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REVISTA DO GRUPO FIAT DO BRASIL Número 114 - fev/mar 2012

C. Belini, presidente da Fiat/Chrysler para América Latina, apresenta o Grand Siena

Grand Siena Maior e mais elegante Fiat Strada chega à Europa • Fiat Chrysler planeja expansão no mercado brasileiro • Iveco vence o Rali Dakar 2012 • New Holland reforça compromisso social com programa Plantar & Construir • Alunos da Fundação Torino fazem bonito nos vestibulares 2012 • Magneti Marelli inicia parceria com Museu de Artes de São Paulo • Conheça a Festa Nacional da Uva: um tributo ao passado italiano no sul do Brasil


Cinto de segurança pode salvar vidas.

QUANDO O FUTURO PRECISA DE SOLUÇÕES, ELAS NASCEM COM IDEIAS.

NOVO GRAND SIENA. Para a equipe de engenharia da AETHRA, é gratificante fazer parte desse grande lançamento. Comemoramos o avanço dessa sólida parceria com a FIAT, pois sabemos que o futuro é construído com ideias inovadoras e soluções integradas.

AETHRA

SISTEMAS

AUTOMOTIVOS

Tecnologia de Vanguarda


É preciso investir para crescer e, por esta razão, a Fiat iniciou seu maior ciclo de investimentos, com um total de R$ 10 bilhões

cledorvino belini*

Investir para crescer

O

Brasil continua no rumo certo. Os sinais são evidentes no dia a dia: a economia avança com redução de desemprego, aumento da renda e formação de uma nova classe média. A sequência de resultados expressivos de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de fato mudou a composição do tecido social e milhões de brasileiros alcançaram um novo patamar de poder aquisitivo, o qual lutarão para manter e ampliar. É uma trajetória consistente, mas não imune a turbulências. A expansão do PIB em 2011 demonstrou claramente que o Brasil, como país cada vez mais aberto, é suscetível às oscilações das economias que impulsionam o comércio mundial. A tendência da economia brasileira para este ano, entretanto, continua muito positiva e os investimentos serão fator decisivo para crescer mais e melhor. A expansão da produção na ponta da indústria é reflexo de reação em cadeia, que abrange as matérias-primas, passa pela disponibilidade de energia e chega à infraestrutura logística. A capacidade de sustentar o ritmo de crescimento dependerá de investimentos em todos os elos da cadeia, alinhando-se estratégias e objetivos e combinando-se esforços públicos e privados com os olhos voltados para maior competitividade. É preciso investir para crescer e, por esta razão, a Fiat iniciou em 2011 seu maior ciclo de investimentos, com um total de R$ 10 bilhões a serem aplicados até 2014 no desenvolvimento de novos produtos, novos processos e tecnologias, ampliação da capacidade de produção da fábrica de Betim, Minas Gerais, e implantação de nova fábrica em Goiana, Pernambuco. A Case New Holland (CNH), empresa do grupo que fabrica máquinas agrícolas e de construção, anunciou este ano investimentos de R$ 600 milhões em uma nova fábrica em Montes Claros (MG). O Grand Siena, que agora apresentamos ao mercado, é a expressão concreta do resultado de nossos esforços. Cada lançamento meticulosamente desenhado e planejado representa a leitura das tendências, a aposta no futuro, a conexão com os anseios do consumidor. A Fiat é líder de mercado há dez anos porque é movida pela certeza de que é preciso investir para crescer. E fazemos isto com paixão que se renova todos os dias. (*) Presidente da Fiat/Chrysler para a América Latina

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sumário

20 Fiat Strada chega à Europa

8 Fiat Grand Siena:

Picape fabricada pela Fiat Automóveis em Betim (MG) é exportada para o continente desde janeiro e se confirma como modelo com o maior número de destinos internacionais

Sedã em grandes proporções

Maior, mais seguro e moderno, novo Siena ganha características que agregam ao modelo elegância, beleza, funcionalidade, segurança, conforto e um portamalas mais espaçoso

34 Safra de verão 2011/2012 é a mais tecnológica da história

Mesmo sofrendo influências negativas dos fenômenos climáticos, safra atual configura-se em mais um passo em direção a um crescimento consistente da agricultura brasileira

FIAT DO BRASIL S/A Presidente: Cledorvino Belini MONTADORAS FIAT AUTOMÓVEIS Presidente: Cledorvino Belini CASE NEW HOLLAND Presidente: Valentino Rizzioli IVECO LATIN AMERICA Presidente: Marco Mazzu

SISTEMAS DE PRODUÇÃO COMAU Superintendente: Gerardo Bovone SERVIÇOS FINANCEIROS BANCO FIDIS Superintendente: Gunnar Murillo BANCO CNH CAPITAL Superintendente: Brett Davis FIAT FINANÇAS Superintendente: Gilson de Oliveira Carvalho

Fiat Powertrain, em Campo Largo, é responsável por ações de preservação de nascentes e programas que contribuem para a proteção do meio ambiente

SERVIÇOS FIAT SERVICES Superintendente: José Paulo Palumbo da Silva FIAT REVI Superintendente: Marco Pierro FIDES CORRETAGENS DE SEGUROS Superintendente: Marcio Jannuzzi FAST BUYER Superintendente: Valmir Elias ISVOR Superintendente: Márcia Naves

68 Tributo ao passado italiano

ASSISTÊNCIA SOCIAL FUNDAÇÃO FIAT Diretor-Presidente: Adauto Duarte

A 29ª edição da Festa Nacional da Uva ocorreu do dia 17 de fevereiro ao dia 4 de março em Caxias do Sul, com o tema Uva, Cor, Ação – A Safra da Vida na Magia das Cores

CULTURA CASA FIAT DE CULTURA Presidente: José Eduardo de Lima Pereira

E mais

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26 Lançamentos da Chrysler no Brasil 30 Teksid: números da liderança 42 Recorde de quilometragem, qualidade e durabilidade 45 Nascimento sobre quatro rodas 52 Centésima concessionária Iveco é também a primeira sustentável 56 New Holland reforça compromisso social com Plantar & Construir

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60 Rali, off-road, fora-de-estrada. Palavras que combinam com Iveco 64 Sucesso no vestibular 66 Cultura para todos 78 De Chirico

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www.eticagrupofiat.com.br

COMPONENTES FPT – POWERTRAIN TECHNOLOGIES Superintendente: Enrico Vassallo MAGNETI MARELLI Presidente: Virgilio Cerutti TEKSID DO BRASIL CEO Nafta e Mercosul: Rogério Silva Jr.

46 Fábricas mais verdes

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EXPEDIENTE

Mundo Fiat é uma publicação da Fiat do Brasil S/A, destinada aos stakeholders das empresas do grupo no Brasil.

EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO TORINO Presidente: Raffaele Peano Comitê de comunicação Alexandre Campolina Santos (Fiat Services ), Ana Vilela (Casa Fiat de Cultura), Pollyane Bastos (Teksid), Cristielle Pádua (Fundação Torino), Elena Moreira (Fundação Fiat), Fabíola Sanchez (Magneti Marelli), Fernanda Palhares (Isvor), Jorge Görgen (CNH), Marco Antônio Lage (Fiat Automóveis), Marco Piquini (Iveco), Milton Rego (CNH), Othon Maia (Fiat Automóveis), Renata Ramos (Comau) e Roberto Baraldi (Fiat do Brasil). Jornalista Responsável: Marco Antônio Lage (Diretor de Comunicação da Fiat). MTb: 4.247/MG Gestão Editorial: Margem 3 Comunicação Estratégica. Editora-Executiva e Chefe de reportagem: Juliana Garcia. Colaboraram nesta edição: Daniel Prado, Fernanda Bolzan, Guilherme Arruda, Jamerson Costa, Lilian Lobato, Oliviero Pluviano, Tatiana Carvalho, Vladimir Brandão. Projeto Gráfico e Diagramação: Sandra Fujii. Produção Gráfica: Ilma Costa. Impressão: EGL - Editores Gráficos Ltda. Tiragem: 19.500 exemplares. Redação: Rua Oriente, 445 – Serra – CEP 30220-270 – Belo Horizonte – MG – Tel.: (31) 3261-7517. Fale conosco: mundofiat@fiatbrasil.com.br Para anunciar: José Maria Neves (31) 3297-8194 – (31) 9993-0066 – mundofiat@uol.com.br

De cara nova e espírito renovado Por Marco Antônio Lage(*)

A

primeira edição da revista Mundo Fiat em 2012 está diferente. As mudanças, com o objetivo de torná-la mais atraente e de destacar a qualidade do conteúdo editorial, começam pela capa. Ali está a nova marca da publicação, agora com detalhe em azul. Mais do que uma variação estética, trata-se de um importante alinhamento da identidade da revista com as logomarcas das duas holdings que reúnem as empresas do Grupo Fiat, a Fiat SpA e a Fiat Industrial. Em ambas as marcas, predomina exatamente o mesmo tom de azul que agora se destaca na capa. O próprio presidente do grupo Fiat/Chrysler para a América Latina, Cledorvino Belini, comparece à frente da revista, para apresentar o Grand Siena, sedã que se torna maior e mais elegante para atender a um segmento de mercado em expansão e cada vez mais exigente. Ali estão o homem e a máquina, o time Fiat e seu produto. O azul propaga-se desde a capa para o interior das seções, marcando títulos, vinhetas e contornos. O resultado é um conforto visual maior, decorrente do predomínio de uma cor mais fria e relaxante. Novas famílias de tipos também aumentam a facilidade de leitura, amparadas por uma paginação mais leve e arejada. As fotos estão mais abertas na busca de harmonia e equilíbrio gráfico. Os conteúdos editoriais também foram aprimorados. Notícias sobre as empresas e produtos do grupo Fiat continuam a ser uma vertente temática importante,  mas buscaremos contextualizar estas informações, para mostrar como as empresas e produtos se encaixam nas histórias e vida dos brasileiros. A abordagem editorial, porém, vai estender-se cada vez mais para além dos limites das companhias, abrangendo temas valorizados pela cultura do grupo, como o agronegócio, mobilidade urbana, sustentabilidade, italianidade, arte, cultura, educação, esportes, gastronomia. Com seus consumidores e concessionários distribuídos por todo o país e instalações industriais em quatro estados brasileiros, o grupo reúne um grande número de stakeholders, representantes de distintas regiões, culturas e tradições.  Assim, a revista Mundo Fiat se propõe a ser, além de um veículo de informação, um instrumento para ajudar a integrar culturas, buscando pontes de afinidade e referências comuns. Espero que o resultado de nosso esforço cause uma boa impressão. Boa leitura! (*)

Diretor de Comunicação da Fiat/Chrysler

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lançamento

Fiat Grand Siena:

Sedã em grandes proporções Maior, mais seguro e moderno, novo Siena ganha características que agregam ao modelo elegância, beleza, funcionalidade, segurança, conforto e um porta-malas mais espaçoso Por Jamerson Costa e Juliana Garcia

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O

s dicionários atribuem ao conceito elegância a qualidade de ser simples e eficaz, a leveza na forma e movimento. O Fiat Grand Siena chega ao mercado trazendo uma perfeita harmonia desses elementos. Cresceu no tamanho, ampliou o porta-malas, ficou mais seguro e evoluiu. O modelo, fabricado pela Fiat Automóveis em Betim, Minas Gerais, é uma evolução do seu antecessor Fiat

Siena, que escreveu uma história de sucesso durante 14 anos. Desde o início de sua produção, em 1997, foram comercializadas mais de 813 mil unidades até 2011. O Grand Siena vem completamente novo e acrescentou ousadia, sofisticação e funcionalidade. O novo sedã chega ao mercado em quatro versões. São elas: Grand Siena Attractive 1.4, Grand Siena Tetrafuel 1.4, Grand Siena Essence 1.6


lançamento Novo modelo está maior na altura, largura, comprimento e entre-eixos

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16V e Grand Siena Essence 1.6 16V Dualogic®. as alterações que gabaritam o Siena a ser “Grand” são originadas em uma mudança de plataforma sobre a qual o veículo é construído. O uso de uma base maior e completamente nova permitiu que o Fiat Grand Siena tivesse um interior maior, fosse mais largo e espaçoso. Todos ganham em conforto e praticidade. Agora, o Grand Siena possui 20 litros a mais de bagageiro, passando de 500 para 520 litros a capacidade do porta-malas, diferença significativa que o torna um dos maiores em seu segmento. Tão importante quanto a maior capacidade de bagagem, é o aumento do vão de abertura da tampa e a praticidade em abri-la: tanto pelo sistema de abertura elétrica, Logo Push como através do telecomando. Não foi só o bagageiro que cresceu, a nova versão do Siena tornou o automóvel maior na altura, largura, comprimento e entre-eixos. Um ga-

nho a todos os ocupantes que passam a contar com maior espaço interno e conforto. As dimensões do novo sedã O Grand Siena se destaca não só pela bela aparência, mas também por suas dimensões. O sedã está 134 mm mais comprido, 61 mm mais largo, 53 mm mais alto, e seu entre-eixos é 137 mm maior que o de seu antecessor, o Fiat Siena EL, que continuará em produção como versão de entrada do modelo. As medidas aumentam a sensação de comodidade no interior e robustez na parte externa. Apesar desse aumento nas medidas, o modelo é construído com materiais e tecnologias que reduzem 10% o peso total do novo veículo. As características criam uma esfera de espaço ampliado e conferem valor de grandeza e comodidade ao Siena. São alterações que motivaram o acréscimo da palavra ‘Grand’ ao nome. A palavra resume qualidades


lançamento

O Grand Siena possui 20 litros a mais de bagageiro, um dos maiores do segmento

que saltam aos olhos pelas modificações no tamanho e estética. O Siena muda de feição e ganha maior independência.

Novo design acrescenta sofisticação, refinamento, esportividade e robustez

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Elegância e estilo Mais belo, mais completo, mais seguro: o Grand Siena foi totalmente redesenhado em uma parceria entre a fábrica de Betim e o centro Estilo da Fiat na Itália. O novo sedã privilegia a beleza, sofisticação e elegância, toques de esportividade dão ao veículo um estilo próprio, imponente e de muito bom gosto. Aliás, o Siena ganha independência estética em relação aos outros

modelos da Fiat. Com uma feição exclusiva, a proposta é conferir personalidade ao modelo. “Pensamos no Grand Siena como um carro bonito e espaçoso, mais sofisticado e confortável, com esportividade e robustez, sem perder seu lado funcional. Enfim, um carro que faltava nesta categoria”, comenta Carlos Eugênio Dutra, Diretor de Planejamento e Estratégia de Produto América Latina e Vice-Presidente da Fiat Auto Argentina. Para encontrar o desenho que representasse os valores do Fiat Grand Siena, os designers do Centro Estilo Fiat da Itália e do Brasil trabalharam com conceitos de sofisticação, refi-


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namento, ousadia, esportividade e robustez. O novo design aparece na dianteira afilada, com traços bem demarcados e vincos fortes, os mesmos que caracterizam robustez e segurança. A parte frontal acrescenta uma dose de movimento, dinamismo e modernidade ao veículo, com uma grade estreita, áreas cromadas e faróis dianteiros alongados. Os faróis de dupla parábola invadem a lateral com seus contornos inferiores exclusivos. Encaixados no plano para o qual correm o para-choque e o para-lama sob a linha de cintura, resultam em uma transição harmo-

niosa entre dianteira e lateral do veículo. Os planos da lateral são bem definidos, quase angulosos. A linha de cintura alta denota esportividade e energia, mas todos os elementos são trabalhados com elegância, em traços finos e precisos. As lanternas traseiras, assim como as dianteiras, foram redesenhadas. Suas formas geométricas e ousadas invadem a tampa do porta-malas e se prolongam na lateral do veículo. No interior das lanternas há filtros para as luzes de freio e posição, que além de criarem um efeito de guias de luz quando acesas, proporcionam ainda um visual muito bonito.

