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5 SÉRIES

My Hero Academia

14 ENTREVISTA Filipe Melo

22 TMG: THE MIGHTY GANG

Editorial

Não há duas sem três A parte mais difícil destas edições é o editorial. Dizer algo relevante, ou inspirador. Sugeriram-nos contar o percurso desta edição. Duvidamos que queiram ler acerca do nosso dia- a-dia. Talvez falar sobre a alegria que sentimos ao entrevistar pessoas tão interessantes. Ou então falar acerca das BD’s que fazemos. Talvez contar que esta edição foi feita ao mesmo tempo que preparamos o crowdfunding do

Argumento e arte: Joana Rosa

46 HANDS-ON

Era uma vez um piano em lego!

48 ENTREVISTA Ana Lopes

53 SÉRIES

WarnerMedia Kids

56 ENTREVISTA Will Patrick

58

GAMING

Marvel’s Avengers

66 EXPOSIÇÃO Lego Expo

FICHA TÉCNICA PROPRIEDADE Jankenpon, Lda REDAÇÃO Isabel Gomes Pablo Simas Ricardo Andrade Diana Cordeiro Maísa Reis BANDA DESENHADA Joana Rosa FOTOGRAFIA Maísa Reis

Edição online e gratuita Todas as imagens — direitos reservados aos respetivos proprietários. Proibida a reprodução parcial, ou da sua totalidade em qualquer suporte, sem a autorização expressa por parte de Jankenpon, Lda. ASSINATURAS geral@jankenpon.pt

TMG? Ou melhor, deviamos agradecer genuinamente a quem nos lê e a quem nos envia mensagens de apoio como o António: “ler a revista foi como ler um programa de rádio. Foi uma hora e meia onde perdi a noção do tempo”. Talvez um pouco de cada um destes. Um forte abraço a todos!

Os membros do estúdio JANKENPON


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Séries

My Hero Academia temporada 3 por Pablo Simas

Usando as palavras do próprio All Might “Mo daijoubu! Naze tte? Watashi ga kita!”, ou como é traduzido para português “Não tenham medo! Sabem porquê? Porque eu estou aqui!” com boas notícias, tanto para os fans de My Hero Academia, como para todos que procuram assistir a uma boa série! No dia 5 de outubro, às 21h00 estreia no canal Biggs, a terceira temporada da série, que é uma adaptação do manga Boku no Hīrō Akademia criado pelo ilustrador japonês Kōhei Horikoshi.

©KH/S, MP

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Séries A série é muito querida em todo o mundo, tornando-se uma das sucessoras dos “três grandes”: Naruto, Bleach e One Piece (que continua o seu reinado). É a primeira banda desenhada que consegue usar os estereótipos e as características dos comics americanos com a linguagem visual do manga. A forma como aborda o género/ tema de “super- heróis” é fenomenal. Apoia-se numa premissa simples de se compreender e fácil de seguir: a personagem principal passa por várias experiências facilmente relacionáveis nos dias de hoje como lidar como bullying, ou arregaçar as mangas por um sonho que parece impossível de alcançar. As personagens secundárias são multifacetadas, ao invés de simples estereótipos ambulantes, o que as torna bastante humanas, independentemente da aparência que possam ter. Os vilões não são simples monstros que desejam a destruição do mundo. São indivíduos com motivos e crenças válidas, que sentem que a sociedade caminha para a via da corrupção. De uma forma muito distorcida acreditam que, mesmo que cause a morte da

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maioria, apenas uma mudança brusca colocará a sociedade no caminho certo. Há também que reconhecer a qualidade da produção. O estúdio Bones não é nenhum principiante na animação, garantindo que cada cena de ação explosiva, ou mesmo momentos mais calmos de exploração de emoções e inseguranças dos personagens, tenham um impacto muito significativo.

A série já foi adaptada para outros formatos para além da animação, como musicais no Japão (My Hero Academia: The “Ultra” Stage e My Hero Academia: The “Ultra” Stage: A True Hero), videojogos (My Hero Academia: Battle for All para Nintendo 3DS, My Hero: One’s Justice 1 e 2 para as outras plataformas). Até ao momento gerou três spin-off com outros autores (My Hero Academia Smash!! por Hirofumi Neda, My Hero


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Séries Academia: Vigilantes por Furuhashi Hideyuki e My Hero Academia: TeamUp Missions por Yōkō Akiyama). Tudo isto torna My Hero Academia um verdadeiro gigante editorial, que é acompanhado por uma onda de apoio pelos apreciadores deste franchise. NOS EPISÓDIOS ANTERIORES... Assim como no manga, a história passa-se num mundo onde 80% da população desenvolveu habilidades sobre-humanas como projetar chamas, voar, congelar o ar, entre outras denominadas de “singularidades”. A existência das singularidades permitiu o surgimento de uma nova categoria de indivíduos na sociedade, denominados heróis profissionais, que usam as suas habilidades para o bem do próximo e enfrentam vilões. Indivíduos que usam as suas

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habilidades para cometer crimes e espalhar o caos pela cidade. E acompanhamos o percurso do jovem protagonista Midoriya Izuku, um rapaz que tem o sonho de se tornar num herói profissional, mas por ter nascido sem uma singularidade, vê a concretização do mesmo como uma tarefa impossível. A sua falta de poderes não diminui a sua coragem! Quando Bakugou, o seu melhor amigo da infância que se tornou recentemente no seu bully, é atacado por um vilão, é Midoriya quem toma a iniciativa para o salvar. O seu ato de coragem e bravura inspirou o maior herói da cidade, o All Might, para herdar a sua singularidade. Um poder muito especial que pode ser passado de um usuário para próximo, conhecida como One for All.

Começa a árdua tarefa de Midoryia: tornar-se capaz de receber a singularidade. A transformação de geek chorão para o herói que ele demonstrou poder vir a ser. Afinal, não basta ter poderes para ser um herói profissional, é necessário também saber cooperar com os outros e é um caminho que envolve vários sacrifícios. Tudo isto preenche a primeira temporada da série, onde vemos o percurso do jovem Midoriya a compreender o que significa ser um herói. Esse percurso passa por concorrer (e entrar) na U.A. High, a escola secundária do Japão com o melhor programa de treino de heróis, e para onde Bakugou também está a concorrer. Cria-se aqui o ambiente onde ele estará envolvido durante toda a narrativa. Uma turma de alunos especiais, cada um com uma singularidade característica,


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Séries e os professores servirão de alicerces para o desenvolvimento físico e mental do jovem protagonista. E O SEGUNDO ATO... Enquanto que o foco da primeira temporada está em Midoriya, no crescimento do seu mundo interior, e do seu círculo mais próximo, a segunda temporada leva-o para mais longe, a dedicar-se ao exterior onde a grande ameaça vem da Liga dos Vilões, uma organização malvada que procura reescrever as regras da sociedade, segundo os seus padrões e assim eliminar o mundo como o conhecemos. Os alunos da turma 1-A estarão no Festival de Desportos, onde Midoriya tem a oportunidade de testar tudo

o que aprendeu até ao momento, contra os seus colegas que são tão ou ainda mais habilidosos que ele. Reforça-se aqui que não basta ter poderes para ser um super-herói. O QUE PODEMOS ESPERAR DA NOVA TEMPORADA? E finalmente na temporada em exibição no canal Biggs desde o dia 5 de outubro, acompanhamos o protagonista Midoriya Izuku e os seus colegas da turma 1-A, numa visita ao campo de treino da UA, com o objetivo de melhorarem as suas habilidades. Mas nada corre como o esperado porque a Liga dos Vilões decide atacar o campo com o objetivo de raptar um dos estudantes, interrompendo os treinos e forçando um conflito direto entre a turma 1-A e a liga. E quem acompanha também o manga sabe que o tão esperado e predestinado confronto entre o maior herói de todos, All Might, e o mais terrível, de todos os vilões, All For One, acontece causando uma mudança significante na ordem em que a sociedade de heróis se encontra. Esta temporada chega ao Biggs na sua versão dobrada em português, mantendo o elenco das temporadas anteriores: Alexandre Maia, Ana Teresa Pousadas, Bárbara Lourenço, Quimbé, Rodrigo Mourão, entre muitos outros. E se ainda estiverem a perguntar: “Mas eu não assisti às outras temporadas, nem li nenhum dos livros ou joguei os videojogos, devo assistir a esta?” A resposta é sim, não há problema algum, porque o primeiro episódio da terceira temporada tem toda a informação que necessitam para desfrutarem de todos os episódios que se seguem. Por isso, não há desculpas para perderem os novos episódios de My Hero Academia! WWW.JANKENPON.PT | 13


Entrevista

RA: Vamos evitar todos aqueles chavões como Homem do Renascimento? FM: Não quero nada disso. RA: Essas coisas todas que gostam muito de dizer nas entrevistas. FM: Homem do renascimento já me chamaram várias vezes e sempre acho que é uma enorme injustiça, uma injustiça para os verdadeiros homens do renascimento. RA: Imagino-te com um tambor às costas e um teclado em baixo do braço. FM: Assim uma espécie de Legendary Tigerman, mas pimba, não é?

