Issuu on Google+


Villas Guarani M’bya Tenonde Porã


Copyright © J. Andrade Todos os direitos reservados – All rights reserved - Ejavi direito oĩ Projeto e Coordenação Editorial / Publisher / Editorial Tembiapo Renonde Kuery: Agência Ambiental Pick-upau Fotos / Photos / Ta’angaa: J. Andrade Assistente de Fotografia / Photographic Assistant / Ta’angaa Pytyvoã: Wilson Mahana Projeto Gráfico / Graphic Design / Tembiapo Gráfico: Morphina design Ilustração / Illustra on / Ta’angaa: Marilia Vazquez Aun Versão em Inglês / English Version / Inglês pygua: Heloisa Candia Hollnagel Versão em Guarani / Guarani Version / Guarani Pygua: Jera Guarani Revisão de Texto / Proofreading / Kuaxia Para re Oma’ẽ va’e: Agência Ambiental Pick-upau Produção Execu va / Execu ve Produc on: FEMA/SVMA Coordenação Geral / Overall Coordina on / Tenonde Regua: Andrea Nascimento Impressão / Printed by / Ojeapo: Gráfica AZ - São Paulo Primeira Edição / First Edi on / Onhemopyrũ Ramo


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP. Brasil)

Andrade, J. Villas – Guarani M’Bya – Tenonde Porã · J. Andrade; tradução/transla on: Heloisa Candia Hollnagel e Jera Guarani – São Paulo: Agência Ambiental Pick-upau, 2010. ISBN: 00-0000-000-0 Edição: português/inglês/guarani. 1. Indígenas – Fotografias 2. Indígenas – Brasil – I. Guarani M’bya – Cultura Tradicional II. Título. III. Título: Villas – Guarani M’Bya – Tenonde Porã

00-0

CDD-000.0000000

Índice para Catálogo sistemá co: 1. Indígenas – Fotografias 2. Indígenas – Brasil – Guarani M’bya

000.0000000 000.0000000

A ragem desta publicação tem suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), com ênfase no dióxido de carbono (CO2), neutralizadas. A neutralização envolve o inventário de suas emissões no ciclo da produção da primeira ragem ins tucional deste livro e o plan o e manutenção de mudas de árvores na vas da Mata Atlân ca correspondentes a sua compensação – e pode ser encontrado na íntegra em www.atmosfera.org.br This publica on has been neutralized considering the emission of GHG (Greenhouse Gases), mainly the carbon dioxide (CO2), due to its produc on. The neutraliza on of this first edi on process included an inventory of its emissions and further plan ng and maintenance of na ve Rain Forest tree’s species, more details could be found in www.atmosfera.org.br.

3


J. Andrade

Villas Guarani M’bya Tenonde Porã

São Paulo, Brasil – 2010 4


“Que todas as estações sejam outono.” “Of all seasons, forever autumn” “Tove ke estações ejavi toi outono rami.”

