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MAIO2012 · Tel. 241 360 170 · Fax 241 360 179 · Av. General Humberto Delgado - Ed.

Mira Rio · Apartado 65 · 2204-909 Abrantes · jornaldeabrantes@lenacomunicacao.pt

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jornal abrantes

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Diretora HÁLIA COSTA SANTOS - Editora JOANA MARGARIDA CARVALHO - MENSAL - Nº 5495 - ANO 112 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

E ESTA JORNAL NESTA EDIÇÃO N Suplemento do Curso de Comunicação Social.

Mariza sobe ao palco dos Mourões

De 14 a 17 de junho Abrantes vai estar em festa. Com um orçamento reduzido em 40%, o certame está de regresso ao centro histórico, com animação musical, exposições, tasquinhas e práticas desportivas. O Concurso de Saltos em Hipismo é uma das atrações previstas. página 12

REGIÃO

Novidades na reforma da administração local Os concelhos com quatro ou menos freguesias, afinal, podem mantê-las. Aprovada em Assembleia da República, a lei da reorganização do território que trouxe esta novidade – boa, para o Sardoal – trouxe outras implicações para as freguesias urbanas. Em Abrantes, as freguesias urbanas terão que entrar em processo de fusão. páginas 4 e 5

ECONOMIA

Foto de Pérsio Basso

RPP Solar

Escolas contestam mega agrupamentos mas reagem bem aos novos exames

Sete diretores de escolas ou agrupamentos, entre os dez a quem o Jornal de Abrantes lançou o desafio, responderam a um pequeno inquérito para recolher opiniões, aferir sensibilidades, apresentar a oferta formativa e divulgar projetos. ESPECIAL EDUCAÇÃO páginas 13 a 17

Os vereadores da Câmara Municipal de Abrantes eleitos pelo PSD querem uma comissão independente para analisar o processo da RPP Solar para saber “quem ganhou grandemente com isto”. A presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, lembra que o processo foi visado pelo Tribunal de Contas e não encontra nada que “indicie que seja necessário abrir um inquérito”. página 6

ENTREVISTA

António Mor é o presidente do Centro Social do Pego O presidente contou-nos o trabalho desenvolvido desde 1998 para cerca de 62 utentes. Um novo lar já em construção é o objetivo futuro deste complexo que trabalha no âmbito social para a comunidade idosa. página 4


2 ABERTURA FOTO DO MÊS

EDITORIAL

de

jornal abrantes

MAIO2012

FICHA TÉCNICA Directora Hália Costa Santos (TE-865) halia.santos@lenacomunicacao.pt

Editora Joana Margarida Carvalho (CP.9319)

Fusões e mais fusões

joana.carvalho@lenacomunicacao.pt

Sede: Av. General Humberto Delgado – Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes Tel: 241 360 170 Fax: 241 360 179 E-mail: info@lenacomunicacao.pt

Redacção Ricardo Alves (TP.1499) ricardo.alves@antenalivre.pt

Mafalda Vitória Alves Jana André Lopes Paulo Delgado

Publicidade Miguel Ângelo 962 108 785 miguel.angelo@lenacomunicacao.pt

Até pode ser um apelo útil, mas será este o sítio mais indicado para o deixar? A imagem não é agradável para todos aqueles que utilizam ainda este fontenário diariamente.

INQUÉRITO

Que recordação tem do 25 de Abril?

Secretariado Isabel Colaço

Design gráfico António Vieira

Impressão Imprejornal, S.A. Rua Rodrigues Faria 103, 1300-501 Lisboa

Editora e proprietária Media On Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes

GERÊNCIA Francisco Santos, Ângela Gil

Departamento Financeiro Ângela Gil (Direcção) Catarina Branquinho, Gabriela Alves info@lenacomunicacao.pt

Paulo Jorge Oliveira

Ana Clara

Maria José Simões

Funcionário Público, Pego

Jornalista, Abrantes

Assistente Social, Abrantes

Foram buscar o meu pai a casa no dia 25. Ele era chefe de contabilidade no Ri2 de Abrantes. Era Tenente na altura e disseram-lhe que “havia barulho em Lisboa”. Eu tinha 14 anos, fiquei nervoso e com muita expectativa sobre o que estava a acontecer. Lembro-me de ter estranhado aquilo tudo e lembro-me de ver na televisão o Fialho Gouveia, em direto, que interrompeu as notícias que estava a ler, pediu um copo de água, virou-se para a câmara e disse: “Liberdade é isto”.

Por via da minha inexistência aquando do dia, é curioso que a primeira recordação que me lembro de ter é a senha do Paulo de Carvalho “E depois do Adeus”, que me lembro de ter ouvido num rádio velhinho, lá da casa na aldeia (Louriceira, concelho de Mação), devia ter uns seis anos. E certamente que deve ter sido numa das comemorações de Abril.

Tinha 11 anos na altura. Lembro-me das angústias da guerra de África e do alívio depois do 25 de Abril. O meu pai era capitão na altura. Lembro-me perfeitamente do telefone a tocar naquela madrugada e fiquei feliz quando a minha mãe me explicou que o meu pai já não ia para a guerra. Pouco depois do telefonema saiu para o quartel. Foram buscá-lo num jipe. Ficou de prevenção. É inesquecível.

Carlos Moisés, músico

Hugo Monteiro dsi@enacomunicacao.pt Tiragem 15.000 exemplares Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo no ICS: 124617 Nº Contribuinte: 505 500 094

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HÁLIA COSTA SANTOS

SUGESTÕES

Sistemas Informação

Sócios com mais de 10% de capital Sojormedia

No mês em que o ministro da Educação esteve em Abrantes e Vila Nova da Barquinha, o Jornal de Abrantes decidiu dar a palavra aos responsáveis pelas escolas e agrupamentos da região. Os assuntos que estão na ordem do dia são as fusões entre estabelecimentos de ensino, os chamados mega agrupamentos, e as mudanças propostas pela tutela, como o aumento do número de alunos por turma e o regresso dos exames. Apesar da consciência implícita de que a decisão está tomada, a criação de mega-agrupamentos continua a ser, na generalidade, contestada. Um dos principais argumentos é a perda de proximidade, precisamente o mesmo que é utilizado pelos presidentes de Juntas de Freguesia que contestam as fusões. Neste campo, foi dada uma reviravolta, com a aprovação de uma nova lei em Assembleia da República. E se, nalguns casos, as novidades são vistas com bons olhos – porque permitem manter todas as freguesias de concelhos pequenos, como é o caso do Sardoal – noutros a reação está a ser negativa. Nomeadamente em freguesias como Alferrarede, que no anterior cenário não eram afetadas e agora são, porque se fazem contas à média de cidadãos por quilómetro quadrado. Mas num caso e no outro, importa sublinhar que há vozes que tentam compreender as fusões. Ou porque já têm um historial de vir juntando mais e mais escolas ao seu agrupamento ou porque entendem que pode haver aspetos positivos na fusão de freguesias: “Acima de tudo, é retirar o que há de bom em cada um. A vivência e a identidade das freguesias não se perdem!” Pensemos sobre o assunto…

IDADE? 49 RESIDÊNCIA? Tomar PROFISSÃO? Músico

UMA POVOAÇÃO? Aldeia de Monsanto – Beira Baixa UM CAFÉ? Café Paraíso - Tomar PRATO PREFERIDO? Polvo assado (à Galega) UM RECANTO PARA DESCOBRIR? Mata dos Sete Montes - Tomar UM DISCO? Por este rio acima - Fausto UM FILME? Meia noite em Paris – Woody Allen UMA VIAGEM? Macau UMA FIGURA DA HISTÓRIA? Aris-

tides de Sousa Mendes, pela nobreza de caráter e coragem ao passar vistos de entrada em Portugal, à revelia das ordens de Salazar, salvando milhares de pessoas do holocausto nazi. UM MOMENTO MARCANTE? 25 de abril de 1974. A partir desse dia deixei de ter na escola as actividades da mocidade portuguesa, coisa que detestava. UM PROVÉRBIO? “A felicidade é algo que se multiplica quando se divide”. UM SONHO? Voltar à minha terra –

Moçambique. UM CONSELHO PARA OS JOVENS? Estudem (ainda vale a pena), estejam atentos e sejam críticos. UMA PROPOSTA PARA UM DIA DIFERENTE NA REGIÃO? Descida em Kayak dos rios Nabão, Zêzere e Tejo. A canoagem é uma atividade saudável, divertida e permite conhecer de uma forma diferente a região. Há várias ofertas. Aqui fica uma: Lácalha Club de Aventura - www.lacalha.pt


ENTREVISTA 3

MAIO2012

ANTÓNIO MOR, PRESIDENTE DO CENTRO SOCIAL DO PEGO

“Perante cada dificuldade estamos todos unidos para um objetivo comum” teressante disto tudo foi ter lidado com as pessoas, foi ter trabalhado por vezes 24 horas com excelentes profissionais,. A comunidade em geral só os vê para lhes dar nas “orelhas” e são pessoas que sentem, que em muitos casos só serão melhores ou piores em função da liderança que têm.

JOANA MARGARIDA CARVALHO

António Mor: formado em gestão pela Universidade Internacional. Na década de 70 trabalhou na Metalúrgica Duarte Ferreira, onde se iniciou na Comissão de Trabalhadores. Entra como vereador na Câmara Municipal em Abrantes em 1977, onde se manteve até 1993. Foi membro do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Abrantes entre 1980 a 1989. Entre 2007 a 2011 foi vogal do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo. Ainda hoje é membro da Assembleia Municipal de Abrantes, pelo PS. Desde 1998 assume a presidência do Centro Social do Pego.

Quais são as valências do Centro Social do Pego? Para a terceira idade, centro de dia com 30 utentes e apoio domiciliário com 32. Para os mais novos, creche com 35 bebés e o jardim-de-infância com 23 crianças. Este complexo serve sobretudo a população da freguesia do Pego, mas temos alguns casos pontuais de outras localidades. As freguesias envolventes ao Pego são também o nosso público-alvo para o novo lar de idosos, que está agora a arrancar num investimento de cerca de 2 milhões de euros e com um prazo de execução de obra de 20 meses. Esperamos que em Dezembro de 2013 o equipamento esteja pronto a inaugurar. Qual tem sido o trabalho desenvolvido no Centro Social? Tudo isto começou em 1991. A ideia inicial era apenas a construção do centro de dia. Em 1998, quando tomei posse, a obra do centro de dia estava quase parada. Foi como um iniciar de uma nova etapa, na qual tínhamos como único objetivo concluir a obra. A ideia

da creche e jardim-de-infância surge mais tarde. Ainda não estávamos com a obra do centro de dia terminada e o projeto para os mais novos já estava a andar. Tem sido aliciante todo este trabalho desenvolvido com uma equipa que resulta. Há um trabalho conjugado onde perante cada dificuldade estamos todos unidos para um objetivo comum. Neste trabalho social, quais têm sido as principais dificuldades? São as relacionadas com a sustentabilidade do equipamento. Em termos operacionais, naquilo que é a receita direta face à despesa direta, temos sempre prejuízo. [O saldo imediato entre as receitas e despesas das várias funções exercidas tem sido negativo.] Todavia, desde 1998 até hoje, o resultado líquido do exercício [o total das contas do Centro Social] foi sempre positivo. [Como?] Temos tido a capacidade de promover as nos-

sas próprias iniciativas [para gerar receita] e temos sensibilizado a sociedade para as mesmas. Este exercício tem corrido bem, pois temos recibo alguns apoios e subsídios da comunidade que permitem atenuar o tal prejuízo. Em cada ano surgem dificuldades novas. Este ano a receita que deriva dos utentes e da Segurança Social foi inferior aos anos anteriores. No centro de dia estamos com pensões mínimas, no jardim-de-infância alguns pais estão desempregados. Tudo isto resulta num rendimento mais baixo na nossa receita direta. Esta sustentabilidade é o nosso grande desafio futuro. Como é que foi a sua passagem pela Câmara Municipal de Abrantes? Foi um desafio interessante. Fui vereador no tempo da criação das infra estruturas básicas: foi dar água às populações que não tinham este bem básico, desenvolvemos as estradas do concelho e

começámos com um trabalho a que hoje ninguém dá valor que foi a recolha do lixo. Depois foi um trabalho de introduzir valências no concelho. Tivemos uma fase que a grande preocupação das juntas de freguesia era o alargamento dos cemitérios nas localidades, a construção de novas escolas onde hoje já não reside uma criança, enfim… Foram criadas as bases para os dias de hoje. Teve um papel decisivo nos Serviços Municipalizados de Abrantes. Em que se centrou o seu trabalho? Na organização e gestão, uma gestão que se centrava em dar água potável à população. Quando entrei tínhamos uma retroescavadora que trabalhava num dia, no outro estava na oficina. Quando saí tínhamos um eficiente armazém de materiais e bom um parque de máquinas. Estávamos numa fase de cuidar do antigo e a trabalhar numa perspetiva futura. O mais in-

Como é que carateriza a intervenção política nos dias de hoje, nomeadamente no seu concelho? A intervenção que é feita não corresponde ao meu sentimento de participação na vida local. Nos dias de hoje deviam ser sete pessoas a trabalhar em prol da autarquia, mas há um executivo que é executivo e outro contra o executivo. Não consigo entender esta forma de trabalhar, onde não há um objetivo comum e unido. Pode haver diferentes opiniões, mas a meta deve ser a mesma. Por isso, não consigo entender a forma de ser e de estar de alguns agentes políticos no concelho de Abrantes. Foi membro do anterior Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Como foi essa experiência? Supostamente, eu era o que conhecia menos o CHMT. Contudo, as coisas em que me envolvi e apostei valeram pela afirmação dos serviços. Alcançámos vários objetivos, nomeadamente termos ficado com uma unidade de cuidados intensivos polivalente. Não há muitas no país, com qualidade de serviço na maternidade e no atendimento de urgência. Uma unidade de cuidados paliativos e uma unidade com um serviço de psiquiatria bem instaladas foram outros objectivos alcançados. Não perdi tempo, foi uma altura em que fiz algo de positivo pela sociedade.

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4 REGIÃO

MAIO2012

• Freguesia de Alferrarede

Freguesias urbanas de Abrantes condenadas à fusão HÁLIA COSTA SANTOS *

A lei do regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica, aprovada na Assembleia da República, a 13 de Abril, provocou diferentes reações. Na região, a boa notícia foi para o Sardoal, uma vez que as novas regras dizem que os concelhos com quatro ou menos freguesias não são obrigadas a fazer fusões nem a extinguir freguesias. As freguesias urbanas acabaram por ficar postas em causa, nomeadamente em Abrantes. A outra novidade é que a decisão final, de acordo com as novas regras, terá que ser tomada pelas Assembleias Municipais, até ao final de junho.

O presidente da Junta de Freguesia de Alferrarede, Pedro Oliveira, concorda com a necessidade de se reorganizar o mapa autárquico do país, mas discorda frontalmente do

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processo e dos critérios entretanto adotados. Isto porque Abrantes, pelo facto de ter menos de 100 habitantes por quilómetro quadrado, está condenada a ter uma mega freguesia, que abarcará as atuais quatro freguesias urbanas, incluindo Alferrarede. Esta freguesia, “que tem mais do que 150 habitantes por quilómetro quadrado, acaba por apanhar por tabela”. O presidente acrescenta que a criação de uma megafreguesia “será um regresso ao centralismo e as zonas mais rurais ficarão num estado de ultraperiferia”. Pedro Moreira lembra que o memorando da Troika apenas indica uma diminuição de Câmaras e não de Juntas. Por isso, fala numa “ataque” ao elo mais fraco, criticando ainda o facto de as pessoas interessadas não terem sido ouvidas. Quanto aos aspetos negativos da megafreguesia em Abrantes, o autarca diz que quem ficar à fren-

te desta estrutura, por muito que queira, não terá “condições para atender da mesma forma” os habitantes de toda a região, o que “implicará um afastamento maior das pessoas em relação ao poder político e uma perda de qualidade de vida”. Isto porque “a Junta de Freguesia é hoje, muitas vezes, a única porta para os mais variados problemas, nomeadamente de pobreza e exclusão social”. Na Aldeia do Mato, freguesia do concelho de Abrantes com caraterísticas muito distintas das freguesias urbanas, o problema é outro. Sónia Lopes, secretária e número dois da Junta, tem consciência de que a possibilidade de a freguesia não ser extinta ou de não entrar num processo de fusão é “uma hipótese muito remota”. Mesmo assim, a equipa está a desenvolver todos os esforços para que isso não aconteça. Aliás, a secretária lembra que a freguesia de Aldeia do Mato foi “a única do

concelho de Abrantes” que recentemente participou, em Lisboa, numa manifestação contra este processo de reorganização do território, com um grupo de mais de 30 pessoas. Sónia Lopes apresenta argumentos em defesa da continuidade da freguesia da Aldeia do Mato: “Sabemos que somos dos mais pequenos, mas temos pontos para realçar, como o turismo (com a praia fluvial) e a construção de um lar de terceira idade que vai gerar algum emprego. Sentimos que algumas pessoas estão a voltar. Há uma nova fixação, sobretudo de jovens.” Um outro ponto da argumentação é o serviço domiciliário que a Junta faz à sua população, maioritariamente idosa. “Por exemplo, quando as pessoas precisam de atestados ou de assuntos relacionados com o cemitério, nós vamos a casa delas, preenchemos os documentos e depois tratamos do resto do assunto na Junta. Esta relação huma-

na é fundamental e vai-se perder se houver extinção ou mesmo fusão.” A questão que se coloca perante a necessidade de fusão é saber como é que se fará, e com que outra freguesia. Em termos puramente geográficos, as possibilidades são várias, uma vez que a Aldeia do Mato tem várias freguesias vizinhas, nomeadamente o Souto, Martinchel ou Rio de Moinhos. Mas as proximidades geográficas nem sempre significam afinidades, e isso pode ser um problema. O cenário que mais agradaria à Aldeia do Mato seria uma fusão com Rio de Moinhos, por causa das infraestruturas que esta freguesia tem e considerando que já existe um trabalho conjunto, nomeadamente ao nível da saúde. Mas a distância, em termos de quilómetros, pode ser um obstáculo. “Mesmo que tivéssemos acesso às infraestruturas e aos serviços, é muito longe e as pessoas não têm transporte.” * com Ricardo Alves


REGIÃO 5

MAIO2012

Manuel Silva, presidente da Junta de Freguesia da Praia do Ribatejo, no concelho de Vila Nova da Barquinha, fala num problema de “batata quente”.

Ou seja, as alterações em Assembleia da República passaram a responsabilidade de extinguir e/ou fundir freguesias para as Assembleias Municipais. Neste caso, uma freguesia vai ter que desaparecer e Manuel Silva sabe que a Praia do Ribatejo até já estava nesse caminho. Mas a questão política terá que ser discutida pelos deputados municipais. “Quem é que vai tomar uma decisão de extinguir? É politicamente incorreto! Isto não é fácil.” - comenta o presidente. “A reforma admnistrativa tem que ser feita”. Disso, Manuel Silva não tem dúvidas. Mas há aspetos que, na sua opinião, deveriam ser revistos e que ficam de fora, como o processo eleitoral e as finanças locais. “Uma reforma só para eliminar fre-

guesias é muito pouco; é só para satisfazer um entendimento que houve com a Troika.” O presidente da Junta de Freguesia da Praia do Ribatejo defende é que “há muita coisa que se pode fazer em termos de partilha”. Por exemplo, criar-se “uma associação ao nível de serviços, para limpeza urbana ou para a parte administrativa, com partilha de uma secretária, por exemplo”. O problema é que “as freguesias ainda estão como quintinhas em que cada um defende o seu território”. “A solução era que a Praia se juntasse a Tancos, até porque há um território partilhado, nomeadamente a zona do Castelo de Almourol. Não temos problema nenhum em associarmo-nos. Acima de tudo, é retirar o que há de bom em cada um. A vivência e a identidade das freguesias não se perdem!” Apesar de já ter refletido sobre a melhor solução para a Praia do Ribatejo, Manuel Silva diz que “o debate devia ser feito com tempo”. De uma forma geral, o

que pensa é que as freguesias mais rurais e as mais afastadas dos centro de poder é que ficarão mais penalizadas. “A fusão ao nível urbano não me choca tanto.” No caso do Sardoal, como só tem quatro freguesias, a fusão só acontecerá se a Assembleia Municipal assim o entender. Mas Miguel Borges, vicepresidente da Câmara, adiantou ao JA que a opção de fazer fusões não deverá ser a vontade dos deputados municipais, apesar de essa opção corresponder a uma majoração de 15% no orçamento autárquico durante quatro anos. Isto porque já existe a experiência de um grupo de trabalho que reuniu pessoas com várias sensibilidades político-partidárias e que manifestou a importância de se manter as quatro freguesias. Mesmo com “o rebuçado” do dinheiro extra, durante quatro anos, Miguel Borges acredita que “no Sardoal ninguém vai querer mexer nas freguesias”. E as razões são

Foto de Paulo Sousa

Barquinha perde uma freguesia, Sardoal pode ficar como está

• Valhascos poderá manter-se como freguesia do Sardoal as mesmas já apontadas quando a fusão parecia inevitável: “Isso significaria uma perda clara de políticas de proximidade. As pessoas já perderam os correios, os médicos… já têm tão pouco. E os gastos para manter as Juntas de Freguesia não são assim tão significativos. É unânime a vontade de que as coisas se mantenham como estão.” Pelo facto

de a situação do Sardoal ser agora completamente diferente do que no momento em que foi divulgado o Livro Verde, o vicepresidente remata: “Ainda bem que nos ouviram. Claro que não foi só a nós que nos ouviram, mas certamente que ouviram muitas pessoas que se manifestaram e ainda bem.” HCS

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6 ECONOMIA

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PSD quer comissão de inquérito à assembleia municipal no âmbito do projeto RPP Solar RICARDO ALVES

Os vereadores da Câmara Municipal de Abrantes (CMA) eleitos pelo PSD querem que seja constituída uma comissão de inquérito, composta por pessoas independentes, para analisar o processo que envolve o projeto RPP Solar. A presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, fala em especulação. Desde 2009 que o assunto se arrasta sem solução.