Filipe

Melo

Filipe Melo e Juan Cavia , os autores de Balada para Sophie. O álbum mais transversal do duo dinâmico da BD nacional (sendo Cavia argentino, mas português honorário). Esgotou na Feira do Livro de Lisboa e já chegou às livrarias a sua segunda edição.

Ricardo Andrade: Disseste na apresentação realizada na Feira do Livro que Balada para Sophie é o teu primeiro trabalho que realmente te deixa satisfeito e feliz. Filipe Melo: Diria que normalmente estas coisas têm sempre um prazo de validade. Estamos contentes por um tempo. Depois deixamos de estar. Isto, espero eu, é um sinal de que melhoramos e que aprendemos com os erros. RA: E isso é que é o principal, não é? FM: Exatamente. RA: Quem lê os vossos livros diz que o mais recente é o melhor. Reconhecem o esforço honesto em melhorar. Olhas para os álbuns anteriores e encontras o que não querias que ali estivesse? FM: Claro. A questão aqui é que de facto nós aprendemos sempre com as coisas que correm mal quer no processo, quer no resultado. Logo, hoje em dia olho para os livros que fizemos há 10 anos atrás e reparo em muitas coisas que faria diferente. No entanto, sei que alguém que pegue no livro pela primeira vez não vai estar a pensar nisso e também não vai saber por onde é que nós evoluímos. Alguém que esteja a ler o nosso último 14 | WWW.JANKENPON.PT


Entrevista

livro e depois vá pegar no nosso primeiro seguramente vai perceber que ouve ali uma grande mudança, mas também acho que as coisas têm de ser vistas à luz do tempo em que foram feitas. E, há 10 anos atrás, éramos pessoas muito diferentes e tínhamos menos capacidades técnicas. Mas é importante dar o desconto do tempo. Sem comparar directamente, hoje em dia quando vemos um filme como o King Kong original não estamos à espera que o filme tenha os mesmos efeitos especiais que o King Kong do Peter Jackson, só que, no entanto, continua a ser uma coisa intemporal. RA: Exato! E também apaixonante. FM: E apaixonante, claro. Portanto de alguma forma o que espero é que mesmo que sendo muito amadores na altura, fizemos tudo com muita convicção, com muito carinho, então tenho esperança de que algo disso continue a existir no resultado. RA: Qual a sensação que tens quando as pessoas pegam no teu livro e dizem que este que tu fizeste agora é o melhor de todos? É quase um bocadinho estranho por um lado, é intimidante dizerem que este é o teu trabalho máximo? FM: É uma boa pergunta. É uma boa sensação ver que gostam do nosso trabalho. Se é o preferido dos

leitores ou não, só deles depende. Também tenho a noção que os nossos livros anteriores são mais de nicho que este. Este é uma história mais transversal, é uma história que chega a pessoas de diferentes idades e feitios. Lida com assuntos como a procura de identidade, como a velhice, a amizade, como o amor perdido. São temas muito humanos, então é natural que este livro chegue até mais gente, e que mais gente se identifique com as personagens. Em relação à pressão que pode ser criada, tento ignorá-la. A pressão é inimiga da criatividade. A reação que as pessoas têm tido é extremamente positiva e isso permite-nos continuar a trabalhar, a melhorar a nossa forma de contar histórias. Acho que fomos criando uma relação de confiança com os leitores — o que nos permitirá esticar a corda no futuro. Poderão gostar ou não gostar, mas sabemos que estarão connosco. É muito reconfortante saber isso. Mas tenho consciência que parte do sucesso deste livro tem a ver com a temática, que é, sem dúvida, mais universal. Faz sentido?

RA: Perfeitamente. FM: Isto de ter feito algo que se calhar acaba por ser mais consensual, na verdade dá-me vontade de fazer uma coisa menos consensual.

RA: [Risos] FM: Portanto, vai doer menos quando no próximo livro me disserem “olha, eu gostei muito mais do anterior” porque significa que, pelo menos, não estou a fazer a mesma coisa. RA: Felizmente no teu caso, estás a lidar com todos os elogios com humildade. Se bem que na apresentação do livro quando lá vi o piano, comecei à procura das cordas para ver se o ias pôr a voar. Felizmente não estás nesse ponto do ego. FM: Não, seguramente eu não ia voar. Não pegava num piano há dois meses por causa do livro e por causa de uma encomenda de orquestração que eu tive. Estava ali numa pilha de nervos, porque ia tocar o tema do livro pela primeira vez. Percebo bem a questão do Julien ficar nervoso, um bocado como eu fico também, especialmente agora. WWW.JANKENPON.PT | 15


Entrevista quase um filtro, um canal direto para a alma, para como nos estamos a sentir. Alguém que pensa que é o maior tem uma noção distorcida do que todos representamos, vive no engano. RA: As personagens que descreveste no livro… por um lado temos o lado mais comercial, aquele que está numa bolha de fama à sua volta, quase como um hamster a correr dentro de uma esfera, e quem o rodeia dirige a esfera para o lado que querem que vá. E ele vai. Do outro lado tens o lado mais puro da música que é um grande mistério de alguns génios. Imprevisível! FM: Certo. RA: Foi para mostrar estes dois contrastes? FM: Sim, se bem que o Julien quando se transforma neste personagem que é o Eric Bonjour, uma espécie de pianista piroso cheio de glamour, o que se passa é que surge uma contradição porque ele próprio não acredita naquilo que está a fazer. Ele sabe que o que está a fazer não está em sintonia com aquilo que ele é. Um bocado como toda vida dele, nunca teve oportunidade de perceber quem ele próprio é, porque o seu caminho sempre foi ditado pela mãe, neste caso. Interessava um bocadinho também o facto da figura do outro pianista ser etérea, quase fantasmagórica. Não se sabe muito sobre ele. RA: Nada. FM: É uma espécie de uma figura quase mística.

RA: Continuas a ficar nervoso antes de tocar? FM: Claro que sim, há pessoas que ficam mais nervosas do que outras. Eu estou no meio termo — quando conheço bem a música, os nervos passam-me. Percebi também que, até certo ponto, a música é uma espécie de desporto. Tens de estar em forma física e mental. Quando passas muito tempo sem tocar é natural que as tuas inseguranças se notem e se manifestem. Portanto, eu consigo ligar isto ao 16 | WWW.JANKENPON.PT

que estavas a dizer — embora tenha recebido muitos elogios ao livro, nunca hei-de ficar a pensar que sou o maior — estou habituado a sempre ter de lidar com uma coisa que é muito maior que eu: a Música. É uma lição diária de humildade. A música relembra-nos sempre do nosso ínfimo papel. Se estamos mais fragilizados, estamos mais inseguros, a música deteta-nos. Tal como quando estamos mais felizes a música detecta-nos isso, também. Há

RA: Ouve-se falar do que ele fez, mas raramente se testemunha a sua vida. FM: Mas também porque não profere uma única palavra, não é? É este contraste, esta procura pela verdade musical e pela identidade pessoal, de se estar em sintonia com aquilo que se é. É uma coisa muito difícil. Acho que se calhar, mesmo sendo uma história muito simples, aborda coisas que são complicadas, que eu acho que todos nós temos, em doses diferentes. Por exemplo, a questão da autossabotagem. Nos nossos livros anteriores, lidámos com antagonistas claros, que se opõem aos protagonistas. Neste caso


Entrevista aqui optámos por algo mais real: o próprio antagonista está connosco, é parte de nós, somos nós, eu acho que toda gente tem isso. É o tipo de vilão que me parece mais real e mais assustador, porque é o nosso reflexo. Acho que isto era muito importante para mim abordar agora. A tua pergunta foi? Para eu não me desviar. RA: Estávamos a falar dos dois pianistas, cada um representa um lado diferente da música. Por um lado, o mais populista, produzido para as massas, com um objetivo comercial perfeitamente definido. O segundo é alguém que sente e vive a música como parte dele mesmo, que se deixa levar. FM: Algumas das maiores referências pianísticas que tenho são pessoas de um talento absurdo, são pessoas com uma obra muito sólida, com uma visão artística muito especial e que de repente são pessoas absolutamente miseráveis a nível de felicidade e de… [pensativo] RA: Autoestima, bem-estar psicológico. FM: Sim, bem-estar psicológico, isso. Isso perturba-me muito porque isto