Alto desempenho, força e potência O Fiat Grand Siena foi criado sobre os mais recentes padrões de tecnologia desenvolvidos pelo Grupo Fiat. O pacote do novo sedã fica completo com os motores Fire 1.4 EVO – Flex ou Tetrafuel - e E-TorQ 1.6 16V Flex, que garantem desempenho, economia e baixas emissões. O motor Fire 1.4 EVO é mais econômico, ao passo em que mantém um desempenho acima da média para os veículos de motorização semelhante. À gasolina, ele produz potência máxima de 85 cv e torque de 12,4 kgfm a 3.500 rpm. Com o etanol, a potência é de 88 cv e torque de 12,5 kgfm a 3.500 rpm. As versões Essence têm motor E-TorQ 1.6 16V Flex, fabricado pela Fiat Powertrain de Campo Largo (PR) que se distingue pela redução no peso das partes móveis, o que possibilita desempenho e baixos níveis de emissões, ruídos e vibrações. O E.TorQ tem potência de 115 cv e torque máximo

de 16,2 kgfm a 4.500 rpm com gasolina ou 117 cv e torque de 16,8 kgfm a 4.500 rpm com o etanol. O Essence possui ainda opções de câmbio mecânico e Dualogic®, que permite tanto a condução em modo automático, quanto em manual, onde as trocas de marcha são controladas por toques na alavanca do câmbio. Além disso, a alteração entre os modos pode ser feita com o automóvel em movimento. A partir de um opcional, é possível ainda acionar mudanças de marcha pelo volante.  egurança é a palavra S de ordem Sempre priorizando a segurança das pessoas, a Fiat já oferece de série air bag duplo frontal e freios ABS com EBD em todas as versões do Grand Siena. Além disso, o carro conta com um terceiro apoio de cabeça traseiro com regulagem de altura e, como opcional, air bags laterais dianteiros. “O consumidor deste segmento está dando muito valor à segurança,

Magneti Marelli acrescenta beleza, modernidade e praticidade O quadro de instrumentos, com iluminação branca e integralmente desenvolvido no Brasil pela Magneti Marelli, concilia beleza, modernidade e praticidade. Seu display, também branco, oferece excelente contraste e facilita a visualização rápida dos instrumentos. Os ponteiros são iluminados em toda a barra e apresentam o Welcome Moving: quando se gira a chave na ignição, eles realizam um movimento de verificação, para que o motorista saiba que estão funcionando corretamente. A iluminação do quadro de instrumentos se acende e apaga gradativamente, acompanhando o movimento dos ponteiros.

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lançamento O modelo pode ter até 15 portaobjetos e possui tecnologia interna que aumenta em 12% o aproveitamento do ar-condicionado

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identificada em itens como air bags e ABS, ele está valorizando um carro completo, para atender todas as suas expectativas” completou Lélio Ramos, Diretor de Operações Comerciais Fiat Brasil. De uma forma geral, para garantir a segurança do carro em conjunto com conforto e tecnologia, foram feitos mais de 71 mil testes físicos e virtuais e rodados aproximadamente 2 milhões de quilômetros durante os testes de confiabilidade. A suspensão foi projetada e calibrada para garantir ainda mais a segurança dos ocupantes. Por exemplo, a suspensão traseira agora é derivada do Fiat Punto, mas com ajuste exclusivo para o Grand Siena. Com isso, a bitola traseira ficou maior que a dianteira, o que garante mais estabilidade e segurança. Também os amortecedores traseiros, em conjunto com as buchas inclinadas de maior diâmetro, deixam o sistema mais eficiente para absorver as irregularidades do piso, mantendo níveis de conforto acústico e vibracional excelentes no interior do veículo.

Uma versão para todos os gostos Como á característico da Fiat Automóveis, elegância e praticidade caminham juntos. Para aumentar a funcionalidade, o modelo pode ter até 15 porta-objetos, de acordo com os opcionais escolhidos. Eles estão nas quatro portas, painel, console central e tampa traseira do porta-malas, o que favorece uma maior organização do motorista. O painel de instrumentos é divido por uma faixa decorativa, denominada Insert Molding, um dos destaques do habitáculo. A peça divide o painel horizontalmente e confere texturas exclusivas para cada versão, sendo o principal elemento de customização no interior do automóvel. A evolução da tecnologia e distribuição interna permite 12% de mais eficiência no ar condicionado, segundo testes realizados pela engenharia. “Para conferir a eficiência térmica do sistema de ar condicionado, utilizamos metodologias revolucionárias, que permitem medir a temperatura em todas as partes do corpo” afirmou Cláudio


lançamento

A história do Fiat Siena Fabricado no Brasil há 14 anos, o automóvel divide uma história de sucesso com os brasileiros: somente em 2011 foram 90 mil unidades vendidas. Apresentado em 1997, na Argentina, começou a ser produzido na fábrica brasileira apenas em 1999, como a opção de sedã da família Palio. Com o bagageiro maior, característico do segmento, o Siena se distinguia pelo padrão econômico dos veículos associados ao Fiat Palio. Ao todo passou por três reestilizações: em 2000, 2004 e 2007. No ano de 2007 o Siena lançou uma grande novidade: era o único automóvel no mundo a rodar com quatro tipos de combustível. O exclusivo sistema Tetrafuel, melhorado no Grand Siena, permite ao motorista escolher o combustível entre gasolina, etanol, gasolina sem álcool (a chamada de E-0, comum na Europa e em outros países da América Latina) e gás natural veicular, GNV. Embora mantenha a economia dos sedãs menores e, principalmente, dos carros da família Palio, o Siena sempre se destacou por incorporar opcionais de outros segmentos. Foi o primeiro da categoria de sedãs menores com air bag lateral e sensores de chuva, de estacionamento e crepuscular. É um modelo de sucesso no mercado brasileiro. É por isso que, mesmo antes de ganhar o nome atual, já era visto como um Grand Siena.

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As lanternas traseiras foram totalmente redesenhadas, suas formas ousadas invadem a tampa do porta-malas e se prolongam na lateral do veículo

Demaria, Diretor de Desenvolvimento e Design/Style de Produto América Latina. As seis saídas dianteiras, sendo quatro centrais, permitem que o ar chegue aos ocupantes do banco traseiro de maneira mais eficiente. Além disso, foram diminuídos os níveis de ruído interno, inclinação em curvas e vibração sentida na parte interna do carro. A Fiat também se preocupou em obter uma boa performance acústica do sistema de áudio que passou a ser composto por rádio/CD/MP3, antena, dois alto-falantes Mid Woofer frontais, dois alto-falantes Full Ranger posterirores e dois alto-falantes Tweeter posicionados nos montantes frontais. Essa configuração traz ainda conexão USB / iPod® e viva voz Bluetooth® para celular. O modelo está disponível em 12 cores: quatro sólidas e oito metálicas. O Fiat Grand Siena tem garantia de um ano, sem limite de quilometragem. E, durante sua vigência, o proprietário tem direito a assistência 24 horas feita pela Confiat, que inclui serviços de urgência como reboque, socorro mecânico e veículo reserva para qualquer lugar do Brasil. As revisões são a cada 15 mil quilômetros ou um ano. Há suporte ao dono em mais de 570 pontos de atendimento da Fiat em todo o país.


exportação

Fiat Strada chega à Europa Picape fabricada pela Fiat Automóveis em Betim (MG) é exportada para o continente desde janeiro e se confirma como modelo com o maior número de destinos internacionais

Por Jamerson Costa

O Fotos divulgação

novo Fiat Strada já é comercializado através de 250 concessionárias da marca na Itália e em outras tantas espalhadas pela Europa. O novo modelo, líder de vendas no Brasil, começou a ser exportado para o continente e integra a

O Fiat Strada marcou a inovação no segmento de picapes leves

lista restrita de veículos estrangeiros presentes nos países europeus, um mercado competitivo e exigente. No Brasil, o Strada lidera as vendas na categoria de picapes leves há mais de uma década. Ao longo de sua trajetória, foram vendidas mais de

710 mil unidades e desde 2010 suas vendas ultrapassam a marca acumulada de100 mil unidades por ano. Em 2011, bateu novo recorde: foram mais de 119 mil unidades vendidas. Suas exportações para diversos mercados superam a marca de 100 mil unidades. “Hoje, é o modelo da Fiat exportado para o maior número de países”, destaca o gerente sênior de exportações para a América Latina da Fiat Automóveis, Euler Ervilha. O sucesso da picape no Brasil e no exterior comprova o compromisso da Fiat em entender e atender a demanda do mercado onde está inserida. O Fiat Strada possui uma variedade de versões e apresenta, inclusive, opções

exclusivas para cada público consumidor: cabine dupla para alguns mercados e opção de abastecimento a diesel para o europeu. Em todas as versões o Fiat Strada oferece diversas possibilidades de uso, com características de veículo de carga e conforto para o transporte de passageiros. Equipado, expressa também esportividade e estilo. Esses são alguns dos atributos que permitiram ao modelo ser inserido no mercado europeu. A América Latina é o maior mercado para o Strada fora do Brasil. Depois dos brasileiros, os argentinos são os maiores adeptos ao modelo: só no ano passado, 7,1 mil unidades foram embarcadas para o país vizinho.

Como os europeus gostam Para adaptar-se ao mercado europeu, o modelo conta com a opção de motor a diesel, adaptando-se a uma forte característica daquele mercado. O Novo Fiat Strada chega à Europa com três versões de carroceria: cabine simples, estendida e dupla. O veículo é produzido nas linhas Working, Trekking e Adventure, com diferenciais que distinguem o carro de acordo com sua funcionalidade. A variação permite combinações com as linhas Working e Trekking cabine simples, estendida ou dupla e Adventure cabine estendida ou dupla. Os motores são Fire 1.4 8v com abastecimento a gasolina ou Flex, E-TorQ 1.6 16v a gasolina e E-TorQ 1.8 16v Flex. Além deles, para o mercado externo existe a opção MultiJet 1.3 16V a diesel. O câmbio é encontrado nas variações manual e Dualogic.

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exportação

Fiat Strada em números Presente em mais de 40 países Segundo em quantidade de unidades exportadas em 2011 pela Fábrica brasileira São 105,1 mil unidades exportadas em 13 anos Lidera as vendas no Brasil na categoria de picapes leves há mais de uma década, são mais de 710,7 mil unidades vendidas Ultrapassa 100 mil unidades vendidas por ano no país desde 2010 Recorde de vendas em 2011, com 119,3 mil unidades no Brasil Fonte: Fiat Automóveis

A inovação no segmento de picapes

O Fiat Strada expressa esportividade

O modelo foi lançado para compor a família Palio, que naquele momento crescia e conquistava uma quantidade cada vez maior de consumidores no Brasil. A picape foi planejada para fortalecer o time de veículos derivados do modelo, atender à demanda dos clientes e agregar valor ao segmento de picapes. O lançamento do Fiat Strada marcou a inovação no segmento de

picapes leves, dada a forma flexível com que o modelo se adapta ao mercado. Por ser encontrado em diversas versões, o Fiat Strada possibilita o consumidor escolher a versão que mais atende às suas necessidades. “O Strada é um carro que reflete muito a agilidade da Fiat em entender o mercado”, aponta Ricardo Dilser, assessor técnico da Fiat Automóveis.

A versão cabine dupla é exclusiva para o mercado brasileiro

AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS A fábrica da Fiat Automóveis exportou 3,1 milhões de automóveis desde a instalação no Brasil, há 35 anos. Os três maiores compradores de carros da Fiat fabricados no país são:

VENEZUELA 264 MIL VEÍCULOS

ITÁLIA 948 MIL VEÍCULOS

ARGENTINA 1,150 MILHÃO DE VEÍCULOS

Os três modelos fabricados pela Fiat Automóveis com maior número de unidades exportadas na história da empresa são: • Fiorino com 464 mil veículos • Uno com 309 mil veículos • Palio Weekend com 211 mil

Fonte: Fiat Automóveis

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Imagens ilustrativas

não é bem no coração de betim: é no pulmão.

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negócios

Novo momento da Chrysler Empresa planeja expansão no mercado brasileiro até 2015. Ainda em 2012, Chrysler estima um crescimento superior a 100% nas vendas do grupo no Brasil em relação ao ano passado

Por Lilian Lobato

J

Fotos Pedro Bicudo

O modelo Durango, da Dodge

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á dizia o ditado: “quem planta colhe”. E 2012 será o ano da Chrysler. O momento de colher frutos e dobrar de tamanho no Brasil. Após organizar a casa e definir as prioridades ao longo do ano passado, a empresa já coloca em prática seu plano de expansão, que inclui aumentar a presença no país até 2015. “A expectativa é aumentar, nos próximos cinco anos, em 20 vezes o faturamento da Chrysler no Brasil. O segmento de carros premium está em expansão e o bom momento pelo qual passa a economia do país tende a contribuir para os negócios da empresa. A renda do brasileiro aumentou e o sonho de ter um veículo de luxo se tornou uma realidade”, avalia o diretor geral do Chrysler Group do Brasil, Sérgio Ferreira.

Somente para 2012, ele estima um crescimento superior a 100% nas vendas do grupo no Brasil em relação ao ano passado, salto de 5,516 carros vendidos para 12 mil. Segundo Ferreira, o resultado será extremamente positivo já que o mercado geral de automóveis e comerciais leves deverá registrar alta entre 4% e 5% no país em comparação com 2011. A previsão de avanço para este ano ainda supera as expectativas apesar do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados. O ajuste representa alta de até 28% nos preços finais dos veículos produzidos fora do Mercosul e do México – que tem acordo bilateral de comércio com o Brasil – ou com menos de 65% de nacionalização de seus componentes. Ferreira ressalta que medidas pontuais, como o aumento do IPI para veículos importados, não irão influenciar o planejamento estratégico da Chrysler. “Para a empresa, o Brasil representa um dos mercados mais promissores do mundo e, por isso, temos um plano arrojado que prevê decisões importantes, que servirão para aprofundar as raízes do grupo no país”, explica. Para chegar onde almeja, a Chrysler terá como base quatro pilares. O primeiro é o Produto e está atrelado ao lançamento de veículos no Brasil. Nos últimos anos, de acordo com ele, a oferta de veículos da empresa no país foi reduzida, o que comprometeu a demanda. Para inverter o jogo, se-

Lançamentos no Brasil A nova era Chrysler tem início com o lançamento do Jeep Wrangler e Wrangler Unlimited, de quatro portas, à venda desde o final de janeiro. O modelo é o mais emblemático da Jeep e terá nova mecânica com motor Pentastar V6 de 284 cv e câmbio automático de cinco marchas. O motor anterior era V6, mas de 3,8 litros e 199 cv. A tradicional capacidade off-road passa a ter mais refinamento mecânico e conforto de rodagem.  Já o Jeep Compass está à venda desde o início de fevereiro. Inédito no Brasil, modelo será a nova porta de entrada da Jeep no país. Um dos destaques é a ampla lista de equipamentos que inclui seis air bags, controle eletrônico de estabilidade, freios ABS, sistema de som Alpine com disqueteira pra seis CDs e entradas auxiliar e USB – que permitem navegação e integração total com celulares, conexão Bluetooth Uconnect com comando de voz e teto solar elétrico. O motor é 2.0 16V com duplo comando variável de válvulas e 156 cv. O câmbio é automático do tipo CVT, com opção de trocas sequenciais.  Depois de mais de um ano ausente, o Chrysler 300C, sedã de luxo da Chrysler, acaba de voltar ao Brasil completamente reformulado. Com nova mecânica ainda mais eficiente - motor Pentastar V6 – o veículo tem câmbio automático de oito marchas. O design também foi refeito e está mais elegante. Os faróis e lanternas exibem LEDs e destacam a sofisticação. O acabamento interno é outro ponto de evolução.  Para março, está previsto o lançamento da RAM 2500, picape de grande porte, única no segmento no país. Anteriormente, o veículo era da marca Dodge, por isso era conhecida como Dodge RAM 2500. Entretanto, a picape passou a ostentar a marca RAM e 2500 será o nome do modelo. O veículo ganhará requinte especialmente na cabine, que será espaçosa e comportará até seis pessoas. O motor continuará sendo um seis-cilindros-em-linha turbodiesel da Cummins, mas em nova geração, com menores níveis

de emissões. A potência será de 310 cv e o torque de 84,6 mkgf. No caso do Dodge Durango, utilitário-esportivo de grande porte, inédito no Brasil, modernidade não falta e será um veículo de eficiente motor Pentastar V6. Com capaci-

Jeep Compass

300C

dade para sete lugares, o veículo irá compartilhar a plataforma com o Jeep Grand Cherokee, modelo que ganhou nova e bem sucedida geração no início de 2011. Para completar, o Jeep Grand Cherokee a diesel está previsto para desembarcar no Brasil em meados do ano. A nova versão é importantíssima no segmento de utilitários esportivos premium. A novidade virá para complementar a linha do veículo, que é um dos mais vendidos do Grupo Chrysler, tanto no Brasil como mundialmente.

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A ideia do grupo é reposicionar a marca e mostrar que a Chrysler é líder em tecnologia e inovação, bem como acessível ao público brasileiro concessionárias, o consumidor não conseguia identificar os pontos de vendas da Chrysler. Além de confuso, o cliente passava a não ter confiança na marca, já que não conseguia encontrá-la com facilidade. Para selecionar os novos pontos de venda, a empresa irá avaliar as condições e a realidade de cada região brasileira. “O Jeep, por exemplo, tem maior demanda em locais que necessitam de veículos off-road. Já a marca RAM tem maior demanda na região Centro-Oeste, por serem veículos de grande porte que contribuem no setor agrícola. No nordeste temos uma presença tímida e precisamos avançar”, ressalta. Em seguida, está o pilar Marcas, relacionado à revitalização e conquista de credibilidade. Ferreira explica que os consumidores têm a imagem de que a Chrysler é uma marca forte, que reúne quatro nomes de respeito – Jeep, Dodge, Chrysler e

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MUNDOFIAT

realizar um melhor atendimento, o que já está em andamento”, destaca. O controle majoritário da Fiat irá contribuir para que os quatro pilares sejam colocados em prática. “Ninguém é líder por 10 anos por acaso. A Fiat tem credibilidade no mercado brasileiro e poderá passar essa expertise para o grupo e contribuir para o nosso crescimento. A expectativa é que o Brasil se torne o quinto mercado do mundo da Chrysler atrás dos EUA, Canadá, México e China”, revela. A aliança ainda tem como base a cultura do Grupo Chrysler de inovação e tecnologia, o que será complementado com a presença da Fiat. Com sede em Auburn Hills, Michigan, a linha de produtos da Chrysler Group apresenta alguns dos veículos mais famosos do mundo, incluindo o Chrysler 300 e Town & Country, Jeep Wrangler, Dodge Journey, Dodge Durango, RAM 2500 e Jeep Grand Cherokee.

