Issuu on Google+

ABRIL2012 · Tel. 241 360 170 · Fax 241 360 179 · Av. General Humberto Delgado - Ed.

Mira Rio · Apartado 65 · 2204-909 Abrantes · jornaldeabrantes@lenacomunicacao.pt

GR

AT U

de

jornal abrantes

IT

O

Directora HÁLIA COSTA SANTOS - Editora JOANA MARGARIDA CARVALHO - MENSAL - Nº 5494 - ANO 112 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Semana Santa Sardoal atrai milhares de devotos Em tempos de crise a população de Sardoal e os turistas recorrem à fé. Este ano o programa religioso da Semana Santa é diversificado e conta com a participação das associações e entidades do concelho. Momentos teatrais, exposições e venda de amêndoas são algumas das atracções previstas!

PUB.

Foto de Paulo Sousa

ENTREVISTA

CONSTÂNCIA

SOCIEDADE

Associação de Geminação com novo presidente

Festa do Rio está de regresso

O desemprego na primeira pessoa

José Fernandes, deixa o cargo após quatro mandatos. Mantém-se na equipa de trabalho mas passa o testemunho a José Alves Jana.

Apesar dos cortes previstos para o certame a Festa mantém-se com a tradição dos rios bem presente. Espectáculos musicais, gastronomia, cultura e desporto é o que se espera para três dias de festejo. páginas 8 e 9

São casos de pessoas que vivem uma situação difícil, de desemprego. Jovens e menos jovens que apresentam realidades diferentes, mas desesperos iguais. páginas 4 e 5

página 3


2 ABERTURA FOTO DO MÊS

EDITORIAL

de

jornal abrantes

ABRIL2012

FICHA TÉCNICA Directora Hália Costa Santos (TE-865)

Editora Joana Margarida Carvalho (CP.9319) joana.carvalho@lenacomunicacao.pt

Um novo alento

Sede: Av. General Humberto Delgado – Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes Tel: 241 360 170 Fax: 241 360 179 E-mail: info@lenacomunicacao.pt

Redacção Ricardo Alves (TP.1499) ricardo.alves@antenalivre.pt

Mafalda Vitória Alves Jana André Lopes Paulo Delgado

Publicidade Miguel Ângelo 962 108 785 miguel.angelo@lenacomunicacao.pt

Há coisas difíceis de explicar... Primeiro, que razão é que leva alguém a queimar ecopontos? Alguma espécie de divertimento?! Depois, por que razão é que os restos dos ecopontos queimados permanecem em espaços públicos? Alguma espécie de esquecimento?! São coisas estranhas que o comum cidadão terá dificuldade em perceber.

INQUÉRITO

O que pensa da actividade cultural na região?

Secretariado Isabel Colaço

Design gráfico António Vieira

Impressão Imprejornal, S.A. Rua Rodrigues Faria 103, 1300-501 Lisboa

Editora e proprietária Media On Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes

GERÊNCIA Francisco Santos, Ângela Gil

Dora Maria

Mário Bento

Francisco Catarino

Fadista, Abrantes

Chefe de turno, Abrantes

Segurança, Abrantes

Sempre fui defensora da rotina de cultura. Estabelecer um dia semanal e hora para que qualquer tipo de evento aconteça, proporciona um maior dinamismo cultural numa região. Fideliza o público e movimenta os artistas. Ainda espero que tal aconteça na minha cidade , fazendo saber que na qualidade de fadista podem sempre contar comigo.

Acho que já teve dias melhores, em particular na cidade de Abrantes não se têm evoluído muito nesse sentido. De qualquer forma não posso avaliar negativamente pois, pese embora o facto de falhar muito a divulgação de eventos culturais eles tem existido, alguns mesmo de grande envergadura. O meu conselho a todos: não deixem morrer as colectividades do concelho.

Para ser sincero não tenho andado a acompanhar nada da vida cultural de Abrantes ou da região nos últimos tempos. Não tenho a mínima noção do que tem sido feito nessa área, apesar de achar que, no caso da Câmara de Abrantes, as coisas até são bem divulgadas. Não é que não goste ou não tenha interesse, mas o tempo livre é tão pouco o que faz com que mesmo sem querer deixe isso para último plano.

Como alguém dizia, há uns dias, num programa de televisão, “o que nos vale ainda é termos duas pernas e dois braços”. Embora tenhamos que salvaguardar as devidas excepções, o que se pretende é passar uma mensagem positiva: enquanto tivermos capacidade para trabalhar, não está tudo perdido. E esta é uma ideia forte, que devemos acentuar, porque o país e cada uma das regiões precisam, mais do que nunca, de gente com vontade de trabalhar. Também será precisa muita capacidade de resistência, aliada a um forte sentido de criatividade. O tempo de criticar e de chorar deve dar lugar a um tempo de pôr mãos à obra. E a verdade é que as coisas se continuam a fazer: há espaços novos, há projectos inovadores. Claro que ainda estamos a viver dos últimos dinheiros comunitários, mas são marcos que ficam e que devem servir para um novo alento, qualquer que seja: pedagógico, cultural ou simplesmente porque proporcionam pequenos prazeres, como passear à beira Tejo. Nem tudo é perfeito, não. Temos que nos preparar para tempos piores, temos. Mas vamos aproveitando os pequenos/grandes prazeres da vida, mesmo quando ela é extremamente difícil. Nesta edição damos conta de alguns exemplos de quem está no desemprego, porque esta é uma realidade dura que não queremos ignorar. Mas sabemos que às vezes é preciso bater fundo para voltar a subir. HÁLIA COSTA SANTOS

SUGESTÕES Departamento Financeiro Ângela Gil (Direcção) Catarina Branquinho, Gabriela Alves info@lenacomunicacao.pt

Massimo Esposito, artista plástico e animador cultural

Sistemas Informação Hugo Monteiro dsi@enacomunicacao.pt Tiragem 15.000 exemplares Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo no ICS: 124617 Nº Contribuinte: 505 500 094 Sócios com mais de 10% de capital Sojormedia

jornaldeabrantes

IDADE Nasci no 1957 em Ferrara na Itália RESIDÊNCIA Abrantes PROFISSÃO? Artista plástico e animador cultural

UMA POVOAÇÃO Tamandaré, no Brasil, com uma praia de sonho UM CAFÉ O acolhedor Chave D’Ouro, na Praça Barão Batalha (Abrantes) PRATO PREFERIDO Cappelacci alla ferrarese (massa recheada de abóbora no forno) com molho de carne e muito parmigiano UM RECANTO PARA DESCOBRIR? Águas Formosas UM DISCO The dark side of the moon, dos Pink Floyd, mítico UM FILME 2001 Odisseia no Espaço, de Kubrick

UMA VIAGEM Índia 1980/81 (setes meses de loucuras) UMA FIGURA DA HISTÓRIA Jesus, porque dali em diante tudo mudaria, se os homens o quisessem… UM MOMENTO MARCANTE 1983, quando decidi de trabalhar por conta própria e dedicar-me à arte e a facetas relacionadas UM PROVÉRBIO Faz aos outros o que querem que os outros te façam a ti UM SONHO Todos os sonhos poderiam tornar-se realidade, mas eu que-

ria falar com Michelangelo e Leonardo e mostrar-lhes os nossos dias (a tecnologia e a arte moderna). Seria incrível ver as caras deles... e as suas obras depois! UMA PROPOSTA PARA UM DIA DIFERENTE NA REGIÃO Andar (a pé) pelos povoados à volta de Castelo de Bode, dar um passeio de barco nestas águas transparentes e depois comer um belo peixe no Cabras, na Ortiga, regado com um bom vinho. No fim do dia ver o pôr do sol no castelo de Abrantes


ENTREVISTA 3

ABRIL2012

JOSÉ FERNANDES E ANA PAULA FERNANDES, O BALANÇO DE QUATRO MANDATOS DA ASSOCIAÇÃO DE GEMINAÇÃO DE ABRANTES

“A geminação está muito bem entregue” HÁLIA COSTA SANTOS

A Associação de Geminação de Abrantes está em mudança, depois de ter tido José Fernandes como presidente durante os últimos oito anos. A equipa fica essencialmente a mesma, mas com um novo presidente: José Alves Jana. Dos últimos mandatos fica uma geminação especialmente desenvolvida com França, um trabalho feito com o coração em Cabo Verde e uma estratégia mais comercial no Japão. O presidente cessante aproveita para agradecer a todos os que, de uma forma ou de outra, colaboraram com a Associação.

Como é que funcionou a Associação de Geminação de Abrantes ao longo destes quatro mandatos? José Fernandes (JF) – Em 2003 quem estava à frente da Associação era o Dr. Humberto Lopes, que é uma pessoa extraordinária. Ele contactou-me e disse-me que não poderia continuar porque estava dedicado a uma causa, que é o CRIA. Numa viagem a França conhecemos outras pessoas no autocarro e a lista surgiu. Fomos construindo uma lista que é multipartidária. É interessante que isso nunca interferiu e conseguimos sempre trabalhar em prol de um objectivo: fomentar as relações humanas e a solidariedade. Os corpos sociais reúnem-se sempre com todos os elementos, de forma horizontal. Temos também a colaboração de Pedro Rocha Pais, que é o nosso tesoureiro, que é um homem excepcional e que garante o rigor das contas. Como é que caracterizam os três projectos de geminação que estão a ser desenvolvidos? (JF) – Cabo Verde é o projecto que temos no coração, o resultado do trabalho de uma óptima equipa, que tenta fazer o melhor possível

pessoas que trabalham com a Associação são “gente voluntariosa que representa Abrantes •comAsdignidade e humanidade”

para que aquelas crianças tenham ferramentas para estudar. A geminação com o Japão foi feita em 2007 e tem uma componente estratégica comercial que se concilia com os valores da partilha. Neste caso é sobretudo intercâmbio de jovens, embora pareça que no Japão não existe uma grande tradição em receber jovens em casas de família. O caso francês é muito gratificante. Até 2004 foram a Parthenay sobretudo ranchos folclóricos. Nós temos vindo a diversificar os grupos que vão, desde a equipa de natação, até ao Orfeão de Abrantes, passando por associações, escuteiros, jornalistas, famílias e até pelos bombeiros, que foram ver como é que os bombeiros franceses estão organizados. Esta diversificação tem sido bastante proveitosa. Estes quatro mandatos ficam muito marcados pela solidariedade desenvolvida em Cabo Verde… JF – Sim. Numa das visitas feitas

a Cabo Verde, as crianças explicaram que o que mais precisavam era giz. Nessa altura, surgiu a ideia de procurar, em Abrantes, padrinhos e madrinhas que, por 30 euros por ano, oferecessem um enxoval com material escolar a uma criança de Cabo Verde. Trata-se do projecto Padrinh’, que envolve já 206 crianças. A Câmara da Ribeira Brava compra o enxoval e a Associação de Geminação envia o dinheiro recolhido junto dos padrinhos abrantinos. Como este projecto já tem uma certa dimensão, envolvendo seis escolas, cada uma delas tem uma ou duas responsáveis: Ana Paula Fernandes, Isilda Jana, Elisabete Pereira e Natércia Lopes, Maria Clara Real e Isabel Silva. Temos também a Fernanda Mendes, que ajuda no que for preciso. Ana Paula Fernandes (APF) – Neste momento temos um problema: as crianças já receberam o enxoval em Setembro e nós ainda não mandámos o dinheiro porque ainda nos falta que 50 padrinhos,

que se comprometeram em dar aquele valor, paguem ou digam que não querem continuar. Se não quiserem continuar a apadrinhar as crianças cabo-verdianas, teremos que encontrar rapidamente outros padrinhos porque só temos quatro ou cinco em lista de espera. Entretanto surgiu um novo projecto em Cabo Verde… APF – Depois de uma visita a Cabo Verde verificou-se que as crianças da escola da Covoada tinham um problema grave de alimentação. Uma vez que é possível alimentar uma criança com 50 cêntimos por dia, decidimos vender calendários para ajudar. Conseguimos 430 euros, também com o apoio de duas empresas. Decidimos enviar, este ano, 200 euros. Estivemos a fazer as contas e verificámos que chega para um ano. O delegado escolar de Cabo Verde garante que o dinheiro será efectivamente para a alimentação das crianças. Vamos ver se sobra algum dinheiro para se comprar um reser-

vatório de água, uma vez que a escola não tem água. Como é que as pessoas reagem ao facto de a Associação estar a fazer solidariedade longe de Portugal quando também temos muita pobreza? APF – Este ano foi a primeira vez que tivemos pessoas a dizer isso. Temos que aceitar… O que fazemos é mostrar que as necessidades não têm nada a ver, porque as crianças aqui, muito ou pouco, têm refeições e material escolar assegurado. Por outro lado, neste projecto sabemos para onde vai o dinheiro e podemos dar essa garantia. A Associação está em fase de mudança… JF – Já estou há quatro mandatos e achei que era a altura de sair. A geminação está muito bem entregue. Os que estão vão continuar, mas haverá um novo líder. Aceitei ficar como presidente da Assembleia Geral, para depois me retirar. Sai com que sensação? JF – Saio satisfeito. É bom sabermos que temos um grupo de amigos que trabalham para o bem comum. Fizemos um conjunto de actividades que não se esgotam naquilo que estivemos a falar. Por exemplo, centenas de alunos de Abrantes passaram por Parthenay. Também temos um outro projecto em que todos os anos convidamos três ou quatro jovens abrantinos a estar quatro semanas, alojados em casas de famílias de acolhimento, a acompanhar jovens deficientes psico-motores, participando em diferentes actividades. Passando por isto, as pessoas criam laços e percebem o que é a geminação. Aproveito para deixar um obrigado muito especial a todos os que fazem parte e colaboram com a Associação. São gente voluntariosa que representou sempre Abrantes com dignidade e humanidade. São algumas centenas de abrantinos, do melhor que há no concelho de Abrantes.

jornaldeabrantes


4 SOCIEDADE

ABRIL2012

Histórias de desemprego, em Abrantes MAFALDA VITÓRIA

O Eurostat revelou que a taxa de desemprego em Portugal atingiu um nível recorde. Em Janeiro deste ano era de 14,8%, mais 2,5% que em Janeiro de 2010, quando a taxa de desemprego foi de 12,3%.

De acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, Abrantes é o segundo concelho do distrito de Santarém com maior número de desempregados. Em Fevereiro, o município registou 2741 desempregados. Com valores mais altos que Abrantes surgem Santarém, com 3131 desempregados e, em terceiro lugar, Tomar, com 2036 desempregados. Alguns abrantinos partilharam connosco a situação de desemprego em que se encontram e pudemos verificar que este é um problema transversal a várias faixas etárias. Muitos estudantes, terminada a formação académica, não encontram emprego na sua área e, mesmo investindo noutras áreas, a precariedade é uma realidade cada vez mais presente. Rita Amaro, 22 anos, é um destes exemplos. Acabou o curso de Design Gráfico, nas Caldas da Rainha, há dois anos. Desde então já trabalhou em vários locais, mas nunca na sua área de especialização. “Já trabalhei em vários sítios, mas sempre que terminei os contratos, sendo situações pontuais, voltei para casa dos meus pais.” Cátia Pereira, 22 anos, está numa situação semelhante. Depois de ter terminado o curso de Estudos Europeus, conseguiu trabalho fora da sua área profissional a recibos verdes. Trabalhou seis meses como Assistente de Secretariado numa empresa farmacêutica em Lisboa, onde desempenhou várias funções. Cátia optou por procurar emprego em várias áreas para poder realizar o seu objetivo, uma vez que a sua prioridade era arranjar emprego para pagar o mestrado. “Tal, infelizmente, não aconteceu porque o salário que recebia não era suficiente. Era impossível conciliar

jornaldeabrantes

uma vida em Lisboa, com aluguer de quarto, alimentação e transportes com o ordenado que recebia.” Neste momento está desempregada e foi obrigada a voltar para casa dos pais, de quem está totalmente dependente. Não são só os recém licenciados que estão a viver dificuldades. Vanda Rosado, 39 anos, fez um curso técnico profissional de técnicas comerciais. Não está completamente desempregada porque se inscreveu numa empresa de trabalho temporário depois de ter estado dois anos no desemprego. Divorciada e com dois filhos pequenos, Vanda vive em constante instabilidade, “Às vezes trabalho três semanas seguidas, outras vezes trabalho uma semana e estou quinze dias em casa, é uma situação muito complicada.” Sobretudo porque nunca se sabe “qual será o ordenado no final do mês”. Também insegura se sente Etelvina Bacalhau, de 47 anos. Apesar de ter formação na área de arquivo, sentiu-se realizada no seu último emprego, como Auxiliar Administrativa no Centro de Saúde de Alferrarede. Desempregada desde Julho de 2011, assinala a instabilidade económica como um dos principais problemas da sua

actual situação. Também com dois filhos, Etelvina refere outro problema, o facto de um deles ainda estar na faculdade, o que é complicado quando existe apenas um ordenado para sustentar a família. Outra mudança que o desemprego trouxe à sua vida tem a ver com o fator psicológico. “Com a minha idade cheguei à conclusão de que é quase impossível arranjar emprego. Este facto faz com que as dificuldades do dia a dia se tornem cada vez mais difíceis de enfrentar, já que estou sempre a pensar no mesmo. A falta de uma rotina, de uma ocupação agrava todos os problemas.” Um dos motivos que explica o aumento do número de desempregados é a crise económica que o país atravessa. Devido à crise, muitas empresas procedem a restruturações e, muitas vezes, daí resulta mais desemprego. Pedro Loureiro, 41 anos, é um destes casos. Trabalhador efetivo na Mitsubishi desde 1996 e formado em técnico de manutenção mecânica, Pedro acabou de ficar desempregado devido à extinção do seu posto de trabalho. “Este serviço vai ser todo centralizado na Daimler, na Alemanha e, como de momento não há vagas para o meu tipo de qualifica-

ção, vim para o desemprego.” Mas, apesar disso, não desanima: “Neste momento não estou muito preocupado porque a nível das qualificações que tenho sei que há muita concorrência, mas também tenho muita experiência.” A procura de emprego é feita com regularidade pelos desempregados. Os nossos entrevistados optam, principalmente, pelo envio de curriculum vitae via internet, pelo contacto directo com as entidades empregadoras, ou através de amigos. No entanto, esta procura não tem tido muitos resultados. Rita Amaro conta que neste momento nem está a enviar portefólios porque “está tudo muito difícil” e os estágios não são remunerados.“Prefiro trabalhar fora da minha área e receber, o que também não está a acontecer.” Cátia Pereira procura trabalho e também não se limita à área em que se formou. “Procuro em qualquer área, não tenho medo de trabalhar, apenas tenho pena que as empresas não me dêem uma oportunidade de mostrar o que valho.” Esta linha de pensamento não se restringe apenas às camadas mais jovens pois também Vanda Rosado e Etelvina Bacalhau explicam que, dadas as circunstâncias, não pode haver preferências. A prioridade é

ter um trabalho, tanto na sua área de formação como fora dela. Quanto à hipótese de construir um futuro no estrangeiro, as opiniões divergem. Pedro Loureiro e Vanda Rosado ponderam a ideia, no entanto, Vanda considera que, para já, emigrar é impossível por causa dos filhos. Por sua vez, Cátia Pereira já viveu essa experiência, emigrou durante dez anos. Mesmo assim não tem medo de voltar a sair de Portugal. “É triste ser portuguesa e ter que sair constantemente do meu país à procura de um futuro melhor.” Rita Amaro e Etelvina Bacalhau não consideram a ideia de emigrar. Ambas acreditam que ainda há soluções em Portugal e preferem explorar essas hipóteses no país, onde têm a família e os amigos para as apoiar. Rita, Cátia, Vanda, Etelvina e Pedro são cinco abrantinos que tiveram de adaptar o seu estilo de vida a uma condição inesperada. Todos estão desempregados e à procura de emprego, procuram oportunidades e melhores condições. São histórias de pessoas que se preocupam com o futuro e que procuram algo mais. Pessoas que querem ter estabilidade, ser felizes e concretizar sonhos.


SOCIEDADE 5

ABRIL2012

CRÓNICA

Vida a recibos Assim é a vida de um casal de licenciados desempregados que só trabalharam a recibos verdes. Com um filho. Sem apoios institucionais e formais, sem subsídio de desemprego. Apenas consigo, entregues a si e à sua esperança. Será que o resto da sociedade, confortável, se apercebe? Pedro e Inês (nomes fictícios), de 31 e 32 anos respectivamente, vivem assim há alguns meses, ou sobrevivem, nas suas palavras. Ela, formadora de profissão, ele farmacêutico, ambos detentores de licenciaturas, pós graduações, formações e anos de experiência profissional, com as devidas prestações sociais pagas (e bem). Quando no final do ano passado, Inês viu o centro de formação onde trabalhava fechar portas, e Pedro terminou o estágio profissional que fizera, viram-se a braços com uma situação complicada e delicada. Com um filho pequeno para educar, casa para pagar e as contas

inerentes a uma vida a três, a família sentiu-se num beco sem saída. Uma réstia de esperança quando se percebeu que uma das imposições da entrada da Troika em Portugal seria a implementação de subsídio de desemprego para trabalhadores a recibos verdes, que tivessem exercido funções para a mesma entidade empregadora, situação de ambos. Apesar da grande mediatização veio-se recentemente a perceber que essa medida, apesar de ter sido anunciada, apenas será implementada em 2013. Nada que espante a quem ande atento à mediocridade da classe política, habituada a tratarnos como rebanho seco de pastor. Sem subsídio de desemprego, com o primeiro-ministro a incentivar à partida para o estrangeiro em busca de melhores condições de vida, numa política “expulsionista”, como se dissesse “procurem algures o que aqui não vos podemos oferecer”, o que resta? Alguns trabalhos

surgem, a recibos verdes, precários na sua duração e na sua condição, que muitas vezes não dão para pagar o combustível que algumas deslocações implicam. Na região não há uma rede de transportes públicos. Locais como nacionais, os políticos falham em toda a linha. Ainda se coloca a hipótese de requerer o Rendimento Social de Inserção e dizem conhecer alguns amigos também licenciados que já o fizeram. No entanto, o receio da invasão da vida privada, o rótulo associado ao mesmo subsídio fazem com que pensem duas vezes antes de o fazer. E também, por incrível que pareça, revelam um sentido de justiça social ao dizer que não serão o público mais necessitado para usufruir deste tipo de rendimento! Como (sobre)vivem então? Da sociedade providência, mais concretamente, de algum engenho pessoal, de uma gestão financeira meticulosa e do apoio parental. Apoio este fulcral, essencial, subs-

tituto óbvio do apoio institucional inexistente. Questionam naturalmente, a quantidade de jovens na mesma situação que não contam com este apoio. Como farão? Se nem o mercado de mercado desqualificado os recebe?! Partir?! Para onde e à procura do quê?! Perguntas que ficam sem resposta. Pessoas jovens, qualificadas, capazes e enérgicas que se sentem defraudadas. “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Não é Abrantes, é o ditado funesto. São os ditados que tanto convêm. O passado já lá vai, mudemos o estigma. É a escória vitoriosa sobre os bem-intencionados. É o querer e desejo de uma vida, nem me-

lhor nem maior, apenas uma vida, no meio da estatística que somos. Veja-se que, hoje em dia, nas chamadas para assistentes de seguros, operadores telefónicos, bancários, somos já em primeiro lugar números. Eu tenho nome, tenho vontades, tenho local de nascimento e morada. Tenho família e amigos. Não sou uma parcela ínfima de um dado estatístico. Infelizmente só o poderei provar quando o meu punho acertar num polícia de choque acéfalo, qual cão raivoso que me impede de subir a escadaria dos que ajudei a eleger. Talvez aí entendam que de brandos costumes está a minha estatística vazia. Ricardo Alves

jornaldeabrantes


6 ECONOMIA

ABRIL2012

ANTÓNIO ALEXANDRE É O PROPRIETÁRIO DO NOVO STAND CARPEGO

“Não quero ver ninguém a pé” Um moderno e inovador Stand de Automóveis nasceu na entrada da cidade de Abrantes.

António Alexandre é o proprietário do espaço e explicou ao JA que este novo Stand é uma resposta à crise. “No investimento é que está o caminho para sairmos desta conjuntura financeira”. O Stand Carpego centra o negócio sobretudo na venda de carros“seminovos”, contudo o empresário diz que, neste novo espaço há automóveis para todos os gostos e para todas as carteiras. “Desde o carro mais barato aos de topo, nós reunimos aqui uma diversidade de excelência.” Depois de um mês da inauguração do Stand, que contou com uma grande festa e com cerca de 4 mil visitantes, António Alexandre afirma que “as vendas podiam estar a

correr melhor, mas com o novo espaço a visibilidade e reconhecimento junto do público-alvo duplicou e isso tem ajudado a que negócio vá por diante”. Num espaço de “excelência” e “nobre” da cidade, o Stand junta cerca de 150 carros, de várias marcas e preços. “As pessoas quando passam e estão interessadas num automóvel é difícil não parar, porque isto é um autêntico hipermercado de carros, desde jipes, motas, carros que não necessário ter carta de condução, Mercedes, BM, Audis, aqui há de tudo.” António Alexandre explicou que a Carpego não garante apenas uma diversidade de modelos, como boas condições para os clientes. “Durante a garantia do carro, caso o cliente tenha um problema com o automóvel, nós resolvemos no minuto

CRÉDITOS CENTRO DE NEGÓCIOS E EMPRESAS o SOLUÇÕES PARA RECUPERAÇÃO DE NEGÓCIOS E INÍCIO DE EMPRESAS * Linhas de Crédito * Elaboração de candidaturas para projectos (PAECPE; PRODER; Empreendedorismo) * Outras

o SOLUÇÕES DE CRÉDITO PESSOAL * Para início de negócio * Para projectos pessoais * Possibilidade de uma só assinatura no caso de casados

o SOLUÇÕES P/ CRÉDITO HABITAÇÃO o CONSOLIDAÇÃO DE CRÉDITOS * Com e sem hipoteca * Redução até 60% do encargo mensal * Possibilidade de liquidez adicional

Agende reunião gratuitamente MESMO COM PROBLEMAS BANCÁRIOS EM MUITOS CASOS AINDA TEMOS A SOLUÇÃO!

www.pauloniza.pt 243 579 296 . 938 879 678 geral@pauloniza.com Urb. Vila das Taipas Lt 4 r/c dto 2080-067 Almeirim

José Figueiredo Advogado Pós-Graduado em Direito Fiscal das Empresas Pós-Graduado em Fiscalidade

Áreas de Actividade Direito Fiscal | Direito Administrativo | Direito Comercial | Direito da Insolvência Av. Combatentes da Grande Guerra, 43 - 2.º C 2400-123 Leiria - Portugal Tel.: 244 823 755 • Fax: 244 813 522 josefigueiredo-1985c@adv.oa.pt • www.josefigueiredoadvogado.com

jornaldeabrantes

a seguir. Tenho boas relações com as oficinas da região, o que garante um serviço de qualidade e uma despreocupação total da parte do cliente. O que eu não quero é ver ninguém a pé (risos)” A Carpego centra as suas vendas em clientes da região, “ 80% são pessoas de cá que procuram os nossos serviços, mas não só, tenho clientes de norte a sul do país”. Apesar do novo Stand, António Alexandre ainda recusa a possibilidade de encerrar o outro espaço na freguesia do Pego. “Tenho o Stand no Pego há cerca de 19 anos, ainda muitos clientes me procuram lá e aquela é uma casa muito importante para mim. Sempre fui um apaixonado por carros, desde as corridas à venda de automóveis a minha vida tem-se centrado nestas lidas.” Joana Margarida Carvalho

• António Alexandre

Projecto inovador com o apoio da Universidade de Aveiro Está agendado para o dia 17 de Abril a inauguração do Centro Escolar da Barquinha, estando prevista a presença do ministro da Educação, Nuno Crato. Para além de se evidenciar a questão da arquitectura do espaço, concebido por Aires Mateus, esta é uma escola pioneira no país pela forma como se interliga com a ciência. Pela primeira vez no país, um espaço escolar é aberto, aos fins-de-semana, como Centro de Ciência Viva. Nesses dias, o espaço pode ser visitado como qualquer outro centro da rede Ciência Viva. Durante a semana, os alunos do 1º ciclo da Barquinha poderão usufruir de laboratórios e equipamentos, que lhes permitirão um contacto

próximo e contínuo com as ciências. Este projecto resulta de um conceito desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento de Ana Rodrigues, do Departamen-

to de Pedagogia e Didáctica das Ciências da Universidade de Aveiro. Aliás, esta instituição tem uma agora uma forte presença no Centro Escolar da Barquinha. Primeiro, porque tem vindo a coorde-

nar a formação dos professores daquele estabelecimento de ensino ao nível do ensino das ciências. Depois, porque desenvolve actividades laboratoriais naquele mesmo espaço.

Pegop galardoada pela Revista Exame A Central Termoeléctrica do Pego foi eleita a melhor empresa do ano, segundo o ranking das melhores PMEs, realizado pela revista Exame. O estudo foi feito para a revista Exame pela Informa D&B e pela Deloitte, empre-

sas de consultadoria e gestão empresarial. Foram premiadas empresas de 22 sectores como a agro-indústria, a celulose e papel, química e têxteis. As empresas destacadas pela revista estão localizadas em Braga, Portalegre, Bragança,

Viana do Castelo, Lisboa, Porto, Leiria e Aveiro. O concelho de Abrantes foi representado com a Pegop. A cerimónia que distinguiu as empresas aconteceu no passado dia 27 de Fevereiro na sede da Caixa Geral de Depósitos.