5


6


Prefácio “Não acredito em prefácios e não gosto de prefácios”, prognos cou certa vez a escritora Rachel de Queiroz. “Se o livro é ruim o prefácio não adianta e se o livro é bom o prefácio é uma excrescência”, observou a imortal, com muita propriedade. Mas neste caso, como me sinto um velho amigo e testemunha ocular dos méritos do autor, um verdadeiro apaixonado pela Natureza, creio que não estou fazendo prefácio, apenas dizendo ao leitor que você encontrará, neste livro, flagrantes admiráveis de observação e verdade, retratados em 63 fotos em preto-e-branco. Uma verdadeira evocação do vigor e graça da nação Guarani. Um testemunho de sua gente, em nosso tempo. A primeira impressão que ve foi o cheiro de terra que o livro traz, mostrando a integridade primi va dos que lidam com a floresta, com os rios, com os animais. Um repositório dos costumes e tradições man das a duras penas pelos integrantes da aldeia Tenonde Porã, encravada num pequeno pedaço do que sobrou da nossa floresta original, no extremo sul da cidade de São Paulo. É a revelação de um observador atento. Um verdadeiro Apoena, na linguagem tupi-guarani. Aquele que enxerga longe. Este livro “VILLAS” - em referência aos irmãos Villas Boas - é, sem dúvida, mais uma importante contribuição para enxergarmos com mais atenção o que esses povos ainda podem nos ensinar, para preservarmos os 7% de remanescentes da Mata Atlân ca que ainda restam no país, desde que os primeiros europeus aqui aportaram, em 1500. A cultura guarani, nação originária do Paraná e de boa parte do Brasil, e que já se estende a outros países, como Bolívia, Paraguai, Argen na e Uruguai, resiste há anos de devastação e hoje é passada de geração a geração como um grito que teima em não se perder no esquecimento da indústria cultural. Os mais novos, ao contrário dos antepassados, crescem convivendo com os ensinamentos do não índio (Juruá) e fazem desta convivência uma arma de resistência. Daí a importância do Projeto Refazenda, retratado nesta publicação. O principal tesouro da aldeia, as crianças, receberam atenção especial e aparecem com destaque neste livro. Elas são o principal alvo para a con nuidade da cultura da nação na aldeia. A comida pica, a dança, o artesanato, mesmo com traços presentes da cultura ocidental, ainda são marcantes nos costumes tradicionais. O Povo Guarani con nua sua história e heróica luta de unificação da Grande Nação Guarani e recuperação e garan a de parte de seus territórios tradicionais. Indígenas que nos ensinam como proteger as matas e gerar uma irmandade mais profunda do que a nossa sociedade conseguiu construir. Anauê guarani (Salve guerreiro). Renato Alonso Carneiro

7


Preface “I do not believe in and also do not like forewords,” predicted once the writer Rachel de Queiroz. “If the book is bad is not worth to have it and if the book is good, the preface is an excrescence,” said the immortal with much property. But in this case, I feel like an old friend and eyewitness to the merits of the Plain ff, someone that has a genuine love for nature. I’m not doing preface, just telling the reader what you’ll find in this book, admirable snapshots of the reality, portrayed in 63 pictures in black and white. A true evoca on of the force and grace of the Guarani na on. A tes mony of his people and values, in our me. The first impression I had was the smell of land that the book brings, showing the integrity of those ones that live surrounded by forest, rivers and animals. A true repository of customs and tradi ons hardly kept by the members of the village Tenonde Porã stuck in a small piece of what is le of our original forest, in the southern area of Sao Paulo. It is the revela on of an a en ve observer. A true Apoena in Tupi-Guarani language “One that can see far”. This book “VILLAS - in reference to the Villas Boas brothers - is undoubtedly another important contribu on to see things with more a en on, perceiving what this people can s ll teach us, in order to reinforce the preserva on of the 7% of the Atlan c Forest biome le in its natural state in the country, comparing to its original area since the first Europeans arrived here in 1500. The Guarani na on, na ve of Parana and much of Brazil, which is spread also to other countries, like Bolivia, Paraguay, Argen na and Uruguay, withstands years of devasta on. This culture is passed on from genera on to genera on, like a cry that s ll does not get lost in the oblivion of the cultural industry. The youngest, unlike the ancestors, grow within a nonIndian (Juruá) influence and make of this coexistence an act of resistance. For this reason, the importance of Refazenda Project, pictured in this publica on, is to show this dilemma in a proper way. To one of the most important treasures of the village, the children, was given special a en on and they are prominently featured in this book, considering its role for the con nuity of the na on’s culture in the village. The typical food, dance, cra s, even with some traces of Western culture, are s ll makeable done in the tradi onal ways. The Guarani People con nue its history and heroic struggle for the unifica on of the Great Na on Guarani and the recovery and maintenance of part of their tradi onal territories. Indigenous people can teach us how to protect the forest and to create a brotherhood deeper than our society has ever built. Anauê guarani (Hail Warrior). Renato Alonso Carneiro

