Page 1


Dndos Internacionais de Catalogação na Publicação (C1P) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Kinncr, Janna Manual de primeiro* socorros para ministério com jovens e adolescentes / Jannn Kinncr ; tradução Bruno G. Dcsrcfxmi — Sáo Paulo: Vida Nova, 2008. Titulo original: Emergcncy Response. Hiuulbooíc for Youth.

ISBN 978-85-275-0388-4 1. Aconselhamento pastoral 2. Igreja - Trabalho com jovens I. Título

08-02174

CDD-259.23 índices para catálogo sistemático: 1. Jovens c adolescentes : Ajuda : Ministério pastoral 259.23


Manual de primeiros

socorros para ministĂŠrio

C O LA B O R A D O RE S

Bn'an Diedejeremy Holburn, Joy-Elizabeth F. Lawrence, James W. Miller, Siv M. Ricketts, Summer Rivers Salomonsen, Christina Schofield, Fred Whaples e CurtĂ­s A. Kregness


EDITOR GERAL

Janna Kinner TRADUÇ ÃO

Bruno G. Destefani VIDA NOVA


Copyright ©2007 Group Publishing, Inc. Título Original: Group's Emergency Response Handbook for Youth Ministry Traduzido da edição publicada pela Group Publishing, Inc., 1515 Cascade, Avenue, Loveland, Colorado 80538, USA. 1.a Edição: 2008 Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados por SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA, Caixa Postal 21266, São Paulo, SP, 04602-970 www.vidanova.com.br Proibida a reprodução por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos, gravação, estocagem em banco de dados, etc.), a não ser em citações breves com indicação de fonte. ISBN 978-85-275-0388-4 Impresso no Brasil / Printed in Brazil SUPERVISÃO EDITORIAL

Marisa Lopes

COORDENAÇÃO EDITORIAL

Curtis A. Kregness

REVISÃO Eulália P. Kregness Curtis kregness REVISÃO DE PROVAS

Ubevaldo G. Sampaio

COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO D1AG RAM AÇÃO CAPA

Julio Carvalho

SK editoração

Sérgio Siqueira Moura


Sumário Prefácio

..................................................... 7

Introdução

..................................................... 9

Capítulo um

Sofrimento da perda ................................. 13

Capítulo dois

Depressão ................................................ 25

Capítulo três

Suicídio ..................................................... 39

Capítulo quatro

Vícios ........................................................ 51

Capítulo cinco

Divórcio..................................................... 65

Capítulo seis

Violência e abuso sexual ......................... 77

Capítulo sete

Gravidez e aborto ..................................... 89

Capítulo oito

Problemas escolares ............................... 101

Capítulo nove

Conflitos familiares................................... 113

Capítulo dez

Estresse e ansiedade .............................. 125

Capítulo onze

Comportamento autodestrutivo ............. 139

Capítulo doze Capítulo treze

Identidade e escolhas sexuais .............. 151 Emprego .................................................. 163


Prefácio

Quantas vezes você já não ouviu alguém compartilhar sobre alguma experiência difícil que viveu em seu ministério? Quantos já não passaram por aqueles momentos em que você parece não saber o que dizer ou como agir diante de determinada situação? Pastores, líderes ou mesmo voluntários constantemente se deparam com desafios desse tipo, mas precisam estar preparados para desempenhar na vida das pessoas o papel para o qual Deus um dia os chamou. É evidente que a Palavra é o recurso primordial de todos que são ministradores da graça e do amor de Deus na vida do próximo. Mas quem disse que só existe uma forma de ministrá-la? Muitos são os exemplos que encontramos na Bíblia em que essa ministração acontece nos mais diferentes contextos e sob as mais variadas formas. Mas como fazer isso nos dias de hoje? Essa é justamente a proposta da série Manual de Primeiros Socorros para Ministério: como ministrar a Palavra ao próximo de uma forma adequada aos problemas e questões atuais. O primeiro livro da série trata de questões enfrentadas no ministério com jovens e adolescentes. Os demais tratarão de questões específicas dos ministérios infantil, feminino e com pequenos grupos. Como consolar os que choram, como acalmar o coração dos aflitos, como ministrar aos feridos de alma que vivem dramas pessoais, emocionais, familiares e tantos outros tão específicos desse nosso tempo: eis o objetivo cios livros da série Manual de Primeiros Socorros para Ministério. Que eles possam ajudá-lo a estar cada vez mais bem preparado para o ministério que o Senhor lhe confiou.


Introdução

É complicado ter de lidar com a morte de um ente querido, ou com a depressão ou enfrentar um vício. É difícil, doloroso e brutal. Entretanto não temos de fazer isso sozinhos. Os cristãos nunca deveríam ter de enfrentar provações sozinhos, principalmente os adolescentes ou os jovens. As pessoas ao redor deles — irmãos e irmãs em Cristo — devem se prontificar a ajudá-los. “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo" (G1 6.2). Embora não seja fácil enfrentar provações, é igualmente difícil estar fora delas e tentar ajudar adolescentes ou jovens que estejam sofrendo. Não sabemos o que fazer. Temos medo de ferir os sentimentos deles, reagir da maneira errada, ou dizer algo ina- propriado. É claro que nos importamos, pois amamos esses jovens! Queremos ajudar, mas simplesmente não sabemos como. O Manual de primeiros socorros para ministério com jovens e adolescentes irá auxiliá-lo a caminhar ao lado dos jovens que estão enfrentando períodos difíceis. Com dicas de cuidado e conselho, idéias práticas para grupos, sugestões sobre o que dizer e o que não dizer, este livro oferece informações importantes para que você cuide dos jovens que estão sofrendo. Obviamente, seria ótimo se você nunca tivesse de utilizar este livro! Entretanto a realidade é que todos nós atravessamos períodos difíceis — inclusive os adolescentes e jovens de sua comunidade e a família deles. Eles precisam de sua ajuda. Portanto, quando alguém que você ama estiver sofrendo por causa do divórcio dos pais, ou lidando com um distúrbio alimentar ou


pensando em suicídio... é hora de utilizar este guia. Consulte o sumário para encontrar a condição específica com a qual você tem de lidar e estude o capítulo. Você encontrará ali uma narrativa verídica — o caso de alguém que já esteve na situação em questão. Em alguns casos, o texto servirá de inspiração, e você constatará como o apoio e o amor de um líder de jovens forneceu sustento para alguém que atravessou um período extremamente difícil. Em outros, a narrativa é triste e mostra a história de pessoas que foram abandonadas durante uma tragédia ou rejeitadas quando enfrentavam uma provação. De qualquer maneira, essas histórias irão tocá-lo, e lhe mostrarão a importância de sermos amigos e líderes dedicados. Cada capítulo oferece ainda dicas de amparo, conselhos e idéias para demonstrar amor na prática. Desde diretrizes sobre como ouvir os jovens, agir como mediador em uma discussão e até estimular lembranças de maneira intencional, essas idéias irão ajudá-lo a dar apoio eficiente para os jovens que estão sofrendo. Em seguida, você encontrará uma parte bastante importante sobre o que dizer e o que não dizer a quem sofre. As palavras que usamos podem ajudar ou machucar uma pessoa mais do que imaginamos. Essa parte irá auxiliá-lo a evitar comentários errados e utilizar outros mais adequados. Você também encontrará trechos em cada capítulo que apresentam auxílio bíblico e diretrizes sobre como encaminhar os jovens e adolescentes a um conselheiro profissional. Damos sugestões de livros e sites relacionadas na internet (Edições Vida Nova não se responsabiliza por informações contidas em fontes externas). Este livro é seu guia e irá fornecer ajuda durante uma crise, mas ele não substitui conselhos médicos


ou legais. Em algumas situações você terá de buscar ajuda profissional ou o conselho de seu pastor. Pedimos a Deus que este livro o ajude a prestar auxílio aos jovens e adolescentes nas horas difíceis de suas vidas.

“É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus" (2Co 1.4).


•J

CAPÍTULO UM

Sofrimento da Perda Dando apoio aos jovens diante da morte de um ente querido Dicas de aconselhamento de Julia A. Odell Dicas de ministração de Slv M. Ricketts

Querido diário, Faz três semanas e dois dias que meu pai morreu, e essa é a primeira vez que eu tive vontade de escrever. Nem sei por que quero fazer isso agora. Talvez o choque inicial já tenha passado e eu esteja tão triste que precise extravasar de algum modo. Pelo menos já consigo chorar. Ouvi uma criança do vizinho chorando no dia depois da morte do meu pai e quase senti inveja. Tive vontade de chorar como um bebê, mas nada de lágrimas. Agora estão vindo... Parece que alguém arrancou um pedaço do meu coração, e eu não tenho com quem conversar. A maioria das pessoas não está interessada, de verdade, em ouvir sobre tudo isso. É claro que fariam um esforço, mas, ao mesmo tempo, não quero lançar um fardo sobre ninguém. Meus amigos tiveram muita paciência comigo durante a doença de meu pai e eu acho que já se cansaram, se não de mim, pelo menos da situação. Agora que ele se foi, e principalmente depois que algum tempo se passou, meus amigos reagem como se a vida pudesse voltar ao normal. Sinto muito — não sei mais o que é “normal”. Acho que eles simplesmente não têm a mínima idéia do que dizer, e, portanto, tentam ignorar tudo isso. Quem me dera...


Esta manhã fui à igreja pela primeira vez desde que papai morreu. Sei que preciso de Deus, mas ainda me sinto muito constrangido para me aproximar das pessoas. Não sei como me comportar. Não tinha certeza se iria ao culto, mas o Guilherme me ligou perguntando se eu queria uma carona. É claro que eu podia ter ido sozinho, mas como disse, não estava muito a fim. Foi bom ter saído com um amigo, ter alguém para fazer companhia, para entrar na igreja comigo e sentar do meu lado. Eu me senti deslocado, e não consegui ficar no lugar costumeiro. Foi a primeira vez que estive entre um grupo grande de pessoas desde o velório, e, naquela ocasião, a maioria dos presentes era de amigos da minha mãe. Guilherme não se importou de sairmos rapidinho assim que o culto terminou. Eu não aguentaria suportar os olhares tristes e as palavras bem intencionadas — não estou pronto para agradecer as condolências de pessoas que não me conhecem direito ou nem se importaram de me visitar. Acho que desabaria se isso acontecesse. Seria muito constrangedor pra todo mundo. Tomara que as pessoas entendam que meu mundo virou de cabeça pra baixo, e que me aceitem quando eu estiver totalmente pronto para “fazer um social” de novo. Simplesmente não posso acreditar que meu pai morreu. Sem mais nem menos, vejo cenas da vida com ele: minha irmã caçula dançando apoiada nos pés dele, a gente tomando sorvete depois do teatro da escola, aquele jantar chique de quando concluí o primário, e das férias e feriados. E então ele ficou doente. A pele dele ficou amarelada, muita estranha. Ele passou a andar devagar e encurvado. Lembro do meu pai na cama do hospital. Quando o fim chegou, eu queria acreditar que teria mais algumas semanas de vida, mas na verdade, teve poucas horas. E então foi uma bênção para ele e para todos nós aquele sofrimento ter acabado. Mas odeio quando as pessoas dizem isso. Tenho de enfrentar tudo, e não aguento essa gente que me faz sentir culpado pela maneira de lidar com a situação. É interessante como cada pessoa encara isso de maneira diferente. Minha irmã tem sido capaz de aliviar a tensão e nos fazer


rir nos momentos certos. Meu irmão ficou fascinado com todos os procedimentos médicos, e até chegou a consolar o papai, explicando o que estava acontecendo. Minha mãe tem estado muito quieta, fazendo de conta que está tudo normal. Tive muitos altos e baixos. Alguns momentos foram bons e outros muito ruins, e eu nunca sabia como me sentiria no instante seguinte. Papai, sinto muita saudade! Hoje de manhã, o Guilherme foi muito legal. No carro, ele perguntou se eu queria conversar, e falamos um pouco. Então eu perguntei a respeito do “mundo lá fora” — pelo menos é assim que eu vejo as coisas atualmente, o mundo além da minha angústia. Guilherme falou do que havia acontecido na escola e no grupo de jovens, e me contou algumas histórias engraçadas sobre pedidos estranhos que as pessoas fazem para ele na cafeteria onde trabalha. Nós demos risada e eu me senti bem. Com certeza não tenho me divertido muito recentemente. Depois do culto, saímos para almoçar, assistimos a um filme meio bobo na televisão, e então fomos levar meu cachorro pra passear. Foi bom só jogar conversa fora. Com um amigo igual a ele, talvez, aos poucos, eu consiga voltar à vida normal. Quando estava indo embora, Guilherme me perguntou o que dizer às pessoas que se interessassem em me ajudar. Pergunta difícil. Minha mãe parece gostar que tragam comida. Nenhum de nós tem muito apetite, mas é preciso um bom tanto de comida para quatro pessoas, mesmo que comam pouquinho, e a mamãe ainda sem vontade de cozinhar. Ela também gosta de ver pessoas sem ter de se esforçar pra isso. Elas vêm até aqui, trazem comida, conversam um pouco e vão embora. As vezes oram com ela, ou conosco, e isso também é bom. Acho que depende do quanto se sentem à vontade com isso. Quando ficam constrangidas para falar de morte, então as orações ficam um horror. Mas algumas pessoas parecem ter o dom da oração, porque durante e depois eu me sinto melhor, com mais esperança, como se tivessem feito um buraco no telhado de nossa casa para Deus derramar suas bênçãos sobre nós. Mas que tipo de gente eu quero por perto? Não tolero esse povo


que adra que sabe como eu me sinto, ou que tenta descrever como eu me sinto, ou que imagina saber do que eu preciso, ou que pensa que sabe o que preciso ouvir pra me sentir melhor. Mais do que ninguém, eu gostaria de pôr um fim nesses altos e baixos. Mas, por enquanto, é nessa situação que me encontro. Tenho que me contentar com isso. Às vezes gostaria que as pessoas simplesmente aparecessem e ficassem por aqui um pouco, mas sem fazer tantas perguntas. Outras vezes gostaria que elas prestassem atenção no que eu digo. Acho que algumas poderiam me ajudar a encontrar motivação, oferecendo-se, por exemplo, para ir estudar comigo na biblioteca, mesmo que estejamos em matérias diferentes. Ou então, como fez o Guilherme, vir aqui e me acompanhar no passeio com o cachorro. O coitadinho tem ficado muito tempo no quintal últimamente. Eu costumava ter uma grande lista de tarefas domésticas. Pois é, falando a verdade, sei que ninguém quer me ajudar com isso, mas eu terminaria mais rápido com o “apoio” de alguém; o quintal está que é um abandono só. Para mim a melhor ajuda que eu poderia receber seria ter pessoas que falassem e agissem com amor. Perdi uma grande fonte de amor. Ninguém nunca irá substituir meu pai, e ninguém nunca irá me amar do jeito que ele amou. Entretanto, saber que sou amado — e que existem pessoas na minha vida que irão me apoiar, me ouvir, orar por mim e me ajudar de modo que eu possa ouvir, ver e sentir que não estou sozinho — isso seria uma ajuda imensa.


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Muitos jovens e adolescentes terão de lidar com a morte de um dos pais, um parente ou um amigo. Você pode ajudá-los se entender o processo que estão enfrentando. 0 sofrimento da perda se desenvolve em estágios previsíveis

Esses estágios incluem choque ou negação (“Isso não está acontecendo comigo”), ira (“Por que está acontecendo comigo?”), sensação de culpa (“A culpa é minha”), tentativa de barganha (“Prometo me tornar uma pessoa melhor se...”), amargura ou depressão (“Não me importo mais”) e aceitação (“Estou pronto para o que vier em seguida”). A negação é um mecanismo normal que nos protege de um fluxo muito grande de emoções num tempo muito curto. Se nos déssemos conta instantaneamente e aceitássemos a plena realidade da morte de um ente querido, com todas as suas consequências, ficaríamos arrasados. Entretanto, uma vez. que a perda vem aos poucos, podemos lidar com ela lentamente. 0 sofrimento da perda se manifesta de modo diferente em cada pessoa

O desenrolar desse sofrimento ocorre de maneira distinta em cada pessoa. Uma vez que as emoções do sofrimento começam, a pessoa não irá atravessá-lo de modo linear, completando um estágio e passando para o seguinte. Em vez disso, a pessoa que lida com o sofrimento da perda geralmente percorre um ciclo através dos estágios. E possível que ela experimente ira em um dia (ou mesmo em uma hora) e amargura no dia seguinte. É muito importante


deixarmos a pessoa experimentar e assimilar cada um desses estágios e emoções. A intensidade e a duração do sofrimento irá variar com o tipo da perda, a capacidade da pessoa de lidar com a situação, experiências anteriores e a disponibilidade de recursos que a ajudem a superar o problema.

Cuidados Embora ajudar os jovens a lidar com o sofrimento da perda exija um compromisso de longo prazo, há algumas atitudes imediatas e úteis que você pode tomar. Ouvir

A coisa mais benéfica que você pode fazer por um adolescente ou jovem que experimenta esse sofrimento é ser um bom ouvinte. Ele irá precisar de um local seguro para compartilhar sentimentos e pensamentos. Ser um bom ouvinte demanda tempo e energia. As pessoas que experimentam o sofrimento da perda podem desejar conversar a respeito do falecido incessantemente, às vezes relembrando situações e experiências. Enquanto estiver ouvindo, não dê conselhos, a menos que a pessoa peça. Trate a situação com normalidade

Você pode ajudar o adolescente ou o jovem a entender que os sentimentos que ele tem a respeito da perda são normais. Não gere expectativas sobre como a pessoa deve se sentir — qualquer sentimento é normal e deve ser aceito. Se a pessoa disser que está se sentindo triste ou culpada a respeito da morte do ente


querido, mesmo uma simples afirmação do tipo: “Isso á bastante normal", pode ser útil para ajudá-la a entender que não está ficando louca e não está sozinha. Dê continuidade às atividades normais

Assim que possível, após uma perda, ajude o jovem a retomar suas atividades, tais como incentivá-lo a freqüentar as reuniões da igreja ou as programações do grupo. Restaurar parte da normalidade ajuda a pessoa a se dar conta de que outras partes da vida podem ter continuidade, e isso a ajudará a não se isolar nem entrar em depressão. Não se esqueça da família

Com certeza a perda causa impacto nos pais, irmãos e outros familiares do jovem. Essa é uma excelente oportunidade para você fazer e firmar amizade com a família por meio de visitas e ajuda prática. Existem muitas coisas que você e seu grupo de jovens podem realizar, tais como estar presente durante o enterro, varrer a calçada, ou preparar refeições. QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL -------------------------------------------------Se o jovem ou o adolescente apresentar algum dos comportamentos listados a seguir, procure ajuda com um conselheiro ou psicólogo cristão. + A pessoa não está disposta ou é incapaz de conversar a respeito de seus sentimentos com relação à perda. A rotina da pessoa com relação à alimentação ou ao descanso mudou significativamente desde a perda, e está impedindo que ela realize tarefas cotidianas. + A pessoa está usando drogas, álcool, comida ou sexo para lidar com a perda.


+ A pessoa se isolou totalmente dos amigos ou dos familiares. + A pessoa parece presa em um dos estágios do sofrimento, e você já exauriu seus recursos emocionais e seu tempo tentando ajudar.

A crise inicial da perda irá passar com o tempo, mas o processo completo poderá demorar um pouco. Continue dando apoio ao jovem das seguintes maneiras: Incentive-o a expressar sentimentos

À medida que o tempo passa, continue a incentivar o jovem a expressar seus sentimentos. Faça perguntas de resposta livre sobre a pessoa falecida, tais como: / Qual sua lembrança favorita [do falecido]? / Que qualidade dele(a) você mais gostava, e por quê? / O que você mais gostaria de dizer a essa pessoa? Escrever um diário é uma maneira eficiente de o adolescente ou o jovem expressar e lidar com os sentimentos. Encoraje-o a escrever antes de dormir, para recapitular os eventos do dia e identificar as muitas emoções que experimentou. A pessoa pode ler o que escreveu para um amigo ou alguém que lhe esteja dando apoio, ou pode manter o diário apenas para si mesma. Participe de atividades terapêuticas

Você também pode tomar parte em atividades terapêuticas com o jovem. Pedir que ele mostre e fale a respeito de fotos da pessoa falecida é uma maneira tranquila de lidar com as etapas desse tipo de sofrimento. Outras atividades podem simbolizar o ato de entrega, tais como — acompanhado de um amigo — colocar um barco de brinquedo num rio ou soltar balões. Seria bastante útil a pessoa


escrever uma carta de despedida e colocá-la no barco ou num balão. Você pode- ria orar em voz alta ou ler uma passagem das Escrituras, como o Salmo 121, por exemplo, antes desse ato simbólico. A ira/raiva pode ser extravasada em atividades físicas, tais como socar um travesseiro ou algo parecido, jogar bola, dar uma corrida. A atividade física permite que o jovem libere energia, expresse frustração e dê vazão à raiva de maneiras que não causem danos a si mesmo, a outras pessoas ou a alguma propriedade. Cuide de você mesmo

Ministrar a alguém que esteja lidando com o sofrimento da perda recente de um ente querido pode ser desgastante física, emocional e espiritualmente. É muito importante desenvolver um sistema de apoio. Não veja a si mesmo como o único que pode ajudar o jovem. Procure amigos e familiares que estejam dispostos a participar. Você pode sugerir que outros adultos ou jovens dêem telefonemas e façam visitas. AUXÍLIO BÍBLICO + Salmo 23 + Salmo 31.9, 14 + Salmo 139.13-16 + Lamentações 3.31-33 ♦ João 11.17-44

+ Romanos 5.1-5 + Romanos 8.35-39 + 2Coríntlos 4.6-12

+

Filipenses 3.10-14 + 1 Pedro 1.3, 4


Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Vá a igreja junto com o jovem

Ofereça uma carona à pessoa. Sair de casa pode ser um passo bastante difícil para quem está sofrendo com a perda de um ente querido. O fato de a pessoa saber que não precisa realizar esse esforço sozinha pode ser muito reconfortante. Lembre-se de datas importantes

Organize seu grupo para que cada membro telefone ou escreva um cartão ao jovem em questão todas as semanas durante o primeiro mês, e depois mensalmente, por pelo menos seis meses. Lembre o jovem de datas especiais tais corno feriados, aniversários e aniversário da morte do ente querido. Ele precisa de lembranças tangíveis de seu amor e seu apoio por um longo tempo, e não apenas nas primeiras semanas da perda. O sofrimento vem em ondas e geralmente se torna mais intenso exatamente quando imaginamos que esteja diminuindo. Ore com a pessoa

Cubra o jovem com orações, lembrando-o gentilmente Daquele que o conhece melhor do que ele próprio, que o ama, que sempre estará com ele, e que oferece esperança para o dia de hoje e o amanhã.

0 que não dizer "Sei exatamente como você se sente".

O processo do sofrimento da perda é tão pessoal que não podemos ter idéia de como alguém se sente, mesmo que


também estejamos sofrendo. O jovem pode não ter certeza de como está se sentindo a cada momento, e, portanto, você não deve imaginar que sabe. Dê tempo e espaço para que a pessoa compartilhe com você corno se sente durante esse processo. "Foi melhor assim".

Isso pode até ser verdade, mas mesmo nesses casos não devemos fazer tal afirmação. A pessoa que sofre pode declarar isso, mas, se você o diz, pode soar como se estivesse menosprezando os sentimentos de perda e a tristeza dela. E pior, pode parecer um tanto egoísta. "Ele (ela) sempre estará em seu coração".

Obviamente, a pessoa que sofre sempre terá lembranças do falecido, mas neste momento ela preferiría ter a presença física do ente querido a seu lado.

0 que dizer "l\lão sei o que dizer neste momento".

O sofrimento da perda pode fazer com que até a pessoa mais confiante se sinta desconfortável. Portanto, se você não sabe o que dizer, admita. A sinceridade traz consolo. "Você quer conversar sobre isso?"

Em algumas situações, é bom conversar. Em outros casos, o silêncio é o mais indicado. Às vezes a pessoa gostaria de olhar um álbum de fotografias e compartilhar lembranças; em outros períodos, pode querer se distrair jogando conversas fora e falando sobre qualquer outro assunto.


"Como posso ajudar?"