Leo Tailor Made

Iveco no Dakar 2012. ÚnIca paraDa: a vItórIa.

Imagem ilustrativa.

RAM – no mercado, mas que é inacessível. A ideia do grupo é reposicionar a marca e mostrar que a Chrysler é líder em tecnologia e inovação, bem como acessível ao público brasileiro. O último pilar faz toda a diferença no processo de fidelização dos clientes. É a Excelência no Atendimento ao Cliente. Ligada à Mercedes-Benz, a Chrysler dependia da empresa alemã desde o planejamento logístico até a entrega de peças importadas. Desde o dia 1º de janeiro de 2012 a Chrysler passou a fazer a gestão plena da importação. “O consumidor que adquire um veículo de R$ 200 mil tem um alto nível de exigência e é preciso atender às suas necessidades, assim como prestar o serviço dentro do prazo. Precisávamos de uma melhor gestão do pós-venda para

Faça revisões em seu veículo regularmente.

negócios

rão lançados seis novos carros no decorrer de 2012. O objetivo é oferecer veículos de alto padrão que já são vendidos nos EUA, principal mercado consumidor da marca. O segundo pilar é a Distribuição. Ao todo, existem 33 pontos de venda espalhados pelo Brasil que reúnem carros Chrysler e Mercedes-Benz. “Apenas duas concessionárias são exclusivas da Chrysler e a meta é aumentar esse número para 50 concessionárias próprias até o final do ano”, conta Ferreira. Ele destaca que a partir desse pilar, a situação será invertida e o objetivo é inaugurar 100 novos pontos de venda exclusivos e identificados Chrysler até 2015. Com isso, a expansão será quantitativa e também qualitativa. Ainda segundo o diretor geral do grupo, ao compartilhar as

a Iveco e a equIpe petronas De rooy venceram o Dakar 2012 com o pIloto GerarD De rooy, classIfIcanDo 3 equIpes nos prImeIros 6 luGares.

Coragem, compromisso, determinação, força e confiabilidade. Com esses valores, a Iveco venceu o Rally Dakar 2012, um dos mais extraordinários desafios do mundo. Ganhamos com a força dos caminhões Trakker e Powerstar e a performance dos motores Cursor 13, da FPT Industrial. Agradecemos aos pilotos Gerard De Rooy, Hans Stacey, Miki Biasion, Pep Vila e Joseph Adua pela aventura inesquecível deste Dakar. O ano não podia ter começado melhor para a empresa que, em 2011, no Brasil, cresceu três vezes mais que o mercado.


Ignácio Costa

negócios

Teksid: números da liderança Empresa mantém liderança na fabricação de blocos de motor para veículos no Brasil, combinando motivação da equipe, foco no mercado interno e diversificação de produtos oferecidos aos clientes Por Jamerson Costa e Lilian Lobato

A

Os blocos de motor fabricados pela Teksid estão presentes em 70% dos automóveis produzidos no Brasil

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cada dez automóveis fabricados no Brasil, sete possuem um bloco de motor produzido pela Teksid. A liderança no segmento não foi alcançada por acaso, mas graças à qualidade do produto, aos diferenciais de atendimento e à prestação de serviços de pós-venda, que garantiram a fidelização dos clientes. É o que destaca o gerente comercial da Teksid, Raniero Cucchiari. “O resultado favorável é reflexo da satisfação das companhias que recebem nossos blocos”, afirma. Ele ressalta que o apoio de cada colaborador ao desempenhar com capricho e dedicação o trabalho de fabricar as peças, também foi elemento-chave para que a empresa conquistasse seu espaço no dinâmico mercado automotivo brasileiro. “O envolvimento de toda a equipe da Teksid contribui para que possamos ampliar a presença entre os clientes, como a Fiat, Volkswagen, Renault, Ford, General Motors (GM), Volvo, Scania, Iveco e Cummins”, destaca. Ainda segundo Raniero, todos os veículos produzidos pela Fiat, no Brasil, têm peças produzidas pela Teksid. Dentro da estratégia de ampliar a carteira de clientes, a Teksid se tornou, em 2003, a única fornecedora de blocos de motor para a GM. Outro cliente é a Volkswagen, que, recentemente, aumentou a compra de produtos da

Teksid. “Antes, atendíamos a 15% do número total de blocos usados pela montadora. Atualmente, o volume é de 40%, resultado do esforço de todos que trabalham na empresa”, explica o gerente comercial. Com sede brasileira em Betim (MG), a Teksid, integrante do Grupo Fiat, também possui plantas indus-

OS NÚMEROS DA TEKSID EM 2011 Carros:

2,4 milhões de blocos de motor para automóveis e 220 mil cabeçotes.

Ônibus, caminhões e máquinas agrícolas:

380 mil peças entre blocos de motor diesel e 500 mil cabeçotes diesel.

PRESENÇA DA TEKSID NO BRASIL Peças fabricadas na Teksid estão presentes em grande parte dos veículos nacionais e no mercado internacional. Hoje, a cada dez automóveis produzidos no Brasil, sete possuem um bloco de motor fabricado pela empresa.

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negócios Shutterstock

O Grupo produz mais de 200 tipos de peças fundidas destinadas a automóveis e veículos industriais

triais na França, Polônia, Itália, Portugal, México e China. Para atender os clientes, a capacidade atual de produção de todas as plantas da Teksid chega a 740 mil toneladas ao ano. Diante da importância dos setores agrícola e de transporte de cargas, bem como aumento da demanda por ônibus, a planta brasileira também passou a focar ainda mais na produ-

DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTOS Os principais componentes fornecidos pela Teksid em volume de produção, com base nos dados de 2011 e em toneladas, são: 1 blocos automotivos – 93 mil t 2 blocos para veículos industriais (a diesel) – 73,7 mil t 3 cabeçotes – 33,5 mil t 4 discos, cubos, tambores e suportes – 25,6 mil t 5 carcaças – 7,7 mil t 6 girabrequins – 5,8 mil t 7 pontas de eixo – 4 mil t 8 eixos do comando de válvula – 1,9 mil t 9 coletores – 504 t 10 outros (volantes, bedplates, braços de suspensão, etc.) – 20,6 mil t Fonte: Teksid 32

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ção de itens para veículos dessas áreas. A Teksid já produz peças para esses ramos há mais de 30 anos. Após realizar uma série de investimentos no processo produtivo, a capacidade total, incluindo blocos de motor para caminhões, ônibus e máquinas pesadas e mais de 200 tipos de peças, chegou a 300 mil toneladas anuais. Dentre os produtos fornecidos estão pontas de eixo, coletores, discos, tambores, cabeçotes e blocos de motor para veículos leves e pesados, diversidade que faz diferença frente aos concorrentes. Atualmente a maior parte da produção da Teksid é destinada ao mercado interno e 25% é exportada. INVESTIMENTOS Para atender à crescente demanda do mercado, a Teksid realizou um ciclo de investimentos para expandir a produção. Entre as ações, foram destinados R$ 80 milhões para aumentar a capacidade de fabricação de blocos de motor de 2,3 milhões para três milhões de blocos anuais. A empresa também retomou os negócios em alumínio com a construção de uma nova fábrica para a produção de cabeçotes, inaugurada em 2010, o que ampliou ainda mais sua gama de produtos.

Nosso negócio também é arte.

Magneti Marelli, agora mantenedora do Masp Museu de Arte de São Paulo.

A Magneti Marelli se preocupa em crescer sustentavelmente e, por isso, incentiva a educação e a cultura no país, por meio de investimentos na área social e parcerias com instituições relevantes no cenário nacional, como a Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte e recentemente o Masp, em São Paulo. São parcerias como essa que possibilitam que este importante acervo de obras de arte continue acessível à população.

Faz parte da sua vida.


Mesmo sofrendo influências negativas dos fenômenos climáticos, safra atual configurase em mais um passo em direção a um crescimento consistente da agricultura brasileira Por Vladimir Brandão

Colheitadeira New Holland em plantação de soja, no Paraná

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E

m suas diferentes atividades, realizadas em regiões distintas, o produtor Ari Fernando Foletto, de Itaqui (RS), vivencia alguns dos contrastes da safra de grãos desta temporada 2011/2012. De sua lavoura de soja, terá pouco proveito. Devido à severa estiagem que assolou várias regiões do Brasil e especialmente o seu estado, terá uma quebra de safra de quase 70%. Nos 500 hectares que plantou ele deve colher uma média de 20 sacas de soja por hectare. Quando o clima é favorável sua colheita atinge 60 sacas. Mas soja é um negócio secundário para Foletto: o principal é o arroz, com 12,8 mil hectares cultivados. A seca no Rio Grande do Sul trouxe enormes prejuízos para muitos produtores do estado. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a colheita gaúcha de arroz deverá ser 21% menor que a do ano passado. Mas Foletto está se saindo bem. Aumentou sua área em 10%, e terá colheita cheia. Suas lavouras em Itaqui (sudoeste do estado) e em Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, no litoral sul, estão próximas a grandes cursos de água, como os rios Uruguai e Ibicuí e a Lagoa Mirim. Por isso ele não teve maiores problemas em obter água para irrigação. Foletto até comprou duas colheitadeiras novas, da marca Case, para ajudar na colheita das 110 mil toneladas previstas. Sua produtividade, que já era maior do que a média do estado, está aumentando. Desde o ano passado ele pratica agricultura de precisão em mil hectares. Com ferramentas e equipamentos para monitorar as operações, como trator com GPS, colheitadeira com coletor de dados e aplicador de insumos a taxa variável, Foletto obtém mil quilos a mais em cada hectare, na comparação com os culti-

vados por métodos convencionais. A agricultura de precisão colabora para uniformizar a produtividade e permite uma boa economia de insumos. A combinação de análise detalhada de solo, localização por satélite e automação garante, por exemplo, que a quantidade certa de adubo seja aplicada em cada talhão da lavoura. “Como todo o solo é corrigido não tenho mais áreas com perdas”, diz o produtor. A exemplo de Foletto, toda a agricultura empresarial brasileira amplia o uso de tecnologia nas lavouras – o que inclui sementes mais produtivas, processos avançados de produção e maquinário de última geração. Assim a agricultura é cada vez mais similar à indústria, onde todas as operações são monitoradas e as variáveis são controladas. Mas há um fator crucial para o sucesso ou fracasso das safras ainda fora do alcance dos produtores: o clima. E nesta temporada, como se sabe, ele não ajudou. A origem da seca prolongada na região Sul e sudoeste do Mato Grosso do Sul, e ainda o excesso de chuvas em outras regiões, é o fenômeno La Niña, cuja freqüência varia entre dois e sete anos e desta vez teve alta intensidade. Caracteriza-se pelo esfriamento superficial das águas do Oceano Pacífico, provocando alterações climáticas por todo o planeta. No Brasil, os maiores prejudicados foram os produtores de soja e milho do Paraná e do Rio Grande do Sul, que enfrentaram problemas nas fases críticas de floração e frutificação das plantas. A Organização das Cooperativas do Paraná, estado segundo maior produtor de grãos – o maior é Mato Grosso – calcula as perdas em 20%. O levantamento de fevereiro da Conab apontava para uma colheita brasileira de 157,1 milhões de toneladas, 3,5% menor que a anterior, ainda

Fotos Ignácio Costa

Agronegócio

Safra de verão 2011/2012 é a mais tecnológica da história

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Agronegócio

que a área plantada, de 51,5 milhões de hectares, tenha sido 3,3% maior. Se a colheita é fraca, os preços são bons, o que compensa parte dos prejuízos. Foram as boas perspectivas, especialmente em relação ao milho, que levaram os produtores a elevar suas apostas no período de plantio da safra. “Graças aos estoques mundiais baixos e o programa de etanol dos EUA o milho vem puxando os preços das commodities desde a crise de 2008”, diz Leonardo Menezes, analista de mercado da Céleres. Por isso a área plantada com milho para a safra de verão foi 9% maior que no ano anterior, chegando a 8,6 milhões de hectares. E as perspectivas seguem boas. “Com a restrição de oferta devido aos problemas climáticos, o cenário de preços é altista para grãos como o milho e soja”, diz Menezes. Nesse contexto, o milho se apresenta como oportunidade para a safra de inverno, e os produtores não a deixaram passar. Deverão produzir um plantio de 6,7 milhões de hectares, superior em 14% ao plantado na safrinha passada. E dessa vez os meteorologistas têm boas notícias: o La Niña está em declínio

e não deve causar maiores danos daqui para frente. Assim se delineia uma perspectiva de colheita total de 60,8 milhões de toneladas de milho, o que se configurará, caso se concretize, em um recorde para a cultura no Brasil. Já a soja deve encerrar a temporada com 69,2 milhões de toneladas colhidas, num recuo de 8% ante a safra anterior. Aspectos conjunturais e climáticos à parte, o fato é que a safra atual configura-se em mais um passo em direção a um crescimento consistente da agricultura brasileira. Produtores, fornecedores e governo trabalham com um norte de 220 milhões de toneladas sendo colhidas no início da próxima década. A base é uma estimativa da Organização das Nações Unidas de que por volta de 2020 a demanda mundial por alimentos terá crescido 20% em relação à atual. Segundo Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, caberá ao Brasil aumentar sua produção em 40% para suprir essa demanda, como compensação à incapacidade de crescimento de outras regiões produtoras. Ressalte-se que essa

Mudanças de patamar – Evolução das safras brasileiras de grãos Área (milhões ha)

Produção (milhões ton.)

Produtividade média (kg/ha)

1990/1991

37,9

57,9

1.528

2000/2001

37,8

100,3

2.649

2010/2011

49,9

162,8

3.264

2011/2012 (*)

51,5

157,1

3.049

Safra

Fonte: Conab (*) Os resultados foram prejudicados devido ao clima adverso

ampliação deverá vir essencialmente com ganhos de produtividade, já que há severas restrições ambientais à abertura de novas áreas de lavouras. Trata-se, na verdade, da continuidade de um movimento. Nos últimos 20 anos a produção de grãos no Brasil cresceu 150%, sobre um aumento de apenas 25% da área plantada (ver tabela acima). Esta safra de 2011/2012, apesar dos percalços, pode ser considerada a mais tecnológica de toda história. Um indicador disso é o uso de sementes geneticamente modificadas, que permitem ganhos de produtividade e redução no uso de de-

fensivos. Segundo a consultoria Céleres, a área plantada com transgênicos foi de quase 32 milhões de hectares de soja, milho e algodão, 21% a mais que no ano anterior. Já as máquinas agrícolas estão mais sofisticadas do que nunca. Um exemplo: uma moderna colheitadeira trabalha com um índice de perda de grãos de apenas 0,7%, ao passo que 10 anos atrás o índice das melhores máquinas era de 7%. A tecnologia se torna disponível com rapidez crescente. A Case New Holland (CNH), empresa do Grupo Fiat fabricante de máquinas agrícolas e de construção, lança em média 25 novos produtos por ano. Entre Safras de milho na região da Canastra, em Minas Gerais

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Produto

Milhões de toneladas

Variação sobre 10/11

Algodão (caroço)

3,3

2,2%

Algodão (pluma)

2,0

2,2%

Arroz

11,2

-17,9%

Feijão

3,4

-9,7%

Milho

60,8

6,0%

Soja

69,2

-8,1%

Sorgo

2,0

-12,4%

Trigo

5,8

-1,6%

Total

157,1

-3,5

Fonte: Conab – quinto levantamento (fevereiro 2012)

Para Milton Rego, vicepresidente da Anfavea, é necessário ampliar a frota de máquinas para que a produção cresça conforme planejado

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2012 e 2014 vai trocar todo seu portfólio de produtos. “Hoje vemos os produtores migrando para equipamentos de maior porte, pois estão preocupados em aumentar sua produção, investindo a longo prazo”, diz Bernhard Kiep, vice-presidente da New Holland, uma das marcas da CNH, para a América Latina. “Esperamos que 2012 seja um ano com grande inserção de tecnologia nos campos brasileiros, atingindo cada vez mais produtores e propriedades”. A difusão da tecnologia é de fato essencial para a obtenção de novos ganhos produtivos. O Brasil já é, por exemplo, um campeão de produtividade de soja, cultura mais praticada em grandes propriedades. Mas em outras culturas, como feijão e milho, ainda em grande parte associadas à agricultura familiar