8


Prefácio “Ndaroviai prefácio ha’e ndayvui prefácio”, he’i peteigue kuaxia mboparaa Rachel de Queiroz”. “Kuaxia para na’iporai ramo ndovarei, kuaxia para iporã ramo prefácio rive ndoupityi avi”, ha’e rami ha’e oexa, oikuaa ete reve. Va’eri kova’e py ma, xeiru yma guare ramo ojapoa re, ha’e ka’aguy rovapy re onhemomby’a ete va’e, arovia prefácio e’y ajapo, amombe’u rive peroayvu va’erã pe, kova’e kuaxia para re, anhetegua ha’e jaexaxe vai va’e, ojekua ta 63 ta’angaa re xiĩha’e huũ va’e re. Peteĩ anhetegua mbaraete nhande kuery Guarani. Ojekuaa ha’e kuery, ay jaikoa re. Aendu ypy va’e ma ko yvy reakuã kuaxia para oguerua, há’e va’e oejauka anheteguaa rupi omba’eapoa ko ka’aguy rovapy re omba’eapo va’e, yy reve, mba’emo ra’y reve. Peteĩ mba’e mbaraete ko nhande kuery reko pygua oime va’e Tenonde Porã pyguakuery re, kyri’ĩ rembyre va’ekue pe ka’aguyete va’ekue gui, ko extremo sul tetã São Paulo re. Peteĩ anhetegua rupi oejaa rupigua. Peteĩ anhetegua Apoena, tupi-guarani ayvu py. Pe oexa mombyry va’e. Kova’e kuaxia para “Villas”- joegua Villas Boas – apu rupi e’y, peteĩgue ju jaexa água mamo rupi pa nhande kuery ikuai va’e nhanembo’e, 7% ka’aguy rovapy rive’i ma hembyre va’e re jareko va’e re nhama’ena água jaikoa regua re, Juruá kuery ouypy rire guive apy 1500 py. Guarani reko, Paraná pygua Brasil py heta, ha’egui ikuai avi, amboae rupi, Bolívia, Paraguai, Argen na ha’e Uruguai py, hare ma’ety re ma ikuai ha’egui onhembovare okuapy ndaexarai aguã ngoeko gui. Ipyau kueve ma, amboae rami, okakuaa oje’oi Juruá kuery reko rupi avi, ha’e rami vy teĩ imbaraete. Ha’e ramia py tembiapo Refazenda ovare ovy, kova’e tembiapo py. Pavegui ovareve va’e ma kyringue, ha’ekuery ojekua porãve kuaxia para re. Ha’ekuery re ae ma ojevare nhande reko arandu ndopai aguã tekoa py. Tembi’u ete’i, jeroky, mba’emo para, amongue py Jurua mba’e reve rei oje’a tei ae, imbaraete teri nhanemba’e. Nhande kuery Guarani ojekua teri nhemombe’ua re, imbaraete peteĩ rami, oepy ngoeko’i rã arandu reve. Nhande kuery nhanembo’e mba’exa pa jarekokuaa rã ka’aguy rovapy, jajoguereko pora’i água petei mby’a re, nhandegui ikuai kuaave. Anauê guarani

