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A arte das HQ’s nas páginas do facebook Ídolos e Alegorias: a adoração de nossa gente...

A hora do Homem Um perfil do poeta Mário Faustino

Uma viagem pelo Teatro Musical


JORNALISMO

de Moda?

Sempre que alguém descobre que curso jornalismo, a primeira ideia que vem na cabeça das pessoas é a de que eu, obrigatoriamente, serei âncora em algum jornal televisivo. Quando eu, rapidamente, respondo que, na verdade, quero ser jornalista de moda, a dúvida logo aparece: jornalista de moda? Como assim? Sim, jornalismo de moda. Uma especialidade do jornalismo. O Jornalista de Moda atua como repórter, produtor jornalístico, editor de moda, crítico de moda em veículos de comunicação como revistas, jornais, internet e rádio. Ele pode também atuar como Assessor de Imprensa para empresas de todos os elos da cadeia têxtil - da fiação e tecelagem ao varejo, passando pela confecção e empresas de beneficiamento. O Assessor de Imprensa é o profissional que faz a ponte de informações entre a empresa que o contrata e a mídia, elaborando press releases, encaminhando peças de seus clientes para a produção de editoriais de moda, organizando entrevistas e fazendo a atendimento à imprensa em desfiles e eventos de moda. Em Teresina, o mercado de moda ainda engatinha, diz suas primeiras palavras e esboça alguns passos. O curso de moda, também, é muito recente. O estado do Piauí ainda não é referência, quando se trata desse assunto. Assim, é normal que a cidade ainda não tenha um nicho formado por jornalistas de moda. A problemática desse assunto, ainda é a nomenclatura, que usam indevidamente. Qualquer um pode falar de moda, é na base do gosto ou não gosto. O que define um programa\publicação especializado em moda? O que define moda? Moda deixou de ser futilidade e improvisação há muito tempo. Na década de 50, por exemplo, o jornalimos de moda, em Teresina, era feito por homens, que aproveitavam as publicações de outros países. Atualmente, muitas pessoas continuam no improviso. O esmalte do dia, o look do dia e alfinetar a roupa da famosa ainda é considerado jornalismo de moda. Com o boom dos blogs, parece que qualquer um pode falar sobre moda. Escrever ou falar sobre moda exige mais do que um bom guarda-roupa. Requer técnica, sentido aguçado para perceber o outro, conhecimentos sobre história da moda, da arte e do corpo humano. A moda conta a história e a cultura em suas peças. Depois de todos os conhecimentos técnico adquiridos, para falar sobre moda, é preciso que se abra mão de uma coisa: gosto pessoal. Eu odeio verde, mas o que os outros tem haver com isso? Não quer dizer, então, que ninguém ficará bem com essa cor. A moda sempre andou em paralelo com a história, com a cultura e com a arte. Atualmente tratar de moda implica lidar com elementos mais complexos, especialmente quando combinados. Valores como imagem, auto-estima, estética, padrões de beleza, inovações tecnológicas ( como os tecidos inteligentes: lidam com troca de calor, mantendo o corpo quente no frio e vive-versa, ou evitam até a criação de bactérias), top models, moda de rua, tribos, criatividade, talento, enfim... nada é eterno na moda. Talvez seja isso que a deixa tão fascinante. Anne Beatrice Lima


A arte das HQs nas páginas do facebook Dadaísmo em Quadrinhos saiu do “nonsense” e ganhou sentido para mais de 40 mil curtidas Se formos buscar as origens das Histórias em Quadrinhos, podemos

drinhos nacionais com o lançamento da revista O Tico-Tico. Surgiu o per-

chegar às pinturas rupestres feitas pelos homens pré-históricos, que eram usadas para retratar fatos do cotidiano como, por exemplo, as caçadas. A grande diferença das “HQs ancestrais” para as atuais é que elas não possuíam textos ou balões de fala, as histórias eram contadas através da sequência dos desenhos. No Brasil, a origem das HQs é ligada ao italiano radicado no Brasil, Angelo Agostini, que seria o responsável pela criação dos primeiros quadrinhos brasileiros de longa duração, com As Aventuras do Zé Caipora, no final do século XIX. Já no início do século XX começaram a surgir outras histórias em qua-

tras, as revistinhas do Maurício de Sousa. Desde aquelas mais fininhas que continham toda a Turma da Mônica, até os Almanaques de cada personagem. Mas, me veio uma lembrança anterior a essa. Lembrei de quando eu tinha os meus cinco ou seis anos, ainda lendo com dificuldade, e

sonagem “Chiquinho”, de Loureiro, além de outros personagens como: “Lamparina”, de J. Carlos, “Zé Macaco” e “Faustina”, de Alfredo Storni, “Pára-Choque” e “Vira-Lata”, de Max Yantok e “Reco-Reco”, “Bolão” e “Azeitona”, de Luis Sá. Fazendo essa retrospectiva sobre a história das HQs, lembrei de quando era criança e lia, como muitas ou-

ia para a casa do meu tio por causa de um tesouro que ele guardava em uma caixa próximo à sua

cama: histórias em quadrinhos de bang bang. Aquelas revistinhas amareladas me fizeram ter um carinho especial pela leitura e por desenhos, principalmente por causa do “fora da lei” Tex Willer. Assim como o meu interesse pelos quadrinhos começou por causa de minha curiosidade de criança, para os jovens do Dadaísmo em Quadrinhos, a arte das HQs veio também nessa fase com personagens como Homem-Aranha, Batman, Pato Donald, Mickey e Pateta. Mas foi depois de lerem Scott Pilgrim, com explicações de como desenhar do autor Bryan Lee, que perceberam que fazer quadrinhos poderia não ser um bicho de sete cabeças.