A proposta de criação de uma comissão surgiu no seguimento das respostas entregues pela autarquia, no dia 16 de abril, antes da reunião de Câmara, sobre o processo RPP Solar. Em causa estão informações relativas às garantias bancárias supostamente apresentadas pelo empresário Alexandre Alves e sobre a ação da Assembleia Municipal durante todo o processo. O PSD Abrantes quer que esta comissão seja composta por todos os partidos representados na Assembleia e liderada por pessoas independentes. Santana Maia Leonardo, do PSD, concretiza: “Esta comissão de inquérito que pedimos, no âmbito da Assembleia Municipal, com todos os partidos – PS, PSD, BE e CDS – é precisamente para se apurar as responsabilidades, fazer o inventário e escrutínio a todo o processo de negociações, desde a formação de vontade, e depois no que se passou

a seguir até hoje. Para saber onde é que se falhou, por que é que se falhou, e quem foi o responsável. Até achamos que esta comissão deve ser presidida pelo Dr. João Viana e pela Dra. Sónia Onofre, que não têm nada a ver com o PSD e têm formação jurídica. Não estamos interessados em fazer uma comissão por razões político-partidárias.” Para o vereador eleito pelo PSD, esta comissão visa perceber “quem construiu esta fantasia com pés de barro” e levantou suspeitas sobre eventuais beneficiados à custa do município. “Temos de saber quem ganhou grandemente com isto. Se as coisas não tivessem sido apresentadas com as garantias com que foram, provavelmente alguns não estariam nos lugares em que estão hoje. Houve outras pessoas que beneficiaram diretamente, pois receberam dinheiro e terrenos à conta do município. Há pelo menos mais de 1 milhão de euros que o município perdeu com efeitos imediatos, mas se calhar as consequências ainda serão piores!” Santana Maia Leonardo afirmou que a situação chegou a “um ponto limite” e que a posição dos vereadores do PSD visa descobrir os pormenores sobre um processo polémico. “Ou achamos que todo o dinheiro que foi investido e as expetativas que foram criadas são para deitar ao lixo ou apuramos as responsabilidades de quem nos con-

duziu a este ponto.” Continua sobre a necessidade de se apurarem essas mesmas responsabilidades: “Isto é como as empresas, quando tenho um gestor que tem bons resultados eu tenho tendência a mantê-lo no lugar, mas quando vejo que a empresa está metida num buraco por más decisões do gestor, eu corro com ele. No processo político tem de ser da mesma forma. O povo, que é o dono da empresa, tem de saber se os gestores que escolheu para a empresa – presidentes da câmara, vereadores e deputados municipais – gerem bem ou não a empresa. Se não gerirem têm de poder ter o direito a eleger uma nova direcção, como as sociedades anónimas.”

Presidente da autarquia fala em “questão política e especulação” Maria do Céu Albuquerque reagiu à proposta de comissão de inquérito apelidando a mesma de especulação. Para a presidente da CMA, a questão não faz sentido até porque “todo o procedimento – da RPP Solar – foi validado pelo Tribunal de Contas”. E acrescenta: “Nós não encontramos nada no processo que indicie que seja necessário abrir um inquérito.” A autarca fez questão de afirmar que o seu executivo “trabalha com toda a clareza e transparência” e que o seu objetivo é “que este processo, neste moldes ou noutros, possa ter o seu desenrolar e que, mesmo não criando todos os pos-

tos de trabalho previstos no início, e nomeadamente com o investimento que já está feito, este ou outro promotor possa vir a desenrolar o processo, concluir esta fase, e fazer a instalação desta unidade com a criação do número de postos de trabalho previsto para esta fase, cerca de 300”. Sobre as suspeitas levantadas por Santana Maia Leonardo de que alguém estará a beneficiar com o processo, Maria do Céu Albuquerque responde: “As declarações são de quem as faz. A única coisa que posso dizer é que este projeto foi visado pelo Tribunal de Contas. Nós respeitamos as instituições, respeitamos o Tribunal de Contas e não vemos razão para esta especulação”.

Um projeto e processo polémicos Números e dados do projeto No protocolo com o IEFP ficou estabelecido o apoio de 58 milhões de euros para a criação de 1900 postos de trabalho com cada emprego a custar 30.500 euros. Os restantes 70 milhões que perfazem o total de 128 milhões de apoios seriam conseguidos ao abrigo do QREN, em incentivos fiscais; investimento de 1.072 milhões de euros; mã-de-obra, principalmente a indiferenciada, seria recrutada ao nível local e regional; foi considerado um Projeto Integrado de Energia Solar e um Projeto de Interesse Nacional a 14 de Setembro de 2009; o projeto visava agregar toda a cadeia de produção de energia solar, com a instalação de sete unidades industriais, cinco a sete torres eólicas, painéis solares e turbinas de cogeração.

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A 17 de julho de 2009, quando a Assembleia Municipal de Abrantes, presidida por Jorge Lacão (PS), aprovou por unanimidade a compra e venda do terreno, o ambiente era de esperança e otimismo. Cedo essa sensação começou a desvanecer. O terreno onde se viria a construir o mega empreendimento, com 82.875 hectares, em Casal Curtido, Concavada, custou um milhão de euros à Câmara Municipal de Abrantes (CMA). A polémica tem início com a venda desse mesmo terreno à RPP Solar, no próprio dia da compra por parte da CMA, por 103.586 euros. A autarquia também isentou o projeto de todas as taxas urbanísticas municipais. A RPP Solar terá recebido incentivos financeiros, mesmo que indiretos, de 900 mil euros, propostas que foram todas aprovadas pela

Câmara e Assembleia municipais e visadas pelo Tribunal de Contas. As escrituras datam de 1 de outubro de 2009. Julho de 2010 foi a data apontada para o começo da produção. Seriam contratados 670 trabalhadores e em 2012 o quadro da empresa deveria atingir os 1.900. Não aconteceu. Depois desta data foram anunciadas outras datas, agendadas reuniões e entrega de documentos por parte do empresário Alexandre Alves, presidente da RPP Solar, garantindo que o projeto avançaria. Numa das raras aparições do empresário a comentar o caso, em 2010, Alexandre Alves garantia ter já cerca de 100 milhões de euros em vendas assegurados e que em carteira teria já contratos assinados com Espanha, Itália, Alemanha e “outros oito em fase fi-

nal de assinatura, como seja com o Japão e China”. “Os contratos assinados permitem dizer que já temos tudo vendido e o produto vai ser todo escoado a partir de Abrantes numa lógica patriota e de aposta na exportação, 1.700 camiões por ano, com 600 painéis cada, a carregarem painéis para toda a Europa”, afirmou na altura. Tal voltou a não acontecer. No início de 2011 a presidente da CMA pediu explicações ao promotor sobre o andamento da obra, tendo na altura feito o seguinte ponto de situação: “Informaram-nos que a questão do passivo aos fornecedores será resolvida durante maio [2011], sendo este mês apontado também para o arranque da primeira linha de produção.” No dia 17 de julho de 2009, em

Assembleia Municipal, dia em que as propostas relativas ao projeto foram aprovadas, o deputado social-democrata Belém Coelho questionou se o protocolo não devia ter uma cláusula de compensação no caso de incumprimento parcial ou total do promotor. Esta questão ganha especial relevância para tentar entender a postura do executivo abrantino no processo. Maria do Céu Albuquerque tem tentado pressionar o promotor, mas nunca para além do limite em que possa pôr em perigo um avultado investimento do município. Recorde-se que o processo foi iniciado no último mandato de Nélson de Carvalho e foi também nessa altura que não ficou definida a cláusula de compensação, situação herdada pela atual autarca.


SOCIEDADE 7

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Idosos de Mação já contam com um novo lar Um novo equipamento para a terceira idade foi inaugurado no concelho de Mação, com a presença de Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

O edifício do antigo Centro de Saúde foi o espaço requalificado para dar lugar a um novo lar, com capacidade para 20 utentes. Vasco Estrela, provedor da Santa Cada da Misericórdia de Mação, em declarações ao JA, disse que o novo espaço representa um investimento de 750.000 euros, com 190.000 euros de apoios comunitários. O investimento garante ainda a criação dois postos de trabalho. O novo lar fica sediado no centro da vila, tem dois pisos com 25 divisões no rés-do-chão e mais 22 no primeiro andar. Divisões que foram adaptadas para quartos simples e

• Novo lar de Mação permitirá reduzir a lista de espera que estava com 200 pessoas duplos, com casa de banho privativas e duas vivendas para casais. Para além de um espaço físico amplo, o lar beneficia de um refeitório, lavandaria, salas de estar, gabinetes

de enfermagem e apoio médico, capela, casa mortuária e serviço de elevador. Segundo Vasco Estrela, “este lar é mais uma alternativa aos idosos de

Mação”, um dos concelhos mais envelhecidos do distrito de Santarém. O novo espaço vai assim “reduzir a atual lista de espera, com cerca de 200 pessoas, e representa mais um

BNI Estratégia ultrapassa três milhões de euros em negócios O BNI Estratégia, organização de negócios que envolve empresários de Abrantes, Mação e Sardoal, anunciou o volume financeiro no mesmo dia em que apresentou a nova equipa de liderança e fez o balanço dos primeiros 12 meses de atividade. É durante os pequenosalmoços no restaurante do Parque Urbano São Lourenço, que começam às 6h15, que o BNI estratégia desenvolve a sua atividade em grupo. No dia 5 de abril, a organização assinalou um ano de existência e no mesmo dia registou que os seus membros, em conjunto, atingiram o valor de três milhões de euros em negócios. Com a sala cheia de empresários, comunicação social e convidados, também foi anunciada a nova equipa de liderança, presidida por José Alves Jana, que substitui o anterior presidente, Luís Pires, da empresa Grão Café, e

um dos impulsionadores do grupo. Luís Pires contou que o BNI Estratégia foi o único grupo fora dos Estados Unidos da América que recebeu a distinção “Platinum”, entre cerca de 6.100 grupos constituídos por todo o mundo, frisando o seu orgulho no resultado. Para José Alves Jana, novo presidente, “não será fácil alcançar o sucesso obtido” pelos seus antecessores, mas o seu objetivo enquanto líder do grupo será “chegar ao milhão de euros em negócios agradecidos até final de Setembro”, numa meta que define como “ambiciosa e ao mesmo tempo realista”. A estratégia do grupo passará por continuar a privilegiar visitas a empresas e organizar encontros com figuras proeminentes do mundo empresarial, numa perspetiva de enriquecimento dos seus membros. É no segui-

• Reunião semanal do BNI Estratégia às 6h15 mento destas ideias que no próximo dia 4 de maio, no restaurante do Parque Urbano de São Lourenço, se vai realizar um encontro com o administrador da Renova, Paulo Pereira da Silva, convidado para ser orador no evento. A nova equipa de liderança é composta por José Alves Jana (presidente), Rui Serras (vice-presidente) e Rui Simão (tesoureiro). O BNI Estratégia foi fundado oficialmente a 6 de maio de 2011, com um grupo inicial de 30

empresários dos concelhos de Abrantes, Sardoal e Mação. Atualmente conta com 37 associados atingindo no dia 5 de maio os três milhões de euros em negócios agradecidos. Os membros passaram 4.679 referências, 1.283 entrevistas entre si e fizeram 327 formações. O Business Networking (BNI) está presente em 49 países, com mais de 6.100 grupos, que envolvem cerca de 150 mil empresários de todo o mundo.

espaço com conforto e a qualidade necessária para os nossos idosos”. Já Miguel Relvas classificou o novo lar como um bom investimento, “que gera desenvolvimento social e em que sabemos que o dinheiro investido vai reproduzir serviço público”, acrescentando que o trabalho das Misericórdias do país “é um trabalho bem feito, servindo os interesses e as necessidades das populações”. A Misericórdia de Mação é uma das instituições mais importantes para o concelho pois presta um conjunto de serviços, desde apoio domiciliário e integrado, creche, atividades de tempo livres, com centro de alojamento temporário, e uma unidade de apoio integrado. O orçamento anual da instituição é de 1,6 milhões de euros. Joana Margarida Carvalho

CHMT garante transporte entre os três hospitais O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) tem a funcionar um serviço gratuito de transporte público para alguns profissionais de saúde, que têm de se deslocar entre as três unidades que fazem parte do CHMT (Torres Novas, Tomar e Abrantes). João Lourenço, vogal do conselho de administração do CHMT, explicou que o Centro fez um acordo com a Rodoviária do Tejo, para garantir o transporte entre os três hospitais. Uma medida que surge no âmbito da reorganização feita nos últimos meses. Durante todos os dias da semana são ga-

rantidas três viagens diárias, ao início da manhã, início e fim da tarde, nos dois sentidos, ligando as três cidades. São cerca de trinta lugares disponíveis, uma parte para os profissionais da função pública e outra para os utentes e acompanhantes. O CHMT garante o pagamento das deslocações dos profissionais, uma vez que a lei assim o prevê. Já os utentes têm de pagar. Neste caso, são preços definidos pela Rodoviária do Tejo: 5 euros e meio para a viagem de ida e volta. Este serviço está a funcionar desde o dia 5 de março.

TABELA DE PREÇOS

Ricardo Alves

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Torre da Sabedoria na Solano de Abreu Quando a coordenadora da biblioteca da Escola Secundária com 3º Ciclo Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, lançou o desafio à comunidade escolar, não esperava tanto. Ana Catarina Pinheiro explica porquê: “Começámos com a expetativa de ter algumas centenas de livros e acabámos com mais de 3.000 livros.” Ao longo de dois meses, com o objetivo de se construir uma Torre da Sabedoria com sete metros de altura, as várias turmas do estabelecimento de ensino recolheram livros, com a ajuda de professores e assistentes operacionais. A iniciativa teve dois objetivos: por um lado, “chamar a atenção dos alunos para os livros e para a biblioteca”; por outro lado, tratou-se de uma “causa solidária”, uma que vez que os livros vão ser oferecidos a Instituições de Solidariedade Social do concelho. Apesar de a recolha ter tido também a forma de concurso, com prémios para as turmas que recolhessem mais livros,Viviana Cruz, 17 anos, sublinha que o empenho dos alunos tam-

A torre da sabedoria uma iniciativa que assinalou o Dia Mundial do Livro em Abrantes

bém se justifica pelo fato de saberem que estavam a contribuir com livros para oferecer para pessoas mais carenciadas. Os livros recolhidos davam para fazer três torres mas, por uma questão de segurança, manteve-se o objetivo inicial. Com a ajuda de funcionários da Câmara Municipal, que foi parceira da iniciativa, construiu-se a Torre da Sabedoria, com sete metros de altura, para assinalar o Dia do Livro.

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Ribeira foi limpa para melhorar a água A Ribeira do Sardoal foi alvo de uma ação de limpeza, numa extensão de um quilómetro, entre a zona do Talagenal e a ponte do Chafariz das Três Bicas. A equipa de Sapadores Florestais de Sardoal efetuou trabalhos de limpeza do leito, desobstrução das linhas de água e regularização dos caudais. O entulho foi depois removido, queimado ou triturado. Pretendeu-se, assim, prevenir os assoreamentos e melhorar a qualidade e quantidade de água. Este investimento, suportado pelo orçamento do município, ascendeu a cerca de 5.000 euros. Os trabalhos foram projetados e coordenados pelo Gabinete Técnico Florestal do Sardoal, em articulação com as estruturas concelhias, regionais e nacionais, da Proteção Civil e Bombeiros. Entretanto, estas entidades já têm em curso um projeto de “Minimização de Riscos“,

• Câmara do Sardoal investe 5.000 euros na limpeza da Ribeira financiado pelo PRODER e custeado a 100% pela União Europeia e Ministério da Agricultura, no valor de mais de 232 mil euros. Este projeto de prevenção de incêndios florestais compreende uma intervenção de

235 hectares nas freguesias de Sardoal, Valhascos e Santiago de Montalegre. Consta de cortes controlados de árvores, cortes e desbastes de matas, gradagem de terrenos e outras ações, em redes primárias (floresta), redes

secundárias (junto a vias de comunicação), aglomerados populacionais e industriais. A freguesia de Alcaravela não foi abrangida porque os seus territórios se encontram sob gestão da sua ZIF – Zona de Intervenção Florestal.

Padrinhos para crianças de Abrantes, precisam-se A Associação Vidas Cruzadas lançou um projeto de apadrinhamento de crianças do concelho de Abrantes com o nome de “André”. A ideia é criar uma base de dados com potenciais padrinhos e madrinhas. Numa primeira fase, trata-se apenas de recolher informação sobre adultos que estejam disponíveis para ajudar a resolver uma situação de carência de uma criança. Depois de inscritas na base de dados, as pessoas candidatas a apadrinhar não ficam obrigadas a fazê-lo. Sempre que a Associação Vidas Cruzadas identi-

ficar uma criança com dificuldades económicas que esteja em condições de ser apadrinhada, será acionada a rede de padrinhos, sendo essa in-

formação divulgada a quem se disponibilizou para ajudar. Nessa altura, e em função do valor necessário, os candidatos a padrinhos comunicam

a sua intenção de apadrinhar aquela criança. As situações poderão variar, podendo ser pontuais ou mais prolongadas no tempo, como a compra de um par de óculos ou o pagamento de aulas de música. Por questões de confidencialidade, os padrinhos não terão informação sobre quem é o seu afilhado. No entanto, a Associação Vidas Cruzadas, Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), garante que o devido acompanhamento da situação, para que o objetivo deste iniciativa seja cumprido.

Contas aprovadas na Câmara de Abrantes A Câmara de Abrantes aprovou no dia 16 de Abril, por maioria, o Relatório de Gestão e Prestação de Contas, referente ao ano de 2011. A proposta foi aprovada com os votos a favor da presidente, dos eleitos pelo PS e pelo ICA e com os votos contra dos eleitos pelo PSD. Em comunica-

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do, a autarquia explica que “a diminuição de 5% nas transferências do Orçamento de Estado para as autarquias refletiu-se na gestão municipal que teve de assumir encargos acrescidos para corresponder às necessidades sociais dos cidadãos”. Entre outras informações, o documento mostra

que a média para pagamento a fornecedores é de 64 dias. Os dados divulgados indicam que a receita total da Câmara de Abrantes atingiu os €29.309.364, enquanto a despesa se cifrou nos €28.893.103. A receita corrente apurada foi de €19.011.793, enquanto a despesa corren-

te atingiu os €15.723.867, do que resultou uma poupança corrente de €3.287.926. Quanto à receita de capital atingiu os €10.297.572, enquanto a despesa de capital registou €13.169.237. Em termos patrimoniais, o resultado líquido do exercício cifrou-se em €1.687.401 (+ 566%).


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ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO PESSOAL E COMUNITÁRIO CRES. SER

A Cres. Ser há seis anos Foi em 2006 que um grupo de jovens da região de Abrantes se juntou para trabalhar no âmbito social. Um trabalho de voluntariado que tinha como objetivo ajudar, desde os mais jovens aos mais idosos.

Ana Lúcia Silvério, presidente da direção da Associação, contou ao JA que no início da atividade foram vários os desafios que o grupo de jovens se propôs levar por diante. “Começámos com o serviço de Psicologia, bastante solicitado de imediato, e que ainda permanece como uma das atividades principais. O preço que praticamos é bastante simbólico pois muitos dos utentes que recebemos não têm grande poder económico. Há até algumas famílias para quem este valor mínimo é significativo. Nesses casos, depois de uma avaliação, prestamos o serviço gratuitamente.” Pessoas de Tomar, Mação, Ponte de Sôr, Sardoal, Entroncamento e Vila de Rei procuram este serviço. Para além do apoio psicológico, a Cres. Ser tem um projeto direcionado para os jovens desfavorecidos. “Chama-se Crescer Saudável, onde desenvolvemos imensas atividades de âmbito social, cultural e preservação de património. Iniciativas onde os jovens aprendem, aproveitam as suas competências e, mais importante, se sentem valorizados.” A terceira idade é também um público a que a Cres. Ser dá privilé-

gio. O Crescer Sénior foi outro projeto desenvolvido pela Associação e ainda hoje está no terreno. “Iniciámos atividade para os idosos da Junta de São Vicente, hoje trabalhamos para 11 freguesias. É um exercício bastante dinâmico, uma vez que desenvolvemos práticas desportivas, animação sociocultural, jogos lúdicos, hidroginástica, etc. É um projeto direcionado aos idosos, mas também para aqueles que estão desempregados, sem um rumo, que estão na reforma antecipada e que ainda têm capacidade e interesse para uma vida mais ativa.” Outro grande desafio que a Cres. Ser agarrou foi os Campos Internacionais. Jovens de várias partes do mundo chegavam à Abrantes, ficavam 15 dias e desenvolviam trabalho de voluntariado, proposto pela Associação. Hoje, e segundo a presidente, é uma atividade que já não está em marcha pois a exigência de recursos humano, a logística e outros fatores fizeram com que o projeto ficasse adormecido. Contudo, “mesmo agora estamos a tentar arranjar uma equipa de trabalho que pegue nele novamente”. Ana Lúcia Silvério lembra que “o sucesso, na altura, foi tal, que fomos dos campos internacionais que tivemos mais adesão no distrito de Santarém”. A nova mediadora cultural que se encontra a exercer funções na Câmara Municipal de Abrantes foi outro objetivo alcançado pela Cres.

• Núria Serrano, Susana Narciso e Ana Lúcia Silvério da Cres.Ser Ser, em conjunto com a autarquia. “Foi um trabalho que chamámos de Inclusão Étnica e que foi realizado com 29 mulheres, para conhecermos a realidade das famílias de etnias existentes na região”. Trabalhar no âmbito social é, segundo Ana Lúcia Silvério, bastante recompensador, mas também tem os seus problemas, nomeadamente com as questões burocráticas. A Cres. Ser tem como objetivo futuro tornar-se uma IPSS, mas devido “a uma falta de esclarecimento da parte das entidades competentes, ainda não conseguimos atingir este estatuto, tão importante para nós”. Quanto à questão do

voluntariado, Ana Lúcia Silvério referiu ao JA que, por vezes já se torna complicado encontrar pessoas para realizar esta prática. “Conciliar o trabalho, a vida pessoal e a Cres. Ser nem sempre é tarefa fácil, é uma batalha todos os dias”.