(ela responde por 70% e 46% da produção, respectivamente), a produtividade média do país é baixa. No caso do milho, é ainda metade da obtida nos Estados Unidos. Sua elevação passa por mais acesso do pequeno produtor à tecnologia. E é exatamente o que vem acontecendo desde o lançamento, há cerca de quatro anos, do Programa Mais Alimentos, que por meio de linhas do Pronaf financia a modernização de propriedades familiares. Já foram adquiridos mais de 45 mil tratores nessa modalidade. “Uma das tendências mais notáveis do setor de máquinas agrícolas é a incorporação da agricultura familiar como consumidora de equipamentos”, afirma Milton Rego, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Até então esse segmento só contava com tratores muito velhos ou com tração animal”. Mesmo na chamada agricultura empresarial ainda há espaço para ganhos de produtividade. A agricultura de precisão, por exemplo, está presente em somente 10% da área cultivada do país, segundo estimativas de mercado. E a idade média das máquinas ainda é elevada, de acordo com levantamento da Anfavea: 12 anos para tratores e nove anos para colheitadeiras. “Para que a produção cresça conforme o projetado será necessário ampliar a frota de máquinas e diminuir sua idade média”, diz Rego. A estratégia da CNH para a América Latina está baseada na efetivação desse cenário. Tanto que inaugurou, em 2010, uma fábrica em Sorocaba que recebeu R$ 1 bilhão em investimentos. Agora aplica US$ 100 milhões em uma fábrica de tratores e colheitadeiras na Argentina, que também atenderá o mercado brasileiro. Ambos os projetos contemplam a produção de máquinas de grande porte e de alta potência, de acordo com a tendência de migração para equipamentos maiores e com alto conteúdo

Case New Holland anuncia investimento em nova fábrica No dia 5 de março a CNH assinou o protocolo de intenções com o estado de Minas Gerais para lançar as bases de um investimento de R$ 600 milhões em nova fábrica de equipamentos de construção no país. A planta será construída em Montes Claros, região norte de Minas Gerais, e está programada para iniciar operações em 2014. O memorando foi assinado na sede da Fiat Industrial, em Turim, na Itália, durante visita de uma delegação do governo de Minas Gerais, liderada pelo governador Antonio Anastasia. “Este acordo reforça os nossos laços com o estado de Minas Gerais e reafirma o compro-

tecnológico. De forma parecida avançam no país investimentos privados e públicos em pesquisa para o desenvolvimento de sementes mais produtivas e resistentes à seca e a geadas, de insumos com melhor rendimento e de técnicas como a integração de lavoura e pecuária, essencial para o aumento da eficiência do uso do solo e para a substituição de pastagens degradadas por atividades produtivas. Os produtores não se mostram menos animados. Até os que tiveram prejuízos com o clima nessa safra, como o gaúcho Ari Foletto, estão elevando as apostas. Na próxima safra ele planeja aumentar a área plantada com arroz em até 20%, chegando a 15 mil hectares. Para tanto vai comprar quatro novas colheitadeiras, que se incorporarão à sua frota de 35 colheitadeiras e 80 tratores. Seus investimentos não param por aí. Foletto aplica R$ 2 milhões para ampliar as estruturas de secagem, armazenagem e beneficiamento

Divulgação/Fiat Industrial

Agronegócio

Safra de grãos 2011/2012 – Principais culturas

Da esquerda para a direita: John Elkann, Chairman da Fiat S.p.A; Gil Pereira, Secretário de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri do Norte de Minas Gerais; Dorothea Werneck, Secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais; Antonio Anastasia, Governador de Minas Gerais; Sergio Marchionne, CEO da Fiat S.p.A e da Fiat Industrial; Cledorvino Belini, Presidente da Fiat do Brasil e da Fiat-Chrysler para a América Latina; Valentino Rizzioli, Presidente da Case New Holland da América Latina; Giacomo Regaldo, Presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Artesanato de Minas Gerais

misso que começou há 40 anos, com os primeiros investimentos da Fiat na região”, disse Sergio Marchionne, presidente da Fiat Industrial.

de arroz, agregando valor à produção primária. De acordo com o professor Roberto Rodrigues, a máquina do agronegócio está a todo vapor e tem tudo para cumprir seus desígnios. “O maior desafio está no lado de fora da porteira”, diz Rodrigues, referindo-se especialmente à infraestrutura logística do país, já insuficiente para dar conta das safras nos atuais patamares.

Venda de tratores CNH para agricultura familiar por meio de programas do governo Ano

unidades

2006

zero

-

2007

248

1%

2008

3.373

8%

2009

18.440

41%

2010

14.702

26%

8.500

16%

2011 (*)

% do total do mercado

(*) Previsão de fechamento Fonte: CNH MUNDOFIAT

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Mundo Fiat

Recorde de quilometragem, qualidade e durabilidade Fiat Marea utilizado como táxi desde que saiu da concessionária já rodou mais de meio milhão de quilômetros e percorre quinhentos quilômetros diários sem nunca ter o motor trocado A assistência técnica Fiat conferiu o motor do Marea do taxista Vicente de Moura que já rodou mais de meio milhão de quilômetros

Por Tatiana Carvalho

V

ocê já pensou em percorrer o equivalente a distância entre a Terra e a Lua de carro sem nunca trocar o motor? São cerca de 385 mil quilômetros. Difícil? Impossível? Não

para o Fiat Marea SX 1.6l 16V do taxista Vicente de Moura, 57 anos. O carro dele já rodou 549 mil quilômetros, o suficiente para ir até a Lua e ainda dar mais quatro voltas na Terra ou, se

não quiser sair em órbita, dar quase 14 voltas em nosso planeta! Para conquistar essa marca, Vicente, que comprou o carro zero quilômetro em 2006, faz as revisões sempre em dia na concessionária Fiat Strada, no bairro São Francisco, em Belo Horizonte/MG, e não descuida da manutenção de acordo com o que o manual orienta ou, às vezes, com uma frequência até maior. “Troco o óleo e o filtro a cada cinco mil quilômetros, as pastilhas de freio a cada 30 mil e a correia dentada a cada 60 mil quilômetros”, comenta o taxista, que começou na profissão há 30 anos. “Por incrível que pareça, o motor de partida e o alternador ainda são originais e só pre-

cisei trocar a embreagem aos 324 mil quilômetros”, afirma. O táxi de Vicente roda cerca de 500 quilômetros por dia entre BH, Confins e Contagem, onde ele mora. “Cerca de 90% do tempo, circulo entre a Zona Sul da capital e o aeroporto Tancredo Neves, então ando em estrada, mas também pego muito trânsito. Ainda assim, o desempenho dele continua muito bom, com uma ótima retomada, indo bem até nas subidas”, avalia. O motor 1.6l 16v de 106cv ainda agrada o taxista em relação ao consumo e aos ruídos. “Meu carro roda, em média, 10 a 11 quilômetros com um litro de combustível e é muito silencioso - uma maravilha!”, comemora

História do Marea no Brasil

Fotos Ignácio Costa

O Marea Sedã chegou ao mercado nacional para substituir o Tempra, assim como na Europa. O modelo foi produzido pela Fiat no Brasil de 1998 a 2007, somando um total de 54.781 unidades vendidas. Tecnologia avançada, conforto e ampla gama de itens de série eram seus destaques. Em 2001, o veículo passou por uma reestilização e ganhou nova traseira e lanternas triangulares. Pouco depois, foi lançada a caixa automática de quatro marchas para o motor 2.4l e cinco cilindros, grande novidade do modelo. O Marea Sedã parou de ser produzido para dar lugar ao novo topo de linha da Fiat, o Linea, que chegou ao Brasil em 2008.

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Vicente, que teve diversos carros Fiat desde 1982, quando comprou o primeiro – um 147 modelo Europa. Casado e pai de cinco filhos, o taxista conta que quando seu filho Rafael, de 26 anos, o questiona sobre qual automóvel adquirir, ele não tem dúvida em recomendar. “Digo a ele que, com o dinheiro que tem disponível, deve comprar um Fiat Marea com cerca de 50 mil quilômetros. Se fizer isso, não vai ter problemas com carro pelos próximos anos”.

Resistente e confiável Produzido em Córdoba, na Argentina, até 2008 o motor que equipa o carro do taxista Vicente se destaca pela ótima dirigibilidade, pelo bom desempenho e pela baixa manutenção. Tem 1.596 cm³, quatro cilindros e 16 válvulas, oferecendo potência máxima de 106cv. O torque máximo, de 15,4 kgfm a 4.500 rpm, era o melhor entre todos os concorrentes diretos nesta faixa de motorização na época em que foi lançado. A 1.500 rpm o propulsor tem torque de quase 13,0 kgfm – ou seja, 82,5% do torque máximo. Por isso, exibe excelente rendimento principalmente em baixas e médias rotações, as faixas mais utilizadas pelos motoristas. Conforme Vicente comprova, as retomadas são rápidas e o motor responde prontamente ao acelerador. Isso o torna seguro nas ultrapassagens, muito ágil no trânsito pesado das grandes cidades e confere ótimo desempenho em arrancadas e subidas.

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Mundo Fiat

Nascimento sobre quatro rodas Mariana Moura realizou seu sonho de consumo ao comprar o Fiat Strada, em 2010, mas não imaginava que o automóvel a conduziria para a verdadeira estrada de sua vida: a maternidade

Por Lilian Lobato

T

ransformar sonhos em realidade nunca foi problema para a jornalista Mariana Lobato Moura. Persistente, sempre foi em busca de seus ideais e, aos 30 anos, viu sua vida mudar para melhor. A história começou em janeiro de 2010. Apaixonada pelo Fiat Strada, comprou o carro e realizou seu sonho de consumo. Um mês depois, descobriu que a realização de seu sonho de vida também estava próxima, iria se tornar mãe. O que Mariana não imaginava é que, após nove meses, o seu Fiat Strada seria palco do momento mais bonito e emocionante de sua vida: o nascimento da filha Beatriz. “Era casada há sete anos e meio e não conseguia engravidar. Foram três anos de tentativas e, quando eu menos esperava, chegou a notícia de que estava grávida. Fui abençoada quando já planejava a adoção de uma criança”, relata. Segundo Mariana, 2010 foi o seu ano. “Já começou bom, com um carro zero!” Ela ressalta que adquirir o Fiat Strada foi extremamente gratificante. “Ninguém entendeu porque eu queria tanto o carro já que não faço trilha, não dirijo em estrada de terra e não preciso da carroceria. Entretanto, isso não importava. Queria meu Strada e consegui”, lembra. Já a gravidez tão sonhada não podia acontecer em melhor momento, de acordo com ela, tudo foi minimamente preparado para receber a filha. “Ao longo da gestação, vários outros pequenos desejos se concretizaram e nos restava apenas esperar a vinda de Beatriz”, conta. A ansiedade pela chegada da filha aumentava e a expectativa era de fazer um parto natural, sem anestesia. Após 40 semanas e meia, o parto foi agendado. “Como Beatriz não vinha ao

Orlando Bento

Mundo Fiat Vicente visitou a fábrica da Fiat, em Betim (MG), para conhecer de perto a origem do seu Marea

Opinião do especialista Quando soube da história sobre o carro do taxista, Paulo Evando Barbosa, gerente de Engenharia de Motores da Engenharia Powertrain Latam, se surpreendeu. A dica do engenheiro para que outras pessoas consigam atingir essa marca ou apenas para que não tenham problemas com o carro é simples. “É necessário fazer sempre a manutenção preventiva, conforme o manual de fábrica, e não abusar do motor, não levando cargas excessivas e trocando as marchas sempre na hora certa”, sugere Paulo Evando. Para o gerente de Engenharia de Motores, a quilometragem do Marea de Vicente sem consertos do motor atesta, na prática, a qualidade dos propulsores da Fiat. “Em dinamômetros, fazemos provas de confiabilidade e durabilidade por cerca de três a quatro meses rodando, aproximadamente, 500 quilômetros por dia”, conta o engenheiro. “Vicente tem uma média similar. Ele fez na prática e por muito mais tempo a prova que fazemos em laboratório e comprovou os resultados de durabilidade das peças usadas em nossos motores”.

mundo por livre e espontânea vontade, foi preciso marcar a cesárea para o dia 16 de novembro, após o feriado”, explica. Entretanto, um dia antes do previsto, os planos foram alterados. A bolsa estourou e foi preciso correr imediatamente para o hospital. Nesse momento, o Fiat Strada entrou em cena e, durante o trajeto, em plena Avenida do Contorno, uma das principais e mais movimentadas de Belo Horizonte, nasceu Beatriz pelos braços do pai, Daniel da Costa Moura. Mariana lembra que foi uma experiência inexplicável e que não havia alegria maior do que a que ela sentia naquele momento. “Definitivamente, o meu carrão me conduziu para a melhor estrada da minha vida: a maternidade”. O ano de 2012 já começou cheio de novidades para Mariana. Ela está grávida de três meses. “Notícia melhor é saber que são gêmeos. Agora, preciso providenciar um Fiat Doblô”, brinca.

Mariana, Beatriz e Daniel voltam, com o Fiat Strada, ao local do nascimento de Bia

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sustentabilidade

Fábricas mais verdes Fiat Powertrain, em Campo Largo, é responsável por ações de preservação de nascentes e programas que contribuem para a proteção do meio ambiente

Por Jamerson Costa

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exuberância da natureza presente na Fiat Powertrain em Campo Largo, município da região metropolitana de Curitiba (PR), permite dizer que, além de pessoas e processos, o meio ambiente é uma qualidade extra da fábrica. A divisão de produção de motores automotivas da Fiat Automóveis, instalada a pouco mais de 25 quilômetros da capital paranaense, tem 350 funcionários e desde 2010 possui capacidade de produção de 330 mil motores por ano. A planta industrial conta com 1,270 milhão de metros quadrados. Destes, 250 mil metros quadrados, o que corresponde a 19% da área, são

Fotos Studio Cerri

Exemplares de araucária, espécie que mais se destaca na região

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ocupados por matas de araucária, uma espécie de árvore típica do Sul do Brasil e que atualmente está em extinção. O tamanho equivale a 28 campos de futebol. É pelo tamanho da porção verde que pessoas e processos na fábrica continuamente têm suas atividades pautadas na proteção ao meio ambiente, o que contempla fauna, flora e água existentes no local. Quanto aos recursos hídricos, após exatos 20 anos da instituição pela Organização das Nações Unidas (ONU) do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o Brasil encontra a irrigação, abastecimento urbano e consumo industrial como as três principais formas de uso consuntivo, quando

parte da água captada não retorna ao curso original dos córregos e rios. Os dados são do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2011, publicado pela Agência Nacional de Águas (ANA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os usos urbano e industrial da água, segunda e terceira formas mais comuns no país, são constantes na unidade da Fiat Powertrain. Existem duas nascentes na planta industrial de Campo Largo e ambas integram o conjunto de afluentes do Rio Verde, que pode vir a ser a principal fonte de abastecimento da cidade, hoje suprida pelo Rio Itaqui. Um estudo da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) apresenta que, ao continuar retirando água do atual ponto de captação, estará contribuindo significativamente para a degradação da bacia do Itaqui. A partir dessa análise, a empresa de saneamento apresentou alternativas à prefeitura de Campo Largo. Uma das opções é retirar água do Rio Verde, que tem uma das nascentes encontradas na área de instalação da Fiat Powertrain. Proteção De acordo com o Atlas Brasil: Abastecimento Urbano de Água, publicado pela Agência Nacional de Águas, 146 dos 399 municípios do Estado requerem investimentos em obras de abastecimento de água. Parte do relatório informa a importância de se salientar a existência de medidas estruturais que devam ser consideradas, entre elas estão as “ações efetivas para preservação dos futuros mananciais”, como as que são realizados pela fabricante de motores. Segundo Péricles Weber, diretor de Meio Ambiente da Sanepar, “iniciativas como a da Fiat Powertrain contribuem para recuperar e manter o ecossistema em equilíbrio”. A preservação dos mananciais é responsabilidade do governo e tam-

bém da sociedade como um todo, incluindo agricultores e industriais, mas infelizmente não são todos que possuem essa consciência. “O Rio Verde é formado por 1736 nascentes, mas 80% delas foram desmatadas, principalmente para a agricultura”, lamenta Péricles. A legislação protege as matas ciliares, porque essas protegem e conservam as minas d’água e com isso garantem a formação e fluxo dos rios

principais. “A Fiat Powertrain ultrapassa o limite da Área de Proteção Permanente e preserva um espaço maior, que inclui as matas de araucária. Com isso, protege também os animais que vivem na região”, destaca a técnica de Meio Ambiente da Fiat Powertrain em Campo Largo, Alice Woicik.

