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Janaina Maquiaveli Cardoso


SUMÁRIO 09

APRESENTAÇÃO

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INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO 1 A cidade invisível

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CAPÍTULO 2 New York, New York

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CAPÍTULO 3 Alguma coisa acontece no meu coração

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CAPÍTULO 4 Segredos e truques da pesquisa

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CONCLUSÕES

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REFERÊNCIAS


Antes de Sex and the City, os armazéns nesta vizinhança estavam cheios de carcaças de vaca e homens com seus casacos cobertos de sangue. Hoje quase tudo isso já se foi, e as pitorescas ruas de calçamento estão lotadas de aspirantes à fama, saltitando de uma avenida chique para a outra. A região já não se apresenta tão original como antes, mas ainda assim tem lá os seus atrativos, com suas várias boutiques de designers, seus laços de veludo e suas celebridades jantando em alguns dos restaurantes mais transados da cidade.” Guia nova-iorquino para quem visita Nova York, Revista New Yorker

Em 1900, havia na região cerca de 250 matadouros, empacotadores de carne e distribuidores cujos negócios foram ainda mais impulsionados pela construção de uma linha suspensa de trem, em 1934, para ligar as docas ao bairro. O objetivo da construção era transportar animais e garantir a segurança dos pedestres que, vez ou outra, morriam atropelados na linha térrea. A última viagem do trem suspenso foi em 1980 e, segundo o The New York Times, seus vagões levavam um carregamento de peru congelado. A partir dos anos 1960, a produção e o comércio de alimentos no Meatpacking District foram sendo paulatinamente transferidos para

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O Meatpacking District, a propósito, é uma região de 18 hectares situada na parte sudoeste de Manhattan, nas imediações do Chelsea. Suas ruas são pavimentadas com pequenos blocos retangulares e de superfície irregular vindos da Bélgica e lembram as ruas de cidadezinhas históricas brasileiras, como Ouro Preto, Paraty, ou mesmo a travessa da Igreja Matriz, na pequena cidade onde nasci. Em 1884, a região tornou-se uma das maiores distribuidoras de carne dos Estados Unidos graças à criação do mercado Gansevoort: atualmente, um edifício de tijolinhos vermelhos, vazio, tombado pelo patrimônio histórico, cujo nome homenageia o avô de Herman Melville; ele mesmo, o autor de Moby Dick.

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regiões mais periféricas de Nova York, acredito que por uma questão de espaço, do preço do espaço em Manhattan e também por questões sanitárias e de saúde pública. No final dos anos 1960, um grande centro de produção e de distribuição foi aberto na região de Hunts Point, no Bronx, uma área industrial atualmente conhecida como um dos maiores centros de distribuição de comida no mundo. Em 2005, foram construídas em Hunts Point as novas instalações do Fulton Fish Market, antes situado no Meatpacking District. O novo mercado de peixe, planejado durante a gestão do prefeito Rudolph Giuliani e finalizado em 2005, custou cerca de 85 milhões de dólares e transferiu de Manhattan para o Bronx cerca de 55 comerciantes de pequeno e médio portes que ainda resistiam no Meatpacking District. Atualmente, o Hunts Point reúne aproximadamente 800 empresas e emprega 25 mil trabalhadores numa área de 813,15 hectares. Relativamente pouco ocupada por residências, a população de Hunts Point, segundo o Censo Populacional de 2000, era de 47 mil habitantes, 75% deles de origem hispânica e de baixa renda. Afetada pela poluição, a região foi parcialmente revitalizada em 2007, com a construção de um parque que deve ser finalizado em 2016. No projeto há pistas de ciclismo, piers e uma vila temática de pescadores. (New York Magazine, 2006) Nos anos 1970, com os primeiros processos de gentrification de bairros como SoHo e Tribeca, certas ocupações características desses dois bairros - como a presença de artistas, lojas e bares underground, galerias de arte alternativas e um pequeno comércio de drogas e prostituição - começaram a se deslocar para a região do Meatpacking District que, predominantemente comercial, tornava-se vazia durante a noite. No início dos anos 1980, diversas casas de show, strip-tease e prostituição transexual haviam sido abertas na região. Na década seguinte, elas deram lugar aos primeiros e charmosos restaurantes do bairro, entre eles o Florent, que era frequentado por minha entrevistada italiana e fechado, segundo ela, em razão da alta no preço dos aluguéis. Ela também sente falta da pequena pizzaria que ficava ao lado de sua casa, cujo local é ocupado, hoje em dia, por uma boutique de óculos de sol. Quanto a I. e B., ambos de Portugal e, em 2010, moradores do Meatpacking District há 5 e 8 meses, respectivamente, não se ressentem pelos tempos de outrora, exatamente porque não o viveram; moram ali justamente por causa dos bares, dos restaurantes e da vida noturna de agora.