ECONOMIA 7

ABRIL2012

VALNOR INICIA PRODUÇÃO DE ENERGIA A PARTIR DE BIOGÁS

Lixo convertido em energia eléctrica O aterro sanitário de Concavada, em Abrantes, iniciou na semana passada a produção de energia a partir do aproveitamento do biogás produzido no local, que é gerido pela Valnor.

A obra permite dotar o aterro de um sistema de captação, encaminhamento e queima de biogás para produção de energia eléctrica e térmica. A célula do aterro onde eram depositados os resíduos sólidos urbanos foi encerrada e requalificada ambientalmente. A Valnor, que gere resíduos de 25 municípios, revelou que o investimento nesta obra foi de 1,3 milhões de euros. Rui Gonçalves, presidente da Valnor, afirmou que o investimento é “significativo para a sustentabilidade ambiental” do concelho de Abrantes e da região, tendo assegurado que todo o biogás criado no aterro vai ser queimado e transformado em energia

eléctrica. “O aterro, agora totalmente coberto e impermeabilizado, vai produzir durante os próximos anos grandes quantidades de biogás, um gás altamente poluente e que seria libertado para a atmosfera”, explicou o responsável da Valnor. Segundo Rui Gonçalves, estima-se que energia a produzir será de 5 gigawatt hora/ano e será vendida e injectada na rede eléctrica nacional, tendo apontado ainda como “mais-valias” do sistema a “proteção ambiental, a produção de energia através de recursos nacionais e o rendimento adicional à empresa” que preside. Rui Gonçalves disse ainda que o investimento agora efectuado em Abrantes vai ser recuperado em oito anos, tendo anunciado a realização de investimentos até 2013 na ordem dos quatro milhões de euros na unidade central de Avis, ao nível do tratamento biológico dos resíduos.

A Câmara de Abrantes e o consórcio Eneólica Hidropower assinaram também um contrato de arredamento do reservatório de água de Mouriscas (barragem dos Negrelinhos) e da conduta adutora do reservatório de água da Chainça para a instalação de micro hídricas que irão produzir eletricidade. Em Mouriscas, a utilização da água armazenada no reservatório será efetuada através de um bypass a instalar na descarga de fundo. O caudal excedentário será utilizado para aproveitamento energético, não podendo, ao longo dos 20 anos de contrato, utilizar-se as reservas de água para fins de produção de eletricidade sempre que o nível da albufeira esteja a uma cota inferior a 5 metros abaixo do nível de pleno armazenamento (cota máxima da albufeira). Houve também duas preocupações essenciais neste projecto: não afectar a qualidade da água,

O secretário de Estado do Ambiente, Pedro Afonso de Paulo, inaugurou duas ETAR’s, em São Facundo e Barrada

nem a capacidade de abastecimento público. Na Chainça, as turbinas serão colocadas à chegada do reservatório novo, na conduta que o abastece. Aqui não há qualquer consumo de água no processo, apenas o aproveitamento da sua passa-

gem, com elevada pressão, entre a ETA (Estação de Tratamento de Água) e o reservatório. Pelo arrendamento das duas infraestruturas, o consórcio pagará ao município uma renda anual, em percentagem da venda de energia. BO

‘Val Escudeiro’, acima de tudo a qualidade Empresa familiar centra-se na produção de excelência no azeite e instalou-se em Chaminé, perto da Bemposta. Privilegia a qualidade em detrimento da quantidade e assenta a sua actividade em experiência adquirida no sector A marca já existe desde 2004, altura em que José Luís Santos, o patriarca da família, tinha já um lagar tradicional. O filho, Pedro Santos, 27 anos, licenciou-se em Marketing, aprendeu sobre comunicação em Lisboa e os dois, em conjunto com a mãe, Maria José Santos, deram asas à actividade. Em 2006 o novo lagar em Chaminé estava a funcionar com a comercialização a iniciar-se em Março de 2011. Para trás ficou o lagar tradicional e entrou em cena um lagar moderno que trabalha em linha. Recebem a azeitona dos produtores – que chegam de Aveiras, Chamusca, Alvega, Gavião, entre outros locais - aos quais dão uma percentagem da produção, e inserem o azeite no mercado. Mas não o fazem em quantidade. Como conta o filho, Pedro Santos, o objectivo é a “restauração e o mercado gourmet”. “Tem de ter quali-

dade acima de tudo e temos vindo sempre a crescer”. Para chegar ao nível de qualidade pretendido foi fundamental apostar num lagar modernizado que oferece outro tipo de condições de produção. “A linha além de reduzir custos em mão de obra aumenta a qualidade do azeite, nomeadamente em termos de higiene”, explica Pedro Santos, contando de seguida com orgulho que “as pessoas que nos visitam dizem que é o lagar mais limpo que já viram”.

Consolidar a marca O objectivo é crescer mas não de qualquer modo. Na ‘Val Escudeiro’ há a consciência que a consolidação da marca e consequente crescimento são o garante de melhores condições para aperfeiçoar ainda mais os seu azeites. “Dizemos não às grandes superfícies”, afirma Pedro Santos, “preferimos apostar pequenos pontos de venda. Também pensamos na exportação a qual também passa por pequenos nichos de mercado”, ele que elogia a “qualidade das marcas de azei-

te presentes em Abrantes”. A crise, mais profunda que nunca desde que iniciaram a comercialização em 2011, não retira a calma e optimismo do discurso de Pedro Santos. “Foi um ano bom em matéria-prima mas depois em termos de venda ao público é mais difícil”. O azeite ‘Val Escudeiro’ está à venda em vários pontos do país, nomeadamente no Porto, e é usado em vários restaurantes da região mas também em Lisboa. O trabalho é “constante”. Pedro Santos entrou com a ‘Val Escudeiro’ no BNI Estratégia (Business Network International), grupo de empresários em rede que se apresentou em Abrantes em Maio de 2011. “Reunimos uma vez por semana e é um projecto

interessante”. O BNI nasce de um conceito americano que visa promover sinergias entre empresários de modo a crescerem mutuamente. “É trabalhoso, mas vou a Lisboa e às 9 da manhã já tenho dois clientes novos!”. O lagar ‘Val Escudeiro’ está na Chaminé, Bemposta, e é o fruto do trabalho familiar de mãe, pai e filho. O pai trabalhou durante 25 anos no sector antes de formar a sua própria empresa com a família. Foi ferreiro na Vítor Guedes e depois fez transporte do bagaço. Hoje põe em prática a sua experiência na produção de azeites para atingir o grande objectivo a que se propõe o seu lagar, um azeite de excelente qualidade. Ricardo Alves

jornaldeabrantes


8 ACTUALIDADE

ABRIL2012

Inaugurados dois novos equipamentos junto ao Tejo

BARQUINHA

Primeiras esculturas já estão instaladas Começaram este mês de Março a ser montadas as primeiras das 11 esculturas de grande dimensão que vão constituir o museu de escultura contemporânea ao ar livre do parque ribeirinho de Vila Nova da Barquinha. Quatro estão já no local. A última foi a de José Pedro Croft, uma escultura em ferro e aço polido constituída por quatro espelhos com seis metros de altura. A inauguração do parque de esculturas da Barquinha está prevista para o dia 9 de Junho. Trata-se de conjunto de obras concebidas por artistas plásticos portugueses contemporâneos, representando um investimento de 2,2 milhões de euros. “A aquisição de esculturas por parte do município tem como finalidade a criação de um parque representativo da escultura portuguesa contemporânea na vila. Este é o principal investimento da nossa operação de reabilitação urbana, denominada Mercado das Artes e surge no âmbito do QREN”, explica o vereador com o pelouro da cultura da autarquia de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire. O

investimento previsto será comparticipado entre 80 a90% pelo QREN. “Assim, o investimento da autarquia é apenas de 140 mil euros, contando ainda com a participação da EDP como parceiro estratégico” . O investimento irá permitir a concretização de outros projectos como a criação de um posto de turismo e a remodelação e reabilitação de outros edifícios, de forma a “transformar o centro histórico barquinhense num pólo de desenvolvimento económico e atrair turistas”. Para além do trabalho de Pedro Croft, as esculturas já montadas são a Concret (POEM), de Fernanda Fragateiro, a Contramundo, de Rui Chafes, e a Rega, de Ângela Ferreira. As restantes são da autoria de outros escultores portugueses como Joana Vasconcelos, Pedro Cabrita Reis, José Cristina Ataíde, Xana, Alberto Carneiro, Carlos Nogueira e Zulmira de Carvalho, sendo o projecto comissariado pelo historiador de arte João Pinharanda, da Fundação EDP. João Lopes aluno de Comunicação Social da ESTA

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ABRANTES RUA DR. JOSÉ JOAQUIM DE OLIVEIRA - 2200-416-ABRANTES

VENDE-SE Prédio Rústico, sito em Estrada do Cabrito, freguesia de Rossio ao Sul do Tejo, concelho de Abrantes, designado por “Quinta de São José”, inscrito na matriz sob o artigo 198 de secção C, com um prédio urbano, inscrito na matriz sob o artigo 1120. AS PROPOSTAS, EM CARTA FECHADA, DEVERÃO SER DIRIGIDAS À SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ABRANTES ATÉ AO DIA 16 DE ABRIL DE 2012 NOS SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS ATÉ ÀS 17H00 RESERVA-SE O DIREITO DE NÃO SEREM CONSIDERADAS AS PROPOSTAS QUE NÃO INTERESSEM Abrantes, 15 de Março de 2012 PEL’A MESA ADMINISTRATIVA O PROVEDOR a) António Alberto Melo Dias Margarido

jornaldeabrantes

O Centro de Interpretação do Tejo Ibérico tem já dois equipamentos requalificados no concelho de Abrantes, integrados numa estratégia mais alargada de devolver o rio às pessoas. Em Tramagal, o miradouro da Penha foi reabilitado e foram criadas condições para um percurso pedonal até ao Porto das Barcas. Em Rio de Moinhos surgiu um novo Cais de Acostagem, que tem também um espaço com características de anfiteatro. Por ser fácil de adaptar, permitirá a realização de eventos culturais e desportivos. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes, explica que esta aposta, que se integra num projecto mais alargado, tem uma dupla função: “A devolução do rio às pessoas e o valor de desenvolvimento para a economia local para que possamos atrair mais público e mais turistas”. Para a autarca, estas são “pequenas intervenções que são grandes”, porque vão permitir que as

• Inauguração do Miradouro da Penha populações se apropriem de novo das vivências do rio, dando-lhe “o valor que todos queremos que tenham nas suas vidas”. Para além da reaproximação das pessoas ao rio, pretende-se também que as margens requalificadas do Tejo possam atrair pessoas de fora do concelho e da região. Trata-se de uma aposta no desenvolvimento do turismo da natureza e do turismo desportivo. A autarca sublinha que o objectivo é fazer com que “outras pessoas possam vir fazer estes percursos, a pé ou de bici-

cleta, e depois utilizar aquilo que de melhor as nossas comunidades têm para dar: a sua história, a sua identidade, a sua gastronomia e o seu património”. Estes dois novos equipamentos significam um investimento de cerca de 250 mil euros e vão integrar a “Rota do Tejo”, um projecto de recuperação dos percursos ribeirinhos e requalificação das margens do rio, que tem início em Alvega e que vai terminar, no caso de Abrantes, na aldeia de Rio de Moinhos. Depois continua para os outros

concelhos: a Norte, até Gavião; a Sul até à Barquinha, passando por Constância. A fase seguinte deste projecto é a estação de canoagem, em Alvega. A presidente da Câmara garante que a candidatura deste obra a fundos comunitários “está bem encaminhada”. O que está mais atrasado é a criação do percurso ribeirinho naquela zona, uma vez que é necessário pedir autorização aos 400 proprietários dos terrenos que se pretendem utilizar nos caminhos junto ao rio.

“Estamos de volta ao rio” João Paulo Rosado, presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, reage com satisfação à recuperação de um “sítio histórico, de grande presença dos nossos antepassados”. Reconhece que o Cais de Acostagem “possibilita que haja uma retoma das pessoas ao rio”. Por isso, afirma: “Estamos de volta ao rio.” A outra vantagem que vê no espaço agora inaugurado é o facto de ser versátil: tem a forma de um anfiteatro e, para além de espectáculos culturais, pode também albergar actividades desportivas, como o voleibol ou para futebol de praia. Trata-se, pois, de “dar outros sentidos a este local”. No Cais de Acostagem vai também ser possível contar à população, à comunidade escolar e aos turistas o que ali se passava noutros tempos. “Uma candi-

Inauguração do Cais de Acostagem de Rio de •Moinhos

datura que a Junta vai fazer à Câmara Municipal de Abrantes que se centra num projecto de infra-estruturas com conteúdos históricos”. A ideia é mostrar quais eram as actividades mais comuns daquele local. “Aquele era um espaço de embarcações onde os riomoinhenses se deslocavam nos grandes barcos para levar variados materiais: como madeira, palha,

enchidos e tigeladas. Um local que tinha uma forte vivência e onde muitas famílias subsistiam daquela actividade ligada ao transporte.” João Paulo Rosado recorda que esta requalificação é o resultado de um esforço contínuo de vários mandatos, de um objectivo comum da parte dos autarcas que presidiram à Junta de Freguesia.

Vítor Hugo, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal também está claramente satisfeito com a requalificação de dois locais emblemáticos da freguesia: o Miradouro da Penha, com o cruzeiro e o monumento de homenagem a Duarte Ferreira, e o Porto das Barcas. O autarca admite que se venham a fazer passeios de barco no Tejo, entre Tramagal e Rio de Moinhos. “Seria bonito recuperar os velhos tempos”. Quanto às críticas que entretanto surgiram pelo facto de o percurso não ser acessível a pessoas com pouco mobilidade, Vítor Hugo lamenta mas explica que “os caminhos pedonais têm as suas características”. E acrescenta que o Miradouro é acessível e “não há muita diferença estar cinco metros acima ou abaixo”. JMC


REGIONAL 9

ABRIL2012

ABRANTES

Equipamentos culturais aguardam certificação O Herity é um programa de certificação de património. Abrantes foi um dos concelhos pioneiros em Portugal a garantir a certificação de monumentos e equipamentos culturais, numa intervenção que teve início em Janeiro de 2010.