é uma estrada sem fim, perceber que há alguém que tem uma excelência musical imaculada e tem de lidar com estas questões, não é? Para mim isto gera uma grande contradição, é quase uma desmotivação. RA: A aparente necessidade desse sofrimento para atingir os objetivos? FM: Acho que não tem necessariamente de ser assim. Mas há casos em que isso acontece. Quanto mais próximo estás da excelência e da total falta de

compromisso, com isso vem um peso muito grande. Vejo isso em pianistas como o Keith Jarrett, Bill Evans ou Glenn Gould. São heróis para mim, são pessoas que ultrapassam o mundo dos comuns mortais. É desolador pensar como uma pessoa pode tocar daquela maneira e sentir tanta infelicidade. Como é que alguém se pode sentar ao piano e criar aquela combinação de sons e ter aquele grau de mestria e, mesmo assim, ter tantas angústias e tantos demónios que levam a uma espiral de sociopatia e total destruição. RA: Mas isso é transversal até para a maior parte das artes, os que redefinem os limites costumam ser figuras tortuosas de alguma forma. FM: Talvez, talvez, mas felizmente também já conheci algumas exceções, conheci pessoas felizes. Que me dizem (e eu acredito nelas) que a melhor música que fazem, fazem-na quando estão felizes. E eu acredito porque já vi isso acontecer. Inclusivamente pode ser música muito triste, mas que acontece quando a pessoa está num bom momento. Comigo as coisas acontecem mais ou melhor quando estou ou muito triste ou muito contente: nos extremos. Quando as coisas estão muito normais, gosto mais de ficar a ver séries e tal. Espero conseguir mudar isso com o tempo. RA: A criatividade não flui no meio termo? FM: Sei lá, eu gostava que funcionassem, era uma vida mais pacata. WWW.JANKENPON.PT | 17


Entrevista RA: A tua grande paixão sempre foi o cinema. Como é que tu passas daí para a banda desenhada? FM: A minha paixão pelo cinema foi o que me levou à banda desenhada. Tanto o cinema como a música foram coisas que eu queria que acontecessem, que fizessem parte da minha vida, de alguma forma. Na música fui claramente estudar, larguei a minha carreira como possível péssimo jornalista que seria e fui estudar música porque era aquilo que eu queria fazer e que me imaginava a fazer. A banda desenhada é uma das últimas coisas que imaginava para a minha vida e tem haver com o facto de ter conhecido o Juan Cavia. O Juan trabalha como diretor de arte, em cinema também, e foi através do cinema que nos conhecemos. Conheci o sócio dele — Walter Cornás — há muitos anos no festival de cinema de Mar del Plata, na Argentina, e quando precisei de um storyboard recomendou-me o Juan. Quando vi o storyboard que ele fez eu pensei “todas as histórias que eu escrever e não conseguir fazer em filme, farei com ele”. Tudo isto acontece porque havia um projeto para um filme — nunca foi produzido e tornou-se o nosso primeiro livro de banda desenhada. Tinha ali aquela história e queria contá-la. Só isso. De repente vejo ali um jovem com um talento absurdo para o desenho e era um luxo trabalhar com ele. Mal imaginava eu que 15 anos depois ainda estaríamos a fazer livros juntos. Diria que a grande diferença é que 15 anos depois, ao escrever um guião, eu já não estou a escrever um guião para um filme, nem para uma BD. Estou a escrever um guião de banda desenhada para aquele desenhador, para o Juan Cavia. RA: Ouvi-te falar do livro pela primeira vez na Feira do Livro. Referiste o Amadeus de Milos Forman. Quando estou a ler, no Balada para Sophie, Eric Bonjour a dizer que ele é o vilão, vejo Salieri a dizer que ele matou Mozart. É um momento intenso. FM: Sim, eu gosto muito de histórias de rivalidade, estou-me a lembrar de 18 | WWW.JANKENPON.PT

duas ou três que eu gosto muito. Eu gosto muito de um filme, que até é o que mais gosto dos do Christopher Nolan que é o The Prestige. Uma das personagens tem o fator natural e a outra tem o fator trabalho. Há a questão da inveja unilateral, que eu também gosto de explorar. Outro que eu adoro é o filme Rush que ainda por cima lida com uma época da Fórmula 1 que eu adoro — a rivalidade entre o Niki Lauda e James Hunt. Houve outro filme que, não sendo de rivalidade, foi determinante como influência — Toni Erdmann. É um filme maravilhoso, uma obra-prima. Talvez uma coisa de que nós não podemos muito falar bem claramente e que possivelmente diferenciará a nossa história das outras é que para mim a rivalidade entre eles acaba por não ser o cerne da questão, para mim nenhum deles é exatamente o protagonista da história. Há para mim uma narrativa sobre a qual eu não quero falar, porque iria estragar a experiência dos leitores.

RA: A bailarina parece-me ser a súmula de ambos os pianistas. Teve de mudar o nome porque não era interessante o suficiente para fazer carreira como o Julian, e vive a sua arte, como François. Parece estar entre a realidade de cada um dos dois pianistas. FM: Ela está entre o mundo dos dois pianistas, eu nunca tinha pensado nisto assim desta forma, mas, de facto está. É uma pessoa muito mais leve que qualquer um deles e que se vê ali numa situação mais complicada, mas para mim o que me atrai mais nesta personagem é — ela é um raio de luz. RA: Sim, sem dúvida. FM: O Julien é uma pessoa que está completamente autocentrada. François vive noutro planeta. Ela é uma pessoa cheia de vida, cheia de energia: sei onde fui buscar isso, sei de onde vem aquela pessoa, já conheci uma pessoa assim e que foi determinante na minha vida. É uma pessoa que equilibra a personalidade


Entrevista

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Entrevista de ambos, mas que também tem os seus próprios problemas. RA: Estamos a lidar com tudo o que se passa na vida deles, algumas coisas feias, e de repente apresentas esta personagem, que é um raio de luz. E quando nós a conhecemos é quando vocês metem a separação das vinhetas todas a preto. FM: Ah boa, bem observado. RA: Parece que estás a ser elevado por um lado e ao mesmo tempo estás a ser puxado no sentido oposto. FM: Foi uma decisão do Juan tomada relativamente em cima da hora e que não tem uma explicação. Não posso dar uma razão prática. É uma questão sensorial — sentimos que este é um momento especial para ele e para ela. E de alguma maneira eles saem daquilo que é a normalidade. Daí as molduras estarem a negro nessa cena. RA: Há imagens que ficam assim gravadas na memória após ler o livro. Essa sequência, assim como o momento da alucinação do Eric Bonjour. São páginas magníficas, que funcionam por si só. É um excelente trabalho de composição que o Juan Cavia coloca no livro. FM: Sim. Posso falar um bocadinho sobre isso, não quero aborrecer- te, mas posso dizer o seguinte: o Juan, como eu já disse conheço-o há muitos anos, é um desenhador muito particular no sentido em que não tem ego. Parece que estou sempre a elogiá- lo, mas é verdade é que ele tem uma generosidade que às vezes chega a ser incompreensível e vou explicar porquê. O Juan dá sempre prioridade à narrativa, está sempre a pôr o seu talento ao serviço da história e não a história ao serviço do seu talento. Por exemplo se eu disser para fazer uma página dupla com um desenho, ele vai-me dizer que não. Ele vai sempre pensar que esses casos são uma maneira de estar a exibir- se no desenho. E ele não quer isso. É preciso convencê-lo do contrário.

aproveitam essas oportunidades até para fazerem páginas duplas, que até se vendem melhor como pranchas originais. O Juan é exatamente o oposto, tudo o que ele quer fazer é para que a narrativa brilhe. Então, neste livro, disse que ele teria de fazer algumas páginas splash. Que não ia ser uma opção. No caso dessa página, ele não queria que fosse uma página dupla, para ele bastava uma. Eu insisti numa página dupla. A história pedia isso, a história pedia uma viagem. O resultado é um dos mais maravilhosos desenhos do Juan — pela composição, pelo facto de tu poderes passar ali uns bons minutos a olhar para aquilo a descobrir coisas novas que estão relacionadas com a narrativa e se misturaram na cabeça da nossa personagem, o Julien. E é importante também mencionar que aí ele não utilizou isso como um showcase dele próprio. Sabes o que ele fez? Pegou na página que possivelmente mais trabalho lhe deu como desenhador e convidou o nosso amigo Santiago Villa para a pintar. Assim, o Santiago, que é um artista

de um grande talento, um grande amigo nosso que trabalhou connosco nos livros do Dog Mendonça e Pizzaboy, também fez parte deste livro. RA: A sensação ao ler foi peculiar. Comecei a ler um bocadinho e de repente o tempo voou e já ia a meio do livro. E já fiz uma segunda e uma terceira leitura do livro. FM: WOW. Ok. RA: O que me sobressai é realmente a forma como conseguem contar a história. A variação de ritmo que permite ter uma resposta muito orgânica a cada época retratada. FM: Nós normalmente trabalhamos no layout juntos, tivemos a oportunidade de fazê-lo pessoalmente nalguns livros. Neste caso, inicialmente passei- lhe o guião e o Juan começou a trabalhar no layout com esboços. Porém, o layout dele ele estava muito acelerado. Ele estava com muito trabalho na altura, então resumia sequências inteiras freneticamente. Então comecei a agarrar nos desenhos dele e a recortá-los e a redistribuir as vinhetas e enviava para

Processo do argumento à página final de banda desenhada

85.

