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Caracas – Venezuela * Ano X – Época III * 15 de Janeiro de 2011 RIF: J301839838

Júlio Pomar: a culpa foi do tio... Diz a sabedoria popular que “de pequenino é que se torce o pepino”. O tio Bernardino – rima e é verdade – foi quem iniciou nas artes plásticas aquele que é um dos pintores portugueses mais importantes da actualidade: Júlio Pomar. Foi nas Janelas Verdes, ali mesmo a olhar o Tejo melancólico, que ele nasceu, ao começar o segundo quartel do século passado. Ainda criança o tio Bernardino ofereceulhe uma caixa de aguarelas. Estava deitada a semente em terra fértil. Um amigo da família, escultor ele, vê no miúdo de oito anos um futuro talento e fá-lo entrar, como aluno livre, na António Arroio, a qual freqüentaria depois formalmente, antes de passar para a Escola de Belas Artes de Lisboa (1942/44), de onde sai para a Escola de Belas Artes do Porto. Outro génio artístico, Almada Negreiros, convida-o, nesse mesmo ano de 1942 a participar na VII Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional/Secretariado Nacional de Informação (SPN-SNI). Dois anos mais tarde, inicia uma nova etapa na sua vida e começa a colaborar em revistas da oposição como Vértice e Seara Nova e participa no movimento artístico Os Convencidos da Morte, assim denominado por oposição ao célebre Os Vencidos da Vida, onde militou, entre outros, Eça de Queirós. * Neo-realismo... e oposição ao Estado Novo No período que se segue à II Guerra Mundial, Júlio Pomar é influenciado por escritores neo-realistas como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes e por artistas plásticos 1


como Cândido Portinari (Brasil) ou os muralistas Diego Rivera, Orozco e Siqueiros (México), que o inspiraram a usar a arte como forma de intervenção sócio-política. Torna-se então num forte opositor ao Estado Novo. Faz parte o Movimento de Unidade Democrática e participa nas lutas estudantis, o que lhe custa a expulsão da ESBAP. O activismo político também se reflectiu no seu trabalho. Não estranha, então que o mural que executara para o Cinema Batalha fosse arruinado pela PIDE. Regressa a Lisboa. É encarcerado durante quatro meses e o seu quadro Resistência é confiscado na II Exposição Geral de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1947. O Almoço do Trolha, Menina com um Gato Morto, Varina Comendo Melancia ou O Cabouqueiro, são algumas das suas obras que denunciam as influências neo-realistas, embora prenunciem uma nova pintura progressivamente despojada da componente política. * Viver o estrangeiro.. Durante uma permanência em Espanha, estuda a obra do pintor Goya, que mais tarde o influenciou em telas como Maria da Fonte e Cegos de Madrid, de 1957. Em 1960 fez trinta pinturas, a preto e branco e de pequenas proporções, para ilustrar a versão de D. Quixote, de Aquilino Ribeiro, tema que usou noutras pinturas e esculturas. Nesse mesmo ano iniciou a série Tauromaquias. Três anos mais tarde vai para Paris, onde vive durante vários anos e o Maio de 68, inspira-lhe várias obras. Pomar viveu em Lisboa o período revolucionário que se segue ao 25 de Abril e a 10 de Junho desse ano participou, com outros artistas, na execução de um painel comemorativo da queda do regime. Em 1984, decorou a estação do Alto dos Moinhos, do metro de Lisboa, com quatro poetas associados à cidade: Camões, Bocage, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. Depois de uma passagem pelo Brasil, onde produz nova série de obras, nos anos 90 expõe em Espanha, na França, na Bélgica, no Brasil, na China e em Portugal, Júlio Pomar, um dos nomes maiores da arte europeia, é autor de uma obra diversificada, composta por desenhos, pinturas, ilustrações, colagens, assemblages, cerâmicas, tapeçarias, esculturas e cenografias, e, ao contrário de muitos dos seus pares, não é licenciado e não seguiu uma carreira como professor universitário. Actualmente vive entre a sua cidade natal e Paris.

Lobo Antunes conquista Paris... O espectáculo ‘Estado Civil’ está em cena em Paris numa temporada teatral de seis meses dedicada a António Lobo Antunes, que irá à capital francesa para o lançamento da tradução de ‘O Meu Nome é Legião’, 25ª obra deste autor. "É a maior homenagem de sempre feita em França a um escritor português vivo", declarou a editora francesa de António Lobo Antunes, Dominique Bourgois. Luís Miguel Cintra e Maria de Medeiros integram o elenco de nomes envolvidos no projecto. Entre Janeiro e Junho, haverá 50 noites dedicadas ao escritor, entre leituras e representações em cena a partir dos seus romances e suas crónicas e cartas.