Com um jeito bem humorado de interagir com os leitores, pensamentos irônicos, reflexões sobre coisas cotidianas e boas críticas sociais, mais um toque de melancolia, além de muito talento no traço de desenhos, deram início aos quadrinhos publicados na página do facebook Dadaísmo em Quadrinhos. Formado por Felipe Portugal, Filipe Vieira (Xico) e Lucas Maciel, a página apresenta pontos de vista interessantes dos autores e desenhistas sobre acontecimentos do dia-a-dia. A ideia de criar a página veio do Felipe Portugal, que já possuía um blog onde publicava suas tirinhas, o Búfalo de Bronze, e queria colocar na página as tirinhas que não publicava nesse blog. A princípio, sem muita pretensão, Felipe e Xico fizeram uma parceria nas produções, mas a página foi ganhando cada vez mais reconhecimento e, com o tempo, o Lucas Marciel (amigo dos dois) integrou a equipe. O nome Dadaísmo em Quadrinhos veio basicamente por ser diferente e porque as tirinhas não nascem com o intento de trazer, necessariamente, algum sentido, como sugere o estilo dadaísta.

Mas eles querem deixar claro que não têm compromisso com nenhuma corrente artística ou coisas do gênero. Os quadrinhos que eram considerados por eles como “nonsense” acabou ganhando o gosto do público e gerando diversas interpretações. Para Xico “a ideia dos quadrinhos pode vir de absolutamente qualquer coisa, em qualquer lugar, sem nenhuma restrição ou fato específico de onde surja uma ideia. Normalmente surge das situações cotidianas, de músicas que ouvimos, filmes que assistimos... em suma, tudo ao nosso redor.” Mesmo com temas bem pessoais, alguns acabam gerando identificação das histórias com os leitores. Determinadas tirinhas geraram discussões e debates sobre seu tema “alguns bem interessantes de se acompanhar, embora outros temas façam surgir bastante comentários superficiais, o que não nos incomoda, mas é claro que para quem publica ver pessoas pensando sobre o sentido é mais excitante que elas simplesmente aceitando”, completa Xico. Hoje, com mais de 43 mil curtidas, eles decidiram tentar uma versão

impressa do trabalho, a revista “LIBRE!”. Essa revista é formada por alguns outros quadrinistas, além dos que compõe o Dadaísmo em Quadrinhos, que formam o Coletivo LIBRE!. O coletivo vem há um tempo publicando trabalhos na internet e já possuem um certo destaque, e por admiração mútua de seus trabalhos resolveram juntar forças pra lançar essa revisa impressa com a ajuda de quem acompanha o trabalho nas páginas digitais. A forma de arrecadar

dinheiro para a impressão da revista é través do crowdfunding. “As pessoas compram a revista antecipadamente para garantir que ela seja impressa. Se você pagar mais grana recebe brindes, que são recompensas pela sua doação. Se o projeto não arrecadasse o dinheiro suficiente, a grana voltaria para você. Mas o nosso já foi financiado, então, agora é só comemorar”, explica Felipe. A meta, que era de 7 mil reais, foi alcançada em apenas uma semana e a impressão da LIBRE! já foi garantida pelos apoiadores e fãs da página. Claryanna Alves


Mania Esmalte: nacional Que o esmalte é uma das paixões femininas, isso é um fato, sejam elas mais discretas ou mais fashions. Algumas pesquisas apontam que o Brasil, está em segundo lugar no ranking dos países adeptos ao esmalte. A cada ano, as tendências (principalmente internacionais) ganham as ruas e o gosto das brasileiras. Cores, texturas, desenhos, adesivos, acabamentos, composições, efeitos e processos tecnológicos, se modernizam sem deixar de lado os clássicos do passado. No Egito Antigo, cores como o vermelho e o rubi significavam nobreza, sendo até hoje os tons preferidos pela mulherada. Para as mais ousadas, os tons metalizados (principalmente o dourado e o prata), o roxo, o vermelho, o lilás e o amarelo, inspiram muita personalidade. Para as discretas, os tons mais claros como o verde piscina, o azul céu, o rosa, o branco e até mesmo o nude, mostram toda sua simplicidade e casualidade. Apostar em brilhos e luminosidade, são tendências que já viraram moda durante o verão 2013. Os efeitos furtacor, aliados a grandes tecnologias despontam como referência e preferência. Numa versão mais simples, os com glitter satifazem. Já numa

versão mais requintada, o brilho se multiplica ganhando um toque especial, através de micropartículas que refletem luzes multicoloridas extremamente brilhantes, criando o efeito 3D. Esse efeito holográfico se acentua em ambientes iluminados, principalmente à luz do sol, chamando a atenção para as unhas. Já no inverno, as unhas de pelúcia ou camurça, é uma boa dica para quem quer praticidade e durabilidade. As unhas de caviar, também é uma sugestão fácil de fazer para esta estação. Com bolinhas parecidas com o caviar, feitas preferencialmente com pequenas miçangas, a tendência ganhou renome na Semana de Moda de Nova York, em 2011, e de lá para cá virou sucesso. Outro destaque desse ano foram os craquelados, que consistiam basicamente em deixar as unhas com efeito rachado, podendo variar em cores e combinações diversas. A padronagem que vem fazendo a cabeça, principalmente do público jovem, são os adesivos para as unhas. Podendo tanto vir dentro do tubo, ou aplicados após a utilização do produto. Estampas florais, personagens de desenhos animados, estrelas, frutas e até desenhos astro-

lógicos, são algumas formas do momento. Quando pensamos que já vimos tudo sobre os esmaltes, o mercado vem e lança uma novidade ou recria algo que já foi sucesso. O esmalte que tem chamado a atenção, são os magnéticos. A novidade lançada por uma marca inglesa, tem em sua composição micropartículas de metal que criam diferentes efeitos. Passando uma camada de esmalte, e aproximando um imã, que geralmente vem na tampa do tubo, as unhas ganham modelos exclusivos. Outra sensação é o esmalte com cheiro, recém-lançado nos Estados Unidos. Além das cores vibrantes, a linha conta com cheiros que duram até cinco dias e com nomes super divertidos: “chiclete”, “algodão doce”, “suco de pêssego”, etc. Há algum tempo, o esmalte deixou de ser um utensílio relacionado apenas à estética. Foi-se o tempo em que o esmalte era considerado uma “frescura” feminina. Hoje conquistou um público vasto, incluindo os homens. Seja por vaidade ou por cuidados com as unhas,