RA: O oposto de muitos desenhadores. FM: É, haverá desenhadores que 20 | WWW.JANKENPON.PT

ISABELLE (CONT'D) Às vezes, fico a pensar se não era com ele que tu realmente querias estar aqui enfiado na cama. Isabelle bate a porta quando sai. INT. SALÃO - DIA JULIEN VELHO Se eu estava apaixonado por ela ou não, não sei. Mas o que é que adianta saber a resposta, agora? A Julien está perturbado e fragilizado com o assunto. Adeline agarra-lhe as mãos com carinho. INT. HOTEL TATI - DIA JULIEN VELHO (V.O.) Na s emana seguinte, no quarto de hotel, em vez dela, estava só um envelope com uma carta. Vemos, do interior do quarto de hotel, que Julien abre a porta. Uma carta está pousada em cima de uma almofada, na cama. A carta diz apenas “Julien”, escrita com uma letra muito bonita. INT. SALÃO - DIA Vemos, na mão danificada de Julien, a carta que Isabelle lhe escreveu.


Entrevista lhe explicar o que eu tinha em mente, então ele disse-me para não fazer isso que era um tipo de mindfuck para ele. A sugestão foi eu fazer um layout simples, com bolinhas e tracinhos em vez de referências visuais. Definimos uma maneira melhor de trabalhar, em que entendemos o pacing certo desta história. Um aparte — sabes, a dada altura gostávamos de fazer uma Masterclass de qualquer espécie. Ele quer muito fazer isso, quer que seja uma espécie de um guia das coisas que nós fomos aprendendo. Assim uma espécie de um livrinho, um tutorial, ou o que seja para mostrar os passos todos e o que nos poupou trabalho. RA: Avisa, que eu inscrevo-me. RA: Parte das boas notícias é que já tens a publicação garantida com a IDW Publishing em Inglês nos Estados Unidos, mas também estás com uma editora francesa também? FM: Sim, em França, pela Paquet, que já editou dois livros nossos, o Dog Mendonça e o Comer/Beber. A Polónia foi através do José de Freitas, um bom amigo nosso. A

Top Shelf foi uma notícia que não esperávamos. Tinha aqui na prateleira o Essex County do Jeff Lemire e o Blankets do Craig Thompson. Eu abri os livros, vi a editora, procurei o nome do editor e mandei para ele. Mandei aquele email, sem estar de facto à espera de uma resposta, logo a surpresa soube ainda melhor. RA: Fazes parecer muito fácil. Mandaste também para outras editoras… FM: Sim. Mandei para uma data delas, sem resposta. RA: Já não me lembro o que tu me contaste… mandavas três emails por semana? FM: Não. Mandava três emails por dia! Com a ajuda de uma grande amiga minha, a Gabriela Soares, que trabalhou afincadamente nos balões deste livro. Ajudou também a conseguir uma editora nos EUA. Ela enviou para muita gente, o contributo dela para este livro foi absolutamente imprescindível. Em relação à edição pela Top Shelf, na verdade, foi perfeito: surgiu exatamente na altura

deste ano em que a minha profissão de músico ficou completamente obsoleta, em que deixou de haver concertos por causa da pandemia. E de repente por outro lado, acontece isto. Foi uma tábua de salvação. RA: Considerando que a IDW Publishing já teve adaptações dos seus comics na Netflix, espero que seja um passo para isso passar para filme ou serie. FM: Eu gostava muito! Mas acima de tudo, o que me deixa mais contente e orgulhoso com as nossas edições internacionais é que expande o nosso meio. Isto é, alguém mais jovem que faça BD se calhar agora vai pensar que poderá chegar lá fora com mais facilidade. Eu lembro-me que na altura quando comecei na BD, ficava muito impressionado e inspirado pelas pessoas que estavam a desenhar para a Marvel, DC e Image — os nossos colegas — o Jorge Coelho, o Filipe Andrade, Ricardo Venâncio, Nuno Plati, e muitos outros de quem me estou a esquecer agora. Isto é inspirador para uma pessoa quando começa a desenhar. Não há tanto essa tradição

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Entrevista na escrita, também pela barreira do idioma. Há mais terreno para desbravar. RA: Mas já estamos muito melhores neste campo. FM: Estamos a melhorar, é um trabalho muito lento. Gostava que se quebrasse um pouco a barreira com a literatura. Há muitos encontros de escritores e festivais de literatura e eu nunca vejo lá gente da banda desenhada. Aborrece- me que as pessoas pensem sempre que a banda desenhada é uma coisa para a secção que tem os jogos de tabuleiro e os bonequinhos, chateia- me. É redutor encontrar o nosso livro na secção infantil. E não estou a dizer que o que estamos a fazer é uma obra de arte literária, a única coisa que eu quero é que se quebre esse preconceito e que se perceba que o livro de banda desenhada pode ser muitas coisas.

RA: Nota-se pela diversidade dos teus leitores, que começam a ver isso também. FM: Talvez. Mas tu já me conheces. Quando eu estou ali a falar às pessoas e a agradecer e a dedicar todos os livros o melhor que consigo (mesmo sem o Juan, que ficou na Argentina por causa da pandemia), é verdadeiramente genuíno. Cada pessoa que ali está contribuiu ativamente para que nós possamos fazer mais. Eu tenho este sonho de dinamizar a BD em Portugal — em que criamos uma geração de autores e de leitores onde o público em geral queira ler BD outra vez. Quando vejo que um livro nosso teve um pequeno papel nessa longa caminhada, fico mesmo genuinamente agradecido a quem o leu, a quem o divulgou. É muito importante para nós.

A seguir...

TMG – THE MIGHTY GANG Uma fantasia de ação e comédia com argumento e arte de Joana Rosa, que relata a aventura de três jovens elementos na sua demanda para encontrar e erradicar a ameaça dos Daimonics. Para este trio, mais importante do que vencer esta raça, é encontrar a verdade sobre as suas origens. Joana, Sara e André vão viajar de país em país e enfrentar as mais diversas ameaças, tendo de lidar com muitas surpresas, como o caso de Magda e Juliana, outros dois elementos que misteriosamente aparecem no seu caminho.

SITES DA AUTORA https://hazurasinner.deviantart.com/ https://www.instagram.com/hazurasinner/

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importe, mas, achas que há outros como nós aqui na

semana atrás senti uma estranha energia a vir

cidade?

de uma rapariga.

Missão 9

Porque há uma

Não é que me

Não sei. Porque

iremos verificar se ela é um elemento ou não.

perguntas e se parecer suspeita lutamos com ela.

como?

gosto da ideia.

que se passa andré?

JANKENPON | REWIND 02

Se a encontrarmos

Fazemos algumas

TMG: THE MIGHTY GANG

perguntas?

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Missão 9

Tu e a sara têm grandes habilidades e força, estava só a pensar...

enquanto eu não tenho nada disso.

sabes que isso

24

TMG: THE MIGHTY GANG

JANKENPON | REWIND 02

não é verdade.

Força não é tudo. controlas

MaS SEM ÁGUA POR PERTO

a água com facilidade

OS MEUS ESCUDOS

e proteges-nos quando

E OUTROS ATAQUES NÃO

podiamos ser magoados

TÊM EFEITO...

ou pior.

o que aconteceu

duas vezes!

aNDRÉ, NÃO VALE

VAIS LIBERTAR

A PENA PENSARES MUITO

GRANDES PODERES QUANDO

NISTO. SÓ VAI DEITAR A TUA

MENOS ESPERARES, TENHO

CONFIANÇA ABAIXO.

CERTEZA DISSO.

pARA ALÉM DISSO, A SARA E EU, também NÃO SABEMOS MUITO SOBRE OS NOSSOS PODERES.


VAI CORRER TUDO BEM! ACREDITA EM MIM!

DESCULPA!

É DIFICIL ACREDITAR QUE ELA É UM ELEMENTO... NÃO PASSA DE UMA

FORTE É ESTE?!

PARECE PEIXE PODRE COBERTO DE LIXO TÓXICO! E POR ALGUMA RAZÃO É FAMILIAR...

JANKENPON | REWIND 02

eWW! QUE CHEIRO

ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

ADOLESCENTE IDIOTA.

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Missão 9

AHH! JÁ ME LEMBRO!

ERA O CHEIRO

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TMG: THE MIGHTY GANG

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DOS DAIMONICS!

SARA, O QUE

QUASE ADORMECI

ACONTECEU?!

E FUI ATACADA POR

aDORMECESTE?!!

QUASE! SABES O QUANTO É ABORRECIDO

UM DAIMONIC.

ESPERAR?!

DEIXEM ISSO AGORA!!


aLI ESTÁ ELE!

JANKENPON | REWIND 02

ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

ELE ESTÁ A FUGIR?!

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Missão 9 TMG: THE MIGHTY GANG

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VOLTA AQUI PARA EU TE TRANSFORMAR

PERFEITO!

EM SUSHI!!

QUE RAIO...?


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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QUE RAIO...?