Renato Alonso Carneiro

9


10


11


12


13


14


15


16


17


18


19


20


21


22


23


24


25


26


27


28


29


30


31


32


33


34


35


36


37


38


39


40


41


42


43


44


45


46


47


48


49


50


51


52


53


54


55


56


57


Projeto Refazenda O Refazenda é um projeto ins tucional da Agência Ambiental Pick-upau que mostra uma estratégia inovadora de contribuição para o desenvolvimento sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental em comunidades tradicionais. Seu principal obje vo é a produção e comercialização de mudas de espécies arbóreas na vas da Mata Atlân ca e produtos florestais relacionados. Para a consecução deste obje vo, foi implantado na Terra Indígena Tenonde Porã, um Viveiro Florestal, com capacidade de produzir 50.000 mudas anuais, onde o plan o de sementes e o acompanhamento do desenvolvimento das mudas são realizados exclusivamente pelos indígenas, integrantes desta comunidade que par ciparam de oficinas de capacitação. As sementes que dão origem às mudas são coletadas pelos próprios guaranis na área do entorno da aldeia, em matrizes definidas conforme legislação vigente ou adquiridas de ins tuições credenciadas, assegurando a procedência e a diversidade gené ca das plantas produzidas no viveiro do Projeto Refazenda. Financiado pelo Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA), da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA/PMSP) e em parceria com a comunidade indígena, que vive em Parelheiros (na Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos), o Refazenda gera, além da renda, a valorização do conhecimento tradicional, a apropriação de novas técnicas agriculturais e o fortalecimento das lideranças locais. Além de beneficiar diretamente famílias indígenas, a produção deste viveiro atende uma demanda crescente de mudas de espécies arbóreas na vas e contribui para a mi gação do Aquecimento Global. Pretende-se que o Projeto Refazenda Unidade Tenonde Porã seja capaz de criar um novo paradigma nesta comunidade e nas estratégias de produção florestal e, portanto, seja no futuro replicado em outros locais. www.refazenda.org.br

58


Refazenda Project The Refazenda is an ins tu onal project of the Environmental Agency Pick-upau that shows an innova ve contribu on to sustainable development in tradi onal communi es considering the economical, social and environmental aspects. Its main objec ve is the produc on and merchandising of na ve Atlan c Rainforest tree species and its related products. To achieve this goal, a Nursery with capacity to produce 50,000 seedlings annually was installed in the Indian Land Tenonde Pora, whose plan ng of seeds and every step of monitoring the development of seedlings are performed exclusively by the Indians, members of this community who par cipated in workshops training. The seeds that give rise to seedlings are collected by the Guarani themselves in the area surrounding the village, in some called “Matrix trees� (georreferencied) or acquired from endorsed ins tu ons, ensuring the origin and gene c diversity of plants grown in the Refazenda Project’s nursery. Supported by the Special Fund for the Environment and Sustainable Development (FEMA), of the Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA / PMSP) and in partnership with the indigenous community, who lives in Parelheiros (Environmental Protec on Area Capivari-Monos), the Refazenda generates, besides income, enhancement of tradi onal knowledge, ownership of new agricultural techniques and empowerment of local leaders. In addi on to directly benefit Indian families, the produc on of this nursery meets a growing demand for seedlings of na ve tree species and contributes to the mi ga on of global warming. It is intended that the Refazenda Project - Unity Tenonde Pora will be able to create a new paradigm in this community and in the strategies for forest produc on and, therefore in future, could be replicated elsewhere.