Números • Fundação: 2 Junho de 2006 • Sócios: 155 • Sede fiscal: Junta de Freguesia de São João • Sede com os serviços: Edifício Carneiro

A Associação exerce funções no Edifício Carneiro e, neste sexto aniversário, pretende realizar algum trabalho de restauro, reparação, limpeza e manutenção do espaço, que já se encontra bastante envelhecido. Para que esta tarefa seja possível, Ana Lúcia Silvério adianta que é necessário o apoio do setor empresarial da região e juntar voluntários para o trabalho pretendido. “Era ótimo no aniversário termos a nossa casa mais limpa e agradável e podermos fazer uma festa com todos aqueles que contribuíram para este objetivo, que se chama Crescer de Cara Lavada.” Joana Margarida Carvalho

Rotários solidários com associação de Alcaravela Foi com emoção que Jorge Gaspar, presidente da Assembleia Geral da Associação de Assistência Domiciliária de Alcaravela (AADA), agradeceu a iniciativa do Rotary Club de Abrantes, que entendeu promover um jantar para angariar fundos para aquela instituição. Com a participação de cerca de 100 pessoas foi possível adquirir um LCD para a sala de estar da associação, assim como louça para as refeições, uma bicicleta para os idosos se exercitarem e um aparelho de higiene. A AADA está a funcionar como centro de dia e apoio domiciliário, prestando serviços a idosos não só na fregue-

• Jantar dos Rotários em São Lourenço sia de Alcaravela, mas também em Entrevinhas, ambas no concelho do Sardoal. Ao todo tem 44 utentes, sendo 17 deles apoiados nas suas próprias casas. A instituição tem atualmente 15 funcionárias, “as melhores do mun-

do”, e duas pessoas em estágio profissional. Jorge Gaspar destacou o empenho destas pessoas, apesar dos salários “francamente baixos” que recebem: “Temos um serviço de excelência, que resulta do carinho e da relação afetiva entre

as funcionárias e os utentes.” Jorge Gaspar destacou as dificuldades com que a AADA se debate. As receitas são poucas, porque as reformas dos idosos são baixas e porque a Segurança Social só comparticipa 20 dos 27 idosos que estão no centro de dia. Por outro lado, a particularidade de a associação estar aberta 365 dias por ano também significa mais encargos. Daí a “a grande dificuldade em constituir reservas para fazer face a despesas futuras”. O principal desafio é agora angariar 200 mil euros para financiar 50% de uma obra já aprovada e cofinanciada pela Tagus: um lar com dez quartos.

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MÉDICOS DO HOSPITAL DE ABRANTES COM MAIS CONDIÇÕES DE TRABALHO

Liga dos Amigos oferece ecocardiógrafo de 35 mil euros A Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes entregou um novo equipamento à Unidade de Cuidados Intensivos.

Trata-se de um ecocardiógrafo que permite verificar a eficácia dos medicamentos nos doentes, assim como perceber se o paciente tem uma patologia aguda ou crónica para que os médicos possam decidir se é necessário, ou não, fazer uma intervenção cirúrgica. Nuno Catorze, diretor daquela unidade, explica que este equipamento permite dar “um salto qualitativo”. A entrega do ecocardiógrafo, que custou 35 mil euros, foi feita numa cerimónia aberta à comunicação social, ao contrário do que tem acontecido com outras ofertas feitas pela Liga ao Hospital. Luís Fernandes, presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, explica que o objetivo é motivar mais pessoas a se tornarem associadas da Liga, assim como “manifestar mais desejo de mecenato local”. Aliás, o mecenato tem sido determinante para as dádivas que a Liga tem vindo a fazer ao Hospital, nomeadamente a montagem de um sistema de esterilização e a aquisição de camas com tecnologia de ponta. Ao todo, a Liga

dos Amigos contribuiu já com equipamentos que totalizam cerca de 400 mil euros. Com o novo ecocardiógrafo, os doentes já não necessitam de se deslocar a outras unidades de saúde para fazerem determinados exames. Mas também os profissionais de saúde ganham com este equipamento. Como refere Paulo Vasco, diretor clínico do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), do qual faz parte o Hospital de Abrantes, o novo equipamento “vai melhorar as condições de trabalho e motivar os profissionais para prestarem um trabalho ainda melhor” a quem precisa de atendimento médico.

Com mais condições de trabalho será possível fixar médicos jovens Nuno Catorze conta que “tem sido muito gratificante trabalhar com a Liga”. No caso concreto do novo aparelho, o “salto qualitativo” será não só

para os doentes, mas também para os profissionais que prestam os cuidados de saúde. Isto porque muitos deles têm vindo a fazer formação específica, que poderá ser potenciada com o ecocardiógrafo que agora foi oferecido. Por outro lado, este responsável acredita que, com esta melhoria nas condições de trabalho, será possível “fixar mais médicos jovens a este departamento e a este Hospital”. A presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, evidenciou o facto de Abrantes ter uma “comunidade muito empenhada, uma sociedade civil que não fica à espera que lhe resolvam os problemas e que vai ao encontro de soluções para resolver os problemas dos outros”. A autarca reiterou a sua disponibilidade para continuar a encontrar mais soluções na prestação dos cuidados, dentro das possibilidades do município. A Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Abrantes recebe doentes críticos de todo o CHMT com necessidades de suporte vital em funções básicas, como a respiratória, a cardiocirculatória e a renal. Chegam também a este serviço doentes de trauma, de ortopedia ou com graves infeções pulmonares ou renais.

Presidente da Liga faz apelo para que mais pessoas se tornem sócias

Provas e animação no Sardoal

O Centro Escolar do Tramagal foi inaugurado no feriado nacional, 25 de Abril. Na cerimónia esteve presente a comunidade escolar e tramagalense, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal e Vitor Hugo, presidente da Junta de Freguesia. Uma escola que nasceu na época do Estado Novo e que foi agora totalmente requalificada.

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O “I Challenge – Rota do Pão” decorre no próximo dia 12 de maio com um duplo objetivo: por um lado, proporcionar às pessoas da região divertimento numa actividade diferente; por outro lado, “prestigiar e dar a conhecer o concelho do Sardoal, explorando as suas valências e potencialidades”. Trata-se de uma iniciativa da Associação de Melhoramentos dos Amigos de En-

trevinhas (AMAE) e da Associação Recreativa da Presa (ARP) que inclui um conjunto de provas, jogos de equipa, brincadeiras, jogos tradicionais e outros desafios e surpresas. Podem concorrer equipas de três a cinco elementos. A maior parte das provas será nos Moinhos de Entrevinhas e na Lapa, onde a organização terá montado um serviço de bar e almoços rápidos de baixo custo, para

quem quiser assistir. A noite terminará com um jantar seguido de um espectáculo de Música Portuguesa e Dança Flamenga, a cargo dos Grupos “Informáticos & Companhia” e “Sentir Flamengo” de Lisboa. Mais informações em www.arp.com.sapo.pt . Também na sua primeira edição, a “I Grande Descida em Carrinhos de Rolamentos” vai animar algumas artérias da vila de Sardoal, no

próximo dia 1 de maio, a partir das 14 horas. Neste caso, a organização é do Clube de Motards “Os Últimos do Ribatejo” e destina-se a atletas de todas as idades. Haverá uma prova especial para menores de 12 anos.


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ANIMAIO, ENTRE OS DIAS 16 E 18, NO CINETEATRO SÃO PEDRO

Dez turmas fazem filmes em Abrantes Clara Maia, professora de uma turma do 4º ano da Escola da Chainça, em Abrantes, não tem dúvidas: participar no Animaio, produzindo um filme de animação, é uma clara forma de enriquecimento curricular.

Porque para obter um resultado final é preciso passar por um processo de recolha de informação sobre um tema, de produção de texto, de aquisição de conhecimentos técnicos e de desenvolvimento da criatividade através da expressão plástica. O Animaio vai estar no Cineteatro São Pedro entre os dias 16 e 18 de maio. Pela sexta vez, a Associação Cultural Palha de Abrantes, através do Espalhafitas, lançou o desafio às escolas do 1º ciclo. O número de turmas envolvidas na produção de filmes de animação tem vindo a crescer e, este ano, são já dez (quatro da Chainça, das do Pego, uma de S. Facundo, uma do Carvalhal e uma do ATL do Espalhafitas). Ao todo são cerca de 250 miúdos que, ao longo de meses de trabalho, acompanhados por seis formadores, produzem animação. Lurdes Martins, do Espalhafitas, é quem está na génese do projeto. Explica que este é um processo de meses, embora só na fase final é que os formadores estejam diariamente nas escolas a trabalhar com os alunos. Na Chainça têm estado Graça Gomes, do Cineclube de Viseu, e João Paulo Dias, do Cineclube de Avanca. Este formador, que despertou para a animação ainda em miúdo, diz que “o Animaio é provavelmente o único festival infantil de animação feito nas escolas”. Aliás, este é um projeto reconhecido pelo Ministério da Cultura como de interesse cultural, estando abrangido pela Lei do Mecenato. No ano passado, o tema do Animaio

andou à volta dos rios. Por isso, os miúdos fizeram trabalho de campo junto aos rios, estudando tudo o que os envolve. Este ano, o tema central é a arqueologia, por isso tudo começou com o workshop com Pedro Cura, do Museu de Mação. Os miúdos perceberam o tipo de vida dos pré-históricos e lançaram mãos à obra. Inês, aluna da Escola da Chainça, explica que tiveram que saber “como é que eles moíam os cereais” para poderem fazer o filme de animação. Para além disso, aprenderam muitas palavras novas, como “sinopse” ou mesmo “storyboard”.

“Ou se avança e se arrisca ou não se faz nada” Na turma da Inês está também o Diogo, a Lúcia, o Marco, a Jessica e tantos outros meninos e meninas. São muito diferentes, até nas idades, que variam entre os oito e os 12 anos. Mas as diversidades, neste tipo de desafio, esbatem-se. A professora evidencia o facto de terem de trabalhar em equipa, o que “exige muita coordenação”. Todos estão empolgados com o filme que estão a fazer. Quase todos querem falar sobre o projeto. Falam em “alegria”, “felicidade” e “orgulho”. Estão ansiosos pelo momento em que o filme possa ser visto por todos. Em anos anteriores cada turma fez o seu filme, tendo sido apresentados noutros festivais. Um foi mesmo premiado. Este ano o filme é conjunto, ou seja, todas as turmas estão a trabalhar para o mesmo. Lurdes Martins explica que se trata de desenvolver conceitos importantes,

como o de comunidade e de vizinhança. A outra novidade deste ano é que o subsídio do Fincult (programa da Câmara de Abrantes que apoia este tipo de iniciativas) passou de 75% para 25% do orçamento global, que era de 17.000 euros. A autarquia lembra que “em virtude do grave período de austeridade que o país está a atravessar e dos condicionalismos legais impostos, houve a necessidade de reduzir despesa, também no que respeita aos contratos de apoio ao associativismo”. Lembrando que a opção “poderia ter sido a de cancelar os programas na totalidade ou de não aprovar alguns dos projetos apresentados”, como aconteceu noutro municípios, a Câmara de Abrantes preferiu continuar a “fazer um esforço” para apoiar associações e projetos locais”. Porque considera o Animaio “um projeto de referência”, adianta que “não podíamos deixar de apoiar esta iniciativa”. O desafio, agora, é apelar à criatividade efazer mais com menos. Lurdes Martins diz “que é possível fazer um projeto com poucos recursos e, mesmo assim, fazer-se magia”. No entanto, se soubesse que o corte ia ser maior do que aquele que previa teria optado por outras soluções. A responsável pelo projeto conclui: para que as coisas estejam prontas a tempo “ou se avança e se arrisca ou não se faz nada”. O Espalhafitas arriscou e o festival vai acontecer.

Números • Dez turmas • 250 miúdos • Seis formadores • 4.250 euros de subsídio • Seis anos de vida jornaldeabrantes


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FESTAS DA CIDADE

Mariza sobe ao palco dos Mourões Com um orçamento reduzido em 40%, as Festas da Cidade de Abrantes estão de regresso de 14 a 17 de junho.

No primeiro dia do certame a fadista Mariza sobe ao palco dos Mourões e marca, assim, o arranque de quatro dias de festa. Em conferência de imprensa, no passado dia 2 de Abril, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, apresentou o figurino do evento que este ano conta com um investimento de cerca de 70 mil euros, 30 dos quais vão para o concerto da fadista. Com apenas quatro dias de festa, menos um dia em relação aos anos anteriores, o certame vai distanciar-se das Festas de Vila Nova da Barquinha, (o Barquinha Non Stop) e das Festas de Constância com (as Pomonas Camonianas). A autarca Maria do Céu Albuquerque sublinhou a importância do certame para a economia local. “Promover um momento de lazer, atrair turistas à região, contribuir para o desenvolvimento e para a economia local foram os motivos que nos levaram a realizar esta festa de grande importância”. O dia do feriado do conce-

lho, 14 de junho, arranca com as cerimónias oficiais, onde decorrerá uma homenagem aos cidadãos e a algumas instituições. Vai ser inaugurada mais uma antevisão do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIIIA) e a noite será abrilhantada com a fadista Mariza. Este ano a festa conta com uma novidade: o Concurso de Saltos em Hipismo, que decorre entre 15 e 17 de junho, no hipódromo dos Mourões. Esta é uma atividade que vai passar a marcar agenda das festas de Abrantes. “Pensamos que é uma iniciativa que vai atrair muitos turistas à região. Temos a pretensão de dar a conhecer esta prática desportiva, com uma exposição patente a partir do dia 15, no Centro de Acolhimento do Tejo.” - adianta a presidente da Câmara. Maria do Céu Albuquerque garantiu que no centro histórico se vai manter o mesmo ambiente, com os palcos a dividirem-se pelas praças da cidade. Quanto aos artistas musicais, há novamente uma aposta clara nos músicos da região: The Scart, Kwantta, The Kaviar, Apple Pie, The Joe´s, Projecto Amar, Ana Lains e Dora Maria são os músicos que vão atuar nos dife-

rentes palcos. Em local ainda por definir, estão também previstos uma atuação de bandas de garagem, um Festival de Folclore e a presença das Associações Juvenis. A já antiga Feira de Artesanato não vai voltar ao largo 1º de maio devido às obras do novo Mercado Diário, sendo este ano dividida entre o Mercado Criativo e o centro da cidade. As tasquinhas vão ter lugar no Jardim da República, com a animação das bandas Carlos Catarino, Toc`Abrir e Fernando Forte. No que diz respeito às práticas desportivas, vai realizar-se os torneios de voleibol, rugby de praia, futebol, águas abertas, caça ao pato, torneio das escolinhas e o festival de canoagem. Nas lojas desocupadas do centro histórico estarão patentes exposições de pintura e escultura de artistas locais. Encontros com autores e apresentações de livros são outras iniciativas previstas para os dias de festa. A presidente da Câmara Municipal classifica esta edição 2012 como “diversificada, com um programa vasto que valoriza essencialmente o que se faz em Abrantes e se faz bem”. Joana Margarida Carvalho

• Mariza vai atuar dia 14 de junho em Abrantes

CÂMARA ESTRANHA POLÉMICA E DIZ QUE OS CACHÊS FORAM NEGOCIADOS

Bandas abrantinas divididas sobre participação nas festas do concelho As bandas e os artistas do concelho convidados pela Câmara Municipal de Abrantes (CMA) para participar nas festas da cidade vão ter um cachê substancialmente inferior ao dos anos anteriores. Mesmo assim, as bandas e artistas Kwanta, The Kaviar, Apple Pie, The Scart, Projeto Amar, The Joe’s, Dora Maria e Ana Laíns marcarão presença no evento anual abrantino. A autarquia diz que o investimento com a promoção dos talentos de Abrantes “ronda os 30 mil euros”, verba que inclui equipamento, infraestruturas, luzes e som e a componente desportiva. Confrontada com algum desconforto em relação às quantias pagas a cada grupo ou artista, a CMA estranha a

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questão, até porque garante que as bandas locais apresentaram o seu cachê, que foi negociado, como sempre acontece. As reações das bandas e dos seus membros são variadas: uns aceitam a proposta da autarquia compreendendo a situação de crise, mas há quem tenha optado por não participar. Em causa parece estar não só os valores dos cachês, como também a discrepância entre o que é oferecido à fadista Mariza e aos músicos locais. Filipa Mota, vocalista dos tramagalenses Hyubris, defende que a distribuição das verbas foi “má”. “Para nós não valia a pena ir. O cachê quase não dava para pagar aos técnicos que nos acompanham nos concertos e, para além

disso, já temos agendado um concerto no Crucifixo”. Apesar deste compromisso, Filipa Mota admite que poderiam tocar nas festas de Abrantes se recebessem “em consentâneo com o que pedimos”. Como consumidora de espetáculos e concertos, Filipa está desiludida com o cartaz das festas. “É triste não haver variedade de estilos. Há dinheiro para uma excelente artista, não ponho em causa a importância e talento da Mariza, mas também há uma minoria, ou minorias, que não ficaram satisfeitas.” Também em tom de crítica é a reação da fadista Dora Maria, que pela primeira vez foi convidada a atuar nas festas do concelho. Quando foi abordada ficou contente,

mas a alegria passou quando soube o valor proposto, uma vez que a verba oferecida é metade do que costuma receber. Quer “acreditar que há uma intenção de valorizar os artistas da terra”, mas comenta: “Se me dissessem que estamos em crise e pedissem para ir de borla para as festas não morrerem… mas não posso conceber que uns vão bem tratados e outros não”. A fadista não põe em causa ao valor da cabeça de cartaz, mas “pagam-lhe 30 mil euros e a nós andam a pedinchar”. Dora Maria conta ainda que a ida às festas do concelho acontecerá “pela consideração” que os músicos que a acompanham têm por si, pois “a organização nem os jantares oferece”.

Posição diferente tem Humberto Felício, vocalista e guitarrista dos The Kaviar: “Tenho-me apercebido de reações negativas por parte de outras bandas, mas eu não as acompanho”. O músico acrescenta que “temos é de agradecer o convite da CMA e acho meritório convidar os artistas locais”. Felício afirma mesmo que “se a CMA nos pedisse para actuar mesmo sem nos pagar, nós aceitávamos, porque nos têm apoiado no nosso esforço por crescer”. Sobre Mariza e a verba destinada à fadista, comenta: “Se acharam por bem convidar uma artista de primeira linha, acho que tudo bem”. A CMA, através do Gabinete de Comunicação, recorda que “este ano foi pen-

sado um modelo de festas adaptado às contingências económico sociais que atravessamos”. A opção foi muito clara: “Sob o mote ‘made in Abrantes’ apostar no reconhecimento, valorização e reforço da produção cultural local, trazendo os talentos locais para os nossos palcos, dando-lhes mais visibilidade.” Quanto à opção pela fadista Mariza, “tem como objetivo evocar a elevação do Fado a Património da Humanidade”. A autarquia acredita “que um espetáculo de maior dimensão pode atrair mais público a Abrantes, principalmente com a natural articulação com o Concurso Nacional de Saltos, que volta este ano aos Mourões”. Ricardo Alves


JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE ABRANTES

MAIO DE 2012 EDIÇÃO Nº 27 WWW.ESTA.IPT.PT

Editorial Os riscos de um jornal laboratório Este é um número especial do ESTAJornal, porque apenas tem entrevistas. Apesar da hipotética monotonia em termos de género jornalístico, decidimos fazê-lo, porque corresponde a uma etapa do trabalho desenvolvido pelo grupo de alunos que está no 2º ano do curso de Comunicação Social. Porque se trata de um jornal laboratório, arriscamos também quando respeitamos o tipo de linguagem de alguns entrevistados, porque os caracteriza. Procurar sinónimos seria desvirtuar os discursos que lhes são próprios. Finalmente, resta dizer que todas as entrevistas são apenas uma parte de cada uma delas. A limitação em termos de espaço obrigou-nos a fazer opções. As versões integrais serão disponibilizadas em www.estajornal.com, assim como os restantes trabalhos que não puderam ser publicados neste suporte em papel.

Gente que conta Na música, no espectáculo, na literatura, na tourada, no desporto, na política, na religião ou simplesmente na vida. Gente que fala na primeira pessoa porque tem algo para contar que desperta atenções. Cada um fala de si, daquilo que faz, daquilo que gosta e daquilo em que acredita. Testemunhos em discurso directo.


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Uma vida ao serviço dos outros FRANCISCO ROCHA ESTA D ABRANTES O CÓNEGO JOSÉ DA GRAÇA é uma personagem incontornável de Abrantes. A sua interpretação do amor ao próximo, radicado no amor de Deus, é um dever. A opção preferencial pelos pobres, nascida do Concílio Vaticano II, consome-lhe a alma. A sua obra social em prol dos desfavorecidos parece revelar por si só esta opção. Nascido de família pobre, desde pequeno que compreendeu as dificuldades sentidas por aqueles que nada têm. Marcou-lhe a vida. De ar descontraído, com um olhar paternal, sorridente e jovial, sob o fogo cruzado de telefones e telemóveis, concedeu-nos esta entrevista que pretende dar a conhecer uma outra faceta, mais intimista, do pároco e do homem de fé. Enfim, um pouco daquilo que lhe vai na alma, dos seus projectos, do seu percurso, do seu dia-a-dia e das rotinas que o caracterizam. As 24 horas do dia são escassas para os desafios a que não sabe dizer não.

Como lhe surgiu a sua vocação sacerdotal? Eu nasci e vivi numa terra, o Arneiro, do concelho de Nisa, onde o padre, raras vezes, visitava a localidade. Habituei-me a ver um padre só nos funerais. Fui crescendo e entrei para a escola primária. Mais tarde, conheci um seminarista e relacionei-me muito com ele e, assim, começou a despertar o sonho de poder tornar-me sacerdote também. Logo que fiz a quarta classe dei entrada no seminário do Gavião. Aos doze anos frequentei o de Alcains e depois o seminário maior, de Portalegre. Quando andava no 5º Ano foi nomeado o primeiro padre para a minha terra: O padre Francisco Belo. Com ele estabeleci uma relação muito forte. Nas férias, andava sempre com ele e sem o seu apoio e ajuda suponho que não chegaria ao fim desta vocação. Só depois de entrar no seminário é que eu comecei a ter catequese e a ir à missa. Na minha terra não havia missa pelo que tinha que me deslocar ao Fratel. Agora, é muito fácil passar o Tejo para o outro lado, o que eu fazia junto à estação de caminhos-de-ferro do Fratel, para depois subir por aquelas ribanceiras no inverno. Em criança, apanhava o barco na margem esquerda do Tejo e ia cair à margem direita, quase a um quilómetro de distância, devido às correntes. Hoje não, tudo é mais calmo.

