabemos que não foi assim, como sabemos igualmente que a chegada dos portugueses ao Japão foi assunto de muita celebração e perdura ainda na memória cultural desse país, porque foi nesse então que souberam da existência das armas de fogo. Fernão Mendes Pinto relata o espanto e o interesse do rei local quando viu um dos seus companheiros alvejar um animal com uma arma de fogo. Depois de muito “peregrinar” por aquelas terras novas para o europeu de então, regressou a Portugal numa grande pobreza e retirou-se a viver do outro lado do Tejo, em Almada, mais especificamente no Pragal, onde escreveria um livro, um só, mas que é considerado “excepcional” e ao qual pôs o título de Peregrinações em que dá conta de muito estranhas coisas, que viu e ouviu e que ele nunca viu publicado, pois teve o seu passamento em 1583 e Peregrinação, que ele escreveu entre 1569 e 1578, só veria a luz 1614. Estamos em pleno apogeu da Inquisição, e ainda que o livro fosse organizado por Frei Belchior Faria, foi dado à estampa com muitas frases apagadas e outras “corrigidas” e sem nenhuma referência à Companhia de Jesus, uma ordem religiosa sumamente activa no Oriente, e à qual FMP ingressou (depois de renunciar aos seus bens) e da qual sairia posteriormente (ou seria expulso), segundo um historiador brasileiro “sob o pretexto de origem infecta de – marrano – ou judeu convertido”, o que justificaria a miséria dos anos finais da sua vida. Ainda que alguns dos relatos publicados em Peregrinação tenham sido frequentemente postos em duvida – talvez alguns não foram vividos directamente por FMP, que faz de “jornalista” – e o autor criticado e posto em ridículo até mesmo com trocadilhos à volta do seu nome – Fernão, Mentes? Minto! – a verdade é que o livro é uma referência histórica incontornável pelo que não surpreende que, quase de imediato, tivesse conhecido 19 edições em seis idiomas. Talvez muita gente tenha lido a Peregrinação como romance de aventuras, que também o é, mas não só. É muito especialmente o retrato de uma época e de sociedades totalmente desconhecidos para o mundo europeu do século XVI.

Amália...homenagem no Centro Português! No próximo dia 15 de Outubro, o Instituto Português de Cultura, com a colaboração do Centro Português, homenageia a grande intérprete do fado com a apresentação do DVD The Art Of Amália, que permitirá a todos os presentes desfrutar de conjunto de algumas das suas canções mais famosas e de trechos de entrevistas de diferentes épocas. É uma sessão a não perder por aqueles que são amantes do fado e desta fadista, que levou esta expressão musical portuguesa ao mais alto nível por todo o mundo e abriu o caminho às intérpretes contemporâneas. A sessão está programada para começar às 20 horas, no Bar A Nau, do Centro Português, em Macaracuay, Caracas.

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José e Pilar – Conversas Inéditas em formato de livro José e Pilar – Conversas inéditas, do realizador Miguel Gonçalves Mendes, será editado pela Quetzal no dia 18 de Outubro, com um prefácio de Valter Hugo Mãe. Durante quatro anos, Miguel Gonçalves Mendes filmou José Saramago e Pilar del Río, na intimidade de Lanzarote, em viagens de trabalho por todo o mundo, em festas com os amigos e a família. Desse intenso registo resultaram, primeiro, o filme, «José e Pilar» -- candidato ao Oscar – e, agora, o livro, que se compõe, essencialmente, de material inédito: centenas de horas de conversas que exploram grandes temas como a política, o amor, o trabalho, a literatura e a morte. O que o trabalho de Miguel Gonçalves Mendes tem representado para o tesouro do testemunho de Saramago é de valor inestimável. É o melhor dos legados para todos quantos vivem e viverão, permitidos que ficam para o acesso à intimidade com o grande mestre, ou, por outras palavras, para o acesso a um diálogo eminentemente desmascarado com o grande mestre. Mas o grande mestre não estaria nunca completo nesta sua dimensão mais pessoal sem a companhia de Pilar del Río, tão distinta quanto já complementar do escritor, escreve Valter Hugo Mãe. In Fundação José Saramago.

João Canijo, prémio em San Sebastián.... Primeiro, uma menção honrosa. Agora, o Prémio da Crítica Internacional. O filme Sangue do Meu Sangue, do realizador João Canijo, recebeu mais um galardão não oficial do festival San Sebastian, que decorreu recentemente em Espanha. Em competição por este prémio estavam outros 15 filmes. Acabou por vencer o novo trabalho de Canijo, que assim assegurou a difusão na estação de televisão pública espanhola ao receber a menção honrosa na atribuição do prémio Otra Mirada da TVE. Sangue do Meu Sangue, que o cineasta escreveu em parceria com os actores, narra o amor de uma mãe solteira pela filha, interpretadas por Rita Blanco e Cleia de Almeida.

Cultureando: a 28 de Outubro Por cortesia dos nossos amigos de Rádio Arcoense, por estes dias a celebrarem três anos de intensa actividade radiofónica, no dia 28 de Outubro, como todas as últimas sextas-feiras de cada mês poderá escutar e participar no programa Cultureando, do Instituto Português de Cultura. Sintonize este programa do Instituto Português de Cultura a partir das 19:30 h. através de Radio Uno AM. Notícias culturais, música e comentários sobre a cultura portuguesa.

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O saudoso Raul Solnado e os filmes “América” e “José e Pilar” premiados no Brasil.... O realizador João Nuno Pinto, pelo filme "América", e o documentário "José e Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes, foram premiados na quinta edição do CinePort, Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa, em João Pessoa, no Brasil. A João Nuno Pinto foi atribuído o prémio de melhor realização, segundo a lista divulgada recentemente pela organização do festival. Raul Solnado, que teve o seu derradeiro papel no cinema na primeira longa-metragem do realizador, foi distinguido com o prémio de melhor actor secundário. "José e Pilar", sobre José Saramago e Pilar del Río, candidato português aos Oscares, foi considerado o Melhor Documentário.

Escritora Inês Pedrosa vence (de novo) Prémio Máxima de Literatura.... A escritora Inês Pedrosa (Coimbra, 1962) venceu com o seu último romance, 'Os Íntimos', o Prémio Máxima de Literatura, no valor de quatro mil euros, informou a sua editora, a Dom Quixote. "Foi uma grande alegria, pois o reconhecimento é sempre bom. Procurei mexer em feridas actuais e muito concretas. Tinha a esperança de que o livro fosse compreendido", disse a escritora aos jornais. Inês Pedrosa estreou-se na literatura em 1991, com o livro infantil Mais Ninguém Tem, seguindo-se o seu primeiro romance, A Instrução dos Amantes, em 1992. Nas Tuas Mãos, de 1997, valeu-lhe o Prémio Máxima de Literatura, e Fazes-me Falta, em 2003, consolidou-a como uma principais romancistas da actualidade. Em 2005, a partir de Nas Tuas Mãos e Fica Comigo Esta Noite, assinou a sua primeira peça de teatro, 12 mulheres e 1 cadela, dirigida por São José Lapa. AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA!

Colabore com a campanha destinada à obtenção de fundos e de novos aderentes! Telefaxe. 0212 985.41.43 - E-mail: - iptcultura@gmail.com http://www.institutoportuguesdecultura.blogspot.com

www.institutoportuguesdecultura.blogspot.com Informações em português, castelhano, inglês e francês

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NotiFax de 30 de Setembro de 2011  

Boletim Quinzenal do Instituto Português de Cultura de Caracas

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