O jovem pode ser um grande apreciador de filmes, por exemplo, mas, diante do ocorrido, talvez deseje sair para dar uma caminhada. A pessoa pode querer dar seqüência à vida como se nada houvesse acontecido, ou desejar que você faça o mundo parar por algum tempo (buscando os trabalhos da escola, fazendo a feira ou substituindo-a em alguma responsabilidade, como, por exemplo, dar aula na escola dominical) para que ela possa vivenciar esse período de sofri- menco. Ela pode nem mesmo saber o tipo de ajuda de que necessita. Nesse caso, procure-a novamente depois de alguns dias ou após urna semana para ver se ela já tem idéia de como vocé pode ajudar de modo produtivo. RECURSOS —ADICIONAIS — ♦ Livros Aconselhamento Cristão — Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 20C4, "A dor da perda", p. 406. Palavras de consolo para momentos de dor. K Norman Wright. São Paulo: Editora Mundo Crisrão, 2006. Crises e perdas na família. Jorge Maldonadc. Viçosa: Ultimato, 2005. + Internet http://www.sdelo.br/pdf/prc/vl6n3Aa6n3al6.pdf (Psicologia: Reflexão e Critica, 2003, 16(3), pp. 577- 589. ''Experiências de perda e de luto em escolares de 13 a 18 anos")

DOIS


Depressão Dando apoio aos jovens deprimidos

Dicas de aconselhamento de Rebekah Knight-Baughman Dicas de ministração de Siv M. Ricketts

Cleusa tem dezoito anos e está quase concluindo o ensino médio. Ela luta contra a depressão desde a infância. Manual de Primeiros Socorros: Quando foi que você descobriu que tinha depressão? Cleusa: Não sei dizer. Sempre achei que era normal, que todo mundo se sentia assim. Não me lembro de nenhum momento em minha vida em que não me sentisse deprimida. Nunca tive muita autoconfiança, c sempre era um alvo fácil para a chacota de outras pessoas — principalmente aquelas que eu pensava serem minhas amigas. Elas me contavam segredos, porque eu sempre fui muito boa em guardar segredos, mas nunca retornavam o favor. Meus segredos se tornavam motivo de pia- dinhas na escola. Mas como aqueles eram meus amigos, eu aceitava sem questionar. Eles riam de mim, mas me procuravam em seguida. Eu não sabia direito como lidar com isso. Por fim, as pessoas começaram a dizer coisas do tipo: “Você está sempre tão triste”, mas mesmo nessa época eu não percebi o problema. Todos também eram deprimidos, ou pelo menos diziam que eram. Na época, era “legal” sofrer de depressão. Por fim, meus pais me levaram a um terapeuta. O diagnóstico foi depressão. Eu não era apenas triste; sofria de um quadro crônico da doença. MPS: Qual é a diferença? Cleusa: Todos enfrentam períodos na vida em que se sentem


tristes, e geralmente por um bom motivo: se começam a estudar em uma nova escola e não conhecem ninguém; se o cachorro morre; se não são escolhidos para o time de futebol; se vão mal numa prova importante que pode afetar muito a nota geral. Esse ripo de coisa. A depressão pode começar com um evento traumático, mas ela não desaparece. Você se sente triste muito tempo depois de o problema terminar. E a depressão pode ser um problema biológico em que o corpo não regula os hormônios corretamente. Às vezes é preciso tomar remédios para lidar com ela. MPS: Você já tomou esses remédios? Cleusa: Sim. Mas eles pioraram minha condição, me deixaram sem controle. Eu não conseguia dormir mais do que três horas por noite. Falava tão rápido que as pessoas não conseguiam me entender. Pensei que estava mesmo ficando maluca. Em meu caso, o médico suspendeu o tratamento com remédios. MPS: E sobre a terapia? Cleusa: Tive alguns bons terapeutas, mas a maioria era ruim. Um deles conversava comigo como se eu tivesse quatro anos de idade. Ele me mandava tirar perguntas do “jarro do urso” para que tivéssemos um tópico para conversar a respeito. Fala sério, eu já estava no segundo grau! Conheço outras pessoas que fazem terapia, e elas dizem que dá resultado. Na maior parte do tempo, tentei encontrar outras maneiras de lidar com meu problema. MPS: Corno o quê? Cleusa: Exercício físico é a melhor. Isso naturalmente eleva o nível de endorfina no organismo, o que nos faz sentir bem. E difícil começar (se você acha difícil, imagine só quando se está deprimido: você só quer dormir o tempo todo!), mas mesmo uma única sessão de exercícios pode me fazer sentir muito bem. E, quando eu me exercito regularmente, também durmo melhor, o que ajuda em rudo. E a minha igreja também. O grupo de jovens me estimula a “mexer o esqueleto”, a fazer atividades. É a melhor coisa que eu tenho na vida. Sou muito grata a Deus por ter me feito encontrar essa


excelente igreja. Não consigo explicar exatamente, mas eu adoro. MPS: Vamos voltar um pouco. Você consegue descrever a sensação de depressão? Cleusa: Acho que todos têm ideia de como seja, mas imaginemos o seguinte: pegue suas lembranças tristes, multiplique-as, e então dê continuidade a elas ao longo de toda a vida. A depressão nos leva a não querer fazer nada — não ter amigos, não praticar esportes, abandonar tudo que gostávamos antes. A pessoa fica num estado letárgico. Só quer dormir e ficar sozinha. Fica irritada quando tem de interagir com o mundo ou quando as coisas não se apresentam da maneira como deseja. Sabe aqueles desenhos animados ou comerciais em que uma nuvem negra segue alguém por todos os lados, chovendo em cima da pessoa o tempo todo? É assim que a gente se sente. A vida fica sombria, tempestuosa, molhada e irritante. MPS: Como as pessoas reagem à sua depressão? Cleusa: Elas desistem. Não notam o problema ou, se notam, não tomam nenhuma atitude. Deixam a gente sofrer, e essa é a pior parte. Eu tinira amigos, mas eles se cornaram muito ocupados. Talvez pensassem que eu também estava ocupada, mas eu não estava. Saberiam disso se tivessem me telefonado. Mas mesmo assim, é difícil perceber que há algo acontecendo. Portanto eles adiavam os telefonemas, dizendo que me ligariam depois, no outro dia ou no fim de semana. Só que o tempo passava e nada acontecia. Os professores, que a gente imagina iriam notar o problema, dizem que somos preguiçosos. Um período bem difícil foi quando eu comecei o segundo grau. Tinha de me arrastar para a sala de aula, e às vezes nem saía de casa. Um dos meus amigos decidiu, sem me comunicar, que faria os trabalhos de uma matéria para mim. Ele sabia que da maneira como eu estava, não conseguiria produzir nada. Ele teve de se esforçar bastante para terminar primeiro o trabalho dele, e então fazer o meu. Não fui à aula naquele dia, e não soube de nada até depois do fato. Ele fez um trabalho excelente. Estava muito bonito e foi realizado com muito talento. A professora teria percebido que não


era possível eu ter feito aquilo. Mas ela não notou. Não recomendo esse tipo de solução. Sei que é errada, mas me ajudou bastante. Talvez meu colega não tenha agido da melhor maneira, mas ele demonstrou que se importava muito comigo. MPS: Seus outros amigos reagiram bem? Cleusa: Tenho uma amiga que, quando a situação fica muito ruim, me liga todas as noites antes de dormir para ver se estou muito cansada. Quando eu não estou, ela conversa comigo até eu ter sono. Tenho outra amiga que me liga toda quinta- feira para planejarmos o que fazer no fim de semana. Elas são excelentes. Sei que posso contar com elas, e que me apoiarão quando eu realmente precisar. MPS: Há mais alguma coisa que você gostaria que as pessoas soubessem? Cleusa: Que a depressão não é o fim do mundo. Com certeza, às vezes parece assim, mas é possível seguir em frente. Existem maneiras de lidar com ela. Seja com terapia, remédios, com a ajuda de familiares e de amigos, ou tudo isso combinado. A depressão é parte de quem eu sou. Quando penso a respeito disso, gostaria de não ser deprimida, mas o que não nos mata nos torna mais fortes, não é mesmo? Apenas temos de ser sinceros com nós mesmos c com as outras pessoas. Temos de nos cuidar, estabelecer limites, sermos saudáveis e fazer o possível para desfrutar a vida.

AUXÍLIO BÍBLICO — + 2Samuel 22.7 +

+ Jeremias 29.11 +

Salmo 42.1-8 +

Lamentações 3.21-26 +

Salmo 107.13-15 +

Romanos 5.1-8 ♦

Salmo 121 + Isaías

Romanos 12.12 +1 Pedro

40.27-31

1.3-9


— REMÉDIOS------------Muitos profissionais da área de saúde mental concordam que as medicações, juntamente com sessões de terapia, podem ajudar as vítimas de depressão grave. Os pais de jovens ou adolescentes deprimidos devem conversar abertamente com um psiquiatra sobre quaisquer perguntas ou preocupações que tenham.

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

A depressão é um problema de temperamento sombrio e opressivo que pode parecer insuportável a quem sofre com ela. O fardo da depressão coloca a pessoa para baixo enquanto ela tenta seguir a vida da maneira costumeira, num período em que a vida não está se desenrolando como de costume. No entanto existe esperança. Compreendendo os sintomas básicos e as causas da depressão, e aprendendo a expressar e a demonstrar interesse de maneiras que a pessoa deprimida aceite, podemos compartilhar o fardo da depressão com o adolescente ou o jovem. Assim ele começará a sentir que o peso está sendo retirado de seus ombros. Se você acha que um jovem está com depressão, procure identificar os seguintes sintomas: + Sintomas emocionais: sensação de desespero, tristeza, desânimo, ansiedade, irritabilidade, choro freqüente, comentários ásperos e maldosos, atitude pessimista, sensação de sobrecarga na vida. + Sintomas físicos: mudança na rotina de alimentação e repouso, reclamações físicas, visitas constantes ao médico, redução na energia, cansaço, fadiga. + Sintomas cognitivos: idéias negativas a respeito de si mesmo,


comentários autodepreciativos, dificuldade de raciocínio, dificuldade de concentração, incapacidade de tomar decisões e pensamentos suicidas. + Sintomas comportamentais: desleixo com a higiene, mudança nos hábitos do sono, incapacidade de desfrutar a vida como normalmente fazia. *•* Sintomas espirituais: dificuldade de se relacionar com Deus e de acreditar na bondade divina, dificuldade de orar, sentimento de desespero ou de culpa. Motivos da depressão

A maioria dos profissionais da saúde mental concorda que uma combinação de fatores internos e externos afeta o ânimo da pessoa. Algumas influências comuns da depressão: / fatores genéticos, bioquímicos e hormonais / histórico familiar de depressão / término de um relacionamento (morte ou rompimento) / sensação de insegurança e perigo / mudar de casa ou de escola •/ pensamentos negativos y isolamento QUANDO BUSCAR --------- AJUDA PROFISSIONAL -----------------------------------------------A depressão clínica é uma doença debilitante que pode ameaçar a vida de quem sofre com ela. É um dos problemas de saúde mental mais comuns, mas que geralmente passa despercebido, principalmente em adolescentes. Busque ajuda de um conselheiro cristão, psicólogo ou psiquiatra quando: + 0 jovem quer ferir a si mesmo Se a pessoa expressa o desejo de tirar a própria vida, busque ajuda. Ligue para a polícia para obter socorro de emergência. (Veja o capítulo 3, ''Suicídio'', para uma lista de fatores de risco.) + 0 jovem pode representar perigo a outras pessoas


Se a pessoa expressa o desejo de machucar outra, leve-a a um profissional da área de saúde mental, e avise a pessoa que o jovem planejava ferir. + 0 jovem não consegue realizar as tarefas diárias Se a pessoa é incapaz de sair da cama, se alimentar e realizar a própria higiene, busque ajuda.

Você pode se unir ao jovem, planejar e executar atividades que o ajudarão a trilhar o caminho em busca da cura. No entanto, isso deve ser abordado com cautela, porque é difícil para a pessoa deprimida compreender o quanto essa doença é debilitante. Para os deprimidos, pode ser difícil reunir energia para tarefas muito simples e fáceis para pessoas sadias — até mesmo dar um telefonema para um amigo ou sair para uma caminhada pode parecer impossível. Tendo isso em mente, a seguir estão algumas dicas que o ajudarão a compreender a situação de um jovem com depressão: Ouça com atenção

Incentivar a pessoa a conversar sobre a depressão irá ajudá-la a compreender melhor a situação. Isso também dará a pessoa uma sensação de controle sobre as emoções, em vez de se sentir controlada por elas. Leve o jovem a sério

Não tente menosprezar o problema. Você pode dar apoio ao jovem demonstrando compreensão e cuidado. Tratar a depressão com certa normalidade também ajudará a pessoa a se sentir menos sozinha. Siga um cronograma

As pessoas deprimidas geralmente têm problemas com o sono


(excesso ou falta) e com a alimentação (falta ou excesso de apetite). Incentive o jovem a obedecer um horário para dormir e alimentar-se de maneira saudável. A rotina ajuda a pessoa a retomar o curso normal da vida. Não faça julgamentos

As pessoas com depressão julgam a si mesmas o tempo todo. Portanto a última coisa de que precisam é de alguém que também as julgue. Aja com paciência e graça. Com isso, você ajudará o jovem a ser mais paciente e gracioso consigo mesmo.


Conselhos Muitas vezes, a depressão exige a intervenção de um con- selheiro profissional. Mesmo nesses casos, existem muitas maneiras de ajudar e aconselhar as pessoas que atravessam esse período difícil. Estabeleça e mantenha a confiança

A confiança exige tempo e demanda que experiências positivas sejam edificadas sobre outras experiências positivas. Entretanto, uma vez que tenhamos ganhado a confiança de alguém, podemos perdê-la facilmente — principalmente se contarmos a outras pessoas assuntos que deveríam permanecer em segredo. Seja bem claro com o jovem a respeito de sua política de confidências — a pessoa deve ficar sabendo de imediato que você não poderá guardar segredo se ela estiver pensando em machucar a si mesma ou a outras pessoas. Confronte raciocínio errado

A depressão atrapalha o raciocínio. Pessoas deprimidas geralmente não se sentem dignas de bons relacionamentos, de serem bem-sucedidas na escola, ou de terem uma ligação íntima com Deus. Ajude o jovem a compreender que a cura da depressão é um processo, e que ele merece ter um relacionamento saudável com outras pessoas e com Deus, e também um futuro promissor. Faça afirmações positivas

A baixa auto-estima pode ser um problema para muitos adolescentes, mas principalmente para aqueles que enfrentam a depressão. Geralmente a pessoa não consegue ter pensamentos positivos a respeito de si mesma. Incentive-a a fazer uma lista de seus atributos positivos, e lembre-a de que foi criada segundo a imagem de Deus.


Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Seja consistente

Poucas coisas podem ser táo dañosas para uma pessoa em depressão do que amigos inconsistentes. A depressão geralmente envolve baixa auto-estima, falta de confiança e pensamentos negativos. E tudo isso é confirmado se alguém com quem a pessoa pensava (ou esperava) poder contar a abandona. Incentive os membros de seu grupo a dar um telefonema para o amigo deprimido todos os dias ou uma vez por semana. Estimule os sentidos da pessoa

A depressão pode criar na pessoa a sensação de estar envolta por um nevoeiro bastante denso. Uma “surpresa” sensorial pode ajudar a mudar esse clima. Leve ao jovem uma flor bem cheirosa ou uma vela aromática (olfato), uma comida favorita (paladar), um CD (audição), um animal de pelúcia ou uma toalha felpuda (tato) ou uma fotografia de um período feliz que passaram juntos (visão). Você só precisa de tempo e criatividade para fazer ao seu amigo uma surpresa carinhosa. Não permita intrusos

Em público, certifique-se de que a pessoa sempre esteja perto do grupo. Isso pode parecer bobagem, mas é muito sério. Por exemplo, na igreja, não deixe o jovem deprimido sentar na ponta da fileira. Verifique se há amigos dos dois lados. A pessoa que fica no extremo pode ter dificuldade de ouvir a conversa dos outros e sentir-se abandonada. Na verdade, para o jovem deprimido, estar na companhia de muita gente pode tornar a solidão ainda maior (aumentando a sensação de insegurança e a preocupação de não estar se relacionando com os outros). Portanto, como grupo, esforcem-se ao máximo para manter o jovem no centro das atividades. Entretanto


seja discreto, não “dê muita bandeira”.

0 que não dizer "Você vai sair dessa".

As vezes a depressão é mais do que um simples período de tristeza e pode exigir o uso de medicamentos. Mesmo quando a pessoa já estiver sob supervisão médica, não espere que ela se sinta bem de imediato. "Pense positivo".

Pensamento positivo é um bom objetivo para se buscar, mas começar dessa maneira pode despertar na pessoa o sentimento de que rodas as suas provações e emoções — e até mesmo sua própria vida — são inválidas. Procure ouvir sem tentar resolver os problemas do jovem. "Não fique tão triste. As coisas não são tão ruins como parecem".

A fisiología, a psicologia e o ambiente podem contribuir para a depressão. Portanto, as circunstâncias nem sempre são as únicas responsáveis. Pensamentos negativos, incluindo desespero ou falta de esperança, e sensação de incapacidade, são partes da depressão, e não devemos menosprezá-las. Entretanto, podemos ajudar o jovem a enxergar a vida por uma perspectiva diferente.


0 que dizer "Vamos dar um passeio".

Pessoas deprimidas tendem a se isolar da família, dos amigos e do mundo. Explique para o jovem que existe um elo entre ficar isolado e sentir-se solitário e deprimido. Por causa da depressão, a pessoa não tem motivação nem energia para sair de casa sozinha. Tome a iniciativa de organizar um passeio do qual ela se agradou anteriormente, e não aceite um “não” como resposta. "Você pode contar comigo".

Não diga isso só de boca — mas coloque sua oferta em prática. Dê apoio ao jovem. Ouça o que ele tem a dizer. Faça visitas regularmente. Promova atividades que agradem à pessoa. Faça de tudo para mostrar seu compromisso para com ela. Nem sempre é fácil passar tempo com uma pessoa deprimida, mas você pode ser parte do processo divino de cura na vida dela. "Como posso orar por você?"

Deus nos oferece esperança e amor. Mesmo que o jovem em depressão se sinta incapaz de orar, você pode fazer isso por ele.


RECURSOS — ADICIONAIS -------------------------------------------------------------+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Depressão", p. 121. +Internet http://www.mentalhelp.com/depressao.htm http://www.cppc.org.br/ (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos)


• - CAPÍTULO TRÊS ................................................................

Suicídio Intervindo antes que seja tarde demais Dicas de aconselhamento de Kelly M. Flanagan Dicas de mmistração de Fred Whaples

“Estou sozinho no mundo. Ninguém está nem aí comigo. Não tenho pra onde ir. Odeio minha vida, minha famíliae não tenho amigos. Se alguém quiser saber o motivo, é só isso que tenho a dizer. Estou só.” Essas palavras de total desespero estavam escritas numa folha de caderno deixada sobre a carteira escolar de um adolescente cuja família freqüentava minha igreja. Visitei esse garoto muitas vezes na tentativa de conhecê-lo, mas ele não deixava que eu me aproximasse. Beto simplesmente não permitiu que eu participasse de sua vida. Lembro-me de uma ocasião em particular em que eu fui até a escola dele para almoçar1 com os adolescentes do meu grupo da igreja, Vi Beto do outro lado do refeitório, sozinho, como de costume. Quieto, reservado e fechado, para não dizer totalmente anti-social. Ao aproximar-me, fui recebido com um olhar penetrante e uma ordem: “Deixe-me em paz”. Sentindo a

'Nota do editor: Nos Estados Unidos, algumas escolas abrem seus refeitórios ao público.

rejeição, dei a Beco o espaço que julguei ser necessário. Isso foi apenas dez dias antes de encontrarem a carta — uma carta que deixou a família dele devastada e mudou um ministério de jovens para


sempre. Quando viu a carta, a mãe de Beto me telefonou e clamou por ajuda. Concordei em me encontrar com ela e o marido na escola ¡mediatamente. Enquanto dirigia freneticamente para lá, muitos temores e idéias de fracasso passaram por minha mente. O que eu poderia ter feito? Por que não me esforcei mais? Por que não me dei conta de que isso iria acontecer? Por qué... por quê... por quê... Então percebi algo importante: aquilo tudo não dizia respeito a mim, mas sim a Beto. Ao chegar na escola fui informado que os policiais estavam mantendo Beto em uma sala reservada juntamente com um conselheiro. Quando entrei na sala, não pude evitar de me perguntar: “O que posso dizer? O que posso fazer?” Nervoso, fiz uma oração e pedi que Deus me mostrasse como agir. Esperei até que os pais do garoto chegassem. Havia tantas questões para as quais buscavam respostas, mas eles não conseguiam encontrá-las. Oramos juntos no gabinete do diretor e fomos até a sala onde Beto esperava. A mãe correu e deu-lhe um abraço forte. O pai se ajoelhou ao lado e abraçou sua família angustiada. O conselheiro pediu licença e se retirou. Coloquei algumas cadeiras a mais na sala e nos assentamos em círculo. Comecei a fazer perguntas bem óbvias a Beto. Por quê? Por que você não se sentia amado? Por que não tinha esperança? Por quê...? Beto começou a relatar uma história muito sofrida. Em casa, seus pais brigavam mais do que nunca. Na escola, ele não conseguia fazer amigos, suas notas eram terríveis e os professores, às vezes, eram muito ríspidos. Até mesmo na igreja havia ‘panelinhas” demais e muita falsidade. Beto se sentia totalmente sozinho. Ele deixou a carta na escrivaninha sem nenhuma intenção de voltar para casa. Estendi o braço e comei a mão de Beto na minha. Ajoc- lhei-me diante dele e comecei a chorar. “Beto, sinto muito ter fracassado com você. Você é um garoto incrível, com tanto para oferecer, mas tenho estado ocupado demais preenchendo minha vida com tantas coisas que não percebi seu problema. Tenho estado atarefado demais


contando às pessoas a respeito de um Jesus que nos ouve e nos acode, e deixei de agir como esse Jesus. Beto, você pode me perdoar? Pode me dar outra chance? Outra oportunidade de conhecer você melhor? Será que pode dar outra chance à vida, para que cu veja como ela é incrível com a sua participação?” Ouvindo isso, Beto derramou algumas lágrimas c concordou em tentar mais uma vez. Nas semanas seguintes, ele passou a ver um conselheiro profissional, e a receber visitas diárias da minha parte. Em uma dessas visitas, orei com Beto e ele entregou a vida novamente a Jesus Cristo. Quando o garoto já não precisava mais de tratamento intensivo, passei a vê-lo com menos freqüência, e levei-o para visitar outros jovens da igreja. Beto começou a fazer amigos. Os pais dele agora realizam o culto doméstico todas as noites (as brigas e discussões praticamente terminaram), e ele até se inscreveu num grupo de atividades na escola. Beto descobriu um motivo para viver. A vida dele ganhou propósito.

QUANDO BUSCAR AJUDA PROFISSIONAL + Sempre! Sempre é possível superestimar o risco de suicídio. Entretanto, nessa situação, é preferível errar per excesso. Você ficará mais tranquilo sabendo que fez o melhor possível pelo amigo. + Sempre! Se o risco de suicidio parece muito alto, há algumas coisas que você pode fazer. Primeiro, procure algum serviço de auxílio a pessoas suicidas (veja os recursos adicionais abaixo). Segundo, se o jovem não quiser conversar com ninguém a respeito de seus sentimentos e seus planos, você pode chamar o telefone gratuito 192 em mais de mil municípios no Brasil (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU) para uma intervenção de emergência. Finalmente, se você se sentir à vontade, leve a pessoa ao pronto socorro mais próximo para avaliação.


+ Sempre! Mesmo que o adolescente ou o jovem demonstre um baixo risco de suicídio, você deve insistir em ficar com ele durante a intervenção de um profissional. A ajuda profissional inclui psicólogos e conselheiros, centros de prevenção de suicídio, um médico da família e outros recursos de que a igreja disponha.

Cuidados e conselhos IMOÇÕES BÁSICAS

Provavelmente não há nada que causa mais ansiedade do que ter de lidar com alguém que pensa em se matar. Dc um lado, sua tarefa é muito simples — tentar persuadir a pessoa a buscar ajuda profissional. Entretanto, na realidade, isso geralmente é mais complexo. A primeira coisa a fazer é aprender a detectar a presença de pensamentos suicidas. Muitos adolescentes dizem abertamenre que estão considerando tirar a própria vida. Em outros casos, você terá de conhecer os sinais de alerta, que se enquadram em duas categorias: o que o jovem diz e o que ele faz. O que a pessoa diz

Adolescentes ou jovens que experimentam esse tipo de sofrimento emocional podem comunicá-lo verbalmente, embora talvez de maneira camuflada. Os sinais e alertas verbais típicos podem incluir os seguintes: / Qualquer comentario que indica que viver não vale a pena. Por exemplo: “A vida é muito sofrida: não estou disposto a lidar com isso por muito mais tempo”. / Qualquer comentário sobre achar que não há solução para o problema. Por exemplo: “Não tenho como me livrar dessa confusão”. J Qualquer declaração sugerindo que todo mundo ficaria mais feliz se ele/ela desaparecesse de vez.


/ Distribuição de bens essenciais, porque o adolescente diz que não irá mais precisar deles. Por exemplo: “Você pode ftear com essa jaqueta; acho que não vou mais usar”. / Qualquer indício de que o jovem pode buscar vingança ferindo a si mesmo. Por exemplo: “Ela vai se arrepender do que disse quando eu tiver partido”. 0 que a pessoa faz

Às vezes uma tentativa de suicídio é impulsiva, mas cm outros casos não, e a pessoa começa a planejá-la. O jovem começa a doar objetos pessoais, a escrever uma mensagem ou se envolver em atividades perigosas, tais como ingestão de bebidas e drogas. Outros sinais incluem mudanças dramáticas de humor, muita ansiedade ou sinais de depressão. E o mais importante: se a pessoa começou a elaborar um plano para tirar a vida, tal como adquirir uma arma, estocar remédios ou pensar em uma cena específica, tal como pular de uma ponte, ela está em alto risco de suicídio. RECURSOS

— ADICIONAIS ----------------------------------------------------+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Transtornos mentais e comportamentais", p. 551. Suicídio: causas, mitos e prevenção. Hernandes Dias Lopes. São Paulo: Magnos, 2007. Superando a dor do suicídio. Albert Hsu. São Paulo: Editora Vida, 2003. ■fr Internet http://www.cvv.com.br/ (Centro de Valorização da Vida, com 57 postos de ajuda gratuita distribuídos pelo Brasil.)


AUXÍLIO

------- BÍBLICO ---------------------------+ Salmo 25.4-7; 15-21 + lsaias 40.10 + Mateus 10.29-31 + Mateus 11.28-30 ♦ João 3.16

+ Romanos 8.35-39 + 2Corintlos 1.3-11 + 2 Corintios 12.7-10 + Filipenses 1.19-26 + 1

Pedro 5.7-10

Cuidados

Quando há uma ameaça imediata de suicídio, o primeiro passo é garantir que o jovem receba a ajuda necessária para se manter seguro. Tenha calma

Respire fundo e faça uma oração para que Deus proteja e console o jovem. Pergunte à pessoa diretamente: "Você está pensando em se matar?"

Muita gente hesita em fazer essa pergunta com medo de ofender a pessoa ou colocar a idéia na mente dela. Isso é um mito. Você provavelmente conseguirá demonstrar preocupação genuína e transmitir sua compreensão sobre a seriedade da situação. Essa pergunta também pode ajudar a determinar se o jovem tem um plano específico.


Encare o problema com seriedade e expresse sua preocupação

Nunca duvide de que o adolescente ou o jovem está realmente considerando o suicídio. Em vez disso, assegure-o de que você lhe dará apoio durante a crise. Ouça com atenção sem fazer julgamentos ou críticas. Busque ajuda ¡mediatamente

Se o jovem está disposto a procurar ajuda, leve-o a um hospital ou centro de saúde mental. Caso ele não aceite sua intervenção, ligue para o telefone 192 ou para algum serviço de prevenção de suicídios (veja informações acima em “Recursos adicionais”). Depois de ter ajudado o jovem a buscar ajuda profissional, sua tarefa agora é dar apoio com o tratamento. Você pode colaborar das seguintes maneiras:


Comunique-se abertamente a respeito de sentimentos suicidas

O adolescente ou o jovem terá de conversar sobre esses sentimentos com outra pessoa além do conselheiro. Não tenha receio de perguntar se ele continua pensando em se matar. Se ele não tem essa intenção, você não estará despertando esse tipo de pensamento. Faça acompanhamento

Faça reuniões com o jovem ou com a família dele. Pergunte como ele está se saindo em vários aspectos da vida, e também como a terapia está se desenrolando. Os membros da família precisarão de apoio constante à medida que o jovem faz progressos. Procure se inteirar sobre a condição dos familiares para ver como estão lidando com a situação. Envolva o jovem em atividades

Faça o possível para reintegrar a pessoa, o quanto antes, às atividades do grupo da igreja. Isso diminui o isolamento e oferece uma perspectiva agradável de atividades sociais.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Desenvolva um ambiente receptivo no ministério

Certifique-se de que todos os jovens se sentem bem recebidos no


grupo e na comunidade da igreja. Treine seus líderes para serem acolhedores. Ensine seus auxiliares e os membros do grupo a se apresentarem ao visitante. Use as perguntas abaixo para ensinar a apresentação:

Onde você estuda?

Você pratica algum esporte?

O que faz para se divertir?

Apresente seu novo amigo a outra pessoa e o processo se repete. Nunca prometa guardar segredos

Seja bastante direto com os jovens a respeito de confidências. Em vez de prometer que irá guardar segredo, lembre-lhes de que vai fazer o que for melhor para a vida deles, o tempo todo. Você realmente se importa com eles. Embora nem sempre consiga compreender o que o jovem está enfrentando, você se comprometerá a encontrar quem entenda, e dará apoio durante o processo para descobrir as respostas. Crie relacionamentos, e não um programa

As vezes ficamos tão empenhados em criar a programação que não separamos tempo para desenvolver relacionamentos. Líderes de jovens têm de se preocupar menos a respeito das lições e mais a respeito dos relacionamentos construídos com os membros do grupo. Esses relacionamentos ajudarão os adolescentes e jovens a se enturmarem, o que põe fim ao isolamento que pode estimular um comportamento suicida.