www.refazenda.org.br

59


Tembiapo Refazenda Refazenda ma petei tembiapo ka’aguy regua Pick-upau oexauka peteĩ tape pyau, ko oipytyvõ aguã mba’emo ko sustentável, pe aspectos econômicos, tekove pe ha’e ka’aguy regua pe. tekove teko oguereko va’e pe. Ha’e kuery ojapove va’e ma ojejapo ha’e onhevende yvyra’i ra’y’i Ka’aguy Rovapy regua guigua, ha’e amboae-ae hexegua. Kova’e tembiapo ojejapo aguã ma, onhepyru tekoa Tenonde Porã py peteĩ Yvyra Ra’y’i’ Rupa, ko Ka’aguy Rovapy guigua, ha’e va’e py ma ha’eve ojejapo aguã 50.000.00 yvyra r’y’i ma’ety nhavõ, ha’e py ma ha’yĩgue onhenhotya re, onhemonhaa re ha’e henhoia re nhande kuery meme onhangareko, ha’e kova’e rupi ikuai va’e. Ha’yigue onhenhoty va’e’rã ma Guarani kuery ae omono’õ tekoa yvyrygui, matriz ojekua va’e legislação ojekua va’e rami, ha’e ins tuição joupivegua onhangarekoete ko joegua-egua gene ca regua, yvyra-vyra’i Yvyra Ra’y’i Rupa py tembiapo Refazenda ojapo va’ekue. Kova’e ojejou Fundo Especial ha’e Meio Ambiente ha’e Desenvolvimento Sustentável (FEMA), Secretaria do Verde ha’egui Meio Ambiente (SVMA/PMSP) nhande kuery reve, Perelheiros ikuai va’e (Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos) pygua, Refazenda ma ojapo mboae-ae avi, perata’i ojou aguã ha’egui arandu pygua onhemombaraete ve aguã. Técnicas pyau-au ma’etỹ regua uvixa ikuai va’e imbaraete aguã rupi avi. Kova’e manhande kuery pe ojapo pora ve, apy yvyra ra’y’i rupa gui py ikuai va’e, Ka’aguy Rovapy pygua, oipytyvõ avi ko yvy haku raxaa pe. Tembiapo Refazenda ma onhemoenonde – Peteĩ mba’e Tenonde Porã tojapo peteĩ mba’e pyau paradigma kova’e kuery pe, ha’e peteĩ-teĩ, tenonde re onhemonhave aguã amboae-ae katy.

www.refazenda.org.br

60


Aldeia Tenonde Porã A aldeia Tenonde Porã, que já foi denominada “Vila Guarani” e “Morro da Saudade” nos anos 70 e 80, está situada no município de São Paulo, com grande parte da área indígena às margens da represa Billings. A comunidade Guarani Mbya possui apenas cerca de 30 hectares, demarcados e homologados em 1987, quando o numero de famílias (em torno de 60) era muito inferior ao atual: 170 famílias com cerca de 900 pessoas. Com o crescimento acelerado e desordenado da região e também com mais famílias Guarani, a terra indígena se encontra em processo de ampliação. O maior número de núcleos familiares que moram atualmente na aldeia aumenta as dificuldades referentes às prá cas tradicionais, tais como a falta de áreas para plan o, caça, pesca e construções de casas picas. Contudo, a população desde longa data, mesmo após os primeiros contatos com a sociedade do entorno, vem se assegurando como um povo com conhecimentos milenares, passando por gerações através da oralidade dos mais velhos. É fato que todos na aldeia mantêm a sua língua materna, e inclusive existem pessoas que não se comunicam na língua portuguesa. Anualmente a comunidade realiza rituais de consagrações para os nomes Guaranis, para Erva Mate e Milho na “Opy”, lugar sagrado e onde todas as tardes as pessoas se reúnem para cantar, dançar e assim, interagindo uns com os outros, se fortalecerem espiritualmente. Periodicamente acontecem reuniões gerais, “Nhemboaty Guaxu”, quando são compar lhados os problemas internos para que as lideranças e comunidade reflitam cole vamente para buscar a solução. Nos úl mos dez anos a comunidade foi beneficiada com a implantação do CECI – Centro de Educação e Cultura Indígena (municipal), para crianças até 5 anos, dando ênfase a cultura Guarani nas suas a vidades; a Escola Estadual Indígena Guarani Gwyra Pepó, do ensino fundamental até o médio com docentes Guarani e não-guarani; o Posto de Saúde “Vera Poty”, man do pela FUNASA – Fundação Nacional de Saúde, com funcionários Guaranis e equipe médica não-guarani. Nesses espaços, Escola, Posto de Saúde e CECI existem uma pequena parte de pessoas da comunidade empregada com salário mensal, mas a maioria não compar lha da mesma realidade e tentam sobreviver com a venda de artesanato. Não obstante, as pessoas da aldeia vêm lutando para sobreviver e dar con nuidade à sabedoria de seus antepassados que também lutaram bravamente por suas vidas e por sua cultura.