Este projecto, que está em curso, visa a certificação da Biblioteca António Botto e do Museu Dom Lopo de Almeida, sediado no Castelo de Abrantes. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, explicou ao JA o que foi feito até aqui: “Isto passou por um conjunto de iniciativas de adaptação e contextualização em função das regras do Herity. Passou pela realização de uma “auditoria” aos equipamentos, por um conjunto de melhorias dentro dos mesmos. Foi feito um conjunto de inquéritos aos utilizadores, de forma a adaptarmos os equipamentos às ne-

cessidades vigentes. Concluídos todos estes processos, estamos aguardar que a entidade que faz o serviço de certificação venha colocar as placas, que dizem que os equipamentos possuem a certificação Herity. Estamos, assim, numa fase final deste processo.” Apesar de todas as etapas percorridas, a autarca não está em condições de avançar com uma data para a colocação das placas pois essa é “uma intervenção que não depende da Câmara”. Após a certificação Herity os equipamentos patrimoniais de Abrantes não ficam com uma avaliação final para sempre. Estes podem vir a sofrer novas avaliações, que garantem o cumprimento das condições necessárias para estarem certificados.

O que é a certificação Herity O Herity - junção das palavras Heritage (património) e Quality (quali-

dade) – resulta de um sistema criado pelo Comité Internacional para a Gestão de Qualidade do Património Cultural que visa “combater a falta de informação relativa ao património cultural” e ajudar o público a “decidir se deve ou não visitar um local que é património cultural”. Aplica-se a museus, monumentos, edifícios religiosos, castelos, parques arqueológicos, bibliotecas e arquivos. Este processo de avaliação e de certificação, reconhecido pelo Comité do Património Mundial da UNESCO (agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura), inclui uma análise rigorosa da gestão patrimonial e do valor cultural dos sítios, da conservação destes, das informações transmitidas ao público e da qualidade dos serviços prestados, “os quatro aspectos-chave da gestão patrimonial”, segundo disse Jorge Rodrigues, coordenador nacional do programa Herity Portugal.

• Biblioteca Municipal António Botto * Juntamente com Abrantes, Mação e Vila Nova da Barquinha também se candidataram a este programa de certificação, mas até à data do fecho do jornal não foi possível apurarmos o ponto de situação destes concelhos.

Rotários continuam a apostar na educação São cerca de 30 os jovens de Abrantes que actualmente são apoiados pelo Rotary Club de Abrantes, através de um programa de bolsas de estudo que existe há mais de 20 anos. Em muitos casos, sobretudo quando já são alunos do ensino superior, esta ajuda monetária faz a diferença entre estudar ou não estudar. Para apoiar estes jovens de famílias com reduzidos rendimentos, os rotários contam a colaboração de empresas e particulares. Manuel Paulo Silva, presidente do Rotary Club de Abrantes, explica que “a preocupação social faz parte da essência dos rotários”, assim como a transmissão de valores como a solidariedade e a importância da educação. Por isso, o lema que adoptam é “Dar de Si Antes de Pensar em Si”. Para além de alguns dos próprios membros do Clube serem patrocinadores, o programa de bolsas também depende das empresas

que aceitam fazer parte deste projecto. Os rotários assumem que desenvolvem uma acção de lobby junto das empresas e que as respostas acabam por surgir no âmbito da verdadeira responsabilidade social. A credibilidade que o Rotary Club de Abrantes tem, e que “é um somatório de muitas coisas”, faz com que “os patrocinadores acreditem” e que fiquem “sensibilizados” com a possibilidade de assegurarem bolsas de estudo a jovens com mérito. Quem o diz é José Luís Silva, o elemento do Clube responsável pela Comissão de Bolsas. Até agora o Clube já apoiou cerca de 100 estudantes, dos concelhos de Abrantes, Sardoal e Mação. O processo de escolha começa com uma abordagem às escolas, que são convidadas a indicar candidatos a bolseiros. Depois, a selecção é feita com base nas notas dos jovens e nos rendimentos dos agregados familiares.

Manuel Paulo Silva, presidente do Rotary Club de Abrantes

Para além do valor monetário (que é de 500 euros anuais para os alunos do secundário e de 750 euros para os alunos do superior), importa estabelecer uma relação de confiança. Embora todos os rotários desenvolvam laços com os bolseiros, nomeadamente em convívios ou através de contactos directos, cabe a José Luís Silva funcionar como o principal elo. Lúcia Pedro é de Abrantes e está a frequentar o 2º ano do Curso de Arquitectura com

mestrado integrado da Universidade do Porto. Reconhece que tem sido privilegiada pelo facto de, desde o 12º ano, poder contar com uma bolsa dos rotários. “A bolsa do Clube Rotário de Abrantes é indubitavelmente uma maisvalia para o meu percurso académico. Ajuda a suportar as despesas inerentes ao próprio curso de Arquitectura, como o material e o alojamento. Mas sem dúvida que foi nas propinas que essa bolsa mais se fez sentir.”

Quando começou a ser bolseira, Lúcia Pedro pouco sabia sobre a Fundação Rotária. Entretanto, criou uma ligação “bastante positiva” com o Clube de Abrantes e adianta que “todo o ambiente que se cria tanto entre bolseiros, como patrocinadores e todos os companheiros rotários é muito saudável”. Quanto ao contacto directo com os membros do Clube, Lúcia Pedro garante que “todos eles são pessoas muito acessíveis onde uma conversa não se fica apenas pelo discorrer de palavras soltas, mas sim de conhecimentos e experiências muito interessantes”. António Estrada é um dos empresários que aceitou o desafio do Clube Rotário de Abrantes. As empresas do Grupo Estrada patrocinam bolsas de estudo já há cerca de cinco anos. “Fomos convidados pelos Rotários a participar e achámos que era uma acção meritória”, conta o engenheiro. Embora reconheça

que possa não ser fácil mudar a actual forma de atribuição de bolsas, António Estrada gostaria que houvesse uma ligação mais directa entre a formação dos bolseiros e as empresas que os patrocinam. Por exemplo, fazendo com que as bolsas fossem atribuídas a jovens que estão a estudar na área de actividade das empresas. Até porque esta seria uma possibilidade de lhes “abrir portas”, em termos de experiência profissional. Para além do programa de bolsas de estudo, o Rotary Club de Abrantes tem uma acção integrada no campo da formação da juventude. Manuel Paulo Silva recorda que outras apostas têm sido, por exemplo, o Curso de Liderança, os rastreios visuais e auditivos no 1º ciclo, patrocínio de estágios profissionais e atribuição de prémios, como aconteceu recentemente com um aluno de Engenharia Mecânica da ESTA. HCS

jornaldeabrantes


10 REGIONAL

ABRIL2012

UM SERVIÇO PRIVADO QUE AJUDA A ESCOLHER A ROUPA E A COMBATER INCÊNDIOS

Sardoal também já tem estação meteorológica Uma estação meteorológica de tecnologia avançada, com actualizações a cada 2,5 segundos, está a funcionar em pleno no Sardoal, desde Dezembro. Trata-se de uma parceria entre a Protecção Civil, a Câmara Municipal e os Bombeiros locais.

Este investimento de cerca de mil euros vai permitir que os sardoalenses saibam que roupa vestir antes de sair de casa, mas vai também ser uma preciosa ajuda em situações difíceis como o combate a incêndios. Basta consultar a internet. A estação, instalada no Quartel dos Bombeiros, não tem fios e está dotada de um sensor versátil que combina num único pacote um colector de chuva (fluviómetro), sensores de temperatura e humidade e ainda um instrumento que permite medir a velocidade do vento (anemómetro). O equipamento também possui um painel solar que lhe garante energia própria. Nuno Morgado, segundo comandante dos Bombeiros do Sardoal, explica que esta “não é a primeira experiência” de estação meteorológica na vila, mas agora as condições foram melhoradas e a nova estação é mais moderna. “O intuito será apoiar as operações da Protecção Civil”, nomeadamente obtendo “dados importantíssimos” que poderão ajudar

a combater incêndios. Mas o cidadão comum poderá também recorrer às informações da estação, que esteve um ano em fase de testes. “Ao consultarem o site podem encontrar os valores actuais e também as tendências”, ou seja, como se prevê que evolua o estado do tempo ao longo do dia. A estação meteorológica do Sardoal será acompanhada de perto pelo bombeiro Ricardo João Ribeiro, que tem vindo a ser formado por Hélder Silvano, o professor que há vários anos desenvolve um serviço de meteorologia em Abrantes. Aliás, foi ele quem deu apoio na montagem e calibragem do equipamento do Sardoal, assim como na disponibilização da informação online. “Foi uma pessoa importantíssima, pelos conhecimentos e uma vasta experiência”, reconhece Nuno Morgado. Para além do conhecimento que foi desenvolvendo ao longo dos anos, Hélder Silvano é um apaixonado pelas questões da meteorologia. Mas, para ele, tudo isto só faz sentido se a informação for útil para as pessoas. O sonho deste professor é articular uma rede com a informação captada por todas as estações meteorológicas que existem no distrito. Porque uma pequena distância em termos de quilómetros pode dar origem a informações diferentes.

• Hélder Silvano vendo a página do Sardoal, na internet Hélder Silvano começou a interessar-se pelas condições atmosféricas “quando tinha 16, 17 anos”. O interesse nasceu “de uma aflição, de um encontro com uma natureza pouco simpática”. O motor do pequeno barco em que estava avariou e viuse “isolado, no meio da albufeira de Castelo de Bode, com uma tremenda tempestade a começar”, daquelas tempestades de Setembro “com os raios a entrar na água”. Foi salvo por uma pessoa que se apercebeu do seu estado. Esta experiência foi “motivadora de pesadelos, mas também de anseios de perceber e de entender todo o fenómeno”, ao ponto de começar “a comprar qual-

quer termómetro que visse”. Numa primeira fase, as experiências que Hélder Silvano foi fazendo e os equipamentos que foi comprando eram só por curiosidade e “para saber que roupa havia de vestir no dia seguinte”. Até que um dia um piloto da TAP lhe trouxe, dos Estados Unidos, a primeira estação meteorológica. Custou-lhe “trezentos e tal contos” quando as únicas que era permitido comprar em Portugal custavam “cerca de dois mil contos”. E ainda eram “daquelas de agulha, que não podiam ser ligadas a computadores”. No final da década de 90, Hélder Silvano começou a divulgar os da-

dos que obtinha na sua estação meteorológica. E o objectivo deixou de ser só o de compreender, mas passou a ser também o de disponibilizar informação “de uma maneira agradável”. Esta actividade não lhe consome muito tempo diariamente, a não ser quando decide fazer alterações no sítio da internet. Neste sítio já teve mais de um milhão e meio de visitas:“São normalmente as mesmas pessoas, mas dá uma média de cento e tal visitas por dia”. Mas tudo depende das condições do tempo. Por exemplo, no actual momento as pessoas procuram muita informação, na ânsia de verificar se alguma chuva virá nos próximos tempos. Para além de servir os particulares, as informações que Hélder Silvano disponibiliza são também muito importantes para organismos como a Protecção Civil e as corporações de Bombeiros. Graças à actualização ao segundo, as suas informações chegam a ser mais importantes do que as do próprio Instituto de Meteorologia. Aliás, uma das maiores gratificações que Hélder Silvano tem é a de já ter dado informações preciosas, nomeadamente no combate aos incêndios. Informações em http://meteoabrantes.no-ip.info e http://meteosardoal.no-ip.info Hália Costa Santos

Conferências do Liceu com Jorge Silva e Melo A Associação de Desenvolvimento Cultural Palha de Abrantes e o Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes organizaram a terceira edição do evento Conferências do Liceu subordinada ao tema “Cenografias”, na Assembleia Municipal de Abrantes, no passado dia 23 de Março. O convidado, Jorge Silva e Melo, intelectual polivalente, já foi argumentista, encenador, actor, autor e fez ainda cinema e crítica. A sua última obra, a encenação da peça “A Morte de Danton”, de Georg Büchner, foi apresentada a 2 e 3 de Março em Guimarães, Capital Europeia da Cultura. A peça, com grande projeção

jornaldeabrantes

nos media, envolve a participação de 43 actores em palco. O director do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, Alcino Hermínio, acredita que com esta iniciativa é possível “proporcionar aos nossos alunos um contacto com pessoas do mundo da cultura, pessoas com muita qualidade, que têm atrás de si um passado de coisas interessantes”. Por outro lado, os alunos são colocados perante “o desafio de apresentar os convidados, de falarem em público e vencer a timidez”. O director reconhece que se trata de uma experiência que a escola, “só com as aulas, não satisfaz, mas que é muito importante porque os vai

• Jorge Silva Melo na conferência “Cenografias” preparar para o prosseguimento dos estudos na universidade”. Esta aposta é direcionada principalmente para o ensino secundário. O director explicou que “cada vez que um convidado vem a Abrantes

faz duas conferências, uma às cinco da tarde para os alunos do secundário da nossa escola e outra à noite aberta ao público”. Desta forma, qualquer pessoa interessada num tema e em participar nas conferências pode

fazê-lo na sessão da noite. Alcino Hermínio sublinha ainda o orgulho pelo trabalho realizado pelos alunos: “Participam com muito entusiasmo e, pessoalmente, emociona-me muito e fico muito orgulhoso do trabalho deles.” A palestra, que se iniciou com uma declamação do poema “Balanço do filho morto”, de Vinícius de Moraes, por alunos do 10º ano do agrupamento de escolas Dr. Manuel Fernandes, prolongou-se numa conversa fluente principalmente sobre teatro. O evento juntou alunos e professores e surpreendeu Jorge Silva e Melo: “Gostei muito desta iniciativa, integrar desta forma tão delicada

os alunos, acho que isso é absolutamente extraordinário.” Nas duas conferências anteriores foram oradores o professor Fernando Pina, doutorado em química pela Universidade Nova de Lisboa, e Frei Bento Domingues, cronista do jornal Público. Mafalda Vitória

A próxima conferência do Liceu, dia 20 de Abril, subordinada ao tema “Sinais de Alerta”, terá como protagonista por Fernando Alves, jornalista da TSF. Fernando Catroga, professor catedrático de História na Universidade de Coimbra, abordará o tema “Historia, para que serve em tempos de crise” em 25 de Maio.


especial sardoal • semana santa

Foto de Paulo Sousa

Foto de Paulo Sousa

Com as graças de Deus…

A imponência, o simbolismo e o brilho dos rituais da Semana Santa no Sardoal são, desde há muito tempo, motivo de orgulho para a vila

Eis a Semana Santa e Páscoa em Sardoal. São dias diferentes porque o povo daqui assim os faz. Remontam a épocas ancestrais as convicções religiosas destas gentes. Gentes que tentam percorrer os caminhos da terra (que bem difíceis estão…) como preito à conquista do Céu. Mas esta devoção, deverá também ser entendida numa perspectiva cultural mais vasta, enquanto característica sociológica endógena da comunidade, envolvendo não apenas os cristãos, mas as instituições e as pessoas que professam outras ideias, agnósticos, ateus e laicos. A imponência, o simbolismo e o brilho dos rituais da Semana Santa no Sardoal são, desde há muito tempo, motivo de orgulho para a vila, atraindo inúmeros visitantes das redondezas e de sítios mais afastados. Já nos anos 70 a Procissão dos Fogaréus era sempre documentada pela RTP, merecendo destaque de honra no telejornal. O País podia ver (na altura a preto e branco), o majestoso e místico desfile dos fiéis, ao longo do percurso entre a Igreja da Misericórdia e o Convento de Santa Maria da Caridade, empunhando velas e archotes acessos. Mas a evolução da vida e as transforma-

ções da sociedade, sobretudo após o 25 de Abril de 1974, levaram a que estas celebrações registassem alguma quebra de mobilização popular até meados dos anos 80. Depois, pouco a pouco, as tradições foram sendo retomadas e valorizadas, sobretudo à medida que alguns preconceitos culturais e equívocos políticos foram sendo ultrapassados. Com mais força e consistência desde 1995, a aposta assumida na divulgação da Semana Santa, por parte do Município, em estreita ligação com a Paróquia de Santiago e São Mateus e a Santa Casa da Misericórdia, mais não foi que o reconhecimento formal das potencialidades e genuinidade destas manifestações, as quais configuram uma importante fonte geradora de benefícios sócioeconómicos, culturais e turísticos. Por isso, independentemente das razões da nossa consciência dialética ou da complexidade do pensamento filosófico ou ideológico de cada um, a Semana Santa no Sardoal é, acima de tudo, um acervo patrimonial da nossa personalidade colectiva. Que as realidades do quotidiano também se cumprem com as graças de Deus… ou talvez não… Mário Jorge Sousa

jornaldeabrantes


12 ESPECIAL SARDOAL - Semana Santa

ABRIL2012

MIGUEL BORGES, VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL

“Cada um terá a sua forma de estar presente perante um fenómeno religioso” O Sardoal tem então aqui vários elementos que em altura de crise podem ser mais-valias: a religiosidade, a cozinha fervida, o voltar às bases A natureza também, nós temos um património natural valiosíssimo, fantástico.Podemosvalorizá-lo.Estamos perto de tudo e todos estão perto de nós. Só temos de saber divulgar!