L Cónego José da Graça: “Gosto de compreender a vida e o pensamento dos grandes líderes políticos mundiais” Com doze anos fazia esse percurso sem me queixar. Levava uma bolsinha com pão e depois da missa lá comia e vinha sozinho para casa. Nos anos seguintes, já o padre me convidada para comer com ele e tudo isso começou a criar uma certa empatia e relação amistosa. O padre Belo vivia na minha terra. As pessoas tratavam-no muito bem e era muito acarinhado por todos. Praticamente não tinha dinheiro, mas não o deixavam passar fome; havia batatas, feijões, carne de porco, galinhas. Na aldeia rezava o terço, celebrava a missa, falava com as pessoas. Nas férias, eu acompanhava-o sempre. Dormíamos numa casa de um paroquiano qualquer e lá comíamos. Era absolutamente necessário que os padres de hoje fizessem o mesmo. Hoje, a vida de padre entrou muito no profissional, e o resto já não interessa. Isto marcou muito o meu conceito de pastoral, esta sensibilidade em relação às pessoas pobres. Foi um despertar para as necessidades daquelas pessoas que eu encontrava, quando em criança, com o Padre Belo visitava aquelas aldeias, pessoas que viviam dificuldades e na miséria. E depois da sua ordenação …

Ficha TÉCNICA DIRECTORA: Hália Costa Santos EDITORA EXECUTIVA: Raquel Botelho REVISÃO DE TEXTO: Sandra Barata REDACTORES: Ana Cláudia Damas, Ana Gomes, Cátia Filipe,

David Leal, Fabiana Bioucas, Flávia Frazão, Francisco Rocha, João Lopes, Miguel Freire, Patrícia Rogado, Sara Cruz PROJECTO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: Elisabete Febra Tiragem: 15000 exemplares

Eu fui ordenado em Julho de 1967. Estive um ano em Ponte de Sôr como coadjutor, depois fui para a Sertã, também como coadjutor, durante dois anos. De seguida, vim para a paróquia de S. Facundo. Em 1981, fui fazer o curso de Teologia Pastoral para a Universidade Católica e ao mesmo tempo que estava na Universidade estava a paroquiar S. Margarida. Depois em 1985 entrei em Abrantes, no dia 29 de Setembro e até hoje. A sua preocupação com os mais desfavorecidos. Gostaria que nos falasse um pouco da sua Obra Social. Como disse, a minha sensibilidade para estas questões vem do tempo que passei com o Padre Belo. Sendo, nessa altura, aluno de Teologia, apreciava esse tempo de missionação nas visitas aos doentes e aos pobres. Vi, muitas as vezes, o Padre Belo a dar tudo aquilo que tinha. O seu exemplo começou também a sensibilizar-me para situações, muitas vezes, degradantes das pessoas, sobretudo daqueles que são mais pobres. Depois, já na Católica, escolhi para tese de licenciatura a problemática da droga. Uma vez em Abrantes, tomei contacto com alunos a quem eu tinha dado aulas e que andavam envolvidos na droga. Daí, despertei para a recuperação de jovens toxicodependentes, lançando o “Projecto Homem”. Entretanto, fundei outra Comunidade nas Sentieiras e abri três apartamentos de reinserção social; um em Abrantes, outro em Ponte de Sôr e outro em Castelo Branco. Houve uma outra área em que eu senti de perto as dificuldades: as crianças maltratadas e vítimas de violência. Decidi, por isso, abrir um Centro de Acolhimento para

Crianças em Risco, Casa de S. Miguel, situada no Rossio ao Sul do Tejo. Entretanto apareceu o Centro Convívio “Recordar é viver” ligado às pessoas idosas; assim como o Centro de Enfermagem, projecto ligado às pessoas com dificuldades de se deslocarem ao hospital para obterem cuidados de enfermagem. Recentemente, criei um Banco de Medicamentos. Que projectos tem para o futuro? Fiz uma proposta para a criação de um Centro de Acolhimento de Crianças e Jovens para adolescentes dos 12 aos 18 anos, em sequência do centro já existente para crianças dos 0 aos 12 anos. Pretende-se que aquele seja uma continuidade para o trabalho iniciado com as crianças mais novas. Outra iniciativa é a construção de um Lar para sessenta idosos junto do centro de emprego. Além disso, vou lançar um projecto para seis residências assistidas, num total de 10. Tento dar uma resposta quando esta se torna premente. Neste aspecto, estou muito em sintonia com a Teologia da Libertação. Mas isso foi bastante polémico na altura … Sim, é um facto. A verdade é que não é marxista. Se se considerar a verdade e a defesa da dignidade da pessoa humana como marxista, então ela é marxista. De outra forma, se se considerar que a defesa da pessoa humana que é o puro do cristianismo, que a libertação dos pobres tem que afectar a nossa consciência crítica crista, então é cristã, no absoluto. Esta é a realidade. É evidente que na prática isto não acontece nestas obras sociais nem na Igreja, o que é pena. A justificação é o tempo que o padre gasta nessas coisas em detrimento das missas e da adminis-

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tração dos sacramentos. O padre não perde tempo. O padre actua de acordo com uma doutrina no exercício da caridade. Irrita-me que se queixem de falta de tempo. Eu tenho tempo para tudo. Não tem férias. Não fez viagens. Quais os seus livros preferidos? Durante alguns anos até fiz algumas viagens, mas agora não tenho disponibilidade para isso. Tenho o hobby de coleccionar antiguidades e arte sacra. Ainda comecei a fazer uma colecção, mas agora não tenho tempo… gosto muito de antiguidades. Sobre os livros, procuro estar a par dos documentos da Igreja: encíclicas, os documentos dos Bispos, concretamente os do Bispo Diocesano. Entendo que é uma maneira de estar em sintonia com a vida e pensamento da Igreja. É para mim, o redescobrir dos sinais dos tempos que são a relação de Deus na história dos homens. Gosto de conhecer e compreender a vida e o pensamento dos grandes líderes políticos mundiais. Não apenas pela sua biografia, interessa-me muito mais conhecer o seu pensamento no campo político, no campo social, no campo económico e religioso. O mais curioso é verificar que, independentemente da sua declaração de fé, mostram as raízes de decisões muito profundas e muito fortes. Creio que a História contemporânea, lida a partir destes homens, que são marcos na vida das nações e dos povos, revela a riqueza extraordinária do mundo actual. É uma maneira de aprofundar o nosso conhecimento sobre as razões que determinam aqueles homens que são chefes das nações na orientação do mundo. Gosto imenso de interpretar a actuação destes políticos a nível mundial para perceber as razões que os fazem escolher este ou aquele caminho. Pena tenho, que nem sempre possa ter tempo para desenvolver esta actividade. Quais os grandes desafios que se põem à Igreja, nos dias de hoje? Parece-me que a Igreja continua a ter um papel preponderante na vida dos homens sobretudo agora, nestes tempos de crise. Mais do que nunca a fé nos valores tem que vir ao de cima e a Igreja tem que anunciar valores, tem que viver os valores, tem, ela própria, que apostar nos valores para que depois os crentes os sintam. É importante que o homem sinta esta capacidade de viver estes valores, mesmo que não tenham como referência Jesus Cristo em absoluto, mas não há dúvida que a Igreja tem que contribuir de forma decisiva para a mudança da história e, sobretudo, para uma história que seja vivida para o bem e a construção dum mundo novo. Esta é a missão da Igreja. Ela não pode abdicar daquilo que o seu fundador lhe confiou. Essa obra é obra do Espírito Santo. Se, porventura, a Igreja estivesse entregue aos homens , há muito tempo que teria deixado de existir. Conta-se até uma história de um jornalista que referia que a Igreja era mesmo para acabar e começava por um ataque cerrado ao Vaticano. Dizia ele, que cortada a cabeça, o resto seria muito mais fácil. Em resposta um Cardeal afirmou: “digo-lhe que não consegue porque se ela fosse para acabar, nós, os cardeais, já a teríamos acabado há muito tempo.” (risos)


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“Sinto que gostaria de ajudar ainda mais” PATRÍCIA ROGADO ESTA D ABRANTES MANUEL PAULO SILVA, presidente do Rotary Club de Abrantes, sente-se grato e com vontade de apoiar mais pessoas através de um clube que, criando boa vontade no próximo, se preocupa sobretudo com crianças e jovens carenciados. Assume que no clube, além de membros, encontra amigos com os mesmos objectivos, o que os une ainda mais. Dividido entre a família, o movimento rotário e a sua profissão, lamenta a impossibilidade de alongar o compasso de tempo do dia-a-dia. Porém, acredita que o mais importante é ter vontade, empenho e dedicação para ‘dar de si antes de pensar em si’.

Quais são os valores defendidos pelo Rotary Club de Abrantes? De forma sucinta, devemo-nos pautar pela honestidade. Nós temos uma tabela de valores que nos diz que tudo o que fazemos não deve prejudicar os outros, mas sim criar no outro boa vontade, ou seja, bem-estar. O valor mais importante que gere todos os rotários é dar de si antes de pensar em si. É um valor transversal à sociedade, mas nós não o deixamos morrer tentando que seja praticado. Queremos manter este tipo de valores de humanismo e de respeito pelo próximo sempre a guiar-nos. E de que forma o Rotary Club de Abrantes selecciona novos membros? O movimento rotário é formado por clubes que têm normalmente entre os 20 e os 30 elementos, havendo excepções. Esses clubes são formados por profissionais que de uma forma ou de outra se destacam na comunidade em que estão

inseridos. Os novos membros são, por assim dizer, escolhidos por elementos que já pertencem ao clube. Esses elementos fazem uma selecção e pesquisa de campo para saber quem poderá ter perfil para se enquadrar no clube, contando não só com os seus objectivos, mas também com as capacidades de se entrosar bem, participar e ser facilmente relacionável com outros membros. O clube recruta mulheres? Recruta. Ainda não recrutou (risos). No movimento rotário há muitos clubes com mulheres. Há muito tempo houve esse tipo de restrição, em que os rotários eram só para homens. Hoje em dia isso não faz sentido, mas é difícil encontrar disponibilidade para integrar um clube que é maioritariamente de homens. É essa a maior dificuldade, pois as senhoras dão maior importância ao apoio aos filhos, não se sentindo tão vocacionadas para se reunirem todas as semanas com um conjunto de “maduros” (risos). Mais fácil seria que as nossas esposas fizessem parte do clube, mas isso poderia criar algum tipo de incompatibilidades, porque o tempo que seria absorvido pelo clube tornaria difícil a vida familiar e pessoal. Na sua opinião os objectivos estipulados anualmente pelo clube são atingidos? O clube vai tendo vários objectivos e alguns são transversais aos diferentes anos. Outros vão sendo escolhidos anualmente. Dos projectos que nunca estão concretizados, que passam de ano para ano - rastreios visuais, atribuição de bolsas de estudo - o objectivo é sempre concretizado. Nesse aspecto acho que temos conseguido atingir as metas a que nos propomos ano após ano.

L Manuel Paulo: “Sinto que somos reconhecidos pela comunidade” Considera que o tempo e trabalho investidos no clube são recompensados? Se não sentíssemos isso não estaríamos com disponibilidade de nos reunirmos todas as semanas.

Para além da amizade que nos vai unindo e do que essas reuniões semanais nos vão proporcionando, o facto de irmos realizando coisas, mês após mês, também é muito gratificante. E isso é o cimento

que vai unindo as pessoas ao clube. Sinto que somos reconhecidos pela comunidade. O seu mandato termina em Julho, visto que só tem a duração de um ano. Já se sabe qual é o membro do clube que o irá suceder? Sim, já está seleccionado. Será o Engenheiro Maia Alves, das Mouriscas. Uma vez que é oftalmologista, como concilia a sua profissão e vida familiar com as actividades do Rotary Club de Abrantes? Nós temos sempre mais um pouquinho de tempo para qualquer coisa (risos). O que é preciso é ter vontade e isso é o mais importante. Além disso, a própria família vai percebendo que não vamos propriamente para o café ou para o bar falar com os amigos, mas sim contribuir para uma acção pró-activa em benefício da sociedade. Assim também se sentem motivados e empenhados no movimento. Por outro lado, temos a noção de que no movimento rotário quanto mais ocupadas estão as pessoas, mais empenhadas elas são nestas actividades paralelas. Se queremos atribuir uma tarefa importante, devemos atribuí-la a alguém que já está muito ocupado, pois essa pessoa terá mais vocação para levá-la a bom porto (risos). As pessoas que estão muito ocupadas sabem gerir o tempo e conseguem arranjar mais um bocadinho. Tendo em conta a situação actual do país, como é que se sente sabendo que pertence a um clube com a enorme capacidade de ajudar as pessoas? Sinto que gostaria de ajudar ainda mais. Temos limitações e como não conhecemos suficientemente as carências, sei que deixamos passar coisas onde poderíamos actuar e não actuamos. Daí a necessidade de dar a conhecer o movimento rotário na população, porque quanto mais formos conhecidos, mais nos chegam essas informações. Mas de uma forma geral sinto-me bem porque consigo, com uma actividade que não é a minha profissão, ajudar mais um pouco a sociedade a tornar-se melhor.

“Tiveram de comprar um garrafão de água para lavarmos as mãos” ANA GOMES ESTA D ABRANTES SENDO ESTUDANTE de Engenharia Mecânica na ESTA, Augusto Gaspar tinha a possibilidade de realizar um estágio e decidiu que o seu teria “contornos diferentes”. Por isso mesmo, foi para o Quénia ajudar a melhorar e desenvolver infra-estruturas que no nosso país são tão banais. Para ele, a situação que Portugal atravessa depende de arregaçarmos as mangas e procurarmos intervir para que tudo possa melhorar. Augusto Gaspar é oriundo de Alcaravela, Sardoal, mas vive actualmente em Abrantes. Considera que o curso é apenas uma ferramenta complementar que acrescenta ao seu cargo de comandante da GNR em Manteigas.

Porque se auto-propôs fazer o estágio no Quénia? Como falta de condições sanitárias e a falta de água são um problema em África, achei por bem desenhar um estágio com estes contornos. Como foi esse processo? Procurei alguma ONG (Organização Não Governamental) que interviesse em África. Encontrei a ADDHU (Associação de Defesa dos Direitos Humanos) que intervém no Quénia. Reunimo-nos (a ESTA e os representantes da ONG) e definimos os objectivos e a área de intervenção. Foi assim que fui parar ao Quénia. Quais eram os seus objectivos? Os principais objectivos eram dimensionar painéis térmicos para um orfanato, redimensionar a fossa, encontrar soluções para o transporte de água, olhar sobre os bairros de lata e visitar algumas

empresas intervenientes no sector da água e das energias alternativas. Na fossa acabou por não ser necessário intervir, porque a ONG já tinha planos para o fazer no início deste ano. A recolha de água lá é uma tarefa que cabe às mulheres e crianças, leva muito tempo, percorrem muitos metros ou quilómetros para chegar à água. As mulheres trazem 20 litros à cabeça o que provoca muitas lesões. Pensámos que seria interessante utilizar um cilindro de 90 litros que se enche de água e, ao deitá-lo no chão, prende-se um ferro e arrasta-se, vai a rolar até às casas deles. Achámos que seria importante adquirir alguns. O que fez no Quénia? Estive meia dúzia de dias com uma congregação de monges. Com eles tive a oportunidade de conhecer algumas escolas das zonas mais

remotas, perto da fronteira com o Uganda, fruto de uma das suas missões. Deu para perceber as diferenças entre as nossas escolas e as deles. Para eles uma sala de 16 metros quadrados servia para dar aulas a 60 miúdos, o professor disse-me que não consegue ter todos lá dentro, em simultâneo, saem uns e entram outros. Depois regressei a Nairobi onde fui a um orfanato para perceber quais eram as condições e necessidades lá existentes. Também estive em dois bairros de lata, visitei algumas empresas que intervêm no sector das energias alternativas e da água e fui para fora de Nairobi, para visitar uma quinta e uma vila em que deu para perceber as condições de vida e a falta de infra-estruturas. O que fica desta experiência para a sua vida? Esse é um hábito que nós ociden-

tais temos, de quantificar tudo. O que fica é que me deu alguma auto-confiança, ter sido capaz de desenhar um estágio diferente e ter conseguido levá-lo a cabo, o saber que sou capaz. O que pretende fazer no futuro? Eu vou concretizar esta fase de terminar o curso. Quando tiver esta ferramenta vou perceber de que forma é que posso capitalizá-la. Uma das minhas áreas de interesse é tudo o que ande à volta da temática da água. Acho que é um tema emergente e que nos devia preocupar a todos. Nós cá não nos apercebemos disso, mas em África eu percebi o que é a escassez de água. Para exemplificar, houve uma vez em que umas pessoas de uma ONG nos convidaram para almoçar em casa deles e tiveram de comprar um garrafão de água para lavarmos as mãos!


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“Lembro-me de ter ficado dias e dias sem ver a luz do sol” DAVID LEAL ESTA D ABRANTES FÁBIO JORGE, 24 anos, nasceu em Maianga, província de Luanda na República de Angola. É actualmente aluno da ESTA e conta com o apoio de instituições da região. O pai desapareceu na guerra e a mãe morreu de cancro. Apesar disso, diz que teve uma infância feliz, com o amor da mãe. Construía os brinquedos com o que encontrava no lixo e viu coisas que não devia ter visto, durante a guerra. A mãe optou por colocá-lo num seminário. Foi lá que passou a maior parte do tempo e lá aprendeu valores que o ajudariam a ser e a conquistar o que é hoje. Depois de descobrir os documentos do pai, conseguiu obter a nacionalidade portuguesa. Trabalhou para conseguir o bilhete de avião e cá teve o apoio de uma família aveirerense. Preparou-se para os exames de acesso ao ensino superior e, com média de 15,8 valores, entrou no curso de Vídeo e Cinema Documental da ESTA, para concretizar o sonho de uma profissão no campo do cinema.

Que filmes gosta de ver? Eu tenho muitos. Gosto de filmes que tenham um pouco de romance, drama, comédia, gosto de ficção científica, filmes de animação, tudo um pouco. Sou um amante de cinema.

E documentários, o que o fascina mais? Não sou muito ligado a documentários. Estou em cinema documental, mas não pretendo fazer nenhum documentário na minha carreira. Eu gosto de escrever as histórias, inventadas por mim com personagens criadas por mim. E o curso é versátil, pode-se fazer carreira documental como se pode fazer uma carreira ficcional. Há quanto tempo escreve? Desde os meus 15 anos. As suas histórias relacionam-se com o quê? Ficção, aventura. Vidas que gostava de viver? Não. Quem cresce num seminário, onde as novas tecnologias não são bem aceites, porque os padres são muito conservadores, é obrigado a ocupar o tempo com livros. Não me arrependo disso, até hoje tenho uma paixão pela literatura e gabo-me por isso. E esses livros faziam-me escapar um pouco da realidade triste que eu vivia. Então porque foi para um seminário? Teve sempre amor, nada lhe faltava... Amor sempre tive. Mas Angola viveu uma guerra, a que eu infelizmente assisti. Vi coisas que não devia ter visto (silêncio). Que coisas? Vi cadáveres, mortes. Viu onde, ao pé da sua casa?

L Fábio Jorge: “Crise é passar fome, isso é que é crise” Claro! Aquilo foi uma chacina em todo lado! Em Luanda durou pouco tempo, mas fizeram estragos. Eu lembro-me de ver blindados por cima de carros, ouvir disparos. A sorte é que tínhamos uma cave, não me recordo bem porque tinha seis anos, mas lembro-me de ter ficado dias e dias sem ver a luz do sol a comer pão e beber água.

O seminário deixou algumas marcas? Quando saí tive dificuldade em integrar-me. Mas ganhei o gosto pela leitura, sentido de responsabilidade, disciplina, ganhei muito. Passou fome no seminário? Não. A comida era sempre dividida, mas quando saí cá para fora passei. Uma coisa boa que aprendi lá den-

tro foi a cultivar a terra, podíamos ir apanhar e comer umas frutas. Não teve medo de sair de Luanda? Não. Quem viveu em Luanda está pronto para viver em qualquer parte do mundo. As pessoas cá reclamam porque não têm dinheiro para carregar o telemóvel, para ligar a TV Cabo ou almoçar em restaurantes. Eu rio-me disso. Crise é passar fome, isso é que é crise. As pessoas reclamam com o rendimento mínimo, mas esse valor dá para eu viver muito bem. Não quero viver às custas de subsídios, quero ter um trabalho. Mas preferiu estudar... Quero-me formar. Eu agarrei a oportunidade de estudar, estou a ter boas notas. As notas que tive garantiram-me o apoio da Câmara de Abrantes, que me ajuda com roupas, e de outras instituições que também me estão a ajudar. Eu mostrei que queria estudar. Esforcei-me, tirei notas melhores do que os que estiveram aqui a estudar a vida toda. Nunca tinha ouvido falar de Salazar ou de Camões, e mesmo assim tiro uma boa nota. Isso prova que estou aqui para estudar. Sente-se apoiado pelo IPT? Sim. Eu tratei de tudo em Tomar. Eles deram-me as orientações todas, tenho muito que agradecer. Agora estou a economizar para quando sair daqui ir à vida.

“A vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a dançar à chuva” CÁTIA FILIPE ESTA D ABRANTES FOI NA REPRESENTAÇÃO que Manuel Melo se deu a conhecer ao público, mas é também na música que está a sua grande paixão. Para além de ter participado em peças de teatro, já passou pela televisão como actor em novelas, filmes e fez publicidade e é no novo formato televisivo “A Tua Cara Não Me é Estranha”, na TVI, que Manuel regressa ao grande écran.

O que tem andado a fazer nos últimos tempos? Tenho andado a explorar a minha onda musical. Tenho alguns trabalhos a nível musical que já estavam na gaveta há algum tempo, e aproveitei estes dois anos que não estive em televisão, para organizar os temas originais, organizar as coisas de maneira a que seja possível avançar com essa parte musical. Tenho montados dois projectos acústicos, um deles com músicas dos anos 80.

Iniciou a sua carreira como actor quando? Na novela Saber Amar? Não. Na “Academia de Estrelas”, em 2002, que era um reality show, onde eu concorri para a TVI, pela Endemol. Fiquei, fui finalista e depois é que apareceu o “Saber Amar” e a hipótese de endereçar, numa novela como aquela, a personagem “girafa”. As pessoas ainda hoje o ligam a essa personagem? Sim, completamente! Agora vou entrar no programa “A Tua Cara Não Me é Estranha”. Pode ser a primeira oportunidade de dissociar a palavra ‘girafa’ e pôr um bocado no mapa o meu nome, Manuel. Talvez, nesse aspecto, seja um desafio interessante. E também lhe vai dar a possibilidade de verem o seu trabalho como cantor? As pessoas viram algumas características minhas como vocalista na “Academia de Estrelas”, mas acho que sempre me ligaram como actor e eu gosto de fazer um bocado das duas coisas.

E se pudesse escolher entre representar ou cantar? Nesta altura escolhia cantar. Já muitas vezes escolhi representar. É um dilema que me vai acompanhar sempre. Em diferentes fases da vida apetecem-me coisas diferentes. Já fez novelas, participou em filmes, peças de teatro. Qual a experiência que mais gostou de fazer? Sim. Fiz novelas, filmes, peças de teatro, publicidade, um pouco de tudo. Já tenho a carteirinha dos cromos toda completa (risos). Cinema foi extremamente interessante, mas sem dúvida que cantar é das coisas que mais me tem preenchido. Que projectos tem para o futuro? Eu acho que tudo se vai desenrolar a partir de agora. Eu estive adormecido em termos mediáticos e em termos de trabalhos com exposição muito tempo e acho que a partir de agora as coisas vão-se desenrolar. Tenho algumas propostas já, tenho alguns produtores que me contactaram, não por

L Manuel Melo: “Estive adormecido em termos mediáticos” causa do programa “A Tua Cara Não Me é Estranha”, mas veio ao mesmo tempo. Fazer um CD seu é um dos objectivos? Eu tenho vindo a editar as minhas coisas à medida que o tempo vai passando e que tenho oportunidade. Já editei dois temas, um deles com a ajuda do guitarrista do Robbie Williams, e tenho outro

tema que está a ser feito na garagem. Tudo na garagem, não houve nenhum dinheiro investido nestes temas só a amizade e a perseverança. Se eu tiver a oportunidade de alguém me ajudar, obviamente que aceito. Qual é o seu lema de vida? A vida não é esperar que a tempestade passe, é aprender a dançar à chuva.