Reservatório de água de chuva da planta possui capacidade de represamento de 2,7 mil metros cúbicos de água por ano

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extinção não significa apenas que as espécies existem em pouca quantidade, mas também está relacionado à variedade genética, que existente em menor grau enfraquece e leva ao desaparecimento de qualquer espécie”, explica Woicik. F ábrica nasceu pautada no ambiente A proteção ao meio ambiente é constante desde a construção da fábrica, entre 1997 e 1998. Incorporada à Fiat em 2008, inaugurou a atual fase de produção em junho de 2010, quando passou a ter capacidade de fabricação de 330 mil motores por ano. Em todas as etapas da história da planta industrial, existe uma atenção especial às questões ligadas ao meio ambiente. A área da Fiat Powertrain em Campo Largo inclui mata remanescente de araucária, as nascentes do Cambuí e Córrego Salgadinho e a presença constante de animais que habitam o terreno, como veados campeiros, lebres, esquilos, tatus e preás, que somam à diversidade com uma variedade de pássaros, a exemplo de tucanos, corujas e um número considerável de canários. O perímetro é cercado e vigiado, inclusive nas áreas distantes da planta operacional. O cuidado inclui a restrição à apropriação de qualquer elemento da natureza local, como sementes e mudas de araucária. Os colaboradores da unidade são treinados, desde o início da carreira no local, para aplicarem diariamente conceitos de respeito, proteção e preservação do ambiente. As ações institucionais incluem o incentivo à coleta seletiva e a fiscalização, por uma auditoria interna, para identificar setores em que a seleção tem funcionado de maneira menos eficiente. Em um prédio anexo, uma central de gerenciamento de resíduos é onde o material a ser reciclado é armazenado até sua destinação final.

A Área de Reciclagem tem acesso restrito e é equipada com máquinas de compactação de papelão, caçambas ecológicas para a armazenagem de filtros e caçambas convencionais para armazenagem de papel e plástico. Um coletor de lâmpadas garante que não quebrem e, caso isso aconteça, um sistema absorve o gás e protege o meio. A central é completamente coberta e tem canaletas nos pisos para conter vazamentos, se acontecerem. “A fábrica tem um conceito totalmente voltado ao meio ambiente, na construção e no operacional. A intensão foi não afetar a vegetação anterior, com a retirada mínima de árvores. Ainda hoje, buscamos diariamente usar o mínimo possível dos recursos ambientais”, afirma o coordenador de Engenharia de Fábrica, Dino Silva. Alto nível de reciclagem A unidade paranaense recicla 97% dos resíduos gerados em função das atividades de produção e que sejam recicláveis, o que coloca a planta de Campo Largo como referência mundial entre as unidades da Fiat Powertrain em reciclagem de materiais residuais gerados.

Gislaine Silva

sustentabilidade Iluminação natural dentro da fábrica contribui para redução do consumo de energia

Araucárias A mata de araucárias é representativa do Brasil, especialmente do Estado do Paraná. Ela se desenvolve em climas subtropicais e está na lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) como espécie em perigo crítico de extinção. Atualmente, existe apenas no Sul do país e em pequenos trechos do Chile, Argentina e Paraguai. “A mata que restou é muito pouca em relação ao original. Ela foi devastada no Paraná principalmente pelas empresas de extração de madeira, especialmente nas primeiras décadas do século XX. Só que o conceito de

“Os 3% que não reciclamos enviamos para empresas especializadas e cobramos deles a destinação correta, com auditorias. Grande parte é co-processada por cimenteiras, no processo de fabricação do cimento, tudo pago por nós e autorizado pelas empresas”, informa Silva. Entre as formas de reaproveitamento está a transformação do lixo orgânico em adubo, através do processo de compostagem. Outro direcionamento é o encaminhamento do

Reserva da Fiat Powertrain abriga espécies distintas de animais, como a coruja

Área de armazenamento de resíduos

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A unidade paranaense recicla 97% dos resíduos gerados

óleo de cozinha para a produção de biodiesel. Cavacos de ferro e alumínio voltam à fundição siderúrgica e o papel, papelão e plástico são recolhidos pelas vias de coleta interna, separados e assim encaminhados para a reciclagem em empresas processadoras. “Além disso, incentivamos os colaboradores a trazerem pilhas, baterias e resíduo de óleo vegetal para os pontos de coleta dentro da fábrica”, completa o coordenador de Engenharia de Fábrica da Powertrain em Campo Largo.  gua da chuva Á diminui consumo Antes, a água da chuva escorria pelas calhas e tubulações diretamente para o chão. O mecanismo instalado

Um coletor de lâmpadas garante que não quebrem e, caso isso aconteça, um sistema absorve o gás e protege o meio

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nos telhados da subestação e da sala de compressores recolhe a água pluvial, armazena em um tanque semelhante a uma piscina de concreto e a utiliza em quatro torres de resfriamento. Como soma, o uso da chuva contribui para diminuir a erosão do terreno. O processo é feito por drenos instalados em 1,8 mil metros quadrados de telhados, dos 42 mil metros quadrados totais da fábrica. O sistema recolhe a água da chuva, leva à tubulação e desagua em um reservatório com potencial de represamento de 2,7 mil m³ de água por ano, considerando-se a pluviometria média do município. O volume é suficiente para abastecer todo o processo de resfriamento das torres durante o período equivalente a três meses. A redução do consumo está também na conta de energia elétrica da unidade. As luminárias instaladas agem de maneira inteligente e aumentam ou diminuem de intensidade, dependendo da iluminação natural. As luminárias são equipadas com um sistema de reator e sensor de luminosidade. Elas estão instaladas nas áreas de usinagem e montagem e representam um avanço na gestão do uso de eletricidade.

No trabalho, em casa e na vizinhança O coordenador de Engenharia de Processos e de Engenharia de Controle da Powertrain em Campo Largo, Marco Aurélio Carloto, criou um sistema parecido para reduzir o consumo de água na própria casa. “Perto da complexidade da fábrica, em casa fica muito mais fácil”, garante. O mecanismo coleta a chuva que cai sobre o telhado e direciona para calhas e tubulações que terminam em uma cisterna de 4 mil litros. Uma bomba envia essa água para um reservatório

Cavacos de ferro e alumínio são armazenados e voltam à fundição siderúrgica

de 500 litros, ligado aos vasos sanitários da casa e a uma torneira, usada para regar o jardim e lavar a área externa. Em um período sem chuva, o sistema é capaz de manter o mecanismo de descarga e de rega de jardim de uma casa com três adultos durante um mês. “Na Fiat de Campo Largo sempre existiu a preocupação com a ecologia e isso acabou me influenciando.. A coleta seletiva é difundida entre meus vizinhos e hoje são raras as pessoas que não aderiram à questão ecológica no meu bairro”, comenta.

O coordenador de Engenharia de Processos e de Engenharia de Controle, Marco Aurélio Carloto, mostra as calhas no telhado de sua própria casa Divulgação

sustentabilidade

Além delas, 51 claraboias foram instaladas nos tetos do depósito, usinagem e montagem. A função é aumentar a iluminação natural e diminuir a necessidade de uso da luz artificial. Os dois recursos, claraboias e luminárias dimerizadas, são complementares e reduzem em cerca de 50% o consumo de energia para iluminação, considerando que iluminar representa aproximadamente 10% de toda energia consumida na fábrica.

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sustentabilidade

Centésima concessionária Iveco é também a primeira sustentável Iveco Mercalf, em Jundiaí (SP), melhora acessibilidade de deficientes físicos e cumpre com exigências ambientais para se tornar um empreendimento inovador e sustentável

Por Lilian Lobato

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Fotos divulgação/Mercalf

m modelo de negócio de sucesso é aquele que almeja o crescimento sem esquecer o desenvolvimento sustentável. A Iveco Latin America, fabri-

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cante de caminhões que mais cresce no Brasil, com planta em Sete Lagoas (MG), fez o dever de casa e inaugurou, em dezembro de 2011, em Jundiaí (SP), sua cen-

Com investimento de R$ 12 milhões, Mercalf é a primeira concessionária verde do país

tésima concessionária no país. Com um detalhe: é a primeira concessionária verde do Brasil. Diante das inovações, o presidente da Iveco Latin America, Marco Mazzu, destaca que talvez a Mercalf seja a concessionária mais verde do mundo. “Não temos referências de outra casa com todas as características de sustentabilidade mostradas pela Mercalf”, avalia. “Completar 100 concessionárias estrategicamente distribuídas por todo o território nacional é um momento importante para a empresa e seus clientes, e chegar a este ponto unindo serviço e responsabilidade

social é muito relevante como posicionamento de marca”. O investimento na concessionária foi de R$ 12 milhões e a construção se deu por iniciativa dos empresários Hélio Cangueiro e Cristina Cangueiro, concessionários Iveco há 10 anos. Segundo ela, inicialmente, a ideia era melhorar a acessibilidade de pessoas com necessidades especiais. Entretanto, a iniciativa evoluiu e passou a ser voltada para a criação de um empreendimento completamente sustentável. “O projeto contagiou as pessoas e começamos a receber sugestões de funcionários e da própria Iveco”, ressalta Cristina Cangueiro. “Ficamos entusiasmados e exploramos todas as possibilidades”, afirma seu marido Hélio Cangueiro. Ele ainda destaca o custo do empreendimento, que ficou entre 10% e 15% mais alto em relação a uma concessionária normal, mas afirma que valeu a pena. O próximo passo dos empresários será buscar a certificação ambiental da concessionária. Vale ressaltar que muitas soluções já adotadas na Mercalf Jundiaí poderão servir de exemplo para que novas concessionárias sustentáveis Iveco sejam criadas no país. “Vamos estudar as melhores práticas adotadas pela Mercalf e propor a adoção das medidas pelas demais empresas da rede Iveco no Brasil”, afirma Airton Vieira Pinto, presidente da Associação dos Concessionários Iveco (ANCIVE). A sustentabilidade fez parte de todo o processo de construção da Mercalf Jundiaí. De acordo com Cristina Cangueiro, a obra gerou uma quantidade mínima de resíduos. A terra resultante do corte do talude lateral, por exemplo, foi usada para compensar a grande inclinação existente no terreno original, de forma que todo o piso da área da concessionária passou a superar em um metro a altura do nível da rua. Ao ser

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sustentabilidade

Grande parte do terreno de 15 mil metros quadrados foi recoberto por concregrama, forma de concreto vazada com grama

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cortado, o talude recebeu degraus hidráulicos e vegetação para evitar desmoronamentos. As obras da concessionária foram realizadas com técnicas modernas que evitaram o desperdício e contribuíram para uma construção mais limpa. Além disso, o ambiente foi planejado de acordo com o padrão visual da rede Iveco. O showroom é uma mostra disso, já que tem área envidraçada e projetada para receber o máximo de incidência de luz solar, o que reduz o uso de energia elétrica. A utilização do green roof ou telhado verde também contribuiu para a redução da temperatura ambiente do showroom e diminuiu a necessidade de uso do ar-condicionado. O telhado verde é um gramado construído sobre camadas de materiais orgânicos e minerais reciclados, que filtram e recolhem água da chuva, armazenada em cisternas, para posterior utilização nos

sanitários. O telhado verde também auxilia no isolamento acústico do local. Evitar o desperdício de água é uma das metas dos empresários. Embora o terreno tenha dois poços com grande vazão, “o intuito é de não desperdiçar nenhuma gota”, ressalta Cristina Cangueiro. O terreno de 15 mil metros quadrados foi totalmente recoberto por blocos intertravados e concregrama (forma de concreto vazada com grama), instalados sobre uma camada flutuante de areia que permite absorção natural da água da chuva, evita a impermeabilização do solo e a sobrecarga de galerias fluviais públicas. Todas as torneiras da concessionária possuem sistema de temporizador, o que tornará possível a economia de 20% de água em relação à torneira comum. Por sua vez, as bacias sanitárias – que representam entre 50% a 70% do total de água utilizada para o consumo humano em

prédios comerciais – têm caixas de descarga de dois fluxos (de três ou seis litros), o que economiza em até 40% o volume de água. A concessionária foi construída de acordo com a legislação ambiental em vigor e algumas soluções sustentáveis foram previstas, como o separador de água e óleo (SAO). Com o equipamento, o óleo e a graxa que contaminam a água de lavagem de veículos, de oficinas e máquinas, são separados da água. O resíduo é armazenado e depois recolhido por uma empresa especializada na produção de mantas asfálticas. O projeto da nova concessionária também contou com o envolvimento dos funcionários. Cristina Cangueiro ressalta que os colaboradores fizeram algumas sugestões que foram colocadas em prática, como o uso de portas feitas de madeira de reflorestamento e a fabricação do uniforme

com tecido que tem em sua composição uma porcentagem de fibras oriundas da reciclagem de garrafas PET. Além disso, cada funcionário receberá uma caneca de cerâmica para o consumo de água, o que vai reduzir consideravelmente o uso de copos plásticos. Segundo Cristina Cangueiro, “começamos pensando apenas na acessibilidade e avançamos na sustentabilidade, só temos a comemorar”. Entretanto, ela explica que a acessibilidade não deixou de ser prioridade. A Mercalf Jundiaí conta com rampas de acesso, elevador especial, banheiros adaptados com barras de apoio para cadeirantes, chão com autorelevo e sinalizadores de portas para deficientes visuais. “Temos um filho com necessidades especiais e foi pensando nisso que chegamos tão longe. Estamos felizes e orgulhosos”, destaca.

Telhado verde filtra e recolhe água da chuva para posterior utilização nos sanitários, além de diminuir a temperatura ambiente

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Divulgação

Responsabilidade Social

New Holland reforça compromisso social com Plantar & Construir Programa entra em nova fase e incentiva projetos nas áreas de garantia e defesa dos direitos das crianças e adolescentes, valorização da cidadania e democratização da cultura e educação Por Fernanda Bolzan

Yasmin Lavínia Candeia é uma das crianças beneficiadas pelo programa

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empresa. Estamos dando um importante passo em termos de gestão e temos a expectativa de amadurecer a prática junto com os nossos públicos de relacionamento”, declara Marco Borba, diretor Comercial da marca para a América Latina. Parcerias para a cidadania Em 2012, o Programa Plantar & Construir ganha uma nova dimensão com a implantação dos projetos “Construindo Oportunidades para Crianças e Adolescentes” e “Colorindo minha cidade”, promovidos pela Fundação AVSI nas Vilas Santo Antônio, São Vicente e São Nicodemos, em Contagem (MG) – município que abriga a fábrica da New Holland para máquinas de construção. “A proposta é estimular que os atores sociais se interajam de forma mais construtiva com a empresa, no sentido de promover o desenvolvimento territorial da região. É uma forma de aproximação, de estabelecimento de um diálogo mais transparente”, explica Jacopo Sabatiello, gerente de Projetos da Fundação AVSI. Sabatiello conta que estão sendo estabelecidas diversas parcerias com

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Alexandre Horta

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onstrução e contribuição ao desenvolvimento da agricultura são as palavras-chave da marca New Holland, conhecida mundialmente pela tradição e qualidade dos seus equipamentos, utilizados nas principais obras de infraestrutura e produções agrícolas na América Latina. Em sua história de atuação no Brasil, a New Holland mantém um posicionamento com ações de respeito à sociedade e ao meio ambiente, contribuindo para a construção de comunidades mais sustentáveis. Com o objetivo de fortalecer e potencializar atividades executadas em várias localidades no Brasil, a New Holland desenvolve o Programa Plantar & Construir, que abrange projetos realizados por ONG’s – organizações não governamentais – nas áreas de garantia e defesa dos direitos das crianças e adolescentes; valorização da cidadania; e de democratização à cultura, educação e ao esporte. “A New Holland trabalha com a convicção de que faz parte efetiva das comunidades onde está presente. Tudo começou ainda quando carregávamos a bandeira da Fiatallis, com investimentos ao Projeto Barraginhas e a terraplanagem do Hospital do Câncer Infantil de Juatuba. Com a criação do Plantar & Construir, sistematizamos de forma estratégica as ações na área de responsabilidade social. Hoje, o tema é um dos principais desafios que orientam a governança, decisões sobre produtos e investimentos da

iniciativas públicas e privadas para que as atividades tenham um resultado mais assertivo, criando uma rede de articulação para a melhoria da qualidade de vida. Como exemplo, ele cita a Escola Guignard, da Universidade Estadual de Minas Gerais, que dará suporte técnico artístico no projeto “Colorindo minha Cidade”; a Escola Municipal Lígia Magalhães, Casa de Samuel, Projeto Curumim Cidade Industrial e Escola Educarte, que irão ceder espaço e infraestrutura para o projeto “Construindo Oportunidades para Crianças

No alto, sede da Associação São Miguel Arcanjo, idealizada pelo missionário Marco Bertoli, na foto com crianças atendidas pela entidade

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Responsabilidade Social

e Adolescentes”. O gerente de Projetos da Fundação AVSI considera que “as parcerias agregam valor e fortalecem os projetos e os equipamentos públicos já existentes na comunidade”. O projeto “Colorindo minha cidade” irá beneficiar 20 jovens com idade entre 16 a 22 anos, por meio de um percurso de formação cidadã e artística. Durante oito meses, os jovens receberão técnicas de grafitagem, desenho e pintura, noções de história da arte e de cidadania. Ao final do curso, o que foi aprendido será colocado em prática no muro da fábrica da New

Funcionários da Escola Municipal Lígia Magalhães em evento solidário de final de ano

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Holland, que irá receber um colorido especial. “O muro será um canal de comunicação entre a fábrica e a comunidade. A grafitagem vai aproximar as realidades”, comemora Marco Borba, diretor Comercial da New Holland para a América Latina. Outras 50 crianças e adolescentes, com idade entre 11 e 15 anos, e seus núcleos familiares serão atendidas pelo projeto “Construindo Oportunidades para Crianças e Adolescentes”, a partir de oficinas de arte, música, teatro, cinema, orientação sócioeducativa e acompanhamento familiar. O projeto tem como proposta contribuir para a redução dos índices de vulnerabilidade social das Vilas Santo Antônio, São Vicente e São Nicodemos.