eles estão adeptos ao uso desse produto. A vinda de cada tendência de esmalte parte principalmente pela televisão. A cada estação, ou a cada novela, por exemplo, surge uma personagem que dá vida aos formatos e cores que viram sucesso em pouco tempo. Atualmente a novela Salve Jorge, da rede Globo, é uma das responsáveis por ditar grande parte das tendências que ganharam as ruas através de algumas personagens. A delegada Helô, interpretada por Giovanna Antonelli, é um exemplo, de que o que passa na telinha vira mania nacional. A atriz já lançou até uma linha de esmaltes, chamada “Emoções”. Além dela, outras personagens, não só do horário nobre, despertam o desejo por esmaltes. Como a Juliana, de Guerra dos Sexos, interpretada por Mariana Ximenez. A atriz é garota propaganda de uma grande marca especializada no produto. Assim, independente da estação ou da tendência o esmalte se recria. E cada tecnologia ou novidade agregada a esse produto, é garantia de que vai ser um sucesso.


Louca por esmalte Tem mulher que não sobrevive sem um esmalte. Ou melhor, tem mulheres que não sobrevivem sem vários esmaltes. A verdade é que muitas delas, fizeram dessa paixão, uma mania de colecionar dezenas, centenas e até milhares de tubos desse produto. Fernanda Grazielly, é estudante de jornalismo, e não sai para lugar algum sem as unhas estarem pintadas. Independente da cor, modelo ou formato, ela adora esmaltes desde criança. "Sempre gostei de pintar minhas unhas. Quando eu era ainda muito pequena admirava minha mãe com aqueles esmaltes e ela escolhendo sem saber qual ia utilizar. O esmalte, independente da cor, faz da mulher um ser mais atraente, acredito que minha vaidade não seria a mesma sem meus esmaltes", revela a estudante. Dona de uma coleção de quase 200 tubos, sua paixão dela se multiplica a cada ida ao supermercado com a compra de novos esmaltes para sua coleção. Percebemos o quanto o esmalte é importante na vida de algumas pessoas, e quando vira mania, nem se fala!

História do esmalte O que se sabe, é que desde a antiguidade o esmalte já fazia parte do gosto feminino. Por volta de 3500 a.C, as mulheres egípcias se utiliza-

vam de henna preta para pintar as unhas. Além da vaidade, as cores de esmalte divergiam classes sociais e despertavam preferências de rainhas. Cleópatra tinha preferência por vermelho-escuro. Nefertiti gostava de rubi. Essa distinção social também era possível notar na China. No século 3 a.C, tons de vermelho e metálico significava um posto privilegiado na sociedade. Em Roma, fazia-se tratamentos com materiais abrasivos, fazendo o polimento das unhas. Os tratamentos para as unhas variavam desde polimentos com tiras de couro até deixá-las perfumadas com óleos. Em 1925, através de estudos de desenvolvimento para tintas de carro, foram descobertas soluções semelhantes aos esmaltes de hoje. Em sua primeira versão, o produto era de tom rosa-claro. Em 1930, já era possível notar o sucesso que o esmalte fazia, prin-

cipalmente através das contato, as reações a esestrelas de Hollywood. sas substâncias mudam: Você sabia que esmalte no caso de inalação, por pode provocar câncer? exemplo, pode irritar o nariz, olhos e aparelhos É o que comprovou a As- respiratórios. Em contato sociação Brasileira de De- com a pele, pode causar fesa do Consumidor em dermatites e irritações". pesquisa feita em 2011, Porém algumas marcas com doze tipos de esmal- também lançam produte de três marcas brasi- tos preocupados com leiras (Colorama, Risque a saúde de quem tem e Impala), comprovando problemas com alergias que sete deles contém e irritações. Um desses sustâncias que fazem mal produtos são os esmaltes à saúde. Dentre essas Hipoalergênicos, que não substâncias se encontram possuem algumas sustâno nitrotoluene, o tolue- cias responsáveis por esno, o furfural e o dibu- ses desconfortos em pestylftalato, considerados soas mais sensíveis, como cancerígenos na Europa. o Tuluol e o Formaldéio. No Brasil, não se sabe de Além de terem uma quannenhum caso em parti- tidade maior de cálcio, cular, de pessoas que te- assim como sua durabinham sido prejudicadas lidade, a secagem é mais por esses componentes. rápida do que os comuns. Mas, em entrevista ao Mas, é sempre bom não site M de Mulher (mde- abusar do uso do esmalte. mu l her.abr i l.com.br) E qualquer reação advera dermatologista Sara sa a melhor saída é procuBragança, do Rio de Ja- rar um especialista imeneiro, e membro da So- diatamente. Fica a dica! ciedade Brasileira de Gustavo Rodrolli Medicina Estética afirma: "Conforme o tipo de


Uma sociedade que expira e suspira arte E que venham os poetas! Com o lema: “permissão e coletividade; expressão, produção e liberdade”, o blog piauiense Sociedade dos Poetas por Vir virou referencia no estado quando o assunto é poesia e arte. Fundado por André Oliveira, conhecido como André Café, e Victor Marchel, no dia 1º de dezembro de 2010, o blog promove o encontro de poetas amadores de todo o Piauí e de outros estados. O sucesso do blog é tamanho que já recebeu visitas de internautas de diversas partes do Brasil, como Santa Catarina, São Paulo, Tocantins, Ceará e Paraná; inclusive de outros pa-