Ore junto com eles

Durante um período emocional conturbado, os jovens podem ter dificuldade de sentir o amor e a bondade de Deus. Você talvez tenha de ser um modelo do amor divino para seus liderados até que sejam capazes de recuperar o relacionamento com o Senhor. Orações em grupo contribuem para manifestar o amor de Deus aos adolescentes e jovens. O QUE FAZER SE UM MEMBRO -------- DO GRUPO TIRAR A PRÓPRIA VIDA ----------------------------Às vezes, apesar das atitudes corretas, do apoio e do amor de todos, o pior acontece — um membro do grupo comete suicídio. Sua reação será muito importante para o bem- estar de seus liderados. + Não deixe que a culpa o destrua Você pode questionar tudo que disse, pode duvidar de tudo que fez, pode sentir que deveria ter feito algo mais. Não se culpe pela morte da pessoa. Não permita que a culpa o impeça de dar apoio aos outros membros e líderes de seu grupo. Procure um conselheiro profissional, se achar que isso o ajudará a abraçar o sofrimento da perda. + Tenha um período de luto com todo o grupo Provavelmente seus auxiliares e os membros do grupo passarão pelos estágios do sofrimento da perda (ver Capítulo 1). Cada indivíduo terá de assimilar esses estágios em ritmo e seqüência pessoal. Não tenha medo de expressar seus próprios sentimentos para o grupo; isso exemplificará o modo correto de lidar com o sofrimento. + Tenha cuidado ao falar sobre o acontecimento Evite descrições sensacionalistas e detalhadas do suicídio; não faça uma abordagem simplista sobre o motivo de a pessoa ter cometido esse ato ("a namorada terminou com ele"); não fale sobre a vítima ou o evento de maneira que


enfatize em excesso o ato ou a pessoa. Apresente os fatos claramente e incentive um bate-papo aberto sobre como os jovens se sentem.

O que não dizer

"Duvido que você tenha coragem para isso".

Não é piada; há pessoas bem-inrencionadas que dizem isso. Acham que irão desmascarar o blefe dizendo ao suicida para ir adiante. Essa é uma péssima idéia. Na situação desesperada em que o jovem se encontra, esse tipo de declaração pode ser mais um indício de que não é valorizado. "Prometo não contar a ninguém".

Não permita que o jovem o obrigue a guardar segredo. Além disso, não se preocupe se já tiver assumido tal compromisso. Explique ao jovem por que você não pode cumprir sua promessa — inicialmente, ele talvez fique irritado, mas irá agradecer depois. Tenha confiança de que isso é para o bem da pessoa. "Suicídio é pecado".

A última coisa que uma pessoa que sofre precisa é de um debate intelectual ou teológico. Ela provavelmente está desesperada, em busca de alguém que lhe dê apoio emocional. Você pode ser muito mais útil esforçando-se para desenvolver empatia com o jovem e convencê-lo a buscar ajuda profissional.


0 que dizer "Nós teremos esperança em seu lugar, até que você consiga recuperá-la".

Isso implica em várias coisas importantes. Primeiro, demonstra que todos darão apoio ao jovem. Segundo, afirma que você compreende como a pessoa se sente no desespero daquele momento. Em terceiro lugar, demonstra que vocètem confiança de que ela irá superar a situação e recuperar a esperança. "Se¡ que esse é um assunto que as pessoas não comentam muito na igreja. Quando estiver pronto, gostaria de ir comigo a um grupo de apoio para pessoas deprimidas ou que pensam em suicídio?"

F. muito importante dizer que o jovem não está sozinho. Ao falar isso, você demonstra que outras pessoas compartilham das dificuldades e dos sentimentos do adolescente ou do jovem, que é necessário falar mais a respeito disso na igreja e oferecer apoio. A idéia de que o jovem pode contribuir para ajudar outras pessoas provavelmente servirá para aumentar a auto-estima dele. "0 que posso fazer para ajudá-lo?"

Essa pergunta demonstra que você realmente se importa com o jovem e o ama em Cristo. Ele pode achar que ninguém se importa, pelo menos não o suficiente para tentar ajudá-lo. Essa pergunta acaba com a idéia errada. Além disso, você não impõe suas próprias idéias a respeito da solução, mas permite que as necessidades particulares do jovem o direcionem. Um ponto importante a lembrar: Se fizer essa oferta, certifique-se de ser capaz de cumpri-la, independentemente do tempo c do esforço necessários!


• • • CAPÍTULO QUATRO ..................................................... :

Vícios Dando amor e apoio aqueles que se esforçam para vencê-los

Dicas de aconselhamento dp Kelly M. Flanagan Dicas de ministração de Sumrner Rivers Salomonsen

A história a seguir retrata a experiencia de duas amigas: urna delas, afundando-se cada vez mais ñas bebidas e ñas drogas, e a outra, tentando desesperadamente trazê-la de volta. Ela recebeu o telefonema às duas da manhã. “Emilia, estou a caminho”. Dando partida no carro no frió da madrugada, Sara começou a orar. “Deus, preciso do Senhor aqui. Dê-me sabedoria. Toque o coração dela”. Sara reduziu a velocidade ao entrar na rua e observou as casas emparelhadas. A rua dos festejos noturnos, conhecida pelas festas intermináveis, muita bebida e disponibilidade de vários tipos de drogas. “Deus, preciso de teu direcionamento”. Estacionando perto do meio-fio, diante da casa, ela abaixou o vidro e observou o que parecia ser um grupo interminável de pessoas. Onde estava ela? Sara saiu do carro, caminhou em direção da casa, e olhou ao redor. Viu a amiga sentada à porta, a cabeça apoiada nas mãos. “Oi, Emi”. Emilia não ergueu os olhos. O cabelo dela estava sujo de vômito e o corpo exalava um cheiro muito forte de fumaça. “Vou levar você para casa”. Sara dirigiu de volta em silêncio. Emilia descansava a cabeça ao lado da janela semi-aberta e gemia. Muitos pensamentos, muitas coisas que ela desejava dizer, mas continuava em silêncio, orando.


“Sinto muito”, disse Emilia num sussurro. Sara olhou para o lado e tocou a mão da amiga em resposta. “Eu te amo. Você vai ficar bem”. Sara estendeu o colchonete e jogou o cobertor sobre Emilia, que estava dormindo. Sara ficou imaginando o que aconteceria com a amiga. Nem sempre as coisas foram desse jeito. Emilia costumava ser outro tipo de pessoa, mas ao longo dos anos, fez escolhas bem diferentes das de Sara. Apesar disso, a amizade delas nunca mudou. Sara ainda acreditava que, bem lá no íntimo, Emilia sabia que Deus desejava algo muito melhor do que isso para ela. Na manhã de sábado, Sara sentou perto da cama de Emilia, e ficou observando a amiga. Esta acordou mostrando-se cansada e confusa. Depois sentou-se na cama e ficou pensativa por um longo tempo. “Perdi a reunião dos jovens”, disse ela. “Sim. Todos sentimos sua falta”. “Obrigada por ter ido me buscar”. “Sempre irei ajudá-la, porque eu amo você, e porque é isso que Deus quer que eu faça”. Emilia desviou o olhar, enxugou as lágrimas e se vestiu. “Tenho de ir para casa. Disse para minha mãe que passaria a noite aqui, mas tenho de estar de volta às nove. Vamos sair para fazer compras”. Com isso, Emilia foi embora. Passaram-se vários dias sem que as duas conversassem. No entanto Sara continuava orando pela amiga. Ela compartilhou com as jovens da igreja suas frustrações, seus sentimentos e a esperança de que Emilia se recuperasse. A situação não estava melhorando, e era cada vez mais difícil reconhecer a antiga Emilia, aquela que Sara conhecera antes que o vício tomasse conta dela. Entretanto, Sara sabia que Deus estava operando, e que continuaria ajudando sua amiga, não importando o que acontecesse. Pela fé, Sara perguntou a Emilia se gostaria de viajar com ela para o retiro de inverno que a turma da mocidade havia planejado, uma viagem para as montanhas. “Parece que vai ser muito divertido”, era o único argumento que Sara tinha. “Vai ser bom para relaxarmos e passar um tempo juntas. O que você acha?”


Emilia olhou para o lado. “Não me sinto mais parte daquele grupo”. Sara hesitou: “Talvez não, mas você é minha amiga, e eu a estou convidando. Por favor, venha com a gente”. Emilia deu de ombros e concordou: “Mas só vou se for no seu carro”. “Tudo bem, acertamos os detalhes depois”. Era uma tarde de sexta-feira e Sara começou a fazer as malas para o retiro de fim de semana. Colocou tudo sobre a cama, deu uma olhada no relógio e jogou duas peças de roupa na valise. Vasculhando o armário em busca das botas de frio, deu mais uma conferida no relógio. Fez uma pausa e pegou o telefone. Tudo que ouviu foi a mensagem na secretária eletrônica de Emilia. “Emi, sou eu, apenas para conferir como estão as coisas por aí. Estou quase pronta e queria passar na sua casa por volta das cinco horas. A gente pode parar para comer alguma coisa no caminho. O restante do grupo vai encontrar com a gente lá... Por favor, ligue pra mim”. Já eram quase quatro da tarde e Sara não rinha recebido notícias da amiga. Ela começou a andar pelo quarto. De repente parou, colocou-se de joelhos e pediu ajuda a Deus. Em seguida, ligou para o líder da mocidade e pediu que ele orasse. “Há algo errado. Por favor, interceda por nós”. Às cinco horas o telefone tocou. “Sara?”, era Emilia, mas a voz dela estava diferente. “Onde você está? Está tudo bem?” Silêncio. Sara ouviu um barulho parecido com água gotejando ao fundo. “Emilia, fale comigo”. Então ela ouviu um soluço engasgado e mais silêncio. Sara continuou esperando. “Eu me droguei outra vez”. O momento havia chegado — um momento que sempre chegava, mesmo depois que Emilia parecia decidida a largar as drogas de vez. Sara ouvia isso há anos; já havia observado a amiga se afastar da luz inúmeras vezes, e ir atrás de vícios que a afastavam mais e mais do Senhor.


“Não me reconheço mais. Sinto-me tão distante de Deus. Não consigo achar o caminho de volta”. Sara permaneceu cm silêncio. Aquele era o momento pelo qual ela vinha orando e esperando — Emilia nunca havia mencionado o papel de Deus em relação ao vício que a dominava. Sara deixou que o Espírito Santo ministrasse à sua amiga naquele momento tão sombrio. Por seis longos minutos, as duas permaneceram em silêncio: uma deitada na banheira e a outra debruçada sobre a mesa da cozinha. Sara ouviu que Emilia estava se levantando. Ela só podia orar, na expectativa de que Jesus houvesse falado ao coração de Emilia. Sara continuou orando enquanto esperava que a amiga dissesse alguma coisa. Ouviu o barulho da água na banheira, da toalha sendo tirada do suporte, o som abafado de um tecido raspando no telefone, e continuava orando. Por fim, Emilia disse: “Sinto muito, Jesus. Sinto muito”. Ainda com o telefone ao ouvido, Sara pôs a mala no carro e dirigiu para a casa de Emilia. Encontrou a amiga esperando nos degraus da frente. Sara desligou o celular, colocou a bagagem da amiga no carro, abriu a porta e deu um abraço em Emilia. As duas ficaram ali por um longo tempo, chorando. Finalmente, Emilia se afastou e Sara ficou surpresa ao ver o brilho nos olhos da amiga. Ela sabia que não seria o fim do sofrimento, mas tinha certeza de que Emilia estava buscando a luz, e que Deus iria se revelar a ela. Como verdadeiras amigas, seguiram pela encosta da montanha juntas, comendo hambúrgueres, em silêncio, tranquilas. Quando chegaram no acampamento, Emilia virou a cabeça, descansando-a contra o apoio do assento e disse: “Obrigada”.

AUXÍLIO ------ BÍBLICO -------+ Salmo 26.2, 3 + Salmo 37.5 + Salmo 139.23, 24 + Provérbios 16.3 + Provérbios 20.1

+ Efésios 5.15-18 + Flllpenses 4.13 + Colossenses 3.1, 2 + Tito 2.6, 7 + 1 Pedro 4.1-4


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

“Vício” é um termo de definição bastante ampla e às vezes incerta. De maneira geral, um vício se caracteriza quando o indivíduo se torna dependente de algo e não consegue resistir à tentação de se satisfazer com aquilo: ãlcool, drogas, analgésicos, remédios controlados, pornografia, jogos de azar, jogos de computador, comida, compras ou até mesmo um comportamento arriscado, tal como furtar coisas pequenas de lojas. Como saber se uma pessoa é dependente de algo? Os critérios abaixo podem sinalizar a existência de um vício: Tolerância

“Consigo tomar seis latas de cerveja de uma só vez e isso não me afeta.” Envolvimento

Psicológico: “Não consigo deixar de pensar em pornografia.” Físico: “Não consigo parar de tremer; preciso muito de um gole.” Comportamento descontrolado

“Eu só queria comprar uma coisa, mas acabei gastando uma nota.” Tentativas repetidas e malsucedidas de terminar com o comportamento descontrolado

“Parei de fumar três vezes este mês. Mas não passou de um dia.” Problemas com a rotina no trabalho, em casa ou em eventos sociais

“Não consegui ir à aula duas vezes esta semana, porque me dro- guei logo cedo.”


Incapacidade de parar apesar de estar ciente das conseqüências negativas

“Meus pais vão me pôr para fora de casa se eu continuar assim, mas não consigo evitar.”

QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL-----------------------+ Se o vício se tornou um perigo físico. Se o vício atrapalha significativamente os relacionamentos. + Se você observa ou o jovem admite crise de abstinência. + Se o jovem fica deprimido ou ansioso por se afastar do vício.


Cuidados

Aplique os seguintes conselhos para ajudar alguém que esteja lutando contra um vício: Avalie o quanto a pessoa deseja mudar

A sua reação terá de ser diferente dependendo de onde a pessoa se encontra na chamada escala de “estágios da mudança”: Pré-conietnplaçáo: Neste estágio, ela não está ciente do problema e se mostra resistente à mudança. A abordagem mais eficiente durante essa etapa é demonstrar a ela que você a aceita. Não faça julgamentos. Permita que a pessoa adquira confiança em você e em suas opiniões. Assim, quando disser o que pensa, ela não se mostrará tão resistente. Contemplação: A pessoa reconhece que existe um problema, contudo, provavelmente está mais interessada em se informar sobre ele que em tomar a decisão de mudar. O melhor que se tem a fazer neste estágio é aumentar a motivação do indivíduo para com a mudança. Suas atitudes podem ser mais úteis e serem mais bem aceitas se você demonstrar empatia e preocupação genuínas. Preparação: Neste estágio, a pessoa irá expressar, pela primeira vez, sua determinação de mudar de comportamento. No entanto, ela pode não saber exatamente como fazer isso. Continue dando apoio, e ajude-a a elaborar um plano de ação. Busque informações

Analise a vida do jovem e veja se há problemas incentivando-o a fugir da realidade. Avalie o nível em que a pessoa está abusando de uma substância ou de um comportamento errado. Determine que comportamentos vieram primeiro e em que


circunstancias. Quanto mais informações você conseguir, melhor irá compreender a situação do jovem, e mais ele irá sentir que você o compreende. Faça um plano de prevenção contra a recaída

Depois de identificar as situações que podem colocar a pessoa em risco, ajude-a a traçar um plano — por escrito — para evitá- las. Por exemplo, para um adolescente viciado em pornografia, sugira à família que coloque o computador num local onde haja vai-e-vem de pessoas, ou instale algum programa de monitoramento. Um viciado em anfetaminas precisará evitar situações em que consiga obter facilmente grande quantidade de dinheiro, para que não tenha como comprar drogas. Quanto mais prestação de contas entre as pessoas, melhor. Dê bastante apoio

Ajude o jovem a desenvolver relacionamentos com outras pessoas que também estejam lutando contra um vício. Procure um “programa de doze passos” em sua região (veja “Recursos adicionais" abaixo). Algumas igrejas abrem as portas para reuniões desse tipo. Além disso, estimule o jovem a criar relacionamentos sadios com outros que não sejam viciados. Esse contato irá ajudá-los a gastar tempo com atividades mais produtivas.


Conselhos

A recuperação de qualquer tipo de vício pode demorar bastante. Para desenvolver uma postura realista ao ajudar alguém que esteja lutando contra um vício, tome as seguintes atitudes: Aprenda sobre o problema

É urna boa idcia saber quais as drogas ou comportamentos mais populares na sua região. Estas podem mudar de tempos em tempos, com base na disponibilidade de determinadas substancias ou na introdução de outras atividades. Você deve estar bem informado sobre os tipos de coisas às quais os jovens estão expostos. Os próprios jovens são uma grande fonte de informação, ou então faça reuniões regulares com pessoas que trabalham com adolescentes, com pastores de jovens ou professores na sua localidade. Compreenda a atitude de negação

Se você reconhece a existência de um vício em potencial, mas o jovem não, confronte-o respeitosamente, de cabeça fria. Aponte inconsistências nas afirmações dele ou ajude-o a visualizar uma realidade que preferiría não ter de enfrentar. Não discuta; a melhor abordagem é ser persistente em vez de tentar impor sua vontade. Compreenda a recaída

Muitos profissionais que tratam de viciados concordam que a recaída é uma parte esperada do processo de recuperação. A recaída não é sinal de fracasso. Embora seja doloroso o jovem aceitar o fato, ajude-o a entender que a tentação sempre estará presente. Sugira uma prestação de contas regularmente, como símbolo de sua dedicação


total à recuperação dele.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes

Testemunhar os eleitos desastrosos de um vício pode levar qualquer cristão a se sentir impotente e sem opções. Entretanto, agir sozinho nunca é da vontade de Deus. No grupo, o Senhor abençoa cristãos com o poder aglutinador da fé e da esperança que brota unicamente do amor dele. A medida que você busca ajudar a pessoa que luta contra um vício, lembre-se de incentivar a participação de todos através da comunhão. Fique alerta

A pessoa que está lutando contra um vício terá um caminho bastante longo de recuperação, uma vez que comece a enxergar a luz. Esforcem-se para estar disponíveis a qualquer instante. Estabeleçam “turnos de guarda” tanto de dia como de noite. Embora a experiência possa ser desgastante. Deus abençoará seu compromisso. Ore, ore, ore

Você já deve ccr ouvido isso uma centena de vezes: os cristãos são instruídos a orar em períodos de provação! Faça uso desse poder singular estabelecendo uma corrente de oração em seu grupo. Lembre-se: Orem sem cessar! Bem-vindo de volta ao mundo

As pessoas que lutam contra um vício passam muito tempo na escuridão e têm dificuldade de se ajustar a uma vida que não inclua mais aquele problema. Como grupo, comprometam-se a envolver o ex-viciado em atividades divertidas, tais como fazer um piquenique,


preparar um jantar, praticar esportes ou se oferecer como voluntário em atividades beneficentes. Incentive uma vida saudável

O vício rouba da pessoa o equilíbrio que Deus deseja, tanto no físico como no espírito. Incentivar um estilo de vida saudável durante o processo de retorno à vida normal é muito importante para realizar uma mudança permanente. Planeje jantares e curras atividades divertidas com o grupo. Esteja preparado para uma recaída

Vencer o vício nunca é fácil. Geralmente isso envolve alguns revezes até que a pessoa esteja totalmente liberta. Um simples bilhete ou telefonema irá lembrar o jovem como ele é importante para o grupo. Isso ajuda muito a aliviar a influência do vício no período de recuperação.

0 que não dizer "0 vício é uma doença espiritual; provavelmente você não está bem com Deus".

Embora muitas pessoas que se recuperam de um vício descubram que o crescimento espiritual é parte importante do processo, não é justo dizer ao adolescente ou ao jovem que o vício é apenas uma doença espiritual. Ele pode estar se esforçando bastante em seu relacionamento com Deus, mas outros fatores biológicos e emocionais também interferem.


"Pare de uma vez com isso".

Dizer algo desse tipo demonstra falta de compreensão da natureza do problema. Seja ele drogas, álcool ou jogatina, o vício é poderoso, e vencê-lo não é tarefa fácil. "Você não deveria estar usando drogas".

Muito provavelmente, um adolescente ou jovem, mesmo que tenha pouca experiência de igreja, acabará percebendo que o vício é errado. Fazer uma afirmação dessa só servirá para alienar a pessoa e acabar sabotando seu propósito de ajudá-Ia a derrotar o vicio.

0 que dizer

"Eu me importo com você".

Use uma linguagem direta e pessoal. O jovem irá lembrar de seus atos de compaixão, mesmo não demonstrando. "Estamos orando por você".

Diga isso com sinceridade. Fazer uso do poder da oração sobre o vício é a atitude mais sábia que podemos tomar. Contar ao adolescente ou ao jovem que você está orando irá ajudá-lo a perceber o quanto é valioso. "Essa situação não é complicada demais para Deus resolver".

O vicio pode fazer a pessoa se sentir sobrecarregada ou sufocada. Aqueles que se esforçam para vencer um vício certamente


questionam se Deus realmente tem poder suficiente. Dê apoio com compaixão e sem fazer julgamentos.

RECURSOS ------ ADICIONAIS -----------------------------------------

+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins. São

Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Vícios e compulsões", p. 596. Quero minha vida de volta. Carlos Barcelos. São Paulo: VPC Produções, 2004. Quero meu filho de volta. Carlos Barcelos. São Paulo: VPC Produções, 2005. Bíblia de Estudo Despertar. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil. +Internet http://www.alcoolicosanonimos.org.br/ (Alcoólicos Anônimos no Brasil) http://www.na.org.br/portal/index.php (Narcóticos Anônimos no Brasil)


ENCONTRANDO ------- UM G R U P O D E APOIO ----------------------------Para encontrar um grupo de apoio que realiza um "plano de doze passos", procure informações em sua igreja ou com Alcoólicos Anônimos. Os doze passos dos Alcoólicos Anônimos: 1. Admitimos nossa impotência perante o álcool e que perdemos o domínio de nossas vidas. 2. Viemos a crer que um Poder Superior a nós mesmos podería nos devolver à sanidade. 3. Decidimos entregar nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus, conforme nós o concebíamos. 4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. 5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas. 6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus remova nossos defeitos de caráter. 7. Humildemente rogamos a Deus que nos livrasse de nossas imperfeições. 8. Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados. 9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem. 10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente. 11. Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contacto com Deus, conforme nós o concebíamos, rogando apenas sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade. 12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a esses passos, procuramos transmitir a mensagem a outros alcoólatras e praticar esses princípios em todas as nossas atividades.


• • CAPÍTULO CINCO

Divórcio Dando apoio aos jovens durante problemas familiares

Dicas de aconselhamento de Tem S. Watson Dicas de mínistração de Brian Diede

O que realmente aconteceu foi que meu pai saiu de casa. Ele e minha mãe viviam brigando, mas eu não percebi que a situação estava tão ruim assim. Quando voltava da escola, geralmente apenas um dos meus pais estava em casa. Se ambos estavam lá ao mesmo tempo, eu e meus dois irmãos tínhamos de “pisar em ovos” quando perto deles. Até as coisas mais simples podiam provocar uma nova briga, e geralmente culpavam um ao outro por aquilo que nós fazíamos de errado. Eu lembro de ter tido um pesadelo. Acordei e ouvi meus pais brigando. Não acho que estivessem discutindo especificamente por minha causa, mas senti como se aqueles gritos civessem sido minha culpa. Na manhã seguinte, ao sair da cama, descobri que meu pai tinha ido embora e minha mãe ainda estava em casa — mas agora ela parecia muito desligada, apenas seguindo com a rotina diária de cuidar de mim e dos meus irmãos. O emprego do meu pai o obrigava a viajar bastante, portanto ficar sem ele por um ou dois dias era bastante comum. Certa vez me dei conta que já fazia várias semanas que eu não via meu pai. Foi estranho, porque, na próxima vez que o vi, ele apareceu lá em casa com um policial. Entrou sem dizer quase nada. Pegou umas coisas, me deu um abraço e disse que a gente não ia se ver por um tempo, mas que ele me amava muito.


No dia seguinte, minha mãe, meus dois irmãos e eu estávamos andando de carro e me lembro perfeitamente da maneira como ela explicou que os dois haviam decidido se separar, mas que ele continuava sendo nosso pai e poderiamos vê-lo — só que não com a mesma freqüência de antes. Minha mãe ganhou a custódia dos filhos, e encontrávamos com nosso pai a cada quinze dias. Foi muito difícil tentar me ajustar a essa nova maneira de vida, para dizer o mínimo. Ficar longe da minha mãe nos fins de semana e então ter de despedir do meu pai e voltar para casa trouxe problemas emocionais muito sérios, que ficaram ainda mais complicados quando meu pai se mudou para o outro extremo do país. Agora eu e meus irmãos íamos de avião visitá-lo durante as férias e ficávamos lá por duas semanas. Eu sentia muitas saudades dos meus amigos quando fazíamos essa viagem. De algumas maneiras, a situação está melhor. Meus pais agora já não brigam mais na frente da gente, e procuram ser educados um com outro quando precisam resolver algo para nós. Ainda sinto como se tivesse de pisar em ovos, principalmente se minha mãe pergunta algo sobre meu pai ou a namorada dele. Sinto como se estivesse indo e vindo entre dois planetas em guerra — cada um deles com suas próprias regras, costumes e até mesmo um idioma diferente. Eu me sinto como se não pertencesse a nenhum dos dois. Dizer que esse divórcio foi muito difícil para nós não seria uma maneira satisfatória de explicar a situação. Houve muitas ocasiões — tanto no passado como no presente — em que os efeitos do divórcio se manifestaram. Sinto-me cada vez mais deprimido e às vezes acho que a separação foi culpa minha. Além disso, gosto de morar com minha mãe e obviamente a amo, mas lambem simo saudade de ter meu pai por perto para algumas atividades só de homem. Logo depois do divórcio, quando eu ainda era menor, tive de fazer um desenho da minha família na escola. Fiquei confuso, sem saber quem eu deveria incluir no desenho. Minha mãe e meus irmãos? Eu morava com eles. Meu pai e a namorada dele? Eu o via muito pouco, já que ele morava em outro estado. Terminei fazendo um desenlio de todo mundo numa roda- gigante, sentado em carrinhos separados, com várias linhas bastante confusas ligando uns


aos outros. Ainda é assim que eu me sinto — como se estivesse suspenso no espaço vazio, sozinho no meu carrinho. Ainda estamos conectados, mas é difícil entender como. Minha mãe trata meu irmão mais velho como se ele fosse o melhor amigo dela. Ele teve de assumir muitas responsabilidades quando meu pai foi embora: cuidar de meu irmão e de mim, limpar a casa, ouvir minha mãe falar sobre a solidão que sente. Ela realmente passou a confiar muito nele, mas às vezes ele parece confuso a respeito do papel que tem em nossa família. Ele é filho ou pai? Ele sempre me diz o que fazer, e não ccm mais tempo para agir como um adolescente normal junto com os amigos. Acho que eu lido com isso observando a maneira como meus irmãos mais velhos reagem. Se eles ficam tristes, felizes ou irritados com alguma coisa, eu faço o mesmo. Sou o mais novo dos três, e é assim que aprendemos. Também tenho alguns amigos cujos pais são divorciados, portanto eles entendem minha situação. Sei que meus pais ainda me amam, e até hoje eu os amo de todo coração. Eles são minhas pessoas favoritas neste mundo.