61


Tenonde Porã Village The Tenonde Porã village, named “Vila Guarani” and “Morro da Saudade” in the ‘70s and ‘80s, is located in Sao Paulo with most of the indigenous area on the banks of the Billings dam. The Guarani community M’bya has only about 30 hectares, demarcated and ra fied in 1987, when the number of families (around 60) was much lower than current one: 170 families with about 900 people. Because of the accelerated and disorderly growth in the region and the increase of Guarani’s numbers, the indigenous land is in the process of expansion. The largest number of households that currently reside in the village increases the difficul es related to tradi onal prac ces such as lack of land for farming, hun ng, fishing and house building. However even a er the first contacts with the society around them, the folk tradi ons have been passed down through genera ons mainly by the oral language of their elders. It is fact that everyone in the village speaks their mother language, and there are even people who do not communicate in Portuguese. Every year the community holds rituals of consecra on for the Guarani’s names, for Mate and for Corn in the “Opy” sacred place, where every evening people gather to sing, dance and throughout the process of interac on become spiritually stronger. Mee ngs “Nhemboaty Guaxu” occurs periodically, when the internal problems are shared and the leaders and community members might reflect collec vely to seek a solu on. Over the past ten years the community has benefited from the implementa on of the CECI - Centre for Indigenous Culture and Educa on (municipal), for children up to five years, emphasizing the Guarani culture in its ac vi es; the State School Indigenous Guarani Gwyra Pepó of elementary school to the high school with Guarani and non-Guarani teachers and the Health Unit “Vera Poty,” maintained by FUNASA - Na onal Health Founda on, with Guarani officials and non-Guarani medical staff. In all these spaces, School, Health Unit and CECI one can see that only a small part of the community is employed and receive a monthly salary and most of the families try to make a living by selling handicra s. Nevertheless, the villagers are struggling to survive and con nue wisdom of their ancestors who also fought bravely for their lives and their culture.

62


Tekoa Tenonde Porã Tekoa Tenonde Porã ma “Vila Guarani” ha’e “Morro da Saudade” rami avi hery raka’e, yma 70 ha’e 80 rupi. Hae ma tekoa ma opyta município São Paulo py, ha’e tekoa ma opyta ko yakã Billings hyvy’iry. Nhande kuery rekoa ma ojejopy raka’e 30 hectares rive’i 1987 jave, ha’e jave ma (60 nhande kuery ikuai), aya rami e’y, 170 famílias ikuai tekove kuery 900 ra’andavy ikuai. Tekoa yvy rupi heta va’e kuery onhemonhave ha’e nhande kuery voi, ha’e va’e rupi ma oi tembiapo yvy onhembotuvixve aguã. Aỹ nhande kuery pe nda’eveive va’e ma ko yvy mba’emo onhenhoty aguã nda’ipoia, ojeporaka aguã, ojopoi aguã ha’e oo ete’i ojejapo aguã. Rã jepe nhande kuery hare makue rire teĩ ae ko ha’e va’e kuery reve, oguereko teri teko arandu regua, tujakueve omboaxa eravy mba’emo arandu ipyau kueve pe, ha’e rami ay peve oiko teri ayvu ete’i, ikuai teri nhande jurua ayvu nda’ijauvui va’e. Ma’etỹ nhavõ nhande kuery ojapo Nhemongarai tery onhemonhendu aguã, Ka’a’i, Ei Mbojape Opy re meme, ha’e Opy re ae ma ka’aru nhavõ pave ojereroike oporai aguã, ojeroky aguã ha’e joe-joe’i ikuai aguã, imbaraete okuapy aguã. Amonguemongue’i py oi avi “nhemboaty guaxu”, ha’e va’e py ma uvuxa kuery omoi nhande kuery pe mba’emo nda’evei reia, ha’e va’e py joupive onhemomby’a aguã ogueraa aguã avea rupi. Dez ma’etỹ guikue ma tekoa py ojejou oi poraã, CECI- Centro de Educação e Cultura Indígena (municípal), kyringue 5 ma’etỹ peve gua, ha’e va’e py omombaraete teko arandu omb’eapoa py, oĩ avi Escola Estadual Indígena Guarani Guyra Pepó, ha’e py ma oĩ ensino fundamental ha’egui médio, nhombo’ea kuery jurua ha’egui nhande kuery ikuai; posto de saúde “Vera Poty”, ha’e va’ere ma Funasa – Fundação Nacional de Saúde opena, ha’e py voi omba’eapo jurua ha’egui guarani kuery. Ha’e va’e py, Escola, Posto de Saúde ha’e Ceci py ma ikuai mboapy’i nhande kuery perata’i jaxy nhavõ ojopy’i va’e, va’eri hetave va’e ma ndoguerekoi, ha’evy ikuai’i tagua’u okuapy, mba’emo para vendea’i rupi. Ndoupitypai avi ta’vy ikuai porã’ĩ aguã, rã jepe ha’e kuery onhemombaraete pota’i okuapy oo mava’ekue-ekue’i arandu oexa va’ekue, ha’e onhemombaraete avi oiko’i aguã ngoete ha’e o’arandu reve.