íses, como França, Alemanha, Cingapura, Grécia, Dinamarca e EUA. A idéia de transformar um fanzine, que possuia o mesmo nome, em blog era algo despretensioso, mas acabou ganhando espaço entre os admiradores de bons textos. “A idéia ficou estagnada por um tempo até que no final de 2010 a gente resolveu utilizar a ferramenta do blog como socialização e fomento às produções em geral do povo”, lembra André Café. Em sua estreia foi lançada uma promoção, onde todos podiam participar enviando textos, poesias ou contos. A idéia de criar essa promoção

foi para aproximar os internautas do Piauí e de outros estados, criando um vinculo deles com o blog. “As promoções tem esse objetivo principal: fomentar, instigar, provocar. Quando a gente faz a promoção e os textos começam a chegar, é gratificante, pois as pessoas querem sim difundir aquele punhado de palavras, ou um documentário, ou fotos que na verdade é um pedaço de cada um”, explica André Café. A ideia das promoções deram tão certo que além da oportunidade de divulgar poesias e contos de autoria própria, os Sóci@-poetas - como

são chamados os editores e colaboradores do blog – se sentem mais estipulados devido a chance de concorrer a diversas promoções realizadas pelos responsáveis. Livros como O apanhador no campo de centeio, O mundo de Sofia e Pedagogia da amizade já foram sorteados entre mais de 80 participantes que enviaram textos. A interação dos Sócio-poetas dentro do blog, acaba criando uma espécie de vinculo entre os participantes que mesmo não se conhecendo pessoalmente, criam ali, um ambiente amigável. “Se a gente considerar o geral, tem pessoas de vá-


fil hoje conta com mais de 2.600 amigos espalhados por todo o país. Nesse perfil são publicados e divulgados conteúdos do blog (textos, contos e demais produções artísticas), além de fotos dos diversos saraus produzidos por eles e das intervenções artísticas

rias partes do Brasil que já temos um tipo de 'convívio' salutar, necessário e amigável. Os Sócio-poetas que postam, boa parte eu conheço e são sim meus amigos, mas mesmo nesse universo tem gente que eu nunca vi pessoalmente, mas é um clima tão bom, além de coletivo político poético somos sim amigos”, comenta André Café.

realizadas pelas ruas de Teresina, o Gruda Poesia. Textos de conteúdos variados, como amor, arte, comportamento, educação e filosofia, mostram a diversidade de assuntos e pensamentos expressos dentro do blog. Para publicar textos não existe censura, pois, segundo André Café, existem cinco eixos que definem o trabalho do blog: “a permissão de você compreender o outro; coletividade: compreensão de horizontalidade, de equidade para todas participações, expressão e produção: o respeito e socialização do que é produzido e liberdade.” E isso tem contribuído cada vez mais na procura de curiosos e de artistas que encontram ali a liberdade de expressar suas idéias. Claryanna Alves

A Sociedade dos Poetas por Vir também ingressou no facebook. O per-


a hora do homem

Monteiro Júnior 3h35. Sim, são 3h35 e o chão se move debaixo do avião, furtivamente, como um tapete sendo puxado, sendo convidado a fugir da sala de estar. Mário recosta a cabeça na janela, ao encontro do rosto sereno do rapaz de 32 anos. Quantas horas cabem em 32 anos? Quanto tempo se espreme numa vida? “Sou poeta”, repete para si mesmo o jornalista a caminho de Los Angeles. Mais uma série de matérias sobre política internacional para o Jornal do Brasil e ele só pensa no verso “Sou poeta”. Quando escreveu mesmo isso? 1948. Belém. Pará. As lembranças retornam no mesmo ritmo em que o chão fica para trás. O avião decola, sempre decola, assim como os pensamentos. E Mário retorna a Teresina, capital do Piauí, em 22 de outubro de 1930. Nas memórias herdadas de outras memórias, vê-se nascer. O último dos vinte filhos do casal Francisco dos Santos e Silva e Celsa Veras e Silva. Mário Faustino dos Santos e Silva é o nome com o qual é batizado, apadrinhado por José Veras, seu irmão mais velho, e a esposa dele, Eurídice Mascarenhas. Debaixo do choro da gelada água batismal, mal o sabe que seus padrinhos serão, na verdade, seus criadores. Mal sabe também o afeto a ter com a morte logo na tenra idade, na busca por ela nas leituras compulsivas dos livros que descobre na Escola Modelo Arthur Pereira, na Praça da Bandeira. A morte, essa dama de negro sempre em luto, acompanha-o nos sonhos e, sobretudo, nos primeiros rabiscos de escritor. “No reino da morte”, seu conto, aos nove anos de idade, no qual os personagens alcançam esse reino onde como recompensa simplesmente morrem. Enquanto Mário cresce de mãos dadas com a morte, o Brasil dá adeus à República Velha, com a deposição de Washington Luís dois dias após seu nascimento, em 24 de outubro de 1930. Nessa década, a História é testemunha de ilustres eventos, como o assassinato do então vice-

-presidente João Pessoa, a ascensão da Revolução de 30 liderada por Júlio Prestes, a chegada de Getúlio Vargas ao poder por vias militares, batendo o primeiro martelo da Segunda República. Sem falar na instauração da Assembleia Constituinte e na Constituição de 1934. No âmbito literário, Mário tem seu nascimento coincidindo com o auge do Modernismo, tanto na prosa de ficção, impregnada pelo espírito getulista e do Estado Novo, quanto na poesia, promovendo, após a “fase da ruptura”, a “fase da construção”. ELEGIA Por volta dos dez anos, Mário relembra com a cabeça recostada no assento do avião, a primeira vez na suja e caótica Belém do Pará, o sorriso dos avós postiços, pais de sua madrinha de batismo, a receber o garoto sem lar de braços abertos. E algumas exigências, óbvio, só para manter a casa em ordem. Nem precisa tanto, Mário se revela um hóspede discreto e educado, ainda que um ou outro relance de melancolia no olhar deixe os avós com um pequeno, porém incômodo, aperto no coração. O primeiro dia no Colégio Nazaré é o seu primeiro dia de três longos anos de ginásio, sob a orientação dos Irmãos Maristas; o último ano, já rapaz, no Colégio Moderno, onde também seria professor de inglês e francês. [...] E enquanto o crepúsculo em desespero tenta recompor a rosa assassinada a luz do poema desaba desmaiada. [Elegia, 1948] Aos 16 anos, lança-se ao jornalismo, escrevendo editoriais, crônicas, artigos sobre cinema e literatura, mais a tradução de telegramas internacionais. A angústia do fim da mocidade, a “rosa assassinada”, o leva a colaborar no suplemento literário do jornal A Folha do Norte, editando seus primeiros poemas. Quem sabe assim o vazio das horas passasse menos áspero pelo fino manto da existência. Sim, Mário