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

As familias e os jovens enfrentam vários desafios durante um divórcio: a transição inicial de não ter os pais morando juntos, o ajuste para morar em duas casas e mais tarde de ver os pais casando outra vez. Embora existam diferenças culturais e religiosas importantes no significado e na experiência do divórcio, a maioria dos jovens e das famílias enfrenta desafios comuns: 0 impacto inicial

Esse estágio é uma transição que envolve sentimentos de perda, confusão, ansiedade e falta de confiança. Adolescentes e jovens podem se sentir responsáveis pelo rompimento ou achar que fracassaram por não conseguirem evitá-lo. Eles também enfrentam mudanças, tais como ir morar em outra casa, morar em duas residências ao mesmo tempo e a mudança no padrão de vida. Morando com apenas um dos pais

Os adolescentes e jovens neste estágio podem experimentar um aumento na responsabilidade para com os irmãos mais jovens, perda de recursos financeiros e a necessidade de reavaliar o relacionamento com os pais. Eles podem se tornar o “melhor amigo” do pai ou da mãe, em vez de ter um relacionamento de pai e filho ou mãe e filho. Famílias mistas

Esse estágio envolve a adição de novos membros na família, incluindo padrasto ou madrasta, irmãos “emprestados” e outros. O jovem pode ter dificuldade de lidar com a “divisão” de lealdade entre os pais. Há também possibilidade de conflitos entre relacionamentos sociais e a preservação dos direitos legais de visitar os filhos.


Cuidados Durante a crise inicial do divórcio ou da separação, use as dicas abaixo: Procure facilitar a comunicação entre pais e filhos

Ajude os pais a conversar com os filhos a respeito do divórcio de maneira apropriada para a idade de cada um — por exemplo, assegurando-os de que o divórcio não é culpa deles, explicando o motivo da separação e dizendo o que irá acontecer em seguida. A família poderia se beneficiar de sua presença como um participante neutro durante essas conversas. Incentive os pais a evitar conflitos na separação

Lembre aos pais que devem ser civilizados apesar das diferenças pessoais. Ajude-os a encontrar maneiras de melhorar a comunicação de um com o outro. Por exemplo, podem manter um caderno de anotações, que trocam nos dias de visitas, para se manterem informados a respeito de necessidades médicas, tarefas escolares ou programações. Sempre que possível, ajude os pais a lidar com os conflitos sem envolver os filhos. Estabeleça um ambiente neutro

Quando der conselhos a famílias às voltas com um divórcio, faça da igreja um local seguro para promover a cura emocional e dar apoio. Evite fazer julgamentos, tomar partido ou lançar culpa em alguém. Enfoque as soluções para o futuro em vez de ficar relembrando o passado. Ajude o jovem a estabelecer limites

Geralmente o adolescente ou o jovem irá precisar assumir mais responsabilidades em casa, mas isso não deve interferir com as necessidades naturais de desenvolvimento dele. O adolescente ou o jovem talvez precise de auxílio para pedir aos pais que não


compartilhem muitas informações pessoais com ele nem que denigram a imagem do ex-cônjuge.

Conselhos

À medida que as famílias continuam a vida e procuram se ajustar depois do divórcio, permaneça envolvido e coloque em prática as seguintes sugestões: Forneça recursos variados

À medida que os pais começam a viver separados, podem sentir que os novos desafios do dia-a-dia exigem recursos adicionais. Forneça sugestões de creches, abrigos, alimentação, assistência financeira ou treinamento vocacional. Ajude os pais separados a estabelecer uma rede de apoio, incluindo parentes, amigos da igreja e outros pais na mesma situação. Ajude os pais a restabelecer a autoridade

Reforce a autoridade dos pais divorciados na presença dos filhos, aconselhando-os a respeitar e obedecer aos pais. Em famílias mistas, recomende que os pais biológicos disciplinem o filho. Isso dá ao novo cônjuge tempo para desenvolver o relacionamento com o adolescente ou o jovem antes de assumir de vez o papel de padrasto ou madrasta.


Dê ouvidos Mantenha comunicação aberta com o adolescente ou o jovem it medida que a família experimenta essas mudanças. Os adolescentes sentem-se confusos a respeito do divórcio, da idéia de ver os pais namorando ou casando-se de novo e com o crono- grama de visitas. Eles podem se sentir perdidos entre dois lares. Estabeleça um relacionamento de confiança com o adolescente ou o jovem para que ele se sinta seguro para conversar a respeito dessas questões à medida que forem surgindo. Procure casais que sirvam de modelo

Fiihos de pais divorciados têm muita ansiedade e dúvidas a respeito de eles mesmos se darem bem no casamento um dia. Ajude o jovem a descobrir, na igreja, casais bem-sucedidos no matrimônio para servirem de modelo. Leve os jovens a perceber que podem fazer escolhas por si próprios. Lembre-os que todo casal experimenta problemas, e que não há casamento perfeito, mas que podem ser bem-sucedidos no matrimônio. AUXÍLIO ------BÍBLICO --------

+ Salmo 27.1-6 + Salmo 51.10-12 + Salmo 121 + Eclesiastes 3.1-11 + Isaías 43.2, 3

+ Jeremias 29.11 + Romanos 8.26 + 2Coríntios 1.3-5 + 2Corfntios 4.7, 8 + Filipenses 2.12,13


RECURSOS ------ADICIONAIS ---------------------------------------+ Livros Aconselhamento Cristão— Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Divórcio e novo casamento", p. 529. Ajudando os filhos a sobreviverem o divórcio. Archibaid Hart. São Paulo: Mundo Cristão, 1998.

Dicas para o grupo de jovens ou dolescentes Continue dando acolhida ao jovem

Cada um de nós assimila situações difíceis de maneira diferente. Alguns filhos de pais divorciados gostam de ter pessoas por perto, e de conversar sobre a situação. Esteja sempre pronto a ouvir. Outros, no entanto, preferem ficar sozinhos. Se esse é o caso, conceda o espaço e o tempo de que necessitarem para pensar, mas continue sempre atento. Se notar que o jovem está se isolando, convide-o para um programa com várias pessoas. Em qualquer situação, incentive os outros membros do grupo a serem atenciosos e compreensivos com o adolescente ou o jovem durante o período difícil. Ajude a pessoa a se sentir parte do grupo

Criar um ambiente do qual o jovem se sinta parte ajuda bastante no combate à sensação de isolamento que surge com o divórcio. Seja bastante explícito ao mostrar seu compromisso, como grupo, em ajudá-lo a atravessar essa experiência difícil.


Faça perguntas

Não tenha receio de perguntar ao adolescente ou ao jovem como ele está lidando com o divórcio dos pais. Talvez você tenha de ser direto ao inquirir sobre o assunto — “Como estão as coisas”, é uma pergunta genérica que pode levar o adolescente a evitar o assunto e não contar o que realmente está acontecendo. Estabeleça uma conexão

É importante que o membro de seu grupo saiba que não está sozinho durante essa experiência conturbada. Se existirem adolescentes mais velhos, alunos de faculdade, jovens ou adultos em sua igreja que experimentaram um divórcio na família, reuna todos para um bate-papo. Convide um preletor para falar aos jovens e dar um testemunho, ou chame alguém que tenha viven- ciado o divórcio dos pais para contar a respeito desse período de sua vida. Ore

Não somente diga que irá orar pelo jovem, mas faça isso de verdade. Não tenha receio de perguntar se pode orar com ele assim que tiverem terminado de conversar sobre o divórcio. Continue orando pela pessoa ao longo do dia. QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL ------------------------------Ajude a família a procurar um profissional de saúde mental, se notar qualquer dos seguintes indícios: + As reações do jovem para com as mudanças na família começam a interferir nas atividades escolares, em relacionamentos sociais e no comportamento pessoal. + Conflitos drásticos e constantes estão ocorrendo entre os pais.


+ 0 jovem começa a se isolar ou evidencia pensamentos autodestrutivos ou suicidas.

Embora a Bíblia afirme isso claramente, não é algo que devemos dizer a alguém cujos pais estejam se divorciando. Como o filho não tem culpa da situação, ele precisa se sentir amparado e não criticado. "Um amigo meu passou por isso também. Não tem muita importância".

Menosprezar a situação não ajuda a pessoa a lidar com as perguntas, os sentimentos confusos e as feridas emocionais. O adolescente ou o jovem precisa saber que você se importa com ele de maneira singular e pessoal. "Quem você acha que é o culpado disso?"

É fácil culpar as pessoas por causa de um divórcio. Os pais podem estar criticando uns aos outros e o filho pode se sentir preso no meio dessa briga. Ou pior, pode estar se culpando pelo ocorrido. Não existe um único acontecimento ou uma pessoa que tenha causado o divórcio. Leve o jovem a entender que o motivo do problema é muito complexo.


O que dizer "l\lão sei o que dizer".

Se você não sabe o que dizer, não evite conversar com o jovem. Simplesmente aproxime-se dele e declare sua falta de palavras — e então mostre-se receptivo à conversa que se desenrolar dali em diante. "Fico muito triste em ouvir isso".

Ouvir esse comentário sincero mostra ao jovem que você se importa e que não está tentando julgá-lo ou passar um sermão. Sua primeira reação deve ser de tristeza, consternação e empatia; o jovem pode querer seus conselhos mais tarde. "0 que você está pensando e sentindo a respeito disso?"

É importante para o adolescente ou o jovem ter alguém com quem conversar. Ele pode desejar compartilhar tudo que pensa ou sente em relação ao rompimento dos pais. Ira, sofrimento e confusão são reações normais. É fundamental deixar que a pessoa expresse isso. "Como você acha que sua vida vai mudar agora que seus pais estão se separando?"

Muitas mudanças começam a surgir na vida do jovem. Ele irá morar com a mãe ou com o pai? Terá de mudar para outra cidade ou estado? Terá de fazer novos amigos? Será que os pais ainda o amam? A mudança é bastante difícil, e pode deixar o adolescente ou o jovem muito estressado. É importante que ele saiba que pode conversar com você a respeito dessas novas situações.


UM DIVÓRCIO "SADIO" Embora um divórcio raramente seja uma experiência positiva e bem-vinda na vida de qualquer pessoa, há maneiras de realizar um divórcio "saudável" — que minimize os prejuízos para todos os envolvidos. Se possível, ajude os pais e os filhos a buscarem os seguintes objetivos: + Os pais permanecerem envolvidos com os filhos para fornecer-lhes a sensação prolongada de "família". + Os pais protegerem os filhos dos aspectos negativos do divórcio. + Os cônjuges serem capazes de aceitar e integrar o divórcio nos conceitos que têm a respeito de si próprios e do futuro de uma maneira saudável.


• ' CAPÍTULO SEIS

Violência e abuso sexual Capacitando as vítimas a retomar o controle cia vida Dicas de aconselhamento de Scott Gibson Dicas de ministração de Jeremy Holburn

Como muitos outros adolescentes, Kátia, uma garota de dezesseis anos, foi vítima de abuso físico, emocional e sexual. A seguir apresentamos sua história de vida. Manual de Primeiros Socorros: Por favor, conte-nos sobre sen passado e sua experiência com o abuso. Kátia: Sofri muitos abusos na infância, e alguns dos mais desastrosos não eram os mais óbvios. Minha mãe era violenta tanto física como emocionalmente; ela espancava minha irmã e a mim. Todos os dias ela nos esbofeteava em surtos descontrolados de ira. Depois, chorava muito e nos abraçava, dizendo que fizera aquilo para o nosso bem, e que era uma boa mãe. Em algumas ocasiões, ela saía de casa e ficava fora por muito tempo. Às vezes ia embora furiosa, ameaçando tirar a própria vida, e outras vezes simplesmente saía sem dizer nenhuma palavra. Quando retornava, agia como se não tivesse nada de errado. Depois de uma dessas ausências, minha irmã, que na época tinha dezessete anos, fugiu de casa definitivamente. Então toda a raiva de minha mãe passou a ser direcionada a mim. Quando completei cinco anos, minha mãe começou a me oferecer aos homens. Eles pagavam para fazer sexo comigo. Minha mãe explicou que era necessário, porque estávamos recebendo cada vez menos dinheiro do Governo, e que eu tinha de contribuir da


melhor maneira possível. A maioria dos homens que me procuravam freqüentavam a mesma igreja que nós. Eu me lembro de ir ao culto no domingo e ouvir um deles pregando. Ele falava a respeito do amor e da santidade de Deus para uma congregação repleta de outros homens que me violentavam. Era horrível, mas eu não sabia que merecia algo melhor. Muitos anos depois, quando me mandaram para um abrigo de assistência a menores, contei tudo que sentia. Meu terapeuta e meu conselheiro foram até a escola primária e perguntaram se os professores suspeitavam que eu sofria abusos. Todos eles disseram que sim, mas que não fizeram nada para ajudar porque não tinham certeza. Durante o ensino médio, comecei a externar minha raiva, e fui suspensa da escola por causa de brigas. Minha mãe e eu tínhamos muitos confrontos físicos, e alguém acabava chamando a polícia. O Estado e a Justiça se envolveram no caso e, por fim, também o Serviço de Preservação da Família. As autoridades me levaram embora de casa pouco tempo depois e me colocaram num abrigo para crianças com conflitos familiares. Durante três anos fiquei ali sob custódia, e ninguém me perguntou por que eu era tão revoltada — eu nunca mencionei o abuso que sofria. MPS: Que impacto esses abusos tiveram sobre você, e como lida com eles? Kátia: Sofri muitos outros tipos de violência física, sexual e emocional ao longo da adolescência, mas estava desgastada demais para me importar. Eu me sentia arruinada, e nada parecia ter sentido, porque ninguém tinha interesse de levar meu caso a sério. Eu vivia mal-humorada e irritada, tinha acessos de raiva e era dominada por todas aquelas emoções com as quais não sabia lidar. Eu dizia coisas horríveis, com palavras cheias de ódio. Estava furiosa, porém, mais do que isso, me sentia ferida emocionalmente. Meus relacionamentos eram instáveis, para não dizer o pior, e geralmente se baseavam em algo que eu precisava conseguir. Depois de passar por trinta e dois lares adotivos em quatro


anos, e freqüentar seis escolas, consegui terminar o ensino médio. MPS: Em seu grupo de jovens, com quem você conversou sobre o abuso? Conte-nos a respeito das conversas. Kátia: Durante todo o tempo que passei em lares adotivos, continuei frequentando a igreja. Uma vez, falei para Lídia, a mulher do pastor de jovens, que eu havia sido estuprada. Lem- bro-me que ela me abraçou e disse que não tinha problema eu chorar, mas não chorei. Basicamente, eu tinha medo que ela contasse a mais alguém, e implorei para que não dissesse nada. Ela prometeu que não faria. Um tempo depois, freqüentei outra igreja com minha amiga. As programações do grupo da mocidade se tornaram umas das minhas atividades favoritas. Pouco depois de me entrosar com aquele grupo, escrevi uma carta para Mateus, o pastor, dando indícios de que eu havia sofrido abuso sexual. Ele me chamou até seu gabinete e disse que eu tinha de ter muito cuidado com o que falava, porque ele seria obrigado a denunciar o ocorrido às autoridades. Disse que isso poderia arruinar minha vida e a de muitas outras pessoas. Decidi não contar a respeito do abuso para ninguém. MPS: Do que você mais gostou nas atitudes dos jovens? O que gostaria que eles tivessem feito de diferente? Kátia: O grupo da mocidade na igreja de Lídia foi maravilhoso. Ela e o marido nunca me trataram de maneira diferente por causa do meu passado; eles me incentivavam a melhorar e chamavam minha atenção quando meu comportamento era inapropriado. Eles me tratavam da mesma maneira que tratavam rodo mundo, e isso me dava uma sensação de normalidade. Nos outros casos, gostaria que o pastor de jovens tivesse realmente procurado me conhecer e compreender como eu me sentia. Gostaria que Mateus nunca tivesse dito para eu nao falar sobre o abuso. Isso deixou a impressão que eu pode- ria ter controlado a situação, como se os abusos fossem minha culpa. A maneira como ele desprezou meu sofrimento e se manteve distante realmente abalou minha fé e auto-estima. Gostaria que ele tivesse me levado a falar sobre o problema.


MPS: Qual é o desfecho de sua história? O que vocêfaz agora, e qual é o impacto disso em toda a sua vida? Kátia: Tenho muita dificuldade de me sentir integrada ou unida com Deus, e também de freqüentar a ¡greja. Entretanto, levando em conta todas as circunstancias, acho que estou bem ajustada. Entregar-me a Cristo foi fundamental no processo. Isso me obrigou a fazer uma análise sincera de quem Deus é... e não enxergá-lo de acordo com o que as pessoas me falam dele. Aprendí a não tirar conclusões com base nos eventos anteriores... mas, sinceramente, ver o que a Bíblia diz. Pela primeira vez, comecei a entender — por mim mesma — a verdadeira natureza de Deus, e também a fazer escolhas com base nos fatos. Tudo isso me ajudou a curar as feridas emocionais. Obviamente, meu passado tem um grande impacto nos meus relacionamentos, mas isso não diz nada a respeito do tipo de pessoa que sou hoje. Sou feliz, tenho muitos amigos e não me desespero nem perco a calma, porque, na verdade, não tenho nada contra o que me rebelar. Essa mudança de atitude aconteceu quando compreendi quem Deus é. Sinto-me abençoada de ter passado por tantas mudanças, porque agora posso fazer uma distinção clara entre quem eu era e quem eu sou atualmente. Isso me ajuda a deixar o passado no passado.


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Quando alguém sofre violência ou abuso sexual na infância, é normal que os danos emocionais aflorem na adolescência. Provavelmente alguns adolescentes que você conhece estão sofrendo algum tipo de abuso no momento, e, quem sabe, até de pessoas que freqiientam a igreja. Abuso físico, emocional e sexual às vezes podem parecer uma inceração familiar normal para adolescentes que conviveram nesse ambiente a maior parte da vida. Os adolescentes e jovens também sofrem com o estigma de viver em uma família disfuncional. Podem ter vergonha de convidar amigos para ir à casa deles, ou se sentirem pressionados a encobrir os problemas e agir como se a família fosse “normal”. Vítimas de abuso sexual podem se sentir culpado pelo ocorrido. Torne seu ministério um local seguro para que adolescentes e jovens experimentem relacionamentos carinhosos e acolhedores, e desenvolvam o senso de amor próprio.

Cuidados Aconselhar uma pessoa que tenha sofrido abuso sexual, verbal, emocional ou físico é algo complexo. Por causa da natureza pesada dessa questão, é essencial que você leve o adolescente ou o jovem a um conselheiro qualificado. No entanto, você pode ser parte do processo de cura juntamente com aquele profissional.


Sua reação inicial

Talvez você seja o primeiro a ficar sabendo dos maltratos. E importante levar o jovem a sério e louvá-lo pela coragem de lhe contar o que aconteceu. As vítimas de abuso geral mente guardam segredos para superar o problema. Contar sobre o fato a um adulto exige uma imensa dose de coragem. "Não é culpa sua."

Uma das coisas mais importantes que você pode fazer é assegurar à vítima de que o abuso não foi culpa dela. Essa percepção pode ser um grande desafio para adolescentes ou jovens vítimas de abuso. Provavelmente você terá de lembrar a pessoa dessa verdade continuamente, à medida que ela passa pelo processo de cura. Denúncia

A lei brasileira exige que todos os membros da sociedade denunciem casos de abuso de menores. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina, em seu Artigo 70, que “E dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente”. Ainda no Artigo 245, a lei estabelece que é crime “deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente”. Sc você é líder de jovens, é fundamental para o bem de seus liderados que você tome uma atitude imediata e denuncie qualquer suspeita de abuso sexual e violência. Conheça as normas de sua igreja sobre esses assuntos. Lembre- se: Não é tarefa sua investigar o ocorrido, mas sim denunciar o problema.


Conselhos Fique atento aos seguintes tipos de abuso: Abuso sexual

Mais do que qualquer outro tipo, o abuso sexual produz estigmas de vergonha e humilhação. Quando crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual, os sentimentos sexuais de que desfrutaram, alguns dos quais podem ter sido prazerosos, às vezes fazem com que se sintam culpados e confusos. Quando a pessoa que comete o abuso é um dos pais, um parente, ou alguém em quem a criança confia, geralmente o segredo pode estar sendo mantido há um bom tempo. Quando o abuso finalmente é denunciado, a criança ou o adolescente corre o risco de ter desenvolvido um sentimento de aliança ou de lealdade para com o ofensor. Ao longo da história, a igreja tem sido um local onde a sexualidade inspira medo e vergonha; jovens que estejam sendo abusados sexualmente podem perceber essa atitude e ter medo de revelar o problema. Estabeleça uma atmosfera de segurança em seu grupo para que as pessoas se sintam à vontade pata contar suas experiências. Os adolescentes e jovens perceberão que podem confiar em você, se estiver disposto a acompanhá-los durante o processo de cura. Estupro por parte de namorados

O abuso sexual também pode ocorrer entre pessoas da mesma faixa etária, seja com o namorado ou em ambiente social. Dependendo das circunstâncias, garotas, e até mesmo garotos, podem ficar confusos, sem ter certeza se foram violentados ou se facilitaram o acontecimento. Estupros ocorridos durante o namoro geralmente acontecem em locais onde drogas e álcool correm soltos. Ensine os jovens e


adolescentes a não se colocarem em situação de risco, a ficarem atentos à segurança pessoal deles. Entretanto, se algum deles for estuprado, seja insistente em lembrá-lo de que o fato não foi culpa dele ou dela. Reforce aos jovens o conceito de que, se não desejavam intimidade sexual e alguém os forçou a isso, tal ato constitui abuso sexual. Se necessário, insista para que denunciem o estupro às autoridades competentes. Perseguição (bullying) entre colegas

A igreja é um locai onde também ocorrem maus-tratos. Perseguições, intimidações e ataques são bastante freqüentes tanto na escola como na igreja. Essa espécie de “abuso” varia desde piadinhas pejorativas até violência física. Se você suspeita que alguém esteja maltratando um de seus liderados, busque ajuda assim que possível. Peça ao adolescente ou ao jovem para contar a você o que está acontecendo. Se ele se mostrar desconfortável de início, disponha-se a ouvir a respeito do caso sem que a pessoa revele nomes. Sugira maneiras práticas para o jovem se defender, como por exemplo, ficar perto de outros membros do grupo e ter uma atitude firme. Isso pode ajudar a vítima de perseguição a se sentir mais capaz de lidar com a situação. Você deverá buscar ajuda de autoridades escolares, se o problema estiver ocorrendo num ambiente acadêmico.

RECURSOS ----- ADICIONAIS ----------------------------------------+ Livros Aconselhamento Cristão— Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, “Violência e abuso", p. 346.


Lágrimas Secretas. Dan B. Allender. São Paulo: Mundo

Cristão, 1999.

+Internet http://www2.camara.gov.br/publicacoes/internet/ publlcacoes/estatutocrianca.pdf (Estatuto da Criança e do Adolescente)

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Ore

Essa é a maneira mais importante de você ajudar e fornecer apoio. Não apenas ore pelo adolescente ou o jovem — interceda pela família inteira, principalmente pelos ofensores. Além disso, orar junto irá estimular a pessoa a buscar a Deus sozinha também. Esteja sempre em contato

Todos precisam se sentir ligados a algum grupo. Um telefonema, um e-mail ou uma mensagem de texto pode reforçar a sensação de que a pessoa não está enfrentando tudo sozinha. Forneça uma saída do ambiente prejudicial

Afastar-se um pouco da rotina diária pode dar ao jovem a chance de espairecer e até mesmo se divertir um pouco. Planeje atividades descontraídas enquanto busca satisfazer as necessidades do jovem ou adolescente que está sofrendo.


Esteja disponível

Participe ativamente da vida da vítima de abuso, não importando o quanto isso possa sobrecarregar ou cansar você. Certifique-se de que o adolescente ou o jovem saiba que você se importa de verdade. Continue ouvindo-o e fazendo perguntas sobre tudo que seja importante para ele ou ela. Crie uma sensação de normalidade para a pessoa. Ame seus liderados como Deus o faz

Nunca deixe que os jovens se sintam inferiorizados, excluídos ou prejudicados de qualquer maneira. Certifique-se de que eles saibam a verdade a respeito de si próprios. Estimule-os, encorájeos, enfatize a pessoa deles como indivíduos completos, e não fique falando apenas do abuso.

0 que não dizer "Deus estava lá com você, ao seu lado, chorando e sofrendo"

Esse comentário bem-intencionado pode ser como um tapa na cara da vítima. “Se Deus estava ali comigo — e se ele é totalmente bondoso e poderoso — por que apenas chorou e observou tudo acontecer?” Evite qualquer comentário que possa caracterizar Deus como um observador passivo. "Tudo tem um motivo para acontecer".

A menos que você saiba exatamente qual é esse motivo, nunca diga tal coisa. Essa afirmação pode fazer com que as vítimas de abuso fiquem ressentidas com Deus, que permitiu que elas sofressem por ter algum “propósito mais elevado” em mente.


"Lembre-se, sempre há alguém numa situação pior que a sua"

Por mais que isso possa ser verdade, não muda o fato de que o adolescente ou o jovem está sofrendo uma dor real e devastadora. Comparar a situação dele com outras irá apenas menosprezar a experiência dolorosa da pessoa.

0 que dizer

"Não foi culpa sua"

Mesmo que as vítimas digam ter ciência disso, muitas vezes (no íntimo) elas não têm certeza. E ainda que saibam, não faz mal reforçar essa verdade. "Você tem valor"

Fale a verdade para os jovens a respeito deles mesmos. Em muitos casos, tudo que ouviram foram mentiras. Lembre seus liderados de que Deus os ama. "Podemos orar juntos?"

Passem tempo na presença de Deus e estudem a Bíblia juntos. Busquem consolo e cura na palavra de Deus através da atuação do Espírito Santo. "Não sei o que dizer"

Não tente apenas romper o silêncio. Admita que você, às vezes, não tem as respostas, e contente-se simplesmente em estar com a pessoa... mesmo em total silêncio. Os jovens percebem claramente quando alguém está sendo sincero e perceberão que você os ama com o amor de Cristo.


AUXÍLIO BÍBLICO

+ 2Samuel 22.2-4 + Salmo 10.17, 18 + Salmo 23 + Salmo 53.16, 17, 22 + Salmo 62.5, 6

+ Salmo 91.4 + Salmo 143.7, 8 + Isaías 40.29-31 + 2Coríntios 1.3-7 + 1 Pedro 5.7

QUANDO BUSCAR ----- AJUDA PROFISSIONAL -----------------------------Denuncie qualquer suspeita de abuso. Alguns ou todos os sintomas descritos a seguir indicam que o jovem já sofreu ou está sofrendo com esse problema: Baixa auto-estima, interesse excessivo ou desinteresse por assuntos de natureza sexual, comportamento sexual exacerbado, depressão, isolamento, raiva, agressividade, comportamento autodestrutivo, ansiedade, problemas para dormir, temor de novos relacionamentos ou situações, problemas na escola, lembranças repentinas, pesadelos, abuso de drogas ou de álcool, sinais físicos de maus-tratos.