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“Sou um animal político” SARA CRUZ ESTA D ABRANTES NASCEU a 21 de Abril de 1954 no Brasil, mas foi Felgueiras que a viu crescer e tornar-se numa das mulheres mais mediáticas dos últimos anos. Tem dupla nacionalidade, mas é uma apaixonada por Felgueiras. Diz que o sistema político “está muito doente” e que “os partidos políticos perderam a noção da proximidade, das expectativas, dos anseios das pessoas”. Reconhece que algumas pessoas podem ter uma imagem distorcida de si, mas deixa uma certeza: “O meu trabalho e a minha obra estão à vista de todos.”

É uma mulher de quem se falou muito, mas se calhar não se sabe muito de si… Penso que neste momento a curiosidade, quanto mais não seja, leva a que toda a gente queira saber quem sou, como sou, de onde venho. Em Felgueiras toda a gente sabe que venho da família de Belém. É uma família por demais conhecida, que participou sempre em tudo em Felgueiras, desde teatro, música, futebol. Sou a filha de uma das meninas de Belém. É do conhecimento de todos. Mas aqueles que não me conhecem, não sabem quem eu sou e porventura terão uma imagem completamente distorcida. Aqueles que me conhecem sabem quem eu sou, sabem onde eu estou e o que eu faço. A sua mãe era professora primária. Na 1ª classe saltou logo para a 3ª, o que faz com que tivesse dado nas vistas, porque foi algo fora do comum… Quando fui para a escola primária já sabia aquilo tudo, dadas as vezes que ia com a minha mãe para a escola. A professora via-se com dificuldade para me motivar. A meio do ano propôs à minha mãe que eu fizesse um exame para a 2ª classe. Fiz o exame e passei para a 2ª classe. No final do 2º ano fiz um exame e eu passei para o 3º. Foi uma situação que decorreu dessas circunstâncias, porque tive essa oportunidade. Em casa tinha a professora que era a minha mãe que nos acompanhava, ensinava e líamos muito. Falou muito na sua tia-madrinha numa entrevista que deu. É alguém por quem tem um grande apreço? A minha tia-madrinha é como se fosse minha mãe. Senti muita dificuldade em saber qual é que era a relação mais intensa, se com a minha mãe ou com a minha madrinha. O meu pai estava muitas vezes no Brasil e a minha mãe estava mais tempo lá do que em Portugal. Eu ficava com a minha madrinha. A minha ligação com a minha madri-

nha é uma recordação muito forte, marcou-me muito. Aprendi muitas coisas com ela. Tive a sorte de ter o acompanhamento na minha infância, na minha adolescência, na minha construção enquanto ser humano de duas pessoas fabulosas: a minha mãe e a minha madrinha, sem prejuízo de todos os outros, mas essas foram duas marcas muito intensas. A sua infância foi feliz? Foi uma infância extraordinariamente feliz, com marcas muito bonitas, como o Cuco. Logo a seguir ao Natal, a minha madrinha, para nos ensinar a fazer o tricô, malhas e a bordar, começava a ensinar-nos a fazer a mantinha para o Cuco, que vinha de longe, tinha frio e precisava de uma mantinha para os cucos pequeninos que iam nascer. No dia 21 de Março colocávamos a mantinha numa cestinha que existia em casa e recebíamos de prémio do Cuco os guarda-chuvas de chocolate e as línguas-de-gato que ainda hoje adoro. Era o imaginário que a minha mãe e a minha madrinha iam criando para nos estimularem a bordar, a fazer malhas, a ler, a aprender a fazer tudo, a gostar de tudo e a saber tudo. Em casa, com os seus pais, falavam de política? Ou era tabu? Não era tabu, mas era sempre conversa com muito cuidado. Muito pouca gente conversava sobre política. Em minha casa sempre se falou abertamente, mas sempre com cuidado de dizer “isto não se fala”, “isto não se diz” e com algumas situações que nos eram apontadas. Tive familiares que foram presos pela PIDE e eram-nos dados como exemplo. Foi para o PS ou hesitou qual o partido a escolher? Não hesitei. Foi uma aproximação natural. Sempre estive com o PS com consciência de que era onde me sentia bem, naquilo que eram os objectivos para servir e criar um povo com melhores condições de vida. Fazer parceria com grandes riquezas onde a fraternidade, solidariedade o bem-estar de toda a gente, a assistência aos mais carecidos eram a primazia da nossa intervenção. Tive a feliz oportunidade de ter algumas ligações que me permitiram ter uma intervenção extraordinária que nunca mais me esqueço. O que acha do sistema político? Está muito doente, os partidos políticos perderam a noção da proximidade, das expectativas, dos anseios das pessoas. Pensam mais nos votos, como ganhar as eleições e como chegar ao poder, do que propriamente no bem-estar, crescimento e desenvolvimento do país. A crise maior é a crise de valores.

L Fátima Felgueiras “A crise maior é a crise de valores” Hoje há muita gente na política que não olha a meios para atingir fins. Vale tudo para eles, até tirar olhos. Se tiverem de mentir, de inventar, de lançar suspeições fazem-no. A minha grande expectativa é que os jovens comecem a aproximar-se e que as coisas sejam alteradas. Acha que pôs Felgueiras no mapa? Não tenho dúvida, e não apenas no mapa das auto-estradas. A primeira vez que tive uma intervenção pública e disse que Felgueiras era o maior exportador de calçado, os governantes acharam que estava a inventar para chamar a atenção.

Uma mulher na política com a notoriedade que eu tinha incomoda muita gente, sobretudo aqueles que são mais medíocres.

Dentro de Portugal ninguém sabia onde ficava Felgueiras. Hoje, é conhecida por muitas coisas boas, como o calçado, os vinhos verdes, os patrimónios, o pão-de-ló de Margaride, o mosteiro de Pombeiro. O meu trabalho e a minha obra estão à vista de todos. Foi preciso executá-la e fi-lo com muito gosto e empenho. Tenho um enorme orgulho de fazer de Felgueiras o que ela é hoje. Quiseram-na matar politicamente? Não tenho dúvida e acho que hoje ninguém tem dúvida disso. Uma mulher na política com a notoriedade que eu tinha incomoda muita gente, sobretudo aqueles que são mais medíocres. Continuamos a viver cada vez mais numa sociedade de invejas, de gente que em vez de procurar fazer melhor, procura matar quem faz bem porque senão nunca mais lá chega. É o grande problema que vamos tendo no nosso país. A verdade é que mesmo assim continua apaixonada pelas suas causas. Sem dúvida! Nunca virei costas a Felgueiras nem virarei! É a minha terra de coração e de nome! Nunca virarei costas a uma causa desde que ela valha a pena! É uma mulher mais fragilizada por

tudo aquilo que aconteceu na sua vida política? Não. Diria que sou uma mulher bem mais fortalecida. Os momentos difíceis também nos ajudam a crescer. Naturalmente que dói, mas sinto-me seguramente bem mais forte. Quem é a Fátima Felgueiras fora do mundo da política? Eu acho que é difícil distinguir a Fátima Felgueiras do mundo político, porque às tantas eu sou mesmo “um animal político”, leia-se nisto que sou incapaz de ser insensível àquilo que me rodeia, incapaz de não olhar para aqueles que precisam de mim à minha volta. Gosto que tudo que esteja à minha volta esteja feliz, e se eu puder contribuir eu faço. Sou uma pessoa disponível para as instituições, para a família, para os amigos, uma pessoa feliz que gosta de fazer o bem. Vai voltar a candidatar-se? Não vou pedir nada a ninguém, também nunca virei costas a Felgueiras. Mas o futuro a Deus pertence, e são os felgueirenses que vão ter de saber gerar as alternativas que quiserem para a sua terra. E as que gerarem estarão certas seguramente!


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MAIO 2012

COM 86 ANOS DE IDADE E 82 DE ACORDEÃO, em Eugénia Lima permanece o talento, a dedicação e o amor por este instrumento. Com apenas quatro anos, a “Miúda de Castelo Branco” já sabia qual era a sua vocação. Hoje, é conhecida e reconhecida nacional e internacionalmente.

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“Nunca tive vocação para outra coisa” FLÁVIA FRAZÃO ESTA D ABRANTES

Começou a tocar acordeão muito cedo, com apenas quatro anos. O que a levou a isso? Foi a brincar com os acordeões! O meu pai era afinador e tinha muitos acordeões em casa, o meu brinquedo preferido era aquilo. Assim que me entendi ser gente comecei logo a gostar muito de música, tudo quanto fosse sons eu corria para ouvir e para ver. Tanto brinquei, tanto brinquei que acabei por começar a tocar e acabei por aprender. Embora fosse muito nova, a partir desse momento percebeu que queria ser acordeonista? A partir dos quatro anos, eu nunca tive vocação para outra coisa. Eu costumo dizer que as pessoas que acertam com a vocação que têm são muito felizes. Às vezes perdem-se pessoas inteligentíssimas, porque não vão enveredar no caminho que era o delas. Eu tive a sorte de acertar, eu gostava muito de música e gostava muito de acordeões. Foi fundadora da Orquestra Típica Albicastrense. Isto é importante para si? É verdade. Foi talvez a coisa mais bonita que eu fiz na vida! Se é que eu tenho algum valor e algum mérito, acho que a melhor coisa e mais bonita foi realmente a Orquestra Típica Albicastrense. A orquestra continua e ainda lá está para alegria minha, ainda muito boa a tocar muito bem, com um maestro muito competente. Eu fico muito contente quando passo por lá e vejo a orquestra a tocar. O acordeão é um instrumento mui-

to presente na nossa cultura, mas de facto não é tão procurado entre os jovens como por exemplo uma guitarra ou bateria. Qual a sua opinião acerca disso? É próprio dos tempos. O acordeão há 50 anos atrás era um instrumento por excelência em todo o mundo e em alguns países deixou de ser, como é o caso de Portugal. Houve uma transformação muito grande na cultura, inclusive na cultura musical. A partir de uma certa altura o acordeão começou a ser um bocadinho esquecido, mas agora, já há outra vez muita juventude a tocar. Nesta altura o acordeão está bem posicionado em Portugal. É muito gratificante, ver tanta juventude a tocar acordeão. O seu nome consta no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis. De que forma vê este reconhecimento? É um orgulho para si? Com certeza é um orgulho, fico muito feliz, muito contente por isso. Não posso dizer como é que isso foi, porque eu não sei. Houve alguém amigo que me disse: “Olha o teu nome está no Dicionário das Mulheres Notáveis”. Comprei o livro e vi que estava lá uma pequena biografia daquele tempo, que já é muito antigo esse livro. Na última enciclopédia da Porto Editora também lá puseram uma pequena biografia minha. Recebe muitas homenagens, nomeadamente uma feita no programa “Companhia das Manhãs”… Foi dos programas mais bonitos que eu fiz na televisão. Eu fiquei tão comovida, tão enternecida, não estava nada a contar com aquilo. Da televisão telefonaram-me para eu

“Quero fazer filmes dos livros que escrevo” FABIANA BIOUCAS ESTA D ABRANTES ISABELLA SANTOS nasceu em Abrantes, a 26 de Agosto de 1992, estuda na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu onde segue a vertente de Línguas e Humanidades. Com apenas 14 anos começou a escrever pequenos romances e, agora, com 19 anos, vê editado o seu primeiro romance, “7Véus”, uma história de amor, que se passa na Arábia Saudita, entre Ahmet e Naadirah. O livro já está disponível on-line, tanto em Portugal como no Brasil, e 200 exemplares serão vendidos nas livrarias portuguesas.

Desde que idade é que escreve histórias? Desde pequenina que na minha mente faço histórias. Lembro-me de estar num quarto, que era uma sala que a minha mãe tinha, e pensava que estava a fazer um teatro, estava a falar sozinha. Escrever a sério é desde os 14 anos. Essas histórias que escreve desde pequena são contos, biografias…?

São romances, ficção, terror, comédia… De onde vem a sua inspiração? A inspiração tanto pode vir de música, de imagens, dos famosos. Já aconteceu estar na disciplina de História e ver uma imagem de umas escadas e daí vir uma inspiração para uma história, um romance. O que sente quando escreve? Quando escrevo, sinto o que escrevo. Se a personagem está a chorar ou a sorrir, eu sou capaz de chorar ou sorrir com ela. Uma vez eu estava a escrever uma cena no “7Véus” em que o Ahmet apertou o pescoço de uma outra personagem e eu senti alguém a apertar o meu pescoço. Obviamente foi a minha imaginação, mas é uma demonstração daquilo que acontece. Tem algum ritual ou costume antes de começar a escrever? Quase sempre a música é obrigatória. Um cantor que me inspirou para esta obra foi o Tarkan. Parecia que a história e a imaginação não evoluíam se não houvesse a música por trás.

L Eugénia Lima: “O acordeão está bem posicionado em Portugal” ir colaborar no programa, para chegar lá dizer meia dúzia de palavras e tocar uma musiquinha ou duas. Eu ia predisposta a isso, nada mais! Quando aparece aquela surpresa toda, ai meu Deus! Eu estava a ver que o meu coração não aguentava. E o jardim em frente à sua casa, apelidado com o seu nome… Outra surpresa, que eu também não sabia. Quando soube foi no dia que me chamaram para ir ali destapar as placas. Como é ter esse carinho por parte das pessoas?

Como se sente em relação ao seu livro já estar à venda no Brasil? Eu sinto-me muito feliz, porque eu sabia que esta editora tinha uma parceria com a editora do Brasil, mas a editora também teve que ler o livro para aceitar. Eu estava um bocadinho com medo que ela não aceitasse, que não gostassem, mas aceitou e eu estou muito contente. Quais são as suas influências na literatura? Sinceramente pouco me inspiro em literatura, é sem dúvida muito mais em cinema e televisão. Nunca consigo ler muito, não que ache aborrecido, porque a leitura é tão boa quanto o acto da escrita, mas porque depois apetece-me logo pegar nas minhas histórias e escrever. Não lhe chamo inspiração, penso que em vez de gastar o tempo a ler prefiro gastá-lo a escrever. Qual é o seu livro preferido? O meu livro preferido é o “Segredo”, porque é aquele tipo de livro que dá esperança às pessoas, que nós podemos ter aquilo que quisermos se tivermos fé. Não a fé em Deus nem nada disso, mas sim aquela fé que temos em nós próprios, e crença que nós podemos fazer e ter aquilo que queremos. Qual é o seu autor preferido? O meu autor preferido é o Dan Brown, porque dois dos livros que ele escreveu, que foram “Anjos e Demónios” e “Código da Vinci”,

É preciso ter um coração um bocadinho forte para aguentar isto tudo. E agora ultimamente têm-me feito homenagens muito lindas. É uma amálgama de sentimentos que não há palavras que descrevam isso. Só quem passa por isso é que sente. É reconhecida como a “Miúda de Castelo Branco” e na cidade de Rio Maior é vista como uma filha da cidade. Como recebe o carinho das pessoas? O epíteto de “Miúda de Castelo Branco” foi porque eu comecei a tocar muito novinha e havia muita

gente que quando não se lembrava do meu nome dizia que era a miúda de Castelo Branco. Com o passar do tempo, fui criando muitas raízes em Rio Maior, fui criando uma convivência muito sã. Fiquei agregada ao povo do concelho de Rio Maior como se fosse daqui, porque aqui eu não me sinto estranha, justamente pela amizade e simpatia que as pessoas me dedicam. É aqui que eu estou bem e é aqui que eu gosto de estar. Rio Maior ajuda-me a viver.

L Isabella Santos: “Pouco me inspiro na literatura” viraram filmes. É o que eu quero atingir: fazer filmes dos livros que escrevo. Qual é o seu maior sonho? Saúde e dinheiro, como toda a gente! Mas um sonho que eu tenho mesmo é de conhecer os meus artistas favoritos. Como por exemplo? O Johnny Depp, o Tarkan que é um

cantor que nasceu na Alemanha, mas vive na Turquia. Com que escritor português gostaria de passar uma tarde? Fernando Pessoa, porque para mim é mesmo o melhor, uma pessoa conseguir fazer tudo o que ele fez, criar heterónimos e caligrafias diferentes para cada um deles, para mim é excepcional.


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“O futebol é de todos”

“Sou o único que nunca matou um toiro” JOÃO LOPES ESTA D ABRANTES AOS 47 ANOS, Rui Salvador é um dos toureiros mais conceituados do panorama taurino português. Com uma carreira longa e duradoura, fortemente impulsionada por nomes como Gustavo Zenkl ou Mestre Baptista, sem esquecer o pai, José Salvador, correu um pouco por todo o lado, desde os Estados Unidos até Macau, embora sem participar em corridas com toiros de morte, algo que classifica de “opção de vida”. Conhecido como “o cavaleiro dos ferros impossíveis” devido à espectacularidade e empolgância que transmite na arena, garante que irá continuar enquanto se sentir bem e o público continuar a gostar de si. Casado e pai de dois filhos, hoje em dia concilia a tauromaquia com a arquitectura e a gestão de eventos: “Sou o tipo de pessoa que tem várias situações para complementar e não é fácil ter só uma actividade na minha vida.” O QUE MAIS O FASCINA NA TAUROMAQUIA?

É um conjunto de situações. A tauromaquia é realmente uma paixão única. É o tipo de actividade à qual se tem de dar uma dedicação extrema e só se pode singrar quando se tem uma paixão imensa por ela. O cavalo, o toiro e depois a junção dos dois com o cavaleiro faz com que se travem determinados jogos ali dentro que são planeados pela racionalidade do homem com a junção da bravura do animal. O toiro é um animal único. Depois há o cavalo, que é um animal extraordinariamente maravilhoso, com uma graciosidade e uma boa vontade únicas também. Quando se consegue agarrar nas características destes cavalos e encontrar um toiro bravo e agressivo é realmente uma coisa maravilhosa. A CRISE SENTE-SE NESTA ACTIVIDADE?

L André Gralha: “Ganho mais na arbitragem do que no meu trabalho”

MIGUEL FREIRE ESTA D ABRANTES ANDRÉ FURTADO ALVES GRALHA tem 35 anos e é actualmente árbitro de 1ª divisão. Oriundo de uma família de árbitros, desde cedo começou a revelar a sua paixão pela arbitragem. Aos 15 anos foi assistente do pai num jogo no Inatel e desde aí prosseguiu com o que viria a ser o seu futuro. Admite que ser árbitro de primeira categoria lhe permite ter uma melhor vida, mas defende que o importante é ter paixão pelo que se faz. Defensor das novas tecnologias no futebol e da profissionalização dos árbitros, é da opinião que “o futebol é de todos”.

Grande parte dos miúdos sonha ser jogador de futebol profissional. Alguma vez teve esse sonho ou sempre quis ser árbitro? Para gostar de arbitragem tive primeiro de gostar de futebol. Jogava à bola na escola, cheguei a jogar futebol na Moita e na Barquinha, mas acho que eu não tinha muito jeito para o futebol, no sentido de um dia chegar a patamares superiores. Como em minha casa se falava muito de arbitragem e acompanhava o meu pai nos jogos comecei a gostar da arbitragem. Acho que até tinha algum jeito para a função e segui em frente.

Quando subiu a árbitro de primeira categoria notou muitas diferenças em relação aos escalões mais baixos? Sim, notei. O futebol hoje começa a ser muito gratificante para a pessoa que exerce a função. Não estou a falar no início de carreira, mas a nível dos nacionais. Eu, presentemente, ganho mais na arbitragem do que no meu trabalho e, parecendo que não, já me proporciona outras coisas na vida. Mas também há situações a ter em conta: não podemos estar a assumir compromissos na nossa vida com aquilo que ganhamos na arbitragem. Primeiro do que tudo é necessário ter paixão pela arbitragem, ter paixão pelo que fazemos. Qual a sua opinião acerca da introdução ou não de novas tecnologias no futebol como forma de auxílio à arbitragem? Eu sou a favor das novas tecnologias, mas as pessoas têm de perceber que no futebol, a nível de arbitragens, com novas tecnologias ou mesmo sem elas, o erro vai sempre existir. Eu sou apologista de, no caso de um jogo grande, em lances específicos, existir um monitor na zona do meio campo para o 4º árbitro verificar o lance. Não poderia ser por tudo e por nada que se iria verificar se não, qualquer dia, temos lá um robô e não um árbitro. É a favor ou contra a profissionalização dos árbitros?

A profissionalização envolve muitas coisas. Assim como no futebol, na arbitragem há subidas e descidas. Para haver novos árbitros de 1ª divisão, outros vão ter de ser despromovidos. Imaginando que agora assumia o profissionalismo... Será que a entidade para onde trabalho tem o lugar à minha espera? É preciso ter em atenção que, mesmo que os árbitros se tornem profissionais, o erro vai continuar a existir. O que poderá acontecer é dar mais condições aos árbitros para fazer um melhor trabalho e terem uma melhor preparação para o jogo. Mas claro que sou a favor da profissionalização. E quais são os seus projectos para o futuro? O meu projecto para o futuro, a nível de arbitragem, é manter-me na 1ª divisão. Não está fácil, reconheço. Depois é pensar Domingo a Domingo, treino a treino. Dizem que o maior inimigo do árbitro é o próprio árbitro e, apesar de antes não pensar desta forma, já começo a acreditar nisto. As pessoas começam a fazer de tudo para se manterem na arbitragem. Isto acontece por causa dos valores e não pela paixão pela arbitragem, o que acho mal. Posso dizer que o André que hoje está na 1ª divisão é o mesmo que estava nas distritais e é esse André que quero ser sempre.

Sente-se. As corridas custam dinheiro e este ano vai de certeza haver menos corridas. Este é o único espectáculo que não tem nenhum subsídio do Estado, nunca teve nenhum apoio Estatal e tem sobrevivido sempre positivamente. Continuam a ver-se corridas cheias, quando é também criada essa expectativa e quando são bem montadas, e faz com que também nos dê alento. COMO É QUE CONCILIA A TAUROMAQUIA COM A SUA VIDA FAMILIAR?

Hoje é mais fácil. A minha vida familiar ainda tinha outro problema, porque eu tenho uma firma de construção e faço também arquitectura. Mas neste preciso momento quase que abdiquei da construção e da arquitectura, quase que optei só pela quinta, pelos eventos que fazemos e pelo toureio. Portanto, a família acabou por ganhar um pouco mais de espaço. COMO É QUE VÊ A QUESTÃO DOS TOIROS DE MORTE?