Fortalecendo vínculos Em Barbacena (MG), o Programa Plantar & Construir estimula a valorização da cidadania e defesa dos direitos de mais de 400 crianças e adolescentes, de faixa etária entre três e 18 anos, atendidas pela Associação São Miguel Arcanjo, por meio do FIA. Idealizada pelo missionário Marco Bertoli - que prefere ser chamado de Roberto em homenagem ao seu pai - a entidade oferece formação humana e educação formal, além de ser um espaço de acolhimento para crianças e adolescentes que tiveram os seus direitos violados. A Associação possui casas que servem de moradia, além de gabinetes médicos odontológicos, biblioteca, lavanderia e cozinha industrial (que preparam 1,5 mil refeições diárias), padaria industrial (que fornece pães até para a escola da aeronáutica na cidade), marcenaria, serralheria, torno, forja, escola de pedreiro, de corte e costura, teatro e quadra poliesportiva, além de várias salas de aula e alojamentos. Há também áreas para produção agrícola e de feno, que gera 90 toneladas/ano de material, vendido para todo o Centro Sul de Minas Gerais. São 25 setores diferentes com mais 100 funcionários. “A parceria com a New Holland é essencial para o nosso trabalho. Precisamos de empresas com esta sensibilidade”, ressalta Bertoli. Do Nordeste ao Sul do Brasil Fora de Minas Gerais, o Programa Plantar & Construir está presente nas regiões Sul e Nordeste do Brasil. Em Curitiba (PR), a parceria com o Hospital Pequeno Príncipe já é de longa data e em 2012 vai beneficiar cerca de 3 mil crianças e seus familiares com o projeto “A Magia da Dança”, realizado com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Serão realizadas oficinas lúdicas, educação social e vivência ao universo da dança clássica, moderna e folclórica.

Em Petrolina (PE), por meio do FIA, a New Holland contribuiu para a construção da quadra poliesportiva de 18X32 metros quadrados do Projeto Proteja da Associação Ágape. Segundo o presidente do Proteja, Rogério Ribeiro de Almeida, o espaço tem acessibilidade para cadeirantes e permite a prática de futsal, handball, basquete e vôlei. Este ano, serão beneficiados 276 crianças e jovens, com idade entre 7 a 17 anos em situação de risco social; bem como as 73 famílias da comunidade local, Serrote do Urubu, que irão utilizar a quadra aos domingos para atividades de lazer. A construção também contou com a parceria do governo local e da Cycosa, concessionária da marca em Maceió. Investimentos Culturais Na área cultural, destacam-se os investimentos ao Projeto Sempre um Papo, que em 2011 comemorou 25 anos de estrada estimulando a leitura; à edição e publicação do livro comemorativo dos 60 anos da New Holland Construction no Brasil, distribuído para os principais públicos de relacionamento da marca; e à realização do Projeto Praça Ativa, da Funda-

ção Torino, que incentiva a prática de hábitos saudáveis. Doações de Máquinas Através do Plantar & Construir, também são realizadas doações de máquinas, de forma definitiva ou em comodato, para municípios carentes e regiões atingidas por catástrofes naturais, como aconteceu no Sul de Minas, em 2011; e em Santa Catarina, em 2008.

Máquina doada pela New Holland trabalha na recuperação de região atingida pelas chuvas no Sul de Minas

Plantar e Construir 2012 Projeto

Parceiro

Abrangência de atuação

Número de beneficiários

Colorindo Minha Cidade

Fundação Avsi

Contagem (MG)

20 jovens

Construindo Oportunidades para Crianças e Adolescentes

Fundação Avsi

Contagem (MG)

50 crianças e adolescentes e seus núcleos familiares

Associação São Miguel Arcanjo – Salvando Vidas

Associação São Miguel Arcanjo

Barbacena (MG)

430 crianças e adolescentes

A Magia da Dança

Hospital Pequeno Príncipe

Curitiba (PR)

3 mil crianças e familiares

Resgate da Cidadania através do Esporte

Associação Agape/ Projeto Proteja

Petrolina (PE)

276 crianças e 73 famílias da comunidade local

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competições

Rali, off-road, fora-de-estrada. Palavras que combinam com Iveco Iveco dominou o Dakar 2012, que percorreu três países da América do Sul. Considerado o rali mais importante do mundo, contou com a participação de fabricantes europeus e asiáticos Por Jamerson Costa

Em 15 dias, competidores avançaram por 14 etapas, com vitória da Iveco em oito delas. O vencedor na pontuação final da categoria para caminhões foi Gerard de Rooy, que dirigia o Iveco Powerstar fabricado na Austrália. Ele superou mais de 8 mil quilômetros entre a Argentina, Chile e Peru, com tempo completo de 45h20min47s. Além do Powerstar, dois Iveco Trakker fabricados em Sete Lagoas (MG) foram destaque, pilotados por Hans Stacey e Miki Biasion e que passaram a linha de chegada em segundo e sexto lugares. Para percorrer as etapas, os pesados da Iveco foram equipados com motores Cursor 13 da FPT Industrial, com nada menos que 900 cavalos de potência, e peças Magneti Marelli. Os caminhões foram preparados interna e externamente para superar limites de potência, velocidade e resistência. A estabilidade também foi enfatizada pelos mecânicos, para aguentar obstáculos como areia, água e pedras. O resumo do trabalho foi visto durante o Rali e, agora, pela internet. O Iveco Trakker 4x4, por exemplo, é projetado para operações em mineradoras, construções e plantações. O caminhão é fabricado na Alemanha e no Brasil e tem chassi resistente e motor FPT Industrial Cursor 13. Para encarar o Dakar 2012, o modelo ficou 50 cm mais alto em relação ao chão, com suspensão de molas parabólicas de duas lâminas, para ficar

Durante a prova, os competidores enfrentam terrenos pedregosos, dunas e até rios

Fotos divulgação

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uem acessa a página de vídeos Youtube na internet e busca por Rali Dakar 2012 confere imagens de uma história escrita no último mês de janeiro em três países da América do Sul. É mais um capítulo do roteiro contínuo, iniciado há mais de 30 anos e atualizado anualmente, e que conta com diferentes continentes como cenários. Uma narrativa que mistura ação, biografias e até reality show, já que é escrita à medida que os aventureiros avançam pelo percurso traçado pelos organizadores. Com início no dia 1° e término em 15 de janeiro, o Rali Dakar 2012 trouxe os caminhões Iveco entre os campeões. Eles foram o primeiro e segundo colocados na categoria para caminhões, que desenrola a narrativa junto às categorias para motos e carros. Em uma junção de perfeccionismo, dedicação e o risco próprio que toda aventura tem, pilotos, motoristas e máquinas, amparados pelo trabalho das equipes, conseguiram deslanchar territórios que envolvem estradas, poeira e paisagens de formas e cores variadas, que enchem os olhos de quem participa e de quem está de fora, observando pelas câmeras.

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competições

mite aos motores que desenvolvam uma velocidade de até 240 km/h. Para isso, a potência do motor aumenta para 1.200 cv. E nas duas competições há mudanças mecânicas que envolvem motor, câmbio, suspensão, amortecimento e freios. Na Fórmula Truck, o modelo Iveco Stralis produzido na Europa e no Brasil fica mais baixo em relação ao piso, para baixar o centro de gravidade da máquina, o que dá maior estabilidade ao caminhão. A área frontal é reduzida, para ampliar a aerodinâmica, com instalação ainda de aerofólio, spoilers e carenagens especiais, como em um carro de corrida. As velocidades do câmbio também diminuem, caindo para seis marchas. Em suma, ambas as competições são testes de elevado grau de exigência para apontar uma tecnologia que pode ser empregada em motos, carros e caminhões futuramente. Ao final de uma competição como o Dakar, os cen-

Caminhão Iveco encara pista escorregadia de areia molhada no quarto dia de prova

mais macio, e dois amortecedores especiais por roda, que ganham quatro vezes mais força. A motorização para o Rali Dakar é preparada pela FPT Industrial, que amplia a potência de 500 cv para 900 cv. O torque dobra para 4.000 Nm, com rotações por minuto que variam de 1.200 rpm a 2.800 rpm. As modificações em pistões, bielas e parte eletrônica completam um quadro que possibilita uma desenvoltura fora de estrada. Como uma mudança leva a outra, o sistema de câmbio ganha agilidade por causa da redução de 16 para oito velocidades. O eixo dianteiro se torna integrado a ponto de controlar a pressão, para esvaziar os pneus nas dunas e evitar que o caminhão fique atolado na areia.

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A tração é dosada, para distribuir a força dianteira e traseira, dependendo da necessidade. RALI vs TRUCK Os caminhões Iveco arriscam movimentos que misturam leveza e peso também na Fórmula Truck, uma corrida específica para os pesados e que tem adeptos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. A diferença é que, nela, os veículos percorrem uma pista de circuito fechado, em várias voltas que envolvem, além de estratégia da equipe e perspicácia do piloto, ultrapassagens. No Rali Dakar, a velocidade chega a 150 km/h em meio a subidas e descidas em dunas, rios e terrenos fartos de pedras. Na Fórmula Truck, a pista asfaltada de qualidade superior per-

tros de engenharia da Iveco avaliam se as tecnologias podem ser transferidas para um automotor de trabalho. E o motorista que usa o caminhão Iveco no trabalho ganha com isso.

Equipe Gerard de Rooy, que dirigia um Iveco Powerstar, foi a vencedora na pontuação final da categoria caminhões

Para reviver as emoções na internet Os curiosos e admiradores do esporte podem conferir as imagens da competição na página da internet criada especialmente para armazenar e transmitir o caminho traçado pela equipe Iveco até a conquista do campeonato e vice-campeonato no Rali Dakar 2012. As cenas de ação que envolveram uma série de competidores, equipes e veículos esportivos estão no site www.ivecodakar.com.br. Nele, são encontrados vídeos, fotos e textos explicativos com detalhes da preparação, percursos e aventuras escritas durante a passagem pelos três países sul-americanos. Um vídeo com o nome A Single Stop: The Victory (Uma Única Parada: A Vitória) foi publicado nas redes sociais da Iveco. Ele mostra as fases e momentos marcantes da aventura vivida na América do Sul, completando o mais recente capítulo da história do Rali Dakar. As instruções da equipe, a preparação mecânica e as estratégias levadas adiante pelos pilotos Gerard de Rooy, Hans Stacey e Miki Biasion estão na página. Além disso, o internauta encontra um mapa com o trajeto completo feito pelos caminhões e informações de cada uma das etapas, como quilometragem do percurso, grau de dificuldade proporcionado pelos obstáculos no caminho e um resumo do que aconteceu em cada dia de competição. Vídeo no Youtube: http://youtu.be/FY96q7_6Kl0 Site Iveco Dakar 2012: http://www.ivecodakar.com.br

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Educação

Sucesso no vestibular Alunos da Fundação Torino fizeram bonito nas provas de acesso às faculdades e universidades do Brasil e do mundo e se preparam para ingressarem em uma nova etapa acadêmica de suas vidas Por Jamerson Costa

Ignácio Costa

Os professores Anna Motta e Marcus Vinícius ficaram satisfeitos com o resultado conquistado pelos alunos

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ma rotina de oito horas de aula por dia. Em sala, disciplinas como matemática, geografia e história dividem espaço com temas do cotidiano como direito, negócios e idiomas. Em casa, a revisão do conteúdo é incentivada e quase necessária, dada a carga de conhecimentos vista ao longo da manhã e da tarde.

A metodologia de ensino da Fundação Torino prepara os alunos para uma realidade cotidiana, em constante evolução e a inserção no mercado de trabalho, além de contribuir para a superação dos exames vestibulares. “Tivemos um retorno bastante positivo nos últimos vestibulares, mas o melhor retorno é o da boa preparação de nossos alunos para encararem os cursos superiores. A gente tem esse retorno dos próprios alunos”, afirma o diretor didático da Fundação Torino, Marcus Vinícius Leite. As turmas possuem em média 20 alunos, com períodos de menor ou maior número, a contar a quantidade de estrangeiros que constantemente são integrados aos quadros da escola ítalo-brasileira situada no bairro Belvedere, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em contrapartida, durante o terceiro, dos quatro anos de duração do Ensino Médio na Fundação, a escola facilita, através de convênios, a saída de seus alunos em intercâmbio em escolas italianas e em diversos outros países. No caso da aprovação em instituições brasileiras, Leite enfatiza que a mudança no programa do Ministério da Educação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mais voltado para a reflexão e interpretação, valoriza a linha pedagógica da escola. “Nosso projeto pedagógico é focado na formação do aluno e a aprovação em vestibulares acaba sendo uma consequência natural”, destaca. É por isso que a lista de final de curso da Fundação Torino está re-

pleta de alunos selecionados em universidades nacionais e estrangeiras. No Brasil, da última turma formada em agosto de 2011, os alunos foram aprovados nos vestibulares de Ciências Econômicas, Direito, Engenharia e Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Direito, Engenharia, Psicologia, Publicidade & Propaganda e Relações Internacionais, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); Economia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), e, ainda em faculdades de referência, como no Ibmec, em Administração, e Milton Campos e Dom Helder Câmara, em Direito. Entre aqueles que decidiram seguir os preceitos da “Escola Internacional” e terem vivência no exterior estão alunos selecionados para a Universidade Católica da Argentina e o Politécnico de Torino, na Itália. “O estudo na Fundação não é mero treino para vestibular, é um estudo para a vida inteira. E nem sempre a maioria dos estudantes fica no Brasil, embora nessa última turma a maioria tenha ficado”, informa a coordenadora do Ensino Médio da Fundação Torino, Anna Motta.

Segundo ela, a quase totalidade dos estudantes inscritos em provas de vestibular é aprovada. “Na Fundação Torino todas as disciplinas têm provas escritas e orais e isso solicita o domínio e a reflexão sobre dos conteúdos desenvolvidos. É um cotidiano puxado, mas os diferenciais os alunos sentem-nos somente quando estão cursando na universidade”, comenta. Estudante da última turma formada pela Fundação, Rafaela Stanigher comenta que passou no curso que queria sem grandes dificuldades com a prova do vestibular. “Terminei o período de aulas no meio do ano, fiz um curso complementar e passei na UFMG”, resume a egressa, selecionada em Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Minas Gerais. “A Fundação Torino ajudou na minha preparação com conhecimentos de mundo, o que me fez abrir minha visão. Além disso, as provas são mais exigentes que as do vestibular. Na minha turma, os que tentaram a UFMG e outras faculdades passaram”, conta Rafaela. “A Fundação Torino atendeu completamente às expectativas minhas e da minha filha”, avalia Carlos Alberto Stanigher, pai da nova universitária.

A aluna Rafaela Stanigher, selecionada pela UFMG para o curso de Engenharia de Controle e Automação, comemora a aprovação com o pai, Carlos Alberto Stanigher

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Divulgação/Masp

Cultura

Edifício do Masp, na Avenida Paulista

Cultura para todos Magneti Marelli inicia parceria com Museu de Arte de São Paulo e reforça compromisso da empresa com difusão da arte e cultura para a sociedade

Por Lilian Lobato

I Giusepe Giorgi, diretor de RH da empresa, acredita que o acesso à cultura humaniza o ambiente de trabalho

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nvestir em cultura já faz parte da realidade da Magneti Marelli. Após se tornar mantenedora da Casa Fiat de Cultura, em Minas Gerais, a empresa firmou parceria com o Museu de Artes de São Paulo (Masp) e irá destinar recursos à instituição por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, também conhecida como Lei Rouanet. É a primeira vez que a Marelli patrocina uma entidade paulista. A expectativa é fomentar a educação e proporcionar o acesso à arte e ao conhecimento. O diretor de Recursos Humanos da empresa, Giusepe Giorgi, ressalta a importância da iniciativa e explica que o objetivo é utilizar os recursos destináveis por meio da Lei Rouanet para beneficiar instituições de credibilidade e reconhecimento no país. Mais que isso, oferecer opções de lazer cultural tanto para a sociedade brasileira como para os colaboradores da empresa.