Missão 9


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 9


PUB_REVISTA_ 25x31_AF.pdf 1 22/07/2020 11:44:01

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


S I A I C I F O S O T U D PRO M E S I E V Í N DISPO


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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 10


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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 10


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 10


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 10


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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Missão 10


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ARGUMENTO E ARTE: Joana Rosa

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TMG: THE MIGHTY GANG

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continua!

つづく

Missão 10


Hands-on

Era uma vez um PIANO em LEGO Inspirados pela Balada para Sophie de Filipe Melo e Juan Cavia, falámos com Tiago Reis Catarino para vos apresentar como construir um piano em Lego. O Tiago aceitou participar, e temos aqui o esquema do seu MOC (My Own Creation) de um piano.

Sigam o seu trabalho em: https://www.youtube.com/tiagocatarino https://instagram.com/tiagoreiscatarino

Tiago Reis Catarino trabalhou durante vários anos no seu emprego de sonho. Foi designer da LEGO®, onde trabalhou na linha Creator 3 in 1. Autor dos kits LEGO® Ideas Ship in a Bottle e Creator Expert Gingerbread House. O seu favorito continua a ser o Cute Pug. De regresso a Portugal, dedica-se exclusivamente ao seu canal de Youtube, que serve de palco às suas construções em LEGO. Recebeu recentemente o galardão dos 100.000 subscritores. O que fez quando recebeu o galardão? Criou a réplica deste em LEGO!

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Hands-on

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Entrevista

Quem lê banda desenhada considera a editora Edições DEVIR como a única a publicar banda desenhada japonesa em Portugal. Falámos com Ana Lopes, gestora de projeto e produto banda desenhada da editora.

Ricardo Andrade: Olá Ana, logo para começar e para quem não te conhece, quem é a Ana Lopes? Ana Lopes: Sou eu [risos]. Sou a gestora de edições da Devir. Isto engloba toda a gestão dos projetos, portanto todo o acompanhamento do produto desde as aprovações aos contratos, até o livro estar pronto e nas livrarias. Também trato de burocracias e papelada respeitante à editora. Sou designer gráfico de formação, comecei a trabalhar na Devir em 2003, entretanto saí e convidaram-me a voltar quando surgiu este projeto de publicação de manga. Em termos da minha sensibilidade, gosto muito de fazer banda desenhada. Sempre gostei, sou uma leitora de banda desenhada, leio de tudo, incluindo manga. Gosto de algumas, a outras não acho graça, mas é assim com todos nós, não é?

ANA

LOPES

RA: Claro que sim, há gostos para tudo! AL: Para mim, é positivo ter este background em termos de design. Como já trabalhei noutros sítios, como na área da publicidade, trago essa experiência para o trabalho da editora. Em conjunto com os outros colaboradores, tentamos ao máximo que [cada livro] seja um produto de qualidade. 48 | WWW.JANKENPON.PT

RA: Como foi o início da distribuição do manga? AL: Começámos em 2012, quando editámos o Death Note, a nossa primeira coleção, o Naruto veio logo em 2013, e por aí fora. No Brasil, o manga começou depois de Portugal. RA: [Risos] Começou cá e passou para o Brasil? AL: [risos] Sim, porque eles no Brasil, faziam também a distribuição de outras editoras, mas acho que desde que começámos em Portugal com o manga, conseguimos abrir as portas com as editoras japonesas e

conseguimos os contactos para os livros serem editados no Brasil. RA: É muito curioso, principalmente que a Devir no Brasil está em São Paulo que é a cidade mais japonesa fora do Japão. Convém explicar que a Devir é uma empresa multinacional. AL: Sim, estamos presentes em vários países. RA: Podes falar um pouco sobre isso? AL: A Devir começou no Brasil no final dos anos 80, começou com a distribuição de comics em inglês e a edição de RPG em Português.


Entrevista A Devir Livraria, empresa mãe, está hoje presente no Brasil, Portugal, Espanha, Itália, América do Sul e Estados Unidos. Nos anos 90 vem para Portugal, e pouco depois dá-se cá o boom das cartas de Pokémon. Um dos três sócios, que estava à frente da Devir em Portugal e gostava muito de banda desenhada, achou interessante ter outro tipo de produtos e começou com a Marvel, os X-Men, o Homem-Aranha, que eram lançados em fascículos. No Brasil [a editora] edita também livros de outras temáticas. RA: Nos manga trabalham diretamente com as editoras japonesas? AL: Trabalhamos principalmente com a Shueisha. No caso da coleção de clássicos Tsuru, são negociados individualmente com quem tem os direitos. RA: Quantos títulos estão a decorrer? AL: Temos 10 séries ativas, das quais estão duas concluídas e 8 on going. Algumas com mais rapidez, outras menos, mas gostaríamos de acompanhar o mais perto possível os lançamentos no Japão, como My Hero Academia e The Promised Neverland. Estamos a acelerar a publicação das outras. A nossa vontade seria acompanharmos as datas de lançamento no Japão, o que é impossível. Tentamos pelo menos acompanhar o ritmo de publicação dos títulos em França ou nos EUA para termos dois ou três livros de diferença, e não o que acontece com algumas das séries. RA: No caso da França e dos EUA até são casos especiais, em que as próprias editoras japonesas têm participação nas editoras desses países, ou até mesmo têm filiais. O que facilita estarem próximos da data de lançamento no Japão. AL: Sem dúvida. Uma das grandes reclamações dos leitores é, que estamos muito atrasados em relação ao Japão. Percebe-se perfeitamente, que quando estão a fazer uma coleção, querem estar em dia. Se houver só a versão japonesa é provável não comprarem por não saberem ler japonês, mas se houver em Inglês, compram em vez de esperar pela edição portuguesa.

Processo de adaptação de páginas. BOKU NO HERO ACADEMIA © 2014 Kohei Horikoshi / SHUEISHA Inc.

RA: E novos títulos? AL: Temos um leque de séries que gostaríamos de ter, muitas destas foram recomendadas pelos leitores que nos contactam, algumas até são séries mais curtas que nos facilitavam a vida.

RA: Como o All you need is Kill? AL: Sim, casos como esse, não estás a colecionar e a pensar que vai terminar daí a anos. Mas neste momento, e também devido à situação económica provocada pelo COVID-19, por não WWW.JANKENPON.PT | 49


Entrevista aumentar o número de leitores, ou crescerem muito pouco, nós temos este entrave. Pensamos “Temos de acabar estas primeiro”, ou concluir uma ou duas, para lançar mais. Os leitores pedem as séries novas, mas se já estiverem a colecionar duas ou três, não colecionam mais. Pelo menos, tem sido a nossa experiência em Portugal. Se criarmos ainda mais séries, vamos aumentando ainda mais o espaço de publicação entre os números. Preferimos não fazer isso. RA: Mas a própria editora japonesa dificulta o lançamento simultâneo em Portugal? AL: Eles não licenceiam logo no princípio, esperam para ver como a série corre, e tentam coordenar o manga com outros aspetos do licenciamento como o lançamento na Europa do anime correspondente. RA: E sempre que vão publicar uma nova edição, também têm de aprovar tudo com eles? AL: Sim. RA: Como decorre todo esse processo? AL: Primeiro que tudo temos de indicar o nosso interesse numa coleção. Fazemos uma proposta à editora, e esperamos a resposta. Com a Shueisha, o processo é relativamente rápido. São empresas muito hierarquizadas, muitas vezes passam por outras que representam os autores. Se forem séries que não são muito importantes para eles, é rápido. Outras, como foi o caso de My Hero Academia demoram mais, porque querem assegurar-se de que o marketing e o trabalho à volta da série sejam adequados à importância da série. Se tudo correr bem, eles aceitam a proposta, fazemos o contrato, pagamos os direitos, enviam- nos os materiais e começamos a trabalhar nos livros. Todos os livros são aprovados um a um. As capas não diferem muito do modelo japonês, têm de ter a colocação dos logótipos e dos nomes muito próxima do que têm no Japão.

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Temos alguma liberdade de adaptar o logótipo da série quando traduzido para português. Eles aprovam, e esta adaptação não é muito complicada. Depois de ter a tradução feita, temos sempre de submeter para aprovação a capa e as primeiras 10 páginas de cada livro, onde estão os copyrights, onde eles veem como as imagens estão a ser tratadas e como os balões de fala estão a ser legendados, para ver se não há enganos. Não é preciso usar o mesmo tipo de letra, mas veem logo se o enquadramento da página está mais ou menos igual ao que está feito no original. Os nomes... a maior parte dos livros têm o início com o nome dos personagens e as descrições. Tudo tem de ser aprovado. Têm extremo cuidado com tudo o que seja a biografia dos autores. Tentamos colocar no início de cada livro uma biografia resumida dos autores e é tudo verificado, dizem logo se há algo a ser corrigido. Só depois de tudo aprovado, podemos imprimir o livro. RA: É um processo moroso. É necessária muita dedicação para conseguir publicar cada livro. AL: É como tudo, não é? É a publicação de um livro, de que nós também gostamos muito. Temos muito cuidado com isso. No Japão as editoras ou agências que licenciam direitos consideram-se responsáveis por defender e fazer respeitar a obra e a imagem do autor, o nosso trabalho faz-se também nesse sentido. Há por vezes fãs a dizer que há gralhas, mas temos muito cuidado com as revisões. Os livros são revistos mais do que uma vez. Às vezes passam coisas, é verdade. E quando acontece o produto final ter um erro qualquer, ficamos muito irritados com esta situação [risos] estivemos ali à volta do livro a ver tudo e depois no final ainda havia alguma coisa que passou. Mas tem de ser assim. Também não editas as coisas, nem as fazes assim às três pancadas. Se tens algum gosto no que fazes, ou se tens algum interesse em que as pessoas aceitem o que fazes tens de ter algum empenho.


