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Projeto Enecom 2010

O Processo de Consciência através da Comunicação Popular para a libertação do povo

Sede: Universidade Federal da Paraíba

Janeiro de 2010 1


SIGLAS

CO – Comissão Organizadora COBRECOS – Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social CONECOM – Conselho de Entidades de Base de Comunicação Social EIV – Estágio Interdisciplinar de Vivência ENECOM – Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação ERECOM – Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social GD – Grupo de Discussão GET – Grupo de Estudo e Trabalho ME – Movimento Estudantil MECOM – Movimento Estudantil de Comunicação MOSQUEMOM – Mostre o Seu que Eu Mostro o Meu MS – Movimento Social

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SUMÁRIO

1.Apresentação........................................................................................................5 2.Fundamentação Teórica.......................................................................................6 2.1. Comunicação-educação e o processo de consciência.................................6 2.2. Comunicação comunitária..........................................................................9 2.3. Cultura Popular........................................................................................11

3.

Objetivo Geral...............................................................................................12

3.1. Objetivos Específicos...............................................................................13

4.

Metodologia..................................................................................................13

5.

Grade de Programação..................................................................................17

6.

Referências Bibliográficas............................................................................18

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As três flores da esperança

Liberdade. Diz Durito que a Liberdade é como o amanhecer. Alguns o esperam dormindo, mas outros acordam e caminham durante a noite para alcançá-lo. Eu digo que nós, zapatistas, somos viciados em insônia e deixamos a história desesperada. Luta. O velho Antônio dizia que a luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina. História. A história não passa de rabiscos escritos por homens e mulheres no solo do tempo. O poder traça o seu rabisco, elogia-o como escrita sublime e o adora como se fosse a única verdade. O medíocre limita-se a ler os rabiscos. O lutador passa o tempo todo preenchendo páginas. Os excluídos não sabem escrever... ainda.

Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), 18 de maio de 1996. 4


1) Apresentação

Organizada em torno de três bandeiras de luta – a Democratização da Comunicação, o Combate às opressões e a Qualidade de Formação do Comunicador -, a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, a Enecos, é uma entidade representativa que atua há dezenove anos. A Enecos acredita que a comunicação é ferramenta fundamental para o desenvolvimento das atividades humanas, porém, está nas mãos da classe dominante e tem sido usada como instrumento para a alienação das massas, promovendo e perpetuando as desigualdades sociais. Apresentando alternativas e propostas para a sociedade, a Enecos realiza uma série de atividades para manter os estudantes e a sociedade organizada em torno da construção de uma nova perspectiva de comunicação pautada na ação libertadora do povo. Dentre essas atividades, está o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação Social, o Enecom, cujo principal objetivo é aglutinar mais estudantes, os demais movimentos sociais e, dessa forma, se aproximar da sociedade. Na Paraíba, o Coletivo COMjunto de Estudantes de Comunicação Social vem atuando junto as bandeiras propostas pela Executiva. Formado em 2008, o coletivo é herdeiro e ator de um movimento sólido de luta estudantil pela Democratização da Comunicação. Articulou as III e IV Semanas pela Democratização da Comunicação, que aglutinaram muito além de estudantes e professores, rádios comunitárias e livres, diversos movimentos sociais e organizações civis. Essas atividades trouxeram uma série de avanços, no que se refere à discussão e a ampliação da luta pela democratização da comunicação. A partir delas, deu-se início a organização da I Conferência Estadual de Comunicação Social, a retomada das atividades do Fórum Metropolitano de Comunicação, como também foi responsável por inserir a pauta em vários veículos e movimentos da cidade. Nas Semanas pela Democratização da Comunicação, também conhecidas como Semanas Democom, foram desenvolvidas diversas atividades: rodas de diálogos, espaços auto-gestionados, painéis, oficinas e núcleos de vivência nas comunidades, momentos artístico-culturais, sempre com o objetivo de discutir a comunicação e aproximar a academia da proposta de luta por um novo modelo de sociedade. Não podemos conceber um curso de comunicação social que não se fundamente em uma proposta efetiva de comunicação libertadora. 5


Agora, o Coletivo COMjunto se sente maduro e vem ao XVII Cobrecos para se propor enquanto Comissão Organizadora e a UFPB, como escola sede do XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social. Nosso objetivo em trazer estudantes de todo o Brasil para a cidade de João Pessoa é tentar aproxima-los ao máximo da Enecos e sua estrutura organizativa, bem como contribuir para uma efetiva rearticulação dos GET’s, entendendo-os como um espaço estratégico de articulação e debate sobre as bandeiras da Executiva. Nossa proposta é promover um diálogo entre as relações do modelo de educação e a comunicação brasileira com novas perspectivas que busquem tornar os sujeitos envolvidos em agentes de suas ações, protagonistas de sua autonomia e liberdade.

