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A NOTÍCIA

24 AN.economia

DOMINGO - 6/6/2010

Fernando e Renata são jovens e bem-sucedidos. Juntos há alguns meses, eles ainda não conseguem se entender com as contas. Os dois ganham bem, mas Fernando não aceita os gastos dela. Para ele, a companheira exagera nas compras e no salão de beleza. Mas ela se defende. Tudo o que gasta não passa de parte de seu salário e que a maior parte do dinheiro é destinada às contas da casa. Os desentendimentos levaram ao ponto de Fernando colocar todas as roupas de Renata no carro e levá-la de volta para a casa da mãe.

As contas da felicidade Falta de planejamento financeiro pode afetar relacionamento. Saiba como cuidar do dinheiro sem brigas MARINA ANDRADE  marina.andrade@an.com.br

A história acima é real. Foi vivida por um casal que viu a harmonia do relacionamento variar de acordo com o saldo da conta bancária. Mas caso você tenha se identificado com a situaçã, não precisa se alarmar e achar que sua união está prestes a terminar. O casl da história permanece juntos, pois procurou ajuda, organizou a vida e resolveram o problema. “No início do relacionamento é ‘meu bem’ para todos os lados, mas depois a história muda para ‘meus bens, meus bens’”, brinca a advogada Giliandra Christy Brancaleone Casagrande, que há seis anos atua em processos de separação e divórcio. Ela explica que as brigas por questões financeiras influenciam

muito na hora da separação. “O principal motivo é a traição, e em seguida vem a incompatibilidade de gênios, o que muitas vezes inclui as discussões por dinheiro.” Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2008, mostrou que fatores econômicos influenciaram para que em oitos anos, o número de divórcios crescesse 17%. O aumento na renda da mulher e a taxa de desemprego entre os homens estaria entre os fatores que tendem a desestabilizar o casamento. Outra pesquisa, realizada

pelo Instituto Datafolha em 2007, apontou que os problemas financeiros continuam sendo principal motivo de brigas entre casais, com 14% dos votos, seguido pelo ciúme, 6%, pelo fato do cônjuge beber e da divergência de opiniões, desorganização (4% cada). “O principal problema é a falta de diálogo e a má administração financeira é o primeiro sintoma. Os casais mais novos, que estão começando o relacionamento, procuram muito mais do que os que já são casados há mais tempo. O número de homens que

buscam o consultório também cresceu nos últimos cinco anos. Hoje em dia, não é apenas a mulher que quer resolver a situação”, explica a psicóloga Telma Melissa Armanini, que trabalha com terapia de casais há nove anos. Para ela, o primeiro passo para solucionar impasses relacionados ao dinheiro é sentar com alguém mais experiente ou profissional para fazer uma lista das contas. “O casal não pode ir em busca de um culpado, mas sim do problema. Depois, os dois precisam discutir as dívidas,

JESSÉ GIOTTI

PLANEJAMENTO Jaderson e Patrícia não descuidam de nenhum gasto

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ter uma visão mais clara e ampla, para então traçar um objetivo em comum. É necessário ter metas, que não se limitem a pagar as contas já existentes, mas fazer algo que seja importante para os dois, como comprar um carro ou fazer uma viagem”, aconselha. Outro conselho de Telma é estar disposto a mudar. Para a psicóloga, os casais passam por fases, onde, às vezes, um ganha mais do que o outro, ou a mulher tem mais disponibilidade para administrar as finanças do que o homem. Essas etapas precisam ser respeitadas. “O relacionamento tem que ser pensado como um todo. Os problemas nunca estão só em uma pessoa”, acrescenta.

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Primeiro os extratos, depois as escovas

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Antes de juntar as escovas de dentes, Jaderson Araújo e Patrícia de Castro Araújo uniram os extratos bancários. O analista de marketing e a analista de negócios se conheceram há sete anos, ficaram amigos até que se apaixonaram e decidiram ter uma vida a dois. Pouco antes de casar, há três anos, perceberam que saber lidar com dinheiro seria essencial para o sucesso do relacionamento. “Nossa primeira decisão foi construir uma casa. Foi difícil escolher, mas acabamos cancelando a festa de casamento para guardar dinheiro. Já tínhamos

até reservado o local. Acho que ficamos um mês chorando”, lembra Patrícia. Mas depois das lágrimas veio a organização. Eles pegaram dicas com amigos, fizeram curso de noivos e buscaram livros que pudessem orientar o planejamento da vida financeira. “Nossa primeira lição foi que tudo na vida tem juros. Quando parcelamos uma conta, pagamos juros ao banco. Quando trabalho até mais tarde para ganhar mais e dou menos atenção para a minha esposa, também pago uma espécie de juros, pelo nosso prejuízo

no relacionamento. Aprendemos que precisamos traças objetivos juntos, planejar os gastos e ter duas reservas, uma para o futuro e outra para compras esporádicas”, explica Jaderson. Os dois, então, juntaram as contas e fizeram uma lista de despesas que começou com uma planilha simples. Hoje, o arquivo inclui gráficos e previsões atualizados constantemente e acompanhados através de duas conversas ao mês. Graças ao planejamento financeiro, o casal não briga por causa das contas, mesmo tendo paixões diferentes.

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Entrevista Janderson e Patricia para Jornal Anotícia