continua na companhia da morte, discreta a observar os rumos de seu prodígio. Ela o vê concluir o curso clássico no Colégio Estadual Paes de Carvalho, traduzir poetas franceses, espanhóis, ingleses e estadunidenses, dirigir a revista Encontro, junto com Benedito Nunes e Haroldo Campos, na qual publica o trágico conto “Nigel”.

Vida toda linguagem, frase perfeita sempre, talvez verso, geralmente sem qualquer adjetivo, coluna sem ornamento, geralmente partida. [...]

[...] Nigel encaminhou-se cambaleando para um dos espelhos, mirou-se num pedaço maior que os demais e, ao ver toda aquela beleza perdida em carnes esfaceladas, caiu morto, entre os restos das estátuas e dos vidros que não mais refletiriam Nigel dos olhos verdes.

A linguagem além de instrumento comunicacional, mas também elemento o qual se confunde com a própria vida. Astuta e brincalhona, a morte deixa em versos famosos sua pista de que as horas não escapam ao seu relógio: “Sinto que o mês presente me assassina/corro despido atrás de um cristo preso/cavalheiro gentil que me abomina/e atrai-me ao despudor da luz esquerda/ao beco de agonia onde me espreita/a morte espacial que me ilumina.” Acende o sinal de afivelar o cinto de segurança e traz Mário de volta ao presente, ao avião dando sinais de estar entrando numa região de turbulência. Olha para o relógio de pulso: 4h36. Não, ainda não é a hora certa. Ele fecha os olhos e cai novamente

[Nigel, 1948] A morte sorri e, orgulhosa do seu pupilo, deixa-o ir em frente, adentrar a década 50, homem formado, viajando pela primeira vez aos Estados Unidos, para a Califórnia, aprofundar-se no inglês e estagiar no Los Angeles Mirror. Retorna ao Brasil dois anos depois, em 1953 bem a tempo de fazer amizade com o poeta Robert Stock, estadunidense em temporada na velha Belém. Visita diversos países junto a uma embaixada de Direito. Até se matricula, no afã do momento em que vive, no 4º ano do curso de Direito; não tarda a descobrir-se errado e abandona o curso. O ano seguinte, 1955, traz ao homem sua hora, e assim Mário carimba seu nome na literatura brasileira ao publicar seu primeiro – e último – livro em vida.

[in O Homem e sua Hora, 1955]

O HOMEM E SUA HORA

Desvinculado da Geração de 45, famoso movimento poético, o “Verse Maker”, como o chamaria Augusto de Campos, seleciona os poemas escritos entre 1953 e 1955 para a coletânea lançada no mesmo ano do mais recente verso. No livro, muito bem recebido, para o conforto momentâneo do nosso herói, Mário pratica seu entendimento particular da poesia em si, da verdadeira poesia, feita “com palavras vivas, com palavras coisas”, mais do que meros “conceitos, impressões, confissões”. Mário se vale do passado para integrar-se ao moderno, sem estar necessariamente preso ao modismo concretista que toma a produção do país de assalto.

no tempo sem corda.

[...] Lá vi o pó do espaço me enrolando em turbilhões de peixes e presságios – pois na orla do mundo os delatantes sombras marinhas, vagas, me apontavam. [in O Homem e sua Hora, 1955]


POESIA-EXPERIÊNCIA

O LONGO POEMA EM CONSTRUÇÃO

Em 1956, muda-se de vez para o Rio de Janeiro, lecionar na Fundação Getúlio Vargas e ser professor-assistente na Escola de Administração Pública. No dia 23 de setembro do mesmo ano, Mário dá início à “Poesia-Experiência”, página inteira no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil [SDJB] dedicada à poesia. A página logo sacode o cenário poético e o notabiliza como crítico literário, além de lhe permitir compor suas próprias experimentações poéticas. Isso no auge dos movimentos concretistas e neoconcretistas, os quais ele não considera enquadrar-se, apesar de flertar bem de perto.

No domingo, 1 de novembro de 1958, Mário vê circular o último número da página “Poesia-Experiência” no SDJB. Sem precisar ir tão no fundo, ele sabe que uma parte importante de sua vida fica para trás, sem qualquer chance de retorno. A morte lhe dá uns tapinhas nas costas, tapinhas amigavelmente sacanas, só para acalmá-lo, dizer que não está sozinho e, sobretudo, que a hora do desespero ainda não chegara. O crítico-poeta se resigna, sorri para a morte e segue em frente nas horas que, cada vez mais, parecem ter perdido a noção de freio. Um ano se passa numa inocente piscadela de olho e ele é finalmente admitido no corpo de redação do Jornal do Brasil, no cargo de confiança de Coordenador de Opiniões.