RICARDO ALVES

Semana Santa no Sardoal. As procissões, a grandiosidade das celebrações religiosas. Um concelho entregue ao convívio, à alegria e solenidade, em momento de crise profunda, que poucos percebem mas sentem. Aqui antecipa-se a Semana Santa, os cheiros, os risos que se propagam pela vila, os copos emborcados pela amizade, a fé dos homens e mulheres, dois lados da mesma história, um enredo trágico cómico do que é a condição humana. Miguel Borges, vice-presidente da Câmara Municipal do Sardoal, sentado no seu escritório, conta o que sabe disto, e de outras coisas.

O que é a Semana Santa para os sardoalenses? É um momento alto do nosso concelho. Não só em termos religiosos, porque é de fé e religiosidade, mas também porque é um ponto de encontro para os sardoalenses e muitos visitantes que vêm de fora, pela questão cultural em torno das festividades e do ponto de vista estratégico turístico do concelho. Nesta altura de crise, Fátima vê aumentar os seus visitantes e consequentemente as suas receitas. Isso pode acontecer nesta manifestação sardoalense? Em momentos de crise as pessoas refugiam-se em algo não material, e esta crise é material. A Semana Santa no Sardoal e todas as festividades religiosas são momentos de grande introspecção, de carga religiosa profunda. Cada um terá a sua forma de estar presente perante este fenómeno religioso, cultural e, por que não, também turístico. As associações têm uma grande presença nesta Semana Santa. Qual é o peso delas nas festividades?

jornaldeabrantes

Portanto, o concelho do Sardoal é um concelho muito ligado à cultura e às artes? E não só o Sardoal. Os mais 10 mil utilizadores do Centro Cultural vêm também dos concelhos de Abrantes, Mação, Sertã, Vila de Rei. Nós oferecemos o cinema às pessoas. O cinema faz parte da nossa tradição. Quem vem ver cinema vê também uma exposição de máquinas antigas de projecção de filmes. Dizer que o investimento no Centro Cultural foi um exagero é não saber o que se diz. A Semana Santa é organizada pelas diferentes irmandades e pela Fábrica da Igreja. Claro que depois há associações do nosso concelho que se juntam e organizam outras actividades, algumas delas ligadas à Semana Santa, outras não. Qual foi o efeito da crise no orçamento destas festas? Já o ano passado houve esse constrangimento. Sabemos que temos um concelho com poucas receitas próprias, que vive muito à custa do orçamento de Estado, e sabemos que há dois, três anos estamos em contenção. Não queremos de forma alguma transformar o nosso concelho num concelho cinzento, é antes um concelho onde as coisas continuam a ser feitas como no passado, só que com outra racionalidade e recorrendo à capacidade do saber fazer que temos, em vez de pedir a outros.

Fora da Semana Santa o que pode o Sardoal oferecer nesta área? Temos um turismo religioso que tem o seu ponto alto na Páscoa. O que temos de saber fazer é potenciar toda essa riqueza ao longo de todo o ano. Não nos podemos esquecer que temos essa riqueza, nomeadamente os quadros do mestre do Sardoal, por exemplo, as próprias capelas, e todos os fins-de-semana temos grupos de visitantes organizados, ou não. É um património que queremos valorizar, que faz parte da nossa estratégia em termos turísticos, também em termos de desenvolvimento económico para o nosso concelho.

vel da cultura, de património cultural edificado, mas também imaterial, e aí nós somos riquíssimos. Veja-se a tradição de enfeitar as capelas, que tem passado de pais para filhos. A minha mulher lembra-se de ir com a família decorar a Igreja da Misericórdia com tapetes de flores e hoje são os nossos filhos que o fazem. É importantíssimo que os jovens percebam que têm um património riquíssimo edificado (como é o caso das igrejas, dos painéis de azulejos, dos quadros do mestre do Sardoal) e também um património imaterial, que são as próprias procissões e tudo tem de ser transmitido aos jovens.

Preocupa-o uma eventual quebra geracional na transmissão dos saberes e tradições, nomeadamente a nível da religiosidade tão presente no concelho? A Câmara Municipal tem de transmitir aquilo que a Igreja tem ao ní-

Então a crise é uma oportunidade e o momento difícil, juntamente com a religiosidade, pode trazer mais pessoas ao Sardoal? Quando há dinheiro pensamos em grande, quando não há damos valor às coisas pequenas

O que é que diria aos jovens que entram no mercado de trabalho para se manterem cá? É verdade que nós não temos uma grande oferta de trabalho, tal como não tem o país. Mas temos acessibilidades que fazem com que estejamos perto de tudo. As pessoas podem estar a trabalhar nos concelhos limítrofes porque o Sardoal está perto de tudo. Mas de uma coisa temos a certeza: quando regressam ao Sardoal as pessoas têm sossego e qualidade de vida, têm oferta cultural, têm segurança. E temos uma aposta na componente de apoio à família nos jardins de infância e nas escolas. Esta é a nossa riqueza: turismo religioso, oferta cultural e educação. Temos de afirmar-nos nestes eixos em termos regionais. Já lá vai o tempo em que o concelho vizinho tinha uma piscina olímpica e nós também tínhamos de ter.


ESPECIAL SARDOAL - Semana Santa 13

ABRIL2012

ANACLETO BATISTA É O PROVEDOR DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DO SARDOAL (SCMS)

A vitória da vida sobre a morte Para o provedor da SCMS, é mais uma edição da Semana Santa e é também a celebração do seu modo de viver, de sentir a fé em Deus. Anacleto Silva Batista, de 74 anos, sardoalense, recorda que o Sardoal tem uma tradição “que mudou um pouco” desde os seus tempos “de menino e moço”.

“A procissão dos Passos era na sexta-feira, interrompiam-se todos os trabalhos do campo e toda a gente, das aldeias em volta, se deslocava aqui. Depois entendeu-se fazer também ao fim-de-semana para ter maior possibilidade de participação das pessoas. As reformulações podem ser maiores ou menores, as cerimónias mais ou menos solenizadas, mas a tradição mantém-se inalterada.” Anacleto Batista já esteve envolvido em muitas edições, “umas com

participação directa, outras indirecta”. O provedor não sente um decréscimo no número de visitantes ou de fiéis que participam nas cerimónias. Um dos factores que aponta para essa manutenção ao nível da adesão é “a certeza absoluta que a tradição no Sardoal tem passado de pais para filhos”. Conta que estas celebrações têm umas centenas largas de anos, sendo difícil estabelecer uma data concreta, “mas seguramente há muito tempo que existem”. Em tempos de crise acentuada, a SCMS tem sentido um aumento nos pedidos de auxílio de carenciados. Anacleto Batista admite-o, mas também critica: “Somos muito pedinchões mas pouco agradecidos”. Para a Semana Santa deixa uma sugestão: “As pessoas podem, por exemplo, pedir que chova junto daquele que tudo manda. Tenho pro-

• Anacleto Batista provedor da Santa Casa da Misericórdia curado viver a vida na fé e com a fé, tendo a certeza absoluta que quem comanda tudo isto é Deus.” Na perspectiva do provedor da SCMS, a maior mensagem da Semana Santa é essencialmente a vi-

tória da vida sobre a morte. Acrescenta que, “evidentemente, nascemos para morrer mas a grande lição é a vitória da vida sobre a morte”. O sardoalense de gema gosta de todas as celebrações, sem

conseguir escolher uma em especial. “A Semana Santa tem sempre, para mim, aquele sentido máximo de uma doação total do filho de Deus que se entrega em plenitude e depois diz ’eu venci a morte e convido-vos a vir comigo’. É assim que eu vivo.” A SCMS terá a capela do Senhor dos Remédios enfeitada com tapetes de flores, feitos pelos idosos do lar, juntamente com os monitores e pessoal. “É sempre uma altura especial para eles, um orgulho. Tem sido uma mobilização muito grande, uma vaidade”. No ano passado os utentes da SCMS participaram como figurantes na encenação da Paixão de Cristo, pelo GETAS e este ano voltarão a fazê-lo. “A maior participação da SCMS é na quinta-feira santa, nos outros dias incorporamonos na comunidade”. Ricardo Alves

Tradição das Amêndoas repete-se no Sardoal Antigamente as amêndoas vendidas pela Semana Santa do Sardoal, eram motivo para o inicio de um namoro, hoje assumem outro objectivo, adoçar a boca. Manuela Bento, natural da freguesia de Panascos, é a responsável pelo fornecimento das amêndoas, que vão ser vendidas no átrio da Casa Grande em Sardoal. A comerciante recorda os tempos que alguns namoros começaram com as amêndoas. “O rapaz oferecia um pacote de amêndoas à rapariga e era assim que muitas conversas surgiam, muitas empatias se criavam”.

Manuela Bento responsável pelas amêndoas •na Semana Santa

No passado, segundo Manuela, a venda das amêndoas era muito superior. “Vinham famílias comprar amêndoas ao meu es-

tabelecimento e levavam às centenas de pacotes, hoje já não é assim, com a crise as pessoas só compram o essencial”.

Durante os dias da Semana Santa a comerciante vai ter várias qualidades destes pequenos doces: amêndoas lisa cores, sobremesa, drageias, chocolate, os ovos e as galinhas representativas da Páscoa. Qualidades para todos os gostos e que Manuela, um dia gostava de fazer em casa. ”Nunca fiz amêndoas, mas é algo que um dia ainda vou experimentar!” A comerciante encara esta oportunidade do município do Sardoal como uma ajuda ao seu negócio e referiu ao JA que “as expectativas para os dias da festa religiosa são as melhores”. JMC

Actividades culturais na Semana Santa no Sardoal Durante a semana Santa no Sardoal, para além do programa religioso, haverá uma programação cultural diversificada. Para comemorar os 150 anos a Filarmónica União Sardoalense (FUS) organiza uma exposição que está patente no Centro Cultural Gil Vicente até dia 29 de Abril. “Passado, Presente e Futuro – 150 anos de Vida” é uma mostra de alguns componentes da banda, como os vários fardamentos utilizados desde

o seu início, instrumentos, cartazes e a própria história da FUS. Por sua vez, o Getas, Centro Cultural de Sardoal, vai ter uma exposição de pintura que exibe quadros do seu Clube de Pintura. Esta exposição tem lugar no Atrium do Getas, de 5 a 8 de Abril. Organizado pelo Getas será também um teatro de rua que vai recriar a “Paixão de Cristo”, no dia 7 de Abril, às 15 horas. Da Praça da República até ao Convento, esta recria-

ção pretende recriar o percurso de Jesus Cristo a caminho do Calvário. O Centro Cultural Gil Vicente recebe, dia 7 de Abril, o recital de piano por Ana Cristina Fernandes. Neste concerto, com início marcado paras as 17 horas, serão interpretadas obras de Beethovan, Clara Schumann, Robert Schumann e Brahms. Todos estes eventos têm entrada gratuita e inserem-se nas celebrações da Semana Santa do Sardoal.

jornaldeabrantes


14 ESPECIAL SARDOAL - Semana Santa

ABRIL2012

A semana Santa no Sardoal é um momento alto no concelho a nível religioso, cultural e turístico A nível cultural, o Getas organiza um teatro de rua em que recria a “Paixão de Cristo”, uma grande produção, envolvendo várias dezenas de figurantes, no Sábado Santo, dia 7 de Abril, com início às 15 horas, na Praça da República. O GETAS vai também levar a efeito uma Exposição de Pintura no “Atrium” (a sua sede), entre 5 e 8 de Abril, com trabalhos do seu Clube de Pintura. Na sexta-feira, dia 6, de manhã organizará um Passeio Pedestre, cujo tema versará sobre “Património de Fé”. No dia 7 de Abril, sábado, realiza-se um recital de piano por Ana Cristina Fernandes, no Centro Cultural Gil Vicente, pelas 17 horas. Serão interpretadas obras de Beethoven, Clara Schumann, Robert Schumann e Brahms. Nos dias 5, 6, 7 e 8 de Abril há animação musical e lúdica no Bar do Centro Cultural, entre as 13 e as 4 horas da madrugada, a cargo da “Estímulo” – Associação de Jovens de Sardoal. No espaço de entrada do núcleo central da Casa Grande estará o “Doce Quiosque” com venda de amêndoas. É nos dias 1, 5, 6, 7 e 8 de Abril, a partir das 15 horas. O programa religioso, organizado pela Paróquia de Santiago e São Mateus, Santa Casa da Misericórdia e Irmandades, terá as habituais cerimónias que levam milhares de pessoas ao Sardoal. Os momentos altos são a Procissão do Senhor da Misericórdia (Fogaréus) na quinta-feira, 5 de Abril, realizada com a iluminação da rede pública desligada nas principais artérias da vila. O ambiente místico é acentuado pela luz das velas, archotes e candeias.

jornaldeabrantes

Segundo os dicionários, a palavra “fogaréus” designa fogueira, fogacho, adorno escultural em forma de chama. Pensa-se que provém da expressão portuguesa ‘Fogarel’, mas não há certezas quanto a isso. A Procissão dos Fogaréus é organizada pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal e integra o Sermão do Mandato, na Igreja do Convento de Santa Maria da Caridade. A Filarmónica União Sardoalense entoa marchas fúnebres ao longo do percurso. No dia 6 de Abril, Sextafeira Santa, há a Procissão do Enterro do Senhor na qual participam a Irmandade da Vera Cruz ou dos Santos Passos e a Irmandade do Santíssimo Sacramento. O percurso é pelas Ruas Velhas até à Igreja de Santa Maria da Caridade e regresso à Matriz, onde, de seguida, se realizam as Cerimónias do Enterro do Senhor. No dia 8 de Abril, domingo, realiza-se a Procissão da Ressurreição. Nesta Procissão pretende-se demonstrar a alegria pelo triunfo de Cristo Ressuscitado que os Cristão proclamam, vibrantemente, como sua. A Matriz de Sardoal estará decorada com flores. Os paramentos dos Sacerdotes são de cores mais alegres e para a Procissão da Ressurreição, que sai da Matriz, com um percurso mais curto que o das procissões dos dias anteriores, na zona central da Vila de Sardoal. As ruas estarão também cheias de flores e verdura. Nas janelas de muitas casas serão colocadas as colchas mais ricas e bonitas, criando um ambiente solene, mas de Festa e Alegria.