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Aberto ao público em junho de 2009, o parque suspenso custou cerca de 150 milhões de dólares. Hoje ele é administrado, em parceria com o Departamento de Parques da Prefeitura de Nova York, por uma associação independente – Friends of the High Line – que conseguiu arrecadar algo em torno de 45 milhões de dólares para a execução de um projeto que já foi chamado de “a great West Side story”. Desde que foi inaugurado, o parque já recebeu mais de 2 milhões de visitantes e, segundo a prefeitura, representa o ápice do renascimento da região, que inclui a confirmação de que, até 2015, seja transferida para o distrito a sede do Whitney Museum, com projeto do famoso arquiteto italiano Renzo Piano, cuja construção está estimada em 680 milhões de dólares. Atualmente, a associação de amigos do parque High Line celebra a implantação da segunda etapa do projeto, que amplia o parque até a Rua 34. A expansão, apoiada pela prefeitura de Nova York, foi aprovada, por unanimidade, em votação realizada no dia 3 de março de 2010 no auditório do Fulton Center, na 9ª Avenida. Com pouquíssimas exceções – nas quais me incluo – cerca de 170 pessoas vestiam camisetas vermelhas com o texto “Save the High Line at the Rail Yards”, mas não sem antes pedir pela ampliação do metrô e por providências urgentes quanto aos últimos remanescentes do comércio de drogas e de prostituição na região.

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As Community Boards seriam o equivalente, no Brasil, às sub-prefeituras. A diferença é que os moradores se encontram periodicamente tanto para discutir questões e problemas pertinentes à vizinhança, agendadas em pautas mensais, quanto para exercerem a vida em comunidade. Percebe-se que as pessoas se conhecem pelo nome e manifestam-se por meio de pequenos discursos antecipadamente preparados, reconhecidos por aplausos e considerações acerca dos temas em discussão. A região do Meatpacking District pertence à Community Board número 4, no Chelsea. As reuniões são públicas e acontecem no Auditório Fulton Center, no número 119 da Nova Avenida, em Manhattan. 16

Entre o começo e o final da década de 1990, um número considerável de artistas e designers, entre os quais L.S., ocupou e desocupou os andares superiores de galpões e açougues, no Meatpacking District. Os espaços que ainda permanecem desocupados estão concentrados na Rua 13. Por volta do ano 2000, ameaçados de demolição, tanto o Mercado Gansevoort quanto a linha suspensa de trem tornaram-se alvo de interesse da comunidade local e de grupos ligados à preservação do patrimônio histórico. Em 1999, dois moradores do Chelsea – Joshua David, escritor; e Robert Hammond, artista plástico – mobilizaram-se contra a demolição da linha férrea em uma das reuniões da associação de bairro, a Community Board16 número 4. Os dois se encarregaram de realizar um concurso de ideias para o reaproveitamento do lugar. A proposta vencedora, cuja primeira etapa foi concluída em 2009, inclui um estreito, porém charmoso parque elevado com mirantes, percursos e bancos de madeira, trilhos originais e mais de 100 espécies de plantas distribuídas em um projeto arquitetônico e paisagístico inspirado no cenário e na vegetação crescida depois de desativada a linha suspensa de trem. (Designing the High Line, 2008)

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Quando a luz se apagá só restará os isqueiros a piscá.” Inscrição feita por um anônimo no muro da antiga rodoviária de São Paulo, na região da Luz