Entrevista RA: Em Portugal têm duas linhas editoriais: as edições Shonen e Seinen que costumam custar na ordem dos 10€, e a Tsuru, já dirigida a um público mais adulto, é mais cara. AL: Sabes, cá em Portugal, para um adulto que goste de banda desenhada, é talvez mais fácil comprar uma da coleção Tsuru ou uma novela gráfica que custe mais de 25€. Para os mais jovens é difícil fazerem coleções de livros que custem mais de 10€. Temos todo o cuidado com a edição, com a qualidade do papel e das capas, mas adequamos isto para ter uma edição mais barata para um público mais jovem com menos meios financeiros. Os livros da coleção Tsuru não são fáceis de vender aos leitores mais jovens. O Nonnonba é o mais caro da coleção, é um livro com uma história espetacular, mas tem sido muito difícil as pessoas perceberem isso em termos de retorno financeiro. RA: Mas nas edições mais baratas já fazem a diferenciação na impressão das capas. Têm um toque diferente. AL: Consoante a faixa etária, sim. Quando o Rui Santos, o nosso editor, começou em conversações com a Shueisha para editar as coleções, teve de apresentar, e aprovar, um modelo de livro. Apesar de eles estarem habituados a diferentes modelos — esperam uma certa qualidade nas edições. Em França, por exemplo, os livros têm exatamente o mesmo modelo que no Japão, têm qualidade e não se danificam com facilidade. A certo momento, diferenciámos as coleções que são Shonen como o My Hero Academia, para mais novos, das Seinen como o Tokyo Ghoul, para os jovens adultos. A diferenciação passa pelas capas, que são brilhantes para não se danificarem tanto, nos Shonen. Os Seinen, têm um toque diferente, com capas mate. RA: Como tem sido a resposta do público? Nas redes sociais, e quando vos contactam... AL: Os leitores são muito críticos. Todos os que nos seguem nas redes sociais são por um lado muito simpáticos, continuam a agradecer

pelo nosso trabalho. Gostam mesmo disto, e gostam dos livros, e elogiam o nosso trabalho. Por outro lado, são muito críticos, sempre a reclamar. Mas para nós é óptimo haver os dois lados, fazem-nos continuar a dizer que temos sempre de melhorar. RA: Estando “sozinhos”, salvo seja, a editar autores japoneses de banda desenhada, como está o mercado português neste segmento? AL: Realmente continuamos a ser vistos como a única editora dedicada ao manga, mas somos uma editora pequena. Temos um catálogo grande, mas em termos de resultado final — vendas, o mercado tem crescido lentamente, apesar de acharmos que ainda tem potencial para explorar. Reconheço que fazemos, ou nos esforçamos por fazer um bom trabalho, mas temos que ter alguma modéstia e alguma humildade. Acho que neste momento um dos problemas do mercado português é não haver concorrência. Devia haver mais editoras, que proporcionassem mais variedade de livros, para que as pessoas estivessem mais habituadas a ter disponíveis outras coisas. É verdade que em Portugal as pessoas não leem livros. Leem coisas na Internet, mas não leem livros. Os leitores de banda desenhada que havia há alguns anos, são adultos que continuam a ler o que já liam, comics ou franco-belga, e poucos vão ler este género e não aderem à cultura Pop japonesa. Os mais novos são espetaculares, gostam muito dos livros e aderem, se tivéssemos aqui mais editoras podia melhorar — mas também não sei se o mercado suportava ou se as pessoas iriam ler mais. RA: Seria aqui uma oportunidade para a Devir distribuir os manga de outras editoras? A replicar o que contaste acerca da Devir no Brasil ser distribuidora dos livros de outras editoras? AL: A nossa política neste momento, quer nos livros, quer nos jogos de tabuleiro, é distribuirmos apenas o que editamos. WWW.JANKENPON.PT | 51


Entrevista RA: Desde 2012, há mais pessoas a ler banda desenhada japonesa? AL: Estando a trabalhar neste mercado há oito anos, vemos alguma alteração em termos de resultados, mas é ligeira. O mercado aumenta um bocadinho e retrai-se. Depois acontecem estas coisas, como a pandemia que é terrível para todos. Na altura da crise até 2014, as pessoas continuaram de alguma forma a ler e a comprar objetos de entretenimento, desde que não tivessem preços muito elevados. Os nossos livros são dos que se vendem sempre, são best-sellers que não se extinguem. Apesar da incerteza deste momento, o segredo é bem simples, incentivar à leitura e criar novos leitores, tentar que os mais jovens voltem a gostar de ler, ou incentivá- los à leitura. A banda desenhada é um meio bom para incentivar à leitura, pois é mais fácil do que ler um livro “com muitas letras”. Em Portugal passa mesmo por incentivar à leitura nas escolas e atualizar os currículos para que o que se lê agora seja diferente do que se lia há 30 anos, que é o que se passa neste momento.

RA: O que podemos esperar da Devir nos próximos meses? AL: Em outubro vamos ter o primeiro volume de Death Note: Black Edition, está em gráfica neste momento. E vai sair o One- Punch Man volume 11. Vamos ter uma novela gráfica nova que já está anunciada há algum tempo, vamos lançar As Crónicas da Birmânia de Guy Delisle. Temos outros dois livros dele: Pyongyang que está esgotado e é um best-seller e Shenzhen. Guy Delisle é um autor muito engraçado, esperemos que corra bem. No fim do ano vamos juntar novembro e dezembro, ambos os livros saem no meio de novembro e depois em Dezembro não editamos, pois é dificil colocar os livros à venda. As livrarias estão cheias de livros para o Natal. My Hero Academia 7 e Naruto 36 são os dois livros que encerram os lançamentos de 2020, retomamos na segunda quinzena de janeiro de 2021.

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DEATH NOTE ©2003 by Tsugumi Ohba, Takeshi Obata / SHUEISHA Inc.


Séries

WARNERMEDIA

KIDS por Ricardo Andrade

Os canais temáticos Cartoon Network e Boomerang fizeram a sua habitual apresentação da nova grelha de programação, desta vez em formato online e pela primeira vez sob a bandeira explícita de WarnerMedia Kids.

Com o objetivo de manter “Um humor diferente e de personalidade única”, como indicou na apresentação Ana González, entre as séries de comédia estão em destaque duas novas séries: The Fungies e Elliott From Eath.

A decorrer as alterações estruturais na empresa após a compra da Warner pela AT&T, ambos os canais vão manter a sua postura e aposta na produção de animação. Para além de manter a aposta nos canais, na HBO já podem encontrar alguns dos conteúdos Cartoon Network e onde estarão a estrear mensalmente novas séries e filmes.

The Fungies leva-nos numa viagem à pré-história e especificamente a Fungietown, uma comunidade de cogumelos capazes de trocar os seus membros segundo a sua vontade. O que aparenta ser esquisito, é ainda mais estranho do que imaginam, mas o seu criador Stephen P. Neary conseguiu despertar a nossa curiosidade. Uma coisa é certa não tarda haverá

brinquedos das personagens com todas as customizações possíveis. Ah… e há dinossáurios também. A segunda estreia é uma produção dos estúdios Cartoon Network na europa. Elliott From Earth foi desenvolvido pela equipa de Gumball e sob a batuta do criador da série Guillaume Cassuto. Elliott é um rapaz que foi transportado com a sua mãe para uma estação longínqua no espaço. Sendo ele o alienígena e a criatura estranha terá de se adaptar à sua nova vida. A sua sorte é que há outro habitante oriundo da Terra: o dinossáurio Mo. WWW.JANKENPON.PT | 53


Séries As séries habituais do Cartoon Network continuam com novos episódios como Craig of the Creek, Victor e Valentino e Maçã e Cebolinha, assim como Teen Titans Go, Thundercats Roar e MaoMao. Podem contar com um novo episódio especial de Hora de Aventuras: Terras Distantes – Beemo. Em termos de ação, um dos títulos clássicos continua presente. Ben 10 tem novos episódio e um filme que terá estreia exclusiva no canal. É bem acompanhado por duas séries criadas principalmente as espectadoras: Super Hero Girls e o nosso favorito UniKitty. Mas a WarnerMedia Kids não está apenas com o Cartoon Network. O canal Boomerang pode ser dirigido a um público muito novinho, mas chamou a nossa atenção com a série Mush-Mush & the Mushables, que acompanhada de The Fungies mostra que os cogumelos são uma das tendências “in”, pelo menos na WarnerMedia.