2) Fundamentação Teórica

2.1. Comunicação-educação e o processo de consciência

A comunicação e a educação são instituições que fortalecem as estruturas que mantêm o modelo sócio-econômico do Estado atual. Segundo Mauro Iasi, sabemos que só é possível conhecer algo se o inserirmos na história da sua formação, ou seja, no processo pelo qual ele se tornou o que é; assim é também com a consciência: ela não “é”, “se torna”. Sendo assim, precisamos analisar, primeiramente, com que objetivo surge a escola, para, assim, sabermos o que é necessário modificar. A escola funda-se na divisão entre o trabalho intelectual e o manual na perspectiva de ruptura da relação teórico/prática que esta instituição pudesse acarretar. Num processo arbitrário que acabou por designar que as classes dos trabalhadores fossem encarregadas pela parte prática e a classe dominante pela esfera intelectual. Como é sabido, a escola, como tal, surge, precisamente, quando a humanidade, através de muitos séculos e mediações, instituí a propriedade privada, constituindose, por conseguinte, uma minoria que, uma vez proprietária, não mais precisava trabalhar. A escola veio, assim, acolher o ócio dos que não precisam trabalhar, aprimorando-lhes o corpo e o espírito.

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É a partir desta afirmação, que levantamos questionamentos, pois se a instituição de ensino foi fundada para suprir a necessidade de uma parcela da sociedade que não o povo, como pode ela fazer parte da ação de libertação, contribuindo com o seu processo de consciência? É partindo do concreto-cotidiano, que temos uma visão mais ampliada da nossa condição de oprimido, sendo preciso utilizar da organização social para construir meios que o povo se veja presente e atuante. É nesta forma de escola, partindo da necessidade da população e para construir sua autonomia, que é imprescindível um contraponto a educação estabelecida. Sobre isso, Mauro Iasi destaca o modelo dentro do qual fomos colocados: “Parece-nos que na escola, por exemplo, ao nos inserirmos em relações preestabelecidas, não conseguimos ter a crítica de que é apenas uma forma de escola, mas a vivemos como “a escola”. Passamos a acreditar ser essa forma “natural” e acabamos por nos submeter. Na escola, as regras são determinadas por outros que não nós, outros que têm o poder de determinar o que pode ser feito... As normas

externas

interiorizam-se:

a

disciplina

converte-nos

em

cidadãos

disciplinados”. (IASI, 2007)

É no caminho de formar massa trabalhadora e não cidadãos críticos que está calcada a educação burguesa. É indispensável pensarmos num modelo educacional que estimule o protagonismo das crianças e dos jovens, mesmo sabendo que lidar com o processo de consciência é algo a longo prazo. Sabemos também que não é fácil definir o termo educação, pois este está vinculado com todos os níveis e relações que os homens estabelecem na vida. É neste sentido que se embasa o conceito inserido na Lei de Diretrizes e Bases – LDB - sendo a educação uma área que abrange os processos formativos que se desenvolvem na “vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e nas organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Porém, segundo Paulo Freire, quanto mais pensamos nas relações educadoreducando, na escola ou fora dela, parece que mais nos convencemos de que “estas relações apresentam um caráter

especial e marcante - o de serem relações

fundamentalmente narradoras, dissertadoras”. Desta maneira, a educação se torna “um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante”, pois, em lugar de comunicar-se o educador faz “comunicados” e depósitos que os estudantes, meras incidências, recebem passivamente, memorizam e copiam. 7