Foto de Paulo Sousa

PROGRAMA

Tal como nos anos anteriores, o GETAS vai marcar presença na Semana Santa do Sardoal, desta vez apresentando a peça teatral “A Paixão de Cristo”. As últimas horas de Jesus Cristo vão ser retratadas por cerca de 80 pessoas, entre actores, actrizes e figurantes. Neste momento teatral, para além dos actores do grupo, o GETAS vai contar com a participação da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, através dos seus utentes, animadores e funcionárias. Outros participantes no espectáculo pertencem ao Grupo de Jovens Católicos, à Associação da Presa e à Estímulo. Tânia Maria Falcão, presidente da direcção do GETAS, contou ao JA que esta é uma altura de “grande importância em termos turísticos” para o concelho. “É uma festa” que

acontece no Sardoal, “com a componente religiosa elevada ao máximo”. Para além do teatro, o GETAS, no dia 6 de Abril, vai promover um passeio pedestre intitulado “Patrimónios da Fé”, onde será feita uma visita a todas as capelas do con-

celho, que se encontram enfeitadas com diversas flores. “Esta actividade tem atraído imensas pessoas todos os anos, é uma forma de conhecermos e darmos a conhecer o nosso património. A mística existente nesta altura é muito própria e assim torna-se

interessante participar nesta visita guiada.” Para além destas iniciativas, o Clube de Pintura do GETAS promove uma exposição de várias pinturas de tema livre, patente na Antiga Cadeia nos dias da Semana Santa. JMC

Foto de Paulo Sousa

Foto de Paulo Sousa

A vertente teatral exaltada na Semana Santa

Flores e verduras nos templos de Sardoal É grande o empenhamento da comunidade cristã, e não só, nos enfeites de Igrejas e Capelas de Sardoal, com tapetes feitos à base de pétalas de flores, verduras naturais e outros acessórios, alfaias e artefactos simbólicos alusivos à Semana Santa e Páscoa. Estima-se que mais de duas centenas de pessoas participem nestas tarefas. A partir de Quinta-feira Santa (5 de abril) até Domingo de Pás-

coa (8 de abril) o chão dos templos recebe o talento dos moradores circundantes de cada Igreja ou Capela, de associações, dos utentes do Lar da Misericórdia e de muitas pessoas, mesmo agnósticos, não-praticantes ou de outras convicções religiosas, de várias idades e extratos sociais. Tradição cultural de profundo envolvimento popular que se julga ser única (ou quase única) no país, re-

monta a tempos muito antigos, sabendo-se que já existia com grande esplendor no século XIX, factos confirmados pela leitura de jornais da época. Os trabalhos de enfeite têm lugar na noite de quarta-feira, prolongando-se alguns pela noite dentro. Os enfeites são efetuados nas Igrejas da Misericórdia e do Convento de Santa Maria da Caridade e nas Capelas de S. Sebastião, Espírito San-

to, Nossa Senhora do Carmo, Santa Catarina, Sant’Ana e Senhor dos Remédios. As Igrejas e Capelas enfeitadas são um dos pontos altos das Solenidades da Semana Santa e Páscoa no Sardoal, atraindo milhares de visitantes, todos os anos. Na edição deste ano uma miniexposição fotográfica instalada em cada um dos templos, recordará os arranjos florais efetuados nos últimos sete anos. Mário Jorge Sousa


CULTURA 15

ABRIL2012

LUGARES COM HISTÓRIA

A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes TERESA APARÍCIO

Alguns autores, como Costa Godolfim, situam a fundação da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes no ano de 1504, mas a verdade é que ainda não apareceu, até agora, qualquer documento em que esta data apareça referida.

A primeira data documentada é a de 1516, pois aparece no “Compromisso do Regimento dos Oficiais da Santa Confraria da Misericórdia” e em 1528 o seu compromisso é confirmado por uma carta régia, assinada pelo rei D. João III. Em Março de 1532, por alvará do Infante D. Fernando, filho de D. Manuel I, foi-lhe anexado o hospital do Salvador. Este foi mandado erigir pelo primeiro conde de Abrantes, D. Lopo de Almeida e por sua mulher D. Brites da Silva, no local onde a Coroa tinha um celeiro “no qual se recolhia o pão dos reguengos de Abrantes e que se situava no cabo da rua da

feira”, hoje denominada rua Dr. José Joaquim de Oliveira. Efectivamente, o rei D. João II autorizou a sua construção em 1483 e, em 1488, já estava construído o hospital do Salvador, denominação que o acompanhou durante a sua longa existência, de perto de quinhentos anos, pois funcionou até 1985, embora, nos últimos anos, já não ligado a esta instituição. Uma vez desactivado, o espaço foi restituído novamente à Misericórdia e foi reconvertido, para lá instalar o Lar da Terceira Idade D. Leonor Paller Carreras Viegas, inaugurado em 25 de Abril de 1992. Na altura das obras, foram encontradas várias talhas de barro, em muito bom estado de conservação, vestígios do antigo celeiro do rei D. João II e que, ainda hoje, algumas podem ser vistas sob o chão envidraçado do refeitório do Lar. Junto à Casa da Misericórdia, foi construída uma igreja em data incerta, sabe-se apenas que no seu bonito portal renascença, virado a

norte, se encontra inscrita a data de 1548. Contudo, a igreja pode ser anterior e só posteriormente ter sido embelezada com o portal. Além da data, também o nome do mestre responsável pela obra, Gaspar Diniz, se encontra inscrito num dos pináculos laterais. A forte porta de madeira é enquadrada por duas pilastras de pedra e por um arco de volta inteira. A parte superior deste está ladeada por dois bustos bastante salientes, representando militares com capacete à maneira romana, um mais velho e com barba, o outro mais jovem e sem barba. O seu olhar converge para o centro do arco. Por cima, encontra-se um medalhão, no qual foi inserida, em altorelevo, a imagem coroada de Nossa Senhora da Misericórdia, com o manto aberto, como é habitual, seguro por dois anjos e, abrigados por este, estão alguns suplicantes de mãos postas. Sobre o medalhão, ergue-se um pináculo, no cimo do

qual se encontra um pelicano e um camaroeiro, insígnias respectivamente do rei D. João II e de sua esposa D. Leonor, responsável pela criação das Misericórdias. O interior da igreja merece uma visita atenta. Aqui destaca-se a capela-mor, onde se pode admirar um belo altar de talha dourada, da época de D. João V e seis famosas tábuas pintadas, onde figuram cenas da vida de Cristo e da Virgem e que são consideradas uma obra-prima da pintura quinhentista. Na Sala do Definitório, no primeiro andar, encontram-se uns interessantes painéis de azulejos, representando as sete Obras de Misericórdia Corporais: dar de beber a quem tem sede, dar de comer a quem tem fome, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos… No centro, está uma sólida mesa redonda, de madeira, à volta da qual se sentavam os membros da Irmandade, para discutirem os assuntos respeitantes à vida da instituição. Atrás do lugar destina-

do ao provedor, vê-se um oratório envidraçado, com um Cristo Crucificado, lembrando que devia ser Ele o inspirador de toda a vida da instituição. Bibliografia: Morato, Manuel António e Mota, João V. da Fonseca, “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes”, edição da Câmara Municipal de Abrantes, 1981 Assis, José Luis, “Pórtico Renascentista da Igreja da Misericórdia de Abrantes, Jornal de Alferrarede, Janeiro, Fevereiro, Março Abril, Maio de 1995

jornaldeabrantes


16 CONSTÂNCIA

ABRIL2012

APESAR DA CRISE

Constância volta a estar em Festa!

As já tradicionais Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem estão de regresso e vão decorrer de 7 a 9 de Abril. Este ano a crise levou a Câmara Municipal a “apertar o cinto” e a repensar o modelo do certame.

A colaboração da população, as escolas, as associações e os comerciantes são, segundo o presidente da Câmara Municipal, Máximo Ferreira, “imprescindíveis para a realização da festa com grande tradição” e com uma com-

ponente religiosa bem vincada. O número de dias dos festejos vai sofrer uma redução (de quatro para três) e as actividades desportivas e culturais também vão ser menores. Casos como a Mostra Nacional de Artesanato, o Grande Prémio da Páscoa em Atletismo e o espectáculo de encerramento com fogo-de-artifício eram valências habituais da festa que não vão acontecer nesta edição 2012. A animação vai centrar-se na Praça Alexandre Herculano e começa

no dia 7 de Abril, com a actuação da Banda Filarmónica de Montalvo e do grupo “Declínios”. Já no dia 8, vai decorrer uma tarde de Folclore, com os grupos: Rancho Folclórico «Os Camponeses» de Malpique (Constância), Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos (Abrantes) e ainda o Rancho Folclórico “As Lavadeiras” de Asseiceira (Tomar). Uma das atracções para este ano destacada pela vereadora, Júlia Amorim, é um concerto denomi-

nado “Os Sons de Mechelen e Constância” – Sinos de mão e outros instrumentos, promovido pelas Escolas Jef Denyn e CICO. A “Banda T” e o grupo musical “Anaquim” também vão subir a palco. No que é respeitante à actividade desportiva, vai decorrer a 27ª Descida dos 3 Castelos – Turismo Náutico, uma organização do CLAC, Clube de Lazer, Aventura e Competição, que acontece no dia 7. O Parque de Merendas vai ser o palco da Mostra de artesanato e do-

çaria, intitulada Saberes e Sabores e onde os comerciantes de Constância vão poder vender os seus produtos. Já no Posto de Turismo estará presente a exposição de fotografia “Tejo Sentido” e no edifício da Antiga Cadeia uma exposição com o tema “Procissão de Nossa Senhora da Boa Viagem Passado e Presente”. A típica gastronomia presente nas tasquinhas, restaurantes e cafés vai ser motivo de interesse, como também as tradicionais ruas floridas. Joana Margarida Carvalho

AVALIADORES IMOBILIÁRIOS Empresa do ramo imobiliário pretende recrutar avaliadores imobiliários, no regime de prestação de serviços, para os distritos de Castelo Branco, Santarém, Leiria e Portalegre. Os interessados deverão enviar o seu curriculum vitae, com indicação da sua morada e dos distritos/concelhos a que se candidatam, para o seguinte endereço electrónico: recursos.humanos@netvisao.pt

jornaldeabrantes


CONSTÂNCIA 17

ABRIL2012

MÁXIMO FERREIRA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONSTÂNCIA

“Esta é uma festa para o povo” Nos dias de hoje, que significado é que têm as festas da Nossa Senhora da Boa Viagem? Esta festa tem uma grande tradição para as pessoas de cá. Hoje em dia nenhuma pessoa que reside no concelho “andou” pelos rios, mas “andou” o pai ou o avô dessa mesma pessoa. Com a bênção dos barcos o que fazemos é recordar velhas tradições, é cultivar memórias, que tinham grande importância para Constância. São as vivências dos marítimos que são exaltadas e recordadas, mas não só: a nossa actividade ligada à agricultura é também lembrada. Infelizmente, hoje a agricultura é um sector com pouca expressão no concelho, contudo no passado não era assim. Nós temos registos que comprovam que a freguesia de Montalvo era o maior centro de produção de azeite do Ribatejo, em terrenos que hoje se encontram completamente abandonados. Uma actividade que se perdeu e que é uma pena. As festas deste ano continuam com o objectivo de divulgar a nossa terra, que é muito bonita, tem uma forte tradição e deve ser visitada. Em tempo de crise, foi estudada alguma forma de fazer com que as festas continuem não só a atrair os visitantes habituais, mas

também procurando novos públicos? Nós temos alguns turistas que são visitantes habituais, pois têm uma ligação a Constância devido à tradição dos rios. Já temos uma presença no Facebook, porque entendemos que é uma ferramenta importante de divulgação, contudo consideramos que esta é uma festa do povo e é procurada desde sempre pelas pessoas de cá e que tenham ligação a Constância. Em Junho, por exemplo, nas Pomonas Camonianas, a perspectiva já é diferente, os públicos já são outros e a estratégia de comunicação também é outra. Quais são os próximos desafios do concelho naquilo que depende da Câmara Municipal? O que depende de nós é a racionalização de custos, alguma contenção na perspectiva de novos projectos e uma preocupação muito grande em sobreviver. Esta crise é imposta às pessoas e o Governo entende que a salvação é dificultar ainda mais a vida aos portugueses. Nós não concordamos com esta visão, mas estamos integrados no país e temos de nos adaptar. O município não tem dívidas, temos feito uma gestão cuidadosa, mas quanto a novos projectos o caminho é aguardar. Desde Fevereiro de 2011 que o acesso a fundos está fechado

pelo Governo, resta-nos esperar pelas novas regras, para que possamos saber como levar por diante projectos pioneiros para o concelho. Há alguma perspectiva de diversificação no sector empresarial do concelho? Não há e mediante o panorama actual gostaríamos muito que as coisas não se complicassem para as empresas que já estão sediadas. Sabemos que na zona industrial de Montalvo algumas empresas têm a possibilidade de alargar a sua actividade e que já nos pediram mais espaço. A Caima tem em vista um investimento de mais de 30 milhões de euros e a Tupperware está de boa “saúde”(risos). Uma das grandes mágoas que tenho é que não apareça nenhum investidor no domínio da agricultura, pois temos condições de excelência para esta aposta. O Centro de Ciência Viva é um pólo de atracção. Como tem sido dinamizado? Temos mantido o Centro intocável e temos feito de tudo para que este possa resistir à crise. No início deste ano lectivo, o Ministério da Educação tirou três dos professores que tínhamos destacados no Centro. Isto diminui a nossa capacidade de resposta, mas temos feito de tudo para

manter um trabalho de qualidade. Para além das actividades no próprio espaço, estamos a desenvolver um projecto financiado pelo QREN, que consiste em ir às escolas e levar para junto dos alunos estes temas ligados à Astronomia. Já arrancámos com o projecto e está a correr muito bem. O Centro de Ciência Viva não representa, para já, uma grande preocupação. Algumas obras estavam previstas no âmbito da exaltação a Camões, há novidades nesta aposta? Temos dois projectos previstos. Um é a requalificação da casa anexa à Casa Memória de Camões. É uma infra-estrutura que está em ruínas e que queremos arranjar para ampliar o espaço que existe. Junto ao Jardim Horto de Camões encontram-se dois velhos edifícios que queremos recuperar para instalar o espaço de acolhimento ao jardim: o Posto de Turismo e o Museu dos Rios e das Artes Marítimas. Por último, gostaríamos ainda de instalar um Varino dos antigos, como símbolo da tradição que existiu. Estamos aguardar que haja uma abertura relativamente aos fundos do QREN para que possamos seguir em frente com todos estes projectos.