Por vinte e oito reais é possível comprar um bilhete do Expresso Turístico que parte aos fins de semana da Estação da Luz rumo a Jundiaí, Mogi das Cruzes ou Paranapiacaba. O Trem para Turistas funciona em uma locomotiva movida a óleo diesel da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O modelo é o Alco RS-3, de 1952, e conduz dois vagões de passageiros fabricados em aço inoxidável Budd-Mafersa produzidos no Brasil, nos anos 1960, e cedidos à CPTM pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Ao todo, são 174 poltronas para quem deseja percorrer o trajeto da estrada de ferro construída em 1867 pela São Paulo Railway Co., empresa de capital inglês responsável pelas primeiras exportações cafeeiras no Brasil. Hoje, o percurso turístico faz parte da maquinaria patrimonial que, segundo Henri-Pierre Jeudy (2005), tenta recompor um passado que já não existe mais, assim como a brancura restaurada das paredes da Estação da Luz, por entre as quais travestis com saias de onça e seios de silicone orgulhosamente exibidos negociam com os interessados o valor do programa, bem debaixo de barba, cabelo e bigode dos integrantes da Guarda Municipal. Atravesso a estação e, do outro lado, uma senhora de saia évasé e cabelos pintados de vermelho senta-se ao piano desafinado que há no saguão para tocar Fascinação: o seu corpo é luz, sedução…

Não que haja outras, em outros lugares da cidade, mas a primeira Estação da Luz foi idealizada pelo Barão de Mauá e construída entre 1856 e 1867 pela estrada de ferro inglesa São Paulo Railway. Para atender à crescente demanda de exportação cafeeira, a estação foi ampliada entre 1895 e 1900. Projetada em estilo neoclássico pelo

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arquiteto inglês Charles Henry Driver e construída em estrutura de aço importada de Glasgow, a Estação da Luz foi reinaugurada em março de 1901, destruída em 1946 por um incêndio criminoso e reconstruída em 1951, quando foi então acrescida do segundo pavimento e da plataforma central, passando a ser gerenciada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Entre os anos 2000 e 2005 passou por uma série de novas reformas, até que pudesse abrigar o Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006. (São Paulo, 2007)

Uma delas, provavelmente a mais prestigiosa, é o que responde atualmente pelo nome de Complexo Cultural Julio Prestes, formado pelo Museu da Língua Portuguesa, construído entre 2000 e 2006 nos antigos setores administrativos da Estação da Luz; a restaurada Estação Júlio Prestes, um pouco adiante, na qual fica a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e considerada a sala de concertos mais moderna da América Latina; o Parque da Luz, tombado pelo Patrimônio Histórico no início dos anos 1980; a Pinacoteca do Estado, uma construção de arquitetura neoclássica construída em 1905 e restaurada entre 1993 e 1998, que abriga cerca de 8 mil obras de arte brasileira dos séculos XIX e XX; e o Memorial da Resistência, construído no edifício que abrigou, entre os anos 1940 e 1980, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) de São Paulo, órgão de repressão política da ditadura militar brasileira. Inaugurado em 2009, o Memorial da Resistência é dedicado à memória dos chamados anos de chumbo da ditadura militar. Seu acervo de depoimentos, bem como a reconstituição das celas em que ficavam os presos políticos, impede a obliteração voluntária, no sentido proposto por Iván Izquierdo (2004), de práticas de tortura política, no Brasil, que talvez fosse melhor esquecer. Ao contrário, até a pintu-

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Já a região da Luz compreende uma área de aproximadamente 450 mil metros quadrados, ou 111,2 hectares, seis vezes maior que a região do Meatpacking District, em Nova York. Seu perímetro é delimitado pelas avenidas Cásper Líbero, Ipiranga, São João, Duque de Caxias e Rua Mauá, incluindo parte do bairro de Santa Ifigênia e os recuos formados pelas praças Julio Prestes e Princesa Isabel, onde ficam, respectivamente, a Sala São Paulo e o centro da chamada região da Cracolândia. Estes são os pontos limítrofes; entre eles há muitas outras coisas mais.