Mush-Mush & the Mushables © 2020 – La Cabane Productions – Thuristar – Cake Entertainment

Uma produção europeia, Mush- Mush & the Mushables é uma série de animação 3D com personagens fofinhos, muito dinâmicos. Ao assistir às sequências que estão disponibilizadas online pelo estúdio de animação cativou-nos o ritmo rápido de montagem. Associado a uma certa inocência faz com que as situações mais simples tragam um sorriso aos nossos lábios. O que faz os mais velhos assistirem ao Boomerang? Os clássicos de animação da Hanna-Barbera e da Warner Bros. estão a ser aqui revitalizados, clássicos como Scooby Doo, os Looney Toons, 54 | WWW.JANKENPON.PT


Séries Os Flintstones e Tom & Jerry. Todos estes com novas séries desenvolvidas em 2019 e que agora chegam ao canal. Deixámos para o fim o que mais gostámos desta apresentação. A nossa série preferida do Cartoon Network estreou em 2018, criada por Daniel Chong, um ex-argumentista de Hora de Aventuras, e feito a partir do seu espetacular webcomic. Estamos a falar de Nós, os Ursos (We Bare Bears) que têm um filme, onde descobrimos como os três ursos foram considerados um problema para a população de São Francisco e fogem para o Canadá onde poderão ser tal e qual como são. A grande surpresa deste filme que a equipa do Cartoon Network revelou é a presença de Filomena Cautela no elenco, como a voz da Vaca Dramática! Literalmente uma vaca e que é muito dramática. A atriz disse, muito entusiasmada, que a “sua” Vaca Dramática terá um papel determinante na viagem dos três ursos. Ainda sem data de estreia confirmada, Nós, os Ursos – o Filme é algo que esperamos assistir brevemente.

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Entrevista

Will Patrick, supervisor de produção de Ben 10 Contra o Universo – O Filme revela-nos um pouco mais desta estreia.

WILL

PATRICK JANKENPON: Qual é a premissa de Ben 10 Contra o Universo – O Filme. Will Patrick: O filme começa quando uma anomalia é detetada em rota de colisão com a Terra. Felizmente, Ben descobre um novo recurso no Omnitrix que lhe permite voar para o espaço e tentar desviá-la. Infelizmente, não é um meteoro qualquer — e é aí que o filme começa. JKP: Quais os novos desafios que Ben enfrentará neste filme? WP: A verdadeira força de Ben vem do apoio que tem da sua família. A melhorforma de aumentar a fasquia, é separá-lo deles, isolando-o no espaço. Nem sempre Ben percebe o quão Gwen e Max são importantes para ele, mas com o retorno de Vilgax à Terra, ele é obrigado a salvá- los. JKP: O que nos pode dizer acerca do vilão do filme? WP: O maior medo de Ben são tentáculos. O vilão Vilgax, que será o vilão mais perigoso que ele alguma vez enfrentou, é feito de tentáculos! Vilgax viaja de planeta em planeta, a conquistá-los e a Terra é apenas o próximo no seu percurso. Também 56 | WWW.JANKENPON.PT

vamos descobrir um pouco mais sobre o passado de Vilgax! JKP: Quais os alienígenas podemos ver no arsenal de Ben? WP: Todos os habituais e talvez alguns novos!

JKP: Qual é a mensagem do filme? WP: A importância de a família estar unida. No filme, Ben é constantemente lembrado de quão importante é cuidar das outras pessoas. Espero que quem veja o filme perceba


Entrevista que todos nós somos igualmente importantes. E claro, o filme também é sobre diversão e derrotar alienígenas maléficos do espaço! JKP: Distinguiram o filme da série? WP: O tom do filme é um pouco mais sério e fizemos algumas referências às séries mais antigas. Ao mesmo tempo, queríamos manter o filme tão divertido quanto a série. Continuamos a fazer piadas e a ter momentos mais leves, mas esta é uma situação mais terrível do que as que temos na série, por isso o filme apresenta-a como tal. Há muito em jogo, e tem muito mais que se lhe diga do que ser apenas mais uma aventura do Ben. JKP: Qual a diferença entre a produção de um filme e de uma série? WP: Com a série, cada episódio é dirigido por uma equipa de duas pessoas. Eles recebem o conceito do que acontece, e fazem com que cada episódio seja único. No filme, temos cinco equipas a trabalhar juntas. Dividimos o filme em secções e cada equipa trabalha numa parte, mas de forma a garantir que todas as partes individuais funcionem bem juntas. É um trabalho de cooperação onde a coordenação destas equipas é muito importante.

JKP: Qual o papel do supervisor de produção no filme e qual é a melhor parte do trabalho? WP: Eu supervisiono os artistas, a direção de arte e a história. Mantenho tudo a andar e bem coordenado. A melhor parte é toda a equipa! Divirto-me imenso com eles, são excelentes pessoas, muito criativas e apaixonadas pelo que fazem. Eu não sou nada sem eles. JKP: A situação atual de pandemia Covid-19 afetou a produção do filme? WP: Sim e não. Quando a quarentena começou, já tínhamos o argumento e

o storyboard final. Portanto, apenas tivemos que realizar a maior parte da montagem e da mistura de som cada um na sua casa, o que foi um pouco complicado. Mas encontrámos uma forma de terminar o filme. JKP: Se fosses um dos alienígenas de Ben 10 para o resto da vida, qual seria e porquê? WP: Acho que seria XLR8 porque poderia fazer muitas coisas. JKP: O que está planeado para Ben 10 depois do filme? WP: Muitas mais aventuras pela frente!

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Gaming

MARVEL’S AVENGERS por Pablo Simas

A primeira vez que ouvi falar do jogo AAA baseado em The Avengers, fiquei intrigado. Os dez anos da primeira vaga do Marvel Cinematic Universe (MCU) tinha acabado e estava desejoso de mais conteúdo, mas as adaptações de IPs conhecidas muitas vezes traduzem-se em jogos deficitários. Os receios foram dissipados e estou rendido a esta representação dos heróis Marvel.

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Gaming

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Gaming Quando assisti ao primeiro trailer, a qualidade dos gráficos convenceram- me, mas algo foi estranho. As personagens não tinham as feições dos atores dos filmes. Foi como estar a ver o trailer de um filme com os duplos dos atores em vez do elenco principal. Através dos vídeos de gameplay o meu interesse foi ampliado e as apresentações Marvel’s Avengers: War Table, deixaram- me completamente rendido. Marvel’s Avengers é um jogo de ação e aventura na terceira pessoa, com elementos de RPG desenvolvido pela Crystal Dynamics e publicado pela Square Enix. Apresenta dois modos principais de jogo, aos quais se adicona o modo Game As a Service. Apesar de logo podermos jogar em modo cooperativo (Avengers Iniciative), partilhando a aventura com outros jogadores, o próprio jogo recomenda que se comece pelo modo campanha (Avengers ReAssembled) de forma a evitar quaisquer spoilers da narrativa.

AVENGERS REASSEMBLE

Por esta altura, já é do conhecimento geral que a história tem início aquando de uma tragédia que ficou conhecida como A-day. Durante uma celebração dedicada aos Avengers em São Francisco, Taskmaster e o seu grupo de mercenários atacam a Golden Gate Bridge. Este ataque é uma armadilha onde os mercenários atacam os Avengers com as armas que Tony Stark desenvolveu para a S.H.I.E.L.D. Começamos a narrativa como Kamala Khan, uma fã que vai à celebração dos Avengers. Quem está familiarizado com os comics sabe que esta é uma das mais populares personagens do momento, Miss Marvel. Ao jogarmos com esta personagem, temos o primeiro contacto com o ambiente criado e com as funcionalidades do jogo. Aquando do ataque à celebração, passamos a jogar com os Avengers, transitando de personagem para personagem de forma a conhecer os seus ataques, e o modo de jogar com cada um. Esta etapa não tem um final feliz. O ataque causa um enorme desastre 60 | WWW.JANKENPON.PT