• • CAPITULO SETE

Gravidez e aborto Ajudando jovens durante uma gravidez ou o estresse pós-aborto Dicas de aconselhamento de Codeen J. Alden Dicas de ministração de Christina Schofield

Conheço uma “Mulher Maravilha da vida real”, obviamente sem a vestimenta colante e as botas vermelhas. O nome dela é Aline. Ela é uma de minhas melhores amigas. Aline é como uma irmã mais velha para todos nós e possui uma alegria inesgotável. A característica dela que mais me agrada é a maneira como joga a cabeça para trás quando dá gargalhadas — aquela sua risada especial que vem lá de dentro. Aline é o tipo de pessoa de quem se espera receber respostas para todos os problemas da vida, não por ela ter vivenciado todos, mas por tê-los evitado de maneira sábia. Ela nos fita com aqueles olhos negros e profundos e diz exatamente o que pensa. Abaixa o tom de voz enquanto explica que a vida dela não tem sido fácil, mas que desfruta de muitas bênçãos.

Nota do editor: Este capitulo foi escrito no contexto americano, onde o aborto é permitido por lei, até para adolescentes. No Brasil não é assim, mas a realidade do aborto existe. Portanto, os conselhos a seguir também se aplicam às adolescentes e jovens brasileiras.


Quando era adolescente, ela estava a caminho da destruição. “Eu usava drogas e ia para a cama com qualquer um; na verdade, contava o número de rapazes com quem havia estado. Era uma espécie de jogo de conquistas e satisfação”, diz ela, recordando. “Eu escolhia rapazes com quem havia dançado ou com quem havia bebido. Não importava quem fosse”. Um dia aquele jogo tomou uma direção inesperada. Aline descobriu que estava grávida, e nem sabia direito de quem era o pai do bebê. “Minha barriga estava crescendo dia após dia, eu ficava cada vez mais solitária. Sentia-me muito humilhada — meu físico atraente havia desaparecido, meu namorado me deixou e eu fiquei sozinha no dia das mães”. Mesmo na melhor das circunstâncias, quando urna mulher descobre que está grávida é bastante assustador. O corpo passa por muitas mudanças. A pessoa fica com medo do desconhecido. É necessário fazer sacrifícios e as perdas são inúmeras. Em sua tristeza, Aline começou a pensar em maneiras de tirar a própria vida. Ficava repassando aqueles planos na mente, mas algo fez com que ela parasse. “Eu não queria ferir meu bebê! Ele não tinha culpa de eu estar com todos esses problemas”. Aline frequentava a igreja e lia a Bíblia. A família dela era excelente. “Minha mãe é excepcional! Sem minha família, não sei onde estaria agora”, diz Aline, sorrindo. “Entretanto eu era egoísta e rebelde”, ela acrescenta. “Deus, em sua infinita sabedoria, usou um garotinho para chamar minha atenção”. Depois que Diego nasceu, Aline se casou com Felipe, e eles têm uma história de amor muito bonita. Felipe ficou tremendamente apaixonado por Aline, bem como pelo filho dela, já com um ano de idade. Mesmo depois de quatro filhos, Felipe e Aline ainda parecem namorados. Fico um pouco encabulada com rodas as demonstrações de afeto deles. Atualmente, Aline ministra para garotas envolvidas em todo tipo de situação ruim. Ela transmite uma mensagem apaixonada de


esperança para jovens com problemas. “Deus está no controle e nada acontece sem que ele saiba. Ele é nosso provedor. Ele restaura nossa vida. O Senhor é aquele a quem podemos buscar em períodos de crise. Ele nos dá nova vida, porque quer que todos sejam salvos e conheçam a verdade. E ele perdoa qualquer pecado que houvermos cometido, basta pedir perdão. Ele pode nos transformar em uma nova criatura”. Houve um período em que parecia impossível que a história de Aline tivesse um final feliz. As vezes, quando uma garota decide corajosamente fazer o que é certo em favor de um filho, ela se vê cercada por desaprovação, sofrimento, temores e solidão. Ela precisará abrir mão de coisas boas e diversões para encarar o peso da vida adulta. Entretanto há algumas bênçãos que ela somente conseguirá descobrir se demonstrar coragem. De início, elas vêm sutilmente, quase sem que consigamos notar, e então surgem em dose abundante, em momentos inesperados! Deus, em sua capacidade, faz uso de momentos difíceis (fracassos e desafios inimagináveis) para nos transformar em seres com coração e alma “maleáveis”; pessoas como Felipe e Aline, aqueles poucos que transformam a adversidade em algum bom. As genealogias que prepararam o caminho até Cristo estão repletas de pessoas que entraram neste mundo cm circunstâncias bastante sombrias, e alguns que cometeram erros bem graves. Até o próprio Jesus, quando garoto, deve ter experimentado o que era viver cercado por tanta suspeita e especulação a respeito de como ele fora gerado. Acho que Deus sabe exatamente o que sentimos e tem uma habilidade incomum para resolver qualquer situação. Para Deus. fracassos são apenas oportunidades. Gostaria de ter ajudado minha amiga na época em que ela enfrentava aquela crise. Eu ficaria sem fôlego de tanto falar, ansiosa por contar a ela o quanto a vida seria prazerosa no futuro. “Tenha ânimo”, eu diria. “Deus tem um plano maravilhoso para


sua vida e irá cuidar de você e de seu filho de maneiras que você nunca imaginou”. Eu a desafiaria a ser corajosa, a enfrentar um dia de cada vez e a ter orgulho da decisão de trazer mais uma vida a este mundo. Não existe nenhuma realização nesta vida que se compare a tal maravilha. Eu me comprometería a ser amiga dela e a orar por ela, e diría o quanto me sinto orgulhosa por ela ter tomado uma decisão com a qual todos possam viver e conviver.

AUXÍLIO

+ Deuteronômio 31.6 + Salmo 32.1-7 + Salmo 46 + Salmo 116.5-7 + Salmo 121

------BÍBLICO -----------------------

+ Salmo 139.13-16 ♦ Isaías 43.18, 19 ♦ Jeremias 1.5 + Efésios

2.4-10 + Hebreus 12.1-3

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Adolescentes e jovens se esforçam para descobrir que papel desempenham no mundo que os cerca. Eles fazem perguntas do tipo: “Quem sou eu?”, “Que tipo de pessoa quero ser?”, “Será que tenho capacidade para alcançar esse objetivo?” E os membros de seu grupo estão começando a tomar decisões por si próprios — escolhendo com


que amigos passar o tempo ou que atividades realizar. Alguns se envolvem em relacionamentos íntimos — uma área que confunde até mesmo os adultos. Navegar nas águas turbulentas dos relacionamentos românticos é um grande desafio para os jovens — sobretudo para aqueles que “não são ainda tão maduros”. O coração frágil de um adolescente pode ter bastante dificuldade de assimilar o “golpe” da rejeição e a dor de não ser querido por alguém. A sociedade não ajuda enquanto nos esforçamos para direcionar os adolescentes à pureza. O mundo vê a abstinência sexual como uma idéia arcaica. Em algumas situações, pessoas distribuem preservativos gratuitamente e dizem para os jovens que eles não são capazes de controlar seus impulsos. Eles são lançados em um mundo adulto para o qual não estão preparados emocionalmente. Este capítulo aborda os problemas extremamente comuns da gravidez e do aborto entre adolescentes. Uma gravidez não planejada muda o curso da vida da pessoa para sempre, não importando a maneira como ela reage à situação. Outro desafio que muitas jovens enfrentam é o estresse pós-aborto. Mães adolescentes geralmente fazem escolhas com base no medo — escolhas das quais mais tarde irão se arrepender. As questões da gravidez inesperada e do aborto têm impacto significativo no coração das adolescentes e das jovens. As pessoas mais próximas a elas — incluindo os líderes na igreja — precisam saber como lidar com essas questões com eficiência e compaixão.


Cuidados Uma adolescente acaba de realizar um teste de gravidez caseiro. Deu positivo. Ela diz a você que não sabe o que fazer, que se sente quase que paralisada. Todos as pessoas parecem ter uma opinião formada a respeito. Você tem a oportunidade de falar a verdade para a adolescente e ajudá-la a vencer o temor para que faça uma decisão bastante clara. Entretanto, como agir nessa hora? Dê ouvidos

Muitas jovens não encontram ninguém que apenas se disponha a ouvir o que têm a dizer. Faça apenas isso até que ela lhe peça conselhos. Uma vez que a jovem perceba que você está prestando atenção no que ela diz, suas palavras terão um impacto muito maior. Pergunte a respeito de pressões e medos

Descubra o que a pressiona (pais, namorado, questão financeira, reputação) e o impacto que cada uma das pessoas ou circunstâncias tem na vida dela. Quando a jovem fala de seus temores, a força deles diminui. Conversar a respeito desses medos com alguém que demonstre compaixão geralmente ajuda a torná-los menores. Ajude a garota a identificar seus sentimentos

As crises fazem aflorar muitas emoções nos adolescentes. Preste atenção enquanto a garota expressa outros sentimentos, tais como sensação de culpa ou de perda, assombro e isolamento. Pergunte a respeito da família

Converse sobre as reações dos familiares. Sc a adolescente ainda não relatou o caso aos pais ou a outros adultos confiáveis, ofereça para acompanhá-la quando for contar. Ajude-a a se preparar para a reação inicial de todos.


Busque auxílio

Se uma de suas lideradas ficar grávida, procure algum centro de auxílio para mães jovens, que poderá ajudá-la durante essa crise. QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL ------------------------------+ Quando a gravidez for resultado de estupro ou incesto. + Quando a jovem mostrar sinais de depressão (veja o capítulo 2, "Depressão"). + Quando a jovem demonstrar tendências suicidas (veja o capítulo 3, "Suicídio"). + Quando a jovem desenvolver um comportamento nocivo, tal como desordem alimentar, ou se estiver se cortando, se arranhando ou se queimando; se estiver fazendo uso de drogas ou de álcool ou praticando sexo de maneira indiscriminada. + Se a jovem já tiver feito um aborto.

Conselhos

Deus não criou o coração da mulher para que tivesse de decidir se irá ou não pôr fim à vida de um filho. Entretanto, as jovens de nossos dias vivem numa sociedade em que o aborto parece uma prática normal e até legalizada em certos países. Porém, a decisão de uma adolescente quanto a pradcar um aborto poderá lançá-la num verdadeiro turbilhão de emoções. Verifique se algum membro de seu grupo demonstra os seguintes sintomas de estresse pós-aborto: + Resistência a qualquer pessoa ou situação que possa despertar emoções dolorosas relacionadas com a gravidez.


+ Preocupação de engravidar novamente. + Medo de ter ficado estéril. + Aumento nos sintomas por volta de um ano depois do aborto ou da data de nascimento do bebê. + Desenvolvimento de hábitos alimentares nocivos. + Surtos repentinos ou inexplicáveis de choro.

Tente convencer a jovem que já tenha praticado um aborta a participar de um grupo de aconselhamento ou a se consultar com psicólogos cristãos. Centros de apoio à gravidez são recursos excelentes para esse caso. O aconselhamento em grupo pode ser bastante saudável para uma jovem. Nesse ambiente ela poderá conversar com outras mulheres que entendem o que ela está passando. Dialogue com a jovem para tentar identificar pessoas confiáveis a quem ela possa contar segredos. Lembre-se de que a adolescente provavelmente estará passando pelos estágios de sofrimento (veja o capitulo 1, “Sofrimento da perda”). Pode ser útil ela criar algum tipo de “ritual de lembrança”, tal como escolher o nome que daria ao bebê ou confeccionar algo que a criança usaria.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes

Se uma jovem de sua igreja está em crise por causa de uma gravidez, chame o grupo para apoiá-la das seguintes maneiras: Faça com que o grupo se envolva

Desafie os membros do grupo a buscarem informações na Internet e em organizações dedicadas a ajudar mulheres em crise de gravidez. Incentive-os a se envolverem no ministério da igreja. Peça que


tragam informações úteis a respeito de opções de programas de ajuda para adolescentes grávidas, pensamentos de incentivo e versículos bíblicos. Elabore um pacto de amizade

Como um grupo, crie um pacto de amor, apoio, orações e companheirismo fiel de uns para com os out ros. Troque números de telefone, endereços de e-mail e MSN, através dos quais possam ser contatados quando alguém do grupo precisar conversar. Convoque a "tropa de oração"

Se perceber que seu grupo está falando a respeito da jovem ou da situação de maneira negativa, peça especificamente que orem pela amiga durante esse período difícil, individualmente e também em grupo. É difícil menosprezar alguém por quem oramos. Programe uma Festa sem Preocupações!

Convide todos para uma noite de muita brincadeira e petiscos. O ingresso pode ser um cartão onde a pessoa escreveu suas maiores preocupações. Recolha os cartões na entrada. Coloque-os numa lata e bote fogo em tudo. Pelas próximas horas, dê aos jovens permissão para se divertirem livres de preocupações, sem pensarem naquilo que os está sobrecarregando. Seja um amigo antes e depois de o bebê nascer

Se a jovem decidir ficar com o filho e criá-lo, procure maneiras de seu grupo ajudá-la— fazer um chá de bebê, servir de babá, oferecer amizade incondicional. Nos meses seguintes, convide a garota para sair c divertir-se com o grupo ou com algumas pessoas mais íntimas. Arranje alguém para cuidar do bebê.


RECURSOS ------ ADICIONAIS -----------------------------------------

+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins. São

Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Problemas relacionados com a gravidez", p. 494. Direito de viver: Uma conversa franca sobre gravidez e aborto. Jaime Kemp. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

0 que não dizer "0 que você vai fazer?"

Tentar encontrar todas as respostas lança um peso muito grande sobre a pessoa. A futura mamãe precisa lidar com a gravidez um dia de cada vez. Em vez de fazer perguntas, ore com ela, pedindo a Deus que lhe dê sabedoria. "Todos cometem erros".

Essa declaração pode transmitir a idéia de que a vida do bebê é um erro. O Salmo 127.3 nos ensina que os filhos são herança de Deus. Se a garota se sente culpada a respeito do pecado que cometeu, peça que leia o salmo 51 e ajude-a a encontrar a cura emocional no perdão divino. "Estamos aqui para ajudar você".

Muito provavelmente, à medida que os meses passarem, muitos dos amigos dela irão retomar suas atividades normais. Ela irá se sentir


mais sozinha do que nunca. Dê à garota um número de telefone para o qual possa ligar se precisar de você. (Os líderes do sexo masculino podem se sentir mais à vontade apresentando a jovem a alguma mulher na igreja que lhe sirva de modelo e a auxilie.) Lembre-a de que Cristo é um amigo “mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24).

0 que dizer "Vamos lidar com isso um dia de cada vez".

Comemore os pequenos passos e não espere que a garota assimile tudo imediatamente. Ajude-a enfrentar esse desafio vinte e quatro horas de cada vez. "Você é capaz de fazer isso".

Deus promete nos conceder a força de que necessitamos para fazer a coisa certa. Encoraje a adolescente ou a jovem, acreditando nela de todo coração. Transmita esperança, lembrando-a de que Deus é um Pai bondoso. Ele está no controle e sempre presente. "Sempre serei seu amigo".

Dê à jovem a segurança de saber que você a ama, apesar dos erros, dos problemas e dos períodos difíceis. Isso contribui muito para que ela compreenda o milagre da graça de Deus. "Você já escolheu o nome do bebê?"

Nos períodos finais da gravidez, se a garota decidir ficar com filho, procure fazer comentários e perguntas que a incentivam. Desperte-lhe entusiasmo pelo nascimento de uma vida preciosa.


APENAS PARA ------ RAPAZES Com tanta atenção direcionada para a jovem, o pai do bebê pode se sentir menosprezado. Geralmente é bcm que o jovem converse com um conselheiro do sexo masculino. Ele pode estar atravessando um período em que se sente sem forças, principalmente se foi deixado fora das decisões importantes. Disponha-se a ouvi-lo, e assegure-o de que irá apoiá-lo em tudo. Incentive o envolvimento dele nesse período conturbado, mas ajude-o a assumir suas responsabilidades e estabelecer limites. Nesse tempo, você pode contribuir para que o jovem aprenda bastante a respeito de integridade e responsabilidade nos relacionamentos. Se tanto o pal como a mãe do bebê são do seu grupo e desejam continuar o relacionamento, estude a possibilidade de eles receberem assistência de tm casal de mentores, que possa ajudá-los a lidar com as mudanças no relacionamento e que lhes ofereça dicas de cuidados com o filho.


- • CAPÍTULO OITO

Problemas escolares Ajudando os jovens a superar problemas de aprendizagem

Dicas de aconselhamento de D. Patrick Hopp Dicas de ministração de James W. Miller

Nao posso culpar ninguém. Era apenas uma questão de tempo até que eu tivesse de largar a escola particular onde estudava. Meus pais pagavam uma nota para eu estudar ali. Agora tenho de me transferir para uma escola pública, onde não conheço ninguém, e carrego essa “mancha” em meu currículo. Sinto-me como se fosse “calouro” outra vez. Tenho certeza de que todos os meus professores vão ouvir falar de mim antes mesmo de eu entrar na sala. Não é que eu não quisesse tirar boas notas. Eu tentei. Ou acho que tentei. Simplesmente não era capaz de me concentrar. Quando percebi que estava indo mal em Matemática, tentei compensar estudando mais para as outras matérias. Então comecei a ir mal em Química, e não consegui mais manter a “cabeça fora d’água”. Até mesmo durante a aula de Educação Artística, que eu realmente gostava, tudo em que eu conseguia pensar era que estava indo mal em Matemática e Química. Quando chegava em casa, depois da aula, me sentia tão deprimido que não conseguia me concentrar nas tarefas da escola. Parava no meio de um problema e me dava conta de que eu não tinha idéia do que estava fazendo. Não havia compreendido o que a professora tinha ensinado na sala. Como eu não qucria chamar a


atenção, ficava lá, sentado de boca fechada. Agora eu estava perdido. Como não queria irritar meus pais, não podia chegar neles e dizer que não estava fazendo o dever de casa porque não entendia a lição. As notas foram caindo até chegar a zero. Eu simplesmente parei de entregar os trabalhos. Quando recebi as notas dos exames finais, esperei até sair da sala para olhar meu boletim. Mesmo assim, só tive coragem de ver os números no topo da página. De 100 pontos, fiz 23. Será que era possível? Agora é definitivo. Eles tinham sido avisados, e eu fiz promessas que não pude cumprir. Não tinha outra opção a não ser deixar a escola particular. A escola pública deve ser mais fácil, porém me sinto ainda menos motivado a estudar. Tudo isso é um tremendo constrangimento para mim. Meus amigos da igreja parecem se importar comigo. Mas eles não ligam muito para questões de escola. É verdade, eles querem saber como eu me sinto, e me dão bastante atenção quando conto a respeito das brigas que estava tendo com meus pais por causa de minhas notas. Mas eles não dão aulas particulares ou coisa do tipo. Dessa vez, não preciso de consolo. Preciso mesmo é de ajuda. Não sei como ficar motivado ou nem como realizar as tarefas da escola. Também acho injusto ser julgado apenas pelas notas. Quando saio para andar de bicicleta, penso em todos os tipos de assuntos, e alguns bem profundos, coisa em que nunca havia pensado. Quando estou livre da sala de aula, consigo abrir a mente para uma variedade de idéias. Sinto que poderia aprender muito mais fora da escola. Entretanto a mensagem que eu recebo é que só serei aprovado se aprender num ambiente claustrofóbico. Não sou burro — simplesmente não consigo realizar provas em escrivaninhas, em salas pequenas, com todo tipo de barulho. Quando eu e meus amigos fomos para acampar durante o ftm de semana, batemos altos papos. Era como se estivéssemos aprendendo uns com os outros. Mas isso náo vai contar pontos no vestibular. Quero ser arquiteto. Assim posso estar ao ar livre, nos canteiros


de obra, desenhar minhas idéias e transformá-las em realidade. Sei que tem muito trabalho por aí que posso lazer de olho fechado. E eu preciso ler Machado de Assis para isso? Meus pais estão lidando com o problema de maneiras completamente diferentes. Minha mãe implica muito comigo e grita pra caramba. Excelente tática de motivação, mãe. Agora sim, me sinto inspirado. Meu pai sempre teve facilidade com os estudos e não tem a mínima noção dos porquês do meu fracasso. Quem se deu bem como gerente de vendas, pode se dar o luxo de ignorar o garoto problemático da família. Basta voltar para o trabalho. Mais inspiração pra mim. Portanto, aqui estou, num quarto escuro, diante da minha mesa outra vez — se é que consigo enxergá-la através das muitas pilhas de trabalhos que nunca entreguei e dos livros que náo vou ler. Puxa vida. Isto aqui está parecendo um lixão! Lembrete: arrumar o quarto depois de tirar um 10. Esperem sentados pelas duas coisas! Recebi um telefonema da Gina. Ela estava na igreja. Parece que alguns dos meus colegas de escola querem vir aqui para estudar Matemática. Eles disseram que o fato de não sermos da mesma sala não tem nada a ver. A matéria é igual, a gente aprende do mesmo jeito. Beleza! E o melhor de tudo é que a Gina também vem! Seria legal escrever mais, porém estou na contagem regressiva da limpeza dessa pocilga. Quem diria que Matemática seria meu passatempo favorito?


QUANDO BUSCAR ----- AJUDA PROFISSIONAL ------------------------------Existem vários problemas que podem inibir o desempenho acadêmico dos adolescentes. Se você perceber os sintomas listados a seguir, converse com a família do adolescente e sugira que procurem a ajuda de um profissional. Um psicólogo ou profissional da área de saúde mental pode avaliar a situação e recomendar o tratamento apropriado. + Dificuldades de aprendizagem: dificuldade em seguir ordens, inversão frequente de letras ou números, dificuldade de aprender conceitos novos ou de fazer conexões entre conceitos aprendidos, erros constantes de leitura ou de grafia, dificuldade de coordenação motora. + Déficit de atenção: distração, esquecimento, desorganização, inquietação, impulsividade. 4= Depressão: (ver Capítulo 2, "Depressão") + Ansiedade: (ver Capítulo 10, "Estresse e Ansiedade") + Abuso de substâncias nocivas: (ver Capítulo 4,"Vícios")

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Todos nós já experimentamos uma perda ocasional de motivação em alguma área da vida. Já sentamos em uma carteira de colégio ou olhamos para a tela do computador ou passamos por uma pilha de roupa suja, e ficamos esperando o melhor momento para começar o


trabalho. Entretanto, para alguns jovens, a procrastinação e a apatia vão muito além desses momentos de falta de motivação e tornam-se uma experiência na qual qualquer tentativa de começar uma tarefa parece acabar em fracasso. F.ssas pessoas geralmente são brilhantes e capazes — suas dificuldades acadêmicas não partem de falta de inteligência ou de ambição — mas simplesmente não conseguem se livrar do fardo que as impede de alcançar seu potencial intelectual. Talvez os obstáculos mais comuns se encontrem dentro delas mesmas: Autopercepção

Alguns jovens têm dificuldade com obstáculos que eles mesmos criaram na mente. Aqueles que acreditam que não conseguem resolver problemas de matemática terão desempenho inferior aos que acreditam dominar a matéria. Medo do fracasso

O medo de fracassar motiva alguns jovens mais do que o desejo de serem bem-sucedidos. Por exemplo, alunos que estudam apenas porque têm medo de decepcionar os pais são propensos a ficar aquém de outros alunos que são motivados pela vontade de ir bem na escola. Motivação Interna

Os jovens tendem a trabalhar melhor quando se sentem motivados internamente (pelo desejo de aprender ou por interesse no assunto) mais do que externamente (pelo desejo de conseguir boas notas ou de receber aprovação). Os estudantes que mais se destacam geralmente sentem fascínio por aquilo que estão aprendendo.


Cuidados Se você suspeita que um adolescente esteja com problemas: Não tenha medo de perguntar

Perguntas simples, diretas e sinceras são a melhor maneira de descobrir se ele está tendo dificuldades. Por exemplo: “Como você está se saindo na escola?”, ou “Parece que você se sente sobrecarregado com tantos trabalhos, não é?” Antes de fazer essas perguntas, “prepare o terreno” afirmando que se importa com o jovem e deseja saber o que está acontecendo na vida dele. Não menospreze o problema

Os jovens provavelmente já ouviram alguém dizer que precisam se esforçar mais ou que não estão se dedicando o suficiente. Isso gera ainda mais pressão e pode levar à ansiedade e à procras- tinação. Em vez disso, continue fazendo perguntas para compreender plenamente a situação. Ajude o jovem a desenvolver uma auto-imagem acadêmica positiva

Procure identificar pequenas atividades em que a pessoa foi bemsucedida e então descubra o que ela fez para conseguir um bom resultado. Pergunte como se sentiu ao conseguir essa vitória. Ajude-a a visualizar o sucesso.


Conselhos Para continuar apoiando os jovens de seu grupo a obter sucesso acadêmico de longo prazo, use as seguintes táticas: Descubra os interesses do jovem

Procure saber quais as matérias que ele mais gosta ou em que consegue as melhores notas, e converse sobre elas. Os jovens precisam enxergar a si próprios como pessoas capazes de obter sucesso na escola. Faça reuniões com um professor

Convide um professor de faculdade para falar aos jovens e enfatizar a importância do estudo, dando seu próprio exemplo. A maioria dos professores certamente ficará lisonjeada com uma oportunidade tão incomum. Forneça dicas de estudo

As vezes os adolescentes e jovens precisam de ajuda para desenvolver um bom método de estudo. Se tiver oportunidade, compartilhe com os membros de seu grupo técnicas de aprendizado que deram resultado com você. Por exemplo, ajudar os jovens a se organizarem e planejarem lições de casa pode ser- lhes muito útil.

Dicas para o grupo de jovem ou adolescente Tente formar um grupo de estudos na igreja

Se descobrir que vários jovens estão rendo problemas semelhantes com organização pessoal ou assuntos específicos, forme um grupo de


estudos. Crie um ambiente livre de distrações, 'lente conseguir monitores para auxiliar nesse período de estudos. Ou simplesmente apresente novas técnicas de aprendizado, como fazer cartões ilustrativos ou realizar concurso de perguntas. Visitem bibliotecas, museus e jardins botânicos para tornar o estudo mais interessante

As vezes é difícil se dedicar aos estudos porque a matéria em si é chata e desinteressante. As instituições de ensino modernas perceberam a dificuldade e fazem questão de investir em apresentações mais engenhosas. Alguns museus de ciências têm exposições bastante criativas que permitem aos visitantes interagir com as obras. Leve seu grupo para uma excursão num fim de semana, mesmo que para outra cidade, se possível. Faça um "programa de decoração"

Uma parte importante do processo de estudo é ter um local de trabalho limpo e livre de distrações. Separe tempo para decorar um cômodo da casa junto com o jovem. Deixe o espaço limpo, agradável e isento de distrações. Quando a pessoa tem orgulho de seu local de estudos, terá mais vontade de usá-lo para esse fim. Ensine os jovens a criar um sistema de auto-recompensa

É bom podermos recompensar a nós mesmos quando alcançamos nossos objetivos. Incentive seus liderados a determinar um prêmio pessoal para seus bons resultados acadêmicos, seja uma rodada na sorveteria, um passeio no shopping ou um dia na praia.