Nesta perspectiva, é necessário buscar um processo educativo que possibilite analisar as estruturas sociais em que estamos inseridos, sejam essas estruturas comunicacionais, educacionais, sociais, econômicas ou políticas. Pensar a educação como um meio para a libertação dos homens, rompendo com as amarras que ainda os prendem, tornando-os sujeitos emancipados. E, como a comunicação também corrobora com o processo pelo qual a sociedade permanece num sistema de exploração do povo, que fazer a análise dessas dificuldades estruturais se faz necessário neste encontro. A expansão do capital atingiu a dimensão cultural transformando-a em mais uma área de atuação no mercado capitalista. E a informação, como um dos componentes da cultura, passou a ser concebida como uma mercadoria, e os indivíduos se tornam subordinados ao sistema sob o qual estão imersos quase passivamente. Nesse tipo de comunicação entendida como um negócio, os indivíduos não se reconhecem como sujeitos no curso de produção de sua própria realidade. E é por meio da veiculação em rede de uma comunicação instrumentalizante desse contexto, que a sociedade, como todo, fica à mercê da condição de exploração da vida e imagem humana imputado por uma comunicação antidemocrática. O conjunto da sociedade, independente de classe social, é atingido por essa comunicação massificada e esvaziada de conteúdos que representam a sociedade em sua complexidade e diversidade. A falta de participação na produção dos conteúdos comunicacionais afeta toda a sociedade provocando, na “classe baixa” a falta de acesso a esses meios e na “classe alta” a ilusão de acesso a uma boa informação. E é inserido dentro desse contexto de globalização ainda, que os indivíduos se distanciam cada vez da sua realidade próxima. As redes globais de comunicação geram um efeito não apenas de massificação, como, ao mesmo tempo, de individualização e de afrouxamento das relações humanas, desassociando o indivíduo do lugar em que vive. A pauta de programação da comunicação comercial em grande escala, se apresenta esvaziada de conteúdos de interesse público, no sentido de atender a uma demanda global de consumo rápido, que serve a uma comunicação entendida como um comércio que, por sua vez, se mantém sob a base da mesma fórmula que constitui os produtos de informações que deu certo no mundo do mercado. É por isso que dado o caráter formativo dos meios de comunicação, adentrando no processo de consciência do povo, e o fato de as mídias (televisão, cinema, internet...) estarem inclusas no cotidiano dos sujeitos, e considerando-se ainda que tais processos possuam sempre uma determinada afinação ideológica, torna-se necessário analisá-los 8


critica e minuciosamente, uma vez que a (in)formação ultrapassa o mero plano da transmissão de fatos. Justifica-se, assim, a necessidade de se problematizar entre os agentes tanto as informações quanto os modos como elas são veiculadas por estes meios (ADORNO, THEODOR 1995). Para Morán (1993), a comunicação expressa trocas sociais, tanto no nível simbólico, como nas relações interpessoais, grupais e institucionais. Os meios são um dos componentes dessa expressão. São mediadores sociais. Para o teórico é preciso estudar não o que os meios fazem com as pessoas, mas sim o que as pessoas fazem com elas mesmas, ou seja, que leitura elas fazem dos meios. É por isso que, este ensino acerca dos veículos de comunicação e seus conteúdos deveriam desenvolver as aptidões críticas; ele deveria conduzir as pessoas, por exemplo, à capacidade de desmascarar ideologias; deveria protegê-las ante identificações falsas e problemáticas, resguardandoas, sobretudo em face da propaganda geral de um mundo que a mera forma de veículos de comunicação de massa desta ordem já implica como dado (ADORNO, T., 1995).

2.2. Comunicação comunitária

A comunicação comunitária, apesar de não estar enquadrada em nenhum conceito definido, possui algumas características de formulação admitidas para grande maioria delas. Ela, em concordância, é identificada como um canal de expressão de uma comunidade, onde os indivíduos podem manifestar seus interesses comuns e suas necessidades mais urgentes. (DELIBERADOR;VIEIRA, apud PERUZZO, 2005). Porém, a produção local, assim como aquelas a níveis de bairros e comunidades são restritas, o que impossibilita que a população tenha conhecimento sobre sua própria realidade e possa estender essa percepção de vida cotidiana para uma maior universalidade social. É tendo consciência sobre sua realidade próxima que a população se munirá da capacidade de atuar sobre um âmbito social muito maior. Sendo assim, a comunicação popular possui grande potencial transformador e democratizante. O setor mais desenvolvido nesse segmento, no Brasil, são as rádios comunitárias, que possuem legislação específica – a lei 9.612/98 - e milhares de emissoras em funcionamento. Entre os grandes desafios das rádios estão: a busca pela sustentabilidade financeira, a elaboração de programação de qualidade, a participação efetiva da 9