Qual é o ponto de situação das obras na ponte sobre o Rio Tejo? As obras ainda vão demorar mais uns dois, três meses. Estamos numa fase de pintura do equipamento, em Junho deverá estar pronta. A reabertura vai apenas garantir, tal como já está acontecer, passagem ao tráfego ligeiro, com alturas inferiores a 2,10 metros. Esta situação não é nada benéfica para o concelho, nem para a região pois necessitamos de uma via que não tenha limitações a veículos. Estamos a fazer pressão junto do Governo para que seja construída uma nova ponte que permita a ligação da A23 à margem sul do concelho de Constância, Abrantes e Chamusca. Este acesso é muito importante para o bom funcionamento da actividade empresarial da região. Joana Margarida Carvalho

GRILL Y A W A E K A T

ENCOMENDE

AGORA*

241 365 222 *A PARTIR DE 7 DE ABRIL jornaldeabrantes


18 SAÚDE

ABRIL2012

SAÚDE É ...

Secção da responsabilidade da Unidade de Saúde Publica do ACES do Zêzere

A Saúde Oral nos Jovens do Zêzere No presente, a cárie dentária é ainda uma das doenças crónicas que mais afecta a população mundial, principalmente a infanto-juvenil. Preocupada com esta situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que em 2020 todos os Estados europeus devem de ter pelo menos 80% das crianças de 6 anos livres de cárie e aos 12 anos a média de dentes cariados (C), perdidos (P) e obturados (O) por criança (CPO) não deve ultrapassar o valor de 1,5. Constituído o Agrupamento de Centros de Saúde do Zêzere (ACES), a Coordenação da Saúde Oral (SO) da Unidade de Saúde Pública sentiu necessidade de conhecer a realidade dentária da população de 6, 9 e 12 anos na sua área geográfica de influência. Assim nasceu o estudo de prevalência “A Cárie Dentária

jornaldeabrantes

na População Escolarizada do ACES do Médio Tejo II – Zêzere: Situação Actual”. A recolha de informação foi efectuada por higienistas orais, em Maio e Junho de 2011. Para esse efeito, foram observados 458 alunos distribuídos aleatoriamente pelos concelhos de Abrantes, Constância, F. Zêzere, Tomar, Sardoal e V. N. Barquinha. Aos 6, 9 e 12 anos apenas 50%, 22% e 46% dos alunos do ACES se encontram livres da doença. Comparando com o último estudo nacional (2005), podemos afirmar que a nossa situação é menos favorável aos 6 anos (média nacional: 50,9%) mas é melhor aos 12 (média nacional: 28,1%). Também o CPO de 1,27 observado aos 12 anos é inferior ao nacional (1,48) e ao valor estabelecido pela OMS para 2020. No concelho de Abrantes, os va-

lores referentes aos alunos livres de cárie aos 6, 9 e 12 anos são de, respectivamente, 64, 22 e 41%. Que interpretação deve ser dada a estes valores? Pois bem, em nossa opinião estes valores poderiam ser bem melhores. Para isso, bastaria aumentar a consciência individual sobre a importância da saúde oral numa vida saudável. A escovagem dentária como rotina diária, o consumo moderado de alimentos/bebidas açucaradas, o uso de substitutos do açúcar, a utilização de suplementos de flúor e a participação activa em programas de prevenção são os pequenos gestos que fazem as grandes diferenças. No presente e no futuro. E sempre que possível, a consulta do higienista oral e do médico dentista, não apenas quando estamos em sofrimento, mas também por motivos e atitudes preven-

tivas. Não nos podemos esquecer que só eles aplicam os selantes de fissuras, poderosa arma defensiva dos dentes permanentes, incluída nos programas de prevenção que desenvolvemos nas escolas da nos-

sa área de influência e que, por isso e se os pais quiserem, acessíveis à população jovem do nosso ACES. Filipa Serra Coordenadora de Saúde Oral


CULTURA 19

ABRIL2012

ARTEC antecipa o futuro do Design

Trabalhos inéditos de 12 artistas vistos por 500 abrantinos Num misto de edição, vídeo, desenho, performance, cerâmica, música, colagem, pintura, conservação e restauro, design gráfico, escultura e design de equipamento, a exposição “Spin Techs”, que esteve em Abrantes desde 25 de Fevereiro até ao final do mês de Março, recebeu cerca de 500 visitantes. Só não recebeu mais porque o espaço foi fechado em consequência de um assalto. Os trabalhos não foram danificados, mas foram roubados equipamentos electrónicos essenciais para algumas das peças expostas. Numa ligação à Terra, 12 artistas responderam ao desafio do comissário da exposição, Paulo Carmona, e representaram o tema com trabalhos inéditos, de forma conceptual, recorrendo a diferentes abordagens e suportes, desde materiais de artes plásticas a novas tecnologias. “Uma característica interessante é a interdisciplinaridade”, refere Patrícia Bica, do serviço educativo da Associação NERVOS. Sandro Ferreira, Ruy Otero, Tiago Baptista, Rui Martins, Miguel Neto, Fernando Fadigas, Bruno Cacílio, Paulo Carmona, Lúcia Leitão, Paulo Passos, Renato Vieira e Marco Serras são os artistas que participaram nesta exposição, que esteve patente na antiga rodoviária em Abrantes. A mostra, que foi organizada pelas associações culturais NERVOS e POGO, culminou com um concerto experimental, apresentado por um dos artistas, Fernando Fadigas. Todos, nos seus trabalhos, interagiram uns com os outros. Esta característica da exposição esteve mais evidente no trabalho de Paulo Passos, que representou todos os artistas com os seus retratos e nomes “científicos” em “sacos de se-

“What´s next” é o tema da próxima edição do ARTEC, Simpósio de Design e Artes Gráficas que desde 1990 se realiza no Instituto Politécnico de Tomar (IPT). Este evento, sem paralelo em Portugal, terá este ano a sua 22.ª edição entre 10 e 12 de Maio. A organização está a cargo dos alunos finalistas da licenciatura em Design e Tecnologia das Artes Gráficas.

Mais do que uma forma de divulgação da licenciatura em Design e Tecnologia das Artes Gráficas, o ARTEC é uma ponte entre dois universos: o académico e o profissional. Todos os anos marcam presença no evento profissionais ligados à área do design, das artes gráficas e das tecnologias, o que constitui uma mais-valia para os alunos organizadores e os prepara

para os desafios que enfrentar��o à chegada ao mercado profissional. Este ano pretende-se abordar a evolução nos diferentes sectores e perceber quais as perspectivas para o futuro. Durante os três dias vai ser possível assistir a conferências nas áreas de Publicidade, Design, Multimédia, Impressão e Marketing. O programa será divulgado brevemente.

No dia 10 será inaugurada a exposição de trabalhos dos finalistas na galeria do IPT. No dia 11 decorrerá uma mostra de curtas-metragens, pelas 22h00, no Theatro Bar. A participação no evento é gratuita, mas requer um pré-registo no website www.ipt.pt/ artec, onde se poderá aceder a mais informações.

mentes”. Quanto ao tema da exposição, e a propósito do trabalho de Sandro Ferreira, Patrícia Bica lembra que “a Terra nem sempre é sinónimo de firmeza e segurança”. A partir de um mesmo tema, as abordagens foram diversificadas: a videovigilância, a ideia de fragilidade de um automóvel, a Terra enquanto motivo de contemplação, os sons do interior da terra, o exército em terracota da primeira dinastia Ming, a ligação entre o passado e o futuro, materiais achados do lixo e as eras da Terra e um trajecto dentro de uma estrutura, dando valor ao nosso apressado quotidiano. Patrícia Bica explica que os mais velhos, apesar de comentarem que este tipo de exposição não é para a sua idade, acabaram por ter curiosidade em entrar e observar as peças. Para as crianças, a exposição foi explicada de uma forma especial: “Temos de tentar encontrar uma ligação entre o que eles aprendem na escola e na vida deles todos os dias com o que vão encontrar aqui”. A responsável pelo serviço educativo explica que as crianças se “divertiram imenso”. Esta mostra foi a primeira de um conjunto de exposições dedicadas aos quatro elementos. Seguem-se a Água, o Fogo e o Ar, em cidades como Tomar e Torres Novas. O projecto é financiado pela Direcção Geral das Artes.“A Câmara Municipal de Abrantes participou apenas cedendo o espaço”, afirma Patrícia Bica. Quanto ao assalto, a Câmara Municipal “não mostrou qualquer receptividade”. Até à hora de fecho desta edição não foi possível obter uma reacção da autarquia a esta situação. Flávia Frazão

963 059 827 | 241 365 222 | www.saolourencobytrincanela.com | visitar@saolourencobytrincanela.com

aluna de Comunicação Social da ESTA

jornaldeabrantes


20 CULTURA

ABRIL2012

Abrantes recebeu Festival de Música da Beira Interior Abrantes, Castelo Branco e Guarda são as três cidades que estão a acolher a sétima edição do Festival de Música da Beira Interior, que começou em Março e vai decorrer até Maio deste ano. O festival é organizado pela Scutvias, a empresa concessionária da auto-estrada da Beira Interior, e vai contar com seis concertos que vão passar pelas três cidades. O cine-teatro São Pedro em Abrantes teve casa cheia ao receber o primeiro concerto do festival, com o Conservatório

AGENDA DO MÊS

Abrantes

Regional de Castelo Branco e a Associação Cultural da Beira Interior, no último dia 24 de Março. Este ano foi a primeira vez que Abrantes recebeu o evento e, segundo Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, “o festival vai permitir criar condições de intercâmbio para os jovens que promovem a cultura e a arte”. O festival chega ao cine-teatro Avenida em Castelo Branco, no dia 28 de Abril, onde a orquestra

Escultura e Pintura em exposição na Galeria de Arte A Galeria Municipal de Arte de Abrantes tem patente uma exposição de pintura de Fernando d’ F. Pereira e de escultura de Ricardo Casimiro. O trabalho de Fernando d’ F. Pereira caracteriza-se por ser intensamente matizado, a sua obra é influenciada pelo expressionismo alemão, foi objecto de estudo e de análise por críticos e historiadores de arte. O pintor nasceu em Lisboa, e tem exposto por todo o mundo, desde Espanha, França, Áustria, Alemanha e Portugal. No trabalho do ceramista Ricardo Casimiro, a expressão faz-se numa distorção de formas tridimensionais, cuja plasticidade resulta do trabalho aturado do grés e das pastas revestidas de texturas e cores multíplices. Químico de formação, a escultura em cerâmica surge no percurso do autor apenas aos 53 anos. Fascinado pela obra de Hieronymus Bosch “As Tentações de Santo Antão” e pela versão de Anne Lennox de “No more ‘I love you’s’”, este autor de Setúbal tem um imaginário e uma fantasia recheada de criaturas que ele transpõe para a cerâmica usando uma linguagem a que não faltam ironia, sarcasmo e mordacidade. Todas as peças são únicas e assinadas com um carimbo com as letras “RC”, executadas por processos clássicos artesanais. A mostra ficará patente até ao dia 4 de Maio, no horário da Galeria, de Terça a Sábado, da 10h às 12h30 e das 14h às 18h30.

do Conservatório de Música de São José da Guarda vai estrear algumas peças musicais, para, logo a seguir, a orquestra e coro da Academia de Música e Dança do Fundão revisitam algumas canções de José Barata-Moura, com direcção de João Mendes.

Os últimos concertos realizamse no Teatro Municipal da Guarda a 26 de Maio. Na cidade juntam-se o Conservatório de Música da Covilhã e uma formação da Escola Superior de Artes Aplicadas, do Politécnico de Castelo Branco.

Exposição de fotógrafos amadores do Ribatejo Um grupo de fotógrafos do Ribatejo vai expor as suas fotografias no Posto de Turismo de Constância, de 7 de Abril a 6 de Maio. “Tejo Sentido”, assim se designa a exposição, acolhe trabalhos de alguns dos 93 autores que compõem o grupo de Fotógrafos Amadores do Ribatejo. São ele: Abílio Dias, António Kool, Carlos Maltez, Fátima Condeço, Humberto Branco, José Costa, José Ribeiro, José Vieira (Serralha), Lília Reis, Luís Amaral, Maria Isabel Clara, Mário Medeiros, Paulo Carneiro, Paulo Sousa, Pedro Barradas e Sérgio B.. O Posto de Turismo está aberto de Segunda a Sexta-feira das 9h às 18h, aos Sábados e Domingos das 11h às 13h e das 14h às 19h.

Feiras de Artesanato em Mação As Feiras de Artesanato estão de regresso à vila de Mação. De 30 de Março a 29 de Setembro, no último Sábado de cada mês, o Largo dos Bombeiros recebe estas feiras que pretendem promover o trabalho dos artesãos locais. Em exposição vão estar peças em tecido, rendas, bordados, bijuteria, desenho e pintura, que vão desde o tradicional ao mais moderno. As Feiras de Artesanato têm actividades complementares como ateliers, aulas de ginástica, pintura facial para crianças, entre outros. O horário do evento é das 10h às 19h.