Não faço, mas respeito quem o faz. Os meus colegas fazem. Sou o único que nunca matou um toiro. Declaradamente, respeito quem o faz, mas não consigo compreender a morte de um toiro a cavalo. A pé há uma igualdade de circunstâncias, um equilíbrio em tudo. Mas a cavalo não vejo que exista a necessidade de o fazer. O toureio a cavalo é complementado com o forcado. A corrida de toiros à portuguesa não tem nada a ver com a morte do toiro. QUAL A SUA OPINIÃO ACERCA DOS MOVIMENTOS ANTI-TOURADAS?

Respeito. Aliás, tenho pena que eles não me respeitem da mesma maneira que eu os respeito a eles. Eu passo a vida a dizer que convido quem quiser vir aqui a casa para perceber a realidade e como tratamos todos os animais que temos. Vêm aqui muitas pessoas que não gostam e outras que não se importam, mas acabam por sair completamente elucidadas. É importante perceberem que mesmo a parte menos positiva que nós temos para com os toiros, onde os castigamos, onde cravamos um ferro e provocamos dor, é um factor para limitarmos a raça no sentido de continuar pura geneticamente. É provocando mais essa agressividade que percebemos se os touros são bravos ou não, se servem para reprodutores. Tenho a certeza absoluta que se deixasse de haver toureiros neste momento, iria deixar de haver toiros também.


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Última

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“Quando estou em cima do palco, acho que tenho que estar ‘tesuda’” ANA CLÁUDIA DAMAS ESTA D ABRANTES COINCIDÊNCIA OU NÃO , de qualquer lugar soava a música “We stay (up all night)”, dos Buraka Som Sistema, enquanto Blaya e o ESTAJornal se aproximavam do local da entrevista. A sentir o sol que bem se fez mostrar naquele dia, e do qual tanto gosta, deu-se início a uma conversa onde a própria confirmou que não tem nada a esconder.

Quem a segue, tem assistido, nos últimos anos, a várias mudanças no seu visual. É um mero gosto pessoal, portanto? Sim. A minha mãe é cabeleireira e, até eu ter cerca de 14 anos, nunca deixei a minha mãe tocar no meu cabelo. Mas depois, quando ela tocou, comecei a gostar, e a partir daí quase que, de três em três meses, mudo o visual. Quanto à maneira de vestir, eu tento estar um bocado dentro da moda. Bom, toda a gente tem uma moda diferente, mas eu tento estar sempre… Por exemplo, hoje estou um bocado fluorescente e florida (ri). Mas não sei de onde é que isso vem. Tem algum cuidado com a sua imagem em termos profissionais? Pensa nisso? Penso. Eu acho que, quando estou em cima do palco, tenho que estar “tesuda”. Faz parte. O físico, acho que faz parte. E também acho que estar dentro da moda faz parte, até para as outras pessoas, mesmo que não gostem da música, começam só a ver a imagem, o que já é bom. Começam a ouvir a música por causa da imagem. Em palco, o seu visual, a sua energia, a dança, já se tornaram elementos indispensáveis, tal como o jogo de luzes ou a própria música. Considera que, ao entrar nos Buraka Som Sistema (BSS), esse era um dos objectivos, ou isso foi acontecendo? Acho que acabou por acontecer, porque eu sempre tive muita energia, seja onde for. Então, nos concertos, as coisas foram acontecendo, não era obrigatório eu fazer aquilo. À medida dos concertos é que vou tendo ainda mais energia. Agora, o meu “live” não tem nada a ver com o de há cinco anos atrás. Antes era muito mais calma, e agora sou muito mais espontânea. Foi acontecendo. Isso também não terá a ver com a experiência que foi adquirindo? Sim. Agora passo uma hora e um quarto - tempo de um concerto no palco, e antes, ia três vezes e saía. Agora eu tenho mais oportunidade de mostrar o que consigo fazer. Antes de integrar os BSS, teve que dar provas do seu talento como dançarina. Sente que também teve que dar provas como cantora? Antes de ser bailarina, eu era ra-

L Blaya: “Gosto do calor do público, gosto de estar a “puxar”. Gosto desse feeling!” pper – comecei aos 14 anos -, e então, um deles já sabia que eu rimava. E na altura em que entrei para o grupo, eles precisavam de alguém para ir para o estrangeiro, mas não estavam a encontrar ninguém, e então eu disse: “Eu vou!”. Cá em Portugal, eu perguntei: “Posso cantar? Posso cantar o ‘Aqui Para Vocês’?”, e eles disseram que sim. A partir daí, fui sempre subindo (sorri). Em termos musicais, já passou pelo hip-hop, pelo reggae, pelo kuduro. Com qual destes estilos se identifica mais? Eu sou uma mistura (sorri). Por exemplo, eu estou a fazer uma mixtape que envolve tudo, não é um estilo específico, é uma salada de frutas, mas sou eu que quero que seja uma salada de frutas, porque eu gosto de diferentes estilos de música. E se gosto, porque não fazer? Há cerca de seis ou sete anos, imaginava a sua vida tal como é agora? Eu sempre estive no mundo da música, nunca trabalhei em mais nada. Sempre pensei que iria estar na música, mas onde estou hoje, nunca imaginei. Até houve uma vez em que fui ver Buraka ao Sudoeste, em 2007, e gostei muito,

e nunca pensei… até porque todas as vocalistas que eles tinham tido eram angolanas, e eu não sou. Então, antes, estar a cantar com um sotaque que não era o meu, era estranho. Agora já não acho estranho, porque agora tenho sons meus nos Buraka. Sentiu essa estranheza por parte do público? Eu senti. Até para mim era estranho. Aliás, era mais para mim do que para as outras pessoas, mas tinha que ser. E depois eles (BSS) diziam: “Não tenhas vergonha”, e fui-me acostumando. Mas é estranho para as pessoas. Ainda agora, às vezes, comparam-me com as outras, e eu não gosto, porque somos diferentes. Eu sou completa-

“ ”

Este ano, é o ano Buraka, por isso estou dedicada a eles a 100%

mente diferente delas. E mesmo entre elas, cada uma é diferente. Mas eu sou mesmo a “mais diferente”, não tenho mesmo nada a ver. Como é que surgiu a oportunidade de fazer a mixtape “Teikauei”? À medida que o tempo vai passando, vou arranjando mais pessoas para fazerem instrumentais… Mas vai ser misturada pelo João (J-Wow). Já lá tenho instrumentais do J-Wow, do Riot (BSS), do Ride, do Klipar, de um rapaz que é de Los Angeles, o Zac-Matic, do Andro (Conductor, também dos Buraka) - foi ele que fez o reggae, o “Fortaleza”. Acho que não está lá mais ninguém... Agora começo a pensar assim: “Se calhar, é melhor eu fazer um EP, em que tenho só os sons, que são instrumentais de outras pessoas, como ‘Blaya featuring… alguém’”. Em vez de ter uma mixtape. Já não sei, já é muita coisa. Estou confusa! (ri) Eu tinha que fazer alguma coisa, e acho que esta altura é a ideal para lançar a minha “qualquer coisa”. Neste momento, pensa cimentar a sua carreira a solo? Este ano, é o ano Buraka, por isso estou dedicada a eles a 100%, mas quando tenho tempo livre, também me dedico a mim e às minhas

músicas, e vou tentando avançar cada vez que tenho tempo. E para além da mixtape, dos Buraka, tem mais planos para o futuro? Não! Música, dança, viajar muito… É por ter essas ideias todas que aceitou ir com os Buraka para o estrangeiro? Para além de que também faz parte do Holy Ship. É por isso que vai à aventura? Claro que sim! Ainda por cima, sou a única rapariga no meio daqueles homens todos, mas eu sou um homem, também (ri)! Mas a ‘cena’ é ir, ir com o flow! Eu gosto é de viajar, e quero ter a oportunidade de fazer o que estou a fazer com os Buraka, mas sozinha, por exemplo: “Blaya que vai fazer MC de… ‘DJ Tinoni’”, e ir lá para fora cantar para uma data de pessoas. Mas agora está acompanhada por quatro homens em palco. Não a assusta a ideia de ficar sozinha e ter que ‘agarrar’ um mar de gente durante aquele tempo? É um desafio. É mais complicado, porque com os Buraka, nos tempos mortos, eu posso estar a brincar com eles. Sozinha, só com um DJ, já é muito mais complicado. Mas é um desafio, eu gosto. Gosto do calor do público, gosto de estar a “puxar”. Gosto desse feeling!


Foto de Persio Basso

Especial

Educação Sete diretores de escolas ou agrupamentos, entre os dez a quem o Jornal de Abrantes lançou o desafio, responderam a um pequeno inquérito para recolher opiniões, aferir sensibilidades, apresentar a oferta formativa e divulgar projetos. São testemunhos que marcam esta época, poucos dias depois de a região ter sido visitada pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato. A requalificação dos espaços escolares é uma das principais bandeiras dos municípios e os projetos educativos são o orgulho dos diretores. Surge o reconhecimento de que uma escola renovada estimula os participantes no processo educativo e acumulam-se críticas às medidas propostas pelo atual executivo. Nomeadamente, na criação de megaagrupamentos e no aumento do número de alunos por turma.

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Dúvidas, mas também certezas sobre a eficácia dos novos exames Duas das medidas anunciadas pela atual equipa ministerial têm vindo a ser especialmente discutidas, tanto ao nível dos estabelecimentos de ensino, como na própria comunicação social: o aumento do número de alunos por turma e a introdução de provas nacionais. Se em relação à primeira medida parece haver um coro de críticas, já a ideia dos exames tem um acolhimento diferente, incluindo reações positivas.

Pessoalmente, o diretor do agrupamento de Escolas do Sardoal, Fernando Matos, considera que a introdução de provas nacionais no final dos dois primeiros ciclos (4º e 6º anos) é “uma boa medida porque é reguladora do processo de ensino-aprendizagem”. O facto de ainda

Quatro razões para contestar o aumento de alunos por turma: 1. Dificuldade me prestar apoio individualizado aos alunos 2. Reflexos negativos no processo de aprendizagem 3. Possibilidade de aumentar a indisciplina 4. Diminuição de lugares para docentes

não ter recolhido, junto dos colegas, muitas reações a este anúncio, “poderá significar aceitação e compreensão pela medida”. José Almeida, do agrupamento de Escolas Verde Horizonte, de Mação, também está convicto de que “esta nova valoração será benéfica para a melhoria dos resultados no 1º ciclo”, acrescentando que “muda apenas o nome e a sua importância na avaliação final dos alunos”. No caso do agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, o diretor, Alcino Hermínio, diz que as opiniões se dividem, quando se trata de concordar ou não com os novos exames. Sobretudo porque ainda não é possível aferir “o seu efeito no trabalho dos alunos”. Por isso, remata dizendo que “o tempo dirá qual o seu real impacto”. Apesar de o agrupamento de Escolas D. Miguel de Almeida, em Abrantes, já ter um projeto sobre aferição de aprendizagens que prepara os alunos para este tipo exames, o diretor, Jorge Beirão, prefere aguardar “orientações mais específicas para se fazer uma reflexão mais profunda”. Quanto ao aumento do número de alunos em sala de aula, a reação de Fernando Matos “é de espanto”, até porque “o desejável seria o contrário, para que se pudessem implementar práticas educativas mais

centradas no aluno”. José Almeida acrescenta que “o aumento do número mínimo de alunos por turma tem, forçosamente, reflexos negativos na qualidade das aprendizagens”. Isto porque “o tempo a disponibilizar a cada aluno é, forçosamente, inferior” e “é mais difícil aos professores detetarem as necessidades de cada aluno”. Alcino Hermínio concorda com a dificuldade em se prestar um apoio mais individualizado aos alunos e, por isso, compreende que “junto de pais e professores haja preocupações acrescidas relativamente ao próximo ano lectivo”. No caso da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, o aumento do número de alunos por turma “não terá qualquer efeito, uma vez que, na generalidade, o número de alunos por turma que temos já estava dentro desse padrão”, conforme adianta o diretor. No entanto, Jorge Costa admite que “um número muito elevado de discentes por turma coloque mais dificuldades aos docentes para cumprirem metas de sucesso efetivo e dificulte um ensino que queremos centrado no aluno”. Jorge Beirão reforça a ideia defendida pelos outros diretores e acrescenta a questão da disciplina: “Para além do prejuízo em termos pedagógicos no que respeita ao apoio

individualizado, por exemplo, também o aspeto disciplinar não pode ser descurado, porque pode ser agravado.” Este responsável levanta ainda a questão dos docentes, na medida em que “a perspetiva a redução do número de turmas” terá como consequência a “perda de alguns lugares docentes”. Para além de também contestar o aumento do número de alunos por turma, sobretudo “num contexto em que a diversidade do público escolar é uma constante”, Anabela Grácio, diretora do agrupamento de Escolas de Constância, lembra uma outra mudança proposta pela atual tutela que tem vindo a criar dificuldades aos professores:“As alterações da estrutura curricular retiraram a possibilidade de adequação do cur-

rículo às necessidades de cada turma, o que torna mais difícil construir respostas adequadas às turmas.” Irene Guedes, Escola Profissional Gustave Eiffel (EPGE), do Entroncamento, prefere não se pronunciar de uma forma particular sobre as novas medidas anunciadas: “Não nos cabe julgar nem avaliar as decisões e medidas que têm sido tomadas ao nível político. Os tempos são difíceis e também o Ensino Profissional tem sentido a austeridade.” Esta responsável acrescenta que a EPGE “continua a fazer o seu trabalho com base no mesmo objetivo: a qualificação e formação, de qualidade, de bons alunos e bons profissionais que contribuam para a produtividade e crescimento económico do nosso país”.

Barquinha inaugura projeto inovador na educação e ciência A inauguração do Centro Integrado de Educação e Ciência (CIEC) foi presidida por Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência. O projeto é considerado pioneiro na área da educação e serve toda a população estudantil do concelho. O projeto estava previsto na Carta Educativa em 2006 e passou agora a ser realidade, num complexo moderno que privilegia a investigação científica. Resultado de vários protocolos de cooperação, o CIEC torna-se “num caso único no país de simbiose entre a escola, a comunidade e a ciência”, afirmou Miguel Pombeiro, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha (CMVNB). A obra teve um investimento de cerca de 10 milhões de

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euros que englobaram também a construção do novo centro escolar do 1.º ciclo e a remodelação da escola básica e secundária D. Maria II, numa área de seis hectares. Ao nível das parcerias, a conceção do centro escolar teve o apoio da Universidade de Aveiro (UA) através da consultoria pedagógica no planeamento da escola, supervisionando a construção do projeto educativo concelhio e atividades de formação. O CIEC, projetado pelo arquiteto Aires Mateus, é dedicado à ciência, e tem como público-alvo prefeencial as crianças. Mas também o resto da comunidade o poderá utilizar, nos períodos não letivos. Manuel Assunção, reitor da UA, congratulou-se com o re-

sultado do projeto, nomeadamente com a parceria da UA com o município barquinhense. “O início da colaboração com a CMVNB remonta já a 2007. Cada vez mais câmaras apostam no futuro, como é este o caso. É fundamental pôr a importância do conhecimento no imaginário da nossa população, das nossas crianças e jovens”. Sobre a importância da partilha de conhecimento, adiantou

que “a UA confere muita importância à colaboração com a sociedade, nomeadamente na divulgação da ciência e aplicação do conhecimento que desenvolve”. Já Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência, afirmou ser um “dia feliz”, por se tratar de “uma nova escola, ampla”. Nuno Crato tem reafirmado a importância da ciência na educação dos alunos e, ao presidir à inauguração do

CIEC, voltou a reforçar a ideia. “É preciso dar mais atenção à ciência, mas não só. Também ao português, geografia, matemática, inglês... Estamos na altura de melhorar a educação, maior exigência e qualidade. Queremos um Portugal como grande potência mundial, que tenha uma dimensão muitíssimo maior.” O ministro reforçou esta ideia contando um encontro que nesse mesmo dia tinha tido com empresários em Abrantes. “Almocei com empresários, a convite da presidente da Câmara de Abrantes. Eles investiram 800 milhões na região, mas queixam-se de falta de recursos humanos qualificados. Nós precisamos de mais técnicos.” Miguel Pombeiro, presidente da CMVNB, por seu lado,

detalhou as muitas alterações que as obras trouxeram tanto ao espaço como à qualidade da educação no concelho e elogiou as parcerias e o trabalho dos professores. Apesar da inauguração dos equipamentos, o autarca disse que “falta ainda o pavilhão desportivo, que está em condições muito más”. E acrescentou: “Esperamos poder começar ainda durante o verão.” Durante a cerimónia foi assinado um protocolo entre a Agência Ciência Viva, Agrupamento de Escolas, Município de Vila Nova da Barquinha e Universidade de Aveiro, para a integração da Escola do 1º CEB de Vila Nova da Barquinha na Rede de Escolas Ciência Viva. Ricardo Alves


ESPECIAL EDUCAÇÃO 15

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Escolas da região com inúmeros projetos Quando, no passado dia 17 de abril, esteve em Abrantes, o ministro da Educação salientou a importância dos prémios atribuídos aos alunos.

Na Escola D. Miguel de Almeida, Nuno Crato entregou diplomas aos melhores alunos em diferentes áreas, desde a escrita até à ciência. Foi com especial entusiasmo que o ministro deu os parabéns aos jovens premiados. O “Quadro de Valor e Mérito” é apenas uma das facetas deste agrupamento, que tem vindo a desenvolver um vasto conjunto de projetos, muitos deles com o envolvimento dos encarregados de educação e caracterizando-se por uma abertura do agrupamento à comunidade. São exemplo disso o “Jornal Arca de Noé”, um dos jornais escolares mais antigos do país, e o projeto “Adolescer”, em parceria com a Associação Vidas Cruzadas. Da lista constam, entre outros, “ Educação Para a Saúde”, “Aferição das Aprendizagens”; “Igualdade de Género e Não Discriminação em Abrantes”, “Clube dos Cientistas”, “Plano de Ação da Matemática” e “Plano Nacional de Leitura”.

No agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, o diretor destaca três projetos. Um chama-se “Matemática Elementar”e “pretende recuperar os conteúdos básicos que hipotecam aprendizagens futuras”. O projeto “ Aluno 100%” permite reconhecer e premiar os alunos em três áreas fundamentais: aproveitamento, comportamento e assiduidade. Com este projeto foi possível diminuir o absentismo e a indisciplina e, consequentemente, aumentar o sucesso escolar. A Educação para o empreendedorismo é outra dimensão à qual o agrupamento dedica especial atenção. Graças a este trabalho, no último ano, o Nersant considerou que a melhor ideia empresarial do distrito de Santarém pertence a alunos do agrupamento. Um dos princípios orientadores da Escola Profissional Gustave Eiffel é “a abertura à comunidade envolvente”. Por isso, para além dos profissionais que forma e insere no mercado de trabalho, promovendo mão-deobra qualificada, esta instituição de ensino organiza diversas iniciativas abertas ao público em geral, onde são abordados temas tão diversifi-

Estimular o mérito, ajudar os que têm mais dificuldades, promover valores e envolver a comunidade são alguns dos objetivos das atividades cados como o voluntariado, a parentalidade, as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, a Reabilitação Urbana, o Teatro, a Música, as Necessidades Educativas Especiais. “A comunidade dá sentido à nossa existência: é ela que nos acolhe, que acolhe os nossos alunos e que contribui para que a nossa missão seja cumprida na íntegra. Por isso, nunca esquecemos de retribuir à nossa comunidade aquilo que ela nos oferece e proporciona.”

Também num relacionamento próximo com a comunidade, o agrupamento de Escolas de Constância tem vindo a realizar as Pomonas Camonianas e outro tipos de trabalho, como o que é posto em prática pelo grupo de ginástica e ritmos. Ao nível pedagógico, Anabela Grácio destaca a reorganização da lecionação das disciplinas de Inglês, Língua Portuguesa e Matemática por nichos de aprendizagem. “Embora não concordemos com a cons-

tituição de turmas de nível, estamos há dois anos a lecionar estas disciplinas de uma forma diferenciada, permitindo que os alunos vão progredindo ao seu ritmo, construindo as suas aprendizagens de acordo com as suas reais progressões.” Também o agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes desenvolve um vasto conjunto de iniciativas. A quantidade e diversidade faz com que o diretor sugira uma consulta do sítio do agrupamento na internet, onde essas atividades vão sendo divulgadas. São atividades “pensadas e concretizadas para todos os níveis, mas também para a comunidade abrantina”. No caso da Dr. Solano de Abreu, o diretor destaca “todos os projetos que têm sido levados a cabo por várias equipas de professores da escola” que se têm revelado “muito importantes para a construção de uma escola melhor”. Finalmente, o diretor do agrupamento de Escolas do Sardoal salienta a “aposta num ensino com rigor e qualidade, centrado nas crianças e nos alunos, aberto para a comunidade e dominado pelo conhecimento e cultura”.

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16 ESPECIAL EDUCAÇÃO

MAIO2012

CRIAÇÃO DE MEGA AGRUPAMENTOS

“São os critérios económicos a sobrepor-se aos critérios pedagógicos” A generalidade dos diretores de agrupamentos ou escolas que participaram neste inquérito vê com preocupação a criação de megaagrupamentos.

José Almeida, de Mação, questiona a eficácia da medida: “Tenho muitas dúvidas que consigamos manter a qualidade de ensino. Perde-se a gestão de proximidade, o contacto pessoal dos responsáveis com os professores, alunos e funcionários. A celeridade na resolução de problemas também ficará comprometida. São os critérios económicos a sobrepor-se aos critérios pedagógicos.” Anabela Grácio, de Constância, diz que não conhece qualquer estudo que comprove que, “mesmo a nível económico, este movimento trará evidentes benefícios que contrabalancem os pesados encargos sociais destas ‘aglomerações’”. Por isso, discorda “completamente” da criação de mega-agrupamentos, tanto na forma como os processos estão a ser conduzidos, “como nos

• O agrupamento D. Miguel de Almeida já passou por três fusões profundos constrangimentos que estas novas organizações trarão ao desenvolvimento do trabalho das/ nas escolas”. Fernando Matos, do Sardoal, também é contra a criação de mega agrupamentos, “na medida em que a formação de estruturas educativas de grande dimensão e dispersas geograficamente vai implicar uma desumanização da intervenção educativa das escolas”. Na mesma linha de pensamento, Alcino Hermínio,

da Dr. Manuel Fernandes, lembra que “a criação de grandes organizações escolares comporta um elevado risco de afetar seriamente a comunicação entre todos os intervenientes no processo educativo, o trabalho colaborativo e a articulação vertical e horizontal, fundamentais no trabalho docente, e ainda a ligação escola-família”. É também com preocupação que Jorge Costa, da Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, receando que se per-

ca alguma da identidade daquele estabelecimento de ensino, assimo como o seu espírito de grupo. No entanto, reconhecendo que o caminho dos mega agrupamentos pare-

Perante o inevitável, “olhar para os aspetos positivos”

ce ser inevitável, este responsável prefere “olhar para os aspetos positivos, nomeadamente uma maior interligação entre ciclos, que bem desenvolvida, poderá promover o sucesso educativo”. O diretor da D. Miguel de Almeida, Jorge Beirão, tem a perceção de que “existe nestas atuais propostas um défice de princípios e critérios claros e objetivos”. Mesmo admitindo que a criação de mega-agrupamentos através das atuais agregações tenha “preocupações de proximidade, de relação pedagógica e de gestão”, Jorge Beirão defende que esta estratégia significará “grandes constrangimentos nestas instituições escolares, se tiverem um número exagerado de alunos, de docentes, de funcionários e grandes áreas geográficas”. E este diretor pronuncia-se com conhecimento de causa: “Para além do agrupamento que gerimos ser já há alguns anos um mega-agrupamento, já fomos sujeitos a três fusões (agregações no termo atual), com dois agrupamentos verticais e um horizontal”.