comunidade e a luta para que as rádios não sejam espaços para tendências partidárias. Tem também o desafio de construir uma comunicação popular e participativa com o objetivo de emancipação e organização povo, sendo este o seu grande diferencial do que está colocado na grande mídia. Com entidades representativas em níveis internacional, nacional e local, as rádios comunitárias são vítimas de ataques por parte das grandes empresas de radiodifusão, que contam com o apoio de políticos no Legislativo e Executivo para taxá-las de piratas, clandestinas e outros adjetivos menos abonadores. Ainda no plano político, as rádios comunitárias enfrentam a repressão de órgãos como as polícias Estaduais e Federal, além da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Ao mesmo tempo em que a morosidade e descaso do Ministério das Comunicações e de outros setores do governo federal impedem a maioria das rádios de funcionarem dentro das normas estabelecidas, às comunitárias contribuem cada vez mais para informar as respectivas populações a que se dirigem quanto a seus direitos, notícias e outros tipos de serviço. Outros espaços de comunicação comunitária e popular têm recebido mais apoio das políticas públicas, como os tele-centros e outras iniciativas semelhantes de inclusão digital e estímulo à produção de comunicadores locais. Portanto, tais projetos ainda carecem de uma maior integração entre si e de mecanismos de financiamento. No que diz respeito à comunicação dos movimentos populares, estes também se deparam com dificuldades, especialmente no campo da sustentabilidade e do acesso às novas tecnologias e também de novas referências de comunicação que não a que está implantada na grande mídia e nos cursos de Comunicação Social. A valorização da comunicação como um instrumento de formação, organização, mobilização e como um direito vem ganhando força junto aos movimentos sociais. Contudo, a hegemonia da mídia privada – que constantemente promove ataques e criminaliza as ações dos movimentos – se impõe frente à comunicação popular na construção dos valores da sociedade. Outro desafio sobre o qual os movimentos têm se debruçado, ainda sem solução, é a consolidação de grandes veículos de comunicação popular, que dêem vazão a toda diversidade de propostas, mas ao mesmo tempo, representem um projeto comum de sociedade e de comunicação, que case com a emancipação do povo.

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2.3 Cultura Popular

As relações entre cultura popular, folclore e povo são estreitas e têm fortes ligações com a construção da identidade, influenciando diretamente no acúmulo de uma memória coletiva, na produção de um conhecimento popular – que está fora das salas de aulas e é renegado pelo atual modelo de educação -, e até mesmo na mobilização de uma comunidade ou grupo social. “Memória e alma coletiva, impregnada de ‘significados’ como formas sedimentadas de ser e de viver, o folclore constitui uma expressão por excelência da cultura de um povo: não apenas um registro inerte de pitorescos, mas uma fonte sempre renovada onde é possível encontrar, em estado latente ou manifesto, muitos dos traços comportamentais que distinguem e individualizam cada nação” (Parecer 1.284/ 73 do Conselho Federal de Educação)

Quando do momento em que se debruçaram sobre suas significações propriamente ditas, folcloristas, tradicionalistas e românticos identificaram o folclore como sendo um ‘saber do povo’, calcado em suas tradições e costumes. Daí a palavra surgir da junção entre folk (povo) e lore (saber). Em sua gênese, talvez tenha sido um dos grandes precursores da comunicação popular, por ter sua disseminação e resistência baseada na oralidade. “Todos os países do mundo, raças, grupos humanos, famílias, classes profissionais possuem um patrimônio de tradições que se transmite oralmente e é defendido e conservado pelo costume. Esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários desde que se integram nos hábitos grupais, domésticos ou nacionais. Esse patrimônio é o folclore.” (CASCUDO apud MELO, 2008).

Reconhecer o folclore e a cultura popular como expressões autênticas de determinados grupos sociais é reconhecer também um distanciamento entre dois saberes: o das elites e o do povo. É preciso, no entanto, tomar cuidado com a visão romântica na qual o mundo do folclore estaria em ruptura com o mundo moderno e seria este a reencarnação de um passado utópico e idealizado. É recorrente pensar no folclore como algo primitivo e, portanto, ‘simples’ e ‘ingênuo’; é também outro equívoco enxergá-lo a partir de uma noção homogênea.