NOTARIADO PORTUGUÊS CARTÓRIO NOTARIAL DE SÓNIA ONOFRE EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA SÓNIA MARIA ALCARAVELA ONOFRE Certifico para efeitos de publicação que por escritura lavrada no dia vinte e dois de Março de dois mil e doze, exarada de folhas cinquenta e oito a folhas cinquenta e nove - verso, do Livro de Notas para Escrituras Diversas NOVENTA E SETE – A, deste Cartório Notarial, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO na qual os Senhores JOSÉ NUNES DE JESUS COIMBRA, contribuinte fiscal número 114 025 584 e mulher ALBERTINA MARIA LOPES, contribuinte fiscal número 114 025 592, casados no regime da comunhão geral de bens, ambos naturais da freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, residentes na Rua Principal, numero 1266, em Carreira do Mato, Aldeia do Mato, Abrantes, DECLARARAM que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do seguinte. - UM) Prédio Rústico, sito em Vale Salgueiro, na freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, composto de horta, figueiras, cultura arvense e mato, com a área de mil metros quadrados, a confrontar de Norte com Idalina Francisco, de Sul com Herdeiros de Isaltina da Conceição, de Nascente com Herdeiros de Maria José

jornaldeabrantes

e de Poente com Francisco Pedro, Martinho Barquinha e Amadeu Amaral, omisso na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 239 da secção AL. - DOIS) Prédio Rústico, sito em Carreira do Mato, na freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, composto de cultura arvense, figueiras e oliveiras, com a área de oitocentos e quarenta metros quadrados, a confrontar de Norte e Sul com Estrada, de Nascente com Herdeiros de Isaltina da Conceição e de Poente com José António Lopes, omisso na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 43 da secção AI. - Que, eles justificantes são possuidores dos prédios acima identificados por compra meramente verbal a António Braz e mulher Adelina Emília da Conceição, casados no regime da comunhão geral de bens, residentes que foram no lugar de Bioucas, Souto, Abrantes, no ano de mil novecentos e setenta e cinco, logo há mais de vinte anos. - Que, desde a referida data, vêm exercendo continuamente

a sua posse, à vista e com conhecimento de toda a gente da freguesia e freguesias limítrofes, usufruindo de todas as utilidades dos prédios, amanhando-os, cultivando-os, apanhando a fruta, limpando o mato, cortando a madeira na convicção de exercer direito próprio, ignorando lesar direito alheio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, pacificamente, porque sem violência, continua e publicamente, de forma correspondente ao exercício de propriedade, sem a menor oposição de quem quer que seja e pagando os respectivos impostos, verificando-se assim todos os requisitos legais para que a aquisição dos citados imóveis seja por usucapião. Está conforme ao original e certifico que na parte omitida nada há em contrário ou além do que nesta se narra ou transcreve. Abrantes, 22 de Março de 2012 A Notária Sónia Maria Alcaravela Onofre (em Jornal de Abrantes, edição 5494 de Abril de 2012)

Até 15 de Maio – Exposição “O Azulejo em Abrantes – Um Percurso de 5 Séculos”- Museu D. Lopo de Almeida Até 27 de Abril – Exposição sobre “Manuel da Fonseca 100 anos” – Biblioteca António Botto Até 4 de Maio – Exposição de pintura e cerâmica de Fernando d’F. Pereira e Ricardo Casimiro – Galeria Municipal de Arte 30, 31 de Março e 1 de Abril – Festival Index – Festival de Cinema e Experimentação 1 a 30 de Abril – Exposição “Doces e Sabores da Páscoa” – produtos regionais e artesanato – Posto de Turismo 11 a 13 de Abril – Jornadas da Juventude - Conjunto de acções, subordinadas à Solidariedade Intergeracional 12 de Abril – Entre nós e as palavras… com o autor Fernando Pinto Amaral – Apresentação do livro “O Segredo de Leonardo Volpi”- Biblioteca António Botto, às 21h30 14 de Abril – Teatro “Amor Intemporal” – Cine-Teatro São Pedro, às 21h30 17 de Abril – “A Menina Dança?” – concerto com o grupo “F&M” – Pequeno auditório do Cine-Teatro São Pedro, às 15h 27 de Abril – Encontro com o autor David Machado – Biblioteca António Botto, às 10h30 e às 14h 28 de Abril – Festival de Tunas – Cine-Teatro São Pedro, às 21h30 Cinema Espalhafitas, Cine-teatro São Pedro, às 21h30: 4 de Abril – “Meia-Noite em Paris” 7 de Abril – “Happy Feet” 11 de Abril – “Drive” 18 de Abril – “Chris Marker – Jogo Político”

Barquinha

Até 30 de Abril – Mostra bibliográfica sobre Agatha Christie - Biblioteca Municipal 14 de Abril - Palestra “Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes: um desafio em construção”, por Isilda Jana – Centro Cultural, às 17h

Constância

2 a 30 de Abril – Mostra Bio-bibliográfica sobre Jorge Amado – Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, das 10h às 18h30 7 de Abril a 6 de Maio – Exposição de fotografia de fotógrafos amadores do Ribatejo – Posto de Turismo 7, 8 e 9 de Abril – Festas do Concelho de Constância 23 de Abril – Maratona de Contos – Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor - Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, das 10h às 18h30 25 de Abril - Descobrir o 25 de Abril a brincar – Museu dos Rios e das Artes Marítimas, das 14h às 17h30 26 de Abril – Grupo de Leitura sobre Jorge Amado Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, às 20h30 DVDteca à Sexta - Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, às 15h: 13 de Abril – “O Gato das Botas – A Verdadeira História” 20 de Abril – “A Missão” 27 de Abril – “Capitães de Abril”

Mação

Até 30 de Abril – Exposição “A poesia está no Ar” – Biblioteca Municipal 5 de Abril – Palestra “Do mundo digital às humanidades digitais: reflectindo o passado e projectando o futuro”, por Danny Rangel – Museu de Arte PréHistórica 18 de Abril – Palestra “Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança” - Museu de Arte Pré-Histórica 28 de Abril – Feira de Artesanato – Largo dos Bombeiros, das 10h às 19h

Sardoal

Até 29 de Abril – Exposição sobre a Filarmónica União Sardoalense “Passado, Presente e Futuro – 150 anos de vida” – Centro Cultural Gil Vicente 5 a 8 de Abril – Exposição de pintura pelo “Clube de Pintura” do GETAS – Atrium do GETAS 7 de Abril – Teatro de Rua “A Paixão de Cristo” – Praça da República e ruas adjacentes, a partir das 15h 7 de Abril – Recital de Piano com Ana Cristina Fernandes – Centro Cultural Gil Vicente, às 17h 29 de Abril - Concerto da Filarmónica União Sardoalense - Comemoração dos 150 anos – Centro Cultural Gil Vicente, às 17h


CULTURA 21

ABRIL2012

AS CARAS DA RÁDIO

“Abrimos-lhes as portas para exposições futuras” Durante praticamente todo o mês de Março, a Galeria Municipal de Abrantes acolheu uma exposição de trabalhos de alunos de Artes Visuais da Escola Secundária Dr. Solano Abreu. Esta apresentação do trabalho escolar ao público abrantino acontece pela primeira vez, em 30 anos. Paula Dias, funcionária da Câmara Municipal de Abrantes, explica que esta exposição “permite aos alunos ver os próprios trabalhos numa outra perspectiva”. A ideia “partiu da Câmara Municipal” e só aconteceu agora porque a Galeria, que “só tem 13 anos”, tem uma programa anual que tem vindo a abranger artistas que já tenham um percurso feito. No entanto, fica a garantia de que a Galeria continua disponível para apoiar exposições como esta, de candidatos a artistas: “Abrimos-lhes as portas para exposições futuras.” Desde o início da exposição, várias foram as visitas à Galeria, até pelas particularidades dos autores dos trabalhos expostos. “Veio a família, vieram os pais orgulhosos e os colegas, notando-se uma afluência muito maior de pessoas”, conta Paula Dias. Um facto curioso foi o facto de aparecerem visitantes interessados em comprar os trabalhos. “Já apareceram pessoas a querer comprar os trabalhos expostos.” Bárbara Catarino, de 17 anos, percebe a importância de ter o trabalho exposto

num espaço público. “A exposição é muito importante para nós, para as pessoas terem acesso ao nosso trabalho, porque normalmente quando fazemos os trabalhos só os professores é que os vêem.” Perante a possibilidade de vender o seu trabalho, garante que o faria. Luís Reis, professor de Artes Visuais na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu e responsável pela exposição, considera que a iniciativa “é importante para a boa imagem da Escola e, principalmente, para o reconhecimento do bom trabalho feito”. Para os alunos, é uma mais-valia, pois “vir cá para fora é outro degrau que se sobe”. Por outro lado, “a escola tem sempre a preocupação de mostrar o trabalho e fazer com que os outros usufruam do trabalho”. Para além desta exposição, os alunos da Solano de Abreu foram também desafiados a participar na recuperação das esculturas de ferro espalhadas por alguns pontos da cidade (por exemplo, junto ao Edifício Pirâmide) que começam a ficar deterioradas. A ideia é voltar a ter as esculturas com as cores que tinham anteriormente. Aliás, estes estudantes de Artes têm já realizado trabalhos de intervenção no património da região, como foi o caso da recuperação de painéis de azulejos da Casa Agrícola da Quinta do Valle da Louza.

Emissão com Carlos Aparício: Das 15h00 às 17h00 ao sábado

Carlos Aparício - “Nunca esperei vir a fazer rádio como locutor” Começou a trabalhar em rádio na RAL, logo nos primeiros anos de emissão. A sua paixão sempre foram os botões. “Fazer técnica”, como na altura se chamava. Carlos Aparício foi técnico de som na RAL durante anos a fio. Técnico de som de programas em directo, mas também o responsável por todos os programas gravados, na altura em cassetes e mais tarde em bobines. Natural de Arreciadas, onde nasceu a primeira rádio local do país, cedo rumou para Lisboa onde ainda hoje reside. Especializou-se em informática e é nesta área que actualmente desenvolve a sua vida profissional. Por via disso, foi obrigado a deixar os botões da rádio. No entanto, o chamado “bichinho da rádio” nunca o deixou. Quando em 2010 a Antena Livre comemorou os 30 anos

de emissões regulares, Carlos Aparicio assistiu à Gala da Antena Livre e, em conversa com os responsáveis da estação emissora, partilhou um site que o próprio havia construído para comemoração dos 30 anos da rádio. Um site através do qual podia ser ouvida uma emissão on line 24 horas por dia, com vozes, jingles e programas que foram sucesso ao longo dos anos, bem como spots publicitários da altura. Foi através desta emissão on line que Carlos Aparício também fez ouvir a sua própria voz. Estava, no entanto, longe de imaginar que de um momento para o outro se visse de novo envolvido nas ondas do FM, mas foi isso mesmo que aconteceu. A sua voz radiofónica não passou despercebida à Direcção de Programas da Antena Livre, que logo o convidou

para dar a voz a um programa, convite que acabou por aceitar, apesar de ter hesitado, pois na realidade nunca tinha dado a voz a programas. Entusiasmado com a ideia, Carlos Aparício acabou por remodelar e aperfeiçoar o estúdio que já tinha em casa e é aí que produz a emissão que todos os sábados pode ser ouvida entre as 15h e as 17h, desde 2010. Em 2011 começou também a dar voz a diversos spots comerciais da estação emissora. O locutor confessou ao JÁ: “Nunca esperei vir a fazer rádio como locutor, mas estou a adorar a experiência, e estarei na Antena Livre enquanto me quiserem. É para mim um orgulho fazer parte desta equipa que mantém no ar todos os dias uma emissão de muita qualidade”. Paulo Delgado

Miguel Freire aluno de Comunicação Social da ESTA

jornaldeabrantes


jornaldeabrantes


PUBLICIDADE 23

ABRIL2012

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SARDOAL

EDITAL Nº 03 / 2012 MIGUEL JORGE ANDRADE PITA MORA ALVES PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SARDOAL

FAZ PÚBLICO que, para efeitos do art.º 91º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, na redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro, se publicam as deliberações da Assembleia Municipal, tomadas em sessão ordinária, realizada no dia 28 de fevereiro de 2012:

ABRANTES

- Alteração Regulamento do Cartão Municipal do Idoso; (Deliberado por unanimidade aprovar);

E para constar se lavrou o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares públicos de estilo.

André Filipe Vieira N. 22-03-1980 - F. 08-02-2012

AGRADECIMENTO Paços do Município de Sardoal, 06 de fevereiro de 2012 O Presidente da Assembleia Municipal Miguel Jorge Andrade Pita Mora Alves

Na impossibilidade de o fazer pessoalmente e individualmente a todos quantos de dignaram associar-se às cerimónias fúnebres ou endereçaram mensagens de condolências, à família de André Filipe Vieira vêm por este meio manifestar-se profundamente sensibilizada e expressar o seu reconhecimento pelas manifestações de carinho e pesar recebidas aquando do falecimento do seu querido. Descansa em paz.

Paulo Jorge da Silva Ferreira Eurico Heitor Consciência

ADVOGADOS

N. 31-12-1969 - F. 24-02-2012

João Roboredo Consciência Teresa Roboredo Consciência Rui Roboredo Consciência

ABRANTES: Ed. S. Domingos - Rua de S. Domingos – 336 – 2º A – Apart. 37 Tel. 241 372 831/2/3 – Fax 241 362 645 - 2200-397 ABRANTES LISBOA: Rua Braamcamp – 52 – 9º Esqº Tel. 213 860 963 – 213 862 922 - Fax 213 863 923 - 1250-051 LISBOA E.Mail: consciencia-839c@adv.oa.pt

Agradecimento Sua esposa, filhas e restante família, na impossibilidade de o fazerem pessoalmente, vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que velaram, e acompanharam o seu ente querido à sua última morada. A todos o nosso reconhecimento

CENTRO MÉDICO E DE ENFERMAGEM DE ABRANTES Largo de S. João, N.º 1 - Telefones 241 371 566 - 241 371 690

CONSULTAS

POR

ACUPUNCTURA Dr.ª Elisabete Serra ALERGOLOGIA Dr. Mário de Almeida; Dr.ª Cristina Santa Marta CARDIOLOGIA Dr.ª Maria João Carvalho CIRURGIA Dr. Francisco Rufino CLÍNICA GERAL Dr. Pereira Ambrósio - Dr. António Prôa DERMATOLOGIA Dr.ª Maria João Silva GASTROENTERELOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA Dr. Rui Mesquita; Dr.ª Cláudia Sequeira MEDICINA INTERNA Dr. Matoso Ferreira NEFROLOGIA Dr. Mário Silva NEUROCIRURGIA Dr. Armando Lopes NEUROLOGIA Dr.ª Isabel Luzeiro; Dr.ª Amélia Guilherme

MARCAÇÃO

OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA Dr.ª Lígia Ribeiro, Dr. João Pinhel OFTALMOLOGIA Dr. Luís Cardiga ORTOPEDIA Dr. Matos Melo OTORRINOLARINGOLOGIA Dr. João Eloi PNEUMOLOGIA Dr. Carlos Luís Lousada PROV. FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Patricia Gerra PSICOLOGIA Dr.ª Odete Vieira; Dr. Michael Knoch; Dr.ª Maria Conceição Calado PSIQUIATRIA Dr. Carlos Roldão Vieira; Dr.ª Fátima Palma UROLOGIA Dr. Rafael Passarinho NUTRICIONISTA Dr.ª Carla Louro SERVIÇO DE ENFERMAGEM Maria João TERAPEUTA DA FALA Dr.ª Susana Martins

jornaldeabrantes



jornal de abrantes