“Com melhores instalações temos melhores alunos e até melhores professores” A propósito da requalificação do parque escolar, Alcino Hermínio, diretor da Dr. Manuel Fernandes, responde com uma pergunta: “Quem não gosta de ensinar e aprender num espaço novo, limpo e agradável?” É precisamente nesta questão, aparentemente simples, que se centra o tema das instalações. Um espaço adequado pode contribuir para melhores resultados, quanto mais não seja pelo aspeto da motivação.

“Quem não gosta de ensinar e aprender num espaço novo, limpo e agradável?” A primeira fase das obras de requalificação da escola sede daquele agrupamento está a terminar, tendo

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sido a segunda fase suspensa até janeiro, de acordo com as informações divulgadas pela presidente da Câmara, no dia em que o ministro da Educação esteve em Abrantes. Enquanto espera que a obra prossiga, Alcino Hermínio deixa uma certeza: “A melhoria das condições ao nível das instalações e equipamentos é sempre uma mais valia pois funciona como um fator de estímulo para alunos e professores”. Com a ‘sua’ obra já terminada e inaugurada, Jorge Beirão, da D. Miguel de Almeida, lembra que a intervenção feita naquele espaço “veio ao encontro das políticas atuais de reorganização das instituições escolares, permitindo a promoção da utilização partilhada de recursos, uma gestão mais eficiente e contribuindo com as novas infraestruturas para a criação de um espírito comum”. Este professor defende que “os espaços que são disponibilizados pela escola, tanto aos alunos como ao corpo docente e não docente, têm repercussões

• Escola Dr. Manuel Fernandes está em obras no seu desempenho, sendo muitas as opções que a escola pode tomar de modo a tornar o espaço num reflexo do seu projeto educativo”. Quem também não tem dúvidas de que “a melhoria das condições físicas da escola, aliada a práticas docentes corretas, favorece o processo ensino/aprendizagem” é Jorge Costa, diretor da Dr. Solano de Abreu. Dito isto, importa frisar que antes das obras esta escola “já se encontrava bastante degradada, com sa-

las muito frias e equipamentos obsoletos”. Em situação idêntica estava o parque escolar de Constância. Por isso, Anabela Grácio garante que as obras de requalificação trouxeram “um novo mundo de possibilidades” aos mais diversos níveis. “Os antigos edifícios já não conseguiam responder aos novos desafios e necessidades com que as escolas se confrontam atualmente, nomeadamente as novas áreas do saber que é necessário explorar, a necessidade

de as famílias terem as crianças e jovens mais tempo no espaço escolar, as maiores exigências do ponto de vista da segurança, entre outros”. Embora reconhecendo a importância da requalificação/manutenção do parque escolar, Fernando Matos, do Sardoal, considera que “tem de haver critérios na execução das intervenções de forma a não comprometer o equilíbrio e igualdade de oportunidades entre as comunidades educativas”. O diretor adianta que “escolas como aquelas que integram o parque escolar do concelho de Sardoal necessitam de ser requalificadas”. No fundo, trata-se de reivindicar condições iguais. Por outro lado, Fernando Matos lembra que “as tecnologias de apoio à prática educativa e os recursos didáticos evoluíram sem que as instalações escolares o tenham feito”. E o risco que se corre é o da degradação desse mesmo equipamento, “em consequência da taxa e natureza da sua utilização”.


ESPECIAL EDUCAÇÃO 17

Foto de Persio Basso

MAIO2012

Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, Abrantes

Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, Abrantes

Número de alunos

Número de alunos

Pré-escolar 1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário

186 552 322 338 210

Formação Além do ensino regular, desde o pré-escolar ao 12º ano, que tem permitido o prosseguimento de estudos no ensino superior, destaca-se a qualidade do ensino profissional que assegura o funcionamento de dois cursos: Técnico de Energias Renováveis e Técnico de Apoio à Infância, sendo que o primeiro tem contado com a colaboração de múltiplas empresas da região que têm vindo a assegurar os estágios e a contratar alguns dos alunos.

Agrupamento de Escolas D. Miguel de Almeida, Abrantes Número de alunos Pré-escolar 1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico

313 665 352 323

Formação Para além do ensino regular, existem duas Unidades de Ensino Estruturado (uma para o 1º Ciclo e outra para o 2º e 3º ciclos, com seis e sete alunos, respetivamente), um CEF (Curso de Educação e Formação – Tipo 2) de Eletricidade com 19 alunos, um PPE (Curso de Português Para Falantes de Outras Línguas) com 18 alunos e um Curso de Aquisição de Competências Básicas com 15 alunos.

3º ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário CEF EFA Candidatos a RVCC

Número de alunos 285 691 11 13 304

Formação A Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, para além dos cursos do ensino regular, oferece, também, Cursos de Educação e Formação (CEF), Cursos Profissionais, Educação e Formação de Adultos (EFA) e Certificação em RVCC. Atualmente, o Centro de Novas Oportunidades desta escola é o único a funcionar na região de Abrantes, continuando a desenvolver a sua atividade quer encaminhando os candidatos para formação específica, quer reconhecendo as competências profissionais ao nível do 9º e do 12º anos de escolaridade.

Agrupamento de Escolas do Sardoal Número de alunos Pré-escolar 1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário

mas de educação-formação de adultos de nível secundário, para além de ofertas para adultos no âmbito das formações modelares certificadas de Inglês e de Informática.

Agrupamento Verde Horizonte, Mação

97 150 95 153 117

Formação Além do ensino regular, este agrupamento tem a seguinte oferta: no ensino básico, turmas de percursos curriculares alternativos e turmas de cursos de educação e formação; ao nível do ensino secundário, a oferta passa pelo funcionamento de cursos profissionais em áreas de interesse dos alunos e com inserção na vida ativa.

Pré-escolar 1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário

100 130 120 220 230

Escola Profissional Gustave Eiffel (EPGE), Entroncamento

Formação Para além do ensino regular, existem mais três tipos de formação: Cursos de Educação e Formação de Jovens (CEF) de Mecânico de Automóveis Ligeiros e Serviço de Mesa e Bar; Cursos Profissionais (Marketing, Higiene e Segurança no Trabalho, Reparação de Equipamentos Informáticos e Animação Social) e Cursos de Formação de Adultos – EFA.

Agrupamento de Escolas de Constância Número de alunos Pré-escolar 1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo e Secundário Educação de Adultos

140 200 150 180 50

Formação No ensino regular incluem-se duas turmas de ensino articulado da música, que se têm revelado verdadeiros casos de sucesso. Para além disso, há o Percurso Curricular Alternativo de 5º Ano, com turmas de educação-formação tipo II (Cozinha e Eletricidade), e de ensino secundário profissional (uma turma de restauração–restaurante/bar e uma turma de restauração –cozinha/pastelaria), assim como uma turma de técnico de gestão de equipamentos informáticos. Além desta oferta para jovens estão, ainda, em funcionamento tur-

Número de alunos A EFGE tem em funcionamento 16 turmas, num total de 247 alunos distribuídos pelos seguintes cursos: Curso Profissional de Técnico de Gestão de Equipamentos Informáticos; Curso Profissional de Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho e Ambiente; Curso Profissional de Técnico de Proteção Civil; Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância; Curso Profissional de Técnico de Construção Civil – Topografia; Curso Profissional de Técnico de Mecatrónica; Curso Profissional de Técnico de Energias Renováveis; Curso Profissional de Técnico de Comunicação – Marketing, Relações Públicas e Publicidade; Curso de Instalação e Reparação de Computadores – Tipo 2; Curso de Práticas Administrativas – Tipo 2; Curso de Práticas Técnico Comerciais – Tipo 3. Formação A EPGE tem também em funcionamento modalidades de educação e formação destinadas à população adulta da região, como os cursos de Educação e Formação de Adultos e as Formações Modulares Certificadas, bem como o CQA (Centro de Qualificação de Activos) e o Centro Novas Oportunidades, serviços através dos quais centenas de adultos têm melhorado as suas qualificações profissionais e habilitações académicas. A curto prazo esta Escola Profissional terá oferta formativa ao nível dos CET – Cursos de Especialização Tecnológica, que conferem uma qualificação profissional pós-secundária, de nível 5.

D. MIGUEL DE ALMEIDA

Escola está pronta a servir a comunidade escolar A Escola D. Miguel de Almeida foi inaugurada. Novas valências e um complexo totalmente requalificado foi o que Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência, pôde encontrar no passado dia 17 de abril, em Abrantes. Dois anos de requalificação, com aulas a decorrer ao mesmo tempo, não foi tarefa fácil, reconhece Jorge Beirão, diretor da escola. “Hoje o sentimento que se vive é de grande emoção e de dever cumprido. Dois anos com aulas para 700 alunos

e obras a decorrer foi complicado, mas agora é um objetivo concluído”, disse o diretor ao JA à margem da cerimónia. A intervenção foi feita pela empresa Tecnorém, sob a responsabilidade da Câmara Municipal de Abrantes (CMA), que assinou um protocolo com a Direcção Regional da Educação. Esta é uma obra que inicialmente estava prevista para “2 milhões de euros passou a cerca de 4 milhões”, referiu Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA. A autarca carateri-

zou o equipamento como uma escola capaz de servir a comunidade escolar e civil e “que vai permitir uma educação de excelência”. Nuno Crato, que foi convidado a entregar prémios que distinguiram os alunos da D. Miguel de Almeida em diversas áreas, disse ao JA que este é o exemplo de um bom investimento. “Gostei imenso de visitar esta escola pelo seu espaço físico, pela valorização que esta faz às diferentes disciplinas, onde há um empenho bem visível de

toda a comunidade docente e não docente. Um bom investimento que gostaríamos de aplicar a todas as escolas no país.” A Escola D. Miguel de Almeida sofreu uma profunda requalificação e ganhou novas valências: um auditório, 14 salas de aulas, quatro laboratórios de ciência, quatro salas de educação visual e tecnológica, quatro salas dedicadas à informática, duas salas de música, uma biblioteca, um polidesportivo e um pavilhão gimnodesportivo. JMC

Nuno Crato. “Um bom investimento que gostaríamos de aplicar a outras escolas do país”

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18 SAÚDE

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SAÚDE É ...

Secção da responsabilidade da Unidade de Saúde Pública do ACES do Zêzere

Qualidade do ar interior e saúde pública As preocupações associadas aos efeitos da qualidade do ar na saúde pública têm geralmente em conta a poluição atmosférica, no exterior dos edifícios, contudo tem aumentado a preocupação com a qualidade do ar nos espaços interiores, uma vez que, a grande maioria das pessoas passa cerca de 90% do seu tempo em ambientes interiores. Uma boa qualidade do ar interior é tida como um dos parâmetros que mais contribui para a produtividade, conforto, saúde e bem-estar. Pode ser influenciada pelo desenvolvimento de microrganismos, produtos de limpeza, materiais e equipamentos poluentes, número de ocupantes e a deficiente

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ventilação e renovação do ar. A qualidade do ar consiste, na concentração de poluentes existente (como dióxido carbono, monóxido carbono, partículas, entre outros), e no nível de conforto térmico (temperatura, humidade relativa e velocidade do ar). Mas a qualidade do ar, não é percecionada por todas as pessoas da mesma forma. Como fontes responsáveis pela degradação da qualidade do ar interior poderemos referir: mobiliário, materiais de construção (ex: vernizes, tintas, espumas de isolamento), produtos de limpeza, sistemas de aquecimento, ventilação, sistemas de ar condicionado, seres humanos (suores, ar expirado), emissão

de diversos gases e humidade relativa elevada, favorecendo a formação de bolores. A realização de estudos em vários edifícios tem demonstrado que os ocupantes de edifícios com ar interior contaminado apresentam muitas vezes sintomas de apatia ou cansaço, dores de cabeça, tonturas, vómitos, irritação das mucosas, sensibilidade a odores, irritação dos olhos e/ ou garganta, congestão nasal, dificuldade de concentração, indisposições físicas e psicológicas, etc. Para reduzir possíveis riscos para a saúde dos ocupantes é necessário implementar algumas medidas preventivas/ correctivas como por exemplo: ajustar os níveis de ven-

tilação à intensidade de utilização; reorganização interior dos espaços; dispositivos que permitam uma abertura controlada das janelas; promover a ventilação do edifício em períodos de baixa ocupação; se possível, assegurar a limpeza do edifício ao fim da tarde, seguida de intensa ventilação; instalar filtros adequados para controlar a entrada de partículas e substitui-los regularmente e alteração de produtos de limpeza se necessário. A Qualidade do Ar Interior deve, assim, ser avaliada periódica e sistematicamente, com o objetivo de garantir níveis mínimos de qualidade. Elsa Duarte Curado Licenciada em Saúde Ambiental


EDUCAÇÃO 19

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Formação no Tramagal

Crato assiste à apresentação do LINE, laboratório •da Nuno ESTA/IPT com ligação às empresas

ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE ABRANTES

O Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família do Agrupamento Escolar de Tramagal vai realizar o IV Encontro do GAAF, no dia 3 de maio de 2012, na Sociedade Artística Tramagalense. O tema geral do IV Encontro é “Aposta +” e pretendese que seja uma aposta positiva no contexto socioeconómico atual. À semelhança dos anos anteriores, o encontro destina-se, entre outros técnicos, a psicólogos, assistentes sociais, professores, pais e encarregados de educação, assim como a toda a comunidade em geral. Cátia Peres de Matos, Carmen Ludovino, Paulo Sargento e Nuno Colaço são os oradores. As inscrições estão abertas até 30 de abril.

Conferência sobre Gestão do Território As 7ª Jornadas de Gestão do Território e as 2ª Jornadas Técnicas dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) decorrem no Instituto Politécnico de Tomar, entre 28 e 29 de maio. O evento pretende ser “o palco onde se possam discutir e debater todas as questões relacionadas com o papel que os SIG desempenham e terão que desempenhar, para uma gestão e

monitorização eficaz do território intermunicipal”. A organização do encontro pretende que, através do debate, “se possa responder de uma forma efetiva e responsável a imperativos legais”. Entre outros aspetos, evidencia-se o papel reforçado com que as comunidades intermunicipais aparecem no Documento Verde da Reforma da Administração Local (DVRAL).

ESTA estabelece protocolo com as empresas da região Na presença do ministro da Educação, Nuno Crato, a ESTA, escola do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), assinou um protocolo de colaboração com as principais empresas da região. O documento foi também assinado pela Nersant e pela Câmara Municipal de Abrantes, que funcionou como elo de ligação entre o ensino superior e os empresários. Nuno Crato lembrou que “estamos a passar por tempos difíceis, mas vamos conseguir”, sobretudo se usarmos como ‘armas’ o conhecimento e o trabalho. E a propósito do protocolo, que reúne, precisamente, essas duas ‘armas’, o ministro deixou elogios pela capacidade de antecipação: “Não precisaram de uma diretiva, fizeram por vós porque sabem que isto é decisivo para o futuro do país”. Na cerimónia, em que também foi apresentado o Manual de Competências da ESTA, Luís Ferreira, diretor da instituição, deu a conhecer a todos os empresários presentes os diversos cursos e as áreas em que a ESTA está apta a fazer prestação de serviços ao exterior. Um dos exemplos que foi apresentado foi o LINE, laboratório da ESTA/ IPT que tem vindo a resolver problemas concretos das empresas. Já Eugénio de Almeida, presidente do IPT, realçou a importância de os alunos e os professores se envolverem mais com o setor empresarial. “Este é o momento de firmarmos a importância da ESTA para o desenvolvimento económico e social da região, que está em risco de desertificação. Vivemos num mundo em que o facto da mudança está intrínseco. Contudo, para mudar-

mos para melhor é necessário haver estas estruturas como os politécnicos que dão escala às regiões e às autarquias, e contribuem para a reconstrução do tecido empresarial, para a criação de emprego sustentável para a mobilização de recursos para projetos não evidentes”. Por sua vez, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal, referiu que a ESTA é uma aposta do município e que a sua mudança para o edifício Milho está prevista para o início do próximo ano letivo. Sobre o protocolo e tudo que ele significa, a autarca disse estar convicta de que “este é o caminho para termos uma boa colheita na nossa seara”. A ESTA reúne o curso de Comunicação Social, Engenharia Mecânica, Tecnologias de Informação e Comunicação, Vídeo e Cinema Documental, mestrado em Informação na Saúde e Manutenção Técnica de Edifícios, pós-graduações em Gestão de Informação para a Saúde e Produção Industrial. Quanto aos cursos de Especialização Tecnológica, são diversos e vão desde a área da eletrónica às tecnologias de informação e à multimédia. A cerimónia de protocolo decorreu no passado dia 17 de Abril, nas instalações do Tecnopólo do Vale do Tejo. Entre as empresas que assinaram o documento estão a Tejo Energia, a Foundation Brakes Portugal, as Fundições do Rossio de Abrantes, a Mistsubishi Fuso Truck Europe, a Momsteellpor, a Sociedade Metalúrgica Anti–Corrosão, a Sofalca, a TRM - Tratamento e Revestimento de Metais e a Vítor Guedes. JMC

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20 CULTURA

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Constância celebra mês das Coletividades e do Associativismo

Paulo de Carvalho revisita 50 anos de carreira em Abrantes Paulo de Carvalho, que celebra 50 anos de carreira, vai apresentar o seu reportório musical em Abrantes, num espetáculo que se realiza no Cine-Teatro S. Pedro, no dia 4 de maio, às 21h30. Em palco, o cantor e compositor vai revisitar os grandes temas do seu percurso musical com “E Depois do Adeus”, tema marcante para a revolução de Abril de 1974, “Gostava dos Vos Ver Aqui”, “Nini dos Meus Quinze Anos”, “Dez Anos”, “Prelúdio (Mãe Negra)”, “Os Meninos de Huambo” ou “O Cacilheiro”, entre outros. Paulo de Carvalho celebrizou-se ao longo destes

anos não só como músico, que cruza estilos que vão do fado ao jazz ou da música ligeira aos ritmos africanos, mas também como autor, dando ritmo e emprestando a sua voz a poemas de Ary dos Santos, José Niza, Fernando Assis Pacheco ou Joaquim Pessoa. Nesta digressão “50 Anos”, Paulo de Carvalho é acompanhado por Victor Zamora (piano), Tiago Oliveira (guitarra), Leo Espinoza (baixo), Ruca Rebordão (percussão) e Marcelo Araújo (bateria). Os bilhetes custam 10 euros e já estão à venda no Posto de Turismo de Abrantes.

“Máquina de Mil Botões” no Centro Cultural de Sardoal O Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, recebe a Companhia de Teatro Poucaterra para representar a peça “Máquina de Mil Botões”, dia 26 de maio, às 21h30. Esta Companhia de teatro do Entroncamento vai apresentar a peça da autoria de João Ricardo Aguiar, que encena e também representa a par com Maria de Jesus Rocha. “Máquina de Mil Botões “é uma estória de amor que é capaz de nos transformar completamente para nos podermos apaixonar várias vezes pela mesma pessoa… como se fosse a primeira vez.” O preço do bilhete é de 5 euros e a bilheteira do Centro Cultural funciona entre 22 e 26 de maio, entre as 16h e as 18 horas ou 45 minutos antes do início do espetáculo.

Em Constância maio é o mês das Coletividades e do Associativismo celebrado com os “Jogos Concelhios”. De 5 a 27 de maio são sete as Coletividades que recebem nas suas sedes várias actividades como os jogos tradicionais, danças de Salão, concurso musical, Chinquilho e Gincana, Sueca e Ténis de Mesa. O Clube Estrela Verde recebe na sua sede um torneio de Matraquilhos, no dia 5 de maio, às 14h30. A 6 de maio é a vez da Sociedade Recreativa Portelense realizar torneios de Ténis de Mesa e Sueca, às 14h30 e no dia 11do mesmo mês haverá um workshop de Danças de Salão, às 21h30, na sede da Associação Cultural e Desportiva Aldeiense. A 25 de maio os “Quatro Cantos do Cisne” organiza um Raid Noturno, às 22 horas, na Escola da Portela. A música é celebrada nos dois últimos dias do evento, a 26 e 27 de maio. A Associação Filarmónica Montalvense 24 de ja-

AGENDA DO MÊS

Abrantes

neiro leva a efeito um concurso musical, às 15 horas na Quinta D. Maria, em Montalvo e a festa de encerramento, que terá lugar no Parque ambiental de Santa Margarida, contará com a animação do Grupo Cultural “Emoções” de Malpique e do Rancho Folclórico “Os Camponeses”, também de Malpique. Para poder participar nas actividades terá de se inscrever na coletividade que realiza a atividade que pretende.