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Contudo, o abismo pode aumentar na medida em que introduzimos nesse quadro a idéia da cultura de massas e seu processo de massificação dos equipamentos e bens culturais. Diante disso, e tomando este sentido amplo de ‘saber do povo’ – que designa nada mais que as tantas formas de conhecimento expressas nas produções culturais de diversos grupos sociais -, podemos questionar, com muita dificuldade em responder, onde começa e onde termina o folclore e a cultura popular. Quais os limites de sua significação? Seria somente o coco da Paraíba, o carimbo do Pará, o frevo de Pernambuco, ou também o samba, o funk, o reggae? Será apenas os Bois de Paritins, os Papangus de Bezerros, ou também o Natal e os desfiles das escolas de samba? Faria parte do universo da cultura popular somente a xilogravura, o cordel, o repente, ou ainda o grafite, o hip hop? Todas essas são questões e questionamentos essenciais para o entendimento da cultura popular como um instrumento de mobilização e organização social, e que é intrínseco seu caráter formador para um conhecimento popular, com ‘cara de povo’ e lugar social.

3. Objetivos

3.1. Objetivo Geral Discutir a comunicação popular através das análises da cultura, educação, sociedade e o processo de tomada de consciência, para atingir uma comunicação emancipadora e libertadora.

3.2. Objetivos Específicos •

Ampliar o acúmulo teórico da Enecos em relação à comunicação popular

e ao tocante à bandeira da democratização da comunicação; •

Promover o acúmulo teórico e prático dos estudantes com as oficinas e os

núcleos de vivência; •

Apresentar as transversalidades existentes entre a comunicação popular, a

cultura popular, a educação, ao processo de formação de consciência da sociedade e a dinâmica de mobilização social; •

Fortalecer os laços com os diversos movimentos sociais com vista a

construção de novas referências de comunicação popular, contribuindo para o acúmulo 12


desses movimentos no que concerne a democratização da comunicação e a utilização desses meios para a mobilização social; •

Promover a interação e a integração entre os encontristas como forma de

sociabilização de suas experiências e reflexões através do sistema de brigadas, a fim de horizontalizar tanto a discussão quanto a própria organização do encontro; •

Contribuir com novas propostas de educação para as mídias;

Contribuir para uma rearticulação dos GET’s, retomando seu caráter

ativo e formulador dentro da Executiva.

4. Metodologia

Brigadas

Nos Encontros Nacionais de Estudantes de Comunicação Social é recente a implementação da metodologia de brigadas, o primeiro foi o Enecom Fortaleza, em 2009. Esta metodologia tem por objetivo promover a integração dos estudantes e tornar horizontal a organização do encontro. As brigadas são divididas por cores para facilitar a realização das atividades durante o dia. As atividades que as brigadas são responsáveis são: acorda, ajudar na hora da alimentação, animação, limpeza da cultural, comunicação e mística.

Painéis Os painéis têm por objetivo ser um espaço de formação e um momento de aprofundar os conhecimentos dos participantes. Servem para problematizar em torno do tema proposto e para facilitar a troca de experiências entre os encontristas reunidos em brigadas. Antes de iniciar as falas dos facilitadores, cada espaço terá um intervenção que será elaborada pelas comissões de cultura e metodologia relacionada ao tema do painel. Os painéis estarão divididos da seguinte maneira: 1 bloco: Intervenção artística relacionada ao tema da mesa; 2 bloco: Exposição dos facilitadores a cerca do tema; 3 bloco: Reunião e discussão interna das brigadas para levantar questionamentos; 4 bloco: Questionamento das brigadas para os facilitadores através de um representante;

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5 bloco: Exposição final dos facilitadores relacionada aos questionamentos da plenária.

Oficinas e minicursos

As oficinas e mini-cursos serão espaços de acúmulo teórico e prático, e terão o objetivo de auxiliar a participação dos encontristas nos Núcleos de Vivências e a atuação da Executiva no ato proposto. Com relação aos NV’s, as oficinas terão um caráter de facilitar o entendimento sobre o espaço a ser vivenciado. Já para o ato, produzirão material de agitação e propaganda, com a finalidade de dar visibilidade a atividade em si e as pautas de reivindicação.

Núcleos de vivências

Os Núcleos de Vivência estarão relacionados diretamente com as oficinas e os mini-cursos, e serão os espaços onde os encontristas vivenciarão diretamente o acúmulo teórico adquirido nesses outros espaços. Os NV’s têm o objetivo de proporcionar a vivência em outras realidades, o estranhamento e a descoberta do novo, ao mesmo tempo que gera reflexão sobre os projetos visitados e sua inserção e importância para a comunidade na qual estão inseridos.