63


Fotógrafo / Photographer / Ta’angaa J. Andrade, paulistano, nascido em 1976, fotografou para revistas de turismo de 2002 a 2003, publicando cerca de 150 fotos de natureza neste período. Trabalhou como repórter fotográfico em 2004 para várias revistas em São Paulo, autor da coluna da Revista EcolBrasil, desde então é fotógrafo independente. É responsável pela editoria de fotografia do Portal Pick-upau – Central de Educação e Jornalismo Ambiental (www.pick-upau.org.br), desde 2001. No início dos anos 2000 par cipou de diversas expedições fotográficas por inúmeros estados brasileiros. Entre 2007 e 2010 estreou diversas exposições em Shoppings, Estações de Metrô e parques em São Paulo. Deixou a arquitetura defini vamente em 2006 e dedica-se preferencialmente a fotografia de vida selvagem. J. Andrade was born in Sao Paulo in 1976. He photographed for travel magazines from 2002 to 2003, publishing more than 150 pictures of nature in this period. In 2004 he worked as a photographer for several magazines in Sao Paulo and was the author of the column’s Visão Ecológica (Ecological Vision) of Revista EcolBrasil. Nowadays he works as freelance photographer and since 2001 he is responsible for publishing and displaying photographs of the Pick-upau Portal - Educa on Center and Environmental Journalism (www.pick-upau.org.br) web site. In the early 2000s par cipated in many photographic expedi ons by several Brazilian states. He opened numerous exhibi ons in shopping malls, parks and subway sta ons in Sao Paulo between 2007 and 2010. Definitely le the architecture in 2006 and is dedicated mainly to wildlife photography nowadays. J´. Andrade, Paulista, oiko raka’e 1976 py, ta’angaa mboia kuaxia para pe 2002 ha’e 2003 peve, oguerojeapo 150 ta’angaa ka’aguy reguaha’e jave. Omba’eapo ta’angaa mboia repórter rami 2004 jave, heta kuaxia paraa poa pe São Paulo pygua pe, ha’e ojapo coluna visão Ecológica kuaxia paraa poa Ecol-Brasil pe, ha’egui rire guive omba’eapo ojeupe ae. Ha’e ae ma opena Editora Ta’angaa regua Portal Pick-upau – Central Nhembo’ea regua ha’e jornalismo ka’aguy regua (www.pick-upau. org.br), 2001 guive. 2000 gui ijypy guive ojapo heta ta’angaa ojekuaa estados braileiros rupi. 2007 ha’e 2010 ojapo heta exposições Shoppings rupi, Estados Metro ha’egui parques São Paulo rupi. Oeja ete rete’i openako ka’aguy reko regua re.

64


B1


B2


Ins tucional/Insitu onal

Parceria/Partnership

Realização/Realiza on

Financiamento/Financing


Villas - Guarani Mbya - Tenonde Porã