Gaming que culmina com a morte do Capitão América e com a infeção de um número elevado de civis, que desenvolvem superpoderes e ficam conhecidos como Inhumans. O grosso da opinião pública vê este dia como culpa dos Avengers, causando o fim da equipa, seguindo cada um, o seu caminho. Kamala Khan é uma das civis que é contaminada, ganhando poderes extraordinários. Mas o mais forte nela é a crença que os Avengers são inocentes e que tem que fazer alguma coisa para os ajudar. Foge de casa e percorre os EUA, à procura dos Avengers para reunir a equipa e recuperar o mundo das garras sinistras da A.I.M. e Modok, os verdadeiros vilões da história. Kamala Khan é o centro e o coração da história, permite-nos explorar o lado mais privado da relação entre os membros dos Avengers. Mas não é uma mera espetadora. Com os seus poderes inumanos, torna-se uma verdadeira guerreira, mas é também a healer do grupo). Considerando o que faz durante o jogo, tem tudo para se tornar um dos membros mais poderosos do grupo. A história é extremamente cinematográfica, com momentos de grandes emoções e contrabalançando os momentos mais “parados” de desenvolvimento de personagens, com as intensas sequências de ação. Os atores fizeram um bom trabalho a dar vida às personagens, o elenco conta com vozes bastante conhecidas no mundo dos videojogos, como Troy Baker a voz de Bruce Banner (Joel em The Last of Us), Laura Bailey a voz de Black Widow (Abby em The Last of Us 2) e Nolan North a voz de Tony Stark/Iron Man (Natham Drake em Uncharted). Ao adicionar a jogabilidade criada a esta equação, o resultado é extremamente incrível. Todos os heróis partilham o mesmo esquema de controles, mas isso não os impede de terem estilos únicos de combate que refletem as suas personalidades. A título de exemplo, ao jogar com o Thor, sempre que acertamos em alguém com o martelo Mjolnir, a combinação de vibração do comando e do som metálico cria uma sensação WWW.JANKENPON.PT | 61


Gaming bastante satisfatória de impacto. Quando estamos cercados por inimigos, ao invocar relâmpagos com a habilidade especial God Blast, cria um espetáculo visual digno do verdadeiro deus do trovão. Ao jogar com o Hulk, temos uma experiência completamente diferente. O chão treme enquanto caminha devido ao seu peso. Ao bater uma palma da mão na outra, com o seu ultimate, podemos utilizar a sua força bruta para criar uma onda de impacto super destrutiva. Em alguns casos, conseguimos levantar bosses e arremessá-los pondo um ponto final imediato ao conflito. Ao programarem a Black Widow tiveram uma aproximação mais elegante e secreta. Pode ficar invisível e esgueira-se pelo campo de batalha. Em combate recorre a golpes rápidos e acrobáticos para eliminar os adversários. O Iron Man tem à sua disposição um arsenal tecnológico que vai desde mísseis teleguiados, repulsores até lasers. Quando nada resolve o problema, pode invocar a armadura Hulkbuster para trabalhos mais pesados. E por último e não menos importante, Kamala Khan! A Miss Marvel usa a sua elasticidade para causar o caos entre as fileiras inimigas. Ela pode repelir ataques físicos, ficar gigante,

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Gaming interromper ataques inimigos ao alongar os seus membros para os afastar ou aproximar. De notar que é o único membro que possui uma habilidade especial capaz de curar os danos sofridos por toda a equipa. Devido à grande variedade de estilos foi-me difícil encontrar um personagem favorito para jogar.

AVENGERS INITIATIVE

Felizmente, o fim da história não é o fim do jogo. Neste modo começamos à caça aos melhores equipamentos para tornar os nossos heróis mais fortes. E claro, ajudar os nossos aliados da S.H.I.E.L.D. e da Inhuman Resistance a reconstruirem tudo o que perderam durante o reinado da A.I.M.. Neste modo, podemos participar em diferentes tipos de missões, como Drop Zones (missões curtas com um único objetivo, como defender aliados), HIVES (desafios estilo tower defense em que a dificuldade aumenta à medida que avançamos). Destas algumas são periódicas. Cada missão tem quatro níveis de desafio (challenge level) indicados pelos números I, II, III e IV que podem ser alterados antes de cada missão começar. Isto influencía quer a dificuldade dos inimigos, quer nas recompensas a receber. No inicio da missão, o próprio jogo recomenda um power level para aceder à missão. Este é determinado pelo equipamento que tem, e serve de indicador da capacidade ofensiva e defensiva. Caso não tenha o necessário terá de se equipar de acordo com o requisitado. Enquanto derrotamos hordas de inimigos e completamos diferentes objetivos presentes em cada missão, ganhamos experiência que serve para aumentar o nível de cada personagem e desbloquear novas habilidades.

GAMES AS A SERVICE

A Crystal Dynamic e a Square Enix têm planos de continuar a expandir o Marvel Avengers, tanto em personagens jogáveis como em conteúdo de história sem custos adicionais. Mas em troca, o jogo tem uma loja incorporada, denominada de Marketplace, onde é possível adquirir skins, emotes, nameplates e animações

novas para os finisher moves por diferentes preços. Utiliza uma moeda premium própria que é vendida em packs que custam 4.99€ (500 creditos), 19.99€ (2.000 creditos), 49.99€ (5.000) e 99.99€ (10.000) A qualidade dos skins varia entre simples ajustes como mudar de Hulk verde para Hulk azul e há outras que alteram por completo o personagem como mudar de Hulk verde para um Hulk de fato e gravata — lembram-se dos comics por Todd McFarlane em que o Hulk se disfarçou com o nome de Joe Fixit? Cada uma das personagens iniciais também possui uma lista de missões individuais, cuja conclusão permite desbloquear recompensas como a moeda premium, fatos, recursos entre outras. WWW.JANKENPON.PT | 63


Gaming IDEIAS FINAIS

Jogar Marvel’s Avengers na PS4 Pro tem sido, sem sombra de dúvida, uma experiência agradável e com ainda imenso potencial para melhorar. Não só corrigir alguns bugs visuais que ocorreram, como encontrar uma cabeça flutuante do Iron Man, mas também a diminuição do rácio de fotogramas quando há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, como explosões e vários inimigos. No entanto, nada disto impede o progresso do jogo. Os preços praticados no cash shop são elevados, mas felizmente o jogo permite desbloquear vários cosméticos sem custo adicional. Agrada-me imenso o facto de que todo conteúdo adicional que será lançado, como novas personagens e histórias, seja grátis. Mal posso esperar para jogar com Kate Bishop, que será a primeira personagem adicional a ser lançada com conteúdo adicional à história.

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LEGO EXPO

®

por Maísa Reis

2020 levou ao Porto a que é considerada a maior exposição europeia de modelos em LEGO. Abrirá as portas ao público a 24 de outubro no espaço da Cordoaria Nacional, em Lisboa.

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Exposição

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Exposição

quadrados necessários para levar a cabo este projeto. Por outro lado, também podem estar a referir- se aos milhões de peças de Lego utilizadas na exposição. Só o Titanic foi construído utilizando mais de quinhentas mil peças!

Se a maqueta à escala do Titanic com 11 metros de comprimento e 3 metros de altura não vos convence a visitar esta exposição, então talvez outro dos muitos destaques das três áreas principais conseguirão convencer-vos. Quando dizem ser a maior exposição, estão a falar, logo em primeiro lugar, dos 2000 metros

É difícil dizer o que mais nos chamou a atenção nesta exposição. Por um lado, temos os temas mais “reais” como as maquetas de desportistas, por outro temos os tópicos mais geek como Star Wars. O principal é a diversidade de temas que se dividem nas diversas secções. UM TOQUE REALISTA… Logo aqui temos em primeiro lugar as maquetas de reconhecidos desportistas, mesmo que alguns, como Martina Navrátilová, só serão reconhecidos pelos adultos. Para além desta excelente tenista, temos Marcin Grotat da NBA, e Robert Lewandowski, reconhecido como WWW.JANKENPON.PT | 69


Exposição

o melhor jogador do mundo em 2020. No entanto, há uma figura que se sobrepõe (literalmente) a todas estas: o homem mais alto do mundo, Robert Wadlow, com os seus 2 metros e 72 centímetros de altura, toda feita em Lego e em tamanho real. Para além disso podem ver instrumentos musicais, reproduções de edifícios conhecidos e até uma visita ao corpo humano e os aos seus órgãos. Uma forma diferente de experimentar a nossa biologia. … E OUTRO DE IMAGINAÇÃO Esta é a área onde sentimos bem a presença de todo o imaginário que tem preenchido a última década. Da nossa parte, as naves e reproduções de cenas de Star Wars captaram toda a nossa atenção, mas não ficámos 70 | WWW.JANKENPON.PT


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indiferentes pela ampla representação da cultura pop no local. Esta inclui desde as batalhas de O Senhor dos Anéis até aos super-heróis da Marvel. Capitão América e Thor estão presentes no suposto tamanho real destes senhores. Se preferirem a comédia, há espaço também para os Smurfs, muito fofos e queridos como não poderiam deixar de ser. FAÇA VOCÊ MESMO Caso ver tantas construções vos faça querer criar algo vosso, têm o Fun Park à vossa disposição. Um espaço composto por mesas com peças, onde os visitantes podem fazer as suas próprias construções. Pela situação atual da pandemia, esta área tem regras muito rígidas, pelo que ao se aventurarem aqui, terão de as cumprir em prol da vossa segurança e de todos os visitantes. Trata-se de uma exposição que recomendamos visitar no final de outubro, quando abrir as portas ao público em Lisboa. Uma exposição para todos, e não só para quem aprecia construções em Lego. 72 | WWW.JANKENPON.PT


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Jankenpon Rewind #2  

Série especial de edições online e gratuitas onde revisitamos algumas das bandas desenhadas que publicámos ao longo de 17 números do jornal...

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