0 que não dizer "Não é tão importante assim"

Você não deve menosprezar a importância da educação e do estudo. Em vez disso, incentive o processo contínuo de aprendizado, no ritmo do aluno. "Muita gente se deu bem na vida sem fazer faculdade".

Essa “verdade” desvia a atenção do adolescente. Pessoas com problemas de aprendizagem são sensíveis a respeito de sua capacidade de realização. Esse comentário não motiva ninguém. "Você é bom em outras coisas"

Isso é o mesmo que dizer à pessoa para desistir. Em vez disso, você deve incentivar o jovem a ter persistência e paciência, pois essa atitude trará resultados a longo prazo. Se ele tiver a impressão dc que o caso dele não tem solução, perderá as esperanças.

0 que dizer

"Descubra uma forma de aprender combine mais com seu jeito"

Na verdade, cada pessoa tem seu jeito de aprender. Algumas o fazem melhor pela audição, outras pela visão, e outras pela manipulação. Os jovens podem melhorar as habilidades de estudo descobrindo qual estratégia dá mais resultado para eles.


"Deus criou a sua mente"

É importante a pessoa saber que Deus nos fez, e que pode nos usar para seus propósitos. Esse conhecimento motiva o jovem a continuar se esforçando e a não desistir. "Seu valor como pessoa não pode ser medido"

Um grande problema com os desafios acadêmicos é a auto-estima do aluno. Ele precisa saber que seu valor não está sendo questionado. A importância do estudo nunca deve ser equiparada com o valor pessoal do indivíduo. "Todos enfrentam desafios. Desistir não leva a nada".

Através dos problemas, os jovens aprendem que os desafios não são fatais e não põem fim ao trabalho árduo. Os obstáculos pessoais podem ser um terreno fértil para o uso de Deus.

RECURSOS ----- ADICIONAIS----------------------------------------+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Colllns. São

Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Adolescência", p. 194. Se conselho fosse bom... Robson Pereira Rocha. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

AUXÍLIO BÍBLICO + Deuteronômio 6.4-9 + Salmo 119.65, 66 + Provérbios 2.1-6 +

+ Mateus 22.36, 37 + Lucas 2.41-52 + Romanos 5-3-5 + Colossenses 3.17 + ITimóteo 4.12 Provérbios 24.3-5 Provérbios 3.13-15 +


DICAS DE ----- ESTUDO ---------------------------------------------Se você está com dificuldade em alguma matéria escolar, empregue essas dicas para gerenciamento de tempo e para obter bons resultados nos estudos: / Faça um calendário acadêmico. Assim que os professores determinarem as tarefas, provas e outros trabalhos, anote a data de entrega de cada um no calendário. y Estabeleça u m cronograma de estudo diário que inclua estimativas de quanto tempo você precisará para completar tarefas específicas. / Divida tarefas maiores em partes e concentre-se em uma de cada vez. / Encontre um local para estudar que esteja livre de distrações. Utilize o lugar com regularidade, mas use-o apenas para estudar. Isso ajuda a reduzir as distrações, porque a pessoa associa o local somente com os estudos. / Faça uma revisão de anotações e textos ao longo do semestre em vez de esperar chegar a época das provas para memorizar tudo. / Tente associar mentalmente as matérias novas com experiências próprias e coisas que você sabe bem. Por exemplo, o que uma figura histórica sobre a qual você está estudando tem em comum com o vocalista de sua banda favorita? / Encontre maneiras criativas de tornar o estudo divertido. Elabore sua própria versão de jogos de perguntas para aprender as matérias ensinadas.


Pรกgina em branco como no original


• -CAPÍTULO NOVE

Conflitos familiares Superando desafíos de comunicação entre os jovens e seus familiares

Dicas de aconselhamento de Terri S. Watson Dicas de ministração de James W. Miller e Fred Whaples

Conselheiro: Muito bem, que tal diminuirmos o ritmo um pouco? Gostaria que cada um de vocês explicasse exatamente o que viu e como se sentiu... Janete: O que aconteceu foi que minha máe perdeu a cabeça. Não estou exagerando. Eu estava saindo do cinema... Mãe: Onde você não deveria estar. Janete: Não interrompa! Mãe: Não grite! Janete: Não interrompa! Como dizia, estava saindo do cinema com minhas amigas, quando vi minha mãe me vigiando, à espreita! Ela estava na rua, escondida atrás do orelhão. Mãe: Eu precisava dar um telefonema. Janete: Você tem celular! Mãe: A batería estava no fim. Janete: Mãe! Você apareceu de surpresa quando eu estava saindo do cinema, e aprontou um escarcéu diante das minhas amigas! Mãe: Ora, você me disse que ia à casa de Belinda participar de um estudo bíblico. Eu liguei para lá e a mãe dela me disse que vocês tinham ido ao cinema, e que não havia nenhum plano de estudo bíblico. Janete: Você nunca me deixa Fazer nada, a não ser que seja na igreja. Não quero passar a vida definhando na igreja! É constrangedor pra caramba.


Sempre que minhas amigas me chamam para sair, tenho de ir no ensaio do coral ou algo parecido! Mãe: Ricardo, diga à sua filha que ela está de castigo... Pai: Não me envolva nisso. Mãe: ...e que ela não pode mais ir à casa de Belinda e não vai trocar de celular. Janete: Mãe, isso é totalmente injusto. Deixa pra lá. Amanhã você já mudou de idéia. Conselheiro: Acho que já é o bastante! Temos informações até demais para discutir a respeito. Gostaria de checar alguns detalhes. Janete, da melhor maneira que puder, me diga como sua mãe se sentiu quando ouviu da mãe de sua amiga que você não estava no estudo bíblico. Janete: Não sei. Conselheiro: Pense um pouco. Algumas de suas amigas já disseram a você que fariam algo e então se comportaram de maneira diferente? Janete: Acho que sim. Conselheiro: Sandra, vamos começar com você primeiro. Ü que passou pela cabeça de sua filha quando cia saiu do cinema e viu você lá? Mãe: Ela percebeu que havia sido desmascarada. Conselheiro: E o que mais? Mãe: Ficou constrangida. Conselheiro: Essa também é minha impressão. Na verdade, ela usou essa palavra exatamente. Janete tem autorização para realizar atividades que não sejam as da igreja? Mãe: Quando eu era da idade dela, aprontava muita confusão, e gostaria que alguém estivesse presente e me impedisse. Meus pais eram inconseqüentes. Conselheiro: Você gostaria que alguém tivesse simplesmente controlado sua vida, ou que houvesse ensinado você a fazer boas escolhas? Mãe: Bem, obviamente a segunda opção, mas talvez um pouco de cada. Conselheiro: Certo. Em minha experiência, os filhos cujos pais exageram no controle normalmente agem como se não tivessem limites. Janete, quero voltar a falar sobre você. Agora que já teve alguns minutos para pensar, como você acha que sua mãe se sentiu ao falar com a mãe de sua amiga?


Janete: Não sei. Conselheiro: Sei que você não quer conversar sobre isso, mas estou sugerindo que desenvolva um novo tipo de relacionamento com sua mãe. Você sempre será a filha dela, mas um dia será adulta, e terão um relacionamento de adultos uma com a outra. Quero incentivá-la a desenvolver esse relacionamento agora. Janete: (Permanece em silêncio.) Conselheiro: Para isso, você precisa pensar com seriedade a respeito do que a outra pessoa sente. Janete: Eu sei. Ela também ficou constrangida; sentiu como se não fosse uma boa mãe; achou que os outros pensariam que não somos uma família perfeita. Conselheiro: Sandra, ela acertou? Mãe: Não temos de ser perfeitos. Apenas quero saber que posso confiar em você, Janete. Janete: O que foi que eu fiz que a impede de confiar em mim? Quero dizer, antes do cinema. Mãe: Não é apenas você. É o que acontece em geral com os adolescentes. Sei muito bem como é. Conselheiro: Ricardo, o que você pensa sobre isso? Pai: Você não deveria mentir para sua mãe, Janete. Se obedecer às ordens, poderemos evitar tudo isso de maneira simples. Conselheiro: Sua esposa e sua filha podem conversar com você a respeito dos problemas delas, Ricardo? Pai: É claro que sim. Mãe e Janete: É claro que não! Pai: Ando ocupado últimamente. Conselheiro: Ainda que esse seja o caso, você pode ter um papel fundamental simplesmente ouvindo o que elas têm a dizer. O relacionamento entre elas ficará mais fácil se puderem contar a você como se sentem. Pai: Tudo bem. Conselheiro: Janete, não acho que sua mãe queira desconfiar de você. Em minha opinião ela teve experiências na própria vida que despertaram nela desconfiança em você. Você não está acostumada a pensar desta


maneira, mas pode ajudá-la a vencer essa desconfiança até você se tornar adulta. Janete: Como? Conselheiro: Mostrando a ela que não irá tirar proveito da liberdade que tem. Mãe: Isso significaria muito para mim. Porém, se você abusar de sua liberdade, ficará de castigo até completar dezoito anos. Janete: Mãe! Conselheiro: (Suspira.)

AUXÍLIO ------ BÍBLICO

+ Josué 24.15 + Neemias 4.14 + Salmo 139.13-16 + Lamentações 3.31-33 + João 11.17-44

+ Romanos 5.1-5 + Romanos 8.35-39 + 2Coríntios 4.6-12 + Filipenses 2.1-11 + Filipenses 3.10-14


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

E de particular importância que a família tenha uma boa comunicação durante a adolescência dos filhos. A comunicação ativa entre pais e filhos pode ter efeito preventivo e evitar vários problemas serios, incluindo o uso de drogas e álcool, problemas na escola e gravidez precoce. Adolescentes que podem conversar sobre seus problemas e dificuldades são menos propensos a extrapolar os limites. Jovens que expressam com tranqüilidade suas necessidades a outras pessoas correm menos riscos de se tornarem agressivos. E o mais importante, a comunicação saudável entre os familiares pode melhorar o desenvolvimento espiritual do adolescente. Você tem oportunidade de realizar um papel importante em ajudar os jovens e os familiares a manterem os canais de comunicação sempre abertos. Também pode ensinar a família de seus liderados a desenvolver habilidades para resolução de conflitos. Existem várias barreiras na comunicação: Alguns pais acham que a comunicação aberta, com negociação de soluções, diminuirá a autoridade deles. Não é assim! A comunicação aberta entre as partes aumenta o respeito do adolescente pelos pais e incentiva obediência e aceitação. Outros pais não conseguem dizer “não” e deixam de assumir sua posição de autoridade no lar. Muitos familiares são incapazes de lidar com a expressão de sentimentos negativos tais como sofrimento, raiva e desapontamento. As pessoas evitam umas às outras e receiam falar sobre os motivos latentes que geram tensão na família.


Cuidados Quando você estiver aconselhando um adolescente ou a família dele, siga as seguintes diretrizes: Envolva tanto os pais como os filhos

Adote uma perspectiva familiar em seu aconselhamento. Todos precisarão estar envolvidos para identificar os problemas e alcançar soluções. Identifique os pontos fortes

Cada família tem habilidades singulares na arte da comunicação, incluindo humor, diplomacia ou cuidado mútuo expressivo. Encontre estes pontos fortes, e ajude a família a usá-los em períodos de conflito. Mantenha-se neutro

Uma terceira pessoa que se mantenha neutra pode oferecer bastante assistência aos pais e seus filhos adolescentes que estejam atolados em algum conflito. Evite lançar culpa, e enfoque o problema ou o estilo de diálogo, e não se concentre em uma pessoa em particular. Além disso, embora você possa ter certa ligação com o jovem, é importante não desmerecer a autoridade dos pais. Mude a perspectiva

Ajude os familiares a olharem para a situação de uma maneira diferente. Por exemplo: “Gustavo tem sido muito rebelde”, pode ser dito de uma maneira mais positiva como: “Gustavo está tentando ser mais independente".


j Conselhos A seguir estão alguns pontos importantes a considerar quando se trabalha com famílias: Prevenção

Planeje fornecer um curso sobre educação de filhos e apoio familiar onde os pais possam aprender a ter uma boa comunicação com os filhos. Talvez a igreja possa oferecer o curso. Ajudar pais e filhos a identificar possíveis obstáculos ao diálogo, logo no início, é uma boa prevenção ao desenvolvimento de conflitos mais sérios. Direcionamento

Para uma família que esteja envolvida em um problema grave, estude a possibilidade de designar outra família da igreja como conselheira. Peça aos pais de cada família que façam uma reunião com os filhos do outro casal. Isso pode ser títii para que a família em conflito obtenha uma nova perspectiva e descubra idéias práticas com a família de mentores. Rituais

Rituais familiares são um bom meio para se falar a respeito de conflitos e preocupações no dia a dia. Tais rituais incluem reuniões familiares, conversas durante as refeições ou um “check- up” semanal com cada filho. As famílias podem prevenir o aumento de conflitos e ressentimentos planejando encontros regulares.


Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Permaneça neutro

Nunca permita que os líderes ou seu grupo tomem partido de qualquer membro da familia durante o conflito. Em vez disso, todas as pessoas alheias ao problema devem permanecer neutras e tentar mediar a situação para alcançar uma solução apropriada. Se alguém estiver claramente errado, então você deve incentivar essa pessoa a tomar a decisão correta. Para fazer isso, destaque posturas e fatos diferentes que você observou, porém, mante- nha-se neutro. Seja uma comunidade de apoio

Sepaie tempo para que os jovens compartilhem sinceramente uns com os outros, e incentive-os a dar apoio e orar específicamente pelas necessidades de cada um. Você não deve limitar isso a um pequeno grupo (tal como uma reunião em casa ou de célula), mas deve se valer desse recurso regularmente, em qualquer situação possível. Deixe que seus liderados levem os fardos uns dos outros e compartilhem dificuldades semelhantes. Isso criará um senso de comunidade, e manterá você informado a respeito dos problemas que os jovens estão enfrentando. Proporcione atividades e treinamento para a família Os

pais são a principal influência na vida de um jovem. Devemos disponibilizar qualquer tipo de auxílio para que os pais aprendam a vencer os desafios e aproveitem as oportunidades, à medida que seus filhos amadurecem. Crie um “Cemro de Recursos Familiares” em seu gabinete ou no espaço da juventude com livros, vídeos, apostilas e artigos que os pais possam


consultar para obterem sucesso nas relações familiares. Você também pode organizar aulas sobre educação de filhos e criar grupos de discussão. Elabore eventos para a família

No grupo de jovens ou adolescentes, planeje eventos que incluam toda a família. Não enfoque apenas os jovens, mas crie um ambiente onde os pais também realizem atividades que os capacitem a fazer debates, interagir e aplicar as lições aprendidas. Alguns pais se mostram hesitantes e não querem se envolver no ministério de jovens quando os filhos estão participando, achando que estes ficarão constrangidos. O fato é que os jovens precisam que os pais se envolvam ativamente em sua fé, e o líder precisa da influência da família para desenvolver a fé duradoura nos jovens.

QUANDO BUSCAR ----- AJUDA PROFISSIONAL ------------------------------Até certo ponto, conflitos são normais, e saudáveis, em famílias com filhos adolescentes. Entretanto, é importante que você saiba reconhecer quando as desavenças colocam o jovem em risco de desenvolver problemas emocionais e comportamentais mais sérios. As situações a seguir indicam a necessidade de se consultar um terapeuta familiar, conjugal ou um profissional da área de saúde mental: + 0 conflito familiar está interferindo com o convívio normal do jovem (como problemas com tarefas escolares, relacionamentos ou no emprego). + 0 jovem faz menção de fugir de casa, usar drogas, usar de violência física ou tentar o suicídio. + 0 jovem desafia autoridades ou vive fazendo bagunça.


+ 0 jovem apresenta sintomas como tristeza, mudanças de humor, ansiedade ou sentimento de culpa. + 0 jovem tem comportamento abusivo, seja emocional ou físico.

0 que não dizer "Seus pais são uns idiotas".

Nunca “acabe” com um membro da família durante uma desavença. Mesmo que a atitude de alguém pareça a mais correta, é importante você permanecer neutro e ajudar a resolver o problema. Se tomar partido do jovem, estará menosprezando os pais; nunca dê a impressão de que os pais estão fazendo algo errado ou inapropriado durante um desentendimento familiar. "Seus filhos precisam se submeter à sua autoridade".

Mais uma vez, permaneça neutro. Se defender a atitude dos pais, estará menosprezando o relacionamento que você tem com o jovem. "Cale a boca!"

Embora alguns conflitos pareçam sem importância ou fora de proporção, trabalhe para estabelecer um ambiente em que possa ocorrer um debate aberto e seguro, e onde as pessoas envolvidas realmente ouçam umas às outras. "Você deveria sair da casa de seus pais. Se precisar de um lugar para ficar, minha casa está às ordens".

Fugir de problemas nunca é a solução, e tampouco incentivar o jovem a sair de casa ou ir morar com você. A melhor coisa


que você pode fazer como líder c unir a familia. Se não funcionar, procure a ajuda de profissionais.

0 que dizer "Vamos conversar".

O primeiro passo é estabelecer um canal de comunicação entre você e a família. Faça uma visita, convide-os para jantar ou lanchar em sua casa. Converse sobre a vida, as atividades, as dificuldades, as satisfações e sobre o conflito que estão enfrentando. Deixe que eles se abram e procure identificar os problemas mais críticos. Permaneça quieto e não ofereça conselhos até se inteirar bem a respeito de todas as questões. "Em que pontos todos concordamos?"

Encontre um “terreno comum” para a familia. Identifique quais são os pontos negociáveis e, ainda que pareçam sem importância, transforme-os numa ferramenta para mediar a conversa. Ajude os membros da família a alcançar um fim pacífico; encontre pontos com os quais todos concordam. "Como vocês estão convivendo atualmente?"

Uma vez que você tenha ouvido sobre um problema ou tenha ajudado a família a encontrar uma solução, certifique-se de acompanhar o andamento do caso. Faça anotações sobre o problema e dê auxílio a todos os envolvidos, durante vários meses, para garantir que o conflito realmente tenha cessado. Certifique-se de que a lamília continua colocando a solução em prática, e que a solução ainda dá resultado. Mostre aos envolvidos que sua intenção, preocupação e participação são genuínas e não apenas uma reação superficial ao problema.


RECURS OS - - - - - A D IC IO N A IS - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - + Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Problemas de família", p. 512. As cinco linguagens do amor dos adolescentes. Gary Chapman. São Paulo: Mundo Cristão, 2002.


• - CAPÍTULO DEZ

Estresse e ansiedade Ministrando a jovens sobrecarregados

Dicas de aconselhamento de Scott Gibson, M.S.W., L.C.S.W. Dicas de ministração de Siv M. Ricketts

Marcos estava começando o segundo grau quando sentiu a vida lhe fugir ao controle. Superficialmente, tudo parecia ótimo. Tirava boas notas e estudava entre os melhores alunos do colégio. Havia sido escolhido para o time de futebol e já tocava violão muito bem. Era líder dos jovens da igreja. Seus pais pareciam estar bem um com o outro. A família tinha uma vida financeira confortável e Marcos havia feito muitos amigos na escola e na igreja. Entretanto, no íntimo, ele sentia que, a qualquer momento, chegaria ao limite e daria um berro. Marcos passava de uma atividade para outra sem ter nenhum tempo de folga e, certamente, sem nenhum período de descanso. Ele só ia para a cama depois da meia-noite e levantava antes das seis da manhã. Raramente tinha tempo para desfrutar um jantar com a família. Precisava comer rapidamente e sair. Embora gostasse de tudo que fazia, Marcos não era feliz. A satisfação havia desaparecido de suas atividades e, pior, de sua vida. Nas noites em que Marcos conseguia ir para a cama mais cedo, ficava acordado por várias horas, preocupado. E se não conseguisse ser aceito na faculdade? E se fizesse a escolha errada, o curso errado, arranjasse um emprego que detestava e desperdiçasse a vida inteira? E se não encontrasse a garota certa para casar? Será que os amigos escavam chaceados com ele? E quanto às questões mais importantes? Será que o mundo Valeria a pena


quando ele se cornasse adulto? Às vezes Marcos senda o coração acelerar e tinha dificuldade de respirar normalmente. Ficava imaginando se havia algo errado com ele, porque já não conseguia manter o ritmo da vida. Na verdade, quando observava ao redor, Marcos percebia muitas pessoas tão estressadas quanto ele. Seus pais se dedicavam totalmente ao emprego. Seus amigos viviam preocupados com as provas e trabalhos da escola, as atividades extracurriculares, os relacionamentos, as decisões sobre faculdade e o futuro — tudo o que também preocupava Marcos. Quando ele tentava conversar sobre o que estava sentindo, geralmente recebia uma lista de assuntos que também preocupavam todos os seus amigos. Por que ninguém era feliz? Marcos via alguns de seus amigos ir pelo caminho das drogas, principalmente maconha e álcool. Diziam que isso ajudava a relaxar e liberar a tensão depois de uma semana difícil. Marcos foi tentado a experimentar, mas achou que isso não resolveria nada. Aliás, podia criar problemas ainda maiores. Os amigos da igreja, que pareciam tão ocupados e estressados quanto ele, diziam: “Deus cuida disso. Apenas ore e tudo dará certo”. Mas, pelo jeito deles, o conselho não funcionava. Na verdade, a igreja lhe acrescentava mais uma série de atividades: cultos no domingo de manhã, encontros da mocidade no meio da semana, projetos assistenciais — todas elas muito boas — mas, às vezes, pareciam somente tarefas a serem realizadas. Onde estava Deus em tudo isso? Marcos sabia que essa não podia ser a maneira como Deus desejava que ele vivesse, mas não via alternativa. Quando ele havia se resignado a apenas agüentar a vida, em vez de desfrutá- la, o líder da mocidade o convidou para tomar um refrigerante. Descabelando-se, Marcos conseguiu encontrar tempo para mais aquela atividade cm seu cronograma maluco. Ele me perguntou como estavam as coisas, e ouviu a resposta clara. Então perguntou como cu me sentia. Ele queria saber, além da minha lista de atividades, como era minha vida pessoal, emocional e espiritual. Ele não tirou conclusões apressadas. Não tentou resolver


meus problemas. Simplesmente me ouviu. Não sei quando foi a última vez que alguém me tratou assim. Fiquei exausto só de falar sobre a vida. Despejei toda minha carga sobre ele, sem dó nem piedade, e ele aceitou numa boa. O líder da mocidade perguntou se podia ler uma passagem da Bíblia: Mateus 6.25-34. Sem pré-julgamentos, afirmou que Marcos estava correto, que Deus não queria mesmo que as pessoas vivessem tão preocupadas. Deus nos ama e se importa conosco de maneiras que raramente imaginamos. O líder perguntou se Marcos gostaria de se encontrar novamente com ele para conversar a respeito de técnicas de gerenciamento de tempo, e descobrir como controlar melhor suas atividades e ansiedade. Também incentivou Marcos a falar com os pais sobre um check-up médico, para avaliar a saúde física e descobrir se as preocupações estavam gerando ansiedade crônica que precisaria de tratamento. Marcos foi embora, depois daquele encontro, com um sentimento novo e surpreendente: esperança. Alguém havia notado seu problema e se importado de verdade. Alguém havia mostrado um caminho além das necessidades urgentes que o sufocavam, que tentavam massacrá-lo e, ofereceu uma opção melhor de vida. Algumas semanas depois, após receber uma boa avaliação do médico (que o elogiou pela coragem de ser sincero e procurar melhorar sua qualidade de vida), Marcos se encontrou novamente com o líder da mocidade. Eles oraram juntos. Leram a Bíblia juntos. Fizeram uma lista de todas as atividades diárias de Marcos. Conversaram a respeito das mudanças que Marcos poderia fazer e das atividades que poderia cancelar. Embora fosse difícil eliminar algumas, isso o deixaria mais feliz a longo prazo. Eles agendaram períodos para diversão e descanso. Conversaram a respeito de pessoas que conheciam e que poderiam servir como exemplo de uma vida equilibrada, e como Marcos poderia se envolver com novos amigos que o ajudariam a se desenvolver nessa área. Estabeleceram um encontro regular a cada três semanas para conversar e orar específicamente a respeito das coisas que deixavam Marcos estressado e ansioso.


De início, algumas pessoas ficaram muito surpresas ao perceber que Marcos estava mudando. Os pais dele e o conselheiro da escola ficaram preocupados quando, no início do semestre, ele decidiu não fazer algumas matérias mais avançadas, como seus amigos fizeram. Entretanto Marcos sabia que precisaria de mais tempo para se dedicar a matérias mais difíceis. Ele decidiu pegar um caminho mais fácil e ter um pouco mais de tempo livre. O pastor de jovens ficou decepcionado quando Marcos decidiu que não participaria mais da liderança estudantil, embora continuasse tocando no grupo de louvor. Entretanto, o pastor reconheceu que Marcos se tornaria uma pessoa e um cristão mais saudável, e aceitou bem a mudança. Obviamente, ele ainda seria um líder, quer participasse ou não das reuniões de liderança. Marcos fez do futebol uma de suas prioridades, porque precisava de exercício físico. E, além disso, era uma oportunidade de diversão — outra nova prioridade em sua vida. Marcos também separou pelo menos cinco minutos por dia — não importando o que acontecesse! — para ler a Bíblia e orar, que ele sabia iria ajudá-lo a manter a perspectiva correta na vida.


AUXÍLIO

+ Deuteronômio 31.8 + Salmo 27.1 ♦ Salmo 94.18, 19 + Salmo 139.23, 24 + Provérbios 12.25

---------- BÍBLICO ---------------------

+ Mateus 6.25-34 ♦ João 14.27 + Filipenses 3.12-14 + Filipenses 4.4-9 + 1

Pedro 5.6, 7

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Todos nós sofremos com o estresse. O estresse de “curto prazo” pode nos ajudar a alcançar nosso melhor desempenho. Antes das provas finais, muitos alunos experimentam uma ansiedade que os ajuda a se prepararem para o desafio. Eles podem ficar nervosos, sentir o estômago revirar, as mãos suarem, o coração bater mais rápido e terem um aumento da pressão sanguínea. Entretanto, um estado de estresse constante pode ser fisica e psicologicamente nocivo. Quando a pessoa não lida com o estresse ou o faz de maneira precária, acabará tendo problemas de pressão alta, úlceras e outras complicações. Os jovens de hoje lidam com várias fontes de estresse. Seu corpo está mudando rapidamente, sentem-se pressionados a ir bem na escola, estão envolvidos em relacionamentos imprevisíveis com os amigos e tentam reestruturar os relacionamentos familiares.


Provavelmente você conhece algumas fontes de estresse que os jovens encontram, mas pode ajudá-los a lidar com o assunto de maneira mais saudável.