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ra original das paredes foi recuperada. Nelas há nomes e inscrições de pessoas que passaram por ali, assim como réplicas dos colchões listrados nos quais dormiam os presos, amontoadas no chão. Fiquei imaginando se havia uniformes, e se eles também eram listrados, como nos desenhos animados, depois de ter ouvido a gravação do depoimento de um preso político confessando à mulher amada não ter conseguido resistir às torturas tanto quanto ela a ele. No Memorial da Resistência, as portas de madeira e ferro das celas também foram reconstituídas, incluindo aquelas pequenas aberturas pelas quais se passava a comida. Foi por elas que entraram pedaços de bolo e cravos vermelhos que a mãe de uma das detentas levou para que a filha os distribuísse entre os colegas na noite de um Natal qualquer, no final dos anos 1960. As salas escuras; o pequeno pátio enclausurado por grades no qual os presos tomavam banhos esporádicos de sol; o barulho recorrente do trem, ao longe; as gravações de depoimentos de antigos presos políticos, que podem ser escutados nos fones de ouvido instalados no último cômodo do corredor, reconstituem a experiência sofrida de homens e mulheres que viram amigos como Vera Nicoleti, presa em 5 de novembro de 1969, voltar à cela desmaiada após intermináveis sessões de choque elétrico. Tudo no memorial adensa a angústia que existe no lugar, provavelmente como os espaços que recobram os feitos nazistas em Berlim descritos por Jennifer Jordan (2006) no livro Structures of Memory: Understanding Urban Change in Berlin and Beyond, transformados em cenários de consumo e de apreciação cultural na pós-modernidade. No memorial também há heroísmo e esperança, no ar, na lembrança das músicas de Chico Buarque cantadas por outro detento apaixonado, ou de Dorival Caymmi, pelos que seriam libertos no dia seguinte. Nestes casos, as lembranças pessoais retomadas, revividas e transformadas em memória coletiva parecem investir-se de uma aura simbólica, no sentido proposto por Pierre Nora (1995), resgatando e ressignificando práticas de tortura escondidas e soterradas por tanto tempo nas gavetas dos arquivos públicos. Emotiva, chorei ao ouvir de olhos fechados as narrativas de muitos presos políticos que passaram por ali e que, reencontrados, se dispuseram a relatar suas experiências para a reconstrução mnêmica do memorial. Mas confesso que a emoção foi embora quando, ao chegar ao café do museu 82


às duas horas da tarde, faminta, havia salmão defumado com lascas de laranja e cuscuz marroquino no menu. Eis a versão paulistana dos ceviches e paellas do Meatpacking District. Bon appétit!

Projetado por Paulo Mendes da Rocha, reconhecido representante da escola paulista de arquitetura, o Museu da Língua Portuguesa foi muito aplaudido entre arquitetos, sobretudo pelo caráter inovador e interativo de suas instalações multimídia, a despeito da opinião dos técnicos do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Segundo eles, as obras do museu descaracterizaram o traçado original do edifício da Estação da Luz. Em dezembro de 2005, por exemplo, as obras de reforma chegaram a ser embargadas pelo Ministério Público Federal, mas, de acordo com a promotoria, pressões políticas e interesses empresariais garantiram sua continuidade. Em março de 2006 o museu foi inaugurado e, no mesmo ano, programa e projeto arquitetônicos foram premiados pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, de São Paulo; em 2007, a luminotécnica foi destaque na 24ª edição do LALD Design Awards, em Chicago (Leal, 2006). Viabilizado por uma parceria público-privada entre as Fundações Roberto Marinho e Calouste Gulbenkian, empresas de engenharia

||| ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU CORAÇÃO

Quarenta minutos e vinte e oito reais mais tarde, tirei a tarde para me dedicar aos cardápios resultantes da gentrification da região da Luz; não tive muito sucesso, eles ainda são poucos. A cafeteria do Museu da Língua Portuguesa só existe na placa que compõe a programação visual do lugar; e a da Pinacoteca do Estado, que fica em frente ao Museu da Língua Portuguesa, com bela vista para o Jardim da Luz, estava fechada para reforma; charmosa e já então enobrecida, gérberas coloridas enfeitavam as mesas atendidas por rapazes de piercing, disputadas durante a exposição em comemoração aos cinquenta anos do livro Grande Sertão: Veredas em 2007. Depois da exposição de Clarice Lispector, quem estava no Museu em fevereiro de 2011 era Fernando Pessoa, em uma montagem bem menos interessante que a instalação concebida pela cenógrafa Bia Lessa para a inauguração, em 2006. Segredos e truques da pesquisa de lado, meu depoimento é suspeito, pois Guimarães Rosa é meu escritor favorito.