Laço laço de corda sino enforca espaço sol pesa no pescoço [...] raro ar feito corpo. Corpo: salto e carne. E sal roendo músculo sagrado. [...] – Nada. Se passa – ar de colina raro

[...] o tempo: sempre o sopro etéreo sobre os pagos, sobre as régias do vento, do montanhoso vento – e a terna idade amarga – juventude – êxtase ao vivo, ergue-se o vento lívido, vento salgado, paz de sentinela [...] [Juventude, 1959] Mário acorda sobressaltado no meio da noite, uma ideia o arranca da cama como um menino travesso. Ele pega


um papel e se põe a escrever uma carta ao amigo Benedito Nunes. Fala da maneira com a qual deverá lisonjear a morte, pedir-lhe mais horas. Um poema, sim, por que não? Um longo poema-diário a lhe seguir até o último suspiro e publicado somente de cinco em cinco anos. “Com ele, poesia e vida minha deverão seguir paralelas, até que a morte nos separe, till death doth apart us”, escreve em garranchos quase febris. Inspira seu método na montagem eisensteniana, a justaposição de imagens formando um sentido completamente novo. Haveria de ser sua maior contribuição à poesia. [...] Neste momento a sombra cobre mundo e vazio neste momento o tempo suga o vazio, o tempo procura o tempo, encontra o tempo, penetra o tempo e perde-se sombra enrolada a sombra um só caos, busca e encontro e perda e tudo: sombras. [...]

mamente, Mário vira o rosto e vê pela janela a poesia, a verdadeira poesia, finalmente, entre os raios que acertam em cheio a turbina do avião. Tira do bolso do paletó seu caderninho de notas já marcado por uma caneta. Enquanto o desespero toma conta dos últimos instantes da vida daquelas pessoas, o poeta Mário Faustino rabisca com um sorriso discreto na boca seu último verso no caderninho surrado, amassado. O que ele põe no papel, o que ele realmente põe no papel, pertence à derradeira consciência de Mário e a mais ninguém. Seu último verso seria somente seu. Então, ele põe o caderninho de volta no bolso do paletó e repousa as mãos sobre as coxas. Tudo foi uma longa despedida, afinal de contas. O começo, o meio, o fim. Ele fecha os olhos, agora sem nenhum medo ou ansiedade. “Sou poeta”, repete para si mesmo sem pairar qualquer espécie de dúvida. E fica à espera de poder pisar no reino do seu primeiro conto, para fazer as pazes com sua eterna companheira enlutada. [...] Não morri de mala sorte, Morri de amor pela Morte.

[sem data] O ÚLTIMO VERSO O tempo se esvai e vai, ao resto das sombras que ficam, pois a morte redobra sua atenção quando percebe ser ludibriada, mesmo pela arte, pelo belo das palavras de um poeta. Mas o que seria do poeta sem a morte, sem o tempo dela, a esmagar lentamente a vida? Mário sabe que seu tempo permitido está se aproximando do fim. Se não sabe ao certo, certamente desconfia, e os trinta anos chegam como se já fossem se despedindo. Ele foge para os Estados Unidos, para barganhar tempo consigo mesmo, talvez. Em 1960, vai trabalhar no Departamento de Informações Públicas da Organização das Nações Unidas. Todavia, a fuga dura pouco, e Mário retorna ao Rio de Janeiro para, em 1961, assumir o cargo de Diretor Adjunto do Centro de Informações da ONU no Brasil. Ao mesmo tempo, trabalha como editor de A Tribuna da Imprensa, assim como Editorialista no Jornal do Brasil. Este último o coloca a bordo do voo da VARIG onde agora se encontra. Mário olha para os lados, as pessoas inquietas com o sacolejo do avião. Já ele estranha a si mesmo por de repente estar tão calmo, tranquilo após regressar de sua própria vida. Olha mais uma vez o relógio de pulso: 5h15. Sim, 5h15, ele compreende o momento. Todo homem tem sua hora, e a dele por fim tinha chegado junto a das outras 96 pessoas que ali estão. Cal-

[in O Homem e sua Hora, 1955]

____________ Bibliografia consultada: . EULÁLIO, C. E. M. A Literatura Piauiense em Curso Vol. 2 – Mário Faustino. Corisco: Teresina, 2000. . TAVARES, Z. Sociedade dos Poetas Trágicos. Gráfica do Povo: Teresina, 2004.


Ídolos e Alegorias: a adoração de nossa gente... A construção de ídolos e a representação dos símbolos em desejo

“Você era a nossa esperança (...) E a nossa pequenez, e a nossa insignificância, e o nosso irremediável destino de obscuros coadjuvantes eram esquecidos enquanto perseguíamos com você, em cada reta, em cada freada, a glória da liderança, o posto supremo do pódio (...) E andávamos pela rua de nosso bairro miserável, de nossa cidadezinha humilde,de nosso país ignorado com o peito inflado e a cabeça erguida (...) Você era nossa cachaça, nossa consolação.” Dessa forma, Raul Drewnick, em artigo publicado na Folha de São Paulo, desabafou a dor e o amargo que tirava o ar do peito de uma nação no dia 01 de maio de 1994. O Brasil despedia-se das alegrias de domingo. As lágrimas desabonavam o ultimo sorriso despertado e, por aquele tempo, retiravam o brilho contido nos rostos.

estudante de mecânica, Junior Feitosa, recorda com pesar daquele dia. “Mesmo sem compreender direito, pois eu era criança, foi muito estranho aquele dia. Lembro que meu pai chegou chorar, e a rua passava uma tristeza imensa, as pessoas acompanhavam ao resgate aflitas”. A construção de ídolos e a representação dos símbolos de identidade passam a ser comumente mais percebidas e potencializadas diante do processo de massificação da cultura, em que o fortalecimento de imagens e insígnias faz com que possam ser apropriadas como elementos despertadores de desejos e posturas, ditando várias relações do seio social. Segundo o psicólogo Silas Moraes, essa sensação, e necessidade, de integração que se passa entre a idolatria e a construção das identidades pessoal e coletiva, é intensificada como escape num contexto em que o individualismo é imposto quase como regra para sobrevivência num ambiente concorrencial. Em muitos casos, essa elevação emblemática pode ser dotada em componente marcante de processos políticos. De forma que a defesa e reSímbolo de vitória nacional: Ayrton Senna fez da ‘Fórmula 1’ proferência dos projetos pograma obrigatório nas manhãs de domingo. Dias de ser e se reconhecer como povo, Jorge Machado Maneira líticos para determinadas transformações transferindo-se em alma e aflição para aquele menino sociais são associadas à figura de sujeitos. franzino e determinado que, nascido na maternidade Com o surgimento de princípios unifiPro Matre, na Bela Vista, região central de São Paulo, cadores e dignos da contemplação de alguns, e unificou milhões de brasileiros no cokpit de um Foródio de outros, excita-se a elevação de “heróis” e mula 1 e exaltou a 300 km/h os sentimentos de perten“anti-heróis” que movimentam a dinâmica socer ao país amante e amado por Ayrton Senna da Silva. cial, mesmo que frívolos e passageiros dos ins Ainda com 6 anos de idade na época do acitantes. Os personagens são transformados em dente que vitimou Senna, nas curvas de Ímola, o ícone de representação da luta e entram na di