Barquinha

Até 5 de maio – Exposição de desenho e pintura dos alunos do Atelier do Município de Vila Nova da Barquinha – Centro Cultural, de Segunda a Sexta-feira, das 14h às 17h30 e Sábados das 15h às 18h

VI Mostra de Teatro de Abrantes Pelo sexto ano consecutivo, o Grupo de Teatro Palha de Abrantes organiza a Mostra de Teatro, que decorre a 5 e 12 de maio pelo concelho de Abrantes. O Cine-Teatro S. Pedro recebe a peça de abertura “Raul, Rei, Doido, Brandão”, dia 5 de maio, pelas 21h30. Com colagem de textos de Raul Brandão, esta peça vai ser representada por membros do grupo Palha de Abrantes e tem a encenação de Helena Bandos. Das cinco peças que fazem parte do programa, quatro vão ser realizadas em freguesias diferentes do concelho de Abrantes, no dia 12 de maio, às 21h30. A Casa do Povo de S. Miguel do Rio Torto recebe o teatro “Um Pedido de Casamento e o Urso”, pelo Grupo de Teatro Sobre Tábuas, de Benavente, enquanto “A Sala de Espera” é representada pelo

Até 4 de maio – Exposição de pintura e cerâmica de Fernando D´F. Pereira e Ricardo Casimiro – Galeria de Arte Até 15 de maio – Exposição “O Azulejo em Abrantes – Um Percurso de 5 Séculos” – Museu Dom Lopo de Almeida – Castelo de Abrantes 4 de maio a 1 de junho – Exposição “Beleza Natural”, trabalhos realizados pelos alunos da escola de artes Amarte – Biblioteca António Botto30 4 de maio – Concerto de Paulo de Carvalho, 50 Anos de Carreira – Cine-Teatro S. Pedro, às 21h 5 de maio – Tertúlia “Riscos e Rabiscos: A Arte na Préhistória” com Vânia Carvalho 5 a 12 de maio – VI Mostra de Teatro do Grupo de Teatro Palha de Abrantes 11 de maio a 3 de junho – Exposição “A Arte da Animação” – Galeria de Arte 14 de maio – Encontro com Pedro Seromenho – Biblioteca António Botto, às 18h 14 a 19 de maio - ANIMAIO – Cine-Teatro S. Pedro 20 de maio – Concerto com a Banda Filarmónica Mourisquense – Sociedade Instrução Musical Rossiense, às 16h 21 de maio a 1 de junho – Exposição de Pintura e Artes decorativas da UTIA – Biblioteca António Botto 23 de maio – IV Gala Comic Award, pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes – Cine-Teatro São Pedro, às 21h 25 de maio – Conferências do Liceu “A História: para que serve o tempo de crise”, com Eduardo Catroga – Edifício da Assembleia Municipal, às 21h12 Cinema, Espalhafitas, Cine-Teatro S. Pedro, às 21h30: 2 de maio – “O Artista” 5 de maio – “Rango” (11h) 9 de maio – “Um Filme Português” 16 de maio – “A Invenção de Hugo” 30 de maio – “Os Descendentes”

Constância

Até 6 de maio – Exposição “Tejo Sentido”, fotografia de fotógrafos amadores do Ribatejo – Posto de Turismo 2 a 31 de maio – Mostra bio-bibliográfica sobre J. R. R. Tolkien – Biblioteca Alexandre O´Neill, das 10h às 18h30 5 a 27 de maio – Jogos Concelhios - Mês das Coletividades e do Associativismo – Vários locais do concelho de Constância 12 de maio a 3 de junho – Exposição de Tampos e de Cadeiras em trapilhos, por Luís Sirgado – Posto de Turismo – Segunda-feira a Sábado das 9h às 18h, Domingos e feriados, das 11h às 13h e das 14h às 18h 19 e 20 de maio – Festa da Primavera DVDteca à sexta, Biblioteca Alexandre O´Neill, às 15h: 4 de maio – “O Estranho” 11 de maio - “Os Robonsons” 18 de maio – “Desclassificado” 25 de março – “O Rei Leão”

Grupo de Teatro de Tomar Espaço Zero, na Casa do Povo de Rio de Moinhos. Já o Centro Social e Paroquial de Vale das Mós acolhe “O Pimpão”, pelo Grupo de Teatro O Cidral, de Alter do Chão e na Casa do Povo de São Facundo é representada a peça “Memónica”, pelo Grupo de Teatro Opsis em Metamorphose, de Cabeção.

Mação

26 de maio – Feiras de Artesanato – Largo dos Bombeiros, 10h às 19h

Sardoal

26 de maio – Teatro “Máquina de Mil Botões”, pela Companhia de Teatro Poucaterra, do Entroncamento – Centro Cultural Gil Vicente, às 21h30 Cinema, Centro Cultural Gil Vicente, às 16h e 21h30: 5 de maio – “Moneyball” 19 de maio – “Os Marretas”

José Figueiredo Advogado Pós-Graduado em Direito Fiscal das Empresas Pós-Graduado em Fiscalidade

Áreas de Actividade Direito Fiscal | Direito Administrativo | Direito Comercial | Direito da Insolvência Av. Combatentes da Grande Guerra, 43 - 2.º C 2400-123 Leiria - Portugal Tel.: 244 823 755 • Fax: 244 813 522 josefigueiredo-1985c@adv.oa.pt • www.josefigueiredoadvogado.com

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CULTURA 21

MAIO2012

AS CARAS DA RÁDIO

Disco comemorativo dos 25 anos da Quinta do Bill A banda Quinta do Bill está a comemorar 25 anos de carreira. Para assinalar a data, lançou um CD com baladas, incluindo dois originais: “D’Alma” e “No silêncio do teu olhar”, com letra de Pedro Malaquias. Carlos Moisés, o vocalista da banda de Tomar compôs estes dois temas propositadamente para este novo trabalho. Este lado mais intimista da Quinta do Bill é apenas uma das facetas da banda, que se divide entre “a magia da folk e a garra do rock”. As bodas de prata marcam uma carreira que teve como reta de lança-

mento um concurso televisivo que deu direito a gravar o primeiro disco. Os temas dos vários álbuns que lançaram percorreram gerações . O incontornável “Filhos da Nação” acabou por ser o tema com mais destaque e mais conhecido. O grupo está em fase de promoção do novo CD, uma “coleção única de clássicos pop editados em Portugal ao longo dos últimos 25 anos”. A próxima época de espetáculos está a ser agendada, aguardandose que a banda volte a marcar presença em todo o tipo de palcos.

No passado dia 14 de Abril o grupo de Amigos Mo•tares de Abrantes, GAMA, aceleraram pelo concelho. Foi o terceiro encontro deste grupo que decorreu na Associação do Paúl e que contou com motares de várias regiões do país em pura animação.

Emissão - Das 22h00 às 24h00 - quarta-feiras “Radar” é o nome do novo espaço de opinião/comentário da Rádio Antena Livre. Estreou no passado dia 25 de Abril e está no ar todas as quartas-feiras, das 22h às 24h, moderado pela jornalista Patrícia Seixas. “Radar” conta com os comentadores residentes José Alves Jana (formador), Vânia Grácio (assistente social) e João Pedro Céu (professor), podendo eventualmente contar também com a presença de comentadores pontuais. Os acontecimentos mais importantes da última semana na região, no país e no mundo estarão em destaque em duas horas de emissão.

Um olhar sobre “A Morte de Danton” O encontro foi às cinco da tarde do dia 21 de abril, à porta da Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes. A visita de estudo era ao Teatro D. Maria II, em Lisboa, para assistir à peça “A Morte de Danton”, encenada por Jorge Silva Melo, que recentemente esteve presente na Conferência do Liceu “Cenografias”. Os ânimos estavam animados e as duas turmas que organizaram as Conferências do Liceu já estavam no autocarro. A viagem foi calma e à chegada ainda houve tempo para passear e apreciar a zona dos Restauradores, onde se encontra o grandioso Teatro D. Maria II. A peça teve início às nove da noite e durou duas horas e meia, com um curto intervalo. Um dos aspetos mais fascinantes e que diferenciam esta peça de outra qualquer é o grande número de atores, 44 ao todo, que estão presentes em palco ao mesmo tempo. A peça proporciona uma mistura de ações e situações diversas, uma constante de movimentos imprevistos. Toda a ação e

movimentação criam um grande envolvimento entre a história e o público. Esta peça é apresentada como uma “peça desequilibrada, insólita, premonitória, desarrumada e desalinhada”. Existem várias cenas de multidão às quais se sucedem as insónias mais íntimas. Os pesadelos e o negro da noite estão constantemente presentes, é uma peça violenta em que a personagem principal é um rapaz fixado na morte. O cenário é a Revolução Francesa e “A morte de Danton” conta a história de um líder das forças antimonárquicas pós-revolucionárias que se encontra em estado de depressão, sem vontade de viver e cansado da vida. “Sabemos tão pouco um do outro. Somos elefantes de pele grossa, estendemos as mãos, mas é uma perda de tempo, roçamos só os nossos couros um contra o outro - estamos muito sós.” Danton revolta-se contra o poder exercido pelos seus correligionários (nomeadamente Robespierre) e tenta parar as medidas que trazem

tanto sofrimento ao povo. No entanto, o seu cansaço não permite que tenha uma atitude sobre o que se está a passar e só quando é condenado à guilhotina começa a assumir responsabilidade sobre a revolução que ajudou a criar. Uma das frases que mais refletem o idealismo de Danton no decorrer da peça é “prefiro ser guilhotinado a mandar guilhotinar”. Nesta peça a iluminação tem um papel fundamental, é um fazer parecer sem necessidade de mudar todo o cenário. A iluminação consegue fazer com que o público compreenda que a ação está a decorrer noutro lado

sem mudar nada no cenário. Esta é uma obra envolvente em que se pode prever o final. Toda a ação gira em torno da morte, da tristeza e da depressão de Danton. O encenador, Jorge Silva Melo, ficou muito satisfeito com a iniciativa dos alunos de ir assistir à peça e fez questão de os receber depois do final do espetáculo. Após o baixar do pano, os alunos do Liceu ficaram mais um pouco na sala Garrett e o encenador proporcionou-lhes um momento de conversa em que eles tiveram hipótese de fazer perguntas e esclarecer dúvidas sobre todo o enredo. Mafalda Vitória

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Filmes da ESTA selecionados no Panorama Dois trabalhos de alunos do curso de Vídeo e Cinema Documental da ESTA foram selecionados para participar no Festival Panorama. Os filmes escolhidos foram “Pão Nosso” (documentário realizado por Mónica Ferreira e João Luz relativo à Festa dos Tabuleiros de Tomar) e “O Sétimo Andar” (filme de Olga Alfaiate, realizado em Paris, que retrata os momentos e a vida de uma emigrante portuguesa). Para além destes filmes de produção da Escola, foram ainda selecionados dois filmes de alunos do curso: “Uma Nova Página” (de Mónica Ferreira e João Luz) e “Quase Meio Dia” de João Luz. A seleção destas produções é mais um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela ESTA, em particular pela licenciatura em Video e Cinema Documental.

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“Sinais de Alerta” com Fernando Alves Quando chegou à rádio quis ser tudo. E foi. Faz crónicas, mas já fez reportagens, moderou debates e editou noticiários. Jornalista e fundador da TSF, premiado sem nunca ter concorrido a qualquer prémio, Fernando Alves é um dos mais importantes nomes da rádio portuguesa. “Um dia alguém me chamou poeta da rádio e eu fiquei aflito, mas algumas vezes também me emocionei. Há coisas especiais que escapam a qualquer cerimónia, são da hora da pura empatia.” As Conferências do Liceu, organizadas por alunos e professores da Escola Dr. Manuel Fernandes, trouxeram a Abrantes, no passado dia 20 de Abril, Fernando Alves, reconhecido pela sua forma peculiar de fazer rádio. Quase como poesia, os seus comentários no programa “Sinais” fluem com a esperança de se fazerem ouvir por um ou outro ouvinte mais atento. Esperança de que a mensagem fique na memó-

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ria de alguém e que esse alguém tenha curiosidade em investigar e sede de se informar. “Às vezes é a partir de algo particular e original que se apanha o gancho de toda a história”, conta o jornalista, acrescentando, a propósito das suas crónicas: “Chateia-me acabar o programa com uma moral da história”. A conversa desenvolveu-se pelo tema do jornalismo. O convidado fez questão de sublinhar que é preciso ter a noção de que o jornalismo é um ofício duro e trabalhoso em que é preciso ter muita cultura e ler muito. Nunca se pode abdicar da curiosidade, é preciso exercitá-la e fazer dela uma ferramenta, questionando sempre os resultados. Falou ainda da componente relacional que o jornalismo tem. “Esta profissão supõe envolvimento com as pessoas a que nos dirigimos, não há aqui uma redoma de vidro do interior da qual debitamos uns bitaites para desconhecidos a que chama-

mos audiência, mas há pessoas que têm espantos iguais aos nossos, têm medos e certeza semelhantes aos nossos, têm perguntas a fazer.” Um dos temas mais em destaque nesta conversa foi a crítica à banalização da palavra, ao descuido com a língua. “Houve um tempo, antes da palavra se ter degradado, em que poesia e palavra eram um. O uso empobrecido da língua banalizou a palavra e estragou a poesia, contribuiu para o empobrecimento da linguagem.” Os novos meios de comunicação são um dos fatores para esta decomposição linguística, no entanto, Fernando Alves acredita que esta não é a única causa: “Há também uma sobrevalorização da imagem, da ideia espetáculo, ideia de leveza e velocidade, há uma tirania do efémero, uma preguiça no modo de consumir. É inevitável que essa cultura da facilidade se instale no modo como nos relacionamos com

a palavra e com a linguagem, soluções de facilidade também. Se a cultura é de facilidade, as soluções são de facilidade.” O jornalista da TSF referiu ainda que atualmente se tem vindo a acentuar a importância da aparência, que a aparência tem vindo a tomar um lugar de relevo sobre a cultura. Podemos dizer que atualmente se vive numa sociedade de aparências e pouca cultura, onde a aparência é sobrevalorizada e a cultura menosprezada. Fernando Alves refere ainda que o melhor sentimento de reconhecimento não é saberem quem ele é na rua, mas sim ele conseguir deixar a marca nas outras pessoas. “Recebemos prémios formidáveis, sendo para mim os relevantes aqueles que vêm dos ouvintes, do ganho afetivo que os ouvintes nos dão com a preferência que têm em relação ao nosso trabalho”. Mafalda Vitória

MINISTÉRIO DA ECONOMIA E DO EMPREGO DIREÇÃO GERAL DE ENERGIA E GEOLOGIA

CARTÓRIO NOTARIAL. TOMAR Notária - Paula Cristina Viegas Rodrigues Ferreira

AVISO

EXTRACTO Certifico, para efeitos de publicação, que por escritura de Justificação de 09/04/2012, exarada a folhas 139 e seguintes, do Livro de Notas para Escrituras Diversas número 38, deste Cartório, compareceu como outorgante: EUGÉNIA DA CONCEIÇÃO ROSA LOPES, NIF 183.902.610, natural das freguesia de Olalhas, concelho de Tomar, habitualmente residente na Rua Principal, n.º 9 A, Torre, Casais, Tomar, casada sob o regime da comunhão de adquiridos com José Carlos Lopes Serôdio, NIF 107.731.371 e declarou que com exclusão de outrem, é dona e legítima possuidora, dos seguintes prédios rústicos, sitos na freguesia de Fontes, concelho de Abrantes:1Prédio sito em Feteira, composto de pinhal, com a área de 24.600 m2, a confrontar do norte com Idalina do Carmo Rosa e outros, do sul com herdeiros de Joaquim Pedro e outros, do nascente com João Neves e do poente com Rogério Manuel Machado Mendes, inscrito na matriz em nome da justificante sob o artigo 10 secção AE, com o valor patrimonial e atribuído de € 151,66; 2- Prédio sito em Barrancão, composto de pinhal, com a área de 4.000 m2, a confrontar do norte e poente com Manuel Rosa e herdeiros de João António, do sul com estrada e do nascente com Manuel do Carmo Pedro, inscrito na matriz em nome da justificante sob o artigo 74 secção AR, com o valor patrimonial e atribuído de € 24,74; e,3- Prédio sito em Vales, composto de pinhal, com a área de 2.000 m2, a confrontar do norte com Benvinda Francisca Machado, do sul com António Rosa Machado, do nascente com ribeiro e do poente com caminho, inscrito na matriz em nome da justificante sob o artigo 94 secção AR, com o valor patrimonial e atribuído de € 12,49; Todos não descritos na Conservatória do Registo Predial de Abrantes. Que, adquiriu os referidos prédios, no estado de solteira, menor, no inicio de 1977, por doação verbal de seu pai Manuel Rosa, divorciado, então residente em Olalhas, Tomar, após o que, de facto, passou a possuir os aludidos prédios em nome próprio, cultivando-os e plantando árvores, posse que foi exercida, até atingir a maioridade, por sua mãe, Maria José da Conceição Roberto, divorciada, em seu nome, no exercício do poder paternal, e desde então por ela de forma a considerar tais prédios como seus, sem interrupção, intromissão ou oposição de quem quer que fosse, à vista de toda a gente do lugar e de outros circunvizinhos, sempre na convicção de exercer um direito próprio sobre coisa própria. Que, esta posse assim exercida ao longo de 35 anos, se deve reputar de pública, pacífica e contínua. Assim, na falta de melhor título, ela outorgante adquiriu os mencionados prédios para seu património, por usucapião, que aqui invoca, por não lhe ser possível provar pelos meios extrajudiciais normais. Está conforme. Tomar, 09/04/2012 A Colaboradora, (Sílvia Lopes Ferreira) (em Jornal de Abrantes, edição 5495 de Maio de 2012)

Faz-se público, nos termos e para efeitos do n.º 1 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 88/90, de 16 de março e do nº 1 do art.º 1º do Decreto-Lei n.º 181/70, de 28 de abril, que MedGold Resources Ltd, requereu a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de ouro e metais comuns, numa área “Vila de Rei”, localizada nos concelhos de Penela do distrito de Coimbra, Ansião, Alvaiázere e Figueiró dos Vinhos do distrito de Leiria, Ferreira do Zêzere, Abrantes, Sardoal e Tomar do distrito de Santarém, Vila de Rei e Sertã do distrito de Castelo Branco, delimitada pela poligonal cujos vértices se indicam seguidamente, em coordenadas Hayford-Gauss, DATUM 73 (Melriça): Área total do pedido: 322,06 KM2 VÉRTICE

MERIDIANA (m)

PERPENDICULAR (m)

A

- 20608,520

31281,310

B

- 14282,820

31396,340

C

- 8647,200

20585,100

D

- 6807,030

8853,820

E

438,767

1723,030

F

208,770

- 347,206

G

- 3011,580

- 10583,340

H

- 6692,000

- 10468,330

I

- 12902,700

2873,150

J

- 14282.820

17364,770

Convidam-se todos os interessados a apresentar reclamações, ou a manifestarem preferência, nos termos do n.º 4 do artº 13º do Decreto-Lei 90/90, de 16 de março, por escrito com o devido fundamento, no prazo de 30 dias a contar da data do presente Aviso no Diário da República. O pedido está patente para consulta, dentro das horas de expediente, na Direção de Minas e Pedreiras da Direção-Geral de Energia e Geologia, sita na Avª 5 de Outubro, 87-5º Andar, 1069-039 LISBOA, entidade para quem devem ser remetidas as reclamações. O presente aviso e planta de localização estão também disponíveis na página eletrónica desta Direção-Geral. Direção-Geral de Energia e Geologia, em 5 de março de 2012 O subdiretor geral Carlos A.A. Caxaria


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ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SARDOAL

EDITAL Nº 04 / 2012 MIGUEL JORGE ANDRADE PITA MORA ALVES PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SARDOAL FAZ PÚBLICO que, para efeitos do artº 91º da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, na redacção dada pela Lei nº 5-A/2002, de 11 de Janeiro e, dando cumprimento ao artº 16º do Decreto – Lei nº 442/91, de 15 de Novembro, com as alterações introduzidas pela Lei nº 6/96, de 31 de Janeiro, se realiza no próximo dia 27 de abril de 2012, pelas 20 horas, no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, a sessão ordinária da Assembleia Municipal, com a seguinte Ordem de Trabalhos: Período Antes da Ordem do Dia Ordem de Trabalhos 1. Informação do Presidente da Câmara, em cumprimento da alínea e) do n.º 1 do art.º 53º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com a nova redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro; 2. Prestação de Contas 2011;

Eurico Heitor Consciência

ADVOGADOS

João Roboredo Consciência Teresa Roboredo Consciência Rui Roboredo Consciência

ABRANTES: Ed. S. Domingos - Rua de S. Domingos – 336 – 2º A – Apart. 37 Tel. 241 372 831/2/3 – Fax 241 362 645 - 2200-397 ABRANTES LISBOA: Rua Braamcamp – 52 – 9º Esqº Tel. 213 860 963 – 213 862 922 - Fax 213 863 923 - 1250-051 LISBOA E.Mail: consciencia-839c@adv.oa.pt

ABRANTES

Período de Intervenção do Público E para constar, se lavrou o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares públicos de estilo. Paços do Município de Sardoal, 17 de abril de 2012 O Presidente da Assembleia Municipal Miguel Jorge Andrade Pita Mora Alves

Clarisse da Conceição Louro Monteiro N. 26/03/1915 - F. 12/04/2012

Agradecimento Seu filho, nora, netos, na impossibilidade de o fazerem pessoalmente como era seu desejo, vêm por este meio agradecer a todos aqueles que se incorporaram no funeral da sua ente querida ou que de alguma forma manifestaram o seu apoio e carinho neste momento difícil.

ABRANTES

Joaquim Jesus António N. 04-01-1948 - F. 11-04-2012

Agradecimento Sua esposa, filhos, genro e netos na impossibilidade de o fazerem pessoalmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que se interessaram pelo seu estado de saúde durante a sua doença, que o velaram e acompanharam à sua última morada. Agradecem também a toda a equipa Médica da Medicina II, enfermeiros e auxiliares, pela maneira carinhosa que o trataram durante o seu internamento. A todos o nosso profundo reconhecimento.

CENTRO MÉDICO E DE ENFERMAGEM DE ABRANTES Largo de S. João, N.º 1 - Telefones 241 371 566 - 241 371 690

CONSULTAS

POR

ACUPUNCTURA Dr.ª Elisabete Serra ALERGOLOGIA Dr. Mário de Almeida; Dr.ª Cristina Santa Marta CARDIOLOGIA Dr.ª Maria João Carvalho CIRURGIA Dr. Francisco Rufino CLÍNICA GERAL Dr. Pereira Ambrósio - Dr. António Prôa DERMATOLOGIA Dr.ª Maria João Silva GASTROENTERELOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA Dr. Rui Mesquita; Dr.ª Cláudia Sequeira MEDICINA INTERNA Dr. Matoso Ferreira NEFROLOGIA Dr. Mário Silva NEUROCIRURGIA Dr. Armando Lopes NEUROLOGIA Dr.ª Isabel Luzeiro; Dr.ª Amélia Guilherme

MARCAÇÃO

OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA Dr.ª Lígia Ribeiro, Dr. João Pinhel OFTALMOLOGIA Dr. Luís Cardiga ORTOPEDIA Dr. Matos Melo OTORRINOLARINGOLOGIA Dr. João Eloi PNEUMOLOGIA Dr. Carlos Luís Lousada PROV. FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Patricia Gerra PSICOLOGIA Dr.ª Odete Vieira; Dr. Michael Knoch; Dr.ª Maria Conceição Calado PSIQUIATRIA Dr. Carlos Roldão Vieira; Dr.ª Fátima Palma UROLOGIA Dr. Rafael Passarinho NUTRICIONISTA Dr.ª Carla Louro SERVIÇO DE ENFERMAGEM Maria João TERAPEUTA DA FALA Dr.ª Susana Martins

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