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Por que comparar São Paulo e Nova York?

Duas das maiores metrópoles do mundo, situadas em pontos diferentes da distribuição da riqueza global. Como já disse alguém, deve-se comparar o que é igual e diferente. No caso desse livro, a proposta não é simplesmente comparar duas metrópoles tão distintas, mas compreender como ambas lidaram com processos de revitalização de algumas de suas áreas centrais. E com isso iluminar questões que são importantes para quase todas as metrópoles contemporâneas. Como realizar essa tarefa? Janaina Maquiaveli Cardoso empreende uma pesquisa que opta por “viver” as duas cidades. Como um flâneur, ela percorreu as ruas, observou seus movimentos, percebeu suas dissonâncias, sentiu seus cheiros. Enfim, optou por olhar de perto, com cuidado e empatia em relação aos seus nativos.

Visitar as cidades.

Encontrar seus traçados e lugares plenos de significados. Transitar por suas ruas, praças e avenidas. Sorver seu ar. Essa é uma rotina, cotidiana, para seus habitantes, mas, para os visitantes, pode ser também uma aventura peculiar ao conhecimento do novo. Para ambos, todavia, não deixa de ser maneira de reconhecer o antigo com olhar do presente. O caminhar por espaços urbanos ganha prazer especial quando proporciona o descortinar de locais relevantes para as identidades das cidades. Espaços muitas vezes revitalizados. Locais que preservam o antigo, como força da memória coletiva e apresentam o novo, que traz a marca do futuro no presente. Um novo que se atualiza em projetos arquitetônicos, muitas vezes ousados em sua dualidade moderna e pós-moderna. Janaina Maquiaveli Cardoso, autora desse instigante e criativo livro que a Comunicação

Mas a comparação será comunicada pela escrita. E nesse caso Janaina nos oferece um caminho bom de se trilhar. Apresenta a pesquisa em uma forma que convida à viagem da descoberta desses espaços das cidades. Essa descoberta é guiada pelas análises das ciências sociais, mas não se prende apenas ao olhar especializado. Pelo contrário, é ao leitor mais geral que ela pretende chegar, mostrando como a teoria deve iluminar a compreensão da sociedade e não obscurecê-la. As duas cidades são apresentadas em suas peculiaridades também do ponto de vista narrativo. Ajustar a narrativa ao que se vê em cada uma das cidades mostra que narrar é um componente tão importante da apresentação dos resultados de uma pesquisa quanto o rigor metodológico que conduziu sua realização. Usufruir dessa narrativa é o convite que faço ao leitor da obra. Tarcísio Botelho, historiador, UFMG

de Fato Editora oferece ao leitor, promove o encontro da pós-modernidade urbana com lugares históricos peculiares à modernidade. Trata-se de um estudo sociológico comparativo entre os processos de revitalização urbana do Meatpacking District, em Nova York, e os projetos de revitalização da Região da Luz, em São Paulo. Para realizá-lo, empreendeu sólida pesquisa e transitou, com talento e fluência, pelos principais paradigmas da sociologia urbana moderna e pós-moderna, incorporando-os à sua interpretação. O resultado aqui está. Um livro recheado de surpresas que pode ser lido como tratado de sociologia urbana ou como fotografia móvel de duas cidades referenciais de um mundo em permanente transformação. O convite à sua leitura acena com um texto agradável, caracterizado por elevada criatividade e densa consistência teórica e analítica. Lucilia de Almeida Neves Delgado, historiadora, UnB e UFMG


Cidades em miniatura