Cuidados O primeiro passo para ajudar os jovens a reduzir a carga de estresse é fazê-los identificar a fonte desse estresse. Para você pode ser óbvio, mas é importante que os jovens sejam capazes de reconhecê-la sozinhos. Isso ajudará bastante seus liderados a solucionar problemas e a lidar com o estresse no futuro. Para simplificar o processo, você pode ajudá-los a separar cada fonte de estresse em categorias interna e externa: Fontes externas de estresse

Com freqüência um evento externo produz estresse na vida dos jovens. Alguns exemplos disso são divórcio dos pais, namoro, mudar-se para outra cidade ou ter problemas escolares. Algumas fontes externas de estresse podem ser alteradas e outras não. Se aparentemente o jovem pode influenciar e mudar a situação, faça perguntas do tipo: “Se houvesse outra maneira de fazer isso, seria bom para você. O que acha?” Caso seja impossível, ajude a pessoa a aceitar a situação e se adaptar a ela. Fontes internas de estresse

As fontes internas são ligadas à maneira como pensamos e sentimos a respeito dos eventos diários. Idéias como: “Vou fracassar nessa atividade”, “Ninguém me compreende”, ou “Nada vai adiantar” geram ainda mais estresse quando lidamos com os problemas diários. A boa notícia a respeito das fontes internas de estresse é que podemos mudá-las. Sugira que o jovem escreva um diário todas as noites, antes


de dormir. Muitas fontes internas de estresse parecem menos importantes quando escrevemos sobre elas.

Conselhos Apresente as seguintes técnicas para os jovens que lidam com a ansiedade: Técnicas de relaxamento

Podemos usar várias técnicas para relaxar e nos acalmar. Ensine os jovens a respeito de prática de visualização (imaginar-se num lugar mais tranquilo), distrações (realizar atividades físicas quando se sentir estressado), respirar fundo e fazer relaxamento muscular (contraindo e relaxando grupos musculares). Veja o quadro no final deste capítulo sobre idéias para relaxamento muscular. Escrever um diário

Pesquisas já demonstraram que expressar emoções por escrito é uma maneira eficiente para as pessoas lidarem psicologicamente com vários problemas. Praticar a oração

Pessoas com problemas de estresse e ansiedade precisam saber que Deus está ouvindo e que tem poder de libertá-las de qualquer problema. Embora Deus nem sempre atue da maneira que queremos, a prática da oração pode ser bastante relaxante. Identificar expectativas e idéias irreais A causa dos

transtornos emocionais não está tanto nos acontecimentos da vida, mas na maneira como os encaramos. Por exemplo, uma pessoa aceita que o trânsito congestionado, embora frustrante, não está sob


seu controle; outra pessoa, diante do mesmo congestionamento, grita, xinga e termina por fazer a pressão sanguínea subir. Pensar positivamente a respeito das situações que enfrentamos é um redutor de estresse.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Estabeleça parceiros de oração (ou trios, quartetos ou pequenos grupos)

Estabeleça um período regular para os grupos se encontrarem especificamente para compartilhar e orar por assuntos que deixam os jovens estressados ou ansiosos. Lembre-os de entregarem seus problemas a Deus. Distribua surpresas

Palavras bondosas c atos carinhosos podem melhorar o dia de qualquer um. Peça que seus liderados escrevam bilhetes de incentivo c mandem pelo correio (quem não gosta de receber uma carta no estilo tradicional?). Inclua versículos com uma mensagem positiva ou orações curtas de apoio. Envie uma pizza ao seu amigo estressado. Compre flores para uma garota à beira de um ataque de nervos. Use giz para escrever uma mensagem positiva na calçada. Sua criatividade é o limite! Converse a respeito de relacionamentos

Conflitos de relacionamento podem ser uma grande fonte de estresse e ansiedade. Deus é amor e deseja que amemos uns aos outros também. Coloque cm prática atitudes pacíficas. Leiam livros juntos sobre como desenvolver relacionamentos saudáveis. Conversem sobre como lidar com conflitos nos relacionamentos.


Faça das reuniões um local seguro onde rodos podem tirar suas máscaras, ser honestos, autênticos c, acima de tudo, mostrar amor uns pelos outros. Respire

Aprenda sobre práticas de relaxamento. Vivemos em um mundo extremamente estressado, e isso se reflete em todos nós. Orem juntos. Meditem na Palavra de Deus. Pratiquem exercícios de respiração. Separem rempo para se exercitar, brincar, comer, rir e recuperar a perspectiva — de Deus! — para a vida. Fatie tarefas grandes e mãos à obra No grupo, ensine técnicas

de gerenciamento de tempo e ajude uns aos outros a estabelecer objetivos e tarefas realistas. Leve os jovens a separarem tempo durante a semana (ou a cada dia, se possível) para tomarem nota do que precisam fazer e de que passos precisam tomar para alcançar os objetivos. Incentive seus liderados a não se preocuparem com o que não podem mudar e se esforçarem bastante com aquilo que conseguem controlar. Procure mudar a cultura de sua turma, deixando de lado idéias estressantes e buscando alvos que possam alcançar.

QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL ------------------------------Os sinais e sintomas listados a seguir podem Indicar que o jovem está debaixo de estresse em excesso e precisa de uma avaliação mais detalhada: + Mudanças de humor drásticas, afastamento dos amigos, ganho ou perda de peso, problemas na escola, choro constante, comportamento compulsivo (tal como


arrancar cabelos, beliscar o rosto, roer as unhas ou lavar as mãos toda hora). Uma desordem de ansiedade distirigue-se da ansiedade normal em intensidade, freqüência, gravidade e duração do problema. 0 diagnóstico clínico de qualquer desordem mental baseia-se em grande número de sintomas, e apenas um profissional licenciado está autorizado a fazê-lo. Os sinais abaixo podem indicar uma desordem de ansiedade: + A ansiedade resulta de um trauma (como violência física ou sexual ou acidente de carro). + 0 quadro de ansiedade já persiste por uns seis meses. + 0 quadro de ansiedade interfere significativamente com responsabilidades escolares ou outras de grande importância. + Obsessões, compulsões ou ataques de pânico. + Pensamentos suicidas.

0 que não dizer "Tudo irá ficar bem"

Essa declaração menospreza os sentimentos da pessoa. Se a ansiedade é causada por uma prova na escola, apresentação de trabalho ou entrevista de emprego, você pode ajudar a pessoa a se preparar e se sentir mais confiante. Em alguns casos, ouvir o que o jovem rem a dizer sobre o assunto pode ser tudo que ele queira de você. "Você é ansioso demais".

Afirmar isso não ajuda a acabar com o estresse do jovem e pode resultar em distanciamento entre vocês.


"Deus vai cuidar disso"

Isso c o mesmo que acusar a pessoa de não ter fé. Embora essa abordagem tenha funcionado para Jesus, para nós, meros seres humanos, provavelmente está um pouco fora de alcance. Deixe que os jovens exteriorizan suas preocupações, e então se ofereça para orar com eles e por eles.

0 que dizer "0 que eu posso fazer para aliviar sua carga?"

Não podemos realizar a prova no lugar da pessoa, mas podemos ajudá-la a estudar, assumir algumas tarefas corriqueiras ou levar-lhe um lanchinho enquanto estuda. Saber que existe um amigo que se importa com a gente, já é o bastante. "Se você tirasse quinze minutos de folga, o que faria para se divertir?"

Talvez o jovem responda, exausto: “Não posso parar agora!”. Entretanto insista para que ele descreva o que faria. Ao pensar em algumas atividades rápidas e divertidas, o jovem pode até sorrir (ou dar uma gargalhada) e, talvez, se anime a dar um tempo e relaxar. Se possível, entre na brincadeira com ele. "Será que existe outra maneira de avaliar essa situação?"

Se a tendência do jovem é ver o copo meio vazio ele precisa de um incentivo para perceber que o mesmo copo está meio cheio. Enfocar os aspectos negativos pode tornar a situação tão adversa que fica impossível ver algo de bom nela. A prova na escola pode ser muito importante agora, mas será que realmente terá


influencia sobre que faculdade a pessoa irá cursar? Daqui a dez anos fará alguma diferença? Ao fazer essas perguntas, você pode ajudar o jovem a enxergar o contexto maior e descobrir pontos positivos em cada situação, "Sua identidade está em Deus, e não nas coisas que faz".

Lembre os jovens de que o amor de Deus é incondicional. Ajude- os a desenvolver a identidade de filhos de Deus, e não medirem a si próprios com base em atividades extracurriculares, notas ou resultados de vestibular.

RECURSOS

------ ADICIONAIS -----------------------------------------

+ Livros

Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins. São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Ansiedade", p. 89. Como superar o stress. Charles R. Swindoll. São Paulo: Atos, 2002.

TÉCNICAS DE ------ RELAXAMENTO MUSCULAR ------------------------Vá para um lugar tranquilo e sente-se ou deite-se numa posição confortável. Contraia cada grupo muscular listado a seguir. Mantenha a tensão e concentre-se por aproximadamente dez segundos. Relaxe o músculo e concentre-se na sensação de liberdade por cerca de dez segundos. Rosto: Contraia os músculos da face, contorça a boca; relaxe. Ombros: Contraia os ombros e levante-os em direção das orelhas; relaxe. Peito: Respire fundo e prenda o ar. Note a tensão no peito; solte o ar, vagarosamente.


Braços: Levante o antebraço na direção dos ombros, contraindo os bíceps. Em seguida, solte os braços, deixando-os "leves e soltos". Mãos: Feche bem as mãos; relaxe-as. Abdômen: Contraia os músculos do abdomen com força; relaxe. Pernas: Contraia os músculos da coxa, levante as pernas, segure-as para cima; relaxe. Panturrilhas: Girando o tornozelo, levante o pé em direção do joelho; relaxe. Pés: Contraia bem os dedos dos pés; relaxe.


Pรกgina em branco como no original


• ‘CAPÍTULO ONZE ..................................................................

Comportamento autodestrutivo Compreendendo o que há por trás de atividades prejudiciais Dicas de aconselhamento de Kyle D. Pontíus Dicas de ministração de Joy-Elizabeth F.Lawrence

Célia praticava autoflagelação durante os anos em que cursou o ensino médio. Agora ela está numa faculdade estudando sobre ministério juvenil e trabalhando como voluntária num grupo de jovens. Ela diz o seguinte a respeito de sua experiência: “Se minha história de vida puder ajudar uma pessoa, já terá valido a pena”. Quando eu tinha nove anos, meus pais se divorciaram. Minha mãe ganhou a custódia sobre mim e meu irmão mais velho. Um dia antes de ficarmos sabendo da separação, meu irmão e eu preparamos um jantar à luz de velas para os meus pais. Já podíamos perceber que estavam tendo conflitos — nós os ouvíamos brigando — mas queríamos que eles se amassem. Durante os próximos cinco anos, eu passava um fim de semana com meu pai a cada quinze dias, e seis semanas durante as férias. Às vezes nem sequer desfazia as malas de tanto que viajava. Quando completei treze anos meus pais já haviam casado novamente. Meu padrasto era amigo da família, portanto não foi difícil aceitá-lo. Porém, minha madrasta é o oposto de mim. Ela é muito mandona e gosta de tomar decisões por outras pessoas, inclusive por mim. Foi um divórcio bastante conturbado. Havia problemas com relação à divisão do dinheiro. Meus pais me


usaram como “moeda de negociação” entre eles. balavam mal um do outro com muito rancor e mágoa. Eu estava muito irritada e frustrada com minha vida. Minha maior dúvida era: “Por quê? Por que isso aconteceu comigo? Por que eu não tive ninguém para me ajudar a lidar com a situação?” Se Deus tivesse assumido forma física e aparecido a mim naquela época, estou certa de que teria dado uns tapas nele. Mesmo assim, eu não deixava as pessoas perceberem minhas emoções. Escondia ou negava tudo de ruim que acontecia comigo. Comecei a me ferir mais ou menos na metade do ensino médio. Era fácil esconder isso de minha família. Eu sabia que, se minha mãe suspeitasse de algo, a primeira coisa que faria seria vasculhar meu quarto. Então escondia minhas coisas em outro lugar. Eu era bastante cuidadosa para jogar fora qualquer curativo usado ou outra coisa do tipo. De início, ninguém conseguia ver os ferimentos, porque eu estava cortando os quadris. Sinceramente, esconder tudo isso da minha família era muito fácil. Meus pais estavam tão ocupados com a própria vida que não se ligavam para minhas emoções e meu comportamento. No começo, me cortava de vez em quando. Fui percebendo que a dor física tinha algo de substancial, e isso me ajudava a compreender as situações. Depois de alguns meses, tudo começou a fugir do controle; comecei a me esconder pela casa, ferindo- me com as várias ferramentas que eu havia escondido. Fui passar um tempo com meu pai durante o aniversário dele, cerca de seis semanas depois de eu ter começado a me ferir. Não levei um cartão de parabéns para ele, e minha madrasta perdeu a calma. Eu acho que esse foi o ponto decisivo. Reagi tentando mc suicidar e terminei internada na ala infantil de um hospital psiquiátrico. O pastor da juventude da minha igreja estava comigo quando entrei no hospital. Naquele momento os médicos me perguntaram se eu estava me ferindo. Não poderia mentir diante do pastor, então contei tudo. Naquela época, cu já estava cortando os


pulsos. Acho que eu queria que as pessoas descobrissem. Assim cu podería parar de viver aquela mentira. Foi aí que minha Família começou a se dar conta de que meu problema era real. Parei de me ferir por cerca de um mês, mas então voltei à rotina. Também decidi deixar de visitar meu pai. Fiquei um ano sem vê-lo. Permanecí morando com minha mãe, porque eu sabia que meu comportamento melhorava quando estava com ela. Embora meu conselheiro me incentivasse a enuai em contato com meu pai, não fiz isso. Um ano antes de terminar o ensino médio, a situação finalmente começou a melhorar entre mim e meu pai. Um dia, de maneira inesperada, ele me telefonou e perguntou se eu gostaria de ajudá-lo com o trabalho dele. Não tinha certeza do que fazer. Será que eu queria ajudá-lo ou continuar a evitá-lo? Falei com o líder da mocidade a respeito da oportunidade, e ele me incentivou a aceitar. Segui o conselho e isso contribuiu para restaurar meu relacionamento com meu pai. Parei com a autoflagelação no finai do ensino médio. Percebi que, ferindo a mim mesma daquela maneira, eu era a única atingida. Foi uma batalha diária para conseguir parar. F.u não tinha nenhum amigo que se autoflagelava. Não sei nem como aprendi sobre isso. Mas mesmo agora, quando vou visitar minha família durante os feriados, sei que tenho a opção de não fazer algo ruim. O processo de aprendizado para lidar com o sofrimento e o estresse tem sido uma batalha constante para mim. Agora eu saio para dar uma corrida ou andar de bicicleta quando me sinto estressada. Também aprendi que é necessário tomar decisões todos os dias a respeito de como lidar com o estresse. Eu escrevo bastante. Coloco meus sentimentos no papel e isso me ajuda a assimilá-los. Às vezes eu escrevo minhas orações. Tenho também algumas pessoas na minha vida — pessoas em quem


eu confio e que não me culpam pelo que aconteceu — com quem posso conversar. Uma delas sempre me diz: “Eu aceito você”. Isso significa bastante para mim. Preciso saber que alguém irá me aceitar não importando o que aconteça. Isso me motiva a continuar buscando a Deus. As pessoas me diziam constantemente que eu precisava superar toda a dor do meu passado e viver no presente. Falavam que o “tempo cura todas as feridas”. Não acredito que essa declaração realmente faça justiça a uma sensação real de sofrimento. Muitos anos se passaram desde que meu problema corneçou, quando meus pais se divorciaram. No entanto, experimento algum tipo de sofrimento quase todo dia. Felizmente, a cada dia, também me lembro do amor de Deus por mim. A vida traz muitos desvios sombrios, solavancos e noites solitárias, mas consigo ver as mãos de Deus me sustentando, e seu poder curando minhas cicatrizes.

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Se você descobre que um jovem de seu ministério está desenvolvendo um comportamento autodestrutivo, tal como desordem alimentar, autoflagelação ou brincadeiras perigosas, talvez seu primeiro instinto seja entrar em pânico. Às vezes você percebe indícios físicos de que o jovem está envolvido com esse ripo de coisa, tal como cicatrizes ou feridas abertas nos pulsos. Ou você nota uma perda de peso aparentemente inexplicável. Ou então pode ouvi-lo fazer comentários autodepreciativos que demonstram que o jovem está fazendo críticas a respeito de si mesmo. Embora todos esses comportamentos tenham o potencial de se tornarem fatais, existem maneiras de prevenir e intervir nessas situações.


Cuidados Compreender as atitudes dos jovens e as possíveis razões para essas escolhas é o primeiro passo para ajudar a pessoa. Distúrbios alimentares

Num diagnóstico formal de anorexia nervosa, o adolescente ou o jovem se recusa a manter um peso considerado normal para sua altura. A pessoa geralmente tem muito medo de engordar ou ficar obesa, mesmo quando está abaixo do peso ideal. Adolescentes com bulimia, em contrapartida, nem sempre se recusam a manter o peso normal. No entanto, comem muito e depois vomitam ou compensam fazendo jejum ou exagerando nos exercícios físicos. O que pode estar acontecendo: Desordens alimentares geralmente são resultado da vontade do jovem de sentir em comando de suas circunstâncias. Por exemplo, um jovem cuja vida familiar pareça fora de controle pode se recusar a comer como uma maneira de fazer uma escolha pessoal. Ninguém pode forçar a pessoa a comer, portanto essa é uma área sobre a qual o adolescente ou o jovem pode tomar decisões. A imagem dele também tem uma importância crítica. O corpo de um adolescente muda rapidamente, e ele se compara aos amigos. Autoflagelação

Os jovens que ferem a si próprios geralmente fazem isso se cortando ou se queimando. Eles podem usar todo tipo de objeto, desde facas ou pedaços de vidro até borrachas e cigarros. Quando essas feridas saram, deixam cicatrizes. O ato de se cortar geralmente começa por impulso, mas pode se agravar se o jovem receber atenção.


O que pode estar acontecendo: A autoflagelação geralmente fornece uma maneira para que o adolescente ou o jovem libere fortes emoções que esteja sentindo e que não consegue expressar de outro modo. Quando os jovens experimentam sensações muito estressantes, tal como tristeza, sentimento de culpa, vergonha, ira ou medo, precisam encontrar uma maneira de expressar essas emoções. Se não aprenderam ou não escolheram determinadas atividades saudáveis para isso — tal como conversar, praticar exercícios físicos ou escrever um diário — infligir dor física em si próprios pode parecer o único modo para se sentirem melhor. Às vezes a autoflagelação envolve o desejo de tirar a própria vida, mas geralmente é apenas um pedido de socorro. Brincadeiras perigosas

Uma tendência entre os adolescentes é se envolver com brincadeiras perigosas, tal como ver quem consegue beber mais cerveja e continuar em pé ou dirigir na contramão só para assustar os outros motoristas ou subir em prédios altos para fazer pichação. O que pode estar acontecendo: Brincadeiras perigosas geralmente estão relacionadas com a pressão dos colegas e falta de informação. Muitos jovens não têm idcia do quanto isso é perigoso. É normal nesse estágio da vida a pessoa achar que é invencível. Essas brincadeiras também fazem a pessoa se sentir poderosa, e criam um “barato” que pode se tornar um vício. AUXÍLIO ------ BÍBLICO --------

+ Gênesis 1.26, 27 ♦ Salmo 118.5-9 + Salmo 138.3

+ Romanos 8.31-39 + 2Coríntios 5.1-10 + Filipenses 4.13


♦ Isaías 57.18, 19 + Lucas 15.1-7

+ Judas 17-23 + Apocalipse 21.1-7

Conselhos Ouça com atenção

Pode haver muitos motivos encobertos para o jovem desenvolver um comportamento autodestrutivo. Cada pessoa tem experiências e sentimentos diferentes. Se você tentar compreender bem o jovem, poderá descobrir um modo de intervir c dar-lhe uma alternativa segura para se expressar. Oriente seus liderados

Converse sempre sobre as questões de imagem pessoal, pressão dos amigos e expressão de sentimentos. Não tenha receio de abordar tópicos tais como anorexia, autoflagelação e brincadeiras perigosas. Comece desde já e mostre aos seus liderados o quanto esses comportamentos podem ser destrutivos. Convide um profissional para conversar com o grupo a respeito de distúrbios alimentares, autoflagelação ou brincadeiras perigosas. Se preferir, divida os jovens em pequenos grupos e distribua algumas perguntas para debate. Retorne aos assuntos regularmente para que seus liderados vejam o grupo da mocidade como um local seguro para dialogar. Identifique os "gatilhos"

Ajude os jovens a descobrirem que situações despertam neles o comportamento destrutivo. Por acaso é depois de estarem com um parente que os deixa estressados? Ou será resultado da pressão dos amigos? Será que o jovem se sente isolado? Trabalhe com a pessoa para evitar essas situações. Sugira que um amigo telefone depois de um dia estressante na escola ou no trabaiho. Atividade física ou social em grupo é uma excelente maneira de o jovem se conectar com outros. Substitua comportamentos negativos por positivos Em vez de unia

brincadeira periogosa, que faz a adrenalina subir, o jovem pode praticar esportes ou malhar em grupo. Se o adolescente está provocando vômito (para perder peso), ajude-o a escolher um cardápio saudável e dar uma


caminhada depois da refeição. Em vez de praticar autoflagelação quando o sofrimento emocional parecer insuportável, o jovem pode segurar um cubo de gelo na mão, que dá uma sensação de desconforto sem o perigo de ele se cortar. Quando a pessoa tenta pôr fim a um comportamento destrutivo, a melhor solução é substituí-lo por uma atividade produtiva. Ganhe a confiança do jovem

Estabeleça um relacionamento com os jovens para que você tenha um diálogo aberto sobre comportamentos destrutivos. Se demonstrar sua preocupação dessa maneira, eles lhe darão ouvidos.

QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL -----------------------------Busque o auxílio de um profissional quando notar alguns dos seguintes indícios:

+ Distúrbios alimentares: gulodice, perda de peso muito acentuada, problemas com os amigos por causa de comida, ou se o jovem tem a auto-imagem extremamente distorcida.


♦ Autoflagelação: comportamentos associados a sintomas de depressão e ansiedade (veja Capítulo 2: "Depressão" e Capítulo 10: "Estresse e Ansiedade"), comportamentos que causam ferimentos graves, outros fatores que são causa de estresse, tais como conflitos familiares ou dificuldades de aprendizagem, ou se o jovem é incapaz de identificar ou escolher maneiras saudáveis de lidar com o estresse e a ansiedade.

+ Brincadeiras perigosas: um jovem que continue se envolvendo com brincadeiras perigosas mesmo depois de ter sido avisado, um jovem que se mostre viciado no “barato" que experimenta nessas brincadeiras, um jovem que pressione outros a participar dessas brincadeiras.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Crie uma equipe de auxiliares

Não permita que uma única pessoa assuma a responsabilidade de ajudar um membro do grupo que esteja exibindo comportamento destrutivo. Compartilhem a carga. Incentive o cuidado com o próximo e consigo mesmo

As pessoas que sofrem também podem ajudar outras. Planeje atividades que sirvam a comunidade (limpar a pracinha ou varrer as calçadas do bairro) e incentive o jovem de comportamento autodestrutivo a participar. Ajudar os outros faz esquecer a depressão ou o isolamento, e ajuda a pessoa que sofre a se sentir bem, por estar contribuindo para uma boa causa.


Lembre-se de que o comportamento autodestrutivo é um sínal externo de sofrimento interno

Não podemos ver o que acontece dentro das pessoas. Esteja cíente de que o problema nao está apenas na superficie. Ele é profundo e doloroso. Esíorcc-se para tornar seu grupo um porto seguro. Instrua os jovens a não fofocarem, nem reagirem com espanto ao comportamento estranho, nem condenarem as escolhas uns dos outros. Tentem ser bons ouvintes.

0 que não dizer "Que coisa horrorosa!"

Passar fome, forçar o vômito ou se cortar não parece uma atividade da hora para uma sexta-feira à noite, mas isso não é motivo para perdermos a compostura quando alguém admite ter um comportamento autodestrutivo. Mantenha a calma e ouça. "Percebí que havia um problema. Você anda estranho"

Mesmo que isso seja verdade, não é preciso dizer. Não ajuda nada saber que andávamos estranhos. No entanto é bom saber que alguém se preocupa e se importa. "Eu sempre quis saber qual era a porcentagem de azarados da nossa turma"

Não se afaste emocionalmente para evitar contato pessoal. Além do mais, nunca é bom citar estatísticas quando alguém está falando de seu sofrimento.


O que dizer "Obrigado por confiar em mim a ponto de conversar sobre o assunto"

Admitir um comportamento autodestrutivo é uma atitude corajosa e até mesmo uma grande demonstração de confiança. Agradeça ao jovem por isso. "Fico triste com seu sofrimento"

Mostre sua preocupação e seu cuidado pelo estado físico, espiritual e emocional do jovem. O comportamento destrutivo causa sofrimento externo e interno. "Deus se preocupa com seu corpo"

Uma coisa é dizer que Deus se importa com a alma da pessoa; outra totalmente diferente é afirmar que o Senhor se importa com o corpo de alguém. Lembre aos jovens que Deus os criou à sua imagem, e que um dia, irá ressuscitar o corpo de cada um. O corpo não é apenas a carcaça da pessoa — Deus nos instrui a cuidar de nós mesmos.

RECURSOS ------ ADICIONAIS ------------------------------------------

+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins. São

Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Transtornos mentais e comportamentais", p. 551.