nâmica organizativa social, tornam-se caricaturas de si e símbolos do todos que se identificam. Assim, “surge uma incessante necessidade de reafirmação das pessoas que passam a se espelharem nos ídolos, não só atribuindo-lhe papel de referência, como também, o percebendo como extensão de si. De repente, não foi só Ayrton Senna que venceu, eu também venci”.

Identidade: Os outros e o Eu

Chávez: Idolatria e Política “Morre arqui-inimigo dos EUA”, anuncia a tensa apresentadora da CNN. Isso dá o tom de qual era a imagem internacional construída hegemonicamente em torno de Hugo Chavéz. Os maiores jornais do mundo seguiram a linha da CNN, naquela terça-feira, 5 de março, e expuseram-no sob imagem de um líder anti-democrático e polêmico. Ao mesmo tempo, centenas de milhares de pessoas tomavam as ruas venezuelanas em homenagem ao “Comandante”, que também despertou comoção de defensores do seu Governo em vários países, especialmente latinos, e o alçavam ao patamar de símbolo exemplar da luta pela unificação da América Latina e contra as desigualdades sociais. Com a chamada “revolução bolivariana”, assim denominada por ele, provocou fortes contradições entre os chamados “chavistas” e os opositores, que atribuíam ao “fanatismo” o fato de pessoas se identificarem e defenderem as ações do “Comandante Chávez”, líder de características intensas e firmes, porém, carismático. Dentre suas ações, estão reformas que romperam com a lógica neoliberal em vários campos, e ofereceu em mercados estatais produtos mais baratos que no mercado de concorrência, alem de uma transformação no sistema educacional e ampliação do sistema de saúde pública fazendo-o chegar até as “favelas”. Assim, a partir da efetivação do seu projeto político, o ex-presidente venezuelano conquistou a idolatria de vários militantes sociais erguendo os símbolos de Simon Bolívar, personagem marcante da história latina. Despertando uma identificação coletiva associada a anseios históricos das lutas sociais em nosso continente. Dérek Stéphano

Ilustração: Carlos Latuff

A criação de símbolos a serem “idolatrados”, seguidos e reflexos de si transforma-se numa ferramenta de consolidação da própria identidade, que, perante uma estrutura econômica capitalista, muitas vezes se confunde com a capacidade de consumir estes símbolos. Constituindo-se, de certa forma, num componente de diferenciação do “eu” em relação aos outros, podendo também na mesma dinâmica funcionar enquanto elemento de unificação e orgulho coletivo. Há algum tempo, o futebol é sempre atrelado à concepção de brasilidade. Esporte mais praticado no país adquiriu um status de patrimônio cultura e gera um sentimento quase familiar entre os torcedores do mesmo time de coração, um irmão na dor ou na alegria. “O que mais me fascina é que pessoas estranhas parecem antigas amigas nos momentos de ameaça de gol, existe uma explosão de alegria contagiante. Sentia-me impelida à confraternização, a troca de abraços e sorrisos, como todos os outros. Na formação de uma consciência, entre os torcedores, de um nós contra os outros”, comenta a Prof.ª Dr.ª Fátima Antunes, na introdução da sua tese de doutorado “Com Brasileiro Não Há Quem Possa”. Sentimento compartilhado por Aline Rodrigues, 18 anos, torcedora “fanática e compulsiva”, como se define, pelo Flamengo. “É um amor que nasceu junto comigo, coisas do coração que ninguém explica. Quando estou com a nação rubro-negra nada mais importa e, nosso rei é o ‘camisa 10’ da gávea”, explica. Silas Moraes comenta que esses “ritos de idolatria”, alem do despertar coletivo e aporte para a construção de si, podem ser importantes subterfúgios do cotidiano, ajudando no alívio do estresse da vida moderna. Porém, alerta, em casos extremos, podem provocar um abandono de sua própria realidade e um consequente afastamento das relações sociais. Alarmando seu sentimento pelo rubro-negro, Aline destaca que acaba se dividindo entre o amor ao namorado e sua paixão pelo Flamengo, que recebe muito tempo de sua atenção: “são amores distintos, porém muito inten-

sos,” e segue argumentando, “ambos representam motivo de muita alegria e orgulho para mim. ”. Amor familiar tão exaltado também entre os componentes das escolas de samba por todo o Brasil, que atravessa os dias da festividade e se consolida durante todo o ano em cada comunidade. Agremiações que sopram na avenida o rosto e alma de cada amante das vilas, da fé e dos orixás... Da diversidade. A exuberância da Estação Primeira de Mangueira, sublime expoente do carisma e da vida pela verde e rosa “em alvorada, lá no morro” de Cartola, o mestre da Mangueira. Ou o “feitiço da vila” cantado por Noel Rosa em elevação à Vila Isabel, o abençoado poeta da Vila. Genes da construção de uma identidade coletiva adorada por todos e emenda de cada um.