A escolha do Masp, segundo ele, se deve à relevância e seriedade da instituição que possui um acervo de obras significativo e se propõe a contribuir para o incremento do nível cultural dos shareholders das empresas patrocinadoras. “A própria iniciativa do museu de formatar programas aprovados nos termos da lei, mostra o anseio da instituição em oferecer acesso à suas obras de maneira abrangente, o que os torna automaticamente um parceiro por excelência”, destaca Giorgi. A Marelli já desenvolve iniciativas com foco no conceito amplo de sustentabilidade empresarial. Com isso, ações que envolvem os aspectos social, ambiental e econômico estão sempre em prática na empresa. Ao impulsionar a área cultural, de acordo com o diretor de Recursos Humanos, é possível fomentar a educação, setor considerado fundamental pela Marelli. “Existe uma ligação clara entre as-

pectos educacionais e culturais e ambos precisam de planejamento no país, já que temos gaps importantes nas áreas. O intuito da empresa é o de se manter sustentável ao longo do tempo e desenvolver ações que garantam a sustentabilidade também nos ambientes em que está inserida”, avalia. O envolvimento da Marelli com a cultura também irá beneficiar os funcionários. Conforme Giorgi, “a empresa deseja que os colaboradores sintam que fazem parte de uma organização que preza por remunerar o capital investido pelo acionista, não só por meio da execução de sua missão de produtora de componentes e sistemas para veículos, mas também com a aproximação dos objetivos empresariais aos individuais dos colaboradores”, explica. Além disso, Giorgi acredita que o acesso à cultura humaniza o ambiente de trabalho e contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Como resultado, a empresa passa a ter profissionais motivados e ganha em produtividade. Por meio do Masp, os colaboradores terão contato direto com arte e cultura. Na escola, nos livros, na internet e nas artes, é possível descobrir há­bitos, cotidiano e história de vários povos e épocas e ter acesso a todo o conhecimento adquirido ao longo de cinco séculos de civilização. Mais do que aprender sobre o passado, porém, o acesso a esse conteúdo é o caminho para procurarmos me­lhorar o presente, explica. Giorgi ainda destaca que as obras de arte fazem parte do rico material deixado pelas gerações passadas e, por meio delas, podemos conhecer a história através do olhar crítico dos artistas, ou seja, da forma como eles enxergavam o mundo. A experiência, segundo ele, contribui para que as pessoas façam uma análise crítica do momento em que vivem, talvez relativizando conceitos que hoje são tidos como absolutos, mas que já foram diferentes ao longo do tempo.

Marelli patrocina livros

A literatura e a história também estão entre as prioridades da Magneti Marelli. Ainda por meio da Lei Rouanet, a empresa patrocinou duas publicações. A primeira, “A imigração italiana no Brasil”, de autoria do jornalista e escritor ítalo-brasileiro, Angelo Iacocca, faz parte das comemorações do “Momento da Itália no Brasil”. Já a segunda, “Energias renováveis no Brasil: desafios e oportunidades” aborda a questão energética e a importância do uso das energias renováveis em favor da sustentabilidade nas sociedades modernas. Com texto histórico/ jornalístico e ilustrado com fotos de época, o livro “A imigração italiana no Brasil”, narra o início da presença italiana no país desde a época do Império, com maior ênfase a partir do início da imigração na segunda metade do século XIX, na chamada “grande leva”. Também seguindo o caráter histórico/ jornalístico, “Energias renováveis no Brasil: desafios e oportunidades” proporciona ao leitor uma análise sobre as formas de obtenção de energia ao longo do desenvolvimento humano – dos combustíveis fósseis às formas de energias renováveis. Ilustrado com fotografias de fontes energéticas renováveis como campos de energia eólica, plantações de cana de açúcar e produção de biocombustível, o livro destaca as vantagens geográficas brasileiras no aprimoramento de uma matriz energética limpa.

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cultura

Tributo ao passado italiano A 29ª edição da Festa Nacional da Uva ocorreu do dia 17 de fevereiro ao dia 4 de março em Caxias do Sul, com o tema Uva, Cor, Ação – A Safra da Vida na Magia das Cores

Fotos Alessandro Ruaro

Por Guilherme Arruda

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oram muitas as colônias, povoados e cidades surgidas a partir da decisão do Império de incentivar a vinda de imigrantes europeus para o povoamento do território, a partir de 1850, e numa segunda onda para a substituição da mão-de-obra escrava, a partir de 1888. Dom Pedro II promoveu, ao longo do século XIX, a imigração e o primeiro surto desenvolvimentista da história brasileira. O espírito empreendedor dos italianos que se fixaram na serra gaúcha a partir de 1875 logo se materializou no progresso das colônias, entre as quais Caxias do Sul viria a se destacar. Os imigrantes desenvolveram a agricultura de subsistência, gerando excedentes que fomentaram o comércio e financiaram a industrialização local. A uva e o vinho ocuparam um lugar central nesta história desde o princípio da colonização e fundamentaram a riqueza local que se multiplicaria por décadas, até fazer de Caxias do Sul um dos mais destacados polos industriais do País. Em 1931, a comunidade organizou pela primeira vez uma festa para

comemorar a vindima, a colheita da uva. Foi organizada uma exposição em um clube da cidade, exaltando o fruto que simbolizava o trabalho e a prosperidade da região. Com o decorrer do tempo, a festa repetia-se sempre nos anos pares, ganhando importância e projeção, transformando-se na Festa Nacional da Uva, uma grandiosa celebração de valores culturais que a população local faz questão de dividir com os visitantes. “A festa celebra a vitória dos imigrantes”, explica Gelson Palavro, presidente da Comissão Comunitária da Festa da Uva. A festa é regional, popular e cheia de simbolismo para os descendentes dos pioneiros. Sua importância pode ser medida por dois fatos: o Presidente da República sempre participa de sua abertura e, há 40 anos, a transmissão da cerimônia de abertura

A Festa ocorreu no Parque de Exposições de Caxias do Sul e mobilizou quase cinco mil pessoas entre profissionais e figurantes


cultura Divulgação/Luiz Chaves

Mantendo a tradição, a presidente Dilma participou da solenidade de abertura, degustou uvas e conversou com diversos expositores

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inaugurou as transmissões de TV a cores no Brasil. A 29ª edição do evento, iniciada em fevereiro deste ano, celebra os 80 anos da festa e o pioneirismo televisivo. O tema deste ano foi Uva, Cor, Ação – A Safra da vida na Magia das Cores. Para realizar o evento, mobiliza-se um exército de quase cinco mil pessoas entre profissionais e voluntários, além de 1,5 mil figurantes, igualmente voluntários, para os desfiles alegóricos. São eleitas a rainha e princesas da festa, que têm a função de divulgar o evento e de organizar a recepção solene de convidados. Durante os dias de festa, as soberanas participam dos desfiles alegóricos e circulam pelo Parque de Exposições de Caxias do Sul para receber visitantes. As embaixatrizes, as belas candidatas que participaram do processo de escolha das soberanas, também ajudam na divulgação antes e durante a realização da festa. Com o incentivo de entidades empresariais, a cidade se enfeita para receber quase um milhão de turistas, que se movimentam em meio a fotografias, cartazes, reportagens de jornais e de revistas, convites, selos, panfletos e outros documentos do acervo do Arquivo Histórico Municipal e Secretaria da Cultura. Ao longo das ruas e no percurso dos centros

comerciais cada vitrine conta uma página da história da cidade e da festa. A parte festiva do evento ocorre no Parque de Exposição, cujos pavilhões cobertos, vistos do alto, têm o formato de dois cachos de uvas. Para aproveitar as centenas de apresentações musicais, de dança e experimentar a farta gastronomia colonial (com sopa de agnoline, frango assado, maionese, tortéi, polenta mole, salada de radicci) e campeira (churrasco), os organizadores aconselham usar roupas simples e calçados confortáveis. Caminha-se muito e mesmo a 816 metros de altitude as temperaturas costumam ser elevadas em fevereiro. Para matar a sede, nada que um bom suco de uva gelado. Uma novidade no parque neste ano foi a criação do espaço Sabor da Festa, com cursos diários de 30 minutos para conhecer o mundo das uvas. As vinícolas também estão presentes, bem como uma escola de chimarrão que ensina o principiante a fazer a bebida típica dos gaúchos. O espetáculo Som e Luz faz um mergulho no passado ao teatralizar a chegada dos pioneiros. A encenação acontece ao ar livre junto a um conjunto de réplica de casas de Caxias de 1875. O visitante também encontra no parque o Palácio das Uvas, com a distribuição gratuita de três variedades de uvas: Isabel, Niágara branca e Niágara rosada, servidas geladas. Neste ano foram degustadas 250 toneladas de uvas. Podem ser visitados parreirais dentro do parque. Outro momento emocionante é a realização do desfile cênico no centro da cidade, que ocorre desde 1932 e remete à estética do Carnaval carioca pela grandiosidade dos carros alegóricos. O enredo central, porém, é único: retrata o modo de vida dos pioneiros, seus hábitos, seus costumes e o orgulho por suas conquistas. Trata-se de uma forma de revisitar as próprias raízes e revitalizar o impulso de transformar a terra inóspita em riqueza.

Uma epopeia contada em vários atos A partir deste ano, os desfiles passaram a ser noturnos. São 16 cenários alegóricos: seis sobre chassis, quatro sobre plataformas e seis módulos médios sobre rodas. No total, são 45 módulos móveis, que desfilam a partir da Praça Dante Alighieri, no centro da cidade, onde foi montada uma impressionante infraestrutura especialmente para o desfile, com música e espetáculo cênico ao vivo, com a Orquestra Municipal de Sopros, do Coral Municipal, da Cia. Municipal de Dança, além de artistas caxienses. Para contar a saga, os 1,5 mil figurantes foram divididos em quatro quadros: Acolher, Plantar, Transformar e Celebrar. ACOLHER Faz referência à diversidade étnica das comunidades de origem, dos novos migrantes e dos que visitam a cidade aos acordes festivos das bandas marciais, emoldurado pelas bandeiras. Um grupo de crianças reproduz o menino do cartaz da festa, alusão à safra da

vida. O carro das embaixatrizes representa um grande cesto de uvas adornado por funis, antigos recipientes para colher a uva. A presença portuguesa na região guarda traços culturais expressos nas festas do Divino Espírito Santo dos distritos de Criúva e Vila Seca, que preservam também a cultura da lida campeira e do tropeirismo. Ana Rech, a Vila dos Presépios, apresenta a obra Epopéia Imigrante que este distrito criou como memória da colonização italiana. Por fim, a Festa do Vinho Novo, marca do distrito de Forqueta, finalizando com a tradicional distribuição de uva aos visitantes. PLANTAR Um conjunto de 18 famílias forma um grande parreiral simbolizando a economia do setor primário que move a região. As vilas plantadas pelas várias etnias de imigrantes, com trabalho e fé, são a origem da Caxias do Sul de hoje. A história dos desfiles da Festa da Uva começa em 1932. As mulheres

Os desfiles deste ano foram divididos em quatro quadros: Acolher, Plantar, Transformar e Celebrar

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cultura

vestem figurino das tendeiras - vendedoras de uva das festas dos anos 30. Por fim uma homenagem ao colono e aos frutos de hoje, plantados pelos distritos de Fazenda Souza, Santa Lúcia do Piaí e Vila Oliva. As três coreografias apresentadas reverenciam a uva, o milho e o trigo, em seu processo primitivo de debulhar através do mangual. TRANSFORMAR Baco, o Deus do Vinho com seus seguidores, bacantes e faunos, ce-

lebram a transformação da uva em vinho. A cantina (vinícola) faz o milagre da transformação. Cenas de trabalho e de prazer ocupam a alegoria. A tecelagem transforma fios em bens para vestir e proteger as pessoas. O distrito de Galópolis é um símbolo deste ramo da indústria caxiense. Vulcano, o deus do fogo, demonstra a transformação do metal. A divindade mitológica é seguida pelos ciclopes, passando pelos forjadores de ferro e chegando aos

metalúrgicos. Um grupo faz a representação do processo de produção da lamparina, produto histórico fabricado pela Metalúrgica Eberle. CELEBRAR Divertida alegoria da mesa farta, com a comida típica da cozinha italiana e gaúcha. Um carro com luz, imagem e cor faz referência aos avanços tecnológicos e à primeira transmissão a cores com imagens ao vivo no desfile de 1972.

A divertida Olimpíada Colonial Alguns hábitos da vida rural da região inspiraram a Olimpíada Colonial, um tipo de brincadeira que mistura elementos da cultura italiana com as modalidades olímpicas. Nesta 10ª Olimpíada, 250 atletas-colonos disputaram 12 provas divididas em 13 etapas classificatórias pelo interior dos distritos de Caxias do Sul. Os visitantes podem participar como protagonistas. A originalidade chama a atenção nas competições. Veja alguns exemplos: 1) Fazer Bíguli – Equipes de três pessoas devem fazer a maior quantidade possível de bíguli (macarrão) com máquina manual no tempo regulamentar. Enquanto um integrante maneja a máquina, outro corta o bíguli e coloca sobre uma mesa, e o terceiro abastece a máquina com a massa.

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2) Amassar Uvas com os Pés – Competição realizada em duplas, que devem amassar uva em uma mastela durante o tempo regulamentar. Ganha a dupla que produzir mais mosto (sumo de uva), que será pesado no final da prova. 3) Debulhar Milho – Os participantes, em duplas, devem descascar espigas de milho, comer um cacho de uva (cada um) e, por fim, debulhar as espigas com a máquina manual. 4) Corrida de Plantadeira – O participante deve abastecer a máquina de milho, plantar o milho nos lugares demarcados até a metade do percurso, onde fará la colasion (comer um pedaço de pão e salame e beber um copo de vinho). Depois volta a plantar o milho em todos os lugares demarcados.

O mago das cores A saga dos italianos na serra gaúcha tem um intérprete fiel: Aldo Locatelli. Este pintor italiano, naturalizado brasileiro, deixou importante obra na qual se destacam os afrescos da igreja São Pelegrino, na parte central de Caxias do Sul. Seus murais religiosos são de grande valor artístico, histórico e sentimental. Aldo Daniele Locatelli nasceu no dia 18 de fevereiro de 1915, em Villa d’Almè, periferia de Bergamo, na Lombardia. Com dez anos entrou em contato com artistas que restauravam os murais da igreja da Villa d’Almè e com 16 anos ingressou no curso de decoração da Escola de Cursos Livres de Instrução Técnica Andrea Fantoni. Depois de passar pela Accademia Carrara di Belle Arti em Bergamo recebeu uma bolsa de estudos para a Escola de Belas Artes de Roma. No ano de 1946,

muda-se para Gênova a fim de trabalhar na abóbada da Igreja Nossa Senhora dos Remédios. Com 33 anos de idade desembarcou no Brasil com a fama de ser o mago das cores para realizar afrescos na Catedral de Pelotas (RS) e torna-se um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pelotas, onde introduziu o estudo do nu artístico. Passou a receber encomendas de outras cidades, como Caxias do Sul e Porto Alegre. Em 1951, já naturalizado brasileiro, deu início aos murais e pinturas da igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul, trabalho que concluiu em 1960. No Rio Grande do Sul, seus trabalhos podem ser encontrados no aeroporto Salgado Filho, no Palácio Piratini (sede do executivo gaúcho) e em igrejas de diversas cidades do interior. Locatelli morreu em 1962, em Porto Alegre.

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cultura

A força econômica de Caxias do Sul Caxias do Sul é a segunda força econômica do Rio Grande do Sul, com um PIB de R$ 24,5 bilhões e renda per capita 37% acima da média gaúcha. A cidade é o centro de um parque industrial altamente diversificado. Em 1931, ano da primeira Festa da Uva, a cidade tinha 32,6 mil habitantes. Hoje são 435 mil, sendo que de cada dez residentes, seis não nasceram na cidade. A força de trabalho reúne 178 mil pessoas, nas quase 32 mil empresas. O setor industrial, com 42,55% de participação na economia, reúne sete mil estabelecimentos, cujo destaque é o setor metal-mecânico. Nele se destacam os fabricantes de material de transporte (fabricantes de reboques, ônibus, caminhões e tratores); material plástico, materiais elétricos, metalurgia (cutelaria, forjados, microfusão); mecânica, madeira e móveis; têxtil e vestuário; bebidas e alimentício.

Caxias do Sul está posicionada hoje na décima-segunda posição de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, que avalia a qualidade de vida e pondera desenvolvimento econômico, distribuição de renda, acesso à educação e ao saneamento, entre outras informações. No quesito ensino, a cidade conta hoje com mais de 100 mil jovens matriculada na rede pública e privada (médio e fundamental) e de doze instituições de ensino superior, todas privadas. No ano passado, a economia cresceu 6% — o dobro da taxa verificada no país — puxada pela área de serviço, 10,6%. O setor industrial avançou 3,2% e o comércio, 6,5%, de acordo com o levantamento do Departamento de Economia e Estatísticas da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). Além disso, houve aumento de 12,7% na massa salarial da indústria, que impulsionou o crescimento do setor de comércio e serviços.