Pรกgina em branco como no original


• -CAPÍTULO DOZE

Identidade e escolhas sexuais Orientando os jovens a viverem sabiamente Dicas de aconselhamento de Julie A. Odell e Scott Gibson Dicas de minlstração de Joy-Elizabeth F.Lawrence

Em uma cidade do interior americano, Cíntia, uma assistente social cristã e pastora de jovens, deu inicio a um pequeno grupo de auxílio a garotas. Quando tinha doze anos, Maura começou a freqüentar esse grupo e participar das conversas e das atividades. Elas falavam sobre sexo e relacionamentos. Maura prestava atenção enquanto Cíntia descrevia com honestidade todos os problemas resultantes de um comportamento sexual indevido. A vida de Maura era sofrida e incluía um pai alcoólico e ausente. Embora ele estivesse por perto quando cra pequena, Maura não sabia onde ele morava atualmente e não o via há mais de cinco anos. Algumas vezes ele telefonava, mas ela não o conhece mais. Maura também é independente e teimosa — grandes recursos em situações difíceis, mas que geralmente vêm acompanhados de indisposição para ouvir e obedecer. Apesar das conversas de Cíntia sobre sexo e suas conseqüências, Maura se tornou sexualmente ativa aos quinze anos. A primeira vez foi algo totalmente espontâneo; ela estava com o irmão do melhor amigo e a coisa simplesmente aconteceu. Maura sabia que não escava apaixonada. Quando contou a Cíntia e às garotas do grupo, ela foi honesta. Cíntia perguntou: “Por que você fez isso?” Maura respondeu: “Por que quis”. Por volta dos dezessete anos, Maura foi estuprada. Alguns meses depois, começou a namorar um garoto de quem


gostava muito. Eles estavam apaixonados e transaram. Mais tarde, o grupo de garotas participou de uma viagem missionária a uma cidade que ficava a oito horas de distância. Assim que chegaram lá, Maura começou a reclamar que estava passando mal. Primeiro, disse que era o estômago. Depois, que era o bumbum. Acabou sendo específica: o problema era sua genitália. Cíntia levou Maura para o hospital, e os médicos descobriram que ela estava com herpes. Maura passou toda a viagem se recuperando do primeiro surto. Ela pegou herpes do estuprador, e agora terá de tomar remédio pelo resto da vida. Maura continuou teimosa e independente, mas sincera dentro do grupo. Ela contraiu clamídia de outro parceiro sexual. Outras garotas do grupo também fizeram escolhas. Algumas engravidaram. Outras permaneceram virgens. Mas todas continuaram honestas; afinal, esse era o grupo onde prestavam contas de seus atos. Maura é insistente em que todas se envolvam na vida umas das outras. “Nós nos apoiamos”, diz ela, descrevendo como se procuram quando precisam de ajuda imediata. Além disso, Maura explica vividamente como Cíntia investiu tempo para conhecê-las antes de conversar individualmente com elas a respeito de escolhas sexuais. “Em primeiro lugar, ela nos deu seu apoio”, diz Maura, “então se tornou alguém com quem podemos abrir o coração”. Cíntia tem a capacidade de não se abalar pelas decisões das garotas; ela não fica irritada e não grita. “Entretanto, é possível ver a decepção em seus olhos”, afirma Maura. “Talvez seja coisa minha, mas é o que eu vejo”. Cíntia é apaixonada por seu trabalho com essas meninas. Ela é franca ao falar sobre as escolhas de cada uma, incluindo os erros que cometem. Ela diz constantemente: “Você é filha de Deus”. Ao falar sobre escolhas sexuais e os limites que Deus colocou para nós, ela conta uma história a respeito de um quintal. “Era uma vez um pai que amava muito seus filhos. Ele tinha um quintal imenso onde mandou construir uma piscina olímpica, uma caixa de areia maravilhosa com todos os brinquedos que uma criança sonha e um trampolim que lançava as pessoas tão alto que era possível dar saltos mortais triplos. Ao redor do quintal, ele colocou uma cerca de madeira, de quase um metro de altura, para delimitar o terreno.” “Um dia, o filho estava brincando no trampolim. Enquanto


pulava, ele percebeu o trampolim do vizinho. Era vermelho e parecia demais. O filho então quis um trampolim vermelho. A filha estava brincando na caixa de areia. Ao erguer os olhos, viu um grupo de homens assustadores caminhando com um cachorro assustador, que rosnava para ela. A garota ficou com medo de continuar no quintal.” “O pai ficou preocupado achando que os filhos não estavam se divertindo como ele pretendia. Então teve uma idéia excelente. Decidiu construir um muro de tijolos, com três metros de altura, para acabar com o medo dos filhos e impedir que cobiçassem o que estava do outro lado. Ele ergueu o muro, e os filhos ficaram felizes com que o pai lhes havia dado”. Cfnria usa essa história para explicar o motivo de Deus ter nos dado limites para a prática sexual — para nos livrar do medo e nos impedir de cobiçar o que é dos outros. Maura concorda com ela. Quando lhe perguntam como as experiências da vida influenciaram suas escolhas atuais, Maura não pode deixar de falar da irmã mais nova, Larissa, de treze anos. Maura espera que Larissa, percebendo as escolhas da irmã, faça escolhas diferentes. Até o momento, tem sido assim. Larissa continua virgem. Ela já viu Maura ficar de cama por uma semana inteira durante os surtos de herpes. Maura é tão intensa a respeito de sua influencia sobre Larissa que se emociona e desvia o olhar ao falar no assunto. Larissa se importa com Maura também. Ela não quer que a irmã namore. Maura não tem namorado no momento, e evitar ficar sozinha com garotos de sua idade. Ela prefere atividades em grupo ou com a mãe, para evitar a tentação. O que aconteceu com o grupo de meninas? Elas ainda se reúnem, conversam e dão satisfação umas às outras. Embora Maura esteja quase concluindo o segundo grau, irá permanecer no grupo — afinal, faz parte dele há seis anos.


Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS

Como os adolescentes e jovens se sentem pressionados pelos amigos, pela mídia, por adultos que lhes servem de modelo e pelos hormônios que transformam seu corpo, será possível notar um comportamento sexual inapropriado surgindo em seu grupo. As garotas talvez usem roupas transparentes ou provocantes nas reuniões, c os rapazes se refiram às mulheres como objetos sexuais. Tanto os rapazes como as garotas podem questionar a própria sexualidade na tentativa de descobrir se são homossexuais. Os adolescentes estão sempre tentando descobrir quem são, e qual seu papel na sociedade, e o que significa ser “homem” ou “mulher”. À medida que desenvolvem uma identidade social, serão confrontados com questões a respeito de sua identidade sexual (serem “homens” e “mulheres”), ou seu papel sexual (os comportamentos, a atitude e características associadas a cada gênero) e suas preferências sexuais. Muitos fatores influenciam o desenvolvimento pessoal, como por exemplo: Influência da mídia

A maioria dos adolescentes é bombardeada com imagens irreais e impróprias sobre o “ideal” de aparência e comportamento. Os exemplos com os quais muitos adolescentes se identificam geralmente são de uma sexualidade exacerbada e de estereótipos extremos de atitude sexual: os homens são machões e musculosos; as mulheres são um paradoxo, ao mesmo tempo sedutoras e sexual mente submissas. Adultos que servem de exemplo

Os adolescentes observam homens e mulheres que têm influência em suas vidas e assim desenvolvem conceitos a respeito do comportamento apropriado a cada sexo. A família tende a estabelecer regras sobre o papel de cada sexo — algumas delas declaradas abertamente e outras ocultas; algumas saudáveis e outras nocivas.


Corpos em transformação

A adolescência é um período de grande crescimento e mudança — física, emocional e cognitiva. Por essas mudanças ocorrerem em ritmo diferente para cada pessoa, seus liderados podem se sentir sobrecarregados, confusos ou tímidos a respeito da aparência pessoal.

AUXÍLIO

+ Gênesis 2.18-25 + Deuteronômio 26.16-19 ♦ João 8.1-11 + João 10.10b "•* 1 Corintios 6.12-20

------ BÍBLICO -----------------------

+ Efésios 2.1-10 + Efésios 5-1-13 + Colossenses 3.1-17 + 1 Tessalonicenses 4.1-12 + 1 Pedro 1.13-25


QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL -----------------------------Os jovens necessitarão de ajuda profissional se estiverem passando pelas seguintes situações: + Levando uma "vida dupla" + Às voltas com uma gravidez indesejada + Tendo problemas de identidade ou preferência sexual + Envolvidos em atividade sexual promíscua ou colocando-se em situações de alto risco + Se foram vítimas de abuso ou violência sexual + Sentindo-se bastante perturbados sobre a identidade sexual, o papel natural a cada sexo ou preferência sexual

Cuidados

Ao ser procurado por jovens com perguntas sobre identidade ou preferência sexual, lembre-se do seguinte: Esteja preparado

Não permita que questões delicadas como essas peguem você desprevenido. Se demonstrar surpresa ou ficar constrangido pelo assunto, você confirmará ao jovem que não é legal fazer esse tipo de pergunta. Respire fundo e lembre-se de que a pessoa precisou de muita coragem para abordar o assunto. Seja compreensivo

Geralmente os jovens se sentem isolados, porque não se dão conta de que suas experiências são comuns. Sua tarefa principal como líder é garantir aos liderados que esses pensamentos e sentimentos são perfectamente normais. Você pode fazer isso dizendo simplesmente:


“Ouvi dizer que esse tipo de dúvida é bastante comum”, ou: “Lembro-me de ter sentido a mesma coisa quando tinha sua idade”. Seja incentivador

Muitos adolescentes têm problemas com a aparência, o que pode estar ligado à identidade sexual. Ajude seus liderados a identificar os conceitos negativos em relação ao próprio corpo e substituí-los por conceitos positivos. Seja receptivo

Os jovens tentam ocultar suas experiências, por vergonha ou medo de serem julgados e rejeitados. Seu objetivo é que os jovens e adolescentes se sintam à vontade para conversar com você. Crie um ambiente livre de julgamentos e ameaças. Mostre-se aberto para conversar e abordar assuntos delicados. Quando as dúvidas surgirem, não seja rápido em condenar — esteja disposto a ouvir e dialogar, ganhando a confiança deles.

Conselhos Questões sobre sexo e identidade sexual podem ser um assunto contínuo em seu ministério. Use as dicas abaixo para ajudar seus liderados a desenvolver uma atitude positiva sobre si mesmos e sua sexualidade: Questione os estereótipos

Os adolescentes podem ter preocupações gerais a respeito de identidade sexual e se perguntar: “Será que sou masculino (ou


feminina) o suficiente?” A resposta a essa pergunta depende em parte do conceito de cada pessoa e de sua compreensão do papel sexual apropriado a cada gênero. Você pode fazer um estudo sobre homens e mulheres da Bíblia ou a respeito das características de Jesus. O objetivo é ajudar os jovens a sempre buscarem a perspectiva divina sobre masculinidade e feminilidade, em vez de adotar a visão da sociedade. Esteja cíente da curiosidade sexual normal Os adolescentes

precisam descobrir o que fazer com esse novo aspecto de sua vida. Eles são naturalmente curiosos a respeito de novidades, inclusive do sexo. Quando tiverem oportunidade de estudar, conversar e aprender a respeito de sua sexualidade de maneira segura, estarão mais bem capacitados para honrar a Deus com suas escolhas de ordem sexual. Dedique uma reunião do grupo para tratar do assunto: “O que a Biblia diz a respeito do sexo (e o que ela não diz)”. Antes dessa reunião, convide os pais para fazer uma discussão separada para que eles compreendam o que você estará comunicando, e para encontrar maneiras de ajudar os filhos a terem relacionamentos saudáveis e que honrem a Deus. Incentive a abstinência

Não desista de ensinar os jovens a esperar até depois do casamento. Embora eles recebam muitas outras mensagens dos colegas e da mídia, buscarão em você o direcionamento sobre como se manterem puros. Atrele o sexo ao casamento, e dê a ele a fibra que merece ter. Se você transmitir esta mensagem consistente ese mostrar um adulto em quem podem confiar ese espelhar, os jovens se lembrarão de seu conselho quando estiverem em situações carregadas de emoções.


RECURSOS ------ ADICIONAIS -----------------------------------------

+ Livros

Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins. São

Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Sexo fora do casamento", p. 289; "Homossexualismo", p. 326.

— HOMOSSEXUALIDADE ------------------------------0 que você deve fazer se um dos membros de seu grupo confessar tendências homossexuais? Em primeiro lugar, não tenha um ataque de nervos. Converse com a pessoa a respeito dos seus sentimentos e o que ela pensa sobre sexualidade. Em segundo lugar, explique que a curiosidade a respeito de experiências sexuais é normal. Tente responder às perguntas a respeito de sexualidade que o jovem possa ter. E por fim, mantenha-se aberto para continuar o papo, sem tecer julgamentos. 0 desenvolvimento sexual é uma jornada que se desenvolve ao longo de toda a vida, e não um evento único da adolescência.

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Não tome um pecado sexual pior do que o outro Alguns

grupos acolhem jovens solteiras grávidas com graça e misericórdia, mas, se alguém questionar sua própria orientação sexual, é tratado com indiferença. Receba com amor todos os membros de seu grupo, mas rejeite todo e qualquer pecado igualmente.


Não desista nem altere suas expectativas e seu padrão

Faça da pureza sexual uma prioridade. Não a menospreze, mesmo que nenhum dos membros de seu grupo seja puro sexualmente. Continuem motivando uns aos outros a buscar a pureza. É mentira dizer que quem cometeu um pecado sexual não pode mudar. É possível mudar, com a ajuda de Deus. Comece desde cedo

Nunca é cedo demais para conversar sobre escolhas sexuais. A juventude vai ouvir falar sobre escolhas sexuais em algum lugar, portanto é melhor que seja no contexto de uma comunidade cristã. Além disso, converse com seus liderados a respeito da influência que exercem sobre outras pessoas e sobre as mensagens que recebem da mídia. Não faça fofocas

Se você suspeita que alguém do grupo está envolvido num relacionamento sexual, fale diretamente com a pessoa, e não com os pais ou os amigos. Vá direto à pessoa e procure se inteirar do assunto de maneira delicada.

0 que não dizer "Foi bom?"

Não faça piadinhas quando um jovem lhe contar a respeito de suas escolhas sexuais. Ele já ouve muitas gracinhas na escola ou no trabalho.


"Você é uma vagabunda"

Uma mãe, ao saber que a filha já era sexualmente ativa, a chamou de “Jezabel” e “prostituta de Satanás”. Xingar a pessoa não leva a nada, mesmo que o comportamento dela seja condenável. "Você sabe o que a Bíblia diz a respeito da pureza..."

Certamente, a Bíblia faia muito a respeito de pureza sexual e de escolhas corretas. No entanto, chamar a atenção do jovem para isso geralmente não é a primeira coisa que você deve fazer. Muitos jovens já se sentirão envergonhados. E foi preciso reunir muita coragem para conversar com você. O jovem pode recear que você irá condená-lo logo de cara. Primeiro, crie laços de confiança ao ouvir e tentar compreender a pessoa. Em algumas situações, é importante conversar a respeito dos mandamentos bíblicos relacionados ao comportamento sexual. Em outras ocasiões, o jovem pode conhecer perfeitamente os padrões sexuais determinados por Deus e precisa apenas de alguém que o ouça, compreenda e aconselhe.

0 que dizer "Você planejou isso ou foi coisa de momento?"

Às vezes as pessoas planejam praticar o sexo. Em outras situações, simplesmente seguem seus impulsos e terminam nuas na cama. Essa pergunta pode levar a discussões importantes a respeito do motivo de nos envolvermos em atividades sexuais pecaminosas, e de como nossas escolhas, ainda que simples, podem gerar conseqüências graves.


"O que falta em sua vida?"

Todos nos tentamos preencher um vazio no íntimo. Às vezes esse vazio pode ser a falta do amor de um dos pais. Pode ser necessidades físicas ou económicas. Pode ser solidão ou depressão. Essa pergunta é ótima para iniciar uma conversa. "Você é filho(a) de Deus"

Todos precisam ser lembrados de sen valor e identidade em Cristo. Deus não estabeleceu limites sexuais por ser um desmancha-prazeres. Seu motivo foi proteger nossos corações e corpos. "0 que você fará diferente da próxima vez?"

Os jovens devem ter padrões sexuais bem definidos para fazer as escolhas corretas. Por exemplo: “Não vou tirar nenhuma peça de roupa do corpo” ou “Não vou ficar sozinha com um rapaz no quarto ou num lugar escuro”. “Você foi criado à imagem de Deus"

O cristianismo é uma religião que tem tudo a ver com o corpo humano — tanto é assim, que acreditamos na ressurreição do corpo. Isso mostra como a unidade corpo-pessoa é valorizada por Deus. Na fé cristã, o corpo humano é precioso. Ensine sobre a importância do corpo e como devemos tratá-lo.


Emprego Como apoiar os jovens que estão lidando com os desafios do emprego

Dicas de aconselhamento de Curtis A. Kregness

Quando sai de casa para procurar emprego, todo jovem brasileiro se encontra num círculo vicioso: as empresas só contratam pessoas que têm experiência, mas para ganhar experiência é necessário que alguém as contrate! Quais são os primeiros passos para sair dessa enrascada? Para descobrir as dicas cercas, entrevistamos vários jovens que já passaram por esse desafio. Falamos também com pequenos empresários que fazem questão de contratar jovens trabalhadores. As respostas deles se encontram na “entrevista coletiva” a seguir. Manual de Primeiros Socorros: Por que precisamos trabalhar? O trabalho não é um castigo de Deus por causa do pecado de Adão e Eva? Resposta: Na verdade, Adão teve bastante trabalho antes de comer do fruto proibido. Deus o encarregou de dar nomes a todos os animais e cuidar da terra. Deus quer que encaremos todo trabalho como serviço prestado a ele. Porém, quando o pecado entrou no mundo, o trabalho se tornou um fardo por causa das atitudes egoístas das pessoas. A Bíblia nos ensina que o trabalho é mais um meio de glorificar a Deus. Também serve para suprir nossas necessidades e as dos outros. MPS: Quais algumas dicas para o jovem à procura de trabalho? Resposta: Oração e ação. Vá à luta. Não espere que os pais tomem a iniciativa. Batalhe. Invista em si mesmo. Faça uma faculdade ou escola técnica, pois estágios para estudantes freqüentemente resultam em ofertas de emprego. Se não tiver


dinheiro para estudar, inscreva-se para uma bolsa de estudo. Utilize sua rede de contatos na escola e na igreja para caçar oportunidades. Prepare um currículo, mas entregue-o pessoalmente. Tome cuidado com sua aparência, pois o empregador entende que a apresentação pessoal revela um pouco do caráter do candidato. Na entrevista, seja autêntico. Não tente mostrar o que não é. MPS: Como conciliar estudo e emprego? Resposta: A vida é muito corrida. Muitos pensam nos estudos quando estão trabalhando, e no trabalho quando estudam. Em vez disso, concentre-se no que você está fazendo e seu rendimento nas duas áreas certamente irá aumentar. Sacrifícios serão necessários; por exemplo, abrir mão das horas vagas em finais de semana para estudar. Elimine coisas que atrapalham, como ficar à toa na internet, televisão, no video game e computador. MPS: Quando o jovem encontra trabalho, quais os maiores desafios? Resposta: Quando o jovem trabalha com pessoas mais velhas, todo mundo é chefe. Partem do princípio que o jovem não sabe o que está fazendo. A concorrência é grande, portanto pode ser difícil se manter no emprego. A falta de motivação e preparo são outros obstáculos. Se o jovem empregado estiver na faculdade, talvez encontre dificuldade para conciliar estudo e trabalho. Nos grandes centros urbanos, a distância entre casa, empresa e faculdade pode significar várias horas por dia no trânsito. Se você não tiver condução própria, aproveite o tempo no ônibus ou trem para estudar. MPS: Quais alguns problemas éticos que o jovem enfrenta no trabalho? Resposta: Há uma falta geral de integridade. São muito comuns os acordos fiscais entre empregados e patrões, mesmo


que firam as leis trabalhistas. O jovem pode ser forçado a fazer horas extras não-remuneradas para manter o emprego. A fofoca corre solta dentro das empresas. O egoísmo faz com que pessoas prejudiquem umas às outras para conseguir vantagens e promoções. Quando o chefe não está, os empregados se comportam de maneira desleixada. Diante de tudo isso, o jovem que mantiver uma postura cristã pode ser penalizado. MPS: Como o cristão deve agir se achar que está sendo discriminado na empresa? Resposta: Bem-vindo à vida real! Não tenha medo. Seja firme em quem você é. Lembre-se, nosso dever maior é agradar a Deus e não as pessoas. Agindo dentro da ordem e legalidade, procure seus direitos. Busque conselhos do pastor da sua igreja ou de um amigo de confiança. Antes de tomar qualquer decisão, ore bastante, inclusive por aqueles que o perseguem. Deus dará a orientação que você precisa.

Cuidados e conselhos NOÇÕES BÁSICAS O trabalho é coisa boa, criada por Deus para suprir nossas necessidades e as das outras pessoas. O jovem, porém, pode ter comprado a idéia popular de que o trabalho é um castigo de Deus e que o alvo mais sublime da vida é o ócio e o lazer. Por outro lado, alguns jovens e adolescentes pensam que o trabalho é tudo na vida. Ficam obcecados por dinheiro e poder, enganados pela cultura consumista da sociedade moderna. A verdade é ourra. Embora o trabalho tenha sido criado por Deus para nosso bem, o Senhor não nos julga de acordo com nossa posição e desempenho na empresa. Na cruz, Cristo já fez tudo que precisamos para nos aproximar de Deus. No


final das contas, o que importa é colocarmos toda nossa confiança nele. Nossa motivação para trabalhar deve ser o desejo de servir a Deus com os dons e habilidades que ele nos deu. Portanto, antes de dar conselhos aos jovens e adolescentes a respeito de questões de emprego, uma das melhores coisas que você pode fazer é ensiná-los a perspectiva bíblica do trabalho.

Cuidados

Ninguém é de ferro

Se o jovem conseguir emprego, lembre-o de tirar as férias devidas. E uma grande tentação trocar férias por dinheiro. O jovem pensa que não precisa descansar, mas Deus nos fez para funcionar num ritmo equilibrado de trabalho e repouso. Isso começa com o sono diário suficente e se estende ao descanso semanal de um dia para adoração e recuperação das forças físicas.

QUANDO BUSCAR ------ AJUDA PROFISSIONAL-------------------------A pessoa desempregada pode facilmente entrar em depressão. Se o jovem mostrar algum dos sinais de depressão mencionados no Capítulo 2, leve-o a buscar ajuda médica e terapia profissional.


Conselhos Faça alguma coisa

Se o jovem não conseguir achar emprego nas primeiras tentativas, incentive-o a não ficar em casa lamentando o fato. E melhor trabalhar num serviço voluntário por um tempo para ganhar experiência, do que ficar parado. A pessoa ativa no mercado de trabalho tem muito mais chances de encontrar oportunidades de emprego. Seja flexível

O trabalho informal, porém remunerado, pode ser a solução para o jovem que não conseguir um emprego com carteira assinada. Ajude-o a exercer sua criatividade, por exemplo, dando aulas particulares sobre uma matéria que domine bem, como Matemática ou Português. Esteja atento também para trabalhos temporários, como os de fim de ano, no comércio. Incentive o uso responsável do dinheiro

Quando o jovem começar a ganhar seu próprio salário, lembre- o de que tudo é do Senhor. Se ele aprender cedo a disciplina de dedicar o dízimo ao Senhor, dificilmente deixará de fazê-lo mais tarde. Faça uma poupança

Depois de separar o dízimo, incentive o jovem a cultivar o hábito de poupar dinheiro. A quantia não é tão importante quanto a regularidade. Uma quantia pequena depositada na poupança todo mês se torna um montante razoável com o tempo. Com esse dinheiro, o jovem pode fazer um fundo de reserva para emergências ou negociar um bom desconto à vista na compra de um presente ou bem pessoal.


AUXÍLIO ------ BÍBLICO

+ Provérbios 6.6-11 + + Romanos 12.6-8 + Efésios Provérbios 13.4 + Eclesiastes 6.5-9 + Colossenses 3.23, 24 2.4-11; 18-23 + Jeremias 9.23, + 2Tessalonicenses 3.10-12 24 + Mateus 25.14-30

Dicas para o grupo de jovens ou adolescentes Crie um banco de empregos

Com a ajuda de membros da igreja, faça uma lista de empresas em sua cidade que costumam contratar jovens e adolescentes. Visite algumas delas e fale com o Departamento de Recursos Humanos para descobrir suas maiores necessidades de mão de obra. Disponibilize essas informações aos membros do grupo. Realize um seminário

Convide um empresário ou alguém que trabalhe com Recursos Humanos para dar uma palestra sobre como procurar emprego e como o jovem deve se preparar para uma entrevista. Durante o evento, separe um tempo para que cada jovem possa elaborar ou atualizar seu próprio currículo. Deixe também bastante tempo para perguntas e respostas. Faça um treinamento a respeito de dons e talentos A Bíblia

nos ensina que o Espírito Santo distribui dons espirituais a cada membro do Corpo de Cristo, a Igreja. Chame alguém para fazer um


worltshop a fim de avaliar o dom espiritual de cada jovem do grupo. Baseado nas descobertas, encaminhe-os a um ministério apropriado na igreja ou na comunidade, onde possam exercer seus dons e talentos para a edificação do Reino de Deus.

0 que não dizer "Pegue a primeira oferta de emprego que vier."

Não deixe que o jovem seja levado pelo desespero. Ore com ele, pedindo a direção de Deus. Ajude-o a fazer uma avaliação consciente de cada oferta, pensando não apenas no salário, mas também nos benefícios, nas condições do local, na distância de casa, e nas possibilidades de crescer na empresa. "Estudar não é tão importante. Diploma de faculdade não é nem necessário para ser Presidente da República!"

O mundo mudou. Quem chegou ao topo sem faculdade é exceção e não regra. O estudo, além de proporcionar maiores e melhores possibilidades de emprego, contribui para a maturidade e autodisciplina. Incentive os jovens a pensar no estudo como processo que durará a vida inteira.


O que dizer

"Você não tem condições de fazer uma faculdade? Faça um curso profissionalizante ou uma escola técnica."

Há muitas opções de estudo fora das faculdades tradicionais. O importante é ter algum ripo de preparo para facilitar sua entrada no mercado de trabalho. Procure o Senac ou o Senai da sua região. De acordo com o site da Senac, a entidade “mantém parcerias visando a oferta de cursos gratuitos em várias cidades brasileiras”. "0 que você faz bem? 0 que você gosta de fazer?"

Incentive o jovem a procurar emprego que utilize os dons e talentos dele. Nem sempre será possível casar o útil ao agradável, porém, a pessoa geralmente fica mais feliz quando trabalha na área de seu interesse e competência, mesmo que o salário, às vezes, seja menor! RECURSOS

------ADICIONAIS ------------------------------------------

+ Livros Aconselhamento Cristão—Edição Século 21. Gary Collins.

São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, "Aconselhamento vocacional", p. 635. Trabalho, descanso e dinheiro. Timothy Carriker. Viçosa: Ultimato, 2001.

+ Internet http://www.senai.br (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) http ://w ww. se n ac. b r (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) FIM


Anotações


Se você quer ajudar um jovem ou adolescente, mas não sabe como, leia este livro. Aqui encontrará conselhos simples e valiosos sobre como ajudar jovens e adolescentes que estejam enfrentando problemas ou períodos difíceis na vida. Os jovens e adolescentes passam por certas dificuldades naturais durante essa fase. Muitas vezes também se vêem frente a frente com experiências dolorosas. E normalmente é a você, que atua nesse ministério, que eles correm em busca de consolo e ajuda. Mas o que dizer nessas horas? Como ajudá-los? O que fazer para não piorar ainda mais a situação? Este manual de primeiros socorros o ajudará a lidar com todas essas questões.

Descubra oque fazer para ajudar jovens e adolescentes que estejam enfrentando problemas como:

• Perda de entes queridos • Depressão •Tendências suicidas • Vícios • Divórcio dos pais •Abuso • Outros conflitos, como ansiedade, estresse, gravidez precoce, emprego, sexo e relacionamentos

Cada capítulo traz:

Este manual de primeiros socorros dará mais confiança a quem quer dividir o amor de Deus e estender a mão para aqueles que sofrem.

• Depoimentos de quem já passou pelo problema • Dicas práticas de como cuidar da pessoa que está sofrendo • Idéias de como os próprios jovens e adolescentes do grupo podem oferecer seu apoio e solidariedade a quem sofre • O que dizer e o que não dizer nessas horas • Conselhos de quando buscar ajuda profissional • Auxílio bíblico para enfrentar a crise

VIDA MOVA www, vi da no va. com. br

Manual de primeiro socorros para ministério com jovens e adolescentes  
Manual de primeiro socorros para ministério com jovens e adolescentes  
Advertisement