GET (Grupos de Estudo e Trabalho)

Os Grupos de Estudo e Trabalho (GET’s) são espaços orgânicos da Executiva Nacional d@s Estudantes de Comunicação Social e estão divididos em quatro, referentes as bandeiras de luta da Enecos: GET de Opressões, GET de Qualidade de Formação (QFC), GET de Democratização das Comunicações (Democom) e GET de Cultura Popular. Para o Enecom Paraíba, se ampliará o espaço dos GET’s dentro da programação. Ao invés de um momento, haverá dois, sendo o primeiro de apresentação (terça-feira, 27/07) e o segundo, de planejamento (sábado, 31/07). Percebe-se que há muito tempo o espaço reservado aos GET’s se prendem a um mera apresentação, pelo fato de, a cada ano, terem novas pessoas. Para 2010, o planejamento dos Grupos de Estudo e Trabalho serão também uma prioridade. 14


MOSQUEMOM

O Mosquemom é um momento de socialização e mapeamento de como os cursos de comunicação estão estruturados em âmbito nacional. São temas discutidos neste espaço: pesquisa, extensão, assistência estudantil, Projetos Políticos Pedagógicos, movimento estudantil, mobilidade estudantil. Este mapeamento tem como objetivo traçar uma política de atuação da Enecos nas escolas de acordo com as necessidades mais críticas e de forma nacional.

Simpecos, Artcom e Cinecom

O Simpecos, Artcom e Cinecom são espaços de valorização e divulgação dos trabalhos dos estudantes, sejam eles audiovisuais, artigos, relatórios, fotográficos e radiofônicos, abrangendo as diversas habilitações que abarca hoje o curso de Comunicação Social. Neste encontro, estes espaços serão abertos também para pessoas que não estejam dentro da universidade, assim como, os movimentos sociais, entendendo que, não apenas nestes espaços, mas em todos que a Enecos promove, deve haver uma integração e troca de experiência no sentido de construir coletivamente os espaços de mobilização social.

Cineclube

O Cineclube Jomard Muniz de Brito é uma das atividades mais contínuas e periódicas do Coletivo COMJunto, e terá seu espaço na programação com a finalidade de usar-se a linguagem cinematográfica no processo formativo dos encontristas. A exibição será seguida de uma discussão, e terá um formato interativo e dinâmico.

ATO

O percurso do ato está sendo pensado para ocorrer no centro de João Pessoa, passando em frente das quatro maiores emissoras do Estado, sendo uma delas de caráter educativo, mas com finalidade totalmente comercial, e outra, de posse do Senador Roberto Cavalcanti (PRB), numa infração clara do Artigo 54 da Constituição Federal. 15


Há ainda a possibilidade de se passar estrategicamente pela Praça dos Três Poderes, onde estão localizados os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.

Espaços de Auto-organização

Os espaços auto-organizativos têm por objetivo a organização, dentro do encontro, dos diversos movimentos que fazem parte da sociedade e que queiram propor espaços para propagar as suas lutas. São espaços com liberdade de escolhas de temas e metodologias e tem um caráter de fortalecer e aglutinar os estudantes de comunicação nas diversas pautas de organização social.

Conecom

O Conselho Nacional dos Estudantes de Comunicação é um espaço que além de avaliar o encontro também serve como momento de avaliação das atividades que a Enecos fez durante o primeiro semestre do ano e traçar o que será feito no segundo semestre. Também é neste espaço que acontecem as inscrições das chapas para a coordenação da executiva e filiações ou regularização das escolas no sentido de aproximação da Enecos com as entidades de bases de comunicação.

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Referências Bibliográficas ADORNO, Theodor W., 1903-1969. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. • CHAUÍ, Marilena. Simulacro e poder. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006. • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 46º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. • MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Prefácio de Nestor García Canclini. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003. 372 p. • IASI, Mauro Lins. Ensaio sobre consciência e emancipação. 1.ed. São Paulo: Expressão Popular,2007. 176 p. • MELO, José Marques de. Mídia e cultura popular: história, taxionomia, e metodologia da folkcomunicação. São Paulo: Paulos - Coleção Comunicação, 2008. • Parecer 1.284/73 do Conselho Federal de Educação. • Gennari, Emilio. EZLN: passos de uma rebeldia. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2005. 128 p. •

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Projeto Político Enecom 2010  

Projeto Político do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social - Enecom.

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