População Total (2010): 435.564 habitantes Área (2010): 1.643,9 km2 Altitude: 817 metros acima do nível do mar Densidade Demográfica (2010): 265,0 hab/km2 Taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais (2010): 2,36 % Expectativa de Vida ao Nascer (2000): 74,11 anos Coeficiente de Mortalidade Infantil (2010): 12,91 por mil nascidos vivos Exportações Totais (2010): U$ FOB 893 milhões

Fonte: Fundação de Economia e Estatística RS

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O Brasil entra na era colorida 31 de março de 1972. Esta foi a data fixada pelo presidente da República Emílio Médici para o início das transmissões de televisão a cores no Brasil. A poucos meses da data, no entanto, havia necessidade de um teste derradeiro de transmissão em nível nacional. O Rio de Janeiro apostava todas as suas fichas no Carnaval como marco inicial da nova era da televisão. A cidade entraria com o cenário, os equipamentos e técnicos da TV Globo, que dominavam o sistema de transmissão NTSC, adotado nos Estados Unidos. O ministro das Comunicação da época, Hygino Corsetti, preferiu adotar um sistema híbrido, o PAL-M, que até hoje é utilizado no Brasil. Como era nascido em Caxias do Sul, o ministro lançou à comunidade empresarial e das telecomunicações do Rio Grande do Sul o desafio de viabilizar a transmissão a cores. A empreitada envolveu quatro emissoras: a TV Difusora como geradora do sinal para a estatal Embratel, TV Caxias, TV Gaúcha e TV Rio. Foram importadas da Inglaterra duas câmeras, um conjunto de micro-ondas e aparelhos técnicos da EMI para gerar as imagens. Os equipamentos foram instalados em Porto Alegre. O sábado 19 de fevereiro de 1972 amanheceu nublado em Caxias do Sul. O desfile de abertura da 12ª edição da Festa da Uva, programado para as 15 horas, poderia ser um desastre, caso chovesse. Mas durante as duas horas do desfile, não caiu uma gota sequer de chuva. A transmissão foi um sucesso e, presente ao evento, o presidente Médici acompanhou tudo através de um monitor à sua frente. No Brasil, não mais do que 200 famílias puderam ver o sinal a cores, pois havia poucos aparelhos a cores no Brasil. No domingo, foi realizada a primeira transmissão de uma partida de futebol ao vivo e a cores pela TV. As equipes do Caxias e Grêmio se enfrentaram em jogo que terminou empatado sem gols. O desfile da Festa da Uva foi notícia no Jornal Nacional, da TV Globo. O evento foi acompanhado por uma constelação de celebridades, como Francisco Couco, o galã da hora no papel de Cristiano Vilhena na novela Selva de Pedra. Tônia Carreiro, Rosamaria Murtinho, Renata Sorrah e Jô Soares estavam lá. Outros astros e estrelas da televisão brasileira, como Blota Junior, Heron Domingues, Luis Mendes, Geraldo Del Rey e Rolando Boldrin, também participaram do momento histórico.

Roteiros de visita A essência do modo de vida do imigrante italiano continua viva no interior de Caxias do Sul, nas propriedades rurais, nas vinícolas e nas residências originais. Há roteiros de visita organizados, como Criúva, Caminhos da Colônia, Vale Trentino e Estrada do Imigrante, rota aberta pelos pioneiros em 1875. A visitação requer um ou dois dias. INFORMAÇÕES Secretaria Municipal de Turismo de Caxias do Sul Tel. 54 3222-1875 08005411875 www.caxias.tur.br

destinos Turismo Rural • Caminhos da Colônia • Criúva • Estrada do Imigrante • Vale Trentino Enoturismo • Cooperativa Forqueta www.forqueta.com.br 54 3288-5420 • Castelo Chateau Lacave www.lacave.com.br 54 4009-4822 • Cantina Tonet www.cantinatonet.com.br 54 3292-3551 MU S

EU

Pontos Turísticos • Igreja São Pelegrino 54 3221-2567

PR AÇ

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IGREJA

• Museu Casa de Pedra 54 3221-2423

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cultura

Tradições como já não há na Itália Conheça um pouco mais a história dos primeiros colonos italianos que desembarcaram no final do século XIX no sul do Brasil

Por Oliviero Pluviano

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O escritor José Clemente Pozenato, autor do livro Quatrilho

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resenha que a cada dois anos mobiliza toda a comunidade de origem vêneta, trentina e lombarda que desembarcou no sul brasileiro em 1875, a Festa da Uva, chegou a seu octogésimo aniversário e neste ano faz parte do Momento Itália-Brasil, a grande manifestação de amizade bilateral organizada pelo ministério do exterior de Roma, que dura até junho. Os primeiros colonos italianos chegaram ao final do século XIX, atraídos pela promessa de tornarem-se proprietários de terras: porém ficaram decepcionados quando não encontraram campos em condição de cultivo, mas apenas uma floresta cer-

rada e inóspita, habitada por índios belicosos. ‘’Os primeiros tempos foram duríssimos. Muitos imigrados se suicidaram, depois de terem enfrentado uma viagem tremenda, mais de um mês em um navio a vapor, durante o qual morreram muitíssimos velhos e crianças”, conta Cleodes Maria Piazza, pesquisadora da Universidade de Caxias do Sul, e descendente daquele Radaelli de Olmate (Milão) que foi o primeiro a chegar ao coração da floresta no Campo dos Bugres (índios) onde hoje se encontra a cidade de Caxias, com quase meio milhão de habitantes. “Mas agora a Festa da Uva e a

feira agroindustrial anexa são sinônimo do desenvolvimento orgulhoso alcançado pelos imigrantes italianos nestes anos todos’’, completa. Caxias é a cidade que mais consome tecnologia de ponta no Brasil, com uma indústria metalúrgica excelente, marcas de carroçarias de caminhão, implementos rodoviários e ônibus de primeira classe na América Latina, e com vinhedos e vinícolas únicos no país. A exposição mostra com orgulho o maior ônibus do mundo (28 metros, três articulações, cinco portas e capacidade para 270 passageiros) como sua joia mais preciosa. ‘’Hoje a Festa da Uva é reconhecida internacionalmente como a maior celebração dos viticultores de todo o planeta: ela cresce cada vez mais e alcançou níveis elevados de excelência”, explica Charles Oldoni, originário de Trento e Cremona, chefe do grupo de dança folclórica ‘’Gli amici del cuore’’ (Os amigos do coração) de São Valentim.  “Neste ano, a safra da uva foi fantástica por causa da pouca chuva: com isso tivemos uma grande produção e os cachos têm qualidade excepcional. Faremos ótimo vinho, mas também uma quantidade recorde de suco. O nosso grupo veio participar do evento pela antiga cultura italiana que se exprime em dançar a tarantela, nos cantos, nos jogos, na cozinha: é um pouco a nossa história. Recolhemos mais de 450 canções trazidas da Itália por nossos avôs’’. Durante o desfile alegórico que se repete diariamente, tempo permitido, e que se desenrola nas apinhadas ruas do centro e na praça da catedral com orquestra de sopros da prefeitura ao vivo e em cores, foi festejada a atriz da TV Globo, Regina Duarte, como símbolo da passagem da TV em branco e preto para a TV em cores. Desfilou também o ex-construtor do primeiro presídio de Caxias, Italino Pedron, de 95 anos, o único morador de Caxias que tinha participado, aos 14 anos, da primeira Festa da Uva: ‘’Aqui se trabalha muito e por isto o carnaval não existe: mas fazemos nosso desfile alegórico a cada dois anos aqui na Festa’’.

O Iphan, instituto do patrimônio histórico brasileiro, incluiu entre as línguas faladas no Brasil, além do português, o ‘’Talian’’ dos oriundi italianos: uma mistura de vêneto, lombardo e português, reconhecido agora como primeiro idioma oficial das comunidades estrangeiras no país. ‘’O Talian ainda é muito falado, quase 140 anos depois da primeira emigração”, observa o escritor José Clemente Pozenato, autor daquele ‘’Quatrilho’’ que, em 1996, tornou-se o primeiro filme sobre a emigração italiana no Brasil candidato ao Oscar, com direção de Fabio Barreto. Em 1933, o programa da Festa da Uva estava escrito totalmente em Talian, muito parecido com o italiano, que em Caxias era falado normalmente. Mas com a ditadura de Getúlio Vargas e a Segunda Guerra Mundial foi proibido falar qualquer outra língua que não fosse português. De 1937 a 1950 também não foi realizada a Festa da Uva: mais tarde o governo brasileiro pediu desculpas a esse respeito e desde então o presidente da república participa sempre da inauguração: como neste ano a presidente Dilma Rousseff. Pozenato sustenta que a língua falada na esplêndida campanha entre as colinas com vinhedos e araucárias da Serra Gaúcha, toda situada a 800 metros de altitude, é como a cozinha colonial que tem pratos que não existem mais na Itália: a gastronomia da imigração é muito exclusiva com os sempre presentes agnolini in brodo (sopa de capelletti), polenta frita, tortei, fortaia (mistura de ovos com queijo) e salada de radicci. ‘’Apesar de este grande evento correr o risco de apresentar-se um pouco descaracterizado e estar procurando um novo caminho” – conclui o maior escritor dos oriundi do Rio Grande do Sul – aqueles, e são muitos, que emigram desta região para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Goiás, continuam voltando para a Festa da Uva, que ainda é a festa encantada de todos eles. É sempre o ato de exultação e de alegria transmitido há 80 anos por toda a nossa comunidade’’.

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Cultura

Além do que se vê Casa Fiat de Cultura traz para o público brasileiro a exposição “De Chirico: O Sentimento da Arquitetura”, com curadoria da crítica de arte e arquitetura Maddalena d’Alfonso

O grande mestre da arte italiana realizou alguns esboços publicitários. Em 1950, produziu uma pintura a óleo do FIAT 1400. Apesar dos erros de Giorgio ao desenhar as proporções do automóvel, a FIAT decidiu imprimir o cartaz. “Ele desenhou várias alegorias mitológicas como pano de fundo para o lançamento do FIAT 1400. É um célebre cartaz. Foi uma passagem muito forte pela nossa empresa”, contou José Eduardo Lima Pereira, poucos dias após voltar da exposição de De Chirico, em Porto Alegre.

Por Daniel Prado

G Fotos Alessandra Como

iorgio de Chirico, de origem greco-italiana, foi artista múltiplo e vasto, um dos mais expressivos traços do século passado. De Chirico ultrapassou os limites do real numa misteriosa ambiência solitária e melancólica. Mostrou às gentes de sua época a possibilidade de um mundo além daquele que todos estavam acostumados (ou impostos) a ver. Trouxe à tona o insólito, o encontro do cotidiano com o inusitado, quando o dia-a-dia se de-

Archeologi, óleo sobre tela de 1968

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para com o surreal e o tempo parece passar num ritmo diferente. Pois são exatamente as obras desse ícone do século XX, que a Casa Fiat de Cultura traz para o público mineiro. A mostra, projetada especialmente para integrar a programação do Momento Itália-Brasil, chega a Belo Horizonte no dia 30 de maio, com ingredientes bastantes para atrair milhares de visitantes até 29 de julho, proporcionando uma imersão em outro mundo. São 45 pinturas e 11 esculturas, estas produzidas durante o chamado período neometafísico do artista. Além de 66 litografias da década de 1930, inspiradas nos famosos caligramas do poeta francês Guillaume Apollinaire, apresentados juntos pela primeira vez. Intitulada “De Chirico: O Sentimento da Arquitetura”, a exposição é realizada pela Casa Fiat de Cultura, em parceria com a Fundação Iberê Camargo e Masp e patrocínio da Fiat Automóveis. A produção é da Base 7, tendo ainda a colaboração da Fundação Giorgio e Isa de Chirico, sediada em Roma, com curadoria da crítica de arte e arquitetura, a italiana Maddalena d’Alfonso. A exibição da fantástica mostra de De Chirico já encantou os gaúchos durante a exposição na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Agora, são os paulistas que festejam sua arte no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Em Sampa, as obras do artista ficarão expostas de 22 de março a 20 de maio com apresentação, em seguida, ao público mineiro. José Eduardo de Lima, presidente da Casa Fiat de Cultura, diz que essa exposição de De Chirico “é muito bonita, reunindo obras que trazem muitas projeções de luz e sombras. O público vai gostar muito. Tenho certeza de que será um grande sucesso”.

Foi numa tarde de outono na Piazza Santa Croce, uma das principais praças de Florença, onde fica a basílica de mesmo nome, considerada a maior igreja franciscana do mundo, que De Chirico pintou o seu primeiro quadro da sua famigerada série “Praças Metafísicas”. Para ele, faltava um sentido no mundo. E foi na transfiguração do real que ele achou suas revelações, fez suas descobertas e mostrou ao mundo uma nova realidade, cheia de possibilidades: “A inquietação do indivíduo no meio da cidade, a solidão. O ser humano que se solta no aberto da praça e convive com a sensação dúbia de estar no meio da multidão e, ao mesmo tempo, sozinho. É essa a sensação que De Chirico nos dá”, explica José Eduardo. De Chirico estudou em Atenas, Florença e, depois, na Alemanha, onde se matriculou na Academia de Belas Artes de Munique. Foi lá que entrou em contato com a filosofia de Nietzsche e Schopenhauer, e com as pinturas realistas de Arnold Böcklin e o simbolismo de Max Klinger, grandes influências em sua obra. O universo do artista é também influenciado pela mitologia grega, cruzando com personagens como Ulisses e Orfeu. Mas, foi a partir de 1911, na temporada parisiense, que De Chirico fez suas primeiras exibições importantes e teve encontros com a efervescente intelectualidade que agitava Paris, maravilhosamente representada por nomes como Pablo Picasso, Apollinaire, Rimbaud e outros fervilhantes espíritos da época. Logo à frente, De Chirico prestou serviço militar durante a I Grande Guerra. Devido à sua saúde delicada, passou uma temporada internado em um hospital em

Ferrara, onde voltou à sua arte e ficou conhecendo Carlos Carrà. Juntos, lançaram a corrente do Movimento Metafísico. O pensamento metafísico dos dois batia de frente com o Futurismo, a tendência dominante na época. O greco-italiano insistia na estranheza causada por elementos soltos em ambientes diversos, como poltronas, camas, guarda-roupas e outros tipos de móveis jogados numa estrada, ou no meio de uma praça, cenários que normalmente não eram vistos, nem apreciados.

De Chirico: O Sentimento da Arquitetura – Obras da Fondazione Giorgio e Isa De Chirico Masp - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Av. Paulista, 1578. Acesso a deficientes. De 22 de março a 20 de maio de 2012, no 2º andar do MASP (Galeria Georges Wildenstein). Horários: De 3ªs a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às 5ªs: das 11h às 20h. A bilheteria fecha meia hora antes. Ingressos: R$ 15,00. Estudantes, professores e aposentados com comprovantes: R$ 7,00. Até 10 anos e acima de 60: entrada franca. Às 3ªs feiras: acesso gratuito a todos. Mais informações: www.masp.art.br Tel.: (11) 3251.5644 Casa Fiat de Cultura

Rua Jornalista Djalma Andrade, 1250 - Belvedere Belo Horizonte (MG) De 30 de maio a 29 de julho Transporte e entrada gratuitos Horários: Terça a sexta-feira, das 10h às 21h, ou Sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h. Mais informações: www.casafiatdecultura.com.br Tel. (31) 32898900.

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Localização: tem plantas industriais nos estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Presidente: Cledorvino Belini

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memória

113 anos de história Primeira fábrica da Fiat foi inaugurada em 1899, em Corso Dante, Itália, e neste mesmo ano oito modelos foram construídos por juliana garcia

H Fábrica da Fiat de Corso Dante, a primeira da empresa

a Fiat inaugurava sua primeira fábrica na Itália. Eram 150 trabalhadores empregados que, ainda em 1899 produziram oito modelos. Ao todo foram 24 carros, entre os quais estava o HP 3½, ainda não equipado com marcha à ré. Também chamado de 4HP Fiat, o 3 e meia foi o primeiro carro a ser produzido sob o nome Fiat. O carro usava um motor cc 679, que poderia impulsionar o pequeno veículo a uma velocidade máxima de 35 km/h (22 mph). No entanto, a economia de combustível para este modelo foi grande, com apenas 8 litros de gás para cada 100 quilômetros de estrada.

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O modelo da Fiat HP 3½

oje vemos com naturalidade os inúmeros automóveis que se cruzam nas avenidas das grandes cidades e não imaginamos como se deu a aceitação do automóvel como meio de transporte. Essa mudança implicou numa transformação do próprio comportamento social e da visão sobre as distâncias, o tempo e a velocidade. A história da Fiat começa ai. À frente de seu tempo, a empresa não só acreditou como colaborou com essa transição. No ano de 1899, enquanto a Organização Mundial de Medicina de Paris advertia que andar em automóveis com velocidade superior a 40 km/h ocasionava morte instantânea,

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