Aline Rocha A arte é a forma do ser humano expressar sua identidade, colocando a sua subjetividade em músicas, peças, poesias, livros, lendas, pinturas e outras formas mais de esboçar a sua criatividade. Uma dessas formas vem com a união de diversas expressões em um único palco, e a ela damos o nome de Teatro Musical. Vamos agora entender um pouquinho desse gênero artístico tão em voga nesse ano de 2013?

Afinal, o que é “teatro musical”?

componentes, em um formato mais voltado para Rock tradicional). O Teatro Musical é correlacionado com a Ópera e com cabaré, pois ambos têm raízes nas performances cantadas e atuadas ao mesmo tempo, mas suas linhas delimitantes muitas vezes são difíceis de conceituar.

Como surgiu

Teatro Recreio - Rio de Janeiro Teatro de Revista

no Brasil?

Uma viagem pelo Muita gente confunde com um estilo musical com a inclusão do teatro. Bem, resumindo e pondo de lado toda a sua carga simbólica, o Teatro Musical é definido como um estilo teatral, unindo não só a música, como a dança, canções, e diálogos falados. O resultado da união de tudo isso é o que chamamos de “Musical”. Em sua composição o musical deve pautar-se em três elementos chaves: a música, a interpretação teatral e o enredo. O enredo de um musical é a parte não cantada, onde os atores se preocupam mais com a atuação propriamente dita, a parte dramática da peça. Interpretação teatral é o passado dos atores pra a plateia, para que se entenda a história e as relações entre os diversos personagens, incluindo as performances de dança, encenação e canto. Já a música e a letra juntas formam o escopo do musical, algumas com arranjos mais elaborados (tocadas por orquestras) e outros mais populares (tocados por bandas de cinco

Agora que entendemos um pouco do que é o gênero teatro musical, podemos ir um pouco atrás das suas raízes. É difícil delimitar uma linha histórica mundial, porque cada país teve a sua forma de expressá-la e em diferentes épocas, geralmente, os estudos mais superficiais sobre o histórico desse estilo o subdividem por países. O nosso teatro Musical atual sofre muita influencia da Broadway, ou seja, dos Estados Unidos. Mas nem sempre foi assim. O teatro musical no Brasil teve início por volta de 1859, no Teatro Ginásio do Rio de Janeiro. Com o espetáculo As Surpresas do Sr. José da Piedade, de Justiniano de Figueiredo Novaes. O novo gênero tornou o teatro mais acessível ao grande público, com certo caráter satírico, inspirados na França. As peças ficaram mais curtas, uma inovação muito bem aceita na época. Assim foi criado o que ficou conhecido primeiramente como teatro de revista, gênero de espetáculo característico do Rio de Janeiro. O gênero não exigia uma linha narrativa, o casal de cantores e bailarinos que interpretava devia seguir a regra única, de ela ser elegante e bonita, e ele alegre e malandro, colocando um toque de sátira em cada frase e em cada nova sequencia do espetáculo. Passado os anos e muitas mudanças no teatro de revista chegamos a meados da década de trinta com o que mais se aproxima do teatro musical


atual,o interesse dos primeiros atores pela credibilidade da empresa na produção de grandes espetáculos, em que um elenco formado por numerosos artistas se revezam em cada temporada. A direção investe na ênfase à fantasia, por meio do luxo, de grandes coreografias, cenários e figurinos suntuosos. A maquinaria, a luz e os efeitos equivalem ao o, anos 40, exemplo do intérprete em importância. Mas, aos poucos, a revista começa a apelar fortemente para o escracho, para o nu explícito, em detrimento de um de seus alicerces: a

Atualmente... Passada a Década de ouro (The golden age) do Teatro Musical no mundo, décadas de 40, 50 e 60, o estilo estagnou e ficou focado em pontos como a Broadway nos Estados Unidos, no que diz respeito a apresentações no teatro em si. É comum se adaptar as peças a filmes, e de vez em quando algum filme consegue trazer um número maior de espectadores ao teatro, como é o caso de “Chicago”, filme lançado em 2002, vencendo 6 Oscars no ano de 2003, inclusive o de melhor filme. Outro grande Boom do teatro musical mundial-

Teatro Musical comicidade, e, assim, entra em um período de decadência, praticamente desaparecendo na década de 60. Uma das grandes compositoras do teatro de revista brasileiro foi Chiquinha Gonzaga, assim como Artur Azevedo, Carlos Gomes e outros. "Ao se falar em teatro de revista, que nos venham as idéias de vedetes, de bananas, de tropicália, de irreverência e, principalmente, de humor e de música, muita música. Mas que venha também a consciência de um teatro que contribuiu para a nossa descolonização cultural, que fixou nossos tipos, nossos costumes, nosso modo genuíno do 'falar à brasileira'. Pode-se dizer, sem muito exagero, que a revista foi o prisma em que se refletiram as nossas formas de divertimento, a música, a dança, o carnaval, a folia, integrando-os com os gostos e os costumes de toda uma sociedade bem como as várias faces do anedotário nacional combinadas ao (antigo) sonho popular de que Deus é brasileiro e de que o Brasil é o melhor país que há." diz a pesquisadora Neide Veneziano.

mente foi o lançamento da série adolescente “Glee” em 2009, com sucesso de audiência, o seriado conta com muitas músicas e interações de jovens que estão no ensino médio, na cidade de Lima Ohio nos EUA. Em seu repertório trás inúmeras releituras de clássicos, como o musical Funny Girl, vivido por Barbra Streisand no seu papel principal. A série reavivou o interesse e a curiosidade dos jovens para o gênero, assim como o lançamento nesse ano de Os Miseráveis. Agora, estamos no Brasil no aguardo de muitos musicais sendo encenado nos teatros, esse ano estreia “Rock in Rio- o Musical”, releitura do “Shrek”, “Jesus Cristo Superstar”. Fiquem atentos! O Teatro Musical tá chegando pra ficar, procurem em suas cidades espetáculos ou induzam a começar um!


Revista Culthe