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Adeus ao poeta Jorge de Amorim... Após longa e penosa enfermidade, faleceu o poeta Jorge de Amorim, também conhecido entre a Comunidade portuguesa como o professor Manuel de Oliveira, já que dedicou grande parte dos últimos anos da sua vida a leccionar a língua de Camões em Valência, Maracay e zonas vizinhas. Jorge de Amorim, que faz parte de uma antologia de Jorge de Sena – o que é muito dizer – e de muitas outras, nasceu em Gan dra, concelho de Paredes, no ano de 1928. Depois de terminar os estudos do liceu em Portugal, foi para Espanha onde seguiu estudos de filosofia e teologia. Posteriormente, na primeira metade da década de 60 do século passado, encontramolo na Inglaterra e na Irlanda onde estuda idiomas modernos. A partir de 1966 vive na Venezuela, onde se desempenha como professor e trabalha no campo administrativo do Ministério de Educação. A sua bibliografia compõe-se de quase 20 obras, várias delas ainda por publicar. Amava a poesia e o seu amor por esta forma de expressão está condensado neste seu pensamento: “Prosa? Amo-a muito. Mas o meu compromisso é, desde sempre, só com o mais difícil.” À família, amigos e leitores a nossa palavra de sentidas condolências. Prémio Pessoa 2010 para cientista.... A cientista Maria do Carmo Fonseca venceu o Prémio Pessoa 2010, anunciou o presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no Palácio de Seteais. O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é promovido pelo jornal Expresso com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e destina-se a reconhecer pessoas de nacionalidade portuguesa que protagonizaram uma intervenção relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país. O júri do Prémio Pessoa é presidido por Francisco Pinto Balsemão, tendo como vice-presidente Fernando Faria de Oliveira. Integra ainda Alexandre Pomar, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto Moura, João José Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Rui Vieira Nery. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto e presidente da Conferência Episcopal de Cultura, Bens Culturais e Comunicações, foi o vencedor do Prémio Pessoa 2009.

Prémio para Vasco Graça Moura.... Clube Literário do Porto decidiu distinguir o escritor Vasco Graça Moura pela sua carreira. O clube quis distinguir o escritor natural do Porto pelo contributo nos géneros da Poesia, Ficção, Ensaio e Tradução. Vasco Graça Moura irá receber 25 mil euros. AJUDE-NOS A DIVULGAR A CULTURA PORTUGUESA!

Colabore com a campanha destinada à obtenção de fundos e de novos aderentes! Telefaxe. 0212 985.41.43 - E-mail: - iptcultura@gmail.com http://www.institutoportuguesdecultura.blogspot.com

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Efemérides ... 1 de Janeiro de 1669.Através do Dilectum Filium, o papa Inocêncio XII reconhece a restauração da independência de Portugal. Neste mesmo dia, mas no ano de 1859, nascimento do pintor Henrique Pousão, um dos melhores representantes da pintura naturalista, apesar de o seu percurso artístico ter sido subitamente interrompido pela morte aos 25 anos. 3 de Janeiro de 1960. Tem lugar a célebre fuga do Forte de Peniche – uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo. Foi protagonizada, entre outros, por Álvaro Cunhal – que escreveu várias obras com o nome literário de Manuel Tiago. 5 de Janeiro de 1891. Inauguração, no Porto, o primeiro congresso do Partido Republicano Português, o qual terminaria dois dias depois, com a aprovação do programa do partido. 6 de Janeiro de 2006. Morte, no Porto, de Ilse Losa, escritora portuguesa de origem alemã. Veio para Portugal em 1934, fugindo à perseguição nazi. É conhecida principalmente como autora de textos para crianças e pelo seu livro sobre as memórias das perseguições aos judeus. 7 de Janeiro de 1355. Razões de ordem política levam D Afonso IV a mandar executar Inês de Castro, amante do seu filho D. Pedro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, neste dia, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pero Coelho. 9 de Janeiro. Nascimento de Luísa Todi, famosa cantora lírica. Teve uma carreira internacional de elevado mérito e foi também uma personalidade singular na Europa culta do seu tempo 9 de Janeiro de 2006. Passamento, em Lisboa, de Artur Ramos, encenador, cineasta, realizador de televisão, ensaísta e tradutor. Realizou, entre outras, a série televisiva Retalhos da Vida de Um Médico, adaptada da obra homónima de Fernando Namora. 10 de Janeiro de 1926. Nasce, em Lisboa, o pintor Júlio Pomar. A intervenção plástica que realizou para Estação do Alto dos Moinhos do Metropolitano de Lisboa é, sem dúvida alguma, a sua obra mais conhecida. Milhares de utentes do Metropolitano apreciam, diariamente, os seus desenhos representativos de quatro dos maiores nomes das letras portuguesas: Camões, Bocage, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. 11 de Janeiro de 1890. Momento humilhante da nossa história. O governo britânico entrega a Portugal um memorando exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre Moçambique e Angola. Esta zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no célebre Mapa cor-de-rosa. 12 de Janeiro de 1980. Morto do maestro português Frederico de Freitas . 13 de Janeiro de 1759. A família Távora e José de Mascarenhas, Duque de Aveiro, são executados por alegadamente terem participado numa tentativa de regicídio sobre D. José I de Portugal. 14 de Janeiro de 1659. Batalha das Linhas de Elvas, entre portugueses e castelhanos, que ajuda à conquista definitiva da independência do nosso país.

www.institutoportuguesdecultura.blogspot.com Informações em português, castelhano, inglês e francês

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Notifax de 15 de Janeiro de 2011  

Boletim Quinzenal do Instituto Português de